• 13/08/2010

    Fórum Social das Américas: um fórum originário

    Eles estão aí com suas múltiplas cores, línguas, artes, vestimentas, mostrando a bela diversidade do continente americano, Abya Yala. Os povos indígenas originários estão dando um tom todo especial ao Fórum Social das Américas. E o estão fazendo não mais com o assento na denúncia da dominação e massacre secular do projeto colonizador, mas a partir das propostas de vida emergidas de sua sabedoria milenar, de suas raízes profundas, de seus projetos de vida. Da resistência, das sementes lançadas nas brechas dos muros do sistema colonial, capitalista, neoliberal, nasce uma nova matriz civilizatória, o bem viver.

     

    Num momento de profunda crise planetária, política, econômica, social e ambiental, a América Latina é o solo fecundo, de onde emerge e se gesta uma verdadeira revolução, uma nova matriz civilizatória vai sendo construída. Conforme diz Irene Leon “Isto é patente tanto nos enfoques de refundação sustentados em torno do Sumak Kawsay (Bem Viver) Suma Qamaña (Viver Bem), Ñandereko (Vida harmoniosa), como aqueles que se fazem em torno ao Socialismo Comunitário e do Século 21.” (Alai, julho 2010)

     

    O Bem Viver como Boa Notícia

     

    Nesta verdadeira primavera latino-americana, no coração do continente – o Paraguai – se houve o grito plural de uma nova América. Abya Yala, não só possível, necessária e urgente, mas em construção, em caminho, aflorando das raízes indígenas originárias, afrodescendentes e campesinas deste continente. Recolhe, como as águas da resistência, das milhares de vidas ceifadas, dos heróis e mártires da justiça, dos ideários e testemunhos revolucionários, que passam por Marti, Che Guevara, Sepé Tiaraju e milhões de lutadores e guerreiros da justiça, da igualdade e da vida solidária e fraterna no continente latino-americano.

     

    O Bem Viver, é mais do que uma inspiração, um novo paradigma de vida e sociedade. É uma raiz milenar e plural que torna as experiências históricas dos povos deste continente, suas cosmovisões, suas relações com a Pacha Mama(mãe terra), suas diversidades e a centralidade da vida, como base e inspiração para desconstruir o projeto colonial e atual modelo neoliberal, e construir novos projetos de sociedade, no inicio deste século XXI.

     

    Nos vários espaços desse IV Fórum Social das Américas, pode-se sentir o pulsar forte do coração do continente em busca dos novos caminhos que vão sendo feitos, caminhando, debatendo, somando, sonhando, partilhando e construindo. A caminhada de abertura, por mais de três horas, pelas ruas de Assunción, simbolizou a determinação e necessidade de avançar na construção de redes dos movimentos sociais do continente, que sustentem e impulsionem a árdua luta contra o sistema necrófilo que celeremente destrói o planeta Terra e ameaça a sobrevivência da vida mesma dessa nossa casa comum. O caminho poderá ser duro, sofrido e longo, mas é urgente, desafia e convoca todos os povos para se unirem em torno desse grande mutirão da vida e nova civilização.

     

    Os processos de mudanças no continente latino-americano são molas propulsoras da esperança. Não são apenas sonhos, mas são propostas sendo construídas, em meio a inúmeras contradições, avanços e recuos, mas com a firme determinação de enfrentar toda forma de imperialismo e dominação. E sentimos nesse pulsar o néctar do Bem Viver, como bem o define Rene Ramirez “um conceito complexo, não linear, historicamente construído e em constante resignificação…identifica como finalidades: a satisfação das necessidades, a conquista de uma qualidade de vida e morte digna, o amar e ser amado/a, o florescimento da saúde para todos e todas, em paz e harmonia com a natureza, e a prolongação indefinida de culturas, … o tempo livre para a contemplação e a emancipação, e que as liberdades e oportunidades, capacidades e potencialidades se ampliem e floresçam.” (Alai, julho 2010)

     

    Um Fórum em Guarani

     

    Os grandes anúncios do Fórum são também feitos em Guarani, uma das línguas oficiais do país anfitrião – ñane Amerika tee oñemongu’ehína! – nossa América está no caminho!

     

    Porém, os povos Guarani presentes em cinco países deste continente, esperam que esse Fórum também seja um momento importante para ser não apenas conhecido seu idioma, sistema de vida e rica cultura, mas principalmente que haja um posicionamento quanto à urgente devolução de seus territórios tradicionais, condição indispensável para continuarem vivendo enquanto povos e contribuíram e continuarão contribuindo para a construção dessa nova América possível, necessária e urgente. Em vários momentos estarão sendo debatidas e apresentadas estas realidades do povo Guarani. Haverá uma palestra e debate sobre o Bem Viver do povo Guarani, apresentação e debate sobre o mapa Guarani Reta, debate sobre os impactos das grandes obras sobre esses povos, especialmente a construção de Itaipu, que inundou o território de 34 comunidades Guarani e até hoje não lhes restituiu as terras.

     

    Ainda assim, nesses dias o povo Guarani no Paraguai teve uma pequena, mas significativa vitória. A comunidade de Cerro Puytã, depois de ficar acampada, com mais de cem pessoas numa das praças centrais da capital, teve finalmente conquistado o título de parte de sua terra. Os 2.350 hectares significam uma possibilidade de sobrevivência com mais dignidade para esta comunidade Guarani.

     

    Egon Heck

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  • 12/08/2010

    Final Letter of the Mobilization “In Defense of the Xingu: Against Belo Monte!”

