• 05/07/2007

    Transposição: Povo Truká retoma nova área em Cabrobó, Pernambuco

     


    O Povo Truká retomou outra área na região de Cabrobó, Pernambuco, na madrugada desta quinta-feira. A ação acontece após a reintegração de posse da fazenda Mãe Rosa, que havia sido ocupada dia 25 de junho, em conjunto com outros movimentos sociais e entidades contrários à transposição do rio São Francisco.


     


    As reivindicações são a demarcação do território Truká e a paralisação das obras da transposição.


     


    A nova retomada fica a cerca de 8km de Cabrobó e é conhecida como fazenda do Tonho da Lalinha. Cerca de 300 pessoas participam da ação.


     


     


    Representação


    Na tarde de ontem, o Cimi apresentou ao Procurador da República no Município de Serra Talhada, Pernambuco, uma representação contra o Ministério da Integração Nacional, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) e a Fundação Nacional do Índio (Funai). A representação pede a abertura de Inquérito Civil Publico para apurar as responsabilidades dos órgãos competentes pelos possíveis danos ao meio ambiente e aos direitos indígenas e a adoção das medidas judiciais cabíveis visando assegurar a posse permanente e o usufruto exclusivo da Terra Indígena Truká, violada em face das obras do projeto de transposição.

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  • 05/07/2007

    Transposição: Manifestantes desocupam fazenda e permanecem na região

     



    Com a presença de policiais fortemente armados foi desfeito hoje (04) acampamento na fazenda ocupada há mais de uma semana, na área inicial do eixo norte do projeto de transposição do rio São Francisco, em Cabrobó (PE). Os manifestantes marcharam por 13 quilômetros e se instalaram em um assentamento. Foi decidida a permanência na região e a continuidade de ações.


     


    Os agentes da policia federal, reforçados pelo batalhão de choque da polícia militar chegaram ao local no início da manhã. Eles estavam acompanhados por um agente da Funai e pelo oficial de justiça. De uma só vez aconteceram a intimação, o despejo e a reintegração da área. Os trabalhadores negociaram a saída pacífica, no sentido de evitar conflitos, dessa forma foi dado um tempo para a organização da retirada.


     


    O grupo seguiu em marcha por cerca de 13 quilômetros até o assentamento Jibóia, de trabalhadores ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que dista cerca de dois quilômetros da sede de Cabrobó (PE).


     


    As organizações sociais, movimentos populares, povos e comunidades tradicionais decidiram permanecer na área. Eles avaliam de forma positiva o resultado da ocupação e afirmam que possíveis ações a serem desencadeadas terão o mesmo objetivo, o de barrar as obras do projeto de transposição até que este seja arquivado definitivamente.


     


    Continua ainda a luta pela demarcação do território, com a retomada das terras pelo povo indígena Truká. Segundo informações da assessoria de comunicação do Cimi, hoje pela manhã, a liderança Edilene Truká se reuniu com o presidente da Funai e representantes do Cimi, Coiab e do CTI, além de entidades do Fórum de Defesa dos Direitos Indígenas. Foi evidenciada a negligência da Funai no sentido da demarcação do território daquele povo.


     

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  • 04/07/2007

    Funai compromete-se a enviar antropólogo para a área Truká


    Na manhã desta quarta-feira, a liderança Edilene Truká esteve reunida com o presidente da Fundação Nacional do Índio (Márcio Meira), acompanhada por representantes do Cimi, da Coiab e do CTI, entidades do Fórum de Defesa dos Direitos Indígenas.



    Durante a reunião, ficou claro que a Funai há muito tempo tomou conhecimento da reivindicação do povo Truká sobre a terra onde foram iniciadas as obras da transposição. Segundo informações dos próprios funcionários do órgão indigenista, a licença prévia para a obra foi autorizada pelo Ibama sem nenhum estudo prévio, e a licença para instalação foi dada pela gestão anterior da Funai sem levar em conta estudos produzidos.



