• 04/09/2006

    Especial Bolívia 2 – Constituinte busca dar concretude a Estado plurinacional

    SUCRE (BOLÍVIA) – A mais profunda mudança que os movimentos indígenas – que representam na 62% da população boliviana – pretendem introduzir na Assembléia Constituinte em curso no país é a definição da Bolívia como um Estado plurinacional. Não se trata apenas de levar em conta as demandas da maioria indígena no planejamento das políticas governamentais, mas também de garantir a participação direta dos povos indígenas em toda a estrutura dos poderes públicos.


     


    A mudança, se consolidada, levará à reformulação da própria idéia de Estado, para que nela caibam as formas de representação política dos 37 povos originários que vivem no território boliviano. “Nosso objetivo não é incidir em um ministério específico, mas que as propostas dos povos indígenas sejam transversalizadas nas ações dos governos, e isso significa o reconhecimento verdadeiro de nossas identidades como povos”, afirma Pedro Nuni, vice-presidente da Confederação de Povos Indígenas da Bolívia (Cidob).


     


    “É uma situação muito diferente do Brasil. Se lá 0,4% da população indígena, aqui temos 62%. A temática indígena será algo que tem que estar presente em toda a Constituição. Esta é a novidade. Não poderá ser um regime especial e não será um capítulo para indígenas. Terá que haver referências às especificidades indígenas no poder judiciário, no ordenamento territorial, agrário, nos recursos naturais. A Bolívia talvez seja o primeiro país com este tipo de características”, avalia o padre jesuíta Xavier Albó, antropólogo que acompanha de perto os movimentos indígenas há quatro décadas e é uma das maiores autoridades do país no tema.


     


    Entre os 62% da população boliviana que, no censo de 2001, afirmaram pertencer a um povo indígena, 36% aprenderam idiomas originários como sua primeira língua e 11% não falam espanhol.


     


    O termo mais utilizado para explicar esse pleito é a interculturalidade, definida por Albó da seguinte maneira: “Entre gente culturalmente distinta, as estruturas do governo têm que ter espaços para os distintos grupos culturais. Isso implica que quem toma decisões têm de respeitar a diversidade. Não através de cotas, mas garantindo que a problemática de todos os grupos esteja presente, seja na educação, na saúde ou na justiça. Um tribunal não pode ser só de advogados brancos, mas tem que haver gente que entenda de direito consuetudinário (de costumes)”, exemplifica.


     


    Passado recente


    Reformas constitucionais anteriores já haviam aberto espaço para algumas mudanças na relação do Estado com as comunidades indígenas. Em 1994, a Constituição boliviana incluiu em seu artigo 1º a definição do país como “pluriétnico e pluricultural”. A reforma fez parte de um movimento que ocorreu dentro do governo de Gonzalo Sánchez de Lozada, que também aumentou o poder dos municípios e reformou a educação, incluindo a formação bilíngüe nos currículos.


     


    Mas mesmo estas reformas são bastante criticadas por parte dos indígenas, porque vieram acompanhadas de outras que lhes tiravam poder de decisão sobre recursos naturais. “Fundamentalmente, queremos que se acabe isto de direitos apenas na teoria. Em 1994, colocam o artigo 1 (que define o país como multiétnico e pluricultural) e o artigo 171 (que reconhece e os direitos sociais, econômicos e culturais dos povos indígenas e permite o reconhecimento de terras indígenas). Mas neste mesmo ano foi feita a Lei de Capitalização, que não foi outra coisa que dar de presente nossos recursos naturais e nossas empresas às transnacionais, definitivamente. Foi algo assim: ‘meu filho, te reconheço, te dou o sobrenome mas não te dou nada, e que morra de fome’. Foi nefasto”, afirmou o indígena eleito para a Constituinte Miguel Peña, do povo Mojeño, eleito pelo departamento de Beni, que faz fronteira com o Acre.


     


    No que diz respeito aos recursos naturais, o que os indígenas querem incluir na Constituinte é a obrigatoriedade de participação dos povos na definição sobre o uso e apropriação dos recursos naturais não renováveis existentes em seus territórios.


     


    A Lei de Capitalização, citada por Miguel Pena, aprofundou o processo de privatizações na Bolívia e permitiu ao Estado a privatização de empresas consideradas estratégicas, por meio da criação de empresas de economia mista. Entre as empresas, estavam a petroleira YPFB, as empresas nacionais de eletricidade, telecomunicações e metalurgia. E as privatizações foram, em parte, os motivos para as mobilizações que deram força aos movimentos camponês e indígena que, desde o início dos anos 90 do século passado, levaram ao fortalecimento das características étnicas dos movimentos na Bolívia. “Se as transnacionais têm que entrar no país, que não entrem roubando. Têm direito a ganhar, mas não a assaltar o país, e é isso que acontecia até agora”, afirma o constituinte.


     


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    Anseio por mudanças se concentra na Assembléia Constituinte



     



    (por Priscila D. Carvalho – texto publicado pela Agência Carta Maior – a autora é assessora de comunicação do Conselho Indigenista Missionário – Cimi).

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  • 04/09/2006

    Especial Bolívia 1 – Anseio por mudanças se concentra na Assembléia Constituinte


    SUCRE (BOLÍVIA) – Três semanas após ter sido instalada e depois de uma série de impasses, a Assembléia Constituinte boliviana, reunida no teatro Gran Mariscal na cidade de Sucre, conseguiu chegar na madrugada de sexta-feira, 1, a um acordo geral sobre as regras de funcionamento do fórum que determinará a nova Carta Magna do país vizinho.


