• 17/12/2009

    Informe nº. 894: Jovem Guarani é encontrado morto em escola no Mato Grosso do Sul

    Informe nº. 894

     

    • Jovem Guarani é encontrado morto em escola no Mato Grosso do Sul
    • Dois Xukuru presos serão transferidos para posto da Funai na aldeia em Pernambuco

     

     

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    Jovem Guarani é encontrado morto em escola no Mato Grosso do Sul

     

    Mais um Guarani Kaiowá morreu no contexto da luta pela terra da comunidade Kurusú Ambá. Um jovem de 15 anos foi encontrado morto ontem, 16 de dezembro, numa escola indígena na aldeia Taquapiry, no município de Amambai, Mato Grosso do Sul. Ele apresentava marcas de agressão no corpo.

     

    O jovem estava vivendo na parte de sua terra tradicional retomada por sua comunidade, no interior da Fazenda Maria Auxiliadora. De acordo com as informações dos indígenas, no dia 16 de dezembro, o rapaz decidiu retornar ao acampamento à beira da BR 289, que sua comunidade havia desocupado no fim de novembro. Ele foi buscar alguns pertences, pois a Polícia Federal teria garantido a segurança na circulação dos indígenas entre o antigo acampamento e a área retomada. O jovem foi enterrado hoje, sem que seu corpo fosse examinado pelo Instituto Médico Legal.

     

    Desde 2007, três indígenas da comunidade Kurusú Ambá – Xurite Lopes, Ortiz Lopes e Osvaldo Lopes – foram assassinados por pistoleiros. Outras cinco pessoas foram baleadas e três crianças morreram em função de desnutrição. Todos os fatos que envolveram pistoleiros e fazendeiros permaneceram na impunidade.

     

    Propriedade privada

    No mesmo dia que foi encontrado o corpo do jovem, as lideranças de Kurusú Ambá pediram que o Ministério Público Federal (MPF) de Ponta Porã acionasse a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e a Fundação Nacional do Índio (Funai) para que enviem cestas básicas e cuidem da saúde das famílias que retornaram à terra tradicional.

     

    De acordo com as lideranças, há muitas pessoas doentes e as famílias estão passando fome na área retomada.  Segundo os indígenas, a resposta do MPF foi negativa, alegando que esses órgãos não podem entrar na fazenda sem autorização judicial.

     

    O MPF teria pedido que indígenas se deslocassem para a aldeia de Taquapiry, a 8 km de distância da retomada, para receber as cestas básicas e atendimento médico. O deslocamento nesse percurso custou a vida do jovem indígena. 

     

    Atualmente, há apenas lavouras de soja sendo cultivadas na fazenda Maria Auxiliadora. Um Grupo Técnico da Funai está realizando os estudos para verificar se a área reivindicada pela comunidade Kurussu Ambá é terra tradicional do povo Guarani Kaiowá.

    (Informações Cimi-MS)

     

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    Indígena Xukuru preso será transferido para posto da Funai na aldeia em Pernambuco

     

    Edmilson Guimarães ("Besouro"), do povo Xukuru, irá cumprir prisão preventiva no posto da Fundação Nacional do Índio (Funai) na terra de seu povo, no município de Pesqueira Pernambuco. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou a transferência do indígena, que está preso na penitenciária de Caruaru há cerca de um ano. Até o fim da semana a decisão deve ser cumprida.

     

    Besouro se juntará a Rinaldo Feitoza, do mesmo povo, que também cumpre prisão preventiva no posto da Funai na terra Xukuru. Os dois foram acusados por um homicídio que não cometeram e que para o qual sequer existem provas

     

    O Estatuto do Índio determina que as penas de reclusão aplicadas aos indígenas devem ser cumpridas, se possível, em regime de semiliberdade no posto do órgão federal de assistência ao índio mais próximo da habitação do condenado. O relator do habeas corpus dos indígenas, ministro Napoleão Nunes Maia Filho, e a 5ª. Turma do STJ entenderam que esta determinação também se aplica ao cumprimento de prisões preventivas. Esta orientação já foi adotada pelo STJ em outras decisões e reforça o respeito à especificidade cultural dos indígenas brasileiros e os direitos garantidos pelo Estatuto, pela Constituição Federal e pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho.

     

    O pedido de habeas corpus dos indígenas foi feito pelos advogados Sandro Lobo, Denise da Veiga Alves, Paulo Machado Guimarães – assessores jurídicos do Cimi – e Gilberto Marques.

     

    Atualmente, pelo menos 43 Xukuru estão sendo processados, dos quais 31 foram condenados. Esse processo de criminalização foi denunciado, em março de 2009, à OEA. Todos que acompanham a caminhada deste povo por seus direitos sabem que – em nome de interesses próprios – as elites políticas e econômicas da região têm tentado, por diversas maneiras, desmoralizar, desestruturar e desmobilizar os Xukuru, impedindo-os de concretizar seu projeto de vida. Trata-se de uma violência inominável contra um povo que, com o auxílio de inúmeros parceiros, tem dado exemplos comoventes de coragem e determinação.

     

     

    Brasília, 17 de dezembro de 2009

    Conselho Indigenista Missionário

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  • 17/12/2009

    Letter to UN rapporteur on indigenous rights about Belo Monte hydrelectric

    3/12/2009

     

    James Anaya

     

    Special Rapporteur on the Situation of Human Rights and of the fundamental freedoms of the indigenous peoples

     

    OHCHR-UNOG Office of the High Commissioner for Human Rights

     

    Palais Wilson 1211

     

    Geneva 10, Switzerland

     

     

    Dear Mr Anaya,

     

    The Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) and the Instituto Socioambiental, in the name of the indigenous peoples of Arara da Volta Grande, Paquiçamba, Trincheira Bacajá, KM17 Juruna, Kararaô, indigenous lands Apyterewa e Kayapó and the Xavante indigenous peoples located in the Xingu hydrographic basins that would be affected by the construction of the mega-project Belo Monte Dam and related constructions respectfully present the following information for your urgent consideration.

     

    The indigenous peoples who would be directly affected by the construction of the Belo Monte dam have not been consulted by the National Congress, the FUNAI, nor the IBAMA.

     

     

    Lack of response from the State to petitions of the indigenous peoples for consultation

     

    In spite of a number of formal solicitations, including a hand delivered request to president Luis Inácio da Silva, the indigenous peoples who would be directly affected by the damming of Belo Monte have not had access to clear and complete information about the impacts that they would suffer, nor about mitigating measures, and they were not consulted during the legislative and administrative processes that led to authorization of the project.

