• 04/05/2011

    Em protesto, ATL fecha Esplanada dos Ministérios

    Indignados com a recusa em ser recebidos pelos ministros da Justiça e de Minas e Energia para ouvir suas reivindicações, indígenas fecham Esplanada dos Ministérios em Brasília.

    Na manhã de hoje, 4, os participantes do Acampamento Terra Livre 2011 fizeram uma passeata, passando por vários ministérios e em frente ao Congresso Nacional. Com destaque para os ministérios da Justiça e de Minas e Energia, por causa da temática do Acampamento: os impactos das grandes obras sobre Terras Indígenas e a crescente criminalização dos povos indígenas.

    Depois de dois dias de conversas e reuniões internas, os participantes se mostraram animados para mostrar à sociedade sua indignação e preocupação com as injustiças sofridas Brasil afora. Liderados pelo ritmo firme do canto dos guerreiros Kayapó e animada pela energia contagiosa dos povos Tupinambá e Pataxó, que cantavam, correram e dançavam todo o percurso, a passeata avançava num ritmo acelerado sobre a Esplanada dos Ministérios.

    Demonstração de força

    O clima começou a mudar em frente ao Ministério da Justiça. As portas ficaram fechadas e os representantes do ministério se recusaram a deixar entrar mais do que alguns representantes do ATL. O que os indígenas recusaram.

    Em protesto, os indígenas fecharam a Esplanada por alguns minutos. Depois, a passeata continuou, seguindo para o Ministério de Minas e Energia. Lá, de novo, as portas ficaram fechadas e o máximo que o representante do ministro ofereceu foi a intenção de marcar uma reunião.

    Indignados com a falta de boa vontade, por parte dos ministros, os participantes resolveram fechar a Esplanada por 20 minutos, numa pequena demonstração de força do que o movimento indígena seria capaz no país, se o governo insistir em não respeitar os direitos dos povos originários.

    Parem todos os projetos devastadores

    Na parada, lideranças de quase todos os povos presentes discursaram sobre as ameaças, as violências, as invasões que suas comunidades estão sofrendo, e sobre a omissão completa por parte do governo, em todos os níveis. Reivindicaram a parada das grandes obras que incidem sobre terras indígenas, a realização de consultas prévias, o fim da criminalização, a demissão do presidente da Funai e a proteção dos Direitos Indígenas, como manda a Constituição Federal e os Tratados Internacionais dos quais o Brasil é signatário.

     

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  • 03/05/2011

    Acampamento Terra Livre repudia proposta de Código Florestal

    Comissão vai à Câmara dos Deputados para discutir com os parlamentares as consequências nefastas que o código, se aprovado, irá promover

     

    Por Renato Santana

     

    No dia 5 de abril deste ano, a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, foi palco de manifestação dos ruralistas para pressionar o Congresso Nacional à votação do Código Florestal. Gado, tratores e caminhões representavam a vontade dos latifundiários de transformar territórios originários e biomas em pasto, mineração, plantação de soja e cana.

     

    Nesta terça-feira, dia 3, segundo dia do Acampamento Terra Livre, povos indígenas do país deram o seu grito contra as alterações propostas ao texto do atual Código Florestal, relatado pelo deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP). O documento está prestes a ser votado pelos parlamentares, com  votação prevista para amanhã, dia 5.

     

    Uma das propostas do código diz respeito à diminuição de 15 metros da vegetação às margens dos rios. “Nós repudiamos esse código pela destruição que ele irá causar, além do que os povos não foram consultados sobre ele”, disse um representante do povo Tabajara.

     

    Terras ilegais, de acordo com a proposta do deputado, serão legalizadas e o latifundiário poderá fazer compensação ambiental em outros territórios – não necessariamente na área desmatada. Então, se um proprietário destrói suas propriedades em São Paulo, pode comprar terras no Rio Grande do Sul para se adequar ao estabelecido no código. 

     

    Para o integrante da direção política do setor de produção do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Nei Zavaski, isso significa a expansão do latifúndio e devastação ambiental. “Querem fazer os plantios de soja, cana e pinheiros e a floresta é um obstáculo. Para camponeses e indígenas, a floresta é de onde se retira a vida, a cultura”, afirmou.

     

    Zavaski ressaltou que o código precisa adequar produção e conservação. Ruralistas e políticos defensores do documento, porém, propagam que os biomas atrapalham a produção. Como explicou o integrante do MST, pura mentira: “A floresta não impede a produção de alimentos, por exemplo. Podemos produzi-los sem acabar com as florestas”, frisou.

     

    A intenção, na verdade, é expulsar os povos originários e camponeses das terras. Outro ponto preocupante da proposta que Rebelo leva aos seus pares é a diminuição de áreas de proteção ambiental. Conforme pontuou dezenas de lideranças indígenas, o que faltava para grandes empreendimentos terem mais facilidade de se estabelecerem em terras originárias.

     

    Comissão

     

    A coordenação do Acampamento Terra Livre deliberou pela nomeação de uma comissão que foi à Câmara dos Deputados conversar com os parlamentares sobre o “genocídio” que o código poderá promover, caso seja aprovado. Todas as informações da conversa serão colocadas aos demais participantes do encontro. O objetivo da discussão é promover um maior entendimento e engajamento dos povos indígenas na luta para barrar as alterações ao código, propostas pelo relator do projeto, Aldo Rebelo.

