• 18/10/2011

    Índios Guarani ocupam sede regional da Funai em Chapecó (SC)

    Cerca de 100 índios Guarani ocuparam, na manhã desta terça-feira (18), as dependências da Administração Regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Chapecó, Santa Catarina (SC). De acordo com o cacique Marcos Guarani, a intenção é permanecer no local até haver uma definição da Funai quanto a situação de descaso no acampamento onde vivem, na Terra Indígena Toldo Chimbangue – que pertence ao povo Kaingang.

     

    Os índios Guarani que lutam pela reconquista da terra indígena Guarani do Araça´í, localizada entre os municípios de Saudades e Cunha Porá, no oeste de Santa Catarina, continuam sendo vítimas de explícita violação dos direitos humanos, sociais, políticos e econômicos.

     

    “Tínhamos 30 dias para sair e estamos aqui agora na Funai. Por enquanto está tudo tranquilo e os funcionários trabalham para resolver nossa situação. Só saímos daqui para nossas terras tradicionais”, frisa o vice-cacique João Guarani.  

     

    Há cerca de 30 crianças, mulheres grávidas e idosos entre os indígenas. A alimentação vem por intermédio de doações. “Nós estávamos em terras emprestadas e a comunidade Kaingang tomou a decisão de não aceitar mais nenhum Guarani lá, mas estão aqui nos apoiando”, explica João.

     

    Reivindicando a terra tradicional desde 1998, os Guarani já enfrentaram situações extremas – desde a retomada do território, sendo logo expulsos de maneira covarde e virulenta, até a proibição judicial de retornarem ao Estado de Santa Catarina.

     

    Os Guarani vivem sob 8 hectares da Terra Indígena Toldo Chimbangue há dez anos. O reduzido espaço ocupado não permite o cultivo suficiente para garantir a alimentação na aldeia. Com isso, a dependência da assistência dos órgãos governamentais é acentuada. 

     

    Os Kaingang deram um prazo de um mês para os Guarani desocuparem o local. Sem ter para onde ir, ocuparam nesta manhã a Administração Regional da Funai.

    Enquanto isso, o procedimento administrativo que visa regularizar a terra está com a portaria ministerial que declara a sua tradicionalidade Guarani vigente. Isso obriga a Funai a dar seguimento ao processo com a demarcação física e o inicio do pagamento das benfeitorias dos ocupantes de boa fé.

     

    Idas e vindas judiciais

     

    Em junho de 2007, uma ação Judicial impetrada pelos ocupantes da terra foi contemplada com uma antecipação de tutela, fornecida pelo juiz federal Narciso Baez – que impossibilitou, na época, a realização dos trabalhos de levantamento fundiário. No entanto, em julho de 2008, uma decisão do Tribunal Regional Federal (TRF), 4ª região, em Porto Alegre, derrubou a referida decisão da primeira instância.

     

    Embora com atraso de quase um ano, a Funai, em  março de 2009, criou Grupo de Trabalho (GT) para realizar o levantamento fundiário. Em seguida, iniciaria o processo de indenização das benfeitorias dos ocupantes de boa fé e possibilitar o retorno dos Guarani à sua terra.

     

    O levantamento fundiário foi realizado em aproximadamente um ano. Neste período, muitas articulações foram feitas em Brasília com o intuito de impedir a continuidade dos trabalhos, com intensa mobilização dos setores contrários a demarcação, coordenada por políticos de vários partidos da região.

     

    No início deste ano, o juiz Federal Narciso Baez, em Chapecó, julgou o mérito da ação anulando a Portaria. Justificou que os índios têm terras “suficientes” para sobreviver, têm casas e todo o atendimento necessário para sobreviver. Disse ainda não saber que os Guarani vivem em terra “emprestada” pelos Kaingang há décadas, desde que foram expulsos de sua terra tradicional, não considerando a cultura diferenciada também entre os dois povos.

     

    A terra onde os Guarani estão em Toldo Chimbangue possui 2.400 hectares. Nela vivem aproximadamente 170 famílias Kaingang – mais de 600 pessoas.

     

    Reparação

     

    No início do mês de fevereiro o desembargador Federal Vilson Darós, do TRF da 4ª região, anulou a suspensão da Portaria Declaratória nº 790/2007, do Ministério da Justiça. Notícia comemorada pelos Guarani.

     

    Conforme Jackson Santana, do Conselho Indigenista Missionário – Regional Sul (Cimi-Sul), “alerta as autoridades competentes quanto a essa preocupante situação vivida pelos Guarani. Não é possível que essa realidade perdure numa sociedade que almeja ser considerada e tratada como democrática”, afirma.

     

    Para o missionário, se espera que os trabalhos de demarcação tenham prosseguimento e sejam agilizados para que a injustiça histórica cometida contra os Guarani do Araça´í seja minimizada com o reconhecimento, pelo Estado brasileiro, do direito que têm sobre a terra – o que se dará com a conclusão do procedimento administrativo em curso.

     

    “É preciso reparar a expulsão violenta que sofreram de sua terra durante o processo de colonização – impulsionado pelos governos constituídos no decorrer do século XX”, diz Jackson.

     

    A Funai garantiu que ainda esta tarde se reunirá com os indígenas para discutir a situação.

     

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  • 18/10/2011

    Primeiro voto do TRF1: autorização e licença ambiental para Belo Monte são invalidas

    ‘É de nenhuma eficácia a autorização emitida pelo parlamento’. Com essas palavras a desembargadora Federal Selene Maria de Almeida, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, desqualificou o Decreto Legislativo nº 788/2005 do Congresso Nacional que autorizou a construção da usina de Belo Monte, no rio Xingu (PA). Ela considerou igualmente inválido o licenciamento ambiental de Belo Monte.

    Falta de consulta

    No julgamento de hoje, 17 de outubro, estava em pauta a Apelação Civil do Ministério Público Federal do Pará (MPF/PA) contra decisão em 1ª instância numa das treze Ações Civis Públicas questionando o processo de Belo Monte (processo nº 2006.39.03.000711-8/PA).

    Num voto elaborado e denso, a desembargadora acatou a maioria dos pontos apresentados pelo MPF/PA, sendo o argumento mais importante o fato de as comunidades indígenas afetadas pela usina de Belo Monte não terem sido consultadas a respeito, conforme mandam a Constituição Federal e tratados internacionais, como a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ratificada pelo Brasil em 2004 (Decreto nº 5.051/2004).

    Ela não deixou dúvidas sobre a necessidade das oitivas: ‘A Constituinte prescreve que sejam ouvidas as comunidades indígenas afetadas. Para protegê-las.’ Em seu voto, a Dra. Selene reafirmou o posicionamento já adotado pelo TRF1 quando da primeira avaliação da matéria, em 2006.

