• 03/02/2010

    MPF responde nota da Advocacia-Geral da União sobre caso Belo Monte

    Procuradores da República no Pará defendem trabalho que MPF realizou em relação ao projeto hidrelétrico

     

    O Ministério Público Federal (MPF) no Pará divulgou nesta quarta-feira, 3 de fevereiro, texto em resposta à nota pública em que a Advocacia-Geral da União (AGU) afirma que poderá recorrer ao Conselho Nacional do Ministério Público e ajuizar ações de improbidade contra os responsáveis pelo ajuizamento das ações referentes à Usina de Belo Monte. Veja a íntegra da resposta do MPF:

     

    "A pretexto de posicionar-se quanto ao licenciamento prévio concedido para a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, a Advocacia-Geral da União divulgou nota pública em que aponta desvio de conduta na atuação do Ministério Público Federal no Estado do Pará.

     

    Tais críticas, em tom ácido, parecem desprezar que um Estado democrático não se constrói com base na coerção, direta ou velada, provenha ela de onde vier.

     

    O embate de ideias e o debate quanto à extensão da proteção constitucional ao meio ambiente e ao patrimônio público, bem como a obrigação do Estado brasileiro de proteger minorias étnicas e sociais são temas que não se amoldam a discursos fáceis ou a arroubos de estilo.

     

    Desde 1997, o MPF vem acompanhando e abertamente discutindo as várias questões sociais, ambientais e patrimoniais que se inserem no complexo projeto da Hidrelétrica de Belo Monte e sobre elas nunca se furtou ao cumprimento de suas funções.

     

    Ao contrário do que faz parecer a nota divulgada pela Advocacia-Geral da União, nenhum juízo de valor definitivo foi externado pelos membros do MPF, quer quanto ao comportamento de servidores públicos federais, quer quanto ao teor da recém-divulgada licença de instalação concedida pelo Ibama.  E mais, a posição até aqui externada não se baseia em “postura preconceituosa, precipitada e desprovida de análise técnica e jurídica consistente”, e, sim, no desenrolar de uma análise impessoal, objetiva e cuidadosa, resultado do acompanhamento por quase treze anos de inúmeras discussões que vem sendo travadas e da qual participaram diversos membros do MPF e suas instâncias internas de coordenação e revisão.  Não há, então, nem mesmo resquício da quebra da impessoalidade e da isenção que se exige dos agentes públicos.

     

    Tal constatação, todavia, não afasta alguns fatos concretos:

    1 – em diversas oportunidades, quer em juízo, quer administrativamente, o MPF deixou claro que vários vícios procedimentais estavam sendo praticados (tais como a realização meramente formal de audiências públicas, que, na forma como conduzidas, obrigariam um ribeirinho atingido pela obra a se deslocar de 200 a 255 quilômetros para falar por, no máximo, três minutos) e que tais erros implicariam na nulidade da licença que viesse a ser concedida;

     

    2 – ainda durante a fase de análise do licenciamento, o MPF sustentou (e continua a fazê-lo) que estudos que seriam necessários para a análise prévia não poderiam ser postergados e, portanto, se era obrigação, por exemplo, estudar os impactos da obra sobre a população ribeirinha como um dos elementos do diagnóstico do Estudo Prévio de Impacto Ambiental, não poderia a licença prévia transformar tal obrigação em condicionante, jogando para o futuro aquilo que era obrigação do passado.

     

    Estes dois exemplos demonstram, claramente, que não há açodamento e que as conclusões iniciais não se construíram em horas, mas, sim, em anos de acompanhamento de um processo que envolve bem mais do que o marketing oficial ou a vontade soberana de quem quer que seja.

     

    É necessário, dentre outros temas, que o Estado brasileiro assuma quais os dados reais desta obra, tais como seu custo (se R$ 9,6 bilhões, como declarado no licenciamento, ou algo entre R$ 22 bilhões e R$ 30 bilhões como se anuncia agora), sua capacidade de produção de energia (já que a propaganda oficial insiste em divulgar 11 mil megawatts, deixando de anunciar que tal produção ocorrerá em apenas poucos meses de alguns anos e que estima-se uma produção efetiva de energia não superior a 4 mil megawatts), que condicionam a viabilidade econômico-financeira da obra e os impactos de tais decisões sobre o modelo de desenvolvimento sustentável que se pretende implantar.

     

    É necessário que a sociedade brasileira efetivamente veja suas instituições públicas funcionando, com o MPF exercendo sua função de fiscal da atividade estatal, com o Ibama velando por um licenciamento adequado e com a AGU atuando na defesa do Estado brasileiro, todos de forma responsável, sem incidir no risco da prematura condenação quanto às críticas aos atos administrativos.

     

    A crítica e o debate franco não deveriam, ainda hoje, causar tanto desconforto em quem ocupa funções públicas e deve estar aberto a ouvir a sociedade e a cumprir a obrigação da transparência e do respeito à ordem jurídica à coisa pública.

    Ao MPF a crítica é bem-vinda, será sempre considerada, mas não resultará no abandono de suas obrigações e no cumprimento de seu papel, com lealdade e sem arrogância."

     

    Assessoria de Comunicação

    Procuradoria da República no Pará

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  • 03/02/2010

    Indígenas ocupam terreno na Zona Norte de Manaus

    Ocupação foi motivada pela promessa da Superintendência Habitacional de Manaus de que iria entregar casas aos indígenas até o fim de fevereiro

    Cerca de 250 famílias indígenas, ao lado de outras 200 de não indígenas, estão ocupando desde o dia nove de janeiro deste ano uma área denominada Comunidade São Pedro 2, no bairro do Tarumã, Zona Norte de Manaus (AM). Elas são de pelo menos oito povos diferentes e não têm onde morar ou vêm de áreas distantes, na periferia da cidade, onde tem vivido em circunstâncias extremamente penosas.

