• 11/11/2010

    Indígenas do Povo Pukobyê-Gavião são ameaçados por fazendeiros em Amarante do Maranhão

    Gilderlan Rodrigues e Rosana Diniz

    Cimi Regional Maranhão

     

    Fazendeiros maranhenses que ocupam área em estudo complementar para nova demarcação na Terra Indígena Governador, no Maranhão, expulsaram o Grupo de Trabalho (GT) da Fundação Nacional do Índio (Funai) da cidade de Amarante do Maranhão. Na ocasião eles também reuniram com a prefeita do monicípio e outros políticos da região, solicitando ajuda para paralisar o processo de nova demarcação.

    Em 6 de outubro deste ano, a Funai publicou a Portaria criando o GT  para realizar os estudos complementares de natureza fundiária e cartográfica da nova demarcação desta T.I. do Povo Pukobyê-Gavião. A área foi decretada como ocupação tradicional em 1982 com 42.054,73 hectares, no sudoeste do Maranhão. Mas um processo de nova demarcação teve início em 2007, com a elaboração do Relatório Antropológico, pois a Terra Indígena Governador não oferece condições suficientes para que os indígenas possam continuar seu modo de vida tradicional.

    Diante do confinamento e da escassez de água, os Gavião reivindicam a incorporação de porções, rios, lagos de sua terra tradicional que foram excluídos dos atuais limites do território, necessitando da realização de uma nova demarcação, como assegura a Constituição Federal. Sendo novamente demarcada, a terra tradicional terá cerca de 200.000,00 hectares e poderá oferecer melhores condições para a sobrevivência do Povo Pokubyê-Gavião, que tem uma população de aproximadamente mil pessoas vivendo em seis aldeias.

    Em favor das monoculturas

    O discurso dos fazendeiros em não aceitar a nova demarcação da referida terra indígena tem como respaldo a disponibilização das terras indígenas para projetos agropecuários de monoculturas, como a plantação de eucalipto, cultivo que se alastra por sob o cerrado maranhense. Os produtores tentam ganhar adeptos para seu discurso na velha e corriqueira prática de jogar a sociedade não indígena contra estas comunidades tradicionais. Por conta disso, chegam a afirmar que se ficar determinada uma nova demarcação da terra indígena, o município de Amarante ficará inviabilizado produtivamente porque, segundo eles, não haverá terras para produção.

    É interessante notar que a região vem sendo ocupada por projetos de interesse do grande capital, como é o caso da empresa Suzano Papel e Celulose, que está adquirindo mais de trezentos mil hectares de terra na região e onde irá destruir o cerrado para plantar eucalipto.

    Não há nenhuma movimentação contra esse projeto de morte que se instala na região. Porém, quando se trata dos povos indígenas que têm direito reconhecido pela Constituição Federal, constata-se que os mecanismos de repressão são outros, baseados em ameaças às lideranças, como está acontecendo no momento, ou ainda, pela negação de seus direitos básicos como no atendimento à saúde.

    Uma comissão de lideranças vai a São Luis para fazer outra denúncia: o hospital municipal de Amarante do Maranhão está potencializando o preconceito e o acirramento do conflito junto da população não índia, pois se recusam a atender aos Pokubyê-Gavião.

    A nova demarcação é um direito do povo Pokubyê-Gavião de ocupar seu território tradicional devidamente demarcado, onde eles possam continuar sua reprodução física e cultural.

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  • 10/11/2010

    Nem o açoite nem as balas poderão calar a voz da história

    Por CPT/Regional Maranhão

     

    Ainda sob o impacto do cruel, brutal e covarde assassinato de Flaviano Pinto Neto, 45 anos, liderança da comunidade quilombola de Charco, município de São Vicente Ferrer-MA, a Comissão Pastoral da Terra –MA reafirma a sua solidariedade aos lutadores e lutadoras que, neste Estado, enfrentam de pé o “Dragão cor de fogo” sem medo porque sabem que suas vidas estão nas mãos de Javé. Essa foi, infelizmente, mais uma morte anunciada nestas terras dominadas por uma oligarquia tão cara ao latifúndio. Por nós foi denunciada ao INCRA-MA, ITERMA, Ouvidoria Agrária Nacional, ao Tribunal de Justiça do Maranhão, ao Poder Executivo, o Ministério Público do Estado, à Imprensa, às Igrejas, etc. Todos souberam do agravamento do conflito.

     

    A crença de que futuro chegou ao Estado do Maranhão pelas mãos de grandes investidores vendou olhos e fechou ouvidos para os sofrimentos dos camponeses, indígenas, quebradeira de coco, pescadores. Neste momento mais de duas dezenas de lideranças camponesas estão ameaçadas de morte, algumas tendo que abandonar suas casas para escaparem da morte; há em torno de duas centenas de comunidades camponesas e indígenas em conflitos pela terra; várias lideranças, incluindo agentes da CPT estão sendo criminalizados por causa de sua atuação na luta camponesa.

