• 02/08/2004

    Newsletter n. 623

    2nd CONTINENTAL MEETING OF INDIGENOUS PEOPLES AND NATIONALITIES OF THE AMERICAS


    “INTI NAPAI” – SUN GREETING RITUAL AND LIGHTING OF THE GAME


    In the opening ceremony of the 2nd Continental Meeting of Indigenous Peoples of the Americas, which was held today in Quito, Ecuador, the Sun was greeted and revered with great emotion by over 100 representatives of indigenous peoples of the Americas. The ceremony was presided over by master Pilatunha Lincango, from the Kitukar people, which used to live in the region where Quito is located today.


    This age-old ceremony of the Kitukar people is extremely rich in its symbology and ritual expressions. A large sun made of regional fruits was slowly woven in the terrace of the Lauritas Sisters convent, where the Meeting is being held. It was still night and stars were shining in the sky while hands, minds and hearts of indigenous people of different origins were preparing this scenario.


    When the sun rose, the ritual was already being held. A couple of representatives from indigenous peoples of each country – Colombia, Venezuela, Peru, Ecuador, Bolivia, Guatemala, Brazil, Mexico, Paraguay and Honduras – was standing in a circle around the sun made of fruits and branches woven on the ground full of indigenous feet. Indigenous perfumes and beverages were sprinkled on the ground before the sun greeting ritual began.


    All the participants tuned into the mother land (pachamama) to give thanks, praise, and ask protection for all indigenous peoples of the continent scattered from the South to the North of the Americas from sunrise to sunset. The fruits of the earth and handfuls of earth brought by the representatives from the different countries were blessed.


    Mountains of rare beauty which surround the city of Quito were paid homage, particularly the Wawa  Pichincha mountain, which is a sacred mountain and source of life for the Kitukar people.


    Representatives of the Makuxi and Wapichana (state of Roraima), Pataxó (state of Bahia), Tapeba (state of Ceará), Sateré-Mawé (state of Amazonas), Bakairi (state of Mato Grosso), and Manchineri (state of Acre) peoples of Brazil are attending the meeting, as well as representatives of their allies from Cimi, the Diocese of Roraima, and other entities.


    Over 600 indigenous people from almost all countries of the continent and representatives from various European countries, such as Spain, Italy and France, are expected to attend the meeting. 


    The different delegations are being received with very great enthusiasm, music and greetings.


    The meeting began this morning and five lectures were delivered on the following topics: Territories, Autonomy and Self-Determination – by Sebastião Manchineri, president of Coica; Diversity and Plurality – by Luis Macas from the Indigenous University – Ecuador; The Rights of Indigenous Peoples, Nationalities and Social Movements in the World Social Forum – FSM, by Nicia Maldonado from CONIVE – Venezuela; Militarization, by Forge Frederick (CICA); Women and the Establishment of a Plurinational State – by Vicenta Chuma (PIA).


    The 2nd Meeting will end next Sunday (25). 


    Brasília, 22 July 2004.

    Cimi – Indianist Missionary Council

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  • 30/07/2004

    Indígenas se articulam para o Fórum Social Mundial

    Os povos indígenas e as organizações que lhes representam tiveram grande destaque no desenvolvimento dos trabalhos no I Fórum Social das Américas que chega ao final na tarde de hoje, 30/07, com a cerimônia de encerramento na Casa da Cultura Equatoriana. Segundo os promotores, mais de 10 mil pessoas participaram das oficinas, seminários, conferências e demais eventos iniciados no domingo passado, 25, com uma concentração na Plaza San Francisco, no centro histórico de Quito.


    Do Brasil, participaram representantes do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Associação de Mulheres Indígenas Sateré Mawé (Amism), do Amazonas, Frente de Resistência Pataxó, da Bahia, e um representante do povo Itapeba, do Ceará. A maioria dos integrantes da delegação brasileira ainda não havia participado de um evento com as dimensões do Fórum Social das Américas.


    Para eles das muitas tarefas que o evento enseja a mais urgente é articular as organizações indígenas de todo o Brasil para participação no Fórum Social Mundial, cuja quinta edição se realizará na cidade de Porto Alegre em janeiro do próximo ano. Para isto, iniciaram contatos com lideranças e representantes de organizações indígenas do Equador e de outros países. Ontem pela manhã, reuniram-se com Blanca Chancoso, uma das organizadoras do Segundo Encontro Continental das Povos e Nacionalidades Indígenas de Abya Yala, realizado entre os dias 21 e 25 também em Quito.


    A presença indígena no Fórum Social Mundial tem sido bastante expressiva. Na opinião dos indígenas do Brasil, ainda falta maior articulação para definir uma agenda de ações para o enfrentamento de problemas comuns entre os diversos povos do continente, como a crescente militarização – sobretudo com a instalação de bases militares norte americanas em vários países, algumas delas localizadas em territórios indígenas. “As iniciativas no Fórum Social Mundial, envolvendo a participação indígena, só irão avançar com o fortalecimento das alianças em nível continental e mundial quando tivermos um agenda ou plano de ação comum para superarmos os grandes desafios, como o respeito e garantia dos nossos territórios, retirada dos invasores, das bases militares e das grandes empresas mineradoras, petrolíferas e daquelas que exploram a biodiversidade”, avalia Dionito Souza, do povo Makuxi, representante do Conselho Indígena de Roraima.


