• 17/04/2009

    Governos e universidades são omissos na formação de professores indígenas

    Rosani Fernandes, professora Kaingang, pedagoga, trabalha há 15 anos com educação escolar indígena. Cursa o Mestrado em direito no Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGD) da Universidade Federal do Pará (UFPA), que desde 2007 reserva vagas para indígenas e é bolsista da Fundação Ford. Desde 2004 presta assessoria pedagógica ao povo Kyikatêjê da Reserva Indígena Mãe Maria, no Município de Bom Jesus do Tocantins, no Pará. Nesta entrevista, faz uma análise da educação escolar indígena e da implementação da Lei 11.645, além de destacar o papel da imprensa no processo de construção de uma sociedade livre de preconceitos.


     


    1 – Gostaríamos, inicialmente, de uma avaliação da situação atual da educação escolar indígena. Quais são os avanços e retrocessos?

    Historicamente, a presença da escola nas aldeias foi pautada na promoção da política de integração e assimilação dos indígenas à sociedade brasileira, na tentativa de formação de cidadãos “aptos” à comunhão nacional. A forte pressão do Estado brasileiro ocasionou a negação compulsória das identidades indígenas, suprimidas, sufocadas e intimidadas pela política de integração nacional que, até a Constituição de 1988, não considerou o direito à cultura, às línguas, às crenças, às tradições e às formas de organização social. Tida como instrumento de conquista, a escola passou a ser gradativamente conquistada pelos povos indígenas: a Educação Escolar Indígena cada vez mais vem sendo percebida como aliada e estratégica na qualificação dos quadros de liderança, sendo ressignificada pelas sociedades indígenas como espaço de diálogo com os conhecimentos não-indígenas, configurando-se instrumento fundamental na construção dos projetos futuros e na garantia de direitos a terra, educação, saúde, atividades produtivas, entre outros, por isso o aumento significativo da demanda por educação escolar nas aldeias.

    Em termos legais e quantitativos, a educação escolar indígena avançou muito nos últimos 20 anos, mas a qualidade almejada pelos povos indígenas não tem avançado na mesma proporção. Dados do censo INEP/MEC 2006 mostram que a grande maioria das escolas indígenas funciona em locais improvisados: das 2.422 escolas indígenas, apenas 29,9%  têm sanitário, 31,9% têm energia elétrica, a grande maioria das escolas não tem água em condições adequadas para o consumo, nem sistema de esgoto. Sem falar na precariedade das estruturas administrativas e pedagógicas que, na sua maioria, não contam com recursos técnicos, pessoais, tecnológicos para o adequado funcionamento. A categoria de escola indígena ainda não é realidade na maioria dos estados e municípios, como conseqüência, os professores indígenas, as escolas e as comunidades são penalizados com a falta de políticas públicas que garantam a realização de cursos de formação e capacitação de professores e de concursos públicos adequados à realidade das escolas e comunidades.  

    Além disso, a oferta das últimas etapas da Educação Básica tem sido muito tímida nas aldeias, obrigando alunos indígenas a buscarem formação em locais distantes das comunidades, gerando riscos e insucesso escolar pelas dificuldades de transporte, adaptação e afastamento das atividades culturais dos seus povos. A produção de materiais didático-pedagógicos de acordo com as especificidades culturais e lingüísticas ainda não foi concretizada na maioria das escolas, que busca estratégias de enfrentamento para superação das dificuldades e para fazer valer o direito à educação de qualidade.

    2 – E a situação da questão indígena nas escolas?


    Constantemente os alunos da nossa escola (Tatakti Kyikatêjê) são convidados para fazer apresentações culturais nas escolas dos municípios vizinhos ao nosso; nessas ocasiões temos nos deparado com inúmeras situações de desrespeito à diferença cultural e completo desconhecimento da questão indígena (com zombarias que revelam o total desrespeito com os povos indígenas). Situações como estas revelam que os alunos das escolas não-indígenas no Brasil não aprendem nos bancos escolares a respeitar a diversidade cultural como riqueza e continuam reproduzindo preconceitos e estereótipos que marcaram negativamente a relação do Estado brasileiro com os povos indígenas, onde a escola é em grande parte responsável.

    Quando participei do Fórum Mundial de Educação realizado em Belém, no início deste ano (2009) denunciei a forma como as instituições de ensino superior têm negligenciado o tratamento adequado da questão indígena nos cursos de formação de professores. Como conseqüência, formam professores despreparados para tratar o assunto, o que significa a  folclorização e reprodução de imagens distorcidas, distantes da realidade vivenciada nas aldeias. Ao invés de trabalhar para construção de relações de respeito, a postura de muitos profissionais de educação tem incentivado o preconceito com relação aos povos indígenas. É comum nas escolas não-indígenas a questão indígena ser referenciada somente no dia do índio, quando somos lembrados de forma genérica e descontextualizada: “os índios, que moram em ocas, adoram Tupã…” negando assim a grande diversidade cultural e lingüística dos mais de 215 povos indígenas no Brasil.

    3 – Como a lei 11.645 se insere nesse contexto?


    É válida na medida em que obriga o ensino da cultura indígena nas escolas, mas somente significará mudança se os profissionais de educação estiverem preparados para tratar a questão indígena de forma adequada. Nesse sentido, a sensibilidade e o respeito à diversidade cultural dos povos indígenas é fundamental à postura dos professores, que devem desafiar-se a primeiro conhecer e respeitar os povos indígenas para trabalhar a temática no sentido de construir relações de respeito com tais sociedades. O preconceito que corrói as relações e afasta as pessoas é construído e reproduzido em casa, na família, na escola, nos meios de comunicação, nos livros didáticos e se revelam cotidianamente nos comentários de mau gosto, nas piadinhas, no desconhecimento que ignora a diversidade como riqueza cultural, que é confundida com inferioridade.

