• 09/11/2012

    Ato em solidariedade aos Guarani Kaiowá reúne manifestantes em Brasília

      

    Por Luana Luizy,

    de Brasília

     

    O genocídio aos Guarani Kaiowá foi o grande mote que levou indígenas e manifestantes na Esplanada dos Ministérios, nesta sexta-feira à tarde, em Brasília. O protesto foi promovido pelo Comitê de Solidariedade aos Guarani Kaiowá e aconteceu em 21 capitais do país.

    Na cidade de Brasília 200 indígenas do Maranhão se uniram a estudantes e independentes pela denúncia contra o extermínio aos Guarani Kaiowá e pela demarcação das terras. “Senti de perto com os Guarani Kaiowá o que esse sistema maléfico está impondo a eles, precisamos nos articular para trazer a superação contra esse sistema”, lamenta Egon Heck, missionário do Conselho Indigenista Missionário.

    A portaria 303 também foi pautada, medida que determina que as terras indígenas podem ser ocupadas por unidades, intervenções militares, empreendimentos hidrelétricos e minerais de cunho estratégico, sem consulta aos povos.  “A gente também veio falar da portaria 303 que está prejudicando nosso direito e exigir revogação dela. O governo não resolve nosso problema, por isso estamos correndo atrás”, conta o cacique Ambrósio Gavião.

     “Demarcação sim, latifúndio não”

    No manifesto do Comitê de Solidariedade aos Guarani Kaiowá, os integrantes criticam a política ligada ao latifúndio do atual governo. “Dentre os maiores inimigos está o agronegócio, cuja face mais nefasta é a monocultura de cana-de-açúcar e soja, além da pecuária extensiva. É neo-desenvolvimentista capitalista devastando nossa terra. Nesse sentido, contribuem para o massacre no Mato Grosso do Sul, não só fazendeiros, mas também o Governo Federal, comprometido com o capital e as instituições cúmplices, destaque para a omissão da Funai”, aponta o manifesto.

    Após saírem do Museu Nacional da República, indígenas e manifestantes foram para rodoviária do Plano Piloto, onde reivindicaram de maneira inflamada pela demarcação das Terras Indígenas. “É muita invasão em nossas terras, muitos criminosos matam a gente, mas estamos aqui para contar à Dilma”, diz Hajmakomaiâ Awá-Guajá.

    Marãwatséde

    A Justiça Federal em Mato Grosso iniciou intimações na última terça-feira, 6, para a retirada dos ocupantes ilegais da Terra Indígena (TI) Marãiwatsédé, localizada no município de Cáceres, em Mato Grosso. Devido a suspensão da liminar do Tribunal Regional Federal da 1ª Região em Brasília (TRF-1) que impedia a retirada dos invasores, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o clima é de tensão na TI.

    Um indígena Xavante foi perseguido no dia 3 de novembro. Na cidade de Água Boa foi abordado por um não indígena que perguntou se ele era filho do cacique Damião, o que ele, com medo, negou.

    Logo após foi perseguido por dois carros com pessoas que reconheceu serem do núcleo da invasão no território indígena Marãiwatsédé e capotou o veículo, sofrendo algumas escoriações.

    O incidente foi lembrado pelo neto do cacique Damião no ato em solidariedade aos Guarani Kaiowá. “O governo precisa fazer sua parte de retirar os invasores, o clima lá em Mawãwatséde é de aflição, queremos nossa terra e punição aos fazendeiros”, comenta Rafael Were’é Xavante, estudante de antropologia da Universidade de Brasília (UnB).

    Munduruku

    Após saírem da rodoviária os manifestantes se encaminharam para a Funai e lá fizeram um minuto de silêncio pela morte do indígena, Adenilson Kirixi Munduruku, morto por agentes da Polícia Federal (PF), no dia 7 de novembro.

    Segundo relatos a PF invadiu a aldeia e disparou contra os indígenas, inclusive contra crianças e idosos que em pânico fugiram para o mato.

     

    Conheça mais sobre a Campanha Guarani, no site:

    http://www.campanhaguarani.org.br/

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

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  • 09/11/2012

    MPF quer indenização de 86 milhões de reais para comunidade indígena Yvy Katu

    Indígenas ocupam 10% de área de fazenda, por ordem judicial

     

    O Ministério Público Federal (MPF) em Dourados ajuizou ação contra a União e a Fundação Nacional do Índio (Funai) pedindo indenização de 86 milhões de reais para a comunidade indígena Yvy katu, em Japorã, no sul de Mato Grosso do Sul. O valor é uma medida compensatória por danos morais e materiais sofridos pela comunidade, expulsa de seu território tradicional no processo de colonização do estado, a partir de 1928.

     

    Para o MPF, a União e o Serviço de Proteção ao Índio (SPI) – órgão que antecedeu a Funai – foram os principais responsáveis pela expulsão dos índios de Mato Grosso do Sul das terras ocupadas tradicionalmente e o posterior confinamento em pequenas áreas. Foram consideradas, ainda, a dispersão e a violência sofridas pela comunidade, a demora da União em demarcar as terras indígenas – que já passa de um século – e a frustração do direito originário ao usufruto exclusivo daquelas terras.

     

    O cálculo da indenização levou em consideração a área total da Terra Índigena Yvy Katu – 9.454 hectares -, declarada pela Portaria nº 1.289 de 2005, do Ministério da Justiça. A demarcação física já foi realizada, faltando apenas a homologação pela Presidência da República. Mesmo assim, ela foi contestada no Supremo Tribunal Federal (STF) mas o recurso foi negado. Segundo o relator do Mandado de Segurança, Ricardo Lewandowski, “o procedimento demarcatório seguiu os trâmites legais e permitiu aos proprietários o exercício do contraditório e da ampla defesa”.