    O rio Xingu, fonte de vida para seus moradores, ameaçado pela planejada usina de Belo MonteFalso argumento

    A defesa da Eletrobras argumentara que as oitivas indígenas não seriam necessárias, porque a usina não seria construída no interior de terras indígenas e nem inundaria terras indígenas. Selene de Almeida foi enfática a desmascarar esse falso argumento. ‘A colocação fora das terras indígenas é irrelevante para a questão’. Citando vários relatórios – do Ibama, da Funai, do Painel Independente de Especialistas e o próprio Estudo de Impactos Ambientais (EIA-RIMA) – ela concluiu que os impactos para os povos indígenas da região serão drásticos, ao ponto de ameaçar a sua sobrevivência física e cultural. ‘Não perder território pela usina ou pela inundação não quer dizer que não sofrerão impactos. É impossível dizer que não serão impactados. O aproveitamento hídrico impactará gravemente as comunidades indígenas’.

    Citando trechos relevantes da Constituição, como o artigo 321, ela explicou que o dever do Estado é proteger os povos indígenas e seus recursos naturais. ‘Isso é a regra geral da Constituição’. O direito à consulta prévia contribui para essa proteção. Por isso, não se pode entender o artigo referente às obras ‘em terras indígenas’ no sentido estrito, ao pé da letra. ‘Entender o artigo como limitado a ‘dentro da área’ significa expor as comunidades a perigo, a uma agressão à sua  própria sobrevivência’. Isto é, a perigo de empreendimentos fora de suas áreas que causem impactos em seu interior.

    Defesa confusa

    As defesas sustentadas pela Eletrobras e pela AGU se mostraram confusas e contraditórias entre si. Por um lado, foi argumentado que a realização de oitivas não era necessária, ao mesmo tempo em que se ressaltou que as ‘oitivas’ teriam sido efetivamente realizadas. Ainda foi sustentado que as oitivas não poderiam ser realizadas antes da obtenção de autorização para a obra, uma vez que faltaria informação sobre a obra para discussão nas próprias oitivas. Este último argumento, entretanto, contradiz a alegação do governo de que Belo Monte seria a usina melhor estudada, já que os estudos começaram já nos anos setenta.

    Mas, há argumentos maiores contra esse raciocínio. ‘A consulta é prévia à decisão sobre a autorização. Serve para subsidiar a decisão política sobre a obra. Não se autoriza uma obra para depois fazer a consulta sobre essa decisão. Para nós está claro que a autorização depende da anuência das comunidades afetadas, a pena de tornar letra morta a própria Constituição’.

    Em outras palavras, a consulta prévia não pode ser uma mera formalidade para legitimar uma decisão já tomada: ‘A consulta é ouvir as comunidades afetadas para condicionar a decisão. Não é apenas uma recomendação’.

    Reuniões e audiências não são oitivas

    A desembargadora concordou que a Funai e o Ibama têm realizado muitas reuniões junto às comunidades indígenas e quatro audiências públicas na região de influência de Belo Monte. Concordou inclusive que essas reuniões já são um passo à frente, em comparação com a execução de outras tantas grandes obras, nas quais a população impactada sequer foi informada. Ainda assim, tais reuniões e audiências não podem ser consideradas como ‘consultas prévias’ ou ‘oitivas indígenas’: ‘Essa reuniões tinham o caráter de informar sobre a decisão tomada, foram reuniões técnicas. A consulta não é uma simples reunião, mas é um processo de negociação, o início de um diálogo’.

    Responsabilidade do Congresso

    Para a desembargadora, Funai e Ibama não podem realizar oitivas indígenas tal como constitucionalmente preconizado, pelo simples fato de que a sua realização é uma atribuição do Congresso Nacional, que não pode delegá-la a órgãos do Executivo. Em outras palavras, a responsabilidade é diferente por princípio: é uma competência exclusiva do poder Legislativo (Congresso) e não do poder Executivo (governo).

    A desembargadora concluiu com a recomendação para que se desenvolva um sistema de consulta prévia, livre e informada no país – conforme as regras nacionais e internacionais – ‘antes que se torne rotineira a construção de hidrelétricas e outros empreendimentos na Amazônia’.

    Em seguida ao voto da desembargadora Selene Maria de Almeida, o desembargador Fagundes de Deus pediu vista do processo, anunciando que apresentará seu voto em, no máximo, quinze dias. A desembargadora Maria do Carmo Cardoso não adiantou seu voto.

    Reconhecimento

    Felício Pontes, procurador do MPF/PA que acompanhava o julgamento, ficou satisfeito com o voto positivo da desembargadora Selene. "O voto foi brilhante, extremamente denso, recuperando todos os elementos que temos apresentado ao longo dos anos. É um reconhecimento de doze anos de trabalho! A desembargadora reconheceu que os impactos de Belo Monte sobre a população indígena seriam terríveis e que os indígenas não foram consultados a respeito, que isso é uma falha extremamente grave, que invalida o processo de licenciamento de Belo Monte. É um bom começo. Agora é importante que o julgamento seja retomado o mais rápido possível", afirmou.

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  • 17/10/2011

    Chão encharcado com sangue Kaiowá Guarani

    Por Egon Heck

    “Queremos honrar a memória de nossos amigos e irmãos professores, Jenivaldo e Rolindo, que deram suas vidas pela nossa terra, tekoha Ypo’y. Exigimos justiça, suas mortes não podem ser em vão. Indignados estranhamos que passados mais de dois anos, seus assassinos não tenham sido julgados e condenados. O que faz o Ministério Público Federal que já possui o resultado das investigações e ainda não indiciou ninguém a ponto de levá-los a julgamento? Exigimos respostas!”, indagavam os indígenas participantes do 17º Encontro de Professores e Lideranças Indígenas Kaiowá Guarani, em visita ao Ministério Público Federal em Ponta Porã.

    "Feliz coincidência”, disse o pocurador Federal em Ponta Porã, Dr. Thiago dos Santos Luz. De fato a delegação de Kaiowá Guarani que concluiu as atividades do 17º Encontro de Professores e Lideranças Indígenas Kaiowá Guarani, levando um documento ao procurador, não imaginavam tão importante coincidência. Ou seja, estarem indo à Justiça Federal e à Polícia Federal em Ponta Porã juntamente com o procurador.

    Durante mais de meia hora as lideranças ficaram realizando ritual em frente ao Ministério Público Federal. Ao chegar, o procurador ouviu das lideranças sua disposição de virem até ali cobrar respostas quanto à impunidade dos assassinos de suas lideranças, especialmente os assassinatos covardes e brutais dos professores Rolindo e Jenivaldo.  Já vai fazer dois anos do assassinato e os executores e mandantes continuam soltos, apesar de se saber quem são e onde andam.

    “É um momento de alegria e tristeza. Alegria por ver tão importante delegação indígena, em ritual de vida e indignação, num momento histórico em que estamos buscando fazer avançar o processo relacionado às mortes de Jenivaldo e Rolindo. Tristeza pelo fato da justiça ainda não ter acontecido”. Nestes termos o procurador se dirigiu à delegação presente e solicitou uma conversa reservada com algumas lideranças presentes. Enquanto isso, os demais indígenas permaneceram em constante ritual do lado de fora do prédio com seus mbaraká e takuará.

    Os indígenas levavam mais de trinta estandartes com os nomes de lideranças de seu povo mortas nos últimos anos. Além disso, uma faixa não deixava dúvidas quanto às exigências da manifestação: “O chão do Mato Grosso do Sul está encharcado com sangue dos Kaiowá Guarani. Chega de impunidade! Prendam os assassinos. Lei é para todos”.

