• 13/11/2014

    Empresa de Belo Monte coage atingida a gravar comercial


    Consórcio responsável pela hidrelétrica de Belo Monte, Norte Energia, coagiu atingida pela obra para gravar comercial sobre reassentamento. Após dez meses, moradora de Altamira continua sem casa.

    Elissandra Oliveira, atingida pela maior obra de infraestrutura do Brasil, a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, em fase de construção no leito do rio Xingu, no Pará, admite que sofreu coação da empresa Norte Energia para gravar comercial sobre os reassentamentos.

    A moradora de Altamira relatou que aceitou gravar a propaganda após ter a garantia que receberia uma casa. “Eu estava trabalhando e eles pediram pra mim: Elissandra, eu vou te dar 10 mil ou então casa. Aí eu falei assim: eu aceito casa. Eu faço e aceito casa. Bom, aí eu fui. No outro dia fui no salão, arrumei meu cabelo e vim fazer a entrevista com eles”, relembrou.

    Passados dez meses após a veiculação do comercial, Elissandra continua na mesma situação de outros milhares de atingidos por Belo Monte, ou seja, sem direito ao reassentamento.

    Das 7.790 famílias cadastradas na área urbana de Altamira, apenas 3.980 receberam uma casa nos novos loteamentos. As demais deverão se contentar com indenizações, com valores insuficientes para comprar novas casas na região, que sofre com altas taxas de inflação desde o início da obra.

    Além dessas, o Movimento dos Atingidos por Barragens calcula que mais 10,7 mil pessoas estão de fora do cadastro socioeconômico, o que tem gerado uma série de conflitos e mobilizações nos últimos meses.

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  • 12/11/2014

    Alto índice de mortalidade entre indígenas leva MPF a recomendar mudanças nos serviços de saúde em Mato Grosso

    Recomendação para que antropólogos façam parte das equipes de atendimento aos indígenas foi enviada ao secretário especial de Saúde Indígena, Antônio Alves, e para os coordenadores dos DSEIs Xavante e Xingu


    A atuação dos profissionais e gestores da área de saúde deve ser orientada por antropólogos. Este é o entendimento do Ministério Público Federal para adequar os serviços de saúde prestados aos indígenas atendidos pelos Distritos Sanitários Especiais de Saúde Xavante e Xingu, em Mato Grosso, e para fazer cumprir as diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Saúde para aos povos indígenas no Brasil.

    Para que a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas seja efetivamente cumprida, o Ministério Público Federal em Barra do Garças encaminhou uma recomendação ao secretário especial de saúde indígena, Antônio Alves, e aos coordenadores dos Distritos Sanitários de Saúde Xavante, Cláudio Rodrigues; e Xingu, Eric Daniel Cantuária, para que contratem antropólogos habilitados a orientar a atuação dos gestores e profissionais de saúde.

    Segundo o procurador da República Wilson Rocha Assis, a compreensão dos modos de vida dos povos indígenas é essencial ao atendimento das comunidades, devendo nortear os gestores responsáveis pela definição das rotinas adequadas às especificidades socioculturais dos povos, garantindo um atendimento digno e em conformidade com os diplomas normativos nacionais e internacionais que garantem atendimento diferenciado à saúde dos povos indígenas.

    O atendimento de saúde que considere as especificidades de cada comunidade está previsto na Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (Portaria nº 254, de 31 de janeiro de 2002, do Ministério da Saúde) e no subsistema de saúde indígena. Essas duas normativas nacionais possuem diretrizes para a adequação dos recursos humanos empregados nos serviços de saúde para uma atuação em contextos interculturais, bem como a promoção de ações específicas em situações especiais.

    A Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas prevê, também, que os Distritos de Saúde Indígena devem contar com a participação sistemática de um antropólogo no seu quadro funcional.

    Mortes – Uma das situações mais preocupantes em se tratando dos povos indígenas que habitam a porção leste de Mato Grosso é a mortalidade infantil. De acordo com informações do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Araguaia, de janeiro de 2013 a março de 2014 foram registradas 31 mortes de crianças indígenas com idade inferior a dois anos, na região do Médio Araguaia, no leste de Mato Grosso, na divisa com Tocantins e Goiás.

    Para compreender as causas da alta taxa de mortalidade na região, a Secretaria Especial de Saúde Indígena já considerou a necessidade de realizar uma investigação antropológica aprofundada das questões culturais relativas à nutrição indígena.

    A participação das comunidades indígenas na definição de políticas para os serviços prestados a elas também está previsto na Convenção 169, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário. Em seu artigo 25, inciso 2, a Convenção prevê que os serviços de saúde deverão ser planejados e administrados em cooperação com os povos interessados e levar em conta as suas condições econômicas, geográficas, sociais e culturais, bem como os seus métodos de prevenção, praticas curativas e medicamentos tradicionais.


    Mas o que se vê na realidade são serviços de saúde prestados que não levam em consideração as particularidades do modo de viver indígena. O estudioso Cláudio Fortes Garcia Lorenzo, em artigo publicado na Revista Bioética* afirma que “Não é raro encontrar no âmbito local das práticas dos gestores e profissionais responsáveis pela assistência à saúde indígena o desconhecimento completo da matriz cultural diferenciada que sustenta os sistemas médicos indígenas e justifica suas práticas”.

     

  • 12/11/2014

    Conselho do Povo Terena realiza 6ª Grande Assembleia a fim de debater temas como território, saúde e educação

    Acontece nos dias 19 a 23 de novembro de 2014, a Grande Assembleia do povo Terena, na Terra Indígena Lalima, município de Miranda, Mato Grosso do Sul

     
     

    Lideranças do Conselho Terena preparam a próxima Assembleia que discutirá temas relacionados ao território, direito, saúde, educação, sustentabilidade e política. Na sua sexta edição, o encontro visa reunir caciques, lideranças de retomadas, mulheres, anciãos e a juventude indígena.

     

    O evento contará ainda com a participação do Conselho Aty Guasu Guarani-Kaiowá, povo Kinikinau, Kadiwéu e Ofaié.

     

    Com mesas específicas para cada área de atuação a novidade desta Assembleia é a Mesa 3 que tratará dos Direitos dos Povos Indígenas em âmbito internacional, abordando a legislação internacional, em especial a Convenção 169 da OIT que consagra princípios importantes como a autonomia, livre determinação dos povos e o direito a consulta e consentimento prévio, livre e informado. Para esta mesa foram convidadas Dra. Samia Roges Jordy Barbieri que é presidenta da Comissão Permanente de Assuntos Indígenas da OAB (MS) e Dra. Kenarik Boujikian, Desembargadora do Tribunal de São Paulo e fundadora da Associação Juízes para a Democracia (AJD).

     

    O advogado do Conselho Terena, Luiz Henrique Eloy aponta para importância do evento. “É o momento das lideranças refletirem sobre as demandas da comunidade e principalmente, debaterem sobre os principais entraves para a efetiva demarcação dos territórios tradicionais, visto que desde a Constituição Federal de 1988 apenas uma terra indígena terena foi, de fato, demarcada de acordo com os ditames do Art. 231 da CF/88”.

     

    Está prevista também a participação da Coordenadora Executiva da APIB, Sonia Guajajara que vem acompanhando os desafios atuais aos direitos dos povos indígenas e a consecução de políticas públicas específicas para as comunidades indígenas de todo o Brasil.  

     

    Foram convidados para a Assembleia entidades que apoiam a luta das comunidades indígenas, tais como, o Ministério Público Federal (MPF), Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Associação Juízes para a Democracia (AJD), Departamento de Proteção Territorial da Funai, União e Procuradoria Especializada da FUNAI, Comissão Permanente de Assuntos Indígenas da OAB/MS, RENAP, CONDEPI e Justiça Global.

