• 13/02/2009

    Pataxó Hã-Hã-Hãe denunciam crimes de fazendeiro no sul da Bahia

    A comunidade Pataxó Hã-Hã-Hãe da aldeia Caramuru, no município de Pau Brasil, no sul da Bahia, protocolou junto ao Ministério Público Federal em Ilhéus, documento denunciando e solicitando providencias quanto ao um intenso processo de crimes ambientais cometidos pelos fazendeiros Jaime do Amor Divino, Gilberto Alves de Brito, em áreas reivindicadas pelos Pataxó na região de Água Vermelha. Também repassaram o texto para a Fundação Nacional do Índio, Comissão Nacional de Política Indigenista, Comissão nacional de Direitos Humanos e ao Conselho Indigenista Missionário.


     


    Após serem reintegrados nas fazendas, das quais recentemente foram retirados de forma violenta pela Policia Federal, as lideranças indígenas emitiram documento denunciando uma serie de irregularidades, tais como queimas de casas, destruição de plantações, sacrifício de animais, roubo de gados. O povo solicita indenizações das casas, animais,  objetos imobiliários e roças de cacau derrubada pelo fazendeiro Jaime do Amor, além da devolução do gado que se encontra em poder deste fazendeiro.


     


    Os índios fotografaram uma serie destes crimes, derrubada de cacauais, uma grande quantidade de restos mortais de animas que correm risco de extinção, rabos de tatu, presas, patas e cabelos de animais (paca, veados, caititu, etc) até mesmos fetos mantidos em álcool, tudo isto na localidade ocupada pelo invasor Gilberto Alves de Brito.


     


    Os índios denunciam a atuação do IBAMA regional que tem feito vistas grossas a uma serie de denuncias feitas pelas comunidades indígenas e solicitam a presença de agentes de outras regionais que possam ser mais eficientes que os da região.


     


    Os Pataxó Hã-Hã-Hãe também denunciam que a reintegração de posse nas fazendas Serrana do Ouro e Serra Verde não se deu na sua totalidade devido aos jagunços do invasor Jaime do Amor, haverem trocado a placa de identificação da fazenda. Eles solicitam da Justiça a desocupação das fazendas na sua totalidade por parte dos pistoleiros de Jaime do Amor.


     


    Solicitam também o imediato julgamento da Ação de Nulidade de Títulos imobiliários que se encontra no STF há mais de 26 anos, e que teve o inicio do julgamento no passado interropido por um pedido de vistas do Ministro Menezes Direito. 


     


    O documento da comunidade é assinado por todas as lideranças, bem como os anciãos da comunidade e é enriquecido por uma boa quantidade de fotos que confirmam as denuncias dos indígenas.


     


     


    Itabuna, 12 de fevereiro de 2009


    Conselho Indigenista Missionário

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  • 13/02/2009

    Nota de falecimento

    Faleceu no dia de ontem (11/02/2009) a liderança Roque Ferreira dos Santos, filho do cacique Samado Santos. Roque tinha 68 anos e era pai de 06 filhos, e atualmente era vice cacique da aldeia do Panelão, localizada no município de Camacan. O mesmo sofreu um acidente de carro no ano passado no mês de julho e até então se encontrava imobilizado em cima de uma cama, na semana passada sua situação se agravou devido às escaras que feriam suas costas, trazido para o hospital de base em Itabuna no começo da semana, Roque não resistiu e veio a falecer na madrugada do dia 11.


     


    Roque era o filho mais velho de Samado e acompanhou o pai em diversas viagens na luta pela terra, ele foi um dos que nunca saiu da área, mesmo com todo o processo de violência contra o seu povo, juntamente com seu pai, ele sempre resistiu no Panelão. O povo Pataxó Hã-Hã-Hãe perde mais uma das suas lideranças histórica.


