• 11/11/2005

    Criminalização das Manifestações contra a Aracruz Celulose

     

    Novos informes sobre a luta Tupinikim e Guarani


     


    Depois da ocupação das fábricas da Aracruz Celulose nos dias 6 e 7 de outubro deste ano, caciques e lideranças Tupinikim e Guarani estiveram em Brasília, dia 27 de novembro, em uma reunião no Ministério da Justiça, onde definiram caminhos para a demarcação oficial das terras, de forma rápida e ágil. Após a reunião, a FUNAI publicou, dia 4 de novembro, portaria 1.299/2005 da FUNAI, instaurando Grupo Técnico (GT) que complementará e atualizará os estudos já realizados entre 1994 e 1998, que identificaram 11.009 hectares de terras indígenas autodemarcadas pelos Tupinikim e Guarani em maio deste ano. O GT criado agora terá prazo de 30 dias para realizar seus trabalhos de campo e concluir seu relatório.


     


    Criminalização das Manifestações contra a Aracruz Celulose


    Enquanto a luta indígena avança, a Aracruz contra-ataca pelo caminho de criminalização dos apoiadores da luta indígena e que  integram a Rede Alerta Contra o Deserto Verde. A Rede é composta por organizações, movimentos, entidades, religiosos(as) e cidadãos que se solidarizam com a causa das populações impactadas pela monocultura de eucalipto, incluindo os povos indígenas Tupinikim e Guarani.


    Nos últimos dias, quatro integrantes da Rede Alerta Contra o Deserto Verde (Emil Schubert – pastor luterano, Luiz Alberto Soares Loureiro – ex-sindicalista e ex-trabalhador da Aracruz Celulose demitido por seu apoio à luta da Rede Deserto Verde, Lígia Sancio – radialista, e “Elsa de tal, coordenadora do Fórum Social Capixaba e outros”), estão sendo processados pela empresa Aracruz Celulose, pelo apoio à luta indígena


    Na sua decisão do dia 26 de outubro, o Juiz Camilo José d´Ávila Couto da 2ª. Vara Cível e comercial da Comarca de Aracruz acolheu argumentações da empresa de que estas pessoas têm se pronunciado publicamente contra a atividade-fim da empresa, e praticado “esbulho” na área da empresa. E proíbe os mesmos de “praticarem quaisquer atos de turbação ou esbulhos” contra a Aracruz, afirmando “o propósito de tais indivíduos em promover a desordem, demonstrando estarem sendo guiados por princípios e ideais anárquicos”. Caso desacatam a decisão judicial, terão que pagar multa diária de R$  5.000 (US$  2.250,00/dia), além de correr risco de sofrer sanções criminais.


    Esclarecemos novamente que a ocupação no complexo industrial da Aracruz Celulose foi integralmente realizada pelos índios e totalmente pacífica, com o propósito de acelerar o processo de demarcação das suas terras. Estivemos presentes para apoiar esta ação corajosa, e para evitar qualquer tipo de violência contra os Tupinikim e Guarani. Alertamos a todos(as) pelas informações manipuladas e falsas que a Aracruz e outras empresas aliadas estão divulgando, com o objetivo de criar um clima de terror na opinião pública em torno dos índios e seus apoiadores.


    A ação judicial pela empresa Aracruz é emblemática e faz parte de suas estratégias de manter os índios isolados, sem apoio. Lembramos que, silenciosamente,  a empresa Aracruz Celulose, há mais de 30 anos, destruiu cerca de 35 aldeias indígenas, expulsando seus moradores, inclusive os Tupinikim da aldeia de Macacos. Exatamente em cima desta aldeia, e seus habitantes ancestrais, foi instalado o complexo industrial de produção de celulose da empresa. Imaginamos o desespero destes moradores sem ter onde, como e para quem denunciar toda violência vivida, cometida sob o jugo da ditadura militar.


    Enfatizamos que a Aracruz não alcançará o objetivo da sua ação intimidadora: calar a voz dos apoiadores dos Tupinikim e Guarani e das comunidades que lutam por seus direitos, violados por essa empresa. Não vamos nos calar e nem podemos, pois temos a responsabilidade de denunciar os impactos negativos sobre as comunidades atingidas pelas atividades da Aracruz Celulose e por outras empresas, diariamente. São impactos sociais, ambientais, econômicos e culturais que testemunhamos e sobre os quais publicamos e denunciamos, para que o Estado brasileiro, em vez de legitimar e fortalecer as ações da empresa, passe a respeitar os direitos dessas populações e a implementar mudanças no modelo de desenvolvimento dominante e perverso ao qual todos nós estamos sendo submetidos.


    Nossa solidariedade aos povos indígenas! Nossa solidariedade aos companheiros(as) processados(as)!


