• 28/06/2017

    Nota do Cimi Rondônia sobre o assassinato do indígena Manoel Quintino da Silva

    Por Cimi Rondônia

    O cenário indigenista vivido no estado de Rondônia, no noroeste do Mato Grosso e no sul do Amazonas é desolador. São constantes os retrocessos nos direitos indígenas, e às contínuas invasões dos territórios vêm agravando as ameaças e ataques contra os povos indígenas. Territórios indígenas são saqueados por grupos econômicos inescrupulosos, que segundo o site Rondônia ao Vivo, são denominados como “máfia de madeireiros”, que exploram ilegalmente as terras indígenas e na maioria das vezes esquentam a ilegalidade com Planos de Manejos no entorno de Unidades de Conservação e Terras Indígenas.

    A impunidade que reina na região fortalece a prática da exploração ilegal dos recursos naturais dos territórios sem que sejam tomadas providencias para coibir as ações ilícitas destes grupos econômicos. Lideranças são ameaçadas de morte e as comunidades vivem o terror de ver estes grupos agirem nas portas de suas casas, roubando as riquezas de seus filhos/as. Desde 2013 se fechou o cerco para reduzir os direitos indígenas garantidos constitucionalmente e aumentou os ataques contra os povos indígenas em todo o território nacional. O agravamento das violações de direitos humanos dos povos indígenas é evidente.

    A falta de medidas eficazes na fiscalização e proteção das terras indígenas tem servido para insuflar a prática de novas invasões de madeireiros, garimpeiros, grileiros loteamentos e apossamentos ilegais de terras indígenas já demarcadas. Essas são práticas que estão em curso especialmente nas terras indígenas Uru Eu Wau Wau, Paiter/ Suruí, Karitiana, Kaxarari, Karipuna, Rio Negro Ocaia, Lage Novo, Ricardo Franco/Guaporé, Sotéreo/Mamoré, Mequém e Tubarão Latundê. Todas essas violações de direitos foram denunciadas na audiência pública em 12 de junho de 2017, ocorrido na Assembleia Legislativa. Junto as invasões denunciou0se as ameaças de morte que sofrem lideranças e a criminalização das lutas sociais.

    Diante desta conjuntura de violação dos direitos e de impunidade uma vida mais é ceifada. Manoel Quintino da Silva Kaxarari (40) foi assassinado na última segunda-feira, dia 26/06, na Vila Marmelo, localizada na BR 364 entre Extrema de Rondônia e Vista Alegre do Abunã. Sua vida foi tirada com violência e sem poder se defender. “Dois homens encapuzados, que desceram de uma motocicleta e chamaram por Manoel, que ao atender, foi alvejado com tiro no rosto. O índio ainda correu em direção ao quarto, mas foi alcançado e recebeu vários disparos pelas costas. Uma criança também foi atingida de raspão pelos pistoleiros. A extração ilegal de madeiras da T.I. Kaxarari por uma ‘máfia de madeireiros’ pode ser o motivador do crime”. (Site Rondônia ao Vivo)

    Até quando vamos conviver com a violência contra os povos indígenas e a impunidade que impera no estado brasileiro?

    Nossa solidariedade ao Povo Kaxarari e a todos os povos que vivem a mesma situação de vulnerabilidade e violação de seus direitos. Mais uma vida tombou, e a justiça?

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  • 28/06/2017

    Cerca de 2 mil indígenas fecharam seis rodovias no RS contra nomeação de ruralista à Funai


    Fotos: Ivan Cesar Cima / Cimi Sul

    Por Renato Santana, da Assessoria de Comunicação – Cimi

    Seis rodovias foram trancadas, em diferentes trechos, por cerca de 2 mil indígenas Kaingang e Guarani Mbya nesta terça-feira, 27, envolvendo sete municípios do Rio Grande do Sul. O protesto, que teve início pela manhã e terminou no final da tarde, é contra a nomeação de Lauriano Artico à coordenação da Fundação Nacional do Índio (Funai) de Passo Fundo e pela continuidade das demarcações de terras que se encontram paralisadas. Os indígenas exigem ainda uma audiência com o ministro da Justiça, Torquato Lorena Jardim, para tratar de tais assuntos.

    Aldeias de terras indígenas em Iraí fecharam a BR-386, da TI Campo do Meio a BR-285, da TI Cacique Doble a RS-343, da TI Votouro a RS-480, TI Ventara a RS-135 e da TI Serrinha a RS-342. Além de Iraí, os protestos incidiram nos municípios de Cacique Doble, Liberato Salgano, Vicente Dutra, Ronda Alta, Ventara e Gentil. A região é de presença política e latifundiária do deputado federal ruralista Alceu Moreira (PMDB/RS), principal causador do protesto desta terça. 

    No dia 24 de maio, representações Kaingang e Guarani Mbya foram à Funai de Passo Fundo para uma reunião envolvendo suas demandas. Todavia, se negaram a tratar com Artico por ter sido nomeado ao cargo como exigência do parlamentar ruralista aos gestores da Funai. A nomeação não chegou a ser uma surpresa, mas causou indignação entre os indígenas. De todo modo, as reivindicações foram encaminhadas pelos indígenas à Brasília, incluindo a exoneração do afilhado político do ruralista gaúcho. 

