• 04/02/2009

    Povos indígenas presentes no Fórum Mundial de teologia e Libertação

    Nós, povos indígenas brasileiros presentes no III Fórum mundial de teologia e Libertação, representando os diversos povos indígenas do Brasil, assumimos o compromisso de partilhar com os povos não índios presentes no grande café teológico a nossa mensagem e ações concretas sobre como estamos fazendo para cuidar da natureza amazônica, riqueza tão importante para continuidade da vida de toda humanidade.


    Diante de nossos testemunhos falamos para o mundo que devemos ser menos pensantes e mais atuantes. Não basta apenas falar de preservação se continuarmos a destruir as florestas, os rios e a nossa mãe terra. Devemos, sim, encontrar outros meios de construir o progresso, porém sem destruir o que ainda nos resta.


    A natureza, com toda sua riqueza, não precisa de nós humanos. Pelo contrário: somos, nos seres humanos, que precisamos dela, porque não vivemos sem água, sem o ar que respiramos, muito menos sem terra.


    Com nossas contribuições, através de nossas experiências, esperamos que o mundo presente na cidade de Belém, ao retornar para seus países de origem, possa por em prática tudo que pedimos e vivenciamos juntos.


     Acreditamos que se cada indivíduo praticar parte do que almejamos em termos de preservação e respeito, a natureza e tudo que nela existe já estaremos construindo um outro mundo possível, onde nossos filhos, netos e bisnetos poderão viver dignamente com água, potável, terra fértil e o meio ambiente com sua flora e fauna preservada e respeitada.


    Só assim todos poderão ser felizes, mas para que isso se torne realidade é fundamental que todos nós assumamos realmente o compromisso de amantes da natureza defendendo-a da destruição.


     


    Eva Canoé/Rondônia

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  • 02/02/2009

    Agricultor morre no canteiro de obras da barragem Moinho


    Na tarde de ontem (29/01), o agricultor João dos Santos, morador do município de Barracão (RS), morreu no canteiro de obras da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Moinho, aos olhos de policiais que lá estavam. Segundo testemunhas, o agricultor morreu afogado ao tentar atravessar o rio Bernardo José. No local não havia equipamentos de resgate e o corpo ainda não foi encontrado.


    A PCH Moinho é de responsabilidade da Engevix S.A, e está localizada no rio Bernardo José, entre as cidades de Barracão e Pinhal da Serra, no Rio Grande do Sul. A empresa ENGEVIX S.A é a mesma que fraudou o estudo de impacto ambiental (EIA) da barragem de Barra Grande, quando escondeu a existência de seis mil hectares de mata primária, principalmente araucárias.


    Neste mesmo canteiro,  os  atingidos pela barragem, organizados pelo MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) estão acampados desde dezembro de 2008. Eles reivindicam indenizações justas para as famílias. Porém, na última terça-feira  cinco agricultores foram presos e tiveram seus barracos destruídos pela brigada militar. Além disso, os policiais foram até os lotes dos agricultores que ainda não foram expulsos e soltaram os animais que comeram toda a plantação dos atingidos.


    O MAB, “Lamenta que mais uma família esteja sofrendo. Desde que estas grandes empresas construtoras de barragens vieram se instalar aqui na nossa região, só tem acontecido coisa ruim para a população. Pessoas sendo expulsas das suas terras e do seu trabalho, prisões e criminalização daqueles que lutam contra estas injustiças, mortandade de peixes, desmatamento, fechamento de escolas, estradas, esfacelamento de comunidades”.

    Apesar da tragédia os atingidos decidiram manter o acampamento e estão convocando toda a sociedade da região para participar de um grande ato publico de repúdio às barragens no dia 16 de fevereiro, em Pinhal da Serra.

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  • 02/02/2009

    Agricultor morre no canteiro de obras da barragem Moinho

    Na tarde de ontem (29/01), o agricultor João dos Santos, morador do município de Barracão (RS), morreu no canteiro de obras da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Moinho, aos olhos de policiais que lá estavam. Segundo testemunhas, o agricultor morreu afogado ao tentar atravessar o rio Bernardo José. No local não havia equipamentos de resgate e o corpo ainda não foi encontrado.


    A PCH Moinho é de responsabilidade da Engevix S.A, e está localizada no rio Bernardo José, entre as cidades de Barracão e Pinhal da Serra, no Rio Grande do Sul. A empresa ENGEVIX S.A é a mesma que fraudou o estudo de impacto ambiental (EIA) da barragem de Barra Grande, quando escondeu a existência de seis mil hectares de mata primária, principalmente araucárias.


