• 21/10/2008

    Info-Brief n.838: Indios in Pernambuco protestieren gegen Ermordungen, Kriminalisierung und Bedrohungen gegen ihre Vertreter

    Am 15.10.2008 haben 50 indigene Vertreter von Völkern aus dem Bundesstaat Pernambuco im Rahmen einer Audienz gegen die Ermordungen und die Verfolgungen protestiert. Die Regierenden versprachen Maßnahmen zur Beendigung der Gewalt gegen die Indios.


     


    Die Audienz fand in der Legislativen Versammlung von Pernambuco statt und wurde durch vom Abgeordneten Izaltino Nascimento (PT-PE) in Zusammenarbeit mit der Artikulation der Indigenen Völker vom Nordosten, von Minas Gerais und Espírito Santo (APOINME) initiiert.


     


    Einleitend informierten die Indios über die Gewaltakte gegen die Völker. Lourdes Truká berichtete über die jüngsten Aggressionen gegen ihre Gemeinschaft und verwies auf die Ermordung von Mozeni Truká im August 2008. Er kandidierte als Gemeinderat für Cabrobó. Die Polizei habe das Verbrechen zwar untersucht,  aber die Zusammenhängen mit anderen Gewalttaten außer Acht gelassen. Lourdes erinnerte auch die Ermordung von Dena Truká und seinen Sohn. Die an der Tat beteiligten Polizisten arbeiten bis heute in Cabrobó und schüchtern die Truká ständig ein.


     


    Die Kazikin Dorinha Pankará und die Vertreterin vom Volk Atikum sprachen über die Drohungen seitens der Beamten in Carnaubeira da Penha. Kazike Marcos Xukuru klagte über die Gewalt gegen sein Volk seit Beginn der 1990er Jahre und erinnerte an die Ermordung von Chicão Xukuru, von Chico Quelé, dessen Sohn und anderen Indios. Bei den Ermittlungen wurden einige Vertreter wie Zé de Santa, Zenilda, Aguinaldo und er selbst kriminalisiert, kritisierte der Kazike. Nach dem Anschlag auf ihn im Jahr 2006 wurde er ein Opfer der Anklage. Er und weitere 35 Personen haben vor Gericht ausgesagt. Seit sechs Monaten sind die Xukuru Renildo und Edmilson in Haft. Sie werden der Beteiligung an der Ermordung des Sohnes von Chico Quelé 2007 beschuldigt.


     


    „Es ist schon schwer, dass uns unsere Gegner verfolgen, aber jetzt fühlen wir uns auch durch die Justiz verfolgt“, so Zé de Santa vom Volk Xukuru, Koordinator der APOINME. Der Rat für Menschenrechte des Bundesstaates hat ein Dossier über die Kriminalisierung und die Drohungen gegen die Indios in Pernambuco an FUNAI-Präsident Márcio Meira übergeben. Neben ihm hat auch Fernando Matos, der nationale Koordinator des Programms zum Schutz der Verteidiger der Menschenrechte vom Sondersekretariat für Menschenrechte teilgenommen.


     


    Spät nachmittags hat der Gouverneur von Pernambuco, Eduardo Campos, die Teilnehmer der Audienz empfangen. Er versprach Maßnahmen zum Schutz der Indios, die Einbeziehung von indigenen Vertretern in das Programm zum Schutz der Verteidiger der Menschenrechte sowie mehr indigene Polizisten. Viele Konflikte seien die Folge von Landproblemen betonte Campos. Diesbezüglich kündigte der FUNAI-Präsident die Erhebung aller indigenen Gebiete in Pernambuco an, als Grundlage für die Regelung dieser Territorien.


     


    „Die Vorschläge waren gut und man wird eine Stoßtruppe einsetzen. Wir werden sehen, wie sich die Dinge weiter entwickeln“, kommentierte Zé de Santa die Audienz.


     


    Brasília, 16. Oktober 2008


    Cimi – Indianermissionsrat 

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  • 21/10/2008

    Povo Guarani, um grande Povo! Resistência e luta pela demarcação de suas terras

    Nesta breve reflexão pretendo apresentar algumas das dificuldades, expectativas e reivindicações de comunidades do Povo Guarani que vivem no Rio Grande do Sul, de modo especial na região metropolitana de Porto Alegre. E a questão principal relaciona-se à luta pela terra, considerando que estas comunidades estão submetidas a uma vida de privações e desigualdades, resultante do confinamento em pequenas porções de terras às margens das estradas, em áreas compradas pelo Estado ou cedidas por particulares. Ressalto que este texto não pretende ser um estudo aprofundado sobre aspectos étnicos, culturais e religiosos deste povo, mas pretende vincular esta discussão cultural à incontestável necessidade política de garantia das terras, como condição primordial para assegurar plenamente os direitos deste povo indígena.  


     


    Os Guarani ocupam tradicionalmente as terras que abrangem partes do Rio Grande do Sul (Missões, Pampa, Planalto, Litoral), Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e regiões da Argentina, Paraguai, Bolívia e Uruguai. Neste amplo território, ao longo dos séculos, eles foram perseguidos por colonizadores, caçados, escravizados, exilados e tiveram suas terras invadidas, saqueadas e ocupadas. Nesse processo a Igreja, a serviço dos estados da Espanha, Portugal e depois do próprio Brasil, procurou catequizá-los e torna-los “almas convertidas” e, ao mesmo tempo, “corpos dóceis” para o trabalho, nos moldes do projeto que então se estruturava. A base das relações com os povos indígenas sempre foi colonial, ou seja, sempre se indagou qual a utilidade destes povos e quais as melhores maneiras de explorar sua força produtiva e seus territórios.  


     


    A resistência do Povo Guarani às frentes de ocupação e colonização foi dramática. Milhares de pessoas acabaram assassinadas em guerras, epidemias, confrontos, perseguições, confinamentos religiosos e territoriais. No entanto, apesar dessa prolongada história de desrespeito e violências os Guarani mantém formas coletivas de vida e práticas culturais que os distinguem. Dispersam-se em núcleos familiares, formando pequenas comunidades por diferentes regiões, em contínuo movimento e ocupando de maneiras diversas seus territórios tradicionais. Se antigamente eles eram donos de toda a terra, gradativamente foram empurrados, com uso da violência, para pequenas áreas, mas isso não significa que os vínculos territoriais tenham sido desfeitos.            


