• 14/03/2005

    Carta Aberta dos Povos Indígenas Ribeirinhos de Pernambuco, Sergipe, Alagoas e Bahia, contra o projeto de Transposição do Rio São Francisco

    “Eu me sinto muito mal, eu faço a comparação pelo nosso corpo. Nós temos as veias que levam, sangue ao nosso corpo, se a gente faz um corte o sangue vai todo embora e a gente morre. O rio é vivo, e só enquanto tem água, senão morre o rio e morre muito mais vida, porque morre o índio, morre o negro, que são ribeirinhos, e muitos bichos que precisam do rio. Eu não aceitaria que isso fosse acontecer”.


    Carlito Kiriri


     


    Nós lideranças dos povos indígenas ribeirinhos, Tuxá de Rodelas, Tuxá de Ibotirama, Tumbalalá, Kiriri de Muquém do São Francisco, Pankaru, Xocó e Truká, e várias lideranças dos povos indígenas de Pernambuco, Bahia, Paraiba e Alagoas: Xukuru, Kambiwá, Pankaru, Pankará, Pipipã, Kapinawá, Pataxó Hãhãhãi, Potiguara e Geripankó, reunidos no I Encontro dos Povos Indígenas Ribeirinhos da Bacia do São Francisco, durante os dias 12 e 13 de março de 2005, na Aldeia Tuxá de Rodelas, com a presença de organizações não governamentais e governamentais: CESE, CIMI, ANAÍ, Centro de Cultura Luiz Freire, Fórum Permanente em Defesa do São Francisco, Sindicato dos Engenheiros da Bahia, Repensar, D.A. Pedagogia, D.A. Biologia e DCE Uneb Campus VIII, representantes da Prefeitura e da Câmara Municipal de Rodelas, representantes da Assembléia Legislativa do Estado da Bahia e da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas da Câmara dos Deputados. Queremos afirmar nosso repúdio ao Projeto de Transposição do Rio São Francisco, pois a nossa sobrevivência econômica e cultural depende do rio. É deste que irrigamos a terra para plantar e pescamos o peixe para comer. Nossos rituais sagrados têm tudo a ver com o rio, nossas ciências estão nas águas do “Velho Chico”. Já sofremos bastante com as transformações sofridas pelo rio, por causa das barragens e hidrelétricas que inundaram terras tradicionais, extinguiram muitas espécies de peixes e animais terrestres, destruíram parte de nossa ciência. Parte do rio onde atravessávamos a nado, hoje atravessamos a pé, nenhuma daquelas obras beneficiaram nossos povos e nem os moradores ribeirinhos provocaram o desmatamento, e, em consequência, a desertificação, além do desvio das águas para irrigação das grandes fazendas. Tudo isso, além do despejo de dejetos, esgotos e agrotóxicos, são derramados no rio, que está morrendo.


     


    Além de tudo, queremos lembrar que, a realização desta obra a qualquer custo, rasga a Constituição Federal de 1988 e a convenção 169 da OIT, que afirmam que todos os projetos e políticas desenvolvidos pelos não-índios, órgãos governamentais e não governamentais, para os Povos Indígenas, só devem ocorrer com a participação e anuências desses povos,. através de suas representações legitimas e do Congresso Nacional, conforme o artigo 49 item XVI – CF/88.


     


    A transposição vai matar o que resta do rio, secando nossos territórios, extinguindo o que resta dos peixes, matando nossos povos de fome, prejudicando nossa cultura de vazante, prática tradicional que não prejudica o solo e não carece de produtos químicos. A fome nos obrigaria a abandonar nossas terras.


     


    Desejamos que o governo utilize outras alternativas à Transposição, que são mais baratas e eficientes no combate a seca, como:


     


    – A Revitalização do rio São Francisco;


    – Reativar as centenas de obras não terminadas, que ajudaram no combate à seca;


    – Saneamento básico nos municípios à beira do rio;


    – Dragagem (limpeza do rio);


    – Reflorestamento;


    – Estudo técnico sobre o uso de agrotóxicos;


    – Troca de produtos químicos por orgânicos;


    – Democratização da água;


    – Repovoamento de nossas espécies de peixes, animais e plantas, terrestres e aquáticas, que estão em extinção;


    – Construção de poços artesianos;


    – Fiscalização nas grandes fazendas ribeirinhas;


    – Recuperação da mata ciliar;


    – Projetos de auto-sustentação para os povos indígenas;


    – Indenização, por parte da CHESF, das plantações perdidas devido à abertura das comportas de suas barragens/usinas;


    – Campanha para utilização racional do uso da água;


    – Desobstrução dos canais clandestinos das grandes propriedades de fazendeiros e políticos;


    – Incentivo da agricultura orgânica;


    – Buscar alternativas nos programas de convivência com o semi-árido (cisternas de placa, barragem subterrânea, plantações adequadas ao clima, etc);


    – Cumprimento dos acordos feitos entre a CHESF e os Povos Indígenas.


     


    Temos consciência da ineficiência do Projeto, pois sabemos que muitas famílias vivem perto do rio e não têm acesso a suas águas, e não acreditamos que um mega projeto desses irá beneficiar o povo pobre do sertão.


     


    Não somo insensíveis com relação às necessidades dos outros estados do nordeste. É preciso que o governo federal busque soluções nos referidos estados, que já dispõem de recursos hídricos suficientes, porém mau utilizados, para aplacar a sede das populações, e propiciar um desenvolvimento local sustentável, democratizando-se o uso das águas, que por muitos anos vem sendo instrumento de dominação e da perpetuação do “coronelismo” nestas regiões.


     


    SIM A REVITALIZAÇÃO E NÃO A TRANSPOSIÇÃO DO “VELHO CHICO”.


     


    Aldeia Tuxá, Rodelas, Bahia, 13 de março de 2005.


     

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  • 14/03/2005

    Participantes de Oficina de Planejamento do DSEI do Leste de Roraima denunciam poluição dos rios

    DISTRITO SANITÁRIO INDÍGENA DO LESTE DE RORAIMA


    Oficina de Planejamento de Atividades para 2005


     


    Boa Vista – Roraima, 04 de março de 2005.


