• 06/02/2007

    Ato em São Gabriel, no Rio Grande do Sul, lembra morte de Sepé Tiaraju

    Centenas de indígenas, camponeses e trabalhadores urbanos do Rio Grande do Sul e de outros Estados se reúnem nesta quarta-feira (7/2), em São Gabriel, para lembrar a luta do líder indígena Sepé Tiaraju. Atos religiosos e políticos acontecerão nos locais que são marco dos últimos dias da utopia Guarani dos Sete Povos das Missões.

    Na manhã desta quarta, os movimentos sociais irão fazer um ato religioso na Coxilha do Caiboaté, local da morte de 1,5 mil guarani em 10 de fevereiro de 1756. À tarde, os participantes realizam um outro ato na Sanga da Bica, em São Gabriel, local onde morreu Sepé Tiaraju, em 7 de fevereiro de 1756.

    O coordenador do Conselho Indigenista Missionário na Região Sul, Roberto Liebgot, explica por que indígenas e movimentos sociais consideram importante reverenciar a figura de Sepé Tiaraju.


     


    “O Sepé é uma figura que traz, na memória do povo, a luta pela terra. Ele hoje é uma referência mística e religiosa para todas as comunidades Guarani. Ele morreu pela defesa da terra, que é uma terra de todos os Guarani. E os outros movimentos se integram a esta mística, em função da luta dos movimentos sociais por um mundo novo, por justiça, dignidade, terra, Reforma Agrária. A figura do Sepé abraça todos esses setores que pensam um novo projeto político para o País”, afirma.

    No ano passado, foi realizado primeiro encontro, reunindo indígenas, camponeses, trabalhadores urbanos e quilombolas, quando se completavam 250 anos da morte de Sepé. De acordo com Roberto Liebgot, de lá para cá a articulação entre os Guarani do Rio Grande do Sul se fortaleceu. “Aqui no Rio Grande do Sul, fortaleceu muito a articulação entre as comunidades Guarani. Eles tinham uma articulação através da Comissão de Terra Guarani. Essas mobilizações em torno do Sepé Tiaraju congregaram muito mais comunidades, fortaleceram essa articulação, e eles estão numa perspectiva agora de uma articulação continental. Por isso, que neste evento do dia 7 virão Guarani da Argentina, Paraguai, e de São Paulo e Santa Catarina”, explica.


     

    Sepé Tiaraju liderou a resistência dos Sete Povos das Missões contra o tratado de limites, celebrado entre Espanha e Portugal, que expulsaria os indígenas para o outro lado do rio Uruguai. Ele foi morto no local conhecido hoje como Sanga da Bica, localizado dentro da cidade de São Gabriel. Três dias depois, mais de 1,5 mil guaranis foram dizimados pelos exércitos invasores, no local conhecido hoje como Coxilha do Caiboaté.

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  • 05/02/2007

    CIMI INFO-BRIEF 751: Aldeia Lage Velho: Knapp die Hälfte der Bevölkerung an Malaria erkrankt

     


    Aldeia Lage Velho: Knapp die Hälfte der Bevölkerung an Malaria erkrankt


     


    Am 26.1.2007 veröffentlichte der CIMI eine Presseinformation über  tragische Erkrankungen beim Volk Oro Wari’ in Rondônia. Drei Kinder sind in der Aldeia Lage Velho gestorben und 42 Kinder wurden im Jänner in das Krankenhaus von Guajará-Mirim eingeliefert. Die meisten Kinder litten an Durchfall und Deshydration.


     


    Zwölf der 42 Kinder stammen aus Lage Velho. In dieser Aldeia wohnen 250 Personen. Der CIMI schlägt Alarm, hinsichtlich der vielen an Malaria, Durchfall und Grippe erkrankten Indios als Folge fehlender Vorsorge und Betreuung durch Krankenpersonal der Nationalen Gesundheitsstiftung (FUNASA).


     


    In einer Presseerklärung vom 29.01. stellt die FUNASA die Kritik des CIMI in Frage und betont, dass es „keinen Anstieg der Malaria gibt“ und „die Betreuung durch lokale Teams bestmöglich alle zwei Wochen erfolgt“. Die Mitarbeiter des CIMI in Guajará Mirim, unter ihnen der Arzt Gil de Catheau, haben Daten des Systems der Kontrolle von Epidemien (SIVEP), die den Behauptungen der FUNASA widersprechen


     


    Im Jahr 2006 gab es 743 Erkrankte von Malaria in den Aldeias Pólo-Base von Guajará-Mirim mit einer Bevölkerung von 4.000 Indios, davon 107 in der Aldeia Lage Velho. Von 2000 bis 2003 gelang dem Team gegen Endemie die Malariafälle von 557 auf 135 zu senken. Im Jahr 2004 stieg die Malaria auf 341 Fälle.


     


    In Lage Velho erkrankten in der zweiten Januarhälfte 2007 innerhalb von fünf Tagen 14 Indios, mehrheitlich Kinder, an Malaria. Das ist sehr wohl „ein endemischer Anstieg“, so der CIMI.


     


    Die FUNASA führt den Krankenhausaufenthalt der Kinder auf Durchfallerkrankungen während der Zeit der Nussernte zurück. „Sie (die Oro Wari’) bleiben lange im Wald. Die Kinder begleiten sie und ernähren sich (vorwiegend mit fettreichen Nüssen) nicht entsprechend und nehmen wenig Flüssigkeit zu sich.


     


    Für den CIMI in Guajará-Mirim ist der epidemische Durchfall nicht eine Folge des Nussverzehrs sondern der Verschmutzung des Wassers und der Umwelt in allen Aldeias, auch außerhalb der Erntezeit. Die Erkrankungen von Kindern aus anderen Aldeias unterstreicht diese Position des CIMI.


     


    Laut FUNASA gibt es in den Pólo-Base von Guajará Mirim „vier Teams mit mobilem Krankenpersonal, die 20 Tage im Gebiet arbeiten. Daneben ist ein Krankenpfleger in Begleitung von indigenen Mitarbeitern jeweils 20 Tage stationär in den Aldeias Valdito Oro Wari’ und Regina Oro Mon. Dieses Team ist verantwortlich für das Programm „Gesundheit der Indigenen Familie“, gemäß den Richtlinien des Gesundheitsministeriums“.


     


    „Leider kommen diese Teams mehrere Monate lang nicht in die Aldeia, da es keine Medikamente und Treibstoff für den Transport gibt“, widerspricht der CIMI.


    „Die Zufahrtstraßen in die Aldeia sind nicht asphaltiert, das erschwert oder verzögert die Betreuung“, so die FUNASA. Der CIMI sagt hingegen, dass nur 11 km von 35 km ungepflastert sind.


     


    Den Angaben der FUNASA zufolge, verpflichtete der Indigene Sanitätsdistrikt 79 indigene Mitarbeiter für Gesundheit im Jahr 2003, 2006 waren es 111 Mitarbeiter.


     


    Die FUNASA verwechselt indigene Mitarbeiter für Gesundheit mit indigenen Sanitätern. In der Pólo Base von Guajará-Mirim wurden in den letzten sieben Jahren bloß indigene Sanitäter angestellt. Die von den Gemeinschaften als indigene Mitarbeiter für Gesundheit vorgeschlagenen Personen müssen mindestens einen Kurs absolvieren. Der letzte Kurs fand 2003 statt, rechtfertigt die FUNASA.


     


    „Der Bau eines Gesundheitspostens in der Aldeia wurde genehmigt. Nächste Woche beginnt die Firma mit der Arbeit“, informiert die FUNASA.


