• 09/12/2013

    Manifestação da aPROA relativa à minuta de Portaria do Ministério da Justiça

    A aPROA, coletivo de antropólogos formado com o objetivo de debater o papel do profissional da área que atua em políticas públicas, vem a público apresentar sua manifestação em relação à minuta de Portaria do Ministério da Justiça que visa estabelecer “novas regras” para a execução do procedimento administrativo de demarcação de terras indígenas de que trata o Decreto n° 1.775, de 1996.

    Entendemos que a nova Portaria reduz os estudos de natureza multidisciplinar, coordenados por antropólogo de qualificação reconhecida, necessários à identificação dos limites das terras indígenas, a mero processo de contraditório administrativo, de modo a inviabilizar a conclusão da primeira etapa do processo demarcatório. No lugar de pautar os estudos circunstanciados por condições mínimas para o seu desenvolvimento, transforma-os em instância de suposta conciliação de conflitos sociais.

    É tão ostensiva a redução dos estudos a um processo de contestação e embate, que a Portaria prevê de forma explícita três novos contraditórios, nos artigos 15, 17 e 25, que se somarão ao já previsto no Decreto 1775/96. Além desses 4 novos estágios, ao tempo da elaboração dos estudos, existe um quinto implícito no art. 6, que consiste em possibilidade de contestação simultânea à pesquisa de campo, quando se propõe acrescer ao Grupo Técnico até 12 membros que não são pesquisadores, mas representantes de órgãos da administração sem qualquer vinculação jurídico-administrativa com o processo demarcatório. Tais participantes poderão interferir, litigar, politizar, obstruir, enfim, inviabilizar a consecução de um estudo objetivo e criterioso, resultando – aí, sim – em intensificação de conflitos, na medida em que se dilata indefinidamente o período de insegurança jurídica para indígenas e não indígenas.

    É necessário destacar que a extensa lista de órgãos e entes públicos que poderão indicar representantes para acompanhar e participar das atividades de campo atenta contra princípios éticos e metodológicos da Antropologia, que objetiva estabelecer uma relação dialógica com os sujeitos de pesquisa, algo que se torna inviável na presença de múltiplos participantes no processo de pesquisa, com diferentes inserções institucionais.

    Outro aspecto que reforça esse caráter de antecipação e redundância do contraditório é a possibilidade prevista no art. 11 da minuta de os interessados apresentarem quesitos ao Grupo Técnico nos moldes das perícias judiciais, uma inusitada e inexplicável tentativa de antecipar o debate judicial, mas que não substituirá ou impedirá sua realização posterior. Além disso, a perícia judicial se dá sobre um objeto claramente definido, no caso, uma terra com limites identificados com base em critérios técnicos, justificados e fundamentados por contemplarem a territorialidade que o Grupo Técnico multidisciplinar identificou. Como, então, periciar um objeto indefinido cuja delimitação se obstrui?

    Enfim, a nova portaria, ao invés de contribuir com o aperfeiçoamento do caráter técnico-científico dos estudos de identificação e delimitação de terras indígenas, tenta transformá-los em instância deslocada de mediação de conflitos, que certamente será assediada por relações de poder conjunturais, via de regra desfavoráveis ao reconhecimento dos direitos indígenas. Somos contrários a essa tentativa, que se apresenta como ato discricionário de um ente que tem o dever poder de zelar pelo reconhecimento dos direitos territoriais dos povos originários do Brasil.

    Brasília, 09 de dezembro de 2013.

     

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  • 09/12/2013

    Conselho Terena: “Não iremos recuar um palmo do território que retomamos!”

    Carta aberta do Conselho Terena

     

    HÁNAITI HO’ÚNEVO TÊRENOE

     

    Conselho do Povo Terena

     

    Nós, lideranças Terena representantes de nossas comunidades, vimos a público denunciar e repudiar o “agrobanditismo” que impera no estado do Mato Grosso do Sul – e conta com o silêncio e conivência do Estado brasileiro. Na foto, carro da liderança Paulino Terena incendiado depois de atentado sofrido pelo indígena no município de Miranda (MS).

     

    O Conselho do Povo Terena e Conselho Aty Guasu Guarani e Kaiowá se insurgiram contra o “Leilão da Resistência” e conseguiram uma liminar favorável, que suspendeu este instrumento financiador do genocídio. No entanto, a Famasul e Acrissul, valendo-se de manobra processual sórdida, conseguiram, no calar da noite, uma decisão liberando o leilão.

     

    Primeiramente, é no mínimo estranho que a Acrissul e Famasul, diante de uma decisão suspendendo o leilão, não terem recorrido ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região para reverter a decisão. Para nós, é notório que houve pressão das elites ruralistas sobre os magistrados de primeira instância de Mato Grosso do Sul.

     

    A curta vitória da suspensão do leilão foi histórica. Pela primeira vez, os povos indígenas de Mato Grosso do sul foram para o embate jurídico direto por meio de advogados constituídos para isso, com fundamento no artigo 232 da Constituição Federal, que garante que os indígenas e suas organizações possam, em nome e direito próprio, defenderem seus direitos na Justiça.

     

    Resolvemos não esperar pelo Ministério Público Federal (MPF), Funai ou ONGs, como esperavam os ruralistas. Entramos nesse embate decididos a não assistir mais de braços cruzados as atrocidades cometidas pelos “coronéis” e “famílias elitistas” que se consideram os donos deste estado.

     

    Repudiamos o “agrobanditismo” que impera no Mato Grosso do Sul!