    O Secretário do Cimi – Conselho Indigenista Missionário-, Éden Magalhães, avaliou como bastante positiva a participação dos indígenas do Brasil no Encontro Continental e Fórum Social Mundial. “Estes eventos mostraram que a realidade indígena em vários países é muito parecida. Seus maiores inimigos são os mesmos que querem impor a Alca e os Tratados de Livre Comércio, entre outras iniciativas de dimensão continental”, disse ele. “Acredito que uma sólida articulação entre os povos indígenas desses países será decisiva para acabar com muitos desses problemas. Os povos indígenas do continente americano deram o passo inicial na luta contra a globalização desde o começo da década de 90 e com certeza têm muito a contribuir com os demais setores organizados da sociedade envolvidos nessa luta”, concluiu.


    Quito, Equador – 30 de julho de 2004.

    J. Rosha/Cimi Norte 1 

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  • 30/07/2004

    Carta do bispo do Xingu às autoridades denunciando a situação da região do Alto Xingu que envolve a terra do meio

    Altamira, 21 de julho de 2004.


    A região do Alto Xingu é considerada a última fronteira agrícola do Pará e é, ao mesmo tempo, a região em que problemas de todo tipo se concentram. Às vezes se assemelha ao faroeste dos filmes de bangue-bangue. A atuação de pistoleiros a mando de ambiciosos grileiros e usurpadores de terras indígenas ou pertencentes à União, assassinatos no campo e na cidade, trabalho escravo ou superexplorado, roubos e assaltos à plena luz do dia, execuções de pessoas “non gratas” em praça pública por motoqueiros protegidos de capacetes fumê, prefeito encomendando a morte de vereador que não reza por sua cartilha, tudo isso e mais outros crimes, na maioria impunes, fazem esta região parecer uma “terra sem lei”.


    Sou bispo desta região pois os municípios de São Félix do Xingu, Tucumã e Ourilândia do Norte pertencem à circunscrição eclesiástica da Prelazia do Xingu que tem sua sede em Altamira. Todos os anos passo várias semanas no Alto Xingu e conheço assim os problemas de perto pelo contato direto com o povo e pelos relatos dos Padres e membros de equipes paroquiais, da CPT (Comissão Pastoral da Terra) ou do Cimi (Conselho Indigenista Missionário).


    Tenho pena deste povo sem sossego, continuamente vivendo em sobressalto e banido dos mais elementares direitos que a Constituição Federal outorga a todos os cidadãos e cidadãs brasileiros. Trata-se em sua grande maioria de famílias que migraram do sul, sudeste e centro do Brasil à Amazônia em busca de condições melhores de vida que hoje estão sofrendo as conseqüências da quase total ausência do estado. A existência dos órgãos judiciários praticamente não se percebe. O policiamento é insuficiente. Diante do alto índice de criminalidade os destacamentos são irrisórios e não amedrontam nenhum criminoso. Além do mais o povo ainda me conta casos vergonhosos de corrupção da parte dos fardados causando a perda de confiança na segurança pública. E, como se não bastasse, esse povo do sul do Pará experimenta meses a fio a dolorosa sensação de total abandono. Basta lembrar o inverno (época das chuvas) que passou. As estradas cortadas, o povo completamente isolado, entregue à própria sorte, abandonado, condenado a morrer por causa de uma doença banal porque não tem acesso a médico, hospital, remédios! Entre os delitos mais preocupantes que se cometem na região enumero os seguintes:


    * ocupação desordenada da terra (grilagem)


    * desmatamento ilegal


    * exploração ilegal de madeira


    * trabalho escravo


    * superexploração de mão de obra


    * tráfico de drogas.


    Os casos de trabalho escravo e/ou superexploração de mão de obra já foram amplamente divulgados. O Ministério do Trabalho tomou conhecimento dessa realidade iníqua. Infelizmente, porém, as medidas tomadas pelo Governo não atingiram o alvo. As poucas fiscalizações aconteceram no período em que não há desmatamentos e, por conseguinte, há poucos “peões” nas fazendas. Já que as estradas durante muito tempo se encontram intransitáveis, a Polícia Federal terá que usar de outros meios de locomoção, de preferência helicópteros.


    Na já famigerada ?Terra do Meio”, onde se registra o maior número de violência no campo, a fiscalização foi até agora e continua sendo insuficiente permitindo assim que os crimes mais bárbaros se alastrem sem ninguém tomar providências.


    As fiscalizações têm que ser realizadas com meios de transporte apropriados (helicóptero, avião) e no tempo em que a incidência de trabalho escravo se torna mais patente pela concentração de “peões” nas fazendas. Isso ocorre exatamente no período de chuvas quando o acesso por estrada é praticamente impossível.