     

    Indenização milionária

     

    O MPF baseou-se no valor anual do arrendamento da área, desde 1928 – quando iniciou-se a expulsão dos índios – até 2012. Com os juros, o valor chega a R$ 43.029.884,84. O MPF pede o mesmo valor pelos danos morais impostos aos indígenas, após a expulsão da área. A quantia deverá ser revertida em políticas públicas destinadas à comunidade indígena de Yvy Katu. A área ocupada atualmente pelos 300 indígenas da etnia guarani-ñandeva foi demarcada judicialmente em 2004 e corresponde a 10% do total da fazenda Remanso Guaçu, que abrange a área demarcada.

     

    A ação do MPF afirma que “a demora na demarcação tem ocasionado graves prejuízos aos povos indígenas, seja pela invasão de suas terras tradicionais por posseiros, seja pela exploração ilegal dos recursos naturais das terras indígenas, seja pela desagregação cultural ocasionada aos povos indígenas”.

    Indenização deverá ser revertida em políticas públicas destinadas à comunidade indígena de Yvy Katu

     

    Processo histórico

    Para ajuizar a ação, o MPF realizou uma extensa pesquisa histórica, que revelou que a expulsão dos indígenas de suas áreas originalmente ocupadas, por parte do Estado brasileiro, começou com a criação do Serviço de Proteção ao Índio, através do Decreto nº 9.214 de 15 de dezembro de 1911. O Artigo 2º já legitima o esbulho das terras indígenas: “promover a mudança de certas tribus (sic), quando fôr conveniente e de conformidade com os respectivos chefes”. Esses chefes, como demonstrado pelo MPF, “jamais emitiram qualquer aprovação para serem retirados de suas terras tradicionais, ao contrário, recusavam-se a sair, sendo assim tidos por selvagens”.

     

    Criadas as normas legais, o governo federal passou a retirar os indígenas de suas terras confinando-os em pequenas reservas escolhidas pelo SPI. A União, então, trouxe imigrantes para a região e conferindo-lhes títulos de propriedade. Este foi o modelo adotado para a colonização de Mato Grosso do Sul e está na gênese do conflito fundiário atual.

    A ação do MPF desvenda a sistemática utilizada: “Quando alguém adquiria uma terra e descobria que ela era habitada por índios, simplesmente reunia alguns homens armados e os expulsava, ou(…)comunicava o chefe do posto do SPI, que ele mesmo trataria da transferência dos índios para a reserva”.

     

    A reserva de Porto Lindo, em Japorã, para onde foram transferidos os indígenas de YvY Katu em 1928, foi definida em 3.600 hectares mas sofreu seguidas reduções em função de arranjos entre agentes do governo e interesses de colonos e empresas regionais, sendo demarcada com 2.000 há. Atualmente, mede 1.648 ha. A reserva deveria ser às margens do Rio Iguatemi, tradicionalmente ocupada pelos índios, mas com a existência de reservas de erva-mate na região, que era escoada pelo rio, os índios foram deslocados para outra área distante.

     

     

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  • 09/11/2012

    Povos Indígenas no Congresso Nacional: afastando os maus espíritos

    Final de tarde em Brasília. Nos corredores e espaços nobres do Congresso ecoa a voz de duas centenas de indígenas, de 16 povos vindos de todo o estado do Maranhão, do Vale do Javari, no Amazonas, do Mato Grosso do Sul e do Rio Grande do Sul. Na medida em que foram adentrando aqueles espaços desconhecidos para a grande maioria, aumentava o entusiasmo e os sons dos maracás se tornavam mais altos e incisivos.

     

    Era o espírito da Constituinte baixando no Congresso, 24 anos depois. Os repórteres que estavam tocaiados na casa à espera de notícias, surpresos, viraram imediatamente suas câmeras e filmadoras para os indígenas em ritual. Depois do Salão Verde do Senado Federal, foram para o Salão Negro, da entrada, seguindo para os corredores do Anexo 2. Curiosos foram surgindo de todos os lugares, e com seus olhares atentos, celulares ou câmeras, procuraram registrar semelhante fato.

     

    Os indígenas diziam, com satisfação, que estavam afastando os maus espíritos, aqueles que tentavam lhes fazer mal, ou melhor, procuravam desconstituir seus direitos constitucionais.

     

    Foi o momento forte do dia. Aliás, eles têm sido incansáveis nessa luta pela manutenção de seus direitos na Constituição e na exigência do respeito às suas vidas e ao que lhes garante não apenas a Constituição mas também a legislação internacional da qual o Brasil é signatário. Faça sol ou faça chuva, as duas centenas de indígenas têm buscado compreensão, manifestando sua indignação e revolta, exigido cumprimento das leis. Estiveram em inúmeros gabinetes de parlamentares, de ministros do Supremo Tribunal Federal, de órgãos do governo.

     

    Na Comissão de Direitos Humanos (CDH)

     

    Plenário 1 do anexo 2 lotado. A Comissão de Direitos Humanos garantiu espaço para ouvir os representantes indígenas que vieram a Brasília dar seguimento às manifestações que dezenas de povos de todo o Brasil tem feito no decorrer desse ano, denunciando todos os atos, portarias, projetos de lei e propostas de emenda à Constituição que visam caçar direitos dos povos indígenas. Além de dar visibilidade às violências e violações dos direitos humanos a que estão submetidos, denunciaram a omissão do Estado brasileiro, a presteza da justiça em decisões contrárias aos direitos indígenas e as inúmeras iniciativas no Congresso que visam tirar direitos duramente conquistados na Constituição de 1988.