     

    Essa violência contra posseiros, indígenas, quebradeiras de coco, quebradeiras de coco… na prática dos planejadores está assumindo uma dimensão instrumental, tornando-se necessária para a implantação dos grandes projetos em terras ocupadas centenariamente por povos e comunidades tradicionais.  Em 2010, já foram assassinados: Raimundo Pereira da Silva, povoado Vergel/Codó, Hubinet Ka’apor em Centro do Guilherme; Elias, Curva/São Mateus; Flaviano Pinto, Charco/São Vicente Ferrer. O silêncio omisso do estado diante das ameaças de morte, dos assassinatos de lideranças rurais, somado às destruições de casas e roças por ordem judicial revelam o caráter racista e etnocida deste Estado e a forma vergonhosa como os poderes públicos servem a interesses particulares.  

     

    O consórcio formado por cartórios, magistrados, políticos, agentes públicos, empresários, latifundiários e pistoleiros continua agindo no Maranhão com o mesmo objetivo de sempre: “incorporar terras públicas ao modelo de propriedade privada do sistema capitalista”. Para isso, empresários e fazendeiros forjam e esquentam escrituras em cartórios, depois conseguem no judiciário Liminar de Reintegração de Posse, em seguida o Estado concede a força policial para que as liminares sejam cumpridas; quem resiste é ameaçado, perseguido, expulso e morto por pistoleiros, muitas vezes policiais em horário de folga.

     

    Queremos finalizar conclamando as Igrejas, os movimentos sociais do campo e da cidade, os intelectuais, enfim todos os homens e todas as mulheres de boa vontade a nos levantarmos contra a tirania e/ou omissão do Estado no tratamento dos conflitos fundiários que envolvem comunidades camponesas. Lembremos: o “silêncio dos bons é pior que a ação dos maus”.

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  • 10/11/2010

    MPF recomenda ao Ibama que não fragmente licenças para Belo Monte

    Procuradores enviaram documento hoje avisando que não existe licença parcial nesse momento. Condicionantes da licença prévia têm que ser cumpridas antes de nova autorização.

     

    O Ministério Público Federal enviou hoje ao presidente do Ibama, Abelardo Bayma de Azevedo, uma recomendação para que não emita nova licença ambiental para a usina hidrelétrica de Belo Monte enquanto não estiverem resolvidas as questões pendentes da Licença Prévia.

     

    “Se abstenha de emitir qualquer licença, em especial a de Instalação, prévia ou definitiva, do empreendimento denominado AHE Belo Monte, enquanto as questões relativas às condicionantes da Licença Prévia 342/2010 não forem definitivamente resolvidas de acordo com o previsto.

     

    Na Licença Prévia, que autorizou o leilão da usina em abril desse ano, os técnicos do Ibama elencaram 40 condicionantes – exigências prévias – que deveriam ser cumpridas antes da emissão de novas autorizações. “O MPF constatou que, até agora, a maioria das condicionantes encontra-se, se não no marco zero, muito aquém do previsto”, dizem os procuradores, para acrescentar em seguida que o cenário “é de total incerteza sobre o cumprimento das condicionantes e sobre os danos que com isso serão causados”.

     

    O MPF alerta o Ibama de que o direito ambiental é regido pelo princípio da precaução, que exige cuidados prévios em caso de possibilidade de danos irreversíveis. “É inadmissível juridicamente a expedição dessa nova licença, porque relegaria a decisão por cumprir as condicionantes para um momento posterior”, diz a recomendação.

     

    Na recomendação ao Ibama, os procuradores da República que atuam em Altamira, Cláudio Terre do Amaral e Bruno Gütschow lembram que “não existe no ordenamento jurídico brasileiro o instituto da licença parcial de instalação (ou qualquer outro instrumento com outro nome) que permita que se inicie a implementação de um empreendimento com impactos de grandeza regional ou nacional em caráter precário”.

     

    Pelas leis brasileiras, um empreendimento pode obter três licenças ambientais – a Prévia, que estabelece a viabilidade do projeto e sob que condições; a de Instalação que, cumpridas as condições de viabilidade, permite o início da obra em si; e, após as obras, a Licença de Operação, que autoriza o funcionamento.

     

    Por isso, o MPF registra na recomendação ao Ibama que, pelo princípio constitucional da legalidade, a administração pública e os agentes públicos só podem editar atos administrativos de acordo com o que está previsto na legislação.

     

    No entanto, existe um caso de obra no setor elétrico que obteve licença parcial para instalação de canteiros, sem respeito à legislação: a obra de Jirau e Santo Antônio, em Rondônia. O caso das usinas do rio Madeira está sub judice, e há temor de que o mesmo tipo de burla se repita em Belo Monte.

