• 05/12/2007

    II Assembléia de Mulheres Indígenas de Pernambuco – Documento Final

    Território Pankará, 30 de novembro de 2007.


    Nos dias 28, 29 e 30 de novembro estiveram reunidas, no Território Pankará, mulheres idígenas de oito povos do estado de Pernambuco na II Assembléia de Mulheres Indígenas do Estado. A Assembléia teve como tema “Guerreiras Indígenas Reunindo Forças”. O objetivo foi promover a articulação entre as mulheres indígenas de Pernambuco de forma a possibilitar uma reflexão acerca das políticas públicas para as mulheres. O evento contou com a participação da Apoinme (Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo), do Centro de Cultura Luiz Freire, da Anai (Associação Nacional de Ação Indigenista) e do DED (Serviço Alemão de Cooperação Técnica e Social).


    Foram discutidos temas como legislação sobre prevenção e combate à violência contra a mulher e o que está sendo pensado e formulado em cada órgão do governo federal para o Plano Plurianual (PPA 2008/2010). Outro ponto de pauta foi a reflexão sobre a indagaçaõ: estão sendo consideradas às demandas e especificidades de gênero nas ações planejadas, em particular das mulheres indígenas?


    As mulheres também participaram de uma oficina de confecção de bolsas, ornamentando do jeito pessoal de cada uma. Ao final foi realizado um desfile para escolha da bolsa mais bonita. A parte cultural foi o ponto alto e mais esperado, pois foi realizado o ritual sagrado no alto da serra na aldeia Cacaria à noite, com a presença de todos e todas para fortalecimento da luta das mulheres e do movimento indígena.


    O espaço foi um momento das mulheres pensarem juntas e conversarem sobre seus problemas e adversidades. As mulheres constataram que um grande problema enfrentado por elas é o caso da venda de bebida alcoólica dentro das áreas indígenas. São elas quem mais sofre, pois têm sempre que está conciliando problemas dentro de casa e nas aldeias.


    Também foi bastante discutida a lei Maria da Penha que, apesar de não atender as especificidades dos povos indígenas, as mulheres quiseram se inteirar para melhor compreendê-la e acionar quando necessária, visto que, fica a critério da mulher indígena usá-la ou não. Foi proposto que cada povo pense a melhor maneira de punição contra as violências que as mulheres enfrentam.


     


    Ceiça Pitaguary – Coordenadora do Departamento de Mulheres Indígenas da APOINME

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  • 05/12/2007

    Vestibular exclusivo para indígenas


    Entre os dias 26 de novembro e 20 de dezembro, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) recebe inscrições para seu vestibular exclusivo voltado somente para candidatos dos povos indígenas do território brasileiro. Esta é a primeira vez que a Instituição realiza um vestibular dessa natureza, tornando-se a primeira universidade pública do Estado de São Paulo a promover um processo seletivo exclusivo para seleção de estudantes provenientes de comunidades indígenas.


    Esta edição especial do Vestibular foi contemplada pela aprovação do Programa de Ações Afirmativas da UFSCar, que entre outras definições determina a criação de uma nova vaga em cada um dos cursos de graduação presenciais da Universidade, destinada à população indígena do Brasil. Ao todo, estão sendo oferecidas 37 vagas, distribuídas nos campi de São Carlos, Araras e Sorocaba.


    Para participar deste processo seletivo, os candidatos devem ter cursado o Ensino Médio integralmente em escolas públicas e/ou nas escolas indígenas reconhecidas pela rede pública de ensino e cadastradas no Ministério da Educação.


    O Vestibular será realizado em fase única, com dois dias de prova. No dia 9 de fevereiro (sábado) do próximo ano, das 8h às 12h, os candidatos fazem as provas de Leitura, Compreensão e Interpretação de Texto, Ciências Naturais, Matemática, História e Geografia. Das 14h às 17h do mesmo dia será aplicada prova de Redação. No dia 10 (domingo) serão aplicadas as provas Oral e de Aptidão Musical (para candidatos ao curso de Música). A prova oral será realizada para avaliar a capacidade de interação e articulação dos candidatos.