    O objetivo da Comissão Pastoral da Terra (CPT) é acompanhar os trabalhadores rurais e assessorá-los na defesa de seus direitos constitucionais.


    Ultimamente, porém, os escritórios da CPT são continuamente procurados por pessoas que se sentem prejudicadas em seus direitos trabalhistas.


    Registramos em 12 meses 400 consultas da parte de empregados que se sentiram lesados em seus direitos. É quase impossível para um trabalhador ou empregado conseguir seus direitos por causa da distância dos respectivos órgãos e repartições governamentais e do calamitoso estado de conservação das


    estradas.


    A Justiça do Trabalho mais próxima fica em Conceição do Araguaia a 500 km de São Félix do Xingu e o Posto do INSS em Redenção a 400 km de distância.


    Ora, segundo o último censo, o número de habitantes dos municípios de São Félix do Xingu, Tucumã e Ourilândia do Norte juntos é nada menos que 99.546 pessoas. Não é possível que todos esses brasileiros e brasileiras têm que procurar seus direitos e benefícios numa distância de 500 km viajando por estradas em que se arrisca a própria vida.


    Já que Tucumã é a cidade mais central dos três municípios, sugiro que seja escolhida o quanto antes como sede para uma Junta e Conciliação e Julgamento da Justiça do Trabalho, uma Delegacia do Trabalho e um Posto do INSS.


    Conto, sinceramente, com o empenho de V. Excia. em favor de nosso povo que é tão brasileiro quanto o povo do sul ou sudeste e merece todo o carinho do Governo, talvez até mais por viver em situação tão desprotegida e calamitosa.


    Erwin Krautler

    Bispo do Xingu

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  • 29/07/2004

    Marcha pela vida e contra os planos do império

    Uma rápida chuva de verão fez umedecer a terra e animar o coração da América pulsando forte neste dia 28 de julho em Quito. O sol veio em seguida e foi acompanhando a multidão que ia se concentrando na Praça El Arbolito, no centro da capital do Equador. A dor de parto e a ira indignada, acumulada em centenas de debates, depoimentos, testemunhos e conferências neste I Fórum Social das Américas, queriam seu espaço. E nada melhor que as ruas para gestar e dar guarida à Nova América possível.


    Aos poucos, dezenas de pequenas marchas, como a de centenas de mulheres indígenas  que estiveram reunidas no Coliseo da Universidade Salesiana, foram agitando as principais ruas, desembocando no mar de cores que foi sendo tecido na praça. Faixas, bandeiras, cartazes e folhetos expressavam o grito pela vida e denunciavam as políticas de opressão e morte impostas pelo império norte-americano. Os gritos por uma América livre de Tratados de Livre Comércio (TLC) e Acordo de Livre Comércio das Américas (ALCA) e tantos outros planos de espoliação, extermínio, saque e dominação dos povos do continente, formaram a sinfonia da indignação. As roupas coloridas anunciavam a pluralidade resistente de Abya Yala.


    Os povos estão se colocando de pé. O império se enfurece e reage. Em frente à embaixada norte-americana, dezenas de policiais armados de fuzis, bombas e granadas, executavam a ordem de defender a qualquer custo o espaço dos saqueadores. Até a rua foi interditada. Tanques e carros de guerra foram postados em lugares estratégicos para impedir a passagem da multidão em marcha. E as barreiras foram rompidas. Aos gritos de vivas à revolução e heróis da resistência e construção de uma América para todos os povos, e fora os traidores e os que roubam a nação, a multidão irrompeu em gritos e alegria, antecipando a festa que haverá de vir a brotar em cada coração do povo libertado. Alguns vidros de bancos foram quebrados e bombas de gás lançadas contra os marchantes.


    Foi um dos grandes momentos desse I Fórum Social das Américas. Certamente muitos outros frutos virão e farão o império ir perdendo o chão nessa América insurgente, ainda na paixão, mas em pé, com sonhos e esperança.


    Uma das grandes desgraças que vem afetando diversos países dentro da geopolítica de dominação e saque dos recursos naturais, é a invasão e expansão da voracidade das mineradoras. No seminário sobre o tema, os participantes denunciaram as estratégias diabólicas utilizadas pelas grandes multinacionais da extração mineral, suas práticas de divisão, cooptação e destruição. Tudo isso marcado por um discurso cínico e hipócrita de auto-sustentabilidade, de preservação ambiental e desenvolvimento social. Diante disso ficou decidido pressionar-se os governos para impedir que o saque e a destruição continuem. Para isso será fundamental continuar ampliando a rede em todos os países para que se possa efetivamente pôr fim a essa exploração neocolonial.


    Uma outra América é possível, plural, justa e solidária, com os povos em pé e a vida partilhada.


    Quito, 28 de julho de 2004.

    Egon D. Heck

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  • 29/07/2004

    Comunidades indígenas fiscalizam atividades ilegais

    As comunidades indígenas da região das Serras, área Raposa Serra do Sol, iniciaram no dia 27 de julho, fiscalização para impedir o tráfico de combustível e drogas, o ingresso de material de garimpo, bebida alcoólica e o furto de gado na terra indígena.