     


    12 de fevereiro de 2009


    Conselho Indigenista Missionário

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  • 13/02/2009

    Organizações indígenas denunciam perseguições a jornalistas

    Organizações Indígenas da Colômbia denunciaram mais uma vez a ocorrência de atentados contra jornalistas e meios alternativos por parte do governo de Álvaro Uribe. A Coordenação Andina de Organizações Indígenas divulgou nota em que pede o fim da criminalização e das ameaças contra a comunicação alternativa, além de um julgamento internacional do presidente colombiano.

    O documento cita o comunicador da Associação de Cabildos Indígenas do Norte do Cauca (Acin), Gustavo Adolfo Ulcué, que sofreu um atentado contra sua vida no dia 7 de fevereiro, além do diretor do programa jornalístico “Contramão” e correspondente de meios estrangeiros, Hollman Morris, que sofre perseguição do governo.

    De acordo com a Acin esses fatos evidenciam um “contexto de agressão integral aos povos indígenas e de violação ao direito de livre expressão”.

    Em tom de resistência no comunicado, os indígenas afirmam que continuarão na contramão para dar visibilidade à “Colômbia não oficial”, onde vivem os mais de 100 povos indígenas que “apodrecem na selva da indiferença.”

    As informações pertencem à agência de notícias latino-americana Adital.

    De São Paulo, da Radioagência NP, Juliano Domingues.

    10/02/09

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  • 12/02/2009

    Informe nº. 853: Polícia Militar é acusada de agredir jovem Guarani no Rio Grande do Sul

    Informe nº. 853


     



    • Polícia Militar é acusada de agredir jovem Guarani no Rio Grande do Sul
    • Indígenas preparam proposta de Estatuto para os Povos Indígenas

     


     


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    Polícia Militar é acusada de agredir jovem Guarani no Rio Grande do Sul


     


    O Guarani Nelson Duarte, de 15 anos, afirma ter sido espancado por policiais da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, após ser abordado por nenhum motivo aparente, na cidade de Barra do Ribeiro, na noite do dia 9 de fevereiro. A denúncia foi feita à Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul (CDH) e ao Ministério Público Federal, que estão acompanhando o caso.


     


    No momento da agressão, Nelson voltava para sua casa, na aldeia Coxilha da Cruz. Ele afirma que os policiais o pararam, sem nenhum motivo aparente, e começaram a espancá-lo, com chutes pelo corpo. Também teriam amarrado a mão do jovem no volante da viatura. Ao ver a violência, um comerciante foi até o local onde estavam os policiais, que deixaram o indígena e saíram na viatura em rápida velocidade.


     


    No dia seguinte, Nelson, ainda muito assustado, foi atendido num hospital em Porto Alegre, onde os médicos identificaram diversas luxações pelo corpo do rapaz.  A CDH já solicitou audiência com o secretário de segurança do estado para denunciar a ação explícita de preconceito da Brigada, segundo a assessora jurídica Patrícia Couto. Ela informou que a Brigada Militar já abriu sindicância para os fatos.


     


    A liderança Maurício Guarani, que acompanhou Nelson, teme que haja represálias dos policiais da região de Barra do Ribeiro, por conta das denúncias. Em julho de 2008, algumas famílias Guarani também sofreram agressões da Brigada Militar quando foram desalojadas de um acampamento em Eldorado do Sul.


     


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    Indígenas preparam proposta de Estatuto para os Povos Indígenas


     


    De 9 a 13 de fevereiro os integrantes da Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI) estão reunidos em Alexânia, Goiás, para sistematizar uma proposta para o novo Estatuto dos Povos Indígenas, a partir dos relatórios das 10 oficinas regionais que reuniram cerca de 1000 indígenas em 2008.


     


    Divididos em comissões, os integrantes indígenas e não-indígenas da CNPI redigirão a proposta de texto para os diversos temas regulamentados pelo Estatuto (saúde, educação, assistência social, exploração de recursos hídricos e minerais, terras indígenas…).