     


    Em linhas gerais, prevaleceram as posições defendidas pelo Movimento ao Socialismo (MAS), partido majoritário de sustentação do governo do presidente Evo Morales, mas falta ainda definir o critério de aprovação das propostas ordinárias. O MAS propõe que elas sejam submetidas ao crivo da maioria absoluta (50% mais um), exceto o texto final, que será submetido à votação com exigência de confirmação de dois terços dos constituintes. Já a a oposição, liderada pelo Poder Democrático e Social (Podemos), principal partido oposicionista com 60 cadeiras, mantém-se firme na defesa do mínimo de dois terços de votos.


     


    A polêmica sobre a abrangência dos trabalhos dos constituintes também permanece em aberto. O Podemos insiste em colocar limites ao caráter “originário e refundacional” da Assembléia, ponto crucial defendido pelos representantes do MAS.


     


    Uma assembléia originária tem o poder de alterar toda a estrutura do Estado e não apenas de reformar a Carta atual. O consenso sobre este ponto havia sido obtido com a inclusão da garantia de que os constituintes manterão e respeitarão os mandados dos três Poderes do Estado (Executivo, Legislativo e Judiciário) até que a população aprove, mediante referendo, a nova Constituição. Ao que tudo indica, a Comissão Redatora, instaurada em 18 de agosto, deve continuar enfrentando dificuldades para definir o detalhamento das regras. O MAS segue mobilizando suas bases e, sobretudo nos departamentos (equivalente, na divisão federativa, aos estados do Brasil) onde há maior oposição ao governo Morales, seguem organizados (com amplo espaço na mídia) os Comitês Cívicos, que apóiam uma Assembléia não originaria e a exigência de dois terços dos votos para aprovar qualquer tema.


     


    Afora as desavenças, a formação de 17 comissões temáticas já foi acertada. São elas: Tipo de Estado, Cidadania, Direitos, Deveres e garantias, Poderes do Estado, Descentralização e autonomias, Educação, Desenvolvimento social; Recursos naturais; Meio ambiente; Terra e território; Desenvolvimento amazônico, Coca, Financeiro; Segurança e defesa, Fronteiras e Relações internacionais.


     


    Outro ponto acordado desde a última semana é que a Constituinte aceitará propostas vindas da população desde que sejam confirmadas por pelo menos a mesma quantidade de assinaturas de apoio que os votos obtidos pelo constituinte menos votado na localidade de onde venha a proposta.


     


    Composição e desafios


    O MAS elegeu 142 dos 255 constituintes. Do total de eleitos, 22% são indígenas e camponeses. Desse grupo emergiu a presidenta da Assembléia, Silvia Lazarte. Sindicalistas, agricultores, motoristas, dirigentes comunitários, dirigentes camponeses, artesãos e estudantes, ao lado de advogados, professores, administradores e jornalistas, com idades que variam entre 22 a 64 anos, participam da Assembléia, instalada em 6 de agosto, mesmo dia em que foi proclamada a independência da Bolívia, em 1825.


     


    “Nosso maior desafio será estar de acordo com o que as pessoas querem. Existem muitas posições diferentes, mas as maiorias indígenas e trabalhadoras querem uma mudança profunda. Outros grupos, que estiveram no poder antes, não vão querer mudanças profundas, ainda que o modelo deles tenha fracassado”, coloca disse Dunia Ignacio, constituinte de 24 anos, liderança camponesa ligada a grupos produtores de quinua, cereal utilizado para alimentação há centenas de anos que só se produz em regiões de três a cinco mil metros de altura, comuns na parte oeste da Bolívia. “Nós buscamos igualdade de direitos e eles não entendem isso”.


      


    Para o constituinte Luiz Alfaro, advogado e dirigente camponês eleito pelo departamento (estado) de Tarija, as principais propostas são de distribuição dos recursos econômicos para a população, novo sistema político com eleições diretas em todos os níveis de Estado, sistema de saúde e educação universais, incorporação de mecanismos para eliminação da corrupção.


     


    Novos na praça


    Na praça central de Sucre, é comum encontrar constituintes durante os intervalos dos debates. Mais fácil ainda é confundir representantes eleitos com a população camponesa e indígena comum que circula pelas ruas da cidade. Homens atendem às sessões de ponchos e chapéus. Mulheres camponesas e indígenas mantêm suas longas tranças negras e as tradicionais saias rodadas e coloridas, as poleras.


     


    A presença destes novos atores na política tem um significado especial para Sucre. Até as reformas de 1952, indígenas e camponeses eram proibidos de andar por esta mesma praça que ainda mantém os prédios brancos da época colonial, que são os cartões postais da cidade.


     


    No Gran Mariscal, teatro de estilo neoclássico no centro do Sucre, as forças agora estão lado a lado – à direita da mesa diretora estão os chapéus, poleras e camisetas dos eleitos pelo MAS e por outros partidos e organizações populares e indígenas (alguns foram eleitos sem filiação partidária, já que a legislação boliviana permite a candidatura sem ligação direta com partidos políticos). À esquerda, onde está sentada a oposição, se vê a maioria da tradicional elite trajada de ternos e gravatas.


