• 28/09/2011

    Indígena da comunidade de Y’poi é barbaramente assassinado no MS

    Teodoro Ricardi, 25 anos, foi atacado e espancado até a morte nesta terça-feira (27), às 19 horas, ao retornar da cidade de Paranhos, Mato Grosso do Sul (MS), para a comunidade de Y’poi.

     

    Conforme levantamento do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), dos 38 assassinatos de indígenas ocorridos durante este ano, 27 foram no MS. Ou seja, 71%. Em 2010, 53% dos assassinatos de indígenas ocorreram no Estado.

     

    Encontrado pelos familiares, Teodoro foi levado para sua casa no acampamento Y’poi, onde mora com sua esposa e cinco filhos, e faleceu horas depois em decorrência dos ferimentos.

     

    Os familiares afirmam que chegaram a tempo de ver os agressores e os reconheceram nos pistoleiros que diariamente fazem cerco a comunidade – da então chamada fazenda São Luiz em Paranhos.

     

    Y’poi: tortura, desaparecimento e assassinatos

     

    Teodoro Ricardi era primo de Genilvado Vera e Rolindo Vera, professores assassinados em agosto de 2009. O corpo de Genilvado foi encontrado 10 dias depois no riacho Y’poi, com marcas da tortura que sofreu antes ser morto. Já o corpo do professor Rolindo Vera até hoje não foi encontrado.

     

    Os familiares de Genivaldo e Rolindo Vera retornaram em agosto de 2010 para seu Tekoha Y’poi. Motivados, principalmente, pela busca do corpo de Rolindo.

     

    Segundo o próprio fazendeiro, em depoimento a Justiça, os Guaranis Nhandeva de Y’poi foram expulso há mais de 28 anos de seu Tekoha quando estes “trabalhavam” para o seu pai. Prova de que a ocupação é tradicional.

     

    Em novembro de 2010, a Justiça permitiu a permanência da comunidade em seu Tekoha até que a Fundação Nacional do Índio (Funai) conclua os estudos de identificação das terras Kaiowá Guarani, previsto no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) acordado com o Ministério Público Federal (MPF).

     

    No entanto, a comunidade é obrigada a conviver diariamente com pistoleiros que a cercam e com o isolamento já que somente a Funai e a Secretaria de Saúde Especial Indígena (Sesai) podem entrar na área, o que, às vezes, é sujeita a vontade do fazendeiro.

     

     

     

     

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  • 27/09/2011

    Bolívia: Nota de Repúdio à violência policia contra a Marcha Indígena em Defesa do TIPNIS

    Por Fórum Social Pan-Amazônico

     

    O Fórum Social Pan-Amazônico (FSPA), coletivo composto por mais de 50 organizações e movimentos sociais do Brasil, Peru, Estado Plurinacional de Equador, Estado Plurinacional de Bolívia, Colômbia, República Bolivariana da Venezuela, República Cooperativa da Guiana, Suriname e Guiana, repudia veementemente a violenta, covarde e brutal agressão que as forças policiais bolivianas cometeram contra os indígenas do Território Indígena Parque Nacional Isiboro Sécure (TIPNIS).

     

    Há mais de 40 dias estes indígenas encontram-se marchando em defesa de seu território, ameaçado pelo governo boliviano e pela empreiteira brasileira OAS, que querem construir uma rodovia que passará por dentro daquele parque sem o consentimento das comunidades que o habitam. A intenção dos manifestantes é ir de Trinidad até La Paz, exigir que o presidente Evo Morales escute as populações que serão impactadas.

     

    Não é de hoje que governos latino-americanos servem para implementar as agendas das grandes corporações, nacionais e internacionais, sem se preocupar com o que pensam ou sofrem os povos, em especial, os povos indígenas. Em nome de um desenvolvimento que já destruiu mais de um terço de todos os recursos naturais do planeta, destroem-se florestas, rios, vidas.

     

    Reafirmamos que o direito dos povos originários de manterem suas culturas, suas identidades e seus territórios é sagrado. Povos indígenas e quilombolas devem ter suas terras demarcadas e juntamente com as comunidades tradicionais ter reconhecidos seus direitos à autonomia e ao autogoverno sem que isto signifique separatismo ou cisão do território nacional. Isto significa que nenhum projeto pode ser implantado sem o prévio consentimento das comunidades que vivem nestes territórios. Somos contra mega-projetos que alteram a geografia, destroem o meio-ambiente, desalojam populações, afogam culturas, gerando miséria e sofrimento. Somos contra o agronegócio e modelos que exploram a terra com o intuito de lucro. Defendemos o direito inalienável de todos os seres humanos de viverem em paz, com saúde, educação, moradia e todas as garantias para desenvolverem plenamente suas potencialidades.

     

    O que aconteceu no dia 25 de setembro não pode ser de forma nenhuma aceito. Nada justifica a violência que irmãos e irmãs indígenas sofreram. Certamente todos os abusos e autoritarismos serão mundialmente denunciados.

     

    Exigimos que todas as mulheres e homens presos sejam imediatamente libertados. Que nenhum deles seja processado por ter se defendido dos violentos ataques que sofreram. Que nenhum deles seja criminalizado por lutar pela justiça, pela igualdade, por uma forma de viver que não leve ao fim do planeta.

     

    O FSPA está ao lado de todos aqueles que lutam por um TIPNIS livre da opressão e ganância do capital. Esta luta não pode e não deve ser interrompida.