     


    Na próxima reunião da CNPI, na segunda quinzena de março, os artigos serão reunidos e, em abril, a proposta do Estatuto será apresentada aos indígenas reunidos no Acampamento Terra Livre, em Brasília.  Após ser aprovada pelo movimento indígena, o texto será encaminhado para o Congresso Nacional.


     


    A tramitação do Estatuto dos Povos Indígenas está parada há 14 anos no Congresso. Algumas determinações do Estatuto em vigor, promulgado em 1976, confrontam-se com direitos já conquistados pelos povos indígenas na Constituição Federal de 1998.


     


    Brasília, 12 de fevereiro de 2009


    Cimi – Conselho Indigenista Missionário

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  • 12/02/2009

    Guarani child dies of malnutrition in Paraná


    On January 19, as a result of grave malnutrition, Jacson Lopes, a child of two years, died.


     


    The community of the Indigenous Area Araguajú is in mourning, because of the death of the little boy. Fifteen days before, the health of Jacson’s got worse. According to the chief of the village, Assunção Benites, they called the state organ for Indigenous Healt (FUNASA) to intervene, but no one from this agency appeared.


     


    Hospitalized


    A doctor from the neighboring village Guarapuava diagnosed Jacson with anemia and malnutrition. He prescribed various medicines, but Jacson´s father did not have the money to buy most them. According to the family and the village chief, the FUNASA personnel disapproved of the doctor’s initiative, as he had no authorization by the entity to attend to the indigenous.


    Jacson was then taken by car to the Municipal secretary of Health of Terra Roxa, where he was hospitalized for three days. When he was released, he returned to the village weaker than when he was interned at the municipal hospital, alleges his father.


     


    Refusing responsibility


    Because of his worsening condition the boy was taken to the hospital in Guaíra and hospitalized for three days. When he returned home, Jacson resisted for four days, always presenting clear symptoms of dehydration (due to dysentery), anemia and responding less and less to stimulus.


    Meanwhile, alerted about the situation, the FUNASA once again refused the responsibility to attend the boy, alleging that the area of Araguajú is not formally recognized as an indigenous area.


    However, already in October 2008, Federal Judge Luiz Carlos Canalli had determined that the FUNASA was responsible for attending the village of Araguajú. Among other provisions a 10-days deadline was given to install potable water in the village. In spite of this, and also after the death of Jacson, the Guarani continue using the polluted water of the Paraná River for drinking and cooking.


     


    Outsourced healthcare


    In Paraná, FUNASA has outsourced the indigenous healthcare to the NGO Reimer. When the Guarani finally appealed directly to the Reimer´s responsible, this manager liberated money to purchase food for Jackson’s family. Unfortunately, this permission arrived too late, because the child died shortly thereafter.


    According to the Guarani community, the NGO had been promising al year long to purchase food for them.


     


    Already on September 26, 2008, in a public hearing organized by the Ministério Publico Federal, chief Assunção had denounced the presence of malnourished children in the village: “We will have to wait for them to die, only then something will be done!”







     


     


    Source: CIMI Sul – Equipe Paraná

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  • 12/02/2009

    Com nova Constituição, Evo anuncia governo boliviano

    A nova Constituição aprovada pelo povo boliviano entrou em vigor no último sábado (7). No domingo (8), foi a vez do presidente Evo Morales anunciar os novos nomes que compõem o governo. Morales ratificou a atual estrutura de seu gabinete e acrescentou dois ministérios: o das Autonomias e o das Culturas. Ela ainda transformou em ministérios, os vice-ministérios da Transparência e Luta contra a Corrupção e da Defesa Legal do Estado.

    O ministro das relações externas David Choquehuanca falou em nome de seus colegas e disse ser um privilégio estar entre os primeiros ministros da primeira Constituição da história da Bolívia aprovada pelo povo. O presidente Morales disse aos nomeados que a nova Constituição requer “primeiro a consciência social do funcionário público, em segundo, o compromisso político-ideológico e, por último, a capacidade de gestão”.

