• 14/11/2008

    Os impactos da produção do etanol na Amazônia

     


     


    Relatório da CPT mostra os impactos sociais e ambientais causados pelas usinas de etanol


     


     


    CHICO ARAÚJO – da Agência Amazônia de Notícias


     


    Cresce o cultivo da cana-de-açúcar e o número de novas usinas de produção de etanol no Cerrado e na Amazônia. A expansão da monocultivo da cana já atingiu 11 estados — Acre, Amazonas, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. É o que aponta um minucioso que a Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulga na próxima terça-feira, 18, em São Paulo.


     


    O documento contém 80 páginas — são dados, fotos e entrevistas — e faz uma análise detalhada dos impactos sociais e ambientais da expansão do cultivo da cana-de-açúcar na Amazônia. O texto faz também um relato minucioso do avanço da cultura em cada um dos 11 Estados onde os plantios mais cresceram. 


     


    A publicação será debatida e fará parte das análises da mesa temática encarregada da discussão das alternativas em curso pelo mundo para a construção da soberania alimentar e energética, durante o seminário internacional “Agrocombustíveis como obstáculo à construção da soberania alimentar e energética”, organizado pela Via Campesina e entidades parceiras. O seminário acontecerá de 17 a 19 de novembro em São Paulo.


     


    O seminário é um contraponto à Conferência Internacional “Biocombustíveis como vetor do Desenvolvimento Sustentável”, convocada pelo governo brasileiro para promover o etanol nacional e tornar aceitável sua suposta “sustentabilidade” para o mercado global.


     


    Pesquisa de campo


    O estudo da CPT expõe dados sobre o avanço das plantações de cana e novas usinas de etanol instaladas na região e traça um perfil da infra-estrutura desses projetos, os incentivos fiscais concedidos por governos estaduais e as parcerias de órgãos do governo com empresas brasileiras e estrangeiras.


     


    Estes dados são complementados por uma pesquisa de campo sobre os impactos para a população local e para os trabalhadores. O estudo traz informações sobre violações de diretos trabalhistas, casos de trabalho escravo, morte de trabalhadores e impacto na saúde dos canavieiros e da população.


     


    Em relação aos impactos ambientais, o relatório faz uma sistematização de estudos recentes sobre os efeitos poluidores dos monocultivos, sobre a destruição da biodiversidade, dos solos e das fontes de água. Diversos estudos demonstram que a expansão de monocultivos representa um risco maior para o aquecimento global do que as emissões de carbono provenientes de combustíveis fósseis. A pressão cada vez maior sobre a fronteira agrícola da Amazônia e do Cerrado tende a aprofundar este problema.


     


    Dados da expansão por estado


    A monocultura da cana já é realidade em boa parte do território nacional. No Acre, a usina Álcool Verde, da empresa pernambucana Farias, plantou mais de 2 mil hectares de cana ao longo da BR-317 e tem planos de chegar a mais de 30 mil hectares na região, com capacidade de produzir 3 milhões de toneladas de cana por safra. A Álcool Verde prevê uma produção de 36 milhões de litros de etanol na primeira safra e pretende aumentar sua produção de cana em cinco vezes até 2015. A Embrapa prevê que no município de Capixaba as plantações de cana aumentarão em dez vezes até 2012. O estado é visto como estratégico, pois serviria de ponte de exportação de etanol para o Oceano Pacífico, através da rodovia Transoceânica, que conecta Brasil e Peru.


     


    No Amazonas, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a produção de cana teve um aumento de 10,90% entre 2007 e 2008. Há ainda um projeto de produção de etanol da empresa Jayoro, que inclui o cultivo de 60 mil hectares de cana em regiões de floresta nativa.