    Os povos indígenas não devem ser tratados como primitivos por primarem pela reprodução da cultura, das línguas e dos costumes milenares. Os chineses, japoneses e outros povos não ocidentais têm conciliado cultura e modernidade, mas quando se trata de povos indígenas os rótulos são logo estampados: quando se apropria dos recursos tecnológicos “deixou de ser índio”, quando preserva a cultura “é atrasado”, quando se trata de garantia de territórios “é muita terra para pouco índio”. A cultura é dinâmica, portanto, se modifica, agrega novos elementos e deixa outros para trás. O que queremos é o respeito às nossas formas de organização social como sistemas complexos e completos, com organização política, econômica, jurídica e religiosa própria. Mas será que os professores estão preparados para trabalhar a partir dessa demanda? Ou vão continuar reproduzindo o preconceito, os estereótipos  a incompreensão e a intolerância nas escolas e na sociedade?   

    4 – O que está sendo feito pelos governos (Federal e estaduais) para a implementação da lei? De quem é a responsabilidade?

    Penso que a responsabilidade de construir relações de respeito e tolerância é de todos, cada um pode fazer sua parte, desde que desafie-se a conhecer e respeitar os povos indígenas e a diversidade cultural do Brasil. Não tenho percebido grandes avanços nesse sentido nas esferas públicas ou privadas, o assunto parece ser ainda tratado como algo menor, não desperta interesse por se tratar de povos que foram historicamente marginalizados na historiografia oficial desse país. Acredito que, na medida em que os índios estiverem em maior número nos bancos universitários, nas instituições públicas, nas universidades, marcando posição com relação à questão é que vamos ter uma maior conscientização nesse sentido, o protagonismo dos povos indígenas, a organização e reivindicação do movimento indígena é nossa principal ferramenta para essa tarefa.

    5 – E como garantir que ela seja implementada nos estados?


    Deve ser fruto de ações conjuntas e qualificadas, acredito que possa ser implementada com a presença e cobrança do movimento indígena, lideranças e comunidades. Se somente garantir a existência de leis fosse suficiente estaríamos bem. A efetividade é que é o “nó” da questão, e isso se faz com consciência política, amor ao próximo, respeito ao “outro” e com o desejo de construir um mundo melhor, com menos preconceito, violência e desigualdade social. Conheço pessoas que são extremamente sensíveis às causas das minorias, em especial à questão indígena, são vozes solitárias que muitas vezes buscam aliados na multidão, mas não desistem de tentar fazer coro em prol da causa na qual acreditam.

    Minha orientadora, Dra Jane Beltrão, é um exemplo disso; quantas vezes a vi lutando pela criação de vagas para povos indígenas na universidade, desafiando sua instituição a pensar cursos específicos para povos indígenas, pelo seu compromisso político com a causa, sensibilidade e articulação. Tivemos aprovado recentemente na Universidade Federal do Pará (UFPA) o curso de Etnodesenvolvimento específico para populações tradicionais, adequado às demandas dos povos indígenas. Minha presença no Curso de Mestrado em Direito do Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGD) da UFPA, que reserva vagas para povos indígenas, é fruto da mobilização de pessoas como a Jane, que acreditam ser possível construir a igualdade respeitando as diferenças culturais, para que  universidade e  sociedade aprendam que construir relações igualitárias pressupõe conviver com as diferenças e não eliminá-las ou continuar excluindo-as de espaços tidos historicamente como privilégio de poucos.

    6 – Como entende a influência das avaliações nacionais (Prova Brasil e Saeb) na educação escolar indígena? Em São Paulo , por exemplo, o Saresp (avaliação local) coloca as escolas indígenas como as piores. É possível esse tipo de comparação? Isso explicita a tentativa de padronização do ensino?


    Penso que os parâmetros de avaliação devem levar em conta uma série de fatores, entre eles, a história das escolas e das comunidades e a relação do Estado com as mesmas, ou seja, a forma como a educação escolar é conduzida pelas secretarias estaduais e municipais de educação. Penso que não devemos abrir mão da qualidade de ensino para as comunidades indígenas, mas não acredito em padrões de qualidade que não respeitem a autonomia e especificidades das comunidades. Infelizmente ainda temos técnicos de secretarias, secretários, burocratas, prefeitos, enfim, pessoas que não acreditam que os povos indígenas necessitem ou mereçam educação de qualidade, mesmo com toda legislação acumulada que garante esse direito (Constituição de 1988, artigos 231 e 232, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB, Convenção nº169 da Organização Internacional do Trabalho – OIT), e o resultado é a não aplicação devida dos recursos, o descaso e o fracasso.

    Muitas escolas têm funcionado pela coragem e insistência das lideranças e comunidades que têm na instituição uma aliada para os projetos comunitários, na medida em que possibilita a apropriação de conhecimentos necessários para isso. Sempre conto a “historia” da técnica de uma secretaria de educação de um Estado que respondeu a uma demanda por cadeiras de uma escola indígena da seguinte maneira: porque esses índios não sentam no chão ou nos paus, pra que querem cadeiras? Isso não é só revoltante, é desumano.

    7 – E o que considera uma educação de qualidade?