     

    Nosso estado registra o maior índice de lideranças indígenas mortas em contexto de conflito fundiário. Na maioria dos casos, há envolvimento direto das ditas empresas de segurança privada (estas que os ruralistas pretendem financiar com o dinheiro do leilão) ou serviço de pistolagem ilegal. Citamos alguns de nossos mortos:

     

    • Cacique Marcos Veron, 72 anos, assassinado em 13.01.2003 (Ação Penal no 2003.60.02.000374-2, 1a Vara Federal de Dourados, MS);

     

    • Dorival Benites, 36 anos, assassinado em 26.06.2005 (Ação Penal no 2005.60.06.000984-3, 1a Vara Federal de Naviraí – MS);

     

    • Dorvalino Rocha, 39 anos, assassinado em 24.12.2005 (Ação Penal no 2006.60.05.000152-9, 1º Vara Federal de Ponta Porã/MS);

     

    • Xurite Lopes, 73 anos, assassinada em 09.01.2007 (2007.60.05.00157-1, na 1º Vara Federal de Ponta Porã/MS);

     

    • Ortiz Lopes, 46 anos, assassinado em 08.07.2007 (Inquérito Policial nº. 046/2007 na Polícia Civil de Coronel Sapucaia – MS);

     

    • Oswaldo Lopes, assassinado em 29.05.2009;

     

    • Genivaldo Vera e Rolindo Vera, assassinados em 29.10.2009 (Inquérito Policial nº. 181/2009. Polícia Federal de Naviraí);

     

    • Teodoro Ricarde, assissanado em 27.09.2011;

     

    • Nísio Gomes, assassinado em 18.11.2011 (Inquérito Policial nº. 0562/2011 PF/Ponta Porã).

     

    • Oziel Gabriel, assassinado em 30/05/2013 – vítima da violência do estado.

     

    A utilização de “milícias” para matar índio não é novidade nem invenção de nossas lideranças. Isto sempre existiu neste estado. A única diferença é que agora resolveram declarar isso publicamente.

     

    Denunciamos o atentado de morte impetrado contra a liderança Paulino da aldeia Moreira. Paulino é liderança Terena e integrante do Conselho do Povo Terena. No dia que saiu decisão suspendendo o leilão, ele estava na Justiça Federal. No mesmo dia à noite, ele foi atacado em sua aldeia: homens encapuzados jogaram gasolina em Paulino. Ele conseguiu escapar, mas teve o seu carro incendiado. Hoje, dia 8 de dezembro, sua casa foi arrombada pelas pessoas que ainda querem dar cabo de sua vida.

     

    Mas nós, lideranças indígenas, não iremos recuar!

     

    O leilão ocorreu – mas sob condicionantes impostas pela Justiça Federal. A farra do agrobanditismo deve acabar neste estado. Não permitiremos que as ações dos ruralistas aconteçam com a conivência e tranquilidade que estão acostumados.

     

    Repudiamos todos os parlamentares estaduais e federais que participaram e apoiam as ações criminosas, em especial Jerson Domingos, Luiz Mandetta, Fábio Trad, Zé Teixeira, Mara Caseiro, Waldemir Moka, Reinaldo Azambuja, Paulo Cesar Quartiero, Ruben Figueiró, Luiz Carlos Heinze, Ronaldo Caiado e Kátia Abreu. As portas de nossas comunidades estarão fechadas para todos nas eleições do ano que vem!

     

    Se a bancada Federal tivesse interesse em contribuir na solução do conflito, não apoiaria o leilão, mas fariam emendas federais para garantir recursos para o Fundo Estadual de Apoio à Regularização de Terras Indígenas (Fepati), criado pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

     

    Conclamamos a sociedade civil para tomar lado nesta tragédia anúnciada; para que se libertem dos mandos e desmandos dos coronéis deste estado e lutarmos juntos em busca do bem viver.

     

    Não iremos recuar um palmo do território que retomamos!

     

    É hora da retomada!

     

     

    Povo Terena,

    Povo que se levanta!

     

    Conselho do Povo Terena,08 de dezembro de 2013.

     

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  • 09/12/2013

    Organizações publicam carta sobre manifestações da mídia contra indígenas de SC

    CARTA DE REPÚDIO ÀS MANIFESTAÇÕES E AÇÕES ANTI-INDÍGENAS EM SANTA CATARINA

    Nós, organizações, entidades e pessoas abaixo assinados, vimos a público manifestar nosso repudio aos meios de comunicação RIC Record, Grupo RBS, Blog do Jornalista Moacir Pereira, Jornal Cidade de Joinville, Sites como Antropowatch e Questão Indígena, que, nos últimos meses, têm veiculado notícias falaciosas e preconceituosas, além de fomentar opiniões declaradamente anti-indígenas. Estes veículos deveriam primar pela verdade, pela imparcialidade e pela transparência, bem como respeito a Constituição, tem, ao contrário, veiculado apenas as visões dos grupos que se opõem aos direitos dos povos originários, sem dar espaço a outros setores da sociedade e aos próprios indígenas.

    Não permitem que se expresse a voz das lideranças desses povos,  omitem as principais razões da situação de vulnerabilidade dos indígenas e criminalizam movimentos sociais e profissionais, especialmente indigenistas, antropólogos e operadores do direito, que, no responsável exercício de suas funções, atuam no sentido de colocarem em prática os preceitos constitucionais.

    Lamentamos a ignorância e o desconhecimento de pessoas desinformadas que atacam as culturas indígenas em todos seus aspectos, especialmente no tocante aos seus direitos territoriais, garantidos pelas Constituições Federal (Artigo 231) e Estadual (Artigo192), que se referem ao direito à terra, condição crucial para manutenção de seus usos costumes e tradições. Destacamos ainda que o Brasil é signatário também da Convenção 169 da OIT e a Declaração das Nações Unidas sobre os direitos dos povos indígenas de 2007, que reconhecem os direitos humanos e territoriais dos povos originários.