     

    Diversas entidades e movimentos sociais já estão engajados na luta contra esse novo projeto e marcarão presença no plenária da Câmara dos Deputados, onde a votação do texto faz parte da pauta do dia. As manifestações, que têm se espalhado por todo o país, hoje chegou ao gramado em frente ao Congresso Nacional, com um protesto do Greenpeace. Os integrantes da organização seguraram uma grande faixa com a seguinte frase: "Congresso, desliga essa motosserra".

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  • 03/05/2011

    Acampamento Terra Livre tem lançamento do filme

    Documentário À Sombra de um Delírio Verde narra a luta dos Guarani Kaiowá contra avanço da cana

     

    Nesta quarta-feira (8) na Esplanada dos Ministérios em Brasília, às 20h acontece o lançamento do documentário “À sombra de um delírio verde”, que conta a luta dos Guarani-Kaiowá, etnia indígena com a maior população no Brasil, contra o avanço da monocultura da cana-de-açúcar. Relatórios de organizações de direitos humanos têm denunciado sistematicamente o genocídio contra esta etnia. A exibição está dentro da programação do Acampamento Terra Livre.

     

    A co-produção Brasil, Argentina e Bélgica será teve sua estreia no Festival Cine Latino, em Tolouse, França, em março, sob aplausos e comentários de espanto e indignação do público em relação à realidade dos indígenas que sobrevivem à sombra do lucro e dos discursos ecologicamente corretos dos biocombustíveis.

     

    Em seguida a exibição, um dos diretores do documentário, Cristiano Navarro, e as lideranças Guarani Kaiowá estarão presentes para uma conversa com o público e jornalistas.

     

    http://www.youtube.com/watch?v=M-Vg4GSoAaU

     

    A produção coloca a disposição fotos e imagens para as tvs e outros veículos de comunicação.

     

    Sinopse

     

    Na região sul do Mato Grosso do Sul, fronteira com Paraguai, a etnia indígena com a maior população no Brasil luta silenciosamente por seu território para tentar conter o avanço de poderosos inimigos. Expulsos pelo contínuo processo de colonização, mais de 40 mil Guarani-Kaiowá vivem hoje em menos de 1% de seu território original. Sobre suas terras encontram-se milhares de hectares de cana-de-açúcar plantados por multinacionais que, em acordo com governantes, apresentam o etanol para o mundo como o combustível “limpo” e ecologicamente correto. Sem terra e sem floresta, os Guarani-Kaiowá convivem há anos com uma epidemia de desnutrição que atinge suas crianças. Sem alternativas de subsistência, adultos e adolescentes são explorados nos canaviais em exaustivas jornadas de trabalho. Na linha de produção do combustível limpo são constantes as autuações feitas pelo Ministério Público do Trabalho que encontram nas usinas trabalho infantil e escravo. Em meio ao delírio da febre do ouro verde (como é chamada a cana-de-açúcar), as lideranças indígenas que enfrentam o poder que se impõe muitas vezes encontram como destino a morte encomendada por fazendeiros.

     

    Serviço:

     

    Local: Esplanada dos Ministérios em frente ao ministério da Justiça, Brasília

    Horário: 20hs

     

    Ficha técnica:

     

    Título Original: À Sombra de um Delírio Verde Documentário (The Dark Side of Green)

    Gênero: Documentário

    Produção: Argentina, Bélgica, Brasil

    Tempo de Duração: 29 min

    Ano de Lançamento: 2011

    Direção, produção e roteiro: An Baccaert, Cristiano Navarro e Nicolas Muñoz

    Narração em Português: Fabiana Cozza

    Música composta por Thomas Leonhardt

    Site: http://www.thedarksideofgreen-themovie.com/

    Facebook: http://www.facebook.com/pages/THE-DARK-SIDE-OF-GREEN/132106013477766?sk=wall

     

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  • 03/05/2011

    Indigenous Free Land Camp occupies Esplanada dos Ministerios, Brasília

    Major national political manifestation of the Brazilian indigenous movement, Free Land Camp ends on Thursday, with a whole list of demands to the federal government and demonstration.

    By Renato Santana

    Over 600 indigenous peoples from around the country occupy the Esplanada dos Ministérios, the main governmental avenue in Brasília with the Free Land Camp 2011. It is the eighth edition of this annual manifestation, organized by the Articulation of Indigenous Peoples of Brazil (Apib) with support of the Indigenist Missionary Council, Cimi.

    The indigenous moved into town in the early hours of Monday, May 2, setting up camp in front of the House of Congress and the Ministry of Mining and Energy. They will remain until next Thursday. Members of at least 70 different indigenous peoples are present. The main banner of the movement: respect for the indigenous rights, as guaranteed by Brazil´s Federal Constitution and International Treaties.

    Another world is possible

    The executive secretary of the Indigenous Missionary Council (CIMI), Eden Magelhães, explained Cimi´s support for the Free Land Camp considering it a uniting moment for the indigenous movement which is concerned with the various forms of aggression it faces against the territories of communities.