     


    Angespannte Gesundheitslage in Tocantins


    Staatsanwaltschaft und FUNASA werden aktiv


     


    Zwei Kinder der Apinajé in Tocantins sind an Durchfall, Atemwegsinfektion und Unterernährung gestorben. Das veranlasste die FUNASA zu einer Versammlung mit der Bundesstaatsanwaltschaft und anderen, für indigene Anliegen zuständige Organe. Die FUNASA berichtete von den Aktivitäten in der Region der Gemeinde Tocanitinópolis, wo das Gebiet Apinajé liegt. Im Vorjahr starben im Bundesstaat 14 Kinder der Apinajé.


     


    Die Situation sei unter Kontrolle, informierte die FUNASA. Ein interdisziplinäres Team begleitet die Versorgung im Krankenhaus von Tocantinópolis, wo es die zwei Todesfälle gab. Die Gemeinde, die für die Anstellung von Gesundheitsteams verantwortlich ist, hat mehr Finanzen für die Betreuung der Gemeinschaft erhalten.


     


    Die Bundesstaatsanwaltschaft wird eine öffentliche Audienz in Tocantinópolis mit allen Organen, die für indigene Angelegenheiten verantwortlich sind, einberufen, die sich mit der Situation der Apinajé befasst.


     


    Die FUNASA kündigte als Sofortmaßnahme die Ausgabe von Warenkörben an, um der Unter- und Fehlernährung bei Kindern, Schwangeren und Alten beizukommen.


     


    Das Fehlen öffentlicher Politiken zur Unterstützung der indigenen Völker ist laut Istélia Folha vom CIMI in Tocantins ein Grund für die schlechte Ernährung. Die Apinajé kämpfen daneben mit Alkoholproblemen und steigendem Bedarf an Lebensmitteln.


     


    Die sanitäre Situation in der Aldeia der Apinajé mit 600 Personen ist äußerst mangelhaft, kritisieren die Indios. Die Gemeinde hat ein Projekt für Sanitäranlagen im Jahr 2005 aufgrund von Problemen mit der Bodenbeschaffenheit nicht durchgeführt. Die FUNASA muss eine neue Studie durchführen.


     


    „In der Region gibt es Auseinandersetzungen um politische Ämter, vor allem jetzt, nach den Wahlen, sind Änderungen bei der personellen Besetzung von öffentlichen Organen geplant. Eine sorgfältige Auswahl der Funktionäre im Gesundheitswesen ist notwendig, denn das hat Folgen auf die Betreuung der Gemeinschaft“, betont Istélia Folha.


     


    Brasília, 1. Februar 2006

    CIMI – Indianermissionsrat

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  • 05/02/2007

    Kurussu Ambá – um mês de lutas, sofrimento e esperança

    Início de mais um ano. Para a maioria dos quase quarenta mil Kaiowá Guarani do Mato Grosso do Sul é também o momento de reunir forças e esperança para continuar o sonho e a luta por seus territórios tradicionais. Sair do confinamento, da prisão, da opressão. Caminhar em direção à liberdade, ao teko (jeito de viver Guarani), à utopia da terra Sem Males.


     


    É o que uma pequena comunidade na diáspora (dispersa em várias aldeias), expulsa de Kurussu Ambá, iniciou naquele dia chuvoso, 4 de janeiro. As famílias reuniram seus poucos pertences, enrolaram na esperança e partiram. A chuva era qual benção acompanhando seus passos, sem impedi-los. Chegaram ao seu tekohá, confiantes. Não tiveram maiores dificuldades. Conseguiram se entender com o gerente que estava na sede da fazenda Madama. Parecia até compreensivo e chegou a reconhecer de que estavam dentro do seu direito. Suas lideranças, especialmente as religiosas, mostravam muita disposição acreditando que Tupã e os espíritos guerreiros e da paz os protegeriam em toda essa volta ao seu território tradicional.


     


    Início da violência, armadilha, prisão e assassinato


    Além de começar a construir barracos, era também preciso providenciar a sobrevivência no dia a dia. Por isso um pequeno grupo partiu em busca de alimentos na aldeia Taquaperi, donde saíram.  Na volta, já de madrugada sofreram o primeiro ataque à bala e o seqüestro de um menino de quatro anos. Depois de alguns dias se soube que os fazendeiros o levaram e deixaram na cidade de Amambaí. Apesar da intimidação e preocupação do grupo com a vida do menino, continuaram a reconstrução de sua vida em Kurussu Ambá.- procurar material para construir os barracos, providenciar alimentos, comunicar-se com os parentes e amigos, através de um celular. Permaneceram em diálogo com a Funai, tiveram conversas com fazendeiros e seus trabalhadores…Tudo parecia caminhar para a consolidação e normalização. O gerente da fazendo chegou a lhes fazer a oferta que parecia generosa e sincera de utilizarem o trator para suas necessidades mais prementes na construção do barraco e busca de alimentos. Foi nessa armadilha, que no dia 8, foram presos e algemados quatro lideranças, inclusive uma mulher, quando foram com o trator para a aldeia buscar alimentos. Juntamente com mais integrantes do grupo, foram todos levados para o presídio em Amambaí. As mulheres e crianças foram liberadas depois de várias horas. Os quatro líderes do grupo continuam até hoje na prisão.


     


    Com a armadilha e prisão dos líderes, os fazendeiros avaliaram, que o passo seguinte, a expulsão, seria fácil. Mas, de toda forma, seria preciso uma ação enérgica e eficaz na retirada dos índios. Isso não seria difícil, pois era apenas preciso contato com a “empresa de segurança” (milícia armada a serviço dos fazendeiros) e engrossar o grupo com as forças próprias dos fazendeiros (camionetes, ônibus, caminhão, armas…) e tudo daria certo. E tudo foi minimamente planejado para o amanhecer do dia 9 de fevereiro. Durante a noite ficaram observando qualquer movimentação no acampamento. No amanhecer, chegaram em mais de 12 carros, disparando inúmeros tiros em direção aos barracos onde os índios se encontravam. Formado o alvoroço, a questão era garantir que os índios rapidamente entrassem no ônibus e caminhão para serem retirados do local. Um dos fazendeiros reconheceu Xuretê, que trabalhara para ele, e que muito bem conhecia a região e as pessoas da região, pois ali morou por muito tempo. A queima roupa disparou sua arma contra ela, assassinando-a no local. Mais tiros, índios feridos, alguns fugindo e os demais foram sendo carregados no ônibus, da firma Sperafico, ali trazido com tal finalidade. Inclusive o corpo de Xuretê e o índio Valdecir, ferido, foram levados ao ônibus e deixados na beira da estrada, a MS 289, próximo à aldeia Taquaperi, município de Coronel Sapucaia.


     


    O enterro, o acampamento e a solidariedade


    No mesmo dia do covarde ataque, assassinato e despejo, dia 9 de janeiro, os representantes do Ministério Público Federal estiveram na área, encontrando no local do assassinato inúmeros cartuchos disparados. Logo foi aberto inquérito pela polícia federal.


     


    Na imprensa passou a circular a informação de mais uma fazenda “invadida” pelos índios Guarani no Mato Grosso do Sul. Era a versão dos fazendeiros e da polícia. Depois foi anunciado a prisão de indígenas por “furto e estelionato qualificado”.  Após o ataque das milícias armadas e pistoleiros, foi noticiado que houve um confronto entre índios invasores e trabalhadores das fazendas. Cinismo de quem quer transformar uma mentira em verdade ou acoberta uma crueldade covarde e genocida.


     


    Porém em nível nacional e internacional começaram as manifestações de protesto e indignação por mais essa violência e brutal agressão aos direitos de uma comunidade indígena. Da Austrália, da Inglaterra e de diferentes partes do mundo e do Brasil surgiram as manifestações de repúdio à violência e solidariedade à comunidade de Kurussu Ambá.


     


    A solidariedade mais importante foi a dos próprios Kaiowá Guarani. De diversas aldeias eles foram até o local do acampamento e do velório de Xuretê levar seu apoio à luta daquela comunidade e expressar sua repulsa veemente contra mais esse ato bárbaro, de agressão e morte de sua gente. A Comissão de Direitos Kaiowá Guarani, juntamente com a Comissão de professores Kaiowá Guarani e os indígenas acadêmicos estudando em Dourados organizaram uma viagem de solidariedade ao local e uma manifestação pública em Dourados, dia 12.