    Não culpamos estas pessoas, que, muitas vezes, de forma tão difícil quanto a dos indígenas tentam sobreviver num país desigual e injusto como o Brasil. Mas não podemos aceitar que empresas que recebem do Estado concessão pública dos meios de comunicação, destinadas a informar a população, produzam e reproduzam inverdades, promovam o preconceito étnico, calem as vozes indígenas e induz a população à violência! O poder público e estas empresas são responsáveis pela observância dos princípios constitucionais, no que tange ao direito de todos os cidadãos à informação correta (Art.221).

    Os órgãos públicos devem controlar o que estas empresas e grupos veiculam de forma leviana, obrigando-os a trazerem informações adequadas, verídicas e imparciais,ao contrario do que vem sendo feito.Consideramos especialmente grave a omissão das vozes de atores fundamentais envolvidos no processo de reconhecimento dos direitos dos povos originários, em especial, das lideranças indígenas.

    Os povos indígenas se SC (Guarani, Kaingang e Xokleng), desde décadas têm participado, pacientemente, de negociações com diversos órgãos, na expectativa de verem seus direitos constitucionais efetivados. São centenas de famílias aguardando a homologação das terras Pindoty, Pirai, Tarumã, Morro Alto, Araçá’i ,  La Klãno, Toldo Imbu, Toldo Pinhal e Xapecó Glebas A e B,  em Santa Catarina.

    A demora no processo de reconhecimento das terras impede a reprodução da vida dos indígenas, e torna sua situação altamente insegura e precária. As mídias, acima citadas, contribuem mais ainda para o acirramento da vulnerabilidade, prejudicando não apenas as antigas gerações, mas também jovens e crianças indígenas.

    A Terra Indígena de Morro dos Cavalos (Palhoça-SC) aguarda há duas décadas pela homologação de suas terras. Discordamos totalmente da ideia veiculada por estas empresas/imprensa de que as mortes, acidentes e engarrafamentos na BR 101 sejam de responsabilidade dos Guarani. É da responsabilidade dos órgãos públicos as prerrogativas de fazerem a demarcação das terras e a construção dos túneis na região,conforme já foi determinado pelo TCU e acordado com o povo Guarani e com o DNIT. "É a construção desses túneis que desintrusará a terra indígena, evitará congestionamentos da BR, e os frequentes acidentes e mortes."

    Basta de violência!Basta de mentiras! 

    Basta de uma imprensa parcial, que desinforma e é descomprometida com a verdade ! 

    Pela homologação das terras indígenas Pindoty, Pirai, Tarumã, Morro Alto, Araçá’i ,LaKlãnõ, Toldo Imbu, Toldo Pinhal e Xapecó Glebas A e B.

    Exigimos do DNIT a construção dos túneis no Morro dos Cavalos, que é a alternativa acordada e mais viável economicamente e ambientalmente, garantirá condições dignas de moradia, de trabalho e de vida aos Guarani na região.

    Pelo RECONHECIMENTO dos direitos dos povos originários!

    Pela homologação da Terra Indígena Morro dos Cavalos!

    Santa Catarina, 09 dezembro de 2013.

    Assinam esta carta:

    Comissão Guarani Ñemonguetá SC

    Comissão Guarani Yvy Rupa SP

    ABA – Associação Brasileira de Antropologia

    Associação de Juízes pela Democracia.

    Associação dos Docentes da Faculdade de Educação- ADFAED –  UDESC

    Cáritas Brasileira Regional Santa Catarina

    CTI –  Centro de Trabalho Indigenista

    CIMI – Conselho Indigenista Missionário – Regional Sul

    Coletivo Catarina de Advocacia Popular

    Coletivo Divuant de Antropologia – SC-RS

    Comitê Interuniversitário – COMINTER- SC

    Comitê em defesa das Florestas  de Santa Catarina

    Centro de Direitos Humanos e Cidadania Ir. Jandira Bettoni – CDHC de Lages e Região Serrana

    Coletivo Anarquista Bandeira Negra Florianópolis SC

    Coletivo Catarina de Advocacia Popular 

    Coletivo DivuANT – Divulgar ANTropologia – SC e PR

    FEEC – Federação das Entidades Ecologistas Catarinenses

    Fórum Catarinense pelo fim da violência e exploração sexual infantojuvenil

    NEPI- Núcleo de Estudos sobre Populações Indígenas – UFSC

    Movimento Nacional de Direitos Humanos em SC – MNDH-SC

    NEA – Núcleo de Estudos Ambientais – UDESC

    Núcleo de Estudos sobre Saúde e Saberes Indígenas (NESSI/UFSC)

    Núcleo de Estudos Arte, Cultura e Sociedade na América Latina e Caribe (MUSA(

    NEPI- Núcleo de Estudos sobre Populações Indígenas ( UFSC)

    NEA – Núcleo de Estudos Ambientais (UDESC)

    Núcleo de Estudos sobre Saúde e Saberes Indígenas (NESSI/UFSC)

    NUER – Núcleo de Estudos  de Identidades e Relações Interétnicas – UFSC

    Núcleo de Pesquisa em Fundamentos da Antropologia -A-Funda/UFSC 

    Núcleo de Estudos Arte, Cultura e Sociedade na América Latina e Caribe (MUSA/UFSC)

    ADFAED – Associação dos Docentes da  Faculdade de Educação UIDESC 

    Rede Nacional de Advogadas e Advogados Popular – Renap/SC

    Núcleo Setorial Ecosocialista  – PSOL

    Transes – Núcleo de Antropologia do Contemporâneo (PPGAS/UFSC)

    Marcha Mundial das Mulheres- SC

    INCT IBP- Instituto Brasil Plural     (UFAM/ UFSC)

    Alexandre Araújo Costa – Professor Titular-  UECE-  Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas – Ceará

    Angela Maria de Souza – Antropóloga e professora – Unila

    Andrea Ciacchi- antropologia – UNILA

    Arine Pfeifer Coelho, jornalista.

