Presidente do TRF4 recebe lideranças Kaingang do norte do RS

Representantes de comunidades Kaingang do norte do Rio Grande do Sul foram recebidos quarta-feira (2/12) pelo presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), desembargador federal Luiz Fernando Wowk Penteado. Eles vieram acompanhados de coordenadores de órgãos das Igrejas Católica e Luterana para entregar um documento relatando ao presidente a realidade em que vivem e as principais demandas das aldeias indígenas da região.
Para Penteado, “é importante viabilizar o diálogo para passar aos demais magistrados as reivindicações das comunidades indígenas”. O presidente do tribunal ouviu atentamente os relatos dos índios que reclamaram da falta de apoio do governo federal e contaram as dificuldades que enfrentam por viver em áreas não demarcadas, localizadas na beira de estradas, sem terras para garantir o sustento das famílias. Logo após o encontro, o desembargador já encaminhou o documento para ser digitalizado e disponibilizado para todos os magistrados do TRF4.
Direito à terra
“Queremos que o Estado brasileiro e os juízes entendam que a vida do índio está na terra onde nasceram e cresceram nossos antepassados”, enfatizou o cacique Luis Salvador, da comunidade Kaingang de Vicente Dutra (RS), ao abordar uma das principais reivindicações dos índios: a demarcação de terras.
Eles entregaram um manifesto ao presidente abordando a preocupação das comunidades indígenas sobre o impacto do entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) nos julgamentos de ações envolvendo a demarcação de terras indígenas no TRF4.
O chamado marco temporal, adotado pelo Supremo, somente garante direito à terra para as comunidades que estavam no território na data da promulgação da Constituição de 1988. Para os líderes indígenas, a decisão do STF é inconstitucional, pois não reconhece a ocupação tradicional dos povos indígenas.
Para o cacique Augustin, da comunidade Xingu, próxima de Sarandi (RS), o marco temporal pode ser muito prejudicial se for aplicado em outros julgamentos envolvendo demarcações. “Mesmo não sendo obrigatório usar esse entendimento, a decisão do STF está sendo aplicada em outros julgamentos. Estão esquecendo que estávamos nas terras muito antes de 1988”.
O representante da comunidade indígena do município de Campo do Meio (RS), Querino Carvalho, de 75 anos, reforçou a importância da ancestralidade para o presidente, falando em Kaingang, com o auxílio de um tradutor. “Nós sabemos que estas terras do norte do Rio Grande do Sul são nossas, pertenceram aos nossos avôs e bisavôs. Fomos expulsos do nosso lugar”, protestou.
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Na noite de ontem (02/12), indígenas Gamela sofreram um atentado a tiros em uma área tradicional retomada no Maranhão. Segundo relato de indígenas que estavam no local, homens em uma caminhonete dispararam vários tiros contra o acampamento da retomada. Ninguém foi atingido, mas o clima entre os indígenas é de tensão e insegurança.






No fim da tarde de terça-feira (1º/12), indígenas do povo Gamela realizaram a retomada de mais uma fazenda no Maranhão. É a segunda retomada feita nesta semana pelos Gamela, que já haviam retomado uma fazenda na madrugada da última segunda-feira (30/11). Carros estranhos rondam a região, e os indígenas, ainda sem a presença da Funai, temem possíveis ataques de pistoleiros.
O ruralista e deputado federal Nilson leitão (PSDB/MT), vice-presidente e articulador da Comissão Especial que aprovou o relatório da PEC 215, será mais uma vez alvo de investigação da Justiça. 
Atentados, ameaças e provocações voltaram a fazer parte da rotina dos indígenas Guarani e Kaiowá do tekoha – lugar onde se é – Ñanderú Marangatú, município de Antônio João (MS). No último dia 29, um fazendeiro e capangas chegaram atirando sobre os acampamentos instalados nas retomadas das fazendas Fronteira e Cedro. A agressão ocorreu exatos três meses depois da morte de Semião Vilhalva, em 29 de agosto, e será denunciada ao Ministério Público Federal (MPF). Os recentes ataques tiveram início após a saída do Exército da região, há menos de um mês. 

