• 21/08/2008

    Informe nº. 830: CNBB entrega ao STF nota de apoio aos povos de Raposa Serra do Sol

    Ontem, 20 de agosto, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Geraldo Lyrio Rocha, e o vice-presidente, Dom Luis Soares Vieira, entregaram ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes uma  nota de solidariedade aos povos da terra indígena Raposa Serra do Sol. No dia 27 de agosto, o STF julgará uma ação que pede a anulação da portaria que delimitou a terra indígena.


     


    Na nota, aprovada pelo Conselho Episcopal de Pastoral da CNBB (Consep), os bispos afirmam que estão “confiantes no julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF)” e que esperam “que os direitos dos povos indígenas sejam novamente confirmados, mantendo-se a demarcação e sua homologação”.


     


    Durante a audiência com Mendes, dom Geraldo Lyrio Rocha lembrou que a data do julgamento é muito significativa “porque coincide com o aniversário de morte de dom Luciano Mendes de Almeida, um grande batalhador desta causa (indígena)”.


     


    Apoios em todo o país


    Nas últimas semanas, manifestações de apoio aos povos de Raposa Serra do Sol ocorreram em diversos lugares do país. Ontem, em São Paulo, diversas organizações que participam da articulação Makunaima Grita realizaram um ato de apoio que contou com a presença da antropóloga Manuela Carneiro da Cunha e do jurista Dalmo Dallari, entre outros.


     


    No dia 19, deputados Câmara Legislativa do Distrito Federal também manifestaram seu apoio à manutenção da homologação da terra Raposa Serra do Sol. As Comissões de Direitos Humanos das Assembléias Legislativas de Minas Gerais (18/8) e de São Paulo (14/8) também realizaram audiências sobre a demarcação da terra.


     


    ***


     


    Povo Guajajara realiza sua primeira assembléia no Maranhão


     


    Entre hoje (20) e 23 de agosto, os Guajajara de diversas aldeias do Maranhão devem participar da primeira assembléia do povo, que acontece na aldeia Lagoa Comprida, na terra indígena Araribóia. O crescimento da violência contra o povo e o uso sustentável dos recursos naturais serão as questões principais do evento, cujo tema é “Terra é Vida”.


     


    A assembléia ocorre na mesma aldeia onde seu Tomé Guajajara foi assassinado, em outubro de 2007, por pessoas ligadas à exploração ilegal de madeira. Somente em 2007, três pessoas foram assassinadas na terra Araribóia em contextos relacionados à exploração de madeira.


     


    O preconceito contra os Guajajara também é outro fator responsável pela violência. No primeiro semestre de 2008, um jovem e uma criança de 6 anos foram assassinados por moradores da cidade de Arame aparentemente sem nenhuma motivo.


     


    “Acredito que haverá uma grande participação dos indígenas, por que a violência e a exploração da terra estão tornando cada vez mais grave a situação do povo”, avalia Rosemeire Diniz, coordenadora do Cimi no Maranhão. Somente na terra Araribóia vivem 6 mil Guajajara, por tanto estima-se que além das 200 pessoas que permanecerão na aldeia Lagoa Comprida, haverá intensa circulação de indígenas durante os momentos da Assembléia.


     


    A Assembléia tem apoio da COAPIMA – Coordenação das Organizações e Articulações dos Povos Indígenas do Maranhão, do Cimi, da Funai e do Departamento de Saúde e Ambiente da Universidade Federal do Maranhão.


     


     



    Brasília, 21 de agosto de 2008.


    Cimi – Conselho Indigenista Missionário

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  • 21/08/2008

    Solidariedade aos povos da terra indígena Raposa Serra do Sol



     



     


    Os povos da Terra Indígena Raposa Serra do Sol – Macuxi, Wapichana, Taurepang, Ingaricó e Patamona – no Estado de Roraima, lutam há mais de 30 anos para que o Estado brasileiro, garantindo seus direitos, demarque as terras que tradicionalmente ocupam.


