• 25/08/2008

    Apoio a Raposa Serra do Sol

    MNDH em Nota


     


    O Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) – entidade democrática, ecumênica, suprapartidária, presente em todo o território brasileiro – vem a público manifestar sua solidariedade e apoio às comunidades indígenas que habitam a Reserva Raposa Serra do Sol, no Estado de Roraima, na Região Norte do Brasil.


     


    O MNDH que tem sua ação programática fundada no eixo da Luta pela Vida Contra a Violência e que atua na promoção dos Direitos Humanos em sua universalidade, interdependência e indivisibilidade aguarda com especial interesse e atenção o início, na próxima quarta-feira (27 de agosto), do julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), da demarcação da Reserva.


     


    Vale lembrar em 2005, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, editou decreto garantindo a reserva às comunidades indígenas.


     


    Uma operação da Polícia Federal foi deflagrada à época, visando à retirada dos arrozeiros que ocupavam (e ainda ocupam) ilegalmente grande parte da Reserva.


     


    A operação da PF foi objeto de uma reação violenta por parte dos invasores e culminou suspensa por decisão liminar surpreendente do STF, em abril de 2008.


     


    Em realidade, o processo oficial de reconhecimento dessa terra indígena se arrasta há décadas.


     


    A área foi identificada pela Fundação Nacional do Índio (Funai) em 1993, com a publicação no Diário Oficial da União (DOU) de seu memorial descritivo com as coordenadas geográficas do perímetro proposto para demarcação.


     


    Nos anos seguintes, fortes pressões políticas retardaram o processo administrativo e promoveram a invasão da área por arrozeiros.


     


    O caso ganhou notoriedade nacional e internacional especialmente porque habitam a área quase vinte mil indígenas, de distintos povos, falando suas próprias línguas, agrupados em quase duzentas aldeias e organizados em entidades próprias.


     


    Recentemente em Brasília, o Conselho Indigenista de Roraima apresentou um histórico da luta pela demarcação e homologação da Raposa Serra do Sol, mostrando, entre outras coisas, o significativo avanço, a partir do início da década de 90, das invasões das monocultoras na área, com o conseqüente agravamento do impacto ambiental, materializado pela derrubada da mata ciliar, contaminação das águas com agrotóxicos, desvio dos rios, aterramento de lagoas e canais, o que configura uma violação não apenas aos direitos dos indígenas, como também aos direitos ambientais de todo o povo brasileiro.


     


    O MNDH faz coro à Déborah Duprat, Subprocuradora-geral da República, que alertou que uma decisão do STF contrária ao Decreto homologatório de Raposa Serra do Sol seria uma violação ao princípio do não-retrocesso em matéria de Direitos Humanos, passível de questionamentos em instâncias internacionais de proteção aos direitos fundamentais.


     


    O MNDH também endossa à opinião de um sem-número de juristas brasileiros que entendem que se deve respeitar a matriz étnico-antropológica da questão da terra indígena, sem retrocesso em relação à Constituição de 88.


     


    Para o MNDH, os argumentos de risco às fronteiras nacionais e à soberania são falaciosos, já que não se faz o mesmo alarde quando grandes transnacionais e empresas estrangeiras adquirem grandes extensões de terras nas faixas de fronteira.


     


    O MNDH lembra, ainda, que as terras indígenas continuam pertencendo à União e que a sua preservação traz benefícios a toda a sociedade brasileira.


     


    Brasília, 25 de agosto de 2008.


     

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  • 25/08/2008

    Cimi info-brief 830: Unterstützungserklärung der Brasilianischen Bischofskonferenz für die Völker von Raposa Serra do Sol

    Unterstützungserklärung der Brasilianischen Bischofskonferenz für die Völker von Raposa Serra do Sol


     


    Am 20.August 2008 übergaben der Präsident der Brasilianischen Bischofskonferenz (CNBB), Dom Geraldo Lyrio Rocha, und der Vize-Präsident, Dom Luis Soares Vieira, an den Präsidenten des Obersten Gerichts, Minister Gilmar Mendes eine Solidaritätsunterstützung für die Völker des Indigenen Gebietes Raposa Serra do Sol. Das Höchstgericht wird am 27.8. über die Annullierung des Erlasses entscheiden, der die Grenzen des indigenen Gebiets festlegt.


     


    Die Bischöfe vertrauen „auf das Urteil des Obersten Bundesgerichts“ und hoffen, dass „die indigenen Rechte erneut bestätigt werden und die Demarkierung und Homologation (…) aufrecht bleiben“, heißt es in der vom Bischöflichen Pastoralrat (COMSEP) verabschiedeten Erklärung.


     


    Während der Audienz mit Medes verwies Dom Geraldo Lyrio Rocha auf die Bedeutung des Verfahrens, das am Jahrestag des Todes von Bischof Luciano Mendes de Almeida stattfindet, der sich stets für die indigenen Anliegen eingesetzt hat.


     


    Landesweite Unterstützung


    In den letzten Wochen gab es im ganzen Land Unterstützung für die indigenen Völker von Raposa Serra do Sol. Gestern fand in São Paulo eine Kundgebung der Organisationen des Schrei Makunaima statt, an der unter anderen die Anthropologien Manuela Manuela Carneiro da Cunha und der Anwalt Dalmo Dallari teilnahmen.