    "We believe that another world is possible with the Indians," he said. For him, large enterprises, such as the enormous Belo Monte hydroelectric, in the Amazon state of Para, as well as the lack of demarcation of indigenous lands and the growing criminalization of the indigenous leaders are ways to take away the traditional and constitutional rights of the indigenous peoples.

    The surrounding society increasingly views the construction of dams and the expansion of agribusiness as signs of national development. However, the Indians do not see it that way. "The construction of a hydroelectric plant floods everything around it. How can we live without our forests? A whole cycle of indigenous culture is there. From our ancestors to animals and natural remedies," said Kretã Kaingang, of the Kainging people of the South of Brazil.

    Life under tarp barracks

    The attacks and threats on the indigenous peoples impact their communities in similar ways all over Brazil. Some situations, however, specifically reveal the size of the indifference of government officials, most of all of the Funai, the Federal organ for Indigenous Affairs. Many communities of the Guarani of the Southern state of Rio Grande do Sul survive along the highways in shacks and tarp  barracks because their land has not been demarcated and ratified. In these conditions, about three thousand Guarani are scattered throughout the state. This situation is also experienced by thousands Guarani of South-Western state of Mato Grosso do Sul.

    Maurice Guarani is one of the leaders of his people. He explains that some lands have been demarcated, "but they are very small and our population has increased (…) in these lands my people can also not grow enough food." The life under tarp of the Guarani in his state is along the highways BR-101, BR-116 BR-290 and BR-040. The people survive without potable water, medical assistance, basic sanitation and food is scarce.

    "The Free Land Camp is an important moment to show all this to president Dilma (Roussef) and demand that our rights are respected. It is the cry of the Guarani and of all indigenous people in the country," said Maurice.

    Belo Monte, Beautiful Death

    In the Amazon state of Pará, the challenge of the indigenous is fighting the construction of the Belo Monte hydroelectric. Josinei Arara, of the Arara people, lives with his community in the famous Big Bend of the Xingu River. The project will finish off the village where he lives, as well as 29 others in the region. For him, the hydroelectric will destroy the forest and that will affect even communities that will not go under water.

    "We do not want anything that would destroy our Amazon, our forest. Of her we draw our culture. We must preserve it for our children and grandchildren. We will fight until the end," he stressed. Belo Monte is another item on the list of demands of the Free Land Camp. The plant became a symbol, next to the arrests and killings of indigenous leaders, of how much the federal government tramples on the indigenous rights guaranteed by law. Federal agency Funai has even come to forge a query to people to build the plant.

    Josinei Arara reported that he suffered threats: "They say they will burn our village." All the pressure suffered by the Indians, including by the Federal Police and in the Serra do Padeiro, in the South of Bahia, where the Tupinambá people live, increases ever more. In the plenary session of the Camp statements of various leaders corroborate the news stories of murder, arrest warrants and death threats.

    Intimidation

    Neguinho Truká lives with his people in Pernambuco. The São Francisco River Transposition is the enterprise that jeopardizes the villages of the Truká peoples. "Since 2005 we have been fighting for the demarcation of our land. With the transposition it is estimated that 385.000 hectares of land will be deforested," he says, adding that a Brazilian Army base is installed on the land Truká to intimidate his people.

    The resistance continues to be the only way out for the indigenous peoples against the attacks on their rights. "We are the real federal peoples. But if the feds [federal police] want to come get us out of our land, we have our bordunas (wooden clubs) to receive them," says Isabel Apinajé, of the sate of Tocantins.

     

    Follow the event live on the Internet: http://www.ustream.tv/channel/atlindigena.

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  • 03/05/2011

    MPF/MS: Índice de homicídios em aldeias de Dourados é 800% maior que média nacional

    Justiça atende MPF e determina que Funai e União devem garantir segurança nas aldeias de Dourados

     

    A União Federal e a Fundação Nacional do Índio (Funai) devem garantir a segurança das aldeias Bororó e Jaguapirú, em Dourados (MS). O efetivo mínimo de doze policiais  poderá ser disponibilizado pela Polícia Federal ou pela Secretaria Estadual de Segurança Pública, através de convênio.

     

    A decisão liminar da Justiça atende pedido do Ministério Público Federal (MPF) que ajuizou ação para reverter o quadro de extrema violência em que vivem os indígenas das duas aldeias. São 12 mil pessoas confinadas em uma reserva de 3,6 mil hectares, constituída na década de 1920 em Dourados, 2ª maior cidade de Mato Grosso do Sul, localizada a 225 km ao sul da capital, Campo Grande.

     

    Reserva de Dourados, líder em homicídios e suicídios

     

    A criação das reservas indígenas obedeceu à lógica da colonização do estado. Para atrair  os colonos, o governo federal passou a doar extensas áreas, consideradas devolutas.  Originalmente, elas eram ocupadas por diversas etnias indígenas, que foram progressivamente sendo exterminadas ou confinadas nas reservas criadas pelo Serviço de Proteção ao Índio (STI), no começo do século XX.

