• 19/11/2010

    Continuam as ameaças contra o povo Pukobyê-Gavião, em Amarante do Maranhão

    Por Gilderlan Rodrigues
    Cimi Regional Maranhão              

    Hoje, os Pukobyê-Gavião estão localizados em seis aldeias: Governador, Riachinho, Aldeia Nova, Rubiácea, Monte Alegre e Água Viva, todas dentro da Terra Indígena Governador, Município de Amarante do Maranhão. A população é de aproximadamente 1.000 habitantes. A reivindicação do povo Pukobyê-Gavião para que se realize uma nova demarcação da terra indígena é para garantir a existência das gerações futuras, bem como a continuidade do modo de vida tradicional do povo.

    Devido ao processo de invasões por fazendeiros e madeireiros, a terra indígena Governador tem sofrido grandes impactos, além da extinção dos recursos sustentáveis renováveis, deixando-a, sem condições suficientes para que os indígenas possam continuar seu modo de vida, conforme sua organização cultural e tradicional. Diante desta realidade, os indígenas solicitaram a Fundação Nacional do Índio, uma nova demarcação da terra para que se incorporem partem importantes do território tradicional – imprescindíveis  para a sobrevivência física e cultural do Povo, a exemplo da água potável – que ficou fora dos atuais limites.

     

    No entanto, fazendeiros e políticos da região tem constantemente afirmado em vários meios de comunicação social que a demarcação inviabilizará o município que já tem três terras indígenas em sua jurisdição geográfica. No entanto, essa informação não corresponde à verdade.  No município de Amarante do Maranhão está localizada uma terra indígena, que é a Governador, do Povo Pukobyê-Gavião e metade de outra que é a Terra Indígena Araribóia, que pertence ao povo Tenetehara/Guajajara.  Já a terra indígena Krikati, pertencente ao povo Krikati está localizada no município de Montes Altos, e não em Amarante como tem sido divulgado.   

     

    Desde o inicio deste mês, quando começou o levantamento fundiário e cartográfico da terra, os indígenas Pukobyê-Gavião têm sofrido constantes ameaças. Elas são oriundas de fazendeiros que têm propriedades dentro da área de ocupação tradicional do povo Pukobyê-Gavião. Vale lembrar que muitas dessas propriedades foram adquiridas através de método persuasivo, utilizado pelos fazendeiros capitalizados vindos da Bahia, Minas Gerais e São Paulo que se instalaram na região.  

     

    As lideranças indígenas Pukobyê-Gavião tem denunciado que as ameaças vão desde o não atendimento médico nos hospitais do município, proibição de ficar em determinados lugares como posto de combustível, esperando condução para irem às aldeias; ameaças verbais como: “temos muita munição para gastar com vocês” ou “estamos dispostos a matar ou morrer”, entre outras.

     

    Até o momento nada foi feito pelo poder público para garantir a integridade física dos indígenas, que têm de se locomover até a sede do município para fazer compras, abastecer os veículos, buscar atendimento médico e farmacêutico, entre outras atividades essenciais para o povo. O procedimento de levantamento fundiário está parado. Os fazendeiros constituíram um advogado e vão entrar na justiça com mandato de segurança para impedir a demarcação da terra.

     

    Os indígenas temem que a situação possa ficar mais difícil, caso nada seja feito. Temem também que venha acontecer conflito semelhante o que aconteceu em 1976 quando o fazendeiro sulista conhecido como Otavio Toledo, “Otavão” humilhou os indígenas, e ateou fogo na aldeia Rubiácea.

    Portanto, o clima nas comunidades indígenas é de tensão e medo, por conta do que pode acontecer entre eles e os fazendeiros caso não seja tomada nenhuma providência o mais rápido possível.

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  • 19/11/2010

    Cimi realiza III Seminário Nacional de Formação

    Tem início nesta segunda-feira (22), o III Seminário Nacional de Formação do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), com o tema “O sonho, a realidade do bem viver frente ao desenvolvimento”. O evento será realizado no Centro de Formação Vicente Cañas, em Luziânia – GO.

     

    O seminário conta com a participação de professores como Lino João de Oliveira, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), do professor equatoriano Pablo Dávalos, pesquisadores como César Sanson, do CEPAT e IHU, lideranças indígenas do cenário nacional, o assessor teológico do Cimi , Paulo Suess e do engenheiro floresta membro da Via Campesina, Luiz Zarref. Durante os quatro dias, eles colocarão em debate as experiências de bem viver, os poderes e o Estado, os povos indígenas frente a acumulação e a aceleração, mudanças climáticas e alternativas ao modelo de vida atual.

     

    São esperadas cerca de 150 pessoas, entre indígenas, missionários e convidados de organizações parceiras. O encerramento acontece no dia 25, quinta-feira.

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  • 19/11/2010

    Desafios Imediatos das Mudanças Climáticas

    – Manifesto do Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social –

     

    Diante das múltiplas e graves manifestações das mudanças climáticas que atingem a Terra e as populações, diante da Conferência Climática que haverá em Cancun, México, o Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social, reunindo organizações sociais e populares parceiras de Misereor no Brasil, com o apoio da CNBB, vê-se na obrigação de fazer algumas reflexões sobre questões extremamente importantes nesse momento.

