• 30/07/2010

    Demarcação das terras indígenas cobrada na Justiça

    “Somos um povo com muita força, espiritualidade e esperança, marcadas pela nossa experiência e sofrimento na busca incessante de nossas terras.

    Nós, povos Kaiowá e Guarani, somos mais de 40 mil pessoas no estado de Mato Grosso do Sul. Temos a segunda maior população indígena do Brasil e a pior situação de violência e falta de terra em todo país.

    Fomos expulsos de nossas terras e confinados em pequenas áreas. Destruíram nossas riquezas naturais, nossos rios e matas para dar lugar a soja, o gado, a cana e, agora, também o eucalipto. É inaceitável que um boi em Mato Grosso do Sul possua muito mais terra que um índio Kaiowá e Guarani. Os fazendeiros do agronegócio não se cansam de nos caluniar e de nos ameaçar por estarmos lutando pela demarcação de nossas terras sagradas”. (Carta da Aty Guasu de Kurusu Ambá – 28 de julho 2010)

     

     

    Dia bonito de sol aberto. Sob a tenda da plenária a benção dos deuses. Sob a mesa rústica os inúmeros “Koatiá”-documentos são abençoados e entregues às autoridades. Eles expressam montanhas de sofrimentos e esperanças. Sobre Kurusu Ambá abriga o aguerrido povo Kaiowá Guarani em mais uma Aty Guasu. Momento de solidariedade, força e união. A reivindicação maior está na carta das lideranças “nós nunca abandonaremos a luta por nossos territórios tradicionais”.

     

    Ministério Público cobra

     

    O procurador Dr. Tiago, do Ministério Público em Ponta Porã informa aos participantes da Aty Guasu as providencias que estão sendo tomadas. A mais importante é a cobrança judicial do Termo de Ajustamento de Conduta-TAC, assinado há  quase três anos, cujos prazos não estão sendo cumpridos. A identificação de 36 terras indígenas Kaiowá Guarani deveria estar concluído até 30 de junho do ano passado. Até hoje isso não ocorreu. Por isso está sendo cobrado judicialmente da FUNAI a multa de quase R$ 400.000,00 conforme previsto no TAC. O dinheiro será revertido para as comunidades indígenas, afirma o procurador Tiago. Além disso nessa mesma ação judicial, que ontem foi registrada na justiça federal de Dourados, o Ministério Publico Federal, estabelece um prazo de 60 dias para a FUNAI concluir o relatório de identificação das terras. Caso isso não aconteça o próprio Ministério Público acionará os antropólogos parra que concluam os trabalhos. “Esperamos que os termos dessa ação sejam amplamente divulgadas, pois é um absurdo a lentidão e descaso com que está sendo tratada a questão das terras indígenas no Mato Grosso do Sul. É uma afronta à Constituição.Que o governo cumpra sua obrigação. Os Guarani cobrem e pressionem  unidos e organizados o cumprimento desses prazos”, disso Dr. Tiago.

     

    Essa tem sido uma das comunicações mais importantes feitas na grande Assembléia. Porém outras informações importantes estavam sendo aguardadas, principalmente no que diz respeito aos processos envolvendo assassinados das lideranças indígenas. Com relação ao processo sobre o assassinato dos professores Guarani do Ypo’i, Genivaldo e Rolindo, disse que as comprovações dos violentos assassinatos já estão bem consistentes no inquérito, que deverá estar concluído dentre de 60 dias. Já quando à localização do corpo do Rolindo, mostrou-se o procurador um tanto pessimista “acho muito difícil encontrar o corpo que deve ter sido escondido, enterrado em algum lugar”. Porém não descartou a possibilidade de voltar à procura, caso surjam pistas concretas a esse respeito. Outras informações sobre andamento de inquéritos de lideranças indígenas  assassinadas foram prestadas. Com relação a Nhanderu Marangatu, cujo laudo pericial já foi concluído e entregue ao juiz, disse se uma questão de consciência e promessa de não sair de Ponta Porã sem ter se empenhado para que volte aos índios em breve, boa parte dos 9.300 hectares já demarcados e cujo de revalidação da homologação, aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal.

     

    Na carta da Aty Guasu de Kurusu Ambá, que aconteceu de 25 a 28 de julho, com muito debate, celebração, indignação e esperança, assim expressam as lideranças sua disposição de continuar a luta “Queremos nossas terras de volta, e vamos retomá-las, para que nossas matas voltem a crescer e nossos córregos voltem a correr e nossas crianças tenham futuro".

     

    O que não entendem, ou não querem entender, é que jamais vão conseguir nos calar ou fazer com que deixemos nossa luta pela retomada de nossas terras! É um caminho sem volta! Quanto mais nos agridem mais decididos ficamos pela reconquista definitiva de nossos territórios. E mais vamos avançar! Podem passar várias gerações e nosso povo continuará até a retomada de TODAS as nossas terras tradicionais!”.

