• 25/06/2007

    Newsletter No. 771

    Newsletter No. 771


    Aggression in Roraima and Pará
    One judge upheld a Declaratory Government Order in Santa Catarina; another one was suspended


     


    AGGRESSION IN Roraima AND Pará


    A car driven by the Tuxaua Anselmo Dionísio Filho was chased by a pick-up that was carrying the rice grower Paulo César Quartiero (ex-mayor of Pacaraima), Márcio Junqueira (Federal Deputy for Roraima) and a television crew, last Sunday, 17 June. On the same day, Quartiero and the ex-deputy mayor, Anísio Pedrosa went into the Parawani community in a pick-up and two trucks, according to a report by the Indigenous Council of Roraima (CIR) coordinator. Armed, hooded men got out of the vehicles fired their guns, surrounded and threatened the indigenous people. They scattered in shock and up until 20 June, a 19-year old woman who fled during the confusion had still not reappeared.


    Indigenous people were bundled into a truck and after being insulted, they were abandoned on the highway a few kilometers away from the settlement. The attackers broke up the community hut, poured diesel oil on the food and took the indigenous people’s tools.


    The CIR has reported what happened to the Public Prosecutor’s Office in Roraima, the Federal Police and the President of the Republic’s Special Human Rights Department. In the Council’s view, this type of attack takes place because there is still a feeling of impunity and lawlessness in Raposa, brought about by omission on the part of the State. 


     


    The deputy Márcio Junqueira, a member of the old PFL, now called DEM, has also sent a report of the aggression to the Federal Police. It stated that he and the rice grower Paulo César Quartiero were attacked and thrown out of the indigenous land, whilst producing a report for his TV program.


     


    The Federal Police said that it has opened up an inquiry.



    Pará
    In Pará, the Chief Odair José Borari, the Tapajós and Arapiuns Indigenous Council (Cita) coordinator, was the victim of further aggression on 6 June. This is the second attack on this leader this year. The first took place in February. Borari was beaten up by four armed men and then tied up. 


     


    Odair has been received threats and had already reported this to the Federal Police and the Public Prosecutor’s Office. According to Cita, the conflicts in the region have been aggravated because Funai have not carried out the requests for demarcation of the land of the Borari community in Nova Olinda.


     


    ONE JUDGE UPHELD A DECLARATORY GOVERNMENT ORDER IN SANTA CATARINA; ANOTHER ONE WAS SUSPENDED


     


    The Government Order issued by the Ministry of Justice which lays down the limits of the Guarani do Araçá´i land was suspended by the Federal Judge Narciso Leandro Xavier Baez until the final judgment of the ordinary lawsuit brought by the Movement for the Defense of Property and Dignity (DPD) – which brings together ranchers from the region – and by the municipalities of Saudades and Cunha Porá. The sentence was passed on 11 June. In the suit, the group petitions for the annulment of the Government Order, published on 19 Abril. Without this Government Order, it is not possible for Funai to carry out the physical demarcation of the land and remove the non-indigenous occupants.


     


    At the same judicial section in Chapecó, on 6 June, the Federal Judge André de Souza Fischer came down against the request to suspend the Government Order that lays down the limits of the Toldo Pinhal land. In this case, it was the municipalities Seara and Arvoredo who brought the suit together with ranchers affected by the demarcation of the indigenous land.


     


    In his ruling, Fischer said that it was against the law for a first level judge to grant an injunction when it was a Minister of State that had issued the act being contested, because these acts can only be the object of a security mandate at the Superior Court of Justice.


     


    In the Araça´í casa, the judge Baez, who granted the injunction, concluded that the authors “needed to have some degree of security concerning the maintenance of their properties or belongings until a final sentence was passed, in order to guarantee the agricultural production and cattle raising that guarantees their livelihood, and they could not be left in a position where they are suddenly forced to vacate their lands, leaving crops behind that are already being grown”.


     


    On the other hand, the judge that denied the injection referring to Toldo Pinhal considered that “there is nothing in the government order about the immediate expulsion of the farmers from the land that they are occupying  (…). To the contrary, based on the experience of other processes that are being dealt with by this Federal Jurisdiction concerning similar demarcations, FUNAI only takes possession after the occupants have voluntarily agreed to the compensation payment for their improvements, and that apparently these have yet to be evaluated.”


     


    Appeals against these decisions may be addressed to the Federal Regional Court of the 4th Region, in Porto Alegre.


     


    Bishop threatened

    Dom Manoel João Francisco, the Bishop of Chapecó, Santa Catarina, has recently been receiving death threats for having taken up a position in favor of the demarcation of the Guarani, Kaingang and Xokleng lands.


     


    This was reported by the Archbishop of Florianópolis (SC) and Chairman of the South IV Regional Office of the National Conference of Bishops of Brazil (CNBB), Dom Murilo Krieger, during the CNBB meeting.


