• 24/10/2008

    Apoio ao índios Tupinambá, no sul da Bahia

    Olinda, 23 de outubro de 2008.


     


     


    OFÍCIO 48/08 APOINME


     


    A Sua Senhoria o Senhor,


    MÁRCIO MEIRA – PRESIDENTE DA FUNAI


    TARSO GENRO – MINISTRO DA JUSTIÇA


    DÉBORA DUPRAT – 6ª CÂMARA


    PAULO DE TARSO VANNUCHI – SECRETARIA NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS


    MARILIA MURICY – SECRETÁRIA DE JUSTIÇA, CIDADANIA E DIREITOS HUMANOS/BA.


    FDDI/APIB


     


     


                A Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo – APOINME – vem através deste tornar público a situação que os índios TUPINAMBÁ de Olivença e Serra do Padeiro estão enfrentando no momento. A comunidade Tupinambá de Olivença foi despejada ontem de suas terras e se encontra hoje na Administração da Funai em Ilhéus. Hoje pela manhã a Polícia Federal entrou na comunidade Tupinambá de Serra do Padeiro com um mandado de busca e apreensão, invadiu salas de aula e destruíram bebedores de água, carteiras sem respeitar alunos e professores que lá se encontravam. Alguns índios foram espancados como é o caso da índia Glicélia que sofreu várias agressões. O índio Rosivaldo, o cacique Babau se encontra desaparecido, pois a polícia quer prendê-lo alegando que o mesmo destruiu um carro da policia e atentou contra a vida dos policiais.


               


    Os Tupinambá contam com o nosso apoio institucional e para isso queremos tornar público que nada os impede de se assumirem enquanto indígenas e ocuparem seu território tradicional, visto que, a Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho) no artigo 1º parágrafo segundo diz que a auto – afirmação como indígenas ou tribais será considerada como critério fundamental para definir os grupos aos quais se aplicam as disposições da presente declaração e também a  recente Declaração da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre os Direitos dos Povos Indígenas adotada em 13 de setembro de 2007, no seu artigo 3 diz que os Povos Indígenas têm direito à livre determinação. Em virtude desse direito determinam livremente sua condição política e perseguem livremente seu desenvolvimento econômico, social e cultural. Para tanto exigimos que esse direito seja respeitado já que a Constituição Federal assim o garante em seu Art.231 – São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo a União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos seus bens. E dando uma maior ênfase ao seu Parágrafo 5º do mesmo Artigo que relata justamente o que está acontecendo com o povo TUPINAMBÁ que tem a seguinte redação Art.231 Parágrafo é vedada a remoção dos grupos indígenas de suas terras, salvo, ad referendum do Congresso Nacional em caso de catástrofe ou epidemia que ponha em risco sua população, ou no interesse de soberania do país, após deliberação do Congresso Nacional, garantindo, em qualquer hipótese, o retorno imediato logo que cesse esse risco. Com base na legislação citada a Instituição APOINME que é um fiscalizador natural das políticas públicas voltadas para as comunidades indígenas conforme Capitulo II, Art.3, V do seu estatuto, solicita providências cabíveis das autoridades acima citadas frente ao cenário de agressão, perseguição e criminalização que as lideranças Tupinambá estão enfrentando.


      


     


    Atenciosamente,


      


    MANOEL UILTON DOS SANTOS


    COORDENADOR GERAL DA APOINME


     

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  • 24/10/2008

    Peru: Paralisação indígena chega ao quarto dia

     



    As principias vias que ligam a região Puno com outras localidades do sul do Peru continuam bloqueadas por camponeses e indígenas que realizam uma paralisação desde a última segunda-feira (20) para protestar contra o Estado peruano. Organizações camponesas exigem a derrogatória dos decretos legislativos aprovados pelo governo para implementar o Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos.


     


    Durante o primeiro dia de protesto, pelo menos dez camponeses de Cuzco foram detidos quando realizavam manifestações nas vias de acesso à zona de Maranganí. Grandes mobilizações nas províncias de Canchis e Quipicanchis, em Cuzco, estão sendo realizadas por camponeses de diversas localidades.


     


    Os dirigentes das comunidades originárias Aymaras e Quéchuas afirmam que a medida de força vai continuar até que o governo atenda suas demandas. Além dos decretos para a implementação do TLC com os Estados Unidos, eles protestam contra a concessão para atividades mineiras e petrolíferas. Exigem também a revisão e a anulação das concessões já outorgadas pelo governo.


     


    Centenas de camponeses se reúnem na província fronteiriça de Yunguyo, em Puno, para iniciar em breve uma marcha em direção a Ilave. A marcha é um protesto em demanda por um justo julgamento contra dois dirigentes de Huacullani, que, segundo os camponeses, foram condenados a 20 anos de prisão por defender os direitos de seus povos.


     


    A Associação Interétnica de Desenvolvimento da Selva Peruana (AIDESEP), a Coordenação Nacional de Comunidades afetadas pela Mineração (Conacami) e a Coordenação Andina de Organizações Indígenas (CAOI) denunciaram que os povos indígenas no Peru são vítimas de graves violações de direitos humanos.


     


    Segundo as organizações, o Estado peruano é um dos que mais comete violações de direito humanos contra povos indígenas. Elas citam como exemplo os conflitos territoriais por causa das indústrias extrativas, como a mineração e a petrolífera. Além disso, elas destacam ainda políticas executadas pelo Estado que enfraquecem os direitos coletivos indígenas e levam à criminalização do protesto social indígena.

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  • 24/10/2008

    V Conferência Internacional da Via Campesina: Declaração de Maputo

    Via Campesina


     


    Maputo Moçambique


     


    Soberania alimentar, já! Com a luta e a unidade dos povos!


     


    Somos gentes da terra, homens e mulheres que produzem os alimentos para o mundo. Temos o direito de continuarmos sendo camponeses e camponesas, e a responsabilidade de continuar alimentando a nossos povos. Cuidamos das sementes que são a vida, e para nós, o ato de produzir alimento é um ato de amor. A humanidade precisa de nós e nos negamos a desaparecer.