    Penso que, se os recursos destinados à educação fossem aplicados devidamente e com consciência política, teríamos melhores condições de ensino e aprendizagem em todas as escolas públicas do país. É preciso investir nos profissionais da educação como agentes de mudança que tenham a escola como espaço estratégico para construção de uma sociedade melhor, onde a educação não seja “bancária” como afirma Paulo Freire, mas lugar de reflexão crítica da própria condição de existência. O Estado brasileiro precisa avançar nessa discussão e superar a desigualdade. Constantemente assistimos a cenas que nos revoltam, de desvio de recursos públicos, de baixos salários, de condições desumanas de transporte escolar que colocam em risco a segurança de crianças e jovens que buscam na escola alternativas melhores de vida, penso que a escola deve cumprir seu papel social nesse sentido. Concluo com as palavras do mestre Paulo Freire: É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal forma que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática.”

    8 – E a educação indígena? Quais são as especificidades?


    Primeiro é preciso diferenciar educação indígena e educação escolar indígena: a primeira diz respeito aos próprios processos de ensino e aprendizagem de cada povo e que independem da escola para acontecer; a educação escolar indígena constitui necessidade criada pós-contato. Com relação à educação escolar nas comunidades indígenas, acredito que deve atender às demandas do povo em que está inserida, respeitando as formas de organização social e propiciando o acesso ao que é de direito dos povos indígenas: bibliotecas, laboratórios de informática, infra-estrutura adequada, merenda escolar que respeite as particularidades alimentares das nossas comunidades, construção de escolas que considerem os padrões arquitetônicos das aldeias, entre outros. Deve também possibilitar a apropriação da escola da forma como o povo indígena considerar adequado, com autonomia necessária à condução do processo.

    A comunidade indígena deve ter claramente definido para que quer escola, penso que este é o pressuposto básico, cabendo às secretarias cumprir seu papel na efetivação dessa escola. Nesse sentido, a formação de professores indígenas para condução de tais processos é essencial, conciliando valorização cultural e lingüística com os novos conhecimentos demandados pelas comunidades. O plano de carreira para os professores indígenas é a garantia da continuidade dos trabalhos e a superação das dificuldades geradas pelas contratações temporárias que não respeitam os critérios das comunidades nem propiciam o acúmulo de experiências dos profissionais que atuam nas comunidades indígenas (no caso dos não-indígenas que buscam estabilidade e saem das aldeias).

    As ações afirmativas são essenciais para que os professores indígenas tenham acesso a cursos de formação superior e, assim, possam reelaborar os processos educacionais escolarizados nas comunidades de acordo com as expectativas dos povos. Já pudemos presenciar alguns avanços nesse sentido, de universidades que têm acúmulos significativos e servem de referência, mas são experiências que precisam ser ampliadas para superação do descaso com que a educação escolar indígena ainda é tratada e para que tais especificidades sejam respeitadas. Não adianta garantir que a educação escolar indígena seja específica, intercultural, bilíngüe e diferenciada se não forem viabilizadas as condições materiais para tal tarefa.

    9 – Quais são suas dicas para a cobertura da mídia sobre a questão indígena na educação?


    A mídia pode contribuir na medida em que se dispor a ouvir os indígenas, conhecer e mostrar a realidade das comunidades e trabalhar para construção de relações de respeito às diferenças. A maneira exótica como a questão indígena vem sendo tratada na mídia (com raras exceções), esconde nossas lutas, enfrentamentos diários, dificuldades, histórias de perdas, violência física e simbólica que nossos povos foram e são cotidianamente obrigados a enfrentar. A influência nos meios de comunicação daqueles que têm interesse nas nossas terras, nas matas, nas riquezas dos subsolos, na construção de empreendimentos econômicos que impactam negativamente nossas terras, tem propiciado a divulgação de informações que visam à formação de opiniões contrárias à garantia dos nossos direitos, que geram intolerância e incompreensão e que negam o passado e o presente de expropriação, grilagem e diminuição drástica dos nossos territórios. As hidrelétricas, mineradoras, rodovias, linhas de transmissão de energia elétrica têm “invadido” nossas terras que já são diminutas, colocando em risco a sobrevivência física e cultural dos povos indígenas. Como formadores de opinião, os meios de comunicação social devem estar atentos para não continuar reproduzindo injustiças e preconceitos.


     


     

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  • 17/04/2009

    Lideranças Tembé em Brasília

    Representantes do povo Tembé, do município de Santa Maria – PA, estiveram em Brasília no dia 16 de abril, em reunião com a procuradora Débora Duprat, da 6ª Câmara. O cacique Miguel Carvalho, e as lideranças Raimunda Vieira e Alan Tembé vieram pedir ajuda e solicitar que a Funai defina grupos de trabalho para o reconhecimento de suas terras tradicionalmente ocupadas.


     


    O povo Tembé tem um histórico de mais de 110 anos no local e desde 2001 vem solicitando que a área seja identificada como terra tradicional e posteriormente, homologada. Porém, nesses oito anos de luta não foram ouvidos.Tiveram as visitas de duas antropólogas, sendo que a primeira recomendou estudos complementares sobre a terra e o povo, e a segunda sequer liberou o resultado de suas pesquisas. Mas, segundo os representantes dos Tembé, a antropóloga afirmou que não existem elementos que comprovem a tradicionalidade da terra.


     


    Diante da morosidade das autoridades para os trabalhos e estudos da terra dos Tembé, o próprio povo tomou a iniciativa de realizar estudos sobre sua história, cultura e tradições. Elaboraram um projeto para o Fundo Brasil de Direitos Humanos que foi aprovado e já trabalham com os recursos liberados pelo projeto há cerca de seis meses. A terra abrigava uma antiga missão de freis Capuchinhos e os índios têm pesquisado nas igrejas católicas, escolas e museus, conseguindo tanto material que já não conseguem listar todos dentro do estudo realizado.