    Dos 411 artigos da nova Carta Magna, apenas 25 são de aplicação imediata, como os relativos aos direitos dos cidadãos. Com exceção do novo regime eleitoral, que deve ser aprovado em 60 dias, ainda são discutidas quais leis serão aprovadas pelo atual Congresso, formado sob a antiga Constituição e que será substituído por uma Assembléia Legislativa Pluricultural, a ser eleita em dezembro deste ano.

    De São Paulo, da Radioagência NP, Vinicius Mansur.

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  • 11/02/2009

    Ação liberta 13 pessoas de fazenda de deputado estadual

    Aliciadas em Codó (MA), elas não podiam deixar fazenda em Coelho Neto (MA) por causa da dívida com o patrão político. Alojamento era precário e não havia água potável. Uma criança estava junto com a mãe, que trabalhava no local


    Por Bianca Pyl

    Durante 36 dias, a casa de 13 pessoas – incluindo duas mulheres, uma delas com seu filho de quatro anos – foi um curral na Fazenda São Domingos, pertencente ao deputado estadual Antônio Bacelar (PDT), membro da Assembléia Legislativa do Maranhão. A propriedade fica no lugarejo de São Domingos, a 8 km do centro de Coelho Neto (MA).

    O grupo submetido à condições análogas à escravidão foi encontrado por fiscais da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Maranhão (SRTE/MA). Para surpresa do auditor fiscal Carlos Henrique, que coordenou a ação, as pessoas literalmente dormiam junto com animais. “Essa foi a pior situação que eu já vi durante todos esses anos de fiscalização”, define o auditor. A fiscalização ocorreu entre 19 e 30 de janeiro.

    Nenhuma adaptação foi feita no curral: as redes para dormir e os pertences das pessoas ficavam espalhados. Sem proteção lateral, os funcionários estavam sujeitos a todo tipo de intempéries. “O vento trazia um cheiro insuportável de fezes dos animais”, relata Carlos. 


    Os funcionários foram aliciados em Codó (MA) por um gato (aliciador de mão-de-obra) para trabalhar no chamado “roço da juquira” (limpeza para formação de pasto). No momento do aliciamento, o gato “adiantou” R$ 100 para as famílias dos trabalhadores. “Os funcionários trabalharam mais de um mês sem receber nada e ainda estavam devendo para o patrão”, conta o auditor. A dívida impedia a saída dos empregados. Mas antes da chegada da fiscalização, sete pessoas preferiram pagar para ter sua liberdade e deixar a fazenda.

    A alimentação era composta de café, arroz, feijão e farinha, preparados dentro do próprio curral, em um fogareiro improvisado. A água vinha de um poço que não tinha tampa e não recebia nenhum tratamento. Para a higiene pessoal, os funcionários contavam apenas com um açude, onde também pescavam para se alimentar, já que normalmente faltava comida. “O gado também utilizava o açude”, adiciona Carlos Henrique. O deputado não assinou a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) dos empregados e nem forneceu equipamentos de proteção individual (EPIs).


    Além dos 13 libertados, ainda havia uma vaqueira, que estava no local há um ano e seis meses. “No caso dela, a carteira de trabalho foi assinada com data retroativa e ela permaneceu no local, pois não morava no alojamento com as outras pessoas”, explica o auditor fiscal. Ao final da fiscalização, o empregador pagou em torno de R$ 1 mil para cada trabalhador e eles receberam as guias para seguro desemprego do trabalhador libertado. Foram lavrados nove autos de infração pelas irregularidades encontradas.

    Outro conflito
    O deputado estadual Antônio Bacelar, que faz parte do mesmo partido do ministro Carlos Lupi (Trabalho e Emprego), também está envolvido no conflito fundiário na Comunidade de Mata Virgem, em Codó (MA). Segundo denúncia da Comissão Pastoral da Terra (CPT) do Maranhão, a Polícia Militar, a pedido do político, entrou nas residências de moradores para realização de busca, causando transtornos, em novembro de 2008. A comunidade de agricultores está estabelecida no local há mais de 30 anos.