     


    Nós, a Via Campesina, um movimento mundial de organizações de mulheres rurais, camponeses, camponesas, pequenos agricultores e agricultoras, trabalhadores e trabalhadoras do campo, povos indígenas, afrodescendentes, e juventude rural da Ásia, Europa, América e África, nos reunimos em Maputo, Moçambique, e 19 a 22 de Outubro de 2008, em nossa V Conferência Internacional. Fomos recebidos de maneira calorosa, fraternal e combativa por nossos anfitriões, a União Nacional de Camponeses (UNAC) de Moçambique. Nos reunimos para reafirmar nossa determinação de defender a agricultura camponesa, nossas culturas e nosso direito de continuar existindo como povos com identidade própria. Somos mais de 550 pessoas, incluindo mais de 325 delegados e delegadas de 57 países, representando centenas de milhões de famílias camponesas. Nós mulheres representamos mais da metade das pessoas que produzem alimentos no mundo, e aqui realizamos, com energia e determinação, nossa Terceira Assembléia Mundial das Mulheres. Nós jovens, também realizamos nossa Segunda Assembléia de Jovens da Via Campesina, já que a participação decisiva da Juventude garante tanto o presente como o futuro do campo. Nesta V Conferência Internacional também ratificamos a 41 organizações como novos membros da Via Campesina, e contamos com participação de muitas organizações e movimentos aliados de to o mundo, em nossa Primeira Assembléia com os Aliados da Via Campesina.


     


    Quatro anos de lutas e vitórias


     


    Na V Conferência Internacional revisamos nossas principais lutas, ações e atividades desde a IV Conferência Internacional, que se realizou em Itaici, Brasil, em junho de 2005. Entre elas se destacaram as mobilizações massivas contra a OMC, contra os Tratados de Livre Comércio (TLCs) em diversas partes do mundo, e contra o G8 em Rsotock e Hokkaido. Em 2005 La Via Campesina esteve muito presente na jornada de luta frente a Conferência da OMC em Hong Kong, participando assim na mais recente das ações contínuas, com a qual os movimentos sociais temos mantido paradas as negociações nas conferências da OMC desde Seattle em 1999. Também tivemos papéis centrais em outras mobilizações contra a OMC, desde Genebra até a Índia.


     


    Em 2007 organizamos, com nossos principais aliados, o Fórum Internacional Sobre a Soberania Alimentar, em Nyéleni, Mali. Este foi um momento crucial na construção de um grande movimento global pela Soberania Alimentar. Participaram em torno de 500 delegados e delegadas dos mais importantes movimentos sociais de todo o mundo, e se definiu uma agenda estratégica e de ação para os próximos anos. Tanto antes como depois de Nyéléni, organizamos muitas reuniões nacionais e regionais sobre a Soberania Alimentar. Nos últimos anos conseguimos que vários países, entre eles Equador, Bolívia, Nepal, Mali, Nicarágua e Venezuela, se incorporasse ao conceito de Soberania Alimentar em suas constituições e/ou leis nacionais.


     


    Através de nossa Campanha Global pela Reforma Agrária, expressão de nossas lutas pela terra e em defesa do território, co-organizamos o Fórum Social Mundial da Reforma Agrária em Valência, Espanha em 2004, y em 2006 organizamos a Reunião Internacional dos Sem Terra em Porto Alegre, Brasil, antes da Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural (CIRADR) da FAO. Então, participamos das mobilizações do 8 de Março das mulheres do Brasil contra o deserto verde de Eucalipto da transnacional Aracruz em 8 de março, e no Foro Paralelo, conquistando importantes avanços na posição dos governos. Em 2007, organizamos, em Nepal, a Conferência Internacional sobre Soberania Alimentar, Reforma Agrária e Direitos Camponeses.


     


    Em 2004 organizamos uma festa global de intercâmbio de sementes, dentro do contexto de nossa IV Conferência. Em 2005 organizamos o Seminário Internacional sobre Sementes “Liberar a Diversidade”, como parte e nossa luta global a favor das sementes camponesas e contra os transgênicos e a tecnologia terminator. A Via Campesina do Brasil organizou contundentes mobilizações durante a Conferência da Convenção da Diversidade Biológica (COP-8) em março de 2006 em Curitiba, Brasil. Sobre os mesmos temas tivemos importantes atividades em Mysore, Índia nesse mesmo ano, e em 2008 em Bonn, Alemanha e na França, onde com uma greve de fome ajudou fortemente a conseguir a proibição do milho transgênico da Monsanto. No Brasil em 2007, Keno, um grande lutador, foi assassinado por um pistoleiro contratado pela Syngenta, mas um ano depois conseguimos que Syngenta tivesse que entregar ao governo sua área ilegal de experimentação dos transgênicos.


     


    A Via Campesina junto com outros movimentos sociais organizou “a aldeia da solidariedade” de forma paralela à Conferência Sobre o Cambio Climático que a ONU organizou em Bali, Indonésia (2007),onde avançamos com o argumento de que a agricultura camponesa esfria o planeta.


     


    Em 2008 organizamos em Jacarta, Indonésia, uma conferência internacional centrada em nossa proposta para uma Declaração Internacional dos Direitos dos Camponeses e Camponesas. Anterior à conferência internacional se organizou a Assembléia das Mulheres sobre os Direitos dos Camponeses e Camponesas.


     


    O compromisso solidário da Via campesina foi evidenciado em 2004 com nosso esforço global para canalizar ajuda alternativa às vítimas do Tsunami, em 2007 com três delegações presentes em reuniões com Zapatistas no México, e todos os anos com ações importantes de solidariedade com lutadores e lutadoras vítimas da criminalização dos protestos sociais em todos os continentes.


     


    O deslocamento de povos rurais como conseqüência do modelo neoliberal, está provocando o movimento massivo de pessoas, convertendo-se em um tema crítico para a Via Campesina. Desde 2004 elaboramos nossas estratégias e ações sobre estes temas em nossa nova Comissão de Trabalho sobre Migração e Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais. Realizamos diversas ações contra o muro da vergonha que constroem os Estados Unidos.


     


    De povo a povo, de país a país, realizamos lutas da Via Campesina. Nosso movimento está em quase todas as partes do mundo, onde o neoliberalismo está sendo imposto aos camponeses e às camponesas e povos rurais.


     


    A luta da Via campesina inspira, estimula e gera a resistência de movimentos sociais contra as políticas neoliberais. Aumenta os países nos quais os governos progressistas assumem o poder como resultados de anos de mobilização. E, inclusive, um bom número de governos locais e nacionais acentuaram sua resistência e seu interesse na pauta da Soberania Alimentar, como resultado da mobilização popular y como resposta à crise global do preços dos alimentos.


