• 23/03/2005

    Guarani-Kaiowá são povo que não gosta de desavenças

    “Para nós, Guarani-Kaiowá, liderança boa é aquela que não briga, que conversa, dá conselho, fica calmo e conversa com os espíritos para eles acalmarem”, afirma Anastácio Peralta, liderança de Caarapó, na manhã de sábado. “Gurani-Kaiowá não briga”, diz Nito Nelson durante uma conversa no meio da tarde do mesmo dia. “Fizemos reunião com os colonos 12 vezes, até entrarmos em acordo”, contou Valdomiro, liderança da terra indígena Panambizinho que nos falava sobre a história da reconquista da terra pelo seu povo.


     


    Os temas de cada uma das conversas eram diferentes, mas a forma como as lideranças se referiam ao seu próprio povo impressionou pela semelhança. As estratégias de resistência dos Guarani-Kaiowá sempre estiveram relacionadas à busca pelo consenso. “São um povo que evitou o conflito enquanto pôde, embrenhando-se nas matas enquanto elas existiram”. Kaiowá, no idioma guarani, significa “aquele que mora no mato”, explicou Nito.


     


    Ir para o mato não foi apenas uma estratégia de resistência à colonização, aos jesuítas ou às políticas integracionistas do Estado brasileiro. Quando os Guarani tinham diferenças a resolver, muitas vezes a solução se dava pelo afastamento físico.


     


    Assim, a falta de terras e o confinamento – apontados pelos antropólogos e indigenistas como as causas principais da situação de violência e de falta de perspectivas em que vivem os Kaiowá – impedem também os Guarani-Kaiowá de utilizarem seu “mecanismo de solução de desavenças”, que é o distanciamento.


     


    Homicídios, suicídios, e a conversa com Nito


     


    Para o historiador Antônio Brand, a compreensão dos casos de suicídios e de homicídios violentos está relacionada com a quebra das estruturas de relações dentro da sociedade Guarani. Este processo de desestruturação influencia as relações pessoais entre os Guarani-Kaiowá, porque as torna mais frágeis. Desavenças que pareceriam simples, relacionadas a brigas dentro de famílias, entre pais e filhos, entre namorados ou com jovens que fracassam em algo, muitas vezes terminam em mortes. “São problemas comuns, que existem em qualquer sociedade e que podem ser solucionados desde que a sociedade funcione, que a família e as relações funcionem”, diz Brand.


     


    “As aldeias da terra indígena de Dourados não oferecem nenhuma das condições que são historicamente buscadas pelos Kaiowá para a sua organização social. Hoje é praticamente impossível alguém se deslocar, se distanciar quando alguém morre ou quando há conflitos. Eles não têm mais seu mecanismo para resolver tensões, e talvez esta seja uma das causas por que recorrem a outros mecanismos, como a bebida, a violência física, as drogas”, afirma Brand.


     


    Segundo a Funasa, houve 212 suicídios no MS entre 2000 e 2004. Destes, 53 ocorreram em 2003 e outros 20 em 2004.


     


    Das 387 mortes registradas até setembro de 2004 no Mato Grosso do Sul pela mesma Funasa, 17,46%, ou 66 deles, foram por causas violentas.


     


    Dentro da visão de mundo Guarani-Kaiowá, as mortes violentas e também os suicídios são relacionadas a feitiços.


     


    Em uma das nossas muitas viagens pelas estradas de terras que levam das aldeias às cidades, conversamos com o indígena que nos acompanhava sobre a questão dos suicídios. “Mas por que as pessoas se suicidam, Nito?”, perguntei. “As pessoas podem morrer de muitas dores”, ele respondeu. E nos contou que cada tipo de morte está ligado a uma forma de dor.


     


    Disse também que “os Guarani não brigam” e que, quando há briga, é porque existe algo que já está fora do normal, algo que já faz com que o indígena atue de forma estranha.  Muitas vezes, é este mal estar que leva ao suicídio, e que isto está relacionado com o feitiço.


     


    “Feitiço, para os Guarani, é uma capacidade que eles têm de provocar mal indiretamente a uma pessoa. Pra eles, a morte por feitiço é a mesma coisa que morte por assassinato, pois ela é provocada por alguém. Então, as acusações de feitiços mostram uma grande tensão interna e externa, mostram a existência de conflitos e de desajustes”, diz Brand, que novamente ressalta a relação deste mal estar com a falta de terra. “O confinamento de tanta gente num espaço tão exíguo cria um ambiente de mal estar, e as acusações de feitiço remetem para este clima. A excessiva proximidade física nas aldeias, com as diversas famílias vivendo muito próximas, cria um clima de grande tensão”, complementa.


     


    Diálogo é forma Guarani de resolver os conflitos


     


    Os Guarani-Kaiowá são um povo que acredita no diálogo, mesmo com os colonos que os impediam de andar por suas terras, que os ameaçavam quando tentavam buscar lenha e que só saíram da terra indígena Panambizinho, de 1240 hectares, depois de reassentados e indenizados pelo Incra. “Para conquistar os colonos é difícil, mas a gente tem que entrar em diálogo”, ressalta o indígena Valdomiro.


     


    A terra indígena Panambizinho, que fica no município de Dourados, foi homologada pelo presidente Lula em outubro de 2004, depois de os colonos terem sido indenizados e reassentados pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).


     


    Nem bem acabaram de se assentar em suas terras, os Kaiowá contam que em novembro de 2004 já receberam ofertas dos antigos colonos, interessados em arrendar a terra indígena para continuar criando gado. Sinal de que o interesse sobre aquelas terras vai continuar ainda por muito tempo.


     


    Assim como vai levar tempo para que os Kaiowá possam realmente usufruir suas terras, degradadas pela soja e pelos pastos deixados pelos colonos.