    Pouco mais de 30 dias depois, nenhuma resposta chegou aos indígenas. O trancamento das rodovias surge neste contexto. “A Funai é um órgão que olha pro povo indígena, pros seus direitos e colocar alguém indicado de político do agronegócio é um absurdo. Não vai olhar pra demarcação, mas pro interesse de quem quer as nossas terras. É covardia isso”, explica a liderança indígena Luís Salvador Kaingang, conhecido como Saci.

    Conforme o entendimento dos indígenas, o atual governo não deseja o diálogo. Ao contrário, os Kaingang e Guarani Mbya percebem uma total indiferença do Ministério da Justiça e da Funai às demandas apresentadas. “Então a decisão é de seguir com as mobilizações”, pontua Saci. Outros dois pontos foram destacados pelos indígenas durante a o dia de protestos: contra o sucateamento da Funai, acentuado por indicações de ruralistas ao órgão indigenista, e contra o marco temporal, uma interpretação que entende uma terra indígena sujeita a demarcação apenas quando ocupada ou disputada pelo povo que a reivindica no ato da promulgação da Constituição Federal, em  5 de outubro de 1988.

    Ex-presidente denunciou aparelhamento

    O ex-presidente exonerado da Funai, o pastor Antonio Costa, indicação do PSC em loteamento realizado por Michel Temer após o impeachment da presidente Dilma Rousseff, concedeu entrevista coletiva no último dia à frente do órgão indigenista, em 5 de maio. De forma inequívoca, teceu críticas a como o atual governo toca a política indigenista e denunciou o aparelhamento da Funai por indicações de parlamentares ruralistas, além de forte pressão institucional para que órgão não cumpra com suas obrigações constitucionais.

    Na ocasião da exoneração de Costa, o ministro da Justiça era o deputado federal ruralista Osmar Serraglio (PMDB/SC). O ex-presidente da Funai atribuiu o fato do parlamentar ter sido ministro apenas dos ruralistas impondo uma ditadura sobre o órgão indigenista. Sua demissão, inclusive, teria ocorrido por se opor a tais desmandos e indicações de pessoas alheias às questões indígenas e teleguiadas por interesses antagônicos ao que se destina a missão institucional da Funai. 

    “[Fui exonerado] Por não ter atendido o pedido do líder do governo André Moura, que queria colocar 20 pessoas na Funai que nunca viram índios em suas vidas. Estou sendo exonerado por ser honesto e não compactuar com o malfeito e por ser defensor da causa indígena diante de um ministro ruralista”, afirmou, à época, Antonio Costa. Nesta segunda (26), durante audiência pública da Comissão de Direitos Humanos do Senado, o ex-presidente da Funai foi questionado e reiterou as denúncias feitas quando foi exonerado.

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  • 28/06/2017

    Lideranças Terena cobram melhorias na saúde indígena junto a Sesai, em Brasília


    Segundo o Marco Antoônio Toccolini, a secretaria possui um orçamento capaz de realizar melhorias na saúde indígena. Foto: Guilherme Cavalli / Cimi

    Por Guilherme Cavalli, da Assessoria de Comunicação

    Na manhã de ontem, terça-feira (27), lideranças do povo Terena apresentaram ao secretário da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), Marco Antônio Toccolini, exigências de melhorias nas políticas de saúde específica para indígenas. A reunião, que aconteceu em Brasília (DF), trouxe as principais demandas apontadas pelas lideranças correspondentes a investimentos nas estruturas de saúde, materiais básicos e contratações de novos agentes. As reinvindicações foram sistematizadas em documento na 10ª Assembleia do Povo Terena – Hánaiti Ho’únevo Têrenoe que aconteceu na Aldeia Buriti, em Dois Irmãos do Buriti (MS), de 31 de maio a 3 de junho.

    Discordante da fala assumida pelo presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) na noite de segunda-feira (26), quando Franklimberg Ribeiro Freitas recebeu a delegação Terena e iniciou a reunião expondo o corte de 40% dos recursos do órgão indigenista, Marco Antônio Toccolini apontou problemas que não são financeiros. Segundo ele, a secretaria ligada ao Ministério da Saúde possui um orçamento capaz de realizar melhorias na saúde indígena. “A Sesai tem dinheiro. O que nos falta é uma gestão que saiba gerir o orçamento”.


    Foto: Guilherme Cavalli / Cimi

    Há quatro meses à frente da secretaria, Marco Antônio Toccolini recebeu os indígenas Terena e durante as três horas de reunião ressaltou a ineficiência da repartição em gerir os seus recursos. “Meu desafio é quebrar uma má organização e eu me sinto sozinho nisso. Essa estrutura e sua má gestão acaba criando confronto com os indígenas por não gerar resultado”, comentou Toccolini. “Precisamos rever os contratos e estudar o porquê de não estarem gerando efeitos e melhorias na saúde indígena. Temos muitos problemas de execução de contrato. Isso é falta de gestão”.