     

    Dentre todas as iniciativas antiindígenas a que se sobressai é a Portaria 303 da Advocacia Geral da União (AGU). Foram unânimes em suas falas – rasguem, queimem, revoguem essa "porcaria". Nisso fizeram coro a presidência da CDH através das manifestações de seu presidente, deputado Domingos Dutra, através de mensagem por vídeo. Os deputados Érica Kokay e Pe. Ton se comprometeram em dar encaminhamentos, procurando colocar em pauta projetos de interesse dos povos indígenas, como o Estatuto dos Povos Indígenas e a criação do Conselho Nacional de Política Indigenista e procurar impedir que sejam votados os famigerados projetos oriundos principalmente da bancada ruralista, que pretendem inviabilizar a demarcação das terras indígenas (PEC 215 e 038) e escancarar o saque dos recursos naturais em terras indígenas, como o PL 1610 que permite da mineração em terras indígenas sem nenhuma salvaguarda. Pe. Ton, que preside a Comissão Especial a esse respeito, anunciou que esse ano esse projeto não será votado.

     

    No Palácio do Planalto

     

    Nas inúmeras manifestações das lideranças em Brasília não faltou a cobrança à presidente Dilma. A omissão do governo, as obras do PAC invadindo terras indígenas, a falta de decisão política em demarcar as terras indígenas, a falta de diálogo com o movimento indígena foram duramente cobrados. “Dilma: nos existimos”, dizia faixa voltada para o Planalto.

     

    Uma comissão de representantes indígenas teve, na tarde de ontem, audiência com os ministros Luis Adams, da AGU, e Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência da República. Para os indígenas o diálogo foi positivo, mas não acreditam nas justificativas que o ministro Adams tenta dar para a manutenção da Portaria 303. Porém, garantiram que após a votação da matéria das condicionantes pelo Supremo Tribunal Federal a portaria não entrará em vigor automaticamente. Irão dialogar com o movimento indígena.

     

    Hoje, dia 09, somos todos convidados a gestos de solidariedade com o povo Kaiowá Guarani.

     

     

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  • 08/11/2012

    Manifesto em solidariedade aos índios Munduruku da aldeia Teles Pires

    O conflito ocorrido nesta quarta-feira, 7, envolvendo índios Munduruku da Aldeia Teles Pires, fronteira entre Pará e Maranhão, e a Polícia Federal do Brasil, é mais um capítulo de uma novela pautada pelo descaso, violência e destruição das terras e dos povos indígenas. Saldo até agora conhecido: vários índios gravemente feridos; crianças, idosos e mulheres ameaçados e humilhados pelos agentes federais; e um Munduruku assassinado com quatro tiros no peito e um na cabeça.

     

    No final do século XV, antes mesmo da chegada dos portugueses, os espanhóis já haviam tocado a foz do rio Amazonas, levando ao partir algumas dezenas de indígenas para serem vendidos como escravos na Europa.

     

    No final do século XVI, ingleses e holandeses também passaram a convergir sobre esta região com o objetivo de explorar seus recursos naturais. Como inicialmente não foi encontrado ouro ou prata, partiu-se para a exploração dos recursos vegetais, bem como captura dos indígenas para trabalharem como escravos.

     

    500 anos se passaram desde a chegada européia a pindorama, mas o confronto de ontem repete o que ocorria no inicio da invasão. Índio (Munduruku) com flecha defendendo o seu território, e branco (Policial federal) com arma de fogo abatendo quem encontrava pelo caminho.

     

    Por trás de toda esta situação estão os interesses de empresários, ávidos pelos recursos minerais em terras indígenas; latifundiários do agronegócio; empreiteiras construtoras de mega-hidrelétricas nos rios Teles Pires, Xingu e Madeira (o Tapajós é a bola da vez), entre outros. O governo brasileiro dá sustentação ao projeto do capital para a natureza, projeto de exaustão das riquezas naturais da Amazônia, e do mundo.

     

    Por tudo isso, responsabilizamos o governo pelo ocorrido na aldeia Teles Pires. Exigimos que os fatos sejam apurados e os culpados pelos ataques e assassinato do índio Munduruku sejam criminalmente penalizados. Por fim, reiteramos nossa denuncia contra o projeto do governo do Brasil. Projeto de destruição da floresta, dos rios e da vida na Amazônia.

     

    Belém, 08 de novembro de 2012

     

    Assinam este manifesto:

     

    Associação Indígena Tembé de Santa Maria do Pará (AITESAMPA)

    Comissão Pastora da Terra (CPT/PA)

    Comitê Dorothy

    Companhia Papo Show

    Juntos! Coletivo de Juventude

    Central Sindical e Popular CONLUTAS

    Diretório Central dos Estudantes da UFPA

    Associação Paraense de Apoio às Comunidades Carentes (APACC)

    Diretório Central dos Estudantes da UNAMA

    Instituto Universidade Popular (UNIPOP)

    Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense (FMAP)

    Fundação Tocaia (FunTocaia)

    Conselho Indigenista Missionário Regional Norte II (CIMI)

    Fórum da Amazônia Oriental (FAOR)

    TÔ!Coletivo

    Fórum Social Pan-amazônico (FSPA)

    Associação dos Empregados do Banco da Amazônia (AEBA)

    Instituto Amazônia Solidária e Sustentável (IAMAS)

    Movimento de Mulheres do Campo e da Cidade do Estado do Pará (MMCC-PA)