     


    The letter of support, sent to the bishop, sets out the reasons for the death threats that he has been suffering, and proposes solutions: “Together with our brother of the cloth, we challenge the authorities responsible (…) to assume their responsibilities for the mistakes of the past, pay compensation for the lands incorrectly transferred to these families, grant fair recompense for improvements made to the real estate, and carry out the respective resettlement procedures”.


     


    Brasília, 21 June 2007


    Cimi – Indianist Missionary Council


    www.cimi.org.br


     

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  • 25/06/2007

    Carta da XXIIª Assembléia do Cimi Regional Rondônia

    Nós, membros do Conselho Indigenista Missionário – Regional Rondônia, reunidos em nossa XXIIª Assembléia Regional, no Centro Comunitário da Paróquia Dom Bosco, cidade de Ji Paraná, no período de 13 a 15 de junho de 2007, com a presença de Dom Antonio Possamai, bispo diocesano; da Ministra Provincial das Irmãs Catequistas Franciscanas; da Líder das Irmãs Maristas no Brasil; da representante do Conselho de Missão entre Índios – COMIN; do coordenador regional da CPT; do representante do MPA e do representante do projeto Padre Ezequiel; além das lideranças indígenas dos povos Arara, Gavião, Cassupá, Tupari, refletimos sobre o tema: “Economia e territórios indígenas” tendo como lema: “no chão de Rondônia, construindo alternativas sustentáveis”.


     


    Após a avaliação das atividades desenvolvidas durante o ano de 2006 e o primeiro semestre de 2007, fez-se uma análise da conjuntura política e eclesial em âmbito nacional e regional; a partir do que se identificaram os principais desafios para os povos indígenas e populações tradicionais, assim como os demais segmentos desfavorecidos do estado de Rondônia.


     


    A partir de um relato breve sobre a ocupação histórica do estado de Rondônia que resultou na extinção de vários povos indígenas e consolidou a atual estrutura fundiária que privilegia o latifúndio e a concentração de terras, passamos a analisar os grandes desafios da atualidade. Depois de ter lançado no ano 2006 o Programa Amazônia Sustentável (PAS), com investimento de 32 bilhões em obras de infra-estrutura, biodiesel de soja, álcool e pecuária de exportação, o governo federal intensificou sua política desenvolvimentista através do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, com forte componente energético ancorado na construção de usinas hidroelétricas. Mais uma vez os povos indígenas e os demais grupos sociais afetados por estes empreendimentos são vítimas desse modelo de inspiração neoliberal, restando-lhes apenas a alternativa de decidir como vão compartilhar os recursos ”compensatórios”, resultantes dos programas de mitigação dos danos culturais, sociais e ambientais. Na prática isso significa uma atualização das velhas formas de legitimação da usurpação dos territórios tradicionais e recursos naturais neles existentes.


     


    Das 48 terras indígenas existentes no estado de Rondônia apenas 20 estão demarcadas e mesmo assim, por terem sido reduzidas durante o procedimento demarcatório, muitas delas precisam ser revistas. Há ainda, os povos indígenas em situação de isolamento e risco, que segundo dados do CIMI totalizam 16 povos.


     


    As políticas de atenção à saúde e educação têm sido alvo de duras críticas por parte do movimento Indígena e seus aliados. A FUNASA, com sua assistência terceirizada tem levado ao caos o atendimento à saúde dos povos indígenas, resultando em alto índice de mortalidade infantil, morte por desassistência e aumento de doenças infecciosas.


     


    A SEDUC, numa atitude de descaso em relação à educação escolar indígena, atua de maneira bastante lenta em relação à formação continuada, deixando os professores indígenas que já concluíram o curso de magistério indígena (projeto Açaí), aguardando a emissão do certificado de conclusão por mais de dois anos. Contraditoriamente amplia a construção de prédios escolares nas aldeias, demonstrando uma política de obras de fachada, enquanto descuida da qualidade de ensino e a profissionalização dos professores. Como conseqüência desta política, até hoje não foi realizado o reconhecimento das escolas indígenas e não houve a implantação do ensino fundamental e médio nas aldeias.


     


    Por sua vez, a FUNAI, órgão do governo brasileiro responsável pelo atendimento dos povos indígenas, não obstante a recente mudança de seu presidente nacional, permanece inoperante na região frente às demandas das comunidades, enquanto vários de seus funcionários constantemente envolvem-se em esquemas de corrupção, como exploração ilegal de madeira, minério entre outras atividades ilícitas.


     


    Frente a esta preocupante conjuntura, aprofundamos o tema das economias indígenas, compreendendo a terra indígena como espaço de agregação no sentido simbólico, social e material. Refletimos conjuntamente com as lideranças presentes sobre as possibilidades de uso da terra, tendo sempre em consideração os critérios de preservação, produção e partilha próprios da economia de reciprocidade experienciada pelos povos indígenas, que foram traduzidos nas seguintes prioridades:


     


    – Terra – Apoiar as iniciativas próprias das comunidades pela reconquista e defesa de seus territórios tradicionais;


    – Apoiar as várias formas de busca de auto-sustentabilidade econômica dos povos, desde que respeitem o modo de produção tradicional das comunidades e o princípio da reciprocidade;


    – Formação – Incentivar, assessorar e acompanhar os processos de formação das comunidades e organizações indígenas comprometidas com as lutas de seus povos;


    – Aprimorar o programa de formação dos membros do CIMI, afim de que possam contribuir de forma mais efetiva e maior qualidade com os processos de construção de autonomia.