     


    Os movimentos sociais, através da Coordenação dos Movimentos Sociais do Mato Grosso do Sul, também se manifestaram através de nota pública e organizaram uma caravana de solidariedade que esteve no acampamento dia 20. Ali viram, ouviram e sentiram o sofrimento por que passou e está passando essa comunidade indígena. Se comprometeram a apoiar sua luta de todas as formas, política e de apoio material nesse momento difícil. Por isso desencadearam uma campanha de solidariedade, pedindo o envio de cartas ao presidente da República, Ministro da Justiça e Presidente da Funai, exigindo medidas imediatas de segurança para a comunidade e regularização de sua terra, bem como apuração e punição dos responsáveis. Também foram promovidos gestos de solidariedade com manifestações nas ruas e praças da cidade. Essa ação teve até o apoio inédito de uma escola de Samba, “Catedráticos do Samba”, cujo enredo versa sobre a questão indígena.


     


    Pressa e lentidão da justiça – dois pesos, duas medidas!


    Causa estranheza o fato de os índios estarem presos enquanto os mandantes e assassinos de Xuretê estarem tranqüilamente circulando na região. Enquanto o Ministério Público Estadual ofereceu denúncia contra os índios presos, em tempo recorde, sete dias, a ação pedindo transferência  da ação para nível federal, pois trata-se de fato envolvendo luta de terra, ainda não foi julgada. Além disso, ações requerendo o direito de sepultamento de Xuretê no local do assassinato em Kurussu Ambá foram julgadas contrário aos índios nas duas instâncias ( Ponta Porá e São Paulo), obrigando seu sepultamento provisório, em Taquaperi, próximo da casa donde partira.


     


    Quando se completa um mês de mais uma retomada de terra tradicional Kaiowá Guarani, o que se tem a lembrar é a heróica luta de uma comunidade e brutalidade com que continuam sendo tratados os índios, além de uma estranha atuação da justiça.


    Conforme eles têm expressado em diversas manifestações “mais esse sangue derramado não será em vão. Xuretê, mais dia ou menos dia vai ser sepultada em Kurussu Ambá.”


     


     


    Egon Heck

    Campo Grande, 4 de fevereiro de 2007

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  • 02/02/2007

    Newsletter n. 751

    Newsletter n. 751


    – State of Rondônia: 107 cases of malaria in a village with a population of 250 in 2006  


    – Reports of terrible health care situation in the state of Tocantins lead the Federal Prosecutor’s Office and Funasa to take action


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    STATE OF RONDÔNIA: 107 CASES OF MALARIA IN A INDIGENOUS VILLAGE WITH A POPULATION OF 250


    On Friday, the 26th, Cimi issued a note reporting the death of three children in the Lage Velho village, where the Oro Wari’ people live, in the state of Rondônia. It also reported the hospitalization of 42 other children of these people in January in the city of Guajará-Mirim. Most of them had diarrhoea and dehydration symptoms.


    Of the 42 children who were hospitalized, 12 came from the Lage Velho, which has a population of 250. The note drew attention to a high rate of malaria, diarrhoea and influenza as a result of the lack of preventive and follow-up actions by nursing professionals of the National Health Foundation (Funasa).


    On Monday, the 29th, Funasa issued a note challenging Cimi’s reports. The Foundation says that “there is no malaria outbreak” and that “local teams carry out follow-up actions at least at 15-day intervals.” The Cimi team in Guajará Mirim, state of Rondônia, of which doctor Gil de Catheau is a member, used data from the Epidemiological Surveillance System (Sivep) to challenge Funasa’s statements.


    “In 2006, there were 743 cases of malaria in villages located in the area covered by the central health care station of Guajará-Mirim, which has a population of 4,000 indigenous people,” Cimi reported in its note. From 2000 to 2003, the team in charge of endemic diseases managed to reduce the incidence of malaria. In 2000, there were 557 cases in the area covered by the central health care station of Guajará-Mirim. The figure dropped to 135 in 2003, but it increased again in 2004, when 341 cases were registered.


    Of the 743 cases registered in 2006, 107 were in the Lage Velho village, according to data made available by the Sivep.


    In the second fortnight of January 2007, 14 cases of malaria were diagnosed in this village, most of which involving children, in less than 5 days. Two of them are still in hospitals of Guajará-Mirim. “Therefore, we can say without any doubt that it is indeed an endemic outbreak,” Cimi said in its note.


    Funasa attributes the hospitalization of children with diarrhoea to the nut-harvesting season. “They (the Oro Wari) spend long hours in nut-harvesting areas with their small children eating inadequate food (basically nuts, which are very fatty) and not drinking enough water.


    According to the Cimi team in Guajará-Mirim, epidemics of infectious diarrhoea are not caused by eating nuts, but by drinking contaminated water or by transmission among humans, and they occur in all villages, even when it’s not the harvest season. The fact that children from other villages have been hospitalized corroborates the arguments of the team of missionaries.


    Funasa also said that, in the area covered by the central health care station of Guajará-Mirim, there are “four teams with nurses and nursing aides working 20 days a month in the area, besides a nursing aide in a fixed location for 20 days a month in the same village, who are monitored by indigenous agents (in this case, Valdito Oro Wari and Regina Oro Mon) who make up the team in charge of the Indigenous Family Health Care Program – PSFI, which is being implemented according to the guidelines of the Ministry of Health and the Unified Health System.”


    “Unfortunately, these teams and nursing aides have not visited the village for many months because there were no medicines, fuel, or transportation available,” Cimi said.


    The Foundation also explained that “the roads to the village are dirt roads – making it difficult for health professionals to go there or delaying health care actions.” Cimi disagrees with this statement and says that only 11 of the 35 km which separate the village from the city are unpaved. 


    In its note, Funasa argues that 79 AISs (indigenous health agents) were hired by Dsei in 2003. In 2006, this number increased to 111.


    “FUNASA must be mixing up AISs (indigenous healths agents) with AISANs (indigenous sanitation agents), because AISANs were hired to work in the area covered by the central health station of Guajará-Mirim, but no AISs have been hired to work there in the past seven years. FUNASA’s justification is that candidates for AISs suggested by their communities will only be hired after they take at least one training course. But the last course was delivered in 2003.”


    Regarding a project to build a health station in the village, Funasa said that “the construction work has been authorized and the company which won a tender for this purpose will begin to build the health station next week.”


    REPORTS OF TERRIBLE HEALTH CARE SITUATION IN THE STATE OF TOCANTINS LEAD THE FEDERAL PROSECUTOR’S OFFICE AND FUNASA TO TAKE ACTION


    Reports of the death of two children of the Apinajé people in the state of Tocantins from diarrhoea, respiratory infections, and malnutrition led Funasa to call a meeting in the capital of the state. The meeting was attended by representatives of the Federal Prosecutor’s Office and of other agencies in charge of indigenous affairs. During the meeting, the National Health Foundation made a presentation on its actions in the area of the municipality of Tocanitinópolis, where the Apinajé land is located. In 2006, fourteen Apinajé children died in the state.


     


    During the meeting, Funasa said that the situation is under control, that a multidisciplinary team composed of indigenous people had been fully set up, and that the health assistance provided by the hospital of Tocantinópolis, where the children died, will be more closely inspected. The municipality will receive additional funds for providing health care services to the community and it is in charge of hiring the required health care teams.


    During the hearing, the Federal Prosecutor’s Office took the commitment to call a new meeting to be attended by representatives of other agencies in charge of indigenous affairs which could not attend the hearing, including representatives of the National Foundation for Indigenous People (Funai). The Federal Prosecutor’s Office will hold a public hearing in Tocantinópolis to discuss the situation of the Apinajé people.