     

    Primeiro, é com extrema preocupação que acompanhamos a possível votação das modificações no Código Florestal Brasileiro pelo Congresso. Qualquer iniciativa de facilitar a derrubada de mais cobertura vegetal no Brasil e que promova a impunidade dos crimes ambientais cometidos, nos parece como um absurdo contrassenso. Enquanto o planeta pede mais cobertura vegetal para manter as condições de vida, o Brasil, através da flexibilização do Código Florestal, pode abrir possibilidades legais para um maior desmatamento, com conseqüências ambientais, sociais e econômicas imprevisíveis. Além disso, demonstrará um vazio imenso nos compromissos anunciados ao mundo em relação à redução da emissão de gases de efeito estufa pelo Brasil.

     

    Outra preocupação é com o momento político que atravessamos, sobretudo a transição para um novo governo. Embora se fale em continuidade com o anterior, é do conhecimento comum que os problemas socioambientais brasileiros estão vinculados diretamente ao modelo de desenvolvimento adotado, baseado no agronegócio, na exploração mineral, na construção de grandes obras de infra-estrutura, que provocam intensos impactos ambientais e sociais. Entre esses impactos está uma maior emissão de gases provocadores do efeito estufa, pela derrubada e queima de florestas, maior consumo de energias fósseis, construção de lagos artificiais para produção de energia elétrica, maior uso de insumos agrícolas e a criação de gado.

     

    Este modelo de desenvolvimento concentrador não leva em consideração as necessidades e a vida diversa do povo brasileiro, nem os recursos naturais e ainda ameaça a vida presente e futura, principalmente das populações mais vulneráveis, mas, a longo prazo, de todos os brasileiros e demais populações do planeta.

     

    Nesse sentido, o Fórum alerta ao governo brasileiro, sobretudo ao Legislativo, sobre a necessidade de toda precaução em qualquer mudança em nossas leis. Sugerimos inclusive um posicionamento do nosso governo quanto ao encaminhamento de propostas mais consistentes e adequadas à vida do planeta e das gerações futuras. Convocamos a sociedade civil, particularmente os movimentos sociais, para perceberem e se posicionarem na gravidade desse momento.

     

    O que está em jogo é o presente do país e a vida das futuras gerações.

     

    Brasília, 17 de novembro de 2010.

     

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  • 19/11/2010

    No horizonte da autonomia

    Esse foi o tema discutido no penúltimo dia do III Encontro Continental do Povo Guarani

     

    Por Egon Heck

    De Assunção, Paraguai

     

    “Conquista e não esmola.

    Chão e não nuvem.

    É caminho, é reza, é luta.

    Autonomia é um horizonte

    no qual temos que pisar

    com força e com carinho,

    no amanhecer de cada dia”.

     

    “Desde Bolívia un saludo revolucionario del KEREIMBA – Ramiro Valle Mandepora- para mis tentaras – hermanos- de la Nación Guaraní de los cuatro países que, nuevamente tendrán la suerte de reencontrarse con un sólo objetivo fundamental como es la reconstitución territorial de la Nación Guaraní para la consolidación del ejercicio a la libre determinación que consiste en el reconocimiento de nuestro derecho a la autonomía, institución propria, autogobierno y cultural, así como derechos inviduales y colectivos dentro de un estado.” (Ramiro Valle Mandepora – da  Assembléia do Povo Guarani – AGP )

     

    Com essa mensagem, o Guarani da Bolívia expressa bem o que está acontecendo nesses dias, e em especial no dia de hoje, um aprofundamento da reflexão e a busca conjunta de caminhos de articulação e organização dos Guarani em nível continental. Sonhemos, partilhemos e concensuemos nossas propostas em conjunto.

     

    Muitas pedras no caminho da autonomia

     

    A conquista da autonomia pelos povos indígenas no continente tem sido caminho árduo, de avanços e percalços, armadilhas e vitórias. São décadas de experiências que se transformaram em referências importantes para o momento atual de luta pela autonomia dos Povos Guarani na América do Sul

     

    No início da década de 80 o governo revolucionário sandinista se deparou com a difícil realidade e perspectiva dos povos indígenas: os Meskitos, Suma, Rama, dentre outros, exigiam o respeito a seus territórios e a autonomia da Costa Atlântica da Nicarágua. Diante dessa realidade desafiadora, o então governo sandinista desencadeou um amplo debate sobre as perspectivas de autonomia desses povos. A partir de então foram construídos marcos legais importantes para uma nova relação entre o governo e os povos indígenas. Entre percalços políticos e retrocessos, o que permaneceu foi um primeiro intento prático de constituição de autonomias indígenas dentro do marco legal de estados nacionais.

     

    Na década de 90 esse debate voltou com bastante força na proposta e luta zapatista no México. A exigência de autonomias regionais pelos zapatistas e povos indígenas de diversas regiões do país fez com que se colocasse novamente na agenda regional e mundial a discussão sobre a autonomia dos povos indígenas dentro dos estados nacionais. Uma questão central colocada pelo movimento zapatista é de que eles não almejavam o poder, porém exigiam que as comunidades indígenas fossem respeitadas em sua diversidade e tivessem autonomia para gerir e decidir sobre seus projetos de vida dentro de seus territórios, com autonomia.

     

    O debate sobre autonomia, com a perspectiva de autodeterminação foi palco de debates mundiais. A maioria dos estados nacionais, com assento na ONU, se opunha a esse conceito, pois entendiam que o mesmo possibilitava o surgimento de estados nacionais indígenas, independentes. Por isso conseguiram impedir que esses termos fossem assumidos pela ONU, tendo então surgido o conceito de livre-determinação. E isso ficou estabelecido na Declaração dos Direitos Indígena após três décadas de debates.