    No coração e mente de cada liderança presente estava a firme convicção de que terão pela frente uma árdua, longa e permanente luta contra a violência e impunidade. A luta pelos direitos, especialmente à terra. “Por essa impunidade, Teodoro Ricarte, nosso patrício de Ypo’y, foi barbaramente espancado até a morte. Outro ainda sofreu tentativa de assassinato. Até quando vamos ver outros “Marçais” sendo assassinados e seus assassinos serem beneficiados pela prescrição? Basta de assassinatos motivados pela impunidade!”

    O Mato Grosso do Sul tem uma economia amplamente voltada para a exportação. A soja, carne, etanol, milho vem em grande parte, desse chão encharcado com sangue Kaiowá Guarani.

    À sombra de imensos cedros

    O 17º Encontro dos Professores e Lideranças Indígenas Kaiowá Guarani foi realizado em um lugar muito especial, na aldeia Pirakua, vitoriosa e emblemática aldeia das lutas pela terra indígena em Mato Grosso do Sul. Por essa luta, foi assassinada a liderança Marçal de Souza, em 1983, quando retomam a área que hoje recebe este encontro. Foi também aqui que começaram as retomadas de terra e da realização das Aty Guasu, grandes assembleias do povo Kaiowá Guarani. Essa é a terra indígena que tem maior área de mata, sendo quase a metade dos 2.384 hectares, constituindo-se em fonte de sementes de árvores nativas, espaço de vida e futuro do povo Guarani.

    Ali puderam ter aulas práticas sobre inúmeras ervas e plantas medicinais. Foi só dar uma volta ao redor do local e identificar centenas de plantas que secularmente ajudaram a manter a saúde de seu povo. Alguns foram para lugares mais distantes, para um chavascal, brejo, onde igualmente identificaram, desde o anticoncepcional e o viagra natural, até as ervas que curam as mais diversas doenças. Num clima de muita animação e alegria, não faltou identificar as plantas que atraem muitos amigos, as que deixam a pele sem espinhas, dentre outras.

    Nesta visita à “farmácia do índio”, farmácia natural, os nhanderu e nhandesi sentiam-se muito orgulhosos e alegres ao poder transmitir seus conhecimentos aos demais professores. Foram às aulas práticas. Não apenas sobre plantas medicinais, mas também sobre os rituais. Esse foi um dos aspectos mais importantes desse 17º Encontro de Professores e Lideranças Indígenas Kaiowá Guarani.

    Ao analisarem o momento historicamente difícil por que passa seu povo, denunciaram as violências e interferências nocivas. Assim, reassumem o compromisso de continuarem a luta pelos direitos de seu povo. “Finalmente queremos denunciar a interferência em nossas escolas com a demissão, substituição de diretores e professores indígenas por não índios, bem como a redução de vagas nos cursos de formação de professores indígenas sem nenhuma consulta feita à comunidade, visto que isto é garantido na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), afirmaram ao final do encontro.  

    “Diante disso, reafirmamos nosso compromisso com a vida, a partir de uma escola formadora de guerreiros e defensores de nossa cultura e direitos. Por nossas crianças, presente e futuro de nosso povo, não nos intimidaremos diante dos interesses econômicos e políticos contrários, especialmente à demarcação de nossas terras e de uma educação diferenciada e autônoma”, concluíram.

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  • 17/10/2011

    Organizações populares emitem nota pública em protesto aos dados de revitalização do rio São Francisco

    No dia 8 de outubro, cerca de 300 organizações populares e movimentos sociais que integram a Articulação Popular São Francisco Vivo (SFVivo) – que luta pela defesa do Rio São Francisco – emitiram uma nota pública em protesto aos dados sobre realizações do Projeto de Revitalização do São Francisco publicados pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA).

    Divulgado no dia 5 de outubro, no site do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais – Ibama, o documento intitulado "Revitalização do São Francisco já soma R$6,4 bilhões” afirma que dos R$ 6,4 bilhões orçados nos Planos Plurianuais entre 2004 e 2015, R$ 3 bilhões estariam sendo gastos com obras em andamento e R$ 2 bilhões seriam utilizadas em iniciativas programadas.

    Porém, de acordo com os manifestantes do SFVivo, esses números divulgam uma imagem que não corresponde à realidade. Eles denunciam que os moradores da região continuam sofrendo com obras superfaturadas, inacabadas e abandonadas, como o caso das obras feitas na cidade de Juazeiro, onde foram constatados dejetos a céu aberto sendo despejados no rio, que deveriam estar sendo canalizados e tratados.

    Através da Nota Pública, a Articulação Popular SFVivo busca exigir as comprovações feitas pelo Ministério do Meio Ambiente, assim como o diálogo e a transparência dos orçamentos e das ações governamentais para com o povo sanfranciscano.

    A nota completa encontra-se no link http://www.saofranciscovivo.com.br/node/899

     

     

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  • 17/10/2011

    Alerta Geral: Julgamento da ACO 312 (Pataxó Hã-Hã-Hãe) – quinta-feira 20 de outubro de 2011

    O Supremo Tribunal Federal marcou para a próxima quinta-feira, dia 20 de outubro de 2011, a continuidade do julgamento da Ação Cível Originária (ACO 312) da Reserva Indígena Caramuru – Catarina Paraguassu, no Sul da Bahia, terras tradicionais dos Pataxó Hã-Hã-Hãe.

     

    Imprescindível intensificar nos próximos dias todo tipo de manifestação popular, de entidades, de pessoas, de personalidades, em favor dos índios Pataxó Hã-Hã-Hãe, para dar visibilidade ao julgamento e obter manifestações junto aos ministros do STF por fax, emails e telefones que seguem abaixo.

     

    Proposta de mensagem aos ministros do STF:

     

    Excelentíssima Senhora Ministra,

    Excelentíssimo Senhor Ministro,

     

    O drama do povo Pataxó Hã-Hã-Hãe ganhou repercussão nacional e internacional quando, na madrugada do dia 20 de abril de 1997, o índio Galdino Jesus dos Santos, que dormia num ponto de ônibus no centro de Brasília, teve seu corpo incendiado por cinco jovens da classe-média brasiliense. Galdino buscava em Brasília apoio para as reivindicações de recuperação do seu território tradicional, a Terra Indígena Caramuru – Catarina Paraguassú, no sul da Bahia. Galdino é um dos trinta Pataxó Hã-Hã-Hãe assassinados na luta pela recuperação de suas terras.

     

    No próximo dia 20 está marcada a continuidade do julgamento da ACO 312, ação na qual a Funai pede a nulidade dos títulos de propriedade de não-índios sobrepostos à Reserva Indígena, demarcada em 1938. A maioria desses títulos foi concedida pelo estado da Bahia durante a gestão de Antonio Carlos Magalhães, nos anos de 1970.

     

    Por uma questão de Justiça solicito vossa especial atenção para a efetivação dos direitos do povo Pataxó Hã-Hã-Hãe, garantindo a integridade de suas terras tradicionais e pondo termo ao lamentável histórico de violências e massacres que este povo vem sofrendo desde os primeiros contatos com a sociedade não-indígena.