    Além da fragilidade no gerenciamento financeiro, Marcos Toccolini expôs a ineficiência estrutural que perpassa a organização da secretaria. “Quando as demandas chegam até o escritório em Brasília, deduzimos que são resultados do trabalho dos Conselhos Distritais Indígenas”. Os Condisis são responsáveis por fortalecer as ações de saúde nas comunidades ao ouvir as demandas dos povos. “Contudo, percebo pela fala de vocês que as gestões destes conselhos não funcionam”, salientou.

    “Dizem que têm dinheiro, mas ele não chega até as bases”

    “Nos sentimos abandonados. Não temos viaturas da saúde, nos polos básicos de saúde não tem remédio e aqui em Brasília dizem para gente que tem dinheiro. Lá na base o discurso é outro. Esse é o grande questionamento nosso”. Maurílio Pacheco, liderança Terena presente na reunião com o secretário da Sesai questionou o governista sobre a adequação dos recursos nas realidades indígenas. “É difícil entender essa situação. Lá na base a saúde indígena nunca funcionou e aqui dizem que tem dinheiro”, comentou indignado.

    Para Elson Albuquerce, da aldeia Cachoeirinha, localizada na cidade de Miranda (MS), o descaso com a saúde indígena é uma realidade em quase todas as aldeias do povo Terena. A liderança questionou o porquê da dificuldade em repassar os recursos. “Só pode ser que a burocracia e a corrupção seguram o dinheiro”, ressaltou. “Na reunião cansamos de ouvir que tem recurso, mas não chega lá na ponta”. Sobre a falta de medicamentos básicos, como analgésicos, a liderança diz ter que arcar com seus recursos. “Vamos até o posto com a receita passada pelo médico e não conseguimos os medicamentos nem para dor de cabeça. Precisamos comprar remédio com o próprio dinheiro”.
    O cacique Daniel Matchua, do povo Kadiweu, embasou a reenvidarão: “Quando consultamos com o médico e entregamos a receita para o responsável dizem pra gente que não tem dinheiro para o remédio. O índio tem que ir na farmácia e comprar”. Marcos Antônio Toccolini, em postura de insuficiência, disse estar indignado.

    Transportes insuficientes

    A dificuldade de transporte para conduzir os doentes foi a exigência recorrente de todos as lideranças. Além da insuficiência de automóveis para atender as demandas, os carros que realizam o translado dos indígenas até os postos de saúde e hospitais são alugados e funcionam somente nos dias de semana e em horário comercial. "Eu já cansei de levar as pessoas com meu carro na cidade em situação de doença. Isso não é realidade na minha aldeia. É em quase todas as aldeias Terena”, comenta Elson. “Dentro da comunidade não tem hora para ficar doente. As distâncias são longas. Como fazemos quando precisamos do carro de saúde e ele não existe?”.


    Maurílio Terena cobra transparência das verbas destinadas para as Terras Indígenas. Foto: Guilherme Cavalli / Cimi

    Após a afirmação de Marcos Antonio de que a Sesai conta com um orçamento suficiente para cumprir as demandas da saúde indígena, Daniel Matchua solicitou ao secretário que seja enviado as lideranças os valores reais que são investidos nas aldeias que integram a organização. “As estruturas estão ruins, lá falam que não tem condições para melhorar a saúde indígena, e aqui falam que tem verba. Precisamos saber os valores que vão para as aldeias destinados a saúde”.

    A reunião com o secretário da Sesai faz parte de um cronograma de reinvindicações que as lideranças Terena trazem aos órgãos federais, resultado da 10ª Assembleia do Povo Terena – Hánaiti Ho’únevo Têrenoe que aconteceu há aproximadamente um mês. O grupo de 50 indígenas aguarda confirmação para reuniões no Ministério da Justiça, na 6ª Câmara – Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais do Ministério Público Federal (MPF) e no Supremo Tribunal Federal (STF).


    Na segunda-feira o presidente da Funai recebeu delegação Terena. Foto: Guilherme Cavalli / Cimi

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  • 28/06/2017

    II Feira Tradicional Munduruku: cultura e resistência na Mundurukânia


    Por Barbara Dias, do Cimi Norte 2, e Rosamaria Loures
    Fotos de Barbara Dias

    A II Feira Tradicional Munduruku começou no dia 25 de junho na aldeia Jacaré Velho, no município de Jacareacanga (PA), alto Tapajós, e perdurará até o dia 29 na praça do centro da cidade.

    A Feira de artesanatos e alimentos tradicionais do povo Munduruku foi pensada a partir do movimento de resistência Munduruku Ipereğ Ayũ, que é uma organização referência contra a construção de barragens no rio Tapajós e contra as violações de direitos humanos, sociais, ambientais e culturais.

    Articulada pelas mulheres indígenas também como um espaço para formação política de gestão e proteção territorial, a Feira Tradicional surge em um contexto importante na região do Tapajós. A construção e o fortalecimento de alternativas para a soberania alimentar, por parte dos Munduruku, se contrapõe ao neoextrativismo que vem avançando para a região e que tem como base a exploração desenfreada dos recursos naturais minerários e florestais, causando impactos sociais e ambientais imensuráveis.

    Mais do que movimentar a renda das aldeias, a Feira fortalece as relações interpessoais e age como um momento de reafirmação da cultura Munduruku.  Exemplo disso, foi o Caxiri, bebida oferecida durante a Feira, o mingau Manicuera, ambos não são comercializados por serem bebida e alimento tradicional do povo Munduruku.