    Um grupo de 447 indígenas está na aldeia Pedra Branca, a 300 quilômetros de Boa Vista, no ‘entrocamento’ que dá acesso aos vilarejos Mutum, Água Fria, Socó e Uiramutã, fiscalizando todos os veículos e pessoas suspeitos de transportar cachaça, combustível, drogas e maquinários para a garimpagem ilegal na região.


    A fiscalização não inclui bloqueio da estrada nem impede a entrada de pessoas ou de veículos. No primeiro dia, uma caminhonete carregada de cerveja foi interceptada e o proprietário que deslocava-se para o vilarejo Socó, recebeu orientação para retornar com o produto.


    As comunidades de Raposa Serra do Sol estão reagindo ao aumento do garimpo nas cabeceiras dos rios Maù e Cotingo. Há mais de um ano, o Conselho Indígena de Roraima denunciou à Funai, Ministério Público, Ibama e Polícia Federal, a presença de balsas e garimpeiros nesses rios, mas nenhuma providência foi tomada (ver: www.cir.org.br/noticias_030527_garimpeiros.asp).


    No dia 26 de julho, o fiscal ambiental do Ibama, Luismar Araújo de Souza sobrevoou o rio Maù junto com o chefe de posto da Funai na região e o coordenador do CIR, Jacir José de Souza. Durante o sobrevôo foram encontrados 10 acampamentos de garimpeiros no curso do rio Maù.


    O fiscal registrou em GPS a localização dos acampamentos e enviará um relatório à Funai. Com essas informações espera-se que seja organizada uma ‘operação’ conjunta entre Ibama, Polícia Federal e Funai para retirada dos garimpeiros. Enquanto não acontecer a ‘operação’, os indígenas vão manter a fiscalização na aldeia Pedra Branca.


    A fiscalização feita pelas comunidades favoráveis à homologação contínua de Raposa Serra do Sol está a cerca de 30 quilômetros da barreira organizada pela Sociedade dos Índios Unidos de Roraima – Sodiur, junto com Arikon e Alidcir. Desde janeiro de 2004, estas organizações indígenas interceptaram a estrada com uma corrente, supostamente com a intenção de impedir a entrada de estrangeiros da região.


    No último dia 25 de março, o juiz da Segunda Vara Federal de Roraima, Dr. Giovanny Morgan, homologou por sentença judicial, o acordo para retirada da barreira, firmado pelo Ministério Público Federal e as organizações indígenas que faziam o bloqueio. Mesmo o magistrado tendo sentenciado multa diária de 500 reais à Alidcir, Sodiur e Arikon caso o acordo não fosse cumprido, a corrente permaneceu na estrada (ver: www.cir.org.br/noticias_040326.asp).


    29 de julho de 2004.

    Conselho Indígena de Roraima

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  • 29/07/2004

    CIMI INFO-BRIEF 623

    2. KONTINENTALES TREFFEN DER INDIGENEN VÖLKER UND NATIONALITÄTEN DER AMERIKAS


    “INTI NAPAI” – BEEINDRUCKENDER SONNENGRUSS ZUM BEGINN


    Bei der Eröffnung des 2. Kontinentalen Treffen der indigenen Völker Amerikas in Quito (Ecuador) am 22.07.2004 wurde die Sonne von den anwesenden Hunderten indigenen Vertretern recht eindrucksvoll begrüsst. Die Zeremonie hat Pilatunha Lincango vom Volk Kitukar aus der Region Quito geleitet.


    Die jahrtausendalte Zeremonie dieses Volkes ist reich an Symbolen und rituellen Ausdrücken. Am Ort des Treffens, in der Schule der Laurita-Schwestern wurde eine grosse Sonne aus Früchten der Region gestaltet. Es war Nacht, am Himmel leuchteten die Sterne als sich die Indios in Gedanken und im Herzen auf das Ritual vorbereiteten.


    Bei Sonnenaufgang war die Zeremonie in vollem Gange. Ein indigenes Paar aus jedem teilnehmenden Land – Kolumbien, Venezuela, Peru, Ecuador, Bolivien, Guatemala, Mexico, Paraguay, Honduras  – bildete einen Kreis um die Sonne aus Früchten und besprengten sie mit Duftwassern und indigenen Getränken. Alle waren im Einklang mit der Mutter-Erde (Pachamama) und brachten ihren Dank, ihr Lob und ihre Bitten für alle indigenen Völker des Kontinents der Sonne bei ihrem Aufgang dar. Es wurde Wawa Pichincha, der Berg um Quito, verehrt. Für das Volk Kitukar ist er der Heilige Berg, die Quelle des Lebens.


    Von Brasilien sind unter anderen indigene Vertreter Makuxi und Wapichana (RR), Pataxó (BA), Tapeba (CE), Sateré-Mawé (AM), Bakairi (MT) und Manchineri (AC) sowie ihre Verbündeten vom CIMI und von der Diözese Roraima gekommen. Es werden mehr als 600 Indios aus nahezu allen Ländern des Kontinents und  Gäste aus Europa (Spanien, Italien, Frankreich) erwartet.


