• 28/09/2004

    Prefeito de Atalaia do Norte ordena não atendimento a indígenas no Posto Municipal de Saúde

    O Conselho Indígena do Vale do Javari (Civaja) encaminhou denúncia à Coiab, segundo a qual o prefeito e a secretária municipal de saúde de Atalaia do Norte, estado do Amazonas, ordenaram aos funcionários do Posto de Saúde Municipal não oferecer atendimento aos índios da região.

    Leia na íntegra o relato do Civaja:

    “Devido à falta de atendimentos de saúde na Casa de saúde do Índio (Casai) em Atalaia do Norte-AM, 05 (cinco) indígenas da etnia Kanamari foram encaminhados pela atendente da Casai, Nelly Barbosa Duarte, para serem atendidos no Posto Municipal de Saúde. Na oportunidade os funcionários do Posto se negaram a receber os indígenas com a alegação de que o prefeito local, Sr. Rosário Conte Galate Neto, não os tinha autorizado a fazer nenhum atendimento para índios.

    “Vale apenas lembrar que na oportunidade em que esteve no Município de Atalaia do Norte, o Diretor do Departamento de Saúde Indígena (Desai) da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Dr. Alexandre Padilha, enfatizou que a Secretaria Municipal tinha a disposição recursos do chamado Programa de Saúde Familiar -Indígena (PSF-I) que seriam destinados ao atendimento de indígenas, além dos recursos do Distrito Sanitário Especial Indígena do Vale do Javari (Dsei/Javari).

    “Tratando-se do prefeito local, segundo o qual “índio bom é índio morto”, essa atitude só vem reforçar as denúncias que já foram divulgadas pela Civaja e que demonstram as grandes dificuldades que as populações indígenas enfrentam, atualmente, para receberem atendimento de saúde, dentre outros programas governamentais que dependem da administração municipal.

    “Os referidos indígenas se deslocaram de suas aldeias durante 07 (sete) dias em busca de ajuda e na única oportunidade que tinham para serem atendidos, foram barrados simplesmente por que eram índios.

    “Durante dois dias consecutivos a atendente tentou convencer os funcionários do Posto Municipal de Saúde sobre a gravidade de saúde dos pacientes e a resposta foi sempre a mesma: “o prefeito e a secretária municipal de saúde falaram para não atendermos nenhum índio”.

    “As incoerências não param por aí. Segundo os professores indígenas que estavam participando do “Curso de Formação de Professores Indígenas”, ministrado pela Secretaria de Educação do Estado (Seduc/AM), por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), o Sr. Rosário Conte Galate Neto os ameaçava dizendo que se eles não votassem nele (o prefeito), seriam demitidos de suas funções, pois “graças a ele” (o prefeito) os indígenas vinham sendo capacitados para serem professores em suas aldeias.

    “Cabe ressaltar aqui que o Civaja vem lutando durante anos pela capacitação dos indígenas e conseguiu o apoio da Seduc para a implantação do Curso de Formação para Professores Indígenas da região, por meio da Semed local.

    “Com isso, a Coordenação do Civaja vem chamar a atenção da sociedade para esses descasos que causam insatisfação e pede apoio das organizações parceiras e dos meios de comunicação, que divulguem essas informações com a finalidade de apresentar a verdadeira situação por que passam as populações indígenas do Vale do Javari.”

    Até aqui as denúncias do Civaja. Outras informações podem ser obtidas junto à Coordenação da organização indígena pelo telefone (97) 4171128.

    Manaus, 24 de outubro de 2004.

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  • 28/09/2004

    MPF quer que Supremo defina processo de homologação da reserva indígena Raposa Serra do Sol

     


    O Ministério Público Federal entrou com outra ação no STF discutindo o processo de homologação da área indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Em julho, o Supremo negou pedido do MPF que pretendia suspender decisões judiciais que impediram a homologação contínua da área indígena.


     


    Agora, o procurador-geral da República, Claudio Fonteles, afirma que a homologação da reserva configura conflito entre a União e o Estado de Roraima. Por isso, tem que ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (artigo 102, inciso I, alínea “f”, da Constituição Federal). O instrumento utilizado é uma Reclamação (RCL 2833), processo que trata da preservação da competência do STF.


     


    Fonteles pede, também, a concessão de liminar para suspender o andamento dos processos que impediram a homologação contínua das terras, que deverão ser deslocados ao Supremo.


     


    Em março deste ano, a Justiça Federal da Roraima acolheu liminarmente parte do que foi pedido em uma ação popular proposta por interessados na área atingida. A decisão impediu a demarcação total pretendida pela portaria do Ministério da Justiça que regulamentou a homologação.


     


    A justiça de primeira instância suspendeu a inclusão, na área indígena Raposa Serra do Sol, dos núcleos urbanos e rurais já constituídos e das áreas com equipamentos, instalações e vias públicas federais, estaduais e municipais.


     


    O MPF e a comunidade indígena Maturuca apelaram dessa decisão no Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região. Este não só confirmou a liminar de primeiro grau como ampliou seus efeitos, excluindo outras áreas previstas na portaria do Ministério da Justiça.


     


    Competência


     


    Fonteles diz que, na ação popular, alega-se lesão ao patrimônio do Estado de Roraima, caso a demarcação da reserva seja feita conforme a Portaria 820 do Ministério da Justiça, que regula a homologação.


     


    A ação popular alega, por exemplo, que com a demarcação “o Estado de Roraima terá uma redução em sua área física de quase 50%, o que fatalmente inviabilizará o crescimento e o desenvolvimento”. Para o procurador-geral, os autores da ação estão litigando como substitutos processuais do Estado.