    Neste mesmo canteiro,  os  atingidos pela barragem, organizados pelo MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) estão acampados desde dezembro de 2008. Eles reivindicam indenizações justas para as famílias. Porém, na última terça-feira  cinco agricultores foram presos e tiveram seus barracos destruídos pela brigada militar. Além disso, os policiais foram até os lotes dos agricultores que ainda não foram expulsos e soltaram os animais que comeram toda a plantação dos atingidos.


    O MAB, “Lamenta que mais uma família esteja sofrendo. Desde que estas grandes empresas construtoras de barragens vieram se instalar aqui na nossa região, só tem acontecido coisa ruim para a população. Pessoas sendo expulsas das suas terras e do seu trabalho, prisões e criminalização daqueles que lutam contra estas injustiças, mortandade de peixes, desmatamento, fechamento de escolas, estradas, esfacelamento de comunidades”.

    Apesar da tragédia os atingidos decidiram manter o acampamento e estão convocando toda a sociedade da região para participar de um grande ato publico de repúdio às barragens no dia 16 de fevereiro, em Pinhal da Serra.

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  • 30/01/2009

    Informe n.851 – FSM 2009: Indígenas defendem rios brasileiros e buscam apoio para suas lutas

    A defesa dos rios e o direito de decidir sobre empreendimentos que impactam as terras indígenas foram algumas das principais questões discutidas pelos povos indígenas durante os primeiros dias do Fórum Social Mundial (FSM), que acontece em Belém, Pará, entre 27 de janeiro e 1 de fevereiro.


     


    A presença de mais 1200 indígenas do Brasil e da América Latina no FSM é um dos principais destaques do evento. Por onde passam, os indígenas chamam a atenção e os demais participantes do encontro abrem passagem e se apressam para filmar e tirar fotos. Até para moradores de Belém, a presença de indígenas paraenses surpreende mais do que a presença de estrangeiros de diversos países.


     


    No entanto, além de serem vistos e reconhecidos, os povos indígenas querem que os demais grupos e movimentos sociais presentes se unam a eles nas lutas pelo bem comum. Como lembraram diversas lideranças indígenas na abertura do evento, a defesa das terras indígenas interessa a todo mundo, pois elas são importantes para a preservação ambiental, necessária para a sobrevivência do planeta. Dentro desse contexto, os indígenas brasileiros fizeram diversas ações para articular a defesa de rios brasileiros ameaçados por grandes empreendimentos.


     


    No dia 28 de janeiro, indígenas e ribeirinhos que vivem perto de rios ameaçados se reuniram às margens do rio Guamá para falar sobre as ameaças aos rios São Francisco (transposição), Madeira (Hidrelétrica de Jirau), Xingu (hidrelétrica de Belo Monte), Tocantins (hidrelétrica de Estreito), entre outros.


     


    Seu Toinho Pescador, alagoano, lembrou dos tempos em que ele conseguia sustentar a família pescando nas correntes do ‘Velho Chico’. Caso a transposição das águas desse rio seja concluída, seu Toinho e os ribeirinhos da região não conseguirão mais tirar o sustento do rio.


     


    José Carlos Arara, do rio Xingu, ressaltou que “há várias maneiras de alcançar desenvolvimento sem destruir o meio-ambiente, deixando os parentes sem ter de onde tirar a água e o alimento para dar continuidade à sua própria sobrevivência”. O consenso presente entre os povos na reunião é o de que não é necessário um projeto de destruição em função de desenvolvimento. “Não é dever só dos índios lutar pela causa dos rios, mas de todo habitante da Terra”, advertiu Natanael Karajá. Após a reunião, os indígenas, ribeirinhos e demais participantes fizeram um ritual no rio Guamá para pedir a força aos espíritos das águas.


     


    No dia 29, outro debate enfatizou os problemas que a hidrelétrica de Belo Monte pode causar. Dom Erwin, bispo do Xingu e presidente do Cimi, ressaltou que a maioria da população da região é contra o empreendimento e que a consulta sobre a obra só está sendo feita ao comerciantes e empresários de Altamira.


     


    A defesa da terra e dos rios também é foco da campanha Povos Indígenas na Amazônia: Presente e Futuro da Humanidade, que foi lançada no dia 28 de janeiro no FSM. A iniciativa pretende sensibilizar a sociedade para a importância de se proteger os povos indígenas da Amazônia, acuados pela crescente agressão ao meio ambiente causada, principalmente, por madeireiros, garimpeiros, pecuaristas e pelo avanço da fronteira agrícola (soja, cana…).


