• 20/06/2008

    Carta da Coordenação dos Movimentos Sociais do Estado de Mato Grosso do Sul – CMS/MS

    Mato Grosso do Sul: a violência anunciada


     


    Quando no início de seu mandato, o Governador do Estado de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, anunciou para a imprensa sua máxima de atuação com a “tolerância zero” para determinadas ações de seu governo, certamente estava também se referindo aos povos indígenas em sua luta pela efetivação de seus direitos constitucionais de terem demarcadas suas terras tradicionais.


     


    Exemplo disso, foi o que ocorreu no clarear do dia 17 de junho deste ano. Bastou um policial cometer uma brutalidade desproporcional e os índios partirem para a defesa de sua anciã agredida e derrubada no chão, para que as iras contidas e escondidas nas armas, nas bombas de gás se espalhassem pelo ambiente da retomada do povo Terena da aldeia Passarinho.


     


    Segundo consta do documento escrito pelos membros da comunidade de Passarinho relatando o caso de violência: “Os policiais começaram arrebentando todas as barracas colocando fogo em tudo que ali estava, empurraram mulheres, crianças e idosos, puxaram cabelos de mulheres e pisaram e chutaram as roupas dos indígenas. Outra anciã, Nadir da Cunha da Silva, de 68 anos, foi agredida por um policial. Jogaram muitas bombas em direção as pessoas, atiraram com munição real na direção dos guerreiros e nas casas que existem dentro da área indígena Aldeia Passarinho. Os policiais entraram nessa área e atropelaram os guerreiros com arma de fogo…”


     


    E ainda, em nítido desrespeito à terra indígena e seus habitantes: “Os policiais invadiram a aldeia Passarinho e levaram a força arrastado o Norberto Lopes Xavier (44 anos) até o camburão onde ficou retido e levado preso. Os policiais atiraram com munição real, e não somente com as balas de borracha”. Toda essa onda de violência é registrada no referido documento da comunidade.


     


    Sem coração os policiais não pensaram e foram agredindo de forma mais cruel os indígenas inocentes sem armas que ali estavam. Feriram várias pessoas indígenas que estavam no movimento. Jogaram várias bombas dentro da aldeia Passarinho e atiraram com munição real em direção as casas que existem dentro dessa área que a comunidade está confinada. Na casa da indígena Rita Gomes Rodrigues, 46 anos, tem marca de bala… Os policiais invadiram a aldeia Passarinho, agrediram, empurraram, xingaram, bateram, arrastaram pelos cabelos, jogaram bombas de gás venenoso, atiram com balas de borracha e atiraram com armas de fogo em direção dos nossos guerreiros”, citam em seus relatos.


     


    Já a Secretaria de Justiça e Segurança Pública – SEJUSP, apressou-se em passar a versão policial dos fatos ocorridos, conforme consta em Nota Oficial encaminhada à imprensa.  Nela se refere aos indígenas como “invasores de propriedade particular”. Alude aos fatos dizendo se tratar de agressão por parte dos índios: “a tropa avançou na tentativa de debelar o ataque indígena, tendo havido a necessidade da utilização do lançamento de granadas químicas e munição calibre 12 de elastômetro (borracha com menor intensidade). Durante a investida foram presos os lideres da invasão que frontalmente desobedeceram, desacataram e ameaçaram o Grupo da PM”.


     


    Importante destacar o arsenal de guerra apreendido pela polícia, em poder dos indígenas Terena: “Conforme a secretaria (Sejusp), foram apreendidos com os índios 09 facões, 02 machetes, 01 martelo e 03 arcos e flecha” (Campo Grande News,17/06/08).


               


    A ação violenta contra os índios certamente não foi uma iniciativa de algum comandante de policiamento. Eles cumprem ordens superiores. Também não se trata de fato isolado. Na retomada da terra indígena Kaiowá Guarani, Kurussú Ambá, localizada no município de Coronel Sapucaia, também foram presas quatro lideranças indígenas no início do ano passado e que permanecem nesta situação até hoje. Em determinadas instâncias, continua prevalecendo a determinação de “Terra Zero” para povos indígenas e a criminalização da luta pela terra é imediata.


     



    Repúdios, responsabilidades e solidariedade.


     


    Não tardaram em chegar as manifestações de solidariedade e apoio à justa luta dos Terena de Passarinho e Moreira por sua terra.


     


    De Roraima, chegou uma Nota de Solidariedade enviada pelo Coordenador do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Dionito José de Souza, afirmando que:


     


    O Conselho Indígena de Roraima se solidariza com os parente Terena, que infelizmente passam por mais essa injustiça. Não sendo diferente da nossa luta, da Raposa Serra do Sol, onde os invasores insistam permanecer na “Nossa Terra”,  que está demarcada, homologada e registrada.


