• 16/02/2007

    Câmara Municipal no TO repudia preconceito contra vereador indígena

    Aconteceu, no dia 15 de fevereiro deste ano, na Câmara Municipal de Lagoa da Confusão, em Tocantins, um ato de repúdio contra o preconceito e a discriminação sofridos pelo indígena José Hani Karajá, vereador daquela casa.


     


    No dia 15 de dezembro de 2006, última sessão do ano, foi disputada a eleição para a presidência da Câmara, para a qual concorriam duas chapas. A chapa que saiu vitoriosa tinha José Hani Karajá (aldeia Fontoura/Ilha do Bananal) como vice-presidente. Descontente com o resultado, um vereador (Arione Furtado da Silva, PR) da chapa opositora (que, a propósito, também concorria como vice-presidente) reagiu, proferindo agressões sobretudo direcionadas ao vereador indígena, pois apontava para o mesmo e bradava: “como esta chapa pode ter ganho se índio não é nem ser humano???…esses insetos…”. Parte da agressão está registrada em vídeo.


     


    Assim, reforçando o apoio ao vereador indígena estiveram presentes no ato de repúdio lideranças Karajá, Javaé, Apinajé, a Organização Indígena do Tocantins, acadêmicos indígenas, o Cimi, o Centro de Direitos Humanos de Cristalândia, o Bispo da Prelazia de Cristalândia, professoras (es) e líderes comunitários de Lagoa da Confusão. Todos expressaram indignação e revolta diante do episódio e, tendo clareza quanto à natureza criminosa do mesmo, cobraram a punição e cassação do agressor.


     


    Ao final, o Presidente da Câmara esclareceu que, através da Comissão de Ética, constituída há pouco, irão avaliar o caso e aplicar a punição necessária.  


     

    José Hani Karajá já protocolou a denúncia no Ministério Público Federal e reafirmou que sua intenção não é apenas denunciar um caso isolado, mas sim, denunciar a discriminação e o preconceito que ainda existem contra os povos indígenas e que não podem permanecer impunes, por isso, pretende divulgar o episódio, a fim de encorajar os parentes que possam vir a sofrer violência similar.

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  • 15/02/2007

    Informe no. 753 – Atos em defesa da Amazônia lembram dois anos do assassinato da Irmã Dorothy

    Informe no. 753


     


    – Atos em defesa da Amazônia lembram dois anos do assassinato da Irmã Dorothy
    – Povo Pataxó Hã-hã-hãe vai a Brasília buscar solução para conflitos em sua terra



     


     


    ATOS EM DEFESA DA AMAZÔNIA LEMBRAM DOIS ANOS DO ASSASSINATO DA IRMÃ DOROTHY


     


    Entre os dias 9 e 12 de fevereiro, diversos movimentos sociais organizaram atos em defesa da Amazônia e contra a impunidade para lembrar os dois anos do assassinato da Irmã Dorothy Stang, ocorrido em 12 de fevereiro de 2005, em Anapu, no Pará. As ações terminaram com uma audiência com a governadora do estado, Ana Júlia Carepa.


     


    Em Belém, capital do Pará, as atividades começaram dia 9, com o seminário ‘Construção de Alternativas Populares para a Amazônia’. No domingo, dia 11, nas celebrações de diversas igrejas cristãs foram recolhidas doações para o acampamento Carlos Prestes do MST.


               


    No dia 12 pela manhã, houve uma celebração ecumênica que reuniu cerca de 100 pessoas em frente ao Tribunal de Justiça do Pará. À tarde, a governadora Ana Júlia Carepa reuniu seu secretariado e recebeu representantes do Cimi, Comissão Pastoral da Terra, Movimento dos Antigidos por Barragens, Comitê Dorothy Stang entre outras entidades. O senador José Nery (PSol-PA) e representantes do Incra, do Ibama e da Polícia Federal também participaram da reunião.


     


    No encontro, foi entregue à governadora um documento com os anseios dos movimentos sociais para as áreas do meio-ambiente, reforma agrária e direitos humanos. As entidades pediram proteção às pessoas ameaçadas e que os consórcios que financiam a execução de defensores dos direitos humanos sejam investigados. Também reivindicaram dedicação para combater o trabalho escravo e empenho para fazer a regularização fundiária no estado, o que pode diminuir os conflitos no campo. Os movimentos sugeriram uma ação integrada entre governo federal e estadual.


     


    Em Anapu, município onde a missionária atuava, Dom Erwin Kräutler, bispo do Xingu e presidente do Cimi, celebrou uma missa no dia 11.  Em sua homilia, ele lembrou que o assassinato da Ir. Dorothy não foi um fato isolado. “Foi mais um dos capítulos sangrentos da Amazônia ligado à grilagem de terras, à destruição programada desta região, à exploração de suas riquezas de forma devastadora, ao trabalho escravo”. Dia 12, foi decretado feriado oficial em Anapu, pelo prefeito da cidade, que antes do crime havia dito que Irmã Dorothy era persona non grata no local.


     


    Em outros municípios paraenses e no Maranhão, Ceará e outros estados também ocorreram atos em memória de Irmã Dorothy.


     


    Assassinato


    A Irmã Dorothy Stang foi assassinada, com sete tiros, aos 73 anos de idade, na manhã do dia 12 de fevereiro de 2005, em uma estrada de terra de difícil acesso, a 53 quilômetros da sede do município de Anapu.


     


    Já foram condenados três dos cinco acusados pelo assassinato da missionária norte-americana naturalizada brasileira. O julgamento dos dois supostos mandantes ainda não está marcado. O fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, está preso. O outro acusado, o fazendeiro Regivaldo Galvão, conhecido como Taradão, aguarda o julgamento em liberdade.


     


      


     


    POVO PATAXÓ HÃ-HÃ-HÃE VAI A BRASÍLIA BUSCAR SOLUÇÃO PARA CONFLITOS EM SUA TERRA


     


    Uma comissão de 15 pessoas do povo Pataxó-Hã-hã-hãe está em Brasília para buscar uma solução para os processos judiciais que afetam as terras deste povo. Atualmente, há decisões que obrigam os Hã-Hã-Hãe a sair de áreas que retomaram em seu território tradicional, no sul da Bahia, que está invadido por fazendeiros. A falta de solução gera conflitos na região, como o que deixou um indígena ferido à bala, no fim de janeiro.


     


    Sexta (16/2), a comitiva se reunirá com a presidenta do Tribunal Regional Federal da 1ª região, a desembargadora Assusete Magalhães para tratar de uma ação de suspensão de liminares relacionada a três fazendas retomadas em dezembro (Califórnia, Bonanza e Ibirapitanga). Atualmente, eles têm um prazo de 15 dias (que vence no dia 26 de fevereiro) para desocupar estas áreas. As lideranças indígenas afirmam que há risco de confronto com conseqüências fatais, se a liminar for cumprida neste prazo.