     


    A ofensiva do capital sobre o campo, as crises múltiplas, e a expulsão dos povos camponeses e indígenas


     


    No contexto global atual estamos enfrentando a convergência entre uma crise dos alimentos, uma crise climática, uma crise energética e uma crise financeira. Estas crises têm origens comuns no sistema capitalista, e mais recentemente na des-regularização desenfreada de seus respectivos âmbitos da atividade econômica, como parte do modelo neoliberal, que prioriza o comércio e a ganância. Nas zonas rurais do mundo, vemos uma ofensiva feroz do capital e das empresas transnacionais sobre a a agricultura e os bens naturais (água, florestas, minérios, biodiversidade,terra, etc.), que se traduz em uma guerra de expulsão contra os povos camponeses e indígenas, usando falsos pretextos como os argumentos errôneos que defendem os agrocombustíveis como uma solução para as crises climáticas e energéticas, quando na verdade é exatamente o contrário. Quando os povos exercem seus direitos e resistem às expulsões generalizadas, ou quando são obrigados a ingressar nos fluxos migratórios, a resposta tem sido mais criminalização, mais repressão, mais presos políticos, mais assassinatos, mais muros da vergonha e mais bases militares.


     


    Declaração dos Direitos dos Camponeses e Camponesas


     


    Vemos a futura Declaração dos Direitos dos Camponeses e Camponesas da ONU como uma ferramenta estratégica no sistema legal internacional para fortalecer nossa posição e nossos direitos como camponeses e camponesas, por isto estamos lançando também a Campanha Mundial por uma Declaração dos Direitos dos Camponeses e Camponesas.


     


    Soberania Alimentar: a solução das crises, e a vida dos povos


     


    Entretanto, a situação atual da crise também é uma oportunidade, porque a Soberania Alimentar oferece a única alternativa real tanto para a vida dos povos, como para reverter as crises. A Soberania Alimentar responde à crise dos alimentos, com produção camponesa local; às crises climáticas e energéticas, atacando duas das principais fontes de emissão de gases de efeito estufa, o transporte de alimentos em larga distância e a agricultura industrializada, e para amenizar uma vertente da crise financeira, proíbe-se a especulação dos alimentos. O modelo dominante significa crise e morte, e a Soberania Alimentar é a vida e a esperança para os povos rurais e também para a população consumidora. A Soberania Alimentar requer a proteção e a re-nacionalização dos mercados nacionais de alimentos, promoção dos ciclos locais de produção e consumo, a luta pela terra, a defesa dos territórios dos povos indígenas, e a Reforma Agrária integral. Baseia-se também na mudança do modelo produtivo para uma produção agroecológica e sustentável, sem pesticidas e sem transgênicos; e no conhecimento camponês e indígena. Com princípio geral, a Soberania Alimentar se constrói com base em nossas experiências concretas em nível local, ou seja, do local ao nacional.


     


    A crise causa sofrimento incalculável entre nossos povos, e corrói a legitimidade do modelo neoliberal do “livre comércio”. E alguns governos locais, estatais e nacionais mais progressistas começaram a buscar soluções alternativas. Na Via Campesina devemos ser capazes de aproveitar estas oportunidades.


     


    Temos que desenvolver uma metodologia de trabalho que inclui o diálogo crítico e construtivo, para obter êxitos na implementação da Soberania Alimentar com estes governos. Também devemos aproveitar espaços internacionais de “outra integração”, como ALBA e Petrocaribe, para avançar neste terreno. Mas não podemos somente aposta nos governos. Mas devemos construir a Soberania Alimentar de baixo para cima nos territórios e outros espaços controlados por movimentos populares, povos indígenas, etc. Já está na hora da Soberania Alimentar. Temos que tomar a iniciativa para avançar sobre este terreno em todos os países. Nós os camponeses e camponesas do mundo podemos e queremos alimentar o mundo, a nossas famílias, nossos povos, com alimentos saudáveis e acessíveis.



    As empresas multinacionais e o livre comércio


     


    Nossa reflexão nos deixou a clareza de que as empresas multinacionais e financeiras são um de nossos inimigos comuns mais importantes, e que temos que fazer lutas cada vez mais diretamente sobre elas. Inclusive são elas que estão detrás dos outros inimigos dos camponeses e camponesas, como o Banco Mundial, o MFI, a OMC, os TLCs e a EPAs, os governos neoliberais, e o expressionismo econômico agressivo, o imperialismo e o militarismo. Agora é também o momento para redobrar nossa luta contra os TLCs e EPAs, e contra a OMC, mas agora com uma sinalização mais clara do papel central das multinacionais.O avanço das mulheres é o avanço da Via Campesina.


     


    Um tema ficou muito claro em nossa V Conferência: que todas as formas de violência que enfrentam as mulheres em nossas sociedades – entre elas a violência física, a econômica, a social, a machista, a de diferenças de poder, e cultural – estão também presentes nas comunidades rurais e por fim em nossas organizações. E isto, além de ser uma imensa fonte de injustiça, também limita a capacidade de nossas lutas. Reconhecemos a relação íntima entre o capitalismo, o patriarcado, o machismo, e o neoliberalismo com seus preconceitos contra as camponesas do mundo. Nós, todos e todas, mulheres e homens, da Via Campesina, nos comprometemos de forma responsável por construir novas e melhores relações humanas entre nós como parte necessária da construção das novas sociedades que aspiramos. Por isso, na V Conferência tomamos a decisão de romper o silêncio e lançamos a Campanha da Via Campesina “Pelo Fim da Violência Contra As Mulheres”. Nos comprometemos, outra vez e com mais força a meta de alcançar a complexa, mas necessária, paridade de gênero real em todos os espaços e instâncias de participação, análises, debates e decisões na Via Campesina, e fortalecermos o intercâmbio, coordenação e solidariedade entre as mulheres de nossas regiões.


     


    Reconhecemos o papel central da mulher na agricultura de auto-suficiência alimentar, e a relação especial das mulheres com a terra, com a vida e com as sementes. Além disso, as mulheres são e sempre foram parte determinante na construção da Via Campesina desde o seu início. Se não vencermos a violência contra as mulheres dentro de nossos movimentos, não avançaremos em nossas lutas, e se não constituirmos novas relações de gênero, não poderemos construir uma nova sociedade.


     


    Não estamos sós: a construção das alianças


     


    Nós, os camponeses e camponesas, não podemos vencer sozinhos nossas lutas pela dignidade, por um sistema alimentar e agrário mais justo, e dessa forma o outro mundo melhor que é possível. Temos que construir e reforçar alianças orgânicas e estratégicas com os movimentos sociais e organizações que compartem nossa visão e isto é um compromisso especial da V Conferência.


     


    A juventude nos dá a esperança para um mundo melhor


     


    O modelo dominante no campo não oferece nenhuma opção para a juventude, e isso é uma razão muito importante para mudá-lo. Os jovens e as jovens são nossa base tanto para o presente como para o futuro, assim que nos comprometemos com sua plena inserção e participação criativa em todos os níveis de nossas lutas.