     


    As lideranças têm boas expectativas pelo posicionamento de Dra. Débora, que enviou um documento para a Funai solicitando o estudo antropológico. Agora eles aguardam o posicionamento da entidade a respeito da solicitação.


     


    Articulação


     


    Nos dias 24 a 25 de março Alan Tembé e Edmilson Tembé, da aldeia Jeju de Santa Maria-PA, visitaram os parentes de Tomé-Açu. O objetivo da visita foi conhecer os parentes Tembé que vivem em Tomé-Açu e solicitar apoio na luta por reconhecimento territorial, assim como os Tembé do Alto Rio Guamá.


     


    Também conversaram sobre a idéia de realizar uma auto-demarcação para, de certa forma, pressionar a FUNAI a realizar os estudos para a demarcação. Houve muitas articulações e chegou-se ao acordo de que os parentes vão apoiar a causa e antes de qualquer coisa farão uma visita. Na oportunidade, conheceram a aldeia e aprenderam mais um pouco da nossa cultura.


     


    Também foram presenteados com exemplares da cartilha da língua Tenetehar que será usada na escola pra ensinar as crianças da aldeia, a língua de seus avós. Hoje, somente uns poucos mais velhos sabem falar.


     

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  • 16/04/2009

    Informe n.860: Indígenas de diversas regiões fortalecem luta pela terra no Mato Grosso do Sul



    • Indígenas de diversas regiões fortalecem luta pela terra no Mato Grosso do Sul

    • Cerca de 50% da verba destinada para demarcação de terras não foi gasta em 2008

     


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    Indígenas de diversas regiões fortalecem luta pela terra no Mato Grosso do Sul


    Indígenas Terena e Guarani Kaiowá se reuniram hoje 16 de abril na aldeia Mãe Terra, do povo Terena, no município de Miranda, Mato Grosso do Sul. Além dos povos do estado, estão presentes lideranças do nordeste e do sul do Brasil para discutir o problema da falta de terra para os indígenas no MS. Este será um dos temas centrais na 6ª edição do Acampamento Terra Livre, que será realizado entre 4 e 8 de maio em Brasília.


    Em 2008, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) decidiu fazer o Terra Livre em maio para valorizar as atividades que acontecem nas comunidades locais durante o Dia do Índio (19 de abril). Em maio, cerca de 600 indígenas devem se reunir em Brasília para a mobilização que terá como foco central a luta pelas terras indígenas. “A questão das terras do Mato Grosso do Sul é central para todos nós” afirma Romancil Cretã, do povo Kaingang, da Articulação dos Povos Indígenas do Sul (Arpinsul)


    Segundo Cretã, a questão das terras sempre é central, mas, em 2009, ela será ainda mais enfatizada. “As pressões estão aumentando com as 19 condições do STF que podem dificultar as demarcações e com mais projetos no Congresso que tentam mudar o procedimento de demarcação”, afirma Cretã. Ele se referiu às 19 condições aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal na conclusão do julgamento sobre a terra Raposa Serra do Sol e também à Proposta de Emenda Constitucional do senador Mozarildo Cavalcanti e ao Projeto de Lei dos deputados Aldo Rebelo (PCdoB-SP) e Ibsen Pinheiro (PMDB-RS). Estas duas propostas transferem para o Senado e para o Congresso Nacional, respectivamente, a responsabilidade por confirmar a demarcação de uma terra indígena.


    Além desse tema, durante o acampamento será aprovado pelos indígenas o novo texto para o Estatuto dos Povos Indígenas.


    Além da Arpinsul, estão na aldeia Mãe Terra, representantes da Articulação dos Povos Indígenas de Minas Gerais e do Espírito Santo (APOIME); Articulação dos Povos Indígenas do Pantanal (ARPINPAN) e da Aty Guasu (Gurani Kaiowá). Para Cretã, os indígenas de diversas regiões precisam se articular para combater a atuação antiindígena do governo estadual e de deputados do Mato Grosso do Sul, apoiada pelas associações ruralistas e por grande parte da imprensa local.  


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    Cerca de 50% da verba destinada para demarcação de terras não foi gasta em 2008


     


    Em 2008, a Fundação Nacional do Índio (Funai) deixou de gastar quase R$ 17milhões que estavam orçados para ações de demarcação e regularização de territórios indígenas. Dos R$ 30,456 milhões autorizados para o ano passado, a Funai usou somente R$ 4,854 milhões mais os R$ 8,644 milhões que ficaram para pagar em 2009. A análise do orçamento indígena 2008 foi divulgada em 9 de abril pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc).


     


    O estudo, feito pelo antropólogo Ricardo Verdum, faz um balanço da execução orçamentária dos diferentes órgãos do Governo Federal envolvidos na implementação da política indigenista. O orçamento para a política indigenista aprovado para 2008 foi de R$ 736,014 milhões, superando em quase R$ 60 milhões o orçamento proposto pelo Executivo em agosto de 2007. Por outro lado, a análise destaca o baixo desempenho orçamentário nas ações de demarcação e regularização das terras indígenas, e nas destinadas à gestão ambiental, ao etnodesenvolvimento e à saúde.


     


    Em 2008, o orçamento para as ações da Funai foi de R$ 287,453 milhões. Deste total, foram executados ano passado cerca de R$ 239,422 milhões (83,29%). Os dados reunidos pelo Inesc demonstram que dentre as 12 ações sob responsabilidade da Funai dentro do Programa de Proteção e Promoção dos Povos Indígenas, a que teve o pior desempenho na execução do orçamento foram ações de demarcação e regularização dos territórios indígenas. Enquanto isso, a Funai instituiu apenas 31 Grupos Técnicos para os estudos de identificação de terras indígenas, apesar de haver cerca de 500 pedidos para esse tipo de providência. 