    Para fazer as inscrições, o candidato deve apresentar a Carteira de Identidade, carta com autodeclaração de que é indígena e declaração/indicação da comunidade indígena com a qual possui vínculo, assinada pela liderança da mesma, e certificada pela unidade local ou regional da Funai. No ato da inscrição, o candidato também deve preencher a ficha de inscrição e o questionário socioeducacional. As inscrições devem ser realizadas diretamente na Fundação de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico da UFSCar (FAI-UFSCar), no campus de São Carlos, na rodovia Washington Luiz, km 235, entre 8h e 11h ou entre 14h e 17h. A inscrição também pode ser feita por terceiros, desde que munidos de procuração e apresentação dos documentos exigidos. Caso o candidato opte por fazer a inscrição pelo Correio, ele deve encaminhar a ficha de inscrição e o questionário preenchidos e fazer o envio com Aviso de Recebimento. Neste caso, a data da postagem deve estar dentro do período determinado de inscrição



    A divulgação dos resultados será feita no dia 18 de fevereiro de 2008, com a chamada dos convocados para matrícula e lista de espera. O início das aulas está previsto para o dia 25 de fevereiro. Mais informações em www.vestibular.ufscar.br e www.fai.ufscar.br.

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  • 05/12/2007

    Entidades da Via Campesina pedem apoio da CNBB a Dom Cappio

    Ontem (4/12), organizações da Via Campesina e do Fórum Nacional de Reforma Agrária e Justiça no Campo se reuniram com o Secretário-Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Dimas Barbosa, para pedir apoio a Dom Luiz Cappio, que está jejuando há 8 dias em protesto contra a transposição do rio São Francisco. Dom Dimas se dispôs a ajudar a buscar uma solução para a situação.


     


    Ele pedirá uma audiência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar da questão e também pedirá ao Supremo Tribunal Federal que julgue as ações sobre a transposição que ainda aguardam decisão. Ele lembrou que diversas terras indígenas podem ser afetadas pela obra, por isso acredita que o Supremo pode decidir pela suspensão das obras até que estas comunidades sejam consultadas. Dom Dimas reforçou que segundo a CNBB, a justiça deve prevalecer.





    Denúncias


    Durante a reunião, graves denúncias envolvendo o projeto de transposição foram feitas. O representante do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições Superiores (ANDES) denunciou que está havendo pressões políticas sobre a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) para que a questão da transposição não seja amplamente discutida pelos cientistas do país.


     


    Maria Costa, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), informou que o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do Ceará, chegou a ser detido, pois estava tentando tirar água, para uso doméstico, do canal que passa em frente a sua casa. O lugar, onde já há canalização da água, é o ponto final do eixo norte da transposição, que tem como razão principal fornecer água para resfriar uma usina siderúrgica no Complexo Industrial Portuário do Pécem.


     

    Participaram da reunião, além das entidades da Via e do Fórum, os Deputados Federal Adão Preto (PT/RS) e Iran Barbosa (PT/SE).

     
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  • 05/12/2007

    Manifesto contra a venda do rio Madeira

    Nós, camponeses e camponesas de todas as regiões do Brasil, representantes dos diversos Movimentos e organizações que compõem a Via Campesina Brasil, reunidos em Goiânia, nos dias 26 à 30 de novembro em uma grande Planária Nacional da Via Campesina Brasileira vimos através desta  carta nos manifestar a respeito das obras previstas para o Complexo do Rio Madeira, no Estado de Rondônia- Brasil, divisa com a Bolívia.


    1- Denunciamos que este plano, denominado de Complexo do Rio Madeira, é parte dos grandes projetos previstos pelas grandes empresas multinacionais interessadas em se apropriarem dos recursos naturais, energéticos e financeiros de nosso país.


    2- Denunciamos que, historicamente, este tipo de projeto tem servido apenas para acumulação de riquezas nas mãos de grandes empresas nacionais e multinacionais as quais não possuem nenhum compromisso com o povo brasileiro. Pelo contrário, o que se observa nestas regiões, é uma brutal destruição da natureza e o aumento da pobreza, especialmente sobre as populações locais, bem como, dos trabalhadores que depois das obras feitas são relegados à própria sorte.