     


    Passados séculos, os Guarani se fazem presentes e isso é visto como algo que e incomoda a ordem, que põe em questão a autoridade e a legitimidade daqueles que colonizaram as suas terras. A presença guarani parece incomodar também autoridades, políticos, intelectuais das universidades e, de maneira especial proprietários de grandes e pequenas áreas de terra. Isso porque este povo traz a perturbadora memória de um passado sangrento, mas principalmente porque, no presente, sem grandes alardes ou enfrentamentos diretos, eles lutam por justiça, direitos e dignidade. Eles produzem uma resistência cotidiana ao modelo de sociedade e de economia concebido e construído em estruturas humanas individualistas, excludentes, preconceituosas e egoístas. Permanece este Povo na contramão da sociedade capitalista a bradar, como o grito de Sepé Tiaraju: “alto lá, esta terra tem dono”, ela é de Nhanderu, é de todos os Guarani e deve servir para todos os filhos da terra e não ficar sob o domínio e a posse de poucos privilegiados. Atualmente as terras dos Guarani estão quase totalmente concentradas, loteadas, devastadas, ocupadas por empreendimentos diversos, tais como as grandes propriedades para o monocultivo de eucalipto, pinus, soja, arroz e/ou para a criação de parques, a exemplo do Parque Estadual Itapuã.


     


    Sob uma perspectiva ainda colonial parece não fazer sentido a reivindicação de demarcação de terras para este povo porque isso não traria retorno econômico ou político. Talvez por isso, grande parte dos argumentos contrários à demarcação podem ser resumidos na pergunta: “O que ganharíamos com isso?” E, infelizmente, a resposta a esta interrogação vincula-se a uma lógica econômica e a um modelo unilateral de desenvolvimento, no qual a base de todo investimento é necessariamente sua lucratividade e nunca seu caráter social ou humano.


     


    Onde se localizam as comunidades Guarani no Rio Grande do Sul


     


    A maior concentração populacional Guarani (Mbyá, Ava-Katu-Eté ou Nhandeva-Xiripa) ocorre em cidades ou região próximas de Porto Alegre, missões e litoral. Nas missões, local em que se estruturou, até 1756, uma espécie de “cidade guaranítica” planejada pelos missionários jesuítas, que pretendiam a catequização deste povo, habitavam milhares de famílias e onde hoje vivem pouco mais de 37 famílias, ou uma população não muito superior a 200 pessoas, em uma área denominada de Nhacapetum (Ko’eju), comprada pelo Estado do Rio Grande do Sul com 236,33 hectares .  


     


    Na região de Caçapava do Sul, local das grandes batalhas entre os exércitos de Portugal e Espanha contra o povo Guarani, área denominada de Irapuã, vivem pelo menos 13 famílias num acampamento às margens da BR-290, sendo que reivindicam a demarcação de suas terras há mais de 30 anos e a Funai nada faz para assegurar este direito.


     


    Outra região que foi de ocupação Guarani hoje se constitui em reserva ambiental denominada de Taim (Ita’y). No momento a área não está ocupada por famílias Guarani. A Funai realizou levantamentos preliminares para identificar se ali se constitui em terra deste povo.


     


    Em Pelotas, também às margens de uma estrada, localiza-se a área denominada de Kapi’i Ovy, onde atualmente residem algumas famílias que comercializam seus artesanatos e cestarias.  


     


    Na região de Camaquã existem algumas áreas de ocupação tradicional Guarani, que são a Mata São Lourenço, Pacheca (Ygua Porã), Água Grande (Ka’amirindy), Águas Brancas (Velhaco). Destas áreas, apenas Pacheca (Ygua Porã) foi demarcada pela Funai, com pouco mais de 1.852 hectares , onde vivem cerca de 15 famílias. Água Grande (Ka’amirindy) foi adquirida pelo Estado do Rio Grande do Sul e nela vivem 10 famílias em menos de 165 hectares . A área de Águas Brancas foi delimitada pela Funai com 115 hectares e no momento não há famílias ocupando a referida área que se constitui num grande banhado.  


     


    Em Salto Grande do Jacuí foi demarcada uma área de 234 hectares e onde vivem hoje 30 famílias. A área é pobre em recursos ambientais e o rio, do mesmo nome, que cortava a área indígena está morto em função de uma hidrelétrica.  


     


    Próximo ao Salto do Jacuí está situada a área Estrela Velha (Itaixy). Esta é uma terra de 70 hectares , onde vivem 10 famílias e que foi destinada aos Guarani pela Companhia de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul, no entanto a referida terra está com o procedimento demarcatório em curso, através de GT da Funai.


     


    Próximo a Porto Alegre, existem vários acampamentos e terras reivindicadas pelos Guarani como sendo de ocupação tradicional. Às margens da BR-116, nos municípios de Barra do Ribeiro e Guaíba, há três grandes acampamentos denominados de Passo da Estância, Passo Grande ou Flor do Campo (Nhu Poty) e Petim (Arasaty). Próximo a eles, o Estado do Rio Grande do Sul adquiriu uma área de 202 hectares que foi denominada de Coxilha da Cruz ( Tekoá Porã). Nesta terra, ainda não totalmente regularizada, habitam mais de 20 famílias e nos acampamentos moram mais de 25 famílias. A Funai se comprometeu em criar grupos de trabalho para proceder a identificação e demarcação destas terras, incluindo uma área reivindicada nos municípios de Guaíba e Eldorado do Sul, denominada de Arroio do Conde.


