• 14/06/2011

    Em primeiro lugar a Vida!

    Santarém 10 de junho de 2011

     

    Os coordenadores das Pastorais Sociais da Diocese de Santarém, reunidos em assembleia no dia 2 de Junho de 2011 Vêm mais uma vez, através desta carta aberta, manifestar sua solidariedade à luta da Prelazia do Xingu e de todo o povo do Xingu  na defesa da vida e cultura dos povos da região e de seus rios e matas.

     

    Estamos conscientes que o projeto de Belo Monte não tem viabilidade social e ambiental, tem altos custos financeiros e mesmo assim o governo se fecha ao diálogo com os povos do Xingu e se mostra intransigente na manutenção de projeto tão nefasto.

     

    Lamentamos que os direitos das populações locais não estejam sendo respeitados e o governo atue de forma autoritária e antidemocrática. Isso transparece da forma como reiteradas vezes o Ministério Público se tem manifestado contra o projeto e a falta de estudos sociais e ambientais.

     

    Reconhecemos que a construção da usina de Belo Monte atingirá os territórios indígenas demarcados e homologados e áreas de conservação ambiental. A usina concorrerá para a extinção dos povos indígenas do Xingu, bem como a extinção de uma multiplicidade de formas de vida existentes nas áreas de proteção ambiental, únicas no mundo.

     

    Diante de todas as violências praticadas contra os povos do Xingu, colocamo-nos ao lado destes povos e da Igreja do Xingu, e reafirmamos nosso posicionamento contrário às hidrelétricas de Belo Monte,  Tapajós e tantos outros projetos do governo, que atingem os povos da Amazônia e os condenam a uma morte física e cultural.

     

    Lembramos que a atual ordem económica promovida pelo próprio governo, onde só os interesses particulares prevalecem, gera a morte, a injustiça social e ambiental.

     

    Lembramos que o lucro e a cobiça de alguns destrói o planeta e a vida da grande maioria.

     

    Lembramos que, como nos ensina a doutrina social da Igreja, as pessoas e a natureza devem estar acima do lucro e da tecnologia.

     

    COM TODOS OS POVOS DA AMAZÔNIA GRITAMOS: QUEREMOS OS RIOS VIVOS PARA AS PRESENTES E FUTURAS GERAÇÕES! EM PRIMEIRO LUGAR A VIDA!

     

     

    Santarém, 10 de Junho de 2011

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  • 14/06/2011

    Mais um trabalhador é assassinado no Pará

    No último dia 9 de junho, por volta do meio dia, foi assassinado no Acampamento Esperança, município de Pacajá, Pará, o trabalhador rural Obede Loyola Souza, 31 anos, casado, pai de três filhos, todos menores.

    Ao que tudo indica, Obede foi executado com um tiro de espingarda dentro do ouvido, a 500 metros de sua casa.

    Seu corpo foi encontrado somente no sábado, dia 11, por volta das 14h, e levado para a cidade de Tucuruí, onde foi registrado o Boletim de Ocorrência Policial.

    Após seu corpo ter sido liberado para o sepultamento, já no cemitério, a Força Nacional chegou à região, suspendeu o enterro e levou o corpo para Belém para perícia. Na madrugada de hoje, 14 de junho, o corpo chegou de volta a Tucuruí, para sepultamento.

    Ainda não se sabe exatamente o motivo que provocou o assassinato da vítima. Sabe-se somente que pelo mês de janeiro ou fevereiro, Obede teria discutido com alguém que representa na região o interesse de grandes madeireiros, pelo fato de estarem extraindo madeira de forma ilegal, principalmente castanheira, que é proibido por lei e por estarem deixando as estradas de acesso ao Acampamento Esperança e aos Assentamentos da região, intrafegáveis nesse período de chuvas.

    No dia do assassinato, pessoas viram uma camionete de cor preta com quatro homens entrando no Acampamento. Os vidros da camionete estavam abaixados. Quando perceberam que estavam sendo avistados, imediatamente suspenderam os vidros. A pessoa que os viu está assustada, pois acha que pode estar correndo perigo.

    Na mesma época que Obede discutiu com essas pessoas ligadas a representantes dos grandes madeireiros da região, Francisco Evaristo, presidente do Projeto de Assentamento Barrageira e tesoureiro da Casa Familiar Rural de Tucuruí, também discutiu com eles pelo mesmo motivo.