    At the meeting, Funasa said that it will take care of distributing basic food baskets to the population as an emergency measure together with other partners to try and deal with malnutrition cases and eliminate nutritional risks for children aged from 0 to 6 years old, pregnant women, and elderly people.


    According to Istélia Folha, from the Cimi office in the state of Tocantins, the lack of public policies designed to ensure the sustainability of indigenous peoples is one of the factors leading to the lack of food and to nutritional risks for indigenous people. The Apinajé are also facing problems such as alcoholism and higher consumption needs in their village.


    The Apinajé community, which is made up of 600 people, complains that there is no basic sanitation in the village. In 2005, the municipal government of Tocantinópolis failed to implement a project to build 79 toilets in the village because, according to it, there were underground problems. A new study will now have to be carried out by Funasa. 


    “There is a dispute for political positions in the region particularly now, when new officers will be assigned to coordinate public agencies after the new federal administration took office. It is important to make sure that people are not assigned to health-care positions in Tocantinópolis based on political interests, because this would have negative consequences for the health care services provided to the population,” Istélia Folha said.


     
    Brasília, February 1, 2006

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  • 01/02/2007

    Resposta do Cimi à Nota da Funasa

    Resposta do Cimi à Nota da Funasa


    O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) vem ao público falar da sua indignação em relação às explicações dadas pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa) para tentar justificar-se frente à denúncia feita pelo Cimi sobre as mortes e a grave situação da saúde na aldeia Lage Velho, em Rondônia.


    Esclarecemos:


     


    FUNASA:


    “Em relação ao suposto surto de Malária, informamos que a aldeia Lage Velho é uma aldeia próxima ao Rio Ribeirão, criadouro de anofelinos – transmissores de Malária. Algumas características culturais como a extração da castanha e pesca, prática comum entre os indígenas daquela aldeia acabam contribuindo para o alto índice de casos. As ações de controle são realizadas pela Funasa periodicamente por meio de controle vetorial, diagnóstico precoce e tratamento dos pacientes. Na mesma aldeia existe um Posto de Notificação com pessoal capacitado, sendo no caso, o próprio Valdito Oro Wari. Durante o ano de 2006, foram realizadas supervisões do Distrito na aldeia. O acompanhamento pelas equipes local é realizado no máximo a cada 15 dias. Não há surto de Malária.”


     


    Resposta do CIMI:


    – Em 2006, foram 743 casos de malária nas aldeias do Pólo-Base de Guajará-Mirim, que têm uma população de 4 mil indígenas, sendo 107 casos na aldeia Lage Velho (informação do Sistema de Vigilância Epidemiológica).


    – Na segunda quinzena de janeiro de 2007, em menos de cinco dias, foram diagnosticados na aldeia Lage Velho 14 casos de malária, a maioria em crianças. Duas delas continuam internados nos hospitais de Guajará-Mirim (Armelino Oro Mon, 6 anos e Genilson Oro Mon, 4 anos). Portanto, podemos afirmar que se trata de um surto endêmico.


    – De 2000 a 2003, a equipe de Endemias conseguiu reduzir a malária. Entretanto, a partir de 2004 essa tendência foi invertida.


              557 lâminas positivas no Pólo-Base de Guajará-Mirim


              379 lâminas positivas no Pólo-Base de Guajará-Mirim


              251 lâminas positivas no Pólo-Base de Guajará-Mirim


               135 lâminas positivas no Pólo-Base de Guajará-Mirim


               341 lâminas positivas no Pólo-Base de Guajará-Mirim


              435 lâminas positivas no Pólo-Base de Guajará-Mirim


               743 lâminas positivas no Pólo-Base de Guajará-Mirim


     


    As explicações ouvidas por funcionários da Funasa local são claras: ora falta transporte, ora falta o inseticida, ora falta combustível…


     


    A partir de 2004, a situação do transporte ficou muito precária, tanto na área terrestre, como fluvial, sem condições de atender a demanda. O único carro e a voadeira da equipe de Endemias ficam a serviço do atendimento geral da saúde indígena (equipes, emergências, combate à malária…) e a programação da equipe de Endemias que conhece o seu trabalho, não pode ser realizada.


     


    FUNASA:


    “Em relação ao número de internações no Hospital Bom Pastor, esclarecemos que, nesse período (dezembro e janeiro), ocorre a colheita de castanha, quando eles passam longos períodos no castanhal acompanhados pelos filhos menores ingerindo uma alimentação inadequada (alimentado-se basicamente de castanha, um alimento rico em gorduras) e baixa ingestão hídrica”


     


    Resposta do CIMI:


    “As epidemias de diarréia infecciosa não são relacionadas à ingestão de castanha, mas à contaminação pela água ou inter-humana e ocorrem em todas as aldeias independente da época da coleta da castanha.


    Os óbitos ocorridos com crianças da Terra indígena Guaporé em 2005 e 2006 por desidratação aconteceram num contexto de epidemia de diarréia infecciosa sem relação com alimentação.


    No dia 31 de janeiro de 2007, foi encaminhada, do Hospital Regional para Porto Velho, uma criança de cinco meses, da aldeia Rio Negro Ocaia, em estado grave de desidratação (estado de choque, convulsões), com poucas chances de sobrevida. A criança não tinha comido castanha!”


     


    FUNASA:


    “Quanto ao acompanhamento das equipes de enfermagem do Pólo Base de Guajará-Mirim, existem quatro equipes com enfermeiros e técnicos de enfermagem trabalhando 20 dias em área, além de um técnico de enfermagem em ponto fixo, 20 dias em uma mesma aldeia com o acompanhamento dos agentes indígenas (no caso os indígenas Valdito Oro Wari e Regina Oro Mon), equipe responsável pela realização do Programa de Saúde da Família Indígena – PSFI, preconizado dentro das diretrizes do Ministério da Saúde em conformidade com Sistema Único de Saúde”


     


    Resposta do CIMI:


    De 2000 a 2004, houve duas equipes PSF


    Em 2005 teve apenas uma equipe PSF


    A partir de 2006 foram contratados profissionais de enfermagem para formar três equipes (e não quatro) e mais técnicos para permanecer em área. Infelizmente, essas equipes e os técnicos de enfermagem lotados numa aldeia deixaram de viajar para área vários meses por ano por falta de medicamentos, combustível, transporte… Acontece o mesmo com os odontólogos.


     


    FUNASA:


    “Quanto à utilização dos serviços de  telecomunicação, informamos que, segundo equipes da Funasa que atuam na região, os telefones disponibilizados na aldeias encontram-se em funcionamento normal”


     


    Resposta do CIMI:


    Sempre aparecem problemas técnicos que deixam a aldeia dias ou semanas sem comunicação.


    De 20 a 31 de janeiro, foi impossível ligar de um telefone fixo para o orelhão do Lage Velho. Depois do serviço de um técnico da Brasil Telecon, o problema não mudou, mas descobrimos que o orelhão recebe ligação apenas de celular.


    Aldeias que possuem orelhão e até radiofonia da Funai passam todos os anos por períodos sem comunicação, devido a problemas técnicos que infelizmente podem acontecer simultaneamente. A exemplo disso, em agosto de 2006, a aldeia Ricardo Franco, distante de 250 km de Guajará-Mirim, de acesso unicamente fluvial, ficou várias semanas ilhada sem transporte e sem comunicação.


    Muitos documentos das comunidades encaminhados ao Ministério Público Federal e à Funasa reivindicam a aquisição de radiofonia. Todos os anos, os conselheiros solicitam a inclusão de radiofonia no Plano Distrital que mesmo aprovado não é concretizado.


     


    FUNASA:


    “Em relação ao Posto de Saúde, informamos que a obra já foi autorizada e será iniciada na próxima semana, pela empresa vencedora do certame licitatório.”