     


    Am 19.08. bekundeten auch Abgeordnete der Legislativen Kammer des Bundesdistrikts Brasília ihre Solidarität und forderten die Beibehaltung der Homologation von Raposa Serra do Sol. Die Kommissionen für Menschenrechte der Legislativen Versammlungen von Minas Gerais und São Paulo organisierten am 18. Und 14. August Audienzen hinsichtlich der Demarkierung des Territoriums.


     


    Erste Versammlung der Guajajara in Maranhão


     


    Vom 20.-23. August 2008 findet in der Aldeia Lagoa Comprida im indigenen Gebiet Araribóia die erste Versammlung der Indios Guajajara aus dem Bundesstaat Maranhão statt. Unter dem Thema Land und Leben stehen die steigende Gewalt gegen die Gemeinschaft und die nachhaltige Nutzung der natürlichen Ressourcen als Schwerpunkte auf der Tagesordnung.


     


    Im Zusammenhang mit der illegalen Holzausbeutung wurden im Vorjahr drei Indios aus dem Gebiet Araribóia ermordet, unter ihnen Tomé Guajajara aus der Aldeia Lagoa Comprida.


     


    Vorurteile gegen die Guajajara sind häufig Anlass für die Gewalt gegen die Indios. In der ersten Hälfte von 2008 wurden ein Jugendlicher und ein Kind von Bewohnern der Stadt Arama aus unerklärlichen Gründen getötet.


     


    „Wir erwarten viele Indios, denn die Gewalt und die Ausbeutung ihrer Gebiete werden immer schlimmer“, sagte Rosemeire Diniz, Koordinatorin des CIMI in Maranhão. Im Gebiet Araribóia leben an die 6.000 Guajajara, davon 200 in der Aldeia Lagoa Comprida.


     


    Unterstützt wird die Versammlung von der COAPIMA (Koordination der Organisation der Indigenen Völker von Maranhão), vom CIMI, der FUNAI sowie von der Abteilung Gesundheit und Umwelt der Bundesuniversität Maranhão.


     


    Brasília, 21. August 2008


    Cimi – Indianermissionsrat


     


     


     


    Solidarität mit den Völkern des indigenen Gebiets Raposa Serra do Sol


     


    Die Völker des indigenen Gebiets Raposa Serra do Sol – Macuxi, Wapichana, Taurepang, Ingaricó e Patamona – setzen sich seit mehr als 30 Jahren ein, dass der brasilianische Staat ihre Rechte garantiert und die traditionellen Gebiete demarkiert.


     


    Während dieser Zeit haben sich die lokalen katholischen Kirche, die pastoralen Einrichtungen und Kongregationen mit den indigenen Völkern bemüht, deren Protagonismus bei der Rückgewinnung sowie der Definition und Umsetzung der öffentlichen Politik in den Bereichen Gesundheit, Bildung und Selbstversorgung zu stärken, um ihnen jetzt und künftig eine würdige Lebensqualität zu garantieren.


     


    Bereits seit den ersten Jahrzehnten des 20. Jahrhunderts, als die Benediktiner in die Region kamen, sind die Missionare solidarisch mit diesen Völkern. Schon damals forderten die Patres in einem Brief an die Bundesregierung die Demarkierung des Gebietes zum Schutz des Lebens dieser Völker. Der damals verfasste Brief beinhaltet einen Vorschlag zur Grenzziehung des indigenen Gebiets Raposa Serra do Sol.


     


    Nach dem langjährigen Einsatz schien, als sei die Zeit endgültig überwunden, in der die Indios für die Fazendeiros von Roraima bloß als private Besitzer und Instrument für den Zugang zu den natürlichen Ressourcen gelten.


     


    Durch die Verabschiedung der Verfassung von 1988 hat der brasilianische Staat die Rechte der indigenen Völker anerkannt. „Die von den Indianern besetzten Gebiete sind deren ständigem Besitz vorbehalten, und ihnen steht die alleinige Nutzung der darin vorkommenden Reichtümer des Bodens, der Flüsse und Seen zu“ (Artikel 231, § 2).


     


    Schließlich wurde das Gebiet im Jahr 2002 unter der Regierung von Fernando Henrique Cardoso demarkiert und 2005 unter der Regierung von Luis Inácio Lula da Silva homologiert. Die indigenen Völker konnten nach fast 100 Jahren in allen 194 Aldeias in Raposa Serra do Sol einen Sieg feiern.


     


    Dennoch wurde die Frage wieder vor das Oberste Gericht gebracht mit der ungerechtfertigten Behauptung, die indigenen Völker von Raposa Serra do Sol würden die Interessen des Nationalstaats gefährden und mit Bestrebungen, wieder zur Stunde Null zurückzukehren, ungeachtet der knapp ein Jahrhundert andauernden Leiden der indigenen Völker und ihres Einsatzes gemeinsam mit ihren Verbündeten.


     


    Am 27. August 2008 wird das Plenum des Obersten Bundesgerichts im Verfahren entscheiden, das die Demarkierung des indigenen Gebiets Raposa Serra do Sol beeinsprucht.


     


    Im Vertrauen auf das Urteil des Obersten Bundesgerichts hoffen wir, dass die indigenen Rechte erneut bestätigt werden und die Demarkierung und Homologation zur Freude der Völker in den 194 Aldeias, die das indigene Gebiet Raposa Serra do Sol traditionell besetzen, aufrecht bleiben.