    É o caso de dona Rosileide Pinto da Silva, uma Kokama que há vários anos mora em uma casa cedida no bairro Grande Vitória, na zona Leste da cidade. A casa foi construída na beira de um barranco e, sempre que chove, causa temor a ela e a seus sete filhos. “Nós temos medo de sermos levados se houver um deslizamento, como já ocorreu em outro ponto da periferia há alguns meses atrás”, diz Rosileide.

    Segundo Sebastião Castilho Gomes, um dos organizadores da ocupação, 14 famílias Kokama estão aguardando há quase dois anos pelas casas prometidas pelo Governo do Estado do Amazonas. A promessa foi feita por ocasião da retirada dos indígenas de outra ocupação no local chamado “Lagoa Azul”, também na Zona Norte de Manaus. “O representante da Suhab (Superintendência de Habitação do Amazonas) prometeu entregar casas para os indígenas, mas isso não aconteceu. Eles prometeram, de novo, entregar até o final de fevereiro agora e nós vamos aguardar aqui”, afirma Sebastião.

    A assessora de comunicação da Suhab, Jaqueline Farah, confirmou que está prevista a entrega de casas para o final de fevereiro, mas não garantiu que os indígenas serão beneficiados. “Eles não receberam as casas ainda porque a Suhab não entregou nenhum conjunto habitacional até agora”, informa a assessora do órgão.

    Entre os ocupantes da área encontram-se cinco pacientes da Casa do índio (Casai), localizada no quilômetro 15 da rodovia AM-010, gerenciada pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa). A maioria está em tratamento há vários anos e há, entre eles, um jovem de 19 anos que estava na Casa como acompanhante e tornou-se paciente. Abimael Feitosa, Kaxinawá, está ocupando um barraco juntamente com sua mãe e seu pai, que está internado para tratamento de uma doença crônica há seis anos.

    Os líderes da ocupação afirmam que só sairão dali quando tiverem moradia assegurada.  Twook Miranha denuncia que nem o Governo Federal ou Estadual têm política de moradia para os indígenas dos centros urbanos. “Centenas de famílias já receberam casas do “Programa Minha Casa, Minha Vida”, mas nenhum indígena foi contemplado”, protesta Twook Miranha.

    Os indígenas são dos povos Kokama, Mura, Apurinã, Sateré Mawé, Kanamari, Miranha, Kaxinawá e Kulina.

     

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  • 03/02/2010

    ILO awaits response from Brazilian government regarding violations by the Transposition

    Geneva, 2 February 2010 – The UN, the ILO and the World Council of Churches received the delegation from “Campaign Opará – Indigenous Peoples in defense of the Rio São Francisco” on February 1. The ILO has already requested clarification by the Brazilian government concerning violations of Convention 169 in the implementation of the works for the Transposition of the Rio São Francisco.

     

    The delegation from the Northeast region was received in the Wilson Palace of the Untied Nations. Participating in the audience were assessors of the rapporteurs of the High Commission on Human Rights, such as the rapporteur for Human Rights of the Indigenous Peoples, the rapporteur for the Right to Water and to Sanitation. Also participating were the assessor to the rapporteur for human rights, responsible for Latin America; Executive Directors for the Civil Society Unit, representatives of the International Labor Organization (ILO) Convention 169; Coordinator of the of the program for monitoring of Isolated Peoples; among others. All received the report of denunciation “Indigenous Peoples of the Northeast impacted by the Transposition of the São Francisco river”.

     

    Violations already well-known

    In fact, the representatives of these international entities are already aware of the human rights violations occurring with Transposition of the Rio São Francisco. The reports have already been presented to the ILO in September of 2008. The delegation traveled to Geneva to reinforce and update these reports. The commission of experts of the ILO accompanies the case and in March of 2009 issued a statement regarding the violations, requesting clarification by the Brazilian government by the end of 2009. The request for clarification on violations because Brazil signed Convention 169 of the ILO, committing to respect of human rights assured by this international treaty. However the Lula government has not provided a response to this request.

    In the mean time the Transposition works advance, in the indigenous territory, and the socio-environmental damages become irreparable.

    Representatives of the ILO commented that the current reports presented by the delegation are very important.

     

    Concern

    The Special Rapporteur of the High Commissioner of the United Nations for the Rights of Indigenous Peoples, James Anaya, visited Brazil in August of 2008. Following the visit he published his report, with recommendations for the Brazilian government to improve position of the Indigenous peoples. Anaya will return in 2012 to monitor the evolution of the conditions of the indigenous peoples in Brazil.

     

    Disrespect

    “The Brazilian government does not respect its own legislation, the Federal Constitution and the international treaties such as Convention 169 of the ILO”, noted Uilton Santos, Cacique of the Tuxá people and president of APOINME. “The state denies the right to prior consultation and to the free and informed consent of the indigenous peoples.” This occurs not only in the case of the Transposition, but with many projects of development that the Lula government is implementing through the PAC. “These projects have a grave socio-environmental impact on the indigenous territories, influencing the indigenous identities, to the point of raising the risk of extinction of the uncontacted or isolated peoples”.

    Edilene Bezerra Pajeu, the Pretinha of the Truká people, called attention to the assassinations of leaders who struggle for the right to land and water and against the Transposition. These assassinations had also already been denounced at the UN in 2005. Specifically the cases of Dena and Jorge Truká, killed by 4 police agents who remain unpunished. “Anyone not murdered is criminalized by the judiciary itself, lives constantly threatened and responds to many charges. One example of this is Cacique Neguinho. When he reported the assassination of Mozeni, he was jailed at the police station.”

     

    Civil Society

    On Monday the delegation had a public meeting with organizations of civil society and NGOs headquartered in Geneva, such as Terrabrasilis, E-Changer, AYA, SIT and Terre des Hommes. On that occasion a presentation on the violations to the human rights of the indigenous peoples occurring from the Transposition and other large-scale development projects on indigenous lands, with the example of the Belo Monte Hydroelectric Plant. In closing, the delegation presented the petition in which the Brazilian Supreme Court ministers are asked that they judge pending actions relative to the Transposition.

     

    APOINME petition:

    http://www.apoinme.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=52&Itemid=72

     

     

    On February 3, the delegation visits Brussels, Belgium, afterward traveling to Berlin, Germany.