     


    Saúde: serviço precário e sobra de recursos


    Em todo o país, os indígenas denunciam a precariedade no atendimento à saúde. No entanto, em 2008, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) deixou de gastar aproximadamente R$ 11 milhões, sendo R$ 5,019 milhões destinados à estruturação de unidades de saúde e R$ 3,095 milhões para as ações de promoção, vigilância, proteção e recuperação da saúde dos indígenas. Também deixaram de ser executados cerca de R$ 736 mil com as ações de vigilância e promoção de segurança alimentar e nutricional entre as comunidades indígenas.


     


    A ação de saneamento básico em aldeias indígenas também ficou com um bom volume não utilizado: foram cerca de R$ 14,247 milhões, o equivalente a 23,17% do autorizado para o ano. Isso sem contar o que ficou como restos a pagar em 2009, ou seja: R$ 42,673 milhões.


     


    De fato, isto não representa um grande índice percentual dentro do orçamento das ações de atenção à saúde dos povos indígenas, cujo total foi de R$ 342,549 milhões. Cerca de R$ 331,596 milhões (96,80%) foram liquidados, sendo que deste total R$ 69,890 ficaram para serem pagos em 2009. Por outro lado, os indígenas e suas organizações seguem questionando a efetividade e a fiscalização do uso desse recurso.


     


    Os ministérios da Cultura (MinC) e do Meio Ambiente (MMA) também apresentaram baixo desempenho na execução orçamentária de seus programas.Dos R$ 9,205 milhões autorizados em 2008, o MMA executou pouco mais de 16%, incluindo os cerca de R$ 469 mil que ficaram para ser pagos em 2009. Já o MinC, de um total de R$ 1,396 milhão autorizado para 2008, foram executados pouco mais de 53%, ou seja, R$ 750 mil, sendo R$ 652 mil como restos a pagar em 2009.


     


     


    Brasília, 16 de abril de 2009


    Cimi – Conselho Indigenista Missionário


     

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  • 16/04/2009

    Kemp deixa presidência da comissão de Assuntos Indígenas da Assembleia

    O deputado estadual Pedro Kemp (PT) deixou hoje, dia 15, a presidência da
    comissão de Desenvolvimento Agrário e Assuntos Indígenas da Assembleia Legislativa, posição que ocupa há pelo menos 3 anos. O parlamentar, conhecido como um dos mais atuantes no debate sobre as questões indígenas no Estado, tomou a decisão após reunião ocorrida ontem em Brasília entre o governador André Puccinelli, o presidente da Assembleia, Jerson Domingos (PMDB), os deputados ruralistas, Reinaldo Azambuja (PSDB) e Zé Teixeira (DEM) e o ministro da Justiça Tarso Genro.

    Kemp alegou que como presidente da Comissão e estudioso do assunto, esperava participar do encontro e assim contribuir com os debates sobre a demarcação das terras indígenas, no entanto, não foi informado sobre a
    reunião e sequer convidado. “As autoridades do estado não podem formar uma comissão e levar uma decisão unilateral. Penso que não fui incluído neste grupo porque não sou fazendeiro. Sou a favor de um entendimento sobre as demarcações, mas com os dois lados participando”, ponderou. Para o parlamentar, não há sentido em presidir uma comissão que não é ouvida. “É preciso que essa comissão seja resgatada”, sugeriu.

    Em seu pronunciamento, Pedro Kemp criticou a postura do governo de Mato
    Grosso do Sul em Brasília pediu ao ministro Tarso Genro a suspensão dos processos de demarcação de terras indígenas no Estado. “O governador como
    um governador do povo, inclusive dos índios, deveria governar para todos e
    não apenas para os fazendeiros”, criticou, lembrando que Mato Grosso do Sul tem um território de 35,7 milhões de hectares, dos quais apenas 2% são destinados à população indígena. “Nosso vizinho Mato Grosso, ao contrário, tem 16% de suas terras demarcadas e isso não gerou problemas financeiros lá”, comparou.

    O deputado apresentou números que demonstram que hoje, no Estado, 981
    proprietários rurais detêm cerca de 7,2 milhões de hectares. A população indígena gira em torno de 60 mil pessoas. “Então, o governador esteve na
    reunião de ontem defendendo menos de mil pessoas, quando no outro lado há 40 mil índios Guarani Kaiowá aguardando as demarcações”, disse lembrando da população Guarani, que atualmente é a  principal vítima da falta
    de demarcações. A etnia está confinada em pequenas áreas no Sul do Estado, convivendo com problemas como o alcoolismo, a desnutrição, o uso de drogas e o suicídio.

    Para o parlamentar, apenas uma solução negociada entre fazendeiros e
    indígenas colocará fim ao impasse. Proposta analisada pelo Ministério Público Federal sugere que as terras da União no Estado e as do narcotráfico
    que foram confiscadas pela justiça poderiam servir de permuta para ampliação dos atuais territórios. O assunto começou a ser estudado após a sugestão do gerente regional da Secretaria do Patrimônio da União, Mário Sérgio Sobral Costa, em setembro do ano passado. Os números exatos de bens da União em Mato Grosso do Sul não foram divulgados. “Ao invés de perder tempo na busca de tentativas para barrar as demarcações, o  governador deveria se debruçar sobre uma alternativa, como esta, por exemplo”, disse.

    O parlamentar ainda estuda se permanecerá como membro na Comissão de
    Desenvolvimento Agrário e Assuntos Indígenas da casa.

