• 11/11/2009

    Nota de repúdio contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte

    A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), organização representativa e articuladora dos povos indígenas desta região, criada para defender e promover os seus direitos, vem a público manifestar veementemente sua indignação contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, que o Governo do Presidente Lula quer implantar a qualquer custo, violando integralmente as normas ambientais do país, os direitos dos povos indígenas garantidos na Constituição Federal vigente e na legislação internacional (Convenção 169 OIT e Declaração da ONU) da qual o Brasil é signatário. O empreendimento, segundo especialistas, é inviável do ponto de vista econômico, ambiental, social e cultural, pois poderá gerar impactos irreversíveis na flora, na fauna, na biodiversidade, e, sobretudo, na vida dos povos indígenas e comunidades tradicionais que vivem na área de abrangência da usina.

     

    Em razão desses fatos, a COIAB assume os termos da “Carta de Repúdio à Construção da Hidrelétrica de Belo Monte”, apresentada na manifestação ocorrida nos dias 29 de outubro a 03 de novembro na Aldeia Piaraçu, da terra indígena Kapot/Jarina, no norte de Mato Grosso, com a participação de 212 lideranças indígenas e de dirigentes da nossa organização.

     

    A COIAB reafirma o seu posicionamento contrário a construção desse empreendimento e de outros, como a pavimentação das rodovias BR-317 e BR-319, e a implantação do Complexo Hidroelétrico do Madeira, pois todas essas obras agridem e violam os direitos dos povos indígenas, direitos esses conquistados ao longo dos anos, com muita luta, muitas vezes com o sangue derramado de nossas lideranças.

     

    Repudiamos a intenção do Governo de nos considerar “forças demoníacas” que impedem o desenvolvimento do país, quando tudo o que queremos é continuar preservando os ecossistemas e a biodiversidade, e sobretudo, condições de vida digna e de qualidade para os nossos povos e suas futuras gerações, bem como o bem-estar do planeta e da humanidade.

     

    Repudiamos ainda a prática autoritária com que o Governo, através do Ministério de Minas e Energia, da Casa Civil e da Fundação Nacional do Índio, pretendem “empurrar este projeto goela abaixo”, contrariando o compromisso em contrário do chefe do Executivo, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

     

    Exigimos que o Sr. Presidente da Funai, Márcio Meira, cumpra rigorosamente o seu papel de zelar pelos direitos indígenas, suspendendo qualquer decisão voltada a autorizar licenciamentos de obras que impactarão direta ou indiretamente as terras indígenas. A Funai não pode se achar no direito de falar pelos povos indígenas nem alegar que os está ouvindo, porque isso realmente não tem acontecido, conforme o estabelece a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que já é lei no país, e que nos assegura o direito à consulta prévia, livre e informada.

     

    Por tudo isso, reivindicamos que o governo brasileiro respeite a vontade dos nossos povos e organizações, e desista de construir a Hidrelétrica de Belo Monte, e muitos outros projetos que fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), voltando-se a assegurar os nossos direitos, o respeito à diversidade étnica e cultural do nosso país, criando condições para que este seja efetivamente um país democrático, justo e igualitário.

     

    Coordenação Executiva da COIAB

     

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  • 11/11/2009

    06/11/2009 – 08:38 – Colloquium discusses violation of infant-juvenile rights of the Guarani people

    Having begun on November 5 and ending today, in the municipalities of Caarapó and Amambai, in Mato Grosso do Sul, the “Colloquium on the Guarani Child: Right to Life without Violence”. The event, which is being held for the first time, is conducted for the purpose of discussing the curbing of violations of the rights of the Guarani indigenous population, especially the infant-juvenile portion [of the population].


     


    According to Estela Márcia Scandola, Coordinator of the State Committee for Confronting Sexual Violence Against Children and Adolescents / MS and a member of the national coordination, the importance of this event is in succeeding in convening women, leaders, scholars and government agencies for discussing violence against the Guarani children and the impacts it causes on them.


     


    “The municipality of Caarapó is being turned into a major center for sugar cane plantations. With the arrival of these large projects there is a reordering effect on social organization of the villages. The villages are no longer a place where the indigenous peoples make their decisions”, clarifies Estela.


     


    With the installation of large enterprises the villages are experiencing not only transformation in the dynamic of indigenous life with the departure of the men to work in other activities, but also the increase in cases of violence and abuse against children and adolescents. According to Estela, even the government has denied assistance to the villages.


     


    “The State General Procurator at present prohibits the civil or military police from acting in cases of violence against indigenous children. Only the federal police can act. No explanation was given for this decision and as such the indigenous children and adolescents remain ever more invisible”, denounces Estela.