    Mit Musik und viel Beifall werden die Ankommenden begrüsst. Am ersten Tag gab es bereits fünf Arbeitsgruppen: Land, Autonomie und Selbstbestimmung geleitet von Sebastião Manchineri, Präsident von COICA; Vielfalt und Pluralität geleitet von Luis Macas von der Indigenen Universität in Ecuador; Rechte der Völker, Nationalitäten und soziale Bewegungen beim Weltsozialforum geleitet von Nicia Maldonado von CONIVE aus Venezuela; Militarisierung geleitet Forge Frederick (CICA); Frauen und der Ausbau eines plurinationalen Staates geleitet von Vicenta Chuma (PIA).


    Das 1. Kontinentale Treffen endet am Sonntag (25.07.)


    Brasília, 22. Juli 2004

    Cimi – Indianermissionsrat

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  • 29/07/2004

    CIMI INFO-BRIEF 621

    GERICHTE BEHARREN AUF GUTACHTEN ZUR VERKLEINERUNG VON RAPOSA/SERRA DO SOL


    Ein weiteres Kapitel im Kampf für die Homologation des indigenen Gebietes Raposa/Serra do Sol: Die Ministerin des Obersten Bundesgerichts, Ellen Gracie, lehnte am 02.07.2004 den Antrag auf Aufhebung des Gutachtens, erstellt vom Generalstaatsanwalt der Republik, Cláudio Fonteles, zur Verkleinerung von Raposa/Serra do Sol ab. Der Präsident des Obersten Gerichts, Edson Vidigal, folgte diesem Vorgehen und lehnte am 06.07.2004 ebenfalls den Antrag der Generalanwaltschaft des Bundes ab.


    Sowohl die Generalanwaltschaft als auch die Bundesstaatsanwaltschaft beantragten die Aufhebung der Entscheidung von Gerichtsrätin Selene Maria vom Regionalen Bundesgericht der 1. Region. Sie bestätigte und erweiterte das Gutachten des Bundesrichters von Roraima, Helder Girão Barreto, das teilweise die Wirkung des Erlasses 820/98 des Justizministeriums aufhob.


    Bei der Prüfung der Einsprüche gegen das Gutachten von Barreto seitens der Bundesstaatsanwaltschaft und der indigenen Gemeinschaft Maturuca, änderte die Gerichtsrätin die Entscheidung des Richters und erweiterte die Wirkung des Gutachtens. Ausgeschlossen wurde das Gebiet im Grenzbereich bis der Rat zur Nationalen Verteidigung über die Verwendung des Gebietes an der Grenze von Guyana und Venezuela sowie über das Naturschutzgebiet Nationalpark Monte Roraima beraten hat.


    Der Generalanwalt der Republik sagte im Zusammenhang mit dem Antrag an das Oberste Bundesgericht, dass beide Entscheidungen „eindeutig fehlerhaft und verfassungswidrig“ seien.


    Für den CIMI bedeutet das Bestehen auf den Gutachten eine Förderung von antiindigenen Interessen sowie wirtschaftlichen und politischen Gruppen. Diese Hindernisse müssen überwunden werden, da das Recht der Indios auf ihr traditionelles Land nicht in Frage zu stellen ist.


    Der CIMI wird die indigenen Völker von Raposa/Serra do Sol weiter unterstützen. Dieses Gebiet über 1,7 Millionen ha, das traditionell der Lebensraum von rund 15.000 Indios von fünf Ethnien ist, wurde von der Regierung durch die Unterzeichnung und Veröffentlichung von Erlass 820/987 als indigener Besitz deklariert.


    SOZIALE BEWEGUNGEN MANIFESTIEREN IN RAPOSA/SERRA DO SOL UNTERSTÜTZUNG FÜR DIE INDIOS


    Eine Gruppe von 60 Vertretern von Gewerkschaften, Umweltgruppen, Basisbewegungen als Sprachrohr für 21 Organisationen der Zivilgesellschaft aus dem Bundesstaat Roraima, waren am 08.07.2004 in der jüngst errichteten Maloca Jauari, um die Fortschritten auf den Reisfeldern zu beobachten.


    Die Bewegung „Wir existieren“ will mit ihrer solidarischen Anwesenheit die Sorgen um die erneute Aufrollung der Homologation von Raposa/Serra do Sol zum Ausdruck bringen und gegen die Umweltzerstörung infolge des giftigen Pflanzenschutzes bei der Reisproduktion protestieren.


    In einer Aussendung fragten die Organisationen „bis wann das Recht auf Leben, Menschenrechte und das Gesetz mehr zählen als wirtschaftliche Interessen“. Befürwortet wird die fortlaufende Homologation. Ein Appell richtete sich an die indigenen Völker, die nicht länger akzeptieren sollen, dass Auseinandersetzungen und Straffreiheit die regionale Entwicklung und den Aufbau einer Zukunft in Frieden und Gerechtigkeit verhindern.