     


    Até o dia 1 de fevereiro, os indígenas ainda participarão de diversos debates e manifestações e assim, tentarão aproveitar essa rara oportunidade em que são foco das atenções para dar seu recado. Como destacou Miguel Palacin, da Coordenação Andina das Organizações Indígenas (CAOI), após a apresentação dos indígenas na abertura do evento: “para um mundo melhor, a violência, a criminalização, o racismo e todas agressões que os indígenas sofrem devem acabar e, em vez disso, devem ser construídos os Estados Plurinacionais, como já ocorre na Bolívia e no Equador.”

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  • 30/01/2009

    FSM 2009: as árvores e as águas falarão

    Mais de um quilômetro e meio de gente apinhada em movimento. Permanente. Durante todo o dia as árvores e a mata em recuperação na Universidade Federal Rural do Pará testemunham o andar alegre e apreensivo de corações e mentes em busca do outro mundo, em debate, em construção.


     


    A crise global faz com que o imenso “seringal de gente” transforme por alguns dias a monotonia das seringueiras plantadas ao longo do caminho, em denúncia de um passado que precisa ser revisitado, porém com outro olhar e perspectiva de futuro. Mais do que isso. Em anúncio, em sementeira de milhares de cores e frutos no caminho plural do novo sendo semeado. A humanidade não é o que o capital quer. Uma homogeneidade burra e monótona. Ela é esse mar de cores e corpos pintados, de centenas de línguas se entrecruzando na comunicação universal de sons e gestos, de amor e destemor. Essa imagem bonita do janeiro chuvoso, mas sempre ensolarado, de Belém, certamente ficará marcada num quadro lindamente emoldurado com os dizeres: aqui Gaia respirou.


     


    O tom desse FSM não poderia ser outro – em meio às águas e as florestas da Amazônia ameaçada e agredida, o grito da vida ganha o mundo, emerge do mais profundo das águas e florestas, da biodiversidade e das vozes silenciadas por séculos de opressão e extermínio. São os rios ameaçados pela contínua agressão dos agrotóxicos, por hidrelétricas que se transformarão em monumentos à insanidade, pela pesca predatória. O grito de basta. Urgente. Querem matar o rio Xingu, querem tragar o rio São Francisco, querem sujar com mercúrio o Tapajós, querem barrar o rio Madeira, Querem comprar e vender o rio Amazonas, Negócio de futuro! Contra isso tudo o que resta é o clamor permanente – “água e energia não se vende, se defende!”.


     


    Entre luzes e sombras, entre monstros e fantasmas, entre guerras e esperança de paz, a humanidade vai lentamente construindo novos caminhos que necessariamente terão que superar a lógica neoliberal do consumismo, da exclusão, da acumulação, do modelo de produção capitalista, da mercantilização da vida. Temos que reencontrar o “bem viver”, quiçá na vida solidária  e simples, na sabedoria milenar dos povos nativos,  na reconstrução da harmonia entre todas as formas de vida.


     


    Entre o calor e a chuva vai sendo construído mais esse importante marco na marcha mundial para os outros mundos possíveis.  Talvez mais dos que as potentes câmeras, lentes, tele-objetivas conseguirem captar, aprisionar e registrar, as árvores e águas transformarão toda essa riqueza de rumos, sonhos, utopias e esperança em pedras preciosas para o futuro da humanidade. E as águas e as árvores falarão!


     


    Egon Heck


    Cimi


    Belém, 30 de janeiro de 2009

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  • 29/01/2009

    FSM 2009: Pesquisa identifica 500 aldeias Guarani da América do Sul

    Pesquisadores de três países registram em mapa devastação ambiental na maior região de ocupação indígena da América do Sul


     


    Na região de fronteira entre Argentina, Paraguai e Brasil, há pelo menos 500 aldeias, onde vivem cerca de 100 mil Guarani incluindo as comunidades do litoral do Atlântico, o Chaco, o norte da Argentina até a Bolívia, resistindo à falta de reconhecimento de suas terras e à intensa devastação ambiental na região. O mapa e o caderno Guarani Retã, que apresentam estes dados, serão lançados no dia 29 de janeiro, na Tenda dos Povos Indígenas, durante o Fórum Social Mundial.