     

    VIVA O TIPNIS LIVRE! VIVA A PAN-AMAZÔNIA LIVRE!

     

    Belém, 26 de setembro de 2011

     

    COMITÊ DE ARTICULAÇÃO DO FSPA

     

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  • 26/09/2011

    Povo Pataxó Hã-Hã-Hãe realiza manifestações na Funai e Praça Galdino para sensibilizar STF

    Renato Santana

    de Brasília

    Um dos atos públicos do povo Pataxó Hã-Hã-Hãe acontece na Praça Galdino hoje (27), às 16h, com ritual para lembrar a luta do indígena, queimado e morto em abril de 1997, enquanto reivindicava na Capital Federal a nulidade dos títulos imobiliários dos invasores das terras de seu povo, agora em pauta no Supremo Tribunal Federal (STF). “Os ministros do Supremo precisam levar em conta todo o nosso sofrimento, toda nossa dor”, disse a irmã de Galdino, Yaranwy Pataxó Hã-Hã-Hãe. 

     

     

    Mais de 100 indígenas do povo Pataxó Hã-Hã-Hãe estão em Brasília (DF) para atos públicos em defesa do território tradicional, localizado no sul da Bahia. As mobilizações ocorrem porque está em pauta no STF votação que trata da nulidade de títulos imobiliários dos invasores da Terra Indígena Caramuru – Catarina Paraguassu.

     

    Na última sexta-feira (23) foi incluída na pauta do STF a votação da ação. No entanto, foi retirada ontem (26). Ainda assim, ela deve ser votada nas próximas sessões da Corte do Supremo. Justamente por isso, as mobilizações não cessam na Capital Federal.

     

    Hoje (27) os indígenas irão à Fundação Nacional do Índio (Funai) – autora da ação a ser votada pelo STF –, por volta das 9h30, e na sequência farão reuniões com parlamentares e Advocacia Geral da União (AGU) para mostrar todo o histórico da luta pela Terra Indígena Caramuru. À tarde, por volta das 16 horas, realizam ritual indígena na Praça Galdino, na Asa Sul (703/704), e de lá seguem para vigília na porta do STF, que deve ir até perto das 22 horas.

     

    Em 2008, Eros Grau, relator do processo, recebeu os indígenas e seu voto foi pela nulidade dos títulos. Hoje está aposentado do STF, mas tanto o voto como a relatoria não perdem a validade. Segue na votação, conforme a pauta, a ministra Carmem Lúcia.

     

    Conforme relatou o ex-ministro, a perícia antropológica demonstrou a existência permanente de índios na região desde 1651. “O que atesta a identidade do povo Pataxó Hã-Hã-Hãe, bem como a ligação de seus integrantes à terra, que lhes foi usurpada”, de acordo com o texto.

     

    O relatório de Eros Grau salienta ainda que o argumento de que não é necessária a prova de que as terras foram de fato transferidas pelo Estado da Bahia à União ou aos índios, “ao fundamento de que disputa por terra indígena entre quem quer que seja e índios consubstancia, no Brasil, algo juridicamente impossível”. Considera, assim, que títulos oriundos de aquisição a non domino (aquilo que não é proveniente do dono) são nulos.

     

    Para os Pataxó Hã-Hã-Hãe fica a expectativa de que os demais membros da Corte, a começar por Carmem Lúcia, se pronunciem e votem conforme o relatório do ex-ministro Eros Grau.

     

    Sofrimento e dor

     

    “A luta do meu povo, há quase 30 anos (o processo corre desde 1982), é pela nulidade dos títulos. Antônio Carlos Magalhães (governou do Estado da Bahia por três vezes, sendo duas vezes nomeado pela ditadura militar – 1964-1985) deu títulos aos fazendeiros invasores mesmo com a área indígena demarcada e homologada”, aponta a cacique Ilza Pataxó Hã-Hã-Hãe.

     

    Desde que o processo foi aberto, cerca de 30 lideranças do povo da cacique foram assassinadas sem a punição de nenhum dos executores ou mandantes das mortes. Yaranwy Pataxó Hã-Hã-Hãe é irmã de Galdino, queimado numa parada de ônibus em Brasília (DF) enquanto lutava pelas terras de seu povo junto ao governo e STF. Cinco garotos de classe média alta atearam fogo em Galdino na madrugada de 20 de abril de 1997, horas depois dos protestos do Dia do Índio.

     

    “O STF precisa levar em conta todo nosso sofrimento, toda nossa dor”, diz Yaranwy. Para ela, caso o Supremo vote pela manutenção dos títulos estará dando um prêmio aos invasores de terras indígenas, aos assassinos das lideranças do povo Pataxó Hã-Hã-Hãe e se esquecendo da memória de Galdino. 

     

    Outros povos indígenas, como os Tupinambá da Serra do Padeiro, também da Bahia, mandaram representantes como apoio aos Pataxó Hã-Hã-Hãe. “As lutas pela terra são de todos os povos e os assassinatos ocorrem em todo país”, frisa o Cacique Babau.

     

    Rosane Kaingang, da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), disse que “espera da Corte do STF faça justiça e os ministros votem pela nulidade dos títulos. Estamos ao lado dos Pataxó nesse momento, assim como de todos os povos que lutam pela terra”.

     

    Histórico

     

    Galdino Pataxó Hã-Hã-Hãe estava em Brasília (DF) em luta pelas terras originárias de seu povo quando foi queimado e morto, na madrugada de 20 de abril de 1997, por cinco garotos de classe média alta – um deles filho de juiz federal. O assassinato chocou a opinião pública e mostrou ao mundo a situação social a que estavam expostos os índios brasileiros.