     


    Durante todos estes anos, a Igreja Católica local com o conjunto das Pastorais e as Congregações missionárias atuam junto às comunidades, buscando contribuir para fortalecer o protagonismo desses povos na recuperação da terra, assim como na elaboração e execução de políticas públicas em saúde, educação e auto-sustentação que lhes garantam qualidade de vida e um futuro digno.


     


    Isso já ocorria nas primeiras décadas do século XX, quando a Ordem Beneditina chegou à região e solidarizou-se pastoralmente com aqueles povos. Naquela época, os padres Beneditinos escreveram uma carta ao governo federal, solicitando a demarcação de uma terra para a proteção da vida daqueles povos. Na descrição dos limites da área proposta, contida nessa antiga carta, vislumbra-se o desenho dos limites da Terra Indígena Raposa Serra do Sol.


     


    Depois de longo percurso de lutas e conquistas, parecia ter sido definitivamente superado o tempo em que os indígenas eram considerados pelos fazendeiros de Roraima como propriedade particular e mero instrumento para a obtenção de riquezas.


     


    Com a aprovação da Constituição de 1988, o Estado brasileiro reconheceu os direitos dos povos indígenas: “as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse permanente, cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes” (art.231, parágrafo 2º.).


     


    Finalmente, em 2002, aquela terra indígena foi demarcada pelo governo Fernando Henrique Cardoso e, em 2005, homologada e registrada pelo governo Luis Inácio Lula da Silva. Os povos indígenas puderam então festejar sua grande vitória, almejada durante quase 100 anos, em todas as 194 aldeias de Raposa Serra do Sol.


     


    No entanto, a questão foi recolocada em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF), alegando injustas suspeitas a respeito da fidelidade dos Povos Indígenas na Raposa Serra do Sol ao Estado nacional, e desejando que tudo volte à estaca zero, após quase um século de sofrimentos e difíceis vitórias dos povos indígenas e de seus aliados.


     


    No próximo dia 27 de agosto, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) irá julgar a ação popular na qual se impugna a demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol.


     


    Confiantes no julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), esperamos que os direitos dos povos indígenas sejam novamente confirmados, mantendo-se a demarcação e sua homologação para a alegria das 194 aldeias dos povos que tradicionalmente ocupam a Terra Indígena Raposa Serra do Sol.


     


     


    Brasília, 20 de agosto de 2008


     


    Dom Geraldo Lyrio Rocha


    Arcebispo de Mariana


    Presidente da CNBB


     


    Dom Luiz Soares Vieira


    Arcebispo de Manaus


    Vice-Presidente da CNBB


     


    Dom Dimas Lara Barbosa


    Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro


    Secretário-Geral da CNBB

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  • 20/08/2008

    Relator da ONU vai a Roraima conhecer a realidade dos povos indígenas

     


     


    Com o objetivo de conhecer a realidade dos povos indígenas no Brasil o relator especial da ONU sobre Direitos Humanos e Liberdade Fundamentais dos Povos Indígenas, James Anaya, chegará na madrugada desta quarta-feira, 20 de agosto, em Roraima, para visitar comunidades indígenas.


     


    Após encontros com lideranças indígenas, representantes de órgãos públicos ligados à questão indígena, em Brasília, Anaya teve uma vasta programação em Manaus, com a Coordenação das Organizações da Amazônia Brasileira (Coiab), onde ouviu várias denúncias de violações de direitos humanos dos povos indígenas daquela região.


     


    Anaya irá visitar as comunidades indígenas das regiões de Barro, Raposa Serra do Sol, das Serras, Malacacheta, Serra da Lua, Surucus e Demini, na terra indígena Yanomami. A primeira comunidade indígena a ser visitada será a comunidade indígena de Barro, onde ouvirá as reivindicações sobre o atendimento à saúde e educação indígena, o desenvolvimento sustentável para as comunidades indígenas e outros assuntos. As lideranças indígenas vão levar ao conhecimento do relator os casos de violência, ameaças e destruições que durante 34 anos de luta os indígenas sofreram.