     

    Agora o Povo Guarani, afirmando-se enquanto Nação Guarani, recoloca a questão, seja a partir de bases legais já consolidadas, seja a partir da percepção e reivindicação dos povos Guarani presentes em quatro países da América do Sul.

     

    A novidade são os caminhos já percorridos e as conquistas consolidadas, especialmente pelos Guarani na Bolívia. Já não é mais apenas uma discussão teórica, um sonho distante, mas são experiências concretas e conquistas legais, como o reconhecimento de estados plurinacionais na Bolívia e Equador.

     

    Para os Guarani da Bolívia, presentes no III Encontro Continental Guarani, autonomia indígena é a condição e princípio de liberdade de nosso povo, que impregna o ser individual e social, como categoria fundamental de antidominação e autodeterminação. Enquanto avançam na construção efetiva dos espaços de autonomia, convivem os Guarani da Bolívia com situações de escravidão em grande parte de suas comunidades, fazendas dentro de seu território. Porém tem constituído um canal de diálogo com o governo Evo Morales, que apesar de todas as ambigüidades, tem permitido fazer avançar a construção das autonomias indígenas, em especial a autonomia do Povo Guarani.

     

    Luta e organização

     

    O penúltimo dia do importante encontro Guarani, com mais de 400 participantes dos quatro países – Paraguai, Bolívia, Brasil e Argentina, o debate girou em torno do necessário processo de articulação e organização Guarani, para viabilizar e ampliar os avanços e conquistas dos direitos das mais de mil comunidades Guarani, 300 mil pessoas, que depositam sua confiança nesse novo momento da Nação Guarani.

     

    Após muito debate, ficou a certeza de que só consolidando a articulação e organização do povo em nível continental, se poderia assegurar os avanços em curso, especialmente na lua pela terra, território e autonomia.

     

    Ficou aprovado e eleito o Conselho Continental da Nação Guarani, com 25 membros representando os povos Guarani nos quatro países. Logo após aprovação o Conselho se reuniu para definir as bases de seu funcionamento, responsabilidades e sua divulgação para as comunidades Guarani e para o mundo.

     

    Hoje estarão entregando às autoridades do Paraguai o Manifesto da III Assembléia, onde denunciam os desrespeitos ao direito, as violências, mas principalmente anunciando a luta pela autonomia e autodeterminação, a partir do reconhecimento de seu modo de ser e viver dentro de seus territórios. Com certeza os caminhos da autonomia serão plurais, lentos, difíceis, porém o horizonte da autonomia vai ficando mais próximo. 

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  • 18/11/2010

    Informe nº 940: Desafios e perspectivas deram o tom do terceiro dia do Encontro Continental do Povo Guarani, no Paraguai

    Evento que acontece em Assunção também trouxe discussões sobre a autodeterminação dos povos indígenas

     

    Por Cleymenne Cerqueira

    De Assunção, Paraguai

     

    Autodeterminação dos povos indígenas foi o tema debatido ontem (17) durante o III Encontro Continental do Povo Guarani, realizado em Assunção, Paraguai. Nas falas dos representantes das delegações brasileira, paraguaia, argentina e boliviana, preocupação com os problemas enfrentados para que o princípio que lhes garante se autogovernar seja garantido. O princípio da autodeterminação, instituído pela Carta das Nações Unidas de 1942 e ratificada em 1945, garante aos povos o direito de tomar suas próprias escolhas sem intervenções internas, ou seja, o direito à Soberania.

     

    O capítulo 1, Art. 1º da Carta afirma o seguinte: “Todos os povos têm o direito de autodeterminação. Em virtude desse direito, determinam livremente sua condição política e perseguem livremente seu desenvolvimento econômico, social e cultural”. Portanto, o princípio deve ser entendido como o direito de um povo de decidir sobre sua própria vida comunitária, suas leis e regras internas, suas instituições, seus símbolos.

     

    Nas discussões, os grupos relacionaram o princípio à questão debatida no dia anterior: terra e territorialidade. “Sem território não há soberania”, diziam. Otoniel Ricardo, liderança Kaiowá e vereador do município de Caarapó (MS), apontou três questões sobre a temática, segundo as quais os povos só se autogovernam se conhecem sua história, suas tradições, sua língua tradicional, possuem um tekohá e se organizam por meio de grandes assembleias.

     

    A delegação boliviana concordou com a exposição de Otoniel e acrescentou: “Existem vários caminhos para nossa luta, o primeiro é estar organizado e ter uma estrutura própria que nos garanta a manutenção de nossa cultura, o exercício de nossos rituais, danças e culinária. Outro caminho seria fortalecer o entendimento das leis para atuar mais firmemente nas decisões e, também, fortalecer a estrutura familiar, que é o pilar de todas as outras”.

     

    Problemas para se alcançar a autodeterminação

     

    Os grupos discutiram também quais os problemas externos que dificultam sua autodeterminação atualmente. Para os Ava Guarani da Argentina, as grandes dificuldades são as interferências de empresas e associações civis que absorvem e debilitam as comunidades, impedindo que decidam livremente sobre o futuro de seu povo. Eles afirmaram ainda que os principais causadores desses problemas são os governos nacional e provincial.

     

    Para os Guarani da Bolívia, as intervenções de organizações não governamentais (Ong’s) e organismos internacionais nas comunidades desarticulam a organização e as questões ideológicas da nação Guarani. “Algumas Ong’s debilitam e distorcem as reivindicações do nosso povo com favores, como a entrega de alimentos, medicamentos e outros materiais, o que gera dependência e conformismo em nossas comunidades”.

