• 01/09/2006

    Juventude do povo Tupinambá de Olivença se organiza

    Jovens indígenas da etnia  Tupinambá de Olivença da aldeia da Serra do Padeiro localizados nos municípios de Una e Buerarema no sul da Bahia, a cerca de 450 km de Salvador, realizam a partir de hoje e até domingo, dia 3, na aldeia Serra do Padeiro,  o II Seminário Cultural da Juventude Indígena Tupinambá da Serra do Padeiro.


     


    Este II Seminário tem como tema central: “Juventude: Construindo nossos Direitos”


     


    O Seminário tem como objetivos principais:


     


    ·        Dar visibilidade à participação dos jovens na luta pela Terra;


    ·        Proporcionar um melhor intercâmbio entre os povos indígenas;


    ·        Reflexão e aprofundamento do momento eleitoral;


    ·        Fortalecer  as parcerias e alianças;


    ·        Fortalecer a participação  dos jovens indígenas nos espaços de luta (interno e externo);


    ·        Valorizar a cultura indígena a partir da culinária.


    ·         Propiciar um melhor intercâmbio entre as várias culturas indígenas.


     


    Este será o  segundo seminário realizado pela Juventude Tupinambá. Devido ao enorme sucesso do primeiro seminário realizado o ano passado, definiram  pela realização deste segundo, que deverá ser uma continuidade das discussões que os jovens vem construindo ao longo das suas caminhada. “Muitas coisas aconteceram desde a realização do primeiro encontro,  vitórias, avanços, mas também algumas coisas que precisamos entender melhor e acharmos saídas para resolve-los. Este ano também tem a questão eleitoral que será de muita importância para a  nossa caminhada, e dependendo do seus resultados poderemos ter conseqüências boas ou ruins a depender de quem ganhem as eleições. Assim como no primeiro seminário este também será um espaço da comunidade ter um momento de podermos discutir nossos  problemas e desafios e buscarmos saídas para a construção de um projeto de vida que garanta a qualidade de vida das nossas comunidades”, planeja Miana Tupinambá, uma das organizadoras do Seminário.


     


    Toda a comunidade – incluídas lideranças, cacique, pajé, grupo de mulheres e outros grupos organizados das aldeias – participará do seminário. Também foram convidados representantes de diversos povos indígenas da Bahia, de Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco e Espírito Santo. Os jovens esperam a presença de 150 participantes.


     


    A comunidade da Serra do Padeiro do povo Tupinambá localiza-se nos municípios de Buerarema e Una, a cerca de 450 km de Salvador. É banhada pelos rios Cipó, Maruim e Ferrugem. A história deste povo é marcada por vários massacres. Desde a chegada dos portugueses foram vitimas de violentos ataques com interesses principalmente nas riquezas encontradas em suas terras. Estes ataques continuam acontecendo até hoje, com ameaças de fazendeiros, turismo ou extração de madeira, avanço do Eucalipt.  Mas eles  resistem  a todos os ataques e violências praticadas contra as suas comunidades, e seguem afirmando que seu território tradicional lhes pertende e que vão continuar lutando por ele.


     


    A comunidade da Serra do Padeiro tem hoje uma população com cerca de 650 pessoas.Mantém  fortes sua  cultura e a sua religião, alicerces que dão sustentação a suas lutas. A comunidade tem  grupos organizados de jovens, de produção e de mulheres, e uma Associação Comunitária bastante atuante. A base de sustentação econômica é a cultura da mandioca, destacando-se a  produção de farinha.


     


     


    Itabuna, 31 de agosto de 2006


    Conselho Indigenista Missionário


    Equipe Itabuna


     


     

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  • 01/09/2006

    Newsletter No. 730


     


    – Krenak people participate in the farewell to Dom Luciano          


    – The Pataxó Resistance and Struggle Front continues to fight for unified territory


                 


     


     


    KRENAK PEOPLE PARTICIPATE IN THE FAREWELL TO DOM LUCIANO


     


    Over the last two days, thousands of people have flocked to the historical city of Mariana, Minas Gerais, to pay homage to Dom Luciano Mendes de Almeida, Archbishop of Mariana for 19 years, who died of liver cancer on Sunday, September 27, after 42 days in hospital. Cimi missionaries and representatives of the Krenak people, who live in Resplendor, Minas, were present.


