• 21/09/2006

    Despedida de Dom Franco – adeus emocionado


     


    Milhares de rostos emocionados, gente do povo,  não conseguiam reprimir as lágrimas, diante do amigo  que lhes dispensou tanto carinho, amor, apoio e compreensão.  Elas acompanharam D. Franco na sua última visita aos lugares  por onde ele mais andou.


     


    Pelas ruas estreitas de Balsas, a caminhada, a memória, o silêncio, o reconhecimento, a gratidão.  Por onde passava a multidão seguindo D. Franco, olhares curiosos, e despedidas atentas à grande pessoa que a cidade e seu povo não  esquecerão.


     


    Balsas parou para   ver e  dar passagem à ultima  visita.  Inúmeras  da região e representantes de diversos lugares do país e do exterior, o acompanharam numa clara demonstração de carinho a esse grande lutador da  causa dos índios,  negros, empobrecidos,  sem terra, dos ribeirinhos, dos doentes, dos sofredores, dos desprezados, e  explorados. 


     


    Passando em frente ao hospital, foram lembrados os inúmeros momentos que Dom Franco aí esteve para ouvir pacientemente os doentes e confortá-los a partir de sua fé e solidariedade. Em frente à radio, foi destacado a valorização e reconhecimento que tinha pelos meios de comunicação, e em particular aquela, na qual tantas vezes transmitiu suas mensagens e pensamentos cheios de esperança e estímulo à vida plena e fraterna. O Seminário era onde depositava  sua esperança de que a mão humana e divina semeavam e faziam crescer espíritos e consciência fortes e decididos para lutar pelo Reino da Justiça e da Verdade. Depois foi a vez de sua última visita à igrejinha de Santo Antonio, ao lado da qual morava e onde costumava celebrar a Eucaristia e os momentos fortes e fracos da vida.  Ali os religiosos, em especial os da diocese, fizeram uma emocionada despedida pedindo a todos o apoio solidário à caminhada desta igreja local, agora acompanhada por D. Franco em sua intercessão junto a Deus. Dali entrou pela última vez na casa em que viveu os últimos dez anos.  Retornando à catedral,   seu corpo repousa para nos acompanhar sua memória e testemunho.


     


    Celebrando a dor e a esperança


     


    Quase duas dezenas de bispos, inúmeros sacerdotes e representantes de congregações religiosas, de entidades, pastorais, movimentos, organizações populares, representantes dos índios, negros, movimento de mulheres, ribeirinhos, sindicatos, de órgãos do governo municipal, estadual e federal, das comunidades da diocese e da população de Balsas lotaram a Catedral , além do  grande número de pessoas do lado de fora. Todos vieram partilhar seus testemunhos, trazer sua solidariedade e celebrar a esperança além da dor,  demonstrar e retribuir o carinho e amor que receberam de D. Franco.


     


    Às nove horas iniciou-se a celebração. Foi anunciada a presença de familiares de D. Franco que haviam chegado da Itália, lembraram modo muito especial e carinhoso a mãe dele, dona Maia, que com seus 95 anos, não pode se fazer presente nesta despedida de seu filho.


     


    Palavras e testemunhos destacaram  seu jeito franco de ser,  seu sorriso radiante e amigo,  sua alegria contagiante e jovialidade, seus gestos amigos, sua dedicação incansável,  sua confiança ilimitada nas pessoas, sua sabedoria e agilidade, sua fé inquebrantável no diálogo e no Deus da Vida.


     


    “Que Franco no céu nos ajude a ter essa fé apaixonada no Evangelho e na vida”, pediu Dom Xavier.


     


    D. Franco além fronteiras


     


    Uma das atividades que mais apaixonaram D. Franco foi a missão além Fronteiras. Ele era um exímio conhecedor da dimensão missionária da Igreja e de cada cristão. E não apenas tinha o conhecimento teológico e teórico da missão. Ele foi um missionário que se lançou de corpo e alma para fazer chegar a boa notícia da vida e vida em abundância a um maior número de pessoas neste planeta.


