• 12/11/2009

    Carta dos Povos da Volta Grande do Xingu

    Vila da Ressaca, (Senador José Porfírio) 07 de novembro de 2009

     

    Nós, mais de duzentas lideranças entre ribeirinhos, comunidades indígenas (Juruna do Paquiçamba, Arara do Maia da Volta Grande, Xikrin do Bacajá, Juruna do km 17, Xipaya da Aldeia Tukamã e Aldeia Tukaiá, Kayapó da Aldeia Kararâo, índios da cidade de Altamira), agricultores, pescadores, estudantes, representantes dos povos indígenas do Mato Grosso e do Pará (Xavante e Kayapó), representantes das comunidades rurais do Projeto de Assentamento (PA) da Ressaca (travessão Pernambuco, travessão do Pirara, travessão do Bispo e travessão do Tuna), PA Assurini (Comunidades São Pedro, Santa Luzia, Arroz Cru, Cana Verde, Parati, Paratizão, Pacajaí), Vila Ressaca, Ilha da Fazenda, Garimpo do Galo, Garimpo do Itatá, PA Morro dos Araras, São Gaspar, representantes de organizações não-governamentais (Fundação Viver Produzir e Preservar, Conselho Indigenista Missionário, FASE, Rede Brasileira de Justiça Ambiental, Instituto Socioambiental, International Rivers, Movimento dos Atingidos por Barragens, Fórum da Amazônia Oriental, Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, FETAGRI, Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos, Relatores Nacionais do Direito Humano ao Meio Ambiente da Plataforma DHESCA, Conservação Internacional), movimentos populares, preocupados com os graves impactos sociais e ambientais para a região e nossas vidas representados pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte, reunidos na Vila da Ressaca, entre os dias 05 e 07 de novembro de 2009 para o II Encontro dos Povos da Volta Grande do Xingu, que teve caráter de audiência pública convocada pelo Ministério Público Estadual, manifestamos nossa posição contrária ao projeto da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, bem como nossa indignação com o processo de exclusão a que estão submetidas as populações da Bacia do Xingu, especialmente aquelas da Volta Grande do Xingu:

     

    Denunciamos a falta de esclarecimentos às duvidas apresentadas pela população durante as visitas realizadas pelas empresas de consultoria Elabore e LEME, responsáveis pela elaboração do Estudo de Impacto Ambiental e do Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (EIA-RIMA), assim como a forma tendenciosa de apresentação do projeto, que omite a real dimensão e a irreversibilidade dos impactos sociais e ambientais. Repudiamos toda e qualquer tentativa de utilização de nossas assinaturas nas listas de presença das visitas realizadas pelas consultorias para simular uma adesão por parte das comunidades ao projeto de Belo Monte, bem como todas as tentativas de cooptação da população com promessas irreais, que omitem os danos a que estariam expostas no caso da construção da usina.

     

    Repudiamos o parecer da FUNAI sobre o Projeto da UHE de Belo Monte, que considera como mitigáveis impactos que na verdade seriam irreversíveis. Este parecer- de forma completamente irresponsável – ignora os direitos indígenas e coloca em risco a sobrevivência e reprodução destes povos – que vem sendo historicamente dizimados – ao consentir que um projeto altamente impactante como Belo Monte se instale na região. Reiteramos nosso apoio a ações judiciais representadas junto a organismos internacionais como a Organização dos Estados Americanos e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, entre outros.

     

    Solicitamos que os resultados das análises feitas pelo Painel de Especialistas sobre o projeto de Belo Monte sejam levadas em consideração pelo órgão ambiental responsável pelo licenciamento e que esses estudos sejam incluídos nos documentos oficiais que integram o processo de implantação desta obra. Exigimos que o parecer independente do Painel de Especialistas seja devidamente analisado pelo IBAMA e que sejam apresentadas respostas cabíveis aos inúmeros questionamentos aí compilados.

     

    Reivindicamos que os participantes da Conferência Mundial do Clima (COP 15) que será realizada em Copenhagen, na Dinamarca, de 07 a 18 de dezembro de 2009, referendem a posição do Movimento Xingu Vivo para Sempre quanto aos impactos destruidores de Belo Monte na Bacia do Xingu, especialmente no que se refere a seu potencial de emissão de gases de efeito estufa.

     

    Exigimos uma posição ambiental e socialmente responsável dos órgãos de controle e gestão ambiental do país, que deveriam seguir a constituição mas vem apoiando a construção de um projeto tão degradante como Belo Monte sem levar em consideração, especialmente os diferentes posicionamentos e direitos das populações de serem informadas sobre seus direitos e sobre as conseqüências sobre suas vidas Em respeito aos direitos das populações da Bacia do Xingu, exigimos que não seja concedida a licença prévia para o projeto de Belo Monte. Só há sentido na existência de um órgão ambiental se este efetivamente tiver poderes para impedir a implantação de um empreendimento claramente inviável do ponto de vista social e ambiental como Belo Monte.