    Movimento Luta de Classes (MLC)

    Associação Sindical Unidos Pra Lutar

    Mana-Maní Círculo Aberto de Comunicação, Educação e Cultura

    Movimento Hip-Hop da Floresta (MHF/NRP)

    Partido Socialismo e Liberdade (PSOL)

    Instituto Amazônico de Planejamento, Gestão Urbana e Ambiental (IAGUA)

    Diretório Central dos Estudantes da UEPA

    Partido Comunista Revolucionário (PCR)

    Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH)

    Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal do Pará (SINTSEP/PA)

    Movimento Estudantil Vamos à Luta

    Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN)

    Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU)

    Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Gestão Ambiental do Estado do Pará (SINDIAMBIENTAL)

    Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Ananindeua e Marituba (SINTRAM)

    Vegetarianos em Movimento (VEM)

    Assembléia Nacional dos Estudantes Livre (ANEL)

    Associação dos Concursados do Pará (ASCONPA)

    Pastorais Sociais Ampliadas da Diocese de Marabá

    Associação Indígena Te Mempapytarkate Akrãtikatêjê da Montanha

    Movimento Xingu Vivo Para Sempre

    Movimento de Mulheres Trabalhadoras de Altamira Campo e Cidade

    Movimento Negro da Transamazônica e Xingu,

    Movimento de Mulheres Campo e Cidade Regional Transamazônica e Xingu

    Mutirão Pela Cidadania

    Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de Belém e Ananindeua

    Partido Comunista Brasileiro (PCB)

    Fórum Nacional da Sociedade Civil nos Comitês de Bacias Hidrográficas (FONASC-CBH)

    Instituto Humanitas – Belém/PA

    Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (CEDENPA)

    Comitê Xingu Vivo

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  • 08/11/2012

    Informe nº1039: Indígenas Munduruku denunciam violência da Polícia Federal contra comunidade

    Conforme informações repassadas por indígenas do Posto Indígena Teles Pires diretamente para os indígenas parentes, na sede do município de Jacareacanga, ocorreu na aldeia Teles Pires intervenção de agentes da Polícia Federal, para dar cumprimento a Operação denominada Eldorado, que visa conter e paralisar a atividade garimpeira na região.

     

    Uma equipe composta por dezenas de policiais chegaram à aldeia por volta das oito horas do dia 7 de novembro, fortemente armada, conduzida por um grande aparato de transporte que consistia em helicóptero. Quando ocorreu o sobrevoo de helicóptero, que causou pânico na aldeia com parte da comunidade embrenhando-se na mata, ocasião em que a aldeia ficou quase vazia. Ao verem pessoas estranhas invadindo a aldeia, os guerreiros se manifestaram mesmo sem esboçar ameaça em defesa dos seus, com simples armas artesanais da cultura indígena servindo de proteção para o grupo tribal, ato seguido o forte aparato policial deflagrou vários tiros em direção aos indígenas, nesse momento ocorrendo reação por parte desses que desferiram flechadas contra os invasores resultando em muitos indígenas feridos com balas de borrachas e seis desses com projéteis reais.

     

    Pelo lado dos policiais registra-se a informação de um delegado, não confirmada pelos indígenas, que foram atingidos quatro policiais com flechadas, entretanto não ocorreu vítimas fatais, os feridos foram deslocados para a cidade de Alta Floresta.

     

    A invasão na aldeia provocou confusão entre os índios que não sabiam da operação e nunca tinham visto tanto aparato de guerra, com o helicóptero da PF jogando às proximidades da aldeia bombas provavelmente de efeito moral e muitos tiros o que ocasionou pânico entre os indígenas, com muitos idosos na correria ou em fuga, e ainda crianças desesperadas diante da violência que foram alvos.

     

    Foi confirmado a morte de um indígena, Adenilson Kirixi Munduruku, morto a tiro pelo delegado da Polícia Federal, segundo outro indígena que estava perto dele, os policiais não quiseram conversar com ninguém, o delegado acertou e deu vários tiros no peito do indígena, mesmo ele sem defesa, atirou até dentro da água.

     

    A aldeia está sitiada pela PF, que controla a comunicação via rádio não deixando os indígenas se comunicarem. Essas informações foram repassadas por dois indígenas que fugiram do cerco chegando até uma aldeia próxima para se comunicarem com parentes em Jacareacanga.

     

    A aldeia está completamente sitiada pelos agentes que para evitar a fuga dos indígenas colocaram minas em vários pontos da aldeia impedindo de saírem para suas roças ou fugirem do local conflitado.

     

    Mesmo diante da intervenção, os indígenas não sabem a razão desse trabalho, pois ninguém ainda esclareceu para os mesmos a motivação da operação. Ao se falar sobre garimpagem, a aldeia não abriga garimpos bem como nenhuma atividade de garimpagem.

     

    Devido à confusão, há crianças desaparecidas na mata, ocorrendo também explosões de equipamentos como maquinários da comunidade entre esses motores de popa que serve unicamente para transporte dos indígenas, voadeiras, rádios, e para espanto geral a pista de pouso foi dinamitada impedindo o uso para retiradas de emergências de indígenas enfermos.

     

    A intervenção remonta aos tempos da ditadura onde pessoas foram constrangidas moral e fisicamente, com idosos sendo empurrados, mulheres indígenas chamadas de vagabundas e prostitutas.  A coordenadora da Secretara Especial de Saúde Indígena (Sesai) e DSEI-Tapajós, Cleidiane Carvalho, preocupada com o estado de saúde dos indígenas atingidos que encontram-se em Alta Floresta, está providenciando uma aeronave para transportar os indígenas feridos para Belém ou Brasília.