     


    A formação para o fortalecimento de nossas lutas


     


    Para que tenhamos êxitos e vitórias em nossas lutas, temos que nos dedicar ao fortalecimento interno de nossos movimentos, através da formação política para aumentar nossa capacidade coletiva de analisar e transformar nossas realidades, a capacitação, e melhorar a comunicação e articulação entre nós e nossos aliados.


     


    Diversidade e unidade na defesa da agricultura camponesa


     


    Como movimento social internacional, podemos dizer que uma de nossas maiores forças é que somos capazes de unir diferentes culturas e modos de pensar em função de uma mesma luta. A Via Campesina representa um compromisso comum de resistir e lutar pela vida e pela agricultura camponesa.


     


    Todos os participantes da V Conferência da Via Campesina nos comprometemos a defender os alimentos e a agricultura camponesa, a Soberania Alimentar, a dignidade e a vida. Aqui estamos, os camponeses e camponesas do mundo, e nos negamos a desaparecer.


     


    Globalizemos a luta! Globalizemos a esperança!


     

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  • 23/10/2008

    Informe nº. 839: Em contexto de disputa por terra, os Tupinambá são presos e feridos no sul da Bahia


    Hoje, 23 de outubro, dois Tupinambás foram presos e diversas pessoas do povo foram feridas em conseqüência de conflitos com a Polícia Federal (PF) no sul da Bahia. A tensão começou na segunda-feira, 20 de outubro, quando a PF iniciou a reintegração de posse da aldeia Serra do Padeiro, uma das áreas onde os Tupinambá vivem.


     


    Em janeiro de 2008, o Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região suspendeu, por 180 dias, a decisão de retirar das aldeias os Tupinambá que vivem próximos de Ilhéus e Itabuna (em Olivença, Una e Buararema). Nesse período, a Fundação Nacional do Índio (Funai) deveria finalizar o relatório de identificação das terras indígenas dos Tupinambá que vivem na região. O relatório foi finalizado, mas a Funai pediu informações complementares aos antropólogos responsáveis pelo Grupo Técnico (GT) de Identificação. O GT ainda não concluiu o relatório com os novos dados pedidos pela Funai.


     


    Como o prazo expirou, a Justiça Federal em Ilhéus determinou que PF cumprisse os mandados de reintegração de posse já concedidos. Na semana passada, dois mandados foram cumpridos em Olivença. Segunda-feira (20), alguns policiais estavam na aldeia da Serra do Padeiro (Buerarema) verificando as áreas de onde os Tupinambá seriam retirados. Três indígenas que questionaram os policiais sobre a presença deles na terra foram feridos com balas de borracha. Na terça-feira (21), outra ação de reintegração foi executada na aldeia Tucum, no Parque de Olivença. Na ocasião, a PF impediu o administrador regional da Funai, Rômulo Siqueira, e o coordenador da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme), Luis Titiá, de acompanharem o despejo.


     


    Ontem, (22/10), o TRF-1 decidiu dar mais 180 dias para que a Funai conclua a identificação das terras indígenas na região. Neste período, continuam suspensas as ordens de reintegração de posse.


     


    Prisões e tensão


    Em Olivença, as famílias da aldeia Tucum já começaram a voltar. Na Serra do Padeiro (Buararema), no entanto, a tensão permanece muito forte, por causa da prisão de dois indígenas e da ação dos policiais na área, em busca do cacique Babau, que é acusado de formação de quadrilha, cárcere privado e danos ao patrimônio público. Segundo indígenas, usando balas de borracha e gás lacrimogênio, a ação deixou muitas pessoas feridas e destruiu casas e utensílios dos indígenas.


     


    Hoje, 23 de outubro, Jurandir e José Nildo Barbosa foram presos. Jurandir, irmão do cacique da aldeia, conduzia um carro da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e levava algumas mulheres da cidade de Buerarema para a aldeia, na Serra, entre estas, duas mulheres com seus filhos recém nascidos e uma mulher grávida. As mulheres foram levadas para a Prefeitura de Buararema e depois precisaram subir a pé os 20 km até a aldeia.


     


    Jurandir foi levado para a delegacia da Polícia Federal de Ilhéus. Segundo informações dos indígenas, ele foi bastante agredido e, à tarde, foi levado para o hospital. Segundo informações da PF, ele foi preso em flagrante e deve ser acusado de formação de quadrilha e resistência à prisão. Apesar de ser flagrante, a prisão teria relações com os fatos ocorridos no dia 20.


     


    O motorista do ônibus escolar José Nildo Barbosa foi levado preso pela polícia enquanto transportava crianças para o colégio em Buerarema, após ficarem detidos e ameaçados durante um bom tempo na estrada. José Nildo foi liberado à tarde.


     


    Durante todo o dia de hoje, a PF impediu a circulação de carros, inclusive da imprensa, na área Serra do Padeiro. Segundo informações dos indígenas, um helicóptero está sobrevoando a área e mais 25 carros trabalharam na ação de busca e apreensão. 


     


    (informações Haroldo Heleno – equipe Itabuna)


     


     


    Brasília, 23 de outubro de 2008.


    Cimi – Conselho Indigenista Missionário



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  • 23/10/2008

    Colômbia: indígenas recebem apoio de outros setores sociais




     


    Organizações sociais colombianas, entre elas a Grande Coalizão Democrática, a Federação Colombiana de Educadores (Fecode) e a Central Unitária de Trabalhadores (CUT), realizarão amanhã (23) uma paralisação nacional junto com uma mobilização, em Bogotá, partindo da Praça de Toros até a Praça de Bolívar. Os manifestantes exigem dignidade no trabalho e protestam contra a criminalização dos movimentos sociais.


     


    Segundo as organizações, nos últimos dois meses, as forças sociais do país estão mobilizando-se contundentemente. No departamento de Cauca, vinte mil indígenas, após resistir os ataques e a repressão por parte do Estado, estão marchando em direção a Cali para exigir o respeito a seus territórios, a sua cultura e a seus direitos. Cortadores de cana continuam a paralisação iniciada no dia 15 de setembro por condições dignas de trabalho. Trabalhadores do setor judicial e caminhoneiros também estão protestando contra o governo.


     


    A paralisação nacional de amanhã também é um protesto contra os acordos de livre comércio com os Estados Unidos implementados por Álvaro Uribe. O governo chegou a admitir que os protestos sociais estavam dificultando a realização dos acordos. Segundo os movimentos populares, o governo responde com repressão e difunde a idéia de que a organização e as exigências dos trabalhadores são alentadas por terroristas.


     


    “Porém, os trabalhadores persistem, e é por isso que convocam à paralisação, cujas razões fundamentais são: derrogatória da comoção interior e respeito às liberdades sindicais; revisão salarial para todos os trabalhadores colombianos; soluções aos atuais conflitos sindicais e sociais como o dos cortadores indígenas, professores e demais empregados públicos”, afirmam na convocatória.