     


    Due to lack of protection coming from the government the indigenous women are coming forward to attempt to end the barbaric violence committed in their territories. The women’s groups are participating in order to confront, analyze and denounce the arrival of non-indigenous persons in their villages. “The women are assuming all the roles previously divided, because the men are now working outside”, says Estela.


     


    Since April of this year several women from the village of Tey’kue, in Caarapó, have been keeping a critical eye over their communities and maintaining logs of reports on violence, rapes, frustrated visits to the police station, to the doctor, and finally, all of the steps of a sad and different reality from their previous lives.


     


    “What is happening is that the village is going through various cases of sexual violence and exploitation of the adolescents. The men commit crimes, are taken to the police station, but nothing happens, no one is arrested. It is very difficult to be arrested. When there is an occurrence, first we talk to the leaders, then we talk with the Tutelary Council. When we go to the police station to report a case that we become aware of only two or three days after it occurs, the delegates say they can´t do nothing as there is no ´in flagrante’ (caught red-handed, in the act). In this way, the men return to the village and commit the same crimes, they are left to molest the children”, relates Júlia Soares, a resident of Tey’kue village. 


     


    The Colloquium ends today in Caarapó and reopens in Amambai. Its convening is being sponsored by the State Committee for Confronting Sexual Violence Against Children and Adolescents (COMCEX/MS) and by the Brazilian Institute of Pro-Society Healthy Innovations / Central-West (IBISS/CO).


     


    Participating in the discussions are indigenous leaders, members of the care network for the child and adolescent, of public security, the State Public Ministry, governmental agencies, representatives of the Municipal and State Legislature, in addition to members of entities linked to human rights and indigenous concerns.


     


    Natasha Pitts

    Adital Journalist

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  • 11/11/2009

    11/11/2009 – Parents of missing Guarani teachers appeal to MPF and to Funai

    The two Guarani Kaiowá professors Rolindo and Genivaldo Vera remain missing. Their community has been looking for them since 30 October. The two were in an indigenous group of 25 who on October 29 retook the tekohá (traditional land) Ypo’i near the municipality of Paranhos, Mato Grosso do Sul. On the day following the retaking, the group was dispossessed by armed private security guards and since then the professors have not been seen.




    Genivaldo Vera


     


    The Police continue to look for the professors. The population of the village Pirajuí, where the parents and other family members of the professors live, are very concerned. The classes of more than 500 students in the area were suspended in solidarity with the missing professors. The social movements and international entities have been calling for measures to be taken, demarcation of land and justice.


     


    In a letter sent to the Procurator Marco Antonio of the Ministério Público Federal, in Dourados and Margarida Nicoletti, administrator of the FUNAI Cone Sul, the parents of the two professors appeal for their help.


     


    The letter:


     


    “We of the community of the village of Ypo’i are becoming very desperate over the disappearance of our two professors that [they] not be disappeared. We would like the authorities of these competent agencies to help us immediately.


    We are very tired COME! END THIS!


    We request the sincere support of the authorities, because we have already looked everywhere, we formally request your intervention together with the Paraguayan authorities because we are so close to the border.


    This being of urgent immediacy we depend very much on the support of this agency of the public ministry; As the laws of the federal constitution guarantee.


    As long as we have not found our countrymen professors we will continue to search, with this all of the children of the village of Pirajui and other areas are going to suffer consequences relative to the school year, for this reason we ask that you help us to find out relative[s].


     


    For this we thank you in advance


     


    Father of professor Genivaldo Vera, Bernardo Vera and his mother Francisca Gonsales


     


    Father of professor Rolindo Vera, Catalino Vera and his mother Tila Ximenes”


     


    Parents of the victims, the nanderu (spritual leader of the Guarani, the ñadesy, professors and supporters all jointly issue an SOS.

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  • 11/11/2009

    Justiça Federal determina novas audiências para Belo Monte

    A ordem suspende o processo de licenciamento para atender a pedido do Ministério Público – Federal e Estadual – e realizar as audiências públicas solicitadas pela população.

     

    A Justiça Federal em Altamira ordenou a suspensão do licenciamento da hidrelétrica de Belo Monte e ordenou a realização de novas audiências públicas que “comprovadamente contemplem as comunidades” atingidas pelo empreendimento. A ordem atende um pedido do Ministério Público, que quer ver respeitado o direito das pessoas que moram em regiões isoladas e serão os mais impactados pela hidrelétrica.

     

    O juiz Edson Grillo, que responde pela Vara Federal de Altamira, descartou as alegações do Ibama e da Eletronorte de que as quatro audiências feitas até agora seriam suficientes.