     


     


     


    Rede Alerta contra o Deserto Verde (ES)


    Vitória, 11 de novembro/2005

    Read More
  • 11/11/2005

    Update on the land struggle of the Tupinikim and Guarani


    After the occupation of the pulp mills complex of Aracruz Celulose, which took place on 6 and 7 October 2005, Tupinikim and Guarani Chiefs and Leaders were in the capital Brasília for a meeting on 27 November, at the Ministry of Justice. The meeting debated the way of how to proceed with the official demarcation of the lands, as quick and safe (legally) as possible.  As a result of this meeting,  a Working Group, number 1.299/2005, of the FUNAI (official institution for indigenous peoples in Brazil) was installed on 4 November,  aiming to complement and update the already realized studies in the period of 1994-1998, when it was defined that the 11,009 hectares, self-demarcated in May this year, are rightfully indigenous lands. The Working Group that has been created now will have a deadline of 30 days to finish its activities and report.


     


    Criminalization of the demonstrations against Aracruz Celulose


     


    While the indigenous struggle makes progress, Aracruz counterattacks starting to treat the supporters of the indigenous struggles,  who are also members of the Alert Against the Green Desert Network, as criminals. The Network is composed of organizations, movements, entities, religious persons and citizens, who have joined forces with the cause of the communities that suffer from the negative impacts of eucalyptus monocultures, especially the Tupinikim and Guarani Peoples.


     


    Over the past few days, four members of the Alert Against the Green Desert Network (Emil Schubert – Lutheran Pastor; Luíz Alberto Soares Loureiro – ex-trade-unionist and ex-worker of Aracruz Celulose, dismissed because of his support to the struggle of the Green Desert Network; Lígia Sáncio – radio/tv announcer; and “Elsa of such, coordinator of the Espirito Santo Social Forum initiative and others”), are being prosecuted by the company Aracruz Celulose because of their support to the indigenous land struggle.


     


    In his decision of 26 October, the Judge Camilo José d´Ávilo Couto of the 2nd Civil and Commercial Court of Aracruz, accepts arguments of the company that these persons have given their opinion publicly against the main activity of the company and practiced “plunder” at the company´s area, as a reference to the recent occupation of the pulp mills complex by the Tupinikim and Guarani. The Judge forbids these persons “to practice any perturbing or plundering” against Aracruz, affirming “the firm intention of these people to promote disorder, showing that they are oriented by anarchistic principles and ideas”. If they do not respect this decision, they will have to pay a daily fine of R$  5,000 (around US$  2,300) each day, besides running a risk to suffer criminal penalties.


     


    We want to make clear, once again,  that the action at the pulp mills complex of Aracruz Celulose was entirely realized by the Indians and totally pacific, aiming to accelerate the land demarcation process. We were present at this action, to fully support this brave action and prevent the use of any type of violence against the indigenous peoples. We alert you about the manipulated and false information that Aracruz and other allied companies are spreading about this action of the indigenous peoples, with the aim of creating a climate of terror in the national and international public opinion about the Tupinikim and Guarani and their supporters.


     


    We consider this court action typical for the Aracruz company and its strategy of separating the indigenous peoples from their supporters. We want to remember here that silently, more than 30 years ago, Aracruz destroyed around 35 indigenous villages, expelling their inhabitants, including the Tupinikim of the village of Macacos. The Aracruz´ pulp mills were constructed exactly on the place of this village. We imagine the despair of these people who did not know where, how and to whom to denounce all the violence they suffered, committed during military dictatorship.


     


    We stress that Aracruz will not be successful in its main aim of this act of intimidation: to silence the voice of the supporters of the Tupinikim and Guarani and other affected communities that struggle for their rights, violated by this company. We will not silence our voices, nor can we because we have a responsibility to denounce the many negative impacts the communities that suffer daily the impacts of Aracruz´ and other companies´ activities. These are environmental, social, economic and cultural impacts which we testify and about which we publish and make denunciations, so that the brazilian state, instead of legitimating and strengthen the actions of the company,  start to respect the rights of these populations and implement changes in the present dominant and perverse development model to which we all are submitted.


     


    Our solidarity with the indigenous peoples! Our solidarity with our four members who are being persecuted!


     


    Alert against the Green Desert Network (Espírito Santo state)


    Vitória, 11 November 2005

    Read More
  • 10/11/2005

    Assembléia de Santa Catarina vai tentar audiência com Ministro da Justiça

    Os próximos passos do povo Guarani em sua luta pela terra Morro dos Cavalos, com apoio da Assembléia Legislativa de Santa Catarina, serão a tentativa de marcar uma audiência um com o ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos. A Comissão de Direitos e Garantias Fundamentais, de Amparo à Família e a Mulher da Assembléia Legislativa de Santa Catarina comprometeu-se também a enviar ao Ministério da Justiça  uma moção em apoio à demarcação de Morro dos Cavalos.


