• 08/09/2010

    Novas violências contra os Kaiowá no Mato Grosso do Sul

    Por Egon Heck/Cimi Regional MS

    No último dia 4 de agosto, o grupo de famílias do tekoha Ytay Kaíaguy rusu, no município de Douradina (MS), voltou à sua terra tradicional, próximo aos limites da atual Terra Indígena Panambi, em Lagoa Rica. Essa terra indígena com 2.070 hectares, e uma população em torno de 700 pessoas, foi ocupada pelo agronegócio. Hoje usufruem apenas de uma pequena parte de sua terra, que está em revisão de limites. Em 2005 foi constituído um Grupo de Trabalho (GT) para um reestudo dos limites, mas até hoje, os trabalhos não foram concluídos.

    Logo depois da volta ao tekoha, segundo o Kaiowá O.J., o grupo tentou diálogo com os produtores rurais, ao que não houve possibilidade de um entendimento, pelo contrário, foi-se aumentando a tensão. No dia 6 à tarde chegou ao local a Polícia Federal.  Após algumas conversações, parecia que seria respeitado a não agressão por parte dos seguranças e produtores. Porém logo após a saída da PF, houve um avanço sobre os índios, com tiros para o alto, fogos, derrubada e queima dos mais de 20 barracos que haviam sido construídos, conforme informa uma professora que estava com o grupo. Houve muita correria de mulheres, crianças, com muitos gritos e gente chorando. Alguns, como O.J., tiveram todos os documentos queimados juntamente com o barraco.

    Os índios que sofreram mais essa agressão e violência não desistiram de sua terra, e no dia 7 voltaram ao local, apesar das ameaças que os colonos fizeram de que desta vez vão matar alguns índios. Essa terra é nossa. Foi demarcada pelo SPI. Nela vamos ficar”, afirma resoluta uma das lideranças do grupo. Também esteve no local a nova administradora da Funai em Dourados, juntamente com a imprensa.  O que os Guarani Kaiowá esperam é que a promessa do presidente Lula feita a eles em recente visita a Dourados seja cumprida, e que os Grupos de Trabalho de identificação das terras indígenas voltem à área para concluir os trabalhos o quanto antes.

    Enquanto isso Dourados tem um desfile de Sete de Setembro um tanto inusitado, com várias de suas autoridades na cadeia. Sobressaiu mais o grito do que a marcha. O protesto e a indignação falaram mais do que do que palavras ufanistas. Os princípios da pátria foram violados por escandalosa corrupção e usurpação do dinheiro do povo.

    A pátria Livre

    Sonhamos com uma pátria livre.  Livre do latifúndio. Livre da corrupção. Livre da fome e da injustiça. Enquanto isso vamos lutando pelos direitos de milhões de famílias sem terra, pela terra dos povos indígenas e quilombolas, pelo limite da propriedade. Tivemos mais um momento importante para dizer que é mais concebível um país com uma reforma agrária ao avesso, onde ao invés de socializar a terra, ela vem sendo concentrada cada vez mais em menos mãos, continue negando o acesso à mãe terra a seus primeiros habitantes.

    Neste dia em que se comemora um momento importante da luta pela independência do nosso país, é importante lembrar que para os povos indígenas, para as populações afro descendentes a independência significa um reconhecimento de seus direitos históricos e constitucionais a  terra, o reconhecimento de suas culturas, organização social e valores. Não se tornará realidade a independência e continuará sendo uma ficção e uma utopia, bem como não existirá a verdadeira democracia enquanto não formos capazes de reconhecer e integrar em nossas políticas o respeito a essa diversidade e pluralidade do nosso país.

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  • 07/09/2010

    Pelo limite da propriedade da terra

    Por dom Pedro Casaldáliga

    "Um santo profeta de antigamente dizia que Deus criou o Universo e o diabo inventou a propriedade", lembra Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia, em artigo publicado pela cartilha do Encontro Nacional de Formação e Capacitação do Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo, 2008.

    Eis o artigo:

    Um santo profeta de antigamente dizia que Deus criou o Universo e o diabo inventou a propriedade. "A Terra é de Deus e Ela dá a todos", repete o povo. Nos quatro primeiros séculos da Igreja cristã, muitas vozes proféticas condenaram o pecado do lucro, da acumulação, da absolutização da propriedade. Seguiam o exemplo de Jesus, tão explicito frente ao dinheiro e a acumulação. Ele nos ensinou que o Pai é "nosso" e que o pão deve ser "nosso". Ele próprio se faz partilha e comunhão.

    Depois dessa primeira época, banhada em sangue mártir, a Igreja de Jesus tem cometido muitas alianças espúrias com o dinheiro e o poder. Lamentavelmente ela tem ajudado com palavras, com feitos e com estruturas, a fazer da propriedade um direito "sagrado". Também ela tem ajudado, muitas vezes, a condenar a propriedade absoluta e a reivindicar a hipoteca social que pesa sobre toda a propriedade.

    A propriedade é um direito e também um dever. A propriedade capitalista, por definição, acumula e exclui, justifica a fome, a miséria, a depredação e o ecocídio, o armamentismo e as guerras…

    Frente à propriedade absoluta, há tempo que vêm surgindo vozes e ações de protesto, de revolta, de propostas justas e alternativas. Concretamente no nosso Brasil (e em toda nossa América). Este Brasil, que poderia ser uma bênção, ocupa o segundo lugar mundial na concentração da propriedade fundiária. É campeão em latifúndio e em desigualdade social.

    Está na hora de condenar o latifúndio como uma iniquidade. Está na hora de fazer da reforma agrária uma realidade e não mais um sarcasmo de promessas e subterfúgios. Proclamamos, com indignação e com esperança, que é possível, necessário e urgente acabar com o latifúndio. Todo latifúndio é injusto. E só se fará justiça ao povo do campo com uma reforma agrária e agrícola de terra distribuída e estabelecidos os limites máximos de toda propriedade.

    Estamos em campanha por um outro modelo para o campo brasileiro. Atualizaremos e radicalizaremos uma autêntica revolução no campo. Pelo Deus da vida e da Terra. Militantes e mártires, que vêm dando seu suor e seu sangue, nos comprometem e nos acompanham. Exigimos do Congresso e do Judiciário o cumprimento da Constituição que dispõe que "a propriedade atenderá sua função social".

    Queremos fazer do Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo um Fórum permanente e verdadeiramente nacional. E, concretizando nossa luta e reivindicação, assumimos, com a teimosia que for necessária, e em união com todas as forças vivas, a Campanha pelo Limite da Propriedade da Terra.