     

    Exigimos uma retratação pública do Ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, que no dia 29 de setembro de 2009 fez uma declaração extremamente desrespeitosa a todos os povos que questionam Belo Monte e lutam para preservar sua existência ao denominá-los "de forças demoníacas". Acreditamos que este ministro deve ser processado por difamação e que o caso seja representado à Comissão de Ética Pública da Presidência da República.

     

    Exigimos que sejam realizadas novas audiências públicas na Volta Grande do Xingu para que a população desta região possa ser ouvida e que seja dada ampla divulgação na mídia deste processo. Exigimos o respeito aos nossos direitos e que a luta por esse reconhecimento não seja motivo de criminalização dos movimentos sociais e suas lideranças.

     

    Exigimos a consolidação do projeto de agricultura familiar nessa região, iniciado nos anos 1970, através do ordenamento fundiário e ambiental, da infra-estrutura para os assentamentos, da recomposição do passivo ambiental, da melhoria da qualidade de vida dos moradores das áreas rurais e urbanas, assim como a implementação das Reservas Extrativistas. Acreditamos serem esses os investimentos necessários para um desenvolvimento social e ambientalmente sustentável para a Transamazônica e o Xingu.

     

    Belo Monte é um erro para a região e para o Brasil. Reafirmamos nossa incessante luta em defesa de nossa vida e do nosso patrimônio maior: o rio Xingu! O rio é nosso caminho, o rio é nossa vida, o rio é nossa existência. Estamos em aliança com os povos indígenas na defesa dessa causa e contra todo e qualquer projeto que ameace nossa existência e das futuras gerações.

     

    VIVA A RESISTÊNCIA DOS POVOS DA FLORESTA

    VIVA O RIO XINGU, VIVO PARA SEMPRE!

     

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  • 11/11/2009

    Newsletter 888: Indigenous peoples of the Xingu deliver letter opposing construction of Belo Monte hydroelectric to President Lula

    Indigenous representatives from the Xingu region of Pará delivered, 5 November, to the President of the Republic, a letter from the indigenous peoples of the region repudiating the construction of the Belo Monte hydroelectric on the Xingu river, and protesting the fact that the indigenous peoples had not been consulted on the project.

     

    Unanimous disapproval

    The letter was approved in the Indigenous Assembly, which reunited 14 peoples of the Xingu region between October 28 and November 2, in the Indigenous Land Capoto, in Jarina, Mato Grosso. In the event, the indigenous peoples discussed the negative impacts that the Belo Monte hydroelectric could generate for the indigenous peoples.

     

    "We are unanimous in our position against the dam because it is going to diminish the fish, the game,” emphasized  Kaiapó Yapariwa. He explains that the representatives of the Federal Government involved with the enterprise did not come to their region to explain the possible impacts and listen to indigenous opinion. “They have to listen because poor people of the region are going to suffer more. The government is speaking from a distance, without hearing the people,” he completed.

     

    Diabolical

    On November 1st, during the meeting of the peoples of the Xingu, the indigenous representatives held a demonstration in opposition to the technical opinion on the project issued by the National Foundation for Indigenous Affairs (Funai). The Funai considers the enterprise to be viable, despite technicians of the very foundation as well as specialists from throughout the country highlighting the negative and irreversible effects that the construction could bring to the peoples of the Xingu region. The indigenous peoples also protested against the Minister of Mines and Energy,  Edson Leão, who stated that those who opposed the hydroelectric construction were “diabolical”.

     

    The letter will also be delivered to the Casa Civil and the Ministries of Mines and Energy, Environment, Justice; and also to the Ibama and Ministério Público Federal.

     

    More Debates

    On days 6 and 7 of November, on the island of Ressaca, in the Volta Grande region of the Xingu river, other social groups that could be affected by the Belo Monte hydroelectric will discuss the impacts of the project. The riverine peoples, fishermen, indigenous and subsistence farmers will be heard by the Procurators of the Republic and by reporters for the DHESCA Platform for Human Right to the Environment, Marijane Lisboa and Guilherme Zagallo. Specialists who point out the technical flaws in the project and the impacts being caused by the hydroelectric will participate in the meeting.

     

    Some of the principal problems of the Belo Monte project were presented in the letter delivered by Dom Erwin Kräutler – bishop of the Xingu and president of Cimi – to president Lula.

     

    Brasilia, 5 November of 2009

    Conslho Indigenista Missionário

    Indigenist Missionary Council

     

                                                            ***

     

    06/11/2009 – 12:59 – Letter of the indigenous peoples to president Lula opposing Belo Monte

     

    Aldeia Piaraçu, 01 of November of 2009

     

    To His Excellency the President of the Republic

    Luis Inácio Lula da Silva

     

    With copy to:

    Ilmo Sr. Minister of Mines and Energy, Edson Lobão

    Ilmo Sr. Minister of the Environment, Carlos Minc

    Ilmo Sr. Minister of Justice, Tarso Genro

    Ilmo Sr. President of the National Foundation on Indigenous Affairs, Marcio Augusto Meira

    Ilmo Sr. President of Ibama, Roberto Messias

    Ilmo Sr. Procurador da República do Ministério Público Federal, Rodrigo T. da Costa e Silva

     

    Ref.: Indigenous Peoples – Mebengôkre (Kayapó), Xavante, Yudjá (Juruna), Kawaiwete (Kaiabi), KisêdjÇe (Suiá), Kamaiurá, Kuikuro, Ikpeng, Panará, Nafukua, Tapayuna, Yawalapiti, Waurá, Mehinaku and  Trumai say NO TO BELO MONTE.