     


    Em Goiás, as plantações de cana ocupam 339,2 mil hectares. Entre 2005 e 2006, a área plantada de cana no estado teve um aumento de 47,06%. De acordo com o Sindicato da Indústria de Fabricação de Açúcar do Estado de Goiás (Sifaeg), na safra de 2008/2009 há 27 usinas em operação, com previsão de chegar a 55 usinas até 2012. Ao todo, há 97 projetos de novas usinas, com incentivos fiscais aprovados pelo governo estadual. O aumento na produção de etanol nesta safra será de 78%, chegando a 2,12 bilhões de litros. Além da destruição de mata nativa, o cerrado principalmente, a indústria da cana substitui áreas de produção de alimentos e criação de gado, o que, consequentemente, pressiona a fronteira agrícola para a Amazônia.


     


    No Maranhão, de acordo com dados do IBGE, entre 2005 e 2006, o cultivo de cana aumentou 20,93%. Em setembro de 2006, o governo do Estado criou o Programa Maranhense de Produção de Biocombustíveis, que previa a construção de 45 novas usinas, com estimativas de produzir entre 4 bilhões e 7 bilhões de litros de etanol. O governo cita ainda como vantagens as instalações do Porto de Itaqui, a Ferrovia dos Carajás e a Companhia Ferroviária do Nordeste. A primeira parte do projeto prevê a construção de 20 usinas em um prazo de cinco anos, o que representaria a expansão de 15% na produção nacional de etanol. Segundo o governador do Maranhão, o Estado poderia utilizar 500 mil hectares para plantação de cana.


     


    Em Mato Grosso existem atualmente 11 usinas em funcionamento. As plantações de cana ocupam regiões do Pantanal, do Cerrado e da Amazônia, em uma área de 214.511 hectares. Na última safra, as usinas moeram em torno de 16.750.000 toneladas de cana. A Secretaria de Planejamento espera triplicar os atuais 800 milhões de litros de etanol. Segundo o Sindalcool-MT, há previsão de expandir as plantações de cana em cerca de dois milhões de hectares nas proximidades do município de Alto Taquari. Uma nova usina irá cultivar 35 mil hectares na região a partir de 2009, com capacidade para moer três milhões de toneladas de cana.


     


    Já no Mato Grosso do Sul, a Conab estimou um aumento de 51 mil hectares nas plantações de cana na safra de 2007/2008, o que significou 32% a mais do que a safra anterior, que já ocupava 160 mil hectares. Há nove usinas instaladas e cerca de 50 novos projetos, com solicitações de incentivos fiscais, que poderiam ocupar 800 mil hectares nos próximos anos, de acordo com previsões da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agrário. Em agosto de 2008, o governador Antré Pucicnelli, afirmou que o “Mato Grosso do Sul será o maior produtor de álcool do mundo, em sete anos”.


     


    Dados da Conab indicam que a safra da cana em Minas Gerais em 2008 será de 60,2 milhões de toneladas. Essa quantidade é 47% maior do que a safra anterior. Com este aumento, o estado passou a ser o segundo produtor de cana-de-açúcar do país, com uma área plantada de 467 mil hectares.


     


    A produção de etanol em Minas Gerais deve chegar a 2,2 bilhões de litros este ano. Segundo o Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool, existem 36 usinas em funcionamento no estado. Até 2012, a previsão é chegar a 52 usinas, com produção de 5,5 bilhões de litros de etanol.


     


    O secretário de Agricultura e Meio Ambiente do município de Luz, Dario Paulineli, descreve outros impactos na região. “A cana se expandiu rapidamente nos últimos anos. As empresas fazem contratos de arrendamento com agricultores e o impacto ambiental é enorme. Aplicam veneno de avião e atinge a população das cidades. Desmatam madeira de lei, plantam cana nas nascentes dos rios, não respeitam os estudos de impacto ambiental. Muitos animais estão morrendo com a devastação das matas”.


