Índios Guarani ocupam sede regional da Funai em Chapecó (SC)
Cerca de 100 índios Guarani ocuparam, na manhã desta terça-feira (18), as dependências da Administração Regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Chapecó, Santa Catarina (SC). De acordo com o cacique Marcos Guarani, a intenção é permanecer no local até haver uma definição da Funai quanto a situação de descaso no acampamento onde vivem, na Terra Indígena Toldo Chimbangue – que pertence ao povo Kaingang.
Os índios Guarani que lutam pela reconquista da terra indígena Guarani do Araça´í, localizada entre os municípios de Saudades e Cunha Porá, no oeste de Santa Catarina, continuam sendo vítimas de explícita violação dos direitos humanos, sociais, políticos e econômicos.
“Tínhamos 30 dias para sair e estamos aqui agora na Funai. Por enquanto está tudo tranquilo e os funcionários trabalham para resolver nossa situação. Só saímos daqui para nossas terras tradicionais”, frisa o vice-cacique João Guarani.
Há cerca de 30 crianças, mulheres grávidas e idosos entre os indígenas. A alimentação vem por intermédio de doações. “Nós estávamos em terras emprestadas e a comunidade Kaingang tomou a decisão de não aceitar mais nenhum Guarani lá, mas estão aqui nos apoiando”, explica João.
Reivindicando a terra tradicional desde 1998, os Guarani já enfrentaram situações extremas – desde a retomada do território, sendo logo expulsos de maneira covarde e virulenta, até a proibição judicial de retornarem ao Estado de Santa Catarina.
Os Guarani vivem sob
Os Kaingang deram um prazo de um mês para os Guarani desocuparem o local. Sem ter para onde ir, ocuparam nesta manhã a Administração Regional da Funai.
Enquanto isso, o procedimento administrativo que visa regularizar a terra está com a portaria ministerial que declara a sua tradicionalidade Guarani vigente. Isso obriga a Funai a dar seguimento ao processo com a demarcação física e o inicio do pagamento das benfeitorias dos ocupantes de boa fé.
Idas e vindas judiciais
Em junho de 2007, uma ação Judicial impetrada pelos ocupantes da terra foi contemplada com uma antecipação de tutela, fornecida pelo juiz federal Narciso Baez – que impossibilitou, na época, a realização dos trabalhos de levantamento fundiário. No entanto, em julho de 2008, uma decisão do Tribunal Regional Federal (TRF), 4ª região,
Embora com atraso de quase um ano, a Funai, em março de 2009, criou Grupo de Trabalho (GT) para realizar o levantamento fundiário. Em seguida, iniciaria o processo de indenização das benfeitorias dos ocupantes de boa fé e possibilitar o retorno dos Guarani à sua terra.
O levantamento fundiário foi realizado em aproximadamente um ano. Neste período, muitas articulações foram feitas em Brasília com o intuito de impedir a continuidade dos trabalhos, com intensa mobilização dos setores contrários a demarcação, coordenada por políticos de vários partidos da região.
No início deste ano, o juiz Federal Narciso Baez, em Chapecó, julgou o mérito da ação anulando a Portaria. Justificou que os índios têm terras “suficientes” para sobreviver, têm casas e todo o atendimento necessário para sobreviver. Disse ainda não saber que os Guarani vivem em terra “emprestada” pelos Kaingang há décadas, desde que foram expulsos de sua terra tradicional, não considerando a cultura diferenciada também entre os dois povos.
A terra onde os Guarani estão
Reparação
No início do mês de fevereiro o desembargador Federal Vilson Darós, do TRF da 4ª região, anulou a suspensão da Portaria Declaratória nº 790/2007, do Ministério da Justiça. Notícia comemorada pelos Guarani.
Conforme Jackson Santana, do Conselho Indigenista Missionário – Regional Sul (Cimi-Sul), “alerta as autoridades competentes quanto a essa preocupante situação vivida pelos Guarani. Não é possível que essa realidade perdure numa sociedade que almeja ser considerada e tratada como democrática”, afirma.
Para o missionário, se espera que os trabalhos de demarcação tenham prosseguimento e sejam agilizados para que a injustiça histórica cometida contra os Guarani do Araça´í seja minimizada com o reconhecimento, pelo Estado brasileiro, do direito que têm sobre a terra – o que se dará com a conclusão do procedimento administrativo em curso.
“É preciso reparar a expulsão violenta que sofreram de sua terra durante o processo de colonização – impulsionado pelos governos constituídos no decorrer do século XX”, diz Jackson.
A Funai garantiu que ainda esta tarde se reunirá com os indígenas para discutir a situação.
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Falso argumento
"Feliz coincidência”, disse o pocurador Federal em Ponta Porã, Dr. Thiago dos Santos Luz. De fato a delegação de Kaiowá Guarani que concluiu as atividades do 17º Encontro de Professores e Lideranças Indígenas Kaiowá Guarani, levando um documento ao procurador, não imaginavam tão importante coincidência. Ou seja, estarem indo à Justiça Federal e à Polícia Federal em Ponta Porã juntamente com o procurador.
Os indígenas levavam mais de trinta estandartes com os nomes de lideranças de seu povo mortas nos últimos anos. Além disso, uma faixa não deixava dúvidas quanto às exigências da manifestação: “O chão do Mato Grosso do Sul está encharcado com sangue dos Kaiowá Guarani. Chega de impunidade! Prendam os assassinos. Lei é para todos”.
O 17º Encontro dos Professores e Lideranças Indígenas Kaiowá Guarani foi realizado em um lugar muito especial, na aldeia Pirakua, vitoriosa e emblemática aldeia das lutas pela terra indígena em Mato Grosso do Sul. Por essa luta, foi assassinada a liderança Marçal de Souza, em 1983, quando retomam a área que hoje recebe este encontro. Foi também aqui que começaram as retomadas de terra e da realização das Aty Guasu, grandes assembleias do povo Kaiowá Guarani. Essa é a terra indígena que tem maior área de mata, sendo quase a metade dos 2.384 hectares, constituindo-se em fonte de sementes de árvores nativas, espaço de vida e futuro do povo Guarani.
Nesta visita à “farmácia do índio”, farmácia natural, os nhanderu e nhandesi sentiam-se muito orgulhosos e alegres ao poder transmitir seus conhecimentos aos demais professores. Foram às aulas práticas. Não apenas sobre plantas medicinais, mas também sobre os rituais. Esse foi um dos aspectos mais importantes desse 17º Encontro de Professores e Lideranças Indígenas Kaiowá Guarani..jpg)