     

     

    Egon Heck

    Povo Guarani Grande Povo

    Dourados, 29 de julho de 2010

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  • 30/07/2010

    Il Mondo che ci circonda nº 924

    Leaderes indigeni esigono dal governo brasiliano la votazione del Progetto di Legge della Conersione (PLV) 08/2010, che trasforma La Misura Provvisoria nº 483, in legge. Il PLV prevede la creazione della Segreteria Speciale della Sanitá Indigena (Sesai). Si prevede che la votazione sia realizzata martedí prossimo, 3 agosto, giorno nel quale 80 indios si troveranno alla capitale, Brasilia, per chiedere ai senatori che votino a favore del PLV.

     

    Il progetto é stato approvato, il sette luglio scorso, dalla Camera dei Deputati e ha alterato la struttura della Presidenza della Repubblica e creato 6 segreterie nel Ministero della Sanitá, cambiamento che permette la creazione del Sesai. Il PLV ritira il controllo dell’assistenza basica alla salute degli índios dalla Fondazione Nazionale della Sanitá (Funasa), bersaglio di costanti denunce di deviazione di fondi pubblici e corruzione e lo trasferisce direttamente al Ministero della Sanitá.

     

    Il PLV necessita dell’approvazione enntro il 4 de agosto, giorno nel quale spira il limite della MP 483. Con l’approvazione del Progetto di Legge, il Ministero della Sanitá potrá contrattare funzionari per un periodo determinato, dipendendo dalle emergenze che potranno sorgere nell’ambito della salute pubblica. La sfida, adesso, é definire le varie competenze della segreteria, la sua struttura organizzativa e l’esecuzione decentralizzata delle azioni.

      

    Per cui, il cammino che dev’essere ancora percorso perché sia effettivato il funzionamento della Segreteria della Sanitá Indigena nel Brasile, é lungo.

    É molto importante che i popoli indigeni ed i loro alleati si mantengano vigilanti, in modo che il governo possa garantire, assieme alla sua base di sostentazione nel Congresso Nazionale, l’approvazione e la conversione in legge della Misura Provvisoria.  

     

    Il movimento indigeno aspetta, con ansia, l’approvazione del PLV 08/2010. E, ancor di piú, lotta per la creazione della segreteria. "Non serve solo approvare il PLV, é necessário rendere operativa la segreteria e darle condizioni perché, poi, funzioni. Solamente attraverso una nuova struttura, fondi e corpo tecnico adeguato, l’assistenza alla salute delle popolazioni indigene sará efficace”, afferma il vice-presidente del Consiglio Indigenista Missionario (Cimi), Roberto Liebgot.

      

    Il Cimi appoggia l’organizzazione e le mobilizzazioni dei leaderes indigeni, in modo che la votazione del PLV sia mantenuta nell’genda del giorno 3 di agosto, nel Senato Federale. Allo stesso tempo, il Cimi si unisce al coro di tutta l’organizzazione indígena ed indigenista perché i senatori votino favorevolmente il texto, cosí com’é stato approvato ed innoltrato dalla Camera, altrimenti lo stesso PLV perderá la sua validitá.  

     

    Con l’bettivo di rafforzare le azioni a favore della creazione della Segreteria Speciale della Sanitá Indigena, il Cimi invita tutta la societá a spedire messaggi al presidente del Senato ed a tutti i senatori dei vari stati del Brasile, chiedendo l’approvazione del PLV, martedí prossimo. 

     

    Mobilizzazione 

     

    Davi Kopenawa, leader del popolo Yanomami, ha convocato tutti i leaderes indigeni del paese ad assumere azioni a favore dell’approvazione  del PLV: "Se noi, popoli indigeni non assumiamo questo impegno, noi ne saremo penalizzati. Quindi, é per questo che sto mandando questo messaggio a tutti voi, perché possiamo risvegliarci e, all’alba, ritrovarci a Brasilia. Il tempo é agli sgoccioli, la votazione avverrá il 3 de agosto. Prepariamoci per partire per Brasilia", ha dichiarato Kopenawa.

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  • 29/07/2010

    Informe nº 924: Lideranças indígenas cobram votação da MP 483 no Senado

    Lideranças indígenas cobram do governo brasileiro a votação do Projeto de Lei da Conversão (PLV) 08/2010, que transforma a Medida Provisória nº 483, em lei. O PLV prevê a criação da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai). A previsão é que a votação aconteça na próxima terça-feira (3), dia em que cerca de 80 indígenas estarão em Brasília para pedir aos senadores que votem favoravelmente ao PLV.