     

    Lack of consultation on the legislative decision

     

    In 2005 the Congress authorized the proposed construction of Belo Monte, without any information regarding the environmental and social impacts that there would be, nor any consultation with indigenous populations. This violation of the right to consultation (article 6, Convention 169 of the ILO, ratified by Brail in 2004) was taken to Federal Court and arrived at the Supreme Court, which decided that the environmental impact studies could take place prior to beginning consultation. This decision alone asserts direct violation to consultation, the consultation would be, in this way, taking place after a legislative decision about a matter that is going to affect, at least, seven indigenous peoples directly.

     

    Lack of consultation as to an administrative decision of IBAMA and of the role of FUNAI

     

    As to the decision of the Federal Government, the authorization of the construction of the damming by the Brazilian Institute of the Environment (Ibama) is about to be granted under political pressure by private economic interests and, again, without consultation with the indigenous peoples affected. The dam of Belo Monte is reported to cost R$17 to R$30 billion, even without taking into consideration the additional environmental and social costs, including those related to the guarantee of the living conditions for those indigenous peoples costs related to the eventual dislocation of the indigenous peoples from their demarcated traditional lands.

     

    The study conducted by the National Foundation of Indigenous Affairs (Funai) identified a series of grave impacts that threaten the indigenous lands, demarcated as well as being demarcated in the region of Altamira and several other indigenous lands that are absent from the IBAMA evaluation of the environmental impact study(EIS). It concluded, nonetheless, that the project is viable, and considered the consultation as done. The decision released in an official letter from the president of the FUNAI, IBAMA, dated October 14 of 2009, is an attempt to close the possibilities for the indigenous peoples affected to participate by means of consultation in the administrative decision of the IBAMA, which authorizes the dam of Belo Monte.

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  • 17/12/2009

    Communique of the Indigenous Peoples


    To Your Excellencies:


     


    Deborah Macedo Duprat


    Assistant Attorney General of the Republic;


    Luis Inácio Lula da Silva


    President of the Federated Republic of Brazil;


    Edson Lobão


    Minister of Mines and Energy;


    Carlos Minc


    Minister of the Environment;


    Marcio Meira


    President of FUNAI;


    Roberto Messias Franco


    President of IBAMA;


    Tarso Genro


    Minister of Justice;


    Gilmar Mendes


    President of the Federal Supreme Court


             We indigenous peoples here represented: Kayapó Peoples of the villages Kokraxmõr, Pykarãrãkre,  Kikretum, Las Casas, Kriny, Moxkàràkô; Kayapó of the Xingu, village of Kararaô; Xipaia, village of Tukamá, Tukaiá; Juruna, village of Paquiçamba, Km 17 Vitória do Xingu; Arara da Volta Grande, Terra indígena Wangã; Arara People, Cachoeira Seca; and peoples of other regions: Yanomam; Guarani, of São Paulo, village of Krukutú, would like to communicate the following:


    Respected representatives of the Brazilian government and Attorney General of the Republic,


     


    We indigenous peoples of Brazil concerned with the actions that Brazil has directed toward the indigenous populations and the disrespect of the government in reference to the referred to populations have to tell you that after the first contact with non-indigenous in this country the indigenous peoples were massacred and decimated in a brutal and ignorant way by its representatives. We have lost significant indigenous populations in this country. Whereas at no time did the society treat these peoples with due respect; that after 500 years of contact with this civilization, the indigenous peoples of Brazil have only lost territories, cultures, lives, the disappearance of entire populations throughout this contact. The peoples who remain struggle for their survival from within their territories with deplorable structures, at high risk, disrespected in their human rights, with lack of moral integrity toward the indigenous peoples who still exist in this Brazil.


     


    Respected representatives of the government, we are denouncing the disrespect of the Federal Government toward the indigenous populations as deals specifically with a project being executed in the region of Altamira, Volta Grande do Xingu; a project designed for hydric utilization, as it would affect the indigenous populations of this region and of the entire Rio Xingu hydrographic basin.


     


    Twenty years ago the indigenous peoples of this region spoke in a meeting and made clear that this project is unviable for implantation on the Rio Xingu. In 2008 the indigenous peoples, in another General Meeting, returned to talk and debate opposition to this project that would be implanted in this region and one more time the government disrespected Convention 169 of the ILO to which the Brazilian government is a signatory.


     


    Once again, we are here, indigenous peoples in Brasilia, to talk about Belo Monte. Throughout these 20 years of struggle by the indigenous peoples against the project of this UHE (hydro plant) Belo Monte the government had sufficient time to present alternative proposals to the indigenous populations of this region and did nothing. The indigenous peoples are tired of this struggle wherein the government hears only those of interest to it, we are asking for an end to this macabre history for the indigenous peoples.


     


    Respected representatives of the Brazilian government, we indigenous peoples represented in this communication are soliciting of your cognizance for preventing negative positions that can occur in this region if the government continues to disrespect us as Brazilian people, as indigenous peoples and as first inhabitants of this country.


     


    Throughout these 500 years we have been at the mercy of the government, serving as a massive labor force, as soldiers in protection of nature. We indigenous peoples, as defenders of nature are tired of seeing non-indigenous destruction of our forests with the collusion of governmental authorities and judiciary of this country. Given this situation, we are taking the following measure:


     


    We Indigenous peoples, will no longer sit with any government representative to talk about the UHE Belo Monte: because we have already spoken for too long and this cost us 20 years of our history. If the Brazilian government wishes to build Belo Monte in an arbitrary manner as is being proposed, which being of total responsibility of this government and of its representatives as also of the court what would occur with the executors of this work; with the workers; with the indigenous peoples. The Xingu river will become a river of blood. This is our message. That Brazil and the world have to know that what could happen in the future if the Brazilian governors do not respect our rights as indigenous peoples of Brazil.


     


    Brasilia, Federal District


    December 1 of 2009

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  • 17/12/2009

    Belo Monte and Global Warming: Indigenous Peoples and Traditional Communities at COP 15

    On December 11, at the Climate Conference in Copenhagen (COP 15), indigenous leaders and traditional communities spoke to the public regarding their impressions about the climate, current model of development and politics of contention on warming of the climate.

     

    It was in a conference room, packed and tense that a group of five persons from the Amazon spoke to the public. They are leaders of their communities, participate actively in the capacitation of their communities and are spokespersons for them.