     

    A audiência pública não pode ser considerada, como sustentam os requeridos, mero ato ritualístico encartado no procedimento de licenciamento ambiental. Deve ostentar a seriedade necessária, a fim de que possa fielmente servir à finalidade para a qual foi criada que, no caso presente, é informar custos, benefícios e riscos do empreendimento, propiciando o debate franco e profundo com as populações envolvidas.

     

    Mais a frente, a decisão judicial confirma novamente o entendimento do MP: – O fato de o Ibama ter limitado as audiências a quatro municípios, quando reconhece que serão afetados pelo empreendimento outros nove, além de outras localidades, lugares esses centenas de quilômetros distantes das sedes municipais nas quais se realizaram as audiências, já demonstra a intenção de restringir a participação dessas comunidades.

     

    O avanço econômico não pode se processar de forma açodada, privando o povo do conhecimento indispensável de como se dará o processo de desenvolvimento e, sobretudo, dos impactos que trará ao meio ambiente e à forma de vida das pessoas que serão atingidas pelo empreendimento, ensina a decisão judicial.

     

    A Justiça não concedeu totalmente os pedidos feitos pelo MP, porque considerou válidas as audiências acontecidas até agora. Ordenou, no entanto, que sejam realizadas tantas audiências quantas sejam necessárias para contemplar todas as comunidades afetadas.

     

    O processo tramita com o número 2009.39.03.000575-6 e pode ser acompanhado por qualquer interessado pela internet no site da Justiça Federal:www.pa.trf1.gov.br

     

    Procuradoria da República no Pará

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  • 10/11/2009

    Pais de indígenas desaparecidos fazem apelo ao MPF e à Funai

    Continuam desaparecidos os professores Guarani Kaiowá, Rolindo e Genilvado Vera, que são procurados pela comunidade desde 30 de outubro. Os dois estavam num grupo de 25 indígenas que retomaram, no dia 29 de outubro, o tekohá (terra tradicional) Ypo´i, próximo ao município de Paranhos, Mato Grosso do Sul. No dia seguinte à retomada, o grupo foi despejado por seguranças particulares, desde então os professores não foram mais vistos.

     

    A Polícia continua procurando os professores. A população da aldeia Pirajuí, onde vivem os pais e demais familiares dos professores, está muito preocupada. As aulas de mais de 500 alunos da área foram suspensas em solidariedade aos professores desaparecidos. Os movimentos sociais e entidades internacionais cobram providencias, demarcação da terra e justiça.

     

    Os pais dos dois professores encaminharam um dramático apelo em carta enviada ao o Procurador Marco Antonio do Ministério Público Federal, em Dourados e Margarida Nicoletti, administradora da Funai Cone Sul.

    Eis o teor da carta, na íntegra:

     

     “Nós da comunidade da aldeia Ypo’i, estamos muito desesperado pelo desaparecimento dos nossos dois professores que não desapareceu. queremos que as autoridades desses órgãos competentes nos ajude imediatamente.
    Estamos muito cansados CHEGA! BASTA!
    Pedimos com sincero apoio aos senhores autoridades, pois nos procuramos já em todo canto pedimos aos senhores uma intervenção junto com as autoridades Paraguaias já que a fronteira é muito próxima.
    Que isso seja urgente imediato nós dependemos muito do apoio desse órgão do ministério publico.
    Como garante as leis e da constituição federal.
    Enquanto não encontramos nosso patrícios professores iremos estar na busca, com isso todas as crianças da aldeia Pirajui e demais áreas irão sofrer consequências referentes ao ano letivo, por essa razão solicitamos que nos ajudem a encontrar nosso parente.
    Desde já agradecemos
    Pais das vitimas, ñanderu, ñadesy, professores e apoiadores todos juntos solicita SOS.
    Pai do professor Genivaldo Vera, Bernardo Vera e sua mãe Francisca Gonsales
    Pai do professor Rolindo Vera, Catalino Vera e sua mãe Tila Ximenes”

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  • 10/11/2009

    Movimentos Sociais do Mato Grosso do Sul apóiam luta dos Guarani Kaiowá

    Mais uma luta Guarani por terra ganha o mundo com contornos de crueldade. Cansados de prazos não cumpridos e promessas jogadas ao vento, algumas famílias desse tekoha-terra tradicional, nas cabeceiras do riacho do mesmo nome, afluente do rio Iguatemi, no município de Paranhos-MS, retornaram à sua terra, no dia 29 de outubro.  A alegria e a celebração da volta durou pouco. Em menos de três dias foram surpreendidos por um bando de jagunços a serviço dos fazendeiros. Chegaram atirando e batendo em todos, conforme depoimento dos integrantes do grupo, praticamente todos saíram machucados pela ação violento dos jagunços. Na hora do desespero e correria, dois adolescentes e dois professores não conseguiram retornar com o grupo. Os adolescentes reapareceram depois de dois dias, bastante machucados, enquanto os dois professores continuam desaparecidos até hoje, já há uma semana. Houve até rumores de que os corpos deles haviam sido localizados, porém até hoje não se tem nenhuma informação oficial a respeito da localização ou até ocultação dos corpos.