     


    Priscila Carvalho


    Assessoria de Imprensa do Cimi


     

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  • 22/03/2005

    Newsletter nº 655

    INDIGENOUS PEOPLE AFFECTED BY DAMS: XOKLENG OCCUPY DAM IN SANTA CATARINA TO PROTEST AGAINST GOVERNMENT NEGLIGENCE



     


    Since 28 February, the Xokleng people, who live in Alto Vale do Itajaí, in Santa Catarina, have been in control of the Northern Dam (Barragem Norte) and have threatened to destroy its equipment, if the state and federal governments do not fulfill their agreements to compensate the community for the damage caused by the project. These agreements were signed in 1981, 1982 and 1998.


     


    Three community representatives were in Brasília this week, to have meetings with Funai and the Ministry of National Integration, which has pledged to start compensating the indigenous people, as laid down in the agreements. The community has stated that it will only leave the dam, once the compensation question has been sorted out.


     


    There have been threats of police interference and the community has said that it will resist any attempt to remove it unless the terms of the agreement are met. The Public Prosecutor’s Office in Blumenau is working to avoid any conflicts.


     


    On the morning of 8 March, two technicians and an indigenous person, who were working on a bridge at the boundary of the indigenous land, were the target of a firearm attack. There are suspicions that the shots were fired by gunmen working for people who have invaded the indigenous land.


     


    The Northern Dam is part of a group of construction works carried out in the 1970s and 1980s to prevent overflowing of the River Itajaí, which used to cause floods in cities such as Blumenau. The dam was built, with Funai’s authorization, within the indigenous land, and occupies a large part of the cultivatable land, especially the flat, fertile land by the banks of the river.


     


    Agreements to compensate the indigenous people for part of the damage caused by the construction work were signed with Funai and the Ministry of National Integration in the 80s, but the terms of these agreements have not fully been complied with. Occupying the dam was the method used by the indigenous people to pressurize the authorities to sign and comply with the agreements.


     


    Hunger


     


    The indigenous people report that there is a lot of hunger in their community. According to their press release, this situation has arisen as a result of their not having an environment in which they can survive because they live “surrounded by the dam, businessmen, colonists and Ibama”. Here they are referring to the businessmen who exploit the wood from the trees, the Brazilian Institute for the Environment and Renewable Natural Resources (Ibama) Forest Reserve, and the colonists who have occupied the Xokleng lands since the 1930s.


     


    “Nowadays, this people is made up of 403 families, roughly 2,000 individuals, where fewer than 100 families have wage earners, such as: health workers, teachers, retired people and FUNAI staff. The other people depend on luck to live. We are a people that has traditionally been rich, and which is living in poverty, because of the lack of fair policies aimed, not specifically at the Xokleng, but at all the indigenous peoples in Brazil. Will we have to leave our lands and add to the numbers of slum-dwellers in the capital cities of our country? This intriguing fact has led us to ask for emergency funds in cash, until fair compensation has been negotiated and consequently our lands have been demarcated”, they say in the press release.


     


    National Day of Action against Dams


     


    This week there will be a National Day of Action against Dams in Brazil as part of the International Day of Action Against Dams, on 14 March. The Movement of those Affected by Dams (MAB) is occupying dams in Rondônia and Bahia. They also occupied the construction work of part of the Tucuruí Hydroelectric Plant, in Pará, more than 20 days ago, in spite of pressure from the army, which is in the region. 


     


    Two-thirds of the energy generated by Tucuruí is used to power four aluminum industries, belonging to American and Canadian multinationals, installed in Pará and Maranhão. The 20,000 affected people who live on the islands and on the banks of the lake, have not only not received any compensation for the damage caused but also do not have electric power.


     


    In Campos Novos, Santa Catarina, five of the Movement’s leaders were arbitrarily arrested early Saturday morning. “This is a legitimate case of political imprisonment which was triggered by the Judge Adriana Lisboa, from Campos Novos, without their even being any suits against the peasants”, said Leandro Scalabrin, the MAB attorney.


     


    FORUM LAUNCHES CAMPAIGN TO PRESS FOR AGRARIAN REFORM AND AVOID FURTHER CONFLICT


     


    The National Forum for Agrarian Reform and Justice in the Countryside, which brings together 45 organizations involved in the fight for land in Brazil, and is worried about the escalating violence against workers in the countryside, has decided to unleash a Domestic and International Campaign to sensitize society and pressurize the Brazilian federal government and legislative authorities.


     


    The Campaign, which bears the name “Agrarian Reform: environmental sustainability and human rights”, aims to apply pressure to the government so that it meets its agrarian reform targets (National Agrarian Reform Plan), by introducing sustainable development projects, stimulating agroecology, family and peasant farming and setting up extractive reserves, as well as protecting threatened rural workers, leaders and Defenders of Human Rights, together with a thorough investigation into these threats and exemplary punishment for their authors.


     


    In the Forum’s view, the conflicts that led to the death of Sister Dorothy Stang and seven other rural workers in 2005, “are part of a historic struggle and the introduction of agrarian reform actions – especially the Sustainable Development Projects –, which have caused confrontations between the two development models in the region [the state of Pará]. One of these is represented by the large estates (resulting from the seizing of public land, environmental destruction, illegal exploitation of wood and the use of slave-labor), dressed up as the “modernization” of farming and cattle raising, and the other is a project which strives for social justice, environmental sustainability and respect for human rights”.


     


    “The expansion of this predatory model is unjust and is taking place to the detriment of a national agrarian reform policy (a real redistribution of land capable of altering the current unfair land concentration), of environmental monitoring and inspection and the consequent punishing of those responsible, and the real furthering of human rights (civil, political, economic, social, cultural environmental rights)”, states the text used to publicize the campaign.


     


    The Campaign involves people’s organizations, solidarity networks, NGOs, pastorals, churches, trades union movements, the International Farmers Movement, personalities, and domestic and international human rights organizations.