     


    Na cidade de Porto Alegre e nos municípios de Viamão e Capivari estão ocupadas as terras de Lomba do Pinheiro (Anhetengua) – onde vivem 15 famílias, ainda não regularizada e com menos de 10 hectares ; Lami (Pindó Poty) – acampamento onde vivem 08 famílias em menos de dois hectares; Canta Galo (jataity) – homologada com 286 hectares e onde vivem mais de 30 famílias; Itapuã (Pindo Mirim) – não demarcada, mas que foi constituído GT pela Funai para proceder sua identificação, englobando nesta demarcação as áreas da Ponta da Formiga e Morro do Coco, cerca de 15 famílias vivem nas proximidades da terra tradicional em um assentamento de 24 hectares feito pelo Estado do Rio Grande do Sul; área da Estiva (Nhundy) – localizada nas margens da RS-040 em Águas Claras, município de Viamão, área de 7 hectares cedida pelo município e onde vivem mais de 20 famílias; Capivari (Porãi) – acampamento situado no município de mesmo nome onde vivem mais de 12 famílias; Granja Vargas (Yryapu), área adquirida pelo Estado do Rio Grande do Sul de 43 hectares e onde vivem 10 famílias.  


     


    Mais próximo ao litoral estão demarcadas as áreas Barra do Ouro, com mais de 2.266 hectares e onde, pelas condições ambientais, distâncias, clima e relevo, vivem poucas famílias; Varzinha – terra demarcada com 795 hectares e onde vivem 15 famílias; Osório – área adquirida pela Funai, como compensação mitigadora em função da duplicação da BR-101, onde vivem 12 famílias; Riozinho (Itapoty) – área adquirida pelo Estado com 12 hectares e onde vivem 07 famílias; Torres – área adquirida pela Funai com 94 hectares em função de indenização pela duplicação da BR-101 e onde vivem 08 famílias.


     


    Algumas dezenas de famílias habitam terras demarcadas pela Funai para o Povo Kaingang como é o caso de Guarita onde vivem pelo menos 15 famílias de Guarani, em Planalto onde vivem mais de 30 famílias de Guarani, na localidade denominada de Passo Feio e M`baraká Miri,  e na área Guabiroba, no município de Benjamin Constant, vivem 08 famílias. Encontra-se com o procedimento de demarcação em curso a terra indígena Mato Preto, no município de Getúlio Vargas, com mais 4.236 hectares e onde vivem 15 famílias Guarani.


     


    Vale ressaltar que tanto as terras demarcadas como as adquiridas pelo Estado ou através de acordos e compensações, em função da duplicação da BR 101, são insuficientes e na sua maioria com espaços ambientais degradados, não existindo nestas áreas nenhuma perspectiva de futuro para as comunidades. Portanto, é necessário que a Funai proceda os estudos, através de GTs, para a identificação, delimitação e demarcação das terras do Povo Guarani no Rio Grande do Sul.


     


    A realidade: como vivem as famílias Guarani e suas principais reivindicações!


     


    A “busca da terra sem mal” é uma constante na vida dos Guarani. Seguem sua trajetória histórica de resistência e luta, acampados entre as cercas das fazendas e as estradas; andando nas proximidades das grandes cidades; percorrendo caminhos entre um acampamento e outro, entre uma terra demarcada e as tantas por eles reivindicadas; confeccionando seus artesanatos e comercializando-os às margens das rodovias ou nos centros urbanos; coletando matéria prima em “propriedades privadas” para seus trabalhos manuais ou para manutenção de seus barracos de beira de estrada; plantando pequenas roças de milho, batata, mandioca, melancia, abóbora, amendoim; criando pequenos animais como porco, galinha, pato.


     


    Nestes pequenos espaços de terras que lhes restaram, eles vivenciam sua cultura, suas crenças, língua e tradições, em íntima relação com o sagrado, com o que lhes dá esperança de viver, apesar de toda uma existência de sofrimento e perdas. Resistem, apesar de todas as influências e imposições da sociedade dominante, de aparatos de Estado, das leis e de uma cultura excludente. 


     


    Eles vão tecendo laços de parentesco e entre-ajuda, convivem, partilham, sonham, protegem uns aos outros, mantém em segredo seus mais sagrados conhecimentos e crenças, como fonte de vida futura, ritualizando acontecimentos cotidianos. Conhecem um Deus que lhes quer sempre Guarani, um Deus que, através deles, pretende mostrar ao mundo que é possível pensar sociedades alternativas a esta que domina e oprime, a sociedade dos juruá (dos brancos). Com suas formas de viver e de pensar, os Guarani colocam em questão esta nossa sociedade, intolerante ao diferente, fundada no desejo de concentração de bens materiais, nossa cultura pensada para fortalecer o individualismo nas relações entre pessoas, nas relações econômicas, políticas, jurídicas, religiosas e educacionais.  


     


    Entre as dificuldades enfrentadas pelas comunidades Guarani, destacam-se as seguintes: eles ocupam apenas pequenas porções de terras, insuficientes até mesmo para a subsistência alimentar, sem água potável, sem saneamento básico e afetados por rios e lagos contaminados e poluídos. Dependem, para a sua alimentação, essencialmente de doações e cestas básicas, quando estas são fornecidas pelo Estado ou pelos municípios e sofrem com a omissão e ausência dos órgãos de assistência federal. A eles são destinadas políticas públicas fundamentadas no assistencialismo e não nos direitos constitucionais, sendo a política fundiária embasada numa perspectiva compensatória e restritiva de seus direitos territoriais e culturais. Exemplo disso é a política paliativa de compra de terras, ao invés de demarcação de terras conforme prevê a Constituição Federal. Sofrem também a ingerência de departamentos e secretarias do Estado do Rio Grande do Sul nas discussões sobre demarcação de suas terras e de políticas diferenciadas.  


     


    Alguns segmentos da sociedade civil, de universidades e também funcionários do Estado fomentam a idéia de que os Guarani podem viver em pequenas áreas, bastando, para isso, o estabelecimento de acordos com proprietários de terras próximas aos locais onde eles estão assentados ou acampados, possibilitando-lhes o uso dos recursos existentes nas terras destes proprietários.