     

    Ngô Beiê Ket Kumrem Kadjy

    ]

    Exmo Sr. Presidente da República

    Luis Inácio Lula da Silva

     

    We, 212 leaders of the Indigenous Peoples Mebengôkre (Kayapó), Xavante, Yudjá (Juruna), Kawaiwete (Kaiabi), KisêdjÇe (Suiá), Kamaiurá, Kuikuro, Ikpeng, Panará, Nafukua, Tapayuna, Yawalapiti, Waurá, Mehinaku e Trumai, inhabitants of the Bacia do Rio Xingu and of the surrounding regions, reunited in an assembly in the village of Piaraçu (TI Capoto/ Jarina) since 28/10/2009, do not accept the construction of the Belo Monte and of any Hydroelectric on the Bacia do Rio Xingu.

     

    We repudiate the technical opinion of the National Foundation for Indigenous Affairs (Funai), memorandum no709/ GAB/ CGPIMA/ 09, in reference to the Indigenous Component of the Environmental Impact Report (RIMA) of the enterprise denominated Aproveitamento Hidrelétrico Belo Monte (AHE Belo Monte).

     

    Contrary to what is stated in this opinion, in which the Funai “considers that the enterprise in question is viable”, the report by the panel of specialists that analyzed the EIA-RIMA, make evident the economic, environmental and social inviability of this enterprise.

     

    In the same way, contrary to what is stated in the opinion by the Funai, in which is said, “even so the communities have actively participated in the public hearings, as refers to their positioning in relation to implementation of the AHE Belo Monte”, we state that this is untrue. We protest against the absence of dialogue of the organs of the government with our populations, which have not received the minimum attention and information, to which they have the right, throughout the entire process of licensing of this work. In spite of the government having announced that this work is ready to be licensed, our communities, as well as the riverine communities of the Bacia do Rio Xingu, have not had access to the environmental impact report (EIA-RIMA) so that we would be able to evaluate them in an adequate way and nor to the public consultations held during the month of September in the cities of Brasil Novo, Vitória do Xingu, Altamira and Belém.

     

    The process of environmental licensing by the hydrelectric Belo Monte has been conducted in violation of the constitutional right of prior consultation to the indigenous populations that would be affected directly and indirectly by this enterprise. That right is guaranteed by the Federal Constitution and reinforced by Article 6 of the Convention 169 of the ILO, ratified and incorporated by Brazilian legislation in the year 2003 and by articles 19 and 32 of the United Nations Declaration on the Rights of the Indigenous Peoples approved by Brazil in 2006.

     

    We never impede the sustainable development of the white man, but we do not accept that the government make a decision of such great irresponsibility and that would result in irreversible consequences for this region and our peoples, profoundly disrespecting the ancestral inhabitants of this river and the model of development that we defend.

     

    In this way, we demand that the government cancel, definitively, the implementation of this hydroelectric. In case the government decides to initiate the work for construction of the Belo Monte, we alert that there would be a warrior action on the part of the indigenous peoples of the Xingu. The life of the operators and the indigenous peoples would be at risk and the Brazilian government would be held responsible.

     

    In protest to the violations of our rights we block for an indeterminate time the functioning of the ferry that effects the crossing of the Xingu river of the roadway BR 080/MT 322, which commutes to the region of the roadway Belém-Brasilia to roadway region Cuiabá-Santarém.

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  • 11/11/2009

    Nota de repúdio contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte

    A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), organização representativa e articuladora dos povos indígenas desta região, criada para defender e promover os seus direitos, vem a público manifestar veementemente sua indignação contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, que o Governo do Presidente Lula quer implantar a qualquer custo, violando integralmente as normas ambientais do país, os direitos dos povos indígenas garantidos na Constituição Federal vigente e na legislação internacional (Convenção 169 OIT e Declaração da ONU) da qual o Brasil é signatário. O empreendimento, segundo especialistas, é inviável do ponto de vista econômico, ambiental, social e cultural, pois poderá gerar impactos irreversíveis na flora, na fauna, na biodiversidade, e, sobretudo, na vida dos povos indígenas e comunidades tradicionais que vivem na área de abrangência da usina.

     

    Em razão desses fatos, a COIAB assume os termos da “Carta de Repúdio à Construção da Hidrelétrica de Belo Monte”, apresentada na manifestação ocorrida nos dias 29 de outubro a 03 de novembro na Aldeia Piaraçu, da terra indígena Kapot/Jarina, no norte de Mato Grosso, com a participação de 212 lideranças indígenas e de dirigentes da nossa organização.