     

    O confinamento não respeitou as diferenças culturais e de organização entre os grupos e não previu o crescimento demográfico. Hoje, a reserva de Dourados é pequena para abrigar 12 mil indígenas, que não têm garantidos seu direito constitucional de produzir e reproduzir sua cultura, em especial sua vida social e religiosa.

     

    O custo social do confinamento pode ser traduzido pela perda daquelas tradições, pela penúria econômica e pelo grau assustador de violência em que vivem os habitantes das aldeias Jaguapirú e Bororó. Em 2008, a taxa de homicídios entre os guarani-kaiowá foi de 210 por 100 mil habitantes, 795% maior que a média nacional.

     

    Decisão judicial

     

    A Justiça considerou que a União desobedece a Constituição ao não garantir a segurança pública a essas populações. A decisão judicial afirma que “a intervenção em menor intensidade do Estado (em áreas indígenas), não se confunde com sua ausência” cabendo a ele proporcionar existência digna aos índios. A lei prevê a possibilidade da celebração de convênios com o governo estadual visando dar segurança aos indígenas. A desobediência à ordem judicial implica em multa diária de R$ 1.000,00.

     

    Referência processual na Justiça Federal de Dourados: 0001049-10.2011.4.03.6002 

     

    Assessoria de Comunicação Social

    Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul

    (67) 3312-7265 / 9297-1903

    (67) 3312-7283 / 9142-3976

    www.prms.mpf.gov.br

    [email protected]

    www.twitter.com/mpf_ms

     

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  • 02/05/2011

    Esplanada dos Ministérios é Terra Livre para os povos indígenas

    Principal mobilização do movimento indígena, acampamento segue até quinta-feira, quando povos definirão lista de reivindicações para apresentar ao governo federal

     

    Por Renato Santana

     

    Povos indígenas de todo o país ocupam a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, no Acampamento Terra Livre 2011. Local de manifestação e abrigo para os índios brasileiros, o evento, organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), está em sua oitava edição.  

     

    A principal mobilização do movimento indígena teve início na madrugada desta segunda-feira, 2 de maio, e segue até a próxima quinta-feira. Integrantes de pelo menos 70 povos levantaram barracas para exigir do governo federal e da Fundação Nacional do Índio (Funai) que os direitos indígenas sejam respeitados.

     

    O secretário executivo do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Eden Magalhães, frisou o apoio da entidade ao Terra Livre como espaço de unidade do movimento indígena preocupado com as mais variadas formas de agressão aos territórios das comunidades.

     

    “Acreditamos que outro mundo é possível com os indígenas”, disse. Para ele, os grandes empreendimentos, como a usina de Belo Monte, no Pará, a falta de demarcações das terras indígenas e a criminalização das lideranças são formas de alienar direitos tradicionais e constitucionais dos povos.

     

    A sociedade envolvente cada vez mais encara a construção de barragens e a expansão do agronegócio como sinais de desenvolvimento nacional. No entanto, os indígenas não veem dessa maneira. “A construção de uma hidrelétrica faz com que tudo o que esteja ao redor fique debaixo da água. Como poderemos viver sem nossas florestas? Todo um ciclo da cultura indígena está ali. Desde os nossos antepassados aos animais e aos remédios naturais”, disse Kretã Kaingang.

     

    Vida sob a lona

     

    O ataque aos povos indígenas afeta de maneira semelhante comunidades de todo o Brasil. Algumas situações, porém, revelam o tamanho do descaso das autoridades governamentais, sobretudo da Funai. Os Guarani do Rio Grande do Sul, por não terem terras suficientes demarcadas e homologadas, sobrevivem à beira das rodovias sob barracos de saco preto e lona. Cerca de três mil Guarani estão espalhados pelo estado. Situação também vivenciada pelos Guarani do Mato Grosso do Sul.

     

    Maurício Guarani é uma das lideranças de seu povo. Ele explica que algumas terras foram demarcadas, “mas são muito pequenas e nossa população aumentou (…) nessas terras meu povo também não consegue plantar o alimento”. A vida dos Guarani sob a lona no estado está às margens das rodovias BR-101, BR-116, BR-290 e BR-040. O povo sobrevive sem água potável, assistência médica, o alimento é escasso e falta saneamento básico.

     

    “O Terra Livre é um momento importante de mostrar tudo isso para a presidente Dilma (Roussef) e exigir que nossos direitos sejam respeitados. É o grito Guarani e de todos os povos do país”, afirmou Maurício.

     

    Belo Monte, Bela Morte

     

    No Pará, o desafio dos povos é combater a construção da usina de Belo Monte. Josinei Arara vive com sua comunidade na chamada Volta Grande do Xingu. O empreendimento acabará com a aldeia onde vive, além de outras 29 na região. Para ele, a usina irá destruir a floresta e isso afetará inclusive comunidades que não irão para debaixo da água.

     

    “Não queremos nada que venha destruir nossa Amazônia, nossa floresta. Dela tiramos nossa cultura. Temos de preservá-la para nossos filhos e netos. Vamos lutar até o fim”, salientou. Belo Monte é outra pauta na lista de reivindicações do Terra Livre. A usina se tornou um símbolo, ao lado das prisões e assassinatos de lideranças indígenas, do quanto o governo federal passa por cima de direitos garantidos por lei. A Funai chegou a forjar uma consulta aos povos para a construção da usina.