     


    Diante de mais essa brutalidade contra um grupo Guarani, que, apenas quer um espaço para viver em paz com sua comunidade, produzir seus alimentos, fazer suas festas e celebrações, reverenciar seus antepassados e talvez fazer os espíritos das florestas voltarem, é que nós, movimentos sociais vimos a público externarmos nosso repúdio à violência e assumirmos o compromisso solidário na sua luta pela terra.


     


    Como entidades da coordenação dos movimentos sociais deste estado, queremos também manifestar nosso repúdio às ações e declarações do governo de MS contra a demarcação das terras indígenas, bem como das lamentáveis ações do agronegócio e suas organizações que estão procurando inviabilizar o reconhecimento das terras dos Kaiowá Guarani e Terena.


     


    Com nosso gesto, queremos nos unir a milhares de pessoas que no Mato Grosso do Sul, no Brasil e no mundo, prestam seu apoio solidário ao povo Guarani e exigem a imediata demarcação de todas as terras desse povo, bem como as terras dos quilombolas e sem terra.


     


    Exigimos apuração ágil dos fatos, julgamento e punição dos responsáveis por essas violências, além da reparação da dívida histórica através da imediata identificação e demarcação de todas as terras Kaiowá Guarani.


     


     Campo Grande, novembro de 2009


     


    Coordenação dos Movimentos Sociais do Mato Grosso do Sul


    Comissão de Direitos Kaiowá Guarani


    Campanha Povo Guarani Grande Povo


    Conselho Indigenista Missionário – CIMI-MS


    Conferência dos Religiosos do Brasil – CRB-MS


    Movimento de Mulheres Camponesas – MS


    FIAN – Brasil e Internacional


    Comissão Pastoral da Terra – CPT MS


    Movimentos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra – MST MS


    CDDH – Marçal de Sousa

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  • 10/11/2009

    Indígenas e ribeirinhos do Xingu discutem o Projeto da hidrelétrica de Belo Monte

    Entre os dias 5 e 7 de novembro aconteceu na Ilha da Ressaca, próxima do município de Altamira, o 2º encontro dos povos do Xingu. Este encontro contou com a participação de 200 pessoas entre ribeirinhos, trabalhadores rurais, indígenas e organizações não governamentais (ISA, MDTX, Greenpeace, MAB, CIMI, FASE, Rede Brasil entre outros).

     

    Os povos indígenas presentes por meio de 30 lideranças representaram as etnias:Kayapó (do Alto Xingu, Gorotire, Redenção,Menkranotire); Xavante; Juruna do Paquiçamba;Juruna do KM-17, Arara da Volta Grande,Arara Ugorogmo; Xipaia do Tukamã, Kararaô, Xicrin do Bacajá, Xipaia moradores de Altamira.

     

    O dia 6 de novembro foi dedicado à exposição da equipe de técnicos que estudaram as falhas do Estudo de Impactos Ambientais (EIA-RIMA) da hidrelétrica de Belo Monte. O Professor Francisco Hernandez (UNICAMP) explicou o que não é explicado no relatório de impacto ambiental. Destacou a ausência de explicações sobre os impactos que serão causados abaixo do paredão de 6,03 km de largura que será erguido na região da Volta Grande do rio Xingu. O paredão desviará a água do rio para canais que a levarão até as turbinas – na região chamada Belo Monte em Vitória do Xingu. Após o paredão, previsto para ser construído perto de Altamira, o rio deve secar devido a diminuição do nível água, que além de represada será desviada por meio de canais. O professor Francisco apontou que o relatório não vê como impacto as áreas que sofrerão diminuição da água. “Será uma região onde as águas ficarão presas, com pouco ou nada de fluxo, o que levará a alta temperatura, impossível para reprodução de peixes ou outro tipo de vida. as águas servirão apenas para fazer chá…”. Estranha ainda o professor, que as terras indígenas Paquiçamba e Wangá onde vivem os Arara do Maia não sejam consideradas áreas de impacto, uma vez que elas sofrerão com a escassez de água, de peixes e ficarão praticamente isoladas, assim como todos os outros ribeirinhos que vivem naquela ou próxima da região.