     

    O projeto foi aprovado no último dia 7 de julho na Câmara Federal e alterou a estrutura da Presidência da República, além de criar seis secretarias no Ministério da Saúde, o que permite a criação da Sesai. O PLV retira o controle do atendimento à saúde indígena da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), alvo constante de denúncias de desvio de recursos e corrupção, e o transfere para o Ministério da Saúde.

     

    O PLV precisa ser votado até o dia 4 de agosto, quando expira o prazo da MP 483. Com a aprovação do  projeto de lei  o MS terá a possibilidade de contratar funcionários por período determinado em caso de emergência na saúde pública. O desafio agora é definir as competências da secretaria, sua estrutura de organização e execução descentralizada, dentre outras questões.

      

    Portanto, há ainda um longo caminho a ser percorrido para uma segura efetivação da Secretaria de Saúde Indígena no Brasil. É de fundamental importância que os povos indígenas e seus aliados permaneçam vigilantes a fim de que o governo garanta, junto à sua base de sustentação no Congresso Nacional, a aprovação e conversão em lei da Medida Provisória.  

     

    O movimento indígena espera com grande expectativa  a aprovação do PLV 08/2010. Mais do que isso, luta pela criação, de fato, da secretaria. "Não adianta apenas aprovar o PLV, é preciso efetivar a secretaria e dar condições para que ela funcione. Somente com uma nova estrutura, recursos financeiros e corpo técnico adequado o atendimento à saúde da população indígena será eficaz", afirma o vice-presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Roberto Liebgot.

      

    O Cimi apóia as articulações e mobilizações das lideranças indígenas para que a votação do PLV seja mantida na pauta do dia 3 de agosto no Senado Federal. Ao mesmo tempo, junta-se ao coro de todo o movimento indígena e indigenista para que os senadores votem favoravelmente ao texto de acordo com o que foi aprovado e enviado pela Câmara, pois caso isso não ocorra, o mesmo perderá validade.   

     

    Com o objetivo de reforçar as ações a favor da criação da Secretaria Especial de Saúde Indígena, o Cimi convinda toda a sociedade a enviar mensagens para o presidente do Senado, José Sarney ([email protected]), e demais senadores nos estados pedindo a aprovação do PLV na próxima terça-feira. 

     

    Mobilização  

     

    Davi Kopenawa, liderança do povo Yanomami, convoca as lideranças indígenas de todo o país a se mobilizarem em torno do tema. "Se nós povos indígenas não fizermos isso, nós vamos perder. Então é por isso que eu estou mandando essa mensagem a vocês, pra gente acordar, levantar e amanhecer lá em Brasília. O tempo é curto, vai acontecer dia 3 de agosto. Prepara para partirmos para Brasília", declarou Kopenawa.

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  • 29/07/2010

    Acesse na íntegra o Relatório de Violência contra os Povos Indígenas no Brasil 2009

    Acesse na íntegra o Relatório de Violência contra os Povos Indígenas no Brasil 2009.

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  • 29/07/2010

    Acesse na íntegra o Relatório de Violência contra os Povos Indígenas no Brasil 2009

    Acesse na íntegra o Relatório de Violência contra os Povos Indígenas no Brasil 2009.

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  • 29/07/2010

    Para baixar o relatório de Violência contra os povos indígenas no Brasil 2009

    Para baixar o relatório, clique aqui:

    relatório de Violência contra os Povos Indígenas no Brazil – 2009

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  • 29/07/2010

    Artigo: Usinas hidrelétricas na Amazônia

    Usinas hidrelétricas na Amazônia

     

    Telma Monteiro[1]

     

    Violação dos direitos humanos


     

     

    O Brasil tem ignorado sistematicamente a convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que estabeleceu conceitos básicos de consulta e de participação dos povos indígenas. O direito inalienável de decidir sobre suas próprias prioridades de desenvolvimento na medida em que a implantação de hidrelétricas afeta suas vidas, crenças, instituições, valores espirituais e a própria terra que ocupam ou utilizam, tem sido violado.

     

    O governo brasileiro planeja mega-projetos hidrelétricos nas porções da Amazônia brasileira, boliviana e peruana. Primeiro, estão previstos seis empreendimentos no Peru. Na verdade a proposta é construir 15 hidrelétricas na Cordilheira dos Andes. O tratado sobre a exploração da hidroenergia na Amazônia peruana foi assinado em Manaus, pelos presidentes Lula e Alan Garcia.

     

    No Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2 está prevista a construção de 10 hidrelétricas[2] batizadas eufemisticamente de “usinas plataforma” e outras 44 à “moda antiga”, totalizando R$    116 bilhões de investimentos. Antes do Peru, a biodiversidade do Estado do Pará será a grande vítima, pois é lá que se pretende construir sete dessas “usinas plataforma”. 