     


    Para receber o relator, as lideranças indígenas da Raposa Serra do Sol prepararam uma grande recepção, com danças tradicionais, defumação do maruai, cantos tradicionais. Haverá a presença de aproximadamente 300 lideranças indígenas, entre tuxauas, coordenadores regionais, agentes indígenas de saúde, pajés. No dia seguinte, o relator seguirá para a terra indígena Yanomami, nas comunidades indígenas Surucu e Demini e para a comunidade indígena Malacacheta, no município de Cantá, a 36 km de Boa Vista.


     


    Conselho Indígena de Roraima

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  • 20/08/2008

    CNBB concede coletiva de imprensa sobre Raposa Serra do Sol

     


     


    Nesta quinta-feira, 21, às 14:30h, a Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) dará uma coletiva de imprensa na Sala de Imprensa de sua sede em Brasília. Estarão presentes o presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio Rocha; o vice-presidente, dom Luis Soares Vieira e o secretário dom Dimas Lara Barbosa.


    Os bispos apresentarão aos jornalistas os principais assuntos tratados na reunião do Conselho de Pastoral da CNBB (Consep), que termina amanhã. Entre os assuntos está a posição da Igreja em relação à Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 54/2004), que propõe a legalização do aborto dos anencefálicos, a ser julgada ainda neste mês pelo Supremo Tribunal Federal (STF).


    O julgamento da constitucionalidade da demarcação da terra indígena Raposa Serra do Sol, no próximo dia 27 pelo STF, também foi tema de discussão do Consep. A expectativa da CNBB é de que os direitos dos povos indígenas sejam novamente confirmados e a demarcação e a homologação da terra mantidas.


    O Consep discutiu, ainda, a posição que alguns países têm adotado em relação aos migrantes, sobretudo em relação à Diretiva do Retorno aprovada pelo Parlamento Europeu. Os bispos mostraram preocupação com a situação dos brasileiros que vivem no exterior, principalmente os que se encontram em situação de vulnerabilidade.


     


    Serviço:


    Coletiva de Imprensa com a Presidência da CNBB


    Presenças:


    1.    Dom Geraldo Lyrio Rocha – Arcebispo de Mariana (MG) e presidente da CNBB;


    2.    Dom Luis Soares Vieira – Arcebispo de Manaus (AM) e vice-presidente da CNBB;


    3.    Dom Dimas Lara Barbosa – Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro (RJ) e secretário geral da CNBB


     


    Dia: quinta-feira, 21 de agosto


    Horário: 14:30h


    Local: Sala de Imprensa da CNBB – SE/Sul – Quadra 801 – Conj. B – Brasília


    Contatos:


    Assessoria de Imprensa – 2103-8318


    Pe. Geraldo Martins Dias – Assessor de Imprensa – 2103-8313 / 8119-3762


    Eliane Muniz – 2103-8368

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  • 20/08/2008

    4ª Conferência da Paz discutirá limite da propriedade da terra

     


    Evento acontecerá dia 25 de agosto, no auditório Nereu Ramos,


     na Câmara dos Deputados


     


     


    O Limite da Propriedade da Terra e sua função social é o tema principal da 4ª Conferência da Paz, que será realizada dia 25 de agosto, das 9h às 17h, no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados. 


     


    O evento é organizado pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic) em parceria com diversas entidades e debaterá sobre os projetos de lei relacionados ao tema principal e a outros propostos. A Conferência tem como objetivo a construção de uma cultura de paz e não-violência no país, por meio do diálogo entre igrejas, entidades da sociedade civil e os órgãos do Estado.


     


    Para a mesa de abertura foram convidados o presidente da Câmara dos Deputados Arlindo Chinaglia; secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Dimas; presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hachbart; ministro Luiz Dulce, chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República do Brasil; bispo da Igreja Anglicana do Brasil, Dom Maurício de Andrade e reverendo da igreja presbiteriana do Brasil, Cláudio da Chaga Soares. Após a abertura, às 10h, haverá uma fala do bisbo do Xingu e presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Dom Erwin Krautler.


     


    Entre os palestrantes da tarde estão o bispo emérito da cidade de Goiás e conselheiro permanente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Dom Tomás Balduíno; o professor Fábio Konder Comparato; a dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Marina dos Santos (MST); o diretor de política agrária da Confederação dos Trabalhadores na Agricultura, Paulo Carallo (Contag) e o representante do Conselho Indígena de Roraima, Jacir de Souza (CIR).