     

    A delegação paraguaia apontou a discriminação como um dos principais problemas enfrentados externamente, o que influencia negativamente suas comunidades. Outra questão é o desrespeito a direitos constitucionais e às ideologias dos indígenas, suas tradições, rituais. “Cada povo deve cumprir suas obrigações, Ache, Mbya, Ava, Pai e tantos outros. A intromissão de não indígenas em nossos problemas geram ainda mais problemas para nossas comunidades e organizações”.

     

    No Brasil, os principais desafios enfrentados pelos Guarani são a discriminação e o racismo vivenciado por muitas comunidades, em especial no Mato Grosso do Sul. Eles citam ainda a criminalização de lideranças, a falta de políticas públicas que atendam as populações indígenas e a não aplicação das leis e tratados nacionais e internacionais que lhes garante o direito à terra, à serviços básicos de saúde, alimentação e educação, bem como de serem ouvidos quando da construção de estradas, hidrelétricas e demais obras em suas terras.

     

    Em todos os grupos houve consenso quanto ao problema mais grave que os povos indígenas enfrentam atualmente: a falta de regularização ou a demora nos processos de identificação e demarcação de suas terras. Mencionaram ainda a grande batalha travada juntos aos grandes proprietários e latifundiários que invadem suas terras com as grandes plantações e pastos.

     

    Dificuldades internas

     

    Internamente também existem dificuldades no dia-a-dia das comunidades, por isso, todos os grupos tiveram que se debruçar sobre a questão: “Quais são as dificuldades internas que sofrem as comunidades e organizações indígenas para avançar no caminho da livre determinação na realidade atual?”.

     

    Para os indígenas brasileiros, os principais desafios são os relacionados à posse da terra, que causam o acúmulo de muitas famílias em pequenas porções de terra, o que gera conflitos e desentendimentos entre os grupos. Citaram também o consumo de bebidas alcoólicas e drogas nas comunidades; o individualismo; a dificuldade de produzirem o próprio alimento; a falta de informação sobre seus direitos e a desvalorização da cultura pelos próprios indígenas.

     

    A falta de informação acaba sendo um elemento contra as comunidades para os argentinos, bem como os presentes dados por autoridades a alguns membros do grupo, o que acaba provocando conflitos internos. Eles apontam ainda a falta de comunicação entre os membros das comunidades e, em muitos casos, a dependência de políticas assistencialistas, como as cestas básicas.

     

    Competição pelo poder, falta de leis internas claras sobre a mudança de lideranças e debilidade na comunicação foram alguns dos problemas apontados pelas comunidades paraguaias. O grupo também afirmou que falta capacitação para os jovens e conscientização dos membros e líderes da comunidade sobre sua história e tradições, bem como uma melhor organização interna.

     

    A delegação boliviana afirmou que a perda de alguns princípios tradicionais são um empecilho para a autodeterminação de suas comunidades, bem como influências externas que desestabilizam sua estrutura de organização e causam conflitos entre os indígenas.

     

    Algumas soluções

     

    Conjuntamente, todos os povos presentes deram sugestões para resolver os problemas apontados. Entre os indicativos estão: a valorização da cultura Guarani em todo o continente e o respeito a seus direitos; a criação de uma política tradicional no processo de demarcação de terras; o apoio dos espaços políticos internacionais para barrar processo de criminalização dos povos indígenas; garantia de participação em importantes espaços de decisão dentro da Unesco e da Organização das Nações Unidas (ONU); criação de leis ambientais que falam sobre a preservação de territórios tradicionais e atendimento à saúde para os indígenas que estão em áreas de litígio ou acampamentos, entre outros.

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  • 18/11/2010

    Violações aos Direitos Humanos são tema de reunião nacional em MS

    Relatório sobre impactos sociais negativos de empreendimentos hidrelétricos no Brasil será foco de debate entre conselheiros. Encontro terá presença do Secretário Nacional de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi. 

     

    Acontece em Campo Grande, em 22 de novembro, a primeira reunião ordinária do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) em Mato Grosso do Sul. O encontro será realizado às 14h, no Hotel Jandaia (Rua Barão do Rio Branco, 1271), e contará com a presença do ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, órgão ligado à Presidência da República. O procurador regional dos Direitos do Cidadão, Felipe Fritz Braga, representa o Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul.

     

    A 202ª Reunião Ordinária irá deliberar sobre temas já fixados em pauta, dentre eles a situação da população indígena no Mato Grosso do Sul, com destaque para as comunidades da etnia guarani. Será exposto também o caso Crimes de Maio, sobre a atuação de grupos de extermínio na baixada santista.

     

    O encontro apresentará relatório sobre denúncias de ocorrências de violações de direitos humanos decorrentes da implementação de barragens no país. Os conselheiros discutirão sobre a prevenção, avaliação e mitigação dos impactos sociais e ambientais da implementação dessas barragens, e a preservação e reparação dos direitos das populações atingidas.

     

    CDPPH

     

    O CDDPH tem por principal atribuição receber denúncias e investigar, em conjunto com as autoridades locais competentes, graves violações aos Direitos Humanos com abrangência nacional, como chacinas, extermínio, assassinatos de pessoas ligadas a defesa dos direitos humanos, massacres e abusos praticados por operações das polícias militares.

     

    O conselho também promove estudos para aperfeiçoar a defesa e a promoção dos Direitos Humanos e presta informações a organismos internacionais.