     


    O crescimento da presença de representantes camponeses e indígenas na política institucional boliviana é fruto das mobilizações lideradas por eles nos últimos seis anos. Iniciadas com protestos contra a privatização da água e de recursos naturais, eles levaram ao questionamento de todo o modelo neoliberal, aplicado no país desde a redemocratização, em 1985. Também partiu destes protestos a ascensão de lideranças provenientes dos setores sociais que encabeçaram o movimento de mudança do Estado boliviano, que levou à criação de um partido composto por movimentos sociais, o MAS, e à eleição do líder cocalero Evo Morales.


     


    “A Assembléia é uma conseqüência das lutas camponesas e indígenas. O setor operário, nestes últimos tempos, praticamente desapareceu. Foi o movimento camponês e indígena que combateu nesses últimos anos, a partir da crise econômica e social e da crescente marginalização econômica que sofreram estes setores”, avalia Freddy Sempertegui, diretora da Fundación Aclo, entidade que trabalha com o desenvolvimento rural de indígenas e camponeses na Bolívia e que faz parte do grupo de organizações que, reunidas sob o nome de Apostamos por Bolívia, atuam na difusão de informações sobre a Assembléia Constituinte.


     


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    Constituinte busca dar concretude a Estado plurinacional



     


    (texto publicado pela Agência Carta Maior – a autora, Priscila D. Carvalho, é assessora de comunicação do Conselho Indigenista Missionário – Cimi).


     

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  • 04/09/2006

    Documento Final do II Seminário da Juventude Tupinambá da Serra do Padeiro


    “Construindo nossos Direitos”


     


    Reunidos na Aldeia de Serra do Padeiro, município de Buerarema-Bahia, Território do Povo Tupinambá de Olivença, nos dias 1, 2 e 3 de setembro de 2006, jovens dos povos Tupinambá de Serra do Padeiro, Acuípe e Olivença; Pataxó Hã-Hã-Hãe; Pataxó do extremo-sul da Bahia; Pataxó de Minas Gerais e Maxakali; os representantes das organizações indígenas APOINME (Articulação dos Povos e Organizações  Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo), Frente de Resistência e Luta Pataxó, COEDIN (Comissão de Educadores Indígenas do sul da Bahia), Conselho de Lideranças do sul da Bahia; as entidades de apoio CIMI (Conselho Indigenista Missionário), ANAI (Associação Nacional de Ação Indigenista); representante da Escola Agrícola Comunitária Margarida Alves, PINEB/UFBA (Programa de Pesquisas sobre Povos Indígenas do Nordeste Brasileiro) e ISC/UFBA (Instituto de Saúde Coletiva), CIPÓ, Pastoral da Juventude, Faculdade Ítalo (SP) e departamentos de educação, CGDDI e administração executiva regional da FUNAI, somando-se ao todo 234 participantes no II Seminário da Juventude Tupinambá da Serra do Padeiro, que teve o seguinte título “Construindo nossos Direitos”. Os temas igualdade, educação e saúde diferenciadas, política, terra, cultura, respeito, autonomia, e direitos foram discutidos dentro de 4 oficinas: Terra, Movimento Indígena, Eleições, Organização e Articulação dos Jovens. As propostas oriundas das oficinas foram discutidas na grande plenária e versaram sobre os seguintes pontos:


     


    Encaminhamentos de denúncia e solicitações ao CGDDI:


     


    – sobre a proposta de criação e ampliação de novas unidades de conservação federais no sul e extremo sul da Bahia, atingindo diretamente os povos Tupinambá e Pataxó;


    – solicitações de explicações por parte da Presidência da FUNAI sobre seu posicionamento favorável ao cumprimento das liminares de reintegração de posse incidentes sobre o território do povo Tupinambá.


    – Solicitação de uma assessoria jurídica permanente nas administrações executivas regionais de Ilhéus e Porto Seguro, especialmente no que tange o direito de defesa do líder indígena Joel Brás e demais lideranças, bem como no acompanhamento dos processos territoriais;


    – Sobre a invasão e depredação ambiental (retirada de madeira) do Território Maxakali.


     


    Outras Denúncias:


     


    – Sobre o descaso do chefe do NAL de Itamarajú, Zezito Ferreira dos Santos, no que diz respeito ao acompanhamento do processo jurídico que envolve o supra-citado líder indígena Joel Brás;


    – A continuidade de descaso da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) no que diz respeito à  questões básicas de assistência à saúde.


     


    Propostas:


     


    – Realização de reunião com IBAMA, FUNAI e entidades de apoio sobre a construção de corredor ecológico no território Tupinambá e as unidades de conservação no território Pataxó.


    – Instituir data para lembrar os grandes mártires que morreram na luta pelos direitos dos povos indígenas;


    – Orientar os professores para, na sala de aula, trabalharem o tema das eleições como conteúdo escolar, no sentido de explicitar e relacionar a política eleitoral com a questão da terra;


    – Realização, de Itabuna a Ilhéus, da 1º Marcha dos Índios do sul e extremo-sul da Bahia, contra a postura anti-indígena da Justiça Federal de Ilhéus, com data a ser definida no Conselho de Lideranças do sul da Bahia (06/09/06);


    – Criação do Conselho de Jovens para dar continuidade às discussões realizadas no seminário e encaminhamentos, bem como, organizar seminários e participar de reuniões gerais no sentido de articular a juventude indígena da Bahia. A comissão escolhida durante a grande plenária do seminário ficou assim composta: Iglésio (Pataxó Hãhãhãi), Adenilton (Tupinambá de Olivença), Licuri/Buri (Pataxó do extremo-sul); José Nilton (Tupinambá da Serra do Padeiro).