     


    One of the first actions will be to send messages to the president, Luiz Inácio Lula da Silva, and the minister for the Superior Court of Justice, Arnaldo Esteves. The publicity text for the Campaign and the letters to be sent to the authorities can be accessed from the Cimi site.


     


    Brasília, 17 November 2004.


     


    Cimi – Indianist Missionary Council


     

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  • 22/03/2005

    CIMI INFO-BRIEF 655

    Von Kraftwerken betroffene Indios: Aus Protest gegen Regierung besetzen Xokleng Kraftwerk in Santa Catarina


     


    Am 28.02.2005 hat das Volk der Xokleng vom Oberen Vale do Itaiaí in Santa Catarina die Kontrolle des Wasserkraftwerks Norte übernommen und droht mit der Zerstörung von Einrichtungen sollten die Regierung des Bundesstaates und die Bundesregierung die in den Jahren 1981, 1982 und 1989 eingegangenen Verträge nicht erfüllen. Die Verträge sicherten der Gemeinschaft eine Entschädigung für die durch das Kraftwerk verursachten Nachteile zu.


     


    Drei Vertreter der Gemeinschaft führten diese Woche in Brasília Verhandlungen mit der FUNAI und mit dem Ministerium für Nationale Integration. Dabei wurde ihnen die Umsetzung der Verträge zugesagt. Erst wenn alle Fragen hinsichtlich der Entschädigung geklärt sind, werden die Indios die Besetzung des Kraftwerkes beenden.


     


    Ein polizeiliches Eingreifen ist möglich. Dennoch wollen die Indios bleiben, bis die Abkommen erfüllt sind. Die Bundesstaatsanwaltschaft ist bemüht, Konflikte zu verhindern.


     


    Am 08.03.2005 wurde auf zwei Techniker und einen Indio, die an einer Brücke an der Grenze zum indigenen Gebiet gearbeitet haben, geschossen. Dahinter vermutet man von Invasoren in das indigene Gebiet angeheuerte Pistoleiros


     


    Norte gehört zu einem Kraftwerkkomplex, der in den 1970er und 1980er Jahren entstand, um das Hochwasser, das regelmäßig über Blumenau hereinbrach, in den Griff zu bekommen. Das Kraftwerk wurde mit Genehmigung der FUNAI innerhalb des indigenen Gebietes, vor allem auf fruchtbarem Ackerland, errichtet.


     


    Durch die Besetzung des Kraftwerkes wollen die Indios entsprechend Druck auf die öffentliche Hand ausüben, damit den vertraglichen Verpflichtungen endlich nachgekommen wird.


     


    Hunger


     


    Die Gemeinschaft der Xokleng hungert. In einer Aussendung beklagen die Indios die mangelhaften Lebensbedingungen, denn wir sind “eingeschränkt durch Kraftwerke, Unternehmen, Siedler und das IBAMA“. Seit den 1930er Jahren beanspruchen Siedler Land der Xokleng, Holzunternehmen beuten ungehemmt Edelhölzer aus und das IBAMA unterhält in dem Gebiet ein Waldreservat.


     


    “Heute zählt dieses Volk 403 Familien mit rund 2.000 Personen. Rund 100 Familien leben von Einkommen als Gesundheitsbetreuer, als Lehrer, als Pensionisten oder Mitarbeiter der FUNAI. Andere Familien haben gelegentlich ein Einkommen. Obwohl unser Volk traditionell reich ist, leben wir jetzt in Armut, weil es keine gerechte Politik gibt, nicht nur für die Xokleng sondern für alle indigenen Völker in Brasilien. Müssen wir unser Land verlassen und in einer der Favelas in den Städten des Landes abwandern? Diese Tatsache zwingt uns, vom Land finanzielle Hilfe zu erbitten bis uns eine gerechte Entschädigung gewährt wird und die Demarkierung unserer Gebiete erfolgt“, heißt es in der Aussendung. 


     


    Nationaler Aktionstag gegen Kraftwerke



     


    Diese Woche gab es landesweit Proteste gegen Kraftwerke anlässlich des Internationalen Tags gegen Kraftwerke am 14. März. Die Bewegung der von Kraftwerken Betroffenen (MAB) hat Kraftwerke in Rondônia und Bahia besetzt. In Pará wird trotz der Anwesenheit des Heeres seit 20 Tagen ein Teil vom Wasserkraftwerk Tucuruí besetzt gehalten.


     


    Zwei Drittel der in Tucuruí gewonnenen Energie dient vier nordamerikanischen und kanadischen Industriekonzernen in Pará und Maranhão zur Produktion von Aluminium. Die 20.000 vom Kraftwerk betroffenen haben weder eine Entschädigung erhalten noch sind sie an die Energieversorgung angeschlossen.


     


    In Campos Novos (SC) wurden fünf Vertreter der Bewegung am 12.03.2005 willkürlich festgenommen. “Bei diesem Fall handelt es sich um eine politische Verhaftung, die von der Richterin in Campos Novos, Adriana Lisboa, ohne ein ordentliches Verfahren angeordnet wurde“, so der Anwalt der MAB, Leandro Scalabrin.


     


    Kampagne für Landreform, um weitere Konflikte zu verhindern



     


    Das Nationale Forum für Agrarreform und Gerechtigkeit auf dem Land, eine Plattform von 45 Organisationen im Einsatz für Land, ist besorgt über die steigende Gewalt gegen Landarbeiter und hat eine nationale und internationale Kampagne eingeleitet, um die Öffentlichkeit auf das Problem aufmerksam zu machen und Druck auszuüben, damit die Bundesregierung und die Justiz tätig werden.


     


    Die Kampagne unter dem Titel “Agrarreform: ökologische Nachhaltigkeit und Menschenrechte“ drängt die Regierung zur Umsetzung der Landreform (Nationaler Plan für die Agrarreform). Dieser Plan umfasst die Förderung von nachhaltigen Entwicklungsprojekten, der ökologischen Landwirtschaft und von Familienbetrieben.  Gefordert wird auch der Schutz von Landarbeitern, von bedrohten Personen, die sich für die Verteidigung der Menschenrechte einsetzen sowie die Aufklärung der Bedrohungen und die Bestrafung der Täter.