    Ari Ghiggi Junior – Programa de Pós Graduação em Antropologia Social – UFSC

    Ariel Felipe Tornquist Sartori- Estudante- GECA Grêmio estudantil do Colégio de Aplicação UFSC

    Bárbara Maisonnave Arisi- Antropóloga –Diretora do Instituto Latino-Americano de Arte, Cultura e História  – ILAACH – Instituto Latino-Americano de Arte, Cultura e História da UNILA

    Beatriz Catarina Maestri – Antropologa e Provincial das Irmãs Catequistas Franciscanas.

    Carina Santos de Almeida – Doutoranda em História – Laboratório de História Indígena Labhin- UFSC

    Carmen Sílvia Moreira Garcez – ISA ( Instituto Sócio-ambiental) Campeche- SC

    Carmen Susana Fava Tornquist (cientista social e professora UDESC–SC)

    Cleto João Stülp – Padre da Diocese de Chapecó, SC

    Cleymenne Cerqueira – jornalista

    Clovis Antonio Brighenti – Historiador e Membro do Cimi Regional Sul

    Danilo Moura Instituto Palmares (Minas Gerais)

    Daniela Félix – Advogada e professora – RENAP – Coletivo Catarina de Advocacia popular

    Daniel Gordillo Sánchez – Estudante de Antropologia – Universidade para a Integração da América  Latina – UNILA

    Denise de Veiga Alves- Advogada SP

    Diego Eltz   Antropólogo UFRGS RS

    Pe. Domingos Luiz Costa Curta, Coordenador Diocesano de Pastoral, Diocese de Chapecó, Chapecó/SC

    Eduardo Luís Ruppenthal – ambientalista, biólogo e professor/RS

    Edviges Ioris – Antropóloga PPGAS/UFSC

    Elaine Tavares – Jornalista- IELA – Instituto de Estudos Latino americanos

    Evelyn Martina Schuler Zea – Antropóloga PPGAS/UFSC

    Elison Antonio Paim  – professor da UFSC

    Erli Aparecida Camargo – Conselheira Nacional do MNDH

    Getúlio Narsizo – Professor

    Gilson Moura Henrique Junior – Historiador- Psol-  RJ

    Giséle Neves Maciel – Doutoranda Geografia UFSC

    Haliskarla Moreira de Sá – Geógrafa – Florianópolis/SC

    Isabel Santana de Rose – antropóloga e professora visitante da FAFICH – UFMG

    Ivanildo Claro da Silva – Diretório Municipal do Psol de Cascavel –   Professor da Rede Pública Estadual 

    Ivan Cesar Cima – Professor

    Jacson Antonio Santana- Coordenador do Cimi Regional Sul

    Jean Tible- Professor Fundação São André – SP

    João Alfredo Telles Melo – Advogado, professor de Direito ambiental e  vereador (Psol) Fortaleza –Ceará

    Kaio Domigues Hofmann – Antropólogo e funcionário da FUNAI-SC

    Leopoldo Gerhardinger  Cavaleri-  Oceanógrafo doutorando em estudos ambientais  UNICAMP

    Lino Fernando Bragança Peres –  Professor do Curso de Arquitetura e Urbanismo da  UFSC e vereador (PT) – Florianópolis(SC)

    Luzia Cabreira –  Advogada Coletivo Catarina de Advocacia Popular

    Luis Fernando Paiva – Estudante de História – Diretório Acadêmico Oito de Maio – UDESC – SC

    Luis Henrique Fragoas Pimenta – Geógrafo- SC

    Luis Roberto Marques da Silveira – arquiteto e professor –do Curso de Arquitetura e Urbanismo /CTC/UFSC)

    Lise Török – Jornalista –  Câmara de Meio Ambiente e Saneamento do Fórum da Cidade 

    Margareth Castro Afeche Pimenta Arquiteta e urbanista UFSC

    Mauricio Santos Matos – Belém/PA, servidor público, Comitê Metropolitano Xingu Vivo

    Márcia Londero – Socióloga – Divisão do Indígena da Secretaria Estadual de desenvolvimento rural –  Porto Alegre/RS

    Nilo Sérgio Aragão – professor –  Psol/Ceará

    Marcelo Zelic – Vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais – SP e membro da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo – Coordenador do Projeto Armazém Memória

    Maria Selenir Nunes dos Santos – Sela – Artes plásticas – UDESC Florianópolis

    Marcos Alexandre dos Santos Albuquerque  – Antropólogo, professor na UERJ e membro do CAV/ABA

    Marcos Lanna-  Professor do Programa de pós graduação em Antropologia social UFSCar – SP

    Margareth Castro Afeche Pimenta – Arquiteta e Urbanista – Professora da  UFSC

    Osmarina de Oliveira – Geógrafa e membro do Cimi – Regional Sul

    Paulo Pinheiro Machado (Historiador/ Diretor do CFH/UFSC)