     


    Ele registra que a Fundação Nacional do Índio (Funai) e a União, por sua vez, sustentam que os limites, como traçados na portaria questionada, são de terras indígenas sobre as quais Roraima não pode intervir, pois a Constituição (artigo 231) determina que cabe à União demarcar e proteger as terras indígenas.


     


    “Assim posta a questão, não resta a menor dúvida de que há conflito federativo”, diz Fonteles. Ele cita, inclusive, precedente do STF em que ressalta a competência da Corte para julgar caso de conflito entre a União e o Estado quando substituído por cidadão agindo em defesa de interesses estaduais.


     


     

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  • 27/09/2004

    Povos Indígenas Resistentes

    “Nem ressurgidos, nem emergentes, somos povos resistentes”


     


    Mais de 90 lideranças indígenas de 47 povos participaram do I Encontro Nacional de Povos em Luta Pelo Reconhecimento Étnico e Territorial, de 15 a 20 de maio, em Olinda, Pernambuco. O encontro teve o objetivo de socializar as informações sobre as dificuldades enfrentadas pelos povos, identificar os desafios comuns e estabelecer uma pauta de reivindicações, em nível nacional, para favorecer ações articuladas


     


    Durante os cinco dias, representantes de instituições governamentais e não-governamentais debateram temas como “Desaparecimento e Ressurgimento” : Uma abordagem histórica e antropológica sobre os povos atualmente em luta pelo reconhecimento; “Rompendo o Silêncio e a Repressão”: Uma abordagem sobre os direitos historicamente conquistados pelos povos indígenas e o desafio do reconhecimento étnico e territorial.


     


    Nos debates, esclarecimentos de dúvidas, reivindicações e relatos de trajetórias nortearam as discussões. Os povos trocaram experiências sobre as lutas enfrentadas para sobreviver e continuar seguindo suas tradições e culturas. “A nossa presença vem sendo reafirmada a cada dia, principalmente por nossa capacidade de resistir a toda sorte de agressões e massacres impostos pelo Estado brasileiro ao longo de mais de 500 anos”, documento final.


     


    Muitos negaram sua identidade por medo, como os Koiupanká, em Alagoas, outros se isolaram ou se integraram a outros povos, para continuar existindo, como os Xetá do Paraná, mas todos externaram o mesmo anseio, o de terem de volta aquilo que lhes foi tirado, a terra. “Estamos querendo o que é nosso, nem tudo, porque boa parte já nos roubaram”, Lucila da Costa, Nawa. “Passamos muito tempo com a voz escondida, mas não morremos e estamos muito vivos. Somos resistentes nesta luta”, Cacique Pequena, Genipapo-Kanindé.


     


    Fruto das Reivindicações dos Povos Indígenas Resistentes


     


    Todos os povos em processo de reconhecimento étnico que participaram do Encontro, foram beneficiados pela proposta da Convenção 169 da OIT, que entra em vigor no próximo mês, e foram reconhecidos etnicamente pela Fundação Nacional do Índio. Na lista do órgão constam 36 povos; destes, 26 estiveram em Olinda.


     


    Está foi uma das reivindicações dos 47 povos que participaram do encontro, “baixar Resolução da Funai extinguindo a exigência de laudos para identificação étnica, reconhecendo a afirmação de nossa identidade étnica e territorial conforme a Convenção 169 da Organização Internacional de Trabalho”. A Convenção, que tramitava no Congresso desde 1991 e foi ratificada em julho do ano passado, traz a seguinte citação: “A consciência de sua identidade indígena ou tribal deverá ser considerada como critério fundamental para determinar os grupos aos que se aplicam as disposições da presente Convenção”.


     


    Esta prática não era seguida pelo órgão indigenista do governo, que usava de um estudo antropológico para comprovar a identidade de um povo, não valendo a auto-identificação. Deuscreide Gonçalves Pereira, Coordenadora de Etnologia e Indigenismo da Coordenação Geral de Estudos e Pesquisa da Funai, que participou do encontro em Pernambuco, disse que este estudo começou a ser feito depois da contestação da identidade étnica do povo indígena Caxixó em Minas Gerais, onde existiam dois laudos. Um, que concluía que eles não eram índios e outro, que confirmava a auto-identificação dos indígenas. Segundo a coordenadora, em 2001, o então presidente do órgão solicitou um terceiro estudo para subsidiar sua decisão “pedimos à ABA que nos indicasse um antropólogo e nos indicaram o João Pacheco que concluiu que os Caxixó eram indígenas. A partir daí, a ABA começou a nos indicar antropólogos para fazer o estudo”.


     


    Este estudo antropológico passou a ser o balizador das decisões do órgão acerca da identificação étnica de um povo, sendo considerado uma etapa no processo de reconhecimento de uma etnia, causando, por diversos fatores, atrasos demasiados para a conclusão do processo, além de contestar as tradições dos povos indígenas. Com a entrada do atual presidente, Eduardo Almeida, o órgão decidiu extinguir esta pratica e fazer valer o que reza na Convenção 169 “de auto-identificação de um grupo”. Segundo a indigenista, esta já era uma decisão interna que foi explicitada na ocasião do encontro em Olinda, e depois colocada em prática atendendo à reivindicação dos povos participantes do encontro.


     


    Ao final, os povos indígenas elaboraram uma pauta de reivindicações para ser entregue em audiências, por um grupo de 12 representantes, nos Ministérios da Justiça, Educação,Saúde, Meio Ambiente, Reforma Agrária e na Presidência da República e da Funai.