     

    Ianukulá Kaiabi Suiá, of the Terra Indigena Xingu Association opened the press conference by saying, “for us the end could be much closer”. Ianu, as he is called, raised a practical and very immediate example: the Belo Monte. Regarding the implementation of the hydroelectric station he was emphatic: “We are not consulted, we have our rights ignored, we are, in practice, trampled.” Stating that implementation would cause “sacred territory to disappear”, Ianu summarized the message of the peoples of the Xingu “no to Belo Monte”.

     

    The basic foundation of the messages is the same: The model of development at present does not function – attacks the environment and does not result in benefits for those who historically protect the forests of the world: the traditional communities and indigenous peoples.

     

    The REDD mechanism was cited by all participants as something which could function, attending to international politics as well as local necessities. Sonia Guajajara – vice-coordinator of the COIAB (Coordination of Indigenous Organizations of the Brazilian Amazon), added that REDD, [if] planned from the ‘bottom – up’, would be able to guarantee their territories, the continuation of their cultures and valorization of their historical roles.

     

     Manuel Cunha, president of the National Council of Seringueiros (CNS), brought a clear message that the climate is no longer the same. That his father, an elderly illiterate seringueiro (rubber-tapper), could in the past predict the rains and thus his work days, and today, this being so remote, saddens the family. That the trees and their fruits are decompensated, out of season. This according to him hiders the work and even causes disagreements: birds and animals go to neighboring properties to feed.

     

    Manuel then emphasizes: “We are not those who are removing the vegetal cover of the Planet, it is unjust that we pay this price”.

     

    The event was organized by IPAM and can be seen online http://bit.ly/8aJrce.

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  • 17/12/2009

    Belo Monte.

    “Eu sei quanto suor esse povo derramou e quanto tempo gastou para construir suas casas. Digo mais uma vez: são casas de alvenaria e não barracos ou palafitas! Agora esse povo será compulsoriamente arrancado de seus lares e transferido para onde?”, pergunta Dom Erwin Kräutler, na entrevista que concedeu à IHU On-Line, realizada via e-mail. O bispo de Altamira, município situado em plena selva amazônica do Pará, descreve o apoio que a Igreja tem dado ao povo que luta contra a hidrelétrica de Belo Monte e também o que ocorreu depois do encontro que teve com Lula em setembro deste ano. “Não faltam opções e não faltam cientistas de renome que apresentam alternativas. Mas são silenciados imediatamente e até ridicularizados quando falam em energia solar ou eólica”, apontou ele.

    Dom Erwin também analisou o apagão que ocorreu em novembro. “Até hoje, não foram reveladas as verdadeiras causas que provocaram o apagão. Mas a ocorrência de uma falha no sistema ou até de uma irresponsabilidade na manutenção não justifica nunca uma construção gigantesca de consequências imprevisíveis, nocivas para os povos da região do Xingu e para o meio ambiente”. Quando questionado sobre como Marina Silva e Lula têm agido em relação à Belo Monte, Dom Erwin é veemente: “Marina Silva me decepcionou. Jamais pensei que ela se submetesse tão tranquilamente aos ditames de sua candidatura à presidência da República”.

    Confira a entrevista.

    IHU On-Line – Qual o apoio que o senhor tem recebido da Igreja nessa luta contra a hidrelétrica de Belo Monte?

    Dom Erwin – Sou bispo da Igreja que está no Xingu. A "minha" Igreja (não no sentido possessivo, mas de pertença!) é esta, que se encontra aqui e agora, na Amazônia. Ela não é apenas parte da Igreja espalhada pelo mundo, mas nela também subsiste a Igreja com todas as suas características: una, santa, católica e apostólica. E esta Igreja local encontra-se hoje diante de tremendos desafios. Não tenho a menor dúvida: estou recebendo o apoio desta Igreja no Xingu, Povo de Deus que aqui vive e caminha, luta e reza, se reune e celebra, se engaja por uma sociedade justa e fraterna, acredita que "outro mundo é possível", que coincide para nós com o sonho de Jesus: o Reino de Deus. Sim, sinto que essa Igreja que está no Xingu apoia o seu bispo quando assume a defesa dos povos que aqui vivem contra um projeto faraônico e megalomaníaco que promete gerar energia, mas, na realidade, vai gerar morte.

    A Igreja no Pará e Amapá (Regional Norte II da CNBB) manifestou-se de maneira inequívoca por ocasião de sua 32ª Assembleia Pastoral Regional (26 – 28 de agosto de 2009) em uma "Carta Aberta" onde afirma textualmente: "Neste momento, assistimos com muita preocupação aos trâmites em torno da projetada construção da Hidrelétrica de Belo Monte. Mais um grande empreendimento que não leva em conta os verdadeiros anseios da população e atiça apenas a ambição daqueles que apregoam um desenvolvimento que certamente será passageiro e destruidor. (…). Que desenvolvimento é esse que destrói inescrupulosamente o hábitat de povos e famílias, a flora e a fauna ? Esse megaprojeto, se concretizado, deixará milhares de ”projetos de vida” atropelados pelo deslocamento compulsório de inúmeras famílias de suas casas e de suas terras. (…) Os povos indígenas e comunidades tradicionais, secularmente perseguidos e dizimados, receberão o golpe fatal perdendo seus territórios e recursos naturais – e sobretudo a terra querida de seus ritos e mitos, onde sepultaram os seus ancestrais. Ressoa aos nossos ouvidos o grito de um índio Kayapó: ‘O que será de nossas crianças!’"

    Já o Documento do IX Encontro de Bispos da Amazônia (Manaus, 11 a 13 de setembro de 2007) "Discípulos Missionários na Amazônia" reclama: "Os grandes projetos são decididos fora da Amazônia, visando interesses que não beneficiam os amazônidas. Há projetos do Governo e de empresas com capital transnacional. Faz-se necessário analisar as consequências desses projetos: o desequilíbrio ecológico e social, o desmatamento, as mudanças climáticas etc." (n. 24)

    Sei também que a CNBB, sua presidência e o Conselho Permanente, sempre apoiou o meu e nosso empenho em favor dos povos indígenas no Xingu, dos ribeirinhos e do povo em geral que habita a cidade de Altamira e outras cidades vizinhas que fatalmente serão atingidos por esse projeto.

    IHU On-Line – Que reações o senhor teve depois do encontro com Lula que, na época, falou que nada seria feito "goela abaixo"?