     

    O Conselho do Povo Terena integra a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil e, juntamente com Aty Guasu Guarani Kaiowá representa a instancia regional em Mato Grosso do Sul.

     

    Saiba mais sobre o Conselho do Povo Terena: http://conselhoterenams.wordpress.com/

     

    Ouça lideranças Terena: https://www.youtube.com/watch?v=I45MoE5tbIs

     

    Mais informações:

    Lindomar Terena

    Luiz Henrique Eloy ([email protected])

     

     

    PROGRAMAÇÃO

    Dia 19 – Quarta-feira

    17:00hs – chegada

    19:00hs – Mesa das lideranças indígenas

    · Momento de reza tradicional – Dança KohixotiKipáe / Dança Siputrema

    · Vídeos – Imagens da luta do movimento indígena

     

    Dia 20 – Quinta-feira:

    Mesa 1 (8:00 as 12:00) –Conjuntura Nacional e Internacional da luta dos povos indígenas

    Esta mesa destina-se a análise da conjuntura nacional e internacional da luta dos povos indígenas do Brasil e América Latina, refletindo sobre a legislação indigenista e os principais desafios das populações tradicionais diante do modelo de desenvolvimento adotado pelos Estados Nacionais. Proposições legislativas em trâmite serão alvo de análise e contará com assessorias técnicas de profissionais que atuam na defesa judicial dos povos indígenas e lideranças indígenas que acompanham o movimento indígena.

    Convidados: Ministério Público Federal, Conselho Indigenista Missionário, Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, Plataforma Dhesca, Associação Juízes para a Democracia, entre outros.

     

    Mesa 2 (13:30 as 18:00) –Situação Jurídica das terras indígenas de Mato Grosso do Sul

    Tem por objetivo informar as lideranças presentes a situação atual dos procedimentos demarcatório de cada terra indígena, bem como os processos judiciais em trâmite na Justiça Federal de Mato Grosso e nos Tribunais Superiores.

    Convidados: Departamento de Proteção Territorial da Funai, Ministério Público Federal (MPF), Advocacia da União e Procuradoria Especializada da Funai.

     

    20:00hs – Apresentação Cultural Guarani/Kaiowá

    Dia 21 – Sexta-feira:

     

    Mesa 3 (8:00 as 12:00) – Os direitos dos Povos Indígenas nos tratados internacionais

     

    Tratará da legislação internacional dos direitos dos Povos Indígenas fortalecendo assim a discussão na comunidade e também refletir sobra a efetivação desses direitos. Desta maneira esta mesa tem por objetivo trabalhar essa gama de legislação voltada para os povos indígenas, em especial a Convenção 169 da OIT que consagra princípios importantes como a autonomia, livre determinação dos povos e o direito a consulta e consentimento prévio, livre e informado.

     

    Convidados:Secretaria de Articulação Social da Presidência da República, Comissão Permanente de Assuntos Indígenas da OAB, RENAP, CONDEPI e Justiça Global.

     

    Mesa 4 (13:30 as 18:00) – Retomada da educação escolar indígena

    Este momento é coordenado pelos professores indígenas e tem por objetivo discutir sobre educação indígena, escola indígena, práticas interculturais e processo próprio do ensino – aprendizagem na língua materna. Como inovação, esta mesa se propõe também a “desconstruir a doutrina do descobrimento” que se firmam nas teorias, políticas e práticas baseadas na superioridade de determinados povos ou indivíduos, ou que a defendem alegando razões de origem nacional ou diferenças raciais, religiosas, étnicas ou culturais.

    Convidados:Representante indígena do Conselho Nacional de Educação no MEC; Secretaria Estadual de Educação; Secretarias municipais de educação; Representante dos Povos do Pantanal no MEC e Representante Guarani Kaiowá no MEC

     

    Dia 22 – Sábado:

     

    Mesa 5(8:00 as 12:00) – Sustentabilidade e Meio ambiente

    Pretende-se refletir junto com a comunidade a gestão territorial e ambiental em terras indígenas. Desde 2009, por meio da Portaria Interministerial nº. 434, o Grupo de Trabalho Interministerial – GTI, composto por membros da Funai, do Ministério do Meio Ambiente – MMA e representantes indígenas tem discutido a construção da proposta da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas – PNGATI, com a finalidade de garantir e promover a proteção, a recuperação, a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais das Terras Indígenas.

     

    Convidados:Diretoria de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável – FUNAI; Ministério do Desenvolvimento Social – MDS; Ministério da Pesca – MPA; Conselho GATTI

     

    Mesa 6 (13:30 as 18:00) – Saúde indígena em Mato Grosso do Sul

    A mesa destina-se a tratar da situação atual do atendimento e prestação da saúde nas comunidades indígenas. Analisar a política de saúde indígena e os principais desafios a sua persecução. Discute-se também a medicina tradicional e a retomada de práticas tradicionais por uma alimentação saudável.

     

    Convidados: CONDISI; Sesai; Conselho de Saúde, Técnicos e profissionais da área de saúde.

     

    Dia 23 – Domingo

     

    Mesa 5 (13:30 a 18:00) – Organização do Conselho Terena

    CNPI – Conselho dos Povos indígenas e sua organização – Questão Política

    Documento Final

     

    Realização:

     

    HÁNAITI HO’ ÚNEVO TÊRENOE

    CONSELHO DO POVOTERENA

     

    Apoio:

     

    Conselho AtyGuasu – Guarani Kaiowá

    Conselho Indigenista Missionário – Cimi

    CESE

    NEPPI/UCDB

    Rede de Saberes/UCDB

    Funai

     

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  • 12/11/2014

    5° Encontro latino-americano pela defesa dos territórios articula frente contra extrativismo

    Comunidades campesinas, indígenas e organizações do Peru, México, Brasil, Guatemala e Honduras se reuniram no 5° Encontro Latino-americano de Cuidado e Defesa do Território Frente a Complexidade dos Minerais na América Latina.

    O encontro fortaleceu a construção de uma frente de articulação das organizações a fim de construir alternativas de resistência e compartilhar experiências de luta contra o modelo corporativo extrativista mundial, que invade territórios e povos com o propósito de exterminá-los.

     

    Confira na íntegra o documento, em espanhol, do encontro:

     

    Declaración  V Taller  Latinoamericano Cuidado y Defensa del Territorio Frente a la Complejidad  de las Mineras en América Latina

     

    Puebla, 7 de noviembre de 2014

     

    Los pueblos, comunidades campesinas e indígenas, y organizaciones de Chile, Perú,  Colombia, Guatemala, Honduras, México, Argentina y Brasil reunidos en el “V TALLER   LATINOAMERICANO CUIDADO Y DEFENSA DEL TERRITORIO FRENTE A LA COMPLEJIDAD  DE LAS MINERAS EN AMÉRICA LATINA” , hemos logrado reconocernos en el compartir de  nuestras experiencias de lucha, disidencia, resistencia y construcción de alternativas  desde una visión colectiva y esperanzadora para la configuración de otro mundo posible, que enfrente radicalmente las imposiciones de un sistema hegemónico que nos arrastra a  la destrucción de la vida. Sabemos que enfrentamos un adversario común cada vez más poderoso, perverso y violento, que intenta, desde diversas estrategias, seguir imponiendo  su modelo extractivo corporativo mundial, que se extiende invadiendo nuestros territorios y pueblos con el propósito de exterminarlos. Esta comprensión nos exige ampliar el carácter de nuestra acción comunitaria, y nos compromete a una mayor y mejor articulación que trascienda y mundialice nuestras luchas locales.