     

    Assessoria de Comunicação Social

    Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul

    (67) 3312-7265 / 9297-1903

    (67) 3312-7283 / 9142-3976

    www.prms.mpf.gov.br

    [email protected]

    www.twitter.com/mpf_ms

     

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  • 17/11/2010

    The place where we can be who we are

    “Land and Territory” mark second day of the Third Continental Meeting

     

    The second day of the Third Continental Meeting of the Guarani People, held in Asunción, Paraguay, was marked by discussion over the concepts of land and territory. Bartomeu Melia, who has studied the Guarani culture for more than fifty years. He also commented on the different ways to struggle for the recovery and construction of the Guarani people.

     

    Before Meliá could start, the Argentine and Bolivian delegations presented prayers and rituals of welcome, greeting the relatives that arrived during the night at the meeting in the Metropolitan Seminary.

     

    Mix up

    Melia, who is a researcher at the Center for Paraguayan Studies Antonio Guasch and at the Institute for Philosophical and Humanistic Studies, started explaining briefly the difference for the Guarani between the terms of “land” and “territory”, which many people mix up. Territory is a much broader term than land, an area that includes notions like planting, animal raising, building your house. Territory is what the Guarani call their Tekohá, which, in its broader meaning means “the place where we can be who we are”.

     

    Where we are a culture

    This explains why “land” is not the same, and, in fact, only a basic condition for a territory:  without it there is no territory, Wihout their land, the Guarani can not live their traditions and not build their history. “They have a very important concept, the concept of teko, the village, which means “where we are cultures”. Hence the importance of the Guarani territory, which has to have all necessary geographic element – a untouched forests, clean water, streams and springs, where they can go fishing, hunting, trapping, and especially plant.

    “In several countries the Guarani actually have large stretches land, even big towns, but nonetheless these do not always constitute a territory. In many areas there isn’t even a piece of wood, firewood for cooking. Not to mention forest for hunting, streams for fishing. How are the Guarani to live their traditions, rituals and celebrations without their tekohás? That’s the big difference between land and territory.”

     

    Memory – army in the struggle

    Meliá points out the importance of memory and oral history for the struggle of the Guarani people for the demarcation of their ancestral lans. “There exists no tekohá and not even history without memory. If a people has no memory, they do not remember who they are making it very difficult to fight. In court, at the moment that demarcation is at stake, it is necessary to have historical arguments, it is necessary to show that they are Guarani.”

    Why does one demarcate land? Because land is a traditional habit of the Guarani people, who live an ecology of the tekohá, a way of live of the place where they can be Guarani.”

     

    The memory of the future

    Among virtually all indigenous peoples, oral tradition is very important. It is through the stories – from the elder to the younger – that is told to which people and to which history one belongs. It is essential for the day-to-day struggles that the knowledge and traditions are passed down from generation to generation, that they remain alive and strong among the indigenous.

    “That memory is the memory of the past and also of the future, it is like the root that lies beneath the earth and causes the tree to bear fruit, give flowers. The development and expansion of this memory is the future of the people, it is in there that they can find the root of their history, but also the growth of their problems.”

     

    Major changes

    Bartomeu Meliá points out three major changes in the recent history of the Guarani people. These changes began with the arrival of the “other”, the non-Guarani, who occupied their territory over the last 50 years. The non-indigenous started to substitute the indigenous people who lived there. “Today you’re here, tomorrow you are not anymore, because these people want to build a city. So the first big change is the replacement of populations and of course with it the arrival of new cities.”

     

    The second major change occurs in the field of economics. If before the Guarani lived primarily from agriculture and the system of reciprocity (exchange of goods), with the creation of new towns and the arrival of companies, they start to become cheap wage laborers. Apart from this, it is important to mention that nature, from which they used to receive their food – fishing, hunting and subsistence farming – is now seen as na important source of wealth. “It’s a very different vision: the logging, the monoculture plantations.”

     

    The last change is also related to the economy, but specifically to distribution system. There is no more reciprocity, exchange and gratuity (in the sense of doing things without expecting something in return). Now, according Meliá, a system of revenge prevails. “you took from me, so I’ll take from you. I give you my labour, If you give me salary.”

     

    In this economy, of maximizing profit and capital accumulation, there is little room subsistence and family farming. In Brazil, most of the forests and territories of the Guarani have been occupied by soybean, sugar cane and eucalyptus plantations or simply pastures for cattle raising. “This system does not favour at all the indigenous peoples, in contrary; it is a veritable factory of poverty for people who are often expelled from their lands. Another major impact coming along with this change is the entry of money and banks.”

     

    Just help

    After his exposition, several participants raised questions. Like Faride Mariano de Lima, chief of the Kaiowá community Ñanderu Laranjeira, in the state of Mato Grosso do Sul (Brasil). He asked what an anthropologist could do to speed up the demarcation of the traditional land of his people, who live encamped in tarp tents on the brink of the BR 63 state highway.

    Although not being an anthropologist, as Meliá stressed, he explained that the role of this professional is important for the accumulation of documents, reports and historical arguments to prepare the demarcation process. “The anthropologist contributes with the documental material. However, it is crucial to point out one thing: the demarcation struggle is not the struggle of the anthropologist. They, as well as others, can help in this struggle. But it is the struggle of the Guarani Kaiowá!”

     

    Cultural night

    At the end of the day the participants gathered in groups to discuss issues related to the conference. The meetings were held among the participants of each delegation and the discussions were reported in the plenary that took place earlier in the evening. The day ended with feast and celebration, organized by the Argentine Guarani delegation.