     

    More information on the Delegation’s European visit:

     

    CIMI   (Brasília)            55/61/2106 1666            Paul Wolters (English) / Maíra Heinen (Port.)

    CIMI Europa                39/33 3634 8279            Martina (coordinator of the trip)

     

    Indigenous Peoples involved in the Campaign Opará and contacts:

     

    Povo Truká                           55/87/ 9606 6065            Cacique Neguinho

    Povo Tumbalalá                   55/87/ 9131 0008            Cacique Cícero

    APOINME                             55/75/ 8815 0715            Dipeta Tuxá

     

    Organizations and contacts for the Campaign Opará and the Report of denunciation on the Transposition:

     

    CPP / NE                                55/75/8835 3113            Alzeni Tomaz

    AATR                                      55/71/3329 7393            André

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  • 03/02/2010

    Hepatite B faz nova vítima em Guajará-Mirim

    Em menos de dois anos, quatros óbitos já foram registrados na região. Para a comunidade, há morosidade no atendimento prestado pela Funasa.

     

    A Hepatite B faz a quarta vítima, em menos de dois anos, na região de Guajará-Mirim, em Rondônia. No último dia 25 de janeiro, uma indígena do povo Oro Wari, faleceu na UTI do Hospital João Paulo II, em Porto Velho. A moça, moradora da aldeia Rio Sotério, terra indígena Pacaas Novos, tinha 24 anos e estava internada com quadro critico de cirrose hepática, complicação decorrente da Hepatite B crônica.

     

    De acordo com a acompanhante da vítima, houve falta de assistência no alívio das dores, tanto no pronto socorro do Hospital João Paulo II como na Casa de Saúde Indígena de Porto Velho (CASAI). A paciente estava muito amarela, com a barriga distendida (inchada), dores abdominais intensas e chegou a ter vômitos com sangue. Segundo informação da enfermagem do Pronto Socorro do Hospital João Paulo II, a paciente veio encaminhada da CASAI de Guajará-Mirim com “problema de vesícula”.

     

    A Funasa confirma o diagnóstico da Casa de Saúde, embora tenha conhecimento de que a vitima era portadora do vírus há alguns anos. Nos casos de óbitos que ocorrem por complicações da hepatite B, seja cirrose e/ou câncer primitivo do fígado, a Fundação nega o diagnóstico, referindo-se somente ao disposto no atestado de óbito, onde geralmente consta como causa da morte “choque hipovolêmico” ou “parada cardiovascular”.

     

    Um agravante aos pacientes com quadro de Hepatite na região é o péssimo atendimento hospitalar. O pronto socorro está sempre superlotado e os pacientes, independente da gravidade da doença, permanecem, por dias, deitados em macas. O atendimento médico e a realização de exames, por sua vez, só acontecem por insistência e pressão dos acompanhantes. A FUNASA que deveria fazer esse papel não o faz, deixando os indígenas desamparados.

     

    Histórico

     

    De 2008 para cá, somente no Pólo-Base de Guajará-Mirim, onde vivem cerca de cinco mil indígenas, quatro pessoas morreram em decorrência de complicações causadas pela doença. No entanto, desde 1994, ano em que houve um surto de Hepatite B e delta na região, a doença já fez 13 vítimas.

     

    Inquérito

     

    Entre 1994 e 2005, com a notificação de 40 casos positivos da doença e o óbito de nove pessoas, a FUNASA realizou um inquérito com o objetivo de identificar os portadores de Hepatite B e C, bem como fazer um acompanhamento semestral dessas pessoas e iniciar tratamentos para evitar, assim, complicações que pudessem evoluir para um quadro fatal.

     

    No entanto, o inquérito foi encerrado em 2009 com uma série de atrasos e omissões por parte da Fundação: atraso na realização do diagnóstico e entrega dos resultados de exames aos indígenas; falhas no encaminhamento dos casos positivos para consulta especializada e exames e também no retorno desses pacientes.

     

    Aldeias como a do Rio Sotério, que participaram do inquérito em setembro de 2005, só receberam os resultados em agosto de 2007. Os casos positivos, por sua vez, só fizeram consultas e exames entre junho e setembro de 2008, não tendo ainda recebido os resultados. Continuam, portanto, sem saber se a doença está evoluindo ou não. Nos casos em que o vírus está se multiplicando, os pacientes não estão recebendo o tratamento adequado, com freqüentes atrasos no atendimento.

     

    O atendimento especializado tem sido realizado pela equipe Dr. Juan, do Centro de Pesquisa em Malária (CEPEM), que atua no Hospital CEMETRON em Porto Velho. Diante das dificuldades que a FUNASA tem para encaminhar os casos positivos, e após uma Audiência Pública convocada em maio de 2008, a equipe se prontificou a atender em Guajará-Mirim alguns finais de semana. Essa contribuição é valiosa, entretanto insuficiente, visto que as vindas da equipe para Guajará-Mirim, não estão acontecendo no ritmo esperado, e dezenas de pacientes que a mais de ano fizeram a primeira consulta, aguardam retorno.

     

    Respostas

     

    Quando questionada sobre o motivo do atraso na entrega dos resultados, a FUNASA diz que o Laboratório Central-LACEN em Porto Velho os envia para o município para notificação; que em seguida o município os manda para CASAI e que a mesma, alegando falta de recursos, os envia para a FUNASA da região para tirar xérox, retornando meses depois.

     

    O fato é que esse atraso não traz prejuízos somente aos pacientes como também à notificação dos casos positivos. De acordo com o Núcleo de Vigilância Sanitária do município (NUVEPA), só podem ser notificados os resultados num prazo de 180 dias a partir da data da coleta.   

     

    As hepatites B e C, endêmicas na Amazônia, não são exclusivas dos indígenas e fazem vítimas principalmente em área rural ou ribeirinha. No final do ano passado, um senhor do município de Guajará-Mirim, lamentava a perca de seu filho de 11 anos, portador da hepatite B, que naqueles dias havia falecido num quadro de cirrose.