     


    Diante de todas essas questões e especialmente no que diz respeito à reivindicação maior dos povos indígenas, que é a demarcação e garantia dos seus territórios, nós povos aqui presentes e instituições, exigimos posicionamento imediato da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) sobre os entraves no processo de identificação e delimitação do Território Tupinambá de Olivença; demarcação de um território único para o povo Pataxó do extremo-sul; gestões junto ao Supremo Tribunal Federal sobre a Ação de Nulidades de Títulos incidentes na Reserva Caramuru-Paraguaçu do Povo Pataxó Hãhãhãi; revisão e ampliação dos limites da Terra Guarani, do povo Pataxó de Minas Gerais.


     


    Entendemos que os constrangimentos a que estamos submetidos são muitos, invasão das nossas terras, e em conseqüência disso as mazelas às quais os jovens estão submetidos, por isso, estamos concentrando nossas forças para a cada dia fortalecer nossa luta, valorizar nossa cultura, respeitar os nossos velhos (fonte da sabedoria do nosso povo). Esperamos que no próximo ano estejamos unidos para a realização de mais um seminário, que significará para nós mais uma conquista e prova de resistência e determinação. Que os encantados nos protejam!


     


    Serra do Padeiro, 03 de setembro de 2006.


     

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  • 01/09/2006

    Juventude do povo Tupinambá de Olivença se organiza

    Jovens indígenas da etnia  Tupinambá de Olivença da aldeia da Serra do Padeiro localizados nos municípios de Una e Buerarema no sul da Bahia, a cerca de 450 km de Salvador, realizam a partir de hoje e até domingo, dia 3, na aldeia Serra do Padeiro,  o II Seminário Cultural da Juventude Indígena Tupinambá da Serra do Padeiro.


     


    Este II Seminário tem como tema central: “Juventude: Construindo nossos Direitos”


     


    O Seminário tem como objetivos principais:


     


    ·        Dar visibilidade à participação dos jovens na luta pela Terra;


    ·        Proporcionar um melhor intercâmbio entre os povos indígenas;


    ·        Reflexão e aprofundamento do momento eleitoral;


    ·        Fortalecer  as parcerias e alianças;


    ·        Fortalecer a participação  dos jovens indígenas nos espaços de luta (interno e externo);


    ·        Valorizar a cultura indígena a partir da culinária.


    ·         Propiciar um melhor intercâmbio entre as várias culturas indígenas.


     


    Este será o  segundo seminário realizado pela Juventude Tupinambá. Devido ao enorme sucesso do primeiro seminário realizado o ano passado, definiram  pela realização deste segundo, que deverá ser uma continuidade das discussões que os jovens vem construindo ao longo das suas caminhada. “Muitas coisas aconteceram desde a realização do primeiro encontro,  vitórias, avanços, mas também algumas coisas que precisamos entender melhor e acharmos saídas para resolve-los. Este ano também tem a questão eleitoral que será de muita importância para a  nossa caminhada, e dependendo do seus resultados poderemos ter conseqüências boas ou ruins a depender de quem ganhem as eleições. Assim como no primeiro seminário este também será um espaço da comunidade ter um momento de podermos discutir nossos  problemas e desafios e buscarmos saídas para a construção de um projeto de vida que garanta a qualidade de vida das nossas comunidades”, planeja Miana Tupinambá, uma das organizadoras do Seminário.


     


    Toda a comunidade – incluídas lideranças, cacique, pajé, grupo de mulheres e outros grupos organizados das aldeias – participará do seminário. Também foram convidados representantes de diversos povos indígenas da Bahia, de Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco e Espírito Santo. Os jovens esperam a presença de 150 participantes.


     


    A comunidade da Serra do Padeiro do povo Tupinambá localiza-se nos municípios de Buerarema e Una, a cerca de 450 km de Salvador. É banhada pelos rios Cipó, Maruim e Ferrugem. A história deste povo é marcada por vários massacres. Desde a chegada dos portugueses foram vitimas de violentos ataques com interesses principalmente nas riquezas encontradas em suas terras. Estes ataques continuam acontecendo até hoje, com ameaças de fazendeiros, turismo ou extração de madeira, avanço do Eucalipt.  Mas eles  resistem  a todos os ataques e violências praticadas contra as suas comunidades, e seguem afirmando que seu território tradicional lhes pertende e que vão continuar lutando por ele.


     


    A comunidade da Serra do Padeiro tem hoje uma população com cerca de 650 pessoas.Mantém  fortes sua  cultura e a sua religião, alicerces que dão sustentação a suas lutas. A comunidade tem  grupos organizados de jovens, de produção e de mulheres, e uma Associação Comunitária bastante atuante. A base de sustentação econômica é a cultura da mandioca, destacando-se a  produção de farinha.