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  • 07/09/2010

    A construção das usinas no Tapajós e no Teles Pires selará a destruição da Amazônia

    Além da construção das usinas do rio Madeira, em Rondônia, e de começar o processo de implementação da usina de Belo Monte, no Pará, o governo mira mais dois mega-projetos na Amazônia, as usinas dos rios Teles Pires (MT) e Tapajós (PA).

    Para analisar os impactos destes dois novos projetos do governo, foi realizado, entre os dias 25 a 27 de agosto na cidade de Itaituba (Pará), o 1º Encontro dos Povos e Comunidades atingidas por projetos de infra-estrutura nas bacias dos rios da Amazônia: Madeira, Tapajós – Teles Pires e Xingu.

    O Amazonia.org.br conversou com Telma Monteiro, coordenadora de Energia e Infraestrutura Amazônia da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, para entender mais sobre o evento e os impactos desses projetos. Segundo ela, o encontro foi fundamental para que aqueles que serão atingidos pelos impactos das usinas saibam como proceder para evitar a construção das obras.

    "Ficou evidente a necessidade de informações que as pessoas têm. As pessoas que vivem próximas aos rios Xingu (PA) e Madeira (RO) já estão mais informadas, vivendo esse processo. Mas as pessoas que vivem próximas ao Tapajós (PA) e ao rio Teles Pires (PA) ainda não têm as informações necessárias para se mobilizarem", disse.

    Na opinião de Telma, no caso do Tapajós e Teles Pires, "as conseqüências serão tão graves, que selarão a destruição da Amazônia. [A construção das usinas] é a pá de cal sobre a destruição da Amazônia".

    A entrevista é de Thais Iervolino e publicada por Amazonia.org.br, 06-09-2010.

    Eis a entrevista:

    Como foi o evento?

    Foi uma surpresa muito boa, porque havia 600 participantes, entre lideranças indígenas do Mato Grosso, Rondônia e Pará. Entre eles, os líderes dos Mundu Uruku, que raramente participam de um movimento. Essas lideranças foram em peso e ocuparam o centro de eventos de Itaituba, local onde foi realizado o encontro.

    Tivemos, no primeiro dia, apresentações de especialistas e pessoas ligadas a movimentos. No final do dia houve a abertura do evento, na beirada do rio Tapajós.

    No segundo dia, desde cedo, tivemos as mesas, os questionamentos da plenária. Na parte da tarde, houve os grupos de trabalho, com as oficinas. No terceiro dia, foi feita uma panfletagem na cidade com os resultados e reivindicações dos movimentos dos povos indígenas e etnias preocupados com as mega-obras na Amazônia.

    Depois houve a caminhada em favor da vida, que foi muito emocionante. Mais de 600 pessoas participaram, carregando dezenas de faixas. Todos participaram da caminhada, os indígenas, movimentos sociais, representantes de quilombolas, agricultores.

    A passeata parou a cidade. Percebeu-se que as pessoas queriam saber o que estava acontecendo. Muitos se solidarizaram.

    Em todo o encontro, ficou evidente a necessidade de informações que as pessoas têm. As pessoas que vivem próximas aos rios Xingu (PA) e Madeira (RO) já estão mais informadas, vivendo esse processo. Mas as pessoas que vivem próximas ao Tapajós (PA) e ao rio Teles Pires (PA) ainda não têm as informações necessárias para se mobilizarem.

    Nesse aspecto, o evento foi de extrema importância, porque foi clara a percepção de que eles ficaram muito atentos às informações que nós estávamos dando.

    Qual foi a sua participação?

    Eu participei de uma mesa junto com um procurador do Pará, Felício Pontes. Ele falou sobre a inconsistência das ações da usina de Belo Monte e eu contrapunha e mostrava as similaridades e inconsistência das ações das hidrelétricas do rio Madeira.

    Conseguimos mostrar a todos que a história se repete e que a forma do governo atuar é a mesma. Eles usam os mesmos artifícios, só que sendo mais criativos.

    No caso do rio Madeira, o governo disse que as hidrelétricas de Jirau e Santo Antonio eram com fio d´água e por isso não teriam impactos. No caso da usina do Xingu, o governo disse que seria sazonal e não teria impacto e, agora, no Tapajós, ele diz que será uma hidrelétrica de plataformas.

    Na verdade eles criam os mesmos impactos, as mesmas dificuldades, criam os mesmos artifícios, mas mudam a denominação.

    Como foi a participação do público?

    É impressionante a necessidade de informação que as pessoas que participaram do evento tiveram. Houve filas para pegar o microfone para fazer as perguntas. Eles queriam saber quais os instrumentos, quais as ferramentas que eles dispunham para lutar contra isso, se o Ministério Público estava do lado deles, quais pessoas poderiam ajudar com mais informações sobre a forma de como seriam abordados pelos consórcios. Tudo isso era objeto de questionamento. Queriam saber o que fariam quando chegassem os interessados na construção.

    Queríamos mostrar a eles todas as ferramentas que eles dispunham para lutar contra isso. Como, por exemplo, o caso da representação, que eles poderiam escrever essa representação e que se ela fosse assinada por 50 pessoas ou por uma associação de bairro, quilombolas, pescadoras – não importando a forma como foi feita – e levada ao MP, este tomaria as devidas providências no sentido de apurar o caso.

    Um indígena perguntou como se poderia chegar a fazer essa denúncia nas instâncias internacionais. A gente explicou o caso das comissões da OEA [Organização dos Estados Americanos] e da ONU [Organização das Nações Unidas], que existem para receber essas denúncias ligadas aos direitos humanos.

    Houve indígenas que disseram que só iriam permitir a entrada dessas pessoas [interessados na obra] se eles fossem mortos. "Só saímos daqui mortos", disseram.

    No caso das usinas planejadas nos rios Tapajós e Teles Pires, há alguma diferença, com relação aos impactos, às barragens do Xingu e Belo Monte?

    Os impactos são os mesmos. Elas vão criar os mesmos problemas.

    No caso do complexo do Tapajós há algo diferente. Há cinco hidrelétricas planejadas, que se conectam com as hidrelétricas planejadas no Teles Pires. Tudo isso junto pode criar uma hecatombe ambiental na região, com sérias conseqüências com relação à extinção de espécies de peixes.