     

    Os indígenas que moram em Jacareacanga, foram até a Câmara de Vereadores pedir a composição de uma comissão para ir até o local de o conflito avaliar a situação já que uma equipe de líderes indígenas de Jacareacanga que iria até o local de avião foi proibida de pousar, a proibição está estendida a qualquer avião de qualquer instituição. Por isso o apelo dos indígenas em solicitarem aos vereadores que fossem até a aldeia como autoridades constituídas do município.

     

    Jacareacanga, 07 de Novembro de 2012

     

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  • 08/11/2012

    Justiça entrega intimação para retirar invasores de terra Xavante

     

    Por Cristiano Navarro,

    de São Paulo

     

    Depois de quase duas décadas de espera, o povo Xavante de Marãiwatsédé vê enfim o Estado brasileiro começar o processo de desintrusão de suas terras. A Justiça Federal em Mato Grosso deu início a entrega das intimações para a retirada dos ocupantes ilegais da terra indígena Marãiwatsédé, localizada no município de Cáceres, nesta terça-feira (06).

     

    A área foi declarada indígena em 1993 e, cinco anos depois, sua demarcação foi homologada pela União como de posse do povo Xavante. No entanto, mesmo tendo sido oficialmente devolvida aos Xavante,  a decisão sobre a posse da terra foi parar na Justiça onde o imbróglio se desenrolou por 17 anos permanecendo ocupada por posseiros.

     

    No dia 17 de outubro, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a liminar do Tribunal Regional Federal da 1ª Região em Brasília (TRF-1) que impedia a desocupação. A primeira previsão estipulada para a retirada era o início do mês de outubro, mas foi interrompida em função de decisões judiciais. A desintrusão havia sido suspensa desde que duas liminares concedidas pelo TRF-1 interromperam a retirada das famílias da região alvo de impasse.

     

    Em última apelação, esta semana, a 3.ª Turma deste Tribunal negou provimento a apelação de particulares que pretendiam obter da União e da Funai indenização por perdas e danos alegando que a terra indígena teria sido aumentada de forma ilegal.  O relator, juiz Tourinho Neto, esclareceu que a área indígena foi aumentada de forma legal, por meio do Decreto 91.210/85, e não de portarias, conforme pretendem os apelantes.

     

    Histórico

     

    Os Xavante de Marãiwatsédé foram os últimos integrantes do povo a serem contatados pelas frentes de atração do Serviço de Proteção ao Índio (SPI), no final dos anos 1950. Não demorou uma década para os primeiros posseiros iniciarem invasões, que culminaram na ocupação do território pela família Ometto e a fazenda Suiá-Missú.

    O povo foi obrigado a trabalhar para os invasores nas terras que lhes pertencia. Foram reduzidos pelo servilismo, doenças e quando os fazendeiros os consideraram inúteis como mão de obra, os Ometto entraram em acordo com o SPI e o governo federal para retirar os Xavante de Marãiwatsédé. Em 1966, sem completar uma década de contato, 263 indígenas foram obrigados a entrar num avião C-47 da FAB rumo a Missão Salesiana de São Marcos, 400 km ao sul do estado do Mato Grosso. Nos dias seguintes a chegada nas terras do expurgo, 80 Xavante morreram de sarampo.

     

    A luta dos remanescentes pelo retorno a Marãiwatsédé ganhou envergadura durante a ECO 92, no Rio de Janeiro. Constrangida, a petrolífera italiana Agip assinou um termo de devolução da terra aos Xavante. Porém, em articulação com a elite agrária regional, promoveu uma verdadeira corrida a Marãiwatsédé. Anúncios foram publicados em jornais de Goiás, Tocantins e Mato Grosso chamando posseiros para o território, formando, com isso, um cordão de proteção aos grandes latifundiários que invadiram as terras.

     

    Em 1998, 165.241 hectares são homologados como Terra Indígena Marãiwatsédé. No retorno ao território, em 2003, os Xavante encontraram a resistência dos posseiros recém instalados e dos latifundiários. Por dois anos permaneceram às margens da BR 158 até que conseguiram retomar 1 hectare de terra, onde passaram a viver confinados, por decisão Judicial. Dali por diante se iniciaria uma batalha nos tribunais para garantir a retirada dos invasores.

     

    O desfecho ocorreu no último mês com a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Ayres Britto, determinando a retomada do plano de retirada dos invasores da terra indígena.  

     

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  • 08/11/2012

    Povos Indígenas do Maranhão em Brasília

    Viemos para guerra,

    queremos nossa terra,

    demarcada, respeitada,

    livre de invasões,

    sem madeireiras ou fazendeiros,

    sem mineradoras ou garimpeiros!

    livres dos males civilizados,

    queremos justiça e paz.

     

     

     

    Da aldeia aos três poderes

    Aos poucos foram  chegando, das diversas regiões do Estado do Maranhão, para uma longa viagem de quase mil e quinhentos quilômetros. Corpos pintados, cocares, bordunas pesados, flechas certeiras. O destino é chegar aos que decidem, aos detentores do poder, para lhes dizer: queimem a portaria 303, revoguem aos leis que ferem nossos direitos, respeitem os povos indígenas do Maranhão e de todo país. 

    Em frente ao Congresso as fotos e filmagens diante de casas tão estranhas. Forte sensação de quem só conhecia essa paisagem por alguma foto ou notícia de radio.

    Portas fechadas, corações indignados

     As portas fechadas do Ministério da Justiça ou o temor dos seguranças do palácio do Planalto não os intimidaram. Os rituais, cantos e danças não pararam. Foram horas tentando dizer à presidente Dilma -nós existimos, estamos aqui. Queremos ser ouvidos e respeitados. Demarque nossas terras. Chega de invasão e destruição!