     

    Como forma de facilitar a implantação desse descalabro a Agência Nacional de Águas (ANA), dá a sua contribuição. Quer emplacar um novo modelo de aproveitamento elétrico para os rios da Amazônia.  Nesse novo modelo, num único leilão, o consórcio vencedor arremataria todos os aproveitamentos de uma bacia hidrográfica ou uma verdadeira “baciada” de hidrelétricas. Tudo em nome da celeridade do processo de licenciamento ambiental.

     

    Para que se tenha idéia da determinação do governo em construir hidrelétricas, recentemente o  Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu que parte dos empréstimos ampliados da linha de crédito do BNDES seja usada na compra de equipamentos para hidrelétricas. Esse “benefício” pretende agilizar as obras em andamento no rio Madeira e viabilizar Belo Monte e o Complexo do Tapajós.

     

    Essa espécie de “vale tudo” para justificar um crescimento econômico perverso, tem foco especial no setor elétrico e, por tabela, beneficia a construção pesada e os caixas das grandes empreiteiras. Aquelas, as mesmas, como a Odebrecht, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez, presentes em todos os grandes projetos nos rios brasileiros e que também são coadjuvantes no acordo energético com o Peru.

     

    Redução da espera por licenças ambientais e análise integrada do chamado potencial das bacias hidrográficas tem como principal foco a redução do custo das obras. Esse é, também, o objetivo da facilitação de drenagem do dinheiro público com juros subsidiados para as construtoras.

     

    O efeito dominó que pode decorrer dessas agressões planejadas para a Amazônia não tem precedentes. A triste, embora recente, história da construção das usinas do Madeira nos dá a dimensão.  Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, em Rondônia, têm sido palco de ocorrências de desrespeito à legislação trabalhista – denúncias de trabalho análogo ao escravo; impactos ambientais em terras indígenas;  transgressões dos direitos das comunidades tradicionais que estão sendo reassentadas; colapso dos equipamentos públicos que deveriam atender à população urbana e rural de Porto Velho. 

     

    Hoje estamos assistindo a uma verdadeira hecatombe social e ambiental que se propaga em ondas de destruição. O rio Madeira é o Xingu amanhã e o Tapajós depois de amanhã.

     

    Planos Decenais de Expansão de Energia

     

    As eleições estão aí. As usinas do Madeira e o projeto de Belo Monte são transformados em vedetes do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) 1 e 2. Esse governo quer emplacar mais oito anos, no mínimo.

     

    A concepção e a coordenação do planejamento energético no Brasil são de responsabilidade do Ministério de Minas e Energia (MME) que elabora o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDEE). O PDEE 2010/2019 tem mais de 800 páginas que prevêem um dispêndio de cerca de um trilhão de Reais.

     

    Na definição de um cenário de referência, o governo partiu de premissas mirabolantes de consumo em um exercício de futurologia. É um verdadeiro festival de variáveis que evidenciam uma relação anódina entre a expansão da demanda e a expansão da oferta.

     

    O ano passado o Ministério Público Federal (MPF) fez recomendações ao governo sobre o PDEE 2008/2009. A Coordenadora da 4ª Câmara de Revisão – Meio Ambiente e Patrimônio Natural, Sandra Cureau e a Coordenadora da 6ª Câmara de Revisão – Índios e Minorias, Deborah Duprat, atendeu às diversas manifestações de ONGs e movimentos sociais, e entendeu a necessidade de fazer Audiência Pública de discussão do conteúdo do PDEE.

     

    A história se repete neste novo PDEE. O documento que está disponível para consulta pública no site da EPE também é macarrônico, repetitivo e autoritário. As contribuições para a elaboração vieram novamente apenas das empresas interessadas do setor e desconsiderou o restante da sociedade.

     

    Persistem as incertezas e as dúvidas sobre a real necessidade de gerar energia na Amazônia para suprir a demanda criada e induzida pelos planos do governo federal.  É patente o trato insipiente e a falta de incentivos para explorar outras fontes alternativas de geração. Sem contar que mega-usinas requerem complexos sistemas de transmissão para levar a energia gerada de norte para sul, de oeste para leste sem considerar a possibilidade de geração sustentável local e regional.

     

    Continua a falácia do governo para endeusar a hidroeletricidade transformado-a em salvadora do risco do apagão.  O Presidente da EPE, Mauricio Tolmasquim, mostra índices crescentes de demanda, mas desconsidera incríveis 20% de perdas de energia que ocorrem no sistema de transmissão. 