     

    A FUNASA prefere manter sob sigilo o número de casos de hepatite B. Entretanto, o CIMI busca denunciar a omissão em relação ao atendimento que deveria ser prestado a esses pacientes e não somente o número de casos. Esse descaso fere recomendações do próprio Ministério da Saúde, que indica a realização de consulta especializada exames específicos de seis em seis meses.

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  • 03/02/2010

    Belo Monte: a pedagogia da palhaçada e da corrupção

    Escrito por Rodolfo Salm

     

    Começar o ano e retomar o trabalho nem sempre é muito fácil. Especialmente no que se refere a tarefas que exigem alguma inspiração, como nosso esforço para denunciar a grande mentira da "energia barata e renovável necessária para a solução dos problemas do país" que justificaria a absurda construção da hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu (com consequências desastrosas para o continente e também para o mundo).

     

    Mas há uma hora em que, inevitavelmente, até mesmo os mais despreocupados tem que voltar a se mexer: segundo uma nota da Folha de São Paulo de 19 de janeiro, o ministro do Meio Ambiente Carlos Minc disse, enquanto prometia o licenciamento ambiental da hidrelétrica de Belo Monte para fevereiro, que todo o processo de licenciamento foi "pedagógico" para os órgãos ambientais do país. E que "o projeto inicialmente apresentado tinha sérios problemas em relação à navegação, aos peixes, que teriam mais de cem espécies ameaçadas, e a áreas de baixa circulação que iriam piorar a qualidade da água". Mas disse que os principais problemas teriam sido solucionados durante o processo. Isso me deixou um bocado revoltado.

     

    Como ele pode dizer que o licenciamento foi pedagógico? Se nem teve coragem de aparecer na audiência pública de Altamira, onde, segundo os ribeirinhos, as comunidades indígenas e o Ministério Público não houve qualquer condição de diálogo e consulta de fato dos afetados pelo projeto. E a população da cidade como um todo, que se esgoelou em gritos de protesto contra a barragem, diante de técnicos, políticos e burocratas defendidos por forte esquema de segurança?

     

    Só se for a pedagogia da tropa de choque e da intimidação. Sobre os outros pontos, que "teriam sido solucionados ao longo do processo", trata-se de mentira pura e simples (aqui teríamos a pedagogia da enganação). Não o foram e não é preciso ir muito longe para provar isso. Basta recorrer às conclusões emitidas pela equipe de Licenciamento Ambiental do IBAMA, sobre a análise técnica do Estudo de Impacto Ambiental de Belo Monte, em documento divulgado no dia 23 de novembro de 2009, do qual extraio a seguir alguns trechos, e que pode ser acessado no original clicando-se aqui.

     

    "Ressalta-se que, tendo em vista o prazo estipulado pela Presidência, esta equipe não concluiu sua análise a contento. Algumas questões não puderam ser analisadas na profundidade apropriada, dentre elas as questões indígenas e as contribuições das audiências públicas". "O estudo sobre o hidrograma de consenso não apresenta informações que concluam acerca da manutenção da biodiversidade, a navegabilidade e as condições de vida das populações do trecho de vazão reduzida (que ocuparia grande parte da Volta Grande do Xingu, que teria a maior parte de seu fluxo de água desviado por canais colossais, comparáveis ao canal do Panamá ligando o Atlântico ao Pacífico, conduzindo-o às turbinas da hidrelétrica). "A incerteza sobre o nível de estresse causado pela alternância de vazões não permite inferir a manutenção das espécies, principalmente as de importância sócio-econômica, a médio e longo prazos (…) Os impactos decorrentes do afluxo populacional não foram dimensionados a contento. Conseqüentemente, as medidas apresentadas, referentes à preparação da região para receber esse afluxo, não são suficientes e não definem claramente o papel dos agentes responsáveis por sua implementação. Há um grau de incerteza elevado acerca do prognóstico da qualidade da água, principalmente no reservatório dos canais".

     

    Foi com uma certa satisfação que vi contemplada entre as recomendações dos analistas ambientais do IBAMA a minha crítica principal, relativa aos desmatamentos, que serão conseqüência muito mais da abertura de estradas e do decorrente estímulo à imigração de imensos contingentes populacionais para a região do que da obra em si: "apresentar modelagem da projeção do desmatamento considerando os cenários de implementação e não-implementação do Aproveitamento Hidrelétrico de Belo Monte". Ou seja, recomenda que sejam feitas simulações matemáticas computadorizadas (amplamente disponíveis na atualidade) de como seria o futuro com ou sem a barragem.

     

    Mas cadê a tal modelagem? Dizem que os empreendedores responderam às 15 outras recomendações, além desta sobre os desmatamentos, feitas pelos consultores da Diretoria de Licenciamento Ambiental do IBAMA. Mas não temos acesso a estes documentos com as respostas! Nem mesmo o documento acima reproduzido está disponível no site do órgão como parte do processo de licenciamento ambiental de Belo Monte. Destaque-se que a legislação brasileira determina publicidade do EIA/RIMA. Este é mais um dos aspectos do processo de licenciamento que foram atropelados, nesta gana pela aprovação goela abaixo. Mas os jornalões, ao invés de divulgarem as notas de cautela do IBAMA sobre Belo Monte, preferem reproduzir a bobageira de que "os principais problemas foram solucionados", do ministro midiático escorregadio e mascarado, com o penteado do Bozo, sempre fantasiado de coletes, ao modo de um triste clown. É a pedagogia da palhaçada.