    El análisis del contexto regional y de la coyuntura actual nos encaminó a reflexionar sobre las causas estructurales y las consecuencias de los conflictos socio-ambientales que impone el extractivismo en Nuestra América, configurando la amenaza y re-colonización de nuestros territorios, el cual requiere de la sistemática violación y vulneración de las  soberanías de los pueblos, bajo la tutela del sistema capitalista globalizante. Estas  reflexiones también nos llevaron a reconocer y compartir la indignación sobre las  consecuencias que este modelo de muerte implica en las múltiples dimensiones de  nuestra vida, y que se hacen manifiestas en las experiencias de despojo, daños  irreversibles a la naturaleza, la destrucción de los procesos identitarios y, en  consecuencia, la desaparición de nuestras culturas. Ante esta situación, que no quede  duda que tan fuerte como nuestra indignación, lo es también nuestro espíritu milenario de  resistencia, reación y fecundación de un mundo basado en el respeto, el cuidado entre nosotras y nosotros, en el legado de honrar a nuestra madre tierra y la espiritualidad que  refuerzan nuestra cosmovisión para con el agua, fuego, tierra y viento.

    Reafirmamos nuestra convicción de seguir con obstinada rebeldía, de continuar     contestatarios, contestatarias y disidentes ante quienes secuestran nuestros bienes naturales, nuestra pluriculturalidad, los derechos, la biodiversidad y la vida misma. De  este encuentro salimos fortalecidos para crecer y trascender en nuestros procesos de articulación, en la construcción de alternativas relacionadas con el impulso de procesos  de transformación dialógicos que nos permitan cada vez más el fortalecimiento de la  comunalidad con abuelas y abuelos, hombres y mujeres, las y los jóvenes, niñas y niños  organizados y en movimiento. Asumimos la responsabilidad que, desde nuestro pasado y sabiduría heredada por nuestros abuelos y abuelas, pelearemos por nuestro presente y  nuestro futuro, sin dejarnos arrinconar por los miedos, convencidos de que lograremos           romper con la reproducción y el avance de este sistema hegemonizante.

    Este proceso, que hoy hacemos público, se desarrolla en el marco de la gravísima     situación que se vive en México, en el contexto de la desaparición forzada de 43 jóvenes de la Normal Rural de Ayotzinapa en Guerrero, situación que evidencia el marco de  impunidad, de corrupción, falta de procuración de justicia y prevalencia del crimen organizado, que reconocemos como parte connatural del capitalismo.

    Hacemos un llamado a los pueblos, comunidades campesinas e indígenas y  organizaciones del mundo, a que, con osadía y tenacidad, transformemos nuestra     realidad, defendamos la vida en cualquiera de sus manifestaciones, a que refrendemos la  solidaridad y articulación de nuestras luchas y a partir de la defensa del territorio,  renovemos nuestro compromiso con las justas luchas basadas en la autodeterminación,  auto-organización y autoreconocimiento para el BUEN VIVIR.

         Celebramos esta posibilidad de encuentro y aprendizaje como espacio de integración de  nuestras apuestas y luchas, como posibilidad real de avanzar en la materialización de   nuestros sueños, esperanzas y utopías en la soberanía de todos los pueblos.

               

                ¡VIVOS SE LOS LLEVARON, VIVOS LOS QUEREMOS!            

                ¡TERRITORIOS LIBRES, PROHIBIDOS PARA LA MINERIA¡            

                ¡MUNDIALICEMOS NUESTRA LUCHA¡            

                ¡MUNDIALICEMOS LA ESPERANZA¡

                 

                Colectivo Sumaj Kawsay  (Argentina)

                Rede Justiça Nos Trilhos (Brasil)       

                Cimi Maranhão (Brasil)

                Associação Comunitária do Povo Gavião (Brasil)

                Comisión Intereclesial de Justicia y Paz (Colombia)

                Censat Agua Viva-Amigos de la Tierra Colombia

                Resguardo Humanitario Ambiental (Colombia) (SO BIA DRUA)              

                Comunidades Construyendo Paz en los Territorios (CONPAZ) (Colombia)           

                Proyecto de Desarrollo Santiago Prodessa (Guatemala)

                Consejo de Pueblos de Occidente (Guatemala)

                Misioneros Claretianos (Honduras)  

                Organización Madre Tierra (Honduras)

                 Comité Regional Ambientalista del Valle de Siria de Honduras (Honduras)       

                Colegio de San Luis AC Centro Público del Conacyt (México)

                Asamblea Veracruzana de Iniciativas y Defensa Ambiental (LAVIDA) (México)

                Procesos Integrales para la Gestión de los Pueblos PIAP (México)

                Centro Regional de Derechos Humanos Bartolomé Carrasco Briseño (México)

                BIOS Iguana, A.C.

                 Consejo Indígena por la Defensa del Territorio de Zacualpan (México)

                Proyecto de Fe Compartida en Tarahumara PROFECTAR (México)

                 Centro de Capacitación y Defensa de los Derechos Humanos

                 e Indígenas CECADDHI (México)

                Otros Mundos, A.C. Chiapas (México)

                Red Solidaria DH (México)

                Tequio Jurídico A.C. (México)

                Iyolosiwa A.C.  (México)

                Educa, Servicios para una educación alternativa, A.C.

                Educa, Servicios para una educación alternativa, A.C.  (México)

                Instituto Mexicano para el Desarrollo Comunitario (IMDEC)  

                Educa, Servicios para una educación alternativa, A.C.  (México)

               Instituto Mexicano para el Desarrollo Comunitario (IMDEC)  (México)

               Instituto Mexicano para el Desarrollo Comunitario (IMDEC)  (México)

              Centro de Derechos Humanos Miguel Agustín Juárez (Centro Prodh) (México)

              Centro de Derechos Humanos Miguel Agustín Juárez (Centro Prodh)  (México)

              Centro de Educación Popular e Investigación Social-Proyecto Amigo

                (Perú)

              Grupo de Formación e Intervención para el Desarrollo Sostenible GRUFIDES (Perú)

              Red Latinoamericana y Caribeña de Educación Popular de las Religiosas del Sagrado

                Corazón (LA RED)

              Consejo de Educación Popular de América Latina y El Caribe (CEAAL)

               

     

     

               

     

     

     

     

     

     

                 

               

               

                 

                 

                 

     

                 

     

               

                 

                 

               

               

               

               

                 

                 

               

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  • 11/11/2014

    Comunidades manifestam repúdio à PL sobre uso de conhecimentos tradicionais e recursos genéticos

     Na tarde desta terça-feira (11) ocorre na Câmara dos Deputados, no plenário Ulysses Guimarães, uma Comissão Geral sobre o Projeto de Lei (PL) 7735/2014, que trata do acesso e uso dos conhecimentos tradicionais e recursos genéticos e que foi encaminhado sob regime de urgência pelo Poder Executivo ao Congresso.

    Representantes das indústrias farmacêuticas e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior admitiram, durante a Comissão Geral, que o governo está debatendo o teor do PL 7735 a três anos com o setor industrial. No entanto, povos e comunidades tradicionais foram excluídos intencionalmente do processo. Não houve qualquer tipo de discussão ou consulta aos povos indígenas, comunidades tradicionais e camponeses.

    Uma carta assinada por 54 organizações, entre elas o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), manifesta repúdio ao Projeto de Lei e a forma como o mesmo tem tramitado.

    Leia o documento na íntegra:

     

     

    De onde brotam os espinhos

     Brasília, 11 de novembro de 2.014.