    No caso do Tapajós, a construção afetará diretamente 99 cachoeiras. A impressão que eu tenho é a seguinte: as usinas do Madeira trarão um grande impacto para a Amazônia e nós não vamos estar aqui para ver as consequências disso isso. Se fizerem Belo Monte, nós não teremos nem como mensurar os problemas que teremos, até pelo projeto que é absurdo. No caso do Tapajós, se juntarmos com Teles Pires – já que esses dois se juntam (o Teles Pires é o maior afluente do Tapajós, ele forma o Tapajós junto com o Juruena), a consequência será tão grave que selará a destruição da Amazônia. É a pá de cal sobre a destruição da Amazônia.

    Diante desse contexto e com base nos resultados do evento, quais são os próximos passos?

    Está se formando um novo grupo de especialistas para se estudar as análises dos processos do Tapajós e Teles Pires.

    Ficou clara também a necessidade de se realizar encontros como esse na região do Teles Pires. Já estão sendo planejados mais dois ou três eventos para se discutir o tema nas localidades que vão sofrer e já estão sofrendo, não ainda com a construção, mas com o próprio anúncio das obras.

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  • 06/09/2010

    Começa hoje a reunião do Conselho do Cimi

    Na pauta do encontro estão temas como Conjuntura Política e Indigenista e a Participação de Orgãos do Estado na Criminalização do Movimento Indígena

     

    A partir de hoje (7), os membros do Conselho do Cimi estarão reunidos para discutir os rumos da Conjuntura Política e Indigenista no país. O encontro acontecerá no Centro de Formação Vicente Cañas, em Luziânia, até o dia 9 de setembro.

     

    Na pauta da reunião ainda estarão temas como a participação de orgãos do Estado na criminalização do movimento indígena, tendo como pano de fundo o caso do povo Cinta Larga, do estado de Rondônia.

     

    O momento eleitoral, a participação indígena nas eleições e as implicações das escolhas políticas para os povos indígenas do país também nortearão as discussões.

     

    No decorrer do encontro também serão avaliadas as repercursões das mobilizações: Acampamento Contra Belo Monte, que aconteceu em Altamira (PA), entre os dias 9 e 12 de agosto; Acampamento Terra Livre, realizado em Campo Grande (MS), no período de 16 a 20 de agosto; e Acampamento Awá Guajá, que aconteceu no município de Zé Doca (MA), no início de agosto.

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  • 06/09/2010

    Carta Final do Seminário do Povo Tumbalalá

    CARTA FINAL DO SEMINÁRIO DO POVO TUMBALALÁ SOBRE AS BARRAGENS DE PEDRA BRANCA E RIACHO SECO E A REGULARIZAÇÃO DO NOSSO TERRITORIO TRADICIONAL

     

    Nos dias 28-29 de agosto de 2010, nós povo Indígena Tumbalalá estivemos reunidos na aldeia de Pambú, município de Abaré e Curaça /BA, junto com nossos parceiros (CIMI, NECTAS, CPP, CPT, MAB, IRPAA) para discutir sobre problemas relacionados à construção das barragens de Riacho Seco e Pedra Branca que implicam nas questões de demarcação do nosso território tradicional.

     

    Estamos localizados ao norte da Bahia, submédio São Francisco, vivendo as margens do rio com uma população estimada de 4.000 pessoas. Por muito tempo vivenciamos os impactos das velhas políticas de desenvolvimento que desrespeitam a diversidade étnica e cultural do nosso país, colocando em risco os povos e comunidades tradicionais. Desde 1998 temos exigido o reconhecimento do nosso território tradicional. Em 2009 conseguimos que fosse publicado o relatório de identificação e delimitação, tendo a FUNAI reduzido o território de 57.000 para 45.000 hectares, sem que fosse respeitada a nossa história e a Constituição.

     

    Não bastasse isso, tomamos conhecimento de que a Chesf, a Prefeitura de Curaçá e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Abaré e Curaçá querem impedir que o nosso território seja identificado e demarcado, contestando o relatório de identificação. Ao mesmo tempo, nossa terra e dos nossos parentes Truká e Atikum estão ameaçadas com a construção das barragens de Pedra Branca e Riacho Seco, para viabilizar a Transposição e todos os empreendimentos econômicos que se instalarão nessa região.

     

    Por estas e outras razões eles contestam e põem em risco a integridade dos nossos territórios, prejudicando gravemente as nossas plantas medicinais, as matas, animais, peixes nativos, árvores centenárias, as cachoeiras e as moradas dos encantos, os nossos rituais sagrados, e conseqüentemente o contato com nossos ancestrais. Diversas outras comunidades tradicionais de pescadores artesanais, quilombolas, fundo de pasto também estão sendo ameaçadas por esses projetos.

     

    Já somos atingidos pelas barragens de Sobradinho e Itaparica que destruíram as vazantes com a diminuição das várias espécies de peixe como Pirá, Matrixá, Dourado, Surubim, Curvina etc, de onde tirávamos o nosso sustento. Não esquecemos também que em virtude de Itaparica, a CHESF assentou diversas famílias atingidas por essa barragem no nosso território tradicional, provocando desmatamento, diminuição dos animais nativos, extinção dos riachos e lagoas marginais. Os projetos de irrigação implantados nessa área e a utilização indiscriminada de agroquímicos geraram a esterilização dos solos, poluição das águas e o surgimento de diversos tipos de doenças provocadas por esses agentes.

     

    Portanto, nós nos posicionamos contra esses grandes projetos como a Transposição do rio São Francisco, as novas Barragens de Riacho Seco e Pedra Branca, que ferem substancialmente a Constituição de 1988, a Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas e a Convenção 169 da OIT.

     

    Desse modo solicitamos ao Ministério Público Federal, FUNAI e demais órgãos e entidades que tomem providências para garantir a integridade de nosso Território e de nosso Povo, respeitando os nossos direitos constitucionais, como são de seu dever e obrigação.

     

    Como Índios fortes e guerreiros, não vamos nos deixar vencer, porque acreditamos no Pai Tupã!

     

    Aldeamento de Pambu, 29 de agosto de 2010.

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  • 06/09/2010

    Articulação Popular São Francisco Vivo lança documento que cobra 10 compromissos dos candidatos

    Ajudar na eleição de candidatos comprometidos com as lutas relacionadas à revitalização do rio São Francisco. Esse é o objetivo do documento lançado pela Articulação Popular São Francisco Vivo.

     

    Intitulado “10 compromissos com a Bacia do Rio São Francisco para votar em você”, o documento lista 10 propostas importantes com as quais os candidatos devem se comprometer para terem apoio das mais de 300 organizações e entidades da Bacia do São Francisco que fazem parte da Articulação. O documento está sendo enviado aos candidatos para os cargos legislativos e executivos dos estados da Bacia do São Francisco (Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe), além dos candidatos à Presidência da República.