     


    Grande missionário da justiça e da solidariedade


     


    Na celebração e nos testemunhos foram lembradas inúmeras vezes essa atenção e dedicação especial à dimensão missionária da Igreja. E foi feito um apelo aos senhores bispos presentes para que não descuidassem do projeto de missão além fronteira que D. Franco estava conduzindo com muito zelo, sabedoria e dedicação.


     


    Concretamente estava ajudando na preparação de um grupo de missionários que irão no próximo ano para uma igreja local em Moçambique. Dentre os missionários(as) está uma companheira nossa, do Cimi, Raimundinha.


     


     


    O batismo indígena de D. Franco


     


    Quando a direção do Cimi procurou D. Franco para convidá-lo para candidato à presidência desse organismo da CNBB, ele externou  certa relutância em aceitar o convite argumentando que carecia de maior conhecimento dessa causa, e além disso não existiam comunidades indígenas ( ao menos conhecidas) em sua diocese. Porém, não se negou a aceitar o convite, tendo sido eleito presidente do Cimi em agosto de 1999 e reeleito em agosto de 2003.  Poucos meses depois de eleito recebeu seu batismo na questão indígena ao permanecer junto aos índios e missionários na repressão e violência que sofreram em Cora Vermelha, em abril de 2000.


     


    Na noite do dia 18, um grupo do Cimi permaneceu ao lado de D. Franco a noite inteira. Quando amanheceu o dia  um grupo de índios Apinajé, fez sua despedida. Trouxeram para o amigo pão e água, para que em seu destino não passasse fome ou sede. Eles aí representaram os milhares de indígenas do Brasil e de outros paises do continente americano, que tiveram o apoio solidário de D. Franco, nas lutas pelos seus direitos.


     


    Os povos indígenas e nós missionários do Cimi somos eternamente gratos a D. Franco pela sua ação corajosa e destemida nesta causa.  E a melhor forma de expressarmos esse sentimento é reafirmando nosso compromisso de luta e testemunho na construção da justiça e de um mundo que respeite e valorize todos os povos e culturas.


     

    Egon Heck – Cimi MS – Palmas, 21 de setembro de 2006

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  • 21/09/2006

    MPF/ES vai instaurar inquérito sobre cartilha da Aracruz Celulose


    O Ministério Público Federal (MPF/ES) vai instaurar um inquérito civil público para apurar eventual excesso nas informações da cartilha divulgada pela Aracruz Celulose, que afirma que os índios Tupinikim e Guarani nunca existiram no Estado. O material chama os indígenas de “supostos” índios e foi denunciado por entidades de direitos humanos e pelo Fórum de Entidades Negras do Estado como discriminatória.

    A informação sobre o inquérito é do procurador geral da República, André Pimentel, da Procuradoria Federal em São Mateus, norte do Estado. Segundo ele, o inquérito será instaurado em duas semanas, quando o procurador retornará de uma viagem a trabalho.

    A denúncia sobre a cartilha chegou ao MPF pelo Fórum de Entidades Negras, dos índios Tupinikim e Guarani e antropólogos e historiadores, que também denunciaram a postura da empresa na Assembléia Legislativa, na última semana.

    Segundo eles, a cartilha vem sendo distribuída entre funcionários e até nas escolas da rede pública de ensino do município de Aracruz. A iniciativa foi classificada como racista, discriminatória e hedionda, e gerou uma carta de repúdio assinada por estas entidades e a Igreja Metodista.

    Isaías Santana, do Fórum de Entidades Negras do Estado e presidente licenciado do Conselho Estadual de Direitos Humanos, ressaltou que a empresa está, através de seus funcionários, entrando nas escolas e difundindo a mentira de que os índios são baderneiros, invasores de terras e além de tudo, falsos. Ele alertou também sobre o fato da Secretaria de Estado da Educação (Sedu) e do município, não se manifestarem sobre estas ações.

    A denúncia ao MPF também será feita ao Ministério Público Estadual (MPE), como prometeu Isaías. A intenção, segundo ele, é cobrar providências que censurem esse tipo de ação da empresa, impedindo a difamação da comunidade indígena perante toda a sociedade brasileira.