    Brasília, 08. Juli 2004

    Cimi – Indianermissionsrat

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  • 29/07/2004

    CIMI INFO-BRIEF 620

    BESETZUNG DURCH DIE GEMEINSCHAFTEN VON RAPOSA/SERRA DO SOL ALS PROTEST GEGEN DIE UMWELTZERSTÖRUNG DURCH REISPRODUZENTEN


    Müde, um noch länger auf eine positive Entscheidung der Bundesregierung hinsichtlich der Homologation von Raposa/Serra do Sol zu warten und besorgt über die Umweltzerstörung durch die Reisproduzenten, haben die Gemeinschaften der Regionen Raposa, Serras, Baixo Cotingo und Surumu, das Ufer des Jauarim besetzt, 180 km von Boa Vista entfernt.


    Die Besetzung begann am 30.06.2004 und soll der weiteren Umweltzerstörung durch die Reispflanzer Einhalt gebieten. Der Missstand wurde oftmals bei den Behörden angezeigt. Weder die FUNAI, noch die Staatsanwaltschaft, die Bundespolizei oder das IBAMA haben sich um eine Lösung gekümmert.


    Rund 300 Indios der Aldeias Raposa/Serra do Sol beteiligen sich an der Aktion. Ihre Gemeinschaften sind besonders von der Verschmutzung der Flüsse infolge der Anwendung von giftigen Pflanzenschutzmitteln betroffen.


    Der grösste Reisproduzent im indigenen Gebiet, Paulo César Quartieiro, war am 29.06.2004 vor Ort, um die indigenen Vertreter einzuschüchtern, die entlang des Ufers Unterkünfte aufbauten. Er informierte anschliessend die Bundespolizei.


    Die Gemeinschaften wollen nicht mehr den Ausgang der Berufung des Gutachtens hinsichtlich Raposa/Serra do Sol von Gerichtsrätin Selene Almeida von der Justiz von Roraima abwarten.


    Aufgrund der Verzögerung der Homologation kommt es zur Ausbreitung von Reisplantagen, zur irreversiblen Umweltzerstörung und zur Schädigung des physischen und kulturellen Besitzes der indigenen Völker. Für diese Situation ist die Bundesregierung verantwortlich, die keine Schritte zur Garantie der territorialen Rechte der Indios setzt.


    Der Indianerrat von Roraima wird sich bemühen, Konflikte zwischen Indios und Landspekulanten während der Besetzung zu verhindern. Die Landspekulanten zerstören ungestraft die Umwelt und greifen die indigenen Völker und ihre Verbündeten an.


    INVASOREN DES INDIGENEN GEBIETES CACHOEIRA SECA WOLLEN DEMARKIERUNG VERHINDERN


    Die Invasoren des Gebietes der Arara in Uruará (PA) wollen das vor zwei Wochen von der FUNAI begonnene Verfahren der Demarkierung stoppen.


    Für 05.07.2004 ist eine Mobilisierung mit rund 800 Personen von vier Gemeinden, die an den Grenzen zum indigenen Gebiet liegen, geplant.


    Paulo Medeiros von der Gewerkschaft der Landarbeiter und Kandidat für das Amt des Bürgermeisters von Uruará berichtete von einer Versammlung am 28.06.2004. Danach haben sich alle zum Ort der Demarkierung durch FUNAI-Mitarbeiter begeben.  „Wir wollen einen Stopp. Wir werden die Demarkierung nicht akzeptieren“. Laut Medeiros sperrten die Unternehmer und Siedler, die an der Mobilisierung teilnahmen, die Transamazônica. „Wir werden Massnahmen ergreifen. Auch werden wir vor Gericht die Aufhebung der Demarkierung verlangen. Die Indios wollen dieses Gebiet nicht“, so Medeiros abschliessend.


    Gegenteiliges sagt die CIMI-Mitarbeiterin Petronila Almeida. „Die Arara von Cachoeira wollen dieses Land und kämpfen bereits seit dem demarkatorischen Erlass von 1993 für seine Garantie. Elf Jahre lang haben die zuständigen Organe nichts unternommen“.


    Petronila erinnert an die Verhandlungen und Audienzen einer Delegation des Volkes vom 14.-18.06.2004 in Brasília. „Sie haben am 16.06. dem Justizminister offiziell 23.000 Unterschriften einer Aktion für die Demarkierung von Cachoeira Seca übergeben. Für jegliche Gewalt gegen die Indios Volk tragen die Bundesorgane die Verantwortung.  Dieses Volk hat er’s 16 Jahre Kontakt mit der sie umgebenden Gesellschaft und es besteht die Gefahr seiner Auslöschung oder eines Massakers, wenn nicht schnellstens Massnahmen getroffen werden“.


    In Brasília beklagten die Arara die Auswirkungen der verzögerten Demarkierung. Sie werden von den Invasoren ständig bedroht und verfolgt. Im Jahr 2000 wurde ein Arara ermordete, als er den Fischfang in seinem Gebiet verhindern wollte. Seither leben die Indios in Angst und niemand geht alleine zum Fischfang oder auf die Jagd. „Wir gehen gemeinsam. Wenn wir im Wald einen Weissen treffen und dieser tötet einen von uns, holt der andere Hilfe“, sagt der indigene Vertreter Arara Laut.