     


    O tema escolhido é uma contribuição com a “Campanha pelo limite da propriedade da terra: em defesa da Reforma Agrária e da Soberania Territorial e Alimentar”, realizada pelo Fórum da Reforma Agrária e Justiça no Campo. A Campanha propõe a inclusão de um novo inciso na Constituição Federal que limite às propriedades rurais em 35 módulos fiscais, medida adotada pelo Estado para dividir a propriedade rural e que varia de região para região.


     


    O direito à propriedade é geralmente interpretado como garantia de um direito absoluto e ilimitado, legitimando a concentração de terras nas mãos de poucas pessoas e grupos, enquanto a maior parte da população do campo encontra-se excluída. No Brasil, os latifúndios representam 2,8% das propriedades rurais e ocupam 56,7% da área total, enquanto os minifúndios têm 62,2% dos imóveis do campo e ocupam 7,9% da área total.


     


    Programação:


     


    4ª Conferência da Paz no Brasil


    Dia 25 de Agosto de 2008


    Auditório Nereu Ramos (anexo II da Câmara dos Deputados, em Brasília/DF)


    *Entrada é franca


     


    9h – Abertura


    – Grupo de Teatro da Universidade Católica de Brasília


    – Mesa de autoridades


    10h – Mesa – Testemunho de Dom Erwin Krautler – Bispo do Xingu


    11h – Debate: perguntas e intervenções dos inscritos


    12h – Intervalo


    13h – Coral da Universidade católica de Brasília


    13h30 – Mesa: “Terra: mercadoria ou bem social?” – Prof. Fábio Konder Comparato e Dom Tomás Balduíno


    14h15  – Debate: perguntas e intervenções dos inscritos


    15h15 – Mesa: Campanha Limite de propriedade da terra… – Marina Santos (MST), Paulo Carallo (Contag), Graça Amorim (Fetraf-Brasil), Dirceu Fumagalli (CPT), Francisco Menezes (Ibase) e Jacir de Sousa (CIR)


    16h – Apresentação do documento final e propostas – Prof. Guilherme Delgado


    17h – Encerramento


     


    Contatos:


    Suzane Durães (FNRA): 3214-5420 / 9982.6047


    Marcy Pincanço (CIMI): 9979-7059


    Daniela (Contag): 3349-2561 

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  • 20/08/2008

    Fiscalização liberta 32 trabalhadores escravos no Pará

     


    O Grupo Móvel de Combate ao Trabalho Escravo do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) libertou 32 trabalhadores em situação análoga à escravidão na área rural de Rondon, no Pará. De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, o empregador não assinava carteira de trabalho e não pagava o salário integral e nem os direitos trabalhistas, como o décimo-terceiro e as horas extras. Os trabalhadores dormiam em barracões e não dispunham de água potável para beber. O proprietário foi autuado pela Policia Federal pelo Código Penal e terá que pagar indenizações no valor de 60 mil reais. Os trabalhadores atuavam na produção de carvão mineral.

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  • 19/08/2008

    México: Comunidades indígenas correm risco de desaparecer

     


     


    As comunidades indígenas do país estão em risco de desaparecer devido à falta de apoio para diminuir a pobreza em que vivem, alertou o presidente da Comissão de Desenvolvimento do Senado, Heladio Ramírez López. O legislador recebeu um documento do presidente da União e Força Indígena e Camponesa, Isidro Pedraza Chávez, no qual solicitam o apoio dos três níveis do governo para aliviar a fome entre os camponeses e indígenas mais pobres do México.


     


    Sustentou que os terrenos de cultivo desse setor populacional são os que têm maior atraso e as manifestações de pobreza mais extremas, enquanto que suas antigas culturas e línguas são vistas como relíquias e testemunho de um passado morto e sem lugar nos tempos modernos.