     


     


    Itabuna, 31 de agosto de 2006


    Conselho Indigenista Missionário


    Equipe Itabuna


     


     

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  • 01/09/2006

    Newsletter No. 730


     


    – Krenak people participate in the farewell to Dom Luciano          


    – The Pataxó Resistance and Struggle Front continues to fight for unified territory


                 


     


     


    KRENAK PEOPLE PARTICIPATE IN THE FAREWELL TO DOM LUCIANO


     


    Over the last two days, thousands of people have flocked to the historical city of Mariana, Minas Gerais, to pay homage to Dom Luciano Mendes de Almeida, Archbishop of Mariana for 19 years, who died of liver cancer on Sunday, September 27, after 42 days in hospital. Cimi missionaries and representatives of the Krenak people, who live in Resplendor, Minas, were present.


     


    Dejanira, spiritual leader of the Krenak, sang prayers in her people’s language to ask the Marets, their protective spirits, to receive Dom Luciano. In her opinion, the bishop was more than a friend. Dom Luciano’s presence in mediating conflicts was of great importance in the Krenak’s struggle against Companhia Vale do Rio Doce and its projects in the indigenous people’s lands. At the end of her prayer, Dejanira proclaimed: “for us, he has not died; he continues to live in our struggle!” Next, the Krenak leaders sang a solemn song, with a melody that joins the spiritual world to that of the living, taking them to a place where the land rests and the spirit finds harmony.


     


    Around 7,000 people took part in the celebration in the presence of the body, which was held yesterday morning, 30 September, in Praça da Sé. Bishops, priests, authorities, ministry and social movement representatives, and the people of the archdiocese of Mariana attended this celebration, which was commanded by Cardinal Dom Geraldo Majella, the CNBB chairman.


     


    Dom Luciano was born in Rio de Janeiro and ordained in Rome. He was auxiliary bishop in the diocese of São Paulo, where he worked intensely with people who were living on the streets and at the Young People’s Ministry, which he founded.


     


    The doors of his residence were always open to those who lived on the streets of the city’s East Zone, and he often spent the night walking with them in the square, talking to them and listening to their hopes and fears.


     


    As chairman of the National Conference of Bishops of Brazil (CNBB) from 1987 to 1994, Dom Luciano played a decisive role in the Constituent Assembly, especially in the defense of indigenous people’s rights. He also worked on defending Cimi from the accusations made by the newspaper, O Estado de S.Paulo. In 1987, in an attempt to influence the Constituent Assembly against indigenous rights, this newspaper published “reports”, ridden with slander and lies, about the supposed role of religious missions as a front for foreign mining interests. After six days of reports which directly accused Cimi, and through the work of the CNBB, the newspaper was obliged by the courts to grant and publish the organization’s right of reply.


                           


    Amongst his many contributions, the bishop leaves behind many beautiful phrases. “He, who is loved, carries within himself the mysterious desire to abandon his own egoism and to sample the joy of graciously loving others” is one such example. (from Luciano Marcos, Cimi East)


     


    THE PATAXÓ RESISTANCE AND STRUGGLE FRONT CONTINUES TO FIGHT FOR UNIFIED TERRITORY


     


    The Pataxó Resistance and Struggle Front, which coordinates the struggle for land of the 12 Pataxó communities in the South of Bahia, held its 5th Assembly between 18 and 20 August. They are continuing with the fight for the demarcation of a unified land for their people, and state, in the assembly’s final document: “We will only accept the proposal to expand the conservation units after demarcation of our territory, in order to avoid these units encroaching onto our lands”.


     


    They are also striving to bring the planting of eucalyptus in lands traditionally occupied by the indigenous people, which are currently controlled by the company Veracel Celulose, to an end. According to the communities, the company “continues to attack the environment”.


     


    In terms of education policy, the Pataxó ask that the laws which guarantee specific, quality education to be complied with, and that indigenous educators are employed and granted their labor rights.


                           


    Brasília, 31 August 2006


    Indianist Missionary Council


    www.cimi.org.br


     

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  • 31/08/2006

    30/08/05 – Pela liberdade dos 18 Tupinikim presos desde 9 de agosto

    18 Tupinikim presos desde 9 de agosto

     


    As prisões ocorreram porque os indígenas estariam retirando eucalipto de área em litígio com a Aracruz. No entanto, os presos afirmaram que não estavam na área em litígio e que foram atraídos até lá por policiais militares. Alguns PMs confirmaram a versão dos indígenas.


     


    Dia 22 de agosto, o Procurador Federal da Funai no Rio de Janeiro, Dr. Antonio Cavaliere Gomes, fez um pedido liminar de habeas corpus ao Tribunal da Justiça do Espírito Santo. Ele requer a libertação imediata dos presos. Declara que é preciso “cessar a coação ilegal em que se encontram”. Alega também que a competência de julgá-los é da Justiça Federal, já que o fato envolve disputa por terra.


     


    Enquanto não se resolve a questão, os 18 presos estão em uma cela quem tem capacidade para 8 pessoas.


     


     A Rede Alerta contra o Deserto Verde solicita a tod@s que mandem uma mensagem pedindo soluções para esta situação para o desembargador e para a ouvidoria do Tribunal de Justiça:


     


     


    [email protected]


    [email protected]


    tel.: 0800 902442


     


     


    Prezado Senhor(a) desembargador José Luiz Barreto Vivas


    Prezados ouvidores do Tribunal de Justiça do Espírito Santo


     


    Através desta, vimos solicitar a imediata libertação de 18 índios presos na delegacia da Polícia Civil na cidade de Aracruz(ES), desde o dia 9 de agosto.