     


    Os Pataxó Hã-hã-hãe pedirão à desembargadora que suspenda as liminares até que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgue a ação que pede a anulação dos títulos de terra dos fazendeiros que estão na área do povo. O Ministério Público Federal já deu um parecer favorável à suspensão das liminares.


     


    Hoje (15/2), os Pataxó Hã-hã-hãe se reunirão com o Advogado Geral da União, Álvaro Ribeiro, para tratar da ação de nulidade, que já está no STF há 25 anos. Atualmente, ela aguarda uma posição do Ministro Eros Grao, relator do processo. Na manhã de hoje, a comitiva se reuniu com o presidente em exercício da Fundação Nacional do Índio (Funai) e assessores do órgão para pedir providências para a situação na área.


     


    Contexto – A terra do povo Pataxó Hã-Hã-Hãe foi demarcada em 1937 pelo Serviço de Proteção ao Índio, que na época era o órgão indigenista oficial. A partir da década de 1940, o mesmo SPI começa o ilegal processo de arrendamento de terras indígenas que culmina, em 1976, com a titulação destas terras para os fazendeiros, realizada pelo Governo do Estado da Bahia. Em 1982, os Pataxó se organizam e começam a retomada de suas terras invadidas. No mesmo ano, a Funai pede ao Supremo Tribunal Federal (STF) a anulação dos títulos que haviam sido emitidos pelo Estado da Bahia.


     


     


    Brasília, 15 de fevereiro de 2006


    Conselho Indigenista Missionário


    www.cimi.org.br

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  • 13/02/2007

    Multinacional leva agricultora do Rio Grande do Sul ao suicídio

    Um arresto de fumo, pedido pela empresa fumageira Aliance One, causou o suicídio de uma agricultora do município gaúcho de Vale do Sol, na região do Vale do Rio Pardo. No dia 2 de fevereiro, sob ordem do juiz Marcelo Silva de Carvalho, a agricultora Eva da Silva teve toda sua produção de fumo tomada, para o pagamento de uma suposta dívida que teria com a empresa. Desesperada, ela anunciou que iria se matar. Às 9h30 da manhã, ela morreu enforcada no fundo do galpão de sua propriedade.



    O fato está registrado na Delegacia de Polícia de Vale do Sol. No atestado de óbito, o médico responsável indica que a agricultora, de 61 anos, sofria de depressão.



    O Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) está acompanhando o caso e deve encaminhar denúncias contra a ação da empresa e do judiciário. O coordenador regional do MPA, Vilson Rabuske, relata que a dívida da fumicultora não estava vencida. A agricultora vendia fumo para a empresa há mais de 25 anos. “Eles buscaram esse fumo. A dívida não estava vencida, ela não estava negando a conta. Ela inclusive vendeu fumo no ano passado, em dezembro, e a empresa pagou 100% para ela, porque ela estava em dia. E no fazer o arresto, ela se desesperou, uma situação constrangedora, o oficial de justiça, mais seis brigadianos, dez pessoas para carregar o fumo. Arrombaram o galpão, ela tentou argumentar que não estava devendo, não adiantou, o oficial disse que estava cumprindo ordens. Ela disse que ia se matar, não deram bola, e ela foi para o fundo do galpão e se enforcou”, afirma.



    O MPA denuncia, ainda, que os homens que faziam o arresto continuaram carregando o fumo da agricultora, mesmo sabendo que ela havia se suicidado. O oficial de justiça responsável pelo caso teria ligado para o juiz Marcelo de Carvalho, que autorizou o prosseguimento. A informação foi confirmada pela Delegacia de Polícia. O MPA afirma também que, ao ser comunicada do suicídio, a Aliance One mandou funcionários para carregar o fumo mais rapidamente. “Ela estava morta já mas, em vez de parar o arresto, trouxeram reforço, ou seja, mais trabalhadores para carregar o resto do fumo. Carregaram todo o fumo e só depois foram ver o caso dela. Ela se matou durante o arresto, na hora. Ela disse para o oficial que iria se matar. Acharam o corpo, segundo dizem o oficial ligou para o juiz, e o juiz mandou continuar. Aí, ligaram para a empresa e a empresa mandou mais pessoas para carregar mais ligeiro o fumo”, conta Vilson Rabuske.



    A empresa foi procurada para responder as denúncias, mas se limitou a enviar um comunicado oficial. No texto, a Aliance One lamenta o ocorrido e diz que o suicídio foi uma “fatalidade”. A empresa diz que a ação foi motivada por “quebra de contrato” e se coloca à disposição das autoridades para esclarecimentos. Sobre a informação de que a empresa teria mandado funcionários seus ajudarem no arresto do fumo, após o suicídio da agricultora, a assessoria de imprensa não respondeu, afirmando que a resposta da empresa será apenas o que está no comunicado oficial. No Fórum de Vale do Sol, foi informado que o juiz está de férias. O oficial de justiça foi procurado, mas não foi localizado pela reportagem.



    O arresto é uma medida em que a justiça autoriza que a empresa tome o fumo do agricultor, em troca de dívidas. De acordo com o MPA, casos de arresto arbitrário estão sendo cada vez mais freqüentes na região do Vale do Rio Pardo. Vilson Rabuske afirma que o movimento irá denunciar o caso da agricultora Eva da Silva. “Esse arresto nem deveria ter saído. A empresa usou de mentiras no processo que mandou para o judiciário, e o judiciário simplesmente mandou fazer o arresto. As empresas usam esse artifício, porque o judiciário infelizmente é omisso. E nós temos que parar com isso. Temos que denunciar e é o que vamos fazer. A direção estadual do MPA vai denunciar nos órgãos competentes, Assembléia, Direitos Humanos, Ministério Público Federal. Enfim, vamos fazer tudo que deve ser feito”, afirma.



    Um estudo conduzido pelo engenheiro agrônomo Sebastião Pinheiro, de 1996, analisa a relação do uso de agrotóxicos com os suicídios entre agricultores ocorridos no município de Venâncio Aires. De acordo com o estudo “Suicídio e doença mental em Venâncio Aires”, o município registrou uma média de 11 suicídios por ano, entre 1979 e 1995. Tudo indica que devido ao uso excessivo de veneno nas lavouras de fumo.