    Final Letter of the Mobilization “In Defense of the Xingu: Against Belo Monte!”

     

     

    We, indigenous peoples Juruna, Xipaya, Arara of the Volta Grande, Kuruaia and Xicrin of the region of Altamira, Guajajara, Gavião, Krikati, Awa Guajá, Kayapo of Mato Grosso and Pará, Tembé, Aikeora, Suruí, Xavante, Karintiana, Puruborá, Kassupá, Wajãpi, Karajá, Apurinã, Makuxi, Nawa of Acre, Mura from Amazonas, Tupaiu, Borari, Tapuia, Arapiuns, Pataxó, Tupiniquim, Javaé, Kaingang, Xucuru, Marubu, Maiuruna and Mundukuru from the states of Amazonas and Pará and from the other states of the Amazon region and Brazil, farmers and riverine peoples and inhabitants of the towns of Itaituba, the Tapajós region, Trairão, Medicilândia, Uruará, Placa, Rurópolis, Gurupá, Altamira, inhabitants of the villages of Cobra-Choca (km45 sul), KM 27 south, Paratizão (km 23 south), Assurini and of the communities of Arroz Cru, Saint Luzia and São pedro, representatives of the indigenous organizations and of the COIAB, APIB, APOINME, ARPIMSUL, MAB, Via Campesina, the Movimento Xingu Vivo para Sempre, pastoral organisations and NGOs, all gathered at the Acampamento Terra Livre Amazônico (Amazonian Free Land Camp), at Altamira, state of Pará, from August 9 to 12 of 2010, to fight for life, for culture, biodiversity and for the forest and to discuss the impacts of major government projects in the region, especially the hydroelectric power plant of Belo Monte, came to the public to affirm, denounce and to take on:

     

    1. We manifest ourselves in favor of the preservation of the Xingu river and all rivers of Brazil, especially those that pass through Indigenous lands.

     

    2. We manifest ourselves in the strongest of terms against the construction of the hydroelectric plant of Belo Monte, on the Xingu river and other enterprises that attack and damage our communities and destroy the environment, for example: the hydro electrics of Jirau and Santo Antônio in the Madeira river, the Santa Izabel hydroelectric on the Araguaia River, Culuene river, the Estreito hydroelctric, the Transposition of the São Francisco river, Ribeirão Tabajara, the asphalting of the high ways BR317, BR163, BR156, BR319, BR429 and BR421, Urucu-Porto Velho, among others.

     

    3. The Growth Acceleration Program (PAC) of the Federal government plans to implement 426 projects that incur on indigenous lands, threatening to wipe out indigenous peoples living in isolation. For the Amazon over 300 new hydro electrics are being planned. A true madness for those who live in the Amazon having land and water as a safeguard of life for present and future generations.

     

    4. Still alive in our memory are the destruction and death caused by major projects implemented by authoritarian governments of the military dictatorship as the construction of the Trans (BR 230), the BR 174, 364 and 163, as well as the Tucurui and Balbina hydro electrics. Indigenous peoples and traditional communities were hit hard. Indigenous peoples like the Arara, Parakanã, Waimiri Atroari reached the brink of extinction.

     

    5. The model of economic development for the benefit of a few still remains the same, as well as the authoritarian implementation of large projects. Belo Monte is a clear example. The environmental impact studies were done to justify this project and not to measure the actual social and environmental impacts. Indigenous peoples and traditional communities that would be affected were not properly heard as determined by the Federal Constitution, the ILO Convention 169 and the UN Declaration on Indigenous Peoples, nor were the scientists who warn of the serious systematic failures of the project.

     

    6. Part of the perverse strategy of this type of development are disinformation, lies, disrespect for the law, the criminalization of indigenous and popular leaders, as well as actions of seduction and promises made to communities.

     

    7. Indigenous peoples in the struggle for their land rights are wrongly accused of being violent, obstacles to the development and of being manipulated by NGOs, in order to confuse people about what really happens in the Amazon.

     

    8. We reflected during the four days of the Acampamento Terra Livre amazônica on strategies to combat Belo Monte and other large enterprises.

     

    9. We want to alert everyone that the Amazon will be irreversibly damaged should the madness of over-exploitation of its natural resources continue. This way, the commitments made by Brazil in international treaties on climate, will not be fulfilled.

     

    10. We collectively assume the commitment to strengthen the alliance of the indigenous peoples, riverine and other communities of the Amazon in the fight to ensure the integrity of its territorial space and to build the future of the region based on their experiences of life.

     

    11. We call on everyone to the common and articulated and organized confrontation against the Belo Monte and other undertakings planned against the Amazon.

     

    12. We request the support of the countryside and city societies, for the life of the Amazon is at risk.

     

     

    City of Altamira, state of Pará, Brazil, 12th of August 2010

     

     

    "Every time we come together we strengthen our movement. We should not fear the police, the farmer, or anyone who’s threatening nature. Nature is life, she had sustained us until today, so we have to defend her as the father and mother that gives us life."