     


    Reivindicações


     


    “Quanto aos diversos problemas verificados com relação à demarcação de terras, saúde e educação diferenciada, comunicação e transporte e questões relacionadas à atuação de órgãos governamentais e não governamentais, apresentamos as seguintes exigências ao governo federal:


     


    1. demarcar, regularizar e desintru­sar todas as terras indígenas, bem como garantir a fiscalização e vigilância;


    2. baixar Resolução da Funai extinguindo a exigência de laudos para identificação étnica, reconhecendo a afirmação de nossa identidade étnica e territorial conforme a Convenção 169 da Organização Internacional de Trabalho;


    3. rever decretos que estabelecem Unidades de Conservação em áreas indígenas ou de pretensão;


    4. valorizar, cultivar e manter nossa história e tradições, através da imple­mentação de políticas diferenciadas;


    5. incluir os povos resistentes nos programas de atendimento à saúde e educação diferenciada, bem como a formação de agentes indígenas de saúde e professores indígenas para atendimento dentro das áreas;


    6. criar políticas de auto-sustentação, com destinação de linhas de crédito próprias para projetos em áreas indígenas;


    7. valorizar nossa medicina tradi­cional.”


     


     


    HISTÓRIAS DE RESISTÊNCIARegiões diferentes e muitas vezes muito distantes, mas o mesmo anseio: ver seus direitos respeitados e viver sua cultura em suas terras tradicionais.


     


    XETÁ


     


    Um dos oito sobreviventes do povo Xetá e seu filho participaram do encontro em busca de apoio para a reconquista de seu território tradicional. José Luciano da Silva e Claudemir da Silva esperam poder voltar a morar em sua terra tradicional “a gente veio daquela lonjura para lutar por terra também. Nós não viemos aqui a passeio, viemos para pedir ajuda de todos os parentes para dar uma força para nós termos a nossa terra de volta, porque todo mundo tem direito” pediram.


     


    Cerca de 50 anos depois de terem sido massacrados e quase dizimados, os oito sobreviventes do povo Xetá lutam pela reconquista do seu território tradicional, Serra de Dourados, noroeste do Paraná. Conta a história que a população dos Xetá era cerca de 250 pessoas, no entanto, segundo a memória dos sobreviventes, eles eram um grupo de aproximadamente 600 pessoas que ocupavam um território vasto, antes da cobiça das frentes cafeeira e agropecuária e das companhias de colonização e imigração. “Começamos a correr e chegou uma hora que a gente não podia mais, então a turma (os brancos) foi acabando com a nossa mata e pegando os índios, foi matando nosso povo acabando com a gente. O restinho que foi sobrando foi extraviando tudo, e sobraram só 8”, relatou José Luciano da Silva, Tikueim, de 57 anos, um dos sobreviventes do massacre.


     


    Tikueim foi pego pelos fazendeiros com sete anos de idade, e é um dos três que ainda falam a língua Xetá “Eu custei para falar a língua dos brancos e a primeira vez que fui comer comida deles eu não consegui” . Hoje, ele mora com sua esposa, 13 filhos e netos em São Jerônimo da Serra, nas terras dos Kaingang. Segundo ele, hoje os Xetá são cerca de 250 pessoas que estão espalhadas por São Paulo e Paraná.


     


    A antropóloga Carmem Lúcia da Silva, que estudou o grupo, promoveu, em 1997, o reencontro dos Xetá. O Encontro Xetá: Sobreviventes do Extermínio, foi realizado em Curitiba e reuniu todos os sobreviventes e descendentes do grupo, onde alguns dos familiares se conheceram e conversaram sobre perspectivas de futuro. “Eu sabia que tinha outros parentes mas não sabia se estavam vivos ou mortos. A Carmem correu atrás e descobriu até a índia que mora em São Paulo”, lembrou Tikuein.


     


    Em 1999, a Funai e o governo do estado do Paraná constituíram um grupo técnico para realizar estudos, levantamentos de identificação e delimitação da terra, sendo a primeira vez que um governador assina uma portaria para esta finalidade “o governador Jaime Lerner assinou na época, agora a gente espera que o Requião, atual governador, assine; ele assinando, a gente leva para o Lula. Assim que ele assinar, fim de papo, só resta alegria para nós e vamos seguir nossa cultura para não deixar acabar nossa tradição ”, espera Claudemir da Silva de 25 anos, filho de Tikueim. Itakó Xetá, nome indígena que Claudemir faz questão de usar, sonha com o dia em que todos estarão em suas terras para plantar e viver juntos sua cultura “o que a gente pede é a terra para a gente plantar e alimentar nossos filhos e netos”. Tikueim lembra do território, que, segundo ele, tinha muita mata e agora só toco de peroba “ali era tudo nosso, Campo Mourão, Cruzeiro do Oeste. De Maringá para lá, era tudo nosso, nós andávamos por tudo para caçar e comer”.


     


    Koiupanká


     


    Cerca de 150 famílias lutam para voltar a viver em seu território tradicional, em Inhapi, sertão de Alagoas. “Em 1883, meu bisavó, Anselmo Pankararu, deixou seu povo e veio para cá, aqui constituiu uma família, o Povo Koiupanká (Comunidade Indígena União Pankararu)”, lembrou José João, conhecido como Cacique Zezinho. Segundo ele, cerca de 30 pessoas vivem em uma pequena área que faz parte do território, o restante vive na cidade nas casas que eram de seu bisavó ”os brancos chegaram e construíram a cidade, eles continuam lá e não vão sair”.


     


    O cacique lembra as muitas vezes que deixaram de fazer seus rituais com medo, “fazíamos escondido, tínhamos medo. Fomos massacrados, discriminados e perseguidos”. Para ele a dança é o principal ritual do povo “eu danço com fé, tenho fé no que estou fazendo. Tivemos que guardar embaixo dos panos, mas este pequeno grupo que guardou está servindo para ensinar os outros”.