     


    O mapa/caderno, elaborado por pesquisadores de universidades e organizações indigenistas do Brasil, Argentina e Paraguai, apresenta a localização das aldeias, a população Guarani nestes países e as ameaças que os povos enfrentam. No mapa aparecem somente as comunidades Guarani da região central da América do Sul, entre os rios Paraguai, Paraná e Uruguai. Não estão incluídas as aldeias do litoral brasileiro, do Chaco Paraguaio, do oriente da Bolívia e do norte da Argentina, que serão contempladas no próximo mapa.


     


    O caderno traz informações sobre população, localização e a cultura e o modo de ser Guarani. O estudo também trata das agressões sofridas pelas comunidades, destacando a intensa devastação ambiental, causada pelo monocultivo (soja, cana de açúcar, pínus…) e a exploração pecuária na região. Outro grave problema é falta de reconhecimento das terras Guarani. Como conseqüência dessa situação, os povos Guarani vivem, nos três países estudados, em condições precárias e de extrema dependência. No Brasil, onde vivem cerca de 45 mil Guarani, as comunidades enfrentam altos índices de assassinatos, suicídios e desnutrição.


     


    O mapa será uma importante ferramenta dos povos Guarani na luta por seus direitos e pode contribuir para a elaboração de políticas públicas adequadas, principalmente, a política de demarcação de terras.


     


    Lançamento Mapa/Caderno Guarani Retã:


    Dia: 29/01/2009


    Horário: 15h-15h30


    Local: Tenda dos povos indígenas – UFRA


    Presentes: Lideranças Guarani do Brasil e do Paraguai, Dra. Deborah Duprat (sub-procuradora do MPF), pesquisadores que elaboraram o mapa.


    Contatos para imprensa:
    Carlos Macedo – CTI: 11-9984 1416


    Marcy Picanço – CIMI: 61 – 9979-7059


     


    Pesquisa:


    Brasil


    Centro de Trabalho Indigenista – CTI ; Conselho Indígena Missionário- CIMI; Universidade Federal de Grande Dourados – UFGD


    Argentina


    Universidad Nacional de Misiones – UNAM; Equipo Nacional de Pastoral Aborigen – ENDEPA


    Paraguai


    Gente, Ambiente y Territorio – GAT; Centro de Estudios Paraguayos Antonio Guash – CEPAG; Coordinación Nacional de Pastoral Indígena – CONAPI; Servicio de Atención al Indio – SAI; SPSAJ


    Apoiadores e colaboradores:


    Brot für die Welt; EED; AECID, UNICEF, Instituto Socioambiental,  CAFOD, SURVIVAL INTERNATIONAL, Embaixada da Noruega

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  • 28/01/2009

    FSM 2009: Pesquisa identifica 500 aldeias Guarani da América do Sul

    FSM 2009: Pesquisa identifica 500 aldeias Guarani da América do Sul


     


    Pesquisadores de três países registram em mapa devastação ambiental na maior região de ocupação indígena da América do Sul


     


    Na região de fronteira entre Argentina, Paraguai e Brasil, há pelo menos 500 aldeias, onde vivem cerca de 100 mil Guarani incluindo as comunidades do litoral do Atlântico, o Chaco, o norte da Argentina até a Bolívia, resistindo à falta de reconhecimento de suas terras e à intensa devastação ambiental na região. O mapa e o caderno Guarani Retã, que apresentam estes dados, serão lançados no dia 29 de janeiro, na Tenda dos Povos Indígenas, durante o Fórum Social Mundial.


     


    O mapa/caderno, elaborado por pesquisadores de universidades e organizações indigenistas do Brasil, Argentina e Paraguai, apresenta a localização das aldeias, a população Guarani nestes países e as ameaças que os povos enfrentam. No mapa aparecem somente as comunidades Guarani da região central da América do Sul, entre os rios Paraguai, Paraná e Uruguai. Não estão incluídas as aldeias do litoral brasileiro, do Chaco Paraguaio, do oriente da Bolívia e do norte da Argentina, que serão contempladas no próximo mapa.


     


    O caderno traz informações sobre população, localização e a cultura e o modo de ser Guarani. O estudo também trata das agressões sofridas pelas comunidades, destacando a intensa devastação ambiental, causada pelo monocultivo (soja, cana de açúcar, pínus…) e a exploração pecuária na região. Outro grave problema é falta de reconhecimento das terras Guarani. Como conseqüência dessa situação, os povos Guarani vivem, nos três países estudados, em condições precárias e de extrema dependência. No Brasil, onde vivem cerca de 45 mil Guarani, as comunidades enfrentam altos índices de assassinatos, suicídios e desnutrição.