     


    O governo colombiano, por meio do ministro do Interior e de Justiça, Fabio Valencia Cossio, disse que vai dar todas as garantias para os participantes das manifestações de amanhã. No entanto, não aceitará ações violentas ou ingerência de grupos armados e à margem da lei. Segundo o ministro, caso os protestos ultrapassem os limites, o Estado deverá tomar as medidas previstas na Constituição e nas leis para restabelecer a ordem.


     


    Desde a última terça-feira, indígenas e camponeses continuam seu percurso para unir La María, Piendamó, com a cidade de Cali, capital do departamento de Cauca. A marcha começou após diversas ações contra os moradores da região, que deixaram um saldo de pelo menos um morto e mais de 120 feridos. A Minga Nacional de Resistência Indígena denunciou que os camponeses e os indígenas foram atacados e reprimidos pelo Exército da Colômbia e pelo Esquadrão Móvel Antidistúrbios da Polícia.


     


    Os manifestantes exigem o cumprimento dos cinco pontos apresentado a autoridades há quatro anos. Trata-se do acesso à terra, do respeito dos direitos indígenas, do fim da violência contra as comunidades, do rechaço aos Tratados de Livre Comércio e do repúdio às leis que permitem a exploração dos bens comuns. Eles quem também a investigação e o julgamento dos responsáveis por ameaças, perseguições e agressões às comunidades ocorridas nos últimos dias.

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  • 23/10/2008

    Carta da Tríplice Fronteira – Seminário Realidade Socioambiental

     


     



    Nós, os povos indígenas, ribeirinhos e a sociedade civil, participantes do Seminário Realidade Socioambiental na Tríplice Fronteira Peru – Colômbia – Brasil transcorrido na cidade de Tabatinga, Amazonas, Brasil, nos dias 16 a 19 de outubro de 2008, com o objetivo de debater políticas públicas e sócio-ambientais que possam garantir os direitos à vida digna dos povos indígenas e das comunidades tradicionais.


    Nossa Mãe-natureza nos brindou a Amazônia, provendo-nos com  recursos naturais, com grande biodiversidade e riquezas culturais ancestrais, que sempre permaneceram identificadas com nossas formas de organização, nossos costumes e nossa existência.


     


    Denunciamos todas as violações aos nossos direitos estabelecidos e firmados na  Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre os povos indígenas e tradicionais, cometidos por ações de exploração indiscriminada dos recursos naturais, o narcotráfico, a violência de grupos armados legais e ilegais, a corrupção, o descaso e o abandono dos nossos governantes.


     


    Chamamos a atenção dos governos do Peru, Colômbia e Brasil para a ameaça de extinção de povos em situação de isolamento. Que reconheçam a sua existência,  garanta sua integridade e a inviolabilidade de seus territórios.


     


    Nos encontramos ameaçados pelos grande projetos econômicos  impostos pelos interesses transnacionais, provocando mudanças os abusos cometidos por parte de governos que não adotam políticas diferenciadas de acordo com nossas realidades, sem levar em conta que nossos direitos ancestrais  e tradicionais existem desde sempre e antes da criação dos Estados Nacionais.


     


    Exigimos que se adotem políticas governamentais que se adaptem à nossa cosmovisão, levando em consideração nossas necessidades especificas  e diferenciadas voltadas para a saúde, a educação, o meio ambiente e a justiça social, a fim de melhorar nossa qualidade de vida.


     


    E por isso propomos:


     


    1. O estabelecimento de políticas migratórias e de de refúgio para as vítimas deslocadas por conflitos sociais, ambientais e políticos;


    2. A igualdade de tratamento para os direitos tradicionais, levando em  conta que entre os indígenas não pode haver fronteiras;


    3. Que se assegure aos povos amazônicos a  administração, a gestão e o controle de seus recursos em seus territoriais.


     


    Por tudo isto, assumimos os compromissos:


     


    ● De criar uma equipe de coordenação trifronteriça composta por representantes  indígenas, camponeses e ribeirinhos de cada um dos  três países;


    ● Criar espaços que favoreçam uma permanente formação social, política, ambiental e cultural a fim de fortalecer as capacidades de liderança indígena, camponesa e ribeirinha na luta para o estabelecimento de políticas de desenvolvimento sustentável, fazendo prevalecer nossos direitos;


    ● Criar fóruns fronteiriços de debate permanente.


     


    Tabatinga, 19 de Outubro de 2008:


     


    * Participantes:


     


    1. ACITAM- Asociación de Cabildos Indígenas del Trapecio Amazônico.


    2. ASOAINTAM: Asociacion Indigena Tradicional de Tarapacá- Amazonas


    3. ATICOYA: Asociacion Ticuna, Cocam y e Yagua


    4. AZCAITA: Asociación Zonal de Autoridades Tradicionais


    5. AZICACH- Asociacion Zonal Indigena de La Chorrera


    6. CEDIA – Centro para el desarrollo del indígena Amazónico;


    7. Centro de Trabalho Indigenista- CTI


    8. CODEBA: Corporacion para la Defensa de la Biodiversidad Amazônico


    9. Comissão Pastoral da Terra- CPT


    10. Comunidade de São Pedro


    11. Comunidade Ribeirinha Santa Terezina


    12. Conselho Indigenista Missionário- CIMI


    13. Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira- COIAB


    14. CORPOAMAZONIA: Corporacion Regional del SUR de la Amazonia Colombiana


    15. Diocese do Alto Solimões.


    16. Equipe Itinerante


    17. Etnia  Aguajun


    18. Etnia Kambeba,


    19. Etnia Kanamari,


    20. Etnia Kokama,


    21. Etnia Marubo,


    22. Etnia Matis,


    23. Etnia Matsés,


    24. Etnia Mayoruna,


    25. Etnia Tikuna,


    26. Etnia Tukano,


    27. FASE – Federação de órgãos para assistência social e educacional.


    28.  FUNAI- Fundação Nacional do Índio


    29.  Instituto de Desenvolvimento e Assistência a Saúde e a Sociedade Indígena.


    30.  OMACHA:  significa bujeo o Delfin rosado(fundacion ambientalista)


    31.  Organização Geral dos Professores Tikunas Bilíngües – OGTBBBC


    32.  OTAM – Organização do Povo Tikuna


    33.  Pastoral do Migrante – Congregação dos Scalabrinianos


    34. Pastoral Social: Letícia, Sandra Gardan.


    35.  PIDAS – Pastoral Indígena da Diocese Alto Solimões


    36.  PNNA: Parque Nacional Natural Amacayucu


    37.  PPGSCA – Projeto nova cartografia social da Amazônia da Universidade Federal do Amazonas


    38.  PROCREL – Programa de Conservación y uso sostenible de la región Loreto;


    39.  RAL – Red Ambiental Loretana;


    40.  Representantes dos povos indígenas


    41.  Reserva nacional del Pacaya Samiria;


    42.  SARES – Serviço de Ação, Reflexão e Educação Social.


    43.  SINCHI: Instituto Cientifico de Investigacion Amazônico


    44.  UEA – Universidade Estadual do Amazonas


    45.  União dos Povos Indígenas do Vale do Javari – UNIVAJA


    46.  WCS – Sociedad para la conservación de la vida silvestre;

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  • 22/10/2008

    Direitos Indígenas são debatidos em Florianópolis (UFSC)