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  • 17/11/2010

    ‘Caro Dom Erwin, nosso querido Bispo da Prelazia do Xingu’

    “A sua luta de paz em favor dos povos indígenas, esquecidos na campanha presidencial que acabamos de assistir, junto com o esquecimento da reforma agrária contra o latifúndio, é um sinal de quanto este mundo político, está perigosamente esquecendo a nossa terra e as raízes dos nossos povos (…). A sua luta de paz em favor dos meninos emasculados e das meninas vítimas da prostituição e a sua palavra contra a destruição da natureza preconizada e planejada na projetada construção da Barragem de Belo Monte, nos faz entender o seu compromisso com a vida”.

     

    A mensagem acima do Padre Vicente Zambello integra a homenagem feita a Dom Erwin Kräutler, pela sua Igreja local pelo ‘Prêmio Nobel alternativo’ 2010.

     

    Eis a mensagem reproduzida pelo sítio da Prelazia do Xingu, 16-11-2010.

     

    Estamos aqui, nós Prelazia do Xingu, nesta tarde de sexta feira no dia 12 de novembro 2010, na frente da Catedral, nós do Conselho Pastoral da Prelazia, junto com os movimentos sociais de Altamira, para homenagear o senhor pelo prêmio Nobel alternativo da paz recebido pela comunidade internacional, juntamente com outras duas personalidades da Ásia e da África.

     

    É uma grande honra para o senhor e para nós também, pois somos juntos, Igreja e sociedade no Xingu, na Amazônia. Sabemos dos prêmios recebidos em outras oportunidades, como o prêmio “Alceu Amoroso Lima”, o prêmio pelo seu compromisso com os povos indígenas, todas manifestações de afeto e de justiça pelo seu trabalho em prol da Amazônia, em prol dos povos indígenas e em prol da vida.

     

    Nós sabemos que estes prêmios têm valor, mas que o prêmio maior que o senhor e todos nós almejamos é o prêmio de sermos benditos do Pai quando virá nos chamar para a vida Eterna.

     

    A sua luta de paz em favor dos povos indígenas, esquecidos na campanha presidencial que acabamos de assistir, junto com o esquecimento da reforma agrária contra o latifúndio, é um sinal de quanto este mundo político, está perigosamente esquecendo a nossa terra e as raízes dos nossos povos.

     

    A sua luta de paz em favor dos meninos emasculados e das meninas vítimas da prostituição e a sua palavra contra a destruição da natureza preconizada e planejada na projetada construção da Barragem de Belo Monte, nos faz entender o seu compromisso com a vida.

     

    A palavra do senhor é para falar a verdade em defesa da vida. Deus disse “Não matarás” e Dom Erwin, nosso pastor, não tem calado, antes, tem falado alto e em bom som contra a arrogância e a truculência de um sistema que esta matando a vida fragilizada dos povos indígenas, da juventude e da mãe terra.

     

    Obrigado Dom Erwin por este testemunho, por esta profecia.

     

    Na história recente encontramos vários exemplos de pessoas da Igreja e da sociedade civil que lutaram pacificamente contra a ditadura, contra o latifúndio e em favor da vida: Chico Mendes, Ademir Alfeu Federicci (Dema), Irmã Dorothy, dom Helder Câmara, entre outros… O senhor quer continuar a ser voz destas pessoas, que representam os povos do Brasil, em particular da Amazônia. Nós estamos do seu lado, como seus irmãos e irmãs de caminhada.

     

    Fazemos isso movidos pela fé, movidos pela Palavra de Deus, pois o senhor é um homem de oração, de Eucaristia diária, de terço na mão, não é apenas um líder social, ecologista, um líder de defesa dos direitos humanos. O senhor procura ser a todo momento um homem de Deus. O Deus da vida é a ultima razão da sua vida.

     

    Na história do século passado encontramos uma figura que no meio de uma gravíssima turbulência e tragédia soube falar forte contra uma visão da vida totalmente errada e totalitária: O nazismo com a sua ideologia racista. A comparação é parcial, mas não é estranha a este momento. Hitler era o homem que se fazia dono do mundo e levou à morte na guerra mais de 50 milhões de pessoas.

     

    Houve um homem que junto com outros homens e mulheres, se destacou contra este sistema de morte: o bispo Clemente Augusto Von Galen bispo de Munster na Alemanha. Foi tão corajosa a oposição deste bispo contra o nazismo que o povo o chamou o Leão de Munster. Nunca o nazismo tinha recebido tão forte oposição como por parte deste bispo.

     

    Tentaram amordaçá-lo, levantar o povo contra ele, como na Páscoa de 1935, mas o povo o apoiou com uma grande manifestação. Firme, o bispo Von Galen dizia contra o projeto de extermínio de deficientes, de velhos, de doentes mentais, crianças paraliticas: Não matarás”. E pregava: “ Grito: Exigimos Justiça!” As suas palavras pareciam trovões.

     

    Colaborou na encíclica do Papa Pio XI contra o nazismo: “Mit Brennenger Sorge” que condenava os erros da ideologia racista de Hitler em 1937. Famosos são os seus três sermões contra o nazismo em agosto de 1941. Como retaliação pela missão deste bispo prenderam padres, religiosos, freiras. Vários morreram nos campos de concentração.