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  • 16/04/2009

    No 19 de abril

    Povos indígenas,


    Procurem


    O caminho, o seu caminho!


     


    Pegam o terçado,


    Abram a picada!


    Vão com cuidado,


    A cada passo,


    Abram o olho!


    Na mata do branco,


    Armadilha,


    Tem em todo canto;


     


    O dono do rumo,


    São vocês,


    A direção


    Está gravada


    No fundo do seu coração.


     


    Se olharem o presente,


    Não é como antigamente,


    Cadê a floresta do passado,


    E o pajé para curar o doente?


     


    Não percam a esperança


    Por causa da aparência!


    Muito do que mudou


    Ainda está vivo.


     


    Filhos da natureza,


    Livres como o vento,


    Encantadores


    Como pássaros


    Que pela manhã


    Pousam no quintal


    E voam sem dar sinal,


    Tenham certeza,


    Sua cultura milenar


    Não é uma “vela”


    Que pode apagar!


     


    Debaixo das cinzas,


    Escondidas no chão,


    As sementes de seus valores


    Já vem brotando;


    A cada amanhecer,


    O sereno as faz crescer.


     


    Acordem, povos!


    Estiquem os seus arcos!


    Retomem as suas terras e sua dignidade!


    Busquem união e solidariedade!


    Abrem a trilha da partilha


    E da reciprocidade,


    Novo caminho para a sociedade,


    E esperança para a humanidade.


     


    Gil-CIMI Guajará-Mirim, Abril de 2009

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  • 15/04/2009

    Proposta de Súmula Vinculante nº 5

    Clique aqui e tenha acesso à Manifestação do Cimi e de organizações indígenas na Proposta de Súmula Vinculante n.º 5.

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  • 15/04/2009

    Campanha Povos Indígenas na Amazônia: presente e futuro da humanidade

    Atividades na UFAM


     


    PRÉ-LANCAMENTO DA CAMPANHA POVOS INDÍGENAS NA AMAZÔNIA: PRESENTE E FUTURO DA HUMANIDADE


     


    15/04


    Auditório Rio Solimões (ICHL- UFAM)


     


    Horário: 9:00-12:00 h


     


    MESA: A PARTICIPAÇÃO DOS POVOS INDÍGENAS DA AMAZÔNIA NA CONSTRUÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS


     


    Abertura das atividades: Professora Maria Helena Ortolan Matos (Departamento de Antropologia e Programa de Pós-graduação em Antropologia Social/UFAM)


     Coordenação da Mesa: Raimundo Nonato Pereira da Silva (Departamento de Antropologia/UFAM)


     


    Temas debatidos:


    – Política e organização indígena.


    Sabá Manchineri (COIAB)


    – Terras indígenas e gestão.


    Francisco Avelino Batista Apurinã (Coiab)


    – Pesquisas e Projetos Indígenas


    Jurandir Tenharin (FEPI)


    – Educação Indígena


    Zuza dos Santos Cavalcante (FEPI)


    – Mulheres indígenas e Políticas Públicas


    Rosemere Teles Arapasso


    – Movimento Indígena e Mulheres


    Deolinda Prado Dessana


     


    Horário: 14:00-18:00


     


    Coordenação da Mesa: Professora Deise Lucy Montardo


    Temas debatidos:


    – Educação Indígena


     Rosa Helena Dias da Silva (FACED/UFAM)


    – Saúde Indígena


    Sílvio Cavuscens (SECOYA)


    – Censo Indígena


    Pery Teixeira (UFAM)


    – Comissão Nacional de Política Indígena


    Francisco Loebens (CIMI)


    – Contatos e índios isolados.


    Bárbara Arise (UFSC)


     


    16/04


    Auditório Rio Solimões (ICHL-UFAM)


    Horário: 9:00-12:00 h


     


    Mesa: DIREITOS INDÍGENAS AMEAÇADOS: CONDICIONANTES DO STF


    Mediador: Sílvio Cavuscens (SECOYA)


     


    Debatedores:


    Cláudio Luis Beirão (Assessor Jurídico do CIMI)


    Francisco Praciano (Deputado Federal)


    Kleber Karipuna (COIAB)


    Hudson Dionísio (CIR)


    Lino João de Oliveira Neves (UFAM)


     


    Auditório Rio Negro (ICHL-UFAM)


    Horário: 14:00-18:00


     


    FILME: A guerra de pacificação na Amazônia


    Diretor Ives Billon


     


    Mesa de debates:


    Selda Vale da Costa (NAVI/PPGSCA/UFAM)


    Francisco Avelino Batista Apurinã (COIAB)


    Paulo Monte (UFAM)


    Sílvio Cavuscens (SECOYA)


    Hudson Dionísio (CIR)


     


    REALIZAÇÃO DA SEMANA DOS POVOS INDÍGENAS – UFAM:


    – Campanha Povos indígenas: presente e futuro da Humanidade


    – Departamento de Antropologia e Programa de Pós-graduação em Antropologia Social/UFAM


    – NAVI/PPGSCA/UFAM


    – EDUA


     


    ATIVIDADES NA PRAÇA HELIODORO BALBI – (Antiga Praça da Polícia)


     


    Lançamento da Campanha Povos Indígenas na Amazônia: presente e futuro da humanidade


     


    DIA 19/04/2008


     


    16h30 às 17h – Mobilização e sensibilização do público com panfletagem do folder da campanha.


     


    AUDITÓRIO – PALACETE PROVINCIAL


    17h às 17h30 – Abertura da Campanha com apresentação das entidades parceiras.