    Dom Erwin – O presidente Lula me convidou para mais uma audiência que deveria ter acontecido entre 25 e 27 de novembro passado. Eu aguardava diariamente ser chamado, mas, no dia 26, por volta das 21 horas, fui informado de que o Presidente estava em viagem para a Venezuela e lamentavelmente não fora possível achar uma janelinha na agenda para receber-me. A promessa de "não empurrar o projeto goela abaixo de quem quer que seja" do Presidente não contou com a anuência de seu setor energético que não alterou em nada suas estratégias.

    Depois do encontro com o presidente Lula, em 22 de julho de 2009, tive outra oportunidade de conversar com representantes do Governo, desta vez, em Altamira, por ocasião das já famigeradas audiências públicas policiadas. Mais uma vez, achei imprescindível convidar representantes dos movimentos sociais de Altamira, mas os doutores voltaram a desfilar a mesma ladainha de vantagens e benefícios que já não convence ninguém. Explicaram que defendiam a viabilidade de Belo Monte do ponto de vista meramente técnico e, já um tanto acuados, admitiram que os problemas se situam na dimensão social e ambiental. Quem de nós não sabia disso? Mesmo assim, foi bom ouvir que eles concordam que existem tais problemas. Aí começaram a jorrar perguntas, nenhuma delas obtendo resposta convincente. Os doutores vêm com promessas vagas ou se calam quando se entra em detalhes, ou então, afirmam que tudo terá solução, mas não revelam que tipo de solução haverá.

    Pior, de repente, perdem as estribeiras e reagem com uma arrogância e prepotência que nunca esperávamos de membros do atual Governo e nos fazem recordar os idos da Ditadura Militar. Falam abertamente que nós podemos fazer o que bem entendemos: "O projeto vai sair!". O cinismo de afirmações como estas parece insuperável. Os senhores Walter Cardeal e Adhemar Palocci estão convictos de seu protagonismo em relação a esse nefasto projeto e querem passar, qual rolo compressor, por cima de todos nós. Não sei se o Presidente da República realmente se dá conta dessa investida ditatorial de seu primeiro escalão. Peço a Deus que o nosso presidente caia na real e desista da execução deste projeto. Caso contrário, entrará na história como o grande depredador da Amazônia e o coveiro dos povos indígenas e ribeirinhos do Xingu.

    Percebemos com grande angústia que, para esses setores do Governo, a ministra da Casa Civil e o ministro de Minas e Energia, o projeto está decidido. Por isso, toda essa pressão em cima do Ibama que é considerado "chato" por não chegar à conclusão de seus estudos para emitir a esperada licença prévia para a construção da Hidrelétrica Belo Monte. Tem-se a nítida impressão de que a esses ministérios e setores do Governo não interessa uma avaliação pormenorizada, criteriosa e responsável pelo órgão competente. Pressão em cima do Ibama é a ordem do dia. Chega de "entraves e penduricalhos"! Tempos atrás, num banquete oferecido pelo Governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, maior plantador individual de soja do país e ganhador do troféu "motosserra de ouro", por sua contribuição ao desmatamento do país, o próprio presidente Lula se deixou levar a uma declaração comprometedora.

    Identificou os índios, os quilombolas, os ambientalistas e até o Ministério Público como "entraves" para o progresso. Considerou ainda "penduricalhos" os artigos da legislação ambiental, pois, estes parâmetros legais estariam travando o desenvolvimento do país. Por isso, a ordem é de desconsiderar ou, pelo menos, não dar tanta importância a impactos sociais e ambientais. Caso contrário, o país estaria condenado à estagnação. Pode até ser que o presidente posteriormente se arrependeu do que falou de improviso, mas a mídia já havia divulgado a gafe e setores do Governo se apoderaram desse enunciado presidencial fazendo coro ao que declarou a máxima autoridade no País.

    Contudo, nós não paramos e continuamos a chamar a atenção da sociedade para os efeitos sociais e ambientais irreversíveis que o projeto, se for executado, vai causar. Dou-me conta de que, em Altamira e nos municípios circunvizinhos, apenas uma parte de empresários e comerciantes defendem o projeto por pensarem em rios de dinheiro que vão inundar a praça, esquecendo-se, no entanto, que um terço de Altamira vai para o fundo, e Vitória do Xingu tornar-se-á cidade fantasma porque perderá o porto que abastece Altamira e toda a região da Transamazônica. Os afluentes do Xingu nos municípios Senador José Porfírio e Porto de Moz secarão ou serão reduzidos a meros fios d’água, impossibilitando a navegação e a pesca que sustenta aquele povo e a agricultura familiar à beira daqueles rios.

    Altamira está hoje beirando os 100 mil habitantes. Mais de trinta mil pessoas vão ser compulsoriamente retiradas de seus lares que ficarão debaixo d’água, em troca de promessas de uma vida melhor. Os técnicos da Eletrobrás, no entanto, não sabem onde irão alojar todas essas famílias. E as experiências de outros empreendimentos menores que Belo Monte nos ensinam que as promessas não se concretizam. O próprio presidente Lula falou-me, na audiência que tive com ele, no dia 22 de julho de 2009, "da grande dívida do Brasil em relação aos atingidos por barragens, até hoje não saldada". Será que, daqui para a frente, tudo vai mudar? Será que, de repente, todas as promessas serão honradas, e as famílias arrancadas de suas moradias serão transferidas para mansões construídas para elas em lugar aprazível. O Governo até hoje nem sabe para onde será removido todo esse povo. Além do mais, subestima tremendamente a população que será diretamente atingida por essa desgraça.

    Há poucos dias, em entrevista concedida ao Jornal do Brasil (13.12.09), o presidente do Ibama, Roberto Messias Franco, cita meu nome e concorda comigo: "ele tem uma preocupação legítima: e se vier mais gente, peões, com a construção? Tem razão em querer um plano de assistência social para essas pessoas". Em seguida, afirma: "as cerca de 12 mil pessoas que moram lá, em palafitas, beiras de igarapés, sem saneamento básico, devem ser reassentadas em condições melhores que as de hoje. O presidente Lula faz questão de dizer que as pessoas não podem ser arrancadas do lugar, mas recolocadas onde a vida pode ser melhor. Vai exigir novos bairros, novas cidades, com assistência, casas, estrutura". Ora, o presidente do Ibama está terrivelmente equivocado quando fala em "palafitas". Existem "algumas" moradias deste tipo à beira do Igarapé Altamira e ao longo da Estrada Ernesto Acioly, mas as ruas (só se fala em ruas, não em moradias!) na área que será inundada, segundo os estudos feitos pelo próprio Governo (EIA/RIMA), são margeadas por casas, em sua imensa maioria, de alvenaria, casas até de dois andares. Senti um aperto no coração durante a procissão da Imaculada Conceição realizada no último dia 8 de dezembro. Passamos exatamente pelas ruas cujos dias serão contados se o projeto tornar-se realidade.