     


    Motivados pela luta de outros povos, como os Kalankó e Genipapo-Kanindé, com quem mantinham contato freqüente, os Koiupanká intensificaram a luta pelos seus direitos em 2001 “a união e a organização é o que resolve tudo, a convivência com eles foi nos fortalecendo” ressaltou Zezinho. Desde setembro do ano passado, o povo aguarda a criação do GT para estudo da área “está sendo adiado sempre e, a cada dia, fica mais difícil nossa sobrevivência. Somos os primeiros habitantes do Brasil e temos que plantar feijão e milho em metade com os fazendeiros e até mesmo arrendar a terra que é nossa”


     


    Os Koiupanká lutam pela regularização e oficialização de sua terra para que possam ter uma escola diferenciada “nossas crianças têm que aprender nossas tradições e o seu significado, para isto precisamos ter educação diferenciada” disse o cacique.


     


    Para ele, o encontro foi muito importante pela troca de experiências e pela socialização das dificuldades e lutas. Ele acredita que este foi um passo significativo para o avanço das conquistas de todos os povos que participaram “através deste encontro vamos alcançar um grande objetivo e vamos conseguir com apoio das entidades” concluiu.


     


    Munduruku


     


    Localizados no Baixo Tapajós, cerca de 700 Munduruku vivem na área de conservação nacional do Tapajós. Fortemente pressionados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis –Ibama-, por não poderem caçar e plantar, seguiam as regras impostas pelo órgão. Mas a partir de 1998 os resistentes Munduruku deram seu grito de liberdade. “Com a morte de meu pai, o pajé do povo, fomos à luta, a gente resolveu lutar pelo nosso reconhecimento” comentou Assis Munduruku, cacique do povo.


     


    O povo vivia disperso e escondido com vergonha e medo da discriminação e do preconceito “nós sabíamos que éramos índios, mais tínhamos medo de dizer e assumir”. Segundo o cacique, depois que começaram a participar de encontros e debates como este, é que tiveram coragem e ânimo para enfrentar a luta. Na região, os Munduruku resistentes se dividem em três aldeias, Taquara, Bragança e Marituba. A aldeia Taquara foi a protagonista na história de luta do povo, sendo a primeira a comprar a briga “nós começamos e depois fomos ganhando força junto com as outras aldeias”, disse.


     


    A situação atual dos Munduruku é bem parecida com a dos dois povos anteriores. Vivem em uma terra que não é demarcada e nem homologada, plantam quando podem e não têm acesso à saúde e educação diferenciada. Mas o cacique analisa este quadro com muito otimismo “já melhorou muito, hoje temos acesso a todas as áreas do nosso território para caçar. Podemos plantar sem a interferência do Ibama, isto foi conquistado por nós, pela nossa resistência”. Quanto às reivindicações, Assis afirma que a regularização fundiária da terra é o primeiro passo “depois desta conquista vamos brigar para termos saúde, educação e tudo o que os índios têm direito” concluiu.


    Publicado no Jornal Porantim, edição nº 256 – jun/jul-2003.

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  • 27/09/2004

    Povos Indígenas – Quadro Geral
















































































































































    1)       Aikanã


    2)       Akunsu


    3)       Amanayé


    4)       Amondawa


    5)       Anacé


    6)       Anambé


    7)       Apiaká


    8)       Apinajé


    9)       Apolima Arara


    10)   Apurinã (AM, RO)


    11)   Aranã


    12)   Arapaso


    13)   Arapium


    14)   Arara (PA, RO, MT)


    15)   Araweté


    16)   Arikapu


    17)   Aripuaná


    18)   Aruá


    19)   Ashaninka


    20)   Asurini


    21)   Atikum (BA, PE)


    22)   Aturaiu


    23)   Avá-Canoeiro


    24)   Avá Guarani


    25)   Awá Guajá


    26)   Aweti


    27)   Bakairi


    28)   Banawa Yafi


    29)   Baniwa


    30)   Barasana


    31)   Baré

    32)   Bororo


    33)   Cara Preta


    34)   Chiquitano


    35)   Cinta Larga (MT, RO)


    36)   Deni


    37)   Desano


    38)   Diahoi


    39)   Enawenê-Nawê


    40)   Fulni-ô


    41)   Galibi do Oiapoque


    42)   Galibi Marworno


    43)   Gavião (PA, RO, MA)


    44)   Geripankó


    45)   Guajajara


    46)   Guarani (RJ, SP, MS, RS, SC, PR). Subgrupos: Guarani-Kaiowá; Guarani M’Bya (ES, RS, PR, SP, SC); Guarani Ñhandeva (MS, SP, PR, SC)


    47)   Guarani Xiripá


    48)   Guató (MT, MS)


    49)   Himarimã


    50)   Hixkaryana


    51)   Ingarikó


    52)   Irantxe


    53)   Issé


    54)   Jabuti


    55)   Jamamadi


    56)   Jaminawa Arara


    57)   Jaminawá (AC, AM)


    58)   Jarawara


    59)   Jaricuna

    60)   Javaé


    61)   Jenipapo-Kanindé

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  • 27/09/2004

    Povos Indígenas Extintos

    Mais de 1470 povos indígenas foram extintos nos últimos 500 anos*


     


    Região Sul: 33 povos


    Região Sudeste: 143 povos


    Região Nordeste: 344 povos


    Região Centro-Oeste: 137 povos


    Região Norte: 820 povos


    * Fonte: Outros 500: construindo uma nova história / Conselho Indigenista Missionário – Cimi. São Paulo : Editora Salesiana, 2001.