     

    As organizações da sociedade civil têm chamado a atenção para a falta de abrangência ambiental característica dos sucessivos planos decenais de expansão de energia elétrica. A variável ambiental, quando apresentada, é míope e expõe o planejamento que não incorpora os custos ambientais aos custos de geração. Recentemente o Tribunal de Contas da União (TCU) analisou o processo de licitação de Belo Monte e apontou a falta de detalhamento nas contas dos estudos de viabilidade econômica. 

     

    A política energética brasileira, já se sabe, continua tendo uma visão ofertista. Os programas não discutem o destino da energia dentro de um plano nacional de desenvolvimento sustentável. A economia é refém de setores que consomem muita energia. Os danos ambientais são irreversíveis e não são mitigáveis. Teremos que assimilar esse ônus por muitas gerações.   

     



    [1] Coordenadora de Energia e Infra-estrutura para a Amazônia, Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, Porto Velho, RO

    As hidrelétricas são empreendimentos que perpetuam os impactos ambientais e sociais que jamais serão mitigados. Gerar energia elétrica com grandes hidrelétricas tem sido ao longo da história uma forma de expropriação e privatização dos rios e de sua biodiversidade. No preço que se paga pela energia gerada com hidroeletricidade não estão computados os custos ambientais e sociais. 

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  • 29/07/2010

    “Garimpeiros são doentes, parecem cupim”

    Diversas denúncias foram realizadas este ano contra a ação de garimpeiros na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. As denúncias foram encaminhadas pela comunidade e pela Hutukara Associação Yanomami (HAY) e protocoladas na Fundação Nacional do Índio (Funai) e em orgãos federais, no entanto, nenhuma medida foi tomada pelo governo para retirar os invasores e barrar a ação de retirada de ouro e outros recursos naturais da reserva.

     

    A atividade garimpeira aumentou muito nos últimos três anos. Atualmente, existem cerca de três mil garimpeiros, que estão nas comunidades Katrimani I, Hakoma, Maloka Papiú, Kaianaú e Parafuri. “Garimpeiros são doentes, parecem cupim. Foram expulsos e depois de dois, três meses voltaram de novo e estão no coração da nossa terra”, informa Davi Kopenawa Yanomami, presidente da HAY.

     

    “Já falamos com Lula, com a Funai e com diversos orgãos do governo. Em setembro Lula nos prometeu retirar os garimpeiros, mas nada fizeram até agora. O Exército veio para proteger nossas fronteiras, mas não o fazem. Eles apenas ocupam nossa terra e os bens naturais que temos”, declarou Kopenawa. De acordo com a liderança, a Polícia Federal disse que está estudando como vai entrar e retirar os garimpeiros porque a terra é muito grande.

     

    Os jovens da comunidade têm se arriscado, se aproximando dos garimpos para registrar as atividades ilegais em suas terras. Em carta divulgada em março deste ano, a Hutukara afirma que os garimpeiros estão roubando nas roças da região, poluindo rios e ameaçando os indígenas. “Eles atiraram com espingarda em um grupo que se aproximou deles na comunidade de Hoyamou e mataram um indígena Ye’kuana. Mesmo assim, nada foi feito”.

     

    Várias pistas clandestinas podem ser vistas durante um sobrevôo a terra Yanomami. Os garimpeiros têm equipamentos e veículos que transportam o que recolhem da área, inclusive um avião. “Nós Yanomami estamos revoltados com a ousadia dos garimpeiros e isto nos lembra a época dos anos 80 quando muitos de nos morreram por causa do garimpo”, afirmam.

     

    Precisamos que as autoridades façam uma operação grande e bem organizada para retirar os garimpeiros que estão dentro da nossa terra e para impedir que eles voltem. Apenas retirar eles não resolve, eles sempre voltam.   A Hutukara reivindica que, além de operações de desintrusão in loco, sejam realizadas ações efetivas para desestruturar as raízes econômicas do garimpo nas áreas urbanas de Roraima – transporte, comércio e investimentos.

     

    Descoberta das ativades garimpeiras

     

    A exploração garimpeira na TI Yanomami começou na década de 1970 com a implantação dos projetos de desenvolvimento lançados pelos governos militares da época. Com a construção da estrada Perimetral Norte (1973-1976), o sudeste da terra indígena foi invadido, o que possibilitou a descoberta de importantes jazidas minerais.

     

    Kopenawa disse que os garimpos na terra Yanomami foram descobertos durante uma caminhada que fazia na área com agentes da própria Funai e da Polícia Federal. “Em 1970, cerca de 50 homens entraram na nossa terra, de avião, e começaram o garimpo. O povo não sabia o que eles queriam e somente mais tarde descobri que retiravam ouro e pedras preciosas da área”.