    Francisco afirma que há alguns dias um homem alto, moreno, com o corpo tatuado e em uma moto estava à sua procura no Assentamento Barrageira e que, por duas vezes, já foi avistado nas proximidades de sua residência, porém em nenhuma das vezes ele lá estava.

    Francisco, assim como a pessoa que avistou os quatro homens na camionete no dia da execução do Obede, correm perigo de morte.

     

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  • 13/06/2011

    Bispos do Tocantins alertam autoridades para a violência contra agricultores e camponeses

    Os bispos da Província Eclesiástica de Palmas (TO) emitiram uma nota na qual expressam suas preocupações com o estado de tensão que vivem os pequenos agricultores e assentados do interior do município de Palmeirante (400 km norte de Palmas). A nota é assinada pelo arcebispo de Palmas, dom Pedro Brito Guimarães, e os bispos de Tocantinópolis, dom Giovane Pereira de Melo; Miracema, dom Philip Dickmans; Cristalândia, dom Rodolfo Luís Weber e Porto Nacional, dom Romualdo Matias Kujawski.

     

    “Nós bispos, informados da realidade desta dramática situação, cientes do descaso das autoridades que tornaram possível tal conflito, vimos manifestar nossa solidariedade com as famílias injustamente perseguidas. Afirmamos que são elas as legítimas destinatárias do Programa de assentamento. Apoiamos sua determinação em defender seus recursos naturais e florestais contra a cobiça da grilagem. Parabenizamos o evangélico serviço pastoral prestado às famílias pelos agentes da CPT, eles também em situação de risco”, diz um dos trechos da nota.

     

    De acordo com o bispo de Tocantinópolis, dom Giovane Pereira de Melo, o além do descaso dos agressores contra os pequenos camponeses, o que mais impressiona é a falta de ação do estado, seja pelos poderes municipal, estadual, até mesmo federal. “Por isso, como representantes da Igreja, pedimos em nosso comunicado que sejam prontamente apuradas as atividades criminosas e incriminados seus mandantes; que seja realizada a retirada dos grileiros instalados na área; que seja imediatamente efetivada a regularização do projeto de Assentamento Santo Antônio, onde as famílias possam encontrar de fato o um lugar tranquilo para se cultivar a terra”, disse.

     

    Para o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Caridade, Justiça e a Paz, da CNBB, dom Guilherme Antônio Werlang, os bispos do Tocantins agem como “pastores e profetas e denunciam a violência contra os pequenos por parte dos "lobos" que continuam devorando o rebanho do Senhor e assumem verdadeira postura de pastores vigilantes sobre o rebanho que lhes foi confiado”.

     

    Leia a íntegra da nota dos bispos do Tocantins abaixo:

     

    Agricultores ameaçados de morte no Tocantins

     

    Enquanto nosso país se depara com uma onda estarrecedora de matanças dirigidas contra camponeses e ambientalistas em luta pela partilha da terra e pela preservação da floresta, aqui no Tocantins, no interior do município de Palmeirante (400 km norte de Palmas), presenciamos mais e mais violências e ameaças dirigidas contra grupos de agricultores acampados e assentados. Já em outubro passado, este município, onde terras da União vêm sendo cobiçadas por plantadores de soja, havia sido palco do assassinato brutal do agricultor Gabriel Vicente de Souza Filho, nas imediações do Acampamento Bom Jesus.

     

    Segundo fatos recentes apurados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), que tem acompanhado esses grupos nos últimos anos, tendo inclusive e constantemente levado essa situação ao conhecimento das autoridades, o conflito que se instaurou no Assentamento Santo Antônio – Bom Sossego remete ao ano 2003 quando, na criação do assentamento, 10 lotes do Programa Nacional de Reforma Agrária foram desviados da sua destinação em benefício de 3 fazendeiros, com a culposa anuência verbal de funcionários do INCRA. De lá para cá, na tentativa de reaver os lotes assim grilados e barrar a retirada de madeira da reserva legal do assentamento, 10 famílias, regularmente cadastradas pelo INCRA, têm feito gestões junto às autoridades (Ministério Público Federal, INCRA e Ouvidoria Nacional, Naturatins) e, enquanto não se resolve o impasse, ocupam parte da área em litígio. Elas contam com o apoio de outras 19 famílias acampadas por perto, no Acampamento Vitória.