     

    A COIAB reafirma o seu posicionamento contrário a construção desse empreendimento e de outros, como a pavimentação das rodovias BR-317 e BR-319, e a implantação do Complexo Hidroelétrico do Madeira, pois todas essas obras agridem e violam os direitos dos povos indígenas, direitos esses conquistados ao longo dos anos, com muita luta, muitas vezes com o sangue derramado de nossas lideranças.

     

    Repudiamos a intenção do Governo de nos considerar “forças demoníacas” que impedem o desenvolvimento do país, quando tudo o que queremos é continuar preservando os ecossistemas e a biodiversidade, e sobretudo, condições de vida digna e de qualidade para os nossos povos e suas futuras gerações, bem como o bem-estar do planeta e da humanidade.

     

    Repudiamos ainda a prática autoritária com que o Governo, através do Ministério de Minas e Energia, da Casa Civil e da Fundação Nacional do Índio, pretendem “empurrar este projeto goela abaixo”, contrariando o compromisso em contrário do chefe do Executivo, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

     

    Exigimos que o Sr. Presidente da Funai, Márcio Meira, cumpra rigorosamente o seu papel de zelar pelos direitos indígenas, suspendendo qualquer decisão voltada a autorizar licenciamentos de obras que impactarão direta ou indiretamente as terras indígenas. A Funai não pode se achar no direito de falar pelos povos indígenas nem alegar que os está ouvindo, porque isso realmente não tem acontecido, conforme o estabelece a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que já é lei no país, e que nos assegura o direito à consulta prévia, livre e informada.

     

    Por tudo isso, reivindicamos que o governo brasileiro respeite a vontade dos nossos povos e organizações, e desista de construir a Hidrelétrica de Belo Monte, e muitos outros projetos que fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), voltando-se a assegurar os nossos direitos, o respeito à diversidade étnica e cultural do nosso país, criando condições para que este seja efetivamente um país democrático, justo e igualitário.

     

    Coordenação Executiva da COIAB

     

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  • 11/11/2009

    06/11/2009 – 08:38 – Colloquium discusses violation of infant-juvenile rights of the Guarani people

    Having begun on November 5 and ending today, in the municipalities of Caarapó and Amambai, in Mato Grosso do Sul, the “Colloquium on the Guarani Child: Right to Life without Violence”. The event, which is being held for the first time, is conducted for the purpose of discussing the curbing of violations of the rights of the Guarani indigenous population, especially the infant-juvenile portion [of the population].


     


    According to Estela Márcia Scandola, Coordinator of the State Committee for Confronting Sexual Violence Against Children and Adolescents / MS and a member of the national coordination, the importance of this event is in succeeding in convening women, leaders, scholars and government agencies for discussing violence against the Guarani children and the impacts it causes on them.


     


    “The municipality of Caarapó is being turned into a major center for sugar cane plantations. With the arrival of these large projects there is a reordering effect on social organization of the villages. The villages are no longer a place where the indigenous peoples make their decisions”, clarifies Estela.


     


    With the installation of large enterprises the villages are experiencing not only transformation in the dynamic of indigenous life with the departure of the men to work in other activities, but also the increase in cases of violence and abuse against children and adolescents. According to Estela, even the government has denied assistance to the villages.


     


    “The State General Procurator at present prohibits the civil or military police from acting in cases of violence against indigenous children. Only the federal police can act. No explanation was given for this decision and as such the indigenous children and adolescents remain ever more invisible”, denounces Estela.


     


    Due to lack of protection coming from the government the indigenous women are coming forward to attempt to end the barbaric violence committed in their territories. The women’s groups are participating in order to confront, analyze and denounce the arrival of non-indigenous persons in their villages. “The women are assuming all the roles previously divided, because the men are now working outside”, says Estela.


     


    Since April of this year several women from the village of Tey’kue, in Caarapó, have been keeping a critical eye over their communities and maintaining logs of reports on violence, rapes, frustrated visits to the police station, to the doctor, and finally, all of the steps of a sad and different reality from their previous lives.


     


    “What is happening is that the village is going through various cases of sexual violence and exploitation of the adolescents. The men commit crimes, are taken to the police station, but nothing happens, no one is arrested. It is very difficult to be arrested. When there is an occurrence, first we talk to the leaders, then we talk with the Tutelary Council. When we go to the police station to report a case that we become aware of only two or three days after it occurs, the delegates say they can´t do nothing as there is no ´in flagrante’ (caught red-handed, in the act). In this way, the men return to the village and commit the same crimes, they are left to molest the children”, relates Júlia Soares, a resident of Tey’kue village. 


     


    The Colloquium ends today in Caarapó and reopens in Amambai. Its convening is being sponsored by the State Committee for Confronting Sexual Violence Against Children and Adolescents (COMCEX/MS) and by the Brazilian Institute of Pro-Society Healthy Innovations / Central-West (IBISS/CO).


     


    Participating in the discussions are indigenous leaders, members of the care network for the child and adolescent, of public security, the State Public Ministry, governmental agencies, representatives of the Municipal and State Legislature, in addition to members of entities linked to human rights and indigenous concerns.