     


    Os encaminhamentos foram tomados em audiência pública sobre a demarcação da terra indígena, promovida pela Comissão de Direitos e Garantias Fundamentais e teve a presença dos deputados estaduais Ana Paula Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL) e da deputada federal Luci Choinacki (PT), do promotor da cidade de Palhoça e do Conselho Estadual dos Povos Indígenas e de representantes do povo Guarani.


     


    O Ministério da Justiça (MJ) também foi convidado, mas não compareceu. Enviou apenas um telegrama.


     


    Diante da ausência do MJ, o indígena José Benício, do Conselho Estadual dos Povos Indígenas, reafirmou a intenção de seu povo de denunciar o governo brasileiro à ONU por causa da demora para terem acesso a suas terras. “ Estamos cansados. Já pedimos, já mandamos cartões para o ministro, já convidamos ele pra vir aqui e agora cansamos. Vamos fazer a denúncia à ONU”, disse.


     


    Para saber mais sobre a campanha organizada pelos Guarani, visite www.terraguarani.org.br.


     


     


    CONTEXTO EM SANTA CATARINA


     


    Os povos de Santa Catarina lutam pelo fim da paralisia na demarcação de suas terras. Neste estado, a articulação de políticos e proprietários rurais contra os direitos indígenas levou à criação de uma inconstitucional Comissão Especial que, sob a desculpa de analisar os processos de regularização de terras, atua para impedir seu reconhecimento. As mobilizações foram intensificadas após declarações infundadas de representantes do governo do estado de Santa Catarina (SC) na Comissão, que anunciaram, em entrevistas a rádios, que o processo de demarcação da Terra Indígena Toldo Pinhal “era coisa do passado”.


     


    Para se contrapor a esta paralisia, na última segunda-feira (7), os Kaingang retomaram uma propriedade abandonada por agricultores, localizada dentro da terra indígena Toldo Pinhal. Na quarta-feira (9), outro grupo Kaingang retomou uma fazenda construída no interior de sua terra, Toldo Imbu, localizada na região oeste de SC.


     


    Três terras dependem apenas da assinatura das portarias declaratórias pelo ministro da Justiça para serem encaminhados. Toldo Imbu aguarda desde dezembro de 2002; Morro dos Cavalos, desde outubro de 2003 e terra indígena Toldo Pinhal aguarda desde janeiro de 2005. A legislação que regulamenta estes processos estabelece prazo de 30 dias para decisão do ministro.


     

    Read More
  • 10/11/2005

    Informe no. 689: Demarcações paradas em Santa Catarina


    Os povos de Santa Catarina lutam pelo fim da paralisia na demarcação de suas terras. Neste estado, a articulação de políticos e proprietários rurais contra os direitos indígenas levou à criação de uma inconstitucional Comissão Especial que, sob a desculpa de analisar os processos de regularização de terras indígenas, atua para impedir as demarcações. As mobilizações no estado foram intensificadas após declarações de representantes do governo de Santa Catarina na Comissão, que anunciaram, em entrevistas a rádios na última sexta-feira (4), que o processo de demarcação da Terra Indígena Toldo Pinhal “era coisa do passado”.


     


    Ontem (dia 9), os Kaingang retomaram uma fazenda construída da terra Toldo Imbu, localizada na região oeste de SC e, à noite, fecharam uma estrada que dá acesso a um bairro da cidade de Abelardo Luz. Hoje (10), estão no local o batalhão de choque e a cavalaria da Polícia Militar, além da Polícia Federal, segundo informações da equipe do Cimi. Está programada para as 16h00 uma audiência na Justiça Federal de Chapecó sobre o pedido dos fazendeiros pela reintegração de posse da terra retomada. Os indígenas negociam pela manutenção da barreira na estrada até o final da audiência. 


     


    Na segunda-feira (7), outro grupo Kaingang retomou uma propriedade abandonada por agricultores, localizada dentro da terra indígena Toldo Pinhal.


     


    Também hoje, quinta-feira, os Guarani da terra Morro dos Cavalos estarão na capital do estado para uma audiência pública na Assembléia Legislativa. Nas próximas semanas, farão também uma denuncia à ONU sobre a demora para terem acesso a suas terras, em parceria com a Ong Justiça Global.


     


    As três terras onde ocorrem mobilizações têm em comum o fato de terem seus processos de demarcação paralisados no Ministério da Justiça (MJ). Eles dependem apenas da assinatura das portarias declaratórias pelo ministro da Justiça para serem encaminhados. Toldo Imbu aguarda desde dezembro de 2002; Morro dos Cavalos, desde outubro de 2003 e terra indígena Toldo Pinhal aguarda desde janeiro de 2005. O decreto que regulamenta estes processos estabelece prazo de 30 dias para decisão do ministro.