    Os Povos e Comunidades Tradicionais e Agricultores Familiares do Brasil, em nome próprio, representados por suas entidades e entidades parceiras que subscrevem a presente, com base nos artigos 8 ‘j’, 10 ‘c’ da Convenção da Diversidade Biológica, promulgado pelo Brasil no Decreto nº. 2.519/1998, a Convenção 169 da OIT, promulgada no Decreto nº 5.051/ 2004, especialmente em seus artigos, 5, 6 e 7, no Tratado Internacional sobre Recursos Fitogenéticos para Alimentação e Agricultura, promulgado no Decreto nº 6.476/2008, especialmente em seu artigo 9, na Constituição Federal, especialmente nos artigos 215, 216 e 225, no Decreto 6.040/2007, Lei 10.711/2003, Lei 11.326/2006, e Decreto 7.794/2012, vêm a público manifestar repúdio ao Projeto de Lei que tramita na Câmara Federal sob o nº 7.735/2014, encaminhado em regime de urgência pelo Poder Executivo, sob pressão do Ministério do Meio Ambiente, Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e denunciar os poderes Legislativo e Executivo Nacionais pela violação aos Direitos dos Agricultores Familiares, Povos e Comunidades Tradicionais, diante dos motivos que passa a expor:

    – O Projeto de Lei representa uma nova tentativa de regulamentar o tema do Acesso e Repartição Justa e Equitativa de Benefícios, hoje regido pela MP 2.186-16/2001, que evidencia motivo de preocupação nacional e internacional, especialmente no Brasil, por sua megadiversidade e por ser, historicamente, território de inúmeras formas de expropriação de conhecimentos tradicionais e de recursos naturais.

    – A preocupação para com os direitos dos Povos e Comunidades Tradicionais e de agricultores familiares (considerados como guardiões da biodiversidade e detentores dos conhecimentos tradicionais a ela associados) surge apenas no aspecto econômico e em especial no trato da repartição de benefícios, não considerando o papel fundamental de povos e comunidades tradicionais para o uso sustentável e a conservação da biodiversidade brasileira, os quais constituem os outros objetivos da Convenção da Diversidade Biológica.

    – A não observância ao processo de debate internacional quanto à implementação do Protocolo de Nagoya sobre Acesso aos Recursos Genéticos e Repartição de Benefícios, ainda não ratificado pelo Congresso Nacional.

    – A incorporação da temática de agricultura e alimentação, quando a referência é o Tratado Internacional sobre os Recursos Fitogenéticos para a Alimentação e Agricultura/FAO, que também abrange o uso sustentável e a conservação desses recursos, os direitos dos agricultores ao livre uso de suas sementes.

    – A ausência de um processo de consulta ampla e da participação formal de organizações representativas de Agricultores, Povos e Comunidades Tradicionais, sem que suas preocupações e contribuições fossem reconhecidas ou incorporadas, desrespeitando o exercício do direito de participação e de resguardo de seus interesses.

    – Pela invisibilidade dos sujeitos de direito que representam a força produtiva, a proteção da biodiversidade e da agrobiodiversidade nacional e que detém conhecimentos que são objeto de expropriação territorial e exploração econômica, que foram solenemente ignorados representando de um lado a relação desigual de poderes e de outro o descompromisso do Brasil com a própria legislação nacional quando conflitante com interesses eminentemente econômicos.

    – O assédio praticado pela comunidade acadêmica (que se omite em discutir os direitos dos povos e comunidades tradicionais neste processo, e pauta a discussão unicamente para garantir a facilitação do acesso aos recursos genéticos e aos conhecimentos tradicionais associados, atuando na perspectiva da captura do conhecimento sem a divulgação dos resultados) e pela indústria, interessada no desenvolvimento tecnológico a qualquer preço e em altos rendimentos.

    – A exclusão do exercício do direito a negar o acesso aos recursos genéticos e aos conhecimentos tradicionais associados, quando o seu próprio é sistematicamente dificultado.

    – A participação de organizações que surgem como se representantes dos interesses dos povos e comunidades tradicionais, mas que estão interessadas no lucro líquido obtido a partir da comercialização de produtos originários do acesso a recurso genético ou conhecimento tradicional associado.

    – Sem um processo de consulta e participação efetiva dos sujeitos de direito, tem-se uma proposta de legalização unilateral da exploração dos recursos e dos conhecimentos tradicionais associados, estando estes, relegados a um “obstáculo” a ser superado mediante pagamento ou promessa de pagamento.

    Pelos motivos destacados, não é possível aos Agricultores familiares e aos Povos e Comunidades Tradicionais, referendar ou participar de forma limitada e excludente das discussões deste Projeto de Lei que, a pretexto de regulamentar e impe acaba por cercear direitos conquistados a base de luta social.

    O Projeto de Lei, tal como apresentado, é o reconhecimento da falência do Estado Brasileiro no combate à biopirataria e na garantia de direitos coletivos, que subserviente a sistemas corporativos industriais e financeiros, desconsidera o papel de povos e comunidades tradicionais, únicos sujeitos que efetivamente desenvolvem estratégias para o uso sustentável e a conservação da diversidade biológica brasileira.

    Esta denúncia vem reforçar as denúncias constantes da carta ‘De Onde Brotam as Sementes’ com as recomendações da sociedade civil ao governo brasileiro, bem como a Carta elaborada pela AS-PTA que marca o posicionamento dos agricultores familiares brasileiros.

     

    Assinam a presente carta:

    ASA Brasil

    ASA Paraíba

    AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia

    Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul – ARPIN-Sul

    Associação Brasileira de Agricultura Biodinâmica

    Associação de Agricultura Biodinâmica do Sul

    Articulação Pacari de Plantas Medicinais do Cerrado

    Articulação Puxirão dos Povos Faxinalenses

    AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia

    Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural – Agapan

    Associação das Mulheres Organizadas do Vale do Jequitinhonha

    Associação dos Agricultores Guardiões da Agrobiodiversidade de Tenente Portela – AGABIO

    Associação Nacional da Agricultura Camponesa

    Associação Nacional de Agroecologia – ANA

    Associação para o Desenvolvimento da Agroecologia – AOPA

    Antonio Andrioli – UFFS

    Bionatur

    Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e Pela Vida

    Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas – CAA/NM

    Centro de Apoio a Projetos de Ação Comunitária – CEAPAC

    Centro Ecológico

    Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – CONTAG

    Cooperativa Coppabacs – AL

    Conselho Indigenista Missionário – CIMI

    FASE – Solidariedade e Educação

    Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Brasil – FETRAF

    Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social

    Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos

    Fundação Mokiti Okada

    Instituto Terra Viva do Brasil de Agroecologia

    Leonardo Melgarejo – ABA

    Marcha Mundial de Mulheres – MMM

    Marciano Toledo da Silva – MPA Brasil

    Marijane Lisboa – USP

    Morada da Floresta;

    Movimento das Aprendizes da Sabedoria (Benzedores e Benzedeiras, Parteiras, e Costureiras de Rendidura)

    Movimento das Mulheres Camponesas – MMC

    Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB

    Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA

    Movimento Urbano de Agroecologia – MUDA

    Movimentos Sem Terra – MST

    Núcleo Amigos da Terra Brasil

    PACS – Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul

    Paulo Kageyama – USP

    Rede Brota Cerrado de Cultura e Agroecologia

    Rede de Sementes Livres Brasil

    Rede Eco Vida de Agroecologia

    Rubens Onofre Nodari – UFSC

    Suzi Barletto Cavalli– UFSC

    Terra de Direitos

    Via Campesina Brasil

    Via Campesina Sudamerica

    Dep. Marcon-PT/RS

    Rede de Agrobiodiversidade do Semiárido Mineiro

    Rede Puxirão de Povos e Comunidades Tradicionais

     

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  • 11/11/2014

    Professor Kaingang é covardemente assassinado em Vicente Dutra (RS)

    Com pesar e indignação comunicamos o assassinato do professor Kaingang Davi Limeira de Oliveira de 22 anos, da Terra Indígena, Rio dos Índios, no município de Vicente Dutra (RS). O município está localizado numa região, onde ocorrem há décadas, sérios conflitos contra os indígenas em função da luta da comunidade Kaingang pela demarcação e garantia das terras.