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  • 13/02/2007

    O PODER DA FARSA – Por Araci Cachoeira

    Peço licença ao leitor


    Para de algo chato eu falar,


    Mais do que chato é cruel


    O que eu tenho para tratar,


    Sobre o atrevimento do homem


    Querendo um rio transportar.


     


    Desde que mundo é mundo


    O rio sabe onde correr,


    É traçado o seu percurso


     E o que temos a fazer,


     É cuidar da vida dos rios


    Preservar é um dever.


     


    Num tempo que já se foi


    Chamado de desbravação,


    O Rio São Francisco foi o celeiro


    O pai da alimentação,


    Peixe de toda espécie


    Ali tinha de montão.


     


    Quando os povos indígenas


    Da natureza cuidava,


    As margens do São Francisco


    Alimentos não faltavam,


    Porque indígena e natureza


    A mesma língua falavam.


     


    Mas foi exatamente o fato


    De desbravar sem medir,


    Que acabou com as matas


    Fez o rio diminuir, este tal desbravamento


    Fez a fartura sumir.


     


    Sumiu peixes, sumiu matas


    Se some a mata, some a caça,


    Resseca a terra, acaba as plantas


    Falta comida na praça,


    O povo é que paga o pato


    São as vítimas da desgraça.


     


    Assim foi com muitos rios


    Do nosso imenso Brasil


    Numa manobra sutil


    Secaram muitas nascentes


    Deste torrão varonil.


     


    O motivo nós sabemos


    Fazer campos de pastagem,


    Criar gado foi a razão


    Da enorme malandragem,


    Que fez os fazendeiros


    Levar nascentes à secagem.


     


    Estou começando das nascentes


    Para chegar nos afluentes,


    Pois elas é que são as veias


    Que levam a água em frente,


    Secando a fecundação


    É claro que o rio sente.


     


    Quero fazer um pedido


    Pensem na situação,


    Onde brotavam nascentes


    Muitos já não têm vazão


    O rio São Francisco vai minguando


    Por causa da devastação.


     


    Mesmo com esta realidade


    Que até leigo compreende,


    Falam na transposição


    Que pouca gente defende


    Pois é uma farsa montada


    Que a um jogo de interesse atende.


     


    Parece um ato de loucura


    Um delírio uma surtação,


    Mas é o que está acontecendo


    Na nossa grande nação,


    Um projeto faraônico


    Chamado transposição.


     


    A vítima de tal desatino


    É o Velho Chico famoso,


    Que outrora foi navegável


    Um tesouro precioso,


    Com muita água e peixe


    Era um rio farturoso.


     


    Hoje o Rio são Francisco


    Nos causa revolta e tristeza,


    Ao invés da revitalização


    De refazer a beleza,


    Falam em transpor o rio


    Isso é agredir a natureza.


     


    Quem não consegue entender


    A tal de transposição,


    Imagine um enorme canal


    Que na verdade é uma ilusão


    Carregando o São Francisco


    Daqui lá pra o Sertão.


     


    Usam a palavra sertão


    Para tentar enganar,


    O problema do sertanejo


    Não é o rio lá chegar,


    Para água lá encontrar.


     


    A transposição do rio São Francisco


    É uma farsa do poder,


    Que usa o nome dos pobres


    Dizendo que vai abastecer,


    Água para os estados


    Que não tem onde beber.


     


    Neste jogo de interesse


    Engana-se quem está achando,


    Que a água é para os pobres


    Onde estaria o rio chegando,


    Na verdade serão os empresários


    Que ali vão estar mandando.


     


    Esta mega operação


    Que vai nos custar bilhões,


    É um desastre para o meio ambiente


    E não nos dá soluções,


    Ignora os ribeirinhos


    E outras populações.


     


    Vai continuar sem água


    Quem dela hoje depende,


    Os projetos de exportação


    É o que o império defende,


    Sem ter clareza o projeto


    O povo pouco entende.


     


    Não se pode transpor um rio


    Com a vazão comprometida,


    O rio são Francisco pede socorro


    Contra esta ação desvairada,


    Ao invés de transposição


    Protejamos sua vida.


     


    Ao invés de levar a água


    Fazer com que ela aumente,


    Cuidando das margens do rio


    Dos afluentes e nascentes,


    Revitalizem o Velho Chico


    Sejam um pouco inteligentes.


     


    Hoje se o povo reclama


    É por não se conformar,


    Depredaram o meio ambiente


    E ainda querem tirar,


    O que ainda sobrou


    Estão tramando acabar.


     


    Como se não bastasse


    A tragédia da barragem,


    Inventaram esta vergonha


    Esta grande malandragem,


    Achando que o povo é trouxa


    De apoiar a sacanagem.


     


    Aproveitando a oportunidade


    Vou aqui esclarecer,


    Quem é contra a transposição


    Não é egoísmo, não é querer


    Ficar com a água para nós,


    É questão de defender.


     


    Defendemos um rio comprometido


    Que precisa de cuidado,


    Porque entendemos que o rio


    Hoje está condenado,


    A um futuro de extinção


    Por um projeto decretado.


     


    Egoísta na verdade


    É quem defende a transposição,


    Para atender interesses


    Do lucro de exportação,


    De hortifrutigranjeiros


    E também de camarão.


     


    Isto sim é egoísmo


    Querer os carentes tapear,


    Usando o nome deles


    Para um projeto aprovar,


    Falam em gerar emprego


    Para o povo enrolar.


     


    Se o problema da seca


    Fosse assim resolvido,


    É claro que ninguém ia se opor


    A gente já teria entendido


    Mas sabemos que está errado


    Este é um plano falido.


     


    Do custo da grande obra


    Não precisa nem a metade,


    Para aplicar em projetos


    Que resolve de verdade,


    O problema da falta d’água


    Mudando a realidade.


     


    Por que não fazem o certo?


    É fácil de entender


    Pequenas obras


    Não dá fama nem poder,


    Uma obra faraônica


    É coisa para aparecer.


     


    Cacimbas e captação


    Água em armazenagem,


    Isto ajuda o povo


    Mas não vai dar reportagem,


    Por isto é que preferem


    Fazer a grande drenagem.


     


    Se aplicar certo os recursos


    Tanto lá como cá,


    Capta a água no Nordeste


    Aqui reflorestamento vai implantar,


    Revitalizando as nascentes


    Fazendo a água brotar.


     


    O povo do Nordeste


    É um povo inteligente,


    Sabe avaliar muito bem


    Pensar no mais pra frente,


    Hoje o que temos a fazer


    É cuidar do meio ambiente.


     


    Gritam os povos indígenas


    Lamentam os agricultores,


    Ribeirinhos, quilombolas,


    Estudantes, professores,


    Abominam a idéia


    Dos insensatos senhores.