     

    Ministério Público Federal no Pará

    Assessoria de Comunicação

    Fones: (91) 3299-0148 / 3299-0177

    E-mail: [email protected]

    Site: www.prpa.mpf.gov.br

    Twitter: http://twitter.com/MPF_PA

     

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  • 10/11/2010

    Pataxó e Tupinambá do sul da Bahia em reuniões em Brasília

    Por Denise da Veiga Alves

    Assessora Jurídica do Cimi

     

    Na tarde de ontem (9), cerca de vinte caciques e lideranças dos povos Pataxó e Tupinambá estiveram em reunião com os presidentes do ICMBio e Funai, funcionários destes órgãos e também do Incra e de sua superintendência da Bahia, além do Gabinete pessoal da Presidência da República e da assessoria jurídica do Cimi.

     

    O debate tratou da apresentação de proposta, por parte dos órgãos governamentais, de gestão compartilhada do Parque Nacional do Monte Pascoal, contido dentro dos limites da Terra Indígena Barra Velha, de propriedade da União e de usufruto permanente e exclusivo do povo Pataxó. Na mesma linha da gestão compartilhada entre ICMBio e comunidades indígenas no Parque Nacional do Monte Roraima, o povo Pataxó participará ativamente da gestão do Parque do Monte Pascoal, garantiu o presidente do ICMBio, Rômulo Mello. A proposta conta com o apoio dos demais órgãos governamentais. O Incra envidará esforços para reassentar os trabalhadores rurais anteriormente fixados pelo órgão em terras indígenas, com o apoio da própria Presidência da República. Assim, os legítimos interesses e direitos de ambos os grupos sociais serão respeitados, sejam trabalhadores rurais ou comunidades indígenas, além de se resguardar o meio ambiente de forma participativa.

     

    A reunião também tratou da Terra Indígena Cahy. A situação merecerá estudo mais aprofundado por um grupo de trabalho formado pela Funai, Incra e ICMBio, devido a questões administrativas. Uma proposta deverá ser apresentada por estes órgãos em 90 dias, para apreciação do povo Pataxó, na tentativa de igualmente conciliar os direitos e interesses dos grupos sociais afetados, bem como a preservação ambiental do Parque Nacional do Descobrimento, atingido pela identificação de limites desta terra indígena.

     

    A situação da Terra Indígena Coroa Vermelha foi tratada com Márcio Meira, presidente da Funai, nesta quarta-feira (10), que assegurou as lideranças e caciques que analisará pessoalmente, junto com o Departamento de Proteção Territorial do órgão as demandas, com muito cuidado e carinho, garantindo também o acompanhamento judicial das questões em curso que fragilizam a permanência das comunidades em área. Os indígenas ressaltaram que são a todo tempo, ameaçados de morte e de serem despejados de suas terras pelos fazendeiros da região. Eles também afirmam que estão apreensivos com a falta de ação da FUNAI em relação à terra.

     

    As reuniões prosseguem em Brasília, junto à Secretaria de Saúde Indígena, Presidência da Funai, Ministério Público Federal e outros órgãos.

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  • 10/11/2010

    Hidrelétrica pode acabar com a Pororoca em rio amazônico

    A Pororoca é um fenômeno que forma ondas gigantes no encontro dos rios amazônicos com o Oceano Atlântico. No rio Araguari, que corta o estado do Amapá, as ondas atingem até cinco metros de altura. No entanto, a construção da usina hidrelétrica de Ferreira Gomes ameaça a continuidade desse espetáculo.

     

    No último dia 4, os Ministérios Públicos Federal e Estadual do Amapá moveram uma Ação Civil Pública pedindo a suspensão da licença de instalação da usina. De acordo com o procurador da República no estado, Antônio Carlos Marques Cardoso, o empreendimento ainda coloca em risco a unidade de conservação do Lago do Piratuba,

     

    “O pedido é feito em virtude da deficiência do estudo de impacto ambiental que não abrangeu determinadas zonas de afetação indireta, no caso o município situado nas proximidades do rio Araguari. O estudo de impacto ambiental foi feito até um determinado estágio e desconsiderou justamente a Foz do Rio Araguari, onde se dá o fenômeno da pororoca.”

     

    No início do ano foram realizadas audiências públicas nos municípios de  Macapá, Ferreira Gomes e Porto Grande.  O procurador denuncia que as comunidades não foram informadas sobre os danos ambientais e sociais que serão causados pela usina.

     

     “Uma cidade como Ferreira Gomes, que tem uma população pequena, não tem estrutura para suportar uma massa de trabalhadores da ordem de duas, três mil pessoas. Há o problema da falta de estrutura urbana da cidade e também as questões que envolvem qualquer construção, como o problema das doenças, da violência e, eventualmente, a prostituição.”

     

    Na Ação Civil Pública também foi solicitada a suspensão do leilão que escolheu a empresa Alupar para realizar as obras.

     

    De São Paulo, da Radioagência NP, Jorge Américo.