     


    Für das Forum sind die Konflikte, die 2005 zum Tod von Schwester Dorothy Stang und weiteren sieben Landarbeitern führten, “Teil eines historischen Kampfes im Zusammenhang mit der Agrarreform  – vor allem mit Projekten der nachhaltigen Entwicklung (PDS). Es ist die Konfrontation zweier Entwicklungsmodelle in der Region [Bundesstaat Pará]. Für das eine Modell steht der Großgrundbesitz (das Ergebnis von Landspekulation mit öffentlichem Grund, von Umweltzerstörung, von illegaler Holzausbeutung und Sklavenarbeit), der sich hinter dem Begriff der “Modernisierung“ von Landwirtschaft und Viehzucht versteckt. Ihm gegenüber steht ein Projekt, das auf soziale Gerechtigkeit, ökologische Nachhaltigkeit und Achtung der Menschenrechte abzielt.


     


    Die Ausdehnung dieses zerstörerischen und ungerechten Modells behindert eine nationale Politik der Agrarreform (eine tatsächliche Umverteilung von Land, um die derzeitige ungerechte Landkonzentration zu überwinden) und der ökologischen Kontrolle sowie die konsequente Bestrafung der Verantwortlichen und die wirksame Förderung der Menschenrechte (zivile, politische, wirtschaftliche, soziale kulturelle und ökologische Rechte)“, heißt es im Aufruf zur Kampagne.


     


    An der Kampagne beteiligen sich Basisbewegungen, Solidaritätsnetzwerke, NGO, Kirchen, Gewerkschaften. Über Campesina International engagieren sich national und international Persönlichkeiten und Organisationen, die für Menschenrechte eintreten. Eine der ersten Aktionen sind Briefe an den Präsidenten der Republik, Luiz Inácio Lula da Silva und den Bericht erstattenden Minister des Obersten Bundesgerichts, Arnaldo Esteves.


     


    Informationen, Briefvorschläge und Adressen unter “Campanhas“.


     


    Brasília, 17. März 2005.


     


    Cimi – Indianermissionsrat


     

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  • 22/03/2005

    Aty Guasu: indignação e força Guarani-Kaiowá

    Para quem vive encastelado em seus privilégios ou na miséria, no campo e na cidade, fica difícil imaginar o que se passou entre as montanhas e vales no interior do município de Antonio João-MS, nas fronteiras com o Paraguai. Se as lindas paisagens e os montes falassem descreveriam mais um belo capítulo da heróica história de luta e resistência de um povo. Guiados pela lua companheira e pelas atentas e brilhantes estrelas, eles passaram três noites em ritual, com cantos e danças que desceram à profundeza da terra e ao alto do céu, no encontro de guerreiros e deuses da vida e do universo. Foram três dias de debate, socialização e celebração. Foram dias e noites de intensa atividade, de muita indignação e revolta.


     


    Mais de 400 pessoas de quase todas as terras e aldeias indígenas do Kaiowá Guarani participaram desse Grande Encontro. Conforme os membros da comissão organizadora, essa tem sido uma das Aty Guasu mais expressivas e significativas, especialmente nessa retomada do processo de discussão e organização das lutas, a partir da questão da terra, e com a força maior centrada nos “nhanderu” (pagés, caciques). Além disso, ela se realizou numa das terras de maior tensão hoje, em função de ser uma terra demarcada e ao mesmo tempo existir uma liminar de reintegração de posse para os fazendeiros. Tudo isso fez com que essa Aty Guasu estivesse marcada por forte indignação e revolta, pois foi o chão de muita luta e sofrimento, onde deram a vida Marçal de Souza e Dom Quitito, e onde poderá em breve se repetir a situação de conflito e derramamento de sangue.


     


    Mulheres guerreiras aguerridas


     


    Um dos destaques dessa Aty Guasu foi a presença forte e decisiva das mulheres, que não apenas estavam na cozinha, nas celebrações, mas também nas plenárias e nos grupos. Foram delas as falas e cobranças mais incisivas. Em sua sensibilidade e sofrimento, elas demonstraram grande preocupação com relação aos jovens (não apenas em função do alto índice de suicídio), mas também pelo gradual afastamento da cultura Guarani. Elas manifestaram o desejo de que os jovens se envolvam cada vez mais na luta pela terra e com isso também estarão alimentando a esperança e enxergando um futuro melhor para todos. “Vamos lutar junto com nossa batalha, junto com os homens e as autoridades”, afirmaram em seu trabalho de grupo. As mulheres também demonstraram sua tristeza e revolta por verem tantos de seus filhos morrerem de fome e de falta de sentido da vida (suicídio).


     


    Ali também estava dona Quitéria, viúva de Dom Quitito, que veio a falecer no dia 19 de abril, em Coroa Vermelha (BA), quando participava da Marcha e Conferência Indígena 2000. Ele tinha ido lá levando a luta pela terra, e em especial do Cerro Marangatu, cuja retomada ele liderou em 1998. Lá está ele enterrado. Por ironia do destino o então prefeito de Amambai e um dos invasores da terra indígena, mandou fazer uma sepultura. Depois de um mês de sua morte um de seus filhos se suicidou. E Quitéria estava ali, no silêncio de seu sofrimento e na certeza de sua luta, pois Quitito continua os inspirando e dando força.


     


    “Estamos tristes… estamos em guerra”.