     


    Resposta do CIMI:


    Se for verdade, será uma vitória arrancada pela pressão do cacique porque, até então, a Funasa não tinha priorizado o Lage Velho.


     


    FUNASA:


    “Em relação ao transporte, esclarecemos que as estradas de acesso à aldeia não são asfaltadas – o que dificulta e, por vezes, gera atraso no atendimento”


     


    Resposta do CIMI:


    De Guajará-Mirim até a aldeia Lage Velho são 36 km, com 25 km de estrada asfaltada e 11 km de estrada de chão, onde, apesar das chuvas, qualquer carro baixo pode passar.


    O problema principal é a falta de transporte.


    O que não faltam são as promessas do Coordenador Regional aos conselheiros.


     


    FUNASA:


    “Quanto ao óbito da menor de três meses, filha do indígena Valdito Oro Wari, a Coordenação Regional abriu sindicância para analisar se houve negligência ou alguma falha no atendimento. O resultado do processo deve estar disponível em alguns meses”


     


    Resposta do CIMI:


    A respeita da morte por desidratação de duas crianças indígenas da aldeia Ricardo Franco, em maio de 2005, foi feita uma sindicância e até hoje o relatório não foi apresentado.


     


    FUNASA:


    “Com relação aos quatro óbitos citados na denúncia, três deles aconteceram em Porto Velho (Hospital de Base e Cosme Damião), o que caracteriza a assistência secundária hospitalar integral.


    Caso 1 – Criança prematura internada no hospital de Porto Velho, onde permaneceu 38 dias, indo a óbito dia 29.12.06 por insuficiência respiratória e hidrocefalia;


    Caso 2 – Puérpera de 21 anos, foi atendida pela médica do Pólo Base de Guajará-Mirim cinco dias após o parto, no dia 26 de novembro de 2006. Na oportunidade, a paciente se recusou, juntamente com o seu esposo, a seguir para o hospital, como aconselhado pela médica que atendeu a indígena. Tal fato foi registrado em seu prontuário. Com a evolução da gravidade, ela foi internada no Hospital de Base indo a óbito no dia 30.11.06, por insuficiência respiratória aguda e miocardiopatia, segundo a Declaração de Óbito. Foi acompanhada no pré-natal pela enfermeira de área, tendo feito consulta e exames pré-natais.


    Caso 3 – Menor indígena atendida pelo Pólo Base no dia 6 de janeiro de 2007, tendo sido encaminhada, no dia seguinte, para Porto Velho, onde foi internada no Hospital Cosme Damião por motivo de gastroenterite grave, indo a óbito no mesmo dia.


     


    A respeito da falta de medicamento na Casa do Índio de Guajará-Mirim informamos que no ano de 2006, além dos medicamentos fornecidos pelo Ministério da Saúde, foram adquiridos, por meio de contrato contínuo do Dsei Porto Velho, R$ 229.146,92 em medicamentos, o que garante níveis adequados de estoque para atendimento.”


     


    Resposta do CIMI:


    A falta de medicamentos nas aldeias e na CASAI é denunciada a cada reunião de conselho e o valor da compra para o DSEI não justifica nada, pelo contrário.


    Medicamentos receitados pela médica da CASAI foram comprados pelos familiares do paciente.


     


    FUNASA:


    “Quanto à contratação de Agentes Indígena de Saúde (AIS), a Funasa esclarece que, no ano de 2003, haviam 79 AIS contratados pelo Dsei. Em 2006, este número aumento para 111”.


     


    Resposta do CIMI:


    A Funasa deve estar confundindo AIS (Agente Indígena de Saúde) e AISAN (Agente Indígena de Saneamento). Pois no Pólo Base de Guajará-Mirim houve contratações de AISAN, mas em sete anos não houve novas vagas de AIS. A justificativa da Funasa é que os candidatos a AIS indicados por suas comunidades serão contratados somente depois de terem participado de pelo menos um curso, sendo que o último foi em 2003!


     A Eliana Oro Mon da aldeia Lage Novo fez o curso de 2003, estagiou três anos, foi indicada pela comunidade, e há três anos e meio o Conselheiro da aldeia, apoiado pelo Conselho Local reivindica a sua contratação. A aldeia Lage Novo com 260 pessoas tem apenas um AIS da Funasa e a contratação da Eliana responde aos critérios da própria Funasa. Porque colocar tantas dificuldades para os indígenas? Até auxiliares de enfermagem indígenas deixam de ser contratados com a justificativa que não tem mais vaga e por outro lado a Funasa contrata mais auxiliares de enfermagem que se formaram junto no curso do PROFAE.


     


    FUNASA:


    “É importante salientar que a participação de Agentes Indígenas de Saúde na atenção básica garantem o atendimento contínuo e imediato, uma vez que os agentes moram na própria aldeia”


     


    Resposta do CIMI:


    É verdade. Mas tem que dar condições para eles trabalharem. Por exemplo, depois de sete anos ainda não foi deixado um aparelho de pressão nas aldeias, instrumento de trabalho que eles apreenderam a utilizar e é indispensável para o acompanhamento das gestantes e dos hipertensos.


    Já que a Funasa reconhece que os AIS são os pilares da atenção primária à saúde indígena lamentamos que não priorize os cursos de formação e acompanhamento por enfermeiro. São quatro anos sem realizar um curso modular (enquanto o que foi projetado em 1999 era de dois cursos ao ano).


     


    FUNASA:

    “Com relação às condições de infra-estrutura na aldeia Lage Velho, é importante ressaltar que o local é abastecido por meio poço profundo e distribuição de água potável. Quanto à especulações sobre a qualidade da água, a Funasa está encaminhando para a região equipe de técnicos em saneamento ambiental para avaliar a potabilidade da fonte de água utilizada pelos moradores da aldeia. A equipe iniciará os trabalhos na semana que vem. Tão logo os exames sejam concluídos, informaremos.” 

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  • 01/02/2007

    Informe no. 751: Rondônia: 107 casos de malária em aldeia com 250 pessoas, em 2006

     


    – Rondônia: 107 casos de malária em aldeia com 250 pessoas, em 2006
    – Denúncias sobre saúde no Tocantins geram ações do MPF e Funasa


     


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    RONDÔNIA: 107 CASOS DE MALÁRIA EM ALDEIA COM 250 PESSOAS


     


    Na sexta-feira, 26, o Cimi divulgou nota sobre a ocorrência de mortes de três crianças da aldeia Lage Velho, do povo Oro Wari’, em Rondônia. Informou também sobre a internação de outras 42 crianças deste povo, durante o mês de janeiro, na cidade de Guajará-Mirim. A maioria delas tinha diarréia e sintomas de desidratação.


     


    Das 42 crianças internadas, 12 vinham da aldeia Lage Velho, que tem população de 250 pessoas. A nota alertava para alto índice de malária, diarréia e gripes, conseqüências da falta de prevenção e de acompanhamento por profissionais de enfermagem da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).


     


    Na segunda-feira, 29, a Funasa divulgou nota questionando as denúncias do Cimi. A Fundação afirma que “não há surto de Malária” e que “o acompanhamento pelas equipes local é realizado no máximo a cada 15 dias”. A equipe do Cimi em Guajará Mirim, Rondônia, da qual participa o médico Gil de Catheau, usa dados do Sistema de Vigilância Epidemiológica (Sivep) para questionar a afirmação da Funasa.


     


    “Em 2006, foram 743 casos de malária nas aldeias do Pólo-Base de Guajará-Mirim, que tem uma população de 4.000 indígenas”, afirma o Cimi em sua nota. De 2000 a 2003, a equipe de Endemias conseguiu reduzir a malária. Em 2000, houve 557 casos no Pólo-Base de Guajará-Mirim. O número caiu para 135 em 2003, mas voltou a crescer em 2004, quando houve 341 casos.


     


    Dos 743 casos de 2006, 107 ocorreram na aldeia Lage Velho, de acordo com dados do Sivep.