    Em denúncia feita na Assembléia Legislativa na última sexta-feira(15), o antropólogo Sandro José da Silva, da Universidade Estadual do Espírito Santo (Ufes), também caracterizou a ação da empresa como uma negação ao Estado Brasileiro, lembrando que a presença dos índios no Espírito Santo, assim como a legitimidade de suas terras, são incontestáveis.

    As palestras difamatórias em defesa da Aracruz Celulose nas escolas desqualificam a cultura indígena Tupinikim e Guarani no Estado, assim como seus costumes, pintura, músicas e crenças. Além disso, a empresa está passando uma lista de assinaturas contra a demarcação das terras indígenas, como informou os índios.

    Segundo a carta da comunidade indígena Tupinikim e Guarani, em resposta às acusações da transnacional, os índios viviam na região do rio Piraquê-Açu, onde em 1556 foi fundada pelo jesuíta Afonso Brás a Aldeia Velha (Santa Cruz). Além disso, há registros da etnia Tupinikim na região de Aracruz nos escritos de André Thevet, Hans Staden, e dos jesuítas José de Anchieta e de Fernão Cardim.


     


    Flávia Bernardes – Século Diário 

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  • 20/09/2006

    Povo Tupinambá de Olivença realiza peregrinação em memória do massacre do rio Cururupe


     



    O Povo Tupinambá de Olivença realiza no próximo domingo, 24 de setembro, a 6ª Peregrinação em Memória dos Mártires do Massacre do Rio Cururupe, relembrando a história de luta e Resistência dos Índios Tupinambá de Olivença.


     


    No dia 26 de setembro de 1937, aconteceu nas margens do Rio Cururupe em Ilhéus, um grande massacre de índios Tupinambá, conhecido pelos mais velhos com a “Última revolta do Caboclo Marcelino” . Neste massacre, foram mortos vários índios e nunca houve nenhum julgamento para punir os culpados. O movimento insurgente que ficou conhecido como a Revolta do Caboclo Marcelino começou em 1929, conforme  relata a dissertação “Os  índios  na área dos Coronéis do Cacau” da professora e antropóloga Maria Hilda Paraíso:


     


    A construção da ponte sobre o Rio Cururupe teve reflexos graves aos índios de Olivença… a reação dos “caboclos” de Olivença terminou por se processar em 1929, sob o comando de Marcelino, o seu líder. Argumentando a necessidade de recuperar as terras perdidas e de expulsarem os atuais ocupantes das antigas aldeia… A reação (das autoridades da época) foi imediata e, em novembro de 1929, uma caravana de praças e de inspetores de quarteirão deslocou-se para o Cururupe iniciando a repressão aos revoltosos… O Governo venceu e instalou-se a linha Ilhéus/Olivença usando caminhões como veículos”.


     


    Este evento da caminhada vem acontecendo a seis anos e a  cada ano tem ganhando mais adeptos e aliados. No convite entregue pelas lideranças do povo Tupinambá tem um chamado a todos a assumirem um compromisso de solidariedade e apoio a luta do povo Tupinambá. Abaixo a transcrição na integra do texto “Assumindo Compromisso”.


     


    Diante do massacre o Rio Cururupe, o qual ficou conhecido como “martírio” dos índios Tupinambá de Olivença que hoje continua  através da fome da falta de terras para trabalhar, da ausência de políticas públicas  diferenciadas de educação, saúde, moradia e transporte, é que o Povo Tupinambá convoca toda a população para estarmos junto no domingo, dia 24 de setembro  para dizer não á tanta violência.  Índio e não Índio estarão nesta peregrinação, para dizer SIM ao projeto do Deus da Vida que chama a todos de filho e filha. Vamos juntos glorificar o nome de deus apoiando a justa luta do povo indígena Tupinambá de Olivença pela demarcação de suas terras. Neste seis anos de caminhada ao Cururupe, deixamos marcas de um povo que relembra um fato histórico de genocídio, buscando o cumprimento dos seus direitos, mas que celebra a vida na esperança de um país melhor e de uma sociedade mais justa. Venha a ser adubo na TERRA, onde os Tupinambá possam celebrar o DEUS DA VIDA, com seu “Manto Sagrado”. E que vivam enquanto POVO TUPINAMBÁ EM TERRAS TUPINAMBÁ”.