    VIRTUELLE NEUIGKEIT


    Es ist uns eine Freude, dass wir unseren Einsatz für die Rechte der indigenen Völker in der virtuellen Welt neu organisieren konnten. Die Web-Site des CIMI wird weiterhin möglichst viele Informationen über die indigenen Anliegen, über Missstände sowie über Gewalt  gegen die indigenen Völker und über die Aktivitäten ihrer Verbündeten veröffentlichen.


    Besuchen Sie uns und unterstützen Sie uns bei der Verbreitung dieser Informationen: www.cimi.org.br


    Brasília, 01. Juli 2004

    CIMI – Indianermissionsrat

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  • 29/07/2004

    CIMI INFO-BRIEF 619

    FORUM ZUR VERTEIDIGUNG DER INDIGENEN RECHTE


    Am 23.06.2004 wurde das Forum zur Verteidigung der indigenen Rechte gegründet, als Plattform zur Diskussion und Analyse des Handelns des brasilianischen Staates zur Garantie der Rechte der indigenen Völker. Besorgt über die Rückschritte bei Exekutive, Legislative und Judikative hinsichtlich des Respekts der indigenen Rechte wie sie die Bundesverfassung von 1988 und die Konvention 169 der WTO garantieren setzen die indigenen Organisation auf die Bündelung ihrer Kräfte, um den Unterlassungen der Regierung und den ständigen Angriffen antiindigener Gruppen zu begegnen


    Die Teilnehmer bei der Gründung waren sich einig über die Bedeutung des Forums. Márcio Santillio vom Institut für soziale Umwelt hofft auf eine ähnliche Mobilisierung wie während der verfassungsgebenden Versammlung. Aufgrund der Bündnisse konnten damals wichtige Errungenschaften erzielt werden.


    Das Forum diene „nicht nur den indigenen Völkern sondern dem ganzen Land, das sich bis heute verstümmelt fühlt, vor allem in Bezug auf die indigenen Völker“, so der Präsident der Kommission für Landpastoral, Bischof Tomás Balduíno.


    Dom Luciano Mendes sprach namens des CIMI. Er betrachte das Forum als Meilenstein im Einsatz der indigenen Bewegung, denn es handle sich „um eine dauerhafte und nicht vorübergehende Aktion. Es liegt an uns, die wir für die indigenen Anliegen eintreten, dass diese Initiative Bestand hat“.


    Dringende Fragen mit denen sich das Forum beschäftigte: Land, Gesundheit, Bergbau in indigenen Gebieten. Die Sekretariatsaufgaben übernimmt die Koordination der Indigenen Organisationen vom amazonischen Brasilien (COIAB), das bereits eine Planungssitzung anberaumt hat.


    Laut Jecinaldo Saterê Mawé, Koordinator von COIAB, soll jetzt zu Beginn ein Dossier ausgearbeitet werden über die Situation der indigenen Gesundheitsbetreuung nach den Änderungen bei der FUNASA, über die dringende Homologation des Gebietes Raposa/Serra do Sol und die tatsächliche Lage seiner Bewohner, über den Bergbau in indigenen Gebieten, allen voran im Gebiet Roosevelt der Cinta Larga. „Das Dossier soll die Gesellschaft über unsere Situation und Probleme informieren. Wir wollen mit unserer Arbeit die Regierung zu einer indigenen Politik bewegen, bei der die indigenen Gemeinschaften und Organisationen eingebunden sind“, so Jecinaldo.


    Die 6. Kammer der Bundesstaatsanwaltschaft wird alle Projekte der Legislative und Exekutive begleiten und das Forum ständig darüber informieren.


    Für Deborah Duprat, stellvertretende Generalstaatsanwältin der Republik und Koordinatorin der 6. Kammer, „sind die Indios die Protagonisten, bei allen staatlichen Angelegenheiten die sie selbst betreffen. Diese Plattform wird Raum für Diskussionen geben, vor allem der negativen Politiken, die der Staat entgegen Konvention 169 und Bundesverfassung durchsetzt. Der Einsatz der Indios wird nicht geschätzt. Das Forum wird ihnen nun jene Rolle verschaffen, die Verfassung und Konvention 169 für die indigenen Völker vorgesehen haben“.


    Bei der Gründung verglich der Generalstaatsanwalt der Republik, Cláudio Fonteles, das Forum mit einem Vogel, „der Flügel hat, um zu fliegen. Das Forum ist die Plattform, damit unsere Flügel nicht vom Körper fallen, es ist der Raum für Fortdauer“.


    ERSTE KLAGEN DES FORUMS


    Die Situation der Krahô-Kanela war die erste Klage des Forums. Das Volk hat am 10.06.2004 das traditionelle Gebiet Mata Alagada zurückgewonnen, hat es aber wieder verlassen. 