     


    Aproveitamos este comunicado de nossa assembléia para manifestar nossa indignação e repúdio aos governos federal, estadual e municipal por sua política antiindígena, ao mesmo tempo reafirmamos nosso compromisso com as lutas dos povos indígenas, compreendendo que as mesmas não podem acontecer isoladamente, mas em articulação permanente com todos os segmentos sociais organizados e mobilizados em torno da construção de um projeto alternativo de sociedade capaz de contemplar toda necessidade e diversidade dos sujeitos históricos.


     


    Ji Paraná, 15 de junho de 2007.


     

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  • 25/06/2007

    Carta da XXXI Assembléia do Cimi Regional Sul

    XXXI Assembléia do Conselho Indigenista Missionário


     


    Cimi Regional Sul


     


    Curitiba (PR), 18 a 22 de junho de 2007.


     


    Na esperança dos povos indígenas e na força do Espírito que nos une no compromisso de construção de um mundo que manifeste o Reino de Deus, nós missionárias e missionários do Cimi Regional Sul, nos reunimos em Curitiba para avaliar e planejar a caminhada.


     



    Olhando para a história de resistência e luta, recolhemos frutos de vida que fortalecem nossa ação missionária e que nos animam a prosseguir na defesa desta causa. A coragem guerreira de tantos líderes indígenas e missionárias e missionários que fizeram parte dessa trajetória é força viva que nos impulsiona para um compromisso mais efetivo com a vida dos povos indígenas.


     


    Dentre estes testemunhos, queremos lembrar Dom Manoel João Francisco, bispo de Chapecó que, por sua postura de defesa dos direitos de indígenas e pequenos agricultores, está sofrendo ameaças e perseguições. Conforme palavras de Jesus: “Felizes os que são perseguidos por causa da justiça porque deles é o Reino do céu” (Mt 5,10). Dom Manoel dá testemunho da prática evangélica pela busca da justiça. A ele, nossa solidariedade.


     


    Assim como nestes últimos 500 anos, em que houve sofrimento, luta e resistência dos povos indígenas, hoje a realidade não é diferente. A equivocada política desenvolvimentista do atual governo, através do Projeto de Aceleração do Crescimento (PAC), significará mais uma violência contra os povos indígenas. Os espaços ainda preservados nas suas terras poderão ser destruídos pelos projetos de desenvolvimento que priorizam o grande capital em detrimento da vida. Esse mesmo sistema impede a demarcação de terras indígenas e exerce pressão para que áreas já demarcadas sejam inseridas na monocultura, beneficiando exclusivamente o agronegócio. 


     


    Causa grande preocupação a morosidade governamental em relação aos procedimentos administrativos de demarcação das terras tradicionalmente ocupadas pelos povos indígenas. Em conseqüência disso, os grupos políticos e econômicos regionais, historicamente inimigos dos povos indígenas, têm reforçado suas ações de violência contra esses povos e seus aliados. Além disso, as poucas conquistas no campo administrativo têm sido sistematicamente questionadas nas diversas esferas do poder judiciário.


     


    Verificamos também negligência no atendimento à saúde nas comunidades indígenas, provocando até mesmo casos de morte como a de Valdemar Salvador, Cacique Kaingang da Aldeia Kondá, em Chapecó – SC.


     


    Reafirmamos nosso compromisso com o fortalecimento da autonomia dos povos indígenas, apoiando seus direitos originários, contribuindo em seus processos formativos e sua articulação com outros povos e movimentos sociais, valorizando a vivência de práticas tradicionais e seu protagonismo na construção de uma sociedade plenamente democrática, igualitária e plural.


     


    Cremos que o Deus da Vida está no meio de nós, caminha a nossa frente e inspira o projeto utópico que sustenta nossas práticas transformadoras. Nele, somos capazes de ver o futuro do Reino já desabrochar entre todos os povos e na criação toda.


     


    Curitiba, PR, junho de 2007.


     

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  • 21/06/2007

    Informe no. 771: Agressões em Roraima e no Pará

    Agressões em Roraima e no Pará
    Um juiz mantém Portaria Declaratória em Santa Catarina; outro suspende



    Agressões em Roraima e no Pará


     


    Um carro dirigido pelo Tuxaua Anselmo Dionísio Filho foi perseguido por uma caminhonete que levava o rizicultor Paulo César Quartiero (ex-prefeito de Pacaraima), Márcio Junqueira (Deputado Federal de Roraima) e uma equipe de televisão, no último domingo, 17 de junho. No mesmo dia, Quartiero e ex-vice-prefeito Anísio Pedrosa foram entraram na comunidade Parawani com uma caminhonete e dois caminhões, segundo relato do coordenador do Conselho Indígena de Roraima (CIR). Homens aramados e encapuzados saíram dos veículos dispararam tiros, cercaram e ameaçaram os indígenas. As pessoas correram assustadas e, até o dia 20 de junho, uma jovem de 19 anos, que fugiu na confusão, ainda estava desaparecido.