     

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  • 09/11/2010

    Nota Pública APIB: Sobre a mudança climática, o governo brasileiro e os povos indígenas

    A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), considerando a contribuição milenar dos nossos povos proteção e preservação da Mãe Terra, da biodiversidade, de milhares de espécies animais e vegetais, das reservas de água doce, de plantas medicinais e no enfrentamento das mudanças climáticas, entre outros feitos, rechaça a visão reducionista que vê em nossos territórios apenas depósitos de carbono, potencialmente lucrativos, nem sempre para as nossas comunidades. As nossas terras são o nosso lar, a base de sustentação da nossa identidade e cultura e da nossa convivência com outros seres vivos e demais elementos da Natureza.

     

    Portanto recusamos o olhar mercantilista com que mais uma vez agentes externos, nacionais ou internacionais, se aproximam de nossos territórios e povos, incentivando-os a se envolver em potenciais negócios milionários, sem antes entender a complexidade das mudanças climáticas, além de seus efeitos ou impactos, considerando a história e o contexto da atual crise, que não é só climática, mas também econômica, energética, ambiental, social e de valores.

     

    Daí que os governos dos países ricos, e agora aderidos pelos países ditos emergentes, dentre eles o Brasil, estão mais preocupados em recuperar o seu poderio, no controle ou repartição do mundo, ao invés de consertar o estrago que vem causando ao meio ambiente como conseqüência do modelo econômico que adotaram: poluidor, de extrativismo industrial e depredador, responsável pela atual catástrofe de inundações, secas, processos de desertificação, degelos, desaparecimento de espécies e ecossistemas, chuva ácida, poluição urbana, águas contaminadas, doenças, conflitos sociais, deslocamento populacional, empobrecimento, depredação de recursos naturais, descaracterização sociocultural e riscos de dizimação de povos, enfim, de atentados contra a vida do planeta e da humanidade.

     

    Por isso, antes de pensar na transferência de recursos para os países pobres ou na discussão e implementação de mecanismos de compra de crédito de carbono, a preocupação dos governos deve ser assumir metas concretas necessárias para a efetiva e comprovada redução de gases de efeito estufa nos seus respectivos países.

     

    A contribuição dos povos indígenas no enfrentamento da mudança climática e na preservação da biodiversidade e dos recursos naturais nos diversos biomas não é de agora, e isso tem que ser reconhecido e valorizado pelo Governo e o povo brasileiro. Por isso é fundamental que se conclua a demarcação das terras indígenas e se garanta a sua proteção perante as distintas formas de invasão: empreendimentos madeireiros, latifundiários, agroexportadores, garimpo e pesca ilegal, empresas de mineração e grandes empreendimentos de infra-estrutura.

     

    O Governo brasileiro deve também respeitar rigorosamente ás normas nacionais e internacionais que asseguram o direito dos povos indígenas à consulta livre, prévia e informada, assegurada principalmente nos artigos 6º e 7º da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e na Declaração da ONU sobre os direitos dos povos indígenas.

     

    Nessas condições, não basta pretender mostrar ao mundo, no marco das negociações sobre a Convenção do clima, que a sociedade civil é consultada, porque até o momento essa participação se deu de maneira informal, limitada e praticamente sem a participação dos povos e organizações indígenas.

     

    Para a APIB, está mais do que claro que não cabe somente ao governo, e muito menos a setores empresariais, organizações não governamentais e até indivíduos oportunistas, definir o destino e a participação dos povos indígenas em quaisquer medidas ou ações que afete os seus interesses.

     

    Até o momento, o Governo brasileiro possibilitou processos de consulta em questões como o Estatuto dos Povos Indígenas e a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental em Terras Indígenas (PNGATI). Por que então não envolver os povos indígenas na discussão da questão climática, dos serviços ambientais e inclusive dos mecanismos de Redução de emissões por desmatamento e degradação (REDD), mesmo para fins de esclarecimento sobre o assunto e para saber se os povos e comunidades indígenas estão ou não interessados em participar desta nova promessa de “bem-estar” e “futuro promissor”?

     

    A APIB alerta sobre os riscos de quaisquer iniciativas que ao invés de levar melhorias podem prejudicar a integridade sociocultural, territorial e ambiental das terras e povos indígenas.

     

    Como em outras ocasiões, a APIB reitera o seu entendimento a respeito das políticas públicas voltadas aos povos indígenas, no sentido de que a participação dos povos indígenas deve ser garantida na sua formulação, implementação e avaliação, através do diálogo institucionalizado e formal. E as políticas, programas e projetos devem se pautar pela transversalidade e a articulação interna para assegurar a sua gestão e aplicabilidade eficiente, atingindo os seus objetivos mas sobretudo os interesses e as aspirações dos seus destinatários. Essa unidade de ação necessariamente requer de uma visão e comportamento articulado dos distintos órgãos de governo envolvidos com a questão indígena.

     

    Dessa forma a APIB espera que o Governo brasileiro assegure processo qualificado de consulta aos povos indígenas, para não omitir a sua participação e contribuição na elaboração do Plano Nacional de Mudança Climática, sem esquecer que esta questão não pode ser tratada de forma isolada, mas sim no contexto da PNGATI, cujos objetivos já tratam dos serviços ambientais oferecidos pelos povos e terras indígenas, além de muitas outras demandas e propósitos relacionados com a gestão territorial e ambiental dessas terras.