     


    Dejanira, spiritual leader of the Krenak, sang prayers in her people’s language to ask the Marets, their protective spirits, to receive Dom Luciano. In her opinion, the bishop was more than a friend. Dom Luciano’s presence in mediating conflicts was of great importance in the Krenak’s struggle against Companhia Vale do Rio Doce and its projects in the indigenous people’s lands. At the end of her prayer, Dejanira proclaimed: “for us, he has not died; he continues to live in our struggle!” Next, the Krenak leaders sang a solemn song, with a melody that joins the spiritual world to that of the living, taking them to a place where the land rests and the spirit finds harmony.


     


    Around 7,000 people took part in the celebration in the presence of the body, which was held yesterday morning, 30 September, in Praça da Sé. Bishops, priests, authorities, ministry and social movement representatives, and the people of the archdiocese of Mariana attended this celebration, which was commanded by Cardinal Dom Geraldo Majella, the CNBB chairman.


     


    Dom Luciano was born in Rio de Janeiro and ordained in Rome. He was auxiliary bishop in the diocese of São Paulo, where he worked intensely with people who were living on the streets and at the Young People’s Ministry, which he founded.


     


    The doors of his residence were always open to those who lived on the streets of the city’s East Zone, and he often spent the night walking with them in the square, talking to them and listening to their hopes and fears.


     


    As chairman of the National Conference of Bishops of Brazil (CNBB) from 1987 to 1994, Dom Luciano played a decisive role in the Constituent Assembly, especially in the defense of indigenous people’s rights. He also worked on defending Cimi from the accusations made by the newspaper, O Estado de S.Paulo. In 1987, in an attempt to influence the Constituent Assembly against indigenous rights, this newspaper published “reports”, ridden with slander and lies, about the supposed role of religious missions as a front for foreign mining interests. After six days of reports which directly accused Cimi, and through the work of the CNBB, the newspaper was obliged by the courts to grant and publish the organization’s right of reply.


                           


    Amongst his many contributions, the bishop leaves behind many beautiful phrases. “He, who is loved, carries within himself the mysterious desire to abandon his own egoism and to sample the joy of graciously loving others” is one such example. (from Luciano Marcos, Cimi East)


     


    THE PATAXÓ RESISTANCE AND STRUGGLE FRONT CONTINUES TO FIGHT FOR UNIFIED TERRITORY


     


    The Pataxó Resistance and Struggle Front, which coordinates the struggle for land of the 12 Pataxó communities in the South of Bahia, held its 5th Assembly between 18 and 20 August. They are continuing with the fight for the demarcation of a unified land for their people, and state, in the assembly’s final document: “We will only accept the proposal to expand the conservation units after demarcation of our territory, in order to avoid these units encroaching onto our lands”.


     


    They are also striving to bring the planting of eucalyptus in lands traditionally occupied by the indigenous people, which are currently controlled by the company Veracel Celulose, to an end. According to the communities, the company “continues to attack the environment”.


     


    In terms of education policy, the Pataxó ask that the laws which guarantee specific, quality education to be complied with, and that indigenous educators are employed and granted their labor rights.


                           


    Brasília, 31 August 2006


    Indianist Missionary Council


    www.cimi.org.br


     

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  • 31/08/2006

    30/08/05 – Pela liberdade dos 18 Tupinikim presos desde 9 de agosto

    18 Tupinikim presos desde 9 de agosto

     


    As prisões ocorreram porque os indígenas estariam retirando eucalipto de área em litígio com a Aracruz. No entanto, os presos afirmaram que não estavam na área em litígio e que foram atraídos até lá por policiais militares. Alguns PMs confirmaram a versão dos indígenas.


     


    Dia 22 de agosto, o Procurador Federal da Funai no Rio de Janeiro, Dr. Antonio Cavaliere Gomes, fez um pedido liminar de habeas corpus ao Tribunal da Justiça do Espírito Santo. Ele requer a libertação imediata dos presos. Declara que é preciso “cessar a coação ilegal em que se encontram”. Alega também que a competência de julgá-los é da Justiça Federal, já que o fato envolve disputa por terra.


     


    Enquanto não se resolve a questão, os 18 presos estão em uma cela quem tem capacidade para 8 pessoas.