    Índios foram levados no caminhão e, sob insultos, foram largados na estrada alguns quilômetros depois da aldeia. Os agressores quebraram o barracão da comunidade, derramaram óleo diesel nos alimentos e levaram as ferramentas dos indígenas.


    O CIR denunciou o fato ao Ministério Publico Federal em Roraima, à Policia Federal e à Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da Republica. Para o Conselho, este tipo de ataque acontece porque, em Raposa, permanece o clima de impunidade e de terra sem-lei, causado pela omissão do Estado. 


     


    O deputado Márcio Junqueira, do ex-PFL, atual DEM, também apresentou denúncia de agressão à Polícia Federal. Afirma que ele e o rizicultor Paulo César Quartiero teriam sido agredidos e expulsos da terra indígena, enquanto produziam reportagem para seu programa de TV.


     


    A Polícia Federal informou que um inquérito foi aberto.


     
    Pará
    No Pará, o Cacique Odair José Borari, coordenador do Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita) sofreu nova agressão em 6 de junho. È o segundo atentado à liderança este ano. O primeiro ocorreu em fevereiro. O Borari foi espancado por quatro homens armados e depois amarrado. 


     


    Odair já vinha recebendo ameaças e o fato já havia sido denunciado à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal. De acordo com o Cita, os conflitos na região são agravados porque a Funai não tem atendido aos pedidos de demarcação da terra da comunidade Borari em Nova Olinda.


     


    Um juiz mantém Portaria Declaratória em Santa Catarina; outro suspende


     


    A Portaria do Ministério da Justiça que declara os limites da terra Guarani do Araçá´i foi suspensa pelo Juiz Federal Narciso Leandro Xavier Baez até o julgamento final da ação ordinária assinada pelo Movimento de Defesa da Propriedade e Dignidade (DPD) – que reúne fazendeiros da região – e pelos municípios de Saudades e Cunha Porá. A decisão liminar é de 11 de junho. Na ação, o grupo pede a anulação da Portaria, publicada em 19 de abril. Sem a Portaria, não é possível a Funai realizar a demarcação física da terra e retirar os ocupantes não-índios.


     


    Na mesma seção judiciária de Chapecó, em 6 de junho, o juiz Federal André de Souza Fischer decidiu de forma contrária ao pedido de suspensão da Portaria que declara os limites da terra Toldo Pinhal. Neste caso, quem entrou com a ação foram os municípios de Seara e Arvoredo e fazendeiros afetados pela demarcação da terra indígena.


     


    Em seu despacho, Fischer afirma ser contrário à lei que um juiz de primeiro grau conceda liminar quando o ato contestado for de ministro de Estado, pois estes atos só podem ser objetos de mandado de segurança apenas no Superior Tribunal de Justiça.


     


    No caso de Araça´í, o juiz Baez, que concedeu a liminar conclui que os autores “precisam ter alguma segurança acerca da manutenção de suas propriedades ou posses até a decisão final da lide, para garantir a produção agrícola e agropecuárias que lhes garante o sustento, não podendo ficar na iminência de uma desocupação forçada de suas terras, deixando para trás culturas já iniciadas”.


     


    Em sentido oposto, o juiz que negou a liminar que se refere ao Toldo Pinhal avalia que “não consta na referida portaria nada no sentido de expulsão imediata dos agricultores de terras que estejam ocupando (…). Pelo contrário, pela experiência de outros processos que tramitam nesta Vara Federal sobre demarcações similares, a FUNAI somente se imite na posse após os ocupantes concordarem voluntariamente com a indenização fixada às suas benfeitorias, que aparentemente ainda nem foram avaliadas na via administrativa.”


     


    Cabe recurso às decisões no Tribunal Regional Federal da 4a. Região, em Porto Alegre.



    Bispo ameaçado

    Dom Manoel João Francisco, Bispo de Chapecó, Santa Catarina, vem recebendo ameaças de morte por ter se posicionado em apoio à demarcação de terras dos povos Guarani, Kaingang e Xokleng.


     


    A denúncia foi apresentada pelo arcebispo de Florianópolis (SC) e Presidente do Regional Sul IV da Conferência Nacional dos bispos do Brasil (CNBB), Dom Murilo Krieger, durante da reunião da CNBB.


     


    A carta de solidariedade, enviada ao bispo, esclarece os motivos das ameaças de morte que vem sofrendo, e propões soluções: “Em comunhão com o prezado irmão de episcopado, interpelamos as autoridades responsáveis (…) para que assumam suas responsabilidades frente aos erros do passado, indenizem as terras tituladas indevidamente a essas famílias, assegurem o justo ressarcimento pelas benfeitorias feitas nos imóveis e promovam os respectivos reassentamentos”.