     


    Não há nenhum motivo legal para manter estes índios presos, já que são réus primários e todos têm residência fixa. Eles podem portanto responder processo em liberdade.


     


    Vale esclarecer também que neste momento existe um conflito de terra entre as comunidades indígenas e a empresa Aracruz Celulose, que aparentemente está tentando usar seu poder e influência para manter os índios presos, em condições degradantes.


     


    Ficamos atentos a este processo, e confiamos que o Senhor(a) tomará as devidas providências para que os índios sejam libertados o quanto antes,


     


    Atenciosamente,


     


    SUA ASSINATURA
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  • 31/08/2006

    Informe n. 730: Povo Krenak participa da despedida de Dom Luciano


     


    – Povo Krenak participa da despedida de Dom Luciano


    – Frente de Resistência e Luta Pataxó seguye lutando por território único



     


     


     


    POVO KRENAK PARTICIPA DA DESPEDIDA DE DOM LUCIANO


     


    Durante dois dias, milhares de pessoas foram à cidade histórica de Mariana, Minas Gerais, prestar sua homenagem a Dom Luciano Mendes de Almeida. Arcebispo de Mariana há 19 anos, ele morreu domingo, 27, vítima de câncer no fígado, depois de 42 dias internado. Missionários do Cimi e representantes do povo Krenak, que vive em Resplendor, Minas, estiveram presentes.


     


    Dejanira, líder espiritual Krenak, entoou orações na língua do seu povo, pedindo aos Marets, seus espíritos protetores, para acolher Dom Luciano. Para ela, o bispo era mais que um amigo. A presença de Dom Luciano na intermediação de conflitos foi de grande importância na luta dos Krenak contra a Companhia Vale do Rio Doce e seus empreendimentos em terra indígena. No final da sua oração, Dejanira proclamou: “Para nós ele não morreu, continua vivo em nossa luta!”. Em seguida, as lideranças Krenak entoaram um canto solene, cuja melodia une o mundo espiritual e o mundo dos vivos, levando-os ao lugar onde a terra descansa e o espírito encontra a harmonia.


     


    Cerca de 7mil pessoas participaram da celebração com a presença do corpo, realizada na manhã de ontem, 30, na Praça da Sé. A celebração, presidida pelo Cardeal Dom Geraldo Majella, presidente da CNBB, contou a presença de bispos, padres, autoridades, representantes de pastorais, dos movimentos sociais e do povo da arquidiocese de Mariana.


     


    Nascido no Rio de Janeiro, ordenado em Roma, ele foi bispo auxiliar da diocese de São Paulo. Ali, Dom Luciano teve intensa atuação com moradores em situação de rua e na Pastoral do Menor, da qual foi fundador.


     


    Ele mantinha as portas de sua residência abertas aos moradores de rua da Zona Leste da cidade, tanto que saía para conversar com eles madrugada adentro, caminhando na praça, escutando suas dores e esperanças.


     


    Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil do Brasil (CNBB) entre 1987 e 1994, Dom Luciano teve atuação decisiva em todo o processo da Constituinte, particularmente na defesa dos direitos dos povos indígenas. Também atuou na defesa do Cimi das acusações do jornal O Estado de S.Paulo. Em 1987, para influenciar contra os direitos indígenas na Constituinte, o jornal publicou “reportagens”, eivadas de calúnias e mentiras, sobre a suposta atuação de missões religiosas como fachada de interesses de mineradoras estrangeiras. Após seis dias de matérias que acusavam diretamente o Cimi, e através da atuação da CNBB, o jornal foi obrigado pela Justiça a publicar o direito de resposta da entidade.


     


    Entre tantas contribuições, o bispo deixa também belas falas. “Quem é amado leva em si mesmo a vontade misteriosa de sair do próprio egoísmo e de experimentar a alegria de amar os outros com gratuidade” é uma delas.  (de Luciano Marcos, Cimi Leste)


     


    FRENTE DE RESISTÊNCIA E LUTA PATAXÓ SEGUE LUTANDO POR TERRITÓRIO ÚNICO


     


    A Frente de Resistência e Luta Pataxó, que articula a luta pela terra de 12 comunidades Pataxó no Sul da Bahia, realizou sua 5a. Assembléia entre 18 e 20 de agosto. Eles seguem lutando pela demarcação de um território único para seu povo, e afirmam, no documento final do encontro: “Só aceitaremos a proposta de ampliação das unidades de conservação após a demarcação do nosso território, para evitar a sobreposição dessas unidades em nossas terras”.


     


    Eles buscam também o fim do plantio de eucalipto em terras de ocupação tradicional indígena que se encontram sob o domínio da empresa Veracel Celulose. Segundo as comunidades, a empresa “continua agredindo o nosso meio ambiente”.


     


    Em termos de políticas de educação, os Pataxó pedem o cumprimento das leis que garantem educação especifica e de qualidade, como também a efetivação dos educadores indígenas e seus direitos trabalhistas


     


    Brasília, 31 de agosto de 2006


    Conselho Indigenista Missionário


    www.cimi.org.br


     


     

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  • 30/08/2006

    EM MEMÓRIA DE DOM LUCIANO

    Nesta hora em Mariana, está acontecendo a celebração de despedida de nosso grande amigo DOM LUCIANO. Estamos espiritualmente unidos a Ele nesta sua Páscoa.