     


    Brasília, 20. August 2008


     


    Dom Geraldo Lyrio Rocha


    Erzbischof von Mariana


    Präsident der CNBB


     


    Dom Luiz Soares Vieira


    Erzbischof von Manaus


    Vize-Präsident der CNBB


     


    Dom Dimas Lara Barbosa


    Weihbischof von Rio de Janeiro


    Generalsekretär der CNBB

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  • 25/08/2008

    Madeireiros armados atacam novamente aldeia Guajajara no Maranhão

     


    Na madrugada de ontem, 24 de agosto, um grupo de madeireiros armados invadiu novamente a terra Araribóia, do povo Guajajara – Tentehara, atirando contra casas de duas aldeias (Catitu e Buracão). Felizmente, nenhuma pessoa ficou ferida, pois elas já haviam percebido a presença dos invasores e se esconderam no mato. O ataque aconteceu algumas horas após o fim da 1ª Assembléia do Povo Guajajara, que ocorreu numa aldeia da mesma terra indígena, próxima do município de Amarante no Maranhão.

     

    Segundo informação dos Guajajara, o grupo veio para buscar o motor de um caminhão madeireiro que estava abandonado próximo às aldeias. Eles teriam ouvido barulhos na estrada e, quando chegaram ao local, viram um caminhão Mercedes Bens, cor azul, cheio de homens armados. Quando os pistoleiros notaram a presença dos Guajajara, começaram a atirar. Os indígenas fugiram para a mata.

     

    Em seguida, logo após resgatar o motor do caminhão, os invasores voltaram em direção ao município de Amarante. Ao passar pelas aldeias Catitu e Buracão, atiraram incessantemente contra as casas. Desde ontem, as duas aldeias estão abandonadas e o clima é de terror na região.

     

    O caminhão abandonado é o mesmo que provocou a invasão da aldeia Lagoa Comprida, em outubro do ano passado, quando os madeireiros mataram o Sr. Tomé Guajajara, de 60 anos. Desde aquela época, os indígenas cobram da Fundação Nacional do Índio (Funai) a retirada do caminhão do local. Alertavam que a permanência do caminhão dentro da terra indígena poderia trazer novos conflitos. Apesar dos alertas, a Funai não retirou o veículo da área.

     

    Na manhã de hoje, 25 de agosto, Pedro Henrique, Procurador da República no município de Imperatriz (MA), solicitou o envio de policiais para proteger a terra Araribóia. João Francisco, Secretário Estadual da Igualdade Racial, que esteve na terra durante a Assembléia, se comprometeu a executar as ações necessárias para

     

    Alguns participantes da Assembléia acreditam que o ataque foi uma retaliação ao encontro, que mostrou a decisão dos Guajajara de lutar para acabar com a violência e perseguição que têm sofrido nos últimos anos.

     

    Demarcação em ilhas

    Os Guajajara são a quinta maior população indígena do Brasil, com 27 mil indígenas. Destes, 20 mil vivem no Maranhão. Em 1984, parte de suas terras foi homologada. Esta homologação, no entanto, ignorou aldeias localizadas em 62 mil hectares não titulados pelo Governo. A exclusão dessa área foi resultado de pressões da elite local e abriu espaço para a ação de invasores que atuam no corte ilegal de madeira, em carvoarias e no plantio irregular de soja, eucalipto e arroz.


     


    A equipe do CIMI – MA acredita que os interesses desses invasores estão por trás dos atentados recentes. Este ano, a Justiça Global enviou um informe à Organização das Nações Unidas (ONU) denunciando a situação e solicitando apuração dos crimes cometidos contra os Guajajara. Segundo levantamento do Cimi, 10 indígenas foram assassinados neste estado em 2008.


     

     

    Informações

    Cimi Regional Maranhão – (98) 3221-4442

    Rosimeire Diniz – (98) 8867 – 3946

    Humberto Rezende Capucci (98) 8123-6374
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  • 25/08/2008

    Indígenas e camponeses de todo o país se mobilizam em defesa da terra Raposa Serra do Sol


     


    A partir de amanhã, 26 de agosto, lideranças indígenas de Roraima e de outros estados do país, além de representantes de movimentos sociais do campo, participarão de eventos em defesa da homologação da terra Raposa Serra do Sol, localizada no nordeste de Roraima. No dia 27, o Supremo Tribunal Federal julgará uma ação que pede a anulação da portaria do Ministério da Justiça que determinou os limites da terra indígena.


     


    Em Brasília, a partir das 9h30 do dia 26/8, no Teatro Nacional, acontecerá uma sessão solene da Câmara Legislativa do Distrito Federal em solidariedade aos povos da terra Raposa Serra do Sol. Às 16h, haverá um ato na Praça dos Três Poderes, que também contará com a presença de parlamentares.