    Existem três processos administrativos com a finalidade de desapropriação da área, além de um processo para apurar se o território é ou não quilombola. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) informou que a comunidade convivia pacificamente com o antigo proprietário das terras, Martinho Ximenes Santos, falecido em 2001. A partir de então começaram a surgir os conflitos, inicialmente com seu filho, Luiz Antônio Sousa Barros.

    Há um procedimento administrativo no Incra acerca da desapropriação da área. A Repórter Brasil não conseguiu entrar em contato com o deputado estadual Antonio Bacelar, dono da Fazenda São Domingos.

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  • 11/02/2009

    Área em disputa no sertão é palco de morte de trabalhador rural

    José Campos Braga era um dos 1,8 mil membros das comunidades de “fundo de pasto” de Areia Grande, em Casa Nova (BA). Cobiçado por agentes privados na Justiça, território fica às margens da represa de Sobradinho


    Por Maurício Reimberg


    Sob a mira constante de espingardas, as comunidades tradicionais de “fundo de pasto” de Areia Grande tentam manter uma área de ocupação antiga no sertão da Bahia. Aproximadamente 1,8 mil pessoas vivem em 40 mil hectares no município de Casa Nova (BA), à beira do lago formado pela represa de Sobradinho, no Rio São Francisco. As famílias argumentam que os seus antepassados chegaram ao local em torno de 1860.


    A mais recente vítima desse conflito histórico foi o trabalhador rural José Campos Braga, 56 anos, assassinado em sua casa com dois tiros na nuca. Ele foi encontrado na tarde da última quarta-feira (4) – estava desaparecido desde sexta (30). Nesta terça-feira (10) pela manhã, membros das comunidades da Areia Grande estiveram presentes no enterro. José Campos, conhecido entre os pares como “Zé do Antero”, era pai de 10 filhos.


    Não foi a primeira vez que a disputa pela terra em Areia Grande resultou em violência. Outro momento tenso do conflito agrário se deu em março de 2008, durante o cumprimento de um mandado de imissão de posse. A Polícia Militar, a Polícia Civil e a Polícia da Caatinga, sob supervisão de um oficial de Justiça, tentaram retirar as famílias à força da área em disputa. “Crianças tiveram queimaduras e uma senhora abortou”, relata Emília Teixeira, da Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais da Bahia (AATR-BA), que dá suporte jurídico à comunidade. Segundo ela, houve infiltração de pistoleiros na operação, com o uso de armamentos particulares.


    Na ocasião, diversas casas foram destruídas, inclusive a de José Campos. Após o ocorrido, ele decidiu permanecer no local, vivendo sob uma lona. “Ele disse que só sairia de lá morto, porque nasceu e iria morrer ali. Além de ser uma liderança, encorajava as demais”, lembra Domingos Rocha, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas Agrícolas da Bahia (Sintagro-BA).


    José Campos morava às margens do São Francisco, num local isolado – os vizinhos mais próximos ficavam a 4 km. Segundo os moradores, esses fatores faziam com que a área fosse das mais visadas pelos pistoleiros. A 650 km da capital Salvador, o território de Areia Grande inclui as fazendas de Lages, Baixa do Umbuzeiro, Urucé e Casa Nova. Ao todo, quatro comunidades (Melancia, Jurema, Salina do Brinca e Riacho Grande) convivem na área.


    Revoltada, a população local acusa pistoleiros pela autoria do crime, exige a investigação e punição dos responsáveis e clama pela segurança dos membros da comunidade (confira nota pública). “Na cidade, há uma comoção muito grande. Num primeiro momento tem a indignação, até porque o Estado já sabia o que poderia acontecer. As pessoas não estão entendo que um companheiro foi embora. A revolta nesse momento é importante, mas estamos trabalhando a organização”, pondera Domingos.