     


    O mesmo pretendem com relação ao uso de áreas decretadas como parques ou reservas ambientais, ou seja, ao invés do reconhecimento de que estes parques se sobrepõem às terras indígenas, o que se propõem é a concessão para os Guarani utilizarem os espaços de “preservação ambiental”, mediante acordos estabelecidos sob as regras de nossa sociedade, em terras que tradicionalmente lhes pertencem. Isso porque, para determinados segmentos da sociedade os Guarani não precisam de terra demarcada e sim de convenientes pactos que não coloquem em questão as bases da propriedade privada da terra. Poderíamos perguntar para quem estes acordos são mais convenientes, dado que não se nega a tradicionalidade da ocupação guarani nesta região.  


     


    Na contramão dessas soluções mais “confortáveis”, as comunidades reivindicam hoje: demarcação das terras de ocupação tradicional; assistência planejada, digna, diferenciada; participação nas discussões sobre as políticas públicas; cuidado com o meio ambiente; respeito para com sua cultura e suas terras; espaços públicos para comercialização de seus produtos e artesanatos.  


     


    Os Guarani, apesar de todas as ingerências, consolidam movimentos de luta pelo direito de terem, dentro de seu grande território tradicional, terras demarcadas pelo poder público. Não pretendem que o Estado lhes faça concessões ou favores, querem apenas que seus direitos constitucionais e originários sejam devidamente assegurados. Aguardam que o poder público demarque as áreas por eles apontadas como importantes para seu futuro. No entanto, a morosidade, a negligência e as promessas não cumpridas têm sido a tônica do órgão indigenista nos últimos anos.


     


    Como superar os obstáculos impostos por um país e por uma sociedade que cria leis que não são cumpridas e que cria mecanismos para interpretar tais leis tendo em vista o benefício de alguns à custa da miséria e do sofrimento da ampla maioria que vive sem terra, sem água, sem emprego, sem lazer, sem abrigo? Como lidar com os poderes de Estado que desrespeitam a dignidade das pessoas, que não promovem assistência adequada em saúde, educação, que não asseguram o direito a diferença como a Constituição Federal preconiza? Como os Guarani podem confiar em leis, pessoas, estruturas políticas que promovem a destruição das terras, dos rios, das matas e das culturas diferentes? Como se relacionar com uma sociedade que trata mal as crianças e os velhos, que não têm respeito ao Deus da vida? Estas perguntas os Guarani fazem insistentemente na relação que estabelecem com os juruá.  


     


    Estas indagações mostram que o problema que temos a enfrentar é muito mais profundo do que a demarcação (ou não) das terras indígenas. Trata-se de pensarmos qual mundo, qual sociedade, qual homem pretendemos constituir, e de definirmos quais valores consideramos indispensáveis para nortear as relações entre as pessoas e as diferentes culturas, mediando nossas escolhas por valores econômicos ou por valores sociais e humanos.


     


    Porto Alegre (RS), 21 de outubro de 2008.


     


    Roberto Antonio Liebgott


    Membro da Equipe do Cimi Sul – Porto Alegre e Vice-Presidente do Cimi


     

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  • 20/10/2008

    Declaración de la Asamblea de los Movimientos Sociales



    III Foro Social de las Américas


    Iximulew, Guatemala, 11 de octubre de 2008


     


    En el marco del III Foro Social Américas, realizado del 7 al 12 de octubre de 2008, nos hemos reunido en Iximulew en la Asamblea de los Movimientos Sociales, representantes  de organizaciones indígenas, campesinas, de mujeres, sindicalistas, pobladores(as), migrantes, artistas, LBGTI, jóvenes y niños(as), entre otros sectores. La gloriosa y tricentenaria Universidad de San Carlos de Guatemala ha sido la sede principal de este Foro. Hemos llegado de todo el continente y de tierras más lejanas. Nos hemos reunido para compartir nuestras experiencias de resistencia y lucha; nuestras demandas y nuestras propuestas; para conocernos y/o reconocernos; para avanzar colectivamente en la construcción de otra América posible y necesaria.


     


    Somos partícipes de un momento histórico y decisivo para la humanidad. En estos días se ha hecho evidente el fracaso del sistema capitalista que desde los movimientos sociales hemos venido advirtiendo desde hace mucho tiempo. Vivimos momentos marcados por el desplome


    del sistema financiero internacional; que ha evidenciado el carácter especulador y expoliador del capitalismo y ha desenmascarado la falta de moral y de transparencia de los grandes capitales. No solo se trata de una crisis financiera, sino también alimentaria, energética, medioambiental y ética que amenazan con arrastrar a la humanidad hacia inéditas situaciones de calamidad social y económica. El sistema capitalista ha generado cada vez más exclusión,


    marginación, violencia y efectos irreversibles en la vida del planeta como el calentamiento global.


     


    Vivimos también el empuje de la lucha de los movimientos sociales, que tiene como eje central la lucha por la derrota definitiva del neoliberalismo, y que se expresa en una agenda de lucha y resistencia plural: como la lucha contra la militarización, contra los planes del imperio como: la


    Iniciativa Mérida, el Plan Colombia, el ASPAN, las bases militares, la Escuela de las Américas, la Cuarta Flota. Exigimos el cierre definitivo de las bases militares norteamericanas y


    la cancelación inmediata de la IV Flota.


     


    Resistimos a las nuevas formas de apropiación de los recursos naturales, como la minería a cielo abierto, las hidroeléctricas y los mega proyectos, la asignación de las mejores tierras para la producción de agrocombustibles y del agronegocios, las tendencias de apropiación y privatización de nuestras fuentes de agua, la concentración de la propiedad y el despojo de los campesinos e indígenas de sus recursos.


     


    Seguimos resistiendo la ofensiva neoliberal de los tratados de libre comercio tanto de Estados Unidos como de Europa, asimismo seguimos resistiendo al poder expoliador de las transnacionales en el continente. Avanza nuestra lucha contra la deuda externa que la consideramos inmoral e ilegítima por lo que reiteramos que nuestros pueblos no tienen por qué pagarla.