     


    As estatísticas que medem o nível de vida no México demonstram que as condições de vida das etnias estão sempre abaixo das médias que caracterizam a vida dos demais mexicanos, expôs do legislador do PRI. “Neste momento não há um só mexicano que não tenha tido um impacto negativo em suas finanças devido ao aumento dos produtos básicos, o que se intensifica nas zonas rurais pelo esgotamento da terra que afeta pelo menos a metade do campo mexicano”, comentou Pedraza Chávez.


     


    Em sua opinião, os intermediários são os únicos que obtêm lucros da venda de produtos elaborados pelos camponeses e indígenas pobres, já que os compram com antecedência e são os que controlam o mercado. A solução, considerou, é que os programas dirigidos ao combate à pobreza se somem a subsídios para a promoção da atividade produtiva e a capacitação dos produtores indígenas, disse Pedraza Chávez.


     


    Macrina Ocampo Hernández, fundadora da Coordenação Nacional dos Povos Índios, afirmou que as áreas indígenas mexicanas têm uma afetação histórica e não há melhoria por falta de apoios.


     


    “O aumento nos preços dos produtos básicos incrementa a pobreza nas zonas rurais e especificamente nas regiões indígenas, além de que a terra já não dá, já não alcança e as pessoas têm que ir para outro lado”, lamentou. “Agora tudo custa por isso se sente a afetação total que gera migração, desintegração familiar e uma mudança de dieta que vai além do consumo de comida rápida como frituras e refrescos”, asseverou.


     


    A pobreza se observa também em rubricas como a saúde e a educação, porque as crianças continuam morrendo de doenças diarréicas, pois as clínicas estão longe das zonas separadas, carecem de instrumental e medicamentos, além de que somente médicos assistentes as atendem.


     


    A Confederação Nacional Camponesa informou que chegou a 100% o aumento da cesta básica na zona da montanha de Guerrero. Nessa situação encontra-se a maioria da população indígena que corresponde a pouco mais de 10 milhões de pessoas e põe em risco de desaparecer 20 das 56 etnias que há no território nacional.


     


     

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  • 18/08/2008

    Homenagem aos Guarani

    PARAGUAI: POSSE EM GUARANI


    Se parecia um tanto retórica a decisão de fazer da língua Guarani a língua nativa do Mercosul, a posse do Presidente Fernando Lugo, do Paraguai,  foi um verdadeiro ato de reconhecimento da importância e abrangência do Guarani, como  patrimônio  deste povo e como nação secular presente.


    As falas, desde o presidente do Congresso, como do presidente recém empossado, o recado forte da mudança, do novo Paraguai que inicia, foi em Guarani. O hino nacional cantado em Guarani foi acompanhado por um silêncio reverente da multidão que tomou posse da praça da posse, do poder.


    Mas tudo isso não era apenas um reconhecimento e uma homenagem ao passado. Ali estavam entre a multidão, grupos dos diversos povos do Paraguai, mas em especial dos Guarani. E foi ao se referir a eles que aflorou a emoção do Presidente Lugo, em seu discurso de posse. Disse estar sendo tomado por grande emoção incontrolável, ao se referir aos povos indígenas e às crianças jogadas nas ruas. E foi com relação aos povos indígenas que deixou seu recado, carinho e compromisso forte.


    Missa, missão e contradições


    Não restam dúvidas de que Lugo traz à tona um fenômeno que tem marcado fortemente a América Latina nas últimas décadas: a conjugação de fé e política na dimensão transformadora e libertadora em curso no continente. É amplamente conhecida a contribuição da teologia da libertação, que tem entre seus próceres e expoentes Gutierrez e Boff, mencionados no discurso de posse de Lugo, como referências no seu compromisso de fé e opção pelos pobres, nos processos de mudanças profundas em diversos países. Desde o sacerdote revolucionário Camilo Torres até os milhares de combatentes nos diferentes países, lutam pela justiça, igualdade e solidariedade, por novos modelos de sociedade inspirados pela fé e compromisso evangélico cristão. Fundamentam suas ações nos documentos das Conferências de Puebla, Medellin, Santo Domingo e recentemente Aparecida.


    Por outro lado, inspirados no mesmo Evangelho, a Igreja Católica e outras igrejas cristãs também tem sido o sustentáculo ideológico e religioso de regimes conservadores, de ditaduras opressoras e massacradoras do povo, a serviço do imperialismo e da dominação.