     


    Exmo. Senhores


    Dr. Márcio Thomas Bastos


    M.D. Ministro da Justiça


     


    Dr. Humberto Costa


    M.D. Ministro da Saúde


     


    Dra. Marina Silva


    M.D. Ministra do Meio Ambiente


     


    Dr. Valdi Camárcio Bezerra


    M.D. Presidente da FUNASA


     


    Dr. Mércio Gomes


    M.D. Presidente da FUNAI



     


    Nós, conselheiros distritais, presidentes dos conselhos locais de saúde, agentes indígenas de saúde, saneamento e endemias, professores indígenas, representantes das mulheres e de organizações indígenas na área do Distrito Sanitário Indígena do Leste de Roraima, representando os povos Macuxi, Wapichana, Taurepang, Ingaricó, Patamona, Sapará e Wai-Wai, vimos manifestar a nossa preocupação com as graves ameaças à nossa saúde em conseqüência da poluição dos rios Surumu, Cotingo e igarapé Jauari causada pelos rizicultores que ilegalmente invadiram a nossa terra e cultivam lavouras onde utilizam agrotóxicos de forma indiscriminada, muitas vezes jogando veneno sobre as nossas comunidades e nos rios que utilizamos para pesca ou mesmo para o consumo da água.


     


    Apesar de inúmeras denúncias que nós, nossos tuxauas, e nossas organizações já fizeram, continuam as constantes e sucessivas agressões ao meio ambiente e à nossa saúde, por exemplo, já tivemos muitos casos de aborto, mal-formações congênitas e afecções dermatológicas que suspeitamos serem causadas pelos agrotóxicos. Lembramos também a contaminação por mercúrio já constatada na região dos rios Quinô, Maú e igarapé do Uiramutã, decorrente da invasão de garimpeiros ainda hoje presente em nossa área.


     


    Por isso, solicitamos providências imediatas e o prosseguimento dos estudos ambientais iniciados pelo Instituto Evandro Chagas no ano de 2002, para que nos informem sobre as reais condições de contaminação e o risco que a poluição está representando à nossa saúde.


     


    Por fim solicitamos a retirada dos invasores de nossa Terra Indígena Raposa Serra do Sol e sua homologação imediata em área contínua.


     


    Abaixo assinamos.


     


    (Seguem 168 assinaturas)


     

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  • 14/03/2005

    14 de Março: Dia Internacional de Luta Contra as Barragens

    Todos os anos, milhares de pessoas pelo mundo organizam manifestações na semana do dia 14 de março, para protestar contra a construção de barragens e exigir um novo modelo energético, com respeito aos rios, as populações ribeirinhas, à vida e à natureza.


     


    No Brasil, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) convida a todos para se somarem aos atos que serão realizados para pedir solução para a enorme dívida social e ambiental deixada pelas usinas já construídas; e fortalecer a luta por um outro modelo energético, sem barragens.


     


    Em 2004, foram realizadas ações contra as barragens em pelo menos 26 países. Agora em 2005, as atividades acontecerão durante toda a semana do 14 de março. As famílias atingidas estarão lutando pelos seus direitos fundamentais mais básicos, como comida, casa e terra para trabalhar.


     


    Barragens: Ditadura contra as populações atingidas


     


    Ao contrário do que acontece nas desapropriações de terras realizadas para fins de reforma agrária, o governo brasileiro e a justiça são extremamente rápidos e eficientes para realizar desapropriações com o objetivo de construir barragens.


     


    Nesse caso, toda a força do Estado e da polícia é usada para expulsar as famílias atingidas de suas terras. De cada dez famílias já desalojadas, sete não receberam absolutamente nada. As poucas reparações distribuídas geralmente não são suficientes para a reconstrução da vida em outro local.


     


    Veja alguns exemplos:


     


    – Na barragem de Cana Brava / GO, uma família recebeu 39 reais de indenização;


     


    – Na barragem de Manso / MT, foram distribuídas indenizações de 600 reais e as poucas famílias reassentadas, foram tiradas da beira do rio e largadas em áreas do cerrado impróprias para a agricultura, onde o solo é composto de 92% de arreia e não há água.


     


    – Em Tucuruí / PA, 20 mil atingidos pela construção da primeira fase da usina se refugiaram na beira do lago e nas ilhas formadas pelo reservatório na década de 80. Além de não receberem nada, até hoje as famílias não têm energia elétrica. Os “linhões” passam há alguns metros das casas dos atingidos, mas levam a energia para as indústrias de alumínio Alumar e Alunorte, localizadas no Pará e Maranhão e pertencentes a multinacionais norte-americanas.


     


    Dados da Comissão Mundial de Barragens, órgão ligado a ONU, revelam que um milhão de brasileiros já foram expulsos pela construção de hidrelétricas no país.


     


    Hidreletricidade não é energia limpa


     


    A energia produzida a partir de usinas hidrelétricas não é sustentável. Ao inundar e destruir milhares de hectares de florestas e vegetação nativa, as barragens lançam na atmosfera toneladas de gases do efeito estufa, como o gás carbônico e o metano. Esses gases são provenientes da decomposição do material orgânico inundado. Cientistas têm alertado que grandes barragens podem ter maior impacto climático por unidade de energia gerada que a geração com base em combustíveis fósseis, como as usinas a carvão.


     


    Além disso, as barragens são um importante fator no rápido declínio da biodiversidade fluvial no mundo todo. No Brasil, em particular, grandes hidrelétricas como Barra Grande e Tucuruí foram construídas para abastecer a indústria do alumínio, considerada “eletrointensiva” e proibida de se instalar em países europeus e no Japão.  Essa indústria gera poucos empregos, polui o meio ambiente e recebe energia elétrica a preços subsidiados pelo governo. Tudo isso, para exportar uma matéria-prima barata para os países ricos, que eterniza nossa condição de país dependente e atrasado.