     


     A Rede Alerta contra o Deserto Verde solicita a tod@s que mandem uma mensagem pedindo soluções para esta situação para o desembargador e para a ouvidoria do Tribunal de Justiça:


     


     


    [email protected]


    [email protected]


    tel.: 0800 902442


     


     


    Prezado Senhor(a) desembargador José Luiz Barreto Vivas


    Prezados ouvidores do Tribunal de Justiça do Espírito Santo


     


    Através desta, vimos solicitar a imediata libertação de 18 índios presos na delegacia da Polícia Civil na cidade de Aracruz(ES), desde o dia 9 de agosto.


     


    Não há nenhum motivo legal para manter estes índios presos, já que são réus primários e todos têm residência fixa. Eles podem portanto responder processo em liberdade.


     


    Vale esclarecer também que neste momento existe um conflito de terra entre as comunidades indígenas e a empresa Aracruz Celulose, que aparentemente está tentando usar seu poder e influência para manter os índios presos, em condições degradantes.


     


    Ficamos atentos a este processo, e confiamos que o Senhor(a) tomará as devidas providências para que os índios sejam libertados o quanto antes,


     


    Atenciosamente,


     


    SUA ASSINATURA
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  • 31/08/2006

    Informe n. 730: Povo Krenak participa da despedida de Dom Luciano


     


    – Povo Krenak participa da despedida de Dom Luciano


    – Frente de Resistência e Luta Pataxó seguye lutando por território único



     


     


     


    POVO KRENAK PARTICIPA DA DESPEDIDA DE DOM LUCIANO


     


    Durante dois dias, milhares de pessoas foram à cidade histórica de Mariana, Minas Gerais, prestar sua homenagem a Dom Luciano Mendes de Almeida. Arcebispo de Mariana há 19 anos, ele morreu domingo, 27, vítima de câncer no fígado, depois de 42 dias internado. Missionários do Cimi e representantes do povo Krenak, que vive em Resplendor, Minas, estiveram presentes.


     


    Dejanira, líder espiritual Krenak, entoou orações na língua do seu povo, pedindo aos Marets, seus espíritos protetores, para acolher Dom Luciano. Para ela, o bispo era mais que um amigo. A presença de Dom Luciano na intermediação de conflitos foi de grande importância na luta dos Krenak contra a Companhia Vale do Rio Doce e seus empreendimentos em terra indígena. No final da sua oração, Dejanira proclamou: “Para nós ele não morreu, continua vivo em nossa luta!”. Em seguida, as lideranças Krenak entoaram um canto solene, cuja melodia une o mundo espiritual e o mundo dos vivos, levando-os ao lugar onde a terra descansa e o espírito encontra a harmonia.


     


    Cerca de 7mil pessoas participaram da celebração com a presença do corpo, realizada na manhã de ontem, 30, na Praça da Sé. A celebração, presidida pelo Cardeal Dom Geraldo Majella, presidente da CNBB, contou a presença de bispos, padres, autoridades, representantes de pastorais, dos movimentos sociais e do povo da arquidiocese de Mariana.


     


    Nascido no Rio de Janeiro, ordenado em Roma, ele foi bispo auxiliar da diocese de São Paulo. Ali, Dom Luciano teve intensa atuação com moradores em situação de rua e na Pastoral do Menor, da qual foi fundador.


     


    Ele mantinha as portas de sua residência abertas aos moradores de rua da Zona Leste da cidade, tanto que saía para conversar com eles madrugada adentro, caminhando na praça, escutando suas dores e esperanças.


     


    Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil do Brasil (CNBB) entre 1987 e 1994, Dom Luciano teve atuação decisiva em todo o processo da Constituinte, particularmente na defesa dos direitos dos povos indígenas. Também atuou na defesa do Cimi das acusações do jornal O Estado de S.Paulo. Em 1987, para influenciar contra os direitos indígenas na Constituinte, o jornal publicou “reportagens”, eivadas de calúnias e mentiras, sobre a suposta atuação de missões religiosas como fachada de interesses de mineradoras estrangeiras. Após seis dias de matérias que acusavam diretamente o Cimi, e através da atuação da CNBB, o jornal foi obrigado pela Justiça a publicar o direito de resposta da entidade.


     


    Entre tantas contribuições, o bispo deixa também belas falas. “Quem é amado leva em si mesmo a vontade misteriosa de sair do próprio egoísmo e de experimentar a alegria de amar os outros com gratuidade” é uma delas.  (de Luciano Marcos, Cimi Leste)


     


    FRENTE DE RESISTÊNCIA E LUTA PATAXÓ SEGUE LUTANDO POR TERRITÓRIO ÚNICO


     


    A Frente de Resistência e Luta Pataxó, que articula a luta pela terra de 12 comunidades Pataxó no Sul da Bahia, realizou sua 5a. Assembléia entre 18 e 20 de agosto. Eles seguem lutando pela demarcação de um território único para seu povo, e afirmam, no documento final do encontro: “Só aceitaremos a proposta de ampliação das unidades de conservação após a demarcação do nosso território, para evitar a sobreposição dessas unidades em nossas terras”.