     


    Brasília, 21 de junho de 2007


    Cimi – Conselho Indigenista Missionário


    www.cimi.org.br

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  • 21/06/2007

    Blumenau: União e Estado devem cumprir compensação de danos a indígenas

    Em épocas de PAC, informações sobre como as medidas de compensação sobre terras atingidas por barragens nem sempre são realizadas como previsto nos acordos.


    A Justiça Federal condenou a União e o Estado de Santa Catarina a cumprirem o Protocolo de Intenções assinado por eles em janeiro de 1992 para compensação dos prejuízos à comunidade indígena Duque de Caxias, da terra Ibirama – La Krãno, situada nos municípios de José Boiteux e Vítor Meireles, em função da ocupação de parte de suas terras pela bacia de acumulação da Barragem Norte, construída no rio Itajaí do Norte, no Vale do Itajaí.


     


    A juíza Rosimar Terezinha Kolm, da 1ª Vara Federal de Blumenau, considerou que parte das medidas não foi efetivamente cumprida. De acordo com a sentença, proferida sexta-feira, 15, a União deve repassar os recursos para que o Estado execute as obras. Entre as obras, estão a abertura e melhoria de estradas e a construção de casas e de uma escola.


     


    A Fundação Nacional do Índio (Funai), que também é ré no processo, está obrigada a remover o cemitério indígena existente na bacia de acumulação e a elaborar e executar o Programa Ibirama, para reequilíbrio sócio-econômico e cultural da comunidade afetada. O prazo para conclusão das obras será de três anos, a partir da data em que não couber mais recurso. Cabe apelação ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre. (informações do site da Justiça Federal de Santa Catarina) 


    Processo nº 2003.72.05.00.6252-5.

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  • 21/06/2007

    Carta do Conselho Permanente da CNBB à D. Manoel João Francisco, bispo de Chapecó

    Durante a Reunião do Conselho Permanente, os bispos enviaram uma carta ao bispo de Chapecó (SC), Dom Manoel João Francisco, sobre o conflito entre indígenas e pequenos agricultores na região de sua diocese. Segue, na íntegra, a carta.


     


    Brasília –DF, 20 de junho de 2007


     


    Caro irmão Dom Manoel João Francisco,


     


                Bispo de Chapecó,


     


    “O Reino de Deus é justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14, 17).


     


             Reunidos em Brasília, nós, Bispos do Conselho Permanente da CNBB, do qual o prezado irmão fez parte nos últimos quatro anos, fomos informados a respeito da situação que envolve indígenas e pequenos agricultores na região de sua Diocese e que afeta seu ministério pastoral como Bispo diocesano.


     


             Preocupa-nos tanto a situação dos indígenas que, constitucionalmente, têm direito de ocupar as terras que lhes pertencem, quanto a situação dos pequenos agricultores que, na boa fé, ocupam terras compradas por seus antepassados – terras que lhes foram indevidamente vendidas.


     


    Há vários anos acompanhamos seus trabalhos, Dom Manoel, e somos testemunhas dos esforços que tem feito para que se encontre uma solução rápida, justa e eficaz para essa questão, tanto para os indígenas quanto para os pequenos agricultores.


     


    Esperamos que, quanto antes, as autoridades constituídas busquem soluções adequadas para os problemas de sua região, evitando, assim, o prolongamento de tensões e sofrimentos.


     


    Sabendo que o prezado irmão sofre muito com os problemas que o envolvem, sofrimentos que se tornam ainda maiores com a radicalização de algumas pessoas e grupos e com as ofensas morais que tem recebido, asseguramos-lhe nossa comunhão e expressamos-lhe nossa solidariedade.  Colocamo-nos à sua disposição para qualquer colaboração que necessitar de nossa parte.


     


    Invocamos sobre a Igreja de Chapecó, seu pastor e seu rebanho, as bênçãos divinas.


     


    Fraternalmente,


     


    Dom Geraldo Lyrio Rocha


    Arcebispo de Mariana


    Presidente da CNBB


     


    Dom Luiz Soares Vieira


    Arcebispo de Manaus


    Vice-Presidente da CNBB


     


    Dom Dimas Lara Barbosa


    Bispo Auxiliar de São Sebastião do Rio de Janeiro


    Secretário-Geral da CNBB

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  • 20/06/2007

    Bispo de Chapecó (SC) é ameaçado

    O arcebispo de Florianópolis (SC) e Presidente da CNBB – Regional Sul IV, Dom Murilo Krieger, informou aos bispos do Conselho Permanente, em Brasília (DF), sobre a ameaça de morte que vem sofrendo Dom Manoel João Francisco, Bispo de Chapecó (SC).


     


    A carta de solidariedade, enviada ao bispo, esclarece os motivos das ameaças de morte que vem sofrendo.