     


    ARENA – PALACETE PROVINCIAL


     


    Apresentação dos grupos indígenas


     


    17h30 às 18h – Apresentação do grupo indígena Wotchmaucu – Povo Tikuna.


     


    18h às 18h30 – Apresentação do grupo de Dança Indígena do Povo Munduruku


     


    18h30 às 19h – Apresentação do Grupo Inhã-Bé Cury – Povo Sateré-Mawé


     


    SALA DE VÍDEO – PALACETE PROVINCIAL


     


    Exibição de filmes etnográficos


     


    19:00h – 19:10: Exibição do vídeo da Campanha


     


    19:10h – 19:35h:  Documentário: Ou vai ou racha: 20 anos de luta (Roraima, 1998, 31 minutos)


    Diretor: Vincent Carelli e Mari Corrêa.


    Fotografia: Vincent Carelli.


    Edição: Mari Corrêa


    Produção: Vídeo nas Aldeias.


    Sinopse: Em abril de 1997, os índios Macuxi do norte de Roraima comemoram vinte anos do movimento pelo reconhecimento da área indígena Raposa Serra do Sol onde vivem cerca de treze mil índios. Para a festividade, os estudantes da escola indígena encenam os episódios mais importantes de sua história e de sua luta, comentados por seus protagonistas. O documentário foi concluído com a participação dos habitantes da aldeia Maturuca, sede da resistência Macuxi, durante uma oficina de edição e de desenho animado.


     


    19:35h – 19:55: Documentário: Vamos a Luta! (Roraima, 2002, 18 minutos)


    Diretor: Divino Tserewahú


    Fotografia: Divino Tserewahú


    Edição: Leonardo Sette


    Produção: Vídeo nas Aldeias.


    Sinopse: Em abril 2002, os índios Makuxi da reserva Raposa Serra do Sol comemoram 25 anos de luta pelo reconhecimento definitivo da reserva. Divino Tserewahú, realizador Xavante, vai ao encontro dos seus “parentes” e registra as comemorações e a demonstração de força do exército de fronteira para intimidar os índios. Divino anifesta a sua surpresa diante de tal confrontação.


     


    19:55h-20h05 – Reprise do vídeo da Campanha.


     


    20:05h – 20:30 – Trilhas do Conhecimento (Mato Grosso, 2004, 18 minutos)


     


    20:30h – Encerramento das atividades na Arena do Palacete  rovincial.


     


    ESPAÇO MUSEU DA IMAGEM E SOM DA AMAZONIA – MISAM


    (Palacete Provincial)


    16:00h – 20:00h -Exibição do vídeo da campanha


    Escolha o seu Vídeo nas Aldeias


     


    REALIZAÇÃO:


    Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira


    APOIO:


    Conselho Indigenista Missionário – CIMI


    Equipe Itinerante


    Universidade Federal do Amazonas – UFAM


    Museu Amazônico – Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social – PPGAS


    Núcleo de Antropologia Visual – NAVI/UFAM


    Universidade do Estado do Amazonas – UEA


    Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários – PROEX


    Serviço de Cooperação com o Povo Yanomami – SECOYA


    Serviço de Ação, Reflexão e Educação Social – SARES


    Pastoral da Juventude


    Via Campesina


    Comissão Pastoral da Terra


    Fórum Nacional pela Reforma Agrária


    Operação Amazônia Nativa – OPAN


    Cáritas


    CUT – AM


    Manos Unidas


    Greenpeace


    Fundação Estadual dos Povos Indígenas – FEPI


    Secretaria de Estado de Cultura


    Informações: (92) 3621-7501 (COIAB)/ 3238-3317 (CIMI)/ 3646-2775 (SECOYA)


    Site: www.campanhaamazoniaindigena.synthasite.com


     

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  • 15/04/2009

    No MS, dia do índio é dia de luta

    Por motivo do Dia do Índio Americano, que é comemorado 19 de abril, organizações indígenas de MS estão preparando um ato na aldeia “Mãe Terra” no município de Miranda/MS, na quinta feira 16 de abril.  A organização
    da atividade é do povo Terena. Os objetivos da mesma são resgatar a data do Dia do Índio Americano como um dia de luta e fazer mais uma reclamação em relação à necessidade urgente de demarcação das terras indígenas no Estado.

    Confirmaram a presença no ato os representantes da Coordenação das
    Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB); Articulação dos Povos Indígenas de Minas Gerais e do Espírito Santo (APOIME); Articulação
    dos Povos Indígenas do Sul (ARPINSUL) e Articulação dos Povos Indígenas do
    Pantanal (ARPINPAN). Também estarão participando representantes do movimento guarani e de outros movimentos sociais do
    MS.


    Os organizadores da mobilização indígena explicaram que escolheram o dia 16 para garantir a presença de representantes de organizações indígenas de outros estados que, por sua vez, tem que  participar das atividades locais em seus respectivos municípios e estados, o dia 19 de abril.

    A “caminhada pela vida e dignidade dos povos indígenas” será um
    dos momentos mais importantes da manifestação indígena desse dia. Os organizadores também prepararam apresentação de danças, rezas e outros rituais característicos do povo Terena. Segundo Lindomar Ferreira, liderança da comunidade Mãe Terra, “a atividade vai ser um momento importante para a partilha e reflexão sobre os desafios da luta indígena no Mato Grosso do Sul e em todo o Brasil, pois estamos com a idéia de fortalecer a luta pela
    terra e pela defesa de nossos direitos”.


    Manifestou também que vão resgatar o verdadeiro significado da data 19
    de Abril, Dia do Índio Americano que “não é um dia de festa e sim um dia de
    luta”. Por outro lado o ato será de preparação para a participação dos indígenas do MS no encontro anual de protesto em Brasília no chamado
    “acampamento terra livre”.