     

    Por sua vez o professor Antonio Carlos Magalhães, antropólogo da UFPA criticou a ausência de políticas de legalização das terras indígenas daquela região onde vivem cerca de nove povos indígenas – que serão todos impactados pela construção da hidrelétrica. Segundo o antropólogo a Funai pouco fez nos últimos anos para legalizar as terras indígenas; das 11 existentes, sete estão regularizadas, mas encontram sérios problemas com invasões, exploração de madeira ou pesca ilegal. Se quiserem de fato fazer algum favor aos povos indígenas, deveriam esquecer Belo Monte e proteger e legalizar os seus territórios orienta Magalhães.

     

    As manifestações dos participantes foram unânimes em não aceitar a construção da hidrelétrica de Belo Monte. Uma ribeirinha da Vila Ressaca ressaltou que a o Estado nunca esteve presente em ações políticas para a população daquele local, e agora aparecem para destruir com barragens. “Como se pode acreditar num governo ausente e que não escuta a população?”

     

     

    As lideranças indígenas Kayapó também leram o manifesto dos Kayapó do último encontro de Piaraçu /MT e declararam o apoio incondicional à população atingida e se disseram preparados para a luta contra o governo.

     

    No dia 7, os grupos se distribuíram da seguinte forma: os grupos de indígenas e aliados se encaminharam para a terra indígena Wanga do Povo Arara e o grupo de ribeirinhos e trabalhadores permaneceram na Ilha da Ressaca.

     

    O grupo de indígenas e aliados foram recebidos pelo cacique Zé Carlos Arara, que solicitou do grupo visitante que fizessem exposição do problema que Belo Monte trará a sua Aldeia. Novamente o professor Francisco fez a exposição, apresentando novos dados sobre o direito à consulta sobre os grandes projetos que atingirão as terras indígenas. O tema da consulta foi acompanhada da exposição das demais lideranças indígenas, entre as quais os Xavante e os Kayapó do Parque do Xingu. Não se trata de um erro simplesmente técnico, mas de um agravante político, que abre precedentes terríveis para os outros empreendimentos, que ficam à mercê dos interesses de grupos econômicos e políticos decidirem como e quando fazer sem consultar os impactados. O Ministério Publico Federal de Altamira, representado pelo Procurador Rodrigo Timoteo, alertou sobre a necessidade dos povos indígenas pressionarem para que sejam de fato escutados – uma vez que as audiências precipitadas não alcançaram nem um terço dos impactados. E além de escutarem, os técnicos do governo devem responder as questões feitas pela comunidade cientifica que questiona o relatório de impacto ambiental.

     

    Ao final da reunião as lideranças indígenas definiram solicitar ao ISA que representasse a questãojunto a Corte Internacional na ONU. É uma forma de pressão jurídica sobre o governo brasileiro em busca do direito de consulta diante da implantação dos grandes projetos. Foram feitas também propostas de novos encontros com representantes dos povos indígenas da região do Xingu e de pressão política em Brasília e nos tribunais internacionais. Os índios assinaram moção em apoio às decisões tomadas no encontro dos Kayapó na aldeia Piaraçu/MT, inclusive decidindo em lutar juntos contra Belo Monte.

     

     

    Altamira, 09 de novembro de 2009.

    Conselho Indigenista Missionário – Norte II

     

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  • 09/11/2009

    Letter from FIAN to Lula regarding: Disappearance of Olindo and Jenival


    Heidelberg, 05 November of 2009



     


    To His Excellency President of the Republic


    Luiz Inácio Lula da Silva


     


    Respectful greetings from FIAN International, a human rights organization, which works at the global level for the human right to adequate food, with consultative status to the United Nations (UN).


     


    Since 2005 we have been following the situation of the Guarani-Kaiowá in Mato Grosso do Sul, who suffer human rights violations, primarily the human right to adequate food due to the non-compliance with legislation that refers to land questions on the part of the Brazilian State. This indigenous people has had their human rights disrespected constantly in recent years, considering the impossibility of their having access to their traditional lands, and of providing their subsistence. The absence of demarcation of the indigenous territory in disregard of established national legislation has exposed the Guarani Kaiowá to sever malnutrition and the serious conflicts with fazendereiros in the State.


     


    In Paranhos, in MS, on the frontier with Paraguay, two Guarani teachers have been missing since 31 October. They were part of a group of 18 indigenous persons, from the village of Pirajuí, who had engaged the retaking of the tekohá of Ypo’i, but were violently surprised by private security forces. Only 16 of the indigenous persons returned to the village of Pirajuí, injured and hurt by rubber bullets. The teachers, Olindo and Jenival, had been taken ‘prisoner’ and remain missing. The indigenous [community], amid an anguishing situation, seek to organize actions to locate the teachers. Indigenous persons from the villages of Jaguapiré and Sassoró, in the municipality of Tacuru, are traveling to the village of Pirajuí to help in the search for the missing teachers. Equally, those of the village of Amambaí are in solidarity seeking news about the missing. Each hour that passes increases the fear that they have been murdered.