    Fica claro que houve negligência da Funai e do Ministério da Integração Nacional, no intuito de apressar a obra. Além do Relatório Etnoecológico da Terra Indígena Truká, feito em 2005, há uma ata de reunião realizada em março de 2007 na qual, mais uma vez, frente aos técnicos da Funai e do Ministério da Integração, os Truká deixaram claro que aquela terra é de ocupação tradicional.



    O Cimi avalia que o fato de ninguém da Funai negar conhecimento do pleito indígena evidencia a má fé do governo Federal em relação ao local de inicio das obras. Isso já é suficiente para tornar nulo o decreto de desapropriação e demandar ação judicial contra os responsáveis.


    Para atender a reivindicação dos Truká, a Funai comprometeu-se, durante a reunião desta quarta-feira, a enviar antropólogo para a área.



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  • 04/07/2007

    Nota do Cimi : Governo age de má fé com povo Truká

    Nota do Cimi

     


    Governo age de má fé com povo Truká; União não pode desapropriar terra que lhe pertence


     


    O início das obras da transposição é flagrante ato de ilegalidade praticado pelo governo Federal. Quando instalou o canteiro de obras dentro da terra Truká, o governo já sabia que aquela terra era indígena.


     


    Governo agiu de má fé, porque desde 2005 há um estudo Etnoecológico da Terra Indígena Truká, assinado pelo Ministério da Integração, que reconhece a reivindicação dos Truká pelas terras.


     


    Ao manter a obra a todo custo e a não consultar os povos indígenas afetados,  o governo afronta a Constituição Federal e a Convenção 169, assinada por este mesmo governo Lula.


     


    A terra é indígena. O Decreto de desapropriação, portanto, é nulo.


     


    A União não pode desapropriar uma terra que já lhe pertence e além de tudo pagar mais de um milhão de reais por isso. Isto é um crime contra o erário público.


     


    Com a desapropriação de terras feita com tamanha irresponsabilidade, o governo legitima a grilagem de terras no país.



    Estamos seguros de que este crime é apenas o primeiro de muitos que aparecerão se o governo continuar insistindo nesta obra cara, comprometida apenas com a reprodução da indústria da seca no nordeste.


     


    Cimi – Conselho Indigenista Missionário


    Brasília, 4 de julho de 2007
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  • 03/07/2007

    Transposição: Manifestantes repudiam governo federal e patrocínio a campanha de governadores



     


    O acampamento na área da tomada de águas do eixo norte, do projeto de transposição, é uma ação integrada entre organizações sociais, movimentos populares, povos e comunidades tradicionais da bacia do rio São Francisco e de outros estados que se solidarizam com a causa. Uma espécie de mutirão que completa uma semana de ocupação pacífica na perspectiva de permanência por tempo indeterminado, com os objetivos de arquivamento definitivo do projeto e a retomada de terras pelos índios Truká.


     


    A ação iniciou com 1200 pessoas e em menos de dois dias subiu para 1500, dos estados do Ceará, Pernambuco, Bahia, Sergipe, Alagoas e Minas Gerais. No final da semana, determinadas caravanas, que participaram da ocupação, retornaram para suas regiões no sentido de aumentar a mobilização e reunir outros grupos para aderir à ocupação. Hoje o acampamento conta com cerca de 700 pessoas, a maioria indígenas.


     


    Hoje começam a chegar novas caravanas, pelo menos uma de Pernambuco – com gente de Recife, Garanhuns e sertão do Pajeú – e duas do Ceará. Além disso, foi intensificada uma ampla campanha pela manutenção da ocupação.


     


    Policia se aproxima de área ocupada


    No final da manhã de hoje viaturas da polícia militar começaram a intensificar o trabalho no entorno das fazendas ocupadas. Uma viatura chegou a se posicionar na rodovia principal, em frente à entrada da área ocupada, e mais duas no portão da fazenda que dá acesso ao acampamento.