     


    O mapa será uma importante ferramenta dos povos Guarani na luta por seus direitos e pode contribuir para a elaboração de políticas públicas adequadas, principalmente, a política de demarcação de terras.


     


    Lançamento Mapa/Caderno Guarani Retã:


    Dia: 29/01/2009


    Horário: 15h-15h30


    Local: Tenda dos povos indígenas – UFRA


    Presentes: Lideranças Guarani do Brasil e do Paraguai, Dra. Deborah Duprat (sub-procuradora do MPF), pesquisadores que elaboraram o mapa.


    Contatos para imprensa:
    Carlos Macedo – CTI: 11-9984 1416


    Marcy Picanço – CIMI: 61 – 9979-7059


     


    Pesquisa:


    Brasil


    Centro de Trabalho Indigenista – CTI ; Conselho Indígena Missionário- CIMI; Universidade Federal de Grande Dourados – UFGD


    Argentina


    Universidad Nacional de Misiones – UNAM; Equipo Nacional de Pastoral Aborigen – ENDEPA


    Paraguai


    Gente, Ambiente y Territorio – GAT; Centro de Estudios Paraguayos Antonio Guash – CEPAG; Coordinación Nacional de Pastoral Indígena – CONAPI; Servicio de Atención al Indio – SAI; SPSAJ


    Apoiadores e colaboradores:


    Brot für die Welt; EED; AECID, UNICEF, Instituto Socioambiental,  CAFOD, SURVIVAL INTERNATIONAL, Embaixada da Noruega

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  • 28/01/2009

    A TERRA INDÍGENA RAPOSA SERRA DO SOL INTEGRAL SIM,

    Roraima – Brasil


    Em 2005, após décadas de luta dos povos da TIRSS (19.078 indigenas do Povo Ingarikó, Macuxi, Taurepang, Patamona e Wapichan), finalmente, o Presidente Lula reconheceu a demarcação da terra em área continua. Essa demarcação foi confirmada pela maioria dos Ministros do STF, porém, discuti-se ainda 18 condicionantes que limitam direitos indígenas.


    O CASO NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – VITÓRIAS E DESAFIOS


    (entenda as limitações aos nossos direitos e as implicações para os direitos humanos e os direitos territoriais indígenas no Brasil)


    Foi uma vitória para RSS, a posição da maioria dos Ministros do STF sobre a ação que pede a anulação da demarcação da TIRSS, por que reconhece que é possível demarcar terra indígena em área de fronteira e de forma contínua, em área única.


     


    Os  Ministros entenderam que a demarcação foi feita de forma correta, que o laudo antropológico é válido e que é possível demarcar terra indígena sem comprometer o princípio federativo e o desenvolvimento do Estado. A ação popular foi considerada improcedente pela maioria porque a demarcação não causou prejuízo ao País.


     


    No entanto, o Ministro Carlos Menezes de Direito julgou além do pedido e propôs 18 condicionantes. Algumas dessas condicionantes violam os direitos constitucionais dos povos indígenas, como por exemplo:


    ·       o direito originário, imprescritível e necessário dos povos indígenas sobre as terras que tradicionalmente ocupam. O Ministro interpreta que 1988 é o marco para o reconhecimento dos direitos indígenas e que ficariam impossibilitadas quaisquer ampliações das terras indígenas já demarcadas. 


    ·       O direito de consulta previa e informada dos povos indígenas. Foi proposto que o consentimento das comunidades indígenas é dispensável mesmo nos casos de realização de projeto, obra, empreendimento e atividades que vejam ocorrer em suas terras;


    ·       O direito da autonomia dos povos indígenas ao utilizar a terra indígena e seus recursos naturais. Não se reconhece o direito dos povos indígenas à organização social, usos costumes e tradições.


     


    Essas condicionantes podem afetar o direito originário as terras, violando o espírito da Constituição que protege os direitos dos povos indígenas.


     


    As condicionantes apresentadas não são consenso entre os Ministros, mas se forem mantidas terão repercussões danosas para os PI em caso de  sobreposição de Terra Indígena e Unidade de Conservação,  atuação das Forças Armadas dentro das TIs. Essas condicionantes ferem o direito de Consulta Prévia das comunidades indígenas.