     

    Mas talvez, pior do que este seja o ministro-sinistro. No dia 22 de janeiro, a mesma Folha de São Paulo divulgou trechos do relatório da Operação Castelo de Areia da Polícia Federal, segundo a qual a empreiteira Camargo Corrêa pagou uma propina quase R$ 3 milhões para políticos do PT e do PMDB por conta da obra da eclusa da hidrelétrica de Tucuruí, também no Pará. O relatório cita, como beneficiários, integrantes do grupo político de José Sarney, que controla o Ministério de Minas e Energia. Um manuscrito chega a registrar o pagamento de propina no valor de R$ 500 mil a um tal "Lobinho", que, segundo a polícia, é Edison Lobão Filho, o filho do ministro Lobão, que, aliás, recentemente queixava-se de ter que "mendigar" a licença ambiental de Belo Monte. Mendigou porque seu grupo é dependente da roubalheira. Como é possível que, apesar de estar metido em tanta corrupção, Edison Lobão ainda seja cogitado para vice da chapa de Dilma Rousseff? Talvez o seja justamente por isso. Já esta é a pedagogia da corrupção.

     

    A palhaçada e a corrupção: uma bela dupla para começar o ano, que promete não ser nada fácil. Minc e Lobão. Que fonte lamentável de inspiração! De um lado o show midiático, de outro, os negócios escusos. Negócios que nada mais são do que as tais "tenebrosas transações", da música de Chico Buarque, que rolavam enquanto "a nossa pátria mãe tão distraída" dormia, "sem perceber que era subtraída". E aqui, as muralhas faraônicas que barrariam o Xingu (uma obra comparável à construção de toda a nova capital), pior do que estranhas, como as construções de Brasília, seriam "sinistras catedrais" ao deus do desenvolvimento. Erguidas pelos filhos que erram "cegos pelo continente", e que imigrariam aos montes para a esta região. Onde, depois de concluídas as obras, seriam novamente abandonados, causando imensos desmatamentos que acabariam por destruir não apenas o Xingu, mas o que resta de toda a Amazônia Oriental. O que em última análise afetaria todo o planeta, daí o justificado engajamento de setores ambientalistas da comunidade internacional na luta contra Belo Monte.

     

    "Vai passar!", cantava-se em referência a um período, "página infeliz da nossa história, passagem desbotada na memória das nossas novas gerações", que deveria estar encerrado. Não passou. Citando agora o professor Oswaldo Sevá, da Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp, a luta contra Belo Monte é a luta política contra a ditadura militar que ainda não acabou (ver artigo especial do Correio, "Belo Monte, Belo Monstro"). É possível que quando for publicado, esse texto já esteja desatualizado, pois, acabo de saber, o Estado de São Paulo já está prevendo a vergonhosa liberação da Licença Ambiental para esta semana. Se for o caso, eu posso imaginar que cada pedra desse velho rio nesse dia vai se arrepiar.

     

    PS: De fato, na tarde de segunda, 1º de fevereiro, o IBAMA liberou a construção da barragem. No Xingu, onde eu estava naquela tarde, nem os banhistas, que se divertiam em mergulhos arriscados, nem os ribeirinhos ou pescadores pareciam estar cientes ou preocupados com isso. Por outro lado, disseram-me que quando a decisão foi transmitida de Brasília, todas as pessoas no supermercado aglomeraram-se em frente à televisão entre incrédulas e assustadas. Eles podem ter vencido uma batalha, mas não a guerra. A luta continua. Na verdade está apenas começando. Eu nunca duvidei que a máfia dos barrageiros venceria em tudo o que dependesse de papel, caneta e reuniões em Brasília. Eles dominam a máquina e ela está lá para isso. Mas barrar efetivamente o rio é outra história. É só quando começarem os esforços diretos neste sentido que aqueles que vivem no rio, e do rio, efetivamente do Xingu, vão entrar na luta contra esta obra que põe em risco mais do que a nossa floresta ou as populações tradicionais, mas a economia e a própria democracia do país. Uma roubalheira planejada há décadas e que serão nossos filhos, netos e bisnetos, todos os contribuintes brasileiros do futuro que irão pagar.

     

    Rodolfo Salm, PhD em Ciências Ambientais pela Universidade de East Anglia, é professor da Universidade Federal do Pará.

     

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  • 03/02/2010

    Os Guarani num ano decisivo

    "A doença dos Guarani é uma só – recuperar nosso território, nossa terra, através  de nossa cultura, nossa organização, nossa reza" (Cacique Rosalino, 1-02-10)

     

    Sentado em frente ao barraco, Rosalino vai contando pausadamente como tem participado do processo de preparação do encontro que começou ontem na aldeia de Anhetete, no sudoeste do Paraná. Participam 800 Guarani dos quatro países – Paraguai, Brasil, Argentina e Bolívia. Ele conta como foram construindo a proposta de uma Aty Guasu Ñande Reko Resakã Yvy Rupa; ou seja, um encontro pilares: a terra e o modo de viver dos Guarani nestes territórios, sua cultura e religião.

     

    Já no início da noite, quando as estrelas começaram a passear no firmamento, um grupo de Yvy Katu iniciou mais uma noite de ritual, Jeroky. Animados pelo espírito dos antepassados e dos deuses protetores e na esperança depositada em mais um encontro importante para os Povos Guarani da America do Sul.

     

    Um pouco da historia e objetivos

    O Encontro foi originalmente pensado pelo Ministério da Cultura e Comissão especial de Direitos Humanos, para comemorar os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e para propiciar à população do Mato Grosso do Sul uma visão mais real sobre a situação em que vivem e principalmente a fora e importância que tem sua cultura no momento atual. Isso tendo em vista principalmente a grave situação pela qual o esse povo está estava passando a partir do inicio de 2005 com a morte de mais de 40 crianças, de desnutrição. Além disso, seria uma oportunidade para os Povos Guarani aprofundarem entre si as razões de tão grave situação e juntos traçassem as estratégias necessárias para enfrentá-los. O Encontro seria realizado em Dourados de 10 a13 de dezembro e no encerramento teria um grande show artístico com artistas de renome nacional e internacional. Lamentavelmente a postura do agronegócio e do governo do Estado inviabilizaram a realização do evento conforme previsto

     

    Anhetete, nas margens do rio Paraná

    Portanto o Encontro estava no marco da celebração dos 60 anos dos Direitos Humanos, e a negação aos direitos básicos dos Kaiowá Guarani à vida e às suas terras. A mudança forçosa de lugar alterou também parte de seus objetivos, com relação à conscientização da sociedade regional com relação à força, cultura e vida desses povos. Permaneceu, porém, o aspecto de articulação dos Povos Guarani, num contexto de encontros continentais e outras iniciativas de união das lutas desses povos por seus direitos.