     


    Resistimos a la criminalización y represión de la lucha de los movimientos sociales por lo que llamamos a fortalecer la denuncia, la articulación popular y la solidaridad con todos(as) los(as) que sufren represión y persecución. Pero no sólo resistimos, estamos viviendo un tiempo


    de cambio en el que nuestros pueblos avanzan en la construcción de un modelo alternativo, saludamos la victoria popular de nuestros hermanos y hermanas de Ecuador.


     


    Estamos junto a la lucha de los pueblos originarios de nuestro continente que exigen la refundación de los Estados de herencia colonial reconociendo su carácter plurinacional, base de “El Buen Vivir” que nos enseña a desarrollarnos a la par del tiempo y de la madre naturaleza. Frente al terrorismo mediático llamamos a unir esfuerzos para construir una agenda común hacia la democratización de las comunicaciones, por fortalecer las iniciativas de


    comunicación transformadoras y por el derecho a la comunicación.


     


    Ratificamos nuestro compromiso en la lucha de los pueblos y comunidades indígenas y campesinas por la Reforma Agraria Integral y la Soberanía Alimentaria. Ratificamos nuestra oposición a la flexibilización laboral y nos pronunciamos por la defensa irrestricta de los derechos laborales de los y las trabajadores(as) del continente.


     


    Reafirmamos el derecho de las mujeres a decidir con libertad sobre sus vidas, cuerpos, sexualidades y territorios que habitan, con sus riquezas naturales y culturales.


     


    Reafirmamos que la autonomía de las mujeres es condición para construir relaciones igualitarias en una nueva izquierda en las Américas libre de lacras del patriarcado. Por lo que nos pronunciamos por un pacto ético de no violencia y equidad.


     


    Nos reconocemos en los principios de cooperación, complementariedad y solidaridad de la Alternativa Bolivariana para los pueblos de las Américas (ALBA) comprometiéndonos en seguir avanzando en una integración desde abajo.


     


    Reiteramos nuestra solidaridad militante con la lucha del pueblo boliviano por la construcción de una nueva sociedad pluricultural y plurinacional. Condenamos el racismo de la oligarquía boliviana. Llamamos a defender el derecho inalienable a la autodeterminación del pueblo boliviano.


     


    Ratificamos nuestra solidaridad con la heroica revolución cubana, condenamos y exigimos el levantamiento inmediato del bloqueo y nos comprometemos a seguir luchando por la liberación inmediata de los 5 héroes cubanos presos en cárceles de Estados Unidos.


     


    Nos solidarizamos con la lucha del pueblo de Haití por su autodeterminación y exigimos el retiro inmediato de la MINUSTAH y el reemplazo por misiones de solidaridad y cooperación, así como la cancelación de su deuda externa.


     


    Nos solidarizamos con el pueblo venezolano en su lucha contra el imperio y por el derecho a su autodeterminación. Exigimos la derogatoria de la Directiva de Retorno de la Unión Europea y nos pronunciamos por el libre tránsito de las personas, como un derecho humano.


     


    Rechazamos cualquier forma de desalojo de comunidades indígenas y campesinas ya que atenta contra los derechos fundamentales de los pueblos. Ratificamos nuestra lucha contra la impunidad y el olvido en nuestro continente.


     


    Acciones Globales y Hemisféricas a impulsar por los Movimientos Sociales:


    Día de Acción Global contra la Minería Tradicional, cuya fecha se anunciará oportunamente.


    Semana de Acción Global contra la Deuda y las Instituciones Financieras Internacionales, del 12 al 19 de octubre de 2008.


    Impulsar la creación del Consejo Continental de Niñez y Juventud de Abya Yala, con la articulación, representación y participación de la Niñez y Juventud de pueblos y nacionalidades indígenas.


    Movilización Continental por la Soberanía Alimentaria y contra el Hambre, impulsado por la CLOC y la Vía Campesina, el 16 de octubre de 2008.


    Encuentro de Movimientos Sociales en Solidaridad con Bolivia, del 23 al 25 de Octubre en Santa Cruz, Bolivia


    Campaña en los Estados Unidos de América contra el muro y la militarización, 25 de octubre de 2008.


    Reunión de organizaciones de Latinoamérica y el Caribe convocada por organizaciones brasileñas y la ASC, en Salvador de Bahía, diciembre de 2008.


    Actividad paralela a la Convocatoria del Gobierno Brasileño a una cumbre ampliada de MERCOSUR y gobiernos latinoamericanos y del Caribe.


    50 Aniversario de la Revolución Cubana, 1 de enero de 2009. Celebración en todos los países y frente a las Embajadas de los Estados Unidos de América.


    Foro Social Mundial de Belem, enero de 2OO9.


    Foro Latinoamericano contra la Minería, en Ecuador en 2009.


    Campaña birregional contra el Acuerdo de Asociación entre la Unión Europea y América Latina


    Día contra la guerra, el militarismo y por la autodeterminación de los Pueblos que caminan a la emancipación, 15 de marzo de 2009.


    1 de Mayo, Día de los Trabajadores y Trabajadoras, dedicado a la lucha por los derechos de los trabajadores migrantes y sus familias.


    IV Cumbre Continental de los Pueblos y Nacionalidades Indígenas, Puno, Perú, del 27 al 31 de mayo de 2009, Durante este Cumbre se desarrollará la Primera  Cumbre de mujeres, juventud y niñez.


    Acciones de rechazo a la Cumbre de las Américas, en Trinidad y Tobago en abril de 2009,  donde los gobiernos de la región intentarán resucitar el ALCA.


    Campaña Latinoamericana “Los y las Artistas no comemos de aplausos” iniciada en el marco del III Foro Social Américas.


    Foro Permanente Continental de Arte y Cultura, a partir de referentes locales, iniciada en el marco de este Foro.


    Jornada de lucha Continental Magisterial, 15 de mayo de 2009.


    Campaña para impulsar que el caso de Puerto Rico sea visto en la Asamblea General de las Naciones Unidas, el 23 de septiembre de 2009.


    Acción Global de la Marcha Mundial de Mujeres, año 2010.


    Sumarnos al proceso de construcción de la Vía Urbana y de la Asamblea Mundial de Habitantes para el año 2011.