     


    Entretanto, ainda não há nenhuma notificação oficial aos acampados sobre uma possível ação de reintegração. Além disso, o documento expedido pelo juiz da 20ª Vara Federal, Georgius Luís Argentini Principe Credidio, afirma que a ação deve ser comandada pela polícia federal e acompanhada pela Funai.


     


    Manifestantes repudiam governo federal e patrocínio a campanha de governadores


    Os participantes do acampamento consideram lamentável a informação de que o Ministério da Integração Nacional deverá doar o material da campanha que será deflagrada pelos governadores do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Ceará. O ato é considerado manipulador e impossível de facilitar o debate amplo e democrático com a sociedade.


     


    Seguindo o exemplo dado pelo ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, Eduardo Campos, Cássio Cunha Lima, Wilma Faria e Cid Gomes, atropelam a população, alimentam a discórdia, utilizam o aparato do estado e o mesmo discurso que fomenta a indústria da seca, o de levar água para o povo pobre do Nordeste.


     


    A campanha coordenada pelos governadores possivelmente não popularizará os números que cercam o projeto de transposição. O custo de R$  6,6 bilhões a ser utilizado apenas nos quatro primeiros anos e ainda que apenas 4% da água transposta seria destinada à população difusa.


     


    Os participantes do acampamento acreditam que os governadores poderão perder o momento ideal para aprofundar o debate sobre as mais de 140 tecnologias de convivência com o semi-árido, a maioria delas reunida e aplicada pela Articulação do Semi-árido (ASA). Além das alternativas apresentadas pelo Atlas Nordeste lançado pela Agência Nacional de Águas (ANA), no final do ano passado. Esse assegura que seriam necessários R$  3,5 bilhões – a metade do custo da transposição – para realizar 530 obras e atender a 34 milhões de pessoas dos nove estados nordestinos e mais o norte de Minas Gerais, isso significa o abastecimento de 1356 sedes municipais.


     


     


    Retrospectiva da primeira semana do acampamento


     


    Dia 25/06


    – Na madrugada entre os dias 25 e 26 inicia a ocupação da área de aproximação do canal norte do projeto de transposição por cerca de 1200 pessoas de Minas Gerais, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Bahia e Ceará.


    Dia 26/07


    – Aumenta para 1500 pessoas o número de manifestantes na área ocupada; são levantados barracos, organizadas equipes de trabalho e o processo de formação.


    Dia 27/06


    – Ministério da Integração Nacional divulga falsa informação sobre ter entrado com o pedido de reintegração de posse da área ocupada;


    – Prefeito de Cabrobó instiga a população a reagir a ocupação;


    Ato simbólico, no buraco construído pelo exército durante a visita do ministro da Integração, Geddel Vieira Lima, batizado como o “buraco de Geddel”. Índios dançam no local, é feito o enterro simbólico dos marcos de concreto do projeto de transposição e o plantio de mudas de árvores e cereais;


    – Rômulo Macedo (do Ministério da Integração) tenta visitar e negociar com acampados, mas não é recebido;


    28/06


    – Acampamento recebe os bispos de Barra e de Juazeiro (BA), Dom Luiz Cappio e Dom José Geraldo. Juntos participam da celebração de início das atividades do dia;


    – Advocacia Geral da União dá entrada no pedido de reintegração de posse da área;


    – Trator contribui no mutirão de tapagem do “buraco do Geddel”;


    – Ação no Ministério Público Federal pede atuação para garantir o direito dos indígenas. Documento pede agilidade na demarcação do território dos Truká, suspensão das obras da transposição e saída do exército.


    Dia 29/06


    – Juiz da 20ª Vara Federal concede liminar de reintegração;


    – Nas imediações do acampamento aumenta a presença de policiais militares e de soldados do exército;


    – Comandante de polícia faz sobrevôo no acampamento;


    – Celebração comemorativa ao dia de São Pedro; construção coletiva de barracos e preparação da terra;


    Dia 30/06


    – Manifestação do povo indígena Truká pela passagem de dois anos do assassinato de dois índios;


    – Festa dos índios no acampamento: Toré até a madrugada do dia seguinte;


    – Retorno de caravanas para suas regiões: grupos que deram início à ocupação e montagem do acampamento, retornam e começam a mobilizar outros grupos;


    – Aumenta apoio ao acampamento, presencialmente ou com auxílios para a infra-estrutura;


    – Segue mutirão de construção de barracos, preparação da terra e tapagem do “buraco do Geddel”.