     

    Os Kaingang vivem em acampamento há décadas e aguardam que a terra seja demarcada e regularizada pelo governo federal.

     

    Segundo informações repassadas por lideranças indígenas, o professor Davi participava de um evento festivo no município de Vicente Dutra na noite de sexta-feira, 07, de novembro. Por volta de 1h da manhã ocorreu uma pequena confusão entre alguns participantes. Davi foi envolvido e acabou sendo esfaqueado pelas costas. Teve os pulmões perfurados e veio a falecer quase que instantaneamente.

     

    O Cimi Sul espera que efetivamente o assassino seja punido. Imaginemos, neste contexto, se fosse o contrário: se um indígena tivesse esfaqueado pelas costas um branco de Vicente Dutra. A repercussão do fato seria absurdamente grande e criminalizariam todos os povos e comunidades indígenas do estado.

     

    Este fato não pode ser caracterizado como caso isolado. Há na região uma forte campanha contra os indígenas, especialmente no norte do Rio Grande do Sul, por conta da luta dos povos pela demarcação de suas terras. Não podemos esquecer que foi naquela região que os deputados federais Luiz Carlos Heinze (PP/RS) e Alceu Moreira (PMDB/RS) conclamaram toda a população a se manifestar contra os indígenas. Foi lá que eles incitaram a violência e chegaram a sugerir que as pessoas se armassem para enfrentar os indígenas e afirmaram que “indígenas, quilombolas, gays e lésbicas são tudo o que não prestam”. Foi em Vicente Dutra também que no final do ano de 2013, os comerciantes do município se negaram a vender alimentos paras os indígenas.

     

    Não podemos deixar de fazer referência a outros casos de violação à vida nos primeiros dias do mês de novembro e uma semana depois do resultado das eleições presidenciais: a jovem Marinalva Guarani-Kaiowá de 27 anos foi encontrada morta às margens da BR-163, próximo ao município de Dourados. Ela foi atingida por 35 golpes de faca; também no Mato Grosso do Sul, no dia 9 de novembro, o jovem Kaiowá,  Adriano Lunes Benites, de 21 anos, foi baleado na perna durante um ataque de pistoleiros contra indígenas da comunidade de Pyelito Kue, localizada na região de Iguatemi.

     

    Assusta constatar que em nosso país seja permitido a segmentos da economia e da política – contrários aos direitos constitucionais dos povos indígenas e quilombolas – agirem impunemente quando promovem o preconceito e as mais variadas formas de violações ao direito à vida. Até quando as autoridades públicas de nosso Brasil continuarão governando, legislando e julgando tendo como horizonte a defesa destes segmentos, que deveriam ser caracterizados como criminosos?

     

    Nossa solidariedade e apoio aos familiares do professor Davi que foi covardemente assassinado e ao povo Kaingang que luta pela defesa de seus direitos.

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  • 10/11/2014

    Indígenas e quilombolas firmam aliança para a demarcação de terras no sertão de PE

    Se outrora indígenas e quilombolas do Nordeste resistiram juntos à escravidão, em guerras de libertação, caso da Cabanada, no século XIX, e na articulação entre aldeias e quilombos na luta pela terra, baseada em dinâmicas interculturais, hoje não é diferente para o povo Pankará e comunidades quilombolas localizadas no município de Itacuruba, sertão de Pernambuco.

    Neste final de semana ocorreu o 1º Encontro de Comunidades Tradicionais de Itacuruba, envolvendo indígenas e quilombolas. Acossados pelas intervenções desastrosas do Estado brasileiro, seja pela remoção de famílias para a construção da Barragem de Itaparica, que desalojou toda a cidade de Itacuruba, obrigando sua refundação noutro canto de caatinga, seja pelo impacto no rio São Francisco, que já não dá mais peixes como antes, ou pela não demarcação das terras, as comunidades decidiram lutar e resistir juntas, contrariando a postura de Incra e Funai ao alimentar brigas entre os grupos.

    As três principais pautas são: luta pela reforma agrária, demarcação das terras tradicionais, além da posição veemente contra grandes empreendimentos que possam afetar as comunidades da região – os traumas das remoções motivadas pela Barragem de Itaparica ainda são latentes, tanto que em tempos de mais seca, quando a cidade em ruínas emerge na água rasa, muitos ex-moradores cogitam voltar para esta Atlântida inundada, mas não esquecida.            

    Leia na íntegra a carta do encontro:

     

    1º ENCONTRO DAS COMUNIDADES TRADICIONAIS DE ITACURUBA: INDÍGENAS E QUILOMBOLAS

     

    Nós, comunidade quilombola Negros do Gilú, comunidade quilombola Poço dos Cavalos e o povo indígena Pankará, reunidos na Aldeia Pankará Serrote dos Campos, em Itacuruba, Pernambuco, constatamos: Que nossas comunidades vêm sofrendo violações de direitos dos mais diversos tipos, ao longo de nossa história, resultado da ganância das empresas e pela inoperância do Estado brasileiro. Foi assim com a construção da Barragem de Itaparica, quando perdemos parte dos nossos territórios, e está sendo com a lentidão da FUNAI e do INCRA, que além de tudo fica jogando povo contra povo para justificar sua lentidão. Atualmente estamos nos sentindo ameaçados com possibilidade de construção de uma usina nuclear em nosso Município que vai impossibilitar mais uma vez nosso direito territorial.

     

    Reafirmamos a necessidade de demarcar e defender os nossos territórios como forma de garantir as culturas e as vidas das comunidades tradicionais indígenas e quilombola, como também a realização da Reforma Agrária. Sem nossos territórios, perdemos nossa cultura, nossa história e nosso direito de ser indígena e quilombola! Para o Estado brasileiro garantir os direitos das comunidades quilombolas e dos povos indígenas, e em especial no município de Itacuruba – PE, tem que primeiro demarcar nossos territórios, conforme está garantido na Constituição Federal de 1988 e na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho.

     

    Assumimos o fortalecimento da organização das nossas comunidades e a luta conjunta pela demarcação e garantia dos territórios tradicionais das comunidades indígenas e quilombola. Assumimos o compromisso com cada parente de caminharmos de forma conjunta, organizados e unidos por um projeto de vida que garanta a vida digna, o cuidado com a Mãe Natureza, o respeito aos saberes dos mais velhos e à nossa história neste país. Queremos nos juntar ao Papa Francisco quando afirmou, no encontro Mundial dos Movimentos Populares, que “Nenhum sem teto sem casa, nenhum camponês sem-terra, nenhum trabalhador sem direitos”, completando que, NENHUMA COMUNIDADE TRADICIONAL SEM TERRITÓRIO!!!

     

    Itacuruba, 8 de novembro de 2014

     

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  • 10/11/2014

    Jovem Kaiowá de Pyelito Kue é baleado por seguranças privados no Mato Grosso do Sul

    As demarcações de terra indígenas seguem paralisadas, já para a violência, as porteiras permanecem sempre abertas no estado do Mato Grosso do Sul. Há pouco mais de uma semana, o corpo da jovem Marinalva Guarani-Kaiowá de apenas 27 anos foi encontrado às margens da BR-163, próximo ao município de Dourados. Seu corpo apresentou marcas de 35 golpes por cortes de faca. No entardecer de ontem, 9 de novembro, outro jovem Kaiowá foi vítima de ataque direto, desta vez executado contra um grupo indígena da aldeia de Pyelito Kue, localizada na região de Iguatemi.