     

    Josinei Arara relata ameaças sofridas: “Falam que vão incendiar a aldeia”. Toda pressão sofrida pelos indígenas, inclusive da Polícia Federal como na Serra do Padeiro, sul da Bahia, local onde vive o povo Tupinambá, aumenta cada vez mais. Na plenária do Terra Livre, depoimentos de várias lideranças corroboram com as notícias de assassinatos, mandados de prisão e ameaças de morte.

     

    Neguinho Truká vive com seu povo em Pernambuco. A transposição do rio São Francisco é o empreendimento que põe em risco as aldeias Truká. “Desde 2005 estamos lutando pela demarcação. Com a transposição estima-se que 385 mil hectares de caatinga serão desmatados”, diz. Neguinho relata que uma base do Exército Brasileiro está instalada nas terras Truká como forma de intimidar seu povo.  

     

    A resistência acaba sendo a única saída dos povos contra o ataque aos seus direitos. “Os federais somos nós (indígenas). Mas se os federais quiserem vir nos tirar das terras, nós temos as bordunas (espécie de bastão de madeira) para eles”, afirma Isabel Apinajé, do Tocantins.

     

    Evento ao vivo na internet

     

    O Terra Livre pode ser acompanhado, ao vivo, pela internet no endereço eletrônico   http://www.ustream.tv/channel/atlindigena       

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  • 02/05/2011

    Enganação da Norte Energia chega a aeroportos e leva troco

    Diante da enxurrada de denúncias sobre irregularidades no processo de licenciamento de Belo Monte e no cumprimento de condicionantes sociais e ambientais, a Norte Energia, empresa vencedora do leilão da usina, criou uma série de spots publicitários que está veiculando em 17 dos principais aeroportos brasileiros.

     

    As peças publicitárias prometem geração de energia para milhões de consumidores brasileiros, melhoria das condições de vida para a população de Altamira e respeito à biodiversidade e aos direitos indígenas.

     

    Quem for a Altamira, no Pará, verá que não há hospitais, saneamento, segurança, nada. Quem espera luz no fim dos canais de Belo Monte, esperará no escuro, porque luz é que os 4 mil mw de energia média da usina não vão gerar. Muito menos para as casas das populações (a Vale já avisou que entrou em Belo Monte porque quer energia para aumentar sua mineração). Por fim, não afogar milhares de índios não resolve o problema.

     

    Não temos dinheiro para comprar espaço publicitário em aeroportos. Mas temos a preocupação e a competência de desmentir a desfaçatez da NESA.

     

    Veja aqui a primeira resposta que damos às suas mentiras:

     

    http://www.youtube.com/watch?v=_q7c6POeQV8&feature=player_embedded

     

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  • 02/05/2011

    Abrindo Caminhos

    Por Egon Heck

    Getulio, líder religioso, inicia o último dia do 2º Aty Guasu de Arroyo Korá com a narração de uma mensagem que Nhanderu (Grande Espírito) havia revelado naquela noite. “As estradas estavam fechadas. Ficara para traz um cavalo vermelho”.  A revelação trazia bastante preocupação.  As estradas fechadas significavam grandes obstáculos para a vida dos Kaiowá Guarani. O cavalo vermelho, que ficara para traz significava perigos para as lideranças indígenas e para os seus aliados e apoiadores. Após falar dessa mensagem forte que havia recebido, disse: “mas nós nhanderu-caciques, rezadores, vamos abrir os caminhos”. Era a força Kaiowá Guarani, a partir de sua religiosidade, cultura e organização, que iriam enfrentar os inimigos e remover os obstáculos.

    E a Grande Assembléia, realizada entre os dias 27 e 30 de abril, já era o início do enfrentamento dos grandes inimigos e obstáculos: o poder econômico e político, que continuam negando aos Kaiowá Guarani o direito às suas terras, a repressão à volta a seus tekohá, os agrotóxicos envenenando a terra e as águas; a violência que vai invadindo as aldeias, especialmente com o alcoolismo e drogas, aumentando os conflitos internos, brigas e mortes; a fome e a dependência da cesta básica; o descaso com a saúde por parte da Funasa; a ineficácia da Funai na proteção e garantia dos seus direitos; o retrocesso na maioria das escolas indígenas, com a substituição de professores indígenas por não indígenas. Esses foram alguns dos graves problemas elencados, e que exigem muita união, organização e determinação para enfrentar.

    Leia o documento final do encontro

    A denuncia dessa situação ficou bem expressa no documento da Assembléia, onde afirmaram: “Nós Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul, queremos dizer mais uma vez que nosso direito às nossas terras continua desrespeitado, gerando uma situação de violência sobre nossas comunidades, o que nos leva a uma situação que nós entendemos como a declaração de morte de nosso povo. Isso é um crime contra a humanidade, é um genocídio. Por isso exigimos novamente providências imediatas dos três poderes para cumprirem suas obrigações com relação às nossas terras. Não queremos continuar sendo objetos de migalhas, enquanto pessoas e grupos nacionais e internacionais, como a indústria da soja e da cana, continuam ocupando e acumulando riquezas com os bens retirados de nossas terras”.