    Assina o texto a cacique Tupinambá de Olivença,  Maria Valdelice Amaral de Jesus.


     


    A 6ª Peregrinação terá inicio às 8h30 da manhã,  na Praça Cláudio Magalhães, em frente a Igreja de N. S. da Escada, em Olivença, BA, e termina na praia do Cururupe.


     


    Itabuna, 20 de setembro de 2006


     

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  • 19/09/2006

    Carinho e solidariedade marcam enterro de Dom Franco


    Com forte presença do povo de Balsas, cidade onde vivia Dom Franco Masserdotti, foi realizado na manhã desta terça-feira, 19, o enterro do bispo, falecido na tarde de domingo vítima de atropelamento. Após procissão pela cidade, o enterro foi realizado na Catedral de Balsas.


     


    A Catedral esteve lotada durante a missa, realizada na entre 9 e 11 da manhã, e muitos outros presentes acompanharam a celebração do lado de fora da igreja. Ao lado da população local, estiveram presentes familiares de Dom Franco vindos da Itália, religiosos católicos e de outras igrejas, indígenas do povo Apinajé, missionários do Cimi de diversas regiões do país e representantes dos governos locais e federal.


     


    Os Apinajé presentes fizeram um ritual fúnebre tradicional de seu povo, no qual entregaram como oferendas alimentos como farinha e pão, para que Dom Franco continue forte.


     

    Foi um enterro marcado pelo carinho da população local e pela solidariedade. Os mesmos carinho e solidariedade proféticos que marcaram a vida de Dom Franco, missionário que vivenciou com compromisso e empenho sua atuação com os povos indígenas e seu trabalho no aprofundamento das relações entre o Brasil e o continente africano.
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  • 19/09/2006

    Update Tupinikim and Guarani – Please sign this letter!

    Dear friends,


    This is to inform you about the present situation in relation to the Tupinikim/Guarani land struggle, and to ask your signature for an important public letter which you can read below this message.


    Between 6 and 14 September, the Tupinikim and Guarani communities cut eucalyptus trees and burnt them in the territory in dispute with Aracruz (11,009 ha), aiming to, as the leaders commented, “take the evil out of our lands”, and to put pressure on the Brazilian government to demarcate their lands as soon as possible.


    Concrete result of these actions was that the FUNAI finished their opinion paper on the challenge/defense of Aracruz Celulose. They rejecting the arguments of Aracruz, and recommended the Minister to edit the demarcation decree. The Minister of Justice received the documentation on 12 September and has a 30-days legal period to decide on the issue.


     


    The main reason to write you now is to inform about a recent campaign which has been strenghtened last week, in which Aracruz, by using trade unions and other related companies, tries to incite the local and regional population against the Tupinikim and Guarani indigenous peoples, using false accusations:


         at least 10 big paid announcements in the main regional newspapers, calling the Indians “pseudo-indians”, “barbarous”, “criminals”, “thiefs”, just to mention some terms, and appealing to the government to intervene against the indigenous protest actions;


         several enormous outdoors spread in the town of Aracruz with sentences like “we do not want Indians anymore, who are threatening workers”;


         a demonstration was held on Friday, 15 September, in the town of Aracruz against the Indians and against NGOs that support them; the demonstration counted with more than 3,000 participants, especially workers of Aracruz and the companies where outsourced employees work; the workers had two choices: continue working or going to the demonstration; some witnesses affirmed that extra hours were paid to worker; the demonstration was headed by two of the trade unions of workers related with Aracruz Celulose (Sinticel and Sintiema) over which the company has 100% control. Aracruz commented in the newspapers this demonstration as “ a sign of maturing of trade-unionism in Brazil”!


    Result of this all is a wave of racism and discrimination against the Indians. For example, one indigenous leader was stopped by two (non-indigenous) children at the street, and one of the children said to this father, pointing his finger to the indigenous leader,  “father, so this is a thief?” Another example are indigenous students being impeded to assist school lessons in the Aracruz town because they are using indigenous paintings on their body. Part of the indigenous population start to hide their identity.