     


    O estado do Pará, de acordo com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade São Paulo (USP), poderia dispor de 9 milhões de hectares para produção de cana, o que significaria um aumento de 136% na produção de etanol no Brasil. A Conab estima que o Pará deve colher cerca de 736 mil toneladas de cana na safra de 2007/2008. A maior parte da produção (648,3 mil toneladas) é voltada para o etanol e somente 36,8 mil toneladas para a produção de açúcar.


     


    A usina Pagrisa, flagrada utilizando mão-de-obra escrava e responsável pela maior libertação de trabalhadores já feita até hoje pelo Grupo Móvel do MTE (1.064 pessoas), localizada no município de Ulianópolis, tem a maior plantação do estado, com 11,6 mil hectares, e produz 50 milhões de litros de álcool por ano. Segundo nota do Ministério das Relações Exteriores, “Não é à toa que a era dos biocombustíveis chegou com força total na Amazônia Legal. Não temos dúvidas de que o Pará provavelmente terá a plataforma de exportação do etanol mais competitiva do Brasil, que propiciará os maiores lucros para os investidores”.


     


    Em Rondônia há dois projetos de destilarias de etanol, nos municípios de Cerejeiras e Santa Luzia d’Oeste. Há outra usina no município de São Felipe, a 530 km de Porto Velho. Segundo Cléber Calixto, prefeito de Cerejeiras, “a cidade tem terras extremamente férteis e terá uma fábrica de etanol a partir de abril de 2009”.


     


    Em Roraima há dois projetos de usinas em andamento, com previsão de cultivar cana em uma área de 90 quilômetros quadrados até 2009, com uma primeira safra de 3 milhões de toneladas. O governo de Roraima incentiva o setor e oferece isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) até 2018. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio indica que o leste de Roraima seria uma das principais áreas de expansão do plantio de cana. Políticos locais fazem pressão para que o governo federal transfira terras públicas para controle dos estados. A Biocapital iniciou uma plantação de mudas e espera produzir 6 milhões de toneladas de cana até 2014, que serviriam de base para processar 530 mil litros de etanol.


     


    A empresa pernambucana Camaçari Agroindustrial, cultivou 200 hectares de mudas na fazenda São Sebastião e pretende expandir a produção de mudas em 1000 hectares até agosto de 2009. A empresa obteve isenção de 100% do ICMS e sua previsão é produzir 3 milhões de toneladas de cana até 2009.


     


    Enquanto isso, no Tocantins, a Secretaria da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seagro), afirma que há 16 usinas interessadas em se instalar no estado. De acordo com o governo do Tocantins, o estado poderá utilizar 650 mil hectares para o cultivo de cana. A previsão é produzir 2 milhões de toneladas de cana até 2014.


     


    O Grupo Cucaú adquiriu uma área de 1.300 hectares e iniciou a produção em 2006, com uma safra de 250 mil toneladas, com previsão de expandir para 500 mil toneladas. A empresa Maity Bionergia prevê a construção de três destilarias de etanol, cada uma com capacidade para processar 2,4 milhões de toneladas de cana. Segundo a Conab, houve um aumento de quase 16% na produção de cana no Tocantins, entre 2007 e 2008.


     


    Para ler o relatório completo, clique aqui.

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  • 13/11/2008

    Informe nº. 842: Lideranças indígenas retomam mobilização em favor da Raposa Serra do Sol



    •  Lideranças indígenas retomam mobilização em favor da Raposa Serra do Sol

    • Os Apolima-Arara pedem fiscalização contra roubo de madeira em sua terra no Acre

     


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    Lideranças indígenas retomam mobilização em favor da Raposa Serra do Sol


     


    Os indígenas que vivem na terra indígena Raposa Serra do Sol reforçaram, nas últimas semanas, a mobilização para garantir a posse da terra. O Supremo Tribunal Federal (STF) deve decidir, até o fim de 2008, se mantém a homologação da terra em área contínua, conforme definiu o decreto de homologação em 2005.