     


    Estarão na mesa da sessão solene:



    • Deputada Distrital Érika Kokay,
    • Deputado Distrital Paulo Tadeu,
    • Deputado Federal Adão Pretto,
    • Tuxaua Ivaldo André, do povo Macuxi,
    • Valéria Payé, do povo Katxuyana (Fórum em Defesa dos Direitos Indígenas),
    • Rosângela Piovizane (Comitê Nacional da Defesa da Raposa Serra do Sol),
    • Dr. Luís Roberto Cardoso de Oliveira (Associação Brasileira de Antropologia),
    • José Geraldo de Souza Junior (Faculdade de Direito UnB),
    • Pedro Abramovay (Secretário de Assuntos Legislativos, Ministério da Justiça) e
    • Deborah Duprat (Subprocuradora-Geral da República) 

    Ainda no dia 26, em diversas cidades do país, ocorrerão atos em apoio à manutenção da homologação da terra Raposa Serra do Sol.


     


    As lideranças indígenas participam desde hoje, 25 de agosto, da 4ª Conferência da Paz.


     


    Informações:


    Marcy Picanço (Cimi) – 61 2106-1650/ 9979-7059


    Maria Mello (MST) – 61 3322-5035/ 8464 6176


    Mayrá Lima (Gab. Deputado Adão Pretto) – 61 9966-4842


    Mayra Celina(CIR) 95-3224-57/ 61-9126-08-03


     

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  • 24/08/2008

    Líder indígena Truká é assassinado em Pernambuco

    Foi assassinado na tarde de ontem, 23 de agosto, Mozeni Araújo de Sá, 36, liderança do povo Truká. O crime aconteceu na cidade de Cabrobó, localizada no sertão de Pernambuco. Mozeni estava acompanhado por seu filho, adolescente de 13 anos. No local do crime havia outros indígenas, todos foram surpreendidos pelo assassino que já chegou atirando contra a vítima.


     


    Mozeni, ainda muito jovem, assumiu papel de destaque dentro da luta de seu povo. Por seu carisma, grande capacidade de argumentação e mobilização das comunidades, sempre esteve sob ameaça dos invasores da terra indígena e seus aliados políticos da região. A partir do ano de 1994, juntamente com outras lideranças jovens, empenhou-se no processo de expulsão dos invasores do território tradicional Truká, localizado na Ilha da Assunção, no Rio São Francisco, correspondente a 6.500 hectares. Desde então, a violência contra os Truká foi se intensificando. No rol dos agressores incluem-se fazendeiros, pistoleiros e policiais militares.


     


    A impunidade tem sido grande aliada dos assassinos das lideranças Truká. Em 30 de junho de 2005, quatro policiais militares à paisana, armados, invadiram um galpão onde se realizava uma festa da comunidade, e dispararam contra Adenílson dos Santos, 38, e seu filho Jorge, de 17 anos. Os dois morreram e um outro indígena, de 26 anos, foi baleado. Mozeni foi testemunha ocular e por várias vezes denunciou publicamente os criminosos que até o momento permanecem impunes.


     


    Mozeni estava concorrendo a uma vaga de vereador na Câmara Municipal de Cabrobó, com grandes possibilidades de ser eleito. Este fato deve ter provocado ainda mais a fúria dos inimigos de seu povo. No dia anterior ao seu assassinato, todo o povo Truká havia participado de uma grande festa de lançamento do livro NO REINO DA ASSUNÇÃO, REINA TRUKÁ, uma obra de produção coletiva, que narra toda a trajetória de lutas do povo desde a chegada dos invasores às suas terras. O livro exalta a bravura Truká e reverencia a memória de seus guerreiros e guerreiras que tombaram lutando, sobretudo, registra as grandes vitórias deste povo guerreiro nas lutas pela RETOMADA de seu território tradicional.


     


    Dentro do repertório mitológico do povo Truká, há um mito em especial pelo qual Mozeni sempre demonstrava grande emoção ao relatar, o mito da Luz que Anda. Contam os mais velhos, que desde muito tempo ela percorre o Território Sagrado da Ilha da Assunção, é a Luz Protetora, junto à qual Mozeni se encontra agora.


     


    Brasília, 24 de agosto de 2008.


     


    CONSELHO INDIGENISTA MISSIONÁRIO – CIMI


     

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  • 22/08/2008

    Raposa Serra do Sol, luta antifascista

     


    Compete a nós, segmentos esclarecidos e responsáveis da sociedade restabelecer as instituições rompidas e aprimorá-las, criando um núcleo monolítico de poder que seja garantidor da soberania nacional, que hoje nós não temos”.


    Antônio José Ribas Paiva, em palestra no Clube Militar, em 13 de agosto de 2008.


     


    É necessário integrar os índios na nossa sociedade; nossa história é da mestiçagem, a política de demarcação da Funai vai contra os interesses da Nação e deve ser interrompida”.


    General Gilberto Figueiredo, Presidente do Clube Militar, ao jornal Le Monde, em 8 de agosto de 2008.


     


    Paradigma da democracia


     


    A luta em defesa da Terra Indígena Raposa Serra do Sol tornou-se paradigma da defesa da diversidade étnico-cultural do Brasil, trazendo em si a luta por um novo projeto de Nação, caracterizado pela democracia política, pela igualdade social e pelo respeito à alteridade.


     


    Esta luta é depositária das grandes mobilizações sociais dos anos 70 e 80, do combate à ditadura militar, das buscas pela redemocratização do país, da participação indígena e popular na Constituinte e na própria elaboração da Constituição de 1988.


     


    A luta contra a Terra Indígena Raposa Serra do Sol traz em si seu oposto, ou seja, a defesa do projeto autoritário da ditadura militar, caracterizado pela utilização do Estado como instrumento de opressão de classe, da intolerância com relação ao diferente, de propagação da ideologia fascista.