     

    Na ocasião, o indígena travava intenso diálogo com o Judiciário por conta de ação envolvendo a retirada dos latifundiários invasores do território originário e que desde 1982 estava parada, sem decisão. 

     

    Quase 15 anos depois, parentes de Galdino ainda brigam pela finalização da mesma ação cuja autoria é da Funai e trata da nulidade de títulos imobiliários dos invasores da Terra Indígena Caramuru – Catarina Paraguassu, nos municípios de Camacã, Pau Brasil e Itajú do Colônia, sul da Bahia. 

     

    A causa do povo Pataxó Hã-Hã-Hãe, incluída na pauta de reivindicações do acampamento da Jornada Nacional de Lutas da Via Campesina e da Assembleia Popular, instalada em Brasília na segunda quinzena de agosto, é para que os ministros do STF votem pela anulação dos títulos e que os invasores sejam retirados do território.

     

    “Quem doou esses títulos tinha muito poder político”, conta o cacique Nailton Pataxó Hã-Hã-Hãe. Durante todo o século XX e início do XXI os interesses políticos fatiaram a área, então Reserva Caramuru, em latifúndios e pequenas propriedades, através de arrendamentos e títulos.

     

    Desde o Serviço de Proteção ao Índio (SPI) – órgão substituído pela Funai – ao Governo da Bahia, num período de quase 100 anos, desrespeitaram não apenas o território originário como também decisões do próprio Estado sobre a posse dos indígenas das terras.

     

    Arrendamento: tragédia estatal

     

    Recentes descobertas arqueológicas apontam para a presença indígena no território há, no mínimo, 620 anos – conforme aplicação de Carbono 14 em urna funerária descoberta na área da Reserva Caramuru. No entanto, o artefato apenas ressalta conclusões a que o Estado chegou ao início do século XX, por intermédio de um decreto de 20 de março de 1926.

     

    Na ocasião o Governo da Bahia destinou 50 léguas quadradas – mais de 240 mil hectares – para a preservação de recursos florestais e para a proteção de índios Pataxó, Tupinambá e demais etnias lá encontradas. Apenas dez anos depois, em 1936, ocorreu a medição da área, já definida.

     

    Tem início então uma sucessão de irregularidades, massacre de índios e roubo de território que perduram até os dias de hoje; o SPI passa a arrendar parte das terras destinadas aos indígenas. Além disso, outros invasores passam a invadir as terras.

     

    Os povos originários esboçam resistência e conflitos são registrados. Ao final de um período que passou pelas décadas de 1930, 1940, 1950 e 1960, boa parte dos índios foram expulsos – sobretudo pelo medo da morte que atingira centenas deles – e outros permaneceram nas terras ocupadas tradicionalmente, mas em situação análoga a escravidão em serviços nos latifúndios dos invasores.

     

    “Não podíamos nos assumir como índios. Quem assim fazia corria o risco de ser morto pelos invasores. Eles nos proibiam. Cresci sem poder me assumir como índia porque meus pais também não se assumiam. Éramos como escravos”, lembra Laura Pataxó Hã-Hã-Hãe. Acima dos 70 anos, a indígena afirma que a família sempre viveu nas áreas que compreendem o território.

     

    Durante este processo, o governo baiano passa a emitir títulos imobiliários para os invasores do Território Indígena sob a alegação de que lá não viviam mais índios. O procedimento ocorreu até a década de 1980 – investigações, apresentadas na ação da Funai, constataram títulos imobiliários do Estado da Bahia.

     

    Retomada: direito constitucional     

     

    Quando a área foi medida e definida pelo Estado vigorava a Constituição de 1934, cujo artigo 129 dizia: “Será respeitada a posse de terras aos silvícolas que nelas se achem permanentemente localizados, sendo-lhes, no entanto, vedado aliená-las”. Não foi assim que ocorreu e os indígenas expulsos se fixaram em cidades próximas a reserva ou partiram para Minas Gerais e São Paulo.

     

    Nas cartas constitucionais posteriores a elaborada em 1934 (1937, 1946, 1967/69 e 1988) o dispositivo é mantido. Atrás do direito originário e legal, em 1975, um grupo de indígenas se reúne para organizar a retomada. Até que no Dia do Índio de 1982 o movimento ocorre e os Pataxó Hã-Hã-Hãe voltam para suas terras.

     

    A diversidade de povos é característica inerente ao território tradicional Pataxó Hã-Hã-Hãe. Lá viviam os Pataxó, os Baenã, Sapuyá, os Kariri, os Kamakã e os Tupinambá. Todos convivem até hoje no território e apesar de reconhecerem suas etnias individuais, os indígenas se denominam Pataxó Hã-Hã-Hãe. “Eu e minha família somos Kariri Sapuyá, mas a luta pela terra é dos Pataxó Hã-Hã-Hãe. A colonização e o que sofremos depois determinou isso”, frisa a cacique Ilza.

     

    O fato é que as tais 55 léguas quadradas estipuladas em 1926 se diluíram no caminhar da história e chegam a 1982 estipuladas em 54.105 mil hectares e deixa de ser reserva para se tornar Território Indígena Caramuru – Catarina Paraguassu, adequando-se à nova categoria estabelecida pela Constituição de 1988. Do total de hectares, três mil indígenas vivem hoje em menos da metade do território estipulado. 