    Não são apenas 12 mil pessoas. Peço ao presidente do Ibama que envie seu pessoal para atualizar o censo dos diretamente atingidos. Eu sei quanto suor esse povo derramou e quanto tempo gastou para construir suas casas. Digo mais uma vez: são casas de alvenaria e não barracos ou palafitas! Agora esse povo será compulsoriamente arrancado de seus lares e transferido para onde? O presidente Lula não explica "onde a vida pode ser melhor", só promete "novos bairros, novas cidades, com assistência, casas, estrutura". Será que Lula sonha com um Shangri-La tropical para esse povo que será atingido pela desgraça de Belo Monte, será que ele quer recuperar o paraíso perdido ou fazer emergir das águas represadas do Xingu uma Atlântida submersa. Déjà vu! Esse filme já conhecemos desde Itaipu, e ainda mais desde Tucuruí e a desastrosa Balbina! Quem dá a garantia para as promessas presidenciais se concretizarem? Quando o lago submergir um terço da cidade de Altamira, o presidente Lula e seu staff já obterão suas polpudas aposentadorias e irão lavar suas mãos, pois não terão que prestar homenagem ou satisfação a quem, naquela altura, governará o Brasil. E será que um futuro Governo vai honrar o compromisso assumido por Lula de recolocar esse povo "onde a vida pode ser melhor"? A futura geração amazônica irá condenar ao inferno a quem causou toda essa desgraça e arrasou irreversivelmente essa região magnífica. Mas, o arrogante setor energético do Governo não se dispõe a ouvir o brado do povo. Dane-se quem for contra a hidrelétrica! Bem de acordo com aquele antigo provérbio árabe: Os cães ladram e a caravana passa!  

    IHU On-Line – Algumas críticas têm sido feito no sentido de que os ambientalistas apenas são contra, mas não apresentam alternativas para produção de energia no país. Que opções temos para gerar energia, sem ser a partir da construção de hidrelétricas na Amazônia?

    Dom Erwin – Não faltam opções e não faltam cientistas de renome que apresentam alternativas. Mas são silenciados imediatamente e até ridicularizados quando falam em energia solar ou eólica. Há poucos dias, o Fantástico, da Rede Globo, apresentou novas técnicas que os japoneses inventaram de transformar, em grande escala, os raios solares em energia elétrica. O problema é que quaisquer alternativas não interessam às firmas construtoras que estão ávidas de aplicar seu know-how e fazer funcionar todo o seu maquinário exatamente na construção de hidrelétricas, modelo tradicional, com barramentos, imensos paredões de cimento, diques e canais de derivação. É só isso que sabem fazer e traz lucros astronômicos. Nada se importam com as consequências para os povos da região e o meio ambiente. É por isso que pressionam desavergonhadamente o Ibama para liberar logo a licitação. Têm muita pressa de faturar.

    IHU On-Line – Houve repercussões do apagão, ocorrido na semana passada, nas argumentações favoráveis à construção da Usina de Belo Monte? O apagão reforça as motivações do governo?

    Dom Erwin – Naturalmente, para os defensores do projeto, o apagão era bem-vindo. Eles se deleitaram quando a mídia veiculou a notícia de que alguns Estados do sul e sudeste ficaram por horas sem energia. Até hoje não foram reveladas as verdadeiras causas que provocaram o apagão. Mas a ocorrência de uma falha no sistema ou até de uma irresponsabilidade na manutenção não justifica nunca uma construção gigantesca de consequências imprevisíveis, nocivas para os povos da região do Xingu e para o meio ambiente.

    IHU On-Line – Marina Silva afirmou que "não há como fugir do aproveitamento energético do rio Xingu". Analisando também a posição de Lula sobre o empreendimento, como o senhor percebe essas formas de olhar os rios da Amazônia?

    Dom Erwin – Marina Silva me decepcionou. Jamais pensei que ela se submetesse tão tranquilamente aos ditames de sua candidatura à presidência da República. Nunca pensei que ela abrisse mão de sua convicção de defender o meio ambiente contra projetos insanos e imperdoavelmente omissos nos seus estudos de viabilidade. Marina fala como candidata do Partido Verde e, como tal, deveria exatamente assumir a defesa do "Verde das Florestas"! A afirmação "não há como fugir do aproveitamento energético do rio Xingu" é a mesma cantilena que estamos cansados de ouvir da boca dos intransigentes tecnocratas do Governo. Pior, ao repetir esse refrão, Marina capitula diante dos ideais que fizeram dela uma voz respeitada e uma referência em nível nacional e internacional em se tratar da defesa da Amazônia. Não é mais a Marina que eu conheci e hospedei em Altamira no dia em que mataram a Irmã Dorothy! Marina traiu sua missão de vanguarda dos povos da floresta. O que ela espera alcançar com essa mudança de seu visual? Alguns votos dos que até agora fizeram oposição à ela?

    IHU On-Line – Qual a força e os limites da pressão social contra Belo Monte? A decisão, em sua opinião, sobre a construção ainda pode ser revertida?

    Dom Erwin – Claro que pode ser revertida! E é isso que esperamos! Que finalmente todo esse discurso sedutor do Governo e das empresas barrageiras e mineradoras seja desmistificado. A espada de Damocles paira sobre o Xingu e seus povos, pendurado por um fio muito delgado. Mas, como a lenda contada pelo escritor romano Horácio não termina em tragédia, pois, o fio tênue resistiu, assim esperamos que a sensatez vença a insanidade, e o Xingu continue "vivo para sempre".

    IHU On-Line – Qual é o protagonismo dos povos indígenas na luta contra Belo Monte?

    Dom Erwin – De uma coisa tenho certeza: os índios não vão desistir. Podem até ser derrotados para a vergonha do atual Governo, mas não desistirão nunca. Eles têm outros parâmetros para avaliar os projetos. Para eles, o rio é sagrado, e o sujeito da história é o povo, e não um projeto inventado por "brancos" que consideram a terra, a selva e o rio matéria-prima para fazer negócios. A palavra de ordem deste sistema capitalista neo-liberal é "nenhuma terra, nenhuma floresta, nenhum rio fora do mercado!" enquanto os índios, da altura se sua sabedoria milenar, gritam: "Toda a terra, a selva e o rio a favor da Vida e da Paz". São dois projetos em confronto: um a favor da Vida, outro a favor do negócio a qualquer preço.