     

    Respeitosamente,

     

    (Nome, Cidade, País)

     

    Enviar mensagens para:

     

    Ministro Presidente

    Cezar Peluso

    Telefone: 55+ (61) 3217-4191     

    Telefone2: 55+ (61) 3217-4200     

    Fax: 55+ (61) 3217-4219     

    Email:   [email protected]

    Ministro Vice-Presidente

    Ayres Britto

    Telefone: 55+ (61) 3217-4311     

    Telefone2: 55+ (61) 3217-4312 [4314]

    Fax: 55+ (61) 3217-4339     

    Email:   [email protected]

    Ministra

    Cármen Lúcia Antunes Rocha

    Chefe de Gabinete: Eduardo Silva Toledo

    Telefone: 55+ (61) 3217-4348     

    Telefone2: 55+ (61) 3217-4360     

    Fax: 55+ (61) 3217-4369     

    Email:   [email protected]

    Ministro

    Celso de Mello

    Telefone: 55+ (61) 3217-4077     

    Fax: 55+ (61) 3217-4099     

    Email:   [email protected]

    Ministro

    Marco Aurélio

    Telefone: 55+ (61) 3217-4281     

    Telefone2: 55+ (61) 3217-4282     

    Fax: 55+ (61) 3217-4309     

    Email:   [email protected]

    Ministro

    Gilmar Mendes

    Telefone: 55+ (61) 3217-4175     

    Telefone2: 55+ (61) 3217-4161     

    Fax: 55+ (61) 3217-4189     

    Email: [email protected]

    Ministro

    Joaquim Barbosa

    Telefone: 55+ (61) 3217-4131     

    Telefone2: 55+ (61) 3217-4133     

    Fax: 55+ (61) 3217-4159     

    Email:   [email protected]

    Ministro

    Ricardo Lewandowski

    Telefone: 55+ (61) 3217-4259     

    Fax: 55+ (61) 3217-4279     

    Email:   [email protected]

    Ministro Dias Toffoli

    Telefone: 55+ (61) 3217-4102     

    Telefone2: 55+ (61) 3217-4104       [4708]

    Fax: 55+ (61) 3217-4711     

    Email:   [email protected]

    Ministro

    Luiz Fux

    Telefone: 55+ (61) 3217-4387     

    Telefone2: 55+ (61) 3217-4371     

    Fax: 55+ (61) 3217-4399     

    Email:   [email protected]

     

    Resumo para memória:

     

    Na ação (ACO 312), a Funai pede que os títulos de propriedade incidentes sobre a Reserva Indígena sejam declarados nulos – ou seja, percam totalmente sua validade. Apesar de quatro perícias da Funai já terem confirmado a presença e a ocupação dos indígenas em suas terras desde pelo menos 1650, os ocupantes não-indígenas contestam a ação e se tratar de terras de propriedade da União. O Ministério Público Federal opinou a favor da nulidade dos títulos de propriedade concedidos aos não-indígenas em abril de 2001.

     

    O julgamento da ACO 312 já começou. Segundo o relator do processo, Ministro Eros Grau, “não há títulos de propriedade válidos no interior da reserva, anteriores à vigência da Constituição Federal de 1967”, que é a Constituição de referência para o caso, pois estava valendo no momento em que a ACO 312 chegou ao STF, em 1982.

     

    O artigo 186 daquela Carta considerava as terras ocupadas tradicionalmente pelos indígenas como sendo de domínio da União, para usufruto dos índios, além de declarar a nulidade de qualquer título de propriedade de terra localizada dentro da área.

     

    O ministro Eros Grau concluiu que os índios estavam presentes na região desde muito antes da Constituição de 1967: “Abrange toda a área habitada, utilizada para o sustento do índio, necessária à preservação de sua identidade cultural”, e votou pela procedência da ação (a favor dos indígenas), “para declarar a nulidade de todos os títulos de propriedade cujas respectivas glebas estejam localizadas dentro da área da reserva indígena Caramuru-Catarina Paraguaçu”.

     

    O julgamento foi interrompido por um pedido de vista e está pautado para ser reiniciado no próximo dia 20/10/2011.

     

    Para ter acesso à Memorial da Comunidade Indígena Pataxó Hã-Hã-Hãe, clique aqui.

     

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  • 17/10/2011

    Memorial da Comunidade Indígena Pataxó Hã-Hã-Hãe na Ação Cível Originária n° 312

    Clique aqui e tenha acesso à íntegra de Memorial da Comunidade Indígena Pataxó Hã-Hã-Hãe, na Ação Cível Originária nº 312, cujo tema é "Declaração de nulidade de títulos imobiliários incidentes na Terra Indígena Pataxó Hã-Hã-Hãe.

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  • 15/10/2011

    Guarani-kaiowá: um grito de desespero

    O Conselho Indigenista Missionário – Cimi vem a público denunciar e repudiar os ataques terroristas e genocidas desferidos contra os guarani-kaiowá, da comunidade Pyelito Kue, em Iguatemi, no estado do Mato Grosso do Sul, ocorridos nos dias 23 de agosto e 5 de setembro. Além de terem seus pertences destruídos, vários indígenas foram covardemente agredidos por homens fortemente armados.

     

    Para o Cimi, o fato de terem sido encontrados, no local dos ataques, cartuchos de munição calibre 12 antitumulto, as chamadas “balas de borracha”, constitui-se em mais um forte indício de formação de milícia armada, no Mato Grosso do Sul, com a finalidade de cometer crimes contra os indígenas daquele estado.

     

    O coordenador do Cimi-MS, Egon Heck, em entrevista concedida à IHU On-Line, por email, acredita que a situação de Pyelito Kue e Mbaraka’y, no município de Iguatemi, representa bem a estratégia do agronegócio e da classe dominante de impedir, a qualquer custo, a volta dos índios a seus tekohá, territórios tradicionais. “Quatro vezes foram expulsos, seus barracos queimados, feridos com balas antimotim e afugentados como animais indesejáveis. Por outro lado, revela a capacidade de resistência e estratégia de luta dos guarani-kaiowá, a partir de sua cultura, religiosidade e sabedoria secular”, salienta o coordenador.

     

    Egon Heck é coordenador do Conselho Indigenista Missionário – Cimi, regional do Mato Grosso do Sul, da causa indígena brasileira. Foi padre durante 12 anos e hoje é missionário leigo. Engajado com as comunidades indígenas desde a juventude, adotou a causa como parte integral de sua própria de vida e diz com orgulho e firmeza que este “é um motivo que vale a vida, vale a morte”.

     

    Confira a entrevista.

     

    IHU On-Line – Como o senhor reage e se sente diante do depoimento da vítima do atentado contra a comunidade de Pyelito Kue, que afirmou: "Quase não temos mais chance de sobreviver neste Brasil"?

     

    Egon Heck – Creio que qualquer pessoa com um pouco de sensibilidade e amor à vida terá, no mínimo, que se revoltar e indignar diante da afirmação desse membro da comunidade de Pyelito Kue. E mais do que isso: terá que fazer algo com urgência para mudar essa realidade, sob pena de se tornar cúmplice desse genocídio em curso.