    Na posse do bispo Fernando Lugo, cujo pedido de dispensa de sua missão foi acolhida pelo Vaticano, como Presidente do Paraguai, ficou evidenciado o esforço da construção de um consenso em torno do compromisso da Igreja Catolica com a construção de um novo Paraguai. Porém o conjunto das atividades celebrativas foram também reveladoras das contradições e dificuldades em que envolvem essa dimensão motivada pela fé e mediada pelas estruturas religiosas e políticas.


    Festa da mudança, esperança e silêncios


    A multidão que se espremia na praça, no lindo dia de sol à beira do rio Paraguai, parecia despertar de um sonho. Gritos e silêncios se alternavam.Era o fim de uma era. Terminava um longo período de 61 anos de mandos e desmandos do partido colorado. Ressurge a esperança das mudanças profundas, necessárias, urgentes. Os rumos e espectativas se faziam presentes nos aplausos aos presidentes. Evo Morales foi o mais ovacionado. Muitos aplausos e vivas a Hugo Chaves. Rafael Correa também foi aplaudido. Quando Lula foi anunciado ouvia-se entre os aplausos o grito “Itaipu”. A alegria e esperança estavam estampados nos rostos, nas faixas, nas manifestações culturais, nos gritos e aplausos. Uma bonita festa da liberdade nascente, da dignidade seqüestrada, da semente lançada, do sonho reconstruído. Ressurge um novo Paraguai a partir de suas raízes mais profundas, da história heróica de um povo insurgente, emergindo da coragem e fé.


    O difícil caminho das transformações


    As expectativas são enormes. Lugo assume com uma popularidade de 93%. O país está profundamente marcado pela corrupção e pobreza. Daí a conclamação geral para a construção de um novo Paraguai. A semente do futuro está lançada. Exigirá, sem dúvida, empenho, sabedoria, persistência e fé. E deverá começar pelo exemplo de seus governantes. O presidente Lugo já anunciou que renuncia ao salário de presidente “eu não quero dinheiro, não busco dinheiro…vou coloca-lo num fundo comum para os que mais necessitam e oxalá algum outro também me imite”.


    O caminho das transformações necessárias para o novo país certamente será difícil, mas é possível. Os olhares de esperança da América Latina se voltam agora para o Paraguai.  Igualmente a solidariedade e apoio de todos os que querem um continente com justiça, igualdade e aprofundamento da democracia, não faltarão ao presidente Lugo.


    Os povos indígenas estão entre os que muito acreditam e esperam do novo governo.


     


    Egon Heck


    Cimi MS


    Assuncion, 16 de agosto de 2008

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  • 18/08/2008

    Info-brief 829: Xakriabá in Minas Gerais über Mord im Zusammenhang mit Wahlkampagne aufgebracht

    Am Abend des 10.8.2008 wurde der Edson Dourado Leite, 21, vom Volk Xakriabá, in der Gemeinde São João das Missões im Norden von Minas Gerais ermordet. Das Verbrechen steht vermutlich im Zusammenhang mit dem Wahlkampf zwischen dem Bürgermeister der Stadt, ein Xakribá und dem Kandidaten der Opposition.


     


    Edson wurde mit einem Messer angegriffen, als er mit Freunden bei einer Wahlveranstaltung des Bürgermeisters José Nunes de Oliveira war, der sich der Wiederwahl stellt, berichtete Luiz Dourado, der Bruder des Opfers. Der flüchtige Täter ist wahrscheinlich einer vom Team des gegnerischen Kandidaten. Die Wahlkampagne ist sehr aufgeheizt. Am 9.8.2008 haben Oppositionelle die Wahlhelfer von José Nunes mit Steinen und Flaschen beworfen.


     


    Den Vertretern Xakriabá zu Folge, sei das Verbrechen ein Ausdruck der weit verbreiteten Diskriminierung und Vorurteile gegen das Volk in der Region. Die Gewalt hat in den letzten Jahren zugenommen, seit sich die Gemeinschaft für ihr traditionelles Gebiet einsetzt und seit der Wahl des jetzigen Bürgermeisters. Im Jahr 2007 wurden zwei Xakriabá außerhalb ihres Gebietes ermordet. Im März 2008 wurde der Mörder von Avelino Nunes de Macedo freigesprochen. Das ist ein weiterer Beweis der Straffreiheit von Verbrechen gegen die Indios Xakriabá.