     

    Após a resposta, pretende-se fazer uma ampla divulgação tanto dos nomes que se comprometeram com as propostas como dos que se negaram a responder ou se omitiram. A idéia é que o documento influencie no voto da população da Bacia, estimada em 14 milhões. Passada a eleição, os compromissos assinados pelos candidatos servirão para futuras cobranças do eleitorado.

     

    Motivação

     

    A proposta dos “10 compromissos com a Bacia do rio São Francisco” surge em meio à constatação de que as eleições nos últimos anos têm se esvaziado de sentido mais profundo. O documento faz duras críticas ao atual momento da política brasileira em que as promessas de campanha pouco refletem nos anos subsequentes de mandato dos políticos. “Insurgindo-nos contra esse cenário, queremos torná-lo oportunidade para que nossas reivindicações e propostas sejam conhecidas e cheguem aos candidatos” diz o texto introdutório.

     

    O documento também critica as agressões cometidas contra o meio ambiente e as populações que vivem no território da Bacia do São Francisco. “Chegaram ao nível de saturação não só a corrupção política e eleitoral, mas também as agressões aos ecossistemas e aos povos e comunidades a eles ligados simbioticamente, na bacia do São Francisco e em outras bacias”.

     

    Entre os 10 compromissos cobrados dos políticos para que sejam dignos do voto, estão: uma reforma agrária que democratize o acesso e limite a propriedade da terra; o posicionamento contrário à transposição e à construção das barragens de Riacho Seco, Pedra Branca e Pão de Açúcar e de Usinas Nucleares, que estão sendo planejadas para o Rio São Francisco; a defesa de um verdadeiro programa de revitalização que vá além do incipiente esgotamento sanitário que está sendo realizado em algumas cidades ribeirinhas, dentre outros.

     

    Sobre a Articulação

     

    A Articulação Popular São Francisco Vivo (APSFV) existe desde 2005. Sua finalidade é congregar e fortalecer movimentos populares e organizações sociais (associações, sindicatos, pastorais, ONGs) na luta em defesa das comunidades e de toda a vida dependente do grande rio e de seus afluentes. Nestes cinco anos, cerca de 320 destas entidades de toda a bacia hidrográfica têm feito parte de uma permanente mobilização social por uma revitalização do São Francisco compreendido como Terra e Água, Rio e Povo. Seja no enfrentamento de um Projeto de Transposição imposto como falsa solução para a questão hídrica do Semiárido e em completa desatenção quanto ao estado de degradação do rio, seja na luta por uma inexistente Revitalização verdadeira do complexo de vida que é o Rio São Francisco, a Articulação tem marcado o cenário político e social-ambiental brasileiro.

     

    Leia o documento na íntegra

     

    Informações:

    Ingrid Campos – Assessora de Comunicação da Articulação Popular São Francisco Vivo.

    Email: [email protected]       Tel.:  (71) 3329-5750/ 3328-4672

    Site: www.saofranciscovivo.com.br

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  • 06/09/2010

    Il Mondo che ci Circonda nº 928

    Protesto simbolico marca la firma del contratto per la costruzione della diga di Belo Monte, alla capitale Brasilia

     

    Leaderes indigeni, il 26 di agosto, si sono radunati difronte al palazzo presidenziale, il Palácio do Planalto, per protestare contro la firma del Decreto che definisce il contratto ed autorizza il Consorzio Norte Energia a costruire la diga di Belo Monte. Durante la manifestazione, i leaderes mostrarono i loro striscioni con scritte di ripudio all’azione del governo federale che ha scelto di distruggere l’ambiente, la natura a favore di uno sviluppo senza scrupoli. I leaderes si sono anche tappati la bocca, simbolizzando la totale mancanza di dialogo tra lo Stato e le comunitá che saranno colpite dal grande progetto.

     

    Marcos Apurinã, coordinatore della Coordinazione delle Organizzazioni Indigene dell’Amazzonia Brasiliana – COIAB – ha sottolineato il significato della firma del Decreto: "é un atto di violenza contro i popoli indigeni, delle comunitá lungo il fiume Xingu (ribeirinhos), dei contadini e contro tutta la gente della regione. Il Presidente Lula sta firmando la sentenza di morte dei popoli indigeni di tutta la nazione. Questo, per noi, é drammatico!".

     

    Per Apurinã, il sentimento provato é quello di popoli che non sono cittadini nel proprio paese: "all’estero, questo governo si presenta come un esempio ad essere seguito. Ma qui dentro, per lo meno per i popoli indigeni, non lo é!". Ancora secondo il leader Apurinã, "é una grande tristezza dover assistere a questo governo che ha ingannato in vari aspetti, i popoli indigeni. Ma il movimento indigeno continuerá la sua lotta. Sono piú di 500 anni di resistenza e noi non ci fermeremo adesso!".

     

    Manifesto

     

    Questa settimana, vari movimenti sociali, organizzazioni indigene ed indigeniste ed Ong hanno redatto e incamminato un manifesto che ripudia la firma del Decreto di consessione. Nel documento, le entitá manifestanti dichiarano che l’azione del governo é un altro atto "di scandaloso affronto alle convenzioni internazionali dei diritti umani, alla legislazione brasiliana e alla Costituzione del paese".

     

    Secondo queste organizzazioni, "verrá consolidato un procedimento che ha risuscitato un autoritarismo terrificante da parte del governo, che ha spinto il Tribunale Regionale Federale a respingere, senza aver minimamente verificato gli argomenti giuridici, le tre sospensioni concesse dalla giustizia federale contro la costruzione della diga e l’asta, provocando imbarazzo tra i procuratori del Ministero Pubblico Federale attraverso minacce proferite dall’Avvocatura Generale dell’Unione e dato avvallo ad un progetto che costerá piú di 8 miliardi e mezzo di Euro – la maggior parte provenienti da fondi dalla banca statale Banco Nazionale di Sviluppo Econômico e Sociale (BNDES) e da fondi di pensione – senza la minima garanzia di viabilitá economica, rappresentando cosí una grande minaccia all’erario dello stato".

     

    Le varie lotte contro la diga di Belo Monte

     

    Varie manifestazioni, incontri, dichiarazioni di ripudio sono giá state fatte ed il governo federale ha proseguito con le azioni di approvazione del progetto della diga di Belo Monte, senza ascoltare specialisti, popoli indigineni e comunitá tradizionali della regione. All’inizio dell’anno, a Brasilia, sono state realizzate due grandi manifestazioni pubbliche ed una grande sfilata contro l’asta della diga che ha contato con la partecipazione di índios, leaderes dei movimenti sociali, abitanti del fiume Xingu e rappresentanti di ONG.