     

    “Só permanecem na área os grandes latifundiários invasores. Os pequenos saíram todos e são esses que ficaram os mais poderosos, amigos ou parentes de políticos, que nos ameaçam de todas as formas”, diz cacique Gerson.

     

    Retirada dos invasores: próximo passo   

     

    Os invasores desqualificam o relatório antropológico, ou qualquer outra prova, que ateste a ocupação tradicional e define a identificação e delimitação da área. Alegam que os índios nunca o ocuparam com “permanência efetiva” e que a posse nunca teve continuidade.

     

    “Fomos expulsos, assassinados e escravizados. Até hoje qualquer movimentação nossa a polícia aparece com helicópteros, os pistoleiros agem”, ataca cacique Nailton. Outro argumento usado pelos invasores é que o Estado da Bahia arrendou terras pela ausência dos índios e por isso considerou o território devoluto.

     

    O STF, onde tramita a ação, pediu quatro perícias antropológicas. A última delas desconstrói todos os argumentos: os índios lá estão desde 1651; a presença dos Pataxó Hã-Hã-Hãe sempre foi permanente e secular em um território delimitado e claramente reconhecido – não eram nômades; tal vivência na terra nunca se interrompeu: mesmo com a crueldade dos invasores, muitos indígenas permaneceram na mata ou nas fazendas. 

     

    No STF, o julgamento da ação já começou e o relator do processo, o ex-ministro Eros Grau, entendeu que os índios estavam presentes na área muito antes da Constituição de 1967/69 e, portanto, votou pela nulidade dos títulos dos invasores. O julgamento será retomado em breve – com a apresentação do voto da ministra Carmem Lucia. Tinha sido interrompido por um pedido de vistas. O povo Pataxó Hã-Hã-Hãe agora espera que os ministros acompanhem o raciocínio de Eros Grau – mesmo que este já tenha se aposentado.

     

    “É um desejo que temos ter a nossa terra de volta, sem nenhum invasor dentro ameaçando a comunidade e o futuro de nosso povo. Queremos sensibilizar os ministros, a sociedade. É um direito nosso e muitos já morreram nessa luta”, frisa cacique Nailton.

     

    Terra: o cuidar indígena 

     

    O espaço é curto: 18 mil hectares frente aos 54 de direito. E é nesse pedaço diminuto do território que os Pataxó Hã-Hã-Hãe plantam um leque amplo e diversificado de gêneros alimentícios – sem o uso de agrotóxicos – e tiram diariamente 10 mil litros de leite, além de carne e cacau. Os invasores apostam na monocultura e no modelo do agronegócio.

     

    “Doamos dois caminhões com legumes e frutas diários para o município de Pau Brasil. A cidade se transformou depois que os índios voltaram. Tanto que elegemos vereadores e recebemos grande apoio da sociedade”, destaca cacique Gerson.

     

    A capacidade de produção dos indígenas é tamanha que fazem parte do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), do Governo Federal, que escoa a produção da pequena agricultura. É da terra, portanto, que os Pataxó Hã-Hã- Hãe garantem a vida e o projeto de futuro.

     

    Futuro, esse, que já é moldado por quem será liderança do povo. Caso de Aritana Pataxó Hã-Hã-Hãe. Seu pai, Goducha, era uma importante liderança quando morreu, em março deste ano, vítima da desassistência médica que assola povos indígenas no Brasil inteiro. “Desde criança acompanho retomadas e pretendo seguir na luta de meu pai e de meu povo”, diz.

     

     

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  • 23/09/2011

    ALERTA GERAL – JULGAMENTO DA ACO 312 (Pataxó Hã-Hã-Hãe) QUARTA-FEIRA 28 DE SETEMBRO

    O Supremo Tribunal Federal marcou para a próxima quarta-feira, dia 28 de setembro, a continuidade do julgamento da Ação Cível Originária da Reserva Indígena Caramuru – Catarina Paraguassu, no Sul da Bahia, terras tradicionais dos Pataxó Hã-Hã-Hãe.

     

    Imprescindível intensificar todo tipo de manifestação popular/entidades/articulações em favor dos índios Pataxó Hã-Hã-Hãe nos próximos dias, para dar visibilidade nas mídias, obter manifestações junto aos ministros do STF por fax, emails e telefones que seguem abaixo.

     

    Sugestão de mensagem aos Ministros do STF:

     

    Excelentíssima Senhora Ministra,

    Excelentíssimo Senhor Ministro,

     

    O drama do povo Pataxó Hã-Hã-Hãe ganhou repercussão nacional e internacional quando, na madrugada do dia 20 de abril de 1997, o índio Galdino Jesus dos Santos, que dormia num ponto de ônibus no centro de Brasília, teve seu corpo incendiado por cinco jovens da classe-média brasiliense. Galdino buscava em Brasília apoio para as reivindicações de recuperação do seu território tradicional, a Terra Indígena Caramuru – Catarina Paraguassú, no sul da Bahia. Galdino é um dos trinta Pataxó Hã-Hã-Hãe assassinados na luta pela recuperação de suas terras.

    No próximo dia 28 está marcada a continuidade do julgamento da ACO 312, ação na qual a Funai pede a nulidade dos títulos de propriedade de não-índios sobrepostos à Reserva Indígena, demarcada em 1938. A maioria desses títulos foi concedida pelo estado da Bahia durante a gestão de Antonio Carlos Magalhães, nos anos 70.