    3- Denunciamos que a energia elétrica produzida através das barragens é de baixo custo, no entanto, é vendida a população por um alto preço e oito vezes mais cara do que para as grandes empresas consumidoras, gerando altíssimas taxas de lucro aos “donos”. No caso da barragem de Santo Antonio e Jirau o faturamento na geração e distribuição ultrapassará 1 milhão de reais por hora.  Estes lucros não se revertem em ações que melhorem a vida da população, fato que reforça a convicção de sermos contra a todo e qualquer tipo de privatização.


    4- Denunciamos que o discurso de progresso e desenvolvimento é falso e nunca chega para quem mais precisa. Lembramos a barragem de Tucuruí, onde após 20 anos da sua construção, milhares de famílias continuam excluídas, sem terra, sem trabalho, sem casa e sem acesso a energia elétrica.


    5- Denunciamos que as práticas de repressão e intimidação contra quem se opõe a este estado de coisas é sempre forma usada para garantir a execução das referidas obras.


    6- Denunciamos que quem vai acabar pagando a conta será o povo brasileiro, através do financiamento via BNDES e ou através das altas tarifas de energia elétrica,que hoje representam uma espécie de rapina sobre a população.


    7- Com os mesmos interesses e prática, as grandes empresas agem em muitos outros locais, inclusive em terras indígenas como ocorre na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, estado de Roraima onde está sendo construída a barragem Cachoeira Tamanduá.  Esta barragem atinge 37 comunidades indígenas.


    8- Por fim, denunciamos que o leilão previsto pela Agencia Nacional de Energia Elétrica-ANEEL, para o dia 10 de dezembro, na verdade representará a privatização de parte da Amazônia.


     


    Frente a isto, nós da Via Campesina Brasil reforçamos nossa disposição de luta contra a venda do Rio Madeira.


     


    Conclamamos o povo brasileiro e boliviano, as organizações sociais, entidades, representantes e todas as pessoas a se incorporar e somar junto nesta luta e em defesa da Amazônia, buscando construir soluções que de fato possam resolver e melhorar a vida do conjunto dos trabalhadores e trabalhadoras deste país.


     


    Água e Energia não são mercadorias!


    Via Campesina Brasil


     


    Goiânia, 30 de novembro de 2007.


     

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  • 05/12/2007

    Mais de mil pessoas acabam de fechar a ponte na BR 242

    Mais de mil pessoas acabam de fechar a ponte do município Ibotirama (BA), BR 242, que serve de acesso para Brasília. A ação acontece em protesto contra o projeto de transposição de águas do rio São Francisco e em solidariedade ao jejum do frei Luiz Cappio. Além da paralisação está prevista uma caminhada pelas ruas dos municípios e uma celebração final.


     


    Participam da manifestação os movimentos que fazem parte da Via Campesina (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Movimento dos Pequenos Agricultores, Movimento dos Atingidos por Barragens), Movimento dos Trabalhadores Rurais Acampados, Assentados e Quilombolas da Bahia (CETA), Centro de Assessoria de Assuruá (CAA), quilombolas, geraizeiros, representantes da reserva extrativista Serra do Ramalho e pessoas ligadas à igreja.


     


    Ato público reúne mais de quatro mil pessoas em Sobradinho


     


    A caminhada pela vida do povo e do Nordeste, reuniu mais de quatro mil pessoas desde a Capela de São Francisco, em Sobradinho (BA), até as margens do rio. O ato aconteceu no final da tarde de ontem (04) em defesa do rio São Francisco e em solidariedade ao bispo Luiz Flávio Cappio, que completa hoje (05) nove dias de jejum.


     


    No grupo estavam trabalhadores ligados a organizações sociais, movimentos populares e caravanas dos municípios de Remanso, Sobradinho, Campo Alegre de Lurdes, Juazeiro, Barra, Ipupiara, Morpará, Casa Nova, Curaçá, Bonfim, Irecê e Sento Sé (BA), Petrolina (PE), além de pessoas dos estados do Mato Grosso, São Paulo e Ceará.


     


    Durante o caminho foram feitas duas paradas. A primeira aconteceu na entrada da avenida que dá acesso ao rio. “Nós estamos aqui em solidariedade para garantir a preservação da biodiversidade para garantir a vida das futuras gerações”, disse Derli Casali, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). A segunda parada aconteceu em frente a estação de transmissão de energia da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf).