     

    Kayapo Chief Raoni Kayapó

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  • 12/08/2010

    Carta Final da Mobilização em Defesa do Xingu: Contra Belo Monte

    Nós, povos indígenas Juruna, Xipaya, Arara da Volta Grande, Kuruaia e Xicrin da região de Altamira, Guajajara, Gavião, Krikati, Awa Guajá, Kayapó do MT e PA, Tembé, Aikeora, Suruí, Xavante, Karintiana, Puruborá, Kassupá, Wajapi, Karajá, Apurinã, Makuxi, Nawa AC, Mura do AM, Tupaiu, Borari, Tapuia, Arapiuns, Pataxó, Tupiniquim, Javaé, Kaingang, Xucuru, Marubu, Maiuruna, Mundukuru do AM e do PA e dos demais estados da Amazônia e do Brasil, agricultores, ribeirinhos e moradores das cidades de Itaituba, região do Tapajós, Trairão, Medicilândia, Uruará, Placas, Rurópolis, Gurupá, Altamira, dos travessões do Cobra-Choca (km45 sul), km 27 sul, Paratizão (km23 sul), Assurini e das comunidades do Arroz Cru, Santa Luzia e São Pedro, representantes de organizações indígenas e da COIAB, da APIB, APOINME, ARPIMSUL, do MAB, da Via Campesina, do MXVPS, de pastorais e ONGs, reunidos no Acampamento terra Livre Amazônico, em Altamira/PA, nos dias 9 a 12 de agosto de 2010, para lutar pela vida, pela cultura e biodiversidade da floresta e discutir os impactos dos grandes projetos na região, especialmente a Usina de Belo Monte, viemos a público para afirmar, denunciar e assumir:

    1.      Manifestamo-nos a favor da preservação do Rio Xingu e todos os rios do Brasil, principalmente os que passam por terras indígenas.

    2.      Manifestamo-nos com toda a veemência contra a construção da Usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu e outros empreendimentos que agridem a vida de nossas comunidades e destroem o meio ambiente, como por exemplo: Jirau e Santo Antônio no rio Madeira, Santa Izabel no rio Araguaia, rio Culuene, Estreito, Transposição do São Francisco, Ribeirão Tabajara, asfaltamento das BR 317, 163, 156, 319, 429 e 421, gasoduto Urucu-Porto Velho, entre outros.

    3.      O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) prevê 426 empreendimentos que incidem em terras indígenas, ameaçando de extinção povos indígenas isolados. Para a Amazônia estão sendo projetadas mais de 300 novas hidrelétricas. Uma verdadeira loucura para quem mora na Amazônia e tem a terra e a água como segurança de vida para as atuais e futuras gerações.

    4.      Continua vivo na nossa memória a destruição e a morte, provocada pelos grandes projetos implantados de forma autoritária pelos governos da ditadura militar como a construção da Transamazônica (BR 230), as BRs 174, 364 163, e as UHE de Tucuruí e Balbina. Povos indígenas e comunidades tradicionais foram duramente golpeados. Povos como os Arara, Parakanã, Waimiri Atroari chegaram a beira da extinção.

    5.      O modelo de desenvolvimento econômico, em benefício de poucos, continua o mesmo, assim como a forma autoritária de implantação dos grandes projetos. Belo Monte é um exemplo claro. Os estudos de impacto ambiental foram feitos para respaldar a obra e não para medir os reais impactos socioambientais. Os povos indígenas e comunidades tradicionais atingidas não foram devidamente ouvidos como determina a Constituição Federal, a Convenção 169 da OIT e Declaração da ONU sobre os povos indígenas, nem tampouco os cientistas que sistematicamente alertam sobre as graves falhas do projeto.

    6.      Fazem parte da estratégia perversa desse modelo de desenvolvimento a desinformação, a mentira, o desrespeito às leis, a criminalização de lideranças indígenas e populares, bem como ações de sedução e promessas feitas às comunidades.

    7.      Os povos indígenas, na luta por seus direitos à terra são acusados erroneamente de serem violentos, obstáculos ao desenvolvimento e manipulados por ONGs, para confundir a população sobre o que verdadeiramente acontece na Amazônia.

    8.      Refletimos durante os quatro dias do Acampamento Terra Livre Amazônico sobre as estratégias de luta contra Belo Monte e outros grandes empreendimentos.

    9.      Queremos alertar a todos, que a Amazônia será irreversivelmente comprometida se continuar a loucura da super-exploração dos seus recursos naturais. Dessa forma, os compromissos assumidos pelo Brasil nos tratados internacionais sobre o clima, não serão cumpridos.

    10.  Assumimos coletivamente o compromisso de fortalecer a aliança dos povos indígenas, ribeirinhos e demais comunidades da Amazônia na luta para assegurar integridade de seus espaços territoriais e para construir o futuro da região a partir das suas experiências de vida.

    11.  Convocamos a todos para um enfrentamento comum articulado e organizado contra Belo Monte e os demais empreendimentos planejados contra a Amazônia.

    12.  Solicitamos o apoio da sociedade do campo e da cidade, pois a vida da Amazônia está em risco.

     

    "Toda vez que nos unimos reforçamos nosso movimento. Não devemos ter medo da polícia, do fazendeiro, de ninguém que está ameaçando a natureza. Natureza é vida, ela nos sustenta até hoje, por isso, temos que defendê-la como pai e mãe que nos dá vida". (Cacique Raoni Kayapó)

     

     

                                                   Altamira, 12 de agosto de 2010.

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  • 12/08/2010

    Historic Indigenous Summit Calls for Halting Brazil’s Belo Monte Dam

    Hundreds Converge on the Xingu River in Altamira to Highlight Threats from Mega-infrastructure Projects in the Amazon

    Altamira, Brazil – Hundreds of indigenous leaders from throughout the Brazilian Amazon Basin joined local riverbank dwellers and dam-affected people this week for the historic Terra Livre Regional Encampment. Bearing the message "Defend the Xingu: Stop Belo Monte," participants occupied the riverside port of Altamira, Pará to discuss threats posed by major infrastructure projects in the Amazon, in particular the controversial Belo Monte Dam on the Xingu River.