    Por uma questão de Justiça solicito vossa especial atenção para a efetivação dos direitos do povo Pataxó Hã-Hã-Hãe, garantindo a integridade de suas terras tradicionais e pondo termo ao lamentável histórico de violências e massacres que este povo vem sofrendo desde os primeiros contatos com a sociedade não-indígena.

    Respeitosamente,

     

    (nome, RG ou CPF, endereço)

     

    Enviar mensagens para:

     

    Ministro Presidente

    Cezar Peluso

    Telefone: 55+ (61) 3217-4191     

    Telefone2: 55+ (61) 3217-4200     

    Fax: 55+ (61) 3217-4219     

    Email:  [email protected]

    Ministro Vice-Presidente

    Ayres Britto

    Telefone: 55+ (61) 3217-4311     

    Telefone2: 55+ (61) 3217-4312  [4314]

    Fax: 55+ (61) 3217-4339     

    Email:  [email protected]

    Ministra

    Cármen Lúcia Antunes Rocha

    Chefe de Gabinete: Eduardo Silva Toledo

    Telefone: 55+ (61) 3217-4348     

    Telefone2: 55+ (61) 3217-4360     

    Fax: 55+ (61) 3217-4369     

    Email:  [email protected]

    Ministro

    Celso de Mello

    Telefone: 55+  (61) 3217-4077     

    Fax: 55+ (61) 3217-4099     

    Email:  [email protected]

    Ministro

    Marco Aurélio

    Telefone: 55+ (61) 3217-4281     

    Telefone2: 55+ (61) 3217-4282     

    Fax: 55+ (61) 3217-4309     

    Email:  [email protected]

    Ministro

    Gilmar Mendes

    Telefone: 55+ (61) 3217-4175     

    Telefone2: 55+ (61) 3217-4161     

    Fax: 55+ (61) 3217-4189     

    Email: [email protected]

    Ministro

    Joaquim Barbosa

    Telefone: 55+  (61) 3217-4131     

    Telefone2: 55+ (61) 3217-4133     

    Fax: 55+ (61) 3217-4159     

    Email:  [email protected]

    Ministro

    Ricardo Lewandowski

    Telefone: 55+ (61) 3217-4259     

    Fax: 55+ (61) 3217-4279     

    Email:  [email protected]

    Ministro Dias Toffoli

    Telefone: 55+ (61) 3217-4102     

    Telefone2: 55+ (61) 3217-4104       [4708]

    Fax: 55+ (61) 3217-4711     

    Email:  [email protected]

    Ministro

    Luiz Fux

    Telefone: 55+ (61) 3217-4387     

    Telefone2: 55+ (61) 3217-4371     

    Fax: 55+ (61) 3217-4399     

    Email:  [email protected]

     

    Resumo para memória:

     

    Na ação (ACO 312), a Funai pede que os títulos de propriedade incidentes sobre a Reserva Indígena sejam declarados nulos – ou seja, percam totalmente sua validade. Apesar de quatro perícias da Funai já terem confirmado a presença e a ocupação dos indígenas em suas terras desde pelo menos 1650, os ocupantes não-indígenas contestam a ação e se tratar de terras de propriedade da União. O Ministério Público Federal opinou a favor da nulidade dos títulos de propriedade concedidos aos não-indígenas em abril de 2001.

     

    O julgamento da ACO 312 já começou. Segundo o relator do processo, Ministro Eros Grau, “não há títulos de propriedade válidos no interior da reserva, anteriores à vigência da Constituição Federal de 1967”, que é a Constituição de referência para o caso, pois estava valendo no momento em que a ACO 312 chegou ao STF, em 1982.

     

    O artigo 186 daquela Carta considerava as terras ocupadas tradicionalmente pelos indígenas como sendo de domínio da União, para usufruto dos índios, além de declarar a nulidade de qualquer título de propriedade de terra localizada dentro da área.

     

    O ministro Eros Grau concluiu que os índios estavam presentes na região desde muito antes da Constituição de 1967: “Abrange toda a área habitada, utilizada para o sustento do índio, necessária à preservação de sua identidade cultural”, e votou pela procedência da ação (a favor dos indígenas), “para declarar a nulidade de todos os títulos de propriedade cujas respectivas glebas estejam localizadas dentro da área da reserva indígena Caramuru-Catarina Paraguaçu”.

     

    O julgamento foi interrompido por um pedido de vista e está pautado para ser reiniciado no próximo dia 28.

     

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  • 22/09/2011

    Informe nº 982: Despejo paira sobre Laranjeira Nhanderu mais uma vez

    Pela terceira vez, a comunidade Laranjeira Nhanderu do povo Guarani-Kaiowá, no Mato Grosso do Sul (MS), está ameaçada por um despejo de sua terra ancestral. O juiz local determinou a reintegração de posse, nesta última quarta-feira (21), ao suposto proprietário da área. Existia a esperança que o despejo pudesse ser evitado, mas os dois pedidos de anulação da reintegração de posse foram negados.

     

    Solidariedade e resistência

     

    Uma caravana com membros de várias entidades sociais foi visitar a comunidade, para prestar solidariedade nestes momentos difíceis. Foram lá, a equipe do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), representantes da Comissão Pastoral da Terra, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), sindicatos e advogados entre outros. Encontraram a comunidade apreensiva e emocionada, com o terceiro despejo pairando sobre ela. Ao mesmo tempo, a comunidade decidiu resistir a qualquer tentativa de despejo, porque de lá não querem sair mais.