     


    No final da caminhada houve uma celebração presidida por Dom Luiz, com a presença de mais de 20 padres. Bastante animado, ele cantou junto com a multidão e durante um sermão disse que “não podemos deixar que a força do capital roube esse direito de todo o povo brasileiro, não podemos permitir”. Ainda aproveitou para chamar as pessoas para as mobilizações, disse que “chegou o momento de nós defendermos e lutarmos pela vida dele”.


     


    Saúde


    Dom Luiz fez todo o percurso da caminhada dentro de um carro, em companhia do pároco local e mais duas pessoas. Ao voltar à capela uma enfermeira aferiu a pressão dele que registrava em média onze por oito, considerado normal. O batimento cardíaco estava equilibrado e ainda falou em tom de brincadeira: “eu estou ótimo”.


     


    Ele continua com o hábito de acordar cedo, se retirar para a oração e ter alguns intervalos para descanso. Além disso, tenta atender a todos que o visitam.


     


    Manifestações de apoio


    Hoje (05) haverá vigília em algumas cidades de Goiás. Na sexta-feira está prevista a (07) realização de um ato ecumênico em Belo Horizonte. Está prevista ainda para hoje a chegada de Marina Santos, da direção Nacional do MST, o deputado Adão Preto e uma comissão de deputados da Assembléia Legislativa de Sergipe.


     


    Contatos:


     


    Em Sobradinho


    Ruben Siqueira – Comissão Pastoral da Terra: (71) 92086548


    Alzení Thomaz – Conselho Pastoral dos Pescadores (75) 9136102


    Maria Oberhofer – IRPAA: (74) 91156977


     


    Em Ibotirama


    Abeltânia – (77) 99798836


    Samuel Britto – (77) 91369841


     


    Comunicação


    Clarice Maia – Articulação São Francisco Vivo: (71) 92369841


    Cristiane Passos – CPT: (62) 81112890


    Todos os arquivos referente ao jejum podem ser encontrados no site: www.umavidapelavida.org.br


     

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  • 04/12/2007

    Cardeal da Bahia e mais dois bispos visitam o frei Luiz Cappio

    Sobradinho – Completa hoje (04) uma semana que o bispo da diocese de Barra (BA), Dom Luiz Cappio, está em jejum na capela São Francisco, em Sobradinho(BA), contra o projeto de transposição de águas do rio São Francisco. Pela manhã ele recebeu a visita dos bispos Dom Geral Magela, cardeal da Bahia, Dom Ceslau Stanulla, presidente da Regional Nordeste Três da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e Dom João Carlos Petrini, secretário.


     


    Eles se reuniram com Dom Luiz, além dos bispos Dom Tomás Balduíno e Dom Eugênio Rixen. Os seis conversaram de modo reservado, a portas fechadas, por cerca de uma hora. A visita acontece logo após uma reunião que ontem (03) envolveu 12 bispos da regional, compostas pelos estados da Bahia e Sergipe. A intenção era tentar diminuir os efeitos do ato e preservar a vida do bispo e entregar a carta que nasceu do consenso do grupo.


     


    Eles chegaram em um avião do governo do estado da Bahia, acompanhados por um segurança da casa militar baiana. Na carta expõem o afeto que todos dispensam ao frei e o desejo que ele retornasse a diocese de Barra (BA). Para tanto Dom Luiz teria que reconsiderar a determinação de parar apenas com a retirada do exército dos eixos norte e leste e o arquivamento do projeto de transposição. No final Dom Geraldo Magela disse que eles compreendem a dimensão da causa, mas discordam da forma escolhida para protestar.


     


    “Me sinto fortalecido por eles terem vindo até aqui”, disse o frei e completou “mas, é claro que todos querem que eu volte pra casa”.


     


    Caminhada em defesa do rio São Francisco e do povo do Nordeste


    Cerca de duas mil pessoas são esperadas para a caminhada que sairá da Capela São Francisco em direção às margens do rio. Desde o início do dia chegam ônibus de diversos municípios – Remanso, Sobradinho, Casa Nova, Curaçá, Bonfim e Sento Sé, na Bahia, Petrolina (PE), além de organizações sociais e movimentos populares, como um grupo ligado ao Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) do Ceará e trabalhadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). “Nós vamos fazer um bonito momento pela vida do povo”, disse Dom Luiz. Estão previstas três paradas durante o caminho e uma celebração no final.