     


                The Federal Police of Naviraí were activated, are engaged in the search, already hearing residents from the region, however it is a team of only four men, making it extremely necessary to immediately send reinforcements. The area of the Fazenda São Luiz, where the indigenous Tekohá Ypo’i is located is one of those in dispute in Court in the process of demarcation on the frontier of Brazil with Paraguay. Only the anthropological studies, which are the responsibility of the FUNAI, and are totally stagnant, will be able to guarantee access to the Guarani tekohás and, in this way, advance the realization of the Human Right to Adequate Food of this people.


     


                Brazil as Partner State of the International Pact of Human Rights of the United Nations (UN) of the American Convention on Human Rights, of the Protocol of San Salvador and of Convention 169 of the ILO, assumed commitments in the scope of the international right to protect and respect the rights to land, to food, to water and especially to the life of the indigenous families. Therefore we respectfully ask that your Excellencies adopt measures that guarantee that:


     



    • The Federal Police send all necessary reinforcements for investigation of the disappearances of the two Guarani teachers and of the violence against the other 16 indigenous of the village of Pirajuí. In the same way, guarantee the security of the Guarani-Kaiowás against the practices of violence in the struggle for their territory, on the part of the fazendeiros of the region. The same care and security need to be extended to the FUNAI Working Groups, which have as their objective the recognition of the indigenous lands of MS and who are suffering constant intimidation and threats from landowners and politicians of MS.

     


    ·         The FUNAI make, with extreme urgency, the identification and delimitation of all of the Indigenous lands of Mato Grosso do Sul as set forth in the TAC, in reference to the Administrative Proceeding MPF/RPM/DRS/MS 1.21.001000065/2007-44.


     



    • The lands, after the process of identification and delimitation, be immediately homologated by the Ministry of Justice.

     


    Please keep me informed as to measures that are taken.


     


    Respectfully,


     


    Dr. Flavio Luiz Schieck Vlaente


    Secretary General


    FIAN International


     


    Copies to:


     


    Exmo. Sr.


    Tarso Fernando Herz Genro


    DD. Ministro de Estado da Justiça


    Esplanada dos Ministérios – Bloco T – 4º andar


    70064-900 – Brasília – DF


    (61) 3226-2089 / 3226-2291 / 3226-2296


    (61) 3224-0954 / 3322-6817 (Fax)


    Site: www.mj.gov.br


     


    Presidente da FUNAI


    Marcio Meira


    SEPS Quadra 702/902 Projeção A, Ed. Lex 70.390-025 – Brasília/DF


    Telefone: (61) 3313-3501


    FAX:55-62-3313-3857


    E-mail: [email protected]


    MPF de Dourados


    Procurador Marco Antônio


    Email: mhlima@prms_mpf.gov.br

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  • 09/11/2009

    Os povos indígenas e o projeto da hidroelétrica de Belo Monte

    A Comissão de Assuntos Indígenas da Associação Brasileira de Antropologia (ABA) vem a público expressar a sua profunda preocupação quanto à forma precipitada com que vêm sendo conduzidas as discussões e encaminhamentos oficiais sobre a projetada hidroelétrica de Belo Monte, inclusive contrariando estudos técnicos e procedimentos legais estabelecidos.

     

    Uma comissão de estudiosos e especialistas de diferentes formações, após realizar estudos de campo minuciosos, chegou à conclusão de que os impactos sobre os povos indígenas da região não se limitam de maneira alguma à chamada “área diretamente afetada”, mas podem atingir seriamente os recursos ambientais e as condições de vida e bem estar de outras terras indígenas, situadas fora daquela faixa estrita. Nas terras indígenas Paquiçamba, Arara da Volta Grande/Maia, Juruna Km17, Apyterewa, Araweté, Koatinemo, Kararaô, Arara, Cachoeira Seca e Trincheira Bacajá habitam diversas coletividades cujos modos de vida e culturas poderão receber impactos negativos, sem mencionar indígenas que estão nas cidades e os índios isolados. Mais grave ainda é que até o presente momento sequer tais impactos estão adequadamente dimensionados (vide documento elaborado por Painel de Especialistas, com o apoio da Fundação Viver, Produzir e Preservar (FVPP) de Altamira, do Instituto Sócio Ambiental (ISA), da International Rivers, do WWF, da FASE e da Rede de Justiça Ambiental –http://www.internationalrivers.org/files/Belo%20Monte%20pareceres%20IBAMA_online%20(3).pdf).