     

    Ao governo, às organizações não governamentais e outros interesses estranhos exigimos que parem de assediar e inculcar nos nossos povos e comunidades ilusões e propósitos relacionados com o mercado de carbono que podem comprometer a sua integridade sociocultural, respeitando o nosso ritmo e a criação de condições para o entendimento desta e outras questões emergentes, em prol da preservação dos nossos territórios e suas riquezas, mas principalmente da nossa vida.

     

    Brasília, 09 de novembro de 2010.

     

    APIB – ARTICULAÇÃO DOS POVOS INDÍGENAS DO BRASIL

    APOINME – ARPIN SUDESTE – ARPIN SUL – ARPIPAN – ATY GUASU – COIAB

     

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  • 09/11/2010

    Sociedade civil notifica mais dez bancos e fundos de investimento sobre risco de financiar Belo Monte

    Ontem (08) foram enviadas dez notificações extrajudiciais por organizações da sociedade civil, cobrando que bancos e fundos de investimento não financiem a usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA).

    A notificação pede que as instituições respeitem a legislação e suas próprias diretrizes socioambientais e não financiem a usina, já que Belo Monte deve causar grande impacto no meio ambiente e nas comunidades do entorno, em especial, povos indígenas.

    A notificação foi enviada aos bancos Bradesco, Itaú Unibanco, BES Investimento, Santander, CEF, BASA, BNB, HSBC e Banco Votorantim, e aos fundos FNE /FNO.  Em setembro, as ONGs já haviam notificado o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco do Brasil.

    O texto é assinado pela Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, e endossado por Greenpeace, Movimento Xingu Vivo para Sempre, International Rivers, Instituto Socioambiental (ISA), Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé e BankTrack, entre mais de 100 organizações e grupos.

    Risco financeiro

    Segundo as organizações, existe grande risco financeiro para os bancos, se optarem em financiar Belo Monte.  Quem financiar a usina será responsabilizado solidariamente por todos os eventuais danos que a usina causar, como os impactos no meio ambiente, na floresta amazônica e nas comunidades de índios e ribeirinhos.

    De acordo com as ONGs, a usina causará impactos na qualidade da água da região e provocará seca na Volta Grande do Xingu, onde vivem centenas de famílias que dependem do rio para sobreviver, além do outros danos irreversíveis.  A usina também é acusada de violação da Constituição, que reconhece aos índios os direitos originários sobre as terras que ocupam, em especial, as utilizadas para suas atividades produtivas e culturais.

    O objetivo principal das notificações é fazer com que os bancos e fundos estejam cientes de suas responsabilidades ao assumirem um eventual financiamento.  Com base nisso, eles podem decidir se abster do financiamento ou assumir o risco financeiro e de reputação.  O que eles não podem fazer é alegar num futuro processo judicial que não estavam cientes dos impactos socioambientais do empreendimento.

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  • 09/11/2010

    10ª Assembléia da Organização Oro Warí

    Por Equipe Guajará Mirim/Cimi Regional Rondônia

     

    Encontro, que aconteceu na cidade de Guajará Mirim, foi marcada pelo descontentamento dos participantes diante dos descasos da Funasa e da Funai

     

    Entre os dias 26 e 28 de outubro deste ano foi realizada a 10ª Assembléia da Organização Oro Warí, que reúne 24 povos dos municípios de Guajará Mirim e Nova Mamoré, em Rondônia. O evento aconteceu no Centro de Treinamento São José, em Guajará Mirim. Cerca de 120 pessoas participaram do encontro, entre lideranças indígenas, caciques, agentes de saúde indígena, professores e conselheiros. Durante o evento houve forte presença e participação das mulheres, dentre as quais a coordenadora da Coordenação da União dos Povos Indígenas de Rondônia, noroeste do Mato Grosso e sul do Amazonas (Cumpir), Eva Canoé.

     

    Em sua fala, Canoé destacou a preocupação com a forma com que o governo vem tratando os povos indígenas do país, principalmente no que diz respeito à implantação dos grandes projetos na Amazônia, em especial em Rondônia com a construção de usinas no rio Madeira e outras pequenas centrais hidrelétricas no interior do estado. De acordo com a coordenadora, todas essas obras estão sem implantadas nas proximidades ou mesmo dentro dos territórios indígenas, sem que estes sejam consultados, como lhes assegura a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e outros documentos nacionais e internacionais.

     

    A principal reivindicação da organização e de todos os povos indígenas do estado é a implantação de políticas públicas nas áreas de saúde, educação e saneamento básico, entre outras. Atualmente, a situação mais urgente se refere à precariedade no atendimento à saúde, com o registro de diversas mortes nos últimos anos. Diversas denúncias já foram encaminhas pelas comunidades do estado, mas até o momento os órgãos competentes não apontaram uma solução para o problema.