     


    A criação da Comissão Especial que avalia a demarcação de terras indígenas no estado, em setembro de 2004, foi, na avaliação dos povos de Santa Catarina e do Cimi, uma estratégia para postergar ainda mais o reconhecimento de terras. Os processos de demarcação são estritamente de responsabilidade do governo  Federal e, por isso, o indígenas e o Cimi vêm questionando a legitimidade desta Comissão.


     


    Os protestos contra a paralisia no reconhecimento das terras não são novos. A Audiência Pública que ocorre hoje às 14h00 em Florianópolis será realizada depois de uma campanha que tentou sensibilizar o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, sobre a urgência do encaminhamento da terra Morro dos Cavalos. Foram distribuídos 5 mil cartões para serem enviados ao ministro; foram enviadas também mensagens de correio eletrônico e os Guarani já participaram de diversas mobilizações, como o Abril Indígena, realizado em Brasília no início de 2005. 


     


    Há cerca de dois meses, os indígenas de Toldo Pinhal bloquearam três estradas municipais, também no interior da área que reivindicam. Eles concordaram com a desobstrução das vias sob a promessa de que a Portaria Declaratória de sua terra seria assinada pelo ministro da Justiça na semana seguinte. O acordo não foi cumprido. Pelo contrário, no dia seguinte o ministro recebeu o governador do estado de Santa Catarina e comprometeu-se a não assinar a Portaria até manifestação da Comissão Especial. Em setembro, esta Comissão decidiu fazer um estudo sobre as áreas indígenas em processo de regularização e, na sexta-feira, seus representantes colocaram em dúvida a continuidade da demarcação das terras do estado, em entrevistas a rádios locais.


     


    O processo de demarcação de Toldo Imbu já se prolonga por mais de quinze anos. Em 1987, a área foi identificada como terra indígena. As pressões políticas e econômicas impediram a demarcação naquela ocasião,. Em 1998 a terra foi identificada com 1.965 hectares. Após ser publicado duas vezes nos Diários Oficiais da União e do Estado de Santa Catarina e transcorrido o prazo legal das contestações, o processo foi enviado, pela Fundação Nacional do Índio, ao Ministério da Justiça, em dezembro de 2002.


     


    Desde então, a comunidade indígena reivindica a assinatura da Portaria Declaratória. Já recorreram à Justiça Federal, ao Ministério Público Federal e realizaram freqüentes viagens e audiências com representantes do Ministério da Justiça. Além disso, os Kaingang já haviam realizado três retomadas e, em 2003, acamparam por cerca de quinze dias em frente ao prédio do MJ, em Brasília.


     


    De acordo com o cacique Adroaldo Fidelis, de Toldo Imbu, seu povo chegou ao limite da tolerância.  O cacique chama atenção para o desrespeito a seu povo. “Estamos passando até fome aqui e, não bastasse o desrespeito do governo federal com a nossa situação, agora vem esses representantes do governo do estado dizer nas rádios que os índios de Abelardo Luz são imigrantes e que nunca existiu nem vai existir terra indígena aqui? Meu povo sentiu-se profundamente atingido. Entendemos estas manifestações como uma provocação. Aí é demais. Não queremos conflito, mas esta terra sempre foi nossa e nós queremos de volta já”, diz, referindo-se às falas da Comissão.

    Read More
  • 10/11/2005

    Povo Krahô-Kanela vai à Justiça para exigir decisão da Funai

    Foram apresentados ontem à Justiça Federal um Mandado de Segurança e uma Ação Civil Pública contra a União e contra a Fundação Nacional do  Índio (Funai), para que a presidência do órgão manifeste sua posição sobre o processo de demarcação da terra indígena Mata Alagada, do povo Krahô-Kanela, localizada no município de Lagoa da Confusão, Tocantins.


     


    Esta é a primeira vez que uma comunidade indígena entra com um Mandado de Segurança para garantir que a Funai dê encaminhamento ao processo administrativo de demarcação de uma terra.


     


    Nos argumentos do Mandado de Segurança apresentado pela Comunidade Indígena Krahô-Kanela, representada pelo cacique Mariano Wekedê Krahô, ressalta-se que a demora é especialmente grave, “posto ter sido observado pelas diversas equipes antropológicas designadas pela própria autoridade coatora [presidente da Funai] que as condições de vida do grupo indígena em questão, desde 1996, impõem uma medida oficial para superação da situação atual, e considerando o total comprometimento da qualidade de vida do grupo, que tem logrado manter razoável grau de coesão ao longo da trajetória vivida a partir de 1926”.