     

    Nella prima settimana del mese di agosto, é stata realizzata ad Altamira, nello stato del Pará, la grande manifestazione "In difesa del Fiume Xingú: contro la diga di Belo Monte". Circa 500 persone, tra loro índios, ribeirinhos, agricultori, pescatori e comunitá urbana, hanno partecipato e dibattuto sulle consequenze di questo grande progetto. Nel documento finale, i partecipanti si sono manifestati contro tutt i grandi progetti che causano morte e distruzione: "É ancora molto vivo in noi il ricordo della distruzione e morte prococate dai grandi progetti realizzati in modo autoritário daí governi della dittatura militare come la costruzione della Tranzamazzonica e di molte altre strade statali (Rs 174, 364 163), delle dighe di Tucuruí e Balbina. Quei progetti hanno duramente colpito popoli indigeni e comunitá tradizionali. Popoli come gli Arara, Parakanã, Waimiri Atroari sono stati quasi estinti ". Durante l’Accampamento Terra Libera, realizzato nei giorni 16 a 19 di agosto in Campo Grande, nel Mato Grosso do Sul, gli 800 indios pervenuti hanno dimostrato la loro indignazione a causa dell’insistenza del governo di voler continuare col processo che obiettiva la costruzione della diga di Belo Monte. 

     

    Durante l’incontro realizzato con Monsignor Erwin Kräutler, vescovo dello Xingu, il presidente della Repubblica Lula affermó che "non avrebbe fatto inghiottire a forza agli indios, ribeirignos, e contadini il progetto di Belo Monte". Purtroppo, sta succedendo proprio il contrario.

     

    I popoli indigeni non concordano con Belo Monte: "La firma di questo decreto non estinguirá la resistenza degli indios, ribeirinhos e piccoli agricoltori che lottano per la loro vita nello Xingú, e per tutto quello che il fiume e le foreste rappresentano per noi: garanzia di futuro!".

     

    Ministero della Giustizia sospende il decreto che determina la regolarizzazione delle terre dei  Guaraní nello stato di Santa Catarina

     

    Difendendo interessi privati a scapito dei diritti originali dei popoli indigeni, il ministro della Giustizia Luiz Paulo Barreto, ha sospeso il decreto ministeriale che determinava la regolarizzazione delle aree indigene Guaraní Mbyá Morro Alto, Piraí, Tarumã e Pindoty site nei municipi di São Francisco do Sul e Araquari.

     

    Attraverso processi contro la demarcazione delle aree indigene, grandi proprietari di terre, impresari delle marche come la Karsten e la Fundição Tupy, sono riusciti a fermare il processo di regolarizzazione di queste aree. Trecento persone circa, attraverso le vie giuridiche, rappresentati dall’Associazione di Proprietari Interessati negli Immobili nelle Aree Indigene nel Nord di Santa Catarina (Apis), hanno ottenuto la sentenza a loro favore proferita dal giudice federale della cittá di Joinville. La sentenza ha annullato la decisione proferita dell’allora ministro della Giustizia Tarso Genro, avvenuta nel 2009.

     

    Adriano Guaraní, índio che fa parte di un villaggio colpito dalla sentenza, ha manifestato la sua desolazione circa la revoca del Decreto: "questo retrocesso é, evidentemente, un fatto politico. Nella nostra regione, gli impresari, i latifondisti e persino i sindaci non vogliono regolarizzare le aree indigene! Non abbiamo capito questa decisione del ministro, anche perché noi avevamo fiducia in lui e lui ci ha fatto questo". Secondo Adriano, piú di 500 indios saranno colpiti dall’annullazione e non potranno contare con la terra per abitare e sopravvivere. "Siamo in lutto, ma dobbiamo reagire ed organizzeremo una manifestazione di ripudio perché la cosa non finisce qui!", ha affermato.

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  • 06/09/2010

    Il Mondo che ci Circonda nº 927

    Si é concluso il 7º Accampamento Terra Libera

     

    La manifestazione é stata realizzata a Campo Grande (stato del Mato Grosso del Sud) e ha riunito leaderes indigeni di diverse regioni del Brasile per discutere temi relativi alla garanzia dei loro diritti, come la sanitá, l’educazione e la demarcazione dei territori indigeni tradizionali

     

    Si é conclusa il giorno 19, nella cittá di Campo Grande, la settima edizione dell’Accampamento Terra Libera. Nei quattro giorni della manifestazione, gli índios si sono incontrati, hanno potuto rivedere parenti, discutere, trattare dei probblemi che li affligge e rivendicare i loro diritti. L’incontro ha reso possibile la condivisione dei probblemi vissuti da ciascuno e la possibile ricerca di soluzioni. Presentando le loro denunce, gli indios hanno insistito sull’importanza della demarcazione delle loro terre perché possano cosí preservare la loro cultura, la vita nei villaggi e l’auto-sostentazione delle comunitá. Il 19, la manifestazione si é conclusa con un corteo che ha visto i leaderes indigeni percorrere i 2 chilometri del centro della cittá di Campo Grande.

     

    Il 16 agosto, primo giorno del ATL, i leaderes indigeni hanno partecipato ad una conferenza stampa, comunicando ai media quelli che sono, oggi, i desideri dei popoli indigeni del Brasile e, principalmente, il desiderio della riconquista della loro terra tradizionale. I coordinatori indigeni dell’incontro hanno riaffermato che questa é la principale necessitá di tutti gli índios del Brasile e che la Costituzione Federale continua a non essere rispettata in materia di diritti indigeni.

     

    Anastácio Peralta, rappresentante del popolo Guarani Kaiowá, ha cosí espresso l’enorme preconcetto esistente nello stato del Mato Grosso do Sul: "qui, una vacca vale piú di un bambino! Questo stato ha bisogno di essere rieducato!".

     

    Confinamento nel Mato Grosso do Sul

     

    Durante il secondo giorno, il Procuratore del Pubblico Ministero Federale dell’MS, Dr. Marco Antônio Delfino, ha presentato lo storico della presenza degli indios nello stato, mostrando anche dati attuali e spaventosi a rispetto del confinamento, la discriminazione e la violenza contro i Guarani Kaiowá, i Terena, i Guató e i Guarani Ñandewa.

    Secondo il Procuratore, 68 mila indios vivono nello spazio di 0,5 % del territorio dello stato ed il confronto per riavere il territorio tradizionale, avviene sempre contro l’agrobusiness.