     


    OTRA AMERICA ES POSIBLE Y NECESARIA


     GLOBALICEMOS LA LUCHA – GLOBALICEMOS LA ESPERANZA

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  • 20/10/2008

    Manifestação pela soberania alimentar e energética e contra a criminalização da pobreza

    O ato reuniu, segundo informações da polícia, 400 pessoas, e percorreu da Praça Sete até a CEMIG.


    Como forma de exigir melhores condições de vida, o direito a uma alimentação saudável, o direito a uma energia barata, soberania e a erradicação da pobreza, diversos movimentos sociais, organizados na Assembléia Popular, na Marcha Mundial de Mulheres e na Via Campesina, realizaram hoje passeata que saiu da Praça Sete, passou pela Secretaria de Defesa Social, Prefeitura, Tribunal de Justiça e Cemig.


    A primeira parada foi na Secretaria de Defesa Social e visava denunciar a ineficácia e inoperância da Secretaria. Os manifestantes denunciaram na porta, através de discursos e cartazes, o não atendimento das famílias de pessoas em privação de liberdade. Que deveria se alvo de política da secretaria.


    Num segundo momento, os manifestantes denunciaram o déficit habitacional, que atingiu número recorde esse ano. As moradoras da ocupação urbana denominada Camilo Torres, do bairro Jatobá, exigiram a desapropriação do terreno que ocupam desde 2007. Os moradores do Bairro Jardim Felicidade, reivindicaram o recebimento dos títulos de suas casas, um direito já reconhecido e prometido a mais de 20 anos pela Prefeitura.


    Na passagem pelo Tribunal de Justiça os movimentos sociais cobraram a punição dos assassinos dos 5 sem terra na chacina ocorrida em 2005 na cidade de Felizburgo. Foi lembrado ainda a situação das 2.000 mulheres que estão sendo indiciadas pela justiça do Mato Grosso do Sul por terem feito aborto. A criminalização da pobreza e dos movimentos sociais também foi abordado pelo manifestantes, que traziam cartazes, faixas e panfletos sobre o assunto. A manifestação só saiu do local após o protocolo de uma carta com todas essas denúncias.


    A manifestação terminou na porta da Cemig com o protocolo de centenas de auto declarações solicitando a Tarifa Social, regulamentação do governo federal que não vem sendo cumprida pela Cemig. As auto declarações foram protocoladas e houve o comprometimento por parte da Cemig de atender ao cadastramento das famílias. Mesmo debaixo de muita chuva, não foi permitido aos participantes da passeata a entrada na Cemig, ainda assim, esses não arredaram o pé, enquanto não tiveram suas reivindicações atendidas.


    Mais informações com Bernadete Monteiro – 9959 2658.

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  • 20/10/2008

    Seminário “Realidade Sócio Ambiental da Fronteira”


     

    Encerrou-se domingo (19) o seminário “Realidade Sócio Ambiental da Fronteira”, que aconteceu desde quinta-feira,16,  no Centro de Formação “Frei Ciro”, na cidade de Tabatinga (AM). Participaram cerca de 100  lideranças indígenas, ribeirinhos, dirigentes de entidades e movimentos sociais do Brasil, Peru e Colômbia.


    Ao mesmo tempo em que se realizou o evento no lado brasileiro, em várias partes da Colômbia indígenas promoveram protestos pela demarcação de suas terras e retirada de grandes empresas mineradoras. Conforme relatou Manuel Suña, representante da Asociación de Cabildos Indígenas del Trapecio Amazonico – Acitam, na  última terça-feira, 14, em conflito com policiais foram mortos 27 indígenas e outros cem ficaram feridos. O incidente ocorreu na rodovia Panamericana, na região localizada entre as cidades de Medellin (Antioquia) e Popayán, no departamento de Cauca, distante 800 quilômetros de Bogotá, aproximadamente.


    Os manifestantes permanecem no local a espera do presidente colombiano Álvaro Uribe. Desde que fecharam a rodovia Panamericana, eles quiseram negociar diretamente com o presidente daquele país. “O presidente Uribe enviou um representante para conversar com os indígenas, mas eles querem dialogar diretamente com o presidente”, diz Manuel Suña.


    Também no Peru as lutas indígenas tem se intensificado nos últimos meses. Lá eles travam batalhas contra madeireiras e mineradoras. Não há leis de proteção aos direitos indígenas no País, por isso as comunidades também se levantam contra projetos leis que tramitam no congresso peruano favorecendo a exploração nos seus territórios. No departamento de Loreto, na Amazônia peruana, 98 por cento das terras indígenas estão loteadas por mineradoras e madeireiras, informa Jose Carlos Herrera Valenzuela, representante da Red Ambiental Loretana.


    Como forma de pressão aos congressistas, os indígenas fecharam vários poços petrolíferos. As companhias que exploram as jazidas são de propriedade de peruanos, financiadas por grupos estrangeiros, explica Herrera. “A aprovação das leis legalizando a exploração petrolífera é um atentado contra os direitos humanos. Há muitos povos que já estão sendo afetados e que correm o risco de perder seus territórios para as empresas petrolíferas”, relata ele. 


    Documento – Para sensibilizar a sociedade e cobrar dos governos políticas públicas na região fronteiriça os participantes do seminário “Realidade Sócio Ambiental da Fronteira” divulgaram o documento ao final do evento. Eles querem dos governantes o compromisso para proteção dos territórios indígenas, assistência às comunidades ribeirinhas e preservação do meio ambiente. Lideranças do Brasil denunciaram a falta de assistência aos povos do Vale do Javari (Oeste do Amazonas), mortes por doenças e querem proteção aos indígenas sem contato, dentre outras reivindicações.

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  • 20/10/2008

    20 anos da Constituição: debate na UFSC

     


     


    Os 20 Anos da Constituição Federal e os direitos indígenas serão debatidos amanhã (21), durante um seminário no auditório da Reitoria, na Universidade Federal de Santa Catarina. Estarão presentes a Sub-Procuradora Geral da República e Coordenadora da 6ª Câmara de Comissão e Revisão – Índios e Minorias do MPF, Deborah Duprat; o assessor jurídico do Cimi, Paulo Machado Guimarães; a Procuradora da República em Florianópolis, Analúcia Hartmann; lideranças indígenas de Santa Catarina – Kaingang, Guarani e Xokleng e Professores da UFSC.  O evento terá início as 9h com término previsto para as 17h. É aberto a todos os interessados e não será cobrada taxa de inscrição.