     

    O suposto proprietário até tentou impedir a visita, mas não conseguiu. O fazendeiro tem intimidado constantemente a comunidade desde a retomada, apesar de a aldeia não atrapalhar as atividades da fazenda.

     

    Futuro incerto

     

    Apesar da data determinada, o despejo da comunidade de mais ou menos 120 pessoas não ocorreu. Isso porque o juiz determinou que a Funai efetuasse o despejo, em vez da polícia. Não está claro quando ou como a Funai vai atender a essa determinação. Até lá, o futuro da comunidade está incerto. Entretanto, os indígenas e os movimentos avaliam a possibilidade de recorrer das decisões para evitar o despejo.

     

    Caso ocorra o despejo, para onde vai a comunidade?

     

    O terreno oferecido pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), para onde pretendem jogar os indígenas é insalubre e ao lado da cidade – trazendo o fantasma do alcoolismo e dos conflitos com a sociedade envolvente.

     

    As condições são desumanas. O barulho, a poeira e o perigo criado pela intensa movimentação na BR, além das constantes inundações, o confinamento e a falta de terra para cultivo de alimentos.

     

    Por outro lado, a intenção é clara de permutar o território de ocupação tradicional dos Kaiowá com uma área que não é sequer indígena. No mais, como pode o DNIT decidir alguma coisa sobre povos indígenas?   

     

    As condições na atual aldeia, localizada num pedaço de floresta local, dentro do latifúndio criado pelo invasor, são muito melhores. Longe do vai-e-vem da estrada, as famílias têm espaço para suas casas, há água de boa qualidade e algumas famílias já preparavam pequenas roças e criação de bichos.

     

    Em vez de anunciar e preparar mais um despejo, a Funai deveria publicar o relatório de demarcação das terras Guarani-Kaiowá. Segundo o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado pela Funai em 2007, esse relatório deveria ter sido publicado em 2009.

     

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  • 21/09/2011

    Mulheres indígenas de três estados se reúnem no território Xakriabá

    Cerca de 450 mulheres indígenas dos povos Xakriabá, Tupinambá, Pataxó, Pataxó Hã-Hã-Hãe, Tupiniquim, Pataxó de Minas, Aranã, Maxakali, Tuxá e Pankararú dos estados da Bahia, Espirito Santo e de Minas Gerais participam do III Encontro de Mulheres Indígenas do Leste. O evento acontece entre amanhã (22) e domingo (25) na aldeia Barreiro Preto, Território Xakriabá, no município de São João das Missões.

     

    A coordenação do encontro está a cargo da Comissão de Organização de Mulheres Indígenas do Leste (Comil) e povo Xakriabá. Além das mulheres indígenas, participam do encontro quilombolas, pescadoras, vazanteiras, trabalhadoras rurais, grupo de mulheres do cerrado e movimento de mulheres da cidade.

     

    O objetivo do evento é intensificar o processo de formação política das mulheres indígenas, na luta pela terra, na busca de alternativas econômicas e sustentáveis; fortalecer a alianças entre mulheres indígenas e outros povos tradicionais, a fim de potencializar o protagonismo das mulheres, na construção de um “Bem viver” para todos os povos.

     

    Célia Xakriabá, jovem indígena da equipe de coordenação geral, afirma que a vontade de mudança tem sido um importante estímulo para as mulheres indígenas. Elas têm ocupado espaços importantes, mas ainda é um grande desafio fortalecer o movimento das mulheres como um todo.

     

    “Acreditamos que o III Encontro de Mulheres Indígenas será mais um elemento na busca e garantia dos direitos e de unificação das lutas de todas as mulheres, indígenas, quilombolas, pescadoras, vazanteiras e trabalhadoras rurais, além de ocupar de forma definitiva espaço nos fóruns de decisões no movimento indígena e das políticas públicas brasileiras”, afirma.

     

    Segundo Nilton Santos Seixas, da coordenação do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) Regional Leste – norte de Minas, Espírito Santo e sul da Bahia, as organizações de mulheres indígenas começam a tomar força a partir de 1995 com a saída das mulheres do espaço interno das aldeias, para intercâmbios de experiências e convivências com outros povos e outros movimentos de mulheres do campo e da cidade.

     

    A programação do encontro prevê oficinas em cinco aldeias do território Xakriabá, onde os temas debatidos estarão articulados com experiências práticas. Os temas abordados serão: luta pela igualdade e autonomia das mulheres, ervas medicinais e tradicionalidade indígena, sustentabilidade ambiental, econômica e Social e política indigenista e políticas públicas com enfoque nos grande projetos.

     

    “Estamos chegando para juntar as forças, chegando para construir, chegando para prossegui”. Embalada por esta música cantada pelas indígenas em seus momentos de articulação, a Comil afirma que seguirão lutando pela melhoria da qualidade de vida das mulheres e seus povos.

     

    Serviço:

    O quê: III Encontro de Mulheres Indígenas do Leste

    Data: 22 a 25 de setembro

    Local: Reserva Indígena Xakribá

    Cidade: São João das Missões

     

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  • 21/09/2011

    Diocese de Balsas lembra o 5º ano do falecimento de dom Franco Masserdotti

    O 5º aniversário do falecimento de dom Franco Masserdotti foi lembrado pela diocese de Balsas (MA) durante sua 5ª Romaria Vocacional que leva o nome do bispo que foi vítima de um acidente na rodovia federal BR-222 no dia 17 de setembro de 2006.