     

    A descoberta de tais riquezas naturais desencandeou um movimento de invasão garimpeira na região. Situação que foi agravada em no final de 1980 e tomou forma de uma verdadeira corrida do ouro. Estima-se que entre 1987 e 1990, existiam cerca de 40 mil garimpeiros na terra indígena. Embora o número de invasores tenha diminuído, hoje são cerca de três mil, os problemas decorrentes da invasão desenfreada continuam.  

     

    Desde a descoberta dos primeiros garimpos, afirma o presidente da Hutukara, ele vem pensando em como ajudar seu povo. Ele reconhece que o trabalho é difícil, pois a terra é muito grande, o que dificulta a fiscalização e a retirada dos garimpeiros, que contam ainda com a ajuda de pessoas influentes e com grande poder aquisitivo.

     

    “O político abre estradas, arrancando árvores e raspando a pele da terra, dizendo que nos fazem um bem, mas foi assim, que nos trouxeram também as doenças e todo tipo de problemas, como a violência. Matam nosso povo para trabalharem tranquilos, sem índios, e ganharem dinheiro”, disse Kopenawa.

     

    Em 1991, os Yanomami, com a ajuda de entidades e organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) conseguiram expulsar cerca de 30 mil garimpeiros da região. Três meses após a retirada, o grupo voltou e foi novamente expulso pela PF. Desde então, a comunidade vive insegura com o aumento de invasores na área.

     

    “Minha luta é essa: falar com as autoridades para ajudar meu povo. Vivo junto e se preciso for derramo meu sangue pelo meu povo”, afirma o presidente. Os Yanomami querem a ajuda e o apoio de entidades indigenistas para denunciar e cobrar providências do governo federal para a retirada dos garimpeiros de suas terras.

     

    TI Yanomami

     

    A Terra Indígena Yanomami cobre 96.650 km2 de floresta tropical. A região, que faz fronteira com a Venezuela, tem alta relevância em termo de proteção da biodiversidade amazônica. Ela foi demarcada em 1991 e homologada pelo então presidente da República, Fernando Collor de Melo, em 1992.

     

    Na região, onde atualmente vivem cerca de 16 mil indígenas, haviam fazendeiros que deveriam ter desocupado a terra declarada de ocupação tradicional indígena quando da sua homologação. A Funai fez levantamento fundiário e indenizou a maior parte deles. Porém, um pequeno número se recusou a sair e recorreu a ações judiciais, perdendo em todas as instâncias.

     

    O Tribunal Regional Federal, em 2004, reconheceu que essas terras são mesmo dos Yanomami e setenciou que os fazendeiros devem sair da área. Dezoito anos, desde a homologação, se passaram e a situação permanece a mesma. “Queremos que a Funai faça um trabalho eficiente e providencie a desintrusão da nossa terra. Esse escândalo se perpetua por quase duas décadas e nós não queremos mais esperar”, declaram.

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  • 28/07/2010

    Ocupação da usina Dardanelos: grito aos surdos

    Para entendermos o que levou um grupo de indígenas de onze povos a ocupar as instalações da UHE Dardanelos, município de Aripuanã (MT) é necessário um olhar sobre o processo que culminou na efetivação da obra após vários questionamentos, inclusive dos ministérios Público Estadual e Federal através de ações julgadas em tempo recorde que favoreceram os grupos ditos empreendedores.

     

    Então vejamos: em agosto de 2003, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) atribui a então Fundação Estadual de Meio Ambiente (Fema) a responsabilidade de elaborar o licenciamento da hidrelétrica. Em dezembro do mesmo ano a Fema emite o termo de referência para os estudos ambientais. Em abril de 2004 os grupos Odebrecht e Eletronorte firmam a parceria e este consórcio entrega em dezembro o Estudo e Relatório de Impacto Ambiental, EIA/RIMA. A mesma Fema convoca para o dia 20 de maio de 2005 uma audiência pública que é cancelada por uma ação do Ministério Público Federal em que se questiona a competência da Fema e Ibama de licenciar a obra.

     

    Uma informação importante sobre a Fema, hoje extinta, é que o órgão estadual foi seriamente abalado quando seu então presidente foi preso na conhecida Operação Curupira, desencadeada pela Polícia Federal, que investigou a emissão de falsos licenciamentos para ‘legalizar’ madeiras. Alguns funcionários do Ibama também estavam envolvidos e foram igualmente presos. A relação promiscua, portanto, não se restringia aos licenciamentos para a construção de hidrelétricas. Bem se faz lembrar que a frente do governo estadual estava Blairo Maggi, motosserra de ouro ‘convertido’ ao neoambientalismo verde e que além do agronegócio se envereda pelo mercado de geração de energia.