    Dou-me conta que, no contexto desse Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), os povos indígenas estão sofrendo mais uma fase de anti-indigenismo, partindo, desta vez, dos mais altos escalões do Governo. Lembro apenas dois episódios altamente vergonhosos. O ministro de Minas e Energia Edison Lobão se refere aos índios com um termo tão discriminatório que causa inveja ao regime nazista em relação ao povo judeu. O ministro sujou internacionalmente a imagem do Brasil. Chama os índios e seus aliados de "forças demoníacas"! Quando no "escândalo da parabólica" o respeitado jurista e diplomata Rubens Ricupero, Ministro da Fazenda em 1994, inadvertidamente  revelou "em off" alguns detalhes nada comprometedores do Plano Real, teve que renunciar ao cargo. O ministro Lobão não falou "em off", mas em bom e alto som para o Brasil e todo mundo ouvir e saber o que pensa dos povos indígenas. Mesmo assim continua incólume em sua função. Entendo que, segundo a Constituição Cidadã de 1988, esse ministro deveria ser processado por discriminação racial.

    O outro caso foi perpetrado pela Funai, que deveria defender os interesses e anseios indígenas. Preferiu assumir o papel de Judas na questão de Belo Monte. Entrará na história como traidora dos povos indígenas do Xingu! A Funai é sucessora do SPI (Serviço de Proteção ao Índio), idealizado e criado, em 1910, pelo grande defensor dos povos indígenas, Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon. Foi extinto, em 1967, devido a veementes protestos internacionais por causa das carnificinas promovidas em aldeias indígenas às barbas do SPI e sob seus benévolos olhares. A Funai, atual órgão indigenista do Governo, sucessora do SPI, também fecha os olhos ante um desastre projetado. Como o SPI tapou os ouvidos aos gritos dos índios torturados do século passado e, por isso, foi extinto, a Funai do século XXI também não quer importunar-se com o clamor destes povos. Antes atende aos interesses de empresas barrageiras e mineradoras que jamais se importarão nem com indígenas, nem com ribeirinhos, nem com as famílias das baixadas de Altamira que serão compulsoriamente expulsas de seus lares, nem com a flora ou fauna do Xingu. Sem o menor escrúpulo repetem com o rei Louis XV da França (1710-1774): “Aprés moi le deluge” (Depois de mim o dilúvio).

    Mais um capítulo da resistência ao projeto Belo Monte foi escrito no dia 1º de dezembro passado. A Procuradoria Geral da República convidou para um debate entre o Governo Federal e as populações que serão mais atingidas, caso o projeto se torne realidade. Dezenas de indígenas, ribeirinhos e representantes dos movimentos sociais de Altamira enfrentaram uma longa e cansativa viagem até a capital federal no intuito de participar dos debates, coordenados pela Dra. Débora Duprat, Vice-Procuradora Geral da República. E qual não foi a surpresa dos que vieram de tão longe: os representantes de importantes órgãos do Governo Federal simplesmente não compareceram à audiência pública. Nem a Fundação Nacional do Índio (Funai), nem a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), e, pior ainda, nem a própria Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobrás) acharam necessário fazerem-se presente. Antônia Melo, recém-condecorada pela OAB-Pará com o prêmio José Carlos Castro, em reconhecimento de sua defesa da dignidade humana e do meio ambiente na Amazônia, lamentou em nome de todos: "Hoje, mais uma vez, eles não quiseram ouvir o povo. Não quiseram debater com o povo. É uma vergonha a arbitrariedade com que estão tratando nossa gente!" Mesmo assim, as lideranças entregaram documentos em que, mais uma vez, repudiam a construção da barragem e da hidrelétrica de Belo Monte e afirmam que não vão desistir da luta, acenando – Deus queira que não aconteça! – até com a possibilidade de haver derramamento de sangue na defesa do rio. O que me assusta neste episódio todo é a brutal determinação dos órgãos governamentais de simplesmente ignorar essa gente que não foi a passeio para Brasília e pôr "no gelo" os representantes dos povos indígenas, dos ribeirinhos, do povo de Altamira. Através de uma atitude antidemocrática como esta, torna-se patente que estão querendo matar-nos pelo cansaço. Mas não conseguirão!

    E os índios se manifestaram numa carta, datada de 1º de dezembro de 2009 que impressiona por causa de sua mensagem contundente. É um derradeiro brado indígena a um governo aparentemente insensível. Quem lê o último parágrafo desta carta fica triste por causa da irritante frieza do Governo, mas a tristeza se transforma e indignação e revolta contra os responsáveis por um projeto insano que querem tocar sem dó e piedade, custe o que custar: "Nós, povos Indígenas, não vamos sentar mais com nenhum representante do governo para falar sobre UHE Belo Monte; pois já falamos tempo demais, e isso custou 20 anos de nossa história. Se o governo brasileiro quiser construir Belo Monte da forma arbitrária de como está sendo proposto, que seja de total responsabilidade deste governo e de seus representantes como também da justiça o que virá a acontecer com os executores dessa obra; com os trabalhadores; com os povos indígenas. O rio Xingu pode virar um rio de sangue. É esta a nossa mensagem. Que o Brasil e o mundo tenham conhecimento do que pode acontecer no futuro se os governantes brasileiros não respeitarem os nossos direitos como povos indígenas do Brasil".

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  • 17/12/2009

    Mais uma vitória contra a criminalização Xukuru

    Neste fim de ano, os indígenas Rinaldo Feitosa e Edmilson Guimarães ("Besouro"), do povo Xukuru, passarão o natal relativamente mais "tranqüilos". Os advogados Sandro Lobo, Denise da Veiga Alves, Paulo Machado Guimarães – assessores jurídicos do Cimi – e Gilberto Marques, conseguiram pedido de extensão em habeas corpus junto à 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), para que para que Edmilson também seja transferido da penitenciária em Caruaru para o posto da Funai, próximo a terra indígena onde vivem.

     

    Os indígenas cumprem prisão preventiva há cerca de um ano, acusados por um homicídio que não cometeram e que para o qual sequer existem provas.O cumprimento do acórdão deve ser feito até o final desta semana.