    Por sorte, o destino de Adriano Lunes Benites, de 21 anos, foi diferente do de Marinalva. O jovem foi alvejado na perna por uma bala de borracha, conforme constatado em laudo médico, por um “segurança particular”, mas acabou saindo com vida do episódio. Segundo a comunidade de Pyelito, Adriano estava na companhia de outros três jovens, dentre eles, duas mulheres que carregavam crianças de colo e que deixaram a aldeia para buscar Guaviras-  espécie de fruto típico do cerrado- para comer.

    Tendo conseguido as frutas, os indígenas retornavam para casa na estrada pública, divisa entre o Tekoha (Aldeia/lugar onde se é) e os limites da fazenda Cachoeira, quando o grupo ouviu primeiro o barulho de motocicletas se aproximando e logo depois gritos hostis proferidos contra os indígenas. Já era tarde para recuar. Os Kaiowá foram alcançados por dois homens que portavam uniforme de segurança privado e foram reconhecidos pelos indígenas como “contratados” dos fazendeiros da região.

    Os homens chegaram disparando para cima e tão logo alcançaram o grupo indígena, os ameaçaram.  Os seguranças atribuíram ironicamente aos jovens Kaiowá a alcunha de “teimosos” por terem saído do que eles definiram como “o cercado dos índios”. No caso, o cercado referia-se aos limites da área ocupada hoje pelos indígenas.

    Agressivamente disseram que o lugar dos índios ficaria “da cerca para dentro” e que não seria permitido o trânsito de nenhum deles por aquela estrada. Aos gritos anunciaram que os indígenas aprenderiam ainda aquela tarde uma lição. Neste momento quando os indígenas tentaram fugir, os seguranças utilizaram de bombas de gás lacrimogêneo e de spray de pimenta contra o grupo. Os jovens em pânico e completamente atordoados procuraram proteger as crianças que choravam muito. Enquanto isso, os seguranças começavam nova sequência de disparos, desta vez diretamente contra os indígenas.

    Segundo os relatos, as balas rasparam a cabeça das mães ao mesmo tempo em que uma bala de borracha atingiu a perna de Adriano, o jovem caiu no chão e lá permaneceu deitado, sem que nenhum dos indígenas esboçassem qualquer forma de reação. Na sequência, um dos seguranças guardando sua arma passou a andar em círculos em torno de Adriano incitando o indígena a levantar e brigar com ele “de mãos limpas”. Ao ver que Adriano não revidaria os seguranças partiram para insultos verbais, provocando o tempo inteiro os indígenas com frases como: “Queremos ver se vocês são tão valentes agora” e “onde esta o povo indígena”.

    Depois disso, os seguranças se afastaram e subiram novamente em suas motocicletas. Os demais jovens ajudaram Adriano a levantar e começaram arrastá-lo com a maior velocidade que conseguiam pela estrada. Os motoqueiros ao baterem em retirada efetuando os últimos disparados que passaram zunindo sobre a cabeça do grupo Kaiowá.

    Com o barulho, alguns indígenas tomaram o rumo da estrada apela qual Adriano era carregado encontrando em seguida o grupo que ainda se encontrava atordoado pelo efeito do gás lacrimogêneo.

    Por telefone, um dos filhos da Cacique, que por motivos de segurança não será identificado, disse que “a comunidade não vai aceitar nem mais um dia ser tratada desta maneira. Estamos vivendo feito bicho, pior que gado, querem nos cercar, nos manter em cativeiro, com fome, sem saúde, se for assim partiremos para nosso direito e para nosso território”.

    Os indígenas, revoltados, exigem o imediato comparecimento da Funai e da Polícia Federal, em Pyelito Kue, como há muito tem pedido.  Anunciam que não irão ficar calados frente a todo este quadro de violência. Que se acaso não houver o comparecimento dos órgãos, a comunidade de Pyelito entenderá que a única solução possível para seu povo é a retomada imediata de todo o seu território e a expulsão dos fazendeiros das terras indígenas, uma vez que estando por conta e risco, a presença dos fazendeiros continuará significando perigo constante e diário para a comunidade indígena.

    O povo Guarani-Kaiowá de Pyelito vem a tempo denunciando os cercos e ataques realizados por pistoleiros contra sua comunidade. Em fevereiro deste ano, fazendeiros da região de Iguatemi bloquearam as estradas de acesso ao território indígena impedindo o deslocamento dos Kaiowá para fora da aldeia. Até mesmo a Funai foi impedida de prestar atendimento ou socorro aos indígenas. Armados, os fazendeiros falavam abertamente em atacar os Kaiowá no momento em que julgassem oportuno. 

    Em março, disparos foram efetuados por motoqueiros do portão que oferece acesso à aldeia. Esta se tornou uma prática recorrente nos meses sequentes. Já no dia 7 de outubro, ameaças endereçadas às lideranças foram feitas por parte dos fazendeiros e um dos barracos ocupados pelos indígenas chegou a ser incendiado. As ameaças se tornaram atentados concretos. Apenas três noites depois, no dia 10 de outubro, motoqueiros voltaram a disparar contra a comunidade, refugiando-se após os disparos no interior da fazenda Cachoeira. Não bastasse, os fazendeiros voltaram a impedir os indígenas de sair, aterrorizando todas as noites a vida dos Kaiowá.

    Enquanto do lado de fora os pistoleiros rondam, do lado de dentro da aldeia a fome castiga. A situação de extrema miséria dos Kaiowá de Pyelito Kue vem sendo denunciada pelo Cimi há mais de vinte dias.

    Leia mais: No MS, comunidade de Pyelito Kue passa fome e os alimentos são sonegados pelo governo

    Em meio ao cárcere, no dia 12 de outubro uma criança de menos de dois anos de idade, Mikaeli Flores, morreu por desnutrição e ingestão de água imprópria para o consumo.

    No dia 15 de outubro, recém tendo tomado consciência da morte de Mikaeli, em reunião com representantes nacionais da Funai e do Ministério da Justiça (MJ), realizada em Brasília, uma comitiva formada por mais de 40 lideranças Guarani e Kaiowá protocolaram documento pedindo atuação policial e proteção da parte dos órgãos responsáveis aos povos indígenas no Mato Grosso do Sul. Pyelito Kue foi destacada na ocasião como uma das situações mais drásticas enfrentadas pelos Guarani e Kaiowá.

    Enquanto indígenas são mortos, tendo rodovias como cemitérios ou são cercados tendo seu direito de ir e vir tolido pela brutalidade de pistoleiros, o silêncio é a única resposta advinda do Ministério da Justiça e demais órgãos. A morte de Marinalva e os disparos contra Adriano se somam as inúmeras denúncias diárias realizadas por membros de comunidades indígenas espalhadas por todo território brasileiro. Denúncias de violência aberta que no Mato Grosso do Sul manifestasse de maneira ainda mais contundente.

    Enquanto isso, em Brasília os direitos indígenas seguem a perigo dentro da esfera institucional. Açoites aos direitos constitucionalmente conquistados são desferidos por representantes dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Em efeito dominó viram jurisprudência e/ou práticas políticas executadas ao nível das comarcas locais. Com isso pistoleiros a serviço dos ruralistas ficam à vontade para realizar contra os povos originários as mais desumanas atrocidades. O fechar das portas para a demarcação das terras indígenas e a abertura das porteiras para a violência são medidas intimamente ligadas, que produzem no final das contas um único resultado, o extermínio progressivo e anunciado dos povos indígenas.   