     


    Mas já que insistem na burrada


    Avisamos mesmo sofrendo,


    Vai haver uma tragédia


    O povo está se movendo,


    Que a obra vai ser barrada


    Todos estão sabendo.


     


    A mobilização já é grande


    Para o projeto embargar,


    O povo de mala e cuia


    No local vai acampar,


    Vão ter que pensar duas vezes


    Se não vão se ferrar.


     


    Vamos por o pé no barranco


    Nós não vamos desistir,


    Se é briga que quer o poder


    A briga vai existir,


    Em torno do Rio São Francisco


    Muita gente vai se unir.


     


    Não pensam que vai ser fácil


    Com esta farsa do poder,


    Do lado de lá tem a grana


    Mas do lado de cá tem o querer,


    De um povo que está disposto


    O Velho Chico defender.


     


    Pelo Rio São Francisco


    Contra a transposição,


    Uma corrente de forças


    Um esforço, um mutirão,


    O povo já se levanta


    “Dizendo o rio não vai não”.


     


    Araci Cachoeira, em 09/10/2006,


    em Belo Horizonte.

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  • 13/02/2007

    Assembléia dos Povos Indígenas em Roraima reúne lideranças de todo o estado

    A Assembléia Geral dos Povos Indígenas de Roraima, reuniu 702 lideranças na aldeia do Barro [Surumu], nos dias 6 a 9 de fevereiro de 2007, para debater propostas com base no tema “Desenvolvimento sim, mas com respeito e não de qualquer jeito”.


     


    Os tuxauas (caciques) presentes debateram com convidados de instituições públicas sobre a “Situação Fundiária, Meio Ambiente, Sustentabilidade, Direitos Humanos, Saúde, Educação” e avaliaram a situação financeira da entidade. A Assembléia também deu posse à nova coordenação e fez o lançamento do CD com Cantos Tradicionais Wapichana.


     


    A carta final da Assembléia anual do CIR contém 60 itens, entre propostas, sugestões, cobranças, protestos e reivindicações. O documento será encaminhado às autoridades públicas que atuam diretamente com as questões indígenas, como Funai, Ministério da Justiça, Funasa, Comitê Gestor da Casa Civil, Ministério Público, Polícia Federal e outros.


     


    O evento ocorreu de forma pacífica, apesar de ser realizado na antiga vila de Surumu, local de tensão na terra indígena Raposa Serra do Sol, devido a retira de não-índios que vivem naquela localidade e, principalmente, por ser próximo às maiores lavouras de arroz irrigado da região.


     


    O único incidente grave foi o espancamento do indígena Sérgio da Silva Alves. Ele atuava na Assembléia como segurança e teria impedido a entrada de dois jovens não-indios que são os suspeitos de terem praticado a agressão, juntamente com outros rapazes que vivem no local.


     


    A Polícia Federal chegou a prender os suspeitos mas os liberou por serem menores de idade. A vítima recebeu atendimento médico de emergência no hospital São Camilo, em Surumu, e teve que ser removida para o Pronto Socorro de Boa Vista, mas por apresentar um quadro estável foi encaminhada à Casa de Saúde Indígena e depois retornou à comunidade.


     



    Nova coordenação assume para mandato de dois anos


     


    Dionito José de Souza é o novo coordenador geral do Conselho Indígena de Roraima – CIR. Aos 39 anos de idade, pertencente à etnia Macuxi, ele exercerá o mandato por dois anos ao lado de Terêncio Wapichana [vice-coordenador] e Luciana Pinto Macuxi, secretária de mulheres.


     


    Os eleitos tomaram posse no encerramento da Assembléia Geral dos Povos Indígenas numa cerimônia que emocionou todos os presentes. Cada etno-região que compõe o CIR apresentou a sua liderança eleita, e, simbolicamente, levou de volta aqueles que concluíram o mandato.


     


    O coordenador que toma posse é da aldeia Maturuca, terra indígena Raposa Serra do Sol, o vice é morador da aldeia Marupá [Serra da Lua] e a secretária das mulheres é da aldeia Câmara [Baixo Cotingo].


     


    Na solenidade de posse, Dionito Macuxi empenhou todos os seus esforços para reestruturar a administração da entidade que enfrenta dificuldades financeiras, principalmente para a contratação de pessoal, manutenção do escritório e dos transportes.


     


    Dionito Macuxi também prometeu ser ‘implacável’ contra a venda e o consumo de bebida alcoólica por indígenas, além de trabalhar para acelerar o processo de retirada de não-índios das terras demarcadas e homologadas.


     


    A saúde indígena receberá atenção especial do novo coordenador que até a posse era coordenador dos agentes de saúde da região das Serras e é um dos articuladores em nível nacional do movimento pela saúde indígena.


     


     




    Perfil


     

    Dionito José de Souza, já atuou como catequista, capaz, agente de saúde (microscopista), segundo tuxaua, coordenador regional dos agentes de saúde, membro do Conselho do Distrito Sanitário Leste de Saúde, membro da Comissão Pós-Conferência Nacional dos Povos Indígenas.
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  • 13/02/2007

    Propostas aprovadas na 36ª Assembléia dos Povos Indígenas de Roraima

    “Desenvolvimento sim, mas com respeito e não de qualquer jeito!”




    TI Raposa Serra do Sol, Aldeia do Barro (Surumu), 9 de fevereiro de 2007.


     


    Documento Final



     


    Nós povos indígenas de Roraima, reunidos no dia 6 a 9 de fevereiro de 2007, na comunidade indígena Barro, região Surumu, terra indígena Raposa Serra do Sol, Estado de Roraima, com a presença de 702 lideranças indígenas, pertencentes aos povos Macuxi, Wapichana, Ingarikó, Taurepang, Wai Wai, Sapará, Yekuana, Yanomami, Xirixiana, Pemón e Patamona, após discutimos sobre o tema desta Assembléia – “Desenvolvimento sim, mas com respeito e não de qualquer jeito” – vimos apresentar nossas demandas, propostas, sugestões e reivindicações amparados pela Constituição Brasileira:


     