    Por isso parente, não desanimem, estamos juntos nessa luta, de conquistar a nossa terra, o nosso lugar, o nosso espaço e tirar definitivamente os invasores.


    O povo indígena de Roraima está indignado com tamanha falta de respeito, de humanidade.


    O Conselho Indígena de Roraima está à disposição”. (Boa Vista, 18/06/08).


     


    O Coordenador da Articulação dos Povos Indígenas do Pantanal (ARPIPAN), Ramão Vieira de Souza, também manifestou “solidariedade aos seus parentes Terena em sua luta pela terra como única forma de viver com dignidade”.


     


    Lideranças da retomada-aldeia Mãe Terra também estiveram levando sua solidariedade e apoio aos parentes no acampamento. Colocaram-se “à disposição para qualquer apoio de que necessitarem”.


     


    A todas essas manifestações, querem se unir e somar a Coordenação dos Movimentos Sociais de Mato Grosso do Sul (CMS/MS), que em vários momentos manifestaram seu incondicional apoio aos povos indígenas no estado, na luta pelos seus direitos constitucionais, especialmente a Terra. Uma vez mais queremos manifestar nosso repúdio a todo tipo de violência e criminalização a que estão sendo submetidas às lutas dos Movimentos Sociais e em especial dos povos indígenas.


     


    Entendemos ser urgente e inadiável uma mudança substancial na estrutura fundiária do estado de Mato Grosso do Sul, reconhecendo e garantindo as terras necessárias aos trabalhadores rurais sem-terra, aos quilombolas e aos povos indígenas conforme determina a Constituição da República. É lamentável continuarmos sob a pecha do Estado de maior violência contra os índios, e o pior índice de terras para esses povos.


     


    Só um grande mutirão de decisão política do Governo Federal, com apoio substancial do Governo de Mato Grosso do Sul para a demarcação das terras indígenas de nosso estado, bem como a solidariedade e apoio Nacional e Internacional, poderá ser revertido esse quadro dramático e vergonhoso.


     


    Coordenação dos Movimentos Sociais do Estado de Mato Grosso do Sul – CMS/MS.


     


    Campo Grande-MS, 19 de junho de 2008.


     

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  • 20/06/2008

    Informe 821: Lula cobra ação integrada de Ministros para atender reivindicações indígenas

    Ontem (19 de junho) à noite, durante a reunião da Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI), o presidente Luis Inácio Lula da Silva cobrou que os ministros se articulem para efetivar as ações necessárias para melhorar a situação povos indígenas no país. Lula indicou o Ministro da Justiça Tarso Genro para coordenar as ações do Executivo voltadas para os povos. As lideranças indígenas cobraram promessas feitas por Lula, o cumprimento da legislação que garante os direitos dos povos e uma postura mais firme do presidente diante de pressões antiindígenas regionais.


     


    Além de Lula, 15 ministros e diversos representantes de órgãos do Governo estavam presentes. No início da reunião, o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira, expôs os principais problemas que afetam os povos indígenas e, na seqüência, os indígenas coordenadores das 10 subcomissões da CNPI apresentaram os debates dos primeiros dias da CNPI (17 e 18 de junho).


     


    As falas de Meira e dos indígenas destacaram o caos na saúde indígena, os problemas estruturais da Funai, a necessidade de se aprovar o Estatuto dos Povos Indígenas, o direito dos indígenas serem consultados em relação à ações ou empreendimentos em suas terras, entre outras questões. Todas as falas também lembraram o significado histórico daquela reunião, onde o Presidente da República e os ministros ouviram as lideranças indígenas em torno de uma mesma mesa.


     


    Em relação à saúde indígena, Meira lembrou que dentre os diversos segmentos da população, os povos indígenas têm os piores indicadores de saúde, citando que o índice de mortalidade entre crianças indígenas é mais que o dobro da média nacional. José Aarão, do povo Guajajara, coordenador da Subcomissão de Saúde, pontuou que o problema da saúde não é falta de verbas, mas problemas de gestão e de ingerência política nas nomeações e controle dos recursos. A autonomia administrativa e financeira dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dseis) seria a forma dos indígenas exercerem o controle social da saúde sem depender de interesses políticos.   


     


    Em relação às questões fundiárias, os indígenas lembraram que pressões de governos estaduais têm atrapalhado a regularização das terras, principalmente em Roraima, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. Também lembraram que a ausência de técnicos da Funai atrasa os processos de demarcação. Por conta disso, Meira e os indígenas requereram concursos para novos servidores e reestruturação da carreira dos atuais servidores.


     


    Os indígenas também solicitaram que Lula se empenhe, junto aos parlamentares da base governista, para que eles voltem a tratar do Estatuto dos Povos Indígenas, cuja tramitação está parada há 14 anos.