     

    De forma repetida – outubro e dezembro de 2010, abril e maio de 2011 e, de novo, neste início de junho – um grupo de 8 pistoleiros armados, a serviço dos grileiros e madeireiros instalados na região, tem espalhado o terror entre essas famílias, dentro do assentamento e dentro do acampamento: incêndio de barracos, tiroteios noturnos, pessoas estranhas perambulando à noite com lanternas, ameaças de morte. Acionada, a Polícia Militar de Colinas (TO) foi até o local e encontrou evidências de tiroteio nas proximidades do acampamento.

     

    Informações recentes dão conta de que os pistoleiros estariam planejando a morte de 5 pessoas entre acampados e assentados.

     

    Apegados na promessa do Deus da Vida, nós bispos, informados da realidade desta dramática situação, cientes do descaso das autoridades que tornaram possível tal conflito, vimos manifestar nossa solidariedade com as famílias injustamente perseguidas. Afirmamos que são elas as legítimas destinatárias do Programa de assentamento. Apoiamos sua determinação em defender seus recursos naturais e florestais contra a cobiça da grilagem. Parabenizamos o evangélico serviço pastoral prestado às famílias pelos agentes da CPT, eles também em situação de risco.

     

    Confiantes na primazia da justiça e do direito, denunciamos a omissão das autoridades responsáveis: que sejam prontamente apuradas as atividades criminosas e incriminados seus perpetradores e instigadores; que seja imediatamente realizada a desintrusão dos grileiros instalados na área; que seja imediatamente efetivada a regularização do projeto de Assentamento Santo Antônio e que nele as famílias possam encontrar de fato o "bom sossego".

     

    Rezamos ao Deus da Vida, Deus de Jesus Cristo e Pai dos pobres, para que a terra que d’Ele recebemos torne-se realmente terra de irmãos.

     

    Assinam os bispos do Estado do Tocantins – Província Eclesiástica de Palmas: Arquidiocese de Palmas, dom Pedro Brito Guimarães; diocese de Tocantinópolis, dom Giovane Pereira de Melo; diocese de Miracema, dom Philip Dickmans; prelazia de Cristalândia, dom Rodolfo Luís Weber e diocese de Porto Nacional, dom Romualdo Matias Kujawski.

     

     

     

    Palmas, 9 de junho de 2011,

     

    25 anos do assassinato do Pe. Josimo Tavares, mártir da luta pela terra.

     

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  • 13/06/2011

    Cimi launches book on isolated indigenous peoples in the Amazon

    Who are the isolated indigenous peoples ? How many are there? Where are they and how do they live? What are the threats to them? Responses to these questions are found in the book "Isolated Indigenous Peoples in the Amazon – A struggle for survival" that the Indigenist Missionary Council (CIMI) and the Federal University of Amazonas will launch on Tuesday, June 14, in the office of the Attorney General in Brasilia (DF).

    Organized by Guenter Francisco Loebens and Lino João de Oliveira, the work is part of the series "New Anthropology of Amazonia", published by the Editora Universidade Federal do Amazonas (EDUA). It is the result of the active presence of social agents working with indigenous peoples and seeks to provide visibility to a reality little known  to Brazilians, let alone by people abroad: the life of the isolated indigenous peoples.

    Data from the publication reveal that circa 150 indigenous peoples live in situations of isolation worldwide, 127 of which are in South America. Of these, 90 are Brazil. One of the threats weighing over these peoples is the threat of their extinction. The Avá-Canoeiro group, for example, suffered a massacre in the late 1960s and their population was almost entirely decimated.

    The 366 page book is divided into two parts, the first containing 13 articles that provide a detailed overview of the reality of isolated people, revealing their struggle for survival in Brazil and in six other South American countries (Peru, Bolivia, Ecuador, Colombia , Venezuela and Paraguay). The four chapters of the second part present the culture of the Suruwaha people, of recent contact and their relationship with CIMI.

    Principal organizers of the publication will be present for the launch. Among them, Guenter Francisco Loebens, CIMI missionary in Regional Norte 1 of the CNBB (northern Amazonas and Roraima) and anthropologist Lino João Oliveira Neves. The Assistant Attorney General and coordinator of the 6th Chamber of the Ministério Público Federal (MPF) Dr. Deborah Duprat has also confirmed her attendance as have the representatives of the Avá-Canoeiro people.

     

    The publication will also be launched in Rondonia, tomorrow at 19:30, at the Casa de Formação das Irmãs Catequistas Franciscanas, on the Avenida Rio de Janeiro. The Rondônia launch will be attended by indigenous representatives from the states of the Brazilian Amazon and CIMI missionaries serving in the Western Amazônia, Mato Grosso, Rondônia and North I regional staff.