    – Visita do bispo da diocese de Floresta (PE), Adriano.


    Dia 01/07


    – Revezamento de grupos; indígenas ficam em maior quantidade no acampamento;


    – Cartas e outros documentos de apoio ao acampamento começam a ser divulgados.


    Dia 02/07


    – Reunião de urgência dos governadores de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte em Recife: decisão de intensificar e lançar campanha pela transposição do rio São Francisco, a partir do dia 09;


    – Trabalho coletivo de organização interna da infra-estrutura, formação política


    – Inauguração da praça central do acampamento com apresentações de música, poesia e um jantar coletivo;


    Dia 03/07


    – Formação interna sobre o que é o projeto de transposição;


    – Chegada de novas caravanas de Pernambuco e do Ceará.


     


    Saiba mais:


     


    São Francisco: Juiz emite reintegração de área ocupada e aumenta número de militares na área


     


    São Francisco: Trabalhadores preparam terra para plantio em área ocupada de Cabrobó (PE)


     


    Cerca de 1200 pessoas ocupam área onde o exército iniciou projeto de transposição


     

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  • 03/07/2007

    Inscreva-se no II Seminário Povos Indígenas e sustentabilidade: saberes e práticas interculturais na Universidade

    Inscreva-se no II Seminário Povos Indígenas e sustentabilidade: saberes e práticas interculturais na Universidade


     


    Entre os dias 27 a 30 de agosto, na UCDB, em Campo Grande, MS, realizaremos o II Seminário Povos Indígenas e sustentabilidade: saberes e práticas interculturais na Universidade.


     


    Já confirmaram a presença pesquisadores do México, Peru, Chile e Bolívia, além de um número significativo de lideranças e acadêmicos indígenas, representantes de instituições acadêmicas, pesquisadores e órgãos públicos do Brasil. O evento tem como objetivo aprofundar o debate sobre saberes e práticas interculturais na Universidade, tendo em vista não apenas o acesso e a permanência dos acadêmicos índios nas IES, mas, também, um maior comprometimento das mesmas com a elaboração de políticas públicas e a efetivação de projetos coletivos de sustentabilidade dos povos indígenas.


     


    É uma iniciativa do Programa Rede de Saberes, desenvolvido pela Universidade Católica Dom Bosco, UCDB, através do Núcleo de Estudos e Pesquisas das Populações Indígenas, NEPPI e os Programas de Mestrado em Educação e Desenvolvimento Local e a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, UEMS, com o apoio da Fundação Ford/PHE e Laced/UFRJ.


     


    Inscreva-se e participe. Confira a programação e veja os Grupo Temáticos e como se inscrever, no site www.rededesaberes.org/eventos. O prazo para a inscrição de trabalhos vai até o dia 30 de julho.

               

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  • 03/07/2007

    Terra Cachoeirinha: do sonho à conquista

     


     


    Terena: muitos anos de luta, opressão e perseguição


     


    Jorge Vieira*


     


    O povo indígena Terena está localizado no estado do Mato Grosso do Sul, inserido bem no coração do Pantanal. Lá chegou há alguns séculos, originário do Chaco boliviano. Impulsionado por conflitos com espanhóis e, conseqüentemente, expulso de seu espaço territorial, guiado pelo Sol, marchou em busca de terras férteis. Atravessou os limites impostos pelos colonizadores e aliou-se ao guerreiro povo Guaicuru. Muitos de seus “patrícios”, como se tratam internamente, lutaram na guerra da “Tríplice Aliança” – Brasil, Argentina e Uruguai –, 1863-1865, contra o bravo e promissor povo paraguaio, com a promessa de garantir seus territórios.