     


    We are quite concerned with this and therefore made the below letter which we intend to send to all the official authorities that have the aim to combat discrimination and racism.


     


    Please sign up this letter (sorry for errors in the English), as possible before 21st of September. It is just one of the urgent measures we are taking to combat this perverse campaign of Aracruz.


     


    We are also preparing another campaign of sending letters to the Minister of Justice, asking him for the urgent land demarcation, of which we intend to send you an example letter as soon as possible


     


    Thanks for your support,


    Alert against the Green Desert Movement


    19 September 2006


     


     


     


    ARACRUZ CELULOSE PRACTICES


    HIDEOUS CRIME AGAINST THE INDIANS!


     


    The civil society, by means of organizations, movements and persons, wishes to demonstrate publicly its opinion and its indignation about the defamatory campaign and the racism that Aracruz Celulose S/A is practicing against the Tupinikim and Guarani indigenous peoples.


     


    The strategy of defense that Aracruz has adopted over the past few months, when it sees itself confronted with the eminent decision about the devolution of the indigenous lands that it invaded, has been to deny the existence of these traditional peoples in Espirito Santo and to disqualify and ridicule their indigenous identity. THIS IS RACISM! RACISM IS A HIDEOUS CRIME AND UNBAILABLE!


     


    The strategy of Aracruz Celulose not only shows a disrespect with the history, the memory and culture of the Espirito Santo people, but also that this company has no scruples when it deals with the issue of guaranteeing its interests, at the expense of the misery and destruction of traditional peoples and the environment. Campaigns, costing millions of reals, financed by this company is camouflaging the impacts caused by the eucalyptus monoculture in Brazil and exposing the traditional peoples of this country to unspeakable bad humiliations.


     


    Those who know the history of this state can not just assist passively to this violation of the dignity and the rights of the Tupinikim and Guarani. If, on the one hand, we see the Aracruz Celulose company co-opting trade unions, financing politicians, manipulating governments, outsourcing companies, and NGOs – used to pay less taxes -, besides the big media that has a commitment with its interests, we see, on the other hand, the indigenous people being attacked every time more,  while they are struggling untiringly – already for 40 years – to get their lands and their liberty back.


     


    In this moment, the Brazilian state, through the Minister of Justice Márcio Thomas Bastos, has an historical opportunity to correct grave mistakes committed in the past against the Tupinikim and Guarani in Espirito Santo, by guaranteeing their constitutional right and demarcating their entire territory, already identified by the FUNAI and recognized as such by the ex-Minister of Justice Iris Resende in 1998 through the ministerial decree of 06/03/1998.


     


    We appeal to all citizens to manifest publicly against the racist practices of the multinational Aracruz Celulose and its allies. From our side, we will take all possible legal measures against this hideous crime, demanding that the Constitution of the Federal Brazilian Republic be respected.


     


    OUR SOLIDARITY TO THE TUPINIKIM AND GUARANI INDIGENOUS PEOPLES


     


     


     

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  • 18/09/2006

    Newsletter n°732

    Newsletter n°732


    – Missionaries study the religion of Munduruku people



    – Funai sends documents to the Minister of Justice proving that Aracruz Celulose is occupying indigenous lands in Espírito Santo 



    Missionaries study the religion of Munduruku people


    How can missionaries and religious people work with the indigenous people, whilst respecting their religion? How can a mission that is almost 100 years old change its path and start to strengthen another religion?  


    To start with, it is necessary to understand the other religion and comprehend how it has been transformed, whether this is through changes in the indigenous life style, or through the very presence of the mission. Faced with these challenges, 20 religious and lay people have been together since Tuesday (12 September), in Santarém, Pará, studying the religion of the Munduruku people, who live near to the Tapajós River, in Southeastern Pará.  


    “We do not study another religion to believe in it, but to understand it”, said the anthropologist Lucia Rangel, advisor at the meeting. “In general, indigenous religions have different conceptions of live and death, body and soul, and the link between religion and work to those held by Western belief systems. These are not fragmented activities. While they are working, the people pray. While they are eating and drinking, they transcend. It is an integrated world”, Rangel claims.  