     

    É vergonhoso para o nosso país ter que continuar ouvindo dos primeiros habitantes desta terra o grito de desespero, de quem parece estar sendo tangido como o boi para o matadouro. Ou como diria o kaiowá Anastácio, "aqui o boi vale mais do que uma criança guarani". E de fato, enquanto os indígenas desse povo têm menos de um hectare, em média, para tentar sobreviver, os bois verdes têm a seu dispor, em média, mais de três hectares.

     

    A situação de Pyelito Kue e Mbaraka’y, no município de Iguatemi, representa bem a estratégia do agronegócio e da classe dominante de impedir, a qualquer custo, a volta dos índios a seus tekohá, territórios tradicionais. Quatro vezes foram expulsos, seus barracos queimados, feridos com balas antimotim e afugentados como animais indesejáveis. Por outro lado, revela a capacidade de resistência e estratégia de luta dos guarani-kaiowá, a partir de sua cultura, religiosidade e sabedoria secular.

     

    IHU On-Line – Em que situação encontra-se hoje a questão da demarcação das terras indígenas em Mato Grosso do Sul?

     

    Egon Heck – Infelizmente, o que se pode dizer é que está em situação indefinida. Ou melhor, todos os prazos e promessas foram descumpridos, gerando uma situação de descrença generalizada entre os indígenas e seus aliados. Quem pode acreditar em quem se revela tão enganador em suas palavras e descumpridor de compromissos assumidos, até judicialmente. O Ministério Público Federal fez mais uma tentativa de obter a conclusão e publicação dos relatórios de identificação das terras guarani-kaiowá. Conforme esse cronograma assumido, a Funai já deveria ter recebido e analisado a publicação dos primeiros relatórios. Nada indica de que isso esteja acontecendo.

     

    Por outro lado, na recente Aty Guasu de Passo Piraju, os indígenas deram novo prazo de 30 dias para que começassem a ser resolvidos problemas de terra pendentes e concluídos os relatórios de identificação. Esse tempo já duplicou e nada aconteceu.

     

    A bem da verdade, é preciso destacar também a feroz oposição que os setores políticos e econômicos, capitaneados pelo governador Pucinelli, têm feito contra a demarcação das terras indígenas no Mato Grosso do sul.

     

    Por outro lado, tem surgido um aliado importante, que é o Conselho Nacional de Justiça – CNJ, que a partir de um seminário realizado em maio deste ano em Dourados, sobre a questão das terras indígenas, criou uma comissão especial para a demarcação das terras indígenas neste estado.

     

    Enquanto estou fazendo esses registros, em Brasília acontece nova reunião dos membros do governo que participam dessa comissão do CNJ.  Existe a esperança de que se consigam traçar algumas estratégias e consensos que façam efetivamente avançar o processo de demarcação das terras no MS. Conforme informações de membros da comissão, é mais provável que se tomem algumas providências em função da pressão do grande capital que está investindo na região, especialmente na construção de usinas para produção de etanol, do que por decisão e ação efetiva do governo federal. A agroindústria afirma não poder investir nessa situação de “insegurança jurídica”, e que, portanto, ou se equaciona isso ou deixarão de investir nessa região do Mato Grosso do Sul.

     

    Neste contexto, o governo do estado esboça um murmúrio de concordar com as propostas de regularização das terras indígenas, desde que se paguem os proprietários pela terra. Nada, absolutamente nada, será fácil ou resolvido rapidamente. Se antes se dizia que cada palmo de terra para retornar aos índios exigia uma batalha, agora a regularização e entrega aos índios de qualquer terra indígena exigirá uma enxurrada de negociações para chegar a algum acordo.

     

    IHU On-Line – Quem está por trás dos recentes ataques terroristas e genocidas desferidos contra os guarani-kaiowá, da comunidade Pyelito Kue? O que representa a suspeita de se tratar de milícia armada?

     

    Egon Heck – É muito provável que a Gaspem, que se autodenomina de empresa privada de segurança e que, conforme tem denunciado o Ministério Público Federal, tem se especializado em reprimir os movimentos indígenas no retorno a suas terras tradicionais, esteja também nesta empreitada de violência contra essa comunidade. O fato da utilização de balas antimotim demonstra, no mínimo, uma orientação que tem estreita relação com a polícia. Ou de uma milícia armada. Isso não descarta a arregimentação de pistoleiros pelos fazendeiros da região.

     

    O fato é que estamos diante de uma realidade extremamente violenta e que não teme a lei. A total desenvoltura com que agem demonstra claramente de que tem a certeza da impunidade.

     

    A forma extremamente violenta e intransigente com que os proprietários da região de fronteira têm se oposto à regularização das terras indígenas se dá no contexto da forma de apropriação com que se deram essas terras, agravado pela atuação do narcotráfico. Já foram identificados mais de trezentos mil hectares de terra que tem relação com essa atividade ilícita, conforme o juiz Odilon de Oliveira. Por ocasião de uma iniciativa de Famasul em levantar as propriedades que se disporiam a ser indenizados no caso de serem identificadas como terras indígenas, o Sindicato Rural de Ponta Porã logo se manifestou, dizendo serem os proprietários contrários à venda dessas terras.

     

    IHU On-Line – O Mato Grosso do Sul é o estado com a segunda maior população indígena do país. Setenta mil índios de diversas etnias aguardam a demarcação das terras tradicionalmente ocupadas por eles, em cumprimento a um termo de ajustamento de conduta assinado pelo Ministério Público Federal e a Fundação Nacional do Índio – Funai em 2007, e até hoje não cumprido. Esse impasse e, de certa forma, descaso contribui para o esquecimento e até preconceito contra o índio em nosso país?

     

    Egon Heck – A situação de violência e o não reconhecimento das terras indígenas no Mato Grosso do Sul são os casos graves do país. O não cumprimento dessa determinação constitucional e de normas internacionais faz com que o governo brasileiro seja cobrado em várias instâncias nacionais e internacionais.

     

    IHU On-Line – Dada a notória inércia das autoridades, especialmente do governo federal, há possibilidades de que ocorram novos, iminentes e ainda mais graves atentados à comunidade Pyelito Kue?

     

    Egon Heck – Tudo é possível. Os mais diversos cenários, inclusive o de novos ataques à comunidade são possíveis. Porém, dada a grande repercussão nacional e internacional das violências e barbaridades cometidas, tudo indica que a repetição da violência acabará se voltando contra os autores de tais atos e seus mandantes. Ou seja, reverterá contra a própria estrutura do agronegócio na região.

     

    IHU On-Line – A cultura do índio não condiz com o modelo capitalista e totalitário no qual nossa cultura está inserida. Que alternativas nossos índios teriam de sobrevivência hoje, uma vez que quase não existem mais "terras de ninguém" por esse Brasil afora? A preocupação de uma possível extinção das comunidades indígenas existe?

     

    Egon Heck – Estamos falando de modelos de sociedades diferentes. Temos, de um lado, o modelo desenvolvimentista levado adiante pelo atual capitalismo neoliberal, e, de outro, um modelo de vida, de organização social centrado na convivência harmônica de todas as formas de vida da Pacha Mama, Mãe Terra.