    "Isolated indigenous Peoples in the Amazon – A struggle for survival" may be purchased through CIMI by telephone:  (61) 2106-1650. The value is R$   30,- plus postal fees where applicable.

     

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  • 13/06/2011

    Cimi e Universidade Federal do Amazonas lançam livro sobre povos indígenas isolados na Amazônia

    O que são povos indígenas isolados? Quantos são? Onde estão e como vivem? Que ameaças pesam sobre eles? As respostas a estas perguntas estão no livro “Povos indígenas isolados na Amazônia – Uma luta pela sobrevivência”, que o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e a Universidade Federal do Amazonas lançam às 15h30 da próxima terça-feira, 14, na Procuradoria Geral da República, em Brasília (DF).

     

    Organizada por Guenter Francisco Loebens e Lino João de Oliveira, a obra faz parte da série “Nova Antropologia da Amazônia”, publicada pela Editora da Universidade Federal do Amazonas (EDUA). Ela é resultado da presença ativa de missionários do Cimi junto aos povos indígenas e quer dar visibilidade a uma realidade pouco conhecida dos brasileiros, que é a vida dos povos indígenas isolados.

     

    Dados da obra revelam que cerca de 150 povos indígenas vivem em situação de isolamento no mundo, dos quais 127 estão na América do Sul. Destes, 90 são do Brasil. Uma das ameaças que pairam sobre esses povos é sua extinção. O grupo Avá-Canoeiro, por exemplo, sofreu um massacre no final dos anos de 1960 e sua população foi dizimada quase na totalidade.

     

    Com 366 páginas e dividida em duas partes, a obra traz, na primeira parte, 13 artigos que desenham a realidade dos povos isolados, revelando sua luta por sobrevivência no Brasil e em mais seis países da América do Sul (Peru, Bolívia, Equador, Colômbia, Venezuela e Paraguai). Já a segunda parte, com quatro capítulos, apresenta a cultura do povo Suruwaha, de recente contato, e sua relação com o Cimi.

     

    O ato de lançamento do livro contará com a presença de seu organizadores, Guenter Francisco Loebens, missionário do Cimi no Regional Norte I (Amazônas e Roraima), e o antropólogo Lino João de Oliveira Neves.  A vice-procuradora geral da República e coordenadora da 6ª Câmara do Ministério Público Federal (MPF), Deborah Duprat, também já confirmou presença, além dos representantes do povo Avá-Canoeiro.

     

    A publicação também será lançada em Rondônia, amanhã, às 19h30, na Casa de Formação das Irmãs Catequistas Franciscanas, que fica na Avenida Rio de Janeiro nº 2452 bairro Mato Grosso. No estado, o lançamento contará com a presença de representantes dos povos indígenas dos estados da Amazônia brasileira e de missionários do Cimi que atuam nos regionais Amazônia Ocidental, Mato Grosso, Rondônia e Norte I.

     

    O livro “Povos indígenas isolados na Amazônia – Uma luta pela sobrevivência” pode ser adquirido junto ao Cimi pelo telefone (61) 2106-1650. O valor é de R$   30 mais taxa de envio.

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  • 13/06/2011

    Nota de falecimento, tristeza e indignação

    Higienização e genocídio praticado no município de Santa Maria, à luz da teoria lúgubre de Malthus

     

    Morreu ontem de noite no hospital universitário de Santa Maria o filho do Pajé do Acampamento Indígena Mbyá Guarani do Arenal, Marcelino Martins.

     

    A criança de apenas dois dias e sua mãe Suzana Benites tiveram que ser internadas no sábado, após passarem mal no acampamento em conseqüência do agravamento da saúde provocado pelo parto sem condições e pela pneumonia da mãe e do filho.

     

    O parto precoce foi provocado pela tosse e a febre da mãe que estava com pneumonia. A criança já nasceu com a mesma doença e por pouco não morre antes, o que provavelmente ocasionaria o óbito da genitora, também.

     

    O mais chocante de tudo isso, é que a mãe entrou em trabalho de parto sozinha, debaixo de um barraco de lona preta, em uma das noites mais frias do ano, sem água, sem luz, sem médico, sem parteira, com pneumonia, com febre, sem nunca ter acesso a atendimento ou qualquer outro serviço médico específico que possui por ser indígena.