    Para reconquistar as terras sagradas das quais foram expulsos e nelas reconstruir e garantir o teko – modo de viver Guarani – necessitam de muita força, união e reza. E foi isso que aconteceu durante os quatro dias da Aty Guasu. Um momento alegre e forte, de grande participação e busca dos melhores caminhos para enfrentar tão grandes desafios.

    Leia o documento final do encontro

    Por isso, durante toda a noite fizeram seus rituais e danças. E antes mesmo do dia amanhecer as rodas de chimarrão iam animando mais um tempo de debate, celebração, alegria e indignação. As Aty Guasu conseguem ser um espaço para tudo isso. 

    No final da assembleia, houve indicação e escolha por unanimidade dos seus representantes em espaços nacionais da luta indígena. Eliseu Lopes foi eleito como representante na Articulação dos Povos Indígenas no Brasil (Apib). Também foram eleitos os representantes no Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea),  Delosanto Martins, e para a Carteira Indígena, José Barbosa.

    O grande destaque nessa assembléia foi a participação das mulheres Kaiowá Guarani. Após se reunirem separadamente, exigiram um tempo em que elas coordenaram o encontro para explicitar suas decisões e propostas. E a palavra das Kuña-mulheres ecoou forte e enérgica. Solicitaram maior participação no Conselho da Aty Guasu e decidiram fazer uma Aty Guasu das Kuña.

    Também foi debatida a grave situação dos jovens indígenas, que embora não participassem em grande número, se reuniram e levaram suas preocupações e exigências às lideranças Kaiowá Guarani.  Eles são as maiores vítimas desse processo extremo de opressão e violência. O indicador mais claro disso é o alto índice de suicídios, assassinatos e prisões dos jovens. A droga e o alcoolismo se disseminam rapidamente entre eles. Porém, eles estão decididos a se organizar, enfrentar todos esses problemas e se envolver na luta pelos direitos de seu povo, especialmente a recuperação das terras. Por isso também querem participar do Conselho da Aty Guasu e realizar um grande encontro de jovens Kaiowá Guarani.

    Leia o documento final do encontro

    No final do encontro foram escolhidos novos participantes do Conselho, que fora criado em Arroyo Korá, há dois anos.

    Após a benção e batismo dos documentos-kuatiá e das crianças, houve um ritual pedindo proteção na volta às aldeias e também para a delegação que seguiu para o Acampamento Terra Livre, em Brasília.

     

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  • 02/05/2011

    Documento da II Aty Guasu de Arroyo Korá, município de Paranhos – Apoio ao Ypo’i.

    Estamos comemorando dois anos de trabalho do conselho do Aty Guasu!

    Nós lideranças tradicionais e políticas, nhanderu e nhandesi, caciques, professores, agentes de saúde, reunidos no 2ª Aty Guasu, realizada entre os dias 27 e 30 de abril na Terra Indígena Arroyo Korá, no município de Paranhos, nos reunimos dentro do espírito e exigências da Grande Nação Guarani, reunida recentemente em duas importantes assembléias, em Assunção e aldeia Jaguati, no Paraguai.

    Assumimos assim e reforçamos as considerações e exigências feitas nesses dois encontros, destacando que:

    “Para o Guarani seu território é o lugar onde viviam seus ancestrais e onde se articulam a biodiversidade, a cultura e a espiritualidade. O território e tudo que nele existe são direitos fundamentais aos quais não renuncia e nem renunciará a Nação Guarani porque é parte de sua existência, de sua identidade, de sua vida física, cultural e espiritual”. Diante disso, as comunidades e povos Guarani exigem a demarcação e o respeito a todas as terras e territórios Guarani nos quatro países que participaram dos encontros em território paraguaio: Bolívia, Brasil, Paraguai e Argentina.

    Nós Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul, queremos dizer mais uma vez que nosso direito às nossas terras continua desrespeitado, gerando uma situação de violência sobre nossas comunidades, o que nos leva a uma situação que nós entendemos como a declaração de morte de nosso povo. Isso é um crime contra a humanidade, é um genocídio. Por isso exigimos novamente providências imediatas dos três poderes para cumprirem suas obrigações com relação às nossas terras. Não queremos continuar sendo objetos de migalhas, enquanto pessoas e grupos nacionais e internacionais, como a indústria da soja e da cana, continuam ocupando e acumulando riquezas com os bens retirados de nossas terras.

    Exigimos a conclusão e publicação urgente dos relatórios de identificação de todas as nossas terras. Não entendemos porque até agora não demarcaram nossas terras. Queremos que o Supremo Tribunal Federal julgue logo os processos que suspenderam a homologação da Terra Indígena Nhanderu Marangatu em 2005, Arroyo Korá em 2009 e Yvy Katu em 2011. Que a Funai  demarque logo as terras Indígenas Takuara e Jatayvary. Que a Justiça julgue o quanto antes as ações que estão impedindo a continuidade e conclusão das terras que estão em regularização.

    Nesta Aty Guasu reafirmamos a importância de fortalecer a nossa cultura, nossas lideranças tradicionais, nhanderu e nhandesi, para que todas as lideranças lutem no mesmo sentido pelos nossos direitos, nosso jeito de ser, se organizar e viver.