     


    Natasha Pitts

    Adital Journalist

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  • 11/11/2009

    11/11/2009 – Parents of missing Guarani teachers appeal to MPF and to Funai

    The two Guarani Kaiowá professors Rolindo and Genivaldo Vera remain missing. Their community has been looking for them since 30 October. The two were in an indigenous group of 25 who on October 29 retook the tekohá (traditional land) Ypo’i near the municipality of Paranhos, Mato Grosso do Sul. On the day following the retaking, the group was dispossessed by armed private security guards and since then the professors have not been seen.




    Genivaldo Vera


     


    The Police continue to look for the professors. The population of the village Pirajuí, where the parents and other family members of the professors live, are very concerned. The classes of more than 500 students in the area were suspended in solidarity with the missing professors. The social movements and international entities have been calling for measures to be taken, demarcation of land and justice.


     


    In a letter sent to the Procurator Marco Antonio of the Ministério Público Federal, in Dourados and Margarida Nicoletti, administrator of the FUNAI Cone Sul, the parents of the two professors appeal for their help.


     


    The letter:


     


    “We of the community of the village of Ypo’i are becoming very desperate over the disappearance of our two professors that [they] not be disappeared. We would like the authorities of these competent agencies to help us immediately.


    We are very tired COME! END THIS!


    We request the sincere support of the authorities, because we have already looked everywhere, we formally request your intervention together with the Paraguayan authorities because we are so close to the border.


    This being of urgent immediacy we depend very much on the support of this agency of the public ministry; As the laws of the federal constitution guarantee.


    As long as we have not found our countrymen professors we will continue to search, with this all of the children of the village of Pirajui and other areas are going to suffer consequences relative to the school year, for this reason we ask that you help us to find out relative[s].


     


    For this we thank you in advance


     


    Father of professor Genivaldo Vera, Bernardo Vera and his mother Francisca Gonsales


     


    Father of professor Rolindo Vera, Catalino Vera and his mother Tila Ximenes”


     


    Parents of the victims, the nanderu (spritual leader of the Guarani, the ñadesy, professors and supporters all jointly issue an SOS.

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  • 11/11/2009

    Justiça Federal determina novas audiências para Belo Monte

    A ordem suspende o processo de licenciamento para atender a pedido do Ministério Público – Federal e Estadual – e realizar as audiências públicas solicitadas pela população.

     

    A Justiça Federal em Altamira ordenou a suspensão do licenciamento da hidrelétrica de Belo Monte e ordenou a realização de novas audiências públicas que “comprovadamente contemplem as comunidades” atingidas pelo empreendimento. A ordem atende um pedido do Ministério Público, que quer ver respeitado o direito das pessoas que moram em regiões isoladas e serão os mais impactados pela hidrelétrica.

     

    O juiz Edson Grillo, que responde pela Vara Federal de Altamira, descartou as alegações do Ibama e da Eletronorte de que as quatro audiências feitas até agora seriam suficientes.

     

    A audiência pública não pode ser considerada, como sustentam os requeridos, mero ato ritualístico encartado no procedimento de licenciamento ambiental. Deve ostentar a seriedade necessária, a fim de que possa fielmente servir à finalidade para a qual foi criada que, no caso presente, é informar custos, benefícios e riscos do empreendimento, propiciando o debate franco e profundo com as populações envolvidas.

     

    Mais a frente, a decisão judicial confirma novamente o entendimento do MP: – O fato de o Ibama ter limitado as audiências a quatro municípios, quando reconhece que serão afetados pelo empreendimento outros nove, além de outras localidades, lugares esses centenas de quilômetros distantes das sedes municipais nas quais se realizaram as audiências, já demonstra a intenção de restringir a participação dessas comunidades.

     

    O avanço econômico não pode se processar de forma açodada, privando o povo do conhecimento indispensável de como se dará o processo de desenvolvimento e, sobretudo, dos impactos que trará ao meio ambiente e à forma de vida das pessoas que serão atingidas pelo empreendimento, ensina a decisão judicial.

     

    A Justiça não concedeu totalmente os pedidos feitos pelo MP, porque considerou válidas as audiências acontecidas até agora. Ordenou, no entanto, que sejam realizadas tantas audiências quantas sejam necessárias para contemplar todas as comunidades afetadas.

     

    O processo tramita com o número 2009.39.03.000575-6 e pode ser acompanhado por qualquer interessado pela internet no site da Justiça Federal:www.pa.trf1.gov.br

     

    Procuradoria da República no Pará

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  • 10/11/2009

    Pais de indígenas desaparecidos fazem apelo ao MPF e à Funai

    Continuam desaparecidos os professores Guarani Kaiowá, Rolindo e Genilvado Vera, que são procurados pela comunidade desde 30 de outubro. Os dois estavam num grupo de 25 indígenas que retomaram, no dia 29 de outubro, o tekohá (terra tradicional) Ypo´i, próximo ao município de Paranhos, Mato Grosso do Sul. No dia seguinte à retomada, o grupo foi despejado por seguranças particulares, desde então os professores não foram mais vistos.