    A TERRA



    1. Exigimos a saída imediata dos ocupantes não índios, principalmente dos arrozeiros para termos o direito exclusivo sobre a terra Raposa Serra do Sol;
    2. Não aceitamos o Distrito Municipal de Surumu e a ampliação da zona urbana da sede de Pacaraima por afrontar nossos direitos constitucionais. Por isso, queremos revogação das leis municipais 110 e 111/2006, aprovada pela Câmara dos Vereadores do Município de Pacaraima;
    3. Queremos a imediata desintrusão dos moradores não-índios da Vila Surumu, Socó, Água Fria e Mutum por trazerem para as comunidades indígenas a bebida alcoólica e gerar crimes contra o patrimônio indígena. Que a Funai retire com urgência urgentíssima os que já receberam a indenização e adote providencia medidas para que não retornem a nossa terra;
    4. Não autorizamos a realização de festejos em nossa área, tal como São José (Surumu), São Sebastião (Uiramutã) promovido pelas Prefeituras municipais. Discordamos, também, dos Festejos no Lago Caracaranã por ser uma forma disfarçada de invasão das nossas terras;
    5. A ampliação de algumas terras indígenas demarcadas em ilhas nos anos 1970/80/90 é extremamente necessária para a sobrevivência física e cultural dos povos. Até o momento, apesar de todos os anos solicitarmos das autoridades competentes, não temos qualquer resposta. Por isso, queremos que haja respostas aos pedidos de ampliação: TI Truarú, Sucuba (na região do Taiano), Aningal, Ponta da Serra e Araçá (na região Amajari), Canauani, Malacacheta, Manoá/Pium, Bom Jesus, Jabuti (na região Serra da Lua);
    6. Solicitamos a identificação da TI Arapuá – Taiano;
    7. Os Yanomami reclamam da invasão de fazendeiros, pescadores e garimpeiros em sua área. Exigimos respostas a essas demandas o mais breve possível, pois a morosidade em agir coloca em risco a vida Yanomami.
    8. A presença do ocupante Dílson Cabral na TI Ponta da Serra, Jose Ribeiro na TI Pium, são exemplo que mesmo após a terra está registrada e os ocupantes terem recebido indenização não há a posse indígena. Que acelere a reintegração de posse às comunidades indígenas.

     


    MEIO AMBIENTE


     



    1. Não consentimos à construção da Usina Hidrelétrica no nosso rio Cotingo – um patrimônio natural das nossas comunidades -, por prejudicar nosso meio ambiente, nossos campos, a caça e a nossa vida tradicional,
    2. Denunciamos que mesmo após a homologação da terra, continua a plantação de arroz e soja nas ocupações Fazenda Deposito/Paulo César Quartiero, e demais arrozeiros,
    3. Repudiamos a licencia ambiental concedida aos arrozeiros e solicitamos que sejam punidos os responsáveis por tal ato;
    4. Que o Ibama e as Prefeituras de Pacaraima e Uiramutã adotem providencias imediatas para os lixões a céu aberto que são instalados no interior das TIs Raposa Serra do Sol e São Marcos;
    5. Que o Ibama verifique a denúncia de morte de urubus por envenenamento nas mediações dos lixões em Pacaraima, no alto do rio Miang;
    6. Denunciamos o desmatamento da mata ciliar nas mediações da TI  Murirú;
    7. Denunciamos a extração ilegal de piçarra na terra São Marcos;
    8. Queremos uma equipe de peritos agrônomos para fazer o levantamento dos danos ambientais provocados pelas plantações de arroz para posterior indenização e recuperação das áreas degradadas;
    9. Parque Nacional Kaané (NÃO) – Essa é a forma mais apropriada para expressar o sentimento do povo Ingarikó que não reconhece o referido Parque. Por isso queremos a revogação do Decreto de criação do Parque Monte Roraima.
    10. Manifestamos o nosso desacordo com a forma como o Ibama vem conduzindo a elaboração de Plano de Manejo que desconsidera a forma de vida não só do Povo Ingarikó, mas dos demais povos que vivem na região;
    11. A existência do Parna Monte Roraima está favorecendo a invasão de turistas na região da Serra do Sol sem o consentimento das comunidades da região das Serras, o que tem levado a divisão entre as comunidades indígenas;
    12.  Que todo projeto de eletrificação somente seja levado adiante a partir de consulta e consentimento das comunidades;
    13. Queremos aprovação de projetos de capacitação de agentes indígenas ambientais pelo Ministério do Meio Ambiente.

     


    Exigibilidade de direito



    1.  Que o governo federal cumpra o decreto de homologação de terra indígena Raposa Serra do Sol;
    2. Que a Funai tenha respeito com as nossas comunidades e não desrespeite mais as nossas assembléias e reuniões ampliadas, pois repetidas vezes o órgão indigenista – que deveria ser o nosso parceiro – tem se ausentado das discussões mais importantes e não tem tomado providências para as nossas comunidades;
    3.  Que a participação dos povos indígenas não se dê apenas no papel, que sejamos respeitados como cidadãos brasileiros;
    4. Repudiamos suposto o relatório da Abin que considera os indígenas como ameaças à soberania nacional e potenciais terroristas, pois atitudes como esta só prejudicam o nosso relacionamento com a sociedade como um todo;
    5. Repudiamos as práticas da Funai, em especial do chefe de posto Pin Placa-Contão, Sr. Gilberto  que não atende mais as nossas comunidades, deixando em muitos casos o posto abandonado, assim como o seu superior, o administrador Gonçalo Texeira, que trata com descaso a maioria das nossas reivindicações. Por este motivo, solicitamos a substituição do chefe de posto Sr. Gilberto e a demissão do Sr. Gonçalo do cargo de administrador regional;
    6.  Queremos que o próximo presidente da Funai seja um indígena indicado pelo movimento indígena organizado. Queremos que o próximo administrador regional da Funai seja um indígena indicado pelo movimento indígena de Roraima;
    7.  Queremos o fechamento de todos os bares que vendem bebida alcoólica dentro de terras indígenas;
    8. Que sejamos respeitados em nossos direitos, principalmente no tratamento da faixa de fronteira, pois ali vivemos e não precisam ser “vivificadas”;
    9. Manifestamo-nos contrariamente aos projetos de lei do Congresso Nacional PL 434 (que autoriza a construção da Hidrelétrica do Cotingo) e PL 260-90 (que altera o artigo 231 da constituição federal) que afetam diretamente nossos direitos territoriais indígenas;
    10.  Estamos abertos às alianças, parcerias e diálogos, para construirmos um país melhor e mais digno. Consideramos importante o diálogo, a parceria e alianças com os demais setores da sociedade civil organizada em vista da construção de um mundo melhor onde haja respeito e dignidade para todos;
    11.  Nesta assembléia estamos feridos pelo fato absurdo da agressão ao indígena SERGIO SILVA ALVES, queremos que os agressores já identificados e expulsos não retornem a TI Raposa Serra do Sol – RR;
    12.  Queremos medidas para combater violência contra os povos indígenas e a insegura que paira enquanto tiverem não-índios em nossa terra. Que crimes como o ocorrido durante essa Assembléia, e outro tal como a destruição da Escola do Centro de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol, e homicídios, como o Aldo Mota, não fiquem impunes;
    13.  A assembléia entende como desrespeito a presença da Policia Militar no Surumu. Além de não dar segurança à comunidade indígena, ela age somente em favor dos não-índios da vila;
    14. Repudiamos a falta de segurança na terra indígena Raposa Serra do Sol. A morosidade na conclusão dos inquéritos policiais, a falta de condições apropriadas para atender as demandas indígenas e providências eficazes por parte da polícia federal diante a ocorrência de crimes contra indígenas;
    15. Queremos punição aos verdadeiros culpados da destruição do Centro de Formação Indígena Raposa Serra do Sol;