    O Movimento Munduruku Ipereğ Ayũ divulgou uma carta apresentando a feira. Leia abaixo:


    II Feira Tradicional Munduruku: cultura e resistência na Mundurukânia

    Nossa II Feira Tradicional Munduruku, começou dia 25 de junho na aldeia Jacaré Velho no município de Jacareacanga, no rio Tapajós, fizemos dois dias de feira e conversas sobre a história do Movimento Ipereg Ayu e nossos desafios.
    Agora vamos pra cidade mostrar quem somos e o que fazemos na nossa terra vamos ficar até dia 29 de junho e dia 30 voltamos pras nossas aldeias.

    Temos muito artesanato e alimentos tradicionais. Nossa alimentação também é nossa resistência, assim aprendemos. Nós do Movimento Ipereğ Ayũ, sabemos que continua a ameaça da construção de barragens no nosso rio Idixidi (rio Tapajós) e contra nossos direitos. Queremos que vocês pariwat entendam, o nosso direito é o direito da floresta é o direito da nossa cultura. Vamos continuar lutando contra as leis de qualquer governo contra nós.

    Reunimos um pouco de tudo que fazemos: arte, comida e cantamos um pouco e nos divertimos muito Nossa Feira Tradicional é cheia de vida lá sabemos se o parente inventou algo novo ou se quando foi na floresta viu alguma novidade. Fazemos assim, por que esse é o nosso caminho, é esse o nosso jeito, aqui até vemos o sol de outro jeito e o céu tem outro nome pra nós. Isso tudo é o nosso plano de vida!

    Vamos explicar: Nosso Plano de Vida é construído para o território Munduruku, para os rios serem livres de barragens, as mulheres com sua força estão preocupadas. Já construíram o Plano e estão colocando em prática, como a nossa Feira Munduruku.

    A Feira é pra fortalecer nosso caminho. Sem buracos no chão da floresta e sem veneno no rio Idixidi. Também vai trazer dinheiro pras nossas famílias e ajudar as aldeias. Aqui nos fortalecemos, aqui somos Wuyjugu. Tomando caxiri, mingau de manicuera.

    Pra cá vieram artesãos, caciques, lideranças, puxadores, professores, cantores e cantoras, jovens e crianças, e até palhaços. Nosso agradecimento a Rádio Margarida, nossas crianças gostaram muito. E a Rosamaria Loures por começar a nos devolver sua pesquisa sobre o Movimento.

    Aqui na II Feira Tradicional Munduruku estamos aprendemos muito pra continuar na luta!

    Sawe!

    Movimento Ipereg Ayu
    Associação Da’uk
    Associação Pariri (Munduruku do território Dajé Kapap Eipi)





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  • 28/06/2017

    Encontro internacional reafirma compromisso pela proteção e afirmação dos direitos de povos indígenas isolados e de recente contato


    Participantes reunidos ao final do Encontro Olhares Sobre as Políticas de Proteção aos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato. Foto: Acervo CTI

    Representantes de diversos povos e organizações indígenas, além de organizações da sociedade civil do Brasil, Colômbia, Paraguai, Peru e Venezuela se reuniram em Brasília entre os dias 19 e 22 de junho no encontro internacional Olhares Sobre as Políticas de Proteção aos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato.

    O evento foi realizado pelo CTI em parceria com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira – COIAB, com o objetivo de debater diferentes perspectivas indígenas sobre suas relações com povos isolados e de recente contato na bacia amazônica e Gran Chaco, com vistas à construção de subsídios e orientações para o fortalecimento das políticas públicas de proteção e afirmação de direitos desses povos/grupos.

    Apesar dos avanços no desenvolvimento de políticas de proteção de povos indígenas isolados e de recente contato verificados em alguns países da América do Sul nas últimas décadas, diversas ameaças aos direitos indígenas têm se intensificado nos últimos anos, com efeitos particularmente graves sobre estes povos.

    Resultado dos debates do encontro, a  Carta de Brasília – Manifesto em defesa dos povos indígenas isolados e de recente contato na Bacia Amazônica e Gran Chaco chama a atenção para o aumento exponencial da violência e discriminação contra os povos indígenas e sua relação direta com iniciativas dos poderes legislativo, executivo e judiciário. Alerta para a situação crítica em que se encontram os povos indígenas isolados e de recente contato na América do Sul e solicita à Comissão Interamericana de Direitos Humanos e à ONU que atuem como observadores e no acompanhamento de políticas voltadas à proteção destes povos.

    O manifesto traz uma série de propostas e reafirma o compromisso conjunto dos povos indígenas e organizações presentes pela garantia de direitos e a proteção territorial desses povos. Reforça princípios básicos, como a intangibilidade de seus territórios e o respeito à sua autonomia, suas formas de relação com outros povos e sua opção pelo isolamento. Neste sentido, aponta a urgência do reconhecimento e regularização fundiária destes territórios na bacia amazônica e Gran Chaco, e também da implementação de medidas para a sua proteção, independente da conclusão desses processos.