     


    Arquidiocese de Florianópolis


     


    Florianópolis, 18 de junho de 2007.


     


    Caríssimo Dom Manoel João Francisco,


     


    Bispo de Chapecó,


     


    “Graça e paz, da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo” (1Cor 1,3).


     


    Soubemos que o caríssimo irmão vem sofrendo ameaças por ter-se posicionado na defesa dos direitos dos povos Guarani, Kaingang e Xokleng, no episódio da demarcação e garantia de posse de suas terras. Somos testemunhas de que essa sua posição tem sido marcada por duas características principais: antes de tudo, pela maneira serena e tranqüila com que costuma apresentar seus argumentos e defender o que é justo; em segundo lugar, porque suas posições nunca excluíram a preocupação com a defesa dos direitos dos pequenos agricultores, que compraram ou receberam terras que não lhes podiam ter sido vendidas ou doadas, pois já eram ocupadas, há décadas, por povos indígenas. Desde sua chegada à Diocese de Chapecó, somos testemunhas de suas posições de que as famílias dos agricultores atingidos pela demarcação das terras indígenas precisam ser devidamente indenizadas e reassentadas em outras terras.


     


    Em comunhão com o prezado irmão de episcopado, interpelamos as autoridades responsáveis, como já o fizemos em outras oportunidades, para que assumam suas responsabilidades frente aos erros do passado, indenizem as terras tituladas indevidamente a essas famílias, assegurem o justo ressarcimento pelas benfeitorias feitas nos imóveis e promovam os respectivos reassentamentos. Sabemos que quanto mais nossas autoridades demorarem para cumprir o que prescreve a Constituição brasileira, a respeito das terras indígenas, maiores serão os conflitos resultantes dessa demora e, conseqüentemente, mais dolorosos serão os sofrimentos, tanto para os indígenas quanto para os pequenos agricultores envolvidos.


     


    Dom Manoel, sabemos que são injustas as acusações que lhe fazem e consideramos lamentáveis as atitudes de agressão à sua pessoa. Esperamos que o Ministério Público, ficando ciente dessas agressões, se posicione a seu favor e lhe garanta condições de segurança física.


     


    De nossa parte, em nome dos bispos e de todo o povo católico de Santa Catarina, manifestamos-lhe nossa solidariedade, assegurando-lhe nossas orações diante de Deus, o Pai de todas as luzes, para que ilumine as mentes de todos os envolvidos, em vista da solução justa para todos os problemas que o prezado irmão e a Igreja de Chapecó estão enfrentando.


     


    Em Cristo, nosso único Senhor, de quem somos discípulos e missionários,


     


    Dom Murilo S.R. Krieger, scj


    Arcebispo de Florianópolis e Presidente da CNBB – Regional Sul IV


     

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  • 20/06/2007

    Raposa Serra do Sol: Homens armados agridem comunidade


    O Conselho Indigna de Roraima, encaminhou ontem, 18 de junho de 2007 representação ao Ministério Publico Federal em Roraima, Policia Federal e Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da Republica, denunciando o novo ataque às lideranças indígenas e comunidades da região Surumu, TI Raposa Serra do Sol.


    No dia 14 de junho de 2007, integrantes das comunidades indígenas da Região de Surumú, TI Raposa Serra do Sol, começaram a reocupar pacificamente um lugar tradicional chamado Parawani.  Durante o trabalho, receberam ameaças de pessoas que trabalham em lavoura de arroz próxima. 


    No dia 17, um carro dirigido pelo Tuxaua Anselmo Dionísio Filho, da comunidade do Barro, foi seguido por uma caminhonete L 200 de Cor Branca e que fazia filmagem, num claro sinal de intimidação. 


    Quando a caminhonete parou, deu-se conta que os ocupantes eram o rizicultor Paulo César Quartiero (ex-prefeito de Pacaraima), Márcio Junqueira (Deputado Federal de Roraima), e uma equipe de Televisão. 


    O tuxaua Anselmo perguntou o porque daquele da perseguição. Com ele estavam dois alunos do Centro Indígena de Formação, que ficaram bastante assustados com a perseguição.


    Anselmo pediu-lhes para que parassem de filmar, mas elas não atenderam. Ao contrário, o deputado Marcio Junqueira acusou os três indígenas de serem invasores, e manipulados por terceiro. 


    Depois horas do incidente com o deputado, o ex-prefeito Paulo César Quartiero e ex-vice-prefeito Anísio Pedrosa (sem capuz) foram até a comunidade Parawani. Eles entraram na área  em um carro L 200 Cor Branca, observaram a movimentação e depois retornaram para a estrada, onde o estavam estacionados dois veículos , sendo um caminhão vermelho e outro branco.


    Minutos depois, a L 200 seguida pelos caminhões invadiram a comunidade. Dos veículos desceram homens encapuzados e armados com armas de fogo, paus e terçados (facões). Eles cercaram os indígenas e disseram para ninguém correr e ordenaram que derrubassem o barracão.