     


    A primeira mesa. No período matutino, discutirá as mudanças que ocorreram no marco legal, na concepção de indígena e no novo ordenamento jurídico. O fim da tutela e o reconhecimento da organização social dos indígenas é considerado como um dos fatores centrais desse novo ordenamento.


     


    No período vespertino serão debatidas as implicações da aplicação da Constituição Federal para as comunidades indígenas bem como o debate sobre a implementação da legislação Infra-Constitucional. As terras indígenas que deveriam ter sido demarcadas até 1993, conforme estabelece o Art. 67 das Disposições Constitucionais Transitórias, continuam gerando muita tensão e conflitos no estado e em todo Brasil. O Estatuto dos Povos Indígenas, que regulamenta a Constituição Federal no tocante aos direitos indígenas, está paralisado no Congresso Nacional há exatos 14 anos.


     


    O seminário está sendo organizado pela Comissão Guarani Nhemonguetá; Comissão de Apoio aos Povos Indígenas; Conselho Indigenista Missionário; Conselho de Missão junto com Povos Indígenas; Departamento de Antropologia, História, Direito e Museu Universitário da UFSC.


     


     


    Contato – Marina – Conselho Indigenista Missionário e p/ Organização do Evento


    [email protected] – 91616245


     

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  • 20/10/2008

    20/10/2008 – Romaria das Águas reúne 5 mil pessoas em Sobradinho


    Cinco mil em Sobradinho


     


    Roberto Malvezzi (Gogó)


                Cinco mil pessoas caminharam das 8 da noite do sábado até às 4 da manhã do Domingo em Sobradinho. Era a Romaria das Águas e a entrega do prêmio de direitos humanos da Pax Christi International a D. Luis Cappio. Terminamos às margens do São Francisco, repartindo o pão. Caminharam conosco D. Cappio, D. Tomás Balduino, Gilberto Miranda (Movimento dos Artistas), Laura Vargas (representante da Pax Christi), representantes de igrejas, movimentos, de índios, quilombolas, pescadores. Uma caminhada bonita, com música, sob o luar do sertão e do brilho da Via Láctea.


                Poucos metros à frente estava o Exército, ocupando a parede da barragem de Sobradinho. É surrealista que um governo coloque continuamente o Exército para assustar índios, quilombolas, ribeirinhos, trabalhadores rurais, lideranças que sempre votaram nesse governo. Talvez seja uma forma nobre de responder a todos aqueles que se rebelam contra uma obra injusta que faz como vítima – sempre – exatamente os setores mais oprimidos da história do Brasil em todas as épocas.


                Enquanto caminhávamos aqui os franciscanos entregavam a Lula uma carta contra o etanol e a transposição do São Francisco. Sinal que os irmãos de Francisco estão afim de recuperar o carisma de seu fundador.


                A festa continua, a caminhada também. Dias de reflexão sobre o futuro desse país e da humanidade virão necessariamente, por bem ou por mal. O cérebro ossificado dos governantes atuais e do grande capital não tem futuro. Podem ter certeza, nós estaremos presentes e a defesa do São Francisco não é moda passageira. Água para todos os nordestinos e comida na mesa do povo continuam nossas bandeiras irrenunciáveis. Na hora certa voltaremos.

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  • 20/10/2008

    Descomprometimento da Funasa leva à desnutrição infantil de indígenas no Paraná

    Localizada no município de Terra Roxa, na região Oeste do Paraná, a Aldeia Tekoha Araguaju do Povo Guarani passa por muitas dificuldades, dentre elas, a falta de terra, água potável e alimentação adequada. Cerca de 60 pessoas, sendo 27 crianças, vivem acampadas em menos de dois hectares da terra tradicional que reivindicam há mais de dois anos.


     


    A Funasa vem se negando sistematicamente a providenciar atendimento à saúde na aldeia e a instalação de água potável para a comunidade. Em função disso, os Guarani são obrigados a consumir água contaminada do Rio Paraná, o que tem provocado fortes e freqüentes surtos de diarréia em crianças e adultos, agravando ainda mais a situação vivida pelos mesmos. O caso mais grave identificado é o da pequena Liliane que, com pouco mais de dois anos de idade, se encontra em grau avançado de desnutrição. Liliane não caminha, possui abdômen distendido e olhar triste. Segundo relato da mãe, “ela era uma criança alegre, que corria para todos os lados, mas depois que ficou doente, deixou de caminhar, vive só no colo ou na cama”.


     


    Com base em relatórios, denúncias e documentos feitos pelos Guarani e pela Equipe Paraná do Conselho Indigenista Missionário, Regional Sul, o Ministério Público Federal de Umuarama, ingressou com Ação Civil Pública pedindo, entre outras coisas, que a Justiça Federal obrigue a Funasa a prestar atendimento adequado aos Guarani. Em audiência realizada no âmbito da referida Ação, a procuradora da Funasa tentou justificar a inoperância da instituição que representa pelo fato da terra não estar regularizada administrativamente. Ao ser questionada pelo Juiz Federal sobre a situação em que se encontra a menina Liliane, a procuradora tratou o caso como um “detalhe” que não constou em seu relatório.


     


    A despreocupação da Funasa com os “detalhes” tem gerado mortes e situações de total desrespeito aos direitos dos povos indígenas no Brasil. O Conselho Indigenista Missionário confia que a decisão judicial a ser tomada no âmbito da Ação Civil Pública em curso seja capaz de tirar a Funasa de sua insensível inércia político-administrativa, respondendo, dessa forma, com a urgência que a situação exige, às necessidades e direitos dos Guarani.


     


    Guarapuava (PR), 19 de Outubro de 2008.