     


    Alternativas Existem


     


    Um novo modelo energético deve colocar a água e a energia a serviço e sob controle do povo brasileiro. Para isso, é necessário acabar com os subsídios públicos nas contas de luz das grandes empresas e garantir tarifas justas para a população mais pobre. Investimentos em eficiência energética, diminuição das perdas nas linhas de transmissão e repotencialização das usinas hidrelétricas já construídas, aliadas ao desenvolvimento das fontes alternativas (solar, eólica, biomassa, geotérmica e das mares) tornarão desnecessárias a construção de novas barragens no Brasil.


     


    “Águas para a Vida, Não para a Morte”


     


    Setor de Comunicação do MAB


    Secretaria Nacional


    www.mabnacional.org.br


    61.242.8535

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  • 11/03/2005

    Câmara alertou Governo para desnutrição em 2003

    Desde 2003, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias vem alertando sobre conflitos indígenas e suas conseqüências, como a desnutrição. Na época, a Comissão apresentou relatório detalhado, com diagnóstico e propostas de solução dos problemas detectados, inclusive para fome. O relatório foi elaborado após os deputados visitarem mais de 15 aldeias indígenas, localizadas em sete estados da Federação, incluindo Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O documento foi entregue em março de 2003 ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e ao chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho. O texto também foi entregue a representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Ministério Público da União (MPU).


    Entre as recomendações do relatório, destacam-se a elaboração de um programa de sustentabilidade econômica indígena pelo Executivo – com o planejamento de atividades que as comunidades possam realizar sem que coloquem em risco seus costumes e tradições – e a aprovação imediata do Estatuto do Índio (Projeto de Lei 2057/91) pelo Congresso Nacional. A matéria está pronta para ser votada na Câmara, aguardando apenas decisão da Mesa para ir a Plenário. O projeto recebeu mais de 200 emendas durante sua tramitação.


     


    Saúde precária



    De acordo com o relatório, todas as comunidades indígenas visitadas reclamaram da precária ou inexistente atenção à saúde, principalmente após a implantação do programa de terceirização executado pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa).



    O relato dos parlamentares que visitaram as aldeias mostra que os problemas de saúde estavam vinculados diretamente à falta de investimentos do Executivo em Saúde e Educação.



    Para o presidente da Frente Parlamentar da Saúde, deputado Rafael Guerra (PSDB-MG), as mortes dos índios são o resultado da falta de atuação do Ministério da Saúde. Ele afirmou que “enquanto faltam remédios e alimentos para as crianças indígenas, o Governo do PT propõe o corte de R$     1,2 bilhão do orçamento da Saúde”.



    Para a deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC), o caso de desnutrição das crianças indígenas é antigo e está relacionado à falta de terras e de políticas públicas para o setor agrícola. “Não podemos imaginar que 11 mil índios estejam morando em uma área de pouco mais de 3 mil hectares. Em um processo de reforma agrária, talvez estivessem ali pouco mais de 200 famílias”, apontou.


     


     


     


    Reportagem – Antonio Barros

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  • 10/03/2005

    Informe nº 654

    NO MATO GROSSO DO SUL, POVO TERENA TAMBÉM LUTA PELO RECONHECIMENTO DE TERRAS TRADICIONAIS



     


    Os quase 4.000 Terena que vivem nos 2.090 hectares da terra indígena Buriti, região noroeste do Mato Grosso do Sul, convivem com a tensão de estar na iminência de despejo das terras que retomaram em 2001. O motivo, uma ação de reintegração de posse da terra indígena Buriti, programada para sábado, dia 5.


     


    A pedido do Ministério Público Federal em Campo Grande, a ação foi suspensa pela desembargadora Ana Maria Pimentel, do Tribunal Regional Federal.


     


    Segundo a imprensa local, a mobilização de força policial para os dois despejos de indígenas – Guarani-Kaiowá, na terra Nhande Ru Marangatu, e do povo Terena, na terra Buriti – programados para acontecer na semana passada, teve um custo de R$ 200 mil. A operação contaria com 160 homens das polícias Federal e Militar, um helicóptero, um avião e viaturas do corpo de bombeiros. Na edição de terça-feira, dia 8 de março, o jornal Correio do Estado, de Campo Grande, publicou, em texto intitulado “Produtores se preparam para defender suas terras”, que “cerca de 1.000 produtores rurais podem ser mobilizados para a saída dos índios de sete propriedades rurais em Sidrolândia e Dois Irmãos de Buriti”. No sábado, um dos produtores teria dito que “a intenção do grupo é retomar as áreas dos índios sem o apoio da polícia”.


     


    Em termos de luta pela terra, os Terena de Buriti enfrentam situação semelhante à dos Guarani-Kaiowá: populações numerosas vivem em espaços reduzidos, e a busca de terras cultiváveis levou a um processo de retomadas ou de solicitações de revisão de limites de terras, para que o povo possa utilizar locais que são de ocupação tradicional, mas que ficaram fora das terras demarcadas pelo Serviço de Proteção ao Índio (SPI) nas duas primeiras décadas do século 20. Naquele momento, o SPI demarcou 10 terras Terena na região que hoje chamamos Mato Grosso do Sul.


     


    O relatório antropológico sobre a revisão dos limites da terra Buriti foi concluído em 2001 e identificou 17.200 hectares de ocupação tradicional indígena. O processo foi contestado judicialmente pelos fazendeiros e um novo Grupo de Trabalho foi criado, no âmbito da Justiça Federal, com participação de representantes dos fazendeiros na coleta de informações. O parecer deste segundo grupo manteve a identificação da área, com uma redução de 5% em relação ao primeiro estudo, de acordo com informações dos Terena de Buriti. Ainda assim, a Justiça Federal concedeu aos fazendeiros a reintegração de posse.


     


    Em áreas retomadas da terra indígena Buriti estão sendo cultivados arroz, milho, mandioca e algodão. Nas áreas antigas, a concentração da população já não deixa espaço para plantações além dos quintais das casas.