     

    Os estudos técnicos conduzidos por especialistas da própria FUNAI resultaram em um parecer (vide Parecer Técnico n° 21 – Análise do Componente Indígena dos Estudos de Impacto Ambiental, de 30 de setembro de 2009) que atrela a viabilidade da obra ao cumprimento, entre outras, de três condicionantes básicos: a) que se defina uma vazão mínima (“hidrograma ecológico”) que garanta a sobrevivência dos peixes e quelônios e a navegabilidade das embarcações dos povos indígenas que ali vivem; 2) que sejam apresentados estudos sobre os impactos previstos no Rio Bacajá, na beira do qual vive o povo Xikrin, que possivelmente sofrerá graves alterações (a serem melhor analisadas); 3) que sejam estabelecidas garantias efetivas de que os impactos decorrentes da pressão antrópica sobre as terras indígenas serão devidamente controlados. Segundo o EIA, serão atraídos para a região pelo menos 96.000 pessoas, o que agravará a pressão sobre os recursos naturais das Terras Indígenas (TIs) – que já é critica na região por conta de outras obras previstas, como a pavimentação da Transamazônica BR-163 e a construção da linha de transmissão de Tucuruí a Jurupari. O aumento populacional que o empreendimento trará afetará também as comunidades indígenas porque incentivará um consequente aumento da pesca e caça ilegal, da exploração madeireira e garimpeira, de invasão às TIs e de transmissão de doenças.

     

    A FUNAI, supostamente baseada nestes argumentos, através de um sumário ofício de 13 linhas, datado de 14/10/2009 e dirigido ao presidente do IBAMA, assinado estranhamente em matéria de tal importância pelo seu presidente-substituto, emitiu um parecer favorável à viabilidade do projeto. Sem a necessária integração de órgãos e políticas públicas, onde caberia à FUNAI assumir uma função ativa de coordenar, fiscalizar e normatizar, e não apenas de encaminhar informações técnicas, a execução do projeto corre o risco de não mitigar os efeitos lesivos do empreendimento e não fazer cumprir as condições de salvaguarda dos interesses indígenas. Tal posicionamento, ao abrir mão de sua prerrogativa enquanto agência indigenista oficial, na realidade tornou secundárias, e quase inócuas, as ressalvas constantes no Parecer Técnico (em anexo) quanto à insuficiência de estudos sobre os impactos da obra nas terras indígenas, bem como junto aos índios isolados e também sobre os residentes em Altamira. Mais grave ainda é que, contrariamente ao citado Parecer, que agrega diversos anexos com demandas indígenas por esclarecimentos e alterações no projeto, recomendando explicitamente a oitiva das comunidades indígenas, o oficio 302/FUNAI considera que já foram cumpridos os dispositivos necessários no tocante a tais oitivas.

     

    Devemos, aqui, destacar dois pontos essenciais desta questão. Primeiro, é fundamental observar que os encaminhamentos e decisões relativas à UHE de Belo Monte estão descumprindo uma disposição legal, a Convenção 169, amplamente acatada no plano internacional e já incorporada pela legislação brasileira – a de que as populações afetadas sejam adequadamente informadas sobre o empreendimento e todas as suas conseqüências, exigindo-se que sejam antecipadamente consultadas e segundo procedimentos legítimos e probos.

     

    Uma manifestação do cacique Raoni, em 14/10/2009, evidencia que o imprescindível diálogo e interlocução sobre o assunto é ainda bastante insuficiente, pois esta liderança exige a presença de autoridades para informar e discutir o projeto. Em caso contrário, ele adverte, os Kayapó irão proceder ao fechamento do serviço de balsas para travessia do rio Xingu, com a interrupção do trânsito na MT-322 (antiga BR-80), entre os municípios de Matupé e São José do Xingu (MT). Em 26/10 foi divulgada uma manifestação de repúdio das lideranças Kayapó ao posicionamento da FUNAI, convocando para a realização de uma grande assembléia nas cabeceiras do rio Xingu.

     

    A compreensível resistência dos indígenas, que foram até agora desconsiderados enquanto parte do planejamento e do processo decisório, poderá deflagrar conflitos de grande monta, quando a vida dos próprios indígenas e de funcionários governamentais estarão em risco, bem como o patrimônio e a segurança de terceiros poderão ser também duramente atingidos. Novas campanhas difamatórias contra os direitos indígenas virão alimentar-se de acontecimentos deploráveis resultantes do açodamento, omissão e descumprimento das normas legais cabíveis.