     

    Hoje, volto a dizer não é a mesma situação. Nós podemos falar, nós podemos gritar contra o grave perigo do capitalismo na teoria do neoliberalismo: economias que acabam com a vida dos pobres. Porém o sistema capitalista na sua arrogância de progresso, na sua primazia de lucro, do dinheiro acima de tudo, não se importa com os pobres, com os povos indígenas vítimas deste sistema, não se importa com a juventude manipulada nos seus ideais pela mídia. O que importa hoje é o lucro e a ganância. A Palavra de Deus nos alerta: A cobiça do lucro é a raiz de todos os males. Não podemos servir a Deus e ao dinheiro.

     

    Hoje não é mais um homem como Hitler contra a humanidade, mas é um sistema econômico que se coloca acima das pessoas e contra os pobres. Dá migalhas às pessoas, mas não muda o sistema que cria pobrezas, que cria miséria: um bilhão de pessoas massacradas pela fome.

     

    Os povos indígenas, se a barragem for construída serão, o governo diz, indenizados, mas perderão para sempre a sua terra, a herança, o patrimônio das suas vidas e culturas. Há 500 anos que estes povos estão ameaçados.

     

    Vejam no Haiti, depois da devastação do terremoto no começo deste ano e agora as vitimas do cólera… E as ajudas humanitárias? E as promessas de reconstrução do país?

     

    Nesta luta está em jogo um sistema de vida. De um lado é uma luta violenta travada nos bancos, no comércio de armas, das drogas, baseado no ídolo do dinheiro; de outro lado é uma luta pacífica, dos pequenos, dos pobres, dos povos indígenas, das CEB’s, dos movimentos sociais.

     

    O nosso Bispo Dom Erwin está do lado dos pobres e contra este sistema de morte que esta aí, a vista de todos e nós estamos com ele, pois temos certeza que O Senhor, o Deus da vida está no meio de nós. Por isso que nós estamos aqui, juntos, Prelazia do Xingu e Movimentos Sociais. Como no tempo do Nazismo o povo da cidade do bispo Von Galen apoiou o seu pastor o leão de Munster, nós hoje estamos reunidos, junto ao nosso bispo, nosso pastor o Leão do Xingu. O Papa Pio XII, pela coragem que o bispo Von Galen assumiu contra o nazismo, o nomeou Cardeal em 1946, em Roma e o Papa Bento XVI o declarou beato, feliz para toda a Igreja, em 09 de outubro de 2005.

     

    Obrigado Dom Erwin por este dom da sua vida. Estamos juntos nesta tarde e sempre porque o Senhor nosso Deus está no meio de nós, Amém.

     

    Padre Vicente Zambello 12.11.2010 Festa de São Josafat

     

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  • 17/11/2010

    III Continental Encounter of the Guarani People opens

    Dance, joy and prayers to the god Ñanderu marked the beginning of the Third Continental Meeting of the Guarani people in the Metropolitan Seminary, in Asuncion, Paraguay. The theme of the meeting is “Land, territory, autonomy and governance”. Aproximately 350 Guarani of Brazil, Argentina, Bolivia and Paraguay participate. The event runs until Friday, November 19.

     

    After the initiation rituals of the event, the notes of the I and II Continental Summit of the Guarani People were read. These were held in Rio Grande do Sul, in the years 2006 and 2007, respectively.

     

    The meeting is an initiative to create more cooperation and articulation among the Guarani communities spread over the four countries. This is much needed, considering the dramatic situation of most of them.

     

    Dramatic

    The overall objective of the meeting is to address the rights of indigenous people, constituted in national constitutions and also in international conventions ratified by these countries. The problem is that these laws are not put in practice. The battle flag of the indigenous movement are the guaranteeing of the rights to their traditional land.

     

    “The main purpose is to better coordination at the continental level,” explains Bernardo Bendites Rivarola, or Karaipoty in Guarani. He is a teacher of the indigenous culture in a Guarani village near Assunción, Paraguay. As in the other countries, the Paraguayan government does not respect national and international laws, among them those concerning the demarcation of land. "Many communities are fighting for their traditional lands. In our case, we live with forty families in a kind of settlement of one and a halve hectare.”

     

    Destroyed

    Over the last Five decades, the traditional lands of the Guarani people have aroused the greed of big businessmen and landowners. They took their lands, employing the Guarani as cheap labor. The Guarani territory, today, is almost totally destroyed by large soy plantations, sugar cane and eucalyptus. These territories are also threatened by huge infrastructural works such as hydroelectric dams.

     

    Battle

    Even living in totally adverse conditions and often inhuman, such as the Guarani Kaiowá of Mato Grosso do Sul, the Guarani people have shown great potential to reorganize and strengthen their daily struggles recovery of their traditional lands and guarantee their rights.

     

    To Toribio Gomez, of the Itapuã in Rio Grande do Sul, this type of continental meetings is very important. “These meetings help us strengthen the fight even more. Here we will talk about how to help each other, how to give strength. If we fight together with the whole community Guarani we can win the battle. We want our land back, with woods and everything, with clean water.”

     

    Main topics

    During the meeting will discuss topics such as land / territory: fighting for roads rehabilitation and construction to transform reality, self-determination, rights of indigenous peoples, indigenous territories, sovereignty and self-determination, indigenous peoples, legal tools for defending the land / territory, self governance and the indigenous Guarani, Guarani historical antecedents in the nation, autonomy and political participation since the worldview Guarani in Bolivia; continental articulation of the Guarani nation.