     

    A Polícia continua procurando os professores. A população da aldeia Pirajuí, onde vivem os pais e demais familiares dos professores, está muito preocupada. As aulas de mais de 500 alunos da área foram suspensas em solidariedade aos professores desaparecidos. Os movimentos sociais e entidades internacionais cobram providencias, demarcação da terra e justiça.

     

    Os pais dos dois professores encaminharam um dramático apelo em carta enviada ao o Procurador Marco Antonio do Ministério Público Federal, em Dourados e Margarida Nicoletti, administradora da Funai Cone Sul.

    Eis o teor da carta, na íntegra:

     

     “Nós da comunidade da aldeia Ypo’i, estamos muito desesperado pelo desaparecimento dos nossos dois professores que não desapareceu. queremos que as autoridades desses órgãos competentes nos ajude imediatamente.
    Estamos muito cansados CHEGA! BASTA!
    Pedimos com sincero apoio aos senhores autoridades, pois nos procuramos já em todo canto pedimos aos senhores uma intervenção junto com as autoridades Paraguaias já que a fronteira é muito próxima.
    Que isso seja urgente imediato nós dependemos muito do apoio desse órgão do ministério publico.
    Como garante as leis e da constituição federal.
    Enquanto não encontramos nosso patrícios professores iremos estar na busca, com isso todas as crianças da aldeia Pirajui e demais áreas irão sofrer consequências referentes ao ano letivo, por essa razão solicitamos que nos ajudem a encontrar nosso parente.
    Desde já agradecemos
    Pais das vitimas, ñanderu, ñadesy, professores e apoiadores todos juntos solicita SOS.
    Pai do professor Genivaldo Vera, Bernardo Vera e sua mãe Francisca Gonsales
    Pai do professor Rolindo Vera, Catalino Vera e sua mãe Tila Ximenes”

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  • 10/11/2009

    Movimentos Sociais do Mato Grosso do Sul apóiam luta dos Guarani Kaiowá

    Mais uma luta Guarani por terra ganha o mundo com contornos de crueldade. Cansados de prazos não cumpridos e promessas jogadas ao vento, algumas famílias desse tekoha-terra tradicional, nas cabeceiras do riacho do mesmo nome, afluente do rio Iguatemi, no município de Paranhos-MS, retornaram à sua terra, no dia 29 de outubro.  A alegria e a celebração da volta durou pouco. Em menos de três dias foram surpreendidos por um bando de jagunços a serviço dos fazendeiros. Chegaram atirando e batendo em todos, conforme depoimento dos integrantes do grupo, praticamente todos saíram machucados pela ação violento dos jagunços. Na hora do desespero e correria, dois adolescentes e dois professores não conseguiram retornar com o grupo. Os adolescentes reapareceram depois de dois dias, bastante machucados, enquanto os dois professores continuam desaparecidos até hoje, já há uma semana. Houve até rumores de que os corpos deles haviam sido localizados, porém até hoje não se tem nenhuma informação oficial a respeito da localização ou até ocultação dos corpos.


     


    Diante de mais essa brutalidade contra um grupo Guarani, que, apenas quer um espaço para viver em paz com sua comunidade, produzir seus alimentos, fazer suas festas e celebrações, reverenciar seus antepassados e talvez fazer os espíritos das florestas voltarem, é que nós, movimentos sociais vimos a público externarmos nosso repúdio à violência e assumirmos o compromisso solidário na sua luta pela terra.


     


    Como entidades da coordenação dos movimentos sociais deste estado, queremos também manifestar nosso repúdio às ações e declarações do governo de MS contra a demarcação das terras indígenas, bem como das lamentáveis ações do agronegócio e suas organizações que estão procurando inviabilizar o reconhecimento das terras dos Kaiowá Guarani e Terena.


     


    Com nosso gesto, queremos nos unir a milhares de pessoas que no Mato Grosso do Sul, no Brasil e no mundo, prestam seu apoio solidário ao povo Guarani e exigem a imediata demarcação de todas as terras desse povo, bem como as terras dos quilombolas e sem terra.


     


    Exigimos apuração ágil dos fatos, julgamento e punição dos responsáveis por essas violências, além da reparação da dívida histórica através da imediata identificação e demarcação de todas as terras Kaiowá Guarani.


     


     Campo Grande, novembro de 2009


     


    Coordenação dos Movimentos Sociais do Mato Grosso do Sul


    Comissão de Direitos Kaiowá Guarani


    Campanha Povo Guarani Grande Povo


    Conselho Indigenista Missionário – CIMI-MS


    Conferência dos Religiosos do Brasil – CRB-MS


    Movimento de Mulheres Camponesas – MS


    FIAN – Brasil e Internacional


    Comissão Pastoral da Terra – CPT MS


    Movimentos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra – MST MS


    CDDH – Marçal de Sousa

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  • 10/11/2009

    Indígenas e ribeirinhos do Xingu discutem o Projeto da hidrelétrica de Belo Monte

    Entre os dias 5 e 7 de novembro aconteceu na Ilha da Ressaca, próxima do município de Altamira, o 2º encontro dos povos do Xingu. Este encontro contou com a participação de 200 pessoas entre ribeirinhos, trabalhadores rurais, indígenas e organizações não governamentais (ISA, MDTX, Greenpeace, MAB, CIMI, FASE, Rede Brasil entre outros).