    Raquel Mombelli  – antropóloga UFSC

    Ricardo Leining-  antropólogo e biólogo, funcionário FUNAI-SC

    Raúl Burgos – Professor –  Programa de Pós Gradução emn Sociologia UFSC

    Tania Pacheco – Historiadora Blog Combate Racismo Ambiental

    Tárzia Medeiros  coordenação estadual da Articulação no Semiárido, Natal/RN

    Telma Piacentini- Núcleo Distrital do Plano Diretor Campeche -SC

    Thiago Arruda Ribeiro dos Santos – Mestrando em Antropologia – PPGAS/UFSC

    Vanessa Ramos – jornalista

    Vanessa de Souza Ferreira – Assistente Social

    Vera Lucia Nehls Dias- geógrafa- Mestrado em Planejamento Territorial e Desenvolvimento socioambiental – UDESC

    Vilênia Porto Aguiar – Engenheira Agrônoma, doutoranda em Ciências Sociais da Unicamp e consultora – SC  

     Waleska Aureliano- Antropóloga – Museu Nacional -UFRJ – RJ

     

     

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  • 09/12/2013

    Vinho e vinagre na alegria do Evangelho

    Exortação apostólica do Papa Francisco – Um vade-mécum sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual Continue reading Vinho e vinagre na alegria do Evangelho

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  • 08/12/2013

    Casa de Paulino Terena é arrombada em Miranda (MS)

    Ruy Sposati, de Dourados (MS)

    Três dias após terem ateado fogo em seu carro, a casa de Paulino Terena, foi arrombada, neste domingo, 8, na aldeia Moreira, no município de Miranda (MS). O indígena é liderança da retomada do território reivindicado como Pillad Rebuá, em conflito com fazendeiros da região. No sábado, 7, Paulino deixou o Mato Grosso do Sul e está sob os cuidados do Programa de Proteção a Defensores de Direitos Humanos da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

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    Lideranças ameaçadas de morte não têm proteção; assassinatos continuam impunes

    "A gente não sabe o horário, que aconteceu, ninguém viu nada. A casa amanheceu arrombada", explica o guerreiro Edno Terena. "O Paulino já não está mais aqui. Não sabemos se estavam atrás dele ou de algum documento… Os papéis na casa dele estavam todos bagunçados, documentos dele e sobre a nossa terra indígena".

    Na madrugada do dia 5, quatro homens encapuzados atearam fogo no carro de Paulino. Ele estava dentro do carro e teve algumas lesões, mas passa bem. O carro foi completamente incinerado.

    Paulino denunciou à Polícia, Fundação Nacional do Índio (Funai) e Ministério Público Federal (MPF) as sucessivas ameaças de morte que vinha recebendo. No último mês, durante a 4a. Assembleia do Povo Terena, a comunidade de Pillad entregou uma carta ao Conselho Terena, relatando que "[fazendeiros] querem a cabeça dele [Paulino] como troféu".

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    Encapuzados incendeiam carro com indígena Terena dentro em Miranda (MS)



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  • 07/12/2013

    Justiça mantém leilão, mas determina monitoramento de recursos arrecadados como condicionante

    Por Renato Santana,
    de Brasília (DF)

    O juiz convocado Leonel Ferreira, do Tribunal Regional Federal da 3a. Região (TRF-3), manteve a decisão da 4a. Vara Federal de Campo Grande (MS) que liberou, no final da noite desta sexta, 6, a realização do Leilão da Resistência, evento que venderá gado, aves e soja para financiar seguranças armados contra indígenas.

    A decisão da liberação do evento foi mantida, conforme defendeu o juiz plantonista do TRF-3, pois nela há condicionantes capazes de coibir os fins declarados pelos realizadores. Na manhã deste sábado, 7, a Aty Guasu, organização Guarani Kaiowá, e o Conselho do Povo Terena entraram com mandado de segurança no tribunal com o intuito de novamente impedir a realização do leilão. 

    Dentre as condicionantes estão: 1. O dinheiro arrecadado com o leilão será depositado numa conta judicial e controlado pela Justiça; 2. Os leiloeiros deverão discriminar os nomes dos arrematadores e os valores pagos; 3. A utilização dos recursos arrecadados com o leilão só poderá ser feita depois da Justiça ouvir o Ministério Público Federal (MPF) e as organizações indígenas Aty Guasu e Conselho Terena.  

    “Então o leilão acontece, mas não como os ruralistas queriam. Este leilão é um absurdo, mas as condicionantes impostas permitirão um controle da Justiça, do MPF e dos indígenas sobre os fins dos recursos arrecadados e quem os utilizará”, ressalta a advogada das organizações indígenas, Michael Mary Nolan. Neste sábado, movimentos sociais do Mato Grosso do Sul realizaram protestos contra o leilão.

    Convocado pela Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul) e Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), com o apoio da bancada ruralista do Congresso Nacional, o leilão será realizado neste sábado, 7, em Campo Grande. A senadora e presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) Kátia Abreu (PMDB-TO) confirmou presença, além de outros parlamentares da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA).

    No último dia 4, a juíza Janete Lima Miguel, da 2a. Vara de Campo Grande da Justiça Federal, havia determinado que o leilão não fosse realizado. A decisão argumentava que “esse comportamento por parte da parte [fazendeiros] não pode ser considerado lícito, visto que pretendem substituir o Estado na solução do conflito existente entre a classe ruralista e os povos indígenas” e que “tem o poder de incentivar a violência (…) e colide com os princípios constitucionais do direito à vida, à segurança e à integridade física”.