     

    Sono numerose le comunitá di indios che vivono ai margini delle strade ed in aree ristrette, senza spazio per vivere, per coltivare e provvedere al loro sostentamento. Secondo il Procuratore, le piccole aree occupate dagli indios sono l’origine della disorganizzazione sociale: “i litigi e la violenza sono costanti ed sono motivo dell’abbandono dei villaggi da parte dei giovani che migrano verso la cittá, senza nessuna prospettiva di vita”.

     

    Lo scenario di violenza é spaventoso. Il dottor Marco Antônio ha affermato che, nelle aree indigene di Dourados, gli omicidi sono dell’ordine di 140 per 100 mila abitanti. Un numero questo, estremamente alto che é, di gran lunga, superiore agli indici di assassinati di stati in guerra civile, come l’Iraq per esempio.

     

    Abbandono

     

    Farid, un leader della comunitá di Laranjeira Ñanderu racconta, con tristezza, circa la situazione nella quale vive il suo popolo che, da circa un anno e mezzo, si trova accampato ai margini dell’autostrada che va da Campo Grande a Dourados: "Molti neonati sono morti, molti indios si sono ammalati per mancanza d’acqua, alimenti… lá, stiamo morendo!".

     

    La mancanza del riconoscimento delle aree indigene é stato il principale argomento trattato nell’incontro. Eliseu Guarani ha parlato dell’importanza che rappresenta la demarcazione delle aree in rapporto alla diminuzione della violenza: "siamo soggetti ad ogni tipo di violenza. Uccidono i nostri leaderes, i nostri bambini e l’unico modo per dare un fine a tutto questo é ritornare nelle notre aree. E noi non smetteremo di lottare. Si, ritorneremos alle nostre terre!".

     

    Elvisclei Polidoro, leader Terena della comunitá di Cachoeirinha, ha denunciato fermamente la Funai ed il governo dello stato: "la Funai, qui, agisce d’accordo con la politica dello stato. La Funai é antiindígena ed il coordinatore ha giá denunciato alla Polizia Federale gli indios che ritornano alle loro aree e lottano per riaverle definitivamente".

     

    Violenza sistematica

     

    Nel documento che sará mandato ai candidati alla presidenrza della Repubblica e agli organismi internazionali alleati della causa indígena e dei diritti umani, i leaderes che hanno partecipato dell’ATL citano uno slogan che é stato ampiamente divulgato nello stato del Mato Grosso do Sul: “si alla produzione, no alla demarcazione”.

     

    Questo slogan conferma, ancora una volta, quello che la dottoressa in educazione Tatiana Bonin, definisce come razzismo istituzionale: “la violenza sistematica registrata negli ultimi anni ci permette di affermare che, in questo stato, si pratica un tipo di razzismo istituzionale, materializzato nelle azioni violente di gruppi di civili ed omissioni del potere pubblico”.

     

    I casi di violazione dei diritti dei popoli indigeni nel Mato Grosso do Sul dimostrano quale sia l’opzione del governo federale nel trattare le questioni  intimamente legate a questi popoli, come la demarcazione delle loro aree tradizionali, attitudine che ha ignorato oppure persino favorito le investite dei grandi latifondisti e persino della stessa popolazione locale contro i popoli indigeni.

     

    Secondo il Relatorio di Violenze Contro i Popoli Indigeni nel Brasile del 2009, solamente lo scorso anno, 33 indios sono stati assassinati nel Mato Grosso do Sul, il che rappresenta 54% dei 60 casi presentati nel libro organizzato dal Consiglio Indigenista Missionario (Cimi).

     

    Secondo le affermazioni del coordinatore del Cimi, Regionale MS, Egon Heck, la scelta fatta dallo stato é quella dell’omissione: “dal 2003, lo stato presenta il maggior numero di omicidi e nulla é stato fatto per trasformare questa realtá. L’attivitá che prospera nella regione é la costruzione delle raffinerie di alcol etílico che occupano le aree indigene, sia quelle demarcate dal governo come quelle che sono in attesa di regolarizzazione”.

     

    Per il Cimi, la lentezza del governo federale é responsabile di omissione nell’identificare, demarcare ed omologare le aree indigene. Solamente nel Mato Grosso do Sul, esistono circa 20 aree che passano per il processo di regolarizzazione che avrebbe dovuto concludersi piú di un anno fa, processo assunto e firmato dalla Funai (Termo de Ajustamento de Conduta – TAC).

     

    Sei Gruppi di Lavoro sono stati scalati dalla Funai per realizzare i lavori di identificazione delle aree indigene lungo i bacini dei fiumi che passano per lo stato, ma questa attivitá é stata sospesa grazie a interventi giudiziari promossi daí latifondisti che disputano, con gli índios, queste aree: “questa é l’ultima strategia inventata per impossibilitare l’identificazione delle aree indigene”, sostiene Egon Heck.

     

    Documento finale

     

    Nell’ultimo giorno dell’accampamento é stato approvato un documento nel quale tutti i partecipanti riaffermano la loro solidarietá ai popoli indigeni del Mato Grosso do Sul: “Uniti dalla stessa storia, dagli stessi problemi, dalle stesse minacce, dalle stesse sfide, dalla stessa speranza e dalla stessa volontá di lottare per i nostri diritti, siamo pervenuti da distinte regioni del Btasile per manifestare la nostra solidarietá ai popoli indigeni di questo stato che, in modo instancabile, resistono, lottano e fermamente difendono i loro piú sacri diritti, principalmente il diritto alla vita e alla terra”.

     

    Il documento finale presenta le primcipali rivendicazioni dei differenti popoli del paese a rispetto della sanitá, educazione, del dirittto alla terra e sui grandi progetti del governo. Tra i punti principali trattati si sottolineano: la situazione di abbandono e miseria vissuta dalla maggioranza dei popoli indigeni come succede nel Mato Grosso do Sul, la discriminazione, la criminalizzazione dei leaderes e l’assassinato di quelli che lottano per la riconquista della terra.

     

    Secondo il documento, lo sviluppo economico desiderato dal governo non condice con la situazione vissuta dlla stragrande maggioranza dei popoli indigeni del Brasile. “In regioni come nel Mato Grosso do Sul, le comunitá Guarani Kaiowá vivono confinate  in piccole aree od accampate ai margini delle strade, aspettando la demarcazione delle loro terre, invase dal latifondo, dall’agrobusiness, dall’allevamento di bestiame e dalle grandi piantagioni di canna da zucchero e di eucalitto, sotto lo sguardo compiacente e complice degli organi dello stato”.