     

    Os povos indígenas presentes por meio de 30 lideranças representaram as etnias:Kayapó (do Alto Xingu, Gorotire, Redenção,Menkranotire); Xavante; Juruna do Paquiçamba;Juruna do KM-17, Arara da Volta Grande,Arara Ugorogmo; Xipaia do Tukamã, Kararaô, Xicrin do Bacajá, Xipaia moradores de Altamira.

     

    O dia 6 de novembro foi dedicado à exposição da equipe de técnicos que estudaram as falhas do Estudo de Impactos Ambientais (EIA-RIMA) da hidrelétrica de Belo Monte. O Professor Francisco Hernandez (UNICAMP) explicou o que não é explicado no relatório de impacto ambiental. Destacou a ausência de explicações sobre os impactos que serão causados abaixo do paredão de 6,03 km de largura que será erguido na região da Volta Grande do rio Xingu. O paredão desviará a água do rio para canais que a levarão até as turbinas – na região chamada Belo Monte em Vitória do Xingu. Após o paredão, previsto para ser construído perto de Altamira, o rio deve secar devido a diminuição do nível água, que além de represada será desviada por meio de canais. O professor Francisco apontou que o relatório não vê como impacto as áreas que sofrerão diminuição da água. “Será uma região onde as águas ficarão presas, com pouco ou nada de fluxo, o que levará a alta temperatura, impossível para reprodução de peixes ou outro tipo de vida. as águas servirão apenas para fazer chá…”. Estranha ainda o professor, que as terras indígenas Paquiçamba e Wangá onde vivem os Arara do Maia não sejam consideradas áreas de impacto, uma vez que elas sofrerão com a escassez de água, de peixes e ficarão praticamente isoladas, assim como todos os outros ribeirinhos que vivem naquela ou próxima da região.

     

    Por sua vez o professor Antonio Carlos Magalhães, antropólogo da UFPA criticou a ausência de políticas de legalização das terras indígenas daquela região onde vivem cerca de nove povos indígenas – que serão todos impactados pela construção da hidrelétrica. Segundo o antropólogo a Funai pouco fez nos últimos anos para legalizar as terras indígenas; das 11 existentes, sete estão regularizadas, mas encontram sérios problemas com invasões, exploração de madeira ou pesca ilegal. Se quiserem de fato fazer algum favor aos povos indígenas, deveriam esquecer Belo Monte e proteger e legalizar os seus territórios orienta Magalhães.

     

    As manifestações dos participantes foram unânimes em não aceitar a construção da hidrelétrica de Belo Monte. Uma ribeirinha da Vila Ressaca ressaltou que a o Estado nunca esteve presente em ações políticas para a população daquele local, e agora aparecem para destruir com barragens. “Como se pode acreditar num governo ausente e que não escuta a população?”

     

     

    As lideranças indígenas Kayapó também leram o manifesto dos Kayapó do último encontro de Piaraçu /MT e declararam o apoio incondicional à população atingida e se disseram preparados para a luta contra o governo.

     

    No dia 7, os grupos se distribuíram da seguinte forma: os grupos de indígenas e aliados se encaminharam para a terra indígena Wanga do Povo Arara e o grupo de ribeirinhos e trabalhadores permaneceram na Ilha da Ressaca.

     

    O grupo de indígenas e aliados foram recebidos pelo cacique Zé Carlos Arara, que solicitou do grupo visitante que fizessem exposição do problema que Belo Monte trará a sua Aldeia. Novamente o professor Francisco fez a exposição, apresentando novos dados sobre o direito à consulta sobre os grandes projetos que atingirão as terras indígenas. O tema da consulta foi acompanhada da exposição das demais lideranças indígenas, entre as quais os Xavante e os Kayapó do Parque do Xingu. Não se trata de um erro simplesmente técnico, mas de um agravante político, que abre precedentes terríveis para os outros empreendimentos, que ficam à mercê dos interesses de grupos econômicos e políticos decidirem como e quando fazer sem consultar os impactados. O Ministério Publico Federal de Altamira, representado pelo Procurador Rodrigo Timoteo, alertou sobre a necessidade dos povos indígenas pressionarem para que sejam de fato escutados – uma vez que as audiências precipitadas não alcançaram nem um terço dos impactados. E além de escutarem, os técnicos do governo devem responder as questões feitas pela comunidade cientifica que questiona o relatório de impacto ambiental.