    Organized by the Coordinating Body of Indigenous Organizations of the Brazilian Amazon – COIAB, and backed by a coalition of Brazilian and international organizations, the Encampment represents a seminal meeting for indigenous resistance to Belo Monte Dam. Hundreds of indigenous leaders from 27 ethnic groups in the Brazilian Amazon converged, joined by local communities, NGOs and leading academics. Participants discussed the harmful impacts of large infrastructure projects on the Amazon’s ecologically and culturally sensitive rainforests and the response by indigenous and social movements in the face of such threats.

    Choosing to hold the summit in Altamira, a city that would be partially flooded by the planned dam, positions the Belo Monte project and the Brazilian government’s Accelerated Growth Program (PAC) as top priorities in the battle for indigenous rights and for a more ecologically sound development path.

    Among the indigenous participants at the encampment is the renowned Chief Raoni Metuktire of the Kayapo people, a highly respected leader who has been instrumental in efforts to protect the Xingu River basin for over 30 years. "We must never give up, because we are fighting for a right that is ours!" said Raoni in an address to a gathering of over 500 people. "Nature is life, it has sustained us until today, so we have to defend Nature as our father and mother who give us life….Is this [dam] what we really want, my friends? Let us stand together against Belo Monte!"

    Speakers at the gathering presented the myriad problems posed by the planned mega-dam, including catastrophic environmental impacts to the Xingu River Basin and the violation of the rights of local populations. In addition, the project’s technical viability has come into question. According to Antonia Melo, a leader and spokesperson for the Xingu Alive Forever Movement, "There are huge design flaws being uncovered in Belo Monte Dam’s construction plans, raising further doubts about its economic viability and socio-environmental impacts. For example, engineers are now discovering the absence of sufficient bedrock foundation to support the construction of the main Pimental dam."

    The Terra Livre encampment comes at a time of heightening police crackdown on peaceful protests in Altamira, after President Lula’s June visit to inaugurate the Belo Monte dam ignited protests given that eight civil action lawsuits against the dam were still pending. Yet despite government intimidation, the encampment has forged on. "This is a critical moment for indigenous peoples from the Amazon Basin to affirm their opposition to Belo Monte, and other projects of its kind that represent an attack on their rights and the destruction of their lands. It is also crucial that we work together with our non-indigenous partners to confront this problem," stated Marcos Apurinã, General Coordinator of COIAB.

    The four-day meeting featured presentations by indigenous and grassroots leaders, experts, as well as human rights and environmental lawyers. At a press conference today at 14:00 in the São Sebastião room in the Altamira Cathedral, participants will present a declaration voicing their unified opposition to the Belo Monte dam and call for global solidarity in fighting this mega-dam as well as other similar projects in the Amazon. The event will be followed by a public rally in Altamira that will depart from the Altamira Cathedral at 15:30.

    The declaration from this gathering will be brought to the National Terra Livre Encampment being held at Campo Grande, in the state of Mato Grosso do Sul, from August 16-20, 2010.

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  • 12/08/2010

    Informe nº 926: Chega ao fim mobilização contra Belo Monte em Altamira

    Evento foi um marco na luta contra a construção de grandes obras na região Amazônica e contou com a participação de lideranças indígenas e de comunidades tradicionais vindas de diversas regiões do país

     

    Por Cleymenne Cerqueira

    De Altamira (PA)

     

    Após quatro dias de discussões, debates e apresentações, chega ao fim o acampamento Em Defesa do Xingu, contra Belo Monte. O evento, organizado na Orla do Cais do Porto de Altamira (PA) começou na segunda-feira (9) com a chegada de diversas delegações indígenas do país, de representantes de comunidades ribeirinhas, de agricultores, pescadores e movimentos sociais, incluindo organismos internacionais.

     

    O encontro discutiu com a participação de diversos especialistas os impactos gerados pelos grandes projetos do governo federal, como as hidrelétricas, as estradas, a mineração. Passaram pela mesa professores da Universidade Federal do Pará (UFPA), membros de organizações que lutam pela garantia dos direitos dos povos indígenas e ribeirinhos. Todos foram enfáticos ao apontar os danos que serão gerados pela usina hidrelétrica de Belo Monte.

     

    O mega empreendimento do Estado não atingirá somente as terras indígenas, mas propriedades rurais, secará parte do rio Xingu, de onde muitas famílias retiram seus sustentos e formas de geração de renda; aumentará a temperatura das águas, o que impossibilitará a sobrevivência de várias espécies de peixes, causará enorme desmatamento e extinção de animais e plantas raras encontrados somente nessa região.

     

    "O Xingu é reduto de culturas centenárias, reduto da salvação de diversos povos e de toda uma diversidade de animais que é única e só encontrada aqui", afirma a pesquisadora da UFPA, Drª Janice Muriel Cunha.

     

    De acordo com a pesquisadora, o povo precisa decidir se o que quer é o desenvolvimento proposto pelo governo brasileiro, aos moldes do modelo europeu, ou um desenvolvimento limpo e justo. "O modelo de desenvolvimento adotado pela Europa destruiu cerca de 99,2% da vegetação natural e dos recursos ambientais daquele continente. É o mesmo que queremos? indagou Janice.

     

    Para o pesquisador Rodolfo, também da UFPA, Belo Monte não passa de uma aventura eleitoreira porque o Brasil não precisa desse empreendimento para se desenvolver e ser feliz. "É uma manobra da senhora Dilma Roussef para se promover e de outros ‘malandros’ do sistema energético brasileiro".