    In the same way, the events in the Munduruku social life are strongly related. Hunting is an economic activity but it also has social value, because the skills it requires are the same as those needed for war, and this is traditionally a warrior society. The hunt is linked to religious activities because of the rituals that are involved, since the animals also have spirits. The spirits of animals are feminine: each animal has a spirit-mother. Thus, hunting is a masculine activity, but the women have to protect the hunt. They are different, yet complementary roles. 


    By Friday, the group intends to better understand the spiritual forms of this people who were warriors, farmers and hunters for many centuries, and who are now living off other forms of production such as latex extraction, cattle raising and prospecting. These activities have brought changes to the daily life and, therefore, to the social relationships between the Mundurukus, which have led to the readjustment of their religious aspects.  


    Mission re-evaluated 


    The Francisclarian mission that works with the Munduruku was built by the Catholic Church around 100 years ago. Ever since 2003 it has been undergoing an intense evaluation process. The changes began with internal adjustments: the work which had previously been carried out by Franciscan monks and by sisters of the Immaculate Heart of Mary has started to be coordinated by the two groups together. All the aspects of the mission’s work – in health, education and evangelization – have been reviewed. The intention for the mission’s school is to be managed by the indigenous people in the future and they have been trying to offer a bilingual education, already before the evaluation started, respecting the language learnt by the children in their own houses. Now, they are working on developing indigenous language teaching materials. 


    Funai sends documents to the Minister of Justice proving that Aracruz Celulose is occupying indigenous lands in Espírito Santo


    On 12 September, 22 days late, the National Foundation for Indigenous People (Funai) sent the Minister of Justice the documents that prove that areas in the municipality of Aracruz, in Espírito Santo, are the territory of the Tupinikim and Guarani people and must be demarcated. The report covers the Comboios, Caeiras Velha and Pau Brasil areas. 


    The legal deadline for sending the documents was 20 August. Now, in accordance with Decree 1775/96, the Minister of Justice, Márcio Thomaz Bastos has 30 days (up to 12 October), to sign the declaratory government order correcting the limits of the land from 7,000 to 18,000 hectares. If he does not agree with the report, he can also return the report to Funai, requesting further information, or file it.  


    The indigenous people have been trying to get a reaction from Funai. Between the 6th and 12th of this month, around 200 indigenous people occupied the disputed area, which is occupied by eucalyptus trees planted by the company Aracruz Celulose. They chopped down trees and burnt the logs as a form of protest. The indigenous people have stopped chopping the trees down, but they are still in the area and will only leave when the Minister of Justice signs the declaratory government order. 


    According to Winnie Overbeek, of the NGO Fase, Aracruz is carrying out a smear campaign against the Tupinikim and Guarani. The company has distributed pamphlets at schools and colleges where it uses the same arguments that it used in the challenge report sent to Funai. The company alleges that these people have never occupied this region and says that the current representatives of the Tupinikim and Guarani are not indigenous. 


    The Minister of Justice’s office said that the report submitted by Funai is being analyzed by the Ministry’s Legal Department. 

    Brasília, 14 September 2006
    Cimi – Indianist Missionary Council

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  • 18/09/2006

    Faleceu Dom Gianfranco Masserdotti, presidente do Cimi

    Com grande dor, comunicamos o falecimento de Dom Gianfranco Masserdotti, presidente do Conselho Indigenista Missionário, na tarde de ontem (17/9) na cidade de Balsas, no Maranhão, vítima de atropelamento. Dom Franco será velado até amanhã na Catedral de Balsas. O enterro será às 9h, também na cidade.


     


    Dom Franco nasceu em Brescia, Itália, no dia 13 de setembro de 1941. Foi ordenado sacerdote no dia 26 de março de 1966, em Padova, Itália. Em 22 de novembro de 1995 foi nomeado bispo e foi ordenado, no dia 2 de março de 1996, em Balsas (MA). Em agosto de 1999, D. Franco foi eleito presidente do Conselho Indigenista Missionário, e reeleito em agosto de 2003. Ele é autor do livro “A missão a serviço do Reino”, publicado pela Paulus, em 1996.