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  • 27/09/2004

    Povos Indígenas Isolados


    Brasil – Povos e Comunidades Indígenas “Isolados”



















































































































































     


    Grupo


    Município


    UF


    Fatores de risco


    1.


    Isolados do Moreru/Pacutinga


    Cotriguaçu


    MT


    Madeireiras, Fazendas, projetos de colonização


    2.


    Isolados do rio Bararati


    Cotriguaçu


    MT


    Madeireiras, Fazendas, garimpos, projetos de colonização


    3.


    Isolados do Apiacá


    Apiacás


    MT


    Madeireiras, Fazendas, garimpos, projetos de colonização


    4.


    Isolados do rio Madeirinha


    Aripuanã


    MT


    Madeireiras, Fazendas, projetos de colonização


    5.


    Isolados do Apiacás


     


    MT


    Madeireiras, Fazendas, projetos de colonização


    6.


    Isolados “Baixinhos do Aripuanã”


    Aripuanã


    MT


    Madeireiras, Fazendas, projetos de colonização


    7.


    Isolados do rio Tenente Marques


    Juína


    MT


    Madeireiras, Fazendas, projetos de colonização


    8.


    Isolados do rio Cabixi


    Comodoro


    MT


    Madeireiras, Fazendas, projetos de colonização


    9.


    Isolados “Urubu”


    Ji-Paraná e


    MT


    Madeireiras, Fazendas


    Aripuanã


    RO


    10.


    Isolados “do Buraco”


    Chupinguais


    RO


    Madeireiras, Fazendas


    11.


    Isolados do rio Omerê


    Corumbiara


    RO


    Madeireiras, Fazendas


    12.


    Isolados do Pântano do Guaporé


    Cerejeiras


    RO


    Fazendas de gado


    13.


    Sirionó (Terra Indígena Massaco)


    Alta Floresta


    RO


    Madeireiras


    14.


    Jururei


    Alvorada do Oeste e Urupá


    RO


    Assentamento de colonos, Fazendas


    15.


    Yoyra Paraquara


     


     


    Seringueiras, São Francisco, São Miguel, Costa Marques e Guarajá-Mirim


    RO


    Madeireiras, Garimpeiros, Ecoturismo


    16.


    Isolados da Serra da Cotia


    Guarajá-Mirim


    RO


    Garimpeiros


    17.


    Isolados da cabeceira do rio Ouro Preto (T.I. Uru-Eu-Wau-Wau)


    Guarajá-Mirim


    RO


    Garimpeiros


    18.


    Isolados do Parque Estadual de Guajará-Mirim


    Nova Mamoré e Campo Novo


    RO


    Madeireiras, Caçadores, Fazendas, abertura da rodovia estadual RO 423


    19.


    Uevae


    Nova Mamoré e Porto Velho


    RO


    Madeireiras, Fazendas, assentamento de colonos


    20.


    Isolados do rio Candeias


    Porto Velho


    RO


    Fazendas, Garimpos


    21.


    Isolados do rio Jacundá


    Itapuã do Jamari, Cujubim, Porto Velho e Candeias do Jamari


    RO


    Madeireiras, Fazendas e Seringueiros


    22.


    Isolados do igarapé Karipuninha


    Lábrea


    AM


    Madeireiras, Fazendas, assentamento de colonos


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  • 27/09/2004

    Uma história de genocídio


    Ao longo de todos estes séculos, a população americana assistiu ao extermínio dos povos indígenas. Estima-se que por volta de 1500 havia 80 milhões de habitantes indígenas falando 2 mil línguas diferentes. Desta população original, cerca de 70 milhões foram dizimados nos primeiros cem anos de colonização européia, a partir dos dados levantados pelo pesquisador Tzevetan Todorov. Caracterizou-se, desta forma, o maior genocídio da história onde foram utilizadas algumas táticas ainda comuns nos dias de hoje: epidemias, fome, deslocamentos, confinamentos, guerras e trabalhos forçados. O exemplo do México é emblemático: de 25 milhões de índios, a população caiu para 1 milhão e 250 mil pessoas. Dos 9 milhões de indígenas que habitavam o império Inca (Peru, Equador, Bolívia e Norte do Chile), 6 milhões e 400 mil foram dizimados num período de cem anos.


     


    O extermínio dos povos indígenas revela uma violência de aspecto silencioso. Estigmatizados como selvagens, os índios são assassinados, explorados, enganados e perseguidos. É uma violência que esconde o preconceito de um país que não assume sua plurietnicidade e não aceita que as pessoas possam viver com costumes e culturas diferenciados dentro do mesmo país. O Estado Brasileiro resiste em pagar a dívida histórica com sua população originária, devolvendo seus territórios roubados. O argumento mais forte para reforçar esta discriminação é a afirmação de que no Brasil há “muita terra para pouco índio” chavão que omite as extremas desigualdades sociais no campo.

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  • 27/09/2004

    CIMI INFO-BRIEF 632



    Grenzfestlegung für sechs indigene Gebiete


     


    Justizminister Márcio Thomaz Bastos hat am 22.09.2004 deklaratorische Erlässe unterzeichnet, die für sechs indigene Gebiete in Amazonas, Pará, Bahia und Pernambuco die Grenzen festlegen und ihre Demarkierung anordnen.