    Sustentabilidade


    37.  Criar projeto de auto-sustentação e fortalecer melhorar os projetos já existentes.


    38.  Que o Governo não trave os projetos de apoio e desenvolvimento das Comunidades Indígenas tal como o projeto FAUNA da TI Raposa Serra do Sol em parceria com a Universidade do Havaí e Museu Nacional do Índio já aprovado pelo CNPq, FUNAI e comunidades indígenas.


    39.   Que seja aprovada a proposta do CIR à FUNAI cujo objetivo é o fortalecimento dos povos indígenas da Raposa Serra do Sol.


     


    Educação



    1. Não aceitamos a municipalização das escolas indígenas sem haver anuência das comunidades, como reza Resolução 03/99;
    2. Repasse das escolas: Surumu, Água Fria, Socó, Mutum para a Divisão da Educação Escolar Indígena, porque estão dentro da terra indígena Raposa Serra do Sol que agora foi homologada;
    3.  Os Centros Regionais criados por Decreto nas Serras, Malacacheta e Taiano não são apoiados pela Secretaria de Educação do Estado, mesmo recebendo recursos do Governo Federal. Os Centros continuam sem qualquer estrutura como: construção do prédio e transporte aéreo ou terrestre para fazerem acompanhamento administrativo e entrega dos materiais didáticos e permanentes, etc;
    4.  Reconhecimento dos outros Centros Regionais de Educação como: Surumu, Boca da Mata, Baixo Cotingo, Raposa, Amajari e outras;
    5.  Solicitamos apoio pedagógico e centro de informática diretamente do MEC para Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol; 
    6.  Anulação do Decreto Municipal n. 7617 que transfere a Escola Estadual Padre José Anchieta para o Município de Pacaraima;
    7.  Concursos públicos específicos e diferenciados para indígenas em suas respectivas áreas;
    8.  Implantação e construção de novas escolas indígenas já solicitadas;
    9.  Federalização das escolas indígenas.
    10. Conferencia Nacional de educação escolar indígena
    11. Criação do Conselho Estadual de Educação Indígena de Roraima.
    12. Permanência da Professora Natalina no cargo de coordenadora do DEI.

     


    Saúde



    1. Reativação do Hospital São Camilo, com uma viatura permanente;
    2. Construção dos pólos base e dos postos de saúde nas comunidades indígenas;
    3. Ampliação da rede de abastecimento de água nas comunidades indígenas;
    4. Construção de um aterro sanitário no centro regional Barro;
    5. Agilização do repasse do recurso no Convênio CIR-FUNASA;
    6. Que sejam concedidos novos veículos para o atendimento à saúde indígena;
    7.  Queremos cursos de técnicos de enfermagem e reconhecimento dos direitos trabalhistas dos agentes indígenas de saúde;
    8. Exigimos melhores condições de saúde para os Yanomami;
    9. Que seja resolvida com seriedade e urgência a situação da saúde na TI Yanomami.

     


    Durante essa assembléia vários fatos ocorreram para prejudicar o andamento da mesma. Fomos acusados de invasores dentro de nossa própria terra, agrediram nosso parente Macuxi, mandaram a Policia Militar para nos intimidar, o Prefeito de Pacaraima afrontou as lideranças ao entrar na assembléia sem ser convidado, jogaram pedras no telhado do ginásio. Contudo, nossa assembléia foi mais uma demonstração de união e fortalecimento do Movimento Indígena de Roraima que pacifica e educadamente debateu todos os assuntos da pauta e ao final apresenta essa carta e espera desde já as providências necessárias e cabíveis.


     

    Abaixo assinamos,

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  • 12/02/2007

    Newsletter n. 752

    INDIGENOUS PEOPLES PERFORM RITUALS IN MEMORY OF THE DEATH OF SEPÉ TIARAJU AND ADVANCE IN FORMING A CONTINENTAL COALITION


     
    This Wednesday, about 250 Kaingang, Guarani and Charrua indigenous people performed rituals in memory of the death of Sepé Tiaraju 251 years ago on February 7 in São Gabriel, state of Rio Grande do Sul. They performed rituals in Sanga da Bica, where the Guarani leader died, and Coxilha do Caiboaté, where 1500 Guarani were murdered by Portuguese and Spanish troops on February 10, 1756. In the afternoon, the group visited a camp of the Landless Movement (MST) next to the Southall farm and showed solidarity to the almost 300 families camped there to press for the area to be expropriated.


    Attended by indigenous communities from Rio Grande do Sul, Santa Catarina, and Argentina, the gathering strengthens the continental struggle of the Guarani people and contributes toward organizing their struggle for a land of their own. The Kainkang and Charrua also reaffirmed that they will carry out joint actions for the purpose of reoccupying their lands.


    Evergelino Nascimento, the vice-chief of the Kaigang who lives in an indigenous reservation in Lajeado, was deeply touched when he visited the location where the indigenous people died fighting for their land. Evergelino was born in a reservation in the city of Nonoai, but he said that he left the place because of its precarious physical and basic sanitation framework.


    “I was thinking to myself that when Sepé was here this place was a forest, that perhaps there was a pine tree here, there was game, all kinds of animals. And now all we see is a farm without a single pine tree. This is why Sepé was butchered, for defending his culture, his forest,” he said.

    There are ten indigenous camps alongside highways in the state of Rio Grande do Sul. Altogether, there are about 25 Guarani communities in the State, most of which concentrated in the Larger Porto Alegre area and on the shore. The Kaingang also have about 20 communities mainly located in north region of the State. The Charrua da Capital community is fighting today for 10 hectares of land in the city, but there are other members of this community in the region of Bagé.
    (Raquel Casiragui, Chasque Agency, state of Rio Grande do Sul)


     


    Non-distribution of basic food baskets starveS indigenous people in the state of Mato Grosso do Sul. Movements stage demonstration



    Since the beginning of the year, about 110,000 families have not been receiving basic food baskets in the state of Mato Grosso do Sul, including 8,000 indigenous families. Because they have no land to grow food crops, these food baskets are the main source of food for most of this population. To protest against this measure taken by André Puccinelli (Party of the Brazilian Democratic Movement), the new governor of the state, the Coordination of Social Movements (CMS), the Regional West Office 1 of the National Conference of Bishops of Brazil (CNBB) and indigenous leaders will be staging demonstrations today (February 8) in Campo Grande, capital of the state. 