    Também são apontados como princípios básicos o reconhecimento das políticas indígenas de proteção destes povos e a ampla participação indígena em espaços de coordenação, tomada de decisão e implementação de políticas públicas voltadas à proteção de povos isolados e de recente contato.

    Diversas propostas destacam a importância do envolvimento dos povos indígenas vizinhos de povos/grupos isolados para a sua proteção. O apoio e fortalecimento de estratégias comunitárias e planos de gestão territorial, a promoção de intercâmbios, de atividades de formação e de diálogos e acordos territoriais para o estabelecimento de ‘zonas tampão’ são alguns exemplos. A demanda por melhoria e intensificação do atendimento à saúde junto a povos e populações do entorno de território de isolados também é destacada. “O bem-estar dos povos isolados e de recente contato depende necessariamente do bem-estar das comunidades vizinhas”, afirma o manifesto.

    O documento demanda que os órgãos de Estado competentes identifiquem situações de iminentes contatos ou conflitos e dialoguem com as comunidades envolvidas para orientação mútua e elaboração conjunta de planos de contingência em cada caso específico, respeitando os protocolos e formas indígenas de manejar situações envolvendo povos isolados. Propõe, ainda, a elaboração de protocolos de consulta junto a povos de recente contato.

    Também enfatiza a necessidade de fortalecimento da Fundação Nacional do Índio (Funai) e de suas Frentes de Proteção Etnoambiental no Brasil, e de que a atuação do órgão se dê em parceria e com ampla participação dos povos indígenas, suas comunidades e organizações. Exige, ainda, que o governo colombiano decrete o marco normativo que estabelece a política para a proteção de povos isolados e de recente contato, fruto de processo de consulta junto a comunidades e organizações indígenas naquele país. E insta o Estado peruano a realizar processo similar.

    Diante do atual contexto vivido pelos povos indígenas em diferentes países da América do Sul, diversos trechos do documento reafirmam a necessidade de ampliação e fortalecimento de articulações e da cooperação técnica entre organizações indígenas e organizações da sociedade civil.

    Participaram do encontro Olhares sobre as Políticas de Proteção aos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato representantes dos povos Katxuyana, Wai Wai, Hexkaryana, Kahyana, Tunayana, Zo’é, Manchineri, Huni Kuin, Jaminawa, Apurinã, Jamamadi, Ashaninka, Guajajara, Awa Guajá, Kanamari, Kulina-Pano, Matsés, Matis, Marubo, Yanomami, Galibi-Marworno, Karipuna, Baré, Kamejeyá (Yucuna), Yaimajã (Tanimuca), Ide-masã (Macuna), Yine, Uwottüja (Piaroa) e Shipibo.

    O evento é uma das atividades do Projeto Proteção Etnoambiental de Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato na Amazônia, realizado pelo CTI em parceria com a Funai e com apoio financeiro do Fundo Amazônia.

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  • 27/06/2017

    “Nossa missão está no Evangelho”, afirma dom Roque Paloschi


    "Se nós não gritarmos, as pedras vão gritar”. Foto: Augusta Eulália Ferreira

    Em nota divulgada pela Presidência da entidade na última quinta-feira (22), a Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB) manifestou seu total apoio e solidariedade ao Cimi, alvo da Comissão Parlamentar de Inquérito denominada (CPI) da Funai e Incra, que indiciou mais de cem lideranças indígenas, antropólogos, procuradores da República e pessoas ligadas ao próprio organismo. No texto, aprovado pelo Conselho Permanente, os bispos ressaltam o aumento da violência no campo no período de funcionamento da CPI.

    Em entrevista a Rádio Vaticano, Dom Roque Paloschi, presidente do Cimi, agradeceu o ato da CNBB. "Na condição de Presidente do CIMI, louvar e bendizer a Deus por este gesto de ternura e de carinho que o Conselho Permanente da CNBB, com a Presidência da CNBB consequentemente, manifestou ao CIMI através da nota em defesa dos direitos indígenas e do trabalho que o CIMI realiza”, comentou.

    Ouça a entrevista completa no site da Rádio Vaticano

    “Não há nenhum fazendeiro indiciado na CPI. Somente pessoas que lutam pela vida dos povos indígenas”, afirma dom Leonardo Steiner, da CNBB

    O arcebispo de Porto Velho (RO) caracterizou a CPI como "parcial, unilateral e antidemocrática, na medida em que também alimentou a violência no campo ao longo do seu funcionamento". Sobre a conjuntura política que a Comissão Parlamentar foi instaurada, o religioso afirmou a continuidade do trabalho realizado pelos missionários e missionárias do Cimi na defesa dos direitos indígenas. "Nós continuamos caminhando na certeza de que não são estas ameaças da Bancada alimentada pelo agronegócio e pela corrupção que o mundo inteiro está acompanhando que vai amedrontar o sonho e a esperança dos povos indígenas e de seus aliados".