    No auditório da Funai, tiveram encontro com a presidente do órgão, Marta Azevedo e sua equipe. Puderam rapidamente expor os graves problemas que muitas comunidades enfrentam, especialmente aos invasões de fazendeiros , madeiros, garimpeiros e grandes projetos do governo. Diante disso exigiram ações mais eficazes da Funai e mais agilidade e datas para os processos de regularização de seus territórios. Apesar da descrença pela histórica omissão do governo, puderam expressão sua indignação e expor suas exigências.

    Em seu manifesto, expressam as razões de presença em Brasília

     “Nós, povos indígenas do estado do Maranhão Guajajara, Gavião, Krikati, Rankokamekra, Mermortumre, Apaniekra, Kaapor, Awá-Guajá, Krepymkateyê e Krenyê, vimos respeitosamente exigir de Vossa Excelência, a revogação imediata da Portaria 303, por entendermos que a mesma vem usurpar os nossos direitos, e não admitimos apenas a suspensão temporária deste equivocado e inconstitucional ato jurídico-administrativo que restringe de forma absurda os direitos originários e fundamentais dos nossos povos.

    Os povos indígenas do Maranhão reafirmam o posicionamento já publicado pelas organizações e delegações indígenas das outras regiões que desde final de julho, após a edição dessa Portaria, manifestam-se veementemente por sua revogação integral e imediata.

    Reforçamos aqui a nossa insatisfação com a conjuntura política atual que demonstra claramente os acordos do governo com os grupos econômicos desse país, cujos interesses são a exploração das riquezas naturais, construção de hidrelétricas, refinarias, plantios de monocultivos, ferrovias, hidrovias e rodovias, que facilitam a exportação e mercantilização dos territórios indígenas.

    Portanto, nós povos indígenas do Maranhão, juntamente com os demais povos do Brasil, só cessaremos a luta quando os nossos direitos forem respeitados e a Portaria definitivamente revogada. "

     Brasília, 05 de Novembro de 2012.

     

     Lutar juntos

    Uma Assembleia Indígena dos Povos do Maranhão. É essa a impressão que tive ao se apresentarem e externarem seu sentimento “Precisamos lutar juntos”, nos unir. “Será que vamos ficar embaixo de uma moita que nem jaboti”, perguntava outro. Precisamos usar nossa sabedoria para impedir que os brancos façam leis contra nós. E deixaram claro por que vieram de tantos e tão longínquos lugares: “estamos aqui para queimar essa lei, os decretos e portarias".  Parecia uma atualização dos momentos de luta contra o projeto de “emancipação” em 1978. Naquela ocasião os povos indígenas fizeram uma Assembleia e exigiram que o ministro general Rangel Reis, queimasse definitivamente esse projeto. E conseguiram. Nunca mais voltaram a falar nisso. É o que se espera agora com a portaria 303 da AGU. A respeito dessa portaria uma liderança assim se manifestou “essa lei pra nós é o fim do mundo. Respeitem nossos direitos”.

    Egon Heck

    Povo Guarani Grande Povo

    Cimi 40 anos, Brasília 8 de novembro de 2012

     

     

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  • 07/11/2012

    Carta da Aty Guasu Guarani e Kaiowá aos diversos movimentos sociais e atos nacionais em defesa do nosso povo

    Foto: (CC BY-SA) Fora do Eixo

    Carta da Aty Guasu Guarani e Kaiowá aos diversos movimentos sociais e atos nacionais em defesa do nosso povo

     

    “Saiam às ruas, pintem os rostos, ocupem as praças,

    ecoem o grito do nosso povo que luta pela vida, pelos territórios!”

     

    Esta é uma carta das lideranças do Aty Guasu (Grande Assembleia) direcionada especialmente às diversas “mobilizações contra o genocídio do nosso povo Guarani e Kaiowá”, previsto para o dia 09 de novembro em várias cidades do país e do mundo. Queremos agradecer por todas estas iniciativas de solidariedade em defesa das nossas terras e nossas vidas.

     

    Hoje somos 46 mil pessoas sobreviventes de um contínuo e violento processo de extermínio físico e cultural acarretado principalmente pela invasão histórica de nossos territórios tradicionais (tekoha guasu) e por assassinatos de nossas lideranças e famílias. Por isso reafirmamos que o Estado Brasileiro é o principal responsável por este estado de genocídio, ora por participação, ora por omissão.

     

    Nossa Aty Guasu é responsável nos últimos 35 anos pela organização política regional e internacional do nosso povo e por nossa luta na defesa e efetivação de nossos direitos fundamentais e constitucionais, de modo prioritário a retomada dos territórios tradicionais. Por esse motivo, nosso povo possui a maior quantidade de comunidades atacadas por pistoleiros e de lideranças assassinadas na luta pela terra do Brasil República.

     

    Por isso, através desta carta queremos unir nossas vozes a de todos vocês e promover o mesmo grito pela vida de nosso povo com as seguintes prioridades:

     

    – A imediata demarcação de nossos territórios tradicionais e a desintrusão dos territórios já declarados e homologados.

    – Que a Funai publique, ainda este ano, os relatórios de identificação dos territórios em estudo.

    – Que diante do processo legítimo de retomada de nossos territórios, nosso povo não seja despejado, uma vez que roubaram nossas terras por primeiro e nos confinaram em pequenas reservas.