     

    Extinta a Fema, foi criada a Sema, Secretaria Estadual de Meio Ambiente. Esta secretaria em agosto de 2005 convoca nova audiência pública sobre Dardanelos. O Ministério Público Estadual entra com uma ação para o cancelamento da mesma, questionando o estudo realizado e apontando falhas na divulgação da audiência. Com o indeferimento da ação a audiência se realiza. O Ministério Público Estadual entra com outra ação pedindo a invalidação da audiência e questionando o EIA/RIMA. É concedida uma liminar e a Sema paralisa a análise técnica que estava realizando para conceder a licença prévia. Com a rapidez esperada por muitos em processos que adormecem há anos, a liminar é derrubada em outubro e já em 7 de dezembro a Sema concede a licença prévia. Através de ação conjunta, os ministério Público Estadual e Federal pedem o cancelamento do leilão previsto e, mais uma vez, questionam o EIA/RIMA, além de apontarem para a precariedade do processo de licenciamento prévio. Dardanelos não foi a leilão naquele momento, mas a Sema prosseguiu seu trabalho para “equacionar” os condicionantes da licença prévia e a Assembléia Legislativa de Mato Grosso, desconsiderando as ações e todos os questionamentos à obra, aprovou o licenciamento concedido pela secretaria.

     

    Estes fatos já seriam suficientes para comprovar o quanto Dardanelos está sendo efetivada ‘a toque de caixa’ das empresas em conjunto com o governo estadual, que sobre todos os direitos querem, a todo custo, impor sua vontade; mas não finda aí. Além da pendente ação impetrada pelo Ministério Público Federal outras questões foram escanteadas.

     

    O povo Arara do Rio Branco, que comprovadamente habita há séculos a região e que conseguiu, após muitos anos, demarcar seu território em Aripuanã vem freqüentemente questionando a construção desta hidrelétrica sobre um lugar que lhes é sagrado. Nesta região, que ficou fora da demarcação, localizava-se um antigo cemitério do povo que foi literalmente sendo implodido no processo de construção. A empresa construtora se negou a dar acesso aos indígenas para que tivessem mais informações sobre este local, embora os documentos e questionamentos feitos por estes. Independente dos fatores determinantes para que este lugar tenha ficado fora da demarcação, o fato é que ele é sagrado para os indígenas, significado que a racionalidade economicista dos ditos empreendedores não alcança, pois não considera outra coisa senão a possibilidade de lucros.

     

    Com o desvio do rio para abastecer a geração de energia, saltos como a Cachoeira das Andorinhas e um longo trecho do rio ficará praticamente seco. Os Arara ficarão sem um de seus lugares de referência e outros povos também serão afetados, já que, com toda a tecnologia, ainda não é possível enviar a energia produzida por e-mail, assim, por onde passará as linhas de transmissão que levarão esta energia para outras regiões? Estes impactos não foram levantados no EIA/RIMA. Outro fato de extrema importância é que, nas projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) nas bacias do rio Juruena e do rio Aripuanã estão previstas, contando com as já instaladas, mais de cinqüenta unidades geradoras de energia, entre as chamadas pequenas centrais hidrelétricas e outras maiores como Dardanelos. Assim, embora no momento se foque esta hidrelétrica, outras tantas integradas deverão impactar povos indígenas e outras comunidades, de forma ainda não estudada ou realmente prevista.

     

    Como verdadeiros predadores sobre a natureza transformada em mercadoria-energia, os ditos empreendedores se lançam sobre os rios onde só enxergam os ‘potenciais energéticos’. Belo Monte, Tapajós, Jirau, Santo Antônio, Dardanelos, Faxinal, Maggi I ou as inúmeras PCHs, não importa o nome. O importante para este seguimento emergente na exploração dos recursos naturais é como transformar, a partir de recursos públicos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), água em energia elétrica, esta em mercadoria e, por fim, em riqueza apropriada por alguns. Os povos indígenas, ribeirinhos, trabalhadores e a natureza são apenas algumas peças na imensa engrenagem que são, quando necessário, descartadas.

     

    As empresas, muitas vezes criadas em consórcio com outras, como acontece com a Águas de Pedra, são o exemplo de como a geração de energia é um ótimo negócio atraindo investidores de várias partes do mundo, como acontece com a espanhola Iberdrola, acionista da Neoenergia, que detém 51% da Águas de Pedra. A Iberdrola obteve em 2009 um lucro líquido de nada menos que 2,9 bilhões de euros. As outras empresas que formam o grupo são a Eletrobrás e a Chesf, que juntas detém 49% da Águas de Pedra – 24,5% cada uma. Em outras palavras, os interesses são muitos sobre este mercado.