     


    Eles buscam também o fim do plantio de eucalipto em terras de ocupação tradicional indígena que se encontram sob o domínio da empresa Veracel Celulose. Segundo as comunidades, a empresa “continua agredindo o nosso meio ambiente”.


     


    Em termos de políticas de educação, os Pataxó pedem o cumprimento das leis que garantem educação especifica e de qualidade, como também a efetivação dos educadores indígenas e seus direitos trabalhistas


     


    Brasília, 31 de agosto de 2006


    Conselho Indigenista Missionário


    www.cimi.org.br


     


     

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  • 30/08/2006

    EM MEMÓRIA DE DOM LUCIANO

    Nesta hora em Mariana, está acontecendo a celebração de despedida de nosso grande amigo DOM LUCIANO. Estamos espiritualmente unidos a Ele nesta sua Páscoa.


     


    Mesmo na tristeza e na saudade, louvamos a Deus pela passagem bondosa e generosa de Dom Luciano no meio de nós, pelo seu compromisso corajoso em favor da causa indígena, pela sua amizade. A ele nossa homenagem e nossa eterna gratidão.


    Em outras religiões a morte é apresentada como a cura definitiva das doenças da vida.


     


    Para nós cristãos, a morte é algo ilegítimo, uma mancha no quadro maravilhoso da criação. É fruto do pecado que estragou a natureza humana. Deus só planejou a vida, não a morte. Por isso Jesus veio a este mundo para derrotar a morte!


     


    “Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem acredita em mim, mesmo que morra, viverá”. (Jo 11,25)“A morte foi tragada pela vitória. Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu ferrão?” (1Cor 15,55)


     


    A morte perdeu o seu aguilhão, como uma serpente cujo veneno só é capaz agora de adormecer a vítima por algum tempo, sem poder matá-la. A morte já não é um muro diante do  qual tudo se rompe, mas tornou-se uma porta, uma passagem, uma “Páscoa”, um “Mar Vermelho” graças ao qual se entra na terra prometida.


     


    A verdadeira morte acontece quando colocamos a nossa esperança e o sentido de nossa vida na posse, no poder, no prazer desregrado, quando fechamos o nosso coração ao próximo e nos deixamos levar pelo egoísmo. A verdadeira morte é quando temos medo de perder nossa vida por causa de Jesus e do Evangelho (cf Mt 8,35). Por isso Dom Luciano não morreu.


     


    Dizia Pe. Antônio Vieira: “No nascimento somos filhos de nossos pais, na ressurreição somos filhos de nossas obras”. As boas obras, as obras do amor são o que conta. A vida de Dom Luciano foi uma grande caminhada de amor, cheia de boas obras.


     


    Ele nasceu no Rio de Janeiro em 05/10/1930, foi ordenado padre em Roma em 05/07/1958. Como jesuíta, trabalhou a serviço de sua ordem religiosa, sobretudo no campo da formação, até sua ordenação episcopal que aconteceu no dia 02/05/1976.


     


    Foi Bispo Auxiliar de São Paulo-SP e Responsável pela Pastoral do Menor (1976-1988); Secretário Geral da CNBB por dois mandatos (1979-1986) e Presidente da CNBB, também por dois mandatos (1987-1995); Membro da Comissão Pontifícia Justiça e Paz (1996-2000); Membro da Comissão do Secretariado para o Sínodo (1994-1999); 1º Vice-Presidente do CELAM (1995-1999); Delegado à Assembléia Especial do Sínodo dos Bispos para a América (1997).


     


    Dom Luciano foi um Pastor extraordinário por sua inteligência, por seu carinho e fineza, por sua atenção para com todos, por seu amor eclesial, por sua disponibilidade total a fazer o bem.


     


    Ele viveu a opção pelos pobres com a coerência de sua vida, com sua constante proximidade aos excluídos, com suas posturas lúcidas e proféticas. Por tudo isso ele entrou na história da nossa Igreja e de nosso país.