     


    As falas, as celebrações, os rituais, as danças, tudo foi profundamente envolto pela preocupação com o que poderá estar acontecendo em breve, caso o presidente Lula não homologue a terra antes do dia 31, data da reintegração de posse. Nos gestos e no olhar se externava muita angústia, mas também decisão: “estamos em guerra. Querem roubar nossa terra. Daqui não vamos sair. Podem matar dois ou muitos, mas nós vamos vencer…”. Essa foi a tônica de vários depoimentos. A costumeira tranqüilidade e paciência Guarani parecia ter-se definitivamente esgotado. Diante da eminência de mais uma covarde agressão, se propõem a unir-se na luta, com a ajuda de todas as aldeias e mesmo outros povos.


     


    E quando lembraram história de luta e organização, através das Aty Guasu que começaram em 1984, relembraram os inúmeros líderes que tombaram na luta pela terra. A emoção tomou conta daquele grupo aguerrido. Lágrimas rolaram pelas faces sofridas daqueles lutadores.


     


    Dr. Charles, Procurador da República em Dourados, também esteve presente e alertou para os riscos de enfrentamento e derramamento de sangue, caso Lula não homologue a área até o final do mês. “Não posso mais fazer nada em termos judiciais, pois já recorri três vezes”, afirmou, lembrando que o presidente vem tendo bom desempenho fora do país, mas “está deixando de fazer o dever de casa”.  E o contraditório é que essa é uma das terras indígenas já com seu processo de regularização avançado, pois já está demarcada.  A homologação do Cerro Marangatu seria uma resposta evidente para começar a resolver o problema das terras indígenas no Mato Grosso do Sul, ressaltou. Lamentou que as terras indígenas infelizmente estão servindo de moeda de troca neste governo.


     


    Muita união, força Guarani e apoio de aliados no Brasil e no mundo


     


    O último dia da Aty Guasu foi tomado pela expectativa de dialogar com os aliados e exigir ação imediata do governo. Estavam convidados vários ministros de Estado, presidentes de órgãos ligados à questão indígena, indígenas de outros povos, imprensa, igrejas, entidades… Mais de duas dezenas de pessoas chegaram pelos difíceis, tortuosos e empoeirados caminhos do Cerro Marangatu. Todos foram ritualmente recepcionados. Depois foram convidados a conhecer a beleza da paisagem e a dureza da vida com os casebres no meio do colonião.


     


    Em seguida começaram as falas dos convidados e das lideranças indígenas. De um lado a manifestação de solidariedade com a luta pela terra, e do outro o pedido veemente de compromisso com a reconquista da terra e esperança Guarani. Mais uma vez foram as mulheres que protagonizaram a cena impactante ao se postarem diante das mulheres representantes de parlamentares e cobrarem apoio efetivo na luta pela terra.


     


    Estiveram presentes o presidente da Câmara de Vereadores de Antonio João, trazendo também a solidariedade e apoio dizendo que “não queremos que nosso município fique conhecido pelo derramamento de sangue”. A Diocese de Dourados esteve representada por uma delegação junto com o coordenador das Pastorais Sociais. Disse que o apoio solidário vinha especialmente através da ação e presença do Cimi em todos os instantes e instâncias de luta. O presidente do Centro de Defesa de Direitos Humanos Marçal de Souza, recém-eleito, também veio com uma delegação. Trouxeram um pôster ampliado de Marçal, especialmente para o momento de celebração. Deixaram seu apoio irrestrito, especialmente através de toda a rede de direitos humanos em todo o país. Também estiveram manifestando seu apoio representantes de universidades, antropólogos, representantes do Ministério do Meio Ambiente e da Embrapa, além do Procurador da Republica em Dourados.


     


    Foi um momento bonito, que terminou com uma manifestação com gritos pela homologação, no terreiro da aldeia.


     


    Homenagem aos guerreiros que tombaram, no local do assassinato de Marçal


     


    A Aty Guasu teve seu encerramento com uma celebração da memória de Marçal e de todos os que tombaram na luta pela terra. O ato se realizou no local do assassinato em 23 de novembro de 1983. Uma pequena cruz de madeira já envelhecida, amarrada com arame, num pequeno espaço cercado de tijolo. Ali haviam crescido vários arbustos, ficando no mento apenas um pé de goiaba. Ao redor pés de mandioca, ao lado de um rancho. Esse cenário modesto ficou repleto de significado e emoção ao serem lembrados os lutadores que tombaram. Foi chamada a atenção para a importância das crianças e os jovens estarem se inteirando dessa história de luta. Foi um ato celebrativo em que os “nhanderu”, os pagés ou caciques, evocaram o espírito dos guerreiros que continuam presentes animando a travessia de todas as dificuldades, desafios e lutas.


     


    No final foi lido o documento enviado ao presidente Lula, pedindo a homologação de Cerro Marangatu e a regularização de todas as terras indígenas.


     


    Na avaliação da Comissão de Direitos Kaiowá – Guarani, que está coordenando esses grandes encontros, essa foi uma Aty Guasu muito especial por se realizar numa área de conflito e sem praticamente estrutura. Muitas pessoas dormiram ao relento mesmo, sem que isso tirasse o ânimo de ninguém.


     


    A próxima Aty Guasu foi marcada para julho (7 a 10) na aldeia de Caarapó.


     


    Também foi encaminhada uma comissão que irá a Brasília, falar com as autoridades e, se possível, com o presidente Lula.


     


    Os anfitriões fizeram os agradecimentos finais na certeza de que mais uma etapa importante na união e estratégias de luta foi construído.


     


    Dourados, 21 de março de 2005.


     


    Egon Heck


    Cimi Regional Mato Grosso do Sul


     

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  • 22/03/2005

    Carta MAB – Violência contra os atingidos por barragens

     


     


     À sociedade brasileira


     


    Nós, bispos acompanhantes da Comissão Pastoral da Terra, em diversos estados do Brasil, junto com outros bispos solidários com a causa dos atingidos pelas barragens, queremos nos dirigir à Sociedade brasileira, para denunciarmos a violência com que são tratadas as famílias, vítimas da implantação de hidrelétricas que buscam defender os direitos espezinhados por aqueles que se arvoram em promotores do progresso.