     

    Dentre os eixos temáticos definidos pela coordenação Guarani do encontro, em janeiro, serão a partir da compreensão da Convenção 169 da OIT e da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas. Destacam-se os seguintes temas: "Reconhecimento e devolução dos territórios ancestrais do povo Guarani na América do Sul; Abertura da Fronteira dos países do Mercosul para os povos Guarani; Discussão de Políticas Públicas (educação, saúde, cultura, meio ambiente, economia…) dos Países do Mercosul para o Povo Guarani…"

     

    Dentre as idéias a discutir, destacadas pela coordenação estão: "O Povo Guarani é um só; fortalecimento do povo Guarani através da unificação;  recuperação das terras para o povo Guarani é imprescindível para que a sua cultura seja exercida plenamente. O encontro é uma oportunidade única  para se iniciar um processo de reconhecimento da cultura Guarani no âmbito do Mercosul Cultural e Social." (doc. De preparação do Encontro)

     

    O projeto inicial (Ava Marandu) destacava a questão dos direitos humanos e a força e beleza da cultura e valores Guarani. Com isso se propunha a ser um momento forte de conscientização da população sul matogrossense sobre a importância e contribuições do povo Guarani para um projeto plural e igualitário para esse estado e para o Brasil. Também se colocava como objetivo o fortalecimento da identidade étnica Kaiowá Guarani.

     

    Já o encontro que hoje inicia no tekoha Anhetete restringe mais seus objetivos para a articulação e fortalecimento do povo Guarani e sua presença organizada no espaço do Mercosul. Para isso se prevê a elaboração e entrega de documentos aos ministros da Cultura do Brasil e Paraguai, que confirmaram suas presenças no dia 5, e os representantes dos outros países.

     

    A suprema injustiça

    Enquanto isso os Kaiowá Guarani no Mato Grosso do Sul continuam sendo vítima do que consideram a suprema injustiça, que é lhes negar o direito às terras tradicionais para poderem viver em paz e com dignidade. Além da liminar assinada pelo presidente do Supremo Tribunal de Justiça, ministro Gilmar Mendes, na véspera do Natal, ele continuou assinando as liminares impetradas por fazendeiros, atingindo praticamente todo o território da comunidade de Arroio Korá, homologado pelo presidente Lula em dezembro do ano passado. E essa tendência de atender a todas as ações do agronegócio e políticos do Mato Grosso do Sul, se configura efetivamente como tendência a ser seguida pelo presidente da Corte suprema do país. E o que é pior, já se fala na suspensão total das identificações em curso, através dos 6 Grupos de Trabalho, por determinação do presidente do STJ.

     

    É neste contexto que o encontro de Anhetete vai ter uma importância muito grande, pois trará ao mundo essa lamentável situação e exigirá providencia.

     

    O cacique Rosalino com seu grupo já está na beira da estrada para embarcar. Na bagagem as tradicionais armas: mbaraká, takuara, para fazer muitas celebrações e rituais, para trazer mais força e esperança para seu povo na luta pela terra, vida e futuro.

     

    Yvy Katu, 2 de fevereiro de 2010

    Campanha Povo Guarani Grande Povo

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  • 03/02/2010

    “Your development is our massacre”: Indigenous delegation denounces Transposition in Europe

    In Italy, the first country in the European tour, the Northeastern delegation denounced the adverse impacts of the transposition of the São Francisco and violations of human rights in preparation and execution of the project.

     

    The indigenous delegation raises a cry of alarm for the governments and civil society in European countries: the São Francisco River has suffered many aggressions, such as the construction of seven hydroelectric dams and deforestation, which is unable to support another project of intensive exploitation of its waters. The environmental damage would be irreparable and lead to the death of the river, which instead of another engineering design, needs in fact a revitalization.

     

    Development: not at all costs

    In Rome, Italy, the delegation participated in several public activities. On 25 January, there was a conference in the Hall of Peace in Província. The following day, the delegation attended a public meeting at the Italian Center for Peace (Cipax). Pretinha Truká, Uilton Tuxá and Saulo Feitosa were also received by Domenico Scilipoti, member of the " Environment, Planning and Public Works Commission" and who fight against water privatization in Italy.

     

     "The transposition ends our people and our way of life." That was the message that the delegation members delivered to several audiences. Pretinha, leader of the Truká people, was emphatic about the project that the government presents as a major step in development: "Your development is our slaughter," he said

     

    Uilton dos Santos, cacique (chief) of the Tuxá people and general coordinator of the Articulation of Indigenous Peoples of the Northeast, Minas Gerais and Espirito Santo (APOINME), made it clear that opposition to the Implementation of the project is not a mere opposition of indigenous peoples to development itself, but how to achieve it. "Development yes, but not at all costs. The economy is overriding life and overriding the rights of the indigenous peoples and traditional communities," he said.

     

    Access to water for all

    Uilton also stressed that the transposition will transform the São Francisco river into the largest hydrographic market in the world, which is totally opposed to the indigenous conception: "For the Indians, water is a common good of humanity, not a commodity."

     

    He also stated that, according to government data, the transposition of water will only benefit agribusiness and metallurgic enterprises, among other industries, without the benefit of needy people in the region.

     

     They will not have access to water of the canals, contrary to government’s announcement, that the banner of transposition will ‘bring water to thirsty people’ of the semi-arid region. “At the same time, the government itself has developed an alternative water management plan for the Northeast: the famous Atlas," continued Uilton "which, at half of the cost, can benefit a much larger number of people and solve the problem of water distribution in the Northeast, with less environmental impact and democratization of access to water for the region’s poor”.