     


    Evento tratou dos 20 anos da Constituição e das decisões que STF tomará sobre terras indígenas



    Se o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir demarcar a Raposa Serra do Sol em ‘ilhas’, a discussão sobre os direitos constitucionais do povos indígenas perderia sentido. É o que avaliou Subprocuradora Geral da República e Coordenadora da 6a Câmara de Comissão e Revisão do Ministério Público Federal, Dra. Deborah Duprat, durante seminário que ocorreu no auditório da Reitoria na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ontem, 21 de outubro. Essa também é a preocupação dos debatedores e participantes do evento que discutiu a Constituição Federal (CF) no marco dos seus 20 anos de promulgação.


    Os avanços  legais conquistados pelos povos indígenas estão sofrendo ataques constantes nas três esferas do Poder (Executivo, Legislativo e Judiciário). Os mesmos interesses que pressionam o Executivo para não demarcar terras indígenas, tentam alterar o texto constitucional e impedir a aprovação do Estatuto dos Povos Indígenas, bem como buscam confirmar suas teses no Judiciário. Essa foi a preocupação manifestada pelo advogado indigenista e assessor jurídico do Cimi Paulo Machado Guimarães. Por outro lado, os indígenas presentes no evento reclamaram que mesmo os direitos garantidos na Constituição Federal não são aplicados na prática. Não tenho visto muitas mudanças. O que conseguimos foi com muita briga, com muita luta de nossa comunidade. Mas, apesar da luta, a demarcação de nossa terra continua paralisada. Já são 15 anos de luta, declarou o professor indígena e diretor da escola La Klãno José Cuzun Ndilli do Povo Xokleng, palestrante no evento. As mesas contaram também com a presença dos indígenas Hyrl Moreira, cacique e coordenador da Comissão Nhemonguetá;  Marcos Djekupe, professor do povo Guarani; Valmor de Paula, professor do povo Kaingang; Dra. Analucia Hartamnn, da Procuradoria da República em Santa Catarina e da antropóloga da UFSC Dra. Maria Dorothea Post Darella.


    Foi unânime a constatação de que as conquistas indígenas na Constituição Federal significam uma mudança profunda da perspectiva da transitorialidade e da tutela para uma noção de autonomia indígena e pluralidade da sociedade brasileira. Todavia, foi unânime também a constatação de que esses direitos estão seriamente ameaçados e correndo o risco de serem radicalmente modificados pelo STF. Também se constatou que, em termos práticos, a CF pouco avançou na vida das comunidades, a exemplo da demarcação das terras que deveria ter sido concluídas em  1993, conforme estabelece o Art. 67 das Disposições Constitucionais Transitórias. O pouco que foi conquistado deveu-se muito mais da luta dos povos indígenas do que propriamente da ação efetiva do Estado Brasileiro.


    O seminário foi organizado pela Comissão Guarani Nhemonguetá; Comissão de Apoio aos Povos Indígenas/Capi; Conselho Indigenista Missionário/Cimi Regional Sul; Conselho de Missão junto com Povos Indígenas/Comin; Departamento de Antropologia/Nepi, Departamento de História/Labhin, Departamento de Direito/Gepaju e Museu Universitário/Secarte da UFSC. Participaram do evento cerca de 200 pessoas entre indígenas, estudantes, professores, pastorais sociais, movimentos sociais, representantes de parlamentares e organizações governamentais e não governamentais além de amigos e simpatizantes da causa indígena.


    Além da profunda análise o seminário apontou  a necessidade de se continuar debatendo esse tema e, especialmente, manter a vigilância dos direitos indígenas. As investidas dos setores antiindígenas significam ameaças reais, mas o que poderá detê-los é o movimento indígena organizado e o apoio da sociedade não-indígena.


    Cimi Regional Sul


    Equipe Florianópolis

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  • 21/10/2008

    Nota Pública de apoio à luta pela terra dos povos indígenas no sul da Bahia

     


    A determinação da Polícia Federal de executar as liminares de


    reintegração de posse das áreas retomadas pelos Tupinambá, no sul da


    Bahia, compromete a integridade física e a subsistência deste povo


    indígena. No ultimo dia 20, três Tupinambá da Serra do Padeiro


    resultaram feridos em confronto com agentes da PF, que ali se


    encontravam para mapear as áreas a serem reintegradas.


     


    A operação da Polícia Federal foi ensejada pela extinção do prazo de


    cento e oitenta dias concedido pelo TRF da 1ª Região, suspendendo,


    nesse ínterim, a execução do cumprimento das liminares de reintegração


    para que a FUNAI finalizasse o relatório de identificação da Terra


    Indígena Tupinambá de Olivença. Como isso não ocorreu até o presente,


    os Tupinambá encontram-se na iminência de terem subtraídas áreas


    plenamente ocupadas e produtivas de seu território, essenciais à sua


    subsistência econômica e à sua reprodução sócio-cultural. Na semana


    passada, a PF cumpriu, para desespero dos índios ali residentes, dois


    mandados de reintegração de posse, em áreas situadas em Olivença, no


    município de Ilhéus e, no dia de hoje, mais uma foi executada na


    aldeia Tucum, na região do Parque de Olivença. Nas áreas retomadas


    pela comunidade Tupinambá da Serra do Padeiro há, inclusive projetos


    agrícolas e edificações (casas de farinha, escolas) implementados com


    recursos provenientes do Governo Federal, repassados pelo MDA e pelo


    MMA. Os índios dessa comunidade, representados pelo cacique Babau,


    estão dispostos a resistir a qualquer custo. Nas atuais


    circunstâncias, um confronto de graves proporções com a Polícia


    Federal se afigura como inevitável. Em 18 do mês em curso, as


    comunidades indígenas de Olivença emitiram uma nota pública


    salientando a gravidade da situação – pois muitas famílias dependem e


    vivem exclusivamente dos frutos da terras retomadas, muitos delas com


    ocupação indígena consolidada de mais de seis anos- e solicitando das


    autoridades agilidade no equacionamento do processo de regularização


    do seu território tradicional. Urge que a FUNAI consiga um novo


    adiamento da execução das liminares de reintegração de posse e conclua


    finalmente o relatório de identificação da TI Tupinambá!