     


    Em resposta às demandas apresentadas, Lula disse que os ministérios precisam informar, por que as políticas não se concretizam, mesmo quando há recursos disponíveis. “Agora, os ministros ouviram tudo e daqui a dois meses vão ter que ter a resposta do que evoluiu.”, determinou o presidente. Lula lembrou que só há mais 2 anos e 6 meses de mandato, por isso há que se ter avanços a cada reunião, de dois em dois meses. Ele indicou o Ministro Tarso Genro para coordenar a articulação dos diversos ministérios que realizam as ações voltadas para os povos indígenas.


     


    Cobranças e pressões


    Para alguns indígenas, a reunião foi importante, pois os ministros foram cobrados para agir. Entretanto, sabem que há setores antiindígenas muito influentes, então preferem esperar as mudanças acontecerem para fazer avaliações.  


     


    Na reunião, os indígenas lembraram de promessas não cumpridas. Ak´Jabor Kayapó fez Lula recordar do encontro que eles tiveram antes das eleições de 2002. “O senhor foi falar comigo e eu disse: o senhor tenta, tenta ganhar e não consegue. Agora, o pajé vai ajudar e o senhor vai ganhar, mas eu não quero ver vender a Vale, vender a Amazônia, vender a energia, igual o Fernando Henrique fez. O senhor lembra?” E completou: “O senhor disse: ‘quando eu for presidente, vai ter saúde, educação, vou arrumar a Funai, demarcar a terra…’ Mas, o senhor não fez isso. E por que o senhor não faz? Eu não entendo quem manda: o senhor no Ministro do Planejamento ou o Ministro do Planejamento que manda no senhor?”, completou o Kayapó, sob aplausos.


     


    Durante a reunião da CNPI, Lula se referiu ao extremo confinamento em que vivem os Guarani Kaiowá, no Mato Grosso do Sul. Ele disse que não é possível que tantas pessoas vivam em tão pouca terra. “Há seis anos quero resolver essa história e não conseguimos”, afirmou o presidente. Desde março, a Funai promete iniciar 36 Grupos Técnicos para identificação na região. No entanto, por conta das fortes pressões de fazendeiros e políticos locais, os trabalhos ainda não começaram.



     


     


    Brasília, 20 de junho de 2008.


    Cimi – Conselho Indigenista Missionário


     
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  • 20/06/2008

    Yanomami denunciam a falta de medicamentos

    Carta Denúncia nº. 03/2008.


     


    Boa Vista/RR, 20 de Junho de 2008.


     


    Prezados (a) Senhores (a)


     


    Procurador do Ministério Público Federal – MPF/RR


    A/C: Ludmila Portolleto Monteiro


     


    Nós Yanomami estamos escrevendo este documento para vocês autoridades, a respeito da falta de medicamentos na CASAI – Casa de Saúde do Índio em Boa Vista/RR.


     


    A Fundação Nacional de Saúde esta novamente nos deixando revoltados, nós Yanomami queremos Saúde com qualidade.


     


    A CASA DE SAÚDE DO ÍNDIO não tem mais remédios para nos curar, nós Yanomami também se preocupamos quando não tem remédios, como os funcionários da Casa de Saúde do Índio vão trabalhar? Porem vocês autoridades devem tomar suas providências, entendam a Saúde Indígena Yanomami, por que os nossos filhos estão sendo removidos para Casai se não tem remédios? Como ficam nossos filhos? Por isso nós Yanomami precisamos urgente do apoio das autoridades, para os funcionários na Casa de Saúde do Índio, é Importante ter os medicamentos, nós somos iguais a vocês, vocês braços não podem tomar os remédios atrasado, nós Yanomami também.


     


    Porque nós Yanomami estamos divulgando mais uma vez o desrespeito da própria Fundação Nacional de Saúde – FUNASA. Durante reuniões do Conselho Distrital Yanomami que discutimos muitas vezes nossos problemas de Saúde, não estão melhorando nada, cada vez mais piorando.


     


    Nossas palavras que nós estamos escrevendo são tudo verdade, nós não estamos mentindo, nós estamos falando uma verdade sobre o que está acontecendo, vocês autoridade precisam fazer alguma coisa para ajudar a melhorar a saúde Yanomami, como diminuir a mortalidade dentro da Terra Indígena Yanomami.


     


    Nós somos Yanomami estamos vendo a situação da Saúde Yanomami nas nossas comunidades, na Terra Yanomami não tem os remédios também mesmos situação está acontecendo.


     


    Por isso nós Yanomami solicitamos providencias.