     

    Segundo, a conceituação de “área de impacto” não pode se restringir ao seu componente técnico, ignorando as variáveis socioculturais. A definição de uma área de “impactos diretos”, feita exclusivamente por engenheiros e especialistas mobilizados por instituições interessadas no empreendimento, não pode, de maneira alguma, substituir uma avaliação isenta, de natureza sociológica e antropológica, das conseqüências que o projeto trará para as populações que habitam na região, e não apenas em uma faixa restrita dela. O que exige investigações circunstanciadas sobre as condições ambientais e socioculturais, presentes e futuras, que afetarão o bem estar e o destino das populações estabelecidas na região.

     

    Cabe alertar a opinião pública e as autoridades máximas do governo brasileiro para a precipitação com que tem sido conduzida a aprovação do projeto, dentro de uma estratégia equivoca e sem atenção aos dispositivos legais. A prosseguir assim se estará configurando uma situação social explosiva e de difícil controle, o empreendimento podendo acarretar consequências ecológicas e culturais nefastas e irreversíveis.

     

    Rio de Janeiro, 31 de outubro de 2009.

     

    João Pacheco de Oliveira

    Coordenador da Comissão de Assuntos Indígenas/CAI/ABA

     

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  • 09/11/2009

    Não vamos nos calar

    Parcelas da classe dominante – setores do Poder Judiciário, do Congresso Nacional, do Tribunal de Contas da União, do Ministério Público e da mídia – estão articulando mais uma ofensiva contra o MST e os trabalhadores. Podemos observar essa ofensiva na criação de mais uma CPI para investigar o Movimento, a terceira instalada nos últimos quatro anos. Isso se mostra também pela reação dos meios de comunicação frente aos protestos no Pará.

     

    Além da perseguição policial direta e do Estado atuar como protetor do latifúndio, agora se busca construir uma deslegitimação do movimento camponês, com a intenção de se criar uma repulsa social contra os trabalhadores organizados. Apresentam nosso Movimento não apenas como violento, mas como agente de corrupção.

     

    Isso não quer dizer que as antigas fórmulas tenham sido abandonadas. Em diversos estados, os pistoleiros ainda abrem fogo contra os sem-terra, às vezes à luz do dia. Recentemente, podemos lembrar o assassinato de Elton Brum, no Rio Grande do Sul, ou os 18 trabalhadores baleados pela escolta armada da Agropecuária Santa Bárbara, no Pará.

     

    O que os agentes defensores da estrutura agrária do país não querem mostrar é que o Brasil apresenta a pior concentração de terra do mundo. Nunca fez Reforma Agrária, ao contrário de todos os países desenvolvidos. O agronegócio, que se diz desenvolvido, produz menos de 15% dos alimentos que vão para a mesa da população. Os índices de produtividade estão atrasados desde 1975. Ainda existe latifúndio, agora aliado com transnacionais, e ele ainda mata, tortura, explora e oprime os trabalhadores rurais.

     

    O Brasil ainda não respondeu sua dívida histórica com os pobres do campo. E nós não vamos desistir de lutar, de denunciar os crimes que são cometidos dia após dia. Essas empresas que fazem propaganda na televisão estão roubando as terras da União, como é o caso da Cutrale, em São Paulo. Estão explorando o solo com uma quantidade absurda de agrotóxicos, dando ao Brasil o título de maior consumidor de venenos do mundo.

     

    E porque não nos calamos, seguem nos perseguindo. Estamos fazendo uma campanha internacional para denunciar o processo de criminalização que o MST e os pobres do campo vêm sofrendo. Damos o nome de criminalização às ações de agentes estatais, como os políticos e a mídia, que visam reprimir os movimentos sociais e seus militantes como criminosos, ou criar condições para que a repressão aconteça.

     

    Querem nos isolar, retirar o apoio que a sociedade brasileira historicamente deu à Reforma Agrária. Mas estamos atentos. Recentemente, um manifesto assinado por intelectuais teve a adesão de mais de cinco mil pessoas, que denunciam a criminalização de nossa luta. Agora estamos percorrendo organismos internacionais para que o mundo saiba o que setores retrógrados do Brasil fazem com seus trabalhadores. Fomos à Organização Internacional do Trabalho (OIT), na Suíça, à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, um órgão da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, nos Estados Unidos.

     

    E principalmente: nos comprometemos a seguir defendendo a Constituição Federal, que diz que a terra deve cumprir sua função social. Se querem criminalizar a luta por um direito, é nosso dever denunciar as imensas injustiças que forjaram a construção desse país. Não vamos nos calar.

     

    Secretaria Nacional do MST

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