     


    O Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB, organizado em quase todo o Brasil, vem realizando manifestações e protestos para chamar a atenção das autoridades e sensibilizar a opinião pública para a dura realidade que enfrenta.


     


    No dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, em Rio Casca, MG, uma manifestação que tentava provocar o adiamento de audiência pública sobre a construção de barragem da PCH Jurumirim foi violentamente reprimida pela Polícia Militar, deixando o  saldo  de 35 pessoas agredidas, inclusive seis mulheres, duas delas grávidas, e seis presos. Um dos presos foi o Pe. Antônio Claret Fernandes, que se solidarizava com os manifestantes e que a ocorrência policial o qualificou como liderança.


     


    Em Tucuruí, diante da possibilidade dos atingidos por barragens ocuparem a Usina Hidrelétrica, 200 soldados do Exército Brasileiro foram deslocados para “proteger suas instalações”. Esta usina construída à época da Ditadura Militar, sobre o rio Tocantins, expulsou 32 mil pessoas. Poucas famílias atingidas receberam indenização. E até hoje as famílias que vivem nas imediações do lago não desfrutam da energia ali gerada.


     


    Em Campos Novos, SC, cinco agricultores atingidos pela barragem Campos Novos S/C foram presos na madrugada do dia 12. Estas lideranças foram retiradas violentamente de suas casas e levadas ao presídio da cidade, deixando as famílias em estado de choque. Os lavradores continuam presos até este momento. Uma prisão preventiva por descumprimento de Interdito Proibitório, uma anomalia jurídica de fazer inveja aos tempos da ditadura.


     


    O que mais nos enche de indignação é que quando se decide pela construção de uma barragem, o Governo Federal desapropria as áreas a serem alagadas por “Interesse Público” que, porém, são entregues para exploração de empresas privadas, a maioria delas transnacionais. Estas pouco se interessam pelos impactos sociais sobre as populações atingidas. Elas reconhecem o direito de quem tem documentos de propriedade, mas os direitos das famílias de posseiros, meeiros, arrendatários, pequenos comerciantes e artesãos, pescadores e ribeirinhos que sempre viveram na área, simplesmente são esquecidos. O MAB calcula que para cada três famílias que recebem indenização, outras sete acabam simplesmente sem nada.


     


    Para aprovação das obras são usados muitos subterfúgios e burladas normas legais, como o Estudo de Impacto Ambiental (EIA). Isto aconteceu na construção da Usina de Barra Grande, RS, que não fez constar a existência de uma mata nativa de pinheiros, Araucária Angustifólia, espécie em extinção, e que é protegida por lei.  E a cada dia se tem conhecimento de novas estratégias utilizadas para se burlar a lei.


     


    As barragens alagam não apenas as terras, mas também acabam destruindo e desestruturando comunidades inteiras. O trabalho, a cultura, a vida de muita gente são submersos.


     


    Quando os atingidos pelas barragens se manifestam, eles estão gritando por vida, por respeito aos direitos não só de cada pessoa, de cada família, mas pelos direitos de toda uma comunidade. E suas manifestações são tratadas como caso de polícia.


     


    Como bispos, pastores de nossas Igrejas, preocupados com a situação, denunciamos a violência e as arbitrariedades que se cometem contra as famílias dos atingidos por barragens. Conclamamos a todos e todas em nosso país, que têm compromisso com a causa da justiça, a apoiarem esta luta desigual dos pequenos contra os interesses dos que só vêem em sua frente o lucro a qualquer custo. Apelamos também ao Governo Federal para que tenha a mesma determinação, expressa na desapropriação das áreas para a construção de barragens, para buscar soluções eficazes para as famílias e as comunidades atingidas e para que busque formas alternativas de geração de energia elétrica, de reconhecida eficácia e não agressivas ao meio-ambiente, como o próprio MAB vem propondo com insistência.


     


     


    Goiânia, 21 de março de 2005


     


    Dom Tomás Balduino


     


    Presidente da CPT


     


    D. Xavier Gilles – Bispo de Viana – MA, Vice presidente da CPT


     


    Dom Luiz Carlos Eccel – Bispo de Caçador – SC


     


    Dom Pedro Casaldáliga – Bispo emérito de São Félix do Araguaia – MT


     


    Dom Antônio Possamai – Bispo de Ji- Paraná – RO


     


    Dom José Maria Libório Camino Saracho – Bispo de Presidente Prudente – SP


     


    Dom Orlando Dotti – Bispo emérito de Vacaria – RS


     


    Dom Ladislau Biernaski – Bispo Auxiliar de Curitiba – PR


     


    Dom Heriberto Hermes – Bispo de Cristalândia – TO


     


    Pe. Edson Damian – Administrador de Roraima – RR


     


    Dom Maurício Grotto de Camargo – Bispo de Assis – SP


     


    Dom Guilherme Werlang – Bispo de Ipameri – GOeHHer


     


    Dom José Alberto Moura – Bispo de Uberlândia – MG


     


    Dom Marcelo Pinto Carvalheira – Bispo emérito da Paraíba – PB


     

    Dom André de Witte –Bispo de Ruy Barbosa BA

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  • 22/03/2005

    Rigoberta Menchú lidera primeiro julgamento por racismo

    Após um ano e meio do ocorrido, a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, em 1992, Rigoberta Menchú conseguiu levar a julgamento por racismo os seguidores do ex-presidente guatemalteco Efraín Ríos Montt. É a primeira vez que ocorre um julgamento por discriminação racial na Guatemala. A indígena Rigoberta Menchú denuncia que, no dia 09 de outubro de 2003, quando se apresentou a uma audiência pública para se opor à inscrição de Montt, novamente, para a candidatura de Presidente da República, foi vítima de racismo por parte do neto de Montt Juan Carlos Ríos, da deputada do Parlamento Centro-Americano pela Frente Republicana Guatemalteca Cristina López, a ex-legisladora do Parlamento Emma Samayoa, e Vilma Orellana.