     


    At the Legislative Assembly of Mato Grosso do Sul, indigenous leaders reported the evil consequences of suspending the distribution of the food baskets, which range from starving children to affecting their health.


     


    Speeches were made by representatives of unions and social movements, a representative of Guarani teachers, and Eliseu Guarani, from Kurusu Ambá, a tekohá (traditional land) where the problems caused by the lack of food are aggravated by the recent eviction of Guarani from it by private militia after the land was reoccupied by them. The 70 families that were evicted from the land are now camped alongside a highway and depend on the distribution of basic food baskets to have anything to eat. Seven representatives attended the meeting.


     


    Before the audience, the demonstrators were prevented from accessing the Parque dos Poderes area, where the head offices of different state agencies are located. They were only allowed to enter the area after representatives intervened.


     


    At the headquarters of the state government, the demonstrators were received by the state secretaries for Social Security and Justice and Safety. Both of them tried to explain that the distribution of basic food baskets had been suspended because of cuts in the state budget caused by the late payment of an installment of the state debt with the Federal Government, and they did not suggest in any way that the governor would review his decision. However, even before the governor was sworn into office he had announced the cut.


     


    Governor André Puccinelli went to Brasília today to have meetings with the minister of Social Development and Hunger Combat, Patrus Ananias, and with representatives of Funai and other agencies to ask the federal government to take on the task of distributing the food baskets.


     


    The group sent a letter to the governor asking him to do something about problems caused by the lack of land for indigenous people in the state also. “We need to have appropriate channels to propose structural solutions for the hunger problem. The state of Mato Grosso do Sul is also responsible, because it was this state that granted to farmers title deeds to lands where indigenous people lived,” said Egon Heck, coordinator of the Cimi office in the state of Mato Grosso do Sul.


     


    Campaign will continue to hold activities until Friday


     


    These activities will mark the end of the campaign against hunger and violence in rural areas in solidarity toward the Kaiowá Guarani people who live in the Kurusu Ambá indigenous land. In front of the headquarters of the state government, two tons of donated clothes and food products will be delivered to Kaiowá Guarani leaders from the Kurusu Ambá area.


     


    From there, the group will go to the municipality of Dourados, where food products donated by members of the Landless Movement will be collected also. They will be delivered at the Kurusu Ambá area on the 9th in the morning. After they are delivered, a demonstration will be staged on the streets of the municipality of Amambai.


     

    Brasília, February 8, 2007

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  • 08/02/2007

    Informe no. 752: Povos lembram morte de Sepé Tiaraju e avançam na articulação continental

     


     


      Povos lembram morte de Sepé Tiaraju e avançam na articulação continental



    – Corte de cestas básicas gera fome no Mato Grosso do Sul. Movimentos fazem manifestação


     


     


    POVOS LEMBRAM MORTE DE SEPÉ TIARAJU E AVANÇAM NA ARTICULAÇÃO CONTINENTAL 


     
    Cerca de 250 indígenas Kaingang, Guarani e Charrua lembraram nessa quarta-feira, a morte de Sepé Tiaraju, ocorrida há 251 anos em sete de fevereiro, em São Gabriel, Rio Grande do Sul. Realizaram rituais na Sanga da Bica, local da morte do líder Guarani, e na Coxilha do Caiboaté, onde 1,5 mil Guarani foram assassinados por tropas portuguesas e espanholas em 10 de fevereiro de 1756. Na parte da tarde, o grupo visitou o acampamento do Movimento Sem Terra (MST) ao lado da fazenda Southall e prestou solidariedade às quase 300 famílias que reivindicam a desapropriação da área.


    Com a presença de comunidades do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e da Argentina, o encontro reforça a luta continental Guarani e contribui para a organização da luta pela terra. Também os Kainkang e Charrua reafirmaram que farão lutas conjuntas a fim de reconquistar suas terras.


    O vice-cacique Kaingang Evergelino Nascimento, que mora em uma reserva indígena em Lajeado, ficou emocionado em visitar o local em que os indígenas morreram lutando em defesa da terra. Evergelino nasceu em uma reserva na cidade de Nonoai, mas conta que deixou o local devido à precária estrutura física e de saneamento básico.


    “Comigo pensava que aqui era mato, quando Sepé passava por aqui, aqui talvez tivesse um pé de pinheiro, quem sabe tinha caça, qualquer tipo de bicho. E agora a gente passa só pelo meio de fazenda, não vê nenhum pé de pinheiro no meio desses lugares. Então, por causa disso o Sepé, para poder defender a cultura dele, o mato dele, ele foi massacrado”, avalia.

     Eexistem dez acampamentos indígenas às margens das rodovias no Rio Grande do Sul. Ao todo, são cerca de 25 comunidades Guarani no Estado, a maioria delas concentrada na Grande Porto Alegre e no litoral. Os Kaingang também têm cerca de 20 comunidades, localizadas mais na região Norte do Estado. A comunidade Charrua da Capital atualmente luta por 10 hectares de terra na cidade, mas há outros remanescentes na região de Bagé. (Raquel Casiragui, Agência Chasque, RS)


     


    Corte de cestas básicas gera fome no Mato Grosso do Sul. Movimentos fazem manifestação



    Desde o inicio do ano, cerca de 110 mil famílias deixaram de receber cestas básicas no Mato Grosso do Sul. Entre elas, estão 8 mil famílias indígenas. Sem terras para plantar, as cestas são a base da alimentação de grande parte desta população. Em protesto contra esta medida de André Puccinelli (PMDB), novo governador do estado, a Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), a regional Oeste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e lideranças indígenas realizam mobilizações durante o dia de hoje (8/2), em Campo Grande, capital do estado. 


     


    Na Assembléia Legislativa do Mato Grosso do Sul, as lideranças denunciaram as conseqüências da suspensão da distribuição das cestas, que vão do aumento da fome à piora da saúde de crianças.


     


    Além de representantes dos sindicatos e movimentos, discursaram um representante dos professores Guarani e Eliseu Guarani, de Kurusu Ambá, tekohá (terra tradicional) onde o problema da falta de comida é agravado pelo recente despejo, realizado por milícia privada após retomada de terra. As 70 famílias despejadas estão acampadas na beira de uma rodovia, e dependem de cestas básicas para sua alimentação. Havia sete deputados presentes na reunião.