      

    Matéria atualizada em 10 de novembro, às 22.00h (horário de Brasília)

     

     

     

            

     

                

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  • 10/11/2014

    1° Assembleia do povo Kinikinau determina luta por direitos originários

    Vítimas de remoções forçadas, invasões de fazendeiros e posseiros, o povo Kikikinau foi expulso de seu território tradicional há mais de 100 anos. Porém, um novo despertar ressurge agora na luta pelos direitos originários. Dentre alguns pontos destacados da 1° Assembleia do povo Kinikinau está o compromisso do Estado com a demarcação e devolução das terras tradicionais e instituição de um Conselho do povo Kinikinau.

     

    Confira o documento na íntegra:

     

    O povo Kinikinau ressurge como uma Fênix, que das cinzas desperta para a busca do bem viver baseado em seu território tradicional.

    “Houve tempo que ninguém mais falava em nossa existência, mas entre nós sempre soubemos de nossa origem. Estamos aqui!"

     

     

     

    Nós, povo Kinikinau, para nós Koinukunoen, reunidos na Aldeia Cabeceira, Terra Indígena Nioaque, nos dias 06 a 09 de novembro de 2014, por ocasião da 1ª Assembleia do Povo Kinikinau, viemos a público expor nossa situação.

     

    Nós, Koinukunoen, somos originário desta terra, vivemos durante séculos em nossos territórios e cultivamos junto a nossas terras e nosso povo, nossa língua, costumes, história e organização própria. Durante muito tempo fomos forçados a ficarmos na invisibilidade, por força da ação de posseiros, fazendeiros e do próprio Estado brasileiro. Retalharam nossas terras e desmembraram nosso povo, como forasteiros fomos obrigados a iniciarmos migrações forçadas. Procuramos abrigo e fomos acolhidos por nossos irmãos Terena e Kadiwéu.

     

    Agradecemos a estes povos, mas a acolhida deles não foi suficiente para sanar a dor de vivermos longe do que nos pertence, do que nos foi tomado. Longe de nossas terras tivemos problemas e vivemos mais de um século de violência. Fomos expulsos de nosso território há mais de 100 anos e hoje estamos levantando para lutar pelo nosso bem viver, pois com nossos velhos seguiu nossa cultura e nosso conhecimento, e este saber e identidade seguirão com nossos filhos de agora e para sempre.

     

    Nossa terra foi invadida por fazendeiros que destruíram nossa natureza, nossas casas e nos expulsaram. Nossas famílias foram removidas pelo Serviço de Proteção ao Índio (SPI) e ficamos esparramados por territórios alheios.


    Leia mais: Após um século de descaminhos, povo Kinikinau realiza sua primeira assembleia fortalecendo a identidade na luta pelo bem viver

     

     

    Nosso bem viver tem como fundamento nossa mãe terra, nosso território tradicional de onde fomos retirados à força, com o aval do braço estatal. O Estado brasileiro está em dívida com o povo Kinikinau, pois durante muito tempo nos negou o reconhecimento enquanto povo e até hoje nos nega o acesso ao nosso território tradicional.

     

    Reafirmamos que somos povo indígena originário desta terra e iremos retomar nossa dignidade de vida. Nossos anciãos, mulheres e jovens clamam pelo nosso território.

     

    Houve tempo que ninguém mais falava em nossa existência, o próprio órgão indigenista oficial não reconhecia o povo Kinikinau, fomos forçados a retirar nossos nomes originários dos documentos e riscados dos documentos oficiais como se não tivéssemos história, mas entre nós sempre soubemos de nossa origem e reafirmamos que estamos aqui!

     

    Estamos aqui e exigimos a devolução e demarcação de nosso território tradicional.

     

    Encaminhamentos:

     

    Fica constituído o Conselho do Povo Kinikinau, organização tradicional do povo Kinikinau, formada por nossas lideranças tradicionais com fundamento nos artigos 231 e 232 da Constituição Federal de 1988. Esta organização nos representará judicial e extrajudicialmente defendendo nossos direitos e garantias fundamentais. Será a partir dela que manteremos nossa unidade e nos movimentaremos e transformaremos em realidade um século de espera.

      

    O Conselho do Povo Kinikinau atuará em colaboração com o Conselho do Povo Terena e Conselho Aty Guasu Guarani Kaiowá e integrará a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil  (Apib).

     

    Juntos, os povos indígenas estarão lutando pela manutenção de nossos direitos historicamente conquistados e contra os ataques que temos sofrido. 

     

    Exigimos que o Estado brasileiro cumpra a Constituição Federal e reconheça o nosso território tradicional.

     

    Exigimos que a Fundação Nacional do índio (Funai) constitua o Grupo de Trabalho (GT) para iniciar a identificação e delimitação do território tradicional do povo Kinikinau.

     

    Fica decidido que a Funai, a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e Ministério Público Federal (MPF) atenderá o povo Kinikinau respeitando nossas especificidade, organização e decisões internas, observando os princípios da consulta e consentimento prévio, livre e informado; o princípio da identidade cultural; princípio de nossa autodeterminação da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

    Fica decidido que a 2ª Assembleia do Povo Kinikinau será realizado na Aldeia Cabeceira, Terra Indígena Nioaque, em 2015.

     

    Foram escolhidos para compor o Conselho do Povo Kinikinau: Nicolau Flores, Rosangela Mattos, Flaviana Roberto Fernandes, Albino Pereira Cece, Joel Marques, Zeferino Albuquerque, Geltrudes Anastácio Rosa, Genilson Roberto Flores, Rosaldo Albuquerque Souza, Edina Marques da Silva e Inácio Roberto.

     

    Aldeia Cabeceira, 09 de novembro de 2014.

     

    Koinukunoen, despertando para os seus direitos!

    Nós estamos aqui!

     

     

     

     

     

     

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  • 09/11/2014

    Após um século de descaminhos, povo Kinikinau realiza sua primeira assembleia fortalecendo a identidade na luta pelo bem viver

    Pouco a pouco as pessoas foram chegando e tomando seus lugares debaixo de um puxado de palha, entendido a partir do espaço de um centro comunitário, localizado na Aldeia Terena de Cabeceira em Nioaque (MS). Acima da mesa, em palavras fortes e precisas, podia-se ler: “Povo Kinikinau fortalecendo a identidade na luta pelo bem viver”. Após mais de um século de descaminhos, aconteceu a 1° Assembleia do Povo Kinikinau, entre os dias 6 a 9 de novembro.

    Na medida em que as primeiras palavras foram sendo ditas, a memória pediu licença para adentrar a reunião e a história sentiu nas linhas do tempo que seu curso definitivamente está para ser mudado. No semblante seguro dos mais velhos, no sorriso afirmado dos jovens e crianças, na força dos homens e mulheres e nos ditos gerais, entoados cada vez mais firmes “Eu sou Kinikinau”, pouco a pouco este povo vai dando os primeiros passos na reconstrução seu próprio destino, reafirmando sua identidade e retomando o curso da vivência plena de seu modo de ser. Tesouros que a duras penas lhes foram retirados no passado. 

    Sem território próprio, vindos das aldeias de São João (Reserva Indígena Kadiwéu) e das Aldeias Terena de Mãe Terra, Limão Verde, Cachoeirinha, Cabeceira, Lalima, entre outras, os Kinikinau durante a assembleia foram se reagrupando em torno da ideia de diversos grupos familiares, hoje divididos, que constituem um único povo comum. Para além do povo Kinikinau, de seus estudiosos e sabedores (tradicionais e acadêmicos), se fizeram presentes também representantes do povo Terena, Guarani e Kaiowá, Atikum e estudiosos não indígenas que são referência na história e cultura Kinikinau como Aila Villela Bolzan, Giovane José da Silva e Iara Quelho de Castro.  

