Acampamento Terra Livre repudia proposta de Código Florestal
Comissão vai à Câmara dos Deputados para discutir com os parlamentares as consequências nefastas que o código, se aprovado, irá promover
Por Renato Santana
No dia 5 de abril deste ano, a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, foi palco de manifestação dos ruralistas para pressionar o Congresso Nacional à votação do Código Florestal. Gado, tratores e caminhões representavam a vontade dos latifundiários de transformar territórios originários e biomas em pasto, mineração, plantação de soja e cana.
Nesta terça-feira, dia 3, segundo dia do Acampamento Terra Livre, povos indígenas do país deram o seu grito contra as alterações propostas ao texto do atual Código Florestal, relatado pelo deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP). O documento está prestes a ser votado pelos parlamentares, com votação prevista para amanhã, dia 5.
Uma das propostas do código diz respeito à diminuição de 15 metros da vegetação às margens dos rios. “Nós repudiamos esse código pela destruição que ele irá causar, além do que os povos não foram consultados sobre ele”, disse um representante do povo Tabajara.
Terras ilegais, de acordo com a proposta do deputado, serão legalizadas e o latifundiário poderá fazer compensação ambiental em outros territórios – não necessariamente na área desmatada. Então, se um proprietário destrói suas propriedades em São Paulo, pode comprar terras no Rio Grande do Sul para se adequar ao estabelecido no código.
Para o integrante da direção política do setor de produção do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Nei Zavaski, isso significa a expansão do latifúndio e devastação ambiental. “Querem fazer os plantios de soja, cana e pinheiros e a floresta é um obstáculo. Para camponeses e indígenas, a floresta é de onde se retira a vida, a cultura”, afirmou.
Zavaski ressaltou que o código precisa adequar produção e conservação. Ruralistas e políticos defensores do documento, porém, propagam que os biomas atrapalham a produção. Como explicou o integrante do MST, pura mentira: “A floresta não impede a produção de alimentos, por exemplo. Podemos produzi-los sem acabar com as florestas”, frisou.
A intenção, na verdade, é expulsar os povos originários e camponeses das terras. Outro ponto preocupante da proposta que Rebelo leva aos seus pares é a diminuição de áreas de proteção ambiental. Conforme pontuou dezenas de lideranças indígenas, o que faltava para grandes empreendimentos terem mais facilidade de se estabelecerem em terras originárias.
Comissão
A coordenação do Acampamento Terra Livre deliberou pela nomeação de uma comissão que foi à Câmara dos Deputados conversar com os parlamentares sobre o “genocídio” que o código poderá promover, caso seja aprovado. Todas as informações da conversa serão colocadas aos demais participantes do encontro. O objetivo da discussão é promover um maior entendimento e engajamento dos povos indígenas na luta para barrar as alterações ao código, propostas pelo relator do projeto, Aldo Rebelo.
Diversas entidades e movimentos sociais já estão engajados na luta contra esse novo projeto e marcarão presença no plenária da Câmara dos Deputados, onde a votação do texto faz parte da pauta do dia. As manifestações, que têm se espalhado por todo o país, hoje chegou ao gramado em frente ao Congresso Nacional, com um protesto do Greenpeace. Os integrantes da organização seguraram uma grande faixa com a seguinte frase: "Congresso, desliga essa motosserra".
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Major national political manifestation of the Brazilian indigenous movement, Free Land Camp ends on Thursday, with a whole list of demands to the federal government and demonstration.
large enterprises, such as the enormous Belo Monte hydroelectric, in the Amazon state of Para, as well as the lack of demarcation of indigenous lands and the growing criminalization of the indigenous leaders are ways to take away the traditional and constitutional rights of the indigenous peoples.
Maurice Guarani is one of the leaders of his people. He explains that some lands have been demarcated, "but they are very small and our population has increased (…) in these lands my people can also not grow enough food." The life under tarp of the Guarani in his state is along the highways BR-101, BR-116 BR-290 and BR-040. The people survive without potable water, medical assistance, basic sanitation and food is scarce.
Povos indígenas de todo o país ocupam a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, no Acampamento Terra Livre 2011. Local de manifestação e abrigo para os índios brasileiros, o evento, organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), está em sua oitava edição.
Maurício Guarani é uma das lideranças de seu povo. Ele explica que algumas terras foram demarcadas, “mas são muito pequenas e nossa população aumentou (…) nessas terras meu povo também não consegue plantar o alimento”. A vida dos Guarani sob a lona no estado está às margens das rodovias
“Não queremos nada que venha destruir nossa Amazônia, nossa floresta. Dela tiramos nossa cultura. Temos de preservá-la para nossos filhos e netos. Vamos lutar até o fim”, salientou. Belo Monte é outra pauta na lista de reivindicações do Terra Livre. A usina se tornou um símbolo, ao lado das prisões e assassinatos de lideranças indígenas, do quanto o governo federal passa por cima de direitos garantidos por lei. A Funai chegou a forjar uma consulta aos povos para a construção da usina.
Getulio, líder religioso, inicia o último dia do 2º Aty Guasu de Arroyo Korá com a narração de uma mensagem que Nhanderu (Grande Espírito) havia revelado naquela noite. “As estradas estavam fechadas. Ficara para traz um cavalo vermelho”.
O grande destaque nessa assembléia foi a participação das mulheres Kaiowá Guarani. Após se reunirem separadamente, exigiram um tempo em que elas coordenaram o encontro para explicitar suas decisões e propostas. E a palavra das Kuña-mulheres ecoou forte e enérgica. Solicitaram maior participação no Conselho da Aty Guasu e decidiram fazer uma Aty Guasu das Kuña.