    Significado de uma data

    Em 19 de abril de 2009 completa-se 69 anos da realização do Primeiro
    Congresso Indigenista Latino-americano. Foi no ano 1940 na cidade de Patzcuaro, México, que a Organização dos Estados Americanos (OEA) chamou os governantes para participar desse congresso e analisar um
    documento sobre a política indigenista que seria implementada no norte, centro e sul americano. Os representantes dos povos indígenas estavam lá.


    Só que os indígenas não foram chamados para que suas vozes
    fossem ouvidas no evento. Eles compareceram para protestar e reclamar. Os governos nunca aceitaram a presença indígena dentro do Instituto Indigenista Interamericano da OEA. Trinta anos mais tarde, na década de 70, os governos, ao invés de aceitar que os próprios indígenas representassem seus povos perante a OEA, decidiram anunciar a escolha de uma data, o 19 de abril, como o dia do índio americano, em recordação aos indígenas que se
    mobilizaram em 1940, durante o primeiro Congresso Indigenista Interamericano.


    Por isso, em muitos países, os povos indígenas rejeitam a data oficial e tentam dar um significado diferente ao dia do índio, sendo que ela surge por conta de denuncias dos abusos e violações de direitos humanos cometidos pelos governos e estados americanos contra os povos indígenas.

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  • 15/04/2009

    Governar contra índios

    “O governador André Puccinelli (PMDB) vai protocolar ainda nesta tarde, no Ministério da Justiça, pedido de suspensão do processo de demarcação de terras indígenas em Mato Grosso do Sul”. A recomendação foi do próprio ministro Tarso Genro, durante reunião nesta tarde, em Brasília, da qual também participaram o ministro das Relações Institucionais, José Múcio, os senadores Valter Pereira (PMDB) e Marisa Serrano (PSDB) e os deputados federais Waldemir Moka (PMDB), Geraldo Resende (PMDB) e Nelson Trad (PMDB). (Campo Grande News, 14 de abril de 2009)



    Pode parecer estranho, mas infelizmente é a realidade. O governador do Mato Grosso do Sul,  tem se esmerado desde o início de seu mandato, em ser fiel ao seu grupo do agronegócio e seus apadrinhados da elite política e econômica regional. Não teve dúvidas em dizer que este estado não será terra de índios, em propor levar os Kaiowá Guarani para outras regiões do estado e do país. Foram inúmeras as audiências em Brasília, com presidente da República, ministros e órgãos envolvidos com a questão indígena. Sua forma viril e autoritária se espalhou pelos corredores do poder em Brasília. Sua fama de persistência e intransigência antindigena se espalhou pelo mundo. Entre abrigar o capital nacional e internacional para a construção de mais 50 usinas de álcool e açúcar ou reconhecer os tekoha (terras tradicionais indígenas) não tem dúvidas em dar guarida aos primeiros. Entre distribuir politicamente cestas básicas a 15 mil famílias indígenas, ou garantir-lhes sua terra para poderem produzir seus alimentos, não tem dúvidas em ficar com   a primeira opção.



    Mas nesta cruzada pelo desenvolvimento do agronegócio, da implantação das usinas de álcool, ele também é alertado de que foi eleito para governar para todos e não apenas para garantir a acumulação e privilégios de uma minoria. Pode até fazer ouvido mouco para essas lembranças, mas a história dá muitas voltas e a justiça, humana ou divina, pode tardar mas far-se-á prevalecer. Todos os genocídios e negação dos direitos humanos elementares a historia os cobrará. Os Kaiowá Guarani não esquecerão de seus algozes, de ontem e de hoje.



    Nunca é demais lembrar que temos uma Constituição, e nela está determinado que até 1993 todas as terras indígenas deveriam estar demarcadas. Passados mais de 20 anos não seria mais lógico e racional lermos uma manchete na mídia sul mato-grossense, “Governador vai a Brasília cobrar agilização na identificação e regularização das terras indígenas no Estado”. Quem se responsabiliza pelas centenas de mortes Kaiowá Guarani ocorridas nestes 20 anos, e que estão prosseguindo com 40 assassinatos só no ano passado e mais de 300 só nesse início do século 21? Talvez seja mais fácil governar contra os direitos indígenas do que contrariar os interesses das elites e do agronegócio.


    Egon Heck


    Cimi – MS


    Campo Grande, semana dos povos indígenas 2009

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  • 14/04/2009

    “Mataram Irmã Dorothy” estréia sexta-feira (17 de abril) nos cinemas

    A partir do próximo dia 17 de abril, nos cinemas de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belém, estréia o documentário “Mataram Irmã Dorothy”. O título trata do brutal assassinato da freira americana Dorothy Stang, 73 anos, morta com seis tiros, em 2005, em Anapu, no interior do Pará.

    Narrado pelo ator Wagner Moura, o filme revela bastidores do controvertido julgamento dos assassinatos da missionária americana, que teve novos desdobramentos na última terça-feira, quando a justiça anulou o caso e pediu a prisão de Vitalmiro Bastos, o Bida, apontado como suposto mandante do crime.

    O longa-metragem, de 94 minutos, também investiga as razões da morte da freira, bem como sobre os verdadeiros mandantes do crime. Ano passado, “Mataram Irmã Dorothy” venceu o Prêmio do Público e Grande Prêmio do Júri no Festival South by Southwest; recebeu menção honrosa do júri no FIC Brasília; e participou das seleções oficiais do Festival do Rio e Mostra Internacional de São Paulo.

    O documentário é dirigido pelo americano Daniel Junge.

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