     

    Quando povos indígenas se juntam, portanto, além do exemplo de solidariedade que dão ao se unirem aos ‘parentes’ com os quais outrora tiveram conflitos, configuram uma das mais belas lições de resistência ao modelo de desenvolvimento que só tem favorecido a acumulação do capital por alguns grupos enquanto aos demais seguimentos sobram as migalhas das pseudo compensações.  Este capítulo da história, aliás, é um dos mais terríveis, pois enquanto os povos indígenas diziam não aos empreendimentos, as empresas, por vezes acompanhadas por funcionários do órgão indigenista federal, só argumentavam a partir das ditas compensações. Talvez continuem com a mesma estratégia, chamando grupos indígenas para reuniões em hotéis nas cidades, como fizeram recentemente em Primavera do Leste, não esclarecendo os reais prejuízos que os povos e comunidades terão e ‘pagando’, com recursos públicos, o impagável.

     

    Em outros momentos poderão oferecer o que já é de direito, como assistência à saúde, educação, melhorias em escolas, estradas ou outras ações que são de competência e obrigação do poder público. Como grupos privados podem ‘compensar’ os danos causados por seus atos com ações do Estado? Sabe-se que a saúde, a educação e outros direitos dos povos indígenas estão longe de serem efetivamente respeitados. Contudo, cabe ao poder público respeitar as leis que já vigoram efetivando estes direitos.

     

    Permanece, inclusive nos meios de comunicação, a divulgação de parte da história pintando uma imagem distorcida em que os indígenas só aparecem como um grupo que está atrás de dinheiro enquanto o principal não se enxerga ou se faz questão de não ver.

     

    Somamos nossa voz ao grito dos povos indígenas e com eles gritaremos “até que as pedras erguidas em muros de falsas notícias desmoronem e surja, brilhante e límpida, a verdade nua e clara como as águas dos rios não cativos”.

     

    Gilberto Vieira dos Santos

    Cimi Regional Mato Grosso

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  • 28/07/2010

    7ª edição do Acampamento Terra Livre será em Mato Grosso do Sul

    A edição deste ano do Acampamento Terra Livre (ATL), principal assembléia e instância máxima de decisão do Movimento Indígena Brasileiro, será realizada entre os dias 16 e 20 de agosto. O evento, que anualmente reúne mais de mil lideranças indígenas, representando os mais de 230 povos de todo o Brasil e que tem como cenário tradicional a Esplanada dos Ministérios em Brasília, desta vez acontece em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.


    O objetivo da mudança é mobilizar a sociedade, os meios de comunicação, nacionais e internacionais, e o governo para a situação crítica enfrentada pelos indígenas sul mato-grossenses, principais vítimas do conflito fundiário na região. Desde o início das demarcações de terras, as comunidades indígenas vivem em constante terror, ameaçadas e perseguidas pelos funcionários dos grandes proprietários rurais. De acordo com relatório do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), divulgado recentemente, mais da metade dos assassinatos de indígenas no ano passado ocorreram em MS.


    O governo do estado, aliado aos grandes proprietários de terras, assumiu uma postura totalmente anti-indígena, o que tem dificultado ainda mais o trabalho demarcação. Situação semelhante é enfrentada pelos povos indígenas do Nordeste, em especial os Tupinambá, no sul da Bahia, o que também merecerá atenção especial no encontro.


    Além da discussão dos principais temas relacionados à questão indígena, o ATL 2010 fará uma avaliação das demandas e resultados das edições anteriores destacando conquistas, avanços e reivindicações não atendidas pelo Estado brasileiro. A idéia é formular a partir das experiências, realidades e contribuições dos distintos povos e organizações indígenas representados no acampamento, reivindicações e propostas comuns para uma nova política indigenista do Estado Brasileiro, marcada pelo respeito total aos direitos fundamentais e originários dos povos indígenas.


    As propostas dos Povos Indígenas para a construção desta política serão apresentadas aos candidatos à Presidência da República em um “Programa dos Povos Indígenas para os Presidenciáveis”, que será incorporado ao documento final do acampamento. Na pauta do ATL constam temas como o Estatuto dos Povos Indígenas, a Secretaria Especial de Saúde Indígena, reestruturação da FUNAI, demarcação de terras, criminalização de lideranças, impactos do PAC e de grandes empreendimentos em Terras Indígenas (Transposição do Rio São Francisco, Hidrelétrica de Belo Monte, etc.) e Política Nacional de Gestão Ambiental em Terras Indígenas (PNGATI), entre outros.


    Mobilização contra Belo Monte

    Antecedendo as ações do ATL 2010, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), promoverá na região de Altamira/PA, de 9 a 12 de agosto, uma grande mobilização contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte, principal obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que ameaça a vida dos povos indígenas da Bacia do Rio Xingu.


    O Acampamento Terra Livre é realizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) em parceria com o Fórum de Defesa dos Direitos Indígenas (FDDI).

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