     


    Anexo: Cópia de uma matéria no Jornal Folha de Boa Vista, dia 18/06/2008, página Cidade, denunciando a situação da falta de remédios, site:


     http://www.folhabv.com.br/noticia.php?pageNum_editorias=1&editoria=cidades&Id=42022


     


    E no site da CCPY – Comissão Pro-Yanomami.


    http://www.proyanomami.org.br/v0904/index.asp?pag=noticia&id=4695#


     


    Também em anexo a relação de medicamentos que estão em falta na CASAI.


     


     


    Atenciosamente,


     


    Dário Vitório Xiriana


    Tesoureiro da HAY

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  • 20/06/2008

    Raposa Serra do Sol

    A COOPERAÇÃO E O DIÁLOGO MARCAM ENCONTROS DE LIDERANÇAS INDIGENAS COM AUTORIDADES ESPANHOLAS


     


    Representantes da Agência Espanhola de Cooperação Internacional (AECI) e do gabinete da Secretaria de Estado de Cooperação Internacional do Governo espanhol receberam ontem (19) as lideranças indígenas Jacir José de Souza e Pierlângela Nascimento da Cunha. Ouviram deles os acontecimentos que envolvem a terra indígena Raposa Serra do Sol na espera da decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a homologação desta área.


     


    Jacir explicou como a confiança que gerou o Decreto de Homologação em 2005 hoje tornou-se preocupação pelo risco de que esse decreto seja revogado, e que isso possa abrir um precedente fatal para todos os povos indígenas. Afirmou ainda que o Governo Federal está firme na defesa dos direitos dos povos indígenas, e que esperam isso também do STF. Pierlângela explicou que as comunidades indígenas nunca reagiram com violência nem causaram derramamento de sangue. “Nós sempre fomos os que perdemos as vidas”.


     


    As representantes do Governo ouviram atentamente as explicações das lideranças indígenas e receberam material audiovisual sobre Raposa Serra do Sol. Lembraram a trajetória e o compromisso do Governo espanhol na defesa dos direitos dos povos indígenas, participando ativamente na elaboração da Declaração Internacional dos Direitos dos Povos Indígenas da ONU e assinando a Convenção 169 da OIT. Aproveitaram para apresentar às lideranças as linhas mestres da política espanhola de cooperação com os povos indígenas. Finalmente, Jacir e Pierlângela formalizaram um convite para que representantes do Governo participem da próxima Assembléia Estadual de Tuxauas, em 2009.


     


    Ainda ontem, às 13h (horário local), as lideranças reuniram-se com a Comissão Parlamentar de Cooperação Internacional do Congresso dos Deputados. A Comissão, formada por porta-vozes dos diversos partidos políticos espanhóis, após ter ouvido o relato das lideranças e ter aberto um diálogo com eles para compreender melhor a atual situação, comprometeram-se a assinar, em nome de seus partidos políticos, uma carta que será enviada ao Governo Federal e aos ministros do Supremo Tribunal Federal. Afirmaram também que no mês de setembro apresentarão a situação ao Plenário do Congresso dos Deputados, independentemente de qual tenha sido a decisão do STF. Agradeceram a visita das lideranças indígenas e declararam que para eles era um dever recebê-los “e um dever muito grato, poder ouvir diretamente de vocês a situação que estão vivendo”.


     


     


    PRESIDENTE DA FUNAI CONVERSA POR TELEFONE COM LIDERANÇAS INDIGENAS NA ESPANHA


    O Presidente da FUNAI, Márcio Meira, recebeu ligação direta das lideranças Pierlângela Nascimento da Cunha e Jacir José de Souza, que se encontram em Madri apresentando a Campanha Anna Pata, Ana Yan. Márcio Meira estava pronto para participar de uma reunião da Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI) com o Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, quando Pierlângela ligou para seu celular. Na conversa, a representante wapixana, membro da CNPI, explicou os objetivos de sua viagem a Europa e os rsultados das reuniões realizadas até agora.


     


    Márcio Meira, que afirmou estar sabendo da presença das lideranças em Europa, ressaltou a importância do encontro que Jacir e Pierlângela manterão hoje (20), com o embaixador brasileiro na Espanha, José Viegas Filho. Comprometeu-se, finalmente, a informar na reunião com o Presidente sobre a viagem das lideranças a Europa e seus objetivos.


     


    LIDERANÇAS INDIGENAS DE OUTROS PAISES MOSTRAM SUA SOLIDARIEDADE À CAMPANHA ANNA PATA, ANNA YAN


    Quatro lideranças indígenas, dos povos Misquito (Nicarágua), Kuna (Panamá), Wayuu (Venezuela) e Nasa (Colômbia), assistiram ontem à noite em Madri à palestra dos indígenas Jacir José de Souza e Pierlângela Nascimento da Cunha, cujo objetivo era apresentar a situação que estão vivendo hoje as comunidades indígenas de Raposa Serra do Sol.