     


    Bei Verfahren für sechs weitere Gebiete – Batelão der Kayabi (MG), Cachoeira der Terena (MS), Piaçaguera der Guarani Nhandeva (SP), Aldeia Kondá, Palmas und Rio dos Índios der Kaingang, Morro dos Cavalos der Guarani M`bya und Guarani Nhandeva (SC, PR) – hat das Justizministerium noch eine Entscheidung zu treffen. Gemäss Dekret 1775/96, das den administrativen Prozess zur Demarkierung von indigenen Gebieten regelt, ist der deklaratorische Erlass innerhalb von 30 Tagen nach Einbringung der Dokumente durch das Ministerium zu erledigen.


     


    Hindernisse für Erlässe


     


    Laut CIMI Santa Catarina will das Justizministerium eine Kommission einsetzen, um das Verfahren der Demarkierung mit Vertretern der Regierung des Bundesstaates und des Bundes zu diskutieren. Bereits im Vorjahr wollte der Gouverneur von Santa Catarina, Luiz Henrique, diese Kommission. Die indigene Bewegung lehnte damals die Einsetzung einer Gruppe ab und befürchtete damit verbundene Verzögerungen der Verfahren. Der CIMI schliesst sich dieser Position an. Eine Kommission würde eine Einmischung von regionalen politischen und wirtschaftlichen Sektoren bei der Demarkierung fördern. Um Beeinflussungen auszuschliessen, hat die Bundesverfassung ausschliesslich dem Bund die Demarkierung übertragen.


     


    Grenzfestlegungen


     


    Von den elf deklaratorischen Erlässen unter der Regierung Lula, liegen die indigenen Gebiete Imbiriba der Pataxó in Porto Seguro (BA) und Entre Serras der Pankararu in der Umgebung der Gemeinden Petrolândia und Tacaratú (PE) im Nordosten.


     


    Imbiriba wurde mit einer Größe von 398 ha festgelegt. Ein Teil des Gebietes beansprucht die Fazenda von Moacir Andrade, der seit Jahren indigene Vertreter unter Druck setzt, damit sie der Gebietsverkleinerung zustimmen. Die Gemeinschaft lebt in der Nähe das Nationalparks Monte Pascoal. Seit der Einrichtung des Parks, in den 1950er Jahren verloren viele Familien Pataxó ihr traditionelles Gebiet.


     


    Entre Serras wurde bei der Demarkierung des Gebiets Pankararu im Jahr 1987 nicht einbezogen. Seit zwölf Jahren drängen die Indios auf die Anerkennung dieses Gebietes von 7.750 ha. Zu Jahresbeginn führten sie diesbezügliche Verhandlungen in Brasília.


     


    Bei den deklaratorischen Erlässen für Gebiete in Amazonas handelt es sich um Apurinã do Igarapé Mucuim der Apurinã (75.000 ha), Banawá der Banawá (195.700 ha) und Itixi Mitari der Apurinã (180.850 ha).


     


    Ein weiterer Erlass bezieht sich auf das Gebiet Apyterewa (773.000 ha) der


    Parakanã in Pará. Zwei deklaratorische Erlässe für dieses Gebiet wurden bereits annulliert. Der erste Erlass legte eine Ausdehnung von 980.000 ha fest, der zweite 773.000 ha.


     


    Einsprüche vom ehemaligen Gouverneur des Bundesstaates, Almir Gabriel, und von der Präfektur São Félix do Xingu führten zur Gebietsverkleinerung. Das Gebiet ist invadiert von Holzunternehmen und Landbesetzern. Zudem verfügt das Institut für Landreform und Kolonisierung (INCRA) auf dem Land über eine Siedlung.


     


    Mit der Demarkierung des indigenen Gebietes Banawá sollen gleichzeitig auch die Oberläufe der Flüsse geschützt werden, die bei der Identifikation durch die FUNAI 1986 nicht einbezogen wurden, teilte die Pressestelle des Justizministeriums mit. Die Technikergruppe der FUNAI hat eine Revision des Erlasses von 1992 vorgenommen. Diese Grenzfestlegung ist nun die Grundlage für den deklaratorischen Erlass.


     


     


    FUNAI bestätigt mangelhafte Demarkierung


     


    Am 17.09.2004 hat die FUNAI die Grenzfestlegung des Gebietes Cantagalo der Guarany M`Byá in Rio Grande do Sol bestätigt, obwohl die mit den topografischen Arbeiten beauftragte Firma hat das Gebiet um 50 ha gegenüber dem deklaratorischen Erlass verkleinert.


     


    Drei Minister – Márcio Thomaz Bastos (Justiz), Olívio Dutra (Städte), Miguel Rossetto (ländliche Entwicklung) – und FUNAI-Präsident Mércio Gomes Pereira haben im November 2003 den deklaratorischen Erlass zur Demarkierung von 286 ha des Gebietes Cantagalo bei einer Zeremonie ratifiziert.


     


    Zu klären bleibt, warum die FUNAI mit einer Firma zusammenarbeitet, die einen Auftrag nicht ordnungsgemäss ausführt.


     Brasília, 23. September 2004

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  • 24/09/2004

    Newsletter No. 632


    ADMINISTRATIVE RULINGS DELIMIT SIX INDIGENOUS LANDS. THE BOUNDS OF SIX OTHER LANDS ARE YET TO BE DEFINED


     


    The boundaries of six indigenous lands were declared on Wednesday (September 22). The respective declaratory administrative rulings – which define the boundaries of indigenous lands and determine their demarcation – were signed by the Minister of Justice, Márcio Thomaz Bastos, and refer to lands located in the states of Amazonas, Pará, Bahia and Pernambuco in the North and Northeast Regions of Brazil.


     


    Six other processes still depend on a reply from the Ministry of Justice. According to Decree No. 1775/96, which provides for the administrative procedure for demarcating indigenous lands in Brazil, the Ministry must publish the declaratory administrative ruling within thirty days of receiving the process.