    Atentado e ameaças de morte

    Depois da decisão, um atentado contra liderança Terena e ameaças de morte contra opositores ao leilão se espalharam pelo Mato Grosso do Sul. Na madrugada de sexta, 6, a liderança Paulino Terena sofreu um atentado no município de Miranda. Depois de emboscada, homens encapuzados atearam fogo no carro do indígena, que ao escapar do veículo foi seguro e só não foi incendiado vivo porque os palitos de fósforos quebravam nas mãos dos pistoleiros.

    Ainda na quarta, 4, logo após a juíza barrar o leilão, certo “Maurício Pistoleiro” ligou para as sedes da Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), organizações que se solidarizaram ao pedido judicial dos indígenas de suspensão do leilão, ameaçando suas lideranças de morte

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  • 07/12/2013

    Leilão é liberado pela Justiça; indígenas entram com mandado de segurança

    Ruy Sposati, de Dourados (MS)


    Às 22h30 (horário de Brasília) de sexta-feira, 6, o juiz Pedro Pereira dos Santos, da 4ª Vara da Justiça Federal de Campo Grande reverteu a decisão anterior e liberou a realização do Leilão da Resistência, evento que venderá gado e soja para financiar seguranças armados contra indígenas. Na manhã do sábado, 7, indígenas Guarani, Kaiowá e Terena entraram com mandado de segurança pedindo a suspensão dos efeitos da nova decisão.

    Convocado pela Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul) e Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), com o apoio da bancada ruralista do Congresso Nacional, o leilão será realizado neste sábado, 7, em Campo Grande. A senadora e presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) Katia Abreu (PMDB-TO) confirmou presença, além de outros parlamentares da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA).

    No último dia 4, a juiza Janete Lima Miguel, da 2a. Vara de Campo Grande da Justiça Federal, havia determinado que o leilão não fosse realizado. A decisão argumentava que “esse comportamento por parte da parte [fazendeiros] não pode ser considerado lícito, visto que pretendem substituir o Estado na solução do conflito existente entre a classe ruralista e os povos indígenas” e que “tem o poder de incentivar a violência (…) e colide com os princípios constitucionais do direito à vida, à segurança e à integridade física”.

    Em uma movimentação judicial considerada anormal pelos advogados dos indígenas, as entidades ruralistas questionaram judicialmente, na sexta-feira, a imparcialidade e independência da juiza Janete, que havia suspendido o leilão. Ela, então, se declarou suspeita perante a Justiça para julgar o caso. O Tribunal Regional Federal da 3a. Região (TRF-3) então nomeou Pedro Pereira dos Santos, da 4a. Vara, que deu parecer favorável aos ruralistas.

    Ilegalidade

    "A temporalidade desta decisão foi completamente anormal", afirma o advogado do Conselho Terena e do Conselho Aty Guasu Guarani e Kaiwá e assessor do Conselho Indigenista Missionário, Luiz Henrique Eloy Terena. "Tudo isso aconteceu no final da tarde. Como o presidente do TRF-3 designa outro juiz em menos de três horas? Nós temos casos, como o de Pillad Rebuá, em que o Tribunal levou mais de um mês para nomear outro juiz, também em contexto de suspeição".

    "E há uma ilegalidade aqui", aponta o advogado. "Quando se entra com pedido de suspeição, a Justiça deve, não designar outro juiz, mas, sim, suspender o processo até que a suspeição fosse julgada. A Justiça deveria ter ouvido a gente". Para o advogado, é necessário provar que a juiza é de fato suspeita, e não apenas acusá-la.

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  • 06/12/2013

    Resposta ao impedimento judicial do ‘Leilão da Milícia’ veio com atentado e ameaças de morte

    Com perplexidade o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) chama a atenção da sociedade brasileira e cobra providências do governo federal diante dos episódios que sucederam a decisão da juíza da 2ª Vara Federal, Janete Lima Miguel, de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, que declara como ilícito os fins do ‘Leilão da Resistência’, organizado pelas entidades ruralistas Acrissul e Famasul para este sábado. A ação contra o leilão foi proposta pela Aty Guasu – Guarani Kaiowá – e Conselho Terena.

     

    Na madrugada desta sexta, 6, a liderança Paulino Terena sofreu um atentado no município de Miranda. Depois de emboscada, homens encapuzados atearam fogo no carro do indígena, que ao escapar do veículo foi seguro e só não foi incendiado vivo porque os palitos de fósforos quebravam nas mãos dos pistoleiros. Paulino faz parte do Programa de Defensores de Direitos Humanos, da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, e há cerca de dois meses participou da retomada de parte da Terra Indígena Pillad Rebuá, invadida por fazendas de gado ou abandonadas.

     

    Ainda nesta quarta, 4, logo após a juíza barrar o leilão, certo “Maurício Pistoleiro” ligou para as sedes da Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), organizações que se solidarizaram ao pedido judicial dos indígenas de suspensão do leilão, ameaçando suas lideranças de morte. Na manhã desta sexta-feira, 6, os movimentos sociais do MS pediram ao Ministério da Justiça que investigue as ameaças. Por outro lado, fazendeiros e ruralistas tentam reverter a decisão judicial e buscam formas de burlá-la.  

     

    Os organizadores do “Leilão” declararam aos jornalistas que os fundos arrecadados seriam para a contratação de segurança privada às propriedades localizadas em terras indígenas, além de compra de armamentos e formação de milícia. Fazendeiros e ruralistas falam abertamente em se armar ‘oficialmente’ contra indígenas há tempos. No submundo, porém, contratam empresas de segurança para serviços de pistolagem, caso do assassinato do cacique Nísio Gomes Guarani Kaiowá.