     


    Mesmo na tristeza e na saudade, louvamos a Deus pela passagem bondosa e generosa de Dom Luciano no meio de nós, pelo seu compromisso corajoso em favor da causa indígena, pela sua amizade. A ele nossa homenagem e nossa eterna gratidão.


    Em outras religiões a morte é apresentada como a cura definitiva das doenças da vida.


     


    Para nós cristãos, a morte é algo ilegítimo, uma mancha no quadro maravilhoso da criação. É fruto do pecado que estragou a natureza humana. Deus só planejou a vida, não a morte. Por isso Jesus veio a este mundo para derrotar a morte!


     


    “Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem acredita em mim, mesmo que morra, viverá”. (Jo 11,25)“A morte foi tragada pela vitória. Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu ferrão?” (1Cor 15,55)


     


    A morte perdeu o seu aguilhão, como uma serpente cujo veneno só é capaz agora de adormecer a vítima por algum tempo, sem poder matá-la. A morte já não é um muro diante do  qual tudo se rompe, mas tornou-se uma porta, uma passagem, uma “Páscoa”, um “Mar Vermelho” graças ao qual se entra na terra prometida.


     


    A verdadeira morte acontece quando colocamos a nossa esperança e o sentido de nossa vida na posse, no poder, no prazer desregrado, quando fechamos o nosso coração ao próximo e nos deixamos levar pelo egoísmo. A verdadeira morte é quando temos medo de perder nossa vida por causa de Jesus e do Evangelho (cf Mt 8,35). Por isso Dom Luciano não morreu.


     


    Dizia Pe. Antônio Vieira: “No nascimento somos filhos de nossos pais, na ressurreição somos filhos de nossas obras”. As boas obras, as obras do amor são o que conta. A vida de Dom Luciano foi uma grande caminhada de amor, cheia de boas obras.


     


    Ele nasceu no Rio de Janeiro em 05/10/1930, foi ordenado padre em Roma em 05/07/1958. Como jesuíta, trabalhou a serviço de sua ordem religiosa, sobretudo no campo da formação, até sua ordenação episcopal que aconteceu no dia 02/05/1976.


     


    Foi Bispo Auxiliar de São Paulo-SP e Responsável pela Pastoral do Menor (1976-1988); Secretário Geral da CNBB por dois mandatos (1979-1986) e Presidente da CNBB, também por dois mandatos (1987-1995); Membro da Comissão Pontifícia Justiça e Paz (1996-2000); Membro da Comissão do Secretariado para o Sínodo (1994-1999); 1º Vice-Presidente do CELAM (1995-1999); Delegado à Assembléia Especial do Sínodo dos Bispos para a América (1997).


     


    Dom Luciano foi um Pastor extraordinário por sua inteligência, por seu carinho e fineza, por sua atenção para com todos, por seu amor eclesial, por sua disponibilidade total a fazer o bem.


     


    Ele viveu a opção pelos pobres com a coerência de sua vida, com sua constante proximidade aos excluídos, com suas posturas lúcidas e proféticas. Por tudo isso ele entrou na história da nossa Igreja e de nosso país.


     


    Lembro as expressões do amor de Deus para com seu povo na experiência mística de Isaías:


     “Não tenha medo porque eu o redimi e o chamei pelo nome: você é meu. Quando você atravessar as águas, eu estarei com você e os rios não o afogarão; quando você passar pelo fogo, não se queimará e a chama não o alcançará, pois eu sou Javé seu Deus, o seu Salvador. Para pagar sua liberdade, eu dei o Egito, a Etiópia e Sabá em troca de você, porque você é precioso para mim, é digno de estima e eu o amo… Não tenha medo porque eu estou com você.” (Is 43,1-5)


     


    A força de Dom Luciano em seu serviço de pastor tinha sua base na confiança serena em Deus. Eu pessoalmente percebi isso quando, junto com um meu confrade, fui visitá-lo no Hospital das Clínicas de São Paulo: nos abençoamos reciprocamente e ele me comunicou naquela hora uma profunda paz.


     


    Foi de lá que ele enviou esta mensagem:  “Estou nas mãos de Deus. Deus nos criou por amor e Ele sabe o que é melhor para nós. Coloco minha vida nas suas mãos”. A confiança em Deus naquela hora sofrida de doença, o abria sempre mais ao amor pelos outros. Ele dizia:


     


    “Não penso só em mim; lembro-me também das muitas vítimas de Beirute, que, infelizmente, vêm aumentando dia a dia, por falta de uma solução que possa dar fim a essa situação. São tantos os sofredores que precisam de cuidados médicos e outros muitos que morreram em conseqüência dos ataques de Israel. Lembro-me ainda dos milhares que sofrem na África. Temos que fazer algo por eles. Uno-me ao Santo Padre pedindo a paz. O mundo requer paz. A violência deve cessar. Será que o mundo não pode abrir os olhos para o drama de milhões de pessoas? Temos que mudar de mentalidade. Somos todos irmãos, feitos por Deus para a felicidade; que o sofrimento de tantas pessoas contribua para o cessar-fogo e a descoberta de um relacionamento humano verdadeiramente amigo. Peço a todos que continuem rezando pelas necessidades da humanidade. Elevemos a Deus os nossos corações. Ele pode nos salvar de toda inimizade e injustiça”.