     


    The processes which are still waiting for a definition are related to indigenous lands (il) in the states of Mato Grosso (Batelão il, belonging to the Kayabi people), Mato Grosso do Sul  (Cachoeirinha il, belonging to the Terena people), São Paulo (Piaçaguera il., belonging to the Guarani Nhandeva people) and in the states of Santa Catarina and Paraná (The Aldeia Kondá, Palmas and Rio dos Índios indigenous lands, belonging to the Kaingang, and the Morro dos Cavalos il belonging to the Guarani M´bya and Guarani Nhandeva peoples).


     


    Obstacles in the way of further administrative rulings


     


    According to information obtained by Cimi representatives in Santa Catarina, the Ministry of Justice is about to set up a committee in that state to discuss land demarcation procedures with state and federal government representatives. This possibility had already been considered in 2003, at the request of the Governor of Santa Catarina, Luiz Henrique. At that time, the indigenous people’s movement was opposed to forming such a group, as it thought that the purpose of this type of committee would be to slow down and disturb demarcation processes.


     


    Cimi agrees with this position and considers it ridiculous to create opportunities where regional political and economic interests can interfere with the demarcation of indigenous lands. The Federal Constitution determines that it is the Union’s responsibility to decide these issues for the specific purpose of avoiding interference of regional interests in relation to indigenous lands.


     


    The demarcated indigenous lands


     


    Of the 11 declaratory administrative rulings signed under the Lula Government, those referring to the Imbiriba (belonging to the Pataxó from Porto Seguro, Bahia) and Entre Serras (Pankararu, on the outskirts of the municipalities of Petrolândia and Tacaratú, in Pernambuco) indigenous lands are the first ones involving lands in the Northeast.


     


    The Imbiriba indigenous land was demarcated with an area of 398 hectares. Part of this area was invaded by a rancher, Moacir Andrade, who has for years been pressing some indigenous leaders to agree to a reduction in area. The group lives near to the Monte Pascoal National Park. Ever since this Park was set up, in the 1950s, countless Pataxó families have lost their land of origin.


     


    The Entre Serras indigenous land, in Pernambuco, is an area that had not been included in the demarcation of the Pankararu lands, in 1987. The recognition of this area, covering 7,750 hectares, is the fruit of 12 years of struggle and the result of the pressure applied by indigenous people, who were in Brasília at the start of the year.


     


    Administrative rulings dealing with indigenous lands in the state of Amazonas have also been published. These involve the Apurinã do Igarapé Mucuim indigenous land, belonging to the Apurinã, covering 75,000 hectares; the Banawá indigenous land, belonging to the Banawá people, covering 195,700 hectares, and the Itixi Mitari indigenous land, belonging to the Apurinã, covering 180,850 hectares.


     


    The Parakanã people, from Pará, had the Apyterewa land demarcated with 773,000 hectares. This land has already been the object of two annulled declaratory administrative rulings. The first of these gave the land an area of 980,000 hectares and the second one gave it the same 773,000 hectares as defined now.


     


    The challenges that led to the reduction in area came from the former state governor, Almir Gabriel, and from the city hall of São Félix do Xingu. This indigenous land is today the target of lumberjacks and squatters, and an Incra (The National Institute for Colonization and Agrarian Reform) settlement can be found there.


     


    According to the press office of the Ministry of Justice, the demarcation of the Banawá indigenous land will enable the sources of local small waterways, which had not been included in the original identification proposal made by Funai in 1986, to be protected. During the administrative demarcation of the Banawá-Yafi indigenous land in the Piranhas river, the Funai technicians discovered that the area traditionally occupied by the Banawá was not that which had been proposed by the Technical Group (GT) and declared in a government order in 1992.  The demarcation published yesterday is based on a review of the land boundaries carried out by Funai (The National Foundation for Indigenous People) Technical Group.


     


    FUNAI RECONSIDERS A FORMER DECISION AND DECIDES THAT THE PHYSICAL DEMARCATION OF THE CANTAGALO INDIGENOUS LAND, IN THE STATE OF RIO GRANDE DO SUL, WILL BE CARRIED OUT WITHOUT ANY CHANGES


     


    Last Friday (September 17), Funai (The National Foundation for Indigenous People) decided to suspend alterations to the demarcation of the Cantagalo Indigenous Land belonging to the Guarani M’Byá people in the state of Rio Grande do Sul.


     


    During the physical land demarcation job, the contracted mapping company had been altering the boundaries determined in the indigenous land declaratory administrative ruling, which would have resulted in a reduction of 50 hectares in the area.


     


    The irony of this – apart from the fact that Funai has to determine that a company hired to carry out a specific job is to carry it out as defined before – is that, in November 2003, the declaratory administrative ruling for the demarcation of 286 hectares of the Cantagalo indigenous land was ratified in a ceremony attended by three ministers– Márcio Thomaz Bastos (Justice), Olívio Dutra (Cities) and Miguel Rossetto (Agrarian Development) – and the president of Funai, Mércio Gomes Pereira.


     


    Brasília, 23 September 2004.


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  • 24/09/2004

    Documento Final da XXVIII Assembléia do Conselho Indigenista Missionário Regional Sul

    Nós, missionários (as) do Cimi Regional Sul, nestes 30 anos de caminhada, impulsionados pela Boa Nova do Evangelho, vimos expressar  a nossa compreensão, nossas preocupações e esperanças diante da realidade atual, a partir da prática missionária junto às comunidades indígenas.