     


    Aus Protest gegen die Ermordung von Edson sperrten rund 800 Xakriabá am 11.8.2008 die Straße BR-135, die Minas Gerais mit dem Bundesstaat Bahia verbindet. Tags darauf fand ein Ritual am Tatort statt.


     


    Am 13.8.2008 durchsuchte die Zivilpolizei mit einem Haftantrag das Haus des Ex-Präfekten und Kandidaten von 2008, Ivan de Souza Correa, sowie die Häuser von João da Silva und Gilmar da Silva, die beschuldigt werden, die Xakriabá zu bedrohen.


     


    Heute, 14.08.2008 gab es eine Audienz mit der Bundesstaatsanwaltschaft, der FUNAI und der Bundespolizei, um Maßnahme zur Garantie der physischen Integrität der Indios zu besprechen. Die Gemeinde hat eine zweitägige Trauer für Edson angeordnet. Der Jugendlich lebte in der Aldeia Riachão und hinterlässt eine zehn Monate alte Tochter und eine Frau, die mit dem zweiten Kind schwanger ist.


    (Informationen vom Team Xakriabá)


     


    Indios in ganz Brasilien bereiten neues Projekt für Statut der Indigenen Völker vor


     


    Vom 13.-15.8.2008 fand das erste Seminar der Nationalen Kommission für Indigene Politik (CNPI) über das Statut der Indigenen Völker in Brasilien statt. Bis Ende 2008 werden die Indios bei Versammlungen im ganzen Land einen neuen Textvorschlag für das Statuts erarbeiten, das seit mehr als 14 Jahren zur Behandlung in der Abgeordnetenkammer ansteht.


     


     


    Am Seminar teilgenommen haben neben den 40 indigenen Mitgliedern, den indigenen Vertretern und Delegierten der Regierungsorgane, die der CNPI angehören, weitere zehn indigene Vertreter. Diese Gruppe bereitet auch die zehn Versammlungen bis Jahresende vor, zu der über 1000 Indios aus allen Regionen eingeladen werden.


     


    Bei diesen regionalen Treffen werden Textvorschläge erstellt, die von der Kommission in einem Dokument zusammengefasst werden, das dann an die Abgeordnetenkammer ergeht.


     


    Seit Verabschiedung der Bundesverfassung im Jahr 1988 fordern die Indios einen neuen Text, um das Statut des Indio aus 1973 zu ersetzen. Allerdings ist die Behandlung des Gesetzesprojekts 2057/91 über das Statut in der Abgeordnetenkammer seit Dezember 1994 gestoppt. Die indigene Bewegung hofft, dass der Kongress den Vorschlag, der von den Indios durch die CNPI eingebracht wird, endlich zur Bearbeitung und Abstimmung gelangt.


     


    Das Statut der Indigenen Völker soll indigene Anliegen behandeln, etwa das Recht auf Land, auf Gesundheit, Bildung sowie die Ausbeutung der Wasserkraft und Mineralstoffe in indigenen Territorien.


     


    Brasília, 14. August 2008


    Cimi – Indianermissionsrat

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  • 18/08/2008

    Surto de hepatite atinge comunidade Xukuru

     


     


    Nos últimos dois meses, pelo menos 15 indígenas foram contaminados com o vírus da hepatite tipo “A”, em Pesqueira, Agreste de Pernambuco. Os doentes são da Aldeia de Cimbres, da tribo Xukuru do Ororubá. O surto da doença foi confirmado pela Fundação Nacional de saúde (Funasa). A suspeita é de que a água utilizada pela comunidade indígena esteja contaminada. Exames detectaram que a fonte usada pela aldeia tem um alto índice de coliformes fecais. Outros 35 indígenas fizeram exames para saber se também contraíram a doença. O resultado deve ficar pronto em duas semanas.


     


     

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