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  • 26/06/2017

    Em Pimenta Bueno (RO), II Encontro da Juventude Indígena reflete conjuntura política e direito dos povos tradicionais


    Com o tema “Juventude Indígena em luta pelos direitos garantidos pela Constituição Federal de 1988”, representantes dos povos Aikanã, Sabanê, Tawandê, Guarassugwe, Kampé, Guaratira, Mamaindê, Latundê, Arara, Kwazá, Migueleno, Gavião, Zoró, Kujubim, Tupari, Sakyrabiat se reuniram no último final de semana, de 23 a 25, para o II Encontro de Jovens Indígenas. A assembleia aconteceu em Pimenta Bueno, cidade localizada na região sul do estado de Rondônia.

    Debates sobre a conjuntura atual do país e a legislação indígena fizeram do encontro um espaço de formação para as lideranças jovens. Para Célio Arara, o final de semana significou um momento de construção de novos saberes. “Estarmos aqui reunidos contribuiu para realizar uma troca de saberes e de experiências e partilhas das histórias dos povos”, afirmou. Para os jovens Ademildo Sakyrabiat e Sabrina Arara momentos como esse contribuem na unificação das reinvindicações e atribuem as juventudes o protagonismo de transformação. “Os jovens antes de ser o futuro, são o presente dos povos indígenas, nós estamos lutando, realizado nossas artes, nossas festas”.

    Frei Volmir C. Bavaresco, em um resgate histórico das lutas dos povos indígena de Rondônia, recordou de encontros que firmaram a presença e identidade dos povos na região, como a reunião dos grandes caciques e tuxauas que deu início a luta organizada. “Os indígenas eram proibidos de realizar qualquer manifestação cultural, como falar a língua materna”, lembrou o missionário. Em seguida, Pedro Alcântara, expos uma análise de conjuntura nacional, regional e local, onde destacou os ataques violentos aos direitos fundamentais dos trabalhadores, estudantes e comunidades tradicionais pelo governo federal. “Existe em curso um apossamento e exploração das terras indígenas, quilombolas e demais comunidade tradicionais afim de mercantilizá-las; as violências praticadas por ruralistas contra as comunidades indígenas e a Crise política e institucional”, destacou o missionário do Cimi.

    O II Encontro de Jovens Indígenas contou com a participação de membros não indígenas da Pastoral da Juventude (PJ) e da Juventude Missionária (JM) em um intercâmbio cultural e de saberes. 

    Com informações do Cimi Rondônia


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  • 26/06/2017

    Recomendação do MPF pede que estado priorize contratação de professores indígenas em escolas indígenas


    A recomendação é para duas coordenadorias de educação do estado da Serrinha, mas se estende às demais escolas indígenas. Foto: Maia Rubim/Sul21

    Por Fernanda Canofre, da Sul 21

    Uma recomendação do Ministério Público Federal (MPF) de Passo Fundo, na região norte do Rio Grande do Sul, expedida no dia 16 de junho, pede que a Secretaria Estadual de Educação contrate professores indígenas ou candidatos indígenas aprovados em concursos, para lecionar nas escolas indígenas, ao invés de ampliar a carga horária de outros docentes. O documento é endereçado diretamente às 7ª e à 39ª Coordenadorias Regionais de Educação, responsáveis por escolas da região, incluindo a Escola Estadual Indígena de Ensino Médio Fág Kavá, localizada dentro da Terra Indígena de Serrinha, no município de Ronda Alta.

    O MPF afirma ter considerado a recomendação “necessária” depois de um inquérito civil apurar a ausência de professores na escola da Serrinha e ainda constatar que o Estado vinha aumentando a carga horária de não-indígenas, em detrimento de professores indígenas que já trabalhavam no local, em contrato temporário.

    Há dois anos, a falta de educadores indígenas fez com que Lúcia Fernanda Inácio Belfort Sales tirasse o filho de 12 anos de uma das escolas da Serrinha. Moradora da Terra Indígena, a kaingang disse que o mantinha no local por causa do ensino bilíngue, obrigatório em escolas indígenas por lei. Porém, depois de dois anos sem aulas de kaingang, ela decidiu matriculá-lo em uma escola da cidade. “A qualidade [da escola indígena] está muito prejudicada, se for pra estudar matemática e etc, deixo ele lá fora que as escolas estão muito melhores”, explica.

    Fernanda, que também é membro do Instituto Kaingang e foi a primeira indígena a receber título de mestre em Direito no país, conta que a situação se repete há anos e dois professores indígenas – de Inglês e História – estariam sendo preteridos para as vagas, enquanto professores não-indígenas ganham preferência. Ela lembra que em 2012, uma das escolas foi esvaziada porque diversos pais decidiram tirar os filhos da escola indígena e matriculá-los em outras instituições de ensino da região. A decisão gerou conflito com o então cacique do local, Antônio Ming, e alguns pais tiveram de recorrer à Justiça para que as crianças pudessem estudar fora da Terra Indígena.

    Segundo a Secretaria Estadual de Educação, o Rio Grande do Sul tem atualmente 6.469 alunos e 17 professores indígenas, em 17 coordenadorias de educação. A Seduc nega que o ensino de Kaingang esteja suspenso na Serrinha e diz que “vem se esforçando para se adaptar à legislação nacional”. Na escola que motivou a recomendação, dos 16 professores, nove são não-indígenas e sete são indígenas.