     


    Cimi Sul – Equipe Paraná


     

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  • 17/10/2008

    Entre dez libertados do corte de erva mate em SC, cinco são índios

    Trabalhadores eram mantidos por meio de dívidas, contraídas na compra de alimentos e ferramentas. Alojamento era irregular e não havia sanitários. Cinco dos dez trabalhadores eram da Terra Indígena Xapecó, em Ipuaçu (SC)


    Por Bianca Pyl

    O grupo móvel de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) libertou dez trabalhadores submetidos à escravidão na Fazenda Vista Alegre, em General Carneiro (PR). Cinco deles tinham migrado de Clevelândia, também no estado do Paraná, e os outros cinco, do povo Kaingang, vinham da Terra Indígena Xapecó, em Ipuaçu (SC).

    Aliciados por um “gato” – contratador que atua como intermediário dos donos da propriedade – conhecido como Chico, eles eram submetidos a um esquema de endividamento antes mesmo de iniciar o corte de erva-mate. O proprietário mantinha um acordo com o comerciante para o qual os empregados deviam. O “gato” levou os trabalhadores até Ponte Serrada (SC) antes mesmo do início das atividades para que eles próprios adquirissem alimentação e ferramentas.


    No final do mês, os trabalhadores “ganhavam uma carona do dono do mercado” para voltar para casa e assim eram obrigados a pagar o que deviam. “Era uma forma de garantir o recebimento mensal dos empregados”, relata Luize Surkamp Neves, auditora fiscal e coordenadora da fiscalização. Os funcionários recebiam por produção e, com os descontos da dívida ilegal, os sálarios ficavam bem abaixo do mínimo – em torno de R$ 120 a R$ 200.

    Segundo Gláucio Araújo de Oliveira, procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT), o dono da fazenda foi autuado no Art. 149 do Código Penal e deverá responder na Justiça pelo crime de trabalho escravo.

    Para chegar até o local, os fiscais fizeram um rastreamento prévio das áreas de cultivo das folhas que são utilizadas para o preparo do chimarrão. “Fomos procurando porque sabemos que as condições de trabalho no corte de erva-mate, geralmente, não respeitam a legislação brasileira”, conta Luize. O grupo móvel chegou no local dia 18 e só encerrou a ação em 26 de setembro.

    Os dez libertados estavam no local desde o início do corte de erva-mate, que começou em junho. Todos ficavam alojados em barracas de chão batido só com a cobertura de lonas plásticas. Dois ou três trabalhadores dividiam cada barraca, que também tinha um espaço com fogão.

    Os funcionários improvisavam a cama com madeira encontrada na mata e o colchão era do trabalhador, assim como os equipamentos de proteção individual (EPIs) e as ferramentas. O corte de erva-mate exige o uso de botas de proteção, cinto de segurança e capacete porque os trabalhadores sobem na árvore para colher a erva.

    No local também não havia instalações sanitárias e os funcionários usavam a água de um rio próximo para beber, tomar banho e preparar as refeições. Faz muito frio na região: a temperatura chega a cair abaixo de zero.

    Segundo Luize, o proprietário da fazenda acompanhou a fiscalização e pagou as verbas rescisórias. Foram lavrados 12 autos de infração. Os trabalhadores voltaram para suas cidades de origem e irão receber o seguro-desemprego para trabalhador resgatado


    Muitas empresas não cultivam a erva-mate e a compram de locais onde ela é cultivada na forma nativa, como em General Carneiro. O dono da área vende a erva, mas não se responsabiliza pelo corte. “Mas nós entendemos que é de responsabilidade do fazendeiro retirar a erva vendida”, explica Gláucio. O procurador conta que muitas vezes a empresa nem vê a área, ela usa um olheiro para encontrar o local, que também fica responsável por negociar com o fazendeiro e encontrar a mão-de-obra que fará o corte da erva. “Nesse caso, o aliciador era amigo do dono da fazenda. O gato também poderá ter alguma punição criminal, mas não trabalhista”, disse.


    Segundo a auditora, essa situação se repete nessa atividade. “No ano passado fizemos um trabalho de fiscalização muito focada no corte de erva mate em Santa Catarina. Aí percebemos que muitas empresas passaram a cortar no Paraná para driblar a fiscalização”, explica.

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  • 17/10/2008

    5ª Romaria das Águas será realizada neste sábado na Bahia

     


    No próximo sábado (18), será realizada a 5° Romaria das Águas, quando os participantes seguirão para as margens do Rio São Francisco, ao pé da Barragem de Sobradinho, na Bahia. Estão programadas apresentações musicais na madrugada de domingo após o encerramento.


     


    Durante a programação da Romaria, será feita a entrega do Prêmio pela Paz da Pax Christi Internacional ao bispo Dom Luiz Cappio e às organizações e movimentos sociais, povos e comunidades tradicionais, envolvidas na luta pela revitalização e contra o projeto de transposição das águas do rio São Francisco.


     


    A vice-presidente da Pax Christi Internacional, Laura Vargas Valcárcel, estará no Brasil para fazer a entrega do prêmio a Dom Cappio e a representantes do povo, como expressão do reconhecimento e incentivo à continuidade da luta popular em defesa das águas, da terra e de toda a vida.


     


    Está prevista também, durante o sábado, a Jornada Mundial de Jejum pela Paz e Soberania Alimentar, em Sobradinho (BA). Nesse dia, Dom Cappio e várias pessoas ao redor do mundo irão jejuar, chamando a atenção para a tendência mundial em concentrar a produção agrícola em grandes empresas e com altas tecnologias em detrimento da produção alimentar e da agricultura camponesa. O gesto questiona também o modelo de consumo egoísta e alienado.


     


    Hoje (17), será realizado durante todo o dia o Seminário “Revitalizar o Rio para a Vida em Paz”, no Centro Comunitário Antônio Conselheiro, com a participação de 100 pessoas da região, representantes das organizações populares e movimentos sociais. À noite, haverá uma Celebração Eucarística, na Capela de São Francisco. Depois, haverá apresentações artísticas regionais e exibição de filmes sobre a luta de São Francisco.


     

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