     

    Tanto o relator do habeas corpus, ministro Napoleão Nunes Maia Filho, como a 5ª. Turma do STJ entenderam que o parágrafo único do artigo 56, da Lei 6001, de 1973, aplica-se ao cumprimento destas preventivas pelos indígenas Xukuru, em regime de semi liberdade no posto de órgão indígena mais próximo, no caso em Pesqueira PE. Esta orientação já vem sendo adotada pelo STJ, e vem de encontro ao respeito à especificidade cultural dos indígenas brasileiros e aos direitos garantidos pelo Estatuto do Índio, pela Constituição Federal e pela Convenção 169 da OIT.

     

    Atualmente, pelo menos 43 Xukuru estão sendo processados, dos quais 31 foram condenados. Esse processo de criminalização foi denunciado, em março de 2009, à OEA. Todos que acompanham a caminhada deste povo por seus direitos sabem que – em nome de interesses próprios – as elites políticas e econômicas da região têm tentado, por diversas maneiras, desmoralizar, desestruturar e desmobilizar os Xukuru, impedindo-os de concretizar seu projeto de vida. Trata-se de uma violência inominável contra um povo que, com o auxílio de inúmeros parceiros, tem dado exemplos comoventes de coragem e determinação.

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  • 17/12/2009

    Juventude participativa, cidadania garantida

    Jovens Indígenas dos povos Pataxó, Tupinambá de Olivença e Pataxó Hã-Hã-Hãe da Bahia, Tupinikim e Guarani do Espirito Santo e Pataxó de Minas Gerais se reuniram na Aldeia Pau Brasil, do Povo Tupinikim no município de Aracruz no Espírito Santo, entre os dias 04 a 06 de dezembro de 2009, para discutirem suas realidades, lutas e sonhos.

     

    Durante estes três dias, os jovens indígenas presentes no evento buscaram o objetivo de criarem uma maior conscientização do seu papel no fortalecimento de suas organizações, ampliando os espaços de participação e articulação de suas lutas. E através de uma metodologia interativa e de bastante troca de experiência, concretizaram os objetivos específicos do encontro que eram: garantir a união e a integração dos jovens a fim de mostrar que são capazes de elaborar e desenvolverem seus projetos; ampliar a participação dos jovens na organização das comunidades; contribuir nos programas desenvolvidos nas comunidades indígenas; conhecer e valorizar o conhecimento tradicional dos povos indígenas; construir uma juventude organizada e consciente de seu papel na luta pelos seus direitos e de seus povos.

     

    Tendo como tema motivador “Juventude organizada, Cidadania Garantida” eles realizaram diversas oficinas: “Terra, produção e sustentabilidade para a juventude”, “Juventude, sexualidade e saúde”, ‘‘Juventude, cultura e mundo moderno”, “Organização, formação e cidadania  superando a desigualdade na diversidade”. O documento final do encontro  dá um pouco a dimensão das discussões e do nível de aprofundamento do evento e do resultados destas oficinas. Vale ressaltar também o intenso clima místico e de profunda alegria  produzido pelos jovens desde o primeiro dia.

     

    A delegação da Bahia, formada pelos Pataxó Hã-Hã-Hãe, Tupinambá de Olivença e Pataxó do Extremo sul teve um grande destaque, primeiro pela quantidade de jovens que levaram (45), depois pela experiência que puderam socializar no Seminário, a partir dos vários seminários que já realizaram. Destaque também para os caciques jovens que se fizeram presente no encontro, Romildo (Pataxó de Minas) e Marcos (Pataxó da aldeia Pequi Na Bahia).

    A participação das lideranças Tupinikim de Pau Brasil, apoiando e incentivando o evento, e a organização promovida pela equipe de coordenação dos jovens Tupinikim para um evento desta proporção deve ser destacada e parabenizada. 

    Antenados com as lutas dos povos indígenas no Brasil o Documento Final, principalmente nas suas reividicações, e a moção ao povo Tupinambá, demonstram o grau de Participação da juventude indígena presente no seminário.

    Por fim, podemos afirmar com toda convicção que os objetivos estabelecidos para o Seminário foram alcançados na sua totalidade. E que, portanto, a garantia de uma cidadania plena para estes povos se concretiza mais plenamente quando a JUVENTUDE É PARTICIPATIVA.

    Equipe Itabuna

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  • 15/12/2009

    Belo Monte e Aquecimento Global: Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais na COP

    No dia 11 de dezembro, na Conferência de Copenhague (COP 15), lideranças indígenas e comunidades tradicionais falaram ao público sobre suas impressões sobre o clima, modelo de desenvolvimento atual e de políticas de contenção ao aquecimento do clima.

     

    Foi numa sala dessa conferência lotada e tensa que um grupo de cinco pessoas da Amazônia falou ao público.  Eles são líderes de suas comunidades, e participam ativamente na capacitação de suas comunidades e como porta vozes dos mesmos.

     

    Ianukulá Kaiabi Suiá, da associação Terra Indígena Xingu, começou dizendo que “para nós o fim pode chegar mais próximo”.  Ianu, como é chamado, trouxe um exemplo prático e muito próximo a eles: o de Belo Monte.  Sobre a implementação da hidrelétrica, foi enfático: “não somos consultados, temos nossos direitos ignorados, somos praticamente atropelados.”Afirmando que tal implementação deve fazer “desaparecer território sagrado”, Ianu resumiu a mensagem dos povos do Xingu: “não a Belo Monte”.

     

    O fundamento das mensagens é o mesmo: O modelo de desenvolvimento atual não funciona—agride o meio ambiente e não resulta em benefícios para aqueles que historicamente protegem as florestas do mundo: as comunidades tradicionais e povos indígenas.

     

    Informados, esses grupos exigem que as negociações do clima levem em conta seus recados. Que seus papéis históricos sejam reconhecidos, valorizados e recompensados.

     

    O mecanismo de REDD foi citado por todos os participantes como aquele que pode funcionar, atendendo tanto às políticas internacionais, como às necessidades locais.  Sonia Guajajara, vice-coordenadora da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira – COIAB, complementou que REDD, planejado de ‘baixo para cima’, poderá garantir seus territórios, a continuação de suas culturas e valorização de seus papéis históricos.

     

    Manuel Cunha, presidente do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), traz a clara mensagem que o clima não é mais o mesmo. Que seu pai, antigo seringueiro analfabeto, antes previa a chuva e assim seus dias de trabalho, e como isso hoje, tão distante, entristece a família.  Que as árvores e seus frutos estão descompensados, fora do tempo.  Isso, segundo ele, atrapalha o trabalho e causa até desavenças: pássaros e animais vão a propriedades vizinhas para se alimentarem.

     

    Manuel, então, enfatiza: “Não fomos nós que tiramos a cobertura vegetal do Planeta, não é justo que paguemos esse preço”.