     

    A decisão da juíza Janete, que ressaltou o direto à vida como anterior ao direito à propriedade, tal como preconiza a Constituição, renova as esperanças de que a vida, aos menos para um dos poderes do Estado, vale mais que sacas de soja e patas de bois. Justamente pelo teor desta posição, entendemos que o governo federal deve intervir no Estado do Mato Grosso do Sul para garantir não só a decisão, mas coibir ameaças de morte, atentados e pressões, na medida em que os ruralistas recorreram da decisão da juíza para ela mesma, ou seja, não buscaram outra instância. 

     

    Em outro ponto da decisão, a juíza Janete aponta que a luta dos povos indígenas pela terra tradicional, da qual foram expulsos em tempos recentes, está amparada pela Constituição. Contudo, segue a juíza, a inércia do Estado em cumprir a norma constitucional acarreta na perpetuação dos conflitos fundiários no Mato Grosso do Sul, ocasionando mortes entre as comunidades indígenas. A decisão ressalta ainda que os ruralistas da região deram prazo para que as comunidades Terena, Guarani Kaiowá e Kadiwéu saíssem de suas fazendas até o último dia 30 de novembro, sob pena de derramamento de sangue.

     

    “Tal comportamento tem o poder de incentivar a violência entre os envolvidos no conflito em questão, o que colide com os princípios constitucionais do direito à vida, à segurança, e à integridade física (artigo 5º, caput, da CF)”, diz a juíza Janete na decisão pela ilicitude do leilão. 

     

    Por fim, a lucidez da juíza demonstra ao governo federal que ao invés de tentar mudar o procedimento de demarcação de terras indígenas, o Ministério da Justiça deveria, ao contrário, cumprir a Constituição e garantir as terras tradicionais aos povos indígenas do Mato Grosso do Sul como única forma de mediação do conflito instalado. O ministro José Eduardo Cardozo deve se inspirar na coragem da juíza, em falta nos palácios deste governo. 

     

    Brasília (DF), 6 de dezembro de 2013

     

    Conselho Indigenista Missionário – Cimi

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  • 06/12/2013

    Encapuzados incendeiam carro com indígena Terena dentro em Miranda (MS)

    Por Ruy Sposati,

    de Dourados (MS)


    Quatro homens encapuzados atearam fogo no carro do indígena Paulino Terena (na foto abaixo), liderança da retomada Pillad Rebuá, no município de Miranda (MS), região do Pantanal, na madrugada desta sexta-feira, 6. Paulino estava dentro do carro, teve algumas lesões e fará exame de corpo de delito hoje, mas passa bem. A tentativa de homicídio foi registrada na Polícia Civil da cidade. O atentado é atribuido a produtores rurais da região, em disputa pela posse de territórios reivindicados como tradicionais pelos Terena. As informações são da liderança indígena. Na foto ao lado, o carro incendiado. 


    Por volta das três horas da manhã, Paulino se deslocava dentro da aldeia Moreira em seu veículo, quando avistou uma caminhonete desconhecida dentro da área retomada. Seguiu na direção do veículo. Ao se aproximar, dois homens encapuzados desceram da caminhonete e jogaram combustível no carro de Paulino. "Quando vi um deles riscando o fósforo, eu saí imediatamente do carro. Fiquei molhado de gasolina", conta o indígena.


    "Eles me seguraram e tentaram por fogo em mim. Mas os fósforos quebravam. Eles só conseguiram colocar fogo no carro, que queimou todo. Na sequência, uma moto se aproximou. Eu consegui me livrar deles e saí correndo para o mato. Um deles gritava: ‘eu vou matar esse cara!’. ‘Tem que queimar tudo esses bugres’, um outro falou", relata. Os indígenas informaram a Polícia Militar sobre o caso, que não atendeu a ocorrência. Por volta das seis da manhã, o delegado da Polícia Civil esteve no local parar apurar o caso.


    Ameaça de morte


    Paulino vem denunciando as sucessivas ameaças de morte que tem recebido. No último mês, durante a 4a. Assembleia do Povo Terena, a comunidade de Pillad entregou uma carta ao Conselho Terena, relatando que "[fazendeiros] querem a cabeça dele [Paulino] como troféu".


    Segundo o documento, um ex-empregado de uma fazenda que incide sobre o território reivindicado pagaria dinheiro a dois jovens indígenas "para passarem informação de tudo que está sendo articulado naquele lugar", e que estes jovens teriam levado um "recado" de fazendeiros para Paulino: "ele quer tirar a sua cabeça fora".


    Ônibus incendiado


    Também em Miranda, um ônibus que realizava transporte de alunos Terena foi incendiado durante a madrugada do dia 28 de novembro. O veículo, que estava vazio, levava diariamente cerca de 30 estudantes do ensino fundamental e médio de toda a Terra Indígena Cachoeirinha, onde também há conflito com fazendeiros.


    Em 4 de junho de 2011, um ônibus que transportava cerca de 30 estudantes Terena, a maioria entre 15 e 17 anos, foi atacado com pedras e coquetéis molotov. Seis pessoas, incluindo o motorista, sofreram queimaduras. Quatro foram internadas em estado grave. A estudante Lurdesvoni Pires, de 28 anos, faleceu, vítima de ferimentos causados pelas queimaduras. Na época, lideranças Terena creditaram o ataque a proprietários rurais da região, no contexto da disputa pela demarcação das terras indígenas.