     

    Culture

    There are delegations of Brazil, Guarani and Ava Guarani Mbya, Guarani Kaiowá and Ñandeva, from Paraguay the Guarani Ñandeva, Ava Guarani, Mbya, Pai, Ache and Guarani Ocidental. From Argentina the Mbya, Ava Guarani and Chane and from Bolivia, another group of Guarani Ocidental.

     

    Support

    The meeting has the support of the following Indian organizations: Indigenous Missionary Council (CIMI), National Coordination of Indigenous Pastoral Paraguay (Conapi) Team National Aboriginal Pastoral Argentina (Endepa), Network of Private Entities in the Service of Indigenous Peoples ( PAR).

     

    History

    The First Continental Guarani was held on the occasion of the 250 years of the death of Sepe Tiaraju and its thousand and five hundred soldiers. This great leader Guarani resisted the occupation and subsequent division of land by the Spanish and Portuguese empires. They united to fight against the resistance mounted by Sepé Guarani. Dying fighting, he became an icon of resistance fighters. In fact, only ecently, the Brazilian government has recognized as a national hero.

     

    From the comemoration of the struggle and death of Sepe Tiaraju emerged the Guarani Campaign (www.guarani-campaign.eu and www.campanhaguarani.org.br).

     

    The second meeting, held in Porto Alegre, also in Rio Grande do Sul, had na important political meaning, a mark in history. Over 800 people participated from Paraguay, Brazil, Uruguay and Bolivia. The main theme was "Land and Territory Ywy Rupa", the traditional territory of the Guarani that was cut by the boundaries between countries and states.

    Another important theme became crucial importance of the ancestral culture, the education and spirituality. From this meeting began a major international campaign called Guarani People, Great People – Life, land and future.

     

    For more information on the Continental Encounter:

    Angel Vera – 0971 461 212 (Paraguay)

    Lorenza Benítez – 0981 631 200 (Paraguay)

    Shop Conapi – 021443752 (Paraguay)

     

    [email protected]

    www.facebook.com/Povoguarani

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  • 17/11/2010

    Apreensão e alegria Kaiowá Guarani em Assunção

    Por Egon Heck

    Rosalino não consegue conter a emoção. Chora. A seu lado Rodolfo expressa um longo sorriso no rosto.  Elpidio se agita alegremente.  Palmas de todo o grupo de mais de quarenta Kaiowá Guarani presentes no III Encontro Continental Guarani , em Assunção, Paraguai.  O assessir jurídico do Cimi , Rogério Batalha, olha atentamente a decisão do juiz desembargador Tribunal Regional Federal da 3ª região em São Paulo. “É isso mesmo”, afirma emocionado. Acaba de ser anunciada a revogação do despejo da comunidade Guarani do Ypo’i.  Confere mais uma vez, atentamente.  A comunidade tem mais um tempo para respirar. A decisão do juiz André Nabarrete, vice presidente do TRF3, que compreende os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, determina a suspensão da reintegração de posse, até que sejam concluídos os trabalhos de identificação da terra, realizado por um Grupo de Trabalho (GT) da Funai.

    Há pouco, na primeira sessão do dia foram debatidos os principais problemas que hoje as comunidades Guarani enfrentam, nos quatro países, com relação às suas terras e territórios. Um Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul havia colocado para a plenária a notícia do despejo anunciada para o dia de amanhã. Houve reações acaloradamente solidárias manifestadas por vários participantes. O povo Guarani não vai mais admitir que suas comunidades sejam vítimas de ações de violência e desrespeito a seus direitos fundamentais, garantidos nas leis e acordos nacionais e internacionais. Em função disso foi aprovado a elaboração de um documento para ser entregue ao governo e judiciário brasileiro exigindo respeito ao direito dos Guarani às suas terras e a suspensão de qualquer ação que viole esse direito.

    Enquanto o documento estava sendo elaborado veio a boa notícia da suspensão da reintegração de posse. “O documento continua sendo importante, enquanto manifestação dos mais de 300 mil Guarani ali representados, pois a ação judicial continuará, até a decisão final sobre o mérito da ação”, informa o Rogério Batalha. Era visível a sensação de alívio.

    Na carta de solidariedade dos Guarani do continente à comunidade do Ypo’i, que será divulgada hoje, fica expressa a decisão dos Guarani de lutarem unidos pelas terras e territórios de seus povos nos diversos países: “Nós, povos indígenas Guarani de Argentina, Bolívia, Brasil e Paraguay presentes no III Encontro Continental do Povo Guarani, realizado no Seminário Metropolitano de Asunción, PY, vimos pelo presente documento manifestar nossa dor e preocupação sobre o iminente despejo de nossos parentes Guarani do tekohá Y’poí, município de Paranhos, Mato Grosso do Sul, fronteira com o Paraguay, que há muito tempo estão sofrendo com ameaças e assassinatos de suas lideranças, que estão lutando por um pequeno pedaço de terra para poderem sobreviver com dignidade e sustentabilidade… Acreditamos muito na solidariedade e apoio de todas as pessoas de bem para com os povos Kaiowá e Guarani de Mato Grosso do Sul que vêm historicamente sofrendo com o desrespeito aos seus direitos e que amarguram na miséria e violência, mas que somente querem ter uma vida digna com terra, alimento e paz”. (Povos Guarani da America do Sul em Solidariedade à Ypo’i).

    O segundo dia do Encontro Continental Guarani terminou com apresentações de rezas e danças dos Povos Guarani e um guachiré de agradecimento a Deus e a todas as pessoas solidarias pela suspensão do despejo de Ypo’i.

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