    – Que o Conselho Nacional de Justiça – CNJ crie mecanismos para que as ações judiciais envolvendo nossos territórios sejam julgados com prioridade máxima, de modo, a não se arrastarem por anos nas instâncias do judiciário, enquanto nosso povo passa fome à beira das estradas em Mato Grosso do Sul.

    – Que haja uma efetiva ação de segurança de nossas comunidades e lideranças em área de conflito e ameaçadas.

    – Que os fazendeiros e pistoleiros assassinos de nosso povo sejam julgados e condenados.

    – A imediata revogação da inconstitucional portaria 303 da Advocacia Geral da União e o fim das iniciativas do Congresso Nacional em destruir nossos direitos garantidos na Constituição Federal de modo unânime as PECs 215, 38, 71, 415, 257, 579 e 133. Não aceitaremos mudança constitucional!

     

    Por fim, que todas as manifestações não se encerrem em 9 de novembro, mas que esta data seja o início de um contínuo engajamento da sociedade não indígena na defesa da vida de nosso povo e de pressão sobre o governo.

     

    Junto com todos vocês, nosso Povo é mais forte e venceremos o poder desumano do agronegócio explorador e destruidor de nossas terras. A ganância deste sistema não vencerá a partilha de nossos povos.

     

    Vamos continuar a retomada de todas as nossas terras tradicionais! Somos todos Guarani e Kaiowá! Muito obrigado pela SUA VOZ SAGRADA PROTETORA: “TODOS POR GUARANI E KAIOWÁ!”

     

    Dourados, 7 de novembro de 2012.

     

    Conselho do Aty Guasu Guarani e Kaiowá

     

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  • 07/11/2012

    Indígenas do Maranhão e Vale do Javari exigem revogação da Portaria 303

    Indígenas dos povos Guajajara, Awá-Guajá, Käapo, Gavião, Krikati, Kenyiê, Krepumkatjê, Kanela, do Maranhão e Kanamari, Marubo, Mayoruna e Kulina, do Vale do Javari, no Amazonas estão em Brasília para reivindicar dos órgãos federais providências na assistência indígena e revogação da Portaria 303. 

    “São 200 indígenas aqui reunidos. O principal motivo da presença da delegação dos povos do Maranhão em Brasília é exigir a imediata revogação da Portaria 303. Pretendemos ficar aqui toda a semana até ouvir uma posição positiva da revogação da portaria”, reitera Flaubert Guajajara.

     

    Ontem, 6 de novembro, bloquearam as três passagens de entrada do Palácio do Planalto até que recebessem resposta sobre uma reunião com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo e o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams. A reunião não aconteceu, pois José Eduardo Cardozo estava em São Paulo, entretanto o advogado-geral da União, Luís Adams, se encontrava em Brasília.

     

    “O Luís Adams não precisou de ninguém para publicar a Portaria 303. E por que agora ele precisa da presença do ministro da Justiça para se reunir com a gente, se ele disse que fez a portaria sozinho? ”, questiona Sônia Bone, indígena Guajajara que integra a coordenação da Articulação dos Povos indígenas do Brasil (APIB) e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab).

     

    A Portaria 303 determina, entre outras medidas, que as terras indígenas podem ser ocupadas por unidades, postos e demais intervenções militares, malhas viárias, empreendimentos hidrelétricos e minerais de cunho estratégico, sem consulta aos povos.  “Hoje mesmo com as terras demarcadas ficamos sem liberdade e proteção dentro de nossas próprias terras, imagina se essa portaria passa, como vamos ter segurança dentro de nossas terras, se ela abre precedente para a revisão do limite de terras, entrada de terceiros, como exércitos, construção de grandes empreendimentos. Como vamos ter paz e segurança?”, comenta Sônia Guajajara. 

     

    Transtornados sobre o descaso do governo a respeito da proteção nas terras indígenas e sem assistência, os indígenas foram recebidos na parte da tarde pela presidente da Funai, Marta Azevedo. “Queremos ações que foram passadas e não foram cumpridas pela Funai. Todas as comunidades aqui presentes sofrem algum tipo de ameaça. Não é só colocar em pauta é preciso ter execução”, diz Flaubert Guajajara.

     “Onde está a criação do Grupo de Estudo (GT) para o levantamento do território do povo Krenjê. O representante da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) disse que temos direito sim, mas sem território nada acontece. Ficou acordado também que a Funai mandaria cesta básica, mas ela estipulou que só receberiam aqueles que tivessem família, ou seja, quem não tem família não come?”, aponta Raimundo Krenjê.

     

    Um dos principais conflitos com os povos indígenas no Maranhão se dá pela exploração ilegal de madeira dentro das terras. Os indígenas reivindicam a desintrusão dos não-índios de suas terras, constantemente invadidas por fazendeiros e madeireiros. “Hoje não há espaço para caça, nem pesca em nossa terra, pois os madeireiros a estão invadindo, não sei por quantos mil processos já passamos e nada avança”, reclama Ambrósio Gavião.

     

    Saúde indígena: estado de calamidade

     

    A Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) não possui estrutura adequada para atender os indígenas e dar a assistência necessária, política pública que se reflete no estado de calamidade pública da saúde indígena na região. “A Sesai foi criada e não dá o atendimento mínimo. Não sabemos a que ela veio. A Funai nunca conseguiu chegar nas aldeias, então a gente não conhece o trabalho da Sesai. As mortes por desassistência são bastante comuns, muitos morrem por falta de transporte e hospitais adequados”, afirma Sônia Guajajara.