     


    Ontem (12/11), o grupo de indígenas que está em Brasília foi recebido pelos Ministros Ricardo Lewandovski, Cezar Peluso e Carmem Lúcia, do STF, para tratar da ação sobre a terra. Os indígenas entregaram um vídeo sobre a situação da área e um mapa com a disposição das 194 aldeias. Em 27 de agosto de 2008, o STF começou a julgar a Ação Popular que pede a nulidade da Portaria n. 534, de abril de 2005, que declarou os limites da terra Raposa Serra do Sol. Esta ação é movida pelo senadores e pelo Governo de Roraima e pelos invasores da terra.


     


    O ministro relator do processo, Carlos Ayres Britto, votou pela improcedência da ação, ou seja, pela manutenção da homologação da terra na forma contínua. Após o voto de Britto, o ministro Carlos Menezes Direito, pediu vistas do processo para analisá-lo melhor antes de votar. Quando Direito definir seu voto, o julgamento será retomado.


     


    Enquanto aguardam a decisão, os indígenas participam de reuniões e eventos a favor de sua causa. Amanhã (14/11), em Roraima, será lançada a segunda etapa da campanha Anna Pata Anna Yan (Nossa Terra, Nossa Mãe: Contínua e Constitucional), no auditório do Conselho Indígena de Roraima (CIR), em Boa Vista, a partir das 9 horas da manhã. Segunda-feira (17/11), haverá uma audiência pública na Assembléia Legislativa (AL) do Ceará, em Fortaleza, sobre a questão da terra. Na quarta-feira (19/11), as ações no STF sobre a terra Raposa Serra do Sol e sobre a terra dos Pataxó Hã Hã Hãe serão discutidos em uma audiência na AL da Bahia. 


     


    “Nós acreditamos que vai valer o que diz a Constituição. Falamos isso para todo mundo que visitamos. Estamos aguardando”, comenta Dejacir da Silva, do povo Makuxi, que está em Brasília.


     


    Histórico
    Na terra indígena Raposa Serra do Sol vivem cerca de 19 mil indígenas dos povos Makuxi, Wapichana, Ingaricó, Taurepang e Patamona. Em 15 em abril de 2005, a área foi homologada por Decreto Presidencial, com uma extensão de 1,743 milhão de hectares. Após a homologação, o governo federal passou três anos tentando negociar a retirada dos invasores de forma pacífica. A maioria saiu, mas um pequeno grupo de arrozeiros não aceitou nenhuma proposta. Em março de 2008, a PF iniciou a operação para retirar estes fazendeiros. Os invasores reagiram com ações violentas, como incêndio e bloqueio de pontes, explosões de bombas artesanais, tentativas de homicídio contra lideranças indígenas e outras ações.


     


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    Os Apolima-Arara pedem fiscalização contra roubo de madeira em sua terra no Acre


     


    Os Apolima-Arara denunciaram ao Ministério Público Federal (MPF) a retirada de madeira de sua terra, no município de Marechal Thaumaturgo, no Acre. A área depredada fica numa pequena parcela da Reserva Extrativista do Alto Juruá (Resex) que, após estudos, foi considerada parte da terra tradicional dos Apolima.


     


    Segundo os indígenas, o roubo de madeira – além da pesca e da caça predatória – aumentou depois de 15 de outubro de 2008, quando foi publicado no Diário Oficial o relatório que definiu os limites da terra indígena (21.720 hectares). Os moradores da Resex estariam participando dessas atividades ilegais.


     


    Oficialmente, até agora, nenhum órgão ou pessoa contestou os limites publicados no relatório. Entretanto, moradores e a entidade que organiza a Resex fizeram diversas reuniões no último mês para discutir como questionar a inclusão de parte da Resex na área que deve ser demarcada como terra indígena. Famílias estariam sendo incentivadas a ocupar esta parte da Resex.