     

    E o mais “bizarro” de tudo isso, já que se ultrapassou o conceito de “palhaçada”, pois agora temos uma criança morta, um pai desesperado e triste e uma mãe no Centro de Tratamento Intensivo do hospital de Caridade, é que esse povo guerreiro que forjou a identidade sulina;

     

    Apesar de viver de forma constante há mais de 1.500 anos nessa região;

     

    Apesar de ter sido responsável pela fundação e viabilização da cidade na primeira metade do século XIX;

     

    Apesar de viver no acampamento do Arenal a mais de 20 anos na mesma situação;

     

    Apesar de já ter convocado, através do MPF, todos os órgãos responsáveis pelo atendimento de seus direito para uma assembléia popular onde entregaram suas reivindicações históricas;

     

    Apesar de esses órgãos terem se comprometidos diante do Promotor Público senhor Harold Hoppe em atender as demandas emergenciais da comunidade;

     

    Há mais de um mês nada acontece!

     

    E essa população continua sem as mínimas condições humanas de viver no local onde vivem, continua tendo o seu acesso aos direitos universais mais elementares como educação, saúde, água, luz, moradia etc.; dificultados e na maioria das vezes negado pela sociedade local que os considera invisíveis.

     

    Enquanto isso… o Ministério Público que era quem, por força constitucional, deveria estar protegendo essa comunidade, apenas solicita informações, protela as decisões que deveriam ser tomadas, preocupa-se em desqualificar grupos como o GAPIN, centra sua ação em torno de discussões vazias como as que faz em relação ao que é artesanato indígena. Se eles podem vender bijuteria no centro etc.;

     

    …. A prefeitura municipal, a FUNAI, a SESAI, o Governo do Estado etc. e etc., além de soluções paliativas, apenas discutem de quem são as responsabilidades ou cobram informações uns dos outros e não se entendem, não tem uma política, não possuem um planejamento de suas ações e sequer possuem um cadastro atualizado da população que mora no local.

     

    A única política de Estado, que se percebe na cidade de santa Maria, há vinte anos no mínimo, em relação aos povos indígenas é a Malthusiana. Fundamentada na teoria lúgubre de Malthus.

     

    “Para eliminar-se uma comunidade, não precisa bombardeá-la. Basta lhes tirarmos, direitos básicos como saneamento, saúde, água, luz etc., e deixarmos que a natureza se encarregue do resto”.

     

    Isso é uma política clara de genocídio. Não é admissível que até agora não foi possível construir nem que fosse uma casa de madeira apenas, ou que não tenhamos ainda um agente de saúde indígena na comunidade, por exemplo.

     

    O que significa deixar uma população sabidamente com problemas nutricionais debaixo de lona com esse frio, sem água potável, sem luz, sem saneamento, sem acompanhamento adequado de uma equipe de saúde capacitada?

     

    O resultado foi rápido: duas crianças internadas com quadro grave de pneumonia e uma morte, além da mãe que continua na CTI do hospital, isso em apenas 40 dias, ou seja, a política está sendo aplicada com total sucesso. 

     

    GAPIN – Grupo de Apoio aos Povos Indígenas / Santa Maria – RS

     

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  • 13/06/2011

    Mais um guarani santamariense

    Mais um brasileiro

     

    Na gélida noite de ontem, 9 de junho, perto da 19h30, sem luz, sem água, sem parteira, embaixo da lona preta, veio ao mundo mais um brasileiro, mais um santamariense, da etnia Mbyá-Guarani. O neófito, ainda sem nome, veio com a tosse e por causa dela, herança de uma provável pneumonia da mãe, legado nosso. Não pôde esperar o Estado, sua mãe só teria uma consulta no dia seguinte. Nasceu com frio, aparado por sua tia. De quente, as lágrimas de sua mãe.

     

    Marcelino Martins e Suzana Benites, os pais, felizes e tristes ao mesmo tempo: a tradição do Povo manteria seu curso, mas na miséria deles, vislumbram um futuro sombrio para seu filho. Marcelino pensa isso enquanto fuma em silêncio o tabaco no petynguá, junto com seu cunhado o cacique Mariano Benites.

     

    Eles têm muito a oferecer, sua cultura, sabedoria milenar, seus nomes nas coisas, coisas com seus nomes. Mas não tem as coisas mínimas para sobreviver. Dos brancos, herdou a alcunha dos césares, na prática, um monte de inutilidades, nada mais. Ganharam o Dia do Índio, mas esqueceram do respeito.