     

    Ethnocide

    O third member of the delegation, Saulo Feitosa, adjunct secretary of CIMI (Indigenist Missionary Council), has put the transposition in the wider context of the threats that the PAC represents for the indigenous peoples. "There are 450 projects of the Lula government programs that affect Indigenous Lands. According to our data and research, for example, there are at least 21 projects that affect uncontacted indigenous peoples, who are at risk of extinction. We have prior experiences, these encounters are fatal for these people. In this sense, we are talking about ethnic cleansing. "

     

    United Nations

    After the meetings in Italy, the delegation will head to Geneva, Switzerland, to meet with representatives of the United Nations. The contacts are confirmed with the High Commissioner for Human Rights the UN Special Rapporteur on Indigenous Rights, Special Rapporteur on the Right to Water and International Labor Organization (ILO), which issued observations to the Brazilian government regarding the abrogations of Convention 169 in the case of the transposition project of the São Francisco river. Then, the delegation will travel to Brussels (Belgium) and Berlin (Germany).

     

     

    More information on the trip:

     

    CIMI   (Brasília)  55/61/2106 1666   Paul Wolters (English) / Maíra Heinen (port.)

    CIMI Europa       39/33 3634 8279   Martina – delegation coordinator (Italian)

     

    Indigenous peoples involved in the Opará campaign and contacts: 

     

    Truká people              55/87/ 9606 6065            Cacique (chief) Neguinho

    Tumbalalá people      55/87/ 9131 0008            Cacique (chief) Cícero

    APOINME                    55/75/ 8815 0715            Dipeta Tuxá

     

    Organizations involved in the Opará campaign and publication of the report of denunciation – contacts for information:

     

    CPP / NE                  55/75/8835 3113            Alzeni Tomaz

    AATR                        55/71/3329 7393            André

    Via Campesina        55/82/9950 0227            Hélio

    NECTAS/UNEB       55/75/8856 0622            Juracy Marques

    Articulação Popular do São Francisco   55/75/8843 5494       Ticiano Rodrigo

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  • 03/02/2010

    Denunciations against Transposition resonate in Italy

    The Indigenous delegation from Brazil’s Northeastern region, which is denouncing the impact of the transposition of the São Francisco river, encounters great receptivity in Italy, the first country on a tour of Europe. The transposition first became known to Italians through the hunger strikes of Dom Luiz Cappio in 2005 and 2007.

     

    In Italy, the issues of water preservation and the privatization of water is very current, with a large movement advocating the democratization of access to water. One of the central complaints regarding the transposition is that the work will benefit primarily the economic sectors of Agribusiness and heavy industries. Thus, the implementation will not solve the problem of access to water by the population of the semi-arid, as claimed by the Brazilian government.

     

    European Court

    Thursday, January 28, the delegation met with the Mayor of Udine, also former dean of the University of Udine. Professor Furio Honsell, in addition to issuing a political statement and making himself available to articulate the cause together with Italian politicians, proposed the creation of an international team of legal experts in water and the environment, experienced in European court actions.

     

    On the same day, the delegation met with the CEVI, an organization with extensive experience in the struggle in defense of water. In the evening there was a public meeting at the Balducci Center, a cultural center for environmental activism and point of care for migrants.

     

    Press coverage

    On Friday, January 29, the delegation visited the city of Trento, where a press conference was held with the participation of the organizations Unimondo, Ipsia, and the Fontana Foundation. Journalists were very interested in the subject and several articles were published in local newspapers and a national newspaper (Il Manifesto, the leading national newspaper from the left).

     

    Following the press conference delegation members were received by the Association Dom Franco Masserdotti, which confirmed its support in the fight against transposition. At least one Italian delegation will come to Brazil to visit the people and communities impacted.

     

    In a public meeting in the city of Bolzano, more than 100 people – including several Brazilians living in Italy – debated the transposition and its effects on the indigenous peoples with delegation.

     

    Criminalization of the movement

    During an interview on local television about the impact of transposition, Pretinha Truká, a leader of the Truká people, emphasized that major developments like the transposition are linked to a strategy of criminalization: "Those who fight for the right to land and water and against the transposition of the river, are criminalized and even murdered. The chief of our people, ‘Neguinho’, is a defendant in multiple cases. In 2005, a leader very important to the struggle of our people was murdered along with his son of 17 years, Adenilson Jorge Santos and Adriano in front of 600 people, including children and elders, by four military police officers. They have not even been arrested. The crimes go unpunished. In 2008, another important leader, Mozena Araujo, who was a key witness in two murders, was also killed on the eve of municipal elections. He was a candidate for alderman and polls indicated that he would carry the vote. If he were alderman, he would be a very important political force for the Truká to have in the chamber of councilmen”.

     

    Uilton Santos, representative of the Tuxá people added: "I am a living example of what the aggressions mean to the Sao Francisco River through large scale projects. The traditional territory of the Tuxá people was flooded with the construction of hydroelectric power in Itaparica 1986. My people were divided into three different places and today are still waiting for the federal government to provide us with another land”.

     

    Saulo Feitosa, deputy secretary of Cimi, spoke about the social impact caused by canal construction: "In the year in which we celebrate the 20th anniversary of the fall of the Berlin wall, we are witnessing the creation of another artificial boundary that is dividing traditional communities, this time through a trench, in that the canal is 25 feet wide, 9 feet deep and a "security strip" of 5 kilometers, which impedes communication between people who have always lived in the same location".

     

    UN and ILO

    Today, Monday, the delegation is in Geneva, Switzerland, meeting with representatives of the United Nations (UN). The contacts confirmed that they are with the High Commissioner for Human Rights of the UN, Special Rapporteur on Indigenous Rights and the Special Rapporteur on the Right to Water. The delegation has also scheduled a meeting with the International Labor Organization (ILO), which issued observations to the Brazilian government on the breach of Convention 169 in the case of São Francisco transposition project. There will also be a meeting with the World Council of Churches and a public meeting with civil society and various Swiss associations and local unions. Then, the delegation will travel to Brussels (Belgium) and Berlin (Germany).

     

    More information on the trip:

     

    CIMI   (Brasília)  55/61/2106 1666   Paul Wolters (English) / Maíra Heinen (port.)