     

    Janice acredita que Belo Monte é apenas uma das lutas que o povo brasileiro terá que enfrentar. "Esse projeto de barragem é apenas mais um que nós cientistas, ribeirinhos, indígenas e população urbana precisamos aprender a combater. Como esses, virão outros tantos, todos inviáveis do ponto de vista social, econômico, ambiental e cultural".

     

    Para onde vai o povo do Xingu?

     

    Essa é a indagação que a população de Altamira faz e sobre a qual continuam sem respostas. "O que será feito com as cerca de 30 mil pessoas que serão atingidas pela obra da usina? Para onde irão, onde e como viverão?”, indaga dom Erwin Kräutler, bispo da Prelazia do Xingu e presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

     

    Dom Erwin tem acompanhado as lutas contra Belo Monte desde 1975, período do regime ditatorial no país, quando o governo apresentou a proposta de construir seis barragens no rio Xingu e uma no rio Iriri. Segundo ele, após pressão política e social, o povo e os movimentos sociais conseguiram barrar o projeto, que acreditavam estar abandonado, esquecido.

     

    No entanto, o governo Lula surpreende a população brasileira novamente ao trazer à cena o mesmo projeto, que antes era chamado de kararaô. "Mudou apenas o nome, mas a intenção continua a mesma: acabar com o meio ambiente e com os povos do Xingu. Foi uma grande surpresa para nós que justamente esse governo, em quem nós sempre acreditamos e fizemos chegar lá, desenterrasse esse projeto", declarou.

     

    Para o bispo, o governo mente quando diz que somente essa barragem será construída na região, pois depois que esta obra estiver pronta, ele sempre dirá que para gerar a energia necessária para a população do país terão que ser construídas mais e mais hidrelétricas.

     

    Principais questionamentos

     

    Além de se perguntarem diariamente para onde irão os povos do Xingu e o que acontecerá com o meio ambiente dessa região, outras preocupações afligem os pensamentos dos moradores de Altamira. De que viverão as famílias que tiram o sustento dos rios e das matas? Como viverão sem água aquelas comunidades cuja vazão do rio vai diminuir?

     

    "Esse povo está acostumado a viver do trabalho de suas próprias mãos, da caça, da pesca, da agricultura, como viverão em casas com móveis bons, energia elétrica, água encanada, eletrodomésticos, mas sem sua principal fonte de sobrevivência? De que viverão? Como criarão seus filhos e netos", indaga dom Erwin.

     

    Até o momento, a população de Altamira não sabe o real tamanho desse reservatório. Todos os dias mudam-se as dimensões da obra e o povo não é sequer comunicado. Para Dom Erwin e diversos especialistas que realizaram estudos sobre a viabilidade do empreendimento, o reservatório será como um lago podre, morto, um viveiro de pragas e doenças endêmicas, às margens do qual ficarão inúmeras famílias, sujeitas à própria sorte.

     

    "O mesmo governo que proibiu a pesca e a comercialização de peixes ornamentais na região liberou o projeto de Belo Monte. Que contradição! A geração de renda e a sobrevivência por meio das água do velho Xingu são proibidas, mas a extinção de animais, a invasão e o alagamento de propriedades rurais, a expulsão de diversas famílias da região, a miséria e a fome, a violência e as doenças não o são", contestou Janice.

     

    O projeto, a exemplo de outros grandes empreendimentos no país, trará diversos trabalhadores e famílias atrás do sonho de um eldorado, o que aumentará em números absurdos a população de Altamira, que hoje gira em torno de 100 mil pessoas. A região não tem condições de recebê-los, o que gerará conflitos, violências e problemas de atendimento básico em saúde e educação, entre outros.

     

    Representação popular

     

    Além dos povos Juruna, Xipaya, Arara, Kuruaia e Xicrin da região de Altamira, participaram do evento lideranças dos Guajajara, Gavião, Krikati, Awá Guajá, Kayapó, Tembé, Aikeora, Suruí, Xavante, Karintiana, Puruborá, Kassupá, Mundukuru, Xucuru, Kaingang, Javaé, Tupiniquim, Assurini, Wajapi, Macuxi, Apurinã e Karajá, vindos de estados como Rondônia, Maranhão, Roraima, Mato Grosso, Tocantins, Acre, Bahia e Paraná, bem como agricultores, pescadores e ribeirinhos de diversas regiões do Pará.

     

    Veja carta final da Mobilização

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  • 11/08/2010

    Ribeirinhos reforçam o coro contra Belo Monte

    Por Cleymenne Cerqueira

    De Altamira (PA)

    No penúltimo dia do acampamento Em Defesa do Xingu, contra Belo Monte, organizado na Orla do Cais do Porto de Altamira (PA) houve grande participação dos ribeirinhos, pescadores e agricultores no encontro. Eles aproveitaram os momentos de plenária para sanar dúvidas relacionadas ao projeto da usina e também para confirmar que são sim contrários à construção da hidrelétrica.

    Os trabalhos do dia foram iniciados pela liderança Sheila Juruna, que chamou os parentes à luta e para se colocarem também contra o empreendimento. "Quero deixar claro aqui que nós, os Juruna de Paquiçamba, e os povos indígenas do rio Xingu, estamos sim contra Belo Monte. Não vamos nos vender parentes para o colonizador, não vamos vender nossa vida a esses grandes projetos".

    Felipe, morador da região paraense de Gurupá, confirmou as falas de Sheila quando disse que a luta não é somente dos povos indígenas de Altamira, mas de todos os povos do país. Para ele, somente a junção de forças e a mobilização da opinião pública poderá frear o projeto de Belo Monte.