     


    As acusações de Rigoberta são de discriminação racial, desordem pública, ameaças e coação. A indígena declara que os acusados utilizaram expressões como “Vai vender tomates em La Terminal (grande mercado da Cidade da Guatemala)” e “índia”. Para a Fundação Rigoberta Menchú, “a forma como desembocará este processo será uma referência importante na luta dos povos indígenas da Guatemala contra o racismo e a discriminação”.


     


    Rigoberta Menchú afirmou que, por questões ética, moral e espiritual, impulsiona a luta contra o racismo e a discriminação na Guatemala, onde 60% da população é indígena. Para a também embaixadora da boa vontade da ONU, para os povos indígenas, “uma palavra causa mais danos que uma bala”, daí que, entre as 35 testemunhas que se apresentam para declarar, há peritos em sociologia, psicologia e outras especialidades. Também estão dando seu testemunho antropólogos e lingüistas, com o objetivo de precisar que o contexto, as expressões e motivações dos insultos, ofensas e agressões contra Menchú foram racistas.


     


    O julgamento já está entrando na fase final de apresentação de provas contra os cinco acusados. De acordo com a legislação guatemalteca, o delito de discriminação racial (tipificado em 2002) contempla punições de um a seis anos de privação de liberdade, e multas que oscilam entre cerca de 40 e 400 dólares. “Mais ou menos 8 milhões de guatemaltecos viveram na pele o que estamos tratando de punir agora”, enfatizou Rigoberta.


     


    Os cinco eferregistas (partidários de Ríos Montt) que enfrentam o julgamento foram identificados em dois vídeos apresentados ante a Justiça. As imagens mostram os acusados quando insultam, a gritos, a Prêmio Nobel, durante a audiência, na qual buscavam definir a inscrição de Ríos Montt como candidato presidencial da FRG.


     


    As irmãs Eleonora e Sandra Muralles, que estavam com Rigoberta no momento das agressões, assim como Álvaro Castellanos, decano da Faculdade de Ciências Jurídicas da Universidade Rafael Landívar, demonstraram como o conjunto dos processados agrediu verbal e fisicamente a Prêmio Nobel da Paz. Além disso, a perícia feita pela psicóloga clínica Mónica Cruz Calvillo esclareceu os danos que ocasionam os atos discriminatórios em quem os sofre. O testemunho de três especialistas em lingüística também evidenciaram os atos discriminatórios executados pelos cinco acusados.


     


     


     

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  • 22/03/2005

    A grande celebração Guarani: Aty Guasu

    Nhanderu Marangatu se agita, em sua pobreza e simplicidade, mostrando a nobreza e alegria de um povo que não se deixa abater, mesmo quando sobre ele pesam dias difíceis de cinco séculos de morte e opressão.


     


    A noite se veste extraordinariamente bela, com a lua companheira iluminando os caminhos e o terreiro, e as estrelas se postando luminosas, aos milhares, para os atentos olhares, no azul impecável do céu. É Tupã zelando pelo seu povo.


     


    Serenidade e calma, acima de tudo


     


    Tarde do dia da chegada. Bastante apreensivos, sem nenhuma informação sobre o andamento dos preparativos, chegamos na aldeia. Algumas crianças e poucos adultos encontravam-se no local. Ar de normalidade suspeita. Nada de novo além dos casebres e do local de encontro com uma cobertura mista de sapé e lona preta. Estava prevista a chegada de mais de 400 pessoas hoje. Loretito, o cacique, nos recebeu, com feição de preocupação. Logo começaram a discutir a situação com Silvio Paulo, um dos coordenadores da Comissão de Direitos Kaiowá Guarani, empenhado na articulação da Aty Guasu. Toda a conversa é em Guarani. De quando em vez, quando algum silêncio se projetava no ambiente, fazíamos alguma pergunta para atualizar nossa curiosidade. Problema número um: não havia água. Informou Loretito que já há alguns dias não estava chegando água na aldeia. A mangueira estava com furos e havia problemas com água na aldeia de Campestre, onde estava a caixa d’água. Também não havia tijolos para colocar as panelas, nem lenha, nem a comida para colocar nas panelas. Havíamos passado num mercado em Antonio João, para conferir a lista de alimentos que havia sido liberada.


     


    Estávamos esperando a professora Léia, uma das lideranças com a qual estavam sendo mantidos os contatos. Já tínhamos nos encontrado na escola Marçal de Souza, na aldeia de Campestre. Ela estava seguindo até a aldeia de Nhanderu Marangatu. Quando ela chegou parece que as discussões se aceleraram. O quadro parecia preocupar, mas não ao ponto de tirar a calma. Parecia que uma confiança, para nós incompreensível, os movia. Silvio Paulo apenas observava. “Se não chover, tudo bem”. A gente ficava imaginando onde todo aquele povo iria ficar, dormir, ou passar a noite. Da estrutura de barracos de lona que se havia previsto, apenas alguns esteios de um barraco estavam levantados. Depois Léia nos explicou que houve muita dificuldade de comunicação. Só há poucos dias ficaram sabendo que a Aty Guasu, prevista para ali, se realizaria neste final de semana.


     


    Tudo se encaminha, quando com Tupã se caminha


     


    Era preciso agir. Afinal de contas sem água e outras providências a questão poderia ficar muito difícil para a multidão de gente que em breve ali estaria. Pegamos o carro e levamos Léia e Silvio Paulo a Antonio João, para conversas na Funasa e onde preciso fosse para encaminhar algumas questões necessárias. A cidade estava em vésperas de seus 41 anos de emancipação do município. Todo mundo parecia envolvido com esse fato. Além disso, havia um encontro da Funasa, possivelmente em resposta às recentes mortes de crianças Guarani-Kaiowá.