     


    O fascismo atualmente vem reaparecendo, como uma atitude reativa das elites internacionais e nacionais às lutas indígenas, populares e antiimperialistas em diversas partes do mundo.


     


    São seus seguidores os políticos neoconservadores, os “neocons” norte-americanos, defensores da “guerra total” no Oriente Médio, no Iraque e no Afeganistão; antes defensores do apoio irrestrito às ditaduras militares na América Latina, da guerra nuclear mundial e da “solução final” contra o povo vietnamita, através do bombardeio atômico do antigo Vietnã do Norte.


     


    São seus seguidores os membros da direita européia, racista e xenófoba, dedicada tenazmente a explorar, por um lado, e a segregar, localizar, prender e expulsar os imigrantes dos países pobres, principalmente africanos.


     


    Outros seguidores estão nos países latino-americanos, nos quais os povos indígenas e setores populares estão avançando em conquistas sociais e políticas significativas, tais como Bolívia, Equador, Venezuela e, recentemente, Paraguai. Nestes países, antigos grupos oligárquicos retomam o discurso violento e preconceituoso e buscam rearticular forças civis e militares para bloquear os avanços da luta indígena e popular.


     


    Seguidores ainda se encontram no Brasil, reativos frente aos avanços democráticos, quer seja devido à questão da demarcação das terras indígenas, quer seja devido ao debate sobre a imprescritibilidade dos crimes de tortura cometidos por agentes da repressão durante o regime militar.


     


    Paradigma do fascismo


     


    O movimento histórico em curso nos faz pensar sobre os paradigmas do fascismo e suas características ideológicas. E o caso paradigmático do fascismo encontramos na Guerra Civil Espanhola (1936 -1939).


     


    Em 1936 a Espanha vivia um rico e diverso processo de lutas, tanto no campo como nas cidades, onde a República encarnava os sonhos de milhões de trabalhadores, portadores de uma grande diversidade de culturas e de orientações políticas de cunho revolucionário. A reação fascista aglutinou os setores mais reacionários da sociedade espanhola. Seu extremismo obscurantista levou-os a criar a palavra de ordem “Viva a morte!”, como bandeira contra os ideais republicanos.


     


    Miguel de Unamuno, filósofo e reitor da Universidade de Salamanca, respondeu aos fascistas afirmando: “Há circunstâncias em que calar é mentir. Acabo de ouvir um grito mórbido e destituído de sentido: Viva a morte! Este paradoxo bárbaro é-me repugnante… Infelizmente, há hoje na Espanha doentes a mais. Um doente que não tem a grandeza de espírito de um Cervantes procura normalmente alívio nas mutilações que pode causar à sua volta”.


     


    Democracia versus fascismo


     


    A luta antifascista é a defesa da democracia e da diversidade sócio-cultural contra a rigidez e o monolitismo ideológico, que sempre enxerga no diferente um inimigo perigoso.


     


    Nos últimos meses, Raposa Serra do Sol tornou-se símbolo das diversas tradições indígenas e camponesas do Brasil no embate com os invasores plantadores de arroz e seus apoiadores militares, símbolos da homogeneidade imposta pelo poder econômico.


     


    É a luta dos cultivos indígenas milenares e das sementes crioulas familiares frente às sementes transgênicas, transposta para o campo da política e da cultura. Em sentido oposto, a semente transgênica estéril “terminator” é a transposição do grito “viva a morte!” para o campo dos cultivos agrícolas.


     


    A combatividade dos povos de Espanha se manifestou nas batalhas corpo a corpo, casa a casa, território a território, cidade a cidade, região a região, até o último combatente republicano. O antifascista Negrin afirmou então: “Uma guerra só se perde se a considerarmos perdida. É o vencido que proclama o vencedor.”


     


    As lideranças de Raposa Serra do Sol lançaram neste mês de agosto a Campanha “Anna Pata, Anna Yan” (Nossa Terra, Nossa Mãe) Resistir até o último índio.


     


    Os povos indígenas não pretendem proclamar vencedores os que invadiram suas terras. Pelo contrário, estão enfrentando, no Supremo Tribunal Federal, apenas mais uma batalha desta guerra que já é secular.


     


    Para o bem das nossas lutas por um Brasil democrático e plural, onde não caibam o fascismo nem a intolerância frente ao diferente.


     


    Paulo Maldos


    Assessor Político do Cimi


     

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  • 22/08/2008

    Visita de relator da ONU fortalece luta dos indígenas da Raposa Serra do Sol

     


     


    A visita do relator especial da ONU, James Anaya, na terra indígena Raposa Serra do Sol fortaleceu ainda mais a luta dos povos Macuxi, Wapichana, Yngaricó, Yekuana e Patamona pela manutenção da homologação da terra em área contínua. A visita ocorreu na quarta-feira, 20 de agosto, na comunidade indígena Barro, no Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol, região do Surumu.


     


    O relator e sua equipe foram recebidos por lideranças indígenas e pelos jovens do Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol com danças e cantos tradicionais. Acompanharam o relator, o líder indígena Jacir José de Sousa, a assessora jurídica do CIR, Joênia Wapichana, e o administrador da Funai/RR, Gonçalo Teixeira.