     


    Povo de tradição agricultora, que sobreviveu trabalhando nas fazendas de gado que ainda hoje existem nas regiões de suas terras, os Terena tiveram uma estratégia de relação com os não índios que passava pela formação escolar de seus jovens (muitos deles freqüentam universidades), pela presença nos espaços onde se aplicam ou formulam políticas públicas ligadas ao povo, como na Funai, e, mais recentemente, pela eleição de vereadores Terena, incumbidos pelo povo de representa-lo no âmbito legislativo.


     


    CIMI RECEBE PRÊMIO DE DIREITOS HUMANOS NO MATO GROSSO DO SUL



     


    O Conselho Indigenista Missionário receberá, na próxima segunda-feira, dia 14, prêmio do Centro de Defesa dos Direitos Humanos (CDDH) Marçal de Souza, de Campo Grande, pela atuação na defesa dos direitos indígenas no estado do Mato Grosso do Sul (MS). Para o Cimi, o mérito deste prêmio é dos povos indígenas do estado, pela luta perseverante por seus direitos e pela sua sobrevivência, apesar das agressões a que têm sido submetidos diariamente. “É mérito dos indígenas, de sua determinação em fazer respeitar sua visão de mundo e seus projetos de vida”, afirma Egon Heck, do Regional Mato Grosso do Sul da entidade.


     


    O prêmio, que está em sua 18a edição, é atribuído anualmente pelo CDDH e, em 2005, será oferecido também a Maria Bezerra, liderança popular que atua na defesa dos direitos dos idosos na periferia de Campo Grande. A entrega do prêmio acontecerá em Campo Grande, no auditório da Faculdade UNAES, às 19 horas do dia 14 de março. 


     


    POVOS INDÍGENAS DEBATEM TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO



     


    Qual a importância do Rio São Francisco para os povos indígenas que vivem em suas margens? Como a transposição do Rio pode afetar estes povos? Quais transformações sofreu o Rio nos últimos anos? O que fazer para garantir a sobrevivência dos povos indígenas que dependem do Rio?


     


    Estas e outras questões serão levantadas no Encontro dos Povos Indígenas Ribeirinhos na Bacia do Rio São Francisco, nos próximos dias 12 e 13, que ocorre na terra do povo indígena Tuxá, em Rodelas, Bahia.


     


    O encontro, promovido pela Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme), tem como objetivo esclarecer as comunidades indígenas detalhes da Transposição do Rio São Francisco e encaminhar providências conjuntas entre os povos indígenas a respeito do projeto.


     


    Estão convidados para refletir sobre a conjuntura da política indigenista o deputado Edson Duarte, do Partido Verde, da Bahia, e José Augusto Laranjeiras Sampaio, representante da Associação Nacional de Ação Indigenista.


     


    Brasília, 10 de março de 2005.


     


    Cimi – Conselho Indigenista Missionário


     

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  • 10/03/2005

    Povos Indígenas no Estado do Acre

































    População Indígena no Estado:
    8.009
    (Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2000)


    Povos Indígenas:


    Apolima Arara


    Manchineri


    Arara


    Naua


    Ashaninka


    Nukini


    Jaminawá


    Poyanáwa


    Katukina Pano


    Shanenawa


    Kaxinawá


    Yawanawá


    Kulina


     


    Regional e/ou Equipe do Cimi que presta acompanhamento:


    Cimi Amazônia Ocidental – [email protected]


     

    Terras Indígenas no Acre

     
















































































































    Terra Indígena[i] (Povo)


    População


    Extensão (ha)


    Município


    01


    Alto Rio Purus


     (Kaxinawá, Kulina, Jaminawa)


    1.691


    263.130


    Manoel Urbano, Sta. Rosa Purus


    02


    Alto Tarauacá


     (Não contactados)


    1.400


    142.600


    Jordão e Feijó


    03


    Arara do Igarapé Humaitá


     (Arara, Shawanauá)


    275


    86.700


    Porto Walter


    04


    Arara do Alto Jurua


    (Apolima, Arara)


    115


     


    Marehal Thaumaturgo


    05


    Cabeceira do Rio Acre


     (Jaminawa)


    450


    78.512


    Assis Brasil


    06


    Caiapuca


    (Jaminawa)


     


     


    Sena Madureira


    07


    Campinas / Katukina


    (Katukina / Pano)


    370


    32.624


    Tarauacá (AC) Ipixuna (AM)


    08


    Curralinho (Kaxinawá do Seringal Curralinho)


    (Kaxinawa)


    64


     


    Feijó


    09


    Igarapé do Caucho


     (Kaxinawá)


    405


    12.318


    Tarauacá


    10


    Ikirema


    (Jamamadi)


    80


     


    Boca do Acre


    11


    Jaminawa / Arara do Rio


     Bagé  (Arara Shawanauá e Jaminawa)


    315


    28.926


    Marechal Taumaturgo


    12


    Jaminawa/Envira


    (Igarapé Anjo)        (Kulina)


    114


    80.618


    Tarauacá


    13


    Jaminawá da Colocação São Paulino     (Jaminawá)


    46


     


    Boca do Acre. Sena Madureira


    14


    Jaminawa do Guajará 


    (Jaminawa)


    70


    600


    Sena Madureira


    15


    Jaminawa / Igarapé Preto


    (Jaminawa)


    160


    25.651


    Rodrigues Alves


    16


    Jaminawa do Rio Caeté


    (Jaminawa)


    66


     


    Sena Madureira


    17


    Jaminawa do Seringal São Francisco          (Jaminawa)

    Categories Arquivo

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  • 09/03/2005

    Criada a DEFENSORIA DA PAZ

    Ao finalizarmos a 1ª Conferência da Paz no Brasil, tornamos de conhecimento público a criação da Defensoria da Paz, pretendendo fazer dela um dos meios de concretização das diretrizes e propostas da Campanha da Fraternidade–2005 Ecumênica: “Solidariedade e Paz”.