     

    O evento foi organizado pelo IPAM e pode ser visto online pelo link: http://bit.ly/8aJrce.

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  • 14/12/2009

    Newletter 893 – Once again Indigenous People injured in eviction in Mato Grosso do Sul

    INDIGENOUS PEOPLE INJURED IN DISPOSSESSION FROM FAZENDA REMAIN ON ROADSIDE IN MATO GROSSO DO SUL

     

    Circa 20 Guarani Kaiowá persons from the villages of Sassoró and Porto Lindo were injured on December 8 by private security forces of fazenda titleholders from the region of the municipality of Iguatemi, in Mato Grosso do Sul. They were evicted from part of their traditional land, to which they had returned one week ago. The aggressors broke the arm of a 73 year-old Guarani Kaiowá elder.

     

    The injured Guarani were treated by a doctor from the National Health Foundation (FUNASA), who found them at the side of the highway known as 7 Placas. They presented hematomas and lacerations on their bodies. Some injuries were the result of being shot with rubber bullets. A rubber bullet was found in the clothing of one of the injured. According to the indigenous report, the aggressors used wire and clubs as well as guns in the attack.

     

    Five of the Guarani Kaiowá, an elderly community member among them, were seriously injured and hospitalized in the city of Tacuru. The others remain at the side of the road. “We do not have food, nor tarps [for shelter]. Today the fazendeiros came here with the security forces and said that we are not going to have our land”, stated Solano Lopes, one of the leaders of the group that reclaimed the tekohá (traditional land) Pueblito Kue.

     

    Today the Guarani await the presence of the National Foundation for Indigenous Affairs (Funai) and the Federal Police in the area. The Federal Public Ministry in Mato Grosso do Sul asked that the confrontation be investigated.

     

                                                                            ***

     

     

    CNPI RECOMMENDS CONGRESS APPROVE LAW REGULATING PROJECTS IN INDIGENOUS LANDS

     

    The National Commission for Indigenous Policy (CNPI) has recommended that the National Congress approve complementary legislation that regulates exploitation of natural resources in indigenous lands, determining what enterprises can be considered to be of relevant national interest. This regulation would bring greater security to the indigenous peoples facing projects that could impact their lands.

     

    According to Article 231 of the Federal Constitution, the complementary legislation would need to indicate in which cases the exploitation of water or minerals – for example – could occur in indigenous lands. Only after this law is approved could projects relevant to national interest be proposed and later submitted. In addition to this law, the Constitution also affirms that hydric resources can be accessed only with the authorization of the National Congress – after hearings with the communities affected.

     

    The recommendation was made during the CNPI debate on the Belo Monte hydroelectric plant, anticipated for construction on the Xingu river in the state of Pará. The project, if executed, could impact several indigenous lands. The indigenous peoples in attendance questioned the fact of the Congress having passed the construction of the project, without there having been a hearing with the indigenous peoples, as stipulated in the Constitution.

     

    The CNPI representative for the Kayapó people, Akyaboro, also questioned the president of the National Foundation for Indigenous Affairs (Funai), Márcio Meira, for not having sent a representative to the hearing on the Belo Monte hydroelectric which had been convened by the Attorney General (Procuradoria Geral da República) on December 2. “We are not going to stop struggling. We do not want Belo Monte”, stated Akyaboro.

     

    The National Commission of Indigenous Policy (CNPI) met in session between December 7 and 10 in Brasilia. The CNPI is responsible for the monitoring and of the public policy development for indigenous peoples. The CNPI is composed of representatives of the indigenous peoples from throughout the country and by representatives of government agencies.

     

    Brasilia, December 10 of 2009

    Indigenist Missionary Council

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  • 14/12/2009

    Netherlands Ambassador visits Kaiowá Guarani village on International Day of Human Rights

    The Ambassador of the Netherlands, Mr. Kees Pieter Rade, paid a morning visit to the Guarani Kaiowá village Te’Yikue in the municipality of Caarapó (state of Mato Grosso do Sul). The visit is part of a regional meeting of Guarani Kaiowá leaders, a gathering in conjunction with the Campanha Povo Guarani – Grande Povo, organized for the occasion of International Human Rights Day.


     


    Launch


    The international site for the Campaign was launched. The site carries news and content about the Guarani People, their society, culture and their conjunctural challenges. It is managed by the Guarani communities in Brazil, Argentina, Paraguay and Bolivia.


     


    Netherlands support and concern


    The visit of Ambassador Rade marks the support and concern of the Netherlands with the sad reality in which the Kaiowá Guarani peoples live. They face the highest indices of social vulnerability in the country. Most notably are those of violence, homicide, infant mortality, malnutrition and confinement. The resistance to recognition of their constitutional rights and the negation of recognition and protection of their traditional territories are the cause of the breadth of human rights violations.


     


    Violations


    The indigenous leaders reported to the Ambassador the diverse cases of violence and murder in the region, including hearing the testimony of the family of Genivaldo and Rolindo Vera, indigenous teachers, dead and disappeared respectively, after a violent attack by private security forces in the Paranhos region. Family members asked Ambassador Rade to request that his country intervene together with the Brazilian government, so that the search for Rolindo Verá be continued and the aggressors be judged and sentenced. They further reported the reality and impacts of unbridled monoculture and livestock on the environment, indigenous society and their traditional lands, placing emphasis on the grave cases of human rights violations.


     


    Instrument of Struggle


    With traditional dance and canticles the Ambassador was able to learn a little of the Kiowá Guarani culture as well as participate in the launch of the new website of the Campaign. The site is considered a great victory and powerful instrument of struggle for the Guarani people. Indigenous and indigenist organizations of Brazil, Paraguay, Bolivia and Argentina participate in the construction and administration of the site, which will publish content in Portuguese, Spanish and Guarani, bringing to the world the reality of the Guarani communities subjected to every type of violence and often times tendentious stories in the print and telecommunications media.


     


    The site is a victory constructed and strengthened in the memory of those Guarani leaders, who in this Amerindian land gave their lives for the life of their People. It is this dream and hope of having their physical cultural survival guaranteed in their age-old territories.


     


      


    Continental Meeting


    The micro-regional meeting of the Campanha Povo Guarani – Grande Povo marks one more step in the process of continental articulation, strengthening and union of the Guarani people. Next month, in the city of Asuncion there will be a continental meeting of the campaign in continuing preparation for the III ENCONTRO CONTINENTAL DO POVO GUARANI planned for November of 2010, also in Asunción.

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