     


    Para explicar a situação dos povos da região, foi apresentado um histórico da Raposa Serra do Sol, com informações sobre violência e ameaças contra os povos indígenas, descaso em relação à saúde indígena, precária qualidade de ensino das escolas indígenas etc. Também foram mostrados os avanços e as conquistas, principalmente a valorização da cultura, da crença e da tradição dos povos indígenas, que é mantida viva em cada pessoa. 


     


    Durante a apresentação, foi exposto o último caso de violência, ocorrido no dia 5 de maio, na comunidade que hoje é chamada de 10 Irmãos, em homenagem aos dez indígenas que foram baleados por pistoleiros naquele dia. As lideranças indígenas também mostraram registros das pontes queimadas, durante a manifestação contra ação da Polícia Federal, Operação Upatakon III, para retirar os invasores da terra indígena. Elas explicaram que isso dificultou muito o acesso para a região, prejudicando a assistência médica e o envio de merenda e materiais didáticos às escola indígenas. 


     


    O coordenador da região Baixo Cotingo, Nelino Galé Macuxi, disse ao relator, que “todo esse sofrimento que estamos passando, não é de agora, já vem desde 1.500, quando invadiram nossas terras, e hoje, eles dizem que são donos”. Continuando, Galé disse: “estão dizendo que o índio quer internacionalizar o Brasil, isso não é verdade, pois não foi o índio que construiu, projetou a estrada que dá acesso a Guina e Venezuela, que faz fronteira com o Brasil”. Para finalizar Nelino, pediu que o governo brasileiro respeite a Constituição Federal, que garante terra para os povos indígenas.


     


    Para finalizar, o relator James Anaya agradeceu a recepção feita pelos indígenas. Disse que “se sentiu muito honrado em ser bem recebido por pessoas tão preciosas”. Também afirmou que “a luta dos povos indígenas da Raposa Serra do Sol é um exemplo para todos os povos do Brasil”. Em seu discurso Anaya, disse que “é apenas um relator, que foi nomeado pela ONU, para estudar e conhecer as situações dos povos indígenas, no que diz respeito aos avanços e desafios”. Ele vai levar as informações para a ONU e fazer algumas recomendações. Encerrando, Anaya parabenizou os povos indígenas da Raposa Serra do Sol por serem “guerreiros e lutadores pacíficos, lutam com dignidade e respeito, até mesmo quando não é fácil”.


     


    Conselho Indígena de Roraima

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  • 22/08/2008

    Indígenas temem impactos

     


    Povos Krahô, Apinajé, Gavião e Krikati, que vivem nas margens do Rio Tocantins, brigam para que sejam reconhecidos como impactados pela Usina de Estreito. Povos não foram incluídos nos estudos para a construção da obra


    Texto e fotos: Beatriz Camargo


    Parte III – “Vidas Inundadas – Indígenas”







    Indígenas do povo Apinajé fazem colares. Preocupação maior é a pressão sobre a Terra Indígena

    As populações indígenas não foram incluídas no Estudo e no Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) da Usina Hidrelética (UHE) de Estreito. Os levantamentos apresentados pelo consórcio privado que toca a obra deixaram quatro povos da região de fora da chamada “área de influência indireta do empreendimento”. Agora, os povos Krahô e Apinajé, no Tocantins, e Gavião e Krikati, no Maranhão, lutam para que sejam reconhecidos como atingidos e principalmente para que tenham direito de opinar sobre os destinos daqueles que dependem diretamente do meio natural em que vivem.

    “O meio ambiente significa vida para nós. Estamos comprometendo as futuras gerações. É isso que o PAC [Programa de Aceleração do Crescimento, iniciativa do governo federal que que reúne investimentos na área de infra-estrutura] quer?”, provocou Sheila Apinajé, representante do Conselho das Organizações Indígenas da Bacia Araguaia Tocantins (Coiat), durante audiência pública realizada no Senado Federal, em maio.


    Antônio Veríssimo, liderança Apinajé da aldeia Areia Branca, na Terra Indígena (TI) Apinajé, adiciona. “Esse argumento de que gera emprego é vago. A matança de seres humanos também gera emprego. Guerra também gera emprego. A preservação do nosso rio, por exemplo, também gera emprego: pesca e turismo”, critica. “É a omissão do governo que está gerando o conflito”.


    As mudanças no comportamento do Rio Tocantins são apontadas pelos indígenas como o principal impacto sofrido, sobretudo considerando o acúmulo de barragens. A alimentação das aldeias é baseada no consumo de peixe, de animais criados e da roça, em sua maioria de vazante, na beira do rio. O cacique da aldeia Apinajé São José, Orlando Ribeiro, define que pescar, além de ser base da alimentação, também é uma questão de cultura.


    O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) calcula que, considerando os impactos acumulados na bacia do Tocantins, serão atingidas ainda as TIs Avá Canoeiro, Kraolândia, Funil, Xerente, Apinajé, Krikati e Mãe Maria. “As atividades se dão sempre em função do rio. É um onde tem a terra fértil, a gente planta na vazante, pesca… É onde os animais vêm beber água. Desde a Antiguidade os homens ficam na beira do rio”, testemunha Antônio.