     

    Sua Comunidade vive às margens da BR-392, em cima do barranco. “Não tem terra!” vociferam os não indígenas, onde todos sabem que tem. As autoridades não se entendem nas “competências”, onde o que impera é a incompetência. Luz? “Não pode!”. Mas a rede passa em cima do Acampamento… “Não pode! DNIT não deixa!”. Água? “Vamos ver, hora dessas, quem sabe…”.

     

    E o tempo vai passando. Aqui, neste acampamento, estão a cerca de vinte anos. Nessa cidade, antes dela, que ajudaram a levantar. Em 1809, Santa Maria da Boca do Monte (ainda povoado de Rio Pardo) contava com a população de 150 brancos, 35 escravos e 109 guarani. Lutaram séculos, sofreram um verdadeiro genocídio físico e cultural. Quase foram derrotados.  Hoje, suas crianças falam guarani, seus Karaí (pajés/médicos) conhecem os remédios da natureza, seu povo busca Nhanderú (Deus) na Casa de Reza, não espancam suas crianças, essas, entre si, não praticam o tal do bullying.

     

    Marcelino bate o petynguá para limpar as cinzas e coloca mais um pouco de tabaco. Dá uma baforada. Enquanto a fumaça se dissipa no ar, pede para que Nhanderú abra os corações dos brancos para a luz entrar. Para que eles percebam e assumam suas responsabilidades pela invasão do Brasil. Se é que eles ainda têm coração e lembram o que significa responsabilidade…

     

    GAPIN – Grupo de Apoio aos Povos Indígenas/SM

     

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  • 09/06/2011

    Quilombolas que ocupam o Incra no MA iniciam greve de fome e exigem a presença da ministra Maria do Rosário

    Na manhã de hoje, 9 de junho,  18 quilombolas e o coordenador da CPT no Maranhão, padre Inaldo, que desde o dia 3 ocupam a sede do Incra, em São Luís (MA), iniciaram uma greve de fome exigindo a presença da ministra dos direitos humanos, Maria do Rosário, para conversar sobre as ameaças de morte no estado e a constante violência contra os quilombolas. No dia de ontem os acampados atualizaram a lista dos ameaçados e o número a que chegaram é de 59 pessoas.  Nos últimos dias pelo menos duas lideranças quilombolas no estado sofreram tentativas de assassinato, Almirandi Madeira, vice-presidente do Quilombo do Charco e o líder quilombola, Francisco Chicó, do Quilombo Santana, no município de Santa Rita. O acampamento é denominado de Acampamento Negro Flaviano, em homenagem ao líder quilombola Flaviano Pinto Neto, da Comunidade Quilombola do Charco, município de São Vicente Ferrer, que foi assassinado no dia 30 de outubro de 2010.

    O Acampamento começou na madrugada do dia 1º de junho com uma salva de tambores, na praça Dom Pedro II onde estão as sedes do executivo e do judiciário maranhense. No acampamento estão presentes representantes de 40 comunidades quilombolas de todo o estado. Segundo os manifestantes, a superintendência maranhense do Incra não tem cumprido seu papel na resolução dos conflitos pela terra no estado – como também o governo do Maranhão e o Tribunal de Justiça. Só registrados pela Comissão Pastoral da Terra são 170 comunidades em conflito.

    As lideranças quilombolas exigem ser ouvidas pela Ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário Nunes já que o número de ameaçados cresce a cada dia.  Entre os ameaçados além de lideranças quilombolas estão padres, advogados e servidores do Incra.

    Maiores informações:

    Cristiane Passos (Assessoria de Comunicação CPT Nacional) – (62) 4008-6406 / 8111-2890

    Antônio Canuto (Assessoria de Comunicação CPT Nacional) – (62) 4008-6412

    www.cptnacional.org.br

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  • 09/06/2011

    Informe nº 967: Lideranças sofrem ameaça de morte em decorrência da luta contra Belo Monte

    Indígenas, ribeirinhos, camponeses, trabalhadores rurais e integrantes de movimentos sociais denunciam que estão sofrendo ameaças de morte por conta de sua atuação diante da luta contra Belo Monte. As intimidações têm sido realizadas, inclusive contra comunidades, mas de maneira mais veemente contra as lideranças indígenas que encabeçam o movimento contra a construção da hidrelétrica, prevista para ser instalada na região da Volta Grande do Xingu, no Pará.

