• 23/04/2018

    Plenária de abertura do ATL 2018 reúne quase três mil indígenas por Demarcação Já!

    Mais de 100 povos de todo o país se preparam para uma semana de lutas, discussões e reivindicações

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  • 23/04/2018

    Audiência no Senado discute autonomia de indígenas e ameaças a seus direitos

    Com o tema “Aliança dos Povos Indígenas, fortalecendo a autonomia”, audiência pública foi realizada na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado

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  • 23/04/2018

    Começa o Acampamento Terra Livre 2018, em Brasília

    Com o tema “Unificar as lutas em defesa do Brasil Indígena – Pela garantia dos direitos originários dos nossos povos”,  o ATL ocorre em um contexto visto pelo movimento indígena nacional como o maior ataque aos direitos indígenas desde a promulgação da Constituição Federal em 1988.

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  • 23/04/2018

    Acampamento Terra Livre mudou para o Memorial dos Povos Indígenas

    Cerca de mil indígenas de mais de cem povos das cinco regiões do país já chegaram no Acampamento Terra Livre (ATL) que agora acontece no Memorial dos Povos Indígenas, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

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  • 20/04/2018

    ATL 2018 começa nesta segunda-feira, 23, no Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília

    Em meio ao maior ataque aos direitos indígenas dos últimos 30 anos, Acampamento Terra Livre começa nesta segunda (23), com 2,5 mil indígenas em Brasília

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  • 20/04/2018

    Presidente do Cimi denuncia violações de direitos dos povos indígenas na Assembleia Geral da CNBB

    “O ano 2018 apresenta-se como extremamente perigoso e desafiador para os povos indígenas no Brasil”, afirmou Dom Roque Paloschi

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  • 19/04/2018

    Fragilidade na proteção aos povos indígenas isolados é denunciada às Nações Unidas

    O integrante da Equipe de Apoio aos Povos Indígenas Isolados do Cimi ressaltou a “fragilidade dos mecanismos governamentais de proteção aos territórios em tempos de baixa democracia”

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  • 18/04/2018

    “Eu vim à ONU pedir ajuda para que não ocorra um massacre contra o meu povo”

    Este foi o apelo de Adriano Karipuna feito às Nações Unidas, na tarde desta quarta-feira, 18, em Nova York, durante a 17ª Sessão do Fórum Permanente sobre Assuntos Indígenas das Nações Unidas

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  • 17/04/2018

    Divulgada lista de selecionados para curso de extensão em Histórias e Culturas Indígenas

    Selecionados devem confirmar suas inscrições até o dia 25 de abril, próxima quarta-feira pelo e-mail [email protected]

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  • 17/04/2018

    ONU

    Por Ascom/Cimi com informações de ONU News

     

     

    Leila Guarani e Kaiowá. Foto: Guilherme Cavalli/Cimi

    Pronunciamento de Leila Rocha Guarani e Kaiowá

    Ao Fórum Permanente da ONU sobre Questões Indígenas

    Senhora presidente,

    Meu nome é Leila Rocha, sou do povo Guarani Nhadeva e resido no estado do Mato Grosso do Sul, região Centro Oeste do Brasil. Aqui represento a comunidade onde vivo Yvy Katu, a Aty Gussu (Grande Assembleia do povo Guarani Kayowá), a Aty Cunhã (Assembleia das Mulheres Guarani Kayowá) e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), da qual a Aty Guassu faz parte.

    Milhares de Guarani Kaiowá foram expulsos de suas terras. Hoje vivem em beiras de estradas e estão passando fome todos os dias no Mato Grosso do Sul. Passando necessidades numa região que é mundialmente conhecida como grande exportadora de carnes, soja, milho e açúcar. Nossas crianças passam fome por que suas famílias não tem um lugar sequer para produzir seus alimentos.

    Muitas de nossas comunidades sofrem intimidações, ameaças e agressões de fazendeiros sem que os mesmos sejam punidos. A impunidade dos nossos agressores serve de incentivo para eles nos agredirem ainda mais.

    Juízes Federais do município de Dourados tomam decisões frequentes que provocam o terror em nossas comunidades por meio de ordens de despejo judiciais e de anulação de processos de demarcação de nossas terras fazendo uso do Marco Temporal.

    O Governo brasileiro paralisou as demarcações de nossas terras. Com o Parecer 001 da Advocacia Geral da União, aprovado pelo presidente Temer e publicado em julho de 2017, pode haver retrocessos a qualquer momento em relação às terras que já estão em demarcação, como é o caso da terra Yvy Katu onde eu resido com minha família e minha comunidade.

    Já pedimos muito ao governo brasileiro para que demarque nossas terras. Mas até agora o governo não demarcou nossas terras. Por isso, senhora presidente, peço a este Fórum Permanente da ONU, ao Mecanismos de Expertos e à Relatora Especial da ONU para Povos Indígenas que: 1) Encaminhem recomendação para que o governo brasileiro envie, forma emergencial, alimentos para comunidades onde os Guarani Kaiowá estão passando fome; 2) Encaminhem recomendação para que o governo brasileiro dê seguimento e finalize os processos de demarcação, homologação e registro de nossas terras; 3) Recomende à Ministra da Advocacia Geral da União, Grace Maria Fernandes Mendonça, a imediata revogação do Parecer 001/17.

    Nova York, 17 de abril de 2018

    Leila Rocha

    Aty Guassu Guarani Kaiwá

     

     

     

     

    Adriano Karipuna. Foto: Tiago Miotto/Cimi

    Pronunciamento de Adriano Karipuna

    Ao Fórum Permanente da ONU sobre Questões Indígenas

    Senhora Presidente,

    Meu nome é Adriano Karipuna. Sou liderança do povo Karipuna do estado de Rondônia, no Brasil. Venho, em nome do povo a que pertenço, trazer informações a este Fórum Permanente da ONU e pedir providências.