    O posicionamento acuado dos indígenas se justifica quando a questão em vista em perspectiva. Além dos traumas do passado, os planos prometidos para o futuro na região causam indignação e desconfiança. Duas novas usinas que estão sendo previstas inundarão parte de TIs. A barragem de Serra Quebrada, no município de Itaguatins (TO) e Marabá (PA), deslocará forçadamente as aldeias Riachinho e Butica da TI Apinajé, enquanto que o povo Gavião vai perder parte de seu território tradicional para o lago da Usina de Marabá. Esta última, para se ter uma idéia, prevê a remoção de 40 mil pessoas.


    Cerco
    O principal impacto da proliferação de obras de infra-estrutura na região é justamente o aumento da pressão sobre TIs. Essa foi uma das conclusões de um estudo de 2006 do Centro de Trabalho Indigenista (CTI) sobre as conseqüências da hidrovia Araguaia-Tocantins – projeto final da seqüência de barragens nos dois rios – para os povos Apinajé, Krahô e Krikati. “Os ribeirinhos vão sair da beira do rio e serão vizinhos da Terra Indígena”, alertou na audiência o representante da Coordenação das Organizações e Articulações dos Povos Indígenas do Maranhão (Coapima), Lourenço Milhomem, Krikati.


    O documento do CTI aponta que a migração de pessoas – à procura de trabalho na região, ou fugindo da especulação de terras, ou procurando melhores terras à beira rio – traz pressão para o entorno das TIs, durante todas as fases da obra (da construção ao funcionamento). Essa proximidade pode provocar, na avaliação do CTI, o acirramento dos conflitos. O fenômeno se dá principalmente em TIs mais próximas de zonas urbanas. A TI Apinajé, que se estende pelos municípios de Tocantinópolis (TO), Porto Franco (MA) e Maurilândia (TO), abriga onze aldeias e é cercada por estradas e fazendas, em sua maioria de pecuária.








     
    Rodovia Tranzamazônica contorna Terra Indígena Apinajé; nova estrada está em construção


    A própria história do povo Apinajé sintetiza o problema. Eles já migraram outras vezes, empurrados pelo “asifixia” do cerco de não-índios. “Fomos expulsos no Norte pelo Grão-Pará. Migramos para o sertão [interior] por causa da pressão”, conta Antônio. Problemas com conflitos fundiários, bebida e doenças quase fizeram o povo desaparecer. Nos anos 50 do século XX, a população ficou reduzida a nada menos do que três famílias.


    Em 1997, a ameaça veio pelo chão. O Povo Apinajé conseguiu evitar que o asfaltamento da Rodovia Transamazônica atravessasse a TI. A estrada acabou contornando as bordas da área tradicional. Agora, uma nova obra rodoviária está em andamento, desta vez passando bem mais próximo de algumas aldeias. A rota conectará a Transamazônica a Tocantinópolis (TO). “Uma estrada traz muito impacto: os bichos que passam vão estranhar, os carros atropelam os bichos – raposa tamanduá, cotia. [Passar a estrada] dentro da aldeia seria pior, pelos problemas de prostituição infantil, bebida…”, avalia Antônio.


    “Vem muita máquina, aquela indústria, aquela fumaça…”, discorre o desiludido cacique Orlando, sobre os impactos que grandes obras (como a própria Usina de Estreito) trazem para os indígenas. “O que é que os jovens vão ter? A nossa cultura estamos recuperando agora e a barragem pode estragar tudo”.


    Internas
    Para o índio Antônio, a preocupação com grandes obras em si já pode ser entendida como um “impacto” para a vida indígena. Ele conta que o assunto da barragem de Estreito aumenta o conflito interno, porque divide opiniões. “Um não gosta de mim porque sou contra a barragem, o outro é a favor porque está alinhado com o prefeito, com o vereador”.


    O dinheiro que a barragem pode trazer (confira a Parte II – Pressão, segunda reportagem da série especial) também divide a comunidade tradicional. “Quando se fala em indenização, a pessoa já quer negociar, ver quanto vai ganhar. É a idéia de que o dinheiro vai resolver todos os problemas da comunidade.”


    O cacique Orlando, desconfiado, diz que “vai ter que ter compensação, se não a gente vai parar essa barragem”. A aldeia São José é maior aldeia da TI Apinajé, com telefone público, escola e posto da Fundação Nacional do Índio (Funai). É também das mais próximas da cidade de Tocantinópolis e o cacique Orlando tem ligação com políticos municipais.








     
    Cacique Orlando, da aldeia São José, defende indenizações aos indígenas
    Compensações
    O advogado do Cimi, Paulo Machado, diz que muitas obras, como a Usina de Estreito e a transposição do Rio São Francisco, não tem mencionado a presença de indígenas. Propositadamente. “Se a presença for constatada, muda o processo: o Congresso deve autorizar a interferência nessas áreas”.


    Não consultar populações tradicionais sobre o processo fere o Art. 231 da Constituição brasileira e contraria o compromisso assumido pelo Brasil com o mundo. A Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas reconhecem os direitos das populações tradicionais e indígenas e determinam a consulta sobre qualquer medida que possa afetá-las.


    A Funai entrou no debate sobre Estreito depois de concedida a licença prévia. A diretora de socioeconomia do Consórcio Estreito Energia (Ceste), Norma Villela, garantiu aos indígenas, durante a audiência em Brasília, que estavam sendo feitas negociações com o órgão no sentido de “amenizar os impactos às comunidades em várias frentes”. Segundo a proposta do Ceste – formado pela união de empresas de grande porte como Suez Energy International, Vale, Alcoa e Camargo Corrêa Energia -, seria criado um grupo de trabalho (GT) para discutir a questão.