     


    Dom Luciano recorda ao mundo em que Caim continua a matar Abel e o joio quer sufocar o trigo, mas é possível liberar o coração para fazer florescer a VIDA.Ele recorda que é importante entregar-se ao amor porque tudo o mais nos será acrescentado e porque Deus é amor.


     

    Dom Franco Masserdotti – Presidente do CIMI

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  • 30/08/2006

    Mensagem do Presidente do Cimi

    Querido(a) Irmão(ã) em Cristo,


     


    Desejo-lhe paz e prosperidade!


     


    Gostaria de me apresentar: sou Dom Gianfranco Masserdotti, Bispo da Diocese de Balsas, no Maranhão e Presidente do Conselho Missionário Indigenista (Cimi) – organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).


     


    No ano 2000, os povos indígenas do Brasil lançaram um desafio e um sonho para o país: construir outros 500 anos, marcados pelo respeito, pela garantia dos direitos e pela construção de uma nova sociedade mais justa e solidária.


     


    No Brasil, a população indígena é de aproximadamente 750 mil pessoas, 250 povos diferentes, falando 185 línguas próprias e vivendo em terras indígenas espalhadas por todo o território nacional. ELES SEMPRE ESTIVERAM AQUI!


     


    Em 1972, missionários e missionárias católicos, motivados pelo compromisso evangélico de defesa da vida, criaram o Cimi. Até hoje o Cimi trabalha com os povos indígenas pregando uma convivência respeitosa, solidária e de valorização da diversidade cultural existente em nosso país.


     


    Ao longo dos anos, o Cimi tornou-se um dos principais aliados da causa indígena. O Cimi desenvolve trabalhos em diversas áreas como saúde, educação, organização comunitária, teologia, direitos e agricultura. Graças a este trabalho, centenas de povos recuperaram suas terras, sua auto-estima e a dignidade perdida.


     


     O Cimi apóia várias iniciativas através de projetos comunitários, encontros de formação, mobilizações, produção de materiais didáticos e informativos, entre outros.


     


    Para dar continuidade a estas atividades o Cimi precisa de sua ajuda. Através da Campanha de Apoio a Ação Missionária você pode contribuir com este trabalho, fazendo a sua doação ao Fundo Nacional de Solidariedade. Estes recursos serão revertidos integralmente ao trabalho do Cimi em prol da causa indígena.


     


    Você pode fazer a sua contribuição utilizando o boleto bancário, através de depósito ou transferência eletrônica para o Conselho Indigenista Missionário, Banco Bradesco, agência 606-8, conta corrente: 144.233-3 ou enviando um cheque nominal ao Conselho Indigenista Missionário para o endereço SDS – Bloco P nº. 36, Edifício Venâncio III, sala 309/314 – Brasília – Distrito Federal – Cep: 70393-902.


     


    Qualquer dúvida entre em contato diretamente com a Coordenação da Campanha através do telefone 31.3466.4999 em Belo Horizonte ou por e-mail [email protected].


     


     Saiba outras formas de participar desta Campanha e venha fazer parte desta rede de solidariedade.


     


    Obrigado pela sua generosidade!


     


    Abraços fraternos,


     


    Dom Gianfranco Masserdotti


    Presidente do Cimi


     

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  • 30/08/2006

    Cimi regional Rondônia parabeniza Dom Antonio Possamai


     


     


    O Conselho Indigenista Missionário – CIMI – RO, vem a público a fim de parabenizar a coragem e a profecia de Dom Antonio Possamai, bispo da diocese de Ji Paraná, ao denunciar a corrupção existente em nosso estado. “A ousadia do profeta provoca reações que incomodam a consciência dos que roubam, assaltam e matam a vida do povo”.


     


    O sistema político de Rondônia sobrevive à custa de falcatruas, corrupção, mentiras, falta de ética e impunidade. Em quem acreditar e confiar diante da sordidez da política vigente, que nega ao povo rondoniense a liberdade de expressão e o direito de exercer plenamente sua cidadania?


     


    Jesus Cristo sempre expressou, tanto no discurso como na prática, uma posição clara frente ao sistema político, econômico, social e religioso, manifestando sua repulsa à ideologia excludente da época. Enfrentou e “derrubou” os poderosos que subjugavam e oprimiam o povo para continuarem a exercer  seu poder de dominação. 


     


    A Igreja, sendo fiel ao projeto de Jesus Cristo, assume seu papel profético, desmascarando e denunciando tudo o que diminui a vida. Dessa forma, a Diocese de Ji Paraná, na pessoa de Dom Antonio Possamai, ao tomar a decisão de se posicionar contra a corrupção e os corruptos nos órgãos públicos, deixa claro seu compromisso com a verdade, com a justiça e com o bem comum. Pior seria se omitir, deixando de denunciar o que está acontecendo. Isso seria o mesmo que se fazer de cego e de surdo.


     


    A reação do governador Ivo Cassol diante das denúncias é cínica e arrogante, envergonhando a população rondoniense, que confiava em sua honestidade ao elegê-lo para o cargo mais alto do poder executivo do estado.


     


    Não nos esqueçamos das palavras do Evangelho, no caso bem adequadas para este ano de eleições: “O espírito de Deus está sobre mim … para anunciar a Boa Notícia aos pobres, enviou-me para proclamar a libertação aos presos, e aos cegos  a recuperação da vista, para libertar os oprimidos e anunciar o ano da graça do Senhor” (Lc 4, 18s).


     


    Equipe do Cimi Regional Rondônia

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