    Ao contrário da promessa dos militares brasileiros, quando voltaram seus territórios encontravam-se invadidos por militares que voltavam da guerra e gaúchos. Antes, a população não-indígena, que vivia no entorno das aldeias, mantinha uma relação de certa dependência, visto que a produção indígena era comercializada ou trocada no local. Com a chegada dos novos moradores, foi criada uma outra relação, a exemplo da expulsão dos indígenas de suas terras, a perseguição e imposição do sistema de mão-de-obra escrava.


    Sem os territórios e obrigados ao trabalho escravo, a população Terena foi esparramada por toda a região, em busca de moradia e emprego. Os terena encontram-se atualmente, ainda, nos estados de São Paulo e Mato Grosso. Somente na região sul-mato-grossense são cerca de 35 mil.


    Em 1910, com a criação do Serviço de Proteção ao Índio – SPI, o governo federal criou algumas “Reservas Indígenas” em algumas partes do Brasil. Nesse contexto foi criada a área indígena Cachoeirinha. A ocupação de “Cachoeirinha” ou “Bôcôôti”, segundo os Terena, remonta às primeiras décadas do século XIX, mais precisamente a 1844, como foi constatado por Francis Castelnau – a “duas léguas em um terço a noroeste de Miranda”. Ali permaneceu uma pequena parte de Terena, lugar de resistência política, cultural e religiosa, em menos de 3 mil hectares.


    Com o crescimento populacional, a maioria da população foi obrigada a buscar emprego nas grandes cidades. O antropólogo Roberto Cardoso de Oliveira identificou que, na década de 1960, parcela significativa dos jovens tinha como sonho e buscava sua realização nas grandes cidades, conquistando emprego e ensino universitário. Cabe observar que essa foi a política indigenista implantada pelo Marechal Rondon, apoiada na tese da aculturação, fomentando entre os indígenas e na sociedade brasileira a idéia de que os Terena não tinham mais como perspectiva viver em seus territórios.


    A política indigenista e a falsa teoria da aculturação foram desmascaradas pela própria história Terena. Elas tinham um objetivo: abrir os territórios indígenas para expandir as fronteiras agrícolas e para a pecuária. Aos poucos os Terena foram participando das lutas e mobilizações indígenas e políticas, ocupando espaço na sociedade, conhecendo seus direitos e retomando internamente a luta pela recuperação dos territórios.


    A partir de fevereiro de 2000, os Terena da área Buriti, localizada nos municípios de Sidrolândia e Dois Irmãos de Buriti, retomam parte da terra e impulsionam a luta dos outros patrícios.


     


    Organização e luta pela terra de Cachoeirinha


    A luta pela recuperação do território de Cachoeirinha deu mais um passo à frente: a terra foi homologada pelo presidente Lula, no último 19 de abril.


    Com a homologação, fiquei pensando em 2002, sobre como se encontrava o processo de demarcação! Lembro-me que, mais ou menos em agosto daquele ano, algumas lideranças visitaram a sede do Cimi, em Campo Grande, MS, para conhecer a equipe missionária chegada recentemente. Na oportunidade, expuseram os problemas e solicitaram o apoio para lutar pela terra. Foi acordado que voltariam para discutir internamente, e depois entrariam em contato.


    No mês seguinte, por telefone, o cacique de Cachoeirinha, Lourenço Muchaco, convidou para uma reunião na comunidade. Prontamente a data ficou agendada. A reunião aconteceu no centro social de Cachoeirinha. Encontravam-se exatamente 16 pessoas, entre lideranças, chefe de posto e outros membros da comunidade. Na pauta, a questão da terra.


    Diante da situação de paralisação do processo de demarcação, em Brasília, solicitaram apoio financeiro para deslocamento de uma delegação que iria até as autoridades federais para pressionar, fazer andar o processo administrativo, que estava parado há muitos anos. Toda a discussão se deu entre o grupo, na língua Terena.