     

    Na região está localizado um dos mais problemas relacionados à falta de atendimento à saúde. O Pólo Base depende diretamente do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) de Porto Velho, com sede distante cerca de 380 quilômetros de Guajará Mirim. O Distrito nem sequer atende a todas as reivindicações dos povos do estado ou daqueles representados pelo Conselho Local de Saúde Indígena.

     

    Dentre os principais problemas enfrentados na região estão a falta de transporte de emergência para transportar os doentes das aldeias para a Casa de Saúde Indígena (Casai), capacitação e contratação de Agentes Indígenas de Saúde (AIS), construção de postos de saúde nas aldeias, ampliação da Casai, aquisição de medicamentos e equipamentos. De acordo com relatos dos participantes, essas melhorias têm sido solicitadas desde 2000, mas até o momento nenhuma foi atendida. Outro agravante á saúde dos povos de Rondônia é o alto índice das hepatites B e C, cujos portadores não vêm tendo acompanhamento e tratamento adequados, o que levou, inclusive, duas pessoas a morte nos últimos três anos.

     

    Sesai

     

    As discussões giraram em torno da conjuntura da política indigenista, que hoje passa por mudanças sérias em todos os órgãos, com as implantações da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e dos Territórios Étnicos Educacionais, além da reestruturação da Fundação Nacional do Índio (Funai) e das questões conflitivas em relação a construção de hidrelétricas e outras grandes obras que afetam diretamente comunidades indígenas.

     

    Os povos exigem participação em todos esses processos ou ao menos o direito de serem consultados, o que não vem acontecendo a exemplo de uma portaria municipal para realização de teste seletivo para contratação dos servidores de saúde que atuarão nas áreas indígenas. Este assunto foi polêmico, pois o município elaborou um edital sem ao menos consultar a organização ou o Conselho Local, que há meses não se reúne, pois o DSEI alega falta de recursos.

     

    Durante o encontro, também foi questionado o número e o nome dos servidores que são contratados com recursos do SAS proveniente do Ministério da Saúde via município. Os participantes foram pegos de surpresa ao descobrirem o nome de uma enfermeira que recebe parte deste recurso, mas não trabalha no Pólo Base de Guajará Mirim. De acordo com o prefeito do município, Atalíbio José Pegorini, o caso já estaria sendo resolvido. A liderança Silas Oro Nao’ foi sucinto ao afirmar que com o valor pago a essa enfermeira daria para contratar pelos menos mais sete agentes de saúde para atendimento nas aldeias.

     

    Autoritarismo

     

    Um dos grandes questionamentos dos povos em relação à implantação da Sesai é quanto à chefia dos Dseis, principalmente o de Porto Velho. Eles querem saber se irão acontecer mudanças ou se as mesmas pessoas continuaram à frente dos trabalhos. Para

    os participantes, a real preocupação é que os Dseis continuem chefiados com base no autoritarismo e no jogo de interesses e não nas necessidades dos indígenas do país. De acordo com eles, atualmente todas as decisões são tomadas a revelia dos conselhos locais de saúde indígena. “Nós do movimento não podemos deixar isso acontecer”, salientou Milton Oro Não’, coordenador da Organização Oro Wari.

     

    Educação

     

    Em relação à educação foi refletido sobre a formação dos Territórios Étnicos Educacionais, este ainda muito obscuro para as comunidades e lideranças indígenas. Também se discutiu sobre o concurso específico e diferenciado para os professores indígenas: como vai acontecer e qual o papel da comunidade neste processo. “Educação é um bom caminho a ser seguido, mas não podemos jogar toda responsabilidade para o professor. Essa lei não é conquista dos políticos e sim de nós lideranças. Nós indígenas, assim como os “brancos”, temos que dá prioridade à educação. O professor tem que estar unido à comunidade, assim como a comunidade ao professor”, declarou Arão Oro Waram Xijein, importante liderança local e ex-coordenador da Opiron.

     

    Reestruturação da FUNAI

     

    O debate sobre a Funai foi bastante polêmico e tenso. Faz cinco anos que o movimento indígena local pede mudanças no quadro de servidores da Fundação. Nestes anos aconteceram vários manifestos exigindo essas mudanças, como a ocupação do prédio da Funai, a apreensão de veículo numa aldeia, um ato público nas ruas, diversas reuniões com políticos e com o presidente do órgão, bem como denuncias ao Ministério Publico Federal (MPF).

     

    O movimento afirma que a reestruturação da Funai na Coordenação de Guajará-Mirim deve passar principalmente por uma reestruturação no quadro dos servidores, em especial aqueles que há anos vêm discriminando e desrespeitando os povos indígenas. Depois de muita pressão, Joel Oro Nao’, atual coordenador da FUNAI na região, afirmou que atenderá as solicitações das comunidades indígenas.