     


    A platéia de 30 pessoas, representantes indígenas de outros países, mostrou sua solidariedade com os povos de Raposa Serra do Sol. Conforme a representante Wayuu, estavam ali para levar “nossa solidariedade e nossa irmandade indígena. Sabemos que, nós, povos indígenas podemos perder neste tipo de processos jurídicos, porque muitos deles estão viciados. Mas para quem pensa que é muita terra para poucos índios devemos dizer que não, que é muita a que já perdemos e não vamos perder mais”.


     


    Comprometeram-se a elaborar um documento que enviarão aos ministros do Supremo Tribunal Federal, e levarão as informações de Raposa Serra do Sol a suas comunidades de origem. Também enviarão um documento ao novo relator especial para temas indígenas da ONU. Atualmente encontram-se em Madri realizando um curso de três meses sobre Direitos Indígenas e Governabilidade, na Universidade Carlos III.


     


    Conselho Indígena de Roraima

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  • 20/06/2008

    Entidades promovem debate sobre Raposa Serra do Sol

     


     


     


    “Raposa Serra do Sol e o Futuro da Amazônia” é o tema do seminário que acontece nesta sexta-feira, 20/06, no auditório “Rio Alalaú” da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Amazonas – Ufam, a partir das 8h. O evento tem por finalidade “compreender o significado da Raposa Serra do Sol para os povos indígenas que a ocupam tradicionalmente; fazer uma leitura dos aspectos jurídico-legais, identificando os interesses em disputa e analisando a importância da Raposa Serra do Sol para o futuro da Amazônia; apoiar e dar visibilidade ao posicionamento dos povos indígenas sobre a Raposa Serra do Sol”.


     


    Para os organizadores, este debate representa um esforço para desmistificar manifestações de personalidades públicas contra a demarcação daquela terra indígena. “Políticos, empresários, militares e outros que representam interesses de grupos dominantes tem recorrido ao exemplo de Raposa Serra do Sol com argumentos falsos e insustentáveis. Isso confunde a opinião pública que passa a aceitar tais opiniões como verdadeiras e alimenta o preconceito contra os povos indígenas”, diz Haroldo Pinto, membro da coordenação do Conselho Indigenista Missionário – Cimi.


     


    Dentro de alguns dias o Supremo Tribunal Federal – STF deverá julgar ação impetrada pelo Governo de Roraima que contesta a demarcação em área contínua da terra indígena Raposa Serra do Sol, localizada ao norte do Estado de Roraima. Enquanto isso não acontece, os indígenas se mobilizam e buscam apoio dos aliados para sensibilizar a sociedade quanto à importância daquela terra para os 19 mil indígenas de cinco povos que ali vivem.


     


    Eles alertam que uma decisão do STF contra a demarcação da terra indígena Raposa Serra do Sol pode estimular grupos econômicos e políticos a recorrer contra outras terras já demarcadas e registradas nas demais unidades da federação.


     


    No debate estará presente Júlio de Souza Makuxi, representando o Conselho Indígena de Roraima – CIR, organização que tem lutado há mais de 30 anos pela regularização da terra Raposa Serra do Sol. Também estarão presentes representantes da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira – Coiab, Conselho Indigenista Missionário – Cimi, Central Única dos Trabalhadores – CUT, Associação de Docentes da Ufam – Adua, além de departamentos e centros acadêmicos.


     


    J. Rosha – Cimi Norte I

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  • 18/06/2008

    A violência oficial no despejo dos Terena no Mato Grosso do Sul

    Aos dias dezessete do mês de junho do ano de dois mil e oito, às 05:30 horas da manhã, chegaram os policiais da Policia Estadual e da ROTAI em um ônibus lotado desses policiais. Havia crianças, mulheres, gestantes, idosos que ali estavam dormindo. Os policiais chegaram e quando estavam conversando com todas as pessoas ali presentes na retomada, um policial bruto puxou uma taquara na mão da anciã Julia Meira Faustino de 54 anos de idade derrubando-a imediatamente no chão. Nós fomos proteger nossa anciã e começamos a apanhar de todos os policiais ali presentes.


    Os policiais começaram arrebentando todas as barracas colocando fogo em tudo que ali estava, empurraram mulheres, crianças e idosos, puxaram cabelos de mulheres e pisaram e chutaram as roupas dos indígenas. Outra anciã, Nadir da Cunha da Silva de 68 anos foi agredida por um policial. Jogaram muitas bombas em direção às pessoas, atiraram com munição real na direção dos guerreiros e nas casas que existem dentro da área indígena Aldeia Passarinho.