     

    A primeira questão a ser considerada é que tanto a Constituição Federal como a legislação internacional, da qual o Brasil é signatário, garantem aos povos indígenas as terras que originariamente ocupam e das quais, na maioria dos casos, foram expulsos. Portanto, não se trata de conceder a eles terras “devolutas”, em geral distantes e diferentes das que tradicionalmente ocuparam. Território indígena é espaço sagrado, e são estes que devem ser reconhecidos e respeitados.

     

    Com relação às ameaças de extinção, creio que eles têm cabalmente afastado essa hipótese com seus mais de quinhentos anos de resistência às mais diferentes formas de opressão e extermínio. Além disso, parece que hoje em dia se sentem ainda mais desafiados e esperançados em fortalecer suas culturas e identidades, até como alternativas à crise civilizacional pela qual atravessa a humanidade. O que está ocorrendo são as dinâmicas de adequação às diferentes culturas que os envolvem. É evidente que os impactos do atual sistema neoliberal globalizado são violentos e com sérias consequências, especialmente no tocante à negação de suas terras.

     

    É bem verdade que governos militares e até sociólogos previam (e desejavam) o fim dos índios até o ano 2000. Felizmente a história caminhou pelo caminho contrário. Os índios no Brasil, estimados, na década de 1960 em menos de cem mil, são hoje mais de oitocentos mil.

     

    IHU On-Line – O Cimi recebe apoio de autoridades nacionais e internacionais na defesa e proteção das comunidades indígenas, principalmente da comunidade Pyelito Kue? Ou, em sua opinião, a defesa dessa causa não é econômica e politicamente atrativa?

     

    Egon Heck – As minorias, como no caso dos povos indígenas no Brasil, são vozes proféticas a denunciar permanentemente a violência, o extermínio, o genocídio, praticado por um sistema que não permite a sobrevivência do diferente enquanto outra forma de sociedade, valores e organização social, política e econômica. O bem-viver dos povos indígenas se opõe radicalmente à lógica do desenvolvimentismo, predador e destruidor da natureza para garantir os privilégios de uma minoria.

     

    O Cimi, em nota “Genocídio e contra os povos indígenas no Mato Grosso do Sul” declara: “Para o Cimi, a morosidade do governo federal em demarcar as terras tradicionais dos povos indígenas e a não identificação e punição dos seus agressores e assassinos constituem-se em verdadeira anuência e incentivo ao processo de terror e genocídio imposto aos guarani-kaiowá no Mato Grosso do Sul”.

     

    Também o Ministério Público Federal de Dourados declarou: “MPF em Dourados considera genocídio ataque a índios em Iguatemi”.

     

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  • 15/10/2011

    Guarani-kaiowá: um grito de desespero

    O Conselho Indigenista Missionário – Cimi vem a público denunciar e repudiar os ataques terroristas e genocidas desferidos contra os guarani-kaiowá, da comunidade Pyelito Kue, em Iguatemi, no estado do Mato Grosso do Sul, ocorridos nos dias 23 de agosto e 5 de setembro. Além de terem seus pertences destruídos, vários indígenas foram covardemente agredidos por homens fortemente armados.

     

    Para o Cimi, o fato de terem sido encontrados, no local dos ataques, cartuchos de munição calibre 12 antitumulto, as chamadas “balas de borracha”, constitui-se em mais um forte indício de formação de milícia armada, no Mato Grosso do Sul, com a finalidade de cometer crimes contra os indígenas daquele estado.

     

    O coordenador do Cimi-MS, Egon Heck, em entrevista concedida à IHU On-Line, por email, acredita que a situação de Pyelito Kue e Mbaraka’y, no município de Iguatemi, representa bem a estratégia do agronegócio e da classe dominante de impedir, a qualquer custo, a volta dos índios a seus tekohá, territórios tradicionais. “Quatro vezes foram expulsos, seus barracos queimados, feridos com balas antimotim e afugentados como animais indesejáveis. Por outro lado, revela a capacidade de resistência e estratégia de luta dos guarani-kaiowá, a partir de sua cultura, religiosidade e sabedoria secular”, salienta o coordenador.

     

    Egon Heck é coordenador do Conselho Indigenista Missionário – Cimi, regional do Mato Grosso do Sul, da causa indígena brasileira. Foi padre durante 12 anos e hoje é missionário leigo. Engajado com as comunidades indígenas desde a juventude, adotou a causa como parte integral de sua própria de vida e diz com orgulho e firmeza que este “é um motivo que vale a vida, vale a morte”.

     

    Confira a entrevista.

     

    IHU On-Line – Como o senhor reage e se sente diante do depoimento da vítima do atentado contra a comunidade de Pyelito Kue, que afirmou: "Quase não temos mais chance de sobreviver neste Brasil"?

     

    Egon Heck – Creio que qualquer pessoa com um pouco de sensibilidade e amor à vida terá, no mínimo, que se revoltar e indignar diante da afirmação desse membro da comunidade de Pyelito Kue. E mais do que isso: terá que fazer algo com urgência para mudar essa realidade, sob pena de se tornar cúmplice desse genocídio em curso.

     

    É vergonhoso para o nosso país ter que continuar ouvindo dos primeiros habitantes desta terra o grito de desespero, de quem parece estar sendo tangido como o boi para o matadouro. Ou como diria o kaiowá Anastácio, "aqui o boi vale mais do que uma criança guarani". E de fato, enquanto os indígenas desse povo têm menos de um hectare, em média, para tentar sobreviver, os bois verdes têm a seu dispor, em média, mais de três hectares.

     

    A situação de Pyelito Kue e Mbaraka’y, no município de Iguatemi, representa bem a estratégia do agronegócio e da classe dominante de impedir, a qualquer custo, a volta dos índios a seus tekohá, territórios tradicionais. Quatro vezes foram expulsos, seus barracos queimados, feridos com balas antimotim e afugentados como animais indesejáveis. Por outro lado, revela a capacidade de resistência e estratégia de luta dos guarani-kaiowá, a partir de sua cultura, religiosidade e sabedoria secular.

     

    IHU On-Line – Em que situação encontra-se hoje a questão da demarcação das terras indígenas em Mato Grosso do Sul?

     

    Egon Heck – Infelizmente, o que se pode dizer é que está em situação indefinida. Ou melhor, todos os prazos e promessas foram descumpridos, gerando uma situação de descrença generalizada entre os indígenas e seus aliados. Quem pode acreditar em quem se revela tão enganador em suas palavras e descumpridor de compromissos assumidos, até judicialmente. O Ministério Público Federal fez mais uma tentativa de obter a conclusão e publicação dos relatórios de identificação das terras guarani-kaiowá. Conforme esse cronograma assumido, a Funai já deveria ter recebido e analisado a publicação dos primeiros relatórios. Nada indica de que isso esteja acontecendo.

     

    Por outro lado, na recente Aty Guasu de Passo Piraju, os indígenas deram novo prazo de 30 dias para que começassem a ser resolvidos problemas de terra pendentes e concluídos os relatórios de identificação. Esse tempo já duplicou e nada aconteceu.

     

    A bem da verdade, é preciso destacar também a feroz oposição que os setores políticos e econômicos, capitaneados pelo governador Pucinelli, têm feito contra a demarcação das terras indígenas no Mato Grosso do sul.