    Entra aqui uma participação pessoal. Confesso que não entendi absolutamente nada, exceto a reivindicação. Imagine um nordestino, recentemente chegado no Mato Grosso do Sul, acostumado com os indígenas de outra região, pegando uma realidade conflituosa e desconhecida! Pensei: O que disser aqui, como será interpretado?! Bem, lembrei de uma afirmação de um velho cacique Geripankó, Genésio Miranda, de Alagoas: “estou de canela seca de ir à Brasília, já fui 32 vezes, e não consegui nada. Agora, vou organizar primeiro o meu povo”. E aí me dirigi para o grupo (olhe a ousadia!): como está a organização e mobilização das comunidades, lideranças, grupos, igrejas, enfim, do povo? E completei: o problema não é ir à Brasília, vocês mesmos têm essa experiência, a questão é como está a organização do povo.


    Considero que aquelas perguntas foram fundamentais, pelos menos para aquele momento! Respirei fundo, aliviado, achei que consegui ser entendido, visto que os presentes começaram a falar em Terena e demonstrar uma olhar de apreensão. Parecia dizer, puxa, de fato, estamos trabalhando somente as lideranças! Aí propuseram uma nova data para discutir a organização.


    Na reunião, realizada na igreja evangélica de Cachoeirinha, encontravam-se cerca de 40 pessoas. Percebi que estava melhorando! Entre outras propostas, foi sugerida a realização de um seminário para discutir a problemática da terra, com representantes de entidades e das lideranças da terra Buriti. Foram 100 pessoas! Ficou programado o segundo para o mês seguinte, que foi realizado com cerca de 180 participantes. Depois desse, foi a Assembléia que reuniu quase 400 representantes dos “Setores”, ou Aldeias, como os Terena tratam suas comunidades. Nesse processo foi uma delegação à Brasília, que foi avaliada como muito proveitosa, visto que conseguiram o compromisso do procurador da Fundação Nacional do Índio (Funai), em fazer o processo de demarcação avançar.


    Aí, ninguém segurava mais a luta! Com muitas reuniões, mobilizações e viagens, o processo foi crescendo, mesmo com o aumento das pressões contrárias dos fazendeiros, que repercute até os dias atuais. Como exemplo disso, a notícia veiculada no site Campo Grande News, dia 22 de junho, em que o deputado federal do Mato Grosso do Sul, Valdir Neves, ingressou na Mesa Diretora da Câmara dos Deputados com projeto de decreto para suspender a portaria que desapropriou a Terra Indígena Cachoeirinha, justificando a defesa dos interesses dos fazendeiros invasores.


    Apesar disso, os terena continuam firmes na defesa da retomada “Mãe Terra” e da homologação, trabalhando e lutando pela conquista de todo território de Cachoeirinha.


     

    * Missionário do Cimi/NE. Jornalista.   

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  • 02/07/2007

    IL MONDO CHE CI CIRCONDA Nº 772

















    IL MONDO CHE CI CIRCONDA


    Nº 772


    Brasilia, 28 di giugno 2007  












    SOMMARIO:







     


    Da ter giorni, 1500 persone sono accampate per salvare il fiume São Francisco


     


     


     


    Rondônia: 12% della popolazione indigena di Guajará Mirim analizzata é portatrice dell’epatite B o C


     


     


    Contro la violenza del governo Federale, che há iniziato le opere desviare lê acque del fiume senza prima, come promesso, dialogare con la societá, i movimenti sociali hanno allestito un accampamento sulla riva del fiume al quale partecipano 1500 persone, un movimento pacifico e ripienio di simbolismi. Nei giorni della festa di San Giovanni, la piú importante del Nordest, i movimenti riaffermano la ricerca di uno sviluppo sostenibile e che rispetti le caratteristiche della Regione. E in appoggio ai popoli indigeni, il gruppo realizza una rioccupazione collettiva di una area indigena rivendicata dagli indios del popolo Truká.