    Os policiais entraram nessa área e atropelaram os guerreiros com arma de fogo. Ameaçaram várias vezes matar os guerreiros indígenas que lutam para conquistar os nossos direitos que é a retomada da nossa terra. Derrubaram no chão homens e os algemaram colocando-os no camburão. Já a mulher Ramona Quirino (33 anos) jogaram uma bomba próximo aos seus pés,  caindo a mesma ao chão. Vieram os policiais e arrastaram-na pelo cabelo, colocaram as algemas e levaram para o camburão. Os policiais invadiram a aldeia Passarinho e levaram a força arrastado o Norberto Lopes Xavier (44 anos) até o camburão onde ficou retido e levado preso.


    Os policiais atiraram com munição real, e não somente com as balas de borracha. No momento que estavam queimando as barracas os policiais debochavam e achavam graça daquilo que eles estavam fazendo. Empurraram várias vezes pessoas idosas e crianças que estavam ali, atiravam com arma de fogo. Ameaçaram indígenas dizendo que ao sair para fora da aldeia, os policiais irão pegá-los e prendê-los. Uma policial disparou com arma de fogo em direção a indígenas que se esconderam atrás de pés de manga dentro da aldeia Passarinho. Jogaram uma bomba em uma gestante Marileide da Silva (17 anos) que caiu desmaiada.


    Os policiais jogaram uma bomba de gás venenoso em direção a uma criança indígena Jean Renato Quirino dos Santos Jares, de apenas nove anos de idade, no momento a criança ficou tonta e caiu no chão desacordada. Os policiais davam risada. A mãe Simone Renato Quirino colocou seu filho no colo desesperada chorando pensando que ele tinha morrido. Minutos depois a criança voltou ao consciente. Os policiais bateram com taquara na perna do Junior César de Almeida (33 anos) e o agrediram verbalmente. Jogaram os alimentos da comunidade no chão e queimaram os cobertores que aqueciam as famílias indígenas nessa época que faz tão frio.


    Sem coração os policiais não pensaram e foram agredindo de forma mais cruel os indígenas inocentes sem armas que ali estavam. Feriram várias pessoas indígenas que estavam no movimento. Jogaram várias bombas dentro da aldeia Passarinho e atiraram com munição real em direção as casas que existem dentro dessa área que a comunidade está confinada. Na casa da indígena Rita Gomes Rodrigues, 46 anos, tem marca de bala. Na aldeia Passarinho tem marca de bala provando que eles deram vários tiros.


    Por volta das oito horas da manhã os policiais se retiraram atirando com munições reais e continuaram jogando bombas de gás dentro da aldeia Passarinho, atropelando a comunidade para nos matar e nos ferir. Nós tentávamos nos esconder, mas eles iam atrás.


    Os policiais desrespeitaram e violaram os nossos direitos de ter nossas terras roubadas de volta. Nós índios somos seres humanos, pessoas, cidadãos que devem ser respeitados. Os policiais invadiram a aldeia Passarinho, agrediram, empurraram, xingaram, bateram, arrastaram pelos cabelos, jogaram bombas de gás venenoso, atiraram com balas de borracha e atiraram com armas de fogo em direção dos nossos guerreiros.


    A gente depois juntamos muitos cartuchos das armas disparados pelos policiais e guardamos para as pessoas verem. Os policiais vieram da forma mais cruel e brutal, não respeitaram nossos direitos, os direitos dos povos indígenas. Como há 500 anos a polícia só serve para matar, bater e perseguir o índio.


     


     


    Pilad de Rebuá, Aldeias Passarinho e Moreira


    Município de Miranda-MS, 17/06/2008.


     

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  • 18/06/2008

    Lula participa de reunião da Comissão de Política Indigenista

     


    O presidente Luís Inácio Lula da Silva participará da próxima reunião da Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI) que acontece nos dias 18 e 19 de junho, no Ministério da Justiça, em Brasília. Lula estará presente na Comissão no dia 19, na parte da manhã.


    Durante os dois dias de reunião, os representantes dos Ministérios que compõem a CNPI informarão como pretendem atender as reivindicações dos povos indígenas do país. As necessidades dos povos foram apresentadas aos órgãos no documento final do Acampamento Terra Livre 2008 (em anexo), que ocorreu entre 15 e 17 de abril, na Esplanada dos Ministérios.


    A Comissão é composta por 12 integrantes do Governo Federal, 20 indígenas e dois representantes de entidades não governamentais. Ela foi instaurada pelo Governo em abril de 2007, após anos de pressão do movimento indígena.


    A CNPI tem como dever indicar caminhos para a condução, pelo Estado brasileiro, das políticas públicas voltadas aos povos indígenas. Ela também tinha que elaborar um projeto para a criação de um Conselho Nacional de Política Indigenista. Este projeto foi elaborado e a Casa Civil o encaminhou para o Congresso Nacional no dia 12 de junho – 55 dias depois do Presidente ter determinado que projeto fosse enviado.