     


    Assinam: CIMI, ANAÍ, CPT, APOINME, Pastorais Sociais da Diocese de


    Itabuna, Conselho de Cidadania, SINDSEF-Itabuna

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  • 21/10/2008

    Boletim: V Conferência Internacional da Via Campesina














    Dignidade e solidariedade camponesa para mudar o mundo
    V Conferência da Via Campesina em Moçambique


    A Via Campesina internacional inaugurou sua 5ª Conferência no dia 19, em Maputo, Moçambique, ao ritmo de danças e tambores africanos. Sob o slogan “Soberania Alimentar já! Com a luta e a unidade dos povos!”, 600 camponeses, homens e mulheres, representantes de organizações de cerca de 70 paises do mundo celebraram a inauguração de seu congresso, que acontece a cada 4 anos, com a presença do presidente de Moçambique, Armando Emilio Guebuza.


    Henry Saragih, coordenador geral da Via Campesina, apresentou o progresso e o desenvolvimento da organização nos últimos 4 anos. Segundo ele, o movimento tem fortalecido a sua luta através da formação, de mobilizações pacificas e, o mais importante, através da solidariedade entre os membros da organização.


    Em cada continente, a Via Campesina tem mudado desde sua última conferência, em 2004, no Brasil. Na Ásia, o número de membros aumentou; na Europa, o movimento se consolidou e reorganizou sua estrutura. Além disso,  a força e a criatividade dos trabalhadores rurais na América Latina, tem inspirado o movimento em todo o mundo. Na África, a Via Campesina esta crescendo, com 7 novos paises membros.


    O movimento que agrega organizações de sem-terra, camponeses e pequenos agricultores, ganhou legitimidade nos últimos anos através de sua proposta de resolver a crise na agricultura implementando o princípio da soberania alimentar. Soberania alimentar é o direito que as pessoas têm de decidir suas próprias políticas para a agricultura, protegendo suas comunidades locais, seus meios de sobrevivência, a saúde e o meio ambiente. Este conceito está agora ganhando terreno a nível local, nacional e internacional, e alguns governos como o do Nepal e da Bolívia adicionaram nas suas constituições.


    De acordo com Ossmane Ismael, representante da Assembléia Geral da UNAC, “mesmo com a política neoliberal – uma nova forma de colonialismo – invadindo nossas vidas, nós continuamos a afirmar nossa determinação para produzir alimentos e a reafirmar que a agricultura deve primeiro servir ao povo e a nossa soberania”.


    A Via Campesina é um movimento que une  “as pessoas humildes de todo o mundo: os trabalhadores e trabalhadoras rurais, cuja voz é ignorada. Através do nosso movimento passamos a ter orgulho de sermos camponeses, passamos a ter dignidade. Isso nos dá a força para resolver a crise atual e para mudar o mundo”, disse Henry Saragih.





    Via Campesina lança campanha mundial
    pelo fim da violência contra mulheres


    O neoliberalismo seria a causa da violência contra as mulheres? “Não sei se podemos dizer que é a causa, mas certamente é o principal agravante. Ele impõe um estilo de vida, a cultura da violência, alimenta a indústria da beleza, gera pobreza e miséria. Tudo isto está diretamente relacionado com a violência contra a mulher” afirmou Sérgia Galván, do Movimento de Mulheres Afro, da República Dominicana, durante a III Assembléia das Mulheres da Via Campesina, em Moçambique.


    Sérgia trouxe ainda dados da Organização Mundial da Saúde que mostram a violência no mundo. 60% das vítimas de violência sexual são mulheres jovens. Nos EUA, A cada 6 minutos, uma mulher sofre algum tipo de violência. Na América Latina, de 30 a 60% das mulheres foram violentadas por parentes.


    Diante desses elementos, as mulheres da Via Campesina lançaram a Campanha Mundial Pelo Fim da Violência Contra as Mulheres, na 5ª Conferência Internacional do movimento. “Ao lutarmos contra essa violência temos que lutar contra o neoliberalismo, que fortalece a opressão e a violência contra nós mulheres”, disse Sérgia Galván. Segundo o texto de apresentação da Campanha, “neste modelo de sociedade as mulheres sofrem mais, pois a elas foram delegadas as tarefas de cuidado com a família, a educação dos filhos e o trabalho doméstico. A sobrecarga destas responsabilidades somada ao trabalho profissional impõe às mulheres uma tripla jornada de trabalho”.


    Adriana Mezarios, do Movimento das Mulheres Camponesas do Brasil, apontou os mecanismos que o capitalismo e o patriarcado utilizam para dominar as mulheres. Segundo ela, a dependência econômica– causada pelo desemprego ou subemprego; o casamento e a religião – que colocam a mulher como uma propriedade dos homens; o controle sobre o corpo – que determina se a mulher tem que ter filhos ou não, além de lucrar com a prostituição, são alguns elementos que diminuem a participação política da mulher. “E quando estes mecanismos não funcionam, quando uma mulher se nega a algum tipo de dominação, usa-se a violência”, concluiu.


    A campanha tem como foco central todas as formas de violência, física ou psicológica, exercida contra as mulheres do campo, mas também quer dar visibilidade à violência praticada contra todas as mulheres do mundo. Ela terá um caráter de denúncia e pretende desmistificar a naturalização da violência. “Queremos mostrar que a violência é estrutural em uma sociedade capitalista e patriarcal”, dizem as mulheres.


    Além do lançamento da Campanha, a Assembléia das Mulheres da Via Campesina teve como objetivos garantir um enfoque de gênero na pauta geral da Via Campesina, aumentar a paridade de gênero nas instâncias da organização, fortalecer o envolvimento das mulheres na Comissão de Coordenação Internacional da Via Campesina e continuar socializando a situação das mulheres no campo.





    Êxodo rural preocupa jovens da Via Campesina
    Jovens de 51 países discutem temas sobre a questão agrária


    Estudar e debater as pautas da Via Campesina a partir da visão da juventude foi um dos objetivos da 2ª Assembléia de Jovens da Via Campesina, que aconteceu nos dias 16 e 17 de outubro, em Maputo, Moçambique. Cerca de 100 pessoas de 51 países fizeram análises da questão agrária em cada região, trocaram experiências e reafirmaram o papel da juventude na construção de uma nova sociedade.