    A Romaria, que teve início às 5h do último sábado, 17, às margens da rodovia, sentido ao município de São Raimundo das Mangabeiras, próximo ao Rio cachoeira, contou com a celebração eucarística presidida pelo bispo diocesano de Balsas, dom Enemésio Ângelo Lazzaris, além de centenas de pessoas e de familiares e amigos de dom Franco que vieram da Itália.

    Os romeiros seguiram em macha até o local do acidente onde se deu por encerrada a celebração da missa com um café comunitário partilhado pelos participantes.

    Biografia
    No último mês de junho dom Franco também foi homenageado com um livro intitulado "De braços abertos". A publicação apresenta a vida do bispo e seu ministério como pastor da Igreja. O livro foi escrito por um missionário comboniano com o objetivo de popularizar a memória de dom Franco Masserdotti, entre amigos e o público italiano. O autor prefere manter o anonimato, usando o pseudônimo ‘Pedro Terena Macuxi’.

    A Comunidade comboniana de Brescia, terra natal de dom Franco, coloca a disposição, sem reservas de direitos de propriedade, esta pequena obra, multiplicando a generosidade do bispo.

    A edição em português, mesmo procurando ser fiel ao original e ao pensamento do autor, foi adaptada ao público brasileiro pela linguagem e contextualização. Os leitores encontrarão na pequena biografia preciosas informações para se aproximar da personalidade envolvente de dom Franco. O prefácio é de dom Pedro Casaldáliga.

    O bispo da diocese de Coroatá (MA), dom Sebastião Bandeira, filho da diocese de Balsas, que teve a graça de ser ordenado bispo por dom Franco, diz que ele "foi um dos bispos que marcou a história do Brasil, por sua capacidade de viver o respeito pela pessoa do outro, pela sua profunda experiência de Deus libertador, o Deus misericordioso que abraça a todos e a todas e pela sua profunda paixão pelos mais empobrecidos, entre os quais os povos indígenas a quem dom Franco dedicou grande parte da sua vida"; acrescenta ainda que vale a pena adquirir o livro, pois o mesmo "apresenta um sinal profético de Deus para seu povo e mostra a história um Bispo apaixonado por Deus, pelo povo e pela Igreja de Balsas", completou dom Sebastião.

    Ordenado bispo em 2 de março de 1996, assumiu a diocese de Balsas no dia 15 de abril de 1998. Nasceu na Brescia, Itália, e estudou filosofia e teologia na sua terra natal. Como bispo foi responsável pela dimensão missionária do Regional Nordeste 5, presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e da Comissão Episcopal de Missões, hoje Comissão Episcopal para a Animação Missionária e Cooperação Intereclesial da CNBB, além de responsável pela Missão Ad Gentes no Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam). É autor do livro "A missão a serviço do Reino" publicado pela Paulus em 1996 e alguns opúsculos de animação missionária. Seu lema episcopal era "Para que tenham vida"

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  • 21/09/2011

    MPF/MA recebe denúncia de violência por madeireiros contra os Awá-Guajá

    Representantes do Conselho Indígena Missionário (Cimi) e indígenas da etnia Awá- Guajá, da Terra Indígena Caru, localizada no município de Bom Jardim (MA), se reuniram com o procurador da República Alexandre Silva Soares, nesta terça-feira (20), na sede da Procuradoria da República no Maranhão (PR/MA), para reafirmar que os índios continuam sofrendo ameaças por parte de madeireiros que estão ocupando o território indígena.

    Participaram da reunião, além dos indígenas, o procurador da República, juntamente com as representantes do Cimi, Rosimere Diniz e Madalena Borges e os advogados Diogo Cabral e Igor Almeida, representante da Comissão de Direitos Humanos da OAB e da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos.

    As representantes do Cimi afirmaram que a Fundação Nacional do Índio (Funai) está sendo omissa em relação às denúncias e alega que não tem condições de manter uma fiscalização permanente no local por falta de recursos.

    O procurador ressaltou a importância da presença da Funai na região e afirmou que é papel da entidade garantir a segurança e a manutenção do espaço de vida dos índios.

    Ele atentou, também, para o problema do desmatamento praticado pelos madeireiros, que afeta sensivelmente os meios de sobrevivência dos índios. Com relação a esse ponto, o MPF frisou que já existem ações judiciais contra os infratores, mas que irá ressaltar à Funai e ao Ibama a necessidade de presença permanente dos órgãos de fiscalização.

    Ainda segundo o procurador, as investigações quanto ao fato agora denunciado estão em fase inicial, e muitos pontos ainda não podem ser divulgados para a imprensa. Entretanto, afirmou que o Ministério Público Federal (MPF) já está cobrando ações de fiscalização intensiva por parte da Funai, além de providências de segurança por parte do governo federal para garantir a preservação dos índios Awá-Guajá.

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  • 21/09/2011

    Seminário Mundial Contra Belo Monte: a resposta ao chamado

    Por Dion Monteiro, de Belém/PA

     

    Em um belo e simbólico ato realizado no auditório “Curumim”, na sede da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Belém (PA), foi lançado ontem (20) o Seminário Mundial “Territórios, ambiente e desenvolvimento na Amazônia: a luta contra os grandes projetos hidrelétricos na bacia do Xingu”.

     

    Este seminário atende a um chamado. Chamado dos povos do Xingu que querem saber o que realmente acontecerá com suas vidas, com a vida da floresta, com a vida do rio, caso a Usina Hidrelétrica de Belo Monte seja construída.