     


    No texto do Mandado de Segurança, os advogados argumentam que o processo de identificação da terra transcorreu de forma regular mas que, ao protelar a decisão de aprovar ou reprovar o relatório de identificação da terra, o presidente da Funai, Mércio Pereira Gomes, mantém-se omisso quanto à decisão. O questionamento legal se baseia, entre outros argumentos, no Estatuto dos Servidores Públicos Civis da União, que determina que “o agente que silencia indevidamente comporta-se com negligência, viola o dever funcional de ‘exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo”.


     


    Já a Ação Civil Pública, de acordo com o Ministério Público Federal, visa garantir à comunidade indígena Krahô-Kanela a declaração, por sentença, do direito à posse sobre as terras que tradicionalmente ocuparam. O MPF pede ainda antecipação de tutela, visando garantir que os Krahô-Kanela possam ocupar imediatamente a área reivindicada e, na hipótese desta não ser considerada de ocupação tradicional da comunidade indígena, que a ação seja convertida em desapropriação indireta, para que eles possam permanecer no imóvel; requer também a condenação da União e da Funai ao pagamento de indenização pelos danos morais suportados pela comunidade indígena em razão de sua omissão e a determinação de que sejam paralisadas quaisquer atividades impactantes sobre o meio ambiente na área.


     


    Cimi – Assessoria de Imprensa


     

    Read More
  • 09/11/2005

    Povo Kaingang retoma terra Toldo Imbu em Santa Catarina

     


    Dando continuidade ao processo de reconquista de suas terras tradicionais no oeste de Santa Catarina, os Kaingang, na madrugada desta quarta-feira (dia 09), retomaram uma fazenda no interior da Terra Indígena Toldo Imbu, localizada no município de Abelardo Luz.


     


    O processo de regularização desta terra vem se “arrastando” há mais de quinze anos. Já em 1987, a área foi identificada como sendo terra indígena. As pressões políticas e econômicas impediram, naquela ocasião, a demarcação da área.


     


    Em 1998, foi criado o Grupo de Trabalho (GT) que identificou e delimitou 1.965 hectares como sendo de ocupação tradicional do povo Kaingang. Após ser publicado duas vezes nos Diários Oficiais da União e do Estado de Santa Catarina e transcorrido o prazo legal das contestações, o processo foi enviado, pela Fundação Nacional do Índio, ao Ministério da Justiça, em dezembro de 2002.


     


    Desde então, a comunidade indígena vem reivindicando a assinatura da Portaria Declaratória. Além dos inúmeros documentos enviados e das freqüentes viagens e audiências com representantes do Ministério, os Kaingang já haviam realizado três retomadas na área reivindicada, além de terem se acampado, por cerca de quinze dias, em frente ao prédio ministerial, em Brasília, nos meses de junho e julho de 2003.


     


    A Justiça Federal de Chapecó, a pedido da comunidade indígena, notificou, por duas vezes, o Ministro da Justiça, solicitando para que o mesmo se pronunciasse a respeito do assunto. O Ministério Público Federal também vem atuando no caso. O Conselho Indigenista Missionário denunciou, em diversas ocasiões, a existência de forte pressão política contrária ao direito indígena sobre sua terra e a conseqüente falta de iniciativa do Governo Federal.


     


    De acordo com o cacique Adroaldo Fidelis, seu povo chegou ao limite da tolerância.  O cacique chama atenção para precariedade e desrespeito que sofre seu povo,  “estamos passando até fome aqui e não bastasse o desrespeito do governo federal com a nossa situação, agora vem esses representantes do governo do estado dizer nas rádios que os índios de Abelardo Luz são imigrantes e que nunca existiu nem vai existir terra indígena aqui? Meu povo sentiu-se profundamente atingido. Entendemos estas manifestações como uma provocação. Aí é demais. Não queremos conflito, mas esta terra sempre foi nossa e nós queremos de volta já”.


     


    Adroaldo se refere a manifestações feitas em rádios da região, no final de outubro, por representantes do governo catarinense na Comissão Especial criada pelo Ministério da Justiça, sob pressão deste mesmo governo, para tratar das questões indígenas no estado. Por entenderem que se trata de assunto eminentemente da alçada federal, os povos indígenas de Santa Catarina e o Conselho Indigenista Missionário vêm questionando a legitimidade da referida Comissão.


     


    Esta é a segunda retomada feita pelos Kaingang nesta semana no oeste catarinense. Na segunda-feira (dia 7), manifestação análoga teve início na terra indígena Toldo Pinhal em Seara, Arvoredo e Paial. Os Kaingang permanecem ocupando a área retomada e aguardam decisão da 1a. Vara da Justiça Federal de Concórdia sobre pedido de liminar para reintegração de posse solicitada na tarde desta terça-feira (dia 09).