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  • 17/06/2008

    Polícia fere e prende indígenas durante despejo no Mato Grosso do Sul




    Na manhã de hoje, 17 de junho, a Polícia Militar prendeu quatro pessoas e deixou diversos feridos após um violento despejo numa aldeia do povo Terena, em Miranda a 230 km de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. No dia 13 de junho, cerca de mil indígenas haviam retomado parte de seu território tradicional que está invadido por uma fazenda. Hoje, a PM foi cumprir a decisão de reintegração de posse. Algumas horas depois do despejo, os Terena voltaram para a terra retomada.


     


    A área retomada fica nas aldeias Passarinho e Moreira. Esta terra indígena tem, segundo registros da União, 208 hectares. Entretanto, 48 hectares estão invadidos por fazendeiros. Esta é a parte que os Terena estão tentando reconquistar. Nos 160 hectares restantes, vivem cerca de 3 mil pessoas, ou seja, há apenas 0,05 hectare disponível para cada Terena.


     


    Ainda no dia 13 de junho, a Juíza Vânia Arantes, da 1º Vara Cível de Miranda, deferiu liminar de reintegração de posse ordenando desocupação imediata da área retomada e decretando a prisão das lideranças que tentarem resistir.


     


    Conforme a assessoria jurídica do Cimi trata-se de uma decisão nula porque “foi proferida por juiz absolutamente incompetente para processar e julgar esse tipo de demanda, pois conforme o Artigo 109, inciso XI, da Constituição Federal, compete à Justiça Federal processar e julgar a disputa sobre direitos indígenas que, no caso, é a reivindicação da demarcação de suas terras, que foram feitas por meio desta retomada, amparados pelo Artigo 231 também da Constituição”. Portanto, não poderia uma juíza estadual decidir um litígio envolvendo conflitos de terra indígena.



     


    Segundo as lideranças Terena, o despejo foi violento. A PM atirou bombas de efeito moral e agrediu diversos indígenas. Os feridos foram atendidos no posto de saúde. Ramona Araújo Quirin ainda está hospitalizada em conseqüência das agressões sofridas. Durante a despejo, a PM prendeu quatro indígenas; três, acusados de desobediência e uma, por dano material. Eles estão detidos na sede da Polícia Civil em Miranda.


     


    Tensão e resistência


    Algumas horas depois do despejo, os Terena voltaram para a terra retomada. Agora, já são 700 pessoas na área. Os barracos e a comida que o povo tinha foram queimados pela PM.


    Segundo Márcio Terena, uma das lideranças, há boatos de que a PM deve voltar às 15h para despejá-los novamente. “Está muito complicado aqui, mas vamos ficar. Esta terra é nossa”, afirmou Márcio.

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  • 17/06/2008

    Povo Kalankó retoma terra no sertão de Alagoas

    As 77 famílias Kalankó retomaram parte de sua terra tradicional no dia 12 de junho. Estão ocupando parte da terra onde seus antepassados plantavam, caçavam e faziam roças. Depois de 10 anos de espera pelos órgãos públicos para identificar o território tradicional, os Kalankó cobram da Fundação Nacional do Índio (Funai) a demarcação da terra. Sem ter onde trabalhar, os indígenas estão preocupados com a omissão dos órgãos públicos e com os fazendeiros que querem desmatar o que resta da vegetação nativa para o desenvolvimento da pecuária.


     


    A aldeia está localizada na zona rural, entre os municípios de Água Branca e Mata Grande, alto Sertão de Alagoas e limite com os estados de Pernambuco e Bahia, a cerca de 380 km de Maceió. As 338 pessoas estão distribuídas nas aldeias Lajeiro do Couro, Januária, Gregório, Gangorra, Quixabeira e Santa Cruz do Deserto.


     


    Até a segunda metade da década de 1990, os Kalankó eram confundidos com os sertanejos da região. No cotidiano, trabalham de diarista nas fazendas, cuidam dos animais, usam chapéu de couro e cultivam roças de feijão de cordas, carioca, milho, andu, fava e a palma para alimentar os animais em período de seca. A adaptação à realidade e convivência com o sertanejo, permitiu a não diferenciação da identidade étnica pelos pela sociedade envolvente. Como afirmou o fazendeiro José Roberto quando assumiram que eram Kalankó: “eles sempre trabalharam comigo e nunca disseram que eram índios”.