    Palavras que irrompem, caminhos que se encontram

    Políticas governamentais de redução territorial e uma onda sistemática de perseguições de fazendeiros, posseiros e invasores significaram para os Kinikinau, no Mato Grosso do Sul, o peso inimaginável de mais de cinco séculos de dispersões forçadas, o retalhamento de seu povo e o desmembramento total de seus territórios.

    Quando em 1940, após muito translado, um pequeno grupo fixou-se na aldeia de São João em terras pertencentes ao povo Kadiwéu, local que vivem até hoje, muitos estragos já haviam sido infligidos a outros grupos Kinikinau. Estes, sistematicamente expulsos de suas terras tradicionais, acabaram por ter de viver de uma espécie de “empréstimos territoriais”, sendo acolhidos em meio a terras e grupos Indígenas Terena. Assim, os Kinikinau foram transformados em um povo “forasteiro”.

    Até hoje, os indígenas Kinikinau, por terem sido vítimas das pressões dos fazendeiros e políticas de esbulho, sofrem violência física e psicológica constantes em alguns dos territórios que ocupam. Sendo chamados até de povo que “vive de favor” entre outros povos indígenas, os Kinikinau jamais conseguiu se enraizar de maneira plena, sendo por vezes seus membros menosprezados por alguns ocupantes tradicionais destas terras. A própria natureza das negociações entre órgãos governamentais, em especial o SPI, e grupos dos povos indígenas que acabaram por “acolher” o povo Kinikinau, acabou por reservar historicamente para os últimos o caráter de “prestadores de serviço” de seus anfitriões.       

    Com as vidas fragmentadas passaram a ter negado também seu reconhecimento étnico pelos próprios órgãos indigenistas oficiais, Serviço de Proteção ao Índio  (SPI) e depois pela Fundação Nacional do Índio (Funai). Como se não bastassem as perseguições e migrações físicas, os Kinikinau tiveram de enfrentar o peso da invisibilidade, alicerçado pelas mãos de estudiosos que passaram a tecer teorias do desaparecimento ou simplesmente pelo esquecimento seletivo da memória, deixando de constar referências desta etnia nos documentos oficiais.

    Perseguidos tiveram de trocar, sobretudo arbitrariamente, seus sobrenomes retirando de seus documentos e registros, as referências que os identificavam como pertencentes à etnia Kinikinau. Assumiu este povo, de maneira forçada, identidades alheias e impróprios destinos. Considerados subgrupo Terena por muitos anos passaram a viver nas sombras de outros povos em aparente silêncio, mas nunca esqueceram de quem são e nem de sentir o que é ser Kinikinau. Silêncio este aparente apenas para quem os via de fora. Dentro de cada um e cada uma, em cada peito, permaneceram cultivando todos os dias sua tradição e sabedoria e as repassaram dia após dia para seus filhos. Os anciões sabiam que cedo ou tarde chegaria o dia do novo despertar e por esforço próprio este povo construiu esta assembleia que significa os primeiros passos contra os malefícios de mais de um século de opressões e dispersões.

    Flaviana Roberto Fernandes, mulher e ceramista Kinikinau, que pelo peso das dificuldades teve de deixar a antiga Aldeia São João, relata o que significa estar longe de seus território e povo: “A gente se sente sozinha porque a gente teve a vida interrompida, deixamos familiares e tivemos que sair da associação (de ceramistas) que tínhamos lá. Sofremos ameaças e o medo que a gente sente faz a gente trocar de lugar, viver de lugar para outro. A gente precisa de nossa terra, não sabe como juntar nosso povo de novo e mesmo que junte não poderá ser fora de nosso lugar. Precisamos nos juntar em território nosso, na nossa terra tradicional. Nós não queremos deixar do nosso costume, temos língua diferente, trajes, nosso jeito mesmo, isso só teremos em nossa terra”.

    Genoveva Roberto Flores, também ceramista e mulher Kinikinau, complementa: “Fora de nossa terra nossos costumes são afetados de todos os jeitos. Desde crianças, de muito novinhos, com cinco ou seis anos, eles começam a trabalhar e aprender a ser kininkinau, a se colocar no mundo Kinikinau e participar dos dias de nosso povo. Não temos mais como fazer isso e isso nos traz dor. Fora da terra não tem como viver nossa cultura, nossos filhos não estão aprendendo a ser Kinikinau”.

    Esta primeira assembleia pode ser considerada como um despertar coletiva dos Kinikinau por ser fruto proveniente de dor compartilhada e sentida nas mais diversas aldeias em que vivem os filhos deste povo. Preocupados com a continuidade de sua trajetória e com as futuras gerações, cansaram de viver alheios aos seus territórios e sem a possibilidade de dividir com os seus pares os hábitos e costumes que os caracterizam como grupo. Nicolau Flores, Kinikinau que vive na terra Kadiwéu, especificamente na Aldeia São João, traduz este sentimento em palavras. “É muito duro crescer assumindo ser outro uma vez que todo povo é diferente e cada um precisa de seu espaço. Nós temos ainda onde morar e o que comer, sabemos quem somos, mas e nossos filhos, o que será deles? Como será nosso futuro se não tivermos nossa terra e nossa cultura? Será que teremos que escutar nossos filhos perguntando a nós, que somos seus pais e o que deixamos para eles enquanto sabíamos que vivíamos em terras alheias?”

    Para Inácio Roberto, professor Kinikinau. “A 1° Assembleia do Povo Kinikinau significa o fortalecimento deste povo que nunca deixou de existir, mas que agora reassume a sua grandeza histórica”.

    O fato de tão importante assembleia ser realizada na Terra Indígena Terena de Nioaque denuncia por si só os problemas da falta de ocupação de espaço próprio pelos Kinikinau. Hoje suas terras tradicionais encontram-se na mão de fazendeiros. Porém o fato também revela a solidariedade do povo Terena junto à luta dos Kinikinau que, assim como representantes do conselho Aty Guasu do povo Guarani e Kaiowá, se fizeram presentes no encontro e assumiram compromisso conjunto de buscar junto a este povo a superação destas mazelas históricas que há muito lhes aflige. Genilson Roberto Flores Kinikinau em seu pronunciamento emocionado fez referencia ao fato. “Eu sou Kinikinau, vocês são Kinikinau, nós sabemos, sempre soubemos. Antes estávamos sozinhos. Era difícil dizer isso e por isso vivemos calados, mas agora com nossa união e nossos parentes não temos mais medo, não calaremos mais”.

    Na assembleia falas fortes como a proferida por Albino Kinikinau trouxeram à tona o tamanho da dor de todo um povo: “É duro ver o povo massacrado, ver o povo ser queimado vivo, tentar se levantar e ser expulso a bala. Mas até hoje o povo resiste e chegou a hora de resistir novamente. Se for para lutar lutaremos, todos juntos, todos os Kinikinau que são muitos e sabemos onde estão. Juntos buscaremos nossos direitos”.             

    Os Kinikinau nunca adormecidos, simplesmente decidiram andar os caminhos reversos daqueles que os separaram. Percorrendo vias simbólicas se reagruparam para se reafirmar e dividir os frutos de uma cultura salvaguardada junto a cada família por gerações. “Em um só homem ou mulher que desperta e caminha, é toda uma família que se levanta”, diz Nicolau. Nas palavras de Nicolau a essência da caminhada: “Vivemos como se calados em outras aldeias, quem nos olha não sabe o que guardamos, o que somos, acha que somos apenas como os outros. Mas cada árvore dá seu fruto, com seu cheiro e seu sabor próprio, precisamos buscar nossos galhos, nossa própria árvore.” Que a partir desta histórica assembleia, novamente exale para fora do exílio e seja sentido por todos os gostos e cheiros do povo e cultura kinikinau. UNATI APEYEÁ KOINUKUNOEM! (Viva o povo Kinikinau!). 

     

     

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