Coiab repudia portaria ministerial que determina municipalização do sub-sistema de saúde indígena
“A Municipalização do Subsistema de Saúde Indígena significa, para nós Povos Indígenas do Brasil, engrossar as filas dos postos municipais de saúde e disputar com os não indígenas uma vaga na vala comum do esquecimento”, diz a carta, que detalha uma série de fatores que justificam a resistência à municipalização, tais como:
· os recursos humanos disponíveis nos municípios na área da saúde não são qualificados para lidar com os indígenas, suas especificidades, línguas e tradições culturais, além de não terem nenhum compromisso com esse trabalho;
· a municipalização da saúde indígena colocará os Povos Indígenas à mercê das oscilações políticas locais. Permite o uso inadequado e indevido dos recursos da saúde para fins eleitoreiros;
· haverá a descontinuidade ou atraso das ações de saúde indígena na mudança de governantes municipais;
· a municipalização enfraquecerá a participação dos Distritos Sanitários, contrariando sua proposta de criação como espaço interétnico de atendimento qualificado à saúde dos Povos Indígenas;
· a municipalização, enfim, constitui um desrespeito total aos direitos dos povos indígenas, e revela a falta de palavra, de ética e de verdade das autoridades envolvidas com essa questão.
“Estas são as razões pelas quais não aceitamos a municipalização da saúde indígena. Os Povos Indígenas do Brasil não são coadjuvantes, são protagonistas de seu próprio destino com seus direitos constitucionalmente assegurados, para reivindicar dignidade e atendimento de qualidade”, conclui a carta da Coiab ao ministro da saúde.
Manaus, 19 de outubro de 2007.
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