     


    Missa


    Por causa do ato a missa celebrada todas as noites na Capela onde é feito o jejum. Desde o dia 27, apenas duas vezes o momento não foi presidido pelo frei. O primeiro por causa do cansaço decorrente das constantes e intensas visitas. O segundo foi ontem, quando Dom Tomás Balduíno ficou a frente. Ele falou sobre o gesto o frei e sobre o apoio “mesmo sem entender direito, mas com a certeza de que é para o bem do povo”.


     


    Contatos:


    Ruben Siqueira – Comissão Pastoral da Terra: (71) 92086548


    Alzení Thomaz – Conselho Pastoral dos Pescadores (75) 9136102


    Maria Oberhofer – IRPAA: (74) 91156977


    Comunicação


    Clarice Maia – Articulação São Francisco Vivo: (71) 92369841


    Cristiane Passos – CPT: (62) 81112890

    Todos os arquivos referente ao jejum podem ser encontrados no site: www.umavidapelavida.org.br

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  • 04/12/2007

    Conferência dos Religiosos do Brasil se manifeta em apoio a Dom Cappio

    CRB NACIONAL


     


    Manifesto de apoio a Dom Luis Cappio


     


    Tal como o fez em 2005, outra vez a Conferência dos Religiosos do Brasil – CRB Nacional – vem manifestar sua solidariedade e seu apoio a Dom Luis Cappio. Neste momento em que Dom Luis se viu obrigado a retomar o jejum como forma de protesto, e a oração como forma de clamor, ele se torna a voz dos que são calados. Torna-se a voz do Rio São Francisco. Seu gesto é ao mesmo tempo corajoso, ousado e profético em favor da revitalização do Rio São Francisco. É um gesto profético que igualmente defende um investimento político nos pequenos projetos de cisternas, de aproveitamento da água da chuva e do subsolo, que de fato possa levar a água aos pobres e a todos os que desejam mais vida.


    A CRB Nacional manifesta seu apoio a Dom Luis Cappio bem como às populações ribeirinhas, pequenos agricultores, quilombolas, na luta empreendida em vista da paralisação das obras de transposição do rio São Francisco.


    Segundo estudos de vários cientistas e  a experiência do povo, o São Francisco necessita ser revitalizado para que a população possa dele retirar seu sustento, alimentar sua vida.


    Manifestamos nossa solidariedade a Dom Cappio, bispo irmão empenhado em salvar este rio. Nós nos unimos, mais uma vez, ao grito de todos e todas que amam o São Francisco e querem salvá-lo: TRANSPOSIÇÃO, NÃO!  TERRA E ÁGUA, RIO E POVO VIVOS!


    Estando a Presidente da CRB Irmã Márian Ambrosio em Moçambique, na África, para uma visita de apoio e ânimo aos missionários e missionárias brasileiros naquele país, assino este manifesto em nome da CRB Nacional.


     


    Na comunhão solidária, nosso abraço fraterno.


     


    Irmão Paulo Petry, fsc


    Vice-Presidente da CRB Nacional


    Presidente em exercício


     

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  • 04/12/2007

    Carta de apoio a Dom Cappio

     


    São Luís do Maranhão, 28 de novembro de 2007


     


     


    Prezado Irmão Luís Flávio,


    Quando soubemos da tua decisão de retomar a luta em defesa do Velho Chico, estávamos reunidos no encontro da Comissão Episcopal de Pastoral do Regional Nordeste V. Logo decidimos escrever-te em solidariedade a ti e a todo o povo brasileiro que resiste em defesa do rio São Francisco e contra a insanidade do projeto de sua transposição.


    É com temor e tremor que unimos nossa indignação ao teu gesto extremo e ao teu grito, que se une ao grito dos povos e dos biomas mortalmente feridos pelo dragão da morte.


    É o grito do rio São Francisco, que se junta, neste silêncio ensurdecedor, ao grito da Amazônia, do Cerrado, da Mata Atlântica, do Pantanal, dos Campos inundáveis, do Sertão.       