     


    Em Santa Catarina, existem três processos de regularização de terras indígenas paralisados no Ministério da Justiça na dependência da assinatura das portarias declaratórias. São eles: Terra Indígena Toldo Imbu (desde dezembro de 2002), Terra Indígena Morro dos Cavalos (desde outubro de 2003) e Terra Indígena Toldo Pinhal (desde janeiro de 2005). A lei que regulamente estes processos estabelece prazo de 30 dias para decisão do Ministro sobre os mesmos.  Os caciques das duas terras retomadas prometem permanecer nos locais até haver manifestação do Ministro Marcio Tomás Bastos sobre as referidas portarias. 

     

    Read More
  • 09/11/2005

    Ação pede reconhecimento da terra indígena dos Krahô-Kanela

    O Ministério Público Federal no Tocantins entrou com Ação Civil Pública contra a União e a Fundação Nacional do Índio (Funai), para garantir à comunidade indígena krahô-kanela a declaração, por sentença, do direito à posse sobre as terras que tradicionalmente ocuparam, o chamado loteamento “Mata Alagada”, uma área de 31.925 hectares, localizada no município de Lagoa da Confusão. A ação, promovida pelo procurador da República Álvaro Lotufo Manzano, foi protocolada na Justiça Federal em Palmas na última segunda-feira, 7 de novembro.


     


    Na ação, o MPF pede a antecipação de tutela, para garantir que os krahô-kanela possam ocupar imediatamente a área reivindicada. Na hipótese de a terra não ser considerada como de ocupação tradicional da comunidade indígena, o MPF quer que a ação seja convertida em desapropriação indireta, para que os índios possam permanecer no imóvel. Pede também a avaliação das benfeitorias existentes para posterior indenização aos atuais detentores de títulos de propriedade; a condenação da União e da Funai ao pagamento de indenização pelos danos morais suportados pela comunidade indígena em razão de sua omissão; e a determinação de que sejam paralisadas quaisquer atividades impactantes sobre o meio ambiente na área.


     


    Como a Funai não publicou o relatório do grupo técnico que realizou o levantamento fundiário da terra indígena krahô-kanela, para eventual contestação, o MPF solicita ainda que seja determinado ao órgão a publicação dos editais, para chamar os interessados em questionar a demarcação proposta no documento no prazo de 90 dias


     


    Breve histórico – A reivindicação pela terra dos krahô-kanela já dura 21 anos. Nesse período, eles foram transferidos para o interior da Ilha do Bananal, próximos aos índios javaé, que, por causa das diferenças culturais, não os aceitaram; tiveram sua identidade étnica questionada e foram deslocados para um projeto de reforma agrária do Incra, onde também não se adaptaram, já que seu modo de vida é diferente do dos assentados. Desde setembro de 2001, os índios vêm sendo alojados em locais provisórios, sem condições de desenvolverem qualquer atividade produtiva e de auto-sustentação.


     


    Diante da omissão da União e da Funai em promover a demarcação da terra dos krahô-kanela, Manzano entende que cabe ao Poder Judiciário declarar o direito reivindicado pela comunidade indígena.


     


    O procurador alerta para a urgência do retorno da comunidade para suas terras, pois, considerando a precariedade de suas atuais condições de vida, existe o risco de extinção da comunidade, caso a situação se arraste por mais tempo. Segundo dados da Funasa, 80% dos membros da comunidade estão com verminose, decorrente das condições insalubres do local onde estão alojados, na Casa do Índio, em Gurupi.


     


    Ivonete Motta


    Assessoria de Comunicação


    Procuradoria da República no Tocantins


    Fone – 63 3219 7276


     

    Read More
  • 09/11/2005

    La amenaza de la esperanza en América latina

    Cuando Manuel Rozental llegó a casa una noche del mes pasado, unos amigos le dijeron que dos hombres desconocidos habían estado haciendo preguntas acerca de él. En esta comunidad indígena muy unida, al sudoeste de Colombia, rodeada de soldados, paramilitares de derecha y guerrillas izquierdistas, nunca es buen señal que forasteros lleguen a preguntar por uno.


     


    La Asociación de Consejos Indígenas del Norte de Cauca, que lidera un movimiento político que es autónomo de todas aquellas fuerzas armadas, se reunió de emergencia. Decidieron que Rozental, su coordinador de comunicaciones, quien había jugado un rol decisivo en las campañas por la reforma agraria y contra el Tratado de Libre Comercio con los Estados Unidos, tenía que exiliarse del país de urgencia.