     


    Antes da audiência, os manifestantes foram barrados na entrada do Parque dos Poderes, onde ficam as sedes de diversos órgãos estaduais. Só puderam entrar após a intervenção de deputados.


     


    Na sede do governo do estado, os manifestantes foram recebidos pelos secretários estaduais de Assistência Social e de Justiça e Segurança. Ambos justificaram que a suspensão das cestas está relacionada ao corte do orçamento de todo o estado, por causa de pagamento de parcela atrasada da divida do Estado à União, e não sinalizaram mudança na decisão do governador. No entanto, mesmo antes de assumir o governo já tinha anunciado o corte..


     


    O governador André Puccinelli viajou hoje à Brasília, e divulgou agenda de reuniões com o ministro  de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, com a Funai e outros órgãos,  para solicitar que o governo federal passe a ser responsável pela distribuição de cestas.


    O grupo encaminhou carta ao governador pedindo também atuação em relação ao problema da falta de terras para os indígenas no estado. “Precisamos que haja canais para encaminhar soluções estruturais para a fome. O estado do Mato Grosso do Sul também é responsável porque foi ele que deu, aos fazendeiros, os títulos de propriedade das terras onde viviam os indígenas”, afirma Egon Heck, coordenador do Cimi no Mato Grosso do Sul.


     


    Campanha tem atividades até sexta-feira


     


    As atividades fazem parte do encerramento da campanha em solidariedade ao povo Kaiowá Guarani da terra indígena Kurusu Ambá, contra a fome e violência no campo. Em frente à sede do governo estadual, as duas toneladas de roupas e alimentos arrecadadas serão entregues as lideranças Kaiowá Guarani de Kurusu Amba.


     


    De lá, o grupo segue para o município de Dourados, onde serão incorporados alimentos doados por assentamentos do MST. Os mantimentos chegam à Kurusu Ambá no dia 9 pela manhã. Após a entrega, está programada uma manifestação pelas ruas do município de Amambai.


     


    Brasília, 8 de fevereiro de 2007


     


     

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  • 07/02/2007

    Cut of basic food baskets causes hunger in Mato Grosso do Sul: 8,000 families affected

     



    Entities defending human rights, and the National Conference of the Bishops of Brazil (CNBB) denounce the serious situation of the indigenous people in Mato Grosso do Sul after the decision of the governor of this state, Andres Puccineli, to suspend the distribution of 11,000 basic food baskets through the program of Alimentary Security.


    The social movements and the CNBB are trying by political pressure that the delivery of the baskets will return. Besides this they are asking for support of parliamentarians and jurists to put an end on the impunity for the crimes executed by security companies contracted by large estate owners.


     


    The cut of the basic food baskets causes serious problems for more than 8,000 Kaiowá Guarani families, provoking desperation and revolt in several communities of the state. The last years these indigenous people in Mato Grosso do Sul have faced several cases of children dying of malnutrition (31 children in 2005, according to data of Cimi). The indigenous people can not longer plant their own food, because they cannot live on their own land, or their land is much too small.


     


    For the 70 families of the community of Kurusu Amba, the situation is even more serious after the expulsion of their traditional land executed by a security company on the 9th of January. This illegal action resulted in the death of the indigenous woman Xuretê Lopes, 73 years, and in two people injured. Also it led to the disappearance of a child of 14 years and to the false imprisonment of four indigenous leaders of this community.


     


    Beside the political pressure the social movements also have collected two tons of clothes and foods, in front of the palace of the governor. This will be delivered to the leaders of the Kaiowá Guarani in the community of Kurusu Amba. After delivery, there will be manifestations in the streets of the cities.


     


     


    Source: CIMI, Missionary Council for Indigenous Peoples, Brazil


    www.cimi.org.br

    7 February 2007

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  • 07/02/2007

    Corte de cestas básicas gera fome no Mato Grosso do Sul: 8 mil famílias afetadas

    Uma frente de sindicatos e entidades de defesa dos direitos humanos, reunidas na Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) regional Oeste 1, denunciam a grave situação por que passam os povos indígenas no Mato Grosso do Sul depois da decisão do governador André Puccineli de suspender a distribuição de 11 mil cestas básicas através do programa de Segurança Alimentar.


     


    Amanhã, dia 8, às 8h00,  a CMS  e a CNBB regional Oeste 1 têm encontro com o presidente da OAB/MS, Fábio Tradi; em seguida, por volta das 10h00, ocorre uma audiência com representantes parlamentares e a presidência da Assembléia Legislativa. O grupo visita o Palácio do Governo do estado às 11hs.


     


    O intuito da peregrinação é chamar atenção para gravidade da situação e pedir apoio de parlamentares e juristas à volta da entrega de cestas básicas e o fim da impunidade para os crimes de pistolagem executados por empresas de segurança contratadas por latifundiários.


     


    Fome


     


    O corte de cestas básicas atingiu mais de 8 mil famílias Kaiowá Guarani provocando desespero e revolta em dezenas de comunidades do estado, já que nos últimos anos este povo tem enfrentado gravíssimo quadro de mortandade infantil por desnutrição – segundo dados do Cimi, somente em 2005, 31 crianças morreram por desnutrição no MS.


     


    Para as 70 famílias da comunidade de Kurusu Amba, a situação tornou-se ainda mais grave depois da expulsão de sua terra tradicional executada por seguranças particulares. A ação ilegal resultou na morte da indígena Xuretê Lopes, de 73 anos, e em lesões corporais graves em outros indígenas. Também levou ao desaparecimento de uma criança de 14 anos e à prisão ilegal de 4 lideranças indígenas. Sem terra para plantar e, agora, sem cestas básicas, a comunidade aguarda uma resposta do poder público para questão alimentar. 


     


    Campanha tem atividades até quinta-feira: 2 toneladas de roupas e mantimentos arrecadadas


     


    As atividades fazem parte do encerramento da campanha em solidariedade ao povo Kaiowá Guarani da terra indígena Kurusu Amba, contra a fome e violência no campo. Em frente ao palácio do Governador, as duas toneladas de roupas e alimentos arrecadas serão entregues as lideranças Kaiowá Guarani de Kurusu Amba.


     


    De lá, a comitiva segue para o município de Dourados, onde serão incorporados alimentos doados por assentamentos do MST. Os mantimentos chegam à Kurusu Amba no dia 9 pela manhã. Após a entrega, está programada uma manifestação pelas ruas do município de Amambaí.



     


    Central de Movimentos Sociais do Mato Grosso do Sul


    Campo Grande, 7 de fevereiro de 2007


     

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