    Meu povo foi contactado na década de 1970 e sofreu uma forte redução populacional em decorrência da violência sofrida e doenças. A maior parte de nossa terra foi tirada de nós à força. Chegamos a ser apenas 05 pessoas membro do nosso povo. Na década de 1990, conseguimos a demarcação de parte do nosso território. Hoje somos 58 pessoas.

    A partir de 2015, não-indígenas passaram a invadir a nossa terra e essa invasão agravou-se muito nos últimos dois anos já durante o mandato do Presidente Temer. Nossa terra está sendo invadida, loteada e vendida para pessoas que estão se apossando ilegalmente e derrubando a nossa floresta para plantação de pastagens para criação de gado.

    A situação é muito grave. Além dos amplos danos ambientais, existem fortes e iminentes riscos de sermos atacados dentro de nossa terra pelos invasores. A possibilidade de haver um massacre e um genocídio contra meu povo é real. O desmatamento já chega há poucos metros da nossa aldeia.

    Já apresentamos muitas denúncias a autoridades do Estado brasileiro sobre esse caso.  Há cerca de um mês, inclusive, nos reunimos e denunciamos a situação ao presidente da Funai, ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (IBAMA) e ao Ministro da Justiça, sr. Torquato Jardim. Até o momento, no entanto, não foram tomadas providências para que os invasores de nossa terra sejam retirados dela.

    Diante disso, senhora presidente, recorro e faço um apelo a este Fórum Permanente da ONU, ao Mecanismo de Expertos e à Relatora Especial da ONU para Povos Indígenas que enviem documentos e contatem urgentemente representantes do Governo brasileiro para que o mesmo promova ações estruturantes e urgentes para retirar os invasores de nossa terra. Pedimos também que ao governo brasileiro seja recomendado a adoção de medidas que garantam a efetiva proteção de nosso território, do nosso povo e de nossas lideranças. E ainda que o governo brasileiro recomponha o orçamento do órgão indigenista para que o mesmo possa cumprir com suas responsabilidades institucionais e constitucionais.

    Senhora presidente, não podemos aceitar sermos vítimas de um genocídio. A retirada dos invasores de nossa terra e a proteção dela é elemento fundamental para que possamos continuar existindo enquanto povo. Contamos com o urgente e efetivo apoio deste Fórum da ONU.

    Adriano Karipuna

    Liderança do Povo Karipuna

     

     

     

    Cleber Buzatto, do Cimi. Foto: Guilherme Cavalli/Cimi

    Pronunciamento de Cleber Buzatto, secretário executivo do Cimi

    Ao Fórum Permanente da ONU sobre as Questões Indígenas

    Senhora presidente,

    O ano 2018 apresenta-se como extremamente perigoso e desafiador para os povos indígenas no Brasil.

    Muitos são os fatos concretos de nossa realidade que, infelizmente, nos levam a esta conclusão. Quatro deles são emblemáticos: o assassinato do professor Marcondes Namblá Xokleng, a pauladas, no estado de Santa Catarina; o assassinato, a pedradas, do também professor Daniel Kabinxana Tapirapé, no estado do Mato Grosso, ocorrido durante o mês de janeiro; a queima de uma base de proteção pertencente ao Estado brasileiro localizada na terra indígena Karipuna, em Rondônia, em fevereiro; e o despejo extrajudicial com práticas de tortura contra famílias do povo Kaingang, pela polícia militar do Rio Grande do Sul, também em fevereiro.

    Poderes do Estado brasileiro, de modo especial o Executivo e o Legislativo, por sua vez, mostram-se dominados pelos interesses de grandes corporações privadas e seus representantes no Congresso Nacional, a bancada ruralista, e atuam no sentido de agravar ainda mais as violações acima referidas. São muitas as iniciativas que causam sérios prejuízos e ameaçam fortemente a Vida e o futuro dos povos originários do Brasil. Neste sentido, destacamos:

    Do poder Executivo: o Parecer Anti-demarcação 001/17 da Advocacia Geral da União aprovado pelo Presidente Temer; a paralisação dos procedimentos de demarcação das terras indígenas e o estrangulamento orçamentário da Fundação Nacional do Índio (Funai);

    Do Legislativo: a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215/00; o Projeto de Lei 3729/04 que estabelece mudanças na lei ambiental;

    Do Judiciário: a negativa do acesso à justiça aos povos por parte de alguns Ministros da Suprema Corte; a sombra do Marco Temporal e as recorrentes decisões de reintegrações de posse e de anulação de procedimentos de demarcação, estas últimas tomadas, principalmente, nas primeiras instâncias.

    Diante dessa grave situação, apresentamos a este Fórum Permanente da ONU, ao Mecanismos de Expertos e à Relatora Especial da ONU sobre Povos Indígenas as seguintes recomendações: 1) Que o Estado brasileiro dê seguimento regular aos procedimentos administrativos de demarcação de terras indígenas; 2) Recomendar à Advocacia Geral da União e ao Governo Temer que revoguem o Parecer 001/17; 3) Instar o Governo brasileiro que tome medidas emergenciais e estruturantes para pôr fim à nova fase de esbulho possessório em curso no país contra os povos indígenas;  4) Recomendar que o governo brasileiro realize efetiva investigação e punição dos responsáveis pelas violências contra os povos indígenas; 5) Recomendar ao Supremo Tribunal Federal e a seus Ministros que seja garantido o direito dos povos indígenas participarem de todos os processos judiciais que impactam seus direitos.

    Nova York, 17 de abril de 2018

    Cleber César Buzatto

    Secretário Executivo do Cimi

     

     

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