    Na mesma ocasião, a coordenadora geral de patrimônio indígena e de meio ambiente da Funai – responsável por licenciamentos que afetam a população indígena -, Iara Ferreira, definiu que o papel do órgão federal nesse processo é estabelecer o diálogo e explicar aos indígenas o que vai acontecer.


    “Vamos apoiar a criação do GT para rever a questão indígena, do limite de quem está sendo considerado impactado. Mas isso não é papel da empresa. Quem tem que fazer isso é o governo. Está na lei”, sublinha Sara Sanchez, coordenadora do Cimi da regional Goiás/Tocantins.


    Os indígenas não confiam em uma negociação num GT mediado pela Funai. “A Funai é governo e se interessa que a obra saia. Se tiver indenização, o dinheiro vem para ela. Para o índio ela vai dizer que é contra, que vai lutar…”, protesta Antonio, do povo Apinajé. “A Funai reconhece que os indígenas sofrem pressão, mas não tem estrutura nem pessoal para fazer nada.”

    Leia as outras partes do Especial – Estreito:
    Parte I – Impasse
    Parte II- Pressão
    Parte IV – Vidas inundadas – Ribeirinhos
    Parte V – Horizontes

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  • 21/08/2008

    Evangelização: Comunidade missionária para a humanidade – 3º Congresso Missionário Americano

    Clique aqui e acesse palestra de Dom Erwin Kräutler, proferida durante o 3º Congresso Missionário Americano (CAM 3 – COMLA 8), realizado nos dias 12 a 17 de agosto, em Quito, Equador.

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  • 21/08/2008

    Informe nº. 830: CNBB entrega ao STF nota de apoio aos povos de Raposa Serra do Sol

    Ontem, 20 de agosto, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Geraldo Lyrio Rocha, e o vice-presidente, Dom Luis Soares Vieira, entregaram ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes uma  nota de solidariedade aos povos da terra indígena Raposa Serra do Sol. No dia 27 de agosto, o STF julgará uma ação que pede a anulação da portaria que delimitou a terra indígena.


     


    Na nota, aprovada pelo Conselho Episcopal de Pastoral da CNBB (Consep), os bispos afirmam que estão “confiantes no julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF)” e que esperam “que os direitos dos povos indígenas sejam novamente confirmados, mantendo-se a demarcação e sua homologação”.


     


    Durante a audiência com Mendes, dom Geraldo Lyrio Rocha lembrou que a data do julgamento é muito significativa “porque coincide com o aniversário de morte de dom Luciano Mendes de Almeida, um grande batalhador desta causa (indígena)”.


     


    Apoios em todo o país


    Nas últimas semanas, manifestações de apoio aos povos de Raposa Serra do Sol ocorreram em diversos lugares do país. Ontem, em São Paulo, diversas organizações que participam da articulação Makunaima Grita realizaram um ato de apoio que contou com a presença da antropóloga Manuela Carneiro da Cunha e do jurista Dalmo Dallari, entre outros.


     


    No dia 19, deputados Câmara Legislativa do Distrito Federal também manifestaram seu apoio à manutenção da homologação da terra Raposa Serra do Sol. As Comissões de Direitos Humanos das Assembléias Legislativas de Minas Gerais (18/8) e de São Paulo (14/8) também realizaram audiências sobre a demarcação da terra.


     


    ***


     


    Povo Guajajara realiza sua primeira assembléia no Maranhão


     


    Entre hoje (20) e 23 de agosto, os Guajajara de diversas aldeias do Maranhão devem participar da primeira assembléia do povo, que acontece na aldeia Lagoa Comprida, na terra indígena Araribóia. O crescimento da violência contra o povo e o uso sustentável dos recursos naturais serão as questões principais do evento, cujo tema é “Terra é Vida”.


     


    A assembléia ocorre na mesma aldeia onde seu Tomé Guajajara foi assassinado, em outubro de 2007, por pessoas ligadas à exploração ilegal de madeira. Somente em 2007, três pessoas foram assassinadas na terra Araribóia em contextos relacionados à exploração de madeira.


     


    O preconceito contra os Guajajara também é outro fator responsável pela violência. No primeiro semestre de 2008, um jovem e uma criança de 6 anos foram assassinados por moradores da cidade de Arame aparentemente sem nenhuma motivo.


     


    “Acredito que haverá uma grande participação dos indígenas, por que a violência e a exploração da terra estão tornando cada vez mais grave a situação do povo”, avalia Rosemeire Diniz, coordenadora do Cimi no Maranhão. Somente na terra Araribóia vivem 6 mil Guajajara, por tanto estima-se que além das 200 pessoas que permanecerão na aldeia Lagoa Comprida, haverá intensa circulação de indígenas durante os momentos da Assembléia.


     


    A Assembléia tem apoio da COAPIMA – Coordenação das Organizações e Articulações dos Povos Indígenas do Maranhão, do Cimi, da Funai e do Departamento de Saúde e Ambiente da Universidade Federal do Maranhão.


     


     



    Brasília, 21 de agosto de 2008.


    Cimi – Conselho Indigenista Missionário

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