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    La ricerca che addita questo numero é stata realizzata, via convenio, tra il comune di Guajará-Mirim e la Fondazione Nazionale della Sanitá (Funasa), nel mese di settembre del 2005. Di un totale di 836 campioni, 100 indicavano infezione  per epatite B o C.
     Il Cimi di Rondônia denuncia che, nonostante abbia avuto la possibilita di accedere ai dati, la Funasa non ha preso le misure necessarie per iniziare il trattamento dei pazienti ed a persino tentato di mantenere nascosti i dati della ricerca.


     


     


     


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  • 02/07/2007

    Newsletter No. 772

     


     


    – Three days ago, 1500 people set up camp in aid of the São Francisco river

     Rondônia: 12% of the indigenous population studied at the Guajará Mirim Base Camp carries the Hepatitis B or C Virus


     


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    THREE DAYS AGO, 1500 PEOPLE SET UP CAMP IN AID OF THE São Francisco RIVER


     


    Whoever thought that there would be no protests challenging the decision to start the project to divert the São Francisco River was wrong. Social movements have set up a peaceful campsite, full of symbolisms, for 1500 people during the most important festival season in the Northeast, the St. John Festivals, reaffirming the need to find a sustainable development solution that respects the characteristics of the region. This is to oppose the violence of the Federal Government, which has started work on the project without the promised dialog with society. Furthermore, in support of these indigenous people, the group will collectively repossess an area claimed by the Truká people, but which was left out of their land when it was demarcated.


     


    The voices of the more than ten movements that organized this act have been brought together in a declaration: “Water in the weirs and wells, lush shrubland, corn, soft cheese and paçoca (peanut fudge) to eat; liquors and a lot of traditional forró music around the bonfire… – these are signs of a Northeast that is beautiful and feasible, evidence of what the rainy season can bring to the semi-arid, if we change our focus, concentrate our efforts and invest. By choosing a project that is against the drought and not in favor of the semi-arid and its socio-environmental dynamics, the government is getting it wrong once again, as has historically been the case. A proposal to live with the semi-arid, which was expected of this government, would bury the policy and industry of combating the drought and would consolidate a policy of making good use of the rain, because it is the rain, not the drought, which is decisive for life in the hinterland and of the people that live there. (…) It is not a matter of whether to donate water or not, but what should be developed, at what price and for whom,” they say. (read the full text here)


                                                                                                   


    The campsite was set up on Tuesday, 26 June, at kilometer 29 of the BR 428 highway, where the army has started work on extracting the water for the North Canal of the transposition project. Work is in progress but there is no programmed date for finishing it. Six indigenous peoples are present, with a total of around 260 protestors.


                                    


    The objectives of the campsite are to interrupt the work and support the Truká. Symbolic acts such as the burial of the transposition project and the planting of seedlings of foodstuffs such as beans and corn are being carried out. There are also times when those at the camp receive training.


     


     


     Rondônia: 12% of the indigenous POPULATION STUDIED at the Guajará-Mirim Base Camp carrIES the Hepatitis B or C Virus


     


     


    In reply to an official letter from the Indianist Missionary Council, sent in February 2007, The Epidemological and Environemtal Watch Center (NUPEVA), in the municipality of Guajará-Mirim, Rondônia revealed some alarming data: 12% of the indigenous population studied carries the Hepatitis B or C Virus.


     


    The survey, which led to this number, was carried out through a partnership between the municipality of Guajará-Mirim and the National Health Foundation (Funasa), in September 2005. Out of a total of 836 samples tested, 100 were infected by hepatitis B or C.


     


    Cimi in Rondônia has announced that, despite having access to this information, Funasa did not take the necessary action to treat these patients, and attempted to keep these data secret.


    “It is a great pity that the indigenous healthcare workers, the reference point for healthcare in the settlements, are not kept informed about the health of their patients. (…) It is Funasa’s responsibility to give every indigenous person the results of their examinations, send them wherever they need to go for treatment and, in view of these results, carry out urgent surveys in the other settlements.“ said the Cimi team in Guajará-Mirim, in a press release (read the full text here).