    Grilagem
    O conflito agrário na região teve início na década de 1980, com a instalação da Agroindustrial Camaragibe S.A., que produzia etanol a partir da mandioca (assista a um vídeo sobre Areia Grande, que inclusive traz um depoimento de José Carlos Braga). Na época, a empresa adquiriu terras na região mediante a “compra de títulos de posses”. “Eles não usaram as terras. Recorreram a títulos forjados como garantia para fazer empréstimos com o Banco do Brasil”, afirma a advogada Emília Teixeira.


    A Camaragibe, que decretou falência há mais de 20 anos, acumulou dívidas estimadas em R$ 40 milhões com o BB. Além disso, a empresa esteve envolvida no chamado “escândalo da mandioca”, um caso de desvio de dinheiro público da época do Programa Nacional do Álcool (Proalcool). Em 2004, porém, os empresários Alberto Martins Pires Matos e Carlos Nisan Lima e Silva “compraram” a dívida por R$ 639 mil. Eles reivindicam agora a propriedade da terra na Justiça.


    Após os atos de repressão em março do ano passado, foi iniciado um processo de discriminação das terras públicas. A Bahia está pleiteando o território. “Isso resultou em um laudo que chegou a conclusão que os títulos [adquiridos pela Camaragibe] eram falsos. Eram terras públicas devolutas”, diz Emília Teixeira. Em novembro do ano passado, com base no relatório, a Procuradoria Geral do Estado da Bahia ingressou com uma ação discriminatória judicial com o objetivo de arrecadar as terras públicas e regularizá-las.


    Uma decisão parcial de dezembro de 2008 trouxe alento para as comunidades. O juiz Eduardo Ferreira Padilha, da comarca de Casa Nova, acolheu provisoriamente a ação discriminatória judicial e determinou a suspensão de todas as ações que discutiam o domínio e posse da terra. “Os fazendeiros não gostaram disso”, diz Domingos. “Agora, a Justiça precisa decidir se a terra é do fazendeiro ou do trabalhador”.


    Uso coletivo
    Os modelos de produção conhecidos como “fundo de pasto” são caracterizadas pela ocupação e uso de espaço aberto, geralmente composto de terras devolutas, acessível a todos os membros da comunidade. Esse tipo de manejo é comum em Estados como a Bahia, Pernambuco, Ceará e Paraíba.


    Situada no bioma da Caatinga, o Fundo de Pasto de Areia Grande conta com mais de 13 mil cabeças de cabras e ovelhas, produz mel e mantém criação de gado, ovinos e caprinos. No entanto, a comunidade está inserida numa zona de expansão agrícola – as áreas próximas já estão dominadas pela plantação de cana-de-açúcar. “O poder público local sempre massacrou a agricultura familiar”, conta Domingos, do Sintagro.


    Há projetos de implementação de cana irrigada para a produção do álcool na região. “O preço da terra vem aumentando. Isso acirra os conflitos”, observa Emília. “A comunidade tem uma relação harmoniosa com o meio ambiente. Há uma preservação alta do bioma caatinga, num terreno fértil. O que torna (a terra) ainda mais cobiçada para o lucro”.


    Justiça
    O resultado da perícia do corpo de José Campos deve ser divulgado até o final desta semana. Os trabalhadores acionaram o Ministério Público e a Ouvidoria Agrária Nacional para acompanhar o caso. Segundo a advogada Emília Teixeira, “a prioridade é garantir laudo com idoneidade para que possa ser aberto inquérito. Só existem suspeitas. Há testemunhas de fato que relacionam a morte com o conflito agrário. Mas ainda não há provas cabais”.


    Os moradores relatam que, na semana anterior ao crime, pistoleiros eram vistos com freqüência na região, em rondas com carros escuros. Na ocasião, jagunços chegaram a invadir o local, rompendo o arame – num clima de tensão permanente, os moradores já faziam vigília na entrada da área.


    Para Marina Braga, agente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), o assassinato de José Campos representa uma forma de intimidação. “Até hoje os pistoleiros que agrediram trabalhadores estão impunes. Como a impunidade é grande, eles resolveram agir pela força”, afirma.