    Queremos rechaçar a grande interferência de muitos municípios nas escolas indígenas, substituindo nossos professores por não índios e impondo calendário e currículo que não respeita e fortalece nossa cultura. Conclamamos os professores indígenas que lutem para não deixar nossas escolas retrocederem e voltarem a ser instrumento de dominação e destruição da nossa cultura. Que os professores assumam e participem  sempre mais do movimento da Aty Guasu. Ficou decido ainda que o Aty guasu acompanhe o movimento dos professores no repasse do recurso e nas decisões do território étnico educacional do MS.

    Na assembléia foi decido que tenha formação continuada para os agentes de saúde indígena kaiowá Guarani.

    Consideramos muito importante o esforço das mulheres e dos jovens de se articularem parra participar melhor e com mais força no Movimento Guarani Kaiowá, especialmente na luta pela terra e pela nossa autonomia. As kuña-mulheres tiveram um papel muito importante nesta Aty Guasu, damos toda a força para a realização de uma Aty Guasu das Kuña. Esperamos que isso possa acontecer em breve. Também vimos com grande preocupação a situação cada vez mais difícil dos nossos jovens. Por isso saudamos e vemos com esperança a articulação que eles estão fazendo, inclusive de realizar uma Aty Guasu dos Jovens.

    Queremos que sejam respeitadas todas as decisão tomadas no Aty Guasu.

    Quanto à política indigenista queremos dizer que apesar da intenção de melhorar a proteção de nossos direitos e assistência sem tutela, lamentamos que a burocracia esteja muitas vezes piorando a situação, ao invés de melhorar conforme anunciado. Vamos continuar pressionando a Funai e o governo para que nossos direitos sejam assegurados, conforme garante a Constituição.

    Nos unimos a todos os nossos  irmãos indígenas, povos originários, em solidariedade e apoio em suas lutas e resistência por manter sua terra, sua identidade e sua cultura.

    Aty Guasu, Arroyo Korá, 30 de abril de 2011

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  • 02/05/2011

    Carta Final dos Participantes do Abril Indígena Estadual

    Nós lideranças indígenas do estado de Rondônia, Sul do Amazonas e Noroeste do Mato Grosso, participantes do Abril Indígena estadual/Assembléia da CUNPIR, pertencendo aos povos: Canoé, Puruborá, Suruí, Wajuru, Djeromitxi, Aruá, Makurap, Cujubim, Kampé, Tupari, Kassupá, Sabanê, Tawandê, Mamaindê, Karitiana, Arara, Gavião, Kwazá, Sakyrabiat, Migueleno, Oro Mon, Oro Waram, Zoró, Oro Eo, Oro Nao´, Cao OroWaje, Paumari, Nambikwara e Lacondê, reunidos entre os dias  27 a 29 de abril de 2011, no Centro Arquidiocesano de Pastoral, na Rua Coentro, Estrada do Piloto, Porto Velho-RO, discutindo, avaliando e refletindo sobre a questão indígena em nosso estado, com o tema “Fortalecimento do movimento e organização indígena – Resistência e Luta”, expomos nossas angústias, preocupações e violências ainda vivenciadas diariamente por nossas comunidades indígenas e territórios tradicionais, no que se refere:

     

    SAÚDE:

     

    01. A falta de um atendimento diferenciado tem provocado a morte de muitas crianças, gestantes e idosos, que são os mais vulneráveis e vítimas deste atendimento;

    02. A demora do atendimento nos hospitais, principalmente em caso de cirurgia, tem provocado o óbito de muitos parentes;

    03. Pacientes que necessitam de tratamento especializado, dentro e fora do Estado estão morrendo a míngua, porque não é priorizado seu encaminhamento, bem como, acompanhamentos aos portadores de hepatites “B” e “C”;

    04. As estruturas das Casas de Saúde Indígena são precárias. Falta equipe médica, medicamentos, equipamentos e formação especificas dos técnicos e profissionais (médicos, enfermeiros (as)) envolvidos;

    05. Que o estado de Rondônia contemple em seu orçamento, os recursos para o atendimento a saúde indígena, segundo garante as legislações vigente, bem como, uma equipe médica itinerante que atenda aos povos indígenas em suas aldeias.

     

    EDUCAÇÃO:

     

    01. Que haja participação ativa dos povos indígenas na política de educação escolar indígena, na gestão das ações no controle social;

    02. Criação e instalação do Conselho de Educação Escolar Indígena de Rondônia;

    03. Criação de uma Gerência de Educação Escolar Indígena, para garantir de fato e de direito a uma educação escolar especifica e diferenciada, segundo os princípios aprovados pelo MEC;

    04. Agilizar a Realização de concurso público, específico e diferenciado, para atender a demanda de professores e quadro administrativo para as escolas indígenas do Estado de Rondônia, de acordo com o que preconisa a lei complementar nº578 de primeiro de junho de 2010;

    05. Regularização das Escolas Indígenas, considerando suas especificidades;

    06. Implantação do Projeto do Sexto ao Nono ano e ensino médio em todas as Escolas Indígenas, para evitar a migração de famílias e estudantes para os centros urbanos e a discriminação que sofre os indígenas;

    07. Agilidade na Construção de escolas indígenas adaptadas à realidade local, com estrutura física que garanta seu bom funcionamento;

    09.  Reestruturação dos setores pedagógicos das REM de Educação Escolar Indígena;

    08. Que a Secretaria de Educação repasse também para as RENs suprimento de fundo para atividade da Educação Escolar Indígena.