     


    Na segunda quinzena de janeiro de 2007, em menos de 5 dias, foram diagnosticados na aldeia 14 casos de malária nesta aldeia, a maioria em crianças. Duas delas continuam internadas nos hospitais de Guajará-Mirim. “Portanto, podemos afirmar que se trata de um surto endêmico”, diz a nota do Cimi.


     


    A Funasa atribui as internações de crianças com diarréia ao período de colheita de castanha. “Eles (os Oro Wari) passam longos períodos no castanhal acompanhados pelos filhos menores ingerindo uma alimentação inadequada (alimentado-se basicamente de castanha, um alimento rico em gorduras) e baixa ingestão hídrica.


     


    Para a equipe do Cimi em Guajará-Mirim, as epidemias de diarréia infecciosa não são relacionadas à ingestão de castanha, mas à contaminação pela água ou entre humanos e ocorrem em todas as aldeias, mesmo fora da época da colheita. O fato de haver internações de crianças de outras aldeias colabora para esta posição da equipe de missionários.


     


    A Funasa afirma também que há, no Pólo-Base de Guajará Mirim,quatro equipes com enfermeiros e técnicos de enfermagem trabalhando 20 dias em área, além de um técnico de enfermagem em ponto fixo, 20 dias em uma mesma aldeia com o acompanhamento dos agentes indígenas (no caso os indígenas Valdito Oro Wari e Regina Oro Mon) equipe responsável pela realização do Programa de Saúde da Família Indígena – PSFI, preconizado dentro das diretrizes do Ministério da Saúde em conformidade com SUS”.


     


    “Infelizmente, essas equipes e os técnicos de enfermagem deixaram de viajar para a aldeia por vários meses por ano por falta de medicamentos, combustível, transporte”, discorda o Cimi.


     


    A Fundação esclarece também que “as estradas de acesso à aldeia não são asfaltadas – o que dificulta e, por vezes, gera atraso no atendimento”. O Cimi discorda e diz que apenas 11 dos 35 km que separam a aldeia da cidade são de estrada de terras. 


     


    Na nota, a Funasa sustenta que no ano de 2003, havia 79 AIS contratados pelo Dsei. Em 2006, este número aumentou para 111.


     


    “A FUNASA deve estar confundindo AIS (Agente Indígena de Saúde) e AISAN (Agente Indígena de saneamento). Pois no Pólo Base de Guajará-Mirim houve contratações de AISAN mas em sete anos não houve novas vagas de AIS. A justificativa da FUNASA é que os candidatos a AIS indicados por suas comunidades serão contratados somente depois de ter realizado pelo menos um curso. Mas o último curso foi realizado em 2003”.


     


    Em relação à construção de posto de saúde na aldeia, a Funasa afirma que a obra já foi autorizada e será iniciada na próxima semana, pela empresa vencedora da licitação”.


     


    Para ver a íntegra da nota do Cimi, clique aqui.


     


    Denúncias sobre saúde no Tocantins geram ações do MPF e Funasa


     


    A denúncia da morte de duas crianças do povo Apinajé, no Tocantins, por diarréia, infecção respiratória e desnutrição, levou a Funasa a realizar uma reunião na capital do estado. Estiveram presentes o Ministério Público Federal e outros órgãos ligados a questão indígena. No encontro, a Fundação Nacional de Saúde apresentou sua atuação na região do município de Tocanitinópolis, onde se localiza a terra Apinajé. Em 2006, foram 14 mortes de crianças Apinajé  no estado.


     


    Durante a reunião, a Funasa afirmou que a situação está controlada, que a equipe multidisciplinar de atendimento aos indígenas está completa e que aumentará a fiscalização sobre o atendimento no hospital de Tocantinópolis, onde ocorreram as mortes. O município recebe suplementação de verbas para o atendimento à comunidade e é responsável pela contratação das equipes de saúde. 


     


    Durante a audiência, o Ministério Público Federal assumiu o compromisso de convocar nova reunião com a presença de outros órgãos ligados à questão indígena que não compareceram, entre eles a Fundação Nacional do Índio (Funai). O MPF deverá realizar audiência pública em Tocantinópolis para discutir a situação Apinajé.


     


    Na reunião, a Funasa comunicou que vai assumir a distribuição de cestas básicas, como medida emergencial, juntamente com outros parceiros, para tentar solucionar os casos de desnutrição e risco nutricional de crianças com idades entre 0 e 6 anos, gestantes e idosos.


     


    Para Istélia Folha, do Cimi no Tocantins, a ausência de políticas públicas de sustentabilidade para os povos indígenas é um dos fatores que levam à falta de alimentos e às situações de risco nutricional. Os Apinajé convivem também com questões como alcoolismo e o aumento das necessidades de consumo na aldeia.


     


    A comunidade Apinajé, de 600 pessoas, reclama da falta de saneamento básico. Em 2005, o governo municipal de Tocantinópolis não executou o projeto de 79 banheiros na aldeia, alegando que há problemas no subsolo. Agora, novo estudo precisa ser realizado pela Funasa. 


     


    “Existe, nesta região, uma disputa por cargos políticos, ainda mais neste momento em que podem haver mudanças nas coordenações dos órgãos públicos, com o novo governo federal. É importante que os cargos ligados à saúde nesta região de Tocantinópolis não sejam loteados, porque isso poderá ter conseqüências no atendimento à saúde da população”, afirma Istélia Folha.


     


    Brasília, 1 de fevereiro de 2006


     

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  • 31/01/2007

    A Questão Guarani-M’byá no Rio Grande do Sul

     


    Considerações jurídico-legais quanto às possibilidades de proteção aos direitos territoriais.


     


    Parecer da Dra. Rosane Lacerda (Advogada, Ex- Assessora Jurídica do Secretariado Nacional do Conselho Indigenista Missionário – Cimi, organismo anexo à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB)


     

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  • 29/01/2007

    Pataxó Hã-Hã-Hãe é ferido a bala em retomada na Bahia

     


     


    O indígena Pataxó Hã-Hã-Hãe Alcides Francisco Filho, mais conhecido como “Piba”, foi ferido a bala na coxa direita, em conflito com pistoleiros na Fazenda do invasor Marcos Andrade, no município de Itaju do Colônia, na madrugada do dia 27 de janeiro de 2007. Alcides foi socorrido no hospital do município de Pau Brasil e transferido para o Hospital de Base, em Itabuna, onde foi medicado e liberado em seguida. Ele retornou para Pau Brasil, na região de Água Vermelha, sob os cuidados da Funasa.


     


    No mesmo episódio, José Raimundo de Oliveira, 30 anos, casado, dois filhos, foi espancado a socos e pontapés, ficando em poder dos jagunços por mais de 12 horas, e só teria sido libertado porque disse que não era índio.


     


    Piba e José Raimundo foram hoje (29/01) à sede da Policia Federal em Ilhéus para prestarem depoimento. O Chefe de Posto da Funai em Pau Brasil,  Wilson Jesus, informou que uma equipe com representantes do Ministério da Justiça e Funai está viajando de Brasília para discutir e encaminhar questões referentes aos conflitos fundiários que envolvem os índios.


     


    Segundo informações de Alcides Filho à equipe do Cimi em Itabuna (BA), a retomada de terras que gerou o conflito aconteceu em 23 de janeiro. A retomada não foi divulgada antes porque foi realizada em região de difícil acesso e havia presença constante de pistoleiros.


     


    Ainda de acordo com o Pataxó Hã-Hã-Hãe, eles realizaram a ação por que a área retomada é passagem deles para as suas roças e, quando iam trabalhar, eram ameaçados por pistoleiros à serviço do fazendeiro.


     


    A comunidade responsabiliza o fazendeiro Marcos Andrade por um incêndio provocado em janeiro de 2006, em áreas ocupadas pelos índios. Relatam que nenhuma providência foi tomada apesar das denuncias no Ministério Público Federal em Ilhéus.