     


    Seu lema como Bispo era: “Para que tenham vida”. No último texto que escreveu para o Cimi, um texto em memória de Dom Luciano (falecido no dia 27 de agosto), disse:


     


    “A verdadeira morte acontece quando colocamos a nossa esperança e o sentido de nossa vida na posse, no poder, no prazer desregrado, quando fechamos o nosso coração ao próximo e nos deixamos levar pelo egoísmo. A verdadeira morte é quando temos medo de perder nossa vida por causa de Jesus e do Evangelho (cf Mt 8,35). Por isso Dom Luciano não morreu.”


     


    Também por isso, Dom Franco não morreu.


     


    D. Franco também foi membro do Conselho Geral dos Missionários Combonianos (1979-1985), Formador dos Seminaristas de Teologia, em São Paulo (1986); superior Provincial dos Missionários Combonianos do Nordeste do Brasil (1987-1992); secretário executivo do Conselho Missionário Nacional (COMINA) de 1988 a 1994; e Coordenador do Centro de Formação e Animação Missionária de Teresina (PI) (1995). Como Bispo, foi responsável pela Dimensão Missionária do Regional Nordeste 5; Presidente da Comissão Episcopal de Missões – CNBB e responsável pela Missão Ad-Gentes do ConselhoiEpiscopal Latino Americano (CELAM).


     

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  • 17/09/2006

    Dom Franco, uma lição de amor

    Poucos dias, muitas perdas. O Brasil, a Igreja e os pobres perderam três grandes lutadores, D. Luciano um homem de profundo relacionamento com os pobres; D. Mauro e seu compromisso com os lutadores da terra; D. Franco e sua apaixonada atuação missionária.


     


    Três homens de Deus que viveram o mandamento maior, o amor ao próximo. Cada um deles colocou seus talentos a serviço da causa do Reino, doando-se, entregando-se aos irmãos, valorizando a pessoa humana, estando junto aos oprimidos, lutando as pequenas e grandes batalhas, cultivando a solidariedade, alimentando a esperança.


     


    Pensar em D. Franco, nesse momento em que a gente não consegue aceitar a idéia da partida e o coração insiste que pode ser um engano, é pensar num homem apaixonado por viver, espalhando otimismo. Ele era uma pessoa amorosa, com um talento raro de instigar-nos a lutar um pouco mais, a crer mais profundamente, a não nos deixar abater, tornando as dificuldades motivações para seguir com mais coragem.


     


    Na longa convivência, em momentos de luta e em horas comuns, o que ele imprimiu em nós, de mais precioso, foi a sensação de que uma causa não pode ser assumida senão com paixão, que amar o próximo é envolver-se, comprometer os sentimentos, os sentidos, o espírito, o sonho.  Aprendemos com ele que não há envolvimento que não torne cativo o coração, que não há compromisso sem atolar os pés, sem os calos de seguir em marcha, sem colocar as mãos numa obra comum. E em sua missão D. Franco soube entregar-se, conviver, sentir, sofrer, sonhar com os mais pobres um novo tempo e plantar sementes de vida em abundância.


     


    Lembrar D. Franco é reencontrar sua delicada presença, seu solidário abraço, seu fraterno apego aos muitos companheiros de caminhada. Honrar sua memória é, portanto, desejar a vida em plenitude e para todos, mas assumindo a construção dessa vida em ações cotidianas, na oferta diária dos dons que nos foram concedidos, fazendo de cada momento um acontecimento importante na construção de um mundo melhor.


     


    Desse homem sereno e forte, guardamos as expressões de carinho em momentos de incerteza, o afetuoso sorriso, o nome de cada companheiro, pronunciado na hora do encontro. D. Franco falava ao coração, instigava a razão, abrandava as reservas ao assumir a luta lado a lado, ombro a ombro.


     


    D. Franco, nosso Bispo, Presidente do Cimi e amigo, assumiu a causa indígena como um chamado, celebrou conosco sua inabalável confiança, comungou sonhos de resistência, colocou-se a disposição, ungiu nossa fronte, lavou-nos os pés e a alma tantas vezes, nas atitudes generosas, corajosas, desprendidas. Elevou-nos e nos enviou em missão, para semear palavras e ações de testemunho.