    A metodologia do encontro se deu através de quatro grupos temáticos para discussão. São eles, o acesso à terra; formação política e de comunicação alternativa; experiências em agroecologia; e articulação entre o campo e a cidade. “Todos estes temas estão sendo tratados pelos jovens em suas organizações. Por isso é importante trocarmos experiências, ver o que está dando certo ou errado em cada região”, afirmou Pedro Soares, do MST. Apesar do constante desafio de criar um coletivo de jovens consistente e mais orgânico dentro da Via Campesina internacional, Pedro vê um avanço entre a primeira Assembléia, realizada em 2004 no Brasil, e a segunda, já que agora participam representantes de 51 países, em comparação com 37 na Assembléia anterior.


    A juventude e o êxodo rural


    Um dos temas mais apontados pelos jovens durante as análises da situação do campo nos países foi a migração do campo para a cidade. Segundo Paulo Mansan, da Pastoral da Juventude Rural, do Brasil, o aumento dos conflitos no campo – gerado pela expansão do agronegócio – somado à falta de condições básicas nas comunidades rurais, como educação, saúde e lazer, fazem com que o jovem saia cada vez mais do campo. Além disso, “o capitalismo trabalha com um processo de dominação cultural. Através do aparato midiático, constrói o falso consenso de que o campo é atrasado e a cultura camponesa retrógrada, aumentando assim a desmotivação dos jovens em permanecer na roça”, acrescentou Mansan.


    No Japão, a decisão do governo em permitir a importação do arroz, principal atividade rural do país até então, levou à diminuição da produção, à queda do preço do arroz e, conseqüentemente, ao êxodo rural. No entanto, quando o jovem japonês chega à cidade, se depara com uma qualidade de vida muito inferior à do campo. “Muitos não conseguem emprego, são explorados, se alimentam mal e até entram em depressão” relatou Ayumi, jovem japonesa que participa da organização de pequenos agricultores Noumienren. Segundo ela, 60% da comida consumida no Japão é importada.


    Como a pobreza nas cidades aumenta cada vez mais, os países pobres também estão perdendo seus jovens urbanos, que migram para lugares onde há “desenvolvimento”. De acordo com dados da Organização Internacional para a Migração, são mais de 200 milhões de pessoas que deixaram seus países de origem, na maioria das vezes para trabalhar como mão-de-obra barata em países centrais como Europa e Estados Unidos.


    Organização da juventude


    De acordo com o jovem Poul Frederich, de Camarões, a juventude da Via Campesina tem o importante papel de mostrar para os jovens que eles podem e devem transformar a vida no campo. “A juventude tem que protagonizar a luta pela soberania alimentar, além de lutar por condições para a permanência dos jovens no campo”.


    A aliança entre os jovens do campo e da cidade também foi apontada por todas as regiões como fundamental para uma transformação. Segundo os jovens, “a nossa luta é antes de tudo uma luta contra o modelo neoliberal, que traz pobreza e destruição para o campo e pra cidade”.





    Evo Morales manda saudações aos camponeses/as
    da Via Campesina


    O presidente da Bolívia lamentou não poder participar da 5ª Conferência da Via Campesina, movimento que ajudou a construir. Evo Morales, no entanto, mandou saudações aos camponeses aqui presentes e apresenta nesta carta suas propostas para “salvar o mundo, a vida e a humanidade”. Clique no link abaixo e leia a carta.


     

     
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    Edição do Boletim
    Setor de Comunicação do MAB
    Contato:
    [email protected]

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  • 21/10/2008

    Lançada campanha contra a criminalização dos movimentos sociais na Amazônia

    Na sexta-feira, 17 de outubro, foi lançada a Campanha contra a Criminalização dos Movimentos Sociais. A campanha foi lançada com um grande seminário, seguido de um ato político-cultural na Praça do Operário em São Brás, em Belém.


    O lema da campanha é: Lutar por direitos humanos não é Crime! Essa foi a forma encontrada pelos movimentos sociais da Amazônia pra lutar contra as constantes práticas do Estado e das grandes corporações de mineração e agronegócio, de criminalizar as ações dos movimentos sociais contra as injustiças e em defesa da Amazônia.


    O seminário veio tornar público um cenário de profundas dificuldades para os movimentos sociais. A luta pelo respeito aos direitos humanos trouxe perseguição e morte aos lutadores e defensores dos direitos humanos na região. Essa foi a recompensa dos movimentos sociais por lutarem pela soberania do país.


    As forças conservadoras foram denunciadas assim como o Estado que faz uso de seus instrumentos de coerção e repressão para intimidar os lutadores do povo.


    Cerca de 500 militantes das diversas entidades do campo e da cidade fizeram-se presentes no lançamento da campanha.


    Pina Tembé da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) esteve no seminário e falou sobre as campanhas violentas lançadas em todo o país contra os povos indígenas. Também estiveram presentes índios Tembé de Santa Maria do Pará e dois representantes dos povos indígenas de Santarém, que falaram sobre as ameaças de mortes contra suas lideranças.


    Este seminário é uma iniciativa de diálogo com as diferentes organizações do campo e da cidade que sofrem processos judiciais e ameaças de morte por defenderem os direitos dos povos na região. Esse foi o espaço pra se ampliar as alianças e articular contra as forças sombrias da morte, representadas pelo grande capital que toma forma de grandes empreendimentos da mineração, Hidronegócio, entre outros. Mas de 60 entidades já aderiram à campanha. Entidades como MST, CPT, SDDH, CIMI.


    A campanha que foi lançada já traz algumas propostas para a região 


    ·                               Continuar fazendo a luta em defesa da Amazônia e dos povos que nela habitam contra as agressões provocadas pelas frentes de expansão do agronegócio, da mineração e dos grandes projetos governamentais;


    ·                               Manifestar total apoio ao Bispo Dom Erwin e a Prelazia do Xingu na luta contra a Construção da Hidrelétrica de Belo Monte e na defesa da causa indígena, da floresta e do Rio Xingu;


    ·                               Pressionar o Tribunal da Justiça do Pará para que julgue o recurso que pede a anulação do julgamento que absolveu o fazendeiro Viltamiro Bastos e exigir que Bida e Regivaldo sejam julgados e responsabilizados pelo assassinato de Dorothy;


    ·                               Pressionar o Tribunal Regional Federal para que julgue os recursos que pedem a anulação da sentença que condenou o Advogado José Batista a 2 anos e 5 meses de prisão e a sentença que condenou as lideranças do MST e do MTM ao pagamento de multa no valor de 5 milhões e 20 mil reais.


    “Nossos rios e nossas matas não se rendem, nossos rios e nossas matas se defendem!”


    Luiz Cláudio Teixeira – CIMI NORTE II

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