     


    Lembro as expressões do amor de Deus para com seu povo na experiência mística de Isaías:


     “Não tenha medo porque eu o redimi e o chamei pelo nome: você é meu. Quando você atravessar as águas, eu estarei com você e os rios não o afogarão; quando você passar pelo fogo, não se queimará e a chama não o alcançará, pois eu sou Javé seu Deus, o seu Salvador. Para pagar sua liberdade, eu dei o Egito, a Etiópia e Sabá em troca de você, porque você é precioso para mim, é digno de estima e eu o amo… Não tenha medo porque eu estou com você.” (Is 43,1-5)


     


    A força de Dom Luciano em seu serviço de pastor tinha sua base na confiança serena em Deus. Eu pessoalmente percebi isso quando, junto com um meu confrade, fui visitá-lo no Hospital das Clínicas de São Paulo: nos abençoamos reciprocamente e ele me comunicou naquela hora uma profunda paz.


     


    Foi de lá que ele enviou esta mensagem:  “Estou nas mãos de Deus. Deus nos criou por amor e Ele sabe o que é melhor para nós. Coloco minha vida nas suas mãos”. A confiança em Deus naquela hora sofrida de doença, o abria sempre mais ao amor pelos outros. Ele dizia:


     


    “Não penso só em mim; lembro-me também das muitas vítimas de Beirute, que, infelizmente, vêm aumentando dia a dia, por falta de uma solução que possa dar fim a essa situação. São tantos os sofredores que precisam de cuidados médicos e outros muitos que morreram em conseqüência dos ataques de Israel. Lembro-me ainda dos milhares que sofrem na África. Temos que fazer algo por eles. Uno-me ao Santo Padre pedindo a paz. O mundo requer paz. A violência deve cessar. Será que o mundo não pode abrir os olhos para o drama de milhões de pessoas? Temos que mudar de mentalidade. Somos todos irmãos, feitos por Deus para a felicidade; que o sofrimento de tantas pessoas contribua para o cessar-fogo e a descoberta de um relacionamento humano verdadeiramente amigo. Peço a todos que continuem rezando pelas necessidades da humanidade. Elevemos a Deus os nossos corações. Ele pode nos salvar de toda inimizade e injustiça”.


     


    Dom Luciano recorda ao mundo em que Caim continua a matar Abel e o joio quer sufocar o trigo, mas é possível liberar o coração para fazer florescer a VIDA.Ele recorda que é importante entregar-se ao amor porque tudo o mais nos será acrescentado e porque Deus é amor.


     

    Dom Franco Masserdotti – Presidente do CIMI

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  • 30/08/2006

    Mensagem do Presidente do Cimi

    Querido(a) Irmão(ã) em Cristo,


     


    Desejo-lhe paz e prosperidade!


     


    Gostaria de me apresentar: sou Dom Gianfranco Masserdotti, Bispo da Diocese de Balsas, no Maranhão e Presidente do Conselho Missionário Indigenista (Cimi) – organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).


     


    No ano 2000, os povos indígenas do Brasil lançaram um desafio e um sonho para o país: construir outros 500 anos, marcados pelo respeito, pela garantia dos direitos e pela construção de uma nova sociedade mais justa e solidária.


     


    No Brasil, a população indígena é de aproximadamente 750 mil pessoas, 250 povos diferentes, falando 185 línguas próprias e vivendo em terras indígenas espalhadas por todo o território nacional. ELES SEMPRE ESTIVERAM AQUI!


     


    Em 1972, missionários e missionárias católicos, motivados pelo compromisso evangélico de defesa da vida, criaram o Cimi. Até hoje o Cimi trabalha com os povos indígenas pregando uma convivência respeitosa, solidária e de valorização da diversidade cultural existente em nosso país.


     


    Ao longo dos anos, o Cimi tornou-se um dos principais aliados da causa indígena. O Cimi desenvolve trabalhos em diversas áreas como saúde, educação, organização comunitária, teologia, direitos e agricultura. Graças a este trabalho, centenas de povos recuperaram suas terras, sua auto-estima e a dignidade perdida.


     


     O Cimi apóia várias iniciativas através de projetos comunitários, encontros de formação, mobilizações, produção de materiais didáticos e informativos, entre outros.


     


    Para dar continuidade a estas atividades o Cimi precisa de sua ajuda. Através da Campanha de Apoio a Ação Missionária você pode contribuir com este trabalho, fazendo a sua doação ao Fundo Nacional de Solidariedade. Estes recursos serão revertidos integralmente ao trabalho do Cimi em prol da causa indígena.