     


    Na região do conflito, os indígenas viviam em quatro fazendas que tiveram suas benfeitorias indenizadas pela Funai, após retomadas feitas pelos Pataxó-Hã-Hãe. Agora, os índios não estão conseguindo voltar para estas terras, porque os pistoleiros a serviço do invasor Marcos Andrade continuam fazendo ameaças.


     


    Agentes da Policia Federal estiveram na região do conflito no sábado à tarde (27/01).


     


    Histórico


    O índio Alcides Francisco tem 55 anos, é casado e tem quatro filhos; já foi cacique da Aldeia Bahetá, no município de Itaju do Colônia. A Aldeia Bahetá localiza-se no antigo Posto Caramuru, originário do SPI, às margens do Rio Colônia. É a aldeia onde sobrevivem de forma precária os filhos e netos dos antigos Hã-Hã-Hãe e Bainã, que foram caçados e aldeados neste local. Lá residem cerca de 15 famílias que reclamam, cotidianamente, do abandono e da falta de assistência dos órgãos públicos (principalmente Funai e Funasa).  É nessa aldeia que está enterrada a última índia que falava a língua Hã-Hã-Hãe, a Índia Bahetá. Também nessa aldeia, nos anos 90, o deputado federal e médico Roland Lavigne, à caça de votos naquela região, esterilizou todas as mulheres da aldeia, fato este que sensibilizou o Brasil inteiro e o mundo, e que segue, até hoje, sem punição. Nessa época, Alcides era o cacique da aldeia.


     


    Além da falta de assistência, os índios reclamam da falta de terra para sua sobrevivência. Em janeiro de 2006, a maioria das lideranças Pataxó Hã-Hã-Hãe fizeram várias retomadas na Serra das Alegrias, no município de Itaju do Colônia, sendo que um dos objetivos era dividir as fazendas com a comunidade da Aldeia Bahetá.


     


    A fazenda em questão já foi retomada em 2003 por um grupo Pataxó Hã-Hã-Hãe, liderado por Luís Titiah, e foi retirada dali por força de uma decisão judicial liminar. Na época, houve ameaças contra os indígenas e quase ocorreram conflitos. Em janeiro de 2006, os índios foram novamente ameaçados nessa mesma região. Por ser uma região altamente promissora na criação de gado, os fazendeiros de Itaju do Colônia são bastante organizados e exercem um forte poder de influência e de reação ao avanço dos índios na retomada do território dos 54.100 hectares.


     


    A terra Pataxó Hã-Hã-Hãe é objeto de um processo de nulidade de títulos cedidos pelo governo da Bahia e que tramita há mais de vinte anos no Supremo Tribunal Federal.


     


     


    Itabuna, 27 de janeiro de 2007.


    Conselho Indigenista Missionário – Regional Leste

    Equipe Itabuna.

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  • 26/01/2007

    Alto índice de morte de crianças em Rondônia ameaça sobrevivência em aldeia

     


    Três mortes e mais de 12 internações em três semanas, em aldeia com 250 pessoas


     


    Em menos de três semanas, faleceram três crianças do povo Oro Wari´ da aldeia Lage Velho, Terra Indígena Lage, no município de Guajará-Mirim (RO). Duas delas tinham quadro de desidratação.


     


    As aldeias de Guajará-Mirim vêm sendo assoladas, nestes últimos meses, por epidemias de gripe, diarréias e surtos de malária como nunca aconteceram nos últimos 20 anos. O pico, inédito, ocorreu entre dezembro de 2006 e a primeira quinzena de janeiro de 2007.


     


    Entre 1 e 20 de janeiro, 42 crianças indígenas foram internadas no hospital Bom Pastor, em Guajará-Mirim. A maioria tinha diarréia e sintomas de desidratação. Destas crianças, 12 vinham de Lage Velho, aldeia com população de 250 pessoas. Em dezembro, haviam sido 39 internações, número já alto para um o universo de 4mil pessoas atendido pelo pólo base de Guajará-Mirim.


     


    Das crianças que foram tratadas, uma foi encaminhada para Porto Velho e os outros foram para outro hospital público.


     


    Aldeia Lage Velho


    A aldeia Lage Velho, distante de apenas 36 km da cidade de Guajará-Mirim, é a aldeia mais próxima, de acesso mais fácil e também uma das maiores do município, com uma população de aproximadamente 250 habitantes. Entretanto, é uma das aldeias menos assistidas, apresentando um alto índice de malária, diarréia e gripes, conseqüência da falta de uma prevenção contínua; sem acompanhamento por profissionais de enfermagem da Funasa (Fundação Nacional de Saúde).


     


    A comunicação é aleatória por falta de radiofonia e o orelhão da aldeia nem sempre funciona. Falta medicação básica. Os poucos remédios disponíveis são guardados num armário metálico, num “puxado” da casa do Valdito, AIS (Agente Indígena de Saúde) e cacique da aldeia, que há sete anos reivindica, através dos conselhos, a construção de um Posto de Saúde. A falta de transporte no Pólo-Base prejudica tanto o atendimento como a remoção dos pacientes.


     


    Valdito perdeu sua filha de três meses em 15 de janeiro de 2007. A criança teve febre à noite e amanheceu com vômito e diarréia profusa. Pelas 8h da manhã, a AIS Regina Oro Mon telefonou para a CASAI (Casa de Saúde Indígena), solicitando a remoção urgente da criança. Com a demora na chegada do transporte e o agravamento do quadro do bebê, o cacique telefonou várias vezes para a CASAI. Quando o carro chegou, por volta das 16h, a criança tinha acabado de falecer. Era o 4º óbito nesta aldeia em 45 dias, e o 3º óbito de crianças menores de 5 anos em apenas 18 dias.


     


    Apenas após quatro mortes é que, em 19 de janeiro, a Funasa encaminhou uma técnica de enfermagem para aldeia, pela primeira vez.. Quanto à infra-estrutura, a própria comunidade colaborou cedendo o espaço da escola para hospedagem e atendimento.


     


    CASAI


    “Na CASAI a situação está fora de controle”, desabafou a pediatra, Dra. Márcia Gusmann, que atende nesta unidade há quase 15 anos. Existe superlotação; falta medicamentos nas aldeias e também na CASAI; não há viatura para levar os pacientes de alta para casa. Os pacientes são atendidos pela pediatra, mas muitos deles não recebem a medicação receitada pois não há remédios na CASAI. Os remédios existentes são os que as famílias, às vezes, podem comprar. Há sete anos a Funasa assumiu a saúde indígena, mas ainda não conseguiu dar respostas eficazes aos problemas. Prova disso é o aumento da mortalidade materno-infantil. A partir de 2004, quando a Funasa assumiu a total execução das ações de saúde, as expectativas de melhora nos serviços foram frustradas. No DSEI de Porto Velho, a Funasa desrespeita a decisão dos conselhos.


     


    Estrutura


    Os Agentes Indígenas de Saúde não recebem curso de formação há 4 anos; o transporte está sucateado; a partir de 2004, a incidência de  malária vem aumentando a cada ano; as ações de saneamento não solucionam as necessidades de água potável das aldeias, seja por falta de poço ou por problemas técnicos; não houve novas contratações de AIS – como sempre é solicitado nos conselhos – e dois auxiliares de enfermagem indígenas deixaram de serem contratados. Enquanto isso, o Pólo-Base tem profissionais de saúde, auxiliares e técnicos de enfermagem não-indígenas e dentistas, impossibilitados de viajar durante vários meses por falta de condições de transporte ou de equipamento.


     


    A falta crônica de medicamentos de base nas aldeias e na CASAI  contribui para o superlotação das enfermarias dessa unidade, construída há mais de 20 anos e necessitando ampliação.