     

    Per quanto concerne le rivendicazioni per la demarcazione delle aree, il testo sottolinea la creazione di un Gruppo di Lavoro (GT) per accelerare il processo di demarcazione delle aree indigene, la garanzia della sicurezza nelle stesse, della proprietá e della permanenza degli indios nel territorio occupato e l’articolazione assieme al Pubblico Ministero Federale (MPF) perché gli indios ricevano una protezione giuridica che consenta loro di occupare legalmente queste aree.

     

    Altre rivendicazioni

     

    Gli indios che hanno partecipato, chiedono anche l’assistenza sanitaria indigena sia offerta a tutti gli indios, indipendentemente dalla loro localizzazione (aree demarcate, villaggi urbani od accampamenti), e che l’assistenza rispetti le conoscienze della medicina tradicionale degli sciamani e delle levatrici indigene, oltre all’uso di piante medicinali usate nelle terapie.

     

    Nell’ambito dell’educazione, gli indios rivendicano la possibilitá di avere accesso ad un’educazione di qualitá e che venga offerta nelle proprie comunitá o in aree prossime alle stesse, permanentemente e specifica, rispondendo alle necessitá de ogni popolo, disponendo infrastrutture proprie, personale e materiale didattico. “Che sia edificata la scuola indigena in tutti i villaggi, con un proprio progetto politico-pedagogico, calendario e curriculum specifico, secondo la tradizione e la cultura di ogni popolo e d’accordo con la Risoluzione nº 3, del Consiglio Nazionale dell’Educazione (CNE), garantendo l’appoggio operativo tecnico, finanziario e politico”.

     

    Nel documento, gli indios trattano anche di questioni e discussioni sul Decreto 7.056/2009, che riguarda la riforma della Fondazione Nazionale dell’Indio (Funai) e sui grandi progetti previsti dal Programma di Accelerazione della Crescita (PAC) del governo federale. Gli indios rivendicano il rispetto alle leggi brasiliane ed internazionali che trattano dei diritti dei popoli indigeni: la Costituzione Federale, la Dichiarazione Universale dei Diritti Umani e la Convenzione 169 dell’Organizzazione Internazionale del Lavoro (OIT).

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  • 06/09/2010

    Il Mondo che ci Circonda nº 926

    Conclusa, in Altamira, la mobilizzazione contro la costruzione della diga di Belo Monte.

     

    L’incontro ha definito una posizione contro la costruzione di grandi opere nella regione Amazzonica de ha contato com la partecipazione di leaderes indigeni e di comunitá tradizionali provenienti da diverse parti del paese

     

    Cleymenne Cerqueira

    Da Altamira (Pará)

     

    Dopo quattro giorni di discussioni, dibattiti e conferenze, si conclude l’Accampamento per la difesa del fiume Xingú, contro la costruzione della diga di Belo Monte. L’evento, organizato ai margini del porto di Altamira, é iniziato il giorno 9 con l’arrivo di diverse delegazioni indigene del paese, di rappresentanti di cominitá di pescatori, agricultori, di movimenti sociali e organismi internazionali.

     

    All’’incontro hanno partecipato diversi specialisti per dibattere sugli impatti che saranno generati dai grandi progetti programmati dal governo federale, tra questi le dighe, le strade e l’apertura di miniere. Hanno esposto il loro pensiero anche professori dell’Universitá Federale del Pará (UFPA), membri di organizzazioni che lottano per la garanzia dei diritti dei popoli indigeni e delle cominitá di pescatori. Tutti hanno enfatizzato i gravi danni che saranno causati dalla costruzione della diga di Belo Monte.

     

    Il mega progetto dello Stato non attingerá solo lê terre indigene (ancora foresta vergine), ma anche le coltivazioni dei contadini e svuoterá parte del fiume Xingu, fonte dell’economia di molte famiglie. La temperatura delle acque del fiume aumenterá, causando la sparizione di diverse specie di pesci. La diga sará responsabile dell’enorme disboscamento (piú di 500 km²)??????? risultando nell’estinzione di animali e piante esclusive della regione dello Xingu.

     

    "Lo Xingu é luogo di ancestrali culture, é una regione unica per quanto riguarda la presenza di numerosi popoli indigeni e di una fauna che si trova solo qui, nello Xingu", ha affermato la ricercatrice della UFPA, dottoressa Janice Muriel Cunha.

     

    Secondo la Dra. Janice, la gente deve decidere se quello che desidera é lo sviluppo proposto dal governo brasiliano, símile a quello europeo, od un modello di sviluppo sostenibile e giusto. "Il modello di sviliuppo adottato dall’Europa é responsabile della distruzione di circa 99,2% della vegetazione originale e delle risorse ambientali di quel continente. É questo sviluppo che vogliamo? ha chiesto la dottoressa Janice.

     

    Secondo il ricercatore Dr. Rodolfo, della UFPA, “Belo Monte altro non é che un’avventura elettorale. Il Brasile non necessita di questo progetto per svilupparsi ed essere felice. É una manovra della senatrice signora Dilma Roussef che mira a promuovere la sua immagine di candidata alla presidenza della repubblica e l’immagine di una mezza dozzina di furbi del sistema energetico brasiliano".

     

    La dottoressa Janice afferma che Belo Monte é appena una delle lotte che i brasiliani dovranno affrontare. "questo progetto della diga é solamente uno tra i tanti progetti che noi, índios, pescatori, scienziati e gente delle cittá dobbiamo imparare a combattere. E come questo, appariranno tanti altri progetti, tutti non sostenibili dal punto di vista sociale, economico, ambientale e culturale".

     

    In quale direzione marcia la gente dello Xingú?

     

    L’interrogativo che la gente di Altamira si pone e che non ha ottenuto ancora risposte é: "cosa succederá con le 30 mila persone che saranno attinte dalla diga? Dove andranno, di cosa e come vivranno?”, si chiede Mons. Erwin Kräutler, vescovo della Prelatura dello Xingú e presidente del Consiglio Indigenista Missionario (Cimi).

     

    Mons. Erwin partecipa alle lotte contro la diga di Belo Monte dal 1975, período del regime dittatoriale, quando il governo presentó il progetto della costruzione di 6 dighe lungo il fiume Xingú e una sul fiume Iriri, grande affluente dello Xingú. Afferma che, dopo la pressione politica e sociale, la gente ed i movimenti sociali sono riusciti a sospendere il progetto che, credevano, fosse stato abbandonato, dimenticato.