    Os encapuzados apontavam as armas para os indígenas e os ameaçavam dizendo que quem corresse levaria um tiro na cabeça. Alguns tentaram correr, porém, foram impedidos pelo disparo de arma de fogo. Uma criança de 12 anos, LÍRIO ANDRADE DA SILVA,  correu assustada e até o presente momento está desaparecida.


    Os índios foram obrigados a subir no caminhão branco, sob a ordem de manterem as cabeças abaixadas para não serem baleados. Os homens encapuzados quebraram o barracão, cortaram a lona, quebraram telhas, derramaram óleo diesel nos mantimentos e embarcaram as ferramentas dos indígenas no caminhão.
     
    Após a violência cometida, os homens encapuzados não deixaram os indígenas descerem do caminhão e os levaram para a BR que dá acesso ao Município de Uiramutã. No caminhão, os homens encapuzados derramavam os mantimentos pelo caminho, chamavam os índios de invasores e malandros. Ainda os ameaçavam dizendo que “se eles retornarem não iam contar mais estória. Que não tinham mais irmão e nem parente lá “. Então, chegados à BR, fizeram os índios descerem e foram embora.


    Para o Conselho Indígenas, este novo ataque foi possível graças ao clima sem-lei e de impunidade que permanece em Raposa Serra do Sol, devido omissão do Estado em tomar as medidas necessárias para proteger a vida e integridade física dos povos indígenas, inclusive devido a não retirar dos invasores da área.


    Passados mais de dois anos da homologação da terra indígena, os povos da Raposa Serra do Sol seguem impedidos de gozarem seus direitos territoriais e enfrentam dias de desumana insegurança frente às constantes ameaças e aos severos ataques de violência, perpetrados por ocupantes não-índios que se recusam a sair da terra indígena. 


    O apoio de políticos locais e nacionais às ações de resistência e aos ataques contra os indígenas constitui sério agravante. Munidos de poder político e econômico, que lhes asseguram impunidade, além de atentarem contra as vidas de indígenas da Raposa Serra do Sol, esses indivíduos cultivam na sociedade roraimense um forte sentimento anti-indígena que afeta a reputação do Estado brasileiro como estado democrático e multicultural.



    Conselho Indígena de Roraima

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  • 20/06/2007

    Braços para a escravidão


    “Temos uma topografia privilegiada


    clima excelente


    terra da melhor qualidade


    e uma mão de obra perfeita para a industria canavieira


    que são os trabalhadores indígenas”


    {Empresário Dal Lago – O Progresso, 19/06/07 pg 5)


     


     


    A manchete poderia estar estampada em informações à Coroa Portuguesa, há quinhentos anos atrás. Afinal de contas, quando a indústria açucareira começou implantar seus engenhos e plantações de cana no litoral nordestino, o que viabilizou o início da obra foram os braços dos escravos indígenas. Diante de uma certa rebeldia e insubmissão, resolveram buscar mão de obra mais segura, trazendo milhões de negros da África.


     


    Agora, no século 21, a ganância é a mesma. A cana invade o Mato Grosso do Sul, com as bênçãos e benesses de isenções fiscais e outros estímulos, o que torna ainda mais atraente e voraz a nova invasão do estado. Desta vez, o capital financeiro internacional tem seu quinhão assegurado. Não só é bem vindo pelas elites dominantes, como é estimulado com garantias que talvez em nenhuma outra parte do planeta conseguiria. O lucro é certo, grande, e não corre riscos.


     


    Quebra de braços


     


    O presidente da Funai, Marcio Meira, manifestando boa vontade, por vezes com frases de efeito, diz que a Funai não tem recursos e tenta se aninhar ao que efetivamente resta: à vontade e determinação dos povos indígenas de lutarem com todas as suas forças para garantir seus direitos constitucionais, numa batalha de Davi contra Golias. Meira percorre a região, ouve, vê, sente, se comove, se revolta e volta. Fica a sensação de que é possível que algo comece a ser feito. Para outros, mais realistas, fica o gosto amargo de que por mais que se tente fazer remendos, prevalece a sensação de mais um show a cair no vazio.


     


    Em Dourados, a nova Eldorado, ou Itu ou Ribeirão Preto, o empresário se esmera em tecer argumentos sobre o mundo de benefícios e progresso que a cana irá trazer. “Não é verdade o que afirmam esses pseudo-ambientalistas, que falam sem conhecimento de causa”. E complementa com a pérola de que além de todos os fatores favoráveis temos “uma mão de obra perfeita para a indústria canavieira que são os trabalhadores indígenas”(O Progresso 19/06 pg 5)


     


    O mesmo empresário afirmou que “Os empreendedores que investem no setor até que gostariam que toda a colheita fosse mecanizada, mesmo porque a mecanização deixa a colheita 25% mais barata” e deu uma singela explicação do porque isso ainda não acontece “mas isto ainda não é possível porque a capacidade da indústria de máquinas não atende à demanda atual”.