     

    “É muito fácil pedir pra esquecer o passado, o difícil é esquecer. Mesmo com a troca de funcionários, tudo que se passou até agora com nossos parentes não tem como esquecer, vai ficar guardado na memória de cada um, as violências sofridas por essas pessoas”, desabafou após a promessa de Joel, Valdito Oro Eo, cacique da aldeia Lage Velho, na Terra Indígena Lage.

     

    Embora com muito esforço da coordenação da Organização em manter a calma dos participantes, a assembléia foi encerrada num clima tenso diante da indignação das lideranças frente aos descasos que sofrem pelos órgãos que foram criados para atender aos povos indígenas.

     

    Oro Warí

     

    A Organização Oro Warí, abrange 24 povos indígenas da região de Guajará Mirim e Nova Mamoré, sendo o povo Oro Warí o mais numeroso de todo o estado, com aproximadamente 3.800 pessoas. Hoje, a população indígena da região ultrapassa os 5.500, o que chega a ser a metade da população indígena do estado de Rondônia.

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  • 08/11/2010

    Reivindicações do Povo Guajajara resulta em confronto na Terra Indígena Canabrava (MA)

    Desde a última quinta-feira (4), circulavam informações nas emissoras de rádio em Barra do Corda (MA), de que indígenas do Povo Guajajara, que vivem às margens da BR 226, estariam ameaçando interditar a rodovia como protesto pelo não recebimento do valor destinado ao transporte e merenda escolar indígena. O valor em questão deveria ter sido pago em junho deste ano, quando o governo do Maranhão assinou um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), contudo não honrou o compromisso.

     

    Por volta das 17h de ontem (7), os indígenas iniciaram o protesto e bloquearam parte da BR 226. Durante o bloqueio, o delegado regional de Barra do Corda, Edmar Cavalcanti, que durante o final de semana havia prestado serviço na delegacia da Polícia Civil em Grajaú, retornava para Barra do Corda. Cavalcanti, que viaja sozinho, conduzia uma motocicleta e estava à paisana. De acordo com relatos, ao chegar ao local do protesto, ele tentou convencer os indígenas para que o deixassem passar.

     

    De acordo com o delegado, o grupo não permitiu sua passagem e deu início a uma série de agressões. Cavalcanti teve ferimentos na mão esquerda e parte de um dedo decepado. Segundo ele, após sofrer tais agressões sacou o revolver e começou a atirar na direção dos indígenas. Vários indígenas ficaram feridos e revidaram com tiros de espingarda, dos quais alguns projéteis atingiram Cavalcanti.

     

    No momento do conflito, dois caminhoneiros que seguiam de Grajaú para Barra do Corda, se aproximaram do grupo. De acordo com relatos, eles perceberam a situação, manobraram o caminhão e prestaram socorro ao delegado, levando-o de volta a Grajaú, aonde recebeu os primeiros atendimentos médicos. Na madrugada de hoje, Cavalcanti foi transferido para o Hospital São Rafael, em Imperatriz.

     

    Versões

     

    Um detalhe chama a atenção: na versão do delegado, foram os indígenas que iniciaram o confronto, ferindo-lhe a mão onde um dedo foi decepado… Uma versão estranha, pois o corte teria sido “a causa justa” que fez com que o policial sacasse sua arma e atirasse contra os indígenas. E na delegacia de Grajaú os policiais informaram que fora o próprio delegado que contou que os indígenas usaram arma de fogo depois que ele já havia atirado nos indígenas.  

     

    Não se sabe como nem quem socorreu os indígenas, que além de feridos estão presos. Segundo Erismar Timbira, membro da Equipe de Coordenação Técnica da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Barra do Corda, dois indígenas foram presos e levados à delegacia da cidade. Na manhã de hoje, um deles foi liberado.  O outro continua preso, porém com um grave ferimento na perna provocado pelas balas deferidas pelo policial. É urgente que ele receba atendimento médico necessário para não vir a perder a perna. Três indígenas, em estado mais grave, foram presos e levados, em seguida, para o Socorrão de Presidente Dutra, dois em estado grave.

     

    Erismar Timbira informou também que os indígenas não procuraram a Funai para comunicar sua intenção e nem buscaram acercarem-se de algumas medidas de segurança. Contudo, ao saberem da intenção dos indígenas, de forma não oficial, tentaram convencê-los a buscar outra solução indo até São Luis para negociarem diretamente com os órgãos estaduais.  

     

    No momento, a rodovia naquela área continua sem movimentação de veículos. No entanto, não se sabe se está interditada pelos indígenas, ou se são os viajantes que estão cautelosos e inseguros de trafegarem pelo local após o conflito.

     

    Este estado de coisas acontece exatamente após as eleições, quando a governadora Roseana Sarney anuncia o corte dos gastos e alega não ter dinheiro para honrar seu compromisso com os indígenas. Mais uma vez a governadora mostra para que veio. Enquanto isso recai sobre os indígenas, em mais este triste episódio, as conseqüências: críticas infundadas da mídia regional, não contextualizando os fatos e acirrando o ódio da sociedade não índia, pois omite o real motivo do protesto dos indígenas.