     


    Amanhã (14/11), o coordenador do Cimi no Acre, Lindomar Padilha, o administrador da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Rio Branco, Antônio Apurinã, se reunirão com o procurador Anselmo, do MPF. Eles querem que o MPF solicite uma ação de fiscalização da Polícia Federal (PF) na área até 14 de janeiro, quando termina o prazo para contestações ao relatório de identificação.


     


    O cacique Francisco Siqueira, do povo Apolima, informou que eles estão tranqüilos e não vão reagir às ações de depredação ambiental. Preferem esperar a fiscalização da PF. Desde 1999, eles reivindicam a identificação da terra, onde, atualmente, vivem cerca de 180 famílias do povo.


    (informações Lindomar Padillha)


     


     


    Brasília, 13 de novembro de 2008


    Cimi – Conselho Indigenista Missionário

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  • 13/11/2008

    Lideranças indígenas reforçam campanha em favor da Raposa Serra do Sol

    A segunda etapa da campanha Anna Pata Anna Yan (Nossa Terra, Nossa Mãe: Contínua e Constitucional), será lançada próxima sexta-feira, 14/11, no auditório do Conselho Indígena de Roraima (CIR), em Boa Vista, a partir das 9 horas da manhã.  


     


    A abertura da campanha será com a invocação do pai Amoko Makunaíma. Em seguida haverá a exposição de registros fotográficos do da luta, sofrimento e conquista das lideranças indígenas pela demarcação e homologação da TI Raposa Serra do Sol.


     


    No ato de lançamento, o coordenador geral do CIR, Dionito Jose de Sousa, irá falar sobre a segunda etapa da Campanha em defesa da TI Raposa Serra do Sol. Após o pronunciamento do coordenador, será exibido o vídeo-documentário “Contínua e Constitucional”, produzido pelo cinegrafista indígena, Aldenir Cadete, da etnia wapichana.


     


    O documentário tem duração de 30 minutos e mostra os principais argumentos, que o ministro Ayres Britto, usou no julgamento no dia 27 de agosto, pelo Supremo Tribunal Federal, que foi favorável à demarcação em terra contínua da Raposa Serra do Sol. Além disso, o filme mostra a diversidade cultural dos povos indígenas de Roraima.


     


    Para finalizar o lançamento, será realizada uma coletiva de imprensa com o coordenador do Conselho Indígena de Roraima, Dionito Jose de Sousa, Aldenir Cadete, cinegrafista indígena, e, os professores Inácio Brito, coordenador da campanha Anna Pata, Anna Yan, e Pierlangela Nascimento da Cunha, coordenadora da Organização dos Professores Indígenas de Roraima.


     


    Conselho Indígena de Roraima

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  • 13/11/2008

    Novo documento pode mudar investigação sobre morte de Dorothy Stang

     


     


    As freiras Rebeca Spires e Julia Depweg apresentaram na última sexta-feira (7/11), à mídia nacional, um documento que pode mudar os rumos da investigação sobre a morte de Dorothy Stang. A missionária estadunidense foi morta em 2004, no município de Anapu, localizado no Pará. Tudo indica que os fazendeiros da região armaram uma emboscada para matar a religiosa que defendia o direito de famílias sem-terra da região.


     


    O documento apresentado pelas freiras, que trabalharam durante três décadas com a missionária, mostra que o fazendeiro Regivaldo Pereira Galvão, acusado de ser o principal mandante do crime, procurou o escritório do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Altamira (PA), no último dia 28, para doar parte do lote onde Dorothy foi morta. O fazendeiro afirma no documento que a propriedade não estava mais em seu nome.


     


    Regivaldo afirma que o lote pertence à Bida, pistoleiro que confessou ter assassinado Dorothy. Na época em que foi preso, Bida afirmou que o mandante do crime tinha sido Regivaldo Pereira. No entanto, meses depois, quando já estava preso, Bida mudou seu depoimento dizendo que tinha matado Dorothy por vontade própria, porque ele mantinha o controle de um lote que era ocupado por famílias da região, ligadas à missionária Dorothy.