     

    Com as ameaças recebidas, as lideranças estão encurraladas e nem mesmo podem sair de suas aldeias e comunidades. “Estou preso em minha própria aldeia”, fala um indígena. As investidas são decorrentes de uma situação conflituosa já existente na região, especialmente no que diz respeito aos povos indígenas e suas terras tradicionais. Situação que tem se agravado após a concessão da licença de instalação de Belo Monte pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em 1º de junho.

     

    Na área, vivem agricultores familiares, pescadores, extrativistas, comunidades tradicionais e povos indígenas, que há algum tempo já enfrentam uma situação fundiária delicada, na qual há ocupações não legalizadas, terras indígenas não demarcadas e/ou invadidas. As lideranças acreditam, contudo, que o conflito tende a se acirrar com a demarcação e desintrusão de terras indígenas, colocada como uma das condicionantes para a construção da hidrelétrica.

     

    “A demarcação é um direito que nós temos, por isso não consideramos como uma compensação para a instalação de Belo Monte. É dever da Funai e do governo brasileiro garantir nossa terra e, principalmente, nossa permanência na área”, declara uma liderança. Colocada como uma condicionante, a questão tem intensificado ainda mais os conflitos entre colonos e posseiros que vivem nesses territórios e as comunidades indígenas.

     

    Qualquer ação, entrevista ou fala contra a construção de Belo Monte já caracteriza a espera por uma ameaça. Lideranças relatam que recebem ligações com pessoas dizendo: ‘Tu vai morrer amanhã’. No entanto, eles reafirmam sua posição contrária a hidrelétrica, as condicionantes estabelecidas para construção da mesma – que são apenas medidas paliativas, e a postura autoritária e desrespeitosa dos órgãos governamentais, que apesar de todas as provas da inviabilidade técnica, econômica e social da hidrelétrica, emitiram parecer positivo e licença para instalação da obra.

     

    Exemplos da ineficiência e impactos desastrosos desses grandes empreendimentos não faltam. Greve de trabalhadores, conflitos, ameaças e intimidações, perseguições e assassinatos são apenas alguns dos problemas enfrentados pelas comunidades que vivem próximo a essas obras. Não faltam ainda registros relativos ao aumento de casos de prostituição e exploração sexual, inclusive de menores, altas taxas de alcoolismo, criminalidade e violência, bem como desemprego, falta de infra-estrutura e dificuldades em acessar serviços básicos de saúde e educação.

     

    A ocupação da usina hidrelétrica de Dardanelos, no município de Aripuanã, Mato Grosso, hoje pela manhã é mais um exemplo dos impactos e conflitos gerados pelas escolhas do governo federal em relação aos grandes empreendimentos, muitos dos quais, inclusive, que afetam diretamente diversas comunidades indígenas. Representantes do povo Arara e Cinta Larga estão no local, por tempo indeterminando, cobrando do governo que ele cumpra o que prometeu na época do licenciamento para construção da hidrelétrica.

     

    Como em Belo Monte e demais obras em curso, o governo determinou que condicionantes fossem cumpridas para que a hidrelétrica de Dardanelos saísse do papel, o que não aconteceu. Na usina em questão, por exemplo, os indígenas lutam pela promessa de incentivo à piscicultura e assistência às aldeias, além de compensações financeiras e socioambientais devido ao impacto da construção da usina na região.

     

    Em Belo Monte é a mesma promessa: melhoria na infra-estrutura, geração de emprego e aumento de renda, melhor qualidade de vida, construção de escolas e hospitais. Ledo engano. Em nenhuma obra já realizada isso aconteceu. Nas que estão em curso também não. Basta lembrar os conflitos passado em Rondônia com os trabalhadores da usina de Jirau.

     

    Para Cleber Buzatto, secretário adjunto do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Belo Monte não trará benefícios à população de Altamira e demais comunidades próximas ao empreendimento. “A construção dos grandes empreendimentos na Amazônia – que contam com a coordenação e o financiamento do governo brasileiro -, avaliza e potencializa a violação de direitos humanos, entre os quais ameaças e assassinatos de lideranças populares na região”.

     

    Todas as denúncias, de acordo com as lideranças indígenas, foram encaminhadas à Fundação Nacional do Índio (Funai), ficando esta responsável por levar as ameaças ao conhecimento da Polícia Federal.