     


    Você pode fazer a sua contribuição utilizando o boleto bancário, através de depósito ou transferência eletrônica para o Conselho Indigenista Missionário, Banco Bradesco, agência 606-8, conta corrente: 144.233-3 ou enviando um cheque nominal ao Conselho Indigenista Missionário para o endereço SDS – Bloco P nº. 36, Edifício Venâncio III, sala 309/314 – Brasília – Distrito Federal – Cep: 70393-902.


     


    Qualquer dúvida entre em contato diretamente com a Coordenação da Campanha através do telefone 31.3466.4999 em Belo Horizonte ou por e-mail [email protected].


     


     Saiba outras formas de participar desta Campanha e venha fazer parte desta rede de solidariedade.


     


    Obrigado pela sua generosidade!


     


    Abraços fraternos,


     


    Dom Gianfranco Masserdotti


    Presidente do Cimi


     

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  • 30/08/2006

    Cimi regional Rondônia parabeniza Dom Antonio Possamai


     


     


    O Conselho Indigenista Missionário – CIMI – RO, vem a público a fim de parabenizar a coragem e a profecia de Dom Antonio Possamai, bispo da diocese de Ji Paraná, ao denunciar a corrupção existente em nosso estado. “A ousadia do profeta provoca reações que incomodam a consciência dos que roubam, assaltam e matam a vida do povo”.


     


    O sistema político de Rondônia sobrevive à custa de falcatruas, corrupção, mentiras, falta de ética e impunidade. Em quem acreditar e confiar diante da sordidez da política vigente, que nega ao povo rondoniense a liberdade de expressão e o direito de exercer plenamente sua cidadania?


     


    Jesus Cristo sempre expressou, tanto no discurso como na prática, uma posição clara frente ao sistema político, econômico, social e religioso, manifestando sua repulsa à ideologia excludente da época. Enfrentou e “derrubou” os poderosos que subjugavam e oprimiam o povo para continuarem a exercer  seu poder de dominação. 


     


    A Igreja, sendo fiel ao projeto de Jesus Cristo, assume seu papel profético, desmascarando e denunciando tudo o que diminui a vida. Dessa forma, a Diocese de Ji Paraná, na pessoa de Dom Antonio Possamai, ao tomar a decisão de se posicionar contra a corrupção e os corruptos nos órgãos públicos, deixa claro seu compromisso com a verdade, com a justiça e com o bem comum. Pior seria se omitir, deixando de denunciar o que está acontecendo. Isso seria o mesmo que se fazer de cego e de surdo.


     


    A reação do governador Ivo Cassol diante das denúncias é cínica e arrogante, envergonhando a população rondoniense, que confiava em sua honestidade ao elegê-lo para o cargo mais alto do poder executivo do estado.


     


    Não nos esqueçamos das palavras do Evangelho, no caso bem adequadas para este ano de eleições: “O espírito de Deus está sobre mim … para anunciar a Boa Notícia aos pobres, enviou-me para proclamar a libertação aos presos, e aos cegos  a recuperação da vista, para libertar os oprimidos e anunciar o ano da graça do Senhor” (Lc 4, 18s).


     


    Equipe do Cimi Regional Rondônia

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  • 29/08/2006

    Um guerreiro no paraíso

    Homenagem a Dom Luciano Mendes de Almeida


     


    Os índios tinham um lugar privilegiado no grande coração de Dom Luciano. Quando os missionários foram expulsos da Missão Catrimani, em 1988, Dom Luciano não hesitou em tomar o avião e ir a Roraima para prestar pessoalmente sua solidariedade aos missionários e ao bispo daquela dioceses, D. Aldo. Mas de maneira especial ele assumiu a causa, a luta e os direitos do povo Yanomami.  Em função disso retornou à área em outros momentos.


     


    Quando o Cimi foi caluniado e difamado em 1987, Dom Luciano, desde o primeiro momento, denunciou a armação que na verdade era contra os direitos dos povos indígenas que estavam sendo inscritos na nova Constituição. A sórdida campanha fora tramada e urdira pelas empresas mineradoras e outros interesses anti-indígenas, numa das mais amplas campanhas de difamação já ocorridas na história deste país. Quando, a partir das denúncias, se forjou a Comissão Mista Parlamentar de Inquérito, contra o Cimi, vi Dom Luciano, de dedo em riste, desafiar os parlamentares de que provassem qualquer ação dos povos indígenas ou dos missionários do Cimi, contra a soberania  nacional e outras acusações de que estavam sendo vítimas. Mostrou com firmeza e indignação de que o que estava se fazendo na verdade era uma vergonhosa campanha para impedir o reconhecimento dos direitos mais elementares dos povos indígenas à vida e dignidade.