     

    Invece, il governo Lula ha sorpreso la gente proponendolo ancora e che, all’epoca del governo militare, era stato denominato “Diga di Kararaô”. Secondo Mons. Erwin "cambia solo il nome, ma l’intenzione é la stessa: eliminare l’ambiente assieme ai popoli indigeni dello Xingú. É stata per noi una grande sorpresa, anche perché questo governo che abbiamo aiutato ad eleggere, ha risuscitasse questo progetto.

     

    Per Mons. Erwin, il governo mente quando dice che solamente questa diga sará costruita nella regione. Dopo questa, il governo dirá che avrá bisogno di altre dighe per generare energia per la gente del paese.

     

    Principali interrogativi

     

    Oltre al chiedersi cuotidianamente dove finiranno i popoli dello Xingu e cosa succederá com lê foreste della regione, altre preoccupazioni affliggono gli abitanti di Altamira. Di cosa vivranno le migliaia di famiglie che usano il fiume e la foresta per il loro sostentamento? Come vivranno senz’acqua quelle comunitá di pescatori che abitano lingo il fiume?

     

    Mons  Erwin afferma che “questo popolo é abituato a vivere del lavoro delle sue mani, della caccia, della pesca, dell’agricultura… Come vivranno in appartamenti con mobili nuovi, energia elettrica, acqua che scrende daí rubinetti, eletrodomestici, ma senza la loro principale fonte di sopravvivenza? Di cosa vivranno? Come alimenteranno i loro figli e nipoti”?

     

    Oggi come oggi, la gente di Altamira non é a conoscienza della reale grandezza  del lago che la diga formerá. Ogni giorno il progetto dell’opera é modificato e la gente non é nemmeno informata. Secondo Mons. Erwin e secondo diversi specialisti autori di studi sulla possibilitá della costruzione della diga, il riservatorio generato sará come un lago marcio, morto, un vivavio di insetti e malattie endemiche e ai suoi margini giaceranno numerose famiglie soggette alla propria sorte.

     

    "Lo stesso governo che ha proibito la pesca e la commercializzazione dei pesci ornamentali nella regione, ha autorizzato la costruzione della diga di Belo Monte. Che contraddizione! La generazione di rendita e la sopravvivenza per mezzo delle acque del vecchio Xingu sono state proibite, ma l’estinzione degli animali, l’allagamento delle terre dei contadini, l’espulsione di migliaia di famiglie dalla regione, la miseria e la fame, la violenza e le malattie non lo sono, há affermato la dottoressa Janice.

     

    Il progetto, sull’esempio di altri grandi imprendimenti nel paese, attrairrá moltissimi lavoratori e famiglie in cerca del sogno “dell’eldorado”, provocando un aumento vertiginoso della popolazione della cittá di Altamira, oggi stimata in 100 mila persone. La cittá é sita in piena foresta amazzonica e non dispone delle condizioni per ricevere questo fiume di gente. É facilmente prevedibile l’aumento della violenza urbana, dei conflitti ed i problemi giá esistenti, come la mancanza di infrastruttura sanitária e scolastica, si aggraveranno.

     

    Partecipazione popolare

     

    Oltre agli abitanti sparsi lungo il fiume Xingu (ribeirinhos), contadini e pescatori venuti da varie parti del Pará ed ai popoli indigeni Juruna, Xipaya, Arara, Kuruaia e Xicrin della regione di Altamira, hanno partecipato all’incontro anche leaderes dei popoli Guajajara, Gavião, Krikati, Awá Guajá, Kayapó, Tembé, Aikeora, Suruí, Xavante, Karintiana, Puruborá, Kassupá, Mundukuru, Xucuru, Kaingang, Javaé, Tupiniquim, Assurini, Wajapi, Macuxi, Apurinã e Karajá provenienti dagli stati di Rondônia, Maranhão, Roraima, Mato Grosso, Tocantins, Acre, Bahia e Paraná.

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  • 03/09/2010

    “Restaurante canibal”

    Por Cimi Regional Rondônia/Equipe Guajará-Mirim

     

    O Conselho Indigenista Missionário de Guajará-Mirim vem a público denunciar os autores do vídeo “restaurante canibal” que circula na internet desde o dia 27 de agosto, gerando um impacto na mídea internacional que está denegrindo a imagem dos Povos indígenas de Guajará-Mirim, do estado de Rondônia e de todo o Brasil.

     

    As autoridades brasileiras desmentiram os fatos colocados no vídeo e o prefeito de Guajará-Mirim afirmou que irá abrir um processo por difamação.

     

    Quanto aos povos indigenas, a ofensa é bem maior pelo fato do vídeo referir-se a uma “culinária wari” e desse modo, denegrir a imagem de um ritual religioso do referido povo, realizado no passado.

     

    Os povos indígenas continuam a ser discriminados diariamente no Brasil e a serem vistos como impecilhos ao “progresso” por não concordar em transformar as suas florestas em pastos, cultivo de cana de açucar, soja ou café. Para os indígenas a terra é vida, não tem dinheiro que a compre, ela não é uma mercadoria, a terra é mãe. Eles entraram no sistema de mercado, mas a prioridade não é acumular bens, e sim a subsistência de sua família, a partilha, o respeito à natureza, o “viver bem juntos”. A forma que os povos indigenas têm de se relacionar com a terra, com a natureza e com as pessoas e os seus valores não combinam e contrastam com o modelo de “sociedade canibal” que o neoliberalismo vem impondo como um rolo compressor. Exemplo disso são as obras do PAC e a construção das barragens no rio Madeira.

     

    Há preconceitos fortemente enraizados na mentalidade e no inconciente dos não-indigenas que se deve à informações distorcidas nos livros de história e reportagens na mídia que quase sempre apresentam o indígena como primitivo e folclórico.

     

    Na história do Brasil, o conceito de “índio brabo”, “selvagem” ou “antropófago” justificou os massacres e a escravização dos índígenas. O Serviço de Proteção ao Indio (SPI), criado há 100 anos atrás pelo Marechal Candido Rondon, nem sequer conseguiu parar os crimes de genocídeo movidos pela ganância dos ditos “civilizados”. Em Rondônia, nas décadas de 40 e 50 do século XX, aldeias inteiras do povo wari foram dizimadas por seringalistas, como se fossem “bichos do mato”. Depois do contato pacífico, que ocorreu entre os anos 1957 e 1969, os massacres terminaram, mas não as agressões na violação de seus territórios, na falta de assistência à saúde, à educação escolar indígena, ao transporte nas aldeias,… sendo que a maior  agressão é o preconceito que infelizmente a referida matéria vem exacerbar.

     

    Contamos com a justiça para que os responsáveis de tais difamações sejam processados e punidos.

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