     


    PREOCUPAÇOES E REIVINDICAÇÕES


    Os Povos indígenas temem que, se as 18 condições colocadas não forem discutidas, modificadas e até removidas, elas podem comprometer seriamente a demarcação, titulação e desintrusão da RSS e de outras terras indígenas no Brasil. Essas condições afetam o pleno direito de uso e gozo dos povos indígenas sobre suas terras e usufruto exclusivo dos recursos naturais, e podem afrontar dispositivos constitucionais e internacionais.


    Algumas das condições impostas afetam a capacidade dos povos indígenas de administrarem suas terras e suas atividades e de negociarem os benefícios a que fazem jus, por que advindos dos projetos de infra-estrutura e desenvolvimento em terras indígenas. Até mesmo decisões sobre o trânsito e a ocupação não-indígena na terra saem do controle indígena.


    Nessa mesma linha, os povos indígenas manifestam preocupação com as interpretações sobre os direitos constitucionais e com as referências negativas e distorcidas em relação ao direito internacional aplicado ao caso. O STF afastou a aplicação de instrumentos internacionais e repugnou a necessidade de uma Declaração tal como a Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas, como se não fosse compatível com nossa constituição.


    Isso mostra a falta de atenção do Estado às suas obrigações internacionais de direitos humanos para os povos indígenas. Assim, chamamos todos os movimentos de direitos humanos presentes neste FORUM SOCIAL MUNDIAL de 2009 que apóiem nossas reivindicações:


    ·         Que o STF possa confirmar a constitucionalidade da demarcação da TI Raposa Serra do Sol em área continua, sem qualquer condicionante que possa afetar seus direitos;


    ·         Que seja analisada de acordo com base do devido processo legal, não impondo qualquer decisão abusiva que comprometa os direitos constitucionais indígenas;


    ·         Que seja garantida a conclusão da desintrusão e reintegração de posse as comunidades indígenas


    HISTÓRICO


    1977 – inicia o processo de reconhecimento da terra com a criação de GT de identificação


    1993 – TI é identificada pela Funai em área continua


    1998-  editada a Portaria Declaratória que demarcou em área continua a TI


    2005 – Presidência da Republica homologa a TI


    2008 – STF suspende a Operação de retirada de invasores concedendo liminar a favor do Estado


    2008 – 27 de agosto de 2008, STF inicia julgamento  

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  • 28/01/2009

    Indígenas são destaque na abertura do FSM 2009

    Os mais de 1200 indígenas presentes ao Fórum Social Mundial 2009 foram o grande destaque do primeiro dia do evento que começou ontem, 27 de janeiro, e terminará dia 1 de fevereiro. A riqueza cultural dos povos do Brasil e América Latina presentes encantou as quase 100 mil pessoas de diversos países que participaram da marcha de abertura do FSM.


     


    No início da tarde, à beira da baía do Guajará, os povos africanos fizeram um ritual para transmitir, simbolicamente, a sede do FSM, já que, em 2008, o evento aconteceu em Nairóbi, Quênia. Ao tocarem os tambores para Oxum, protetor das águas doces, o tradicional “toró” da tarde caiu forte para refrescar os participantes do FSM 2009 e marcar o início do marcha inaugural do evento. Após caminharem animados, por baixo da forte chuva, os participantes do FSM assistiram, ao final da passeata, a uma apresentação de danças tradicionais de mais de 20 povos indígena das América Latina. Enquanto a multidão se espalhou pela Praça do Operário, os indígenas foram os anfitriões e convidados de honra do evento. Um tratamento merecido, mas ao qual os povos não estão acostumados, nem mesmo na Amazônia.


     


    Durante a apresentação, alguns problemas que afetam os povos da Abya Yala (América) foram lembrados. Romancil Creta, da Arpinsul, lembrou que os colonizadores expulsaram brutalmente os povos da região Sul e do Mato Grosso Sul de suas terras e que agora as terras da Amazônia também estão ameaçadas por predadores ambientais, pelo agronegócio e por grandes projetos. Marcos Apurinã, da Coiab, após a apresentação dos povos do Vale do Javari (AM) lembrou da grave situação que estes e os demais povos enfrentam na questão do atendimento à saúde.


     


    Dentre os representantes de outros países, uma líder Quéchua conclamou todos os presentes para defenderem a mãe-terra, pois disso depende o futuro da humanidade. E ao fim das apresentações, Miguel Palacin, da CAOI, falou que a violência, a criminalização, o racismo e todas agressões que os indígenas sofrem devem acabar e, em vez disso, todos devem apoiar a efetivação dos Estados Plurinacionais, como já ocorre na Bolívia e no Equador.