     


    O documento indicaria que Regivaldo Pereira mantinha o controle do lote e, portanto, teria motivos para encomendar o assassinato da missionária.


     


    De São Paulo, da Radioagência NP, Juliano Domingues.

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  • 13/11/2008

    Mesmo do lado do São Francisco, assentados carecem de água potável

    Cerca de 300 agricultores assentados no Sertão de Alagoas ocuparam ontem (12/11) de manhã a prefeitura e o escritório regional da Central de Abastecimento de Saneamento, no município de Delmiro Gouveia.


    Os trabalhadores reivindicam abastecimento de água potável para os assentamentos da região, estradas e energia elétrica. As comunidades têm mais de três anos e, mesmo estando localizados às margens do rio São Francisco, estão sem acesso à água para consumir e para irrigar as lavouras.

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  • 13/11/2008

    Panamá: camponeses e indígenas exigem fechamento de Mina Petaquilla

     


    O Comitê Pró-fechamento de Mina Petaquilla realiza, nesta quarta-feira (12), piquetes em frente à Defensoria Pública, à Embaixada do Canadá e à Autoridade Nacional do Ambiente (ANAM). O protesto pacífico conta com a participação de representantes das comunidades camponesas e indígenas afetadas pelo projeto executado pela panamenha Petaquilla Gold e as canadenses Teck Cominco e Inmet Mining, em sua maior parte no Distrito de Donoso e em áreas de Coclé.


     


    Segundo os camponeses, a Mineradora Petaquilla (que mudou seu nome para Mineradora Panamá) é responsável pela devastação de importantes zonas de bosques, pela destruição de rios e barrancos, pela contaminação de águas, tanto superficiais como subterrâneas, dentro e fora do Corredor Biológico Mesoamericano, por violação dos direitos humanos de indígenas e camponeses e por múltiplas formas de abusos a moradores da região.


     


    As organizações afirmam que a Corte Suprema de Justiça decidiu recentemente – em resposta ao esclarecimento da sentença solicitada pela mineradora – que as leis ambientais do Panamá são aplicáveis à empresa panamenho-canadense. No entanto, apesar de a ANAM ter declarado que nada podiam fazer contra a empresa até que a Corte Suprema de Justiça não esclarecesse a sentença, a empresa continuou abrindo estradas, construindo uma hidrelétrica, preparando a fase de exploração do cobre e realizando explosões sem nenhum tipo de regulamentação nem fiscalização, inclusive dentro das águas, com graves ameaças às comunidades.


     


    “No lugar de aguardar o pronunciamento da Corte, a mineradora solicitou aproximadamente 76 mil hectares adicionais em sete pontos diferentes e contíguos, com o qual a concessão será comparável à antiga Zona do Canal dirigida pelos Estados Unidos. A ANAM ainda não sancionou a empresa, nem tampouco o Ministério do Comércio e Indústrias suspendeu nem ao menos anulou o contrato da mineradora apresar do não cumprimento do mesmo e de violações claras a nossas leis”, destacam.


     


    Dessa forma, o Comitê convoca os meios de comunicação do país, assim como a população em geral, a somar-se a este protesto justo e digno das comunidades de Petaquilla em defesa de suas terras e águas para demandar o fechamento da mina, a indenização ao Estado e às comunidades pela destruição ecológica integral como produto de uma avaliação do dano ambiental e social. Além disso, exige projetos de desenvolvimento sustentável a fim de diminuir o impacto das mudanças climáticas no país.


     

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  • 13/11/2008

    Colômbia: marcha indígena cumpre 34 dias até Bogotá


     


    Apesar dos pedidos do governo colombiano de desviar a mobilização pela ameaça do vulcão Machín, os indígenas continuam sua peregrinação contra as políticas de Álvaro Uribe e pela continuidade do diálogo começado em 2 de novembro. A Minga Nacional de Resistência Indígena e Popular começou na primeira hora de quarta-feira 12, e marcha até a cidade de Armenia, onde realizará uma Audiência Pública.