     


    A sociedade brasileira chega hoje na metade do que esperava ser o primeiro governo popular da história do Brasil. Até o momento, no entanto, o governo Luiz Inácio Lula da Silva vem dando mostras de ser a simples continuidade das administrações anteriores, especialmente de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).


     


    Abandonando suas bandeiras históricas, seus compromissos com os setores populares e mesmo suas promessas de campanha eleitoral, o Governo Lula associa sua prática política e sua imagem, cada vez mais, ao grande capital financeiro, às grandes empresas, ao latifúndio e ao agronegócio, retirando de sua agenda política os setores populares, os trabalhadores, suas demandas e suas propostas para uma sociedade justa.


     


    Para estes, para os excluídos, para os miseráveis, para os condenados da terra e das periferias das cidades, a administração Lula reserva as migalhas do orçamento federal, através de políticas assistencialistas e compensatórias.


     


    Ao reconhecermos que o governo busca realizar mudanças na sua política externa, com a construção de alianças na América Latina, África e Ásia, denunciando as injustas relações internacionais entre os países pobres e países ricos, esperávamos que estas mudanças ocorressem também na política interna.


     


    Não enxergamos, no entanto, no atual comando da Nação vontade política de transformar a sociedade brasileira e de resgatar as enormes dívidas sociais acumuladas nestes longos 500 anos. Pelo contrário, enxergamos o seu deslumbramento com o poder e a sua alegre integração às tradicionais e conservadoras elites nacionais.


     


    Visto como uma oportunidade histórica única para os setores populares, o governo Lula se satisfaz e se conforma em apenas administrar a economia e o Estado para a mesma minoria de brasileiros, mantendo e reforçando os privilégios e as desigualdades seculares.


     


    E os povos indígenas, onde se encontram neste atual momento histórico, nesta conjuntura social e política? Observamos que ocorreu, sem dúvida, um processo de conquistas e acúmulos, realizados durante as últimas décadas, frutos do protagonismo dos povos indígenas, dos esforços de seus aliados e das entidades de apoio. Este processo se encontra paralisado e, inclusive, com sérias ameaças de retrocesso.


     


    Isto se dá pelo fato de que os setores anti-indígenas, incrustados nos estados da Federação, no Congresso Nacional, nas Assembléias Legislativas, na mídia nacional e estadual, terem se articulado com o governo federal, terem se colocado como sua base de sustentação política e terem exigido deste a anulação de uma política indigenista digna deste nome – no que tem sido plenamente atendidos.


     


    SITUAÇÃO DOS POVOS INDÍGENAS NOS ESTADOS DO RJ, SP, PR, SC E RS.


               


    Nesta região, os povos indígenas vêm sendo expostos a uma crescente violência à sua integridade física, cultural, territorial e aos seus direitos constitucionais:


     


              o governo Lula escolheu como seus interlocutores exclusivos representantes do poder econômico e político local, via de regra anti-indígenas. Tais setores, com aceitação, apoio e reconhecimento do governo federal, vêm constituindo comissões ilegítimas para definição de terras nos estados do Sul, a exemplo da criada em Santa Catarina, pelo Ministro da Justiça, neste mês de setembro. Na prática, tais comissões são criadas com a finalidade de reduzir territórios ou de interferir para a sua não demarcação;


              representantes do Partido dos Trabalhadores no Congresso Nacional exigiram a revogação de portarias de demarcação de terras indígenas, a exemplo da área La Klãnõ do povo Xokleng e Chimbangue do povo Kaingang;


              ministérios, como o das Minas e Energia, exigiram a liberação de terras indígenas para a construção de barragens, com o conseqüente alagamento e perda de território por parte das comunidades;


              cresce constantemente o número de ações judiciais das forças anti-indígenas, com a finalidade de impedir processos de demarcação, portarias declaratórias de terras indígenas etc;


              o órgão indigenista federal, FUNAI, exerce cada vez mais um papel limitador e constrangedor da liberdade das comunidades e lideranças indígenas, estabelecendo critérios restritivos para o deslocamento destas, tentando inibir e mesmo proibir sua livre circulação;


              embora tenham ocorrido alguns processos demarcatórios, muitos processos de demarcação de terras indígenas da região Sul encontram-se paralisados no Ministério da Justiça, por força da ação de lobbies dos setores anti-indígenas, tais como as áreas Toldo Imbu, Toldo Pinhal, Morro dos Cavalos, Palmas, Ribeirão Silveira, Piaçaguera e Rio dos Índios.


     


    Passamos, portanto, da ausência de uma política indigenista nos anos FHC para uma política deliberadamente anti-indígena no governo Lula.


     


    CONCLUSÃO



      


    Coloca-se hoje, como desafio para os setores populares do Brasil, em geral, e para os povos indígenas, em particular, a tarefa de organizar-se, articular-se, mobilizar-se e de romper a política conservadora do governo Luiz Inácio Lula da Silva.


     


    Durante as últimas décadas, os setores populares e os povos indígenas nunca deixaram de lutar e de ter conquistas. Ao contrário do que desejam as antigas como as novas elites brasileiras, os setores populares e os povos indígenas darão continuidade às suas lutas e continuarão obtendo vitórias.


     


    Verdadeiros protagonistas da sua história, os povos indígenas continuarão construindo-a, a partir de seus territórios e de suas culturas, plenos de razão e dignidade.


     


    Reafirmamos nossa natureza missionária e o profetismo frente a realidade que os povos indígenas estão enfrentando. Coerentes com a nossa missão e o nosso compromisso com estes povos, nós, missionários(as) do Cimi continuaremos prestando a eles o nosso serviço, compartilhando de suas lutas, suas dores, suas esperanças e suas vitórias.


     


    Palhoça (SC), 24 de setembro de 2004.

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