     


    Bandeira Humana


    Na manhã de ontem, antes mesmo da passeata, os indígenas já haviam mandado seu recado ao mundo. Após uma caminhada pela Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), eles e outros presentes formaram uma enorme bandeira humana que convocou o mundo para salvar a Amazônia.


     


    A proteção da região, cada vez mais ameaçada, é um dos principais temas em debate no FSM. Hoje, às 17h, na tenda dos Povos indígenas,  uma coalizão de entidades lançará a campanha Povos indígenas da Amazônia: presente e futuro da humanidade. Amanhã, às 8h30, na tenda dos Povos da Floresta, diversos povos debaterão os impactos que os projetos hidrelétricos podem causar aos povos indígenas da região. Dentre os povos ameaçados este tipo de empreendimento estão, os que vivem na região do rio Xingu (Pará) e do rio Tocantins (Tocantins).


     


     


    “Povos das águas: preocupações e esperanças”



     


    O semblante de José Carlos Arara, um representante do povo Arara nas regiões do rio Xingu que está participando do Fórum Social Mundial 2009 em Belém, expressa a seriedade que as discussões a serem realizadas entre 27 de janeiro e 1 de fevereiro, no Fórum Social Mundial 2009, significam para os povos indígenas do Brasil. José Carlos tem os olhos negros e compenetrados. Conversa com serenidade sobre a realidade que ameaça sua própria sobrevivência e a de seus parentes: a possível contrução da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, próximo à Altamira, no Pará. “Aqui a gente pode juntar forças e os parentes de outras regiões que enfretam problemas parecidos podem saber que não estão lutando sozinhos.”, afirma Carlos sobre as perspectivas de articulação com outros povos no encontro que ocorrem em Belém, Pará.


     


    José Carlos pertence a uma das aldeias localizadas no rio Xingu e rio Abacajá que serão afetadas pela seca caso a hidrelétrica de Belo Monte seja construída. São cerca de duas mil pessoas que já vivem com uma infra-estrutura, que inclui postos de saúde, educação, e, no entanto, não aparecem nos estudos da Eletronorte como povos que serão afetados. Segundo Carlos, estes estudos apenas comsideram como afetados os povos que vivem nas regiões que serão alagadas.


     


    A realidade dos povos do Xingu é uma das questões que os indígenas discutirão no FSM. Os povos indígenas brasileiros estão todos acampados na Escola Mário Barbosa, próximo à Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA). Maria José Tapuio, da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), coordenadora do acampamento indígena, ressalta que “nosso objetivo aqui é discutir a questão da terra, educação, saúde e mostrar que nós existimos, porque ao mundo parece que nós não existimos. Queremos que o governo coloque em prática nossas reivindicações e que garanta que a natureza fique em pé, porque é dela que nós vivemos. Aqui no acampamento vemos a diversidade da natureza.”


     


    O sorriso delicado e o requinte do artesanto com que Dona Isabel tece chapéus, bolsas e bijuterias, herança de seus ancestrais, com o capim dourado que se tornou conhecido como uma das belezas da região do Jalapão, camuflam a dor que a perspectiva da falta de água aflige Dona Isabel e as mulheres do povo Xerente. Sua aldeia vive em áreas do alto Tocantins e sofrera grandes impactos caso se construa a hidrelétrica do Estreito. Esta aflição que paira sobre seu povo é a razão de Dona Isabel declarar que “é melhor acabarem com todos nós de uma vez, jogando uma bomba, do que devagarinho. Porque, se a hidrelétrica estourar, vão morrer todos os índios.”

    “As mulheres são quem sofrem mais”, afirma Dona Iraci Xerente, “porque a gente se preocupa mais com os filhos e com o futuro que vai ser muito ruim para a população ribeirinha e para os índios porque vivemos do rio.” Dona Iraci confessa que sente medo de comer bicho do mato por estarem intoxicados com veneno. “A barragem foi um sonho que passou por nós. Só vai servir pra quem tem negócio grande “, lamenta.

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  • 28/01/2009

    FSM 2009: no ritmo das águas

     


     


    O  previsível aconteceu. Choveu. No momento em que milhares de pessoas iam se aglomerando nas mediações da escadinha, no porto, até o terminal rodoviário, em Braz, numa extensão de mais de 6 mil metros, veio a “benção”,agradecimento da mãe terra conforme Librada, e quiçá de milhares de paraenses e gente do mundo inteiro. Era um pouco passado das três da tarde. Portanto dentro do horário da “chuva de inverno”, na região. Água torrencial, com alguns ventos sem exagero. Na medida, para tornar a passeata, um alegre ritual de corpos molhados, se movimento ao som dos mais diversos ritmos, do samba ao carimbo, do carnaval ao boi, do serimbó ao frevo.