     


    Em um comunicado, a organização assegurou que contarão detalhes do espírito da Minga Nacional em um “departamento que utiliza os símbolos indígenas do passado, mas desconhece a contribuição do presente”.


     


    Depois continuará sua marcha até o departamento de Ibagué, onde o Vulcão Machín, também “se revela para que se detenha a exploração indiscriminada da Mãe Terra” afirma o comunicado.


     


    Por sua parte, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, pediu aos manifestantes que desviem seu percurso porque as autoridades de Ibagué não estariam em condições de recebê-los devido às conseqüências da atividade do vulcão.


     

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  • 13/11/2008

    AL da Bahia discute questões sobre os Pataxó e RSS

    A Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Estado da Bahia realiza, no dia 19 de novembro,  Audiência Pública sobre a nulidade de títulos imobiliários no território Pataxó Hã-hã-hãe no estado da Bahia e sobre a demarcação de Raposa Serra do Sol, no estado de Roraima.


     


    Considerando as atribuições da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Estado da Bahia de discussão e acompanhamento de assuntos de interesse público e social, com destaque para as questões ligadas aos direitos de cidadania, será realizada Audiência Pública que tem como finalidade sensibilizar e envolver os diversos agentes do poder público e da sociedade civil baiana e nacional neste debate que envolve a comunidade indígena da Bahia e do Brasil.


     


    A intenção é que esta atividade possa contribuir com a discussão coletiva da temática proposta de forma a gerar subsídios e potencializar ações de cooperação intra e inter governamentais com a sociedade civil para consecução dos objetivos da atividade proposta.


     


    Local: Assembléia Legislativa da Bahia – sala Dep. Herculano Menezes


    Dia: 19 de novembro de 2008

    Horário: 10h

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  • 13/11/2008

    Indígenas Guajajara interditam Casai no Maranhão

     


     


    Nós, agentes de saúde, agentes de saneamento, professores, caciques e lideranças indígenas do Povo Guajajara da Terra Indígena Araribóia, reunidos na aldeia Juçaral na ocasião da oficina sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), realizada de 03 a 04 de novembro de 2008, pelo Departamento de Atenção às DST/AIDS da Secretaria de Estado de Saúde do Maranhão (SÉS/MA) e Coordenação das Organizações e Articulações dos Povos Indígena do Maranhão (COAPIMA), com a colaboração do Mestrado em Saúde e Ambiente da Universidade Federal do Maranhão (MSA/UFMA) e do Distrito Sanitário Especial Indígena do Maranhão (DSEI-MA) da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), diante da gravidade da situação de desassistência à saúde das comunidades indígenas do Maranhão especialmente na Terra Indígena Araribóia; diante da morosidade das medidas que vêm sendo anunciadas pelo DSEI-MA e pela FUNASA para superar essa situação, vimos informar às autoridades responsáveis, que decidimos, para o enfrentamento dessa situação, interditar as Casas de atenção à saúde indígena “Casais” de Imperatriz e de Amarante do Maranhão, por absoluta falta de condições de funcionamento: água, saneamento, infra-estrutura, medicamentos, alimentação, transporte e profissionais de saúde de nível superior.