     

    Ao final da reunião as lideranças indígenas definiram solicitar ao ISA que representasse a questãojunto a Corte Internacional na ONU. É uma forma de pressão jurídica sobre o governo brasileiro em busca do direito de consulta diante da implantação dos grandes projetos. Foram feitas também propostas de novos encontros com representantes dos povos indígenas da região do Xingu e de pressão política em Brasília e nos tribunais internacionais. Os índios assinaram moção em apoio às decisões tomadas no encontro dos Kayapó na aldeia Piaraçu/MT, inclusive decidindo em lutar juntos contra Belo Monte.

     

     

    Altamira, 09 de novembro de 2009.

    Conselho Indigenista Missionário – Norte II

     

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  • 09/11/2009

    Letter from FIAN to Lula regarding: Disappearance of Olindo and Jenival


    Heidelberg, 05 November of 2009



     


    To His Excellency President of the Republic


    Luiz Inácio Lula da Silva


     


    Respectful greetings from FIAN International, a human rights organization, which works at the global level for the human right to adequate food, with consultative status to the United Nations (UN).


     


    Since 2005 we have been following the situation of the Guarani-Kaiowá in Mato Grosso do Sul, who suffer human rights violations, primarily the human right to adequate food due to the non-compliance with legislation that refers to land questions on the part of the Brazilian State. This indigenous people has had their human rights disrespected constantly in recent years, considering the impossibility of their having access to their traditional lands, and of providing their subsistence. The absence of demarcation of the indigenous territory in disregard of established national legislation has exposed the Guarani Kaiowá to sever malnutrition and the serious conflicts with fazendereiros in the State.


     


    In Paranhos, in MS, on the frontier with Paraguay, two Guarani teachers have been missing since 31 October. They were part of a group of 18 indigenous persons, from the village of Pirajuí, who had engaged the retaking of the tekohá of Ypo’i, but were violently surprised by private security forces. Only 16 of the indigenous persons returned to the village of Pirajuí, injured and hurt by rubber bullets. The teachers, Olindo and Jenival, had been taken ‘prisoner’ and remain missing. The indigenous [community], amid an anguishing situation, seek to organize actions to locate the teachers. Indigenous persons from the villages of Jaguapiré and Sassoró, in the municipality of Tacuru, are traveling to the village of Pirajuí to help in the search for the missing teachers. Equally, those of the village of Amambaí are in solidarity seeking news about the missing. Each hour that passes increases the fear that they have been murdered.


     


                The Federal Police of Naviraí were activated, are engaged in the search, already hearing residents from the region, however it is a team of only four men, making it extremely necessary to immediately send reinforcements. The area of the Fazenda São Luiz, where the indigenous Tekohá Ypo’i is located is one of those in dispute in Court in the process of demarcation on the frontier of Brazil with Paraguay. Only the anthropological studies, which are the responsibility of the FUNAI, and are totally stagnant, will be able to guarantee access to the Guarani tekohás and, in this way, advance the realization of the Human Right to Adequate Food of this people.


     


                Brazil as Partner State of the International Pact of Human Rights of the United Nations (UN) of the American Convention on Human Rights, of the Protocol of San Salvador and of Convention 169 of the ILO, assumed commitments in the scope of the international right to protect and respect the rights to land, to food, to water and especially to the life of the indigenous families. Therefore we respectfully ask that your Excellencies adopt measures that guarantee that:


     



    • The Federal Police send all necessary reinforcements for investigation of the disappearances of the two Guarani teachers and of the violence against the other 16 indigenous of the village of Pirajuí. In the same way, guarantee the security of the Guarani-Kaiowás against the practices of violence in the struggle for their territory, on the part of the fazendeiros of the region. The same care and security need to be extended to the FUNAI Working Groups, which have as their objective the recognition of the indigenous lands of MS and who are suffering constant intimidation and threats from landowners and politicians of MS.

     


    ·         The FUNAI make, with extreme urgency, the identification and delimitation of all of the Indigenous lands of Mato Grosso do Sul as set forth in the TAC, in reference to the Administrative Proceeding MPF/RPM/DRS/MS 1.21.001000065/2007-44.


     



    • The lands, after the process of identification and delimitation, be immediately homologated by the Ministry of Justice.

     


    Please keep me informed as to measures that are taken.


     


    Respectfully,


     


    Dr. Flavio Luiz Schieck Vlaente


    Secretary General


    FIAN International


     


    Copies to:


     


    Exmo. Sr.


    Tarso Fernando Herz Genro


    DD. Ministro de Estado da Justiça


    Esplanada dos Ministérios – Bloco T – 4º andar


    70064-900 – Brasília – DF


    (61) 3226-2089 / 3226-2291 / 3226-2296


    (61) 3224-0954 / 3322-6817 (Fax)


    Site: www.mj.gov.br


     


    Presidente da FUNAI


    Marcio Meira


    SEPS Quadra 702/902 Projeção A, Ed. Lex 70.390-025 – Brasília/DF


    Telefone: (61) 3313-3501


    FAX:55-62-3313-3857


    E-mail: [email protected]


    MPF de Dourados


    Procurador Marco Antônio


    Email: mhlima@prms_mpf.gov.br

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