     


    Se a chuva fez alguns se encolherem e encostarem embaixo das maquizes e abrigos ao longo do caminho, para outros o ritmo do cair dos pingos da chuva embalou o animo dos tambores e corações alegres ou indignados.  Se a chuva, tão previsível quanto o nascer do sol,  desorganizou um pouco uma seqüência e harmonia politicamente costurada, por outro lado deu asas à criatividade. Os povos indígenas que deveriam estar no grupo da frente, acabaram chegando já quase no final da passeata que ia tomando conta da rua Presidente Vargas. Cientes de seu lugar apressaram, o passo mo meio da multidão e chuva, chamando atenção da imprensa e , finalmente acabaram chegando ao seu posto, sem ultrapassagens perigosas, mas despertando olhares curiosos com suas belas pinturas corporais e vistosos cocares e colares.


     


    Talvez algumas imagens esperadas pela imprensa faminta, deixaram de acontecer sob a luz do sol. Em compensação os jornais deverão amanhecer com as imagens molhadas de corpos e corações embalados pelas águas que despencavam abundantes. Certamente muitos papeis ficaram ensopados, computadores discretos sob risco, vindos de outras lutas, como contou Fernando, máquinas fotográficas irrequietas experimentaram o carinho suave das águas que vão e voltam do coração da terra e da floresta, às nuvens pesadas no céu. Quem teve seu momento de desforra foram alguns vendedores de guarda-chuvas que  passavam sorridentes pela multidão oferecendo o produto do momento. Mas não tiveram tanto êxito, pois a maioria mesmo era da teoria de quem está na chuva é pra se molhar.


     


    Diante da esguia passagem dos indígenas, serpenteando  pela multidão, ao ritmo dos tambores, alguém comentada: veja, estão mais leves, talvez tenham mais claro o caminho e onde querem chegar. É uma nova lógica, novos paradigmas, novos mundos que estão sendo construídos. Talvez seja a hora de mirar, entender e nos inspirar mais na sabedoria milenar desses povos,escutando sua palavra.


     


    No Palco dos Povos


     


    Depois de percorrer mais de seis quilômetros a multidão foi se apinhando em frente ao palco, onde estava prevista a grande manifestação da pluralidade dos povos nativos da terra. O tom, as cores e os ritmos foram dados por boa parte dos 390 povos indígenas amazônicos presentes ao Fórum Social Mundial, articulados pelas diversas organizações dos povos, por paises ou grandes regiões como a Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica-COICA, a Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica Brasileira – COIAB, Coordenadora Andina de Organizações Indígenas,dentre dezenas de organizações indígenas diretamente envolvidas na articulação da presença e participação indígena neste FSM, além das Américas, África, Índia e Europa.


     


    Além das belezas e diversidade das danças, também houve  fortes denúncias pelas violências que estão sofrendo os povos indígenas  “selvagemmente” agredidos pelo atual modelo neoliberal e capitalista de desenvolvimento.  Entre os momentos bonitos, dentro das contradições, ambigüidades, indignações e sonhos do novo mundo possível, foi entoado o hino nacional do Brasil em Kayapó, o chamamento de solidariedade ao povo palestino, pelo fim das guerras genocidas…


     


    No palco dos povos, o movimento afroamericano deu seu recado através de um grupo jovens de vários estados nordestinos. Ao ritmo contagiante de várias músicas, a multidão apinhada vibrou. Outros setores importantes da luta do campo, dos ribeirinhos certamente terão seus espaços de manifestação durante os próximos dias do Fórum.


     


    Nos diversos espaços dos pré-foruns inúmeras e fortes denuncias já foram feitas, como de um líder indígena norte americano, sobre os testes nucleares que são realizados em terras indígenas de seu país e líderes nativos do Norte da Índia, que qualificaram o atual modelo de desenvolvimento, como terrorismo.


     


    Nesse grave momento de crise global, o Fórum Social Mundial se apresenta como um importante espaço de convergência das esperanças e experiências para as necessárias rupturas e mudanças para a construção desses novos mundos possíveis e inadiáveis.


     


    Egon Heck – Cimi – Belém, 28 de janeiro de 2008 

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