    Ele indaga aos participantes para onde vai o povo do Xingu, caso a obra seja construída e utiliza uma passagem biblíca para confirmar sua fala de luta e esperança. "Somos poucos sim para essa luta, mas Deus disse: ‘o pouco com Deus é muito e o muito sem Deus é nada’, então tendo fé e lutando vamos conseguir barrar essa obra e todas as outras propostas mentirosas do governo brasileiro, que só lembra dos povos indígenas e nos procura de quatro em quatro anos quando quer o nosso voto".

    Jonas, do município de Uruará, pede a fala e confirma a força e a luta dos ribeirinhos contra a construção da barragem. "Viemos nos unir a todos os povos para reforçar a caminhada contra Belo Monte, obra que serve aos grandes empresários e ao governo, mas não às comunidades indígenas, ribeirinhas e tradicionais, que precisam da terra para viver, plantar, morar".

    Outra representante da região de Gurupá, a professora Silvana, diz aos participantes que sua comunidade também será atingida pela hidrelétrica, que como os indígenas precisam da terra, do meio ambiente, inclusive como meio de sobrevivência. Para ela, eles partilham a mesma realidade e, por isso, somam forças contra a obra. "Dizer não contra Belo Monte é dizer sim à vida"

    Apoio de outros povos

    Na manhã de hoje (11), intercalando as mesas de debates e os trabalhos em grupo, aconteceram diversas manifestações culturais dos povos que aqui estão reunidos. Rezas, danças e cantigas tradicionais trouxeram nova energia para as atividades e renovação ao ânimo das comunidades que lutam contra a construção de Belo Monte.

    O ritmo que rege os trabalhos e as discussões é de irmandade, companheirismo, esperança e fé. Nesse sentido, representantes de diversos povos indígenas do país vieram prestar apoio e solidariedade às comunidades da região. "Sem o fortalecimento de nosso movimento e a união de nossos povos não conseguiremos vencer nossas lutas e manter nossas culturas, costumes e tradições", afirmou Zé Luiz, do Sul de Rondônia.

    Josiney Arara, liderança da Volta Grande do Xingu, chamoua os parentes para a "guerra" contra Belo Monte. "Somos guerreiros e estamos na luta para o que der e vier. Estamos juntos. Se o governo pensa que pode chegar fazendo o que quer sem respeitar nossos direitos ele vai descobrir que não é bem assim. Estamos fortes, vivos até o último suspiro contra essa usina e a favor do rio Xingu".

    Já o cacique Amiot, da aldeia Gorotire (PA), disse claramente porque os povos indígenas não querem a hidrelétrica. "Não queremos Belo Monte porque essa obra vai acabar com a riqueza das nossas terras, vai acabar com as nossas formas de bem viver, de nos relacionar com o meio ambiente e com a nossa medicina natural".

    Matudjo Kayapó, por sua vez, chamou os parentes que se mostram favoráveis a construção da usina para explicar essa decisão. De acordo com ele, essas pessoas estão sendo enganadas por falsas promessas do governo federal e da Eletronorte. "Eles estão fazendo a cabeça dos nossos parentes e estes dizem que têm medo de ficar sem saúde, educação, e por isso, apoiam o empreendimento. Isso é tudo mentira, temos esses direitos garantidos em lei e não precisamos ceder a essas chantagens".

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  • 11/08/2010

    Movimentos sociais protestam contra Belo Monte em Belém

    Concomitantemente ao evento em Altamira, cerca de 30 pessoas do Comitê Metropolitano do Xingu Vivo para Sempre, Via Campesina e de outros movimentos sociais realizaram hoje (11) um protesto contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte. O grupo saiu em passeata da praça da República em direção a Secretaria de Estadio de Desenvolvimento Ciência e Tecnologia (Sedect).

    Com diversas faixas, eles protestaram contra a obra e reivindicaram a paralização imediata do projeto. Eles endossam as falas sobre os diversos problemas sócio-ambientais, culturais, econômicos e políticos que Belo Monte trará para os povos da região de Altamira.

    Eles ainda repudiaram o envio de tropas do Exército, pelo governo brasileiro, para a Volta Grande do Xingu, bem como denunciaram o modelo de produção de energia e desenvolvimento adotado pelo Brasil. Modelo que traz miséria e desastres ambientais.

    O grupo ainda reivindicava uma audiência pública com o secretário da Sedect para falar sobre o desrespeito com que a questão tem sido tratada pelo Estado e pelo governo local, mas foram atendidos pelo secretario adjunto João Weyl Costa.

    Os integrantes do protesto ainda protocolaram um documento para o secretário da pasta, Maurílio Monteiro, como forma de solidariedade aos povos de Altamira e declarando total apoio ao acampamento em Defea do Xingu, contra Belo Monte, que acontece desde segunda-feira (9) e será encerrado amanhã (12) com um ato público pelas ruas da cidade.

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  • 11/08/2010

    Acampamento Terra Livre 2010

    Entre os dias 16 e 19 de agosto, a Aldeia Urbana Marçal de Souza, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, se transformará em um grande fórum de discussões sobre a defesa dos direitos indígenas. O local será a sede do 7º Acampamento Terra Livre (ATL), assembléia anual e instância máxima de decisão do movimento indígena brasileiro. Mais de 800 lideranças representando os povos de todo o Brasil irão participar do encontro.