     


    The team explains that people with chronic hepatitis need to be constantly accompanied, undergo complementary examinations, and possibly have specialist medical treatment. Delays in getting this treatment can put these patients’ lives at risk.


    Pregnant women who are carrying the hepatitis virus must be closely monitored by an obstetrician, because this is a high-risk pregnancy.


     


    In Cimi’s opinion, these data should have been used by Funasa to organize a specific program for the hepatitis viruses, which would require financial and technical resources: clinical and laboratory accompaniment for the sufferers, accompaniment of pregnant women, vaccination of the newly-born and training for health professionals and the communities.


     


    Brasília, 28 June 2007


    Cimi – Indianist Missionary Council


    www.cimi.org.br


     

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  • 02/07/2007

    São Francisco: Para acampados, reunião dos governadores pode provocar reflexão sobre a obra

       



    Manifestantes mantêm a ocupação na área da tomada de águas do eixo norte, do projeto de transposição do governo Federal.


     


    Reunião de governadores


    Segundo informações da assessoria de comunicação do governo pernambucano – divulgada no site oficial -, os governadores de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte (Eduardo Campos, Cássio Cunha Lima e Wilma Faria) se reunirão em Recife, hoje (02). O encontro acontece em caráter de urgência e servirá para tratar das manifestações contra o projeto de transposição, como a que acontece na tomada de água do eixo norte.


     


    A coordenação do acampamento acredita que a reunião poderá provocar uma reflexão sobre as mobilizações contrárias ao projeto e a forma impositiva como este tem sido colocado, inclusive com a utilização do exército. Espera-se que os representantes estaduais contribuam na manutenção do caráter pacífico da manifestação em Cabrobó (PE). Além disso, que estimule o debate público sobre os verdadeiros beneficiados pela obra.


     


    Sem notificação


    Mesmo com a expedição da liminar de reintegração de posse da área, pelo juiz da 20ª Vara Federal, Georgius Luís Argentini Principe Credidio, ainda não houve a notificação pelo oficial de justiça. As organizações sociais, movimentos populares, povos e comunidades tradicionais decidiram só  determinar qualquer ação de resistência após analisar os termos do documento. Todavia, a terra continua sendo preparada para o cultivo de alimentos e os trabalhadores continuam a levantar casas de barro em regime de mutirão.


     


    Cresce o número de indígenas no acampamento


    Grupos de manifestantes começaram hoje a se revezar com outros grupos e aumenta o número de índios Trukás na área ocupada. Os indígenas fazem uma retomada das terras da fazenda Toco Preto e Mãe Rosa que, segundo as lideranças, deveriam ter sido anexadas ao território há mais de 10 anos, quando teve início a demarcação da área.


     


    Segundo a coordenação do acampamento, cresce a quantidade de pessoas e organizações que querem participar ou fazer algum tipo de doação para a manutenção da infra-estrutura.


     


    Atividades final de semana


    Durante o sábado (30) os acampados se dividiram entre o mutirão para construção de casas e preparo da terra para a agricultura e uma manifestação.


     


    Cerca de 800 pessoas, entre acampados e indígenas de povos daquela região, participaram de passeata, celebração, almoço coletivo e toré para marcar dois anos do assassinato de dois índios Truká, pai e filho, por policiais militares. Os policiais, até hoje, não foram nem mesmo julgados. Um grande Toré – dança ritual dos povos do Nordeste –  foi realizado durante a madrugada do dia 1 de julho. Indígenas e acampados dançaram e cantaram toda a madrugada ao som de maracás e iluminados por uma grande fogueira.


     


    Revezamento


    Alguns grupos que participaram da ocupação e montagem do acampamento retornaram para suas regiões, enquanto novas caravanas começam a chegar para reforçar a resistência na área, dar continuidade às atividades de preparação da terra e levantamento dos abrigos que devem alojar as famílias indígenas.


     


    Saiba mais:


    São Francisco: Juiz emite reintegração de área ocupada e aumenta número de militares na área


     


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