     


    A proposta de criação da Defensoria da Paz tem por inspiração o bem-sucedido modelo da Defensoria da Água – lançada na Campanha da Fraternidade de 2004 como uma iniciativa concreta de diversos setores públicos e sociais para instrumentalizar as demandas da sociedade.


     


    Sua idéia essencial funda-se em ações da sociedade contra a violência, a desigualdade, a discriminação e a exclusão. A Defensoria da Paz postula centrar sua atenção prioritária no combate aos problemas estruturais, sociais, comunitários e individuais que ameacem a Paz.


     


    “Felizes os que promovem a Paz”, predica a Campanha da Fraternidade deste ano: daí a idéia de uma defensoria – uma frente de instituições, entidades e indivíduos que, voluntariamente, estejam engajados no ideal de agir decisivamente para defender a paz onde quer que ela seja ameaçada, procurando restabelecê-la com ações duradouras, em parceria com distintos segmentos públicos e privados e com a participação ativa da própria sociedade.


     


    Para estar ao permanente serviço da sociedade, a Defensoria da Paz terá uma função de Ouvidoria, permitindo ao cidadão acessá-la para fazer denúncias que serão encaminhadas, em nome da Defensoria, às autoridades responsáveis.


     


    Com o propósito de auxiliar os poderes públicos na elaboração e execução de políticas em prol da Paz, a Defensoria funcionará, igualmente, como observatório nos domínios da violência, desigualdade, discriminação e exclusão, compilando dados e concebendo relatórios de domínio público que informem com independência, carências, equívocos, medidas e soluções.


     


    É também objetivo da Defensoria da Paz a divulgação, o incentivo e a multiplicação de ações de êxito na desconstituição de situações que ocasionem a violência. Além disso, buscará, no cenário público, na iniciativa privada e na sociedade civil, estimular parcerias que permitam efetivar estas ações em maior quantidade e qualidade.


     


    Querendo conscientizar e qualificar setores estratégicos, a Defensoria da Paz promoverá, ainda, cursos de qualificação especificamente voltados para a adoção de uma permanente cultura da Paz, em conexão com outros valores e princípios significativos para a sociedade.


     


    Construir uma consciência coletiva de Paz não significa tolerar a violência contra o ser humano e a natureza. A ineficácia de políticas públicas impõe que a sociedade busque novas e legítimas soluções que assegurem a marcha do processo civilizador, e o triunfo da Paz.


     


    Brasília, 08 de março de 2005.


     


    Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil – CONIC


    Defensoria da Água


     

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  • 09/03/2005

    CIMI INFO-BRIEF 653

    Bundesjustiz verhindert Vertreibung der Guarani-Kaiowá



     


    Bundesgerichtsrätin Anna Maria Pimentel hob die Anordnung auf, die den Abzug von rund 500 Indios Guarani-Kaiowá von einem zurück gewonnenen Landstrich des indigenen Gebietes Nhande Ru Marangatu in der Gemeinde Antônio João (Bundesstaat Mato Grosso do Sul, 450 km von Campo Grande entfernt) zum Inhalt hatte. Diese Entscheidung sorgte für eine Entspannung unter den Indios, die in jedem Fall in ihrem Gebiet bleiben wollen.


     


    In ihrem Urteil sieht die Gerichtsrätin das Verfahren zur Reintegration von Besitz als Angriff auf das Recht auf Leben, der Beteiligten. “Noch in schlechter Erinnerung sind die Nachrichten über die Vorfälle in Iguatemi und Japorã, zwei Gemeinden in Mato Grosso do Sul, im Januar 2004. Damals ging es auch um Indios Kaiowá-Guarani“. Diese wurden beschossen, verprügelt, mit Mord und anderen Gewalttaten bedroht als Folge einer richterlichen Entscheidung, die den Abzug anordnete.


     


    Die Richterin setzte den 31.03.2005 als neue Frist für die Reintegration von Besitz fest. Bis dahin soll sich die Exekutive um Lösungen bemühen, wobei die Interessen aller und eine entsprechende soziale Politik zu berücksichtigen sind.


     


    Augenblicklich könnte nur die Homologation des Gebietes durch den Präsidenten der Republik die Vertreibung der Indios verhindern. Das Gebiet Nhande Ru Marangatu wurde im Oktober 2004 im Ausmaß von 9.300 ha demarkiert. Bis zur Rückgewinnung des Gebietes lebten die Indios auf 26 ha. Die Fazendeiros erheben Anspruch auf das zurück gewonnene Gebiet. Sie strengten einen Prozess zur Reintegration von Besitz an und hatten beim Bundesgericht in erster und zweiter Instanz Erfolg. Ihr Argument: es handle sich nicht um ein traditionelles indigenes Gebiete, denn es gehörte zu einer ausgelöschten Siedlung. Laut Verfassung gelte nur traditionell besiedelter Lebensraum als indigen. Wenn die Aldeias wirklich ausgelöscht wurden, dann nur infolge der Invasionen durch Fazendeiros oder staatliche Politik, die auf die Vertreibung oder Integration der Indios abzielten.


     


    Die gleichen Argumente gegen die indigenen Rechte werden bei anderen Verfahren zur Klärung von Landfragen vorgebracht, etwa hinsichtlich des indigenen Gebiets Buriti des Volkes Terena in den Gemeinden Dois Irmãos do Buriti und Sidrolândia. Hier kann die Reintegration von Besitz jederzeit ausgeführt werden.


     


    Fehlendes Land bedeutet unzureichende Versorgung, Unterernährung und Kindersterblichkeit


     


    Die Gefahr der Vertreibung der Guarani-Kaiowá steigt angesichts der Situation im Bundesstaat Mato Grosso do Sul. Den Indios fehlt das Land, um für eine ausgewogene Ernährung sorgen zu können. Kinder sind die ersten Opfer. Seit anfangs 2005 starben fünf Kinder im indigenen Gebiet Dourados infolge der Fehlernährung.