    Um dos problemas alegados pela Seduc seria que “não há professores indígenas com formação suficiente para atender todos os alunos”. “No último concurso público, realizado em 2013, apenas 43 professores da etnia foram aprovados. Diante da impossibilidade de contemplar todos os estudantes, os professores não-indígenas que ocupam as vagas são sempre supervisionados por professores índios para facilitar aos alunos a aprendizagem no seu próprio idioma”.

    Procurada pela reportagem, a diretora da escola Fág Kavá disse que estava “proibida de falar” e desligou o telefone em duas tentativas de contato. A assessora de educação indígena da 7ª Coordenadoria Regional de Educação, localizada em Passo Fundo, disse não poder se pronunciar sobre o assunto.

    Conflito de legislações é entrave

    A questão na escola da Serrinha parece apontar para um problema maior. O conflito entre duas legislações: o que diz a lei estadual sobre educação e contratação de servidores e o que está estipulado para a Legislação Escolar Indígena, do Ministério da Educação. A análise é do assessor do departamento pedagógico em educação indígena, da Secretaria de Educação, Rodrigo Venzon.

    “É comum que elas entrem em conflito, porque quando legisladores fazem leis convencionais, nunca pensam nos indígenas. Eles não lembram que existe educação indígena, fazem regras gerais, não contemplam questões de especificidades que estão previstas em convenções internacionais. Justamente por isso que nas conferências nacionais de educação indígena tem se falado em constituir um sistema próprio”, explica ele.

    Pela lei do Estado, para que um professor seja chamado para um cargo temporário é preciso que haja vaga mostrando que a turma não está sendo atendida. A contratação é encaminhada pelos próprios diretores das escolas nestes casos, mas a prioridade é sempre para professores indígenas. Venzon observa, no entanto, que “a formação superior dos indígenas tem sido muito restrita”. A maioria dos indígenas que se dedica à licenciatura acaba estudando Pedagogia, o que faz com que a presença de docentes indígenas em séries iniciais seja quase integral na rede indígena gerida pelo Estado gaúcho. Porém, em matérias que exigem licenciaturas específicas há defasagem.

    “O que a gente tem feito são termos de cooperação com as universidades, porque a oferta de formação superior indígena é uma atribuição da União. Mas estudantes indígenas a partir do quarto semestre de faculdade, já podem ter preferência no contrato”, explica Venzon.

    A Lei de Diretrizes Básicas da educação menciona a educação de povos indígenas em dois pontos, que focam no ensino bilíngue. O artigo 32 diz que embora a educação seja ministrada em Língua Portuguesa, as comunidades têm direito de utilizar suas línguas e processos de aprendizagem. Os artigos 78 e 79, do Ato das Disposições Gerais e Transitórias da Constituição de 1988, também falam de ensino integrado e colocam como dever do Estado oferecer “educação bilíngue e intercultural que (…) proporcione a oportunidade de recuperar suas memórias históricas e reafirmar suas identidades, dando lhes, também, acesso aos conhecimentos técnico científicos da sociedade nacional”. A LDB prevê ainda formação de corpo docente e material pedagógico especializado. O Plano Nacional de Educação (PNE), assinado em 2001, também traz diretrizes para a Educação Escolar Indígena.

    Como alguém que estudou em escola indígena e em escola privada, Fernanda diz que sabe bem a diferença entre as duas e que, para os filhos, quer a oportunidade de uma educação que considere e ampare sua própria cultura. “A diferença é a vivência que você tem de uma história oral que não foi contada. Nosso povo recebeu roupa envenenada com varíola e com doenças há poucas décadas, isso não está escrito nos livros que são mandados para gente. Ali está falando de Duque de Caxias, de Padre José de Anchieta. A vivência dos kaingang foi minada através de atitudes do próprio governo”.

    Além da recomendação às duas CRES que atendem à região da Terra Indígena da Serrinha, o MPF também pediu que as demais coordenadorias do estado sejam orientadas para adotar as mesmas providências.

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  • 23/06/2017

    Em Brasília, adolescentes Guarani Kaiowa do Conselho Aty Guasu denunciam violações contra a população indígena



    Fotos: Imagem da Vida

    Por Paula Bonfati, da assessoria de comunicação Imagem da Vida

    Na última quinta-feira (22), uma delegação de 24 adolescentes e jovens Guarani Kaiowa foi recebida pela presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Carmem Lúcia, em Brasília. Acompanhavam a delegação lideranças do Conselho Aty Guasu, do Aty Guasu das Mulheres e do Aty Guasu de Jovens. A incidência nos órgãos federais, promovido pelos conselhos em parceria com a organização Imagem da Vida, que trabalha com educação em direitos humanos e valorização das diversidades, denunciou violações contra os povos indígenas no estado do Mato Grosso do Sul.

    Em conversa com a ministra a juventude Guarani Kaiowa demonstrou inquietação com propostas que tramitam no Congresso Federal, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215 e o Marco Temporal, uma das principais ameaças aos direitos constitucionais indígenas. A tese do Marco Temporal vem sendo utilizada como instrumento para anular a demarcação de Terras Indígenas no Poder Judiciário, especialmente a partir de decisões da Segunda Turma do STF.