    Von der Bundesjustiz kam am 16.06.2004 ein Gutachten über die Reintegration von Besitz gegen das Volk,  nachdem der Richter von Cristalândia die Kompetenz an die Bundesinstanz abgab. Eine Vereinbarung mit der FUNAI, die Regulierung des Gebietes Mata Alagada zu beschleunigen, die Zusage eines Ortes für ein Leben in Würde sowie Unterstützung bewegte die Krahô-Kanela zum Verlassen des Gebietes.


    Kazike Mariano berichtete dem Forum von der Situation seines Volkes und bat um Hilfe. Die Indios wollen nur das Land, von dem sie vor über 20 Jahren vertrieben wurden. Der Kazike sprach über die Motive der Landrückgewinnung. „Unser Antrieb waren die Unterlassungen der FUNAI. Seit mehr als 20 Jahren wissen wir nicht wo wir leben sollen. Die FUNAI gab uns wenig Hilfestellung. Die Erhebung unseres Landes gestaltete sich sehr träge. Es ist viel Zeit verstrichen ohne dass sich jemand um die Unterlagen kümmerte. Das hat uns motiviert, in unser traditionelles Gebiet zurückzukehren“. Der Kazike erläuterte auch die jüngsten Spannungen, als zwei Mitarbeiter der Justiz als Geiseln genommen wurden. „Wir wollten weder Streit noch Angriffe. Wir wollen nur unser Land und dafür setzen wir uns ein“. Mariano bat die anwesenden Organisationen um Unterstützung, denn er hat wenig Vertrauen in die staatlichen Organe. „Ich bitte euch um Hilfe, denn die FUNAI tut nichts. Darum müssen wir seit Jahren leiden. Wir wollen nicht länger leiden. Wenn die FUNAI keine Lösung anbietet, werden wir selbst eine Lösung finden“, so der Kazike zum Abschluss.


    Brasília, 24. Juni 2004

    Cimi – Indianermissionsrat

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  • 29/07/2004

    Informe n.º 624

    ENCERRAMENTO DO II ENCONTRO CONTINENTAL DOS POVOS E NACIONALIDADES INDÍGENAS DAS AMÉRICAS


    Mais de 700 indígenas encerraram, no último domingo (25), em Quito, no Equador, o II Encontro Continental dos Povos e Nacionalidades Indígenas de Abya Yala marcando posição contrária à política do governo dos Estados Unidos de intervenção com instalação de bases militares em vários países e pela imposição de programas como o Plano Puebla-Panamá e a Alca (Área de Livre Comércio das Américas).


    Para as lideranças indígenas, os tratados de livre comércio (TLC) constituem ameaça para seus povos. “Em meu país, os militares americanos estão dando suporte para o governo e para os grupos paramilitares de extrema direita, cuja ação tem provocado o deslocamento de comunidades inteiras, favorecendo os próprios grupos que acabam se apossando da terra”, disse um líder indígena da Colômbia.


    Além da intervenção americana, os indígenas enfrentam conflitos com grandes companhias petrolíferas, mineradoras, latifundiários e outros grupos econômicos que, apoiados pelos governos, avançam sobre os territórios indígenas sem respeitar as leis que garantem aos indígenas o direito a seus territórios. 


    Em meio a esse debate veio à tona a questão da terra indígena Raposa Serra do Sol, no estado de Roraima, onde os conflitos com rizicultores e outros grupos políticos e econômicos aumentaram nos últimos meses em razão da demora na assinatura do decreto homologatório pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.  Foi aprovado pelos participantes o envio de um documento ao presidente brasileiro pedindo a imediata regularização das terras indígenas, em especial da Raposa Serra do Sol.


    Também foi marcante no final do evento a participação de Adolfo Pérez Esquivel – Prêmio Nobel da Paz -, e de delegações venezuelanas que conseguiram arrancar aplausos e apoio ao presidente Hugo Chávez Frias. Para os dirigentes populares participantes do Encontro e do Fórum Social da Américas, Hugo Chávez representa a resistência contra os projetos intervencionistas do governo estadunidense para as Américas.


    Os quatro dias de debate em torno de dez grandes temas produziram um documento que será enviado aos governos dos diversos países do continente americano com a finalidade de se estabelecer bases para a criação de estados plurinacionais, onde os povos indígenas sejam reconhecidos e tenham ampla participação nos diversos organismos e instâncias de decisão. (Clique aqui e leia o documento na íntegra).


    No documento, além de externarem indignação frente à política neoliberal e à repressão dos governos nacionais das Américas, caracterizada pela violação dos direitos humanos e de seus direitos como povos, as lideranças indígenas decidiram criar um espaço permanente de intercâmbio, para que os povos e nacionalidades enfrentem juntos a política de globalização do neoliberalismo, traçar uma agenda comum de ações e mobilizações e estabelecer alianças com outros setores da sociedade, em especial com os movimentos sociais.


    Também no domingo, teve início o I Fórum Social das Américas que terminará no dia 31. Mais notícias sobre o Fórum no site do Cimi. www.cimi.org.br. 


    Brasília, 29 de julho 2004.

    Cimi – Conselho Indigenista Missionário

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