     

    TERRA:

     

    01. Ampliação em forma contínua que abrange as seguintes terras indígenas: Laje, Pacaás Novos, Rio Negro Ocaia, Sagarana, Guaporé, e terra indígena Cujubim ainda não demarcada. A terra indígena contínua também abrange as unidades de conservação Parque Nacional Serra da Cutia e Parque Estadual de Guajará Mirim tornando-as terra única para os seguintes povos: Oro Nao’, Oro Waram, Oro Mon, Oro Waram Xijein, Oro Eo, Oro At, Oro Win, Cabixi, Oro Jowin, Kao Oro Waje, Cujubim, Jabuti, Canoé, Aruá, Arikapu, Makurap, Massaká, Tupari, Salamãi, Cassupa e Wajuru;

    02. Conclusão imediata do GT de ampliação da Terra Indígena Karitiana;

    03. Imediata demarcação das terras indígenas Puruborá (Município de Seringueiras e São Francisco), Migueleno (Mun. São Francisco), Wajuru (Porto Rolim – Alta Floresta), Cassupá e Salamãi(Chupinguaia), Gavião em (Rondolândia MT), Djeoromitxi, na região de Figueiras, Aruá, Makurap, Tupari, Kampé, Arikapu, Canoé e Djahoi, todos no município de Alta Floresta, Pirineu de Souza (Casa de Rondon – Vilhena), Mamaendê, Tawandê e Idalamarê (Comodoro MT);

    04. Imediata interdição e demarcação das terras dos povos indígenas livres (sem contato voluntário);

    05. Revisão de limites da TI Igarapé Lourdes para incorporar a REBIO Jaru à essa Terra, por ser terra tradicional dos povos Arara e dos Gavião e para incorporar a área tradicional dos Gavião que se localiza no MT;

    06. Revisão de limites da TI Parque Indígena Aripuanã para incorporar a terra tradicional dos Cinta Larga conhecida como Caverna dos Morcegos;

    07. Revisão dos limites da TI Roosevelt para incorporar a cabeceira do Rio Roosevelt e cabeceira do Rio Quernit;

    08. Revisão de limites da TI  Zoró  para incorporar terra tradicional desse povo, que fica ao lado da Fazenda Castanhal e que ficou fora da terra demarcada;

    09. Revisão de limites da TI Vale do Guaporé, município de Comodoro-MT, para incorporar a região da  Lagoa dos Brincos, localizada na Fazenda Maringá, mas é  área tradicional do povo Mamaindê;

    10. Revisão de limites da TI Sete de Setembro do povo Suruí, por ter maloca tradicional desse povo na Linha Mato Grosso.

     

    GRANDES PROJETOS DO PAC:

     

    01. As Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH), construídas na bacia do Rio Branco, vem há décadas afetando 10 povos indígenas que vivem na Terra Indígena Rio Branco, no município de Alta Floresta do Oeste, e a PCH Cascata, no Rio Pimenta Bueno atinge a terra indígena Tubarão Latundê, em Chupinguaia, construída em cima de três cemitérios antigos e afeta o território tradicional dos Aikanã, Cassupá, Salamãi, Massacá e Kwazá;

    02. Nós manifestamos contrários às obras do Complexo Madeira, na região de Porto Velho, Nova Mamoré e Guajará Mirim, que ameaça as terras indígenas. Nesta região há presença de indígenas isolados, reconhecidos pela FUNAI, que poderão ser exterminados, bem como, todo empreendimento econômico: rodovias, ferrovias, gasoduto e outros, que atentam contra a integridade física e cultural dos povos indígenas.

     

    CRÉDITO DE CARBONO:

     

    01. Expomos nossa preocupação com relação à ação de empresas na compra de crédito de carbono para reduzir a emissão de queimadas e desmatamento no mundo, o que tem atraído muitas empresas estrangeiras propondo comprar áreas de florestas de nossas terras indígenas, o que poderá levar nossos povos a um novo processo de exploração de nossos recursos naturais, ameaçando nossa integridade física, cultural e econômica, uma vez que esta é uma forma de perdemos a autonomia e o direito sobre nossos territórios e os recursos naturais, que são fontes de vida para nossos povos;

    02. Denunciamos toda e qualquer organização, que em nome dos povos indígenas, fazem acordos e projetos que vão contra os nossos interesses. Pedimos a devida providência porque no Brasil não há leis que orientem este novo comércio e que para as terras e povos indígenas qualquer projeto desta natureza depende de aprovação do Congresso Nacional.

     

    Reafirmamos nossa autonomia e a nossa determinação de avançar na nossa organização e luta, para garantir a vigência dos nossos direitos, hoje, e para o bem das nossas gerações futuras.

     

    Pela comissão organizadora.

     

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