     

    O ATL 2010 fará uma avaliação das demandas e resultados das edições anteriores destacando conquistas, avanços e demandas não atendidas pelo Estado brasileiro. O objetivo é formular a partir das experiências, realidades e contribuições dos distintos povos e organizações indígenas representados no acampamento, reivindicações e propostas comuns para uma nova política indigenista do Estado Brasileiro, marcada pelo respeito total aos direitos fundamentais e originários dos povos indígenas. As propostas serão encaminhadas aos candidatos à Presidência da República.

     

    O evento ainda tem como propósito mobilizar a sociedade, os meios de comunicação – nacionais e internacionais – e o governo federal para a situação crítica enfrentada pelos indígenas do estado de Mato Grosso do Sul, principalmente os Guarani Kaiowá.

     

    As comunidades indígenas vivem em constante terror, ameaçadas e perseguidas pelos grandes proprietários rurais. De acordo com Relatório de Violência contra os Povos Indígenas – 2009, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), divulgado recentemente, mais da metade dos assassinatos de indígenas no ano passado ocorreram no estado. O governo local, aliado aos grandes proprietários de terras, assumiu uma postura totalmente anti-indígena, o que tem dificultado ainda mais o trabalho de demarcação. Situação semelhante é enfrentada pelos povos indígenas do Nordeste, em especial os Tupinambá, no sul da Bahia, o que também merecerá atenção especial no encontro.

     

    A pauta do ATL terá como foco principal a demarcação de terras; criminalização de lideranças e impactos do PAC e de grandes empreendimentos em Terras Indígenas (Transposição do Rio São Francisco, Hidrelétrica de Belo Monte, etc.). Também serão discutidos o Estatuto dos Povos Indígenas; a Secretaria Especial de Saúde Indígena; reestruturação da Fundação Nacional do Índio (Funai); Política Nacional de Gestão Ambiental em Terras Indígenas (PNGATI) e o Conselho Nacional de Política Indigenista.

     

    Entrevista coletiva

     

    Para apresentar a programação e fazer um balanço preliminar da situação dos direitos indígenas, haverá uma entrevista coletiva à imprensa, que será realizada no dia 16/08 (segunda-feira), na tenda da Plenária do evento, às 15h30. Estarão presentes representantes das organizações indígenas regionais da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e membros do Fórum em Defesa dos Direitos Indígenas (FDDI). 

     

     

    O Acampamento Terra Livre é uma realização da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), instância nacional que congrega as organizações indígenas regionais (Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo – APOINME; Articulação dos Povos Indígenas do Pantanal e Região – ARPIPAN; Articulação dos Povos Indígenas do Sul – ARPINSUL; Articulação dos Povos Indígenas do Sudeste – ARPINSUDESTE; Aty Guasu – Grande Assembléia do Povos Guarani e Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira – COIAB), e do Fórum em Defesa dos Direitos Indígenas (FDDI), entidade composta pelas organizações indígenas e entidades indigenistas e de apoio, tais como o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Instituto Socioambiental (ISA) Centro de Trabalho Indigenista (CTI), Associação Nacional de Ação Indigenista (ANAI) e Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC), Operação Amazônia Nativa (OPAN) e Grupo de Trabalho Missionário Evangélico (GTME).

     

    Serviço:

    O que: 7º Acampamento Terra Livre (ATL)

    Quando: 16 a 19 de agosto de 2010

    Onde: Aldeia Urbana Marçal de Souza, Bairro Tiradentes, Campo Grande-MS

    Realização: APIB e FDDI

     

     Mais informações:

     

    – Gustavo Macedo (APIB) – (61) 30435070 / (61) 81612500

    Email: [email protected]

    Blog: http://blogapib.blogspot.com

    Skype: gustavo.rodrigues.macedo

     

    – Cleymenne Cerqueira  (Cimi) – (61) 21061650 / 9979-7059

    Email: [email protected]

    Site : https://cimi.org.br

     

    – Maíra Heinen (Cimi) – (61) 21061650 / 9979-6912

    Email: [email protected]

    Site : https://cimi.org.br

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  • 11/08/2010

    Altamira gathering: Kayapó Chief Raoni reiterates resistance against Belo Monte

    "We must never give up, because we are fighting for a right that is ours!” Kayapó leader Raoni participated yesterday (August 10) at the protest camp “In Defense of the Xingu: against Belo Monte!”, at Altamira, Pará, reiterating his continuing resistance against the dam.

     

    By Cleymenne Cerqueira

    From Altamira (PA)

     

    "Nature is life, it has sustained us until today, so we have to defend it as father and mother who gives us life,” stated Raoni, the Kayapo leader that conquered the world in the eighties when touring with rock singer Sting, in his emotional speech to the over 500 participants of the Altamira protest meeting, yesterday afternoon (August 10). The meeting unites indigenous leaders from all over the Amazon region, as well as riverine people and family farmers, threatened by the construction of dams like Belo Monte and Jirau.

     

    He continued saying indigenous peoples must not accept the demands of president Luiz Inacio Lula da Silva, or of anyone else who will rule the country: "We have to accept impositions from no one. I am against everything the government is willing to construct on our lands: highway, dams. I always fought for my people at your sides and I will continue fighting until the last day of my life.”

     

    Legitimate

    Raoni recognized that indigenous peoples have suffered with all the interference in their cultures and urged the fellow indigenous to strengthen the fight against Belo Monte and other large projects. “Every time we come together we strengthen our movement. We need not fear the police, the ranchers, anyone who is threatening our reserves, our nature."

     

    For Raoni, this fight is not only a people of one nation but of society as a whole. "We must never give up, we have to hold your head up because we are fighting for a right that is ours. We have to show the Brazilian people that our struggle is legitimate to respect our rights, our traditions," he said.