     


    Honrar sua memória é seguir na luta, assumindo o diálogo como metodologia, o respeito como princípio de vida, o sorriso como estratégia de convencimento, a generosidade como meio para des-endurecer os corações.


     


    Para não esquecer D. Franco e a mensagem que com ele aprendemos, temos que continuar espalhando a Boa Nova, acreditando que a colheita será farta, que a vida será plena, que a terra será partilhada e se cobrirá de grãos para saciar a fome de justiça, a fome de paz, a fome de amor.  Continuar semeando em campos áridos, para ver germinar a ternura, para ver crescer projetos de futuro desses povos oprimidos para quem D. Franco dedicou especial atenção.


     


    Seus ensinamentos ficarão em nós como letra impressa, como voz que não se cala, como amor que se entrega para germinar a vida plena.


     


    Iara Tatiana Bonin e Roberto Antonio Liebgott


     


    Cimi Sul – Equipe Porto Alegre


     

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  • 17/09/2006

    Estamos enterrando nossos lutadores

    Ainda impactados com a ausência de Dom Luciano, somos agora surpreendidos pela dolorosa notícia da morte de nosso companheiro e irmão Franco. Quando a morte chega assim de repente, surpreendendo todo mundo, ficamos perplexos, a perguntar – será verdade? No instante seguinte a dor da ausência começa se aninhar na gente e aos poucos como um filme editado às pressas, vão desfilando as imagens do amigo e companheiro de tantas jornadas e lutas.


     


    Para nós do Cimi a dor é redobrada.  Não sentimos apenas a perda do companheiro que, com sua sabedoria e sorriso, alentou tantas lutas pelos direitos dos povos indígenas e pela missão neste mundo afora, mas sentimos a súbita partida do pai, do irmão mais velho, do amigo, do animador da missão e da mística que anima nossas lutas pela vida e pelos direitos dos povos indígenas e dos excluídos. Mais do que isso, nos sentimos privados de quem tão profundamente acreditou e impulsionou nosso plano de pastoral.


     


    Enquanto o coração vai pulsando ao ritmo dolorido da ausência, não podemos deixar de lembrar as belas e corajosas imagens do Franco, em seu batismo na questão indígena, como ele costumava afirmar, quando em Coroa Vermelha, por ocasião da Conferência Indígena 2000, quando as elites celebraram 500 anos do início da invasão, ele enfrentou a repressão comandada pelo coronel Muller. Muitos índios ficaram feridos e D. Franco ficou retido por algum tempo. Foi um momento forte em que o presidente do Cimi soube estar ao lado dos povos indígenas e dos missionários que ali estavam. Não se ausentou do confronto. E por ocasião da celebração dos 500 anos de Evangelização, teve a coragem de, juntamente com um pequeno grupo de bispos, registrar sua discordância com tais comemorações.


     


    Ainda sob o impacto da morte ocorrida há poucas horas, fica difícil de expressar o turbilhão de sentimentos que toma conta da gente. O que de melhor podemos fazer e dizer nessa hora é nossa profunda e eterna gratidão ao amigo e irmão D. Franco, pelo testemunho sincero, franco e profético que ele nos deixa.


     


    Neste clima de partida de representantes de toda uma geração de lutadores, dos quais D. Franco talvez fosse um dos irmãos mais novos, lembramos o que repetia recentemente um companheiro de fé e luta: “estamos enterrando nossos lutadores de uma geração de bispos testemunhos proféticos na luta pela vida, justiça e solidariedade”.


     


    Campo Grande (MS), 17 de setembro de 2006.


     


    Egon Heck


    Cimi Regional Mato Grosso do Sul


     

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  • 17/09/2006

    Faleceu Dom Gianfranco Masserdotti

    Companheiros e companheiras de caminhada,


     


    Com grande dor, comunicamos o falecimento nesta tarde, na cidade de Balsas (MA), vítima de atropelamento, Dom Gianfranco Masserdotti, presidente do Conselho Indigenista Missionário.


     


    Brasília, 17 de setembro de 2006.


     


    Cimi – Conselho Indigenista Missionário


     

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