     

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  • 09/06/2011

    Acampamento Indígena Ka’aguyrusu

    Distante oito quilômetros da cidade de Douradina, os Kaiowá Guarani da Terra Indígena Panambi, que vivem em apenas 300 hectares, voltam a um pedaço de sua terra tradicional. Aliás, terra demarcada desde 1970, e destinada aos indígenas, desde a criação da Colônia Nacional Agrícola de Dourados (CAND), em 1943.

    Esse é um dos exemplos clássicos de como não se quer resolver o problema das terras indígenas no Mato Grosso do Sul.  Tekohá com farta documentação histórica, com medidas administrativas de demarcação desde o final da década de 60, com novos estudos efetuados nos últimos anos, com relatório antropológico já entregue há dois anos, mas sem seus moradores originários o ocupando. Com isso, os Kaiowá Guarani que o reivindicam continuam confinados em uma pequena porção de terra.

    Único caminho

    Não tem outro nome senão omissão e lentidão da parte do governo federal, e ferrenha oposição por parte do governo estadual e do agronegócio. Essa é a real situação de uma das terras indígenas mais fartamente documentadas, conforme o Ministério Público Federal de Dourados, mas cuja devolução aos índios é um infinito calvário para os Kaiowá Guarani.

    É nesta conjuntura, que em fevereiro de 2007, aconteceu a primeira retomada. Laranjeira Nhanderu, às margens do rio Brilhante e depois da Br 163, é um dos exemplos clássicos dessa luta pela terra indígena. Em setembro do ano passado outro grupo retornou a um pedaço da terra de 2017 hectares demarcados. O acampamento Ita’y enfrentou forte pressão e violência por parte dos agricultores e fazendeiros, porém os Kaiowá Guarani permanecem no espaço da retomada desde o dia 27 de maio. Ali, está um grupo de 73 famílias, num total de 257 pessoas, entre eles diversos rezadores, nhanderu e nhandesi, professores indígenas e agentes de saúde. “Estamos aqui para que a terra seja demarcada o mais rápido possível. Estamos voltando para o que é nosso”, afirma Celso, um dos líderes do grupo. Eles já haviam retornado ao tekohá em 2005, porém, diante da violenta ação de fazendeiros, fizeram um acordo e retornaram aos 300 hectares de Lagoa Rica. “Aqui vamos ficar até a demarcação da nossa terra”, afirmam.

    Conforme documento da comunidade, entregue ao Cimi, o acordo que fizeram foi para que se realizasse logo o estudo antropológico.  E isso já foi feito, segundo o Ministério Público Federal. Porém o resultado do estudo, a publicação do laudo de identificação, até hoje não foi feito.  Solicitam apoio e solidariedade para a comunidade acampada na localidade de Guyrá Kambi’y, reconhecida como Ka’aguyrusu.

    Muita reza, ritual e solidariedade

    Entendem que sua força vem da raiz, da reza, da língua, da cultura, da resistência. Por isso, têm a certeza de que conquistarão seus direitos. Com um belo ritual, porahei, nos receberam e tiveram a palavra e compromisso de solidariedade do Conselho da Aty Guasu, instância articuladora do povo Kaiowá Guarani no Mato Grosso do Sul.

    Inúmeros barracos estão erguidos, e muitos esperando lona para abrigá-los do frio e das chuvas que estão chegando.

    Esperam contar com a solidariedade de todas as pessoas e instituições de boa vontade que, reconhecendo os direitos dos povos indígenas às suas terras, desejem contribuir para a solução dessa grave realidade o quanto antes.

    O desafio

    Enquanto a Polícia Federal qualifica a ação contra um ônibus de estudantes Terena, da Terra Indígena Cachoeirinha, de genocida, o desafio colocado é a urgente solução da questão fundiária com a demarcação das terras indígenas.

    No recente seminário promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre a questão da demarcação das terras indígenas no Mato Grosso do Sul, foi constituída uma Comissão para dar concretude às sugestões apresentadas. O caminho indicado foi a pronta conclusão das identificações das terras indígenas e o início da indenização dos proprietários com títulos de boa fé. Por que não começar a resolver as situações onde a responsabilidade dos títulos é de autoria do governo federal como na Colônia Agrícola Nacional de Dourados? Quem sabe o CNJ não convoque logo a Comissão e inicie seu trabalho nesta realidade… Quem sabe esse seja o grande desafio, a partir do qual possam surgir luzes para o restabelecimento da justiça e paz na região…

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