     


    Die Guarani-Kaiowá von Nhande Ru Marangatu könnten im zurück gewonnenen Land wieder Subsistenzwirtschaft betreiben und Maniok, Bohnen, Mais, Kartoffeln, Reis und Bananen pflanzen.


     


    Die Kindersterblichkeit in jenem Gebiet lag 2001 bei 87,72 je 1000 Geborenen und sank auf 41,67 im Jahr 2004. In Dourados starben 64 von 1000 Kindern und war fast dreimal so hoch wie der nationale Durchschnitt von 24 je 1000 Kinder.


     


    Laut Angaben der FUNASA leiden in Antônio João 47 (18 %) von 256 Kindern unter 5 an Unterernährung, weitere 52 (20 %)  Kinder weisen Anzeichen für mangelhafte Ernährung auf.


     


    In allen Aldeias der Guarani in Mato Grosso do Sul ist Unterernährung ein Problem und weitaus schlimmer als die FUNASA in ihren Daten veröffentlicht. Ihre Erhebungen im Bundesstaat geben im Durchschnitt 12 % unterernährte und 15 % schlecht ernährte Kinder an.


     


    Unter 3 % liegt die Unterernährung in den Aldeias der Terena und Kadiwéu, während in der Aldeia Tacuru der Guarani-Kaiowá 17 5 der Kinder unterernährt sind.


     


    Die Zahlen der FUNASA, das für die indigene Gesundheit verantwortliche Organ, zeigen, dass nicht nur die Kinder von Dourados unter der schlechten Versorgung leiden. Seit letzter Woche ist die Direktion der FUNASA mit Ärzten und Ernährungsbetreuern in der Gemeinde. Für die Indios von Dourados werden mehr Lebensmittel ausgegeben. Welche Maßnahmen die FUNASA für andere Aldeias plant, ist derzeit noch nicht bekannt.


     


    Am 02.03.2005 wurde der Tod von sechs Kindern infolge von Unterernährung in zwei Aldeias der Guarani Nhandeva in den Gemeinden Japorã und Eldorado im Süden von Mato Grosso do Sul bekannt. Weitere sechs Kinder starben in Aldeias der Xavante, in der Region Campinápolis in Mato Grosso.


     


    Es bleibt zu hoffen, dass für die Betroffenen nicht nur Nahrungsmittel verteilt werden müssen. Erforderlich sind auch eine entsprechende Infrastruktur und Lebensraum für das Überleben der Indios.


     


    Die Homologation von Nhande Ru Marangatu sowie begleitende Maßnahmen zur Garantie des Landes seitens der  Bundesregierung sind dringend notwendig.


     


    Zurückgewinnung von Land durch das Volk Karajá von Aruanã



     


    Das Volk der Karajá war es länger leid, auf Schritte der Bundesregierung zu warten und hat am 28.02.2005 eines der traditionellen Gebiete in der Gemeinde Aruanã im Bundesstaat Goiás zurück gewonnen.


     


    Obwohl das Gebiet Aruanã mit 704 ha homologiert und seit 2001 registriert ist, wird es illegal für die Fazenda Arica genutzt.


     


    An der friedlichen Rückgewinnung waren an die 50 Personen beteiligt. Die Vertreter Karajá werden das Land nicht verlassen und drängen auf den Abzug der Invasoren.


     


    Brasília, 03. März 2005.


     


    Cimi – Indianermissionsrat


     

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  • 09/03/2005

    CIMI INFO-BRIEF 652

    Während Brasilien die Aufmerksamkeit auf die Realität in ländlichen Gebieten lenkt, plant der Indianermissionsrat sein Programm für 2005 und legt einen Bericht über die Gewalt gegen die indigenen Völker und ihre Verfassungsrechte vor, die von Mord – in den letzten zwei Jahren wurden 63 Indios ermordet – bis hin zur ökologischen und kulturellen Zerstörung reicht und das Überleben der Völker und deren Lebensweise gefährdet.


     


    Frieden und Land für die Indigenen Völker


     


    Wir, Missionare und Missionarinnen aus ganz Brasilien, Mitglieder des Präsidiums und des Indianermissionsrates, haben uns vom 21. bis 25.02.2005 in Chapada dos Guimarães (MT) versammelt, um die aktuelle nationale Lage und ihre Auswirkungen auf das Leben der Völker und die indigenen Gemeinschaften in unserem Land zu analysieren und zu diskutieren.


     


    Das Ergebnis der Analyse, sowohl der Exekutive, Legislative und Judikative als auch der Situation in den Regionen, ist besonders ernst und bedrohlich für die indigenen Völker, ihre Gemeinschaften, Gebiete, Kulturen und ihre künftigen Generationen.


     


    Die Regierung Lula hat ein Bündnis mit den indigenen Anliegen vorgetäuscht, den Dialog eingestellt, ihr wahres Gesicht gezeigt und lässt sich von mächtigen und Tod bringenden Feinden instrumentalisieren. Das zeigt sich beim indigenen Gebietes Raposa/Serra do Sol in Roraima. Der Präsident verweigert die Unterzeichnung der Homologation und ermutigt lokale Kräfte zu juristischen Hürden, um die Homologation zu verhindern.. Die Judikative ist Mittäter bei diesem politischen und rechtlichen Prozess, der den Zaun um die Rechte der indigenen Völker in Brasilien immer enger werden lässt, ein Zaun des Ethnozids.


     


    Ähnlich verhält sich die Legislative: Gruppen in der Abgeordnetenkammer und im Bundessenat gründen Kommissionen, die Berichte und Gesetzesprojekte vorlegen, mit dem einzigen Ziel, die Verfassungsrechte der indigenen Völker zu beschränken oder aufzuheben; sie errichten Hürden und verhindern Demarkierungen von Gebieten; sie verfolgen eine Perspektive der Integration, die durch die Bundesverfassung überwunden wurde. Die hegemonialen Sektoren der Legislative handeln auch als Instrument des multinationalen Kapitals sowie der lokalen Oligarchien, die Partner der Bundesregierung und Feinde der indigenen Völker.