    Decisão favorável


    No último dia 4, a Justiça Federal em Campo Grande suspendeu o processo de reintegração de posse da Chácara Boa Esperança, umas das propriedades rurais que incidem sobre o território reinvindicado pelos indígenas como Pillad Rebuá, e que em outubro foi ocupado por famílias da aldeia Moreira. Ernesto Milani, proprietário da fazenda, entrou com pedido de reintegração de posse contra comunidade. Além de ter suspendido a reintegração por seis meses até que a Fundação Nacional do Índio (Funai) conclua o laudo antropológico da área, a juiza Janete Lima Miguel, da 2a. Vara de Campo Grande da Justiça Federal, determinou que os indígenas permaneçam na área retomada, liberando apenas a sede da fazenda para o proprietário.


    Durante a audiência, os advogados de defesa da comunidade indígena relatam que Ernesto Milani teria dito à juíza que, em Miranda, "há 80 homens prontos para entrar e matar os índios", e que somente não teriam executado esta ação porque ele não havia dando autorização, mas que "eles estão lá reunidos, estão à disposição".

     

    Histórico


    Os 2,2 mil indígenas Terena de Pillad Rebuá, até as retomadas, viviam em 94 hectares, divididos em duas aldeias, Moreira e Passarinho. Pillad teve o primeiro registro de reconhecimento pelo Estado em 1904. Um processo de demarcação teve início em 1950, mas não seguiu.


    Em outubro, cerca de 300 indígenas do povo Terena retomaram duas propriedades localizadas dentro de Pillad, exigindo que fosse instituído o Grupo de Trabalho (GT) para finalizar o processo de identificação e demarcação da terra indígena, cuja dimensão apontada nos laudos iniciais da Fundação Nacional do Índio (Funai) é de 10.400 hectares.


    Em 10 de novembro, cerca de 300 indígenas Terena foram atacados por homens armados em caminhonetes depois de terem ocupado a fazenda. Cápsulas de 9mm foram encontradas no local e entregues à Polícia Federal. Na sede da propriedade foram encontrados diversos buracos de bala no telhado, paredes e em um bebedouro.


    Dois dias depois, fazendeiros expulsaram à tiros indígenas que haviam retomado a área de uma outra fazenda que incide sobre a área reivindicada como terra indígena Pillad Rebuá. Um trator pertencente à comunidade também foi incendiado. Ninguém ficou ferido.

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  • 05/12/2013

    A propósito da proposta de mudança na sistemática de demarcação das terras indígenas

    Propor mudanças na sistemática de demarcação das terras indígenas, caso da minuta apresentada pelo Ministério da Justiça, é a resposta do governo aos seus aliados do agronegócio. Como ele não pode renunciar publicamente ao seu dever constitucional, a saída encontrada foi criar um imbróglio capaz de assegurar que em tempo algum tenha que decidir sobre a declaração dos limites de uma terra indígena, sobretudo se a delimitação contrariar os seus amigos latifundiários. O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) repudia a tentativa do governo de publicar tal portaria.

    O governo FHC, com o Decreto 1775/96, já havia feito um movimento semelhante trazendo para a via administrativa o chamado “direito ao contraditório” no procedimento demarcatório das terras indígenas. O argumento usado para tentar convencer os povos indígenas dessa mudança foi o de evitar as ações na Justiça e, em consequência, agilizar a demarcação das terras indígenas. Aconteceu o contrário. Proliferaram as ações na Justiça. Curiosamente o argumento do governo atual e suas motivações são exatamente os mesmos.

    Por isso é perfeitamente compreensível a indignação das lideranças indígenas diante do cinismo governamental que tenta enganá-los pela segunda vez com os mesmos argumentos mentirosos. Não precisa ser nenhum expert para perceber que a demarcação das terras indígenas envolve a disputa entre interesses por um lado e direitos por outro, irreconciliáveis, e se o governo propõe a mudança na forma da demarcação das terras para atender a reivindicação dos ruralistas, ele o faz de forma consciente para impor perdas aos povos indígenas.

    O governo adotou como estratégia usar as terras indígenas como moeda de troca nas suas negociações políticas. Os povos indígenas, através da mobilização, têm sistematicamente se oposto e inviabilizado esta prática e por isso vêm criando constrangimentos ao governo na relação com seus aliados. Com a proposta de mudança na sistemática de demarcação das terras indígenas e com a Portaria 303, da AGU, o governo sinaliza para estes aliados que continua disposto a honrar os compromissos firmados.

    Os interlocutores do governo com o movimento indígena e popular, para desmobilizar a luta, enchem a boca para afirmar que se trata de “uma decisão de governo” um grande empreendimento aqui ou acolá, sobretudo dos PAC’s, fazendo crer que é irreversível e o negócio é um só: aceitar. Com as usinas hidrelétricas têm sido assim: haja o que houver, mesmo criando problemas para os povos e comunidades locais, destruindo o que tiver que destruir. Se as comunidades resistem, ou trabalhadores entram em greve, o governo age com a Força Nacional de Segurança.  

    Não é este o discurso que o governo adota quando se trata de garantir os direitos constitucionais dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. Não existe “uma decisão de governo” para dizer aos defensores do latifúndio, da concentração da terra, do desmatamento, do uso indiscriminado de agrotóxicos, dos alimentos transgênicos que mesmo que “chova canivete” fará respeitar o direito sagrado a terra destes povos e comunidades.

    O comprometimento desse governo com a lógica da exploração e acumulação chegou a tal ponto que já não percebe o absurdo de sua proposta e o quanto é desprezível e mesquinha a tentativa de convencer os povos indígenas a aceitá-la. A arrogância venceu o medo.

    Brasília, 05 de dezembro de 2013

    Conselho Indigenista Missionário – Cimi

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