     


    Estaban seguros de que esos desconocidos habían sido enviados para matar a Rozental; la única pregunta era, ¿por quién? ¿Por el gobierno nacional respaldado por EE.UU.? el cual tiene fama por utilizar a paramilitares de derecha para realizar su trabajo sucio ¿O fueron las Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia (FARC)? el más antiguo ejército guerrillero marxista en Latinoamérica, que hace su trabajo sucio por cuenta propia. Extrañamente, ambas posibilidades eran factibles. A pesar de estar en campos opuestos de una guerra civil que se libra desde hace 41 años, tanto el gobierno de Uribe como las FARC concuerdan que la vida sería infinitamente más sencilla sin el movimiento indígena del Cauca, que es parte de una fuerza política cada vez más influyente que ha irrumpido en América Latina, y que cuestiona las estructuras tradicionales de poder, desde Bolivia hasta México.


     


    Las FARC, que pretenden ser la única voz de los pobres de Colombia, han secuestrado o asesinado a destacados líderes indígenas en el Norte del Cauca. Y a las autoridades indígenas se las había informado que las FARC deseaban la muerte de Rozental. Durante meses, circulaban rumores de que él era la peor cosa que uno puede ser, a criterio de un movimiento guerrillero de izquierda: un agente de la CIA. Pero ello no significa que los forasteros eran asesinos de las FARC, porque otros rumores también se habían propagado, a través de los medios de difusión, por intermedio de agentes del gobierno. Sostenían que Rozental era la peor cosa que uno puede ser a criterio de un político de derecha, a sueldo de Bush: “un terrorista internacional”.


     


    El 27 de octubre, el Consejo Indígena, que representa a unos 110.000 indios Nasa de esa región, publicó un comunicado oficial enérgico: “Manuel no es ningún terrorista. Él no es paramilitar. No es agente de la CIA. Es parte de nuestra comunidad, y no debe ser silenciado por las balas”. Los líderes Nasa dicen que saben por qué Rozental, quien ahora vive en el exilio en Canadá, ha recibido amenazas. Es por la misma razón que dos aldeas indígenas pacíficas del norte de Cauca fueron convertidas en zonas de guerra, después de que las FARC atacaran puestos de la policía en lugares céntricos, dándole al gobierno un pretexto para efectuar una plena ocupación.


     


    Todo ello está sucediendo porque el movimiento indígena en Cauca, como en buena parte de América Latina, está de pie. En el último año, los Nasa del norte de Cauca han llevado a cabo las protestas antigubernamentales más grandes de la historia colombiana reciente y han organizado referéndums locales contra el libre comercio que fueron acatados por el 70 por ciento, más que cualquier elección oficial (con un resultado casi unánime del “No”). Y en septiembre, millares de personas se tomaron dos haciendas grandes, forzándole al gobierno a cumplir con su promesa pospuesta de un arreglo de tierras. Todas estas acciones se desarrollaron bajo la sola protección de la Guardia Indígena de los Nasa, que patrulla su territorio armada solamente con palos.


     


    En un país gobernado por los M-16s, AK-47s, las bombas con tanque de gas y los helicópteros Black Hawk, esta combinación de militancia y de no-violencia es inédita. Y ése es el milagro tranquilo que los Nasa han logrado: reavivar la esperanza que murió cuando los paramilitares mataron sistemáticamente a políticos izquierdistas, incluyendo a docenas de funcionarios elegidos y dos candidatos presidenciales de la Unión Patriótica. Al final de la campaña sangrienta de inicios de los años noventa, las FARC concluyeron -como se puede comprender- que involucrarse abiertamente en la política era una misión suicida. La clave del éxito de los Nasa, dice Rozental, es que no están intentando asumir el control de las instituciones del Estado, que “han perdido toda legitimidad”. En lugar de ello, “están construyendo una nueva legitimidad basada en un mandato indígena y popular que ha surgido de congresos, asambleas y elecciones participativos. Nuestro proceso y nuestras instituciones alternativas avergüenzan a la democracia oficial. Es por ello que el gobierno está tan molesto”.


     


    El pueblo Nasa ha roto la ilusión, acariciada por ambos lados, de que el conflicto de Colombia se puede reducir a una guerra entre dos actores. Sus referéndums sobre el libre comercio han sido replicados por instancias no-indígenas -sindicatos, estudiantes, campesinos y políticos locales- en todo el país; sus tomas de tierras han motivado a otros grupos indígenas y campesinos a hacer lo propio. Hace un año, 60.000 personas marcharon para exigir paz y autonomía; el mes pasado, esas mismas demandas fueron repetidas por marchas simultáneas en 32 municipios de Colombia. Cada acción, explica Héctor Mondragón, destacado economista y activista colombiano, “ha tenido un efecto multiplicador”.


     


    A través de América Latina, está en curso asimismo un efecto multiplicador explosivo, allí donde los movimientos indígenas están redibujando el mapa político del continente, exigiendo no solo “derechos”, sino un reinvención del Estado desde un enfoque profundamente democrático. En Bolivia y Ecuador, los grupos indígenas han demostrado que tienen el poder de derrocar gobiernos. En Argentina, cuando las protestas masivas expulsaron a cinco presidentes en 2001 y 2002, las palabras de los Zapatistas de México retumbaron en las calles de Buenos Aires.