     

    Grandes empreendimentos x terras indígenas

     

    O Maranhão é dos estados que sofre mais impacto dos grandes empreendimentos desenvolvidos governo de Dilma Rousseff. Construção de ferrovias e hidrelétricas ameaçam a sobrevivência dos povos indígenas, inclusive dos isolados.  Os povos Krikati e Gavião estão sendo afetados diretamente em suas terras pela expansão do eucalipto pela empresa de papel e celulose, Suzano.

     

    “A gente apostou muito nos governos Lula e Dilma, que ia ser um governo democrático e popular, mas na verdade o PT só atende aos interesses dos empresários, latifundiários, agronegócio e grandes produtores. Classes mais vulneráveis, como quilombolas e ribeirinhos são vistas como empecilhos, povos que atrapalham o progresso”, argumenta Sônia Guajajara.

     

    Levantamento do Conselho Indigenista Missionário relaciona um total de 204 povos indígenas atingidos por diferentes empreendimentos em todo o país, em um total de 448 terras indígenas. Os impactos envolvem 527 empreendimentos, dos quais 263 são da área de energia, 20 de mineração, 19 do agronegócio, e só no estado do Maranhão são 14 empreendimentos.

     

    A expansão da ferrovia Carajás, pela mineradora Vale do Rio Doce, aumentará impactos sobre o povo Awá-Guajá. Caso seja concretizada, sua expansão promoverá o desaparecimento das florestas e da fauna, fonte de vida dos Awá-Guajá. Suas terras são invadidas por madeireiros que abrem estradas clandestinas, desmatam áreas próximas a lagoas, privilegiadas em caça e pesca, locais de fundamental importância para a sobrevivência física e cultural deste povo.

    Fotos: Gustavo Macedo / APIB

     

    Confira a agenda dos indígenas para os dias 8 e 9:

     

    Quinta-feira, dia 8/11

    Sexta-feira, dia 9/11

    11hs: Audiência com os ministros Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República, e Luis Adams (Advocacia Geral da República)

    08hs30min.: Audiência com ministro da Justiça, Eduardo Cardozo e advogado-geral da União- Luis Adams

     

    15hs: Audiência pública da Comissão de Direitos Humanos, no Congresso Nacional, Plenário 1, Anexo 2

     

     

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  • 07/11/2012

    Atentados físicos e políticos: o monólogo do latifúndio na Terra Indígena Marãiwatsédé, Mato Grosso

    Gilberto Vieira dos Santos

    Coordenador do Cimi Regional Mato Grosso

     

    Um indígena Xavante de Marãiwatsédé voltava de Barra do Garças para aldeia depois de ter deixado outros Xavante para tratamento de saúde, no último dia 3 de novembro. Na cidade de Água Boa foi abordado por um não indígena que perguntou se ele era filho do cacique Damião, o que ele, com medo, negou. Mais adiante, depois da cidade de Ribeirão Cascalheira, foi perseguido por dois carros com pessoas que reconheceu serem de Posto da Mata, núcleo da invasão no território indígena Marãiwatsédé.

     

    Segundo informações de lideranças da comunidade, os homens de Posto da Mata perseguiram o motorista Xavante ao longo da rodovia BR 158 em alta velocidade. Nas proximidades do Posto Malu, o motorista viu outros homens com mais três carros querendo parar e cercar o veículo. Ao tentar escapar da perseguição o motorista capotou o veículo, tendo perdido temporariamente os sentidos, sofrendo algumas escoriações. Felizmente, por ser uma região movimentada, caminhoneiros chegaram e o pior foi evitado.

     

    Na somatória deste (fa)nordeste matogrossense: um indígena abalado pela violência, um veículo queimado pelos perseguidores, deixando a comunidade indígena sem transporte para atender seus futuros pacientes e mais uma manifestação do “poder de diálogo” que tem os invasores de Marãiwatsédé.

    Enquanto isso, preparando os atentados políticos, fazendeiros se utilizando de suposta organização religiosa, articulam mais uma “apelação”, entre as tantas que já fizeram para postergar o que não podem mudar: a desintrusão.

     

    Mulheres bloqueiam ruas em Brasília e apelam para a condição de mulher da presidente Dilma, e dizem ter as mesmas supostas provas, já tantas vezes desmascaradas, de que Marãiwatsédé não é Marãiwatsédé. Em todos estes tristes fatos reside a inegável verdade: os direitos dos povos indígenas não são considerados.

     

    Portanto, não se ouvirá os invasores dizerem que foram enganados, que mesmo sabendo ser terra indígena pensavam e foram levados a pensar que nunca sairiam. Que os políticos, inclusive prefeitos da região e outros que ocupam cargos na Assembleia Legislativa, que ou incentivaram a invasão ou fazem de tudo para mantê-la, são essencialmente anti-indígenas, antes de serem pró-invasores. Que os interesses são outros, não defender “indefesos pequenos agricultores”, mas reafirmar que em Mato Grosso, terra do agronegócio, não deve haver lugar para povos indígenas. E para isso todos os recursos serão acionados, sejam financeiros, o lobby, a pistolagem e os falsos argumentos, sem uma ordem definida.

     

    Não obstante, como o mundo não é feito apenas de más notícias, ao mesmo tempo em que o agronegócio reafirma seu monólogo, diversas organizações e pessoas sensíveis a vida se mobilizam em apoio aos povos indígenas. Por intermédio das mais diferentes formas de manifestação chama a atenção para a “verdade verdadeira”: os direitos dos povos indígenas são inalienáveis, indisponíveis, imprescritíveis. E para reafirmar esta verdade, unirão seu grito: Somos todos indígenas, somos todos Guarani, SOMOS TODOS MARÃIWATSÉDÉ!!!

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