     

    Na mesa do ato de lançamento estavam presentes representantes de importantes organizações. O senhor João Alberto, de Altamira, representando o Movimento de Pescadores do Xingu foi o primeiro a falar, relatando a situação de preocupação, angústias e incertezas que hoje vivem mais de 10 mil famílias de sua região. Famílias que dependem diretamente da pesca no rio Xingu para a sobrevivência.

     

    Ao final de sua fala o senhor João Alberto fez um emocionado e comovente chamado, convidando as pessoas do mundo todo a se solidarizarem com os pescadores e povos do Xingu na luta em defesa da floresta, do rio e da vida.

     

    A mesa também esteve composta pelo padre Paulo Joanil da Silva (padre Paulinho), representando a Comissão Pastoral da Terra (CPT), por Luiz Claudio Brito do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), por Cedício de Vasconcellos da Central Sindical Unidos pra Lutar, por Benedito Tavares da Central Sindical e Popular CSP Conlutas, e por Marco Mota do Comitê Xingu Vivo.

     

    No encerramento do evento os representantes de todas as organizações, movimentos sociais e fóruns presentes afirmaram estar, naquele exato momento, atendendo ao chamado dos pescadores e dos povos do Xingu, somando-se a estes na construção do seminário mundial, inclusive comprometendo-se a chamar outros grupos e entidades para também somarem-se formalmente a este processo.

     

    O seminário mundial “Territórios, ambiente e desenvolvimento na Amazônia: a luta contra os grandes projetos hidrelétricos na bacia do Xingu” será realizado de 25 a 27 de outubro de 2011, na cidade de Altamira/PA, local onde o governo brasileiro pretende construir a 3ª maior hidrelétrica do mundo.

    Espera-se a participação de trabalhadores, estudantes, pesquisadores e ativistas de dezenas de países neste seminário. Basta lembrar que por ocasião dos Atos Mundiais contra Belo Monte, ocorridos entre os dias 20 e 22 de agosto, 36 cidades de 19 países de todos os continentes realizaram manifestações contra a construção desta usina.

     

    Brevemente será divulgada a forma de inscrição, alojamento, programação do Seminário Mundial contra Belo Monte, bem como outras informações importantes. Porém, fica desde já o convite para todos aqueles que querem discutir de forma crítica este projeto a estar na cidade de Altamira no final do mês de outubro.

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  • 21/09/2011

    Monoculturas de árvores se opõem frontalmente com o cuidado pela terra

    Brasília, 21 de setembro – No Dia Internacional Contra o Monocultivo de Árvores, a Via Campesina e a Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais entregaram uma carta a representantes do Banco Mundial afirmando que é inconcebível que o Banco Mundial assuma que plantações de árvores são florestas e também que o projeto Plantar não pode ser considerado exemplar, sob nenhuma perspectiva. Esta intervenção aconteceu porque em uma consulta dessa instituição financeira com a sociedade civil, realizada no dia 25 de agosto, em Brasília, Pablo Fajnzylber, representante do Banco afirmou, dentre outras coisas, que “a sociedade brasileira hoje em dia já aceita que as plantações de árvores são florestas”.
     
    Segundo Rosângela Piovezani, do Movimentos das Mulheres Camponesas (MMC), isto não é verdade. “Nós somos totalmente contrários ao projeto Plantar e outros financiados pelo Banco Mundial que se expandem e destroem comunidades, causando êxodo rural, diminuição de espécies da fauna e da flora e que se opõem frontalmente com o cuidado pela terra, característico da agricultura familiar”, afirmou ela na reunião.
     
    Projeto de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), o Plantar ocupa uma área de 23.100 hectares de monocultura industrial de eucalipto em Minas Gerais e causa severos impactos socioambientais, econômicos e culturais, como o aumento da especulação fundiária, a paralisação da reforma agrária, o aumento do desemprego no campo, a redução da produção de alimentos e da disponilbilidade de água, além do estímulo ao desmatamento. Por estes e outros motivos, há quase dez anos a sociedade civil brasileira e internacional têm denunciado o projeto Plantar como um modelo de desenvolvimento desumano que agrava a crise climática.
     
    “Existe uma campanha internacional chamada ‘Banco Mundial Fora do Clima’. O fato de financiar projetos que pioram as condições climáticas do planeta, como este da Plantar, é um dos motivos de existência desta campanha. Se o Banco não muda os seus financiamentos, a tendência é que o enfrentamento a eles aumente”, declara Gabriel Strautman, da Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais.
     
    O gerente do Banco Mundial para o projeto Plantar, Garo Batmanian, afirmou na reunião que o Banco não considera que plantações de árvores sejam florestas e que esta foi uma fala infeliz do representante da instituição. Em relação ao fato de o Plantar ser considerado um projeto modelo, ele afirma que “trata-se de uma possível alternativa para diminuir o impacto do carvão vegetal que vem sendo produzido ilegalmente”. No que as organizações presentes responderam prontamente que, por todos os impactos que causa, trata-se de uma falsa solução.
     
    Estiveram presentes na reunião representantes do Movimento das Mulheres Camponesas (MMC), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais, além do Banco Mundial. A carta também foi enviada aos ministérios de Meio Ambiente e de Relações Exteriores, à Secretaria de Direitos Humanos, ao Grupo Plantar e às comissões de Meio Ambiente e Relações Exteriores da Câmara e do Senado.
     
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