     

    At the end of his speech, he asks: “Is this what we really want, my friends? Do we stand together against Belo Monte?” The audience affirms in chorus, applauding.

     

    Scientists

    The protest camp against the construction of the hydroelectric plant of Belo Monte is mounted on the quays of river port of Altamira, in the Amazon state of Pará. It is thirty kilometers down the river where the main dam of Belo Monte is planned. Yesterday’s agenda featured strong debates about the impacts of major projects of the federal government for indigenous peoples, riverine and rural communities, all over the country. Although discussions are focused on Belo Monte, it is worth noting that the meeting is set up to discuss the infrastructural works planned by the Growth Acceleration Program (PAC) for the whole country.

     

    The afternoon was devoted to work group sessions. In one corner the Kayapo gathered, the Xavante in another. Spread over the area groups of indigenous leaders met, the many riverine people and farmers who participate in the mobilization.

    Throughout the day, scientists and members of indigenous and social movements participating in the fight against Belo Monte circulated among the groups, answering questions, presenting data, research studies and opinions. The approximately 500 participants shared their experiences and difficulties encountered over the years provoked by numerous government projects, such as the Itaipu, Estreito and Tucurui hydroelectric, among others.

     

    More dams needed for Belo Monte

    The history of struggle and resistance against the construction of hydroelectric Belo Monte portrays the federal government’s “appreciation” of the indigenous peoples: omission, lack of dialogue and blunders mark the comings and goings of this project. The hydroelectric is planned to be built on the Xingu river and will affect thousands of families in the region of Altamira, in the state of Pará.

     

    Several studies and reports of experts have confirmed that Belo Monte is not necessary and that it will bring disastrous consequences for the environment, as well as for the culture and traditions of the traditional communities in the region. However, the State pretends not to see this information, and ignores the actions of various social movements against the venture.

     

    "The major criticism is that Belo Monte will not stop with only one dam. Rather, the government will continue saying that more and more dams will be needed to generate energy for the country. Indeed, the goal is to transform the Xingu in a major waterway, meanwhile wiping out means of survival and income generation of many families, like fishing,” stated Guilherme de Carvalho, representative of the Federation of Organs for Social and Educational Assistance (FASE).

     

    For him, it is important to stress that the fight against Belo Monte is a fighting against a block (government, parliament, some social movements, NGOs and leaders) that touts the developmental project of the government.

     

    "Given the constant denial of the government, of the mainstream media, of this whole block, the only way left is to unite, mobilize leaders and exert social pressure, which is precisely what is happening here. We are not against the development of the country, we are against this development model that puts in the hands of a few the many great natural resources of the country and that tramples human rights,” observes Carvalho.

     

    He underlines once more that one can not confuse development with economic growth, which are two very different things. “The debate today is precisely about that. What kind of development we want, at what cost? We need to know what the economic growth is for and where it comes from.”

     

     

    Documentary “Xingu: the blood of our survival

    Taking advantage of the gathering of various indigenous peoples, riverine people and representatives of social movements, the Movement of People Affected by Dams (MAB) launched the documentary “Xingu: the blood of our survival”.

     

    The video produced by the MAB and released already in several events around the country shows the struggle and resistance of the peoples of the Xingu region against Belo Monte. The production brings about urgent denounces the abuse of water and energy while tracing parallels with the rights of peoples to have their customs, traditions, land respected.

    To see the video (in portuguese) click here:  “Xingu: the blood of our survival

    Read more on the altamira meeting:

    10/08/2010 – "The fight is not only against Belo Monte!"

    03/02/2010 – Belo Monte “Pharonic project and generator of death” Special interview with Dom Erwin Kräutler

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  • 11/08/2010

    Mais um Karajá assassinado!

    Gilberto Vieira dos Santos

    Cimi Regional Mato Grosso

     

    No dia 5 de agosto foi encontrado morto nos arredores da cidade de Santa Terezinha-MT, Matukari Karajá, senhor de aproximadamente 50 anos de idade, morador da Aldeia Macaúba, Ilha do Bananal. Estava desaparecido há alguns dias e seu corpo, já em estado de decomposição, apresentava ferimentos de faca e pauladas.

     

    Ele foi visto com vida pela última vez na festa de encerramento dos Jogos Regionais, que acontecem no mês de julho em Santa Terezinha. Testemunhas dizem que ele estava bastante bêbado na ocasião.

     

    Os Karajá, que são o grupo humano de mais longa permanência no Araguaia, têm sofrido inúmeras violências ao longo do contato com a sociedade não-indígena. São freqüentes as mortes em decorrência dos efeitos do alcoolismo, como quando voltam para suas aldeias de canoa e se afogam no rio Araguaia. As cidades ribeirinhas que se instalaram em locais próximos às suas aldeias favorecem o consumo de bebidas alcoólicas vendidas por comerciantes inescrupulosos.

     

    No mês de julho, quando acontecem festivais de praia em Santa Terezinha, Luciara e São Félix do Araguaia, a população Karajá fica exposta a sérias situações de risco, sobretudo os jovens. Consumo de álcool e outras drogas, prostituição de menores, doenças graves como DST-AIDS, hoje fazem parte do cotidiano das aldeias.

     

    Devido a essa situação, acabam sendo vítimas de um enorme preconceito por parte da população não-indígena, que, em geral, os discrimina diariamente. Entretanto, o fato de Matukari estar possivelmente alcoolizado não dava a ninguém o direito de assassiná-lo. Espera-se que as autoridades locais concluam o inquérito iniciado e que os responsáveis por mais esse ato de violência contra os Karajá não fiquem impunes.

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