     


    A aldeia Lage Velho não tem a mínima infra-estrutura para atender doentes. Algumas aldeias menores têm postos de saúde, mas a Funasa não tem dado a atenção necessária à situação em Lage Velho. Em sete anos, a Funasa não equipou nenhuma aldeia com radiofonia e nenhuma aldeia fluvial adquiriu uma voadeira para emergência. Depois da denúncia da morte por desidratação de duas crianças da terra indígena Guaporé, por falta de transporte em 2005, a coordenação da Fundação prometeu uma voadeira para a aldeia Ricardo Franco. Infelizmente, a promessa não foi cumprida e no ano seguinte faleceram, nas mesmas circunstâncias, mais duas crianças da aldeia.


     


    Respeito Plano Distrital


    Estas reivindicações são antigas e constam no Plano Distrital Anual aprovado pelo Conselho Distrital, mas até agora só foram feitas promessas. A Funasa procura mostrar aos conselheiros que o problema é a falta de recursos financeiros. No nosso entendimento, é necessário melhorar a administração dos recursos existentes e pôr fim nos atrasos de repasses de verba, que geram interrupção do atendimento. Os conselhos devem retomar a sua autonomia para controlar as ações e os gastos. A atual Coordenação Regional da Funasa impede que este controle efetivo seja feito, com interferência em datas e locais de reuniões, por exemplo.


     


    A Vª assembléia indígena dos povos da região de Guajará-Mirim, realizada em novembro de 2006, encaminhou ao Ministério Público Federal um abaixo-assinado solicitando uma Audiência Pública sobre “Atendimento à Saúde Indígena”, dando o prazo até o dia 10 de dezembro para a sua realização. Apesar dos inúmeros documentos e denúncias encaminhados pelas comunidades indígenas e protocoladas no Ministério Público, o pedido das lideranças ainda não foi atendido.


     


    Esperamos que, com a tragédia da aldeia Lage Velho, a atenção das autoridades responsáveis se volte para o Pólo-Base de Guajará-Mirim.


     


    Esta tragédia coincide com um ano da também lamentável e triste efeméride do terrível acidente de caminhão fretado pela FUNAI para carregar sacos de castanha, no qual seis indígenas Oro Wari´morreram e 17 ficaram feridos. O motorista, não habilitado, ainda não foi julgado e está respondendo em liberdade.


     


    Histórico trágico


    ·        Em novembro de 2005, na mesma aldeia do Lage Velho já havia falecido uma criança por malária. Gilcinei Oro Mon tinha 3 meses. Apesar de ter sido encaminhada para a Casa de Saúde Indígena (foi até com uma carona do Ministério Público), teve um diagnóstico médico tardio, entrou em coma e foi levada para Porto Velho, onde faleceu.


    ·        Em 30 de novembro de 2006, faleceu em Porto Velho uma jovem mãe de 21 anos, no período de pós-parto por motivo cardíaco. Segundo o esposo, a jovem não teve acompanhamento médico no pré-natal.


    ·        Em 29 de dezembro de 2006, foi a óbito em Porto Velho um recém-nascido prematuro que ia ser submetido a uma cirurgia no encéfalo, filho do professor indígena Valdemar Oro Mon


    ·        Em 7 de janeiro de 2007, faleceu em Porto Velho Josinete Oro Mon, de 4 anos, por desidratação (diarréia e vômito).


     


    Equipe CIMI-Guajará-Mirim (RO), 22 de janeiro de 2007


     

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  • 26/01/2007

    CIMI INFO-BRIEF 748

     


    Die Guarani-Kaiowá warten auf Genehmigung einer Beerdigung


     


    Die Rückgewinnung der Fazenda Madama am 6.01. in der Region Amambaí (MS) wurde von privatem Sicherheitspersonal im Auftrag von Fazendeiros gewaltsam beendet. Die 70-jährige Kuretê Lopes starb dabei an einer Schussverletzung, eine andere India wurde verletzt. Die Guarani-Kaiowá warten nun auf eine richterliche Entscheidung, um Kuretê Lopes im traditionellen Gebiet Kurusu Ambá, dem Ort ihrer Ermordung, beerdigt werden kann.


     


    Den Antrag zur Genehmigung der Bestattung hat Dr. Charles Pessoa von der Bundesstaatsanwaltschaft heute an die Bundesjustiz von Ponta Porã gestellt, da der Kommissar der Bundespolizei, der die Tat untersucht, aus Angst vor weiteren Konflikten die Beerdigung nicht erlaubte.


     


    Die Bundespolizei führt eine Untersuchung zur Aufklärung der Taten durch. Am 12.01. werden drei Personen der Sicherheitsfirma in Ponta Porã einvernommen. Laut Kommissar Fresna haben „schwer bewaffnete Viehtreiber und Sicherheitskräfte“ die Vertreibung vorgenommen.


     


    Bei einer Versammlung, die auf Betreiben des Landesabgeordneten Pedro Kemp (PT-MS) stattfand, bestätigte die Leitung der Bundespolizei in Mato Grosso do Sul, es gebe Hinweise auf die Urheber des Gewaltaktes. Der Abgeordnete forderte mehr Beobachtung der Aktivitäten von Sicherheitsfirmen, die Fazendeiros zum Schutz von Besitz verpflichten.


     


    Die Justiz selbst in die Hand genommen


    Es liegt kein Antrag auf Reintegration von Besitz vor, der einen Abzug der Indios mit Hilfe der Polizei anordnen könnte.


     


    Immer wieder werden Indios von Sicherheitskräften im Auftrag von Fazendeiros ermordet. Am 24.12.2005 wurde Dorvalino Rocha in Ñanderu Marangatu getötet. Pistoleiros haben infolge eines Landkonflikts im Juni 2006 Dorival Benitez erschossen.


     


     


    Rückkehr der Bororo in ihr Gebiet gewaltsam verhindert


     


    Das Gebiet Jarudori der Bororo in der Gemeinde Poxoréu (MG) ist homologiert und registriert. Dennoch erheben Invasoren Anspruch und verhindern durch Drohungen und Gewalt die Rückkehr dieses Volkes in ihr Gebiet.


     


    Im zweiten Halbjahr 2006 hat die Kazika Bororo Maria Aparecida Toro Ekureudo auf einem verlassenen Gebiet eine neue Aldeia gegründet, danach folgten wiederholte Drohungen. Am 5.12.2006 hat die Gruppe eine Morddrohung bei der Bundesstaatsanwaltschaft in Cuiabá angezeigt. Am 26.12. morgens gab es einen Anschlag auf João Osmar, den Schwiegersohn der Kazika.


     


    Unterwegs mit der Milchlieferung an die Molkerei baten zwei Männer um Mitfahrgelegenheit. Ein Motorrad fuhr dem LKW hinterher. Außerhalb des indigenen Gebietes übergossen die Männer das Fahrzeug mit Benzin und setzten es in Brand. Tags darauf wurde João Osmar rund 20 km vom Ort des Anschlags entfernt gefunden. Er hatte zwar nur einige Abschürfungen, stand aber unter großem Schock.


     


    Laut Pressestelle der Staatsanwaltschaft in Cuiabá hat die Bundespolizei Untersuchungen eingeleitet, die noch nicht abgeschlossen sind, da ob der Angriff in Zusammenhang mit einem Landkonflikt oder mit anderen Missverständnissen stehe.


     


    Für CIMI Regional Mato Grosso steht fest, dass der Mordversuch „die Folge des Landkonflikts ist. Es müssen Maßnahmen zum Schutz des Opfers getroffen werden.


    Die Bororo können nicht ständig unter Druck leben“, heißt es in einem Brief des Vize-Koordinators von CIMI, Mario Bordignon und er kritisiert die FUNAI der Region. Ein Funktionär des Organs habe den Indios gesagt, sie sollen „Jarudori vergessen“ und dass die „Bororo nicht mehr Land brauchen“.


     


    Brasília, 11. Januar 2007


    Cimi – Indianermissionsrat

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