     


    Dom Luciano se envolvia tão profundamente com as causas dos pobres e com a vida e compromisso da Igreja, que pouco tempo tinha para dormir. Contavam que não dormia mais do que cinco horas por noite. Como secretários do Cimi, Antonio Brand e eu, fomos inúmeras vezes conversar com Dom Luciano para lhe relatar as principais lutas e desafios do trabalho dos missionários do Cimi com os povos indígenas. Como sua agenda sempre estava muito cheia, normalmente nos convidava para conversar já no início da noite, depois de exaustivos dias de atividade na CNBB. Sempre nos tratou com muito carinho, pois esta era uma causa privilegiada de seu compromisso. Também havia conseguido um pequeno recurso financeiro de uma herança, que destinou integralmente aos povos indígenas. Esse fundo era liberado para lutas desses povos pelos seus direitos, sendo o Cimi a entidade através da qual eram discutidas as destinações desses recursos. Quando conversávamos, normalmente estávamos em frente a uma pessoa exausta, visivelmente cansada. Inúmeras vezes, enquanto expúnhamos a realidade e lutas dos povos indígenas, percebíamos Dom Luciano ir fechando os olhos, cochilando. Porém, em meio a nossas exposições, repentinamente ele abria os olhos e fazia perguntas sempre pertinentes às questões que estavam sendo expostas. Era um santo homem de ferro e mel, onde a humanidade se abrigava e era acolhida com imenso carinho, ousadia e indignação, quando necessário.


     


    Os povos indígenas e nós missionários sentimos muito a partida desse nosso companheiro, mas temos a certeza de ter um guerreiro da causa no paraíso. Nossa eterna gratidão ao santo testemunho de Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida.


     


    Dourados (MS), 28 de agosto de 2006.


     


    Egon Heck


    Cimi Regional Mato Grosso do Sul


     

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  • 28/08/2006

    Tupinikim and Guarani block a state road and demand for the release of Indians in prison


     


    Around 150 Tupinikim and Guarani Indians blocked this morning at 7:30hs the state road ES-010, close to Coqueiral, in the municipality of Aracruz, to protest against the maintenance of the arrest of 15 Tupinikim Indians at the civil police station of Aracruz, since 9 of August.


     


    With this action, the women and indigenous families, the Chiefs and Leaders and their communities, demand the immediate release of the arrested Indians, accused of stealing wood from the Aracruz Celuylose company within the 11,009 hectares of indigenous lands that still wait for the official demarcation by the Lula government.


     


    Through this action, the indigenous peoples intend to denunciate the Judiciary of Espírito Santo, especially Judge Anselmo Laranja, who shows to be an authority who is attending Aracruz Celulose. By maintaining the Indians arrested, instead of letting them undergo, freely, their eventual ‘crime’, the Judge and the Aracruz Company try to intimidate and criminalize the Indians, accusing them constantly of “hindering the economic development” of the state of Espirito Santo. Since 22 August, an appeal for a ‘habeas corpus’ is being analyzed by the High Court judge José Luiz Barreto Vivas, without any response. The Governor Paulo Hartung, supported by the company, keeps silent about the indigenous land rights and about the grave and violent land conflicts involving its police force, which should combate organized crime and the public insecurity that is devastating the Espirito Santo state.


     


    We, from the Alert against the Green Desert Network, want to denunciate the Aracruz Celulose company as the main violator of Rights and cause of the severe problems that the Indians are facing since Aracruz invaded their lands, destructed their forests and planted eucalyptus. We also demand that the Lula Government does not wait longer but already demarcates, totally, the indigenous lands in Espirito Santo. We also demand that governor Paulo Hartung defends the indigenous land in front of the multinational Aracruz Celulose.