     

    Por outro lado, tem surgido um aliado importante, que é o Conselho Nacional de Justiça – CNJ, que a partir de um seminário realizado em maio deste ano em Dourados, sobre a questão das terras indígenas, criou uma comissão especial para a demarcação das terras indígenas neste estado.

     

    Enquanto estou fazendo esses registros, em Brasília acontece nova reunião dos membros do governo que participam dessa comissão do CNJ.  Existe a esperança de que se consigam traçar algumas estratégias e consensos que façam efetivamente avançar o processo de demarcação das terras no MS. Conforme informações de membros da comissão, é mais provável que se tomem algumas providências em função da pressão do grande capital que está investindo na região, especialmente na construção de usinas para produção de etanol, do que por decisão e ação efetiva do governo federal. A agroindústria afirma não poder investir nessa situação de “insegurança jurídica”, e que, portanto, ou se equaciona isso ou deixarão de investir nessa região do Mato Grosso do Sul.

     

    Neste contexto, o governo do estado esboça um murmúrio de concordar com as propostas de regularização das terras indígenas, desde que se paguem os proprietários pela terra. Nada, absolutamente nada, será fácil ou resolvido rapidamente. Se antes se dizia que cada palmo de terra para retornar aos índios exigia uma batalha, agora a regularização e entrega aos índios de qualquer terra indígena exigirá uma enxurrada de negociações para chegar a algum acordo.

     

    IHU On-Line – Quem está por trás dos recentes ataques terroristas e genocidas desferidos contra os guarani-kaiowá, da comunidade Pyelito Kue? O que representa a suspeita de se tratar de milícia armada?

     

    Egon Heck – É muito provável que a Gaspem, que se autodenomina de empresa privada de segurança e que, conforme tem denunciado o Ministério Público Federal, tem se especializado em reprimir os movimentos indígenas no retorno a suas terras tradicionais, esteja também nesta empreitada de violência contra essa comunidade. O fato da utilização de balas antimotim demonstra, no mínimo, uma orientação que tem estreita relação com a polícia. Ou de uma milícia armada. Isso não descarta a arregimentação de pistoleiros pelos fazendeiros da região.

     

    O fato é que estamos diante de uma realidade extremamente violenta e que não teme a lei. A total desenvoltura com que agem demonstra claramente de que tem a certeza da impunidade.

     

    A forma extremamente violenta e intransigente com que os proprietários da região de fronteira têm se oposto à regularização das terras indígenas se dá no contexto da forma de apropriação com que se deram essas terras, agravado pela atuação do narcotráfico. Já foram identificados mais de trezentos mil hectares de terra que tem relação com essa atividade ilícita, conforme o juiz Odilon de Oliveira. Por ocasião de uma iniciativa de Famasul em levantar as propriedades que se disporiam a ser indenizados no caso de serem identificadas como terras indígenas, o Sindicato Rural de Ponta Porã logo se manifestou, dizendo serem os proprietários contrários à venda dessas terras.

     

    IHU On-Line – O Mato Grosso do Sul é o estado com a segunda maior população indígena do país. Setenta mil índios de diversas etnias aguardam a demarcação das terras tradicionalmente ocupadas por eles, em cumprimento a um termo de ajustamento de conduta assinado pelo Ministério Público Federal e a Fundação Nacional do Índio – Funai em 2007, e até hoje não cumprido. Esse impasse e, de certa forma, descaso contribui para o esquecimento e até preconceito contra o índio em nosso país?

     

    Egon Heck – A situação de violência e o não reconhecimento das terras indígenas no Mato Grosso do Sul são os casos graves do país. O não cumprimento dessa determinação constitucional e de normas internacionais faz com que o governo brasileiro seja cobrado em várias instâncias nacionais e internacionais.

     

    IHU On-Line – Dada a notória inércia das autoridades, especialmente do governo federal, há possibilidades de que ocorram novos, iminentes e ainda mais graves atentados à comunidade Pyelito Kue?

     

    Egon Heck – Tudo é possível. Os mais diversos cenários, inclusive o de novos ataques à comunidade são possíveis. Porém, dada a grande repercussão nacional e internacional das violências e barbaridades cometidas, tudo indica que a repetição da violência acabará se voltando contra os autores de tais atos e seus mandantes. Ou seja, reverterá contra a própria estrutura do agronegócio na região.

     

    IHU On-Line – A cultura do índio não condiz com o modelo capitalista e totalitário no qual nossa cultura está inserida. Que alternativas nossos índios teriam de sobrevivência hoje, uma vez que quase não existem mais "terras de ninguém" por esse Brasil afora? A preocupação de uma possível extinção das comunidades indígenas existe?

     

    Egon Heck – Estamos falando de modelos de sociedades diferentes. Temos, de um lado, o modelo desenvolvimentista levado adiante pelo atual capitalismo neoliberal, e, de outro, um modelo de vida, de organização social centrado na convivência harmônica de todas as formas de vida da Pacha Mama, Mãe Terra.

     

    A primeira questão a ser considerada é que tanto a Constituição Federal como a legislação internacional, da qual o Brasil é signatário, garantem aos povos indígenas as terras que originariamente ocupam e das quais, na maioria dos casos, foram expulsos. Portanto, não se trata de conceder a eles terras “devolutas”, em geral distantes e diferentes das que tradicionalmente ocuparam. Território indígena é espaço sagrado, e são estes que devem ser reconhecidos e respeitados.

     

    Com relação às ameaças de extinção, creio que eles têm cabalmente afastado essa hipótese com seus mais de quinhentos anos de resistência às mais diferentes formas de opressão e extermínio. Além disso, parece que hoje em dia se sentem ainda mais desafiados e esperançados em fortalecer suas culturas e identidades, até como alternativas à crise civilizacional pela qual atravessa a humanidade. O que está ocorrendo são as dinâmicas de adequação às diferentes culturas que os envolvem. É evidente que os impactos do atual sistema neoliberal globalizado são violentos e com sérias consequências, especialmente no tocante à negação de suas terras.

     

    É bem verdade que governos militares e até sociólogos previam (e desejavam) o fim dos índios até o ano 2000. Felizmente a história caminhou pelo caminho contrário. Os índios no Brasil, estimados, na década de 1960 em menos de cem mil, são hoje mais de oitocentos mil.

     

    IHU On-Line – O Cimi recebe apoio de autoridades nacionais e internacionais na defesa e proteção das comunidades indígenas, principalmente da comunidade Pyelito Kue? Ou, em sua opinião, a defesa dessa causa não é econômica e politicamente atrativa?

     

    Egon Heck – As minorias, como no caso dos povos indígenas no Brasil, são vozes proféticas a denunciar permanentemente a violência, o extermínio, o genocídio, praticado por um sistema que não permite a sobrevivência do diferente enquanto outra forma de sociedade, valores e organização social, política e econômica. O bem-viver dos povos indígenas se opõe radicalmente à lógica do desenvolvimentismo, predador e destruidor da natureza para garantir os privilégios de uma minoria.