    CIMI Europa       39/33 3634 8279   Martina – delegation coordinator (Italian)

     

    Indigenous peoples involved in the Opará campaign and contacts: 

     

    Truká people              55/87/ 9606 6065            Cacique (chief) Neguinho

    Tumbalalá people      55/87/ 9131 0008            Cacique (chief) Cícero

    APOINME                    55/75/ 8815 0715            Dipeta Tuxá

     

    Organizations involved in the Opará campaign and publication of the report of denunciation – contacts for information:

     

    CPP / NE                  55/75/8835 3113            Alzeni Tomaz

    AATR                        55/71/3329 7393            André

    Via Campesina        55/82/9950 0227            Hélio

    NECTAS/UNEB       55/75/8856 0622            Juracy Marques

    Articulação Popular do São Francisco   55/75/8843 5494       Ticiano Rodrigo

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  • 03/02/2010

    Indigenous Peoples of the Xingu issue alert regarding licensing announcement for construction of the Belo Monte hydroelectric Plant

    Natasha Pitts – Adital journalist

    Source: Adital

     

    For more than 20 years, indigenous peoples and traditional communities of the Xingu region, together with activists have struggled against the construction of the Belo Monte hydroelectric plant on the Xingu river, in the state of Pará, Brazil. Recent years were marked by disclosures, meetings to discuss the impacts of the hydroelectric, attempts to negotiate, public actions, protests and by the promise of President Lula to the Bishop of Altamira, Dom Erwin Kräutler, that the Belo Monte would not be “shoved down the throat of the peoples of the Xingu”.

     

    For Dion Monteiro, representative of the Metropolitan Committee of the Movement Xingu Vivo Para Sempre (Xingu Alive Forever), this moment could be considered as the most powerful attack on the peoples of the Xingu.

     

    “The peoples of the Xingu have already resisted a military government, they resisted the governments of Sarney, Collor, Itamar, FH Cardoso and now under the Lula government, their heaviest attack. We did not expect that the issuing of the license for construction of the Belo Monte would occur in the Lula government because of his history of fighting together with the social movements. In reality, at the moment, the alliance between government and the [construction] companies is the strongest its ever been”, he stated.

     

    Dion further confirmed that Monday, the Minister of the Environment, Carlos Minc, issued the license for the construction of Belo Monte. The fact will be officially announced to the press later today at 4:30, during a press conference in the ministry offices (5th floor – Esplanada dos Ministérios, Bloco B – Brasília-DF). With Minc to announce the decision, will be president of the Brazilian Environmental and Renewable Natural Resources Institute (IBAMA), Roberto Messias.

     

    Even prior to being constructed, the Belo Monte hydroelectric plant has already caused damage. “Due to the proximity of construction, the city of Altamira is already receiving migrants. This results in pressure on the health system, an increase in the quantity of precarious housing, increase in deforestation for the construction of the housing and unfortunately an increase in the indices of violence. According to the Environmental Impact Studies on the project, circa 100 thousand people are due to migrate in search of work, despite there being only 700 positions anticipated for skilled personnel”, clarifies Dion.

     

    Afterward, in a post-construction case, circa 20 thousand people from the municipalities of Altamira, Vitoria do Xingu and Brasil Novo will need to be removed from their lands and compulsorily relocated. There will be innumerable forms of damage to fishing and river transport, in addition to other environmental damages. The emission of methane, a green house gas, also represents a major problem, as well as the increase in diseases like malaria and yellow fever.

     

    In light of all of these impacts and damages the indigenous peoples restated, in December of 2009, their position as to construction of the hydroelectric.

     

    “We, Indigenous Peoples, will no longer sit with any representative of the government to talk about the UHE Belo Monte; because we have already spoken too much and this has cost 20 years of our history. If the Brazilian government wants to construct Belo Monte in an arbitrary manner as is being proposed, which is the total responsibility of this government and its representatives as well as the court what is going to happen with the executors of this work; with the workers; with the indigenous peoples. The Xingu river is going to be a river of blood. This is our message. That Brazil and the world have awareness of what could happen in the future if the Brazilian governments do not respect our rights as indigenous peoples of Brazil”.

     

    Further information in English: International Rivers

    http://www.internationalrivers.org/en/node/4727

    Executive Summary of Expert Panel Reports in English

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  • 03/02/2010

    Movimento social convoca vigília contra Belo Monte

    O Comitê Metropolitano do Movimento Xingu Vivo Para Sempre está convocando uma vigília nessa quinta-feira em Belém contra a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. Acontecerão também manifestações em Altamira e Santarém.

     

    Eis a convocatória.

     

    A Amazônia mais uma vez está ameaçada. Para atender às ordens das grandes mineradoras, os governos de Lula e Ana Júlia preparam o que poderá ser o maior desastre ambiental da nossa história: A construção da Usina Hidrelétrica (UHE) de Belo Monte, no rio Xingu.

     

    Caso o projeto seja implementado, mais de 20 mil pessoas serão retiradas de forma violenta de suas casas; 100 mil pessoas migrarão para a região, mas ao final da obra só restarão 700 empregos; de toda a energia que poderá gerar a UHE 80% será levada para o Sul e Sudeste do País e o restante servirá para alimentar as máquinas destruidoras e engordar o lucro das empresas Alcoa e Vale do Rio Doce. Isso deixará apenas destruição, miséria, fome e violência para toda a biodiversidade dos 13 municípios que sofrerão os impactos de Belo “Monstro”.

     

    Neste momento os povos do Xingu contam com nossa solidariedade para resistirem ao mais pesado ataque do capital de toda a sua história. Por isso, o Comitê Metropolitano do Movimento Xingu Vivo Para Sempre convida todos e todas as pessoas comprometidas com a sobrevivência dos povos da Amazônia a dizer “Sim” à Vida e “Não” a Belo “Monstro”!!!

     

    Dia 04-12-2010

    Concentração no CAN, às 18hs, em Nazaré, seguindo em caminhada até o Ibama, na Av. Conselheiro Furtado, 1303, Batista Campos.

     

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