    Poucos estão dispostos a ouvir o gemido da Terra e dos pobres da Terra agredidos pelo “desenvolvimento” capitalista. A maioria fica anestesiada pelas deformações da mídia e, como sempre, uma minoria vislumbra lucros e vantagens políticas.


    O próprio Presidente da Republica, cinicamente, declara que o que está em jogo seria a tua vida contra a vida de 12 milhões de nordestinos, quando deveria saber que a oposição se dá entre os interesses de um punhado de empreiteiros e de empresários do hidroagronegócio de um lado e a vida da bacia hidrográfica do São Francisco e da sua população do outro.


    Também não existe unanimidade dentro da nossa Igreja, indício forte de um evangélico sinal de contradição, que perpassa todos os contextos e todas as relações.


    Nada de novo: faz oito séculos que, dentro e fora das Igrejas, encobrimos a profecia de Francisco de Assis.


    Justamente quando o capitalismo dava os seus primeiros passos, Francisco retomou a visão de Jesus: a fraternidade universal de todos os seres vivos e a responsabilidade dos seres humanos de cuidar da vida.


    À luz do teu gesto evangélico, confirma-se a nossa missão nestes tempos em que a alternativa entre a destruição da Terra e o serviço à Vida é de uma evidência incontestável.  Temos que enfrentar um duplo desafio, político e teórico: perguntar-nos-emos não só qual é o futuro dos pobres, mas qual é o futuro da Terra.


    Tu, irmão Luís Flávio, estás lutando não só para a construção de uma nova sociedade, mas também por uma nova convivência entre seres humanos e todos os seres vivos. Entre seres humanos e a vida.


    Tu estás apostando na esperança e nos protagonismo dos pobres de Jesus.


    Tu nos indicas o caminho da desobediência civil e da objeção de consciência, que se associa à luta das organizações populares e dos movimentos sociais do Brasil e da Pátria Grande.


    Tudo devemos esperar dos pobres de Javé, que lutam contra “o poder do nada”!


    Alvejamos e purificamos, enfim, as nossas palavras na Palavra de Deus, Pai e Mãe da Vida:


    “18 Eu penso que os sofrimentos do tempo presente não têm proporção com a glória que há de ser revelada em nós. 19 De fato, toda a criação espera ansiosamente a revelação dos filhos de Deus; 20 pois a criação foi sujeita ao que é vão e ilusório, não por seu querer, mas por dependência daquele que a sujeitou. 21Também a própria criação espera ser libertada da escravidão da corrupção, em vista da liberdade que é a glória dos filhos de Deus. 22Com efeito, sabemos que toda a criação, até o presente, está gemendo como que em dores de parto,  23e não somente ela,  mas também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos em nosso íntimo, esperando a condição filial, a redenção de nosso corpo.” (Rom 8,18-23 – Bíblia da CNBB).


     


    Estamos unidos na oração e na luta.


    Um abraço fraterno.


     


    Dom Xavier Gilles – Bispo de Viana e Presidente do Regional NE 5 da CNBB


    Dom Franco Cuter – Bispo de Grajaú e Vice-Presidente do Regional NE 5 da CNBB


    Frei João de Araujo Santiago – CRB Regional


    Humberto Rezende Capucci – CIMI Regional


    Iolanda Silva Ribeiro – Pastoral da Criança Regional


    Ir. Renato Thiel – CEBs Regional


    Jean Marie Van Damme – Assessor regional das CEBs NE 5


    Joana Meneses Mendes – Catequese Regional


    Lucineth Cordeiro Machado – Cáritas Regional


    Maria de Fátima Santos Martins – Pastoral da Mulher Regional


    Maria Deuzamar Lima – Pastoral da AIDS Regional


    Pe. Almir Marques dos Santos – Coordenador de Pastoral Diocese de Carolina


    Pe. Benedito Pereira Estrella – Coordenador de Pastoral Diocese de Pinheiro


    Pe. Costante Gualdi – Coordenador de Pastoral Diocese de Grajaú


    Pe. Erenaldo Pereira Caxias – Coordenador de Pastoral Diocese de Zé Doca


    Pe. Nadir Luiz Zanchet – Coordenador de Pastoral Diocese de Balsas


    Pe. Sebastião Francisco pereira – Coordenador de Pastoral Diocese de Caxias


    Pe. Valdeci Alves Martins – Coordenador de Pastoral Diocese de Imperatriz


    Vera Lúcia Silva Brito – Coordenação de Pastoral da Arquidiocese de São Luís


    Pe. Flávio Lazzarin – Secretariado Regional NE 5 da CNBB


    Graça Araújo – Secretariado Regional NE 5 da CNBB


     


     

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  • 04/12/2007

    Resposta de Dom Luiz Cappio à carta de Dom Aldo Pagotto

    Caro Dom Aldo,


    Paz e Bem!