     


    Es gibt keinen Zweifel, dass sich die nationale Situation als Abbild in den Regionen wiederholt.


     


    Im Bundesstaat Pará, infolge der grausamen Ermordung von Schwester Dorothy Stang und drei Landarbeiter gegenwärtig im Blickpunkt der nationalen Öffentlichkeit, ist das Gebiet Cachoeira Seca des Volkes Arara von Holzhändlern und Fazendeiros invadiert. Sie spekulieren mit dem Land, bedrohen, üben physische Gewalt aus und gefährden das physische und kulturelle Leben dieses Volkes.


     


    In Acre spielt die Regierung des Bundesstaates mit den Verfassungsrechten der Apolima-Arara, verhandelt mit dem IBAMA den Abzug des Volkes von seinem Gebiet, verzögert die Regelung des Gebietes der Nawa. Im Vordergrund stehen politische und wirtschaftliche Interessen des Ökotourismus und nicht der Waldvölker.


     


    Im Osten und Nordosten kümmert sich die Regierung Lula bei der Regulierung des


    São Francisco nicht um die negativen Auswirkungen für die indigenen Völker und ihre Gebiete und übersieht, dass sie nur den Interessen der Fazendeiros, des Agrarhandels und großer Bauunternehmen dient, die lediglich schnellen Gewinn aus Töpfen der öffentlichen Hand machen wollen.


     


    Im Zentralwesten und Süden setzen Unternehmer, Fazendeiros und lokale Politiker alles daran, um Verfahren der Identifikation und Demarkierung von indigenen Gebieten zu verhindern und nehmen sogar den Tod von Kindern Xavante und Guarani-Kaiowá infolge von Unterernährung und Krankheiten in Kauf. Das Volk Myky in Mato Grosso, das in den 1970er Jahren fast ausgelöscht bemüht sich seither um sein Land und mehr Nachkommen. Während es von Invasoren mit Ermordungen bedroht wird, bleiben öffentliche Autoritäten untätig.


     


    Die aktuelle nationale, regionale und lokale Situation ist gekennzeichnet von der Bedrohung des Lebens sowie der Zukunft der indigenen Völker in Brasilien.


     


    Einflussreiche Sektoren der Bundesregierung – ständig die Wahlen 2006 im Kopf –, der Legislative und Judikative machen sich zu Handlangern der Finanzmacht, der


    großen Unternehmen, der Fazendeiros, des Agrohandels, der Invasoren und sogar der Verbrecher, die sich gewaltsam indigene Gebiete aneignen und mit dem Land spekulieren.


     


    Während die christlichen Kirchen Brasiliens ökumenisch die Kampagne der Geschwisterlichkeit mit dem Thema “Selig die Frieden stiften“ durchführen,


    verschärfen sich Gewalt und Morde auf dem Land, als Folge der Landspekulation und der zügellosen Gier von Abenteurern im Norden des Landes. Es ist jener Kontext in dem auch die Gewalt gegen indigene Gemeinschaften steigt. Während der Regierung Lula sind bisher 63 ermordete Indios zu beklagen.


     


    Wir, Präsidium und Rat des CIMI, sind besorgt über die Situation in Brasilien, hoffen auf Änderungen und bekräftigen unsere im Evangelium begründete Verpflichtung mit den indigenen Gemeinschaften; wir bauen auf die ethische Betroffenheit der brasilianischen Zivilgesellschaft, in der die indigenen Völker viele und wichtige Verbündete haben; wir sind bereit zur Mobilisierung und zum Einsatz mit den sozialen Bewegungen auf dem Land und in der Stadt und vor allem mit den Protagonisten, den indigenen Völker, für die Verteidigung ihrer historischen Rechte.


     


    Wir rufen alle Männer und Frauen auf, die sich Sorgen um die Gerechtigkeit in unserem Land machen, sich geschwisterlich für Frieden und Land für die indigenen Völker zu verbünden.


     


    Chapada dos Guimarães (MT)


    24. Februar 2005


     


    Präsidium und Rat des Indianermissionsrates – CIMI


     

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  • 09/03/2005

    CIMI INFO-BRIEF 651

    Polizei unterbindet Diskussion über Regulierung des Rio São Francisco



     


    Heute, 17.02., sollte in Cabrobó eine Versammlung über das Projekt der Regulierung des Rio São Francisco mit Projektbetreibern, Vertretern des Ministeriums für Nationale Integration, der Völker Truká und Tumbalá sowie der Gemeinde von Cabrobó stattfinden. Polizeiliche Aktionen verhinderten das Treffen.


     


    Seit den Morgenstunden stationiert die Militärpolizei von Pernambuco durch CIOSAC (Unabhängige Truppe für Operationen und Überleben im Gebiet Caatinga) bei der Brücke über dem Rio São Francisco zwischen Cabrobó und dem indigenen Gebiet Truká.


     


    Die Polizei durchsuchte die rund 250 Indios, die zur Versammlung wollten und forderten von die Herausgabe von Unterlagen. Erst nach der Intervention eines Abgeordneten des Bundesstaates zog die Polizei ab. Die Indios beschlossen, nicht am Treffen teilzunehmen. Aus Solidarität sagte die Präfektur den Termin ab.


     


    In einer Reportage des TV Grande Rio, ein lokaler Sender von Rede Globo, hieß es bereits gestern Abend, dass die Versammlung aufgrund mangelnder Sicherheit nicht stattfinden werde. Der Kazike Truká, Aurivan dos Santos, bestätigte die Anwesenheit vieler Polizisten, “die den Eindruck vermitteln wollen, dass wir unnachgiebig sind. Aber wir wollen diskutieren“.


     


    Die Indios wurden bisher offiziell von der Bundesregierung nicht in die Planung einbezogen. Sie befürchten negative Auswirkungen vor allem durch die Kraftwerke Sobradinho, Xingo und Itaparica entlang des Flusses. Mit dem Projekt “werden über 20 Fischarten, Vögel und Heilpflanzen verschwinden. Zur Zeit meines Großvaters, als es noch keine Kraftwerke gab, lebten wir vom Fischfang, vom Zuckerrohr, von Maniok und Kartoffeln. Das haben wir verloren und wir mussten unsere Landwirtschaft umstellen. Die Flussregulierung wird wieder vieles verändern. Unsere Kinder werden noch mehr unter den Folgen leiden als wir“, so der Kazike Truká.