     


    Esta interdição visa exigir dos responsáveis:  


     


    ü       A construção imediata do pólo de saúde indígena de Amarante do Maranhão;


     


    ü       A construção imediata da Casai de Imperatriz; (apesar de já ter sido determinada pelo Ministério Público Federal multa diária à FUNASA enquanto estas situações do pólo de Amarante do Maranhão e da Casai de Imperatriz, esta ainda não se manifestou)


     


    ü       A perfuração imediata dos poços artesianos, conforme compromisso já assumido pelo Departamento de Saneamento da FUNASA, nas aldeias: Buracão, Nova Cabeceira, Lagoa do Manezinho, Marajá, Kaa´té, Cigana, Caititu;


     


    ü       A instalação de equipamentos da rede de distribuição de poços já perfurados nas aldeias: Lagoa Quieta, Juçaral, Canudal, Guaruhu e Novo Funil;


     


    ü       A perfuração de poços artesianos, instalações dos equipamentos da rede de distribuição nas aldeias: Chapadinha, Bela Vista, Três Lagoas, Bom Jardim, Cabaça, Buritirana, Cafeteira, Serrinha, Barreiro, Angelim, Genipapo dos Ribeiros, Placa, Brejinho, Tamburi;


     


    ü       A capacitação técnica dos agentes de saneamento, que serão contratados;


     


    ü        Maior agilidade na conclusão da construção dos postos de saúde em andamento;


     


    ü       A construção da Casai de Bom Jesus das Selvas;


     


    ü       A criação de um Distrito Sanitário Especial Indígena, com sede em Imperatriz, para atender a população da região tocantina, com automonia política, financeira e Administrativa (a designação do chefe do DSEI  deve ser pactuada e passar aprovação de seu Conselho Distrital, a ser instalada ainda antes da implementação deste Distrito).


     


    ü       A regularização trabalhista dos profissionais de saúde que atuam junto às comunidades indígenas;


     


    Ressaltamos que todas estas medidas se impõem em caráter emergencial, pois delas depende diretamente o enfrentamento de várias endemias  consideradas sob controle pelos programas de governo: hepatite, verminoses, diarréias infecciosas, doenças imuno-previníveis.


     


    Diante do exposto, exigimos providências imediatas.

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  • 10/11/2008

    Newsletter n. 841: Indigenous demand inquiry into police violence against Tupinambá

    In a massive display of solidarity about 130 representatives of 21 indigenous people in Bahia, Minas Gerais and Espírito Santo came to the village of Serra do Padeiro, Bahia. The Tupinambá village was victim of a violent federal police attack two weeks ago. The act happened after the Regional Reunion on the Indigenous People Statute in Ilhéus.


     


    The participants sent out a motion that repudiates the Police action that left ten indigenous of the Serra do Padeiro village injured by rubber bullets and that destroyed school transport vehicles, furniture of the local school, agricultural fields and houses, among other things.


     


    They equally repudiated the decision of the Federal Court that determined the evacuation of the Tupinambá of their villages, as to comply with the reintegration order. The attempt of the federal police to evacuate the indigenous ended in a violent raid.


     


    Torture claims


    The indigenous demanded an immediate police inquiry to corroborate the claims of torture, abuse of authority, damage of public and private patrimony and robbery by police officers during the raid.


     


    They also demand that the absence of authority of the Federal Court of Bahia and of the Federal Ministry be evaluated.


     


    They equally solicited that the National Council of Justice determine regulations to avoid violations of human rights when court orders are carried out, also in territories occupied by indigenous communities in search of their recognition.


     


    Thirteen years delay


    The two days workshop on the Federal Indigenous Statute had specifically addressed the way the Police act in indigenous territories. In fact, various indigenous communities in Bahia encounter abuse by the Police. The proposals resulting from this workshop will be handed over to National Committee on Indigenous Policy (CNPI).


     


    This CNPI will gather all suggestions coming from the 10 regional workshops about the Statute. It is via the Committee that the indigenous people of Brazil will submit their proposal for the Indigenous Statute. Currently, the Law proposing the new Statute has been lingering in the national congress for 13 years now


     


    Besides representatives of the indigenous people, also Ngo’s like CIMI and Anai participated in the workshops, as well as governmental organs like the Foundation for Indigenous Affairs, the ministries of Environment, Justice and Social Affairs development, and universities.


     


    Brasília, 7th of November 2008


    Cimi – Indianist Missionary Council


    www.cimi.org.br

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