     


    Rede Alerta contra o Deserto Verde


    28 de agosto de 2006


     


    We all ask you to send a message to the Tribunal of Justice (department: Ouvidoria Geral): [email protected]


     


    We suggest the following message (in which we demand for the release of the people, in which we say there is no legal reason to keep people in prison who never underwent  any crime and also have a permanent address, that we are concerned about the fact that this arrest is related with the land struggle Indians-Aracruz and the fact that Aracruz Celulose is apparently abusing of its power and influence to keep the Indians arrested in degrading conditions for almost 20 days, and finally, that we hope that measures will be taken so that the Indians will be released immediately) :


    Tribunal da Justiça do Estado do Espírito Santo


    A/C Ouvidoria Geral


     


    Prezado Senhor(a),


    Através desta, vimos solicitar a imediata libertação de 15 índios presos na delegacia da Polícia Civil na cidade de Aracruz(ES), desde o último dia 9 de agosto.


     


    Não há nenhum motivo legal para manter estes índios presos, já que são réus primários e todos têm residência fixa. Eles podem portanto responder processo em liberdade.


     


    Vale esclarecer também que neste momento existe um conflito de terra entre as comunidades indígenas e a empresa Aracruz Celulose, que aparentemente está usando todo seu poder e sua influência para manter os índios presos, em condições degradantes, já por quase 20 dias.


     


    Ficamos atentos a este processo, e confiamos que o Senor(a) tome as devidas providências para que os índios sejam libertados quanto antes,


     


    Atenciosamente,

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  • 28/08/2006

    Nossa homenagem a um bispo de muitas causas


     



    Foi com profunda tristeza que o Conselho Indigenista Missionário recebeu, na manhã desta segunda-feira, a notícia do falecimento de Dom Luciano Mendes de Almeida, aos 75 anos, de falência múltipla dos órgãos, após mais de duas semanas de internação.


     


    Nascido no Rio de Janeiro, ordenado em Roma, Dom Luciano teve intensa atuação com moradores em situação de rua e na Pastoral do Menor, da qual foi fundador. Lembramos com carinho especial de quando foi bispo auxiliar da diocese de São Paulo.


     


    Dom Luciano tinha as portas abertas de sua residência aos moradores de rua da Zona Leste da cidade, tanto que saía para conversar com eles madrugada adentro, caminhando na praça, escutando suas dores e esperanças, como um verdadeiro e fiel amigo. Esses homens e mulheres, que sofriam da exclusão extrema, sabiam que podiam contar com ele a qualquer hora do dia ou da noite.


     


    Cidadão do mundo, D.Luciano sofreu muito com o assassinato de D. Oscar Arnulfo Romero, Arcebispo de San Salvador, El Salvador, pelo esquadrão da morte daquele país. Presente em seus funerais, em março de 1980, D.Luciano foi testemunha do massacre que esse mesmo esquadrão fez, matando pessoas do povo, incluindo mulheres e idosos, que ali estavam. Essa terrível experiência o marcaria por toda a vida, fazendo dele um aliado incondicional das lutas pelos direitos humanos na América Latina.


     


    Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil do Brasil (CNBB) entre 1987 e 1994, Dom Luciano teve atuação decisiva em todo o processo da Constituinte, particularmente na defesa dos direitos dos povos indígenas. Também atuou na defesa do Cimi das acusações do jornal O Estado de S.Paulo. Em 1987, para influenciar contra os direitos indígenas na Constituinte, o jornal publicou “reportagens”, eivadas de calúnias e mentiras, sobre a suposta atuação de missões religiosas como fachada de interesses de mineradoras estrangeiras. Após seis dias de matérias que acusavam diretamente o Cimi, e através da atuação da CNBB, o jornal foi obrigado pela Justiça a publicar o direito de resposta da entidade.


     


    Durante homenagem que recebeu na Câmara dos Deputados, em 2005, com uma fala tranqüila e pausada, Dom Luciano afirmou que encontrou nas causas populares o sentido para aquela solenidade. “Estava pensando no sentido do que estamos aqui fazendo. E eu vi são as causas que importam: terra, trabalho, as populações indígenas, os quilombolas”, disse o bispo.“Neste momento, sou alguém que ajuda para que estas causas estejam presentes nesta casa”.


     


    D.Luciano Mendes de Almeida ajudou, sim. Mas, muito além disso, ajudou para que todas as causas populares estivessem presentes na história do Brasil, com o merecido reconhecimento e dignidade. Se o tempo em que vivemos possui sinais alentadores, de conquistas e esperanças, muito devemos a ele, com seu infinito amor e paciência de escutar as dores e esperanças do povo madrugada adentro – e de ser seu mais fiel amigo. 


     


    Cimi – Conselho Indigenista Missionário


     
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