     


    Recebi sua “Nota Carta” e, por respeito ao Sr. e pela oportunidade de esclarecer aos irmãos e irmãs paraibanos os significados de meu gesto, eu a respondo.


     


    1- Concordo que nossa vida a Deus pertence e não temos o direito de tirá-la. Exatamente porque a minha não me pertence e sim a Deus, pois a ele já a entreguei há muito tempo, é que a ofereço pela vida de muitos. Não a estou tirando, apenas jejuo e rezo, como é da tradição bíblica e cristã, por tempo indeterminado, disposto a ir até o fim. Primeiro, direcionado a Deus, Senhor da Vida e da História, como sacrifício, para que Ele se compadeça de nós e mude o coração de homens cegados pelo poder e pelo dinheiro. Segundo, direcionado aos governantes deste país, como legítima forma de ação de um cidadão, esgotadas e infrutíferas todas as tentativas anteriores de amplos setores da sociedade fazerem-se ouvir e respeitar. É um gesto pessoal, mas de significado coletivo.


    2- Se conhece a minha vida, sabe que meu comportamento atual não é nada mais que coerência irreformável com toda a minha trajetória de franciscano, padre e bispo a serviço da defesa e promoção da vida. Isso quis expressar em meu lema de bispo “Para que todos tenham vida” (Jo 10,10).


    3- A Santa Sé, através do Núncio Apostólico, de fato me “pediu” que não lançasse mão do recurso da greve de fome. Tratou-se de apenas um “pedido”. Quanto à expressão “greve de fome”, usei-a da outra vez porque mais conhecida e por seu significado político. Desta vez, prefiro que seja “jejum e oração permanentes”.


    4- Quanto ao projeto de transposição, o Sr. e outras lideranças esclarecidas que o defendem deveriam contar ao povo toda a verdade sobre esse projeto, suas reais finalidades, custos, mecanismos de cobrança pela água, traçados distantes dos sertões mais secos, interesses mercantis, etc, etc. Esse projeto não é solução, será mais problema. Continuar, a essa altura, insistindo no velho “discurso da seca”, pregando um “populismo hídrico”, a serviço da antiga “indústria da seca”, agora moderno “hidronegócio”, é um desserviço ao povo e uma perversão de nossa missão de pastores. O mérito aqui em questão não é técnico, é pastoral, pois “ovelhas” em risco cobram a solicitude do Bom Pastor. Foi assim que os bispos nordestinos, há quase 60 anos, com competência pastoral e apoio técnico, provocaram a criação da SUDENE.


    5- O projeto de transposição não vai trazer verdadeiro desenvolvimento. A propaganda da irrigação no próprio Vale do São Francisco esconde a face dos danos sociais e ambientais e mesmo os sucessos econômicos são relativos, não é modelo a se propagar, precisa ser revisto urgentemente. Por que não fazem o mesmo empenho pelas 530 obras do Atlas Nordeste da ANA – Agência Nacional de Águas e pelas mais de 140 tecnologias da ASA e da EMBRAPA? Essas, sim, são soluções reais e bem mais baratas, resolvem o déficit humano de água nas cidades e promovem o desenvolvimento apropriado às diversidades rurais do semi-árido, sem ônus ao já tão sofrido povo nordestino e ao meio ambiente.


    6- A voz do Espírito do Senhor sopra aonde quer (cf. Jo 3,8) e no clamor do povo ele exige que sejamos “simples como as pombas e espertos como as serpentes” (Mt 10,16).


     


    Aceite meu abraço, extensivo a todas as irmãs e irmãos paraibanos,


     


    + Luiz Flávio Cappio


    Bispo da Diocese de Barra – BA


    Site: www.umavidapelavida.com.br


     


    Sobradinho, 30 de novembro de 2007.