     


    Die Tumbalá mit rund 3.000 Indios leben am Rio São Francisco entlang des rechten Ufers im Bundesstaat Bahia. Das Volk wurde im Bericht über die ökologischen Auswirkungen des Ministeriums für Nationale Integration nicht unter den Betroffenen angeführt. Vertreter des Volkes waren deshalb bei öffentlichen Audienzen in Salvador (BA) und in Salgueiro (PE).


     


    Die indigene Vertreterin Maria José Tumbalá erinnert sich an die Zeit vor den Kraftwerken, als Landwirtschaft im Einklang mit dem Fluss betrieben wurde. “Durch das Hochwasser wurde das Ufergebiet gedüngt. Wenn der Wasserspiegel wieder sank, pflanzten wir Maniok, Zuckerrohr sowie Süßkartoffeln an und produzierten Honig. Das Kraftwerk Sobradinho hat den Wasserstand sehr beeinträchtigt. Es gibt nie Hochwasser sondern nur Erosion. Unsere Wirtschaft basierte auf dieser Form der Landwirtschaft. Heute wird kaum etwas angebaut, denn das Volk kann weder die Energiekosten für die Wasserpumpe noch den Kauf eines Motors zahlen“.


     


    Die Indios kritisieren das Ministerium für Nationale Integration, wenn es heißt, das die Revitalisierung des Flusses eingeleitet wurde. “Sie sollen uns diese Revitalisierung zeigen. Hier, in Cabrobó haben nichts von einer Sanierung gesehen“, so Maria José.


     


    Laut Pressesprecherin des Ministeriums für Städte, das für das Sanierungsprojekt und dessen Budgetkontrolle verantwortlich ist, war im Budget für die Revitalisierung des São Francisco kein Geld für Sanierungen in Cabrobó vorgesehen. Für die Gemeinde Salgueiro wurden R$ 150.000 für die Kanalisation in nur einer Straße veranschlagt.


     


    Für ein Projekt wie dieses ist eine Lizenz des IBAMA (Brasilianisches Institut für Umwelt und erneuerbare natürliche Ressourcen) erforderlich. Das Organ hat acht Audienzen im Nordosten und in Minas Gerais, von denen vier stattgefunden haben und vier aufgrund des Protest der Betroffenen nicht zustande kamen. Laut Gesetz ist mindestens eine vorherige öffentliche Audienz begleitend zur Erhebung über die Umweltauswirkungen notwendig. Es liegt nun am IBAMA, ob weitere Audienzen stattfinden oder genügend Informationen für die Entscheidung vorliegen.


     


    Versammlung der Völker von Roraima veröffentlicht Dokument



     


    Bei der 34. Versammlung der Völker von Roraima, vom 12.-15.02.2004, waren die Völker Ingaricó, Macuxi, Patamona, Taurepang, Sapará, Wapichana, Wai Wai  und Yanomami aus 186 Gemeinschaften und Vertreter des Verbandes der Indigenen Völker von Roraima, die Organisation der Indigenen Frauen von Roraima, die Organisation der Indigenen Lehrer in Roraima, die Gesellschaft für Entwicklung und Umwelt der Taurepang, Wapichana und Macuxi sowie des Projekts São Marcos vertreten, um die künftige Arbeit der indigenen Bewegung zu planen.


     


    Bei der Diskussion über die Garantie der indigenen Gebiete in Roraima äußerten sich die Vertreter besorgt über die steigende Zahl der Landspekulanten und die offiziellen Erklärungen über die Verhandlungen der Grenzen des Gebietes Raposa/Serra do Sol. “Diese Erklärungen verursachen Erstaunen und Befürchtung, denn indigenen Gebiete sind per Definition unverfügbar und unveräußerlich und können nicht Objekt politischer Geschäfte sein und die indigenen Völker nicht dem Druck seitens jener aussetzen, die an ihrem Besitz und der Ausbeutung der darin vorkommenden natürlichen Ressourcen interessiert sind. Gesetze sind auszuführen!“ heißt es im Dokument.


     


    Angesprochen werden auch die Reisproduzenten, die “sich innerhalb des Gebietes Raposa/Serra do Sol ausbreiten, den Boden zerstören und Flüsse mit Pflanzenschutzchemikalien vergiften“. Anfangs 2004 wurde eine Arbeitsgruppe mit Vertretern von Bundesorganen und indigenen Organisationen eingerichtet, um gegen Verletzungen der Umweltschutzgesetze aufzutreten und Maßnahmen gegen Umweltverschmutzungen in die Wege zu leiten. Die Gruppe wurde aufgelöst ohne dass zuvor eine konkrete Aktion erfolgte. “Die Auflösung dieser Gruppe und der Stillstand bei den Kontrollorgane für Umwelt sind Ergebnis einer befremdlichen Allianz zwischen Bundesregierung und politischen Sektoren in Roraima, die mit diesen Reisproduzenten verbunden sind“.


     


    Im Dokument beklagen die Indios, dass der Mülle von Uiramutã, Pacaraima, Taiano und Cantá in indigenen Gebieten oder in der unmittelbaren Umgebung entsorgt wird.


     


    Gesundheit und Schulbildung waren weitere Themen auf der Tagesordnung.


     


    Im Rahmen dieser Versammlung wurde die neue Koordination des Indianerrates von Roraima gewählt. Als Koordinator steht Marinaldo Justino Trajano von der Maloca Câmara, Region Baixo Coutinho, indigenes Gebiet Raposa/Serra do Sol die nächsten vier Jahre an der Spitze des CIR.


     


    Brasília, 17. Februar 2005.


     


    Cimi – Indianermissionsrat


     

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