     

    Terra Indígena

     

    A Terra Indígena Cana Brava, mais especificamente o trecho dos 22 km que passa por dentro da terra, tem sido nos últimos anos palco de conflitos entre indígenas e não indígenas. O certo é que a gravidade e conseqüência dos mesmos chamam a atenção. Na maioria dos conflitos ali ocorridos são os indígenas as maiores vitimas, feridos e assassinados.

     

    Mais de oito mil indígenas Guajajara moram na terra indígena Canabrava. A MA 226 foi construída na década de 40 e corta a terra ao meio, sentido Peritoró a Porto Franco ou Barra do Corda a Grajaú.

     

    Com informações de Ana Lucia Corbani

    Pastoral Indigenista Grajaú/MA

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  • 08/11/2010

    Usinas devem até 3 milhões de reais por programa social não cumprido

    Ações de MPF e MPT contra usinas de MS cobram implementação do Programa de Assistência Social. Multa diária pode chegar a cem mil reais. 

     

    O Ministério Público Federal (MPF) e Ministério Público do Trabalho (MPT) em Mato Grosso do Sul ajuizaram ações civis públicas contra a União e as empresas produtoras de açúcar e álcool da região sul do Estado. As ações foram propostas em 27 de outubro, nas Varas do trabalho de Dourados, Ponta Porã, Fátima do Sul, Mundo Novo, Naviraí e Nova Andradina, com o objetivo de garantir a implementação do Plano de Assistência Social (PAS), previsto na Lei nº 4.870/65.

     

    O MPF e o MPT querem que as usinas, sob pena de multa diária mínima de 100 mil reais, sejam obrigadas a depositar, mensalmente, em conta judicial específica, os percentuais referentes à receita do PAS. As ações pedem que a União, por meio da atuação conjunta do Ministério da Agricultura e Pecuária e do Ministério do Trabalho e Emprego, fiscalize a elaboração e execução concreta do plano. A condenação das empresas do setor foi estimada em R$ 3 milhões, referentes ao pagamento das parcelas vencidas do PAS desde outubro de 2000, quando deixou de ser realizada a fiscalização, até hoje.

     

    As ações foram propostas conjuntamente pelo procurador da República Marco Antonio Delfino de Almeida e pelo procurador do Trabalho Paulo Douglas Almeida de Moraes. O objetivo é garantir assistência médica, hospitalar, farmacêutica e social aos trabalhadores agrícolas e industriais das empresas. A lei prevê que recursos sejam aplicados em programas nas áreas de higiene e saúde, educação profissional e média, financiamento de cooperativas de consumo e de culturas de subsistência e estímulo a programas educativos, culturais e de recreação.

     

    Empresas não cumprem a lei

     

    Investigação do Ministério Público comprovou a inexistência de planos nos moldes da Lei 4.870/65. Houve tentativas para solucionar o impasse extrajudicialmente mas os empresários alegaram que a lei não teria sido recepcionada pela atual Constituição. As empresas também informaram que prestam assistência social aos seus empregados, através de políticas internas de benefícios ou conforme normas coletivas.

     

    A legislação obriga os produtores de cana-de-açúcar a aplicar em benefício dos trabalhadores percentuais incidentes sobre o preço oficial da saca de açúcar, da tonelada de cana-de-açúcar entregue ou do valor oficial do litro de álcool, individualmente, ou através das associações de classe. Os recursos que formam a receita do PAS originam-se da aplicação dos percentuais de 1% sobre o açúcar, 2% sobre o álcool e 1% sobre a cana-de-açúcar produzidos.

     

    Plano de Assistência Social

     

    O plano foi criado em 1965 e, inicialmente, cabia ao Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) a fiscalização da arrecadação desses recursos. O órgão foi extinto pela Lei 8.029/90 e as empresas não estão fazendo as devidas aplicações das verbas referentes ao PAS com o argumento de que não existe mais a obrigatoriedade das contribuições constantes no Plano.

     

    A extinção do Instituto do Açúcar e do Álcool não alterou a relação jurídica de natureza assistencial em prol dos trabalhadores. A função de fiscalizar foi atribuída ao Ministério da Agricultura, cabendo à União a obrigação de prover meios adequados ao cumprimento da lei. Para o Ministério Público, "o PAS é muito mais do que assistência à saúde. É assistência social como um todo: melhoria na qualidade de vida, saúde, educação, higiene, segurança, amparo para mulheres grávidas, crianças desnutridas e todo tipo de mal que atinge as classes mais desfavorecidas, que sujeitam-se ao trabalho nos canaviais".

     

    Assessoria de Comunicação Social

    Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul

    (67) 3312-7265 / 9297-1903

    (67) 3312-7283 / 9142-3976

    www.prms.mpf.gov.br

    www.twitter.com/mpf_ms

     

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