    Festa de Santo André, mártir.


     


     


     


    Nota Carta do Presidente do Comitê Paraibano pela Integração das Bacias Hidrográficas do Rio São Francisco


     


    João Pessoa (PB), 28 de novembro de 2007.


     


    1 – Caro irmão Dom Luiz Flávio Cappio: Deus o ilumine e o proteja. Nossa vida a Deus pertence. Não temos o direito de tirá-la a qualquer título.


    2 – O comportamento cristão leva-nos à coerência irreformável na defesa e promoção da vida.


    3 – Por ocasião de sua primeira greve de fome, a Santa Sé lhe pediu, em carta que lhe foi entregue em mãos pelo Núncio Apostólico no Brasil, que desistisse dessa conduta.


    4 – Diante da dádiva da vida, peço que você reveja a sua posição quanto à revitalização e à integração das Bacias Hidrográficas do Rio São Francisco, contempladas em uma obra que beneficia a doze milhões de nordestinos dos estados da Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco. O planejamento técnico-científico e a gestão administrativa e econômica da obra são de competência governamental através dos órgãos específicos. Não compete a nós bispos da Igreja intervir nesse mérito.


    5 – Contudo, nós bispos e o povo da Paraíba e dos demais estados pleiteantes apoiamos a obra que favorece o desenvolvimento de nossas regiões do semi-árido, assoladas pelas estiagens inclementes. Quem tem sede apóia a obra!


    6 – Peço que o caro irmão escute a voz do Espírito do Senhor que fala pelo clamor do povo sedento de água, de amor, de justiça e de paz.


     


    Dom Aldo di Cillo Pagotto


    Arcebispo Metropolitano da Paraíba


    Presidente do Comitê Paraibano pela Integração das Bacias Hidrográficas do Rio São Francisco

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  • 04/12/2007

    Garimpos ilegais são localizados dentro de terra indígena

     


    Sobrevôo realizado no dia 25 de novembro na Terra Indígena Yanomami (TIY) localizou duas pistas de garimpo próximas à fronteira com a Venezuela. As duas pistas se encontram próximas à comunidade yanomami dos Xiroxiropiu teri pë nas cabeceiras do rio Toototobi, um dos afluentes do rio Demini, que desagua no rio Negro (AM), entre as regiões do Balawaú e do Tootobi. O vôo foi realizado por uma missão do VII Comando Aéreo Regional a pedido da Hutukara Associação Yanomami (HAY), que já havia realizado uma primeira tentativa de localização no dia 22 de novembro após receber denúncias dos Yanomami residentes nas duas regiões ( ver abaixo carta da HAY ).


    A primeira denúncia sistematizada veio da região do Balawaú, através de documento que relaciona os dias, horários e freqüências dos vôos ( ver abaixo carta denúncia ). Um dos professores yanomami, após participação em curso de formação realizado em Boa Vista (RR), teria visto a clareira do acampamento dos garimpeiros, assim como estruturas com lonas. Informações sobre ruídos de máquinas e motores também chegaram à HAY dos moradores da comunidade dos Xiroxiropiu teri pë. Profissionais que trabalham no atendimento à saúde indígena na região do Balawaú corroboraram as denúncias e relataram que pelo menos desde agosto deste ano aeronaves têm realizado vôos a baixas alturas e em horários não apropriados para viagens de longas distâncias, geralmente ao cair da tarde e início da noite.


    A missão de localização se realizou com o apoio do Comando Aéreo Regional (Conar), ligado ao Comando Militar da Amazônia (CMA). Trata-se da segunda ação do Conar na região neste mês, respondendo às denúncias da HAY de que o espaço aéreo brasileiro estava sendo sistematicamente invadido por aeronaves não-identificadas vindas da Venezuela. Após uma reunião com as lideranças do Balawaú e com Davi Kopenawa, o presidente da HAY no dia 14 de novembro, foram acertados detalhes para uma atuação mais constante dos militares na região no sentido de prover demandas dos Yanomami, tais como atendimento médico e odontológico. Isso ocorreria concomitantemente à vigilância do espaço aéreo através de viagens periódicas às regiões do Balawaú, Xitei, Aracá e Marari (AM) na TIY.

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