     


    Enfrentado a las protestas masivas durante la Cumbre de las Américas en Argentina, George W. Bush vio de primera mano que el espíritu de esa rebelión está vivo y coleando. Y aunque presidente Bush no aceptó la oferta de Hugo Chávez de debatir abiertamente sobre los méritos del “libre comercio”, el hecho es que el debate ya se ha realizado en las calles del continente y en sus urnas; y Bush lo ha perdido. Consideremos esto: la última vez que los 34 jefes de Estado se reunieron, fue en abril de 2001 en la ciudad de Québec; era la primera cumbre de Bush luego de su elección y él anunció con gran confianza que el Área de Libre Comercio de las Américas sería ley para el 2005. Ahora, cuatro años más tarde, las caras de muchos de sus colegas han cambiado, y Bush no puede siquiera colocar al ALCA en la agenda de la reunión, mucho menos conseguir su firma.


     


    Al igual que en Colombia, hay intentos a través del continente de tildar como terroristas a los movimientos impulsados por indígenas, que están detrás de este cambio político masivo. Por ello, poco sorprende que Washington esté ofreciendo ayuda militar e ideológica. El Congreso ha aprobado duplicar el número de soldados estadounidenses en Colombia y se ha aumentado notablemente la actividad de tropas de ese país en Paraguay, cerca a la frontera boliviana -preocupantemente cerca-, país que podría ver un cambio decisivo hacia la izquierda en las elecciones próximas. Mientras tanto, un estudio reciente del consejo nacional de inteligencia de EE.UU. advirtió que los movimientos indígenas, aunque son pacíficos ahora, podrían “considerar medios más drásticos” en el futuro.


     


    Los movimientos indígenas son de hecho una amenaza a las políticas agotadas del libre comercio que Bush está pregonando actualmente, con cada vez menos compradores, en toda América Latina. Su poder proviene, no del terror, sino de una nueva corriente de esperanza, resistente al terror, tan robusta que puede enraizarse en medio de la guerra civil aparentemente sin esperanza de Colombia. Y si puede crecer allí, puede echar raíces dondequiera.


     


    (Traducción ALAI)


     


    – Esta columna apareció originalmente en The Nation


    http://www.thenation.com/docprem.mhtml?i=20051121&s=klein


     


    http://alainet.org/active/9677&lang=es


     

    Read More
  • 09/11/2005

    Declaração da 2a. Cúpula dos Povos Indígenas das Américas

    Clique abaixo e leia:


    http://www.onpia.org/docs/Declaracion%202Cumbre%20PI%202005.pdf

    Read More
  • 09/11/2005

    Indigenous peoples

    An estimated 735.000 indigenous people are living in Brazil. Estimates differ according to the definition of who is indigenous.


     


    These indigenous people are living in different ways: some are living in their own areas, some are living in the city, others have not been contacted yet and live completely isolated. Another category is formed by the persons who are just in these days identifying themselves (again) as indigenous people.


     


    The indigenous population is divided in 235 different peoples and these are located in 24 of the 27 states of Brazil. There are 180 different languages spoken by these peoples.


     


    In the last 500 years 1470 peoples have been eradicated, most of them were living in the north of Brazil (820).


     


    Recognized as indigenous lands are 841 areas. However, only 323 of these areas are officially registered (situation at 24 October 2005).


     


    The process of registering the indigenous areas consists of five stages:


    1. Identification: study by a working group of Funai (the National Governmental Council on Indigenous Issues) of the original borders (legal and historical documents, conversations, archaeology, sociology etcetera)


    2. Declaration: the Ministry of Justice declares the size of the indigenous area


    3. Demarcation: physical delimitation of the indigenous area


    4. Homologation (Ratification): the President of the Republic puts his signature to approve the demarcation


    5. Registration: the indigenous area is officially registered in the notary office


     


    In Brazil the regularisation of the indigenous lands is as follows (data of 24 October 2005):


     




































    Registered


    323


    38%


    Homologated


    54


    6,35


    Declared


    39


    4,59


    Identified


    37


    4,35


    To be identified


    134


    15,76


    Without any process[1]


    229


    26,94%


    Reserved[2]


    34


    4%


    Total


    850


    100,00%


     









    [1] Land that is recognized by the indigenous peoples but that is not considered by the National Governmental Council on Indigenous Issues (Funai).


     



    [2] Areas that were selected by the State for the indigenous peoples, where they could live, but which are not always traditionally occupied by the indigenous peoples.

    Read More
Page 1111 of 1234