     


    Com a noite, chegam as delegações e a celebração


     


    Estávamos um tanto impacientes, pois ninguém estava chegando, e já estava anoitecendo. Pelos horários previstos para a saída, alguns ônibus deveriam estar chegando logo no início da tarde. Quando ao longe surgiram as luzes de carro, foi uma grande algazarra, com a criançada correndo e os Nhanderu indo ao encontro para a recepção ritual. Eram quase dez da noite. O último ônibus chegou pela meia noite. Depois Nito nos explicou que a chegada nesse horário era a estratégia para não chamar muita atenção dos fazendeiros da região.


     


    Não tem tempo ruim


     


    Aos poucos a gente foi sabendo como foram as viagens até o Cerro Marangatu. “Eles vieram cantando desde que subiram no ônibus até aqui. Pra eles não tem tempo ruim”, disse o motorista Pedro, que trouxe o pessoal da região de Dourados. Vieram umas 100 pessoas num ônibus e duas vãs. Eles saíram pelas 5 horas da tarde e chegaram quase meia noite na aldeia onde está se realizando a Grande Assembléia. Todos foram acomodando suas bagagens mínimas em algum lugar aí mesmo no relento e passaram a noite na dança ou se acomodando aí mesmo sob a cobertura do céu estrelado. Além do ritmo cadenciado dos maracás e takuaras, num canto e outro ouvia-se gostosas gargalhadas, demonstrando alegria pelo encontro e muita descontração. Durante o dia pareciam não se importar em ficar expostos ao sol quente, pois abrigo mesmo só para alguns e sombra de árvore também era muito rara. Pareciam que todos estavam muito conscientes de que vieram para a alegria do encontro, mas também para a dureza da guerra. Portanto, como dizia nosso motorista de ônibus “para eles não tem tempo ruim”.


     


    Celebração ritual no início dos trabalhos


     


    O dia amanheceu lindo, ameno, como por encomenda. Fomos buscar o pão em Antônio João, que estava em festa pelo seu aniversário. Na aldeia o pão com café e pressa para começar a reunião. Não tardou e o som dos maracás, takuaras, harmonizados na cadência das vozes, começou a se espalhar por todo o ambiente. Tudo está dentro de um grande ritual. As danças, os cantos, as falas… uma celebração contínua da vida e da luta.


     


    As apresentações, programação e falas dos caciques


     


    Tudo em Guarani. As apresentações, os depoimentos, os debates. Atentos, só uma que outra interrupção como por ocasião da chegada da delegação de Pirakuá, depois outras. A coordenação dos trabalhos está por conta dos seis membros da Comissão de Direitos Kaiowá-Guarani. São eles que primeiro falam e se apresentam. E como tudo vai sendo construído conjuntamente, os coordenadores são distinguidos com grande crachá.


     


    Há representantes de quase todas as terras indígenas da região. São mais de 30 capitães e caciques que vão fazendo seus depoimentos. Além deles também expuseram suas preocupações e lutas, os professores indígenas, agentes de saúde, representantes do movimento de mulheres… Foi uma seqüência muito bonita de falas muito duras, de vidas sofridas, mas esperançosas.


     


    Na programação do dia a discussão girou em torna da questão das terras e dos projetos de lei antiindígenas, como o PLS 188 do senador Delcídio e outros.


     


    Na cozinha um grupo de mulheres, com muita habilidade e carinho prepararam a comida que, apesar das limitações, era muito simples, mas muito gostosa.


     


    No decorrer do dia ainda foram chegando alguns representantes e delegações.


     


    Também foram construídos mais dois espaços cobertos com lona preta, que ampliaram bem a sombra e os lugares para se abrigar. Tudo vai surpreendentemente se ajeitando, como se a calma, que parecia preocupante, fosse ditando o ritmo dos acontecimentos e da vida.


     


    A vida que vem da roça


     


    Fomos visitar os roçados feitos pelo grupo do Cerro Marangatu com a ajuda solidária de outros parentes. Ali estão bonitas plantações de mandioca, arroz, milho, batata doce, feijão, abóbora, cana, mamão… E espalhados na área retomada algumas dezenas de casebres. Gabriel vai nos explicando o processo de plantio, os cuidados posteriores, a chuva que faltou e prejudicou uma parte do arroz… Também contou da dificuldade de controlarem o colonião (capim) que acabou tomando conta de vários pedaços de terra. Também foi mostrando um bom pedaço aonde a capoeira vai crescendo, mostrando a boa capacidade de recuperação ambiental na região.


     


    As refeições durante a Aty Guasu estão acompanhadas da mandioca colhida nessas roças, assim como a chicha está sendo feita com o milho ali plantado. É a vida que vem da roça e alimenta a esperança e a luta para não serem expulsos das suas terras tradicionais, agora parcialmente reconquistadas.


     


    Homenagem aos guerreiros que tombaram


     


    No dia 18 após um importante trabalho de grupos, houve um momento de memória muito emocionante. Foi lembrada a bonita história construída a partir do início das Aty Guassu, em 1984. Algumas das pessoas que ali estavam haviam participado daquela primeira Grande Reunião, lembrando o quanto ela tem sido importante na luta do povo Guarani dali por diante, especialmente na retomada e garantia de suas terras.


     


    Durante as falas relembrando nomes e momentos importantes, a emoção tomou conta dos caciques e demais presentes, rolando lágrimas de dor e esperança naqueles olhares carregados de futuro. Foram lembrados os vários líderes que tombaram na luta pela terra, como a três anos Marcos Veron, e nesta terra do Nhanderu, Marçal de Souza e Dom Quitito.


     


    Memória de Dom Quitito


     


    No final do dia um grupo dos participantes foi visitar o local em que foi sepultado Dom Quitito, o líder da retomada de Nhanderu Marangatu, que com muita disposição foi para a Marcha e Conferência indