• 25/10/2007

    Coiab repudia portaria ministerial que determina municipalização do sub-sistema de saúde indígena

    A municipalização do Subsistema de Saúde Indígena surge na contramão da história, se constituindo em um terrível retrocesso, afirma indignada a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), em correspondência de “desaprovação e repúdio” encaminhada ao Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, no dia 19 de outubro último, a propósito da Portaria Nº. 2.656, de 17 de outubro de 2007, publicada no Diário Oficial da União no dia 18 de outubro, estabelecendo a municipalização do Subsistema de Saúde Indígena. Esse revés histórico é resultado da incapacidade estatal em lidar com questões indígenas, declara a organização indígena, que lembra que a saúde indígena é competência da União.

    “A Municipalização do Subsistema de Saúde Indígena significa, para nós Povos Indígenas do Brasil, engrossar as filas dos postos municipais de saúde e disputar com os não indígenas uma vaga na vala comum do esquecimento”, diz a carta, que detalha uma série de fatores que justificam a resistência à municipalização, tais como:

    · os recursos humanos disponíveis nos municípios na área da saúde não são qualificados para lidar com os indígenas, suas especificidades, línguas e tradições culturais, além de não terem nenhum compromisso com esse trabalho;

    · a municipalização da saúde indígena colocará os Povos Indígenas à mercê das oscilações políticas locais. Permite o uso inadequado e indevido dos recursos da saúde para fins eleitoreiros;

    · haverá a descontinuidade ou atraso das ações de saúde indígena na mudança de governantes municipais;

    · a municipalização enfraquecerá a participação dos Distritos Sanitários, contrariando sua proposta de criação como espaço interétnico de atendimento qualificado à saúde dos Povos Indígenas;

    · a municipalização, enfim, constitui um desrespeito total aos direitos dos povos indígenas, e revela a falta de palavra, de ética e de verdade das autoridades envolvidas com essa questão.

    “Estas são as razões pelas quais não aceitamos a municipalização da saúde indígena. Os Povos Indígenas do Brasil não são coadjuvantes, são protagonistas de seu próprio destino com seus direitos constitucionalmente assegurados, para reivindicar dignidade e atendimento de qualidade”, conclui a carta da Coiab ao ministro da saúde.

    Manaus, 19 de outubro de 2007.
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  • 25/10/2007

    Informe no 789: Organizações indígenas contestam portaria que define verbas para atendimento à saúde indígena nos municípios

    Informe no 789


     


    Organizações indígenas contestam portaria que define verbas para atendimento à saúde indígena nos municípios


    Seguranças contratados pela empresa Syngenta matam militante da Via Campesina no Paraná


     


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    Organizações indígenas contestam portaria que define verbas para atendimento à saúde indígena nos municípios


     


    No dia 18 de outubro, o Ministro da Saúde publicou uma Portaria que define o repasse de recursos para as redes municipais de saúde atenderem os indígenas. Para organizações indígenas, a decisão, que não foi debatida com os indígenas, reforça o processo de municipalização do atendimento à saúde indígena.


     


    A Portaria 2.656, assinada pelo ministro José Gomes Temporão, regulamenta a transferência de recursos para os municípios fazerem o atendimento básico e especializado da saúde dos povos indígenas. Os recursos financeiros seriam repassados para os municípios de acordo com o tamanho da população a ser atendida. Este repasse, que já acontece, é contestado por organizações indígenas, que entendem esta decisão como um reforço ao processo de municipalização do atendimento à saúde indígena.


     


    A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), em nota, afirmou que a municipalização do Subsistema de Saúde Indígena é “resultado da incapacidade estatal em lidar com questões indígenas”. Para a organização, a decisão significa que os indígenas irão disputar com os não-índios as vagas de atendimento nos hospitais e postos de saúde públicos. 


     


    Outra preocupação das entidades é com a falta de preparo dos médicos e enfermeiros da rede pública de saúde para lidar com as especificidades dos diversos povos indígenas. Na nota divulgada pelo Fórum das Organizações do Povo Paiter Suruí, de Rondônia, eles lembram que “os profissionais que lidam com os povos precisam ter uma capacitação específica”.


     


    Recursos e falta de debate


    Historicamente o movimento indígena é contrário à municipalização do atendimento à saúde. Uma das principais razões é a administração dos recursos. Os indígenas temem que o atendimento fique exposto a interesses políticos de prefeitos, vereadores e secretários, que terão muito poder sobre o uso do recurso e, muitas vezes, são adversários dos indígenas na questão da terra.


     


    Para Saulo Feitosa, secretário-adjunto do Cimi, apesar da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) argumentar que a Portaria regulamentará o repasse de verbas, é legítima e necessária a preocupação das organizações indígenas. “Fortalecer a terceirização e a municipalização do atendimento à saúde indígena, por meio do repasse de verbas, é ainda mais preocupante tendo em vista que no próximo ano haverá eleições municipais.”


     


    Na reunião de setembro, a Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI) aprovou uma recomendação ao Ministro da Saúde, pedindo que a Portaria 2.656 não fosse publicada antes de ser discutida pela Comissão. A solicitação da Comissão foi publicada no Diário Oficial, entretanto, a decisão da CNPI não foi respeitada pelo Ministro.


     


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    Seguranças contratados pela empresa Syngenta matam militante da Via Campesina no Paraná 


     


    No dia 21 de outubro, cerca de 40 seguranças particulares atiraram contra um grupo de trabalhadores sem-terra que ocupavam um campo de experimento da multinacional Sygenta Seeds, em Santa Tereza do Oeste, no Paraná. No ataque, mataram Valmir Mota, com dois tiros no peito, e deixaram seis pessoas gravemente feridas.


     


    O campo da Syngenta foi ocupado, na manhã de domingo (21/10) por cerca de 150 pessoas da Via Campesina. Por volta das 13h30, um micro ônibus parou em frente ao portão de entrada e um grupo com cerca de 40 pistoleiros armados desceu, atirando em direção às pessoas. Arrombaram o portão, mataram o integrante da Via Campesina, Valmir Mota, balearam cinco pessoas e espancaram Isabel do Nascimento de Souza. No conflito que ocorreu em seguida, um dos pistoleiros morreu.


     


    Diversas organizações sociais e entidades de direitos humanos do Brasil se manifestaram para pedir o que os crimes de homicídio, tortura e ameaça sejam apurados e os responsáveis punidos. Também mostraram preocupação com outros militantes que continuam sendo ameaçados na região do oeste do Paraná.


     


    Ontem, Célia Aparecida Lourenço e Celso Barbosa, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Via Campesina, prestam depoimento ao delegado da Subdivisão Policial de Cascavel, que conduz o inquérito que investiga o crime. Assim como Valmir, eles receberam ameaças de morte nos últimos meses. 


     


    No próximo sábado, 28 de outubro, em Cascavel, haverá um ato em homenagem a Valmir Mota organizado pelos movimentos sociais do Paraná. Na ocasião, será celebrada a missa de 7º dia da morte de Valmir. Os deputados Dr. Rosinha (PT-SP) e Luiz Couto (PT-PB) estarão presentes.


     


    Histórico


    O campo de experimento da Syngenta, onde ocorreu o crime, havia sido ocupado pelos camponeses em março de 2006, para denunciar o cultivo ilegal de sementes transgênicas de soja e milho, próximo a uma reserva florestal. Na ocasião, o governo do Paraná desapropriou a área, que seria transformada numa escola de agroecologia. No entanto, a Justiça anulou esta decisão e as famílias tiveram que deixar a área em julho de 2007. 


     


    Brasília, 25 de outubro de 2007


    www.cimi.org.br


    Conselho Indigenista Missionário

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  • 25/10/2007

    Do sangue de Valmir renascerão sementes de vida – nota do Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo

               Em pleno início do século 21, os movimentos sociais e entidades do campo continuam sua luta pela conquista da terra, o agronegócio concentrador de terra e renda, por sua vez, aliado às multinacionais do setor agroindustrial, responde com a violência. A luta sem trégua e sem fronteiras que travam os pequenos por um pedaço de chão e contra as múltiplas formas de exploração de seu trabalho amplia-se por todo o canto e lugar.


     


              Assim, o campo contém as duas faces da mesma moeda. De um lado, está o agronegócio,  roupagem moderna do velho e atrasado latifúndio, gerador de pobreza, escravidão e violência. De  outro, a rebeldia dos camponeses.


    Diante desta realidade, a mesma estatística que registra a violência contra camponeses, retransmite o recado vindo do campo: nem violência de jagunços, de governos locais ou preconceitos da mídia são suficientes para impedir a paciente luta dos trabalhadores e trabalhadoras do campo e de parte dos excluídos da cidade, que querem retornar à terra para resgatar sua dignidade e identidade camponesas. A resistência das camponesas e camponeses se transforma em ações e lutas concretas na busca de direitos que lhes são, insistente e cotidianamente, negados.


    As estatísticas da Comissão Pastoral da Terra (CPT) revelam a marcha ascendente dos conflitos no campo. Em 2000, aconteceram 629 conflitos; em 2001, foram 880; em 2002, registraram-se 925; em 2003, foram 1.690; e em 2004,  mais de 1.700 conflitos. Em 2006, foram registradas 1.212 ocorrências de conflitos relacionados com a posse, uso, resistência e luta pela terra, que compreende os conflitos por terra, as ocupações e acampamentos, envolvendo mais de 140 mil famílias.


    Em 2007, mais uma vez o latifúndio e o agronegócio demonstram e seu verdadeiro caráter brutal e intolerante. No último dia 21 de outubro, por volta das 13h30min, o acampamento da Via Campesina/MST, no campo de experimentos transgênicos da empresa SYNGENTA, em Santa Tereza Oeste, PR, foi invadido por uma milícia de pistoleiros. O militante do MST, Valmir Mota de Oliveira, mais conhecido como KENO, foi executado à queima roupa com dois tiros no peito. Nesta ação violenta, executada por mais de 40 pistoleiros, ficaram gravemente feridas outras cinco lideranças.


    A Syngenta é uma das líderes mundiais na área do agronegócio, uma das líderes em proteção de cultivos e ocupante da terceira posição no ranking do mercado de sementes, cujas vendas em 2006 foram de aproximadamente US$ 8,1 bilhões, e com ações nas Bolsas de Valores da Suíça (SYNN) e de Nova York (SYT). Essa empresa utiliza serviços de uma milícia armada que age através de uma empresa de fachada, a NF Segurança, em conluio com a Sociedade Rural da Região Oeste (SRO) e o Movimento dos Produtores Rurais (MPR).


     O Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo composto por 45 entidades da sociedade civil vem a publico EXIGIR das autoridades competentes:


    1ª- punição dos responsáveis pelos crimes, principalmente dos mandantes, com a prisão imediata dos elementos da milícia;


    2º –  fechamento da empresa “NF”;


    3º – garantia de segurança de vida aos trabalhadores e suas lideranças do acampamento na região;


    4ª – desapropriação, pelo governo federal ou estadual, desta área por interesse social  colocando-a nas mãos dos trabalhadores para produzir  alimentos.


     


              Solidários com a dor e sofrimento da família do companheiro Valmir, o FNRA conclama seus militantes, amigos e simpatizantes a continuar lutando por uma ampla reforma agrária e pelo estabelecimento de um limite para a propriedade da terra no Brasil. Só com a reforma agrária se conseguirá garantir a soberania territorial e alimentar de nosso país e se poderá barrar a crescente entrega  das terras brasileiras para  estrangeiros enquanto milhares de famílias brasileiras continuam acampadas debaixo de lonas pretas à margem de nossas estradas.


              Neste contexto, a única posição defensável é continuar seguindo a antiga palavra de ordem  a luta continua companheiro!”. Inclusive contra as políticas do próprio governo do Presidente Lula. Parece que a sina dos que lutam pela reforma agrária, como escreveu Frei Beto, em A Mosca Azul, é nunca poder perder a esperança; “a esperança é um pássaro em vôo permanente. Segue adiante e acima de nossos olhos, flutua sob o céu azul, não se lhe opõe nenhuma barreira”.


              Após cinco anos de governo, apesar de todas as decepções com o não avanço da política de reforma agrária, na esperança do avançar dos movimentos sociais para o enfrentamento desse modelo de agricultura que tem propagado a morte das sementes, da cultura, da biodiversidade e dos trabalhadores que lutam por seu direito à terra prestamos nossa homenagem ao companheiro:


     


    EM SUA MEMÓRIA, VALMIR MOTA DE OLIVEIRA (KENO), SEGUIMOS…


     


     


    Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo


     


     


     Brasília-DF, 23 de Outubro  de 2007.

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  • 23/10/2007

    Orçamento Indigenista Federal 2007 – análise de Ricardo Verdum – Inesc

    Se considerarmos que o desempenho orçamentário-financeiro é um indicador válido para avaliar políticas públicas, os números referentes ao gasto indigenista do Governo Federal em 2007 parecem indicar que ainda persiste problemas a serem resolvidos em diferentes frentes de trabalho e que estes problemas têm se refletido num desempenho financeiro aquém do almejado.


     


    Dos R$  451,865 milhões orçados para um conjunto de cinqüenta ações consideradas básicas para uma política de proteção e promoção dos direitos indígenas, foram liquidados até 08/10/2007 cerca de 262,850 milhões (58,17%). No programa Identidade Étnica e Patrimônio Cultural dos Povos Indígenas, a Funai liquidou apenas 26,02% do recurso orçado para capacitação de indígenas e técnicos de campo para o desenvolvimento de atividades produtivas auto-sustentáveis em Terras Indígenas”. Na ação Garantia dos Direitos e Afirmação dos Povos Indígenas, com um orçamento de R$  500 mil, foram liquidados 38,26%. Com o Acompanhamento da Execução e Apoio Técnico às Ações de Saúde Indígena, foi investido apenas 15,39% do orçado.


     


    A Funasa, que geralmente tem apresentado um bom desempenho no tocante aos números financeiros, liquidou apenas 6,53% de um orçamento de R$  12,225 milhões destinados à estruturação de unidades de saúde para atendimento à população indígena; e 22,68% dos R$  4,889 milhões para as atividades de vigilância e segurança alimentar e nutricional dos Povos indígenas.


     


    No programa Proteção de Terras Indígenas, Gestão Territorial e Etno-desenvolvimento, foram liquidados até 08 de outubro cerca de 22,08% dos R$  6,838 milhões destinados à fiscalização de terras indígenas; 38,39% dos R$  20,1 milhões destinados à demarcação e regularização de Terras Indígenas; e 17,23% dos R$  5,935 milhões destinados ao funcionamento dos postos indígenas.


     


    O MMA, responsável por três ações de proteção e promoção da gestão ambiental em Terras Indígenas, conseguiu liquidar até essa data cerca de 9,22% de um orçamento total de R$  4,6 milhões.


     


    Por fim, temos a ação de Fomento a Projetos Direcionados a Cultura dos Povos Indígenas, sob a responsabilidade do Ministério da Cultura, que ainda continua com os seus R$  500 mil em caixa; e as obras de saneamento básico, sob a guarda da Funasa, que liquidou até 8 de outubro cerca de 13,62% do seu orçamento para 2007.


     


    A reduzida execução orçamentária de alguns órgão e ações em 2007 chamou a atenção dos membros da Subcomissão de Planejamento, Orçamento e Gestão da Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI). Foi solicitado o posicionamento da Funai e do MMA sobre esses fatos. A se julgar pela pauta apresentada pela secretaria executiva para a reunião de 10 e 11 de outubro, esta demanda não foi considerada.


     


    Ricardo Verdum – Assessor de Políticas Indígena e Socioambiental do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc).

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  • 23/10/2007

    Newsletter no 788: A Guajajara is killed in a conflict between indigenous people and woodcutters in the state of Maranhão

    Newsletter no 788


     


    A Guajajara is killed in a conflict between indigenous people and woodcutters in the state of Maranhão


    Assembly of the Tupinikim and Guarani peoples was held to discuss an agreement to be signed with the Aracruz company


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    A Guajajara is killed in a conflict between indigenous people and woodcutters in the state of Maranhão


    On Monday (October 15) at 06:00 a.m., a group of 15 armed men invaded the Lagoa Comprida village in the Araribóia indigenous land, located in the municipality of Amarante, Mid-West Region of the state of Maranhão. They killed Tomé Guajajara, 60, and shot two other people: Madalena Paulino Guajajara, in her neck, and Antônio Paulino Guajajara, in his right arm.


    According to information provided by the head of the National Foundation for Indigenous People (Funai) office responsible for the area, the invaders started to shoot at the indigenous people and five of them were made hostages and taken to a soccer field, where they were threatened with shots into the air. Tomé Guajajara reacted and shot a woodcutter, and as a result he was killed with 6 shots. Soon after, the invaders ran away threatening to come back and kill all of them.


    This action was a reprisal from the woodcutters against the Guajajara people who, early in September, seized a woodcutter truck that was passing through an indigenous land. In the same week, the woodcutters started to look for the indigenous people and tried to recover their truck offering them one thousand reals. The indigenous people refused to negotiate and reported the fact to Funai. Even knowing about the truck’s seizure and the risk posed by this situation, one month went by without Funai taking any measure about it.


    Cimi missionaries who went to the village found the community abandoned. “There is nobody from Funai there and the Federal Police officers who were there have left it already,” one of the missionaries said. They reported that indigenous people are terrified and that, with the possibility of a new attack, many of them took refuge in the city. “A woman was so desperate that she hid in the forest with her newborn son and they were only found two days later.” The Cimi team in the region evaluated that if no measure is taken to protect the community, it is very likely that the conflict will escalate, resulting in disastrous consequences.


    This conflict between indigenous peoples and woodcutters in the Araribóia indigenous land began decades ago. Since the early 1980s, this land has been suffering due to the invasion and exploitation of woodcutters. According to information provided by the community of the Lagoa Comprida village, in 2002 the indigenous person Kelé Apolinário, 55, who lived in the Abraão village (located in the same indigenous land), was found dead in the forest. Indigenous people suspect that his death was caused by actions of woodcutters, but the case was never investigated.


    In the same indigenous land, indigenous people from the Awá Guajá People also suffer with the exploitation in it. In 2003, the body of a member of this people was found in the forest. It is suspected that he might have died of thirst, since water springs in the region are drying up as a result of the deforestation caused by woodcutters.


    The two indigenous people who were shot received medical treatment and both of them are now back in the indigenous village. They face no risk of death as a result of their injuries.

    Cimi – Regional Office in the state of Maranhão

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    Assembly of the Tupinikim and Guarani peoples was held to discuss an agreement to be signed with the Aracruz company


    About 300 indigenous people from seven Tupinikim and Guarani villages attended the Assembly, which was held Tuesday (October 16) at the Caieiras Velha village, municipality of Aracruz, state of Espírito Santo. The Assembly was also attended by the president of the National Foundation for Indigenous People – Funai, Márcio Meira, and was held to discuss topics related to an agreement to be signed among indigenous peoples, the Brazilian Government, and the Aracruz Celulose company with the aim of fostering the evacuation and reoccupation of the Tupinikim and Comboios indigenous lands, which were invaded by the company back in the 1960s.


    The proposals submitted to the Assembly were prepared in previous meetings held in Brasília and mediated by the Federal Prosecutor’s Office which were attended by indigenous leaders and representatives from the Aracruz company, from the National Foundation for Indigenous People (Funai) and from the Ministry of Justice.


    One of the factors mentioned by indigenous people was the participation of members of their communities at their suggestion to work as technical assistants in an ethno-environmental study coordinated by Funai to be carried out in the area. This study will reveal the damages caused by eucalyptus plantations and will suggest recovery projects to be implemented in the territories as a means to make up for the environmental degradation caused by those plantations and to ensure conditions for the indigenous communities to sustain themselves. “What are we going to do after the Aracruz company removes its plantations and leaves behind it a degraded and useless area without jobs?” asked the chief of the Caieiras Velha village, José Cesenando. The purpose of the study is to answer questions like this one.


    According to terms signed in previous meetings, the Aracruz company will take on the commitment to finance the execution of part of the environmental and sustainability projects, while the remaining part will be financed by the Federal Government. Indigenous people want to have some guarantees that the government will comply with its commitment: “the communities have doubts in relation to whether the government will actually assume all the responsibilities it took, because the deforestation and damages caused by the Aracruz company are no small problem,” the chief said.


    According to him, the present situation of the communities is very precarious. “We don’t have any means to ensure our livelihood. We used to sell shellfish, but it is now forbidden to capture them; bean seeds arrived too late for us to be able to plant them and no indigenous person can find any job in the city because of the campaign launched by the Aracruz company against us,” he said. In response, the Assembly requested the government to release the funds it pledged to provide to be applied in emergency social projects for assisting indigenous peoples immediately after the Conduct Adjustment Term (TAC) is signed


    Another agreement that was ensured during the Assembly was the participation of indigenous people in all procedures to be carried out. Thus, not only the ethno-environmental study, but also all processes for demarcating indigenous lands and for drawing up the sustainability and environmental recovery projects will be followed up on by members of the Tupinikim and Guarani indigenous peoples.


    The Assembly proposed October 30 as the date for holding the next meeting between indigenous people and representatives from the Aracruz company and from the Federal Government for discussing the items to be included in the TAC agreement that will be prepared by lawyers of the parties.


    The Tupinikim and Comboios indigenous lands cover an area of 18,027 hectares and were declared traditional indigenous areas through administrative rulings published on August 28 by the Ministry of Justice.                                                     


    Brasília, October 18, 2007


    www.cimi.org.br


    Indianist Missionary Council

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  • 23/10/2007

    Cimi info-brief 786: Tupinikim und Guarani diskutierten mit Aracruz Celulose Rückzug der Firma aus den indigenen Gebieten

     


    Vertreter Tupinikim, Guarani und Vertreter von Aracruz Celulose versammelten sich am 3.10.2007, um über eine Vertrag zu beraten, auf dessen Grundlage die von Aracruz beanspruchten Gebiete Tupinikim und Comboios (Espírito Santo) an die Indios zurückgegeben werden


     


    Das Treffen fand am Sitz der Generalstaatsanwaltschaft der Republik in Brasília statt. Teilgenommen haben auch Vertreter der FUNAI, der Bundesstaatsanwaltschaft und des Justizministeriums.


     


    Bei der ersten Versammlung am 18. September gab es einige Vorschläge, die mit den Gemeinschaften debattiert wurden. Beim gestrigen Treffen, auf denen die Ergebnisse dieser Diskussionen auf der Tagesordnung standen, verpflichtete sich die FUNAI, ethno-ökologische Studien durchzuführen, um die Erfordernisse und Prioritäten für den Selbstunterhalt der Gemeinschaften zu erheben.


     


    Ausgehend von den Erhebungen seitens der FUNAI wird Aracruz die Studien und einen Teil der Wiederansiedlung der indigenen Völker in ihren Gebieten finanzieren. Das Unternehmen bestätigte, das Holz aus den indigenen Gebieten innerhalb der Frist von einem Jahr ab Vertragsunterzeichnung zu entfernen.


     


    Diese und andere Vorschläge werden den indigenen Gemeinschaften bei einer Versammlung mit Vertretern der Bundesstaatsanwaltschaft und mit FUNAI-Präsident Márcio Meira am 16. Oktober vorgestellt. Wenn die Indios zustimmen, kann der Vertrag am 22. Oktober abgeschlossen werden. „Wir werden sehen, wie die Gemeinschaften reagieren, denn sie haben angekündigt, dass sie mehr Zeit für die Evaluierung der Vorschläge brauchen. Wir sind nicht hier, nur um über einen Vertrag zu verhandeln, sondern es geht um die Zukunft unserer Völker. Wir brauchen die Garantie, dass die einzelnen Punkte des Vertrages auch tatsächlich erfüllt werden“, sagte der Vertreter Wilson Tupinikim.


     


    Die Gebiete Tupinikim und Guarani umfassen 18.027 ha und gelten seit 28. August durch den Erlass des Justizministeriums als traditionell indigen.


     


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    CONANDA erarbeitet spezifische Politiken für indigene Kinder und Jugendliche


     


    Der Nationale Rat für die Rechte der Kinder und Jugendlichen (CONANDA) arbeitet an Richtlinien für eine Politik zur spezifischen Betreuung von Indios. Um die indigene Realität besser zu verstehen, organisierte der Rat am 3.10.2007 eine öffentliche Audienz, bei der Gewaltakte gegen indigene Kinder und Jugendliche aufgezeigt wurden.


     


    Die Versammlung fand in Campo Grande (Mato Grosso do Sul) statt. In diesem Bundesstaat leben viele Kinder, vor allem vom Volk Guarani, in schwierigen Situationen. Die Indios leben zusammengepfercht in viel zu kleinen Gebieten. Der Konsum von Alkohol und Drogen steigt und die Gemeinschaften sind zunehmend von Lebensmittelkörben abhängig. Dadurch kommt es häufiger zu internen Konflikten und Gewalt. Kinder leiden vielfach an Hunger und Unterernährung. Die Ausbeutung von Kindern in den Alkoholfabriken sowie der Handel mit indigenen Kindern sind auch eine Realität in der Region.


     


    Aufgrund der schwierigen Situation der Indios in Mato Grosso sind soziale und familiäre Bindungen geschwächt. Vor allem Jugendliche fühlen sich alleine gelassen und sind infolge des Landmangels, fehlender Arbeit und Zukunftsperspektiven entmutigt.


     


    Der CONANDA wird seinen Einsatz für die Rechte indigener Kinder verstärken. Die Räte für Vormundschaft sollen besonders ausgebildet werden. Geplant ist eine bessere indigene Mitarbeit in den lokalen Räten für Vormundschaft bis hin zum CONANDA. Zuständige Ministerien und Behörden sollen künftig mehr die Anliegen indigener Kinder berücksichtigen.


     


    Bei seiner Arbeit wird sich der CONDANDA an der Erklärung der Vereinten Nationen über die Rechte der Indigenen Völker orientieren und die spezifischen Anliegen des jeweiligen Volkes berücksichtigen.


     


    An der Versammlung teilgenommen haben 29 nationale Räte, Vertreter von Ministerien, der UNICEF, Vertreter von indigenen Gemeinschaften und sozialen Organisationen. In ihren Beiträgen kritisierten die Indios, dass die zahlreichen Versammlungen und Dokumente bisher kaum zu konkreten Aktionen führten. Dennoch gibt es hohe Erwartungen hinsichtlich Verbesserungen für das Leben und die Zukunft der indigenen Kinder und Völker.


    (Egon Heck)


     


    Brasília, 4. Oktober 2007


    CIMI – Indianermissionsrat

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  • 22/10/2007

    Ataque de milícia da empresa Syngenta deixa mortos e feridos no Paraná

    Durante um ataque de cerca de 40 seguranças da empresa NF, ao acampamento do campo de experimento da multinacional Syngenta Seeds (sementes), em Santa Tereza do Oeste, no Oeste do Paraná, às 13h30, de ontem (dia 21), o militante da Via Campesina, Valmir Mota foi executado à queima roupa, seis trabalhadores ficaram gravemente feridos e há suspeitas de um pistoleiro morto.

    Os feridos Gentil Carreto Viera, Jonas Gomes de Queiroz, Domingos Barretos, Izabel Nascimento de Souza e Hudson Cardin, foram encaminhados para os hospitais da região.

    A área da Syngenta foi reocupada ontem (21), por cerca 150 pessoas da Via Campesina. O campo de experimento da empresa havia sido ocupado pelos camponeses em março de 2006, para denunciar o cultivo ilegal de produção de sementes transgênicas de soja e milho.


    A ocupação tornou os crimes da transnacional conhecidos em todo o mundo. Após 16 meses de resistência, no dia 18 de julho deste ano, as 70 famílias desocuparam a área, se deslocando para um local provisório no assentamento Olga Benário, também em Santa Tereza do Oeste.

    Na reocupação, os trabalhadores soltaram fogos de artifício e os seguranças, que estavam na fazenda, abandonaram o local. Por volta das 13h30, um micro-ônibus parou em frente ao portão de entrada. Uma milícia armada com aproximadamente 40 pistoleiros, fortemente armados, desceu atirando em direção das pessoas que se encontravam no local. Arrombaram o portão, executaram o militante Valmir Mota e balearam outras seis pessoas.

    A Syngenta contratava serviços de segurança que atuavam de forma irregular na região. Uma da diretoras da empresa de segurança NF, foi presa e o proprietário fugiu preso durante uma operação da Polícia Federal na semana passada, onde foram apreendidos munições e armas ilegais.

    Há indícios de que a empresa é contratada de fachada, e que na hora das operações são contratados mais seguranças de forma ilegal, formando uma milicia armada que atua praticando despejos violentos e ataques a acampamentos na região.

    Na última quinta-feira (18), a denúncia da atuação de milicias armadas na região Oeste foi reforçada durante uma audiência pública, com a coordenação da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal dos Deputados (CDHM), em Curitiba.

    A Via Campesina cobra da justiça a apuração do ataque contra os trabalhadores do acampamento e, juntamente com o assentamento Olga Benário, continua lutando para transformar a área num Centro de Agroecologia e de reprodução de sementes crioulas para a agricultura familiar e reforma agrária.

    Os moradores do assentamento Olga Benário, que faz divisa com a área de experimento da Syngenta, também são contra os experimentos transgênicos no local, que vai contaminar a produção de sementes crioulas do assentamento, e trazer prejuízos para a alimentação, a saúde e o meio ambiente.

    Via Campesina

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  • 22/10/2007

    Nova ofensiva no Congresso contra os Direitos Indígenas em Santa Catarina

     


    Desde que o Ministro da Justiça assinou, em abril deste ano, as portarias declaratórias das terras indígenas Toldo Imbu, Toldo Pinhal, Araçá`i e TI Chapecó, Gleba Canhadão e Pinhalzinho, no oeste do Estado de Santa Catarina, setores contrários às demarcações, pressionam os poderes públicos com o objetivo de revogar a decisão administrativa do ministro Tarso Genro. Vale ressaltar que o ato de declarar as referidas terras, como sendo de ocupação tradicional dos Povos Kaingang e Guarani, atende aos preceitos constitucionais e assegura o direito destes povos que, depois de décadas de sofrimento e luta, vislumbram a possibilidade de viverem em paz dentro de seus territórios.


     


    Os setores antiindígenas articulados por políticos do Estado, por grandes cooperativas regionais, ignoram a existência  das comunidades indígenas que por muito tempo lutam contra a violação de seus direitos. Quando estas comunidades, depois de uma longa trajetória de enfrentamentos políticos, de resistência às violências físicas, a discriminação e a intolerância, conquistam uma parcela de seu direito a terra,  acabam sendo tratados pelo poder político e pelo judiciário como sendo invasores. Amontoaram-se, nos últimos tempos, ações judiciais contra as demarcações das áreas dos povos Guarani e Kaingang. As quatro terras referidas acima sofreram decisões liminares que obrigam a Funai a paralisar os procedimentos demarcatórios e como conseqüência protela-se indefinidamente o cumprimento das normas constitucionais estabelecidas no Art. 231, bem como alimentam o ódio de agricultores contra os índios, muitos deles ocupantes de boa fé das terras indígenas  na região. 


     


    Lembramos aqui as ações promovidas pelos setores referidos acima contra o bispo D. Manoel, e contra os indígenas  em frente a Catedral  em Chapecó no inicio de junho, onde enforcaram um boneco de pano e que representava o bispo diocesano, bem como proferiam palavras e gritos de difamação contra as lideranças indígenas e agentes de pastoral.


     


    O Conselho Indigenista Missionário Regional Sul denuncia as manobras que estão sendo desenvolvidas no Congresso Nacional, por parlamentares de Santa Catarina, com o intuito de impedir o avanço das demarcações das terras no Estado. Uma grande ofensiva acontece na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados onde, através de projetos de Decreto Legislativos, elaborados pelo Deputado Federal Valdir Colato,  buscam anular as portarias declaratórias no âmbito do Congresso Nacional.  Um dos  projetos(Projeto de Decreto Legislativo (PDC) 48/07) foi aprovado, na última quarta-feira( 17-10-2007), na Comissão de Agricultura,Pecuária e Desenvolvimento Rural e que pretende a anulação da Portaria Declaratória da Terra Toldo Imbu. O projeto deverá passar ainda pelas Comissões de Direitos Humanos e de Constituição e Justiça, para depois ser apreciado pelo plenário da Câmara.


     


    O Cimi quer destacar que o referido projeto foi apresentado e debatido no Núcleo Agrário do Partido dos Trabalhadores, antes de ser votado na Comissão da Câmara dos Deputados. Neste sentido queremos repudiar a posição, do Deputado Cláudio Vignatti, mesmo não fazendo parte do Núcleo Agrário, argumentou, que ele concordava com o projeto do Dep. Colato porque  “ existe muita terra para pouco índio”. É lamentável que ocorra uma posição nestes termos de um parlamentar que se tornou deputado graças ao apoio de agentes de pastoral da Diocese de Chapecó. Este sim merece o nosso desprezo e nossa aversão. 


        


    Na opinião do Cimi Sul este tipo de manifestação, que é na verdade um plágio de militares da era da ditadura e dos coronéis do latifúndio,  serve apenas para tentar ludibriar pessoas, de modo especial os agricultores da região Oeste de Santa Catarina. Aproveitamos para informar o Dep.Vignatti que em Santa Catarina, uma vez finalizados todos os procedimentos de demarcação, os índios terão algo em torno de 0,6% do Estado. Perguntamos, será que a população não indígena, não conseguirá sobreviver, com outros 99,4%, uma vez que os indígenas foram os primeiros a habitar este território?


               


    A postura antiindígena de parlamentares e autoridades, que até recentemente estavam na oposição e se manifestavam favoráveis aos direitos dos índios tem, no entender do Cimi Sul, duas possíveis explicações: primeiro, os políticos querem transformar a questão indígena em palanque eleitoral para as eleições municipais de 2008, com isso arrebanhar os votos de uma parcela da população que não aceita os Povos Indígenas como sujeitos e cidadãos detentores de direitos (preconceito histórico existente na maioria dos municípios do Oeste de SC); segundo, muitos políticos que se consideravam de esquerda não compreendem a realidade étnica de nosso país e a que tudo indica, não têm firmeza ideológica acerca  da sociedade que se pretende construir e conseqüentemente são cooptados ou susceptíveis aos interesses econômicos das elites que mandam no Brasil.


     


    Conselho Indigenista Missionário

                                     Chapecó, 22 de outubro de 2007

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  • 19/10/2007

    Mentiras deslavadas sobre Toldo do Umbu

     


     “O relator acrescentou ainda que não há indícios históricos de que a área tenha sido ocupada por etnias indígenas, “pois essas terras foram tituladas há mais de um século pelo Estado do Paraná, consideradas à época terras devolutas”, explicou”.


    (Deputado Valdir Colatto -Aconteceu – 18/10/2007)


     


    O velho Otavio Belino, já curvado pela idade,  não segurou as lágrimas. “Aqui eu nasci, aqui minha mãe enterrou meu umbigo e plantou esse pé de umbu”. Era um dia quente de outubro de 1976. Um grupo de velhos Kaingang retornavam ao local donde haviam sido expulsos e onde vinham fazer os Kiki, rituais de seu povo.


     


    Na década de 50 inescrupulosos funcionários do SPI se encarregaram de fazer o trabalho sujo de retirar à força, amarrados, os últimos Kaingang que resistiram no “Toldo do Umbu”, um toldo velho na região em que milhares de anos viveram tranqüilos os Kaingang, até que os invasores chegaram. Jogados na Terra Indígena Xapecó, ali permaneceram os Kaingang, até o momento de recobrarem forças e voltarem à sua terra.


     


    O velho Otavio Belino, juntamente com Vicente Fokei e outras velhos contaram como foi brutal a retirada deles do toldo do Umbu. Chegou o funcionário do SPI com capangas e foram jogando os pertences dos índios emcima de um caminhão. Os que se opuseram a embarcar, foram amarrados e jogados na carroceria. Foi o que aconteceu com seu Otávio, que era o capitão-cacique do grupo.


     


    É de doer a alma ouvir de parlamentares, que no mínimo deveriam ser bem informados, virem a público vomitar tamanhas mentiras como “não há indícios históricos de que a área tenha sido ocupada por etnias indígenas”. Chega de cinismo e hipocrisia. Se querem negar aos verdadeiros donos o direito sagrado à sua terra o façam assumindo perante a história e o mundo o descaramento de estarem negando ao um povo seu direito constitucional.


     


    Aos nobres e bravos Kaingang, minha admiração, respeito, solidariedade e total apoio à luta pela sua terra! Tomei muito chimarrão nos seus ranchos, enquanto contavam as histórias das violências, expulsões, exploração e saque de seus recursos, especialmente os grandes pinheirais. Deles recebi o nome de “Goy kupri”, pela já falta de cabelos na cabeça. Com eles aprendi a admirar a beleza e grandeza da alma simples, para quem a vida é tudo e a terra é mãe.


     


    Certamente todos esses anos de exílio e de luta não irão cair diante da ganância inescropulosa de alguns. Se houve erros e cumplicidade por parte de governos, que esses sejam responsabilizados em resolver a questão e não fiquem privando os Kaingang a seus sagrados espaços de terra para viver com dignidade!


     


     


    Egon Heck


    Cimi MS


    Campo Grande

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  • 19/10/2007

    Contaminação de rios ameaça a sobrevivência de ribeirinhos


    Barra de Guaicuí – Mais de 400 pessoas, das comunidades ribeirinhas de Várzea da Palma, Ibiaí e Pirapora, em Minas Gerais, saíram, hoje (19), em manifestação contra a poluição por cianobactérias, desde o rio Das Velhas até o São Francisco. Os moradores estão assustados e temem pela manutenção de uma das principais atividades da região, a pesca.


     


    O ato iniciou pela manhã, com concentração no distrito de Barra do Guaicuí, município de Várzea da Palma, e seguiu para a BR que liga os municípios de Pirapora a Montes Claros. Em seguida, uma ponte foi interditada por mais de meia hora. Estudantes da rede pública carregavam cartazes que cobravam a punição dos responsáveis e pescadores jogaram peixes mortos como sinal de alerta. “Se continuar assim todo ano, o que será de nós, as famílias dos pescadores?”, questiona Lorena Borges, de 14 anos.


     


    Toda a atividade foi monitorada por quatro viaturas da Polícia Rodoviária Federal (PRF) – com agentes de Pirapora, Montes Claros e Belo Horizonte (MG) – e uma da Polícia Militar.


     


    Os manifestantes cobram medidas mais eficazes por parte da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), acusada de ser a responsável pela propagação das chamadas algas azuis. “Os culpados na verdade estão lá, sentados. Não estão nem aí.”, afirma João Rettore.


     


    A presidente do Conselho de Desenvolvimento Comunitário de Barra de Guaicuí, Zélia Aparecida Viana, conta que foram distribuídas cestas básicas para os ribeirinhos. Entretanto, “a comida que eles distribuíram não dá para alimentar uma família nem por dois dias, só tem dois quilos de arroz”, conta Manoel Conceição. Ele mora em uma casa nas margens do Velhas, com mais cinco adultos e oito crianças.


     


    Segundo informações divulgadas pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil do estado, pelo menos 35 municípios estão comprometidos pelas águas contaminadas do rio Das Velhas, rio Doce e São Francisco que afeta também municípios baianos, até Bom Jesus da Lapa (BA).


     


    As análises do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), de Pirapora, apontam que o índice de células encontradas a cada mililitro ultrapassa 1,3 milhão. A portaria 518 do Ministério da Saúde recomenda que o máximo permitido para consumo humano é de 50 mil. Isso indica que a contaminação é 130 vezes superior ao recomendado. “O termômetro da água é o peixe, se ele não sobrevive, não serve para mais nada”, diz João Rettore.


     


    Os laudos indicam que a contaminação se dá a partir da grande quantidade de esgotos despejados na região metropolitana de Belo Horizonte, que deságua no Velhas. A matéria orgânica serve para a reprodução das chamadas “algas azuis” e diminui a quantidade de oxigênio da água. O resultado é uma coloração verde, forte odor e peixes mortos.


     


    Serviço


    Mais informações:


    Alexandre Gonçalves – (38) 91933693


    Josimar Alves Durans (Colônia de Pescadores de Ibiaí) – (38) 37461122


    João Rettore (Barra de Guaicuí) – (38) 37315032

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