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  • 11/02/2009

    Intereclesial das CEBs acontecerá em Porto Velho

    Entre os dias 21 e 25 de julho, a cidade de Porto Velho, em Rondônia, sediará o 12° Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). O encontro que, nesta edição, terá como tema “CEBs: Ecologia e Missão”, reunirá cerca de três mil representantes de todo o Brasil, América Latina e Caribe.

    Segundo o coordenador do evento, padre Luis Ceppi, o encontro tem como objetivo dar continuidade às experiências das CEBs e fortalecer a caminhada delas. Será a primeira edição do encontro a acontecer na região Norte, o que faz com que os participantes vivenciem ainda mais o tema proposto e tenham contato com a realidade vivida pelas populações locais.


    Padre Ceppi explica que o tema deste ano gira em torno de dois eixos: a Ecologia e a Missão. O coordenador comenta que, na Ecologia, há a harmonia do homem e da mulher com a natureza, criação de Deus. Ele explica que essa união manifesta a presença de Deus. No segundo eixo, o padre considera que a ideia é “descobrir que a missão é olhar para o outro”. Para ele, o evento pretende ser um grito de alerta para a atual situação social, na qual a desigualdade é cada vez maior: “os ricos estão ficando cada vez mais ricos e os pobres, mais pobres ainda”. O 12° Intereclesial na Amazônia é a oportunidade de discutir a importância da região para a humanidade e tentar estabelecer entre as igrejas das comunidades que vivem na região um modelo de desenvolvimento que privilegie os pobres e sirva aos interesses de todos e todas. Para padre Ceppi, é de fundamental importância o evento acontecer na Amazônia, pois a região vive uma realidade de devastação e desigualdade social que precisa ser mudada.



    De acordo com o padre, o encontro vai ajudar a fortalecer o “grito de alerta e de basta” ao que está acontecendo na região. “Esperamos que o grito da Amazônia seja ouvido de maneira correta pelo Estado e pela Igreja”, comenta. Para ele, tal conscientização fará com que as pessoas percebam que é possível mudar a realidade atual. “Amazônia será o símbolo de que é possível crescer sem destruir, e de construir civilizações sem escravos do consumo”, afirma.
    Os Encontros Intereclesiais têm como objetivo mostrar a caminhada das CEBs. Cada edição apresenta um tema específico, relacionando o trabalho das Comunidades e a realidade da vida do povo. O primeiro encontro aconteceu em 1975, em Vitória (Espírito Santo), com o tema: “Uma Igreja que nasce do Povo pelo Espírito de Deus”.
    As matérias do projeto “Ações pela Vida” são produzidas com o apoio do Fundo Nacional de Solidariedade da CF 2008.

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  • 11/02/2009

    Venezuela: Indígenas terão sua própria agência de notícias

    Os indígenas da Venezuela contarão, a partir de julho, com uma agência de notícias que divulgará fundamentalmente fatos relacionados com suas comunidades e sua cultura. Assim informou o coordenador da Rede Nacional de Porta-vozes Indígenas da Venezuela (Renavive), Jesús Gonzáles, à agência oficial ABN.
     
    O objetivo é que este meio de informação cubra o território nacional e se integre dentro de redes similares espalhadas na América Latina.
     
    A agencia de informação indígena “estará a serviço das populações originárias do país. Sabemos que temos a capacidade de manter todo o território nacional informado”, assegurou Gonzáles.

    O projeto informativo contará, além disso, com o apoio do primeiro satélite venezuelano Venesat-1, batizado Simón Bolívar, que foi lançado ao espaço no final de 2008 e já se encontra em funcionamento. O satélite Simón Bolívar “vai facilitar o uso de internet e também a participação de todos os povos originários do país”, disse González. Na Venezuela vivem 28 etnias indígenas distribuídas em todo o território, segundo dados oficiais.



    A nota é da Agência Bolivariana de Notícias

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