    Em resposta aos anseios dos jovens e adolescentes, Carmem Lúcia afirmou estar acompanhando a situação das demarcações e homologações das terras indígenas. “Vou tentar ajudar para que a esperança de vocês não morra. O Judiciário está cada vez mais atento a essa realidade”, afirmou a Ministra.

    Jhonn Nara Gomes, 16 anos, recordou a presidente do STF que as solicitações que trazem são demandas históricas, que perpassam gerações. “A gente quer que o nosso direito seja respeitado. As lideranças que tinham esses sonhos já estão mortas, mas os jovens vão continuar levantando o que eles [líderes indígenas] plantaram”, diz o jovem da aldeia Guaiviri.

    Agenda na Comissão de Direitos Humanos e Minorias
     
    A delegação foi composta também por lideranças do Aty Gyasu Guarani Kaiowá, como Eliseu Lopes, Dionísio Gonçalves, Celso Alziro e Leila Rocha. Eles participaram, juntamente como s adolescentes e jovens, de audiências com o Ministério dos Direitos Humanos, os Embaixadores da União Europeia, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados e a ONU. O objetivo das incidências foi trazer às autoridades do poder público  a situação em que se encontram as crianças e adolescentes Guarani Kaiowá.

    Durante audiência da delegação Guarani Kaiowá com a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, na quarta-feira (21), Eliseu Lopes, membro do conselho Aty Guasu, questionou a atuação do estado brasileiro na efetivação das políticas indígenas. “No passado, pedíamos 10% do que era o nosso território. Agora, estamos querendo apenas 0,2% dessa área para nossa sobrevivência. Não queremos vender a mãe-terra", ressaltou. "É uma vergonha o Brasil ser conhecido no exterior como um país que mata seus índios. Nosso povo está sendo massacrado e abandonado pelo Estado brasileiro”, denunciou a liderança.

    Para a deputada Maria do Rosário (PT-RS), integrante da Comissão, a execução dos retos da Constituição Federal de 1988 torna-se urgente em contexto de violência com as populações tradicionais. “As comunidades indígenas defendem o que está escrito na lei. Porque a Constituição Federal de 188 não vale para os povos indígenas? Não vale a vida de um indígena como a vida de alguém de qualquer outra etnia?", questionou. "Nós precisamos somar nossas vozes às vozes Guarani Kaiowá, que denunciam a violência e a negação de direitos aos povos indígenas no Brasil", declarou a deputada federal.

    Entre os encaminhamentos resultantes da audiência com a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, destaca-se o acompanhamento das investigações do massacre de Caarapó (MS), que vitimou Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza, 23 anos, e deixou crianças e lideranças indígenas em estado grave; o subsídio, investimento e proteção aos defensores dos Direitos Humanos que atuam no Mato Grosso do Sul; e a solicitação de informações ao governo do estado do MS sobre a negligência e violência cometida contra os povos indígenas no serviço de saúde no estado.



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  • 23/06/2017

    Conselho Nacional dos Direitos Humanos emite nota de repúdio a CPI da Funai/Incra


    Foto: Guilherme Cavalli / Cimi

    Em manifestação pública divulgada na última quinta-feira (22), Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) repudia o relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI da Funai/Incra. Aprovado em plenário na reunião ordinária dos dias 21 e 22 de junho, o texto considera as ações da CPI com “nítido propósito de intimidação e criminalização de pessoas e entidades que atuam na defesa dos direitos dos povos indígenas, quilombolas e da reforma agrária”. Confira a nota abaixo:


    NOTA PÚBLICA DO CNDH EM REPÚDIO AO RELATÓRIO DA CPI DA FUNAI E INCRA

    A CPI da FUNAI e INCRA aprovou seu relatório no dia 17/5/2017, texto-base de autoria do Deputado Federal Nilson Leitão, presidente da Frente Parlamentar Agropecuária, mais conhecida como bancada ruralista.
    As ações da citada CPI e sua forma de condução demonstraram nítido propósito de intimidação e criminalização de pessoas e entidades que atuam na defesa dos direitos dos povos indígenas, quilombolas e da reforma agrária.

    No relatório aprovado consta o indiciamento de indígenas, indigenistas, antropólogos/as, procuradores/as da república, funcionários/as da Funai e outros, além de pedidos de investigação de organizações indigenistas.

    Constam, ainda, no relatório proposições que visam paralisar as demarcações de terras indígenas e territórios quilombolas, bem como rever e revogar aquelas já demarcadas, colocando na mira do agronegócio e do mercado de terras áreas indispensáveis à sobrevivência física e cultural dos povos indígenas e quilombolas.

    Assiste-se, pois, à extrema violência da bancada ruralista contra aqueles que deveriam ser reconhecidos como os mais civilizados, os povos indígenas e quilombolas, que estão na busca dos seus direitos.

    O CNDH reitera seu compromisso com a defesa e promoção dos direitos humanos, ao tempo em que denuncia os atentados aos direitos humanos e seus defensores e suas defensoras perpetrados pelo relatório da CPI da Funai e Incra. O CNDH reconhece, ainda, o trabalho de servidores/as públicos e militantes que atuam na defesa dos direitos dos povos indígenas e quilombolas.
     

    Brasília-DF, 22 de junho de 2017
    CONSELHO NACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS – CNDH

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