     


    Se juntarmos a afirmação inicial da predileção pela mão de obra perfeita “os trabalhadores indígenas” e considerarmos o que logo em seguida ele mesmo afirma que a mecanização é um processo  irreversível e a curto prazo, resta a pergunta: o que farão, depois, esses milhares de indígenas, possivelmente debilitados pelo trabalhão exaustivo e cruel, sem terra, em seus confinamentos?


     


    Não podemos nos iludir com as 51 novas usinas que serão instaladas no Mato Grosso do Sul. Os povos indígenas serão as maiores vítimas desse processo intensivo de instalação massiva da industria do etanol. A não ser que o governo federal não queira ser cúmplice de mais essa violência no genocídio em curso, e demarque logo todas as terras indígenas na região, antes que essa agressão brutal se efetive.


     


    E para que não restem dúvidas com relação à trágica realidade, basta olhar para a imprensa local – “já são nove os assassinatos de indígenas na área de Dourados, só neste ano de 2007”. São sete assassinatos de Kaiowá Guarani só nesse início de junho.E para enfrentar a questão, a solução encontrada é polícia na área, reativação da Operação Sucuri.


     


    “A questão territorial é prioridade. Não quero fazer política para os índios, mas com os índios”, afirmou o presidente da Funai. Resta conferir o que de fato se vai fazer.


     


    Egon Heck


    Cimi MS
    Campo Grande, 20 de junho de 2007

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  • 20/06/2007

    MPF e Funai retomam processo contra CVRD

    Depois de mais de dois meses de negociações, ficou inviável qualquer possibilidade de acordo entre a Companhia Vale do Rio Doce e as associações indígenas do povo Xikrin, do sudeste do Pará. Em consequência, será retomado o processo judicial em que o Ministério Público Federal e a Funai querem obrigar a CVRD a regularizar os repasses aos índios e, por outro lado, garantir que o dinheiro seja bem utilizado dentro da reserva indígena.

    A questão entre a Vale e os Xikrin chegou à Justiça Federal em dezembro do ano passado, quando a empresa suspendeu os pagamentos e acabou obrigada a retomá-los por ordem judicial. Em janeiro de 2007, foi ajuizada uma ação civil pública pedindo uma solução definitiva para o longo conflito entre as partes, assinada pelo procurador da República Marcelo Ferreira, de Marabá e pela procuradoria federal da Fundação Nacional do Índio.

    Em abril, o juiz federal Carlos Henrique Borlido Haddad determinou a suspensão do processo porque, em audiência de conciliação, ficou evidente interesse das partes em fazer acordo para implantação de um projeto integrado de gestão da área indígena, financiado pela empresa, como compensação pelos impactos da atividade mineradora.

    Duas reuniões se seguiram, entre índios e representantes da mineradora, sempre com intermediação de MPF e Funai. Na terceira reunião, no último dia 04 de junho, ficou claro que o acordo era impossível, com a empresa se recusando a financiar a recuperação de uma estrada de 167 quilômetros que corta a área indígena. De acordo com a Funai, sem a estrada não será possível realizar os estudos necessários para a implantação do programa de gestão.

    “Um acordo é fruto de concessões mútuas e recíprocas, mas a CVRD, aproveitando-se de sua posição de superioridade econômica apenas quis impor a sua vontade, conforme melhor lhe conviesse, a todo momento alegando o caráter de liberalidade do repasse de recursos, o que não se verifica verdadeiro”, avalia Marcelo Ferreira, procurador da República responsável pela questão. Ele se refere ao repasse mensal de R$  569 mil, que a empresa é obrigada a fazer aos índios.

    Para o MPF, o repasse é indiscutível ônus da atividade mineradora, além de ter sido expressamente determinado no decreto presidencial que liberou a exploração do minério. A empresa entende que o repasse de recursos às comunidades indígenas é mera obrigação moral, mas  a Justiça já se posicionou, em liminar de 04 de dezembro de 2006, obrigando a Vale a fazer o depósito em conta judicial.

    Para o juiz Carlos Haddad, o mesmo decreto presidencial que concedeu à CVRD o direito de usar 411 mil hectares na província mineral de Carajás a obriga a pagar compensações aos povos indígenas afetados. “A coerência determina ou a desconsideração do título que autoriza a CVRD a utilizar gratuitamente as terras da União, assim como das eventuais obrigações a ela impostas, ou o reconhecimento do direito real de uso, em face da autorização do Senado e do Poder Executivo, bem como das obrigações, direitos e deveres a ele inerentes, arrolados no decreto presidencial.”

    Agora, cabe a Haddad decidir sobre as futuras relações entre a mineradora e os Xikrin: as partes se retiraram da mesa de negociações e o pedido de retomada do processo judicial será formalizado pelo MPF nos próximos dias.

    Helena Palmquist
    Procuradoria da República no Pará
    Assessoria de Comunicação
    Fones: (91) 3299.0148 / (91) 3222.1291 / (91) 9999.8189

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