     

    O Cimi, em nota “Genocídio e contra os povos indígenas no Mato Grosso do Sul” declara: “Para o Cimi, a morosidade do governo federal em demarcar as terras tradicionais dos povos indígenas e a não identificação e punição dos seus agressores e assassinos constituem-se em verdadeira anuência e incentivo ao processo de terror e genocídio imposto aos guarani-kaiowá no Mato Grosso do Sul”.

     

    Também o Ministério Público Federal de Dourados declarou: “MPF em Dourados considera genocídio ataque a índios em Iguatemi”.

     

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  • 14/10/2011

    O garimpo volta a ameaçar o povo Yanomami

    Os índios Yanomami através de sua associação Hutukara e o Conselho Indígena de Roraima denunciam com veemência, há algum tempo a invasão garimpeira, afirmando que ela está crescendo dentro do território indígena, sem que os órgãos públicos resolvam o problema. De acordo com os indígenas os garimpeiros dentro da terra Yanomami já chegam em torno de 1.500 pessoas. A reportagem do programa Fantástico, da Rede Globo, do dia 08 de outubro de 2011, denuncia com imagens irrefutáveis a atividade garimpeira no interior da terra indígena e a facilidade com que os locais do garimpo podem ser acessados, nas proximidades das aldeias indígenas. Mesmo assim, apesar das autoridades estarem amplamente informadas e sabedoras das conseqüências trágicas do garimpo para os indígenas e para o meio ambiente, nenhuma ação mais contundente e definitiva foi tomada até agora.

     

    O mais assustador é a constatação de que a invasão garimpeira se dá nos mesmos moldes daquela invasão ocorrida, em massa, no final da década de 1980 e início de 1990 que vitimou através de armas de fogo e de epidemias aproximadamente 2.000 Yanomami. Naquela época também todos sabiam da invasão garimpeira, e algo só foi feito lamentavelmente, depois dos Yanomami chorarem suas mortes, de muita pressão popular no contexto da Eco 92 e dos números (de mortos) serem estampados nos jornais do mundo inteiro.

     

    Não é difícil imaginar que para resolver o problema é preciso retirar os garimpeiros da área e desmantelar o esquema que financia o garimpo ilegal dentro da terra indígena, identificando inclusive, os motivos da omissão dos órgãos competentes na região.  Saber por que os vôos clandestinos que abastecem o garimpo continuam a operar apesar de toda capacidade tecnológica do Sivam, de que hoje o governo dispõe para identificá-los, e por que não são fiscalizadas as lojas que comercializam abertamente, em Boa Vista, o ouro proveniente da terra Yanomami.

     

    O futuro do povo Yanomami, outra vez está ameaçado devido à omissão do Estado. O governo é rápido nas decisões para implantar grandes obras na Amazônia que destroem o meio ambiente, inviabilizam a permanência dos povos e comunidades habitantes tradicionais nas regiões afetadas e beneficiam uns poucos. No entanto, quando se trata de cumprir com o seu papel de cuidar do povo, de fazer respeitar seus direitos, ele está ausente ou então se move a contragosto, a passos de tartaruga.

     

    As medidas para coibir a invasão garimpeira na terra indígena, são urgentes e inadiáveis, para evitar a violência de 20 anos atrás praticada contra o povo Yanomami, e para que não seja necessário transformar a Rio + 20, a exemplo da Eco 92 num espaço para denunciar mais uma tragédia humana.

     

    Manaus, AM, 13 de outubro de 2011.

     

    Cimi Regional Norte I

     

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  • 14/10/2011

    TRF1 analisa Ação Civil Pública reivindicando Oitivas Indígenas para Belo Monte

    12 AÇÕES CONTRA BELO MONTE AGUARDAM JULGAMENTO
    ESPERAMOS JUSTIÇA DO TRF 1ª REGIÃO
    ——
    TRF 1ª REGIÃO ANALISA AÇÃO CIVIL PÚBLICA DO MPF REIVINDICANDO OITIVAS INDÍGENAS
     
    Na próxima segunda-feira (17/10), a Justiça vai julgar uma importante ação que pode suspender a construção de Belo Monte, processo 0000709-88.2006.4.01.3903. Trata-se do direito dos povos indígenas de serem consultados pelo Congresso Nacional ANTES do início das obras, conforme previsto no Art. 231 da Constituição Federal.
    Além da ação sobre a consulta prévia aos povos indígenas, outras 11 ações denunciando ilegalidades no processo de Belo Monte aguardam julgamento.
     
    Se construída, Belo Monte vai destruir uma das regiões mais ricas em diversidade biológica e cultural do planeta, quando há alternativas melhores e menos impactantes para produzir energia. Isso sem contar que o orçamento da obra, majoritariamente financiada com dinheiro público, já ultrapassa o valor astronômico de R$ 30 bilhões.
     
    Se você, como nós, acha que é papel do Poder Judiciário evitar os crimes que já estão sendo cometidos contra o meio ambiente e os povos do Xingu, envie o texto abaixo para os endereços que seguem:
     
    Sugestão de Mensagem aos Desembargadores do TRF1:
     

    Excelentíssima Senhora Desembargadora Federal,
    Excelentíssimo Senhor Desembargador Federal,
     
    O FUTURO DO XINGU NAS MÃOS DA JUSTIÇA.

    Há dez anos, quando o Governo Federal retomou o projeto de barragem no rio Xingu, criado durante a ditadura militar, o Ministério Público Federal do Pará (MPF-PA) passou a detectar ilegalidades em todos os estágios do processo de licenciamento ambiental da hidrelétrica de Belo Monte e na própria concepção da usina.

    Até hoje, o MPF ingressou com 12 Ações Civis Públicas (ACPs) na Justiça contra Belo Monte. Oito delas receberam liminares favoráveis, mas foram revistas pelo presidente da instância superior, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), em Brasília, sem que os méritos jurídicos fossem considerados. Argumentou-se apenas que Belo Monte seria um projeto importante da política energética do país, sem análise profunda de suas ilegalidades.

    Agora, uma das mais importantes ACPs, que denuncia que os povos indígenas afetados por Belo Monte não foram consultados de forma adequada antes do início das obras, deverá ser julgada na próxima segunda-feira (17/10). A consulta prévia, livre e informada aos povos indígenas (também conhecida como oitivas indígenas) é uma obrigação prevista na Constituição Federal e em tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário, como a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Em 2006, o TRF1 foi favorável ao Ministério Público Federal, confirmando a necessidade de realização das oitivas antes do início das obras.

    Como cidadão preocupado com a política do fato consumado que marcam as construções das grandes obras de infra-estrutura no país, solicito vossa especial atenção para este julgamento – bem como das demais ações em curso. A obra não pode sobrepor-se aos direitos humanos de populações indígenas e tradicionais ou mesmo à preservação do meio ambiente, garantidos pela Constituição Brasileira.

    Respeitosamente,

     

    (Nome, Cidade, País)

     
     
     
    Presidente do TRF1
    ·         OLINDO MENEZES
    Desembargadora Federal
    ·         SELENE ALMEIDA
    Desembargador Federal
    ·         FAGUNDES DE DEUS
    Desembargador Federal
    ·         JOÃO BATISTA MOREIRA
     
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