     


    Descendentes dos Pankararu do Brejo dos Padres, nos municípios de Tacaratu e Petrolândia, migraram no século XIX para o alto Sertão de Alagoas em busca de espaço para viver com suas famílias. Na época, a terra ainda se encontrava livre do domínio dos Barões e “coronéis” do Nordeste. Tempos depois, com o crescimento populacional e o domínio político, os kalankó forma perdendo suas terras e se transformando em mão-de-obra dos fazendeiros e, no período de seca, bóia-fria nas usinas de cana-de-açúcar.


     


    Depois de 10 anos de luta pelo reconhecimento da cultura, os Kalankó fortaleceram suas organizações internas e articulação com os outros povos indígenas e aliados, resolveram começar a retomada do seu território tradicional, exigindo da Funai, com entrega de documento, a imediata criação do Grupo de Trabalho para identificação e demarcação do território tradicional.


     


    Jorge Vieira – Cimi/NE

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  • 16/06/2008

    Índios Terena das aldeias de Passarinho e Moreira temem por violências

    Decisão de reintegração de posse proferida pela juíza da 1º Vara Cível de Miranda-MS, deixou extremamente apreensivas as comunidades das aldeias Passarinho e Moreira que no dia 13/06 retornaram pela segunda vez a uma pequena parte de sua terra tradicional. Ordens como essa contra os índios no MS tem inúmeras vezes se realizado com aparatos de guerra, com força policial e jagunços, tendo gerado vários casos de violências, inclusive com mortes e prisões de lideranças.


     


    O pior índice de terra indígena no Estado e talvez do país


     


    As aldeias de Passarinho e Moreira são frutos do processo de confinamento e invasão das terras indígenas no Mato Grosso do Sul, que se iniciou nos primórdios do século passado. Conforme as informações prestadas, naquela ocasião foram destinados pelo Serviço de Proteção aos Índios – SPI, aproximadamente dois mil hectares, nas proximidades do então povoado de Miranda, hoje município do mesmo nome.


     


    Hoje as duas aldeias, com uma população de aproximadamente três mil pessoas (conforme as comunidades esse número já é bem maior), vivem em 160 hectares de terra. Portando, um índice de 0,05 hectare por pessoa. Ou pior, alguns metros quadrados apenas. Não fica difícil imaginar a realidade dramática de um povo essencialmente agrícola, como são os Terena, que têm produzido alimentos para suas famílias e a de muita gente das cidades da região, inclusive na capital Campo Grande, que hoje vivem confinados nestes poucos hectares de terra.


     


    Além disso, recentemente o presidente da Funai, Márcio Meira, encaminhou os dados que constam no Registro de Patrimônio da União, de que a terra dessas duas aldeias Terena são de 208 hectares. Portanto, parte da terra está de fato invadida. Diante disso, bem como do não envio do Grupo Técnico de identificação prometido pela Funai, a comunidade decidiu retomar por conta própria parte de seu território reconhecido historicamente.


     


    Agilidade anti-indígena e a resistência


     


    No dia 13 de junho, a comunidade retornou à área da qual haviam se retirado há pouco mais de duas semanas. No mesmo dia a juíza Vânia de Paula Arantes, da 1º Vara Cível de Miranda, deferiu liminar de reintegração de posse ordenando desocupação imediata da área retomada e decretando a prisão das lideranças que tentarem resistir.


     


    Conforme a assessoria jurídica do Cimi trata-se de uma decisão nula porque “foi proferida por juiz absolutamente incompetente para processar e julgar esse tipo de demanda, pois conforme o Artigo 109, inciso XI, da Constituição Federal, compete à Justiça Federal processar e julgar a disputa sobre direitos indígenas que, no caso, é a reivindicação da demarcação de suas terras, que foram feitas por meio desta retomada, amparados pelo Artigo 231 também da Constituição”. Portanto, não poderia uma juíza estadual decidir um litígio envolvendo conflitos de terra indígena.


     


    Já as lideranças das comunidades na retomada também externaram sua decisão de que estão no seu direito constitucional, bem como os tratados de leis internacionais assinadas pelo Brasil, como a Convenção 169 da OIT e a Declaração dos Direitos Indígenas, da ONU. Portanto, manifestam mais uma vez sua confiança de que o Governo Federal cumpra seu dever constitucional e que o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul respeite o direito indígena buscando o diálogo e não a força para a solução desta questão.


     


    Portanto, os Terena dessas comunidades estão buscando o entendimento no exercício de sua resistência histórica e sua disposição de diálogo para exigir seus direitos. Igualmente esperam a solidariedade nacional e internacional para que possam viver com dignidade dentro da sua terra tradicional. “Chega da violência, da força bruta, da discriminação e da negação da terra. Queremos viver em paz e com dignidade, dentro do que é nosso de direito e por justiça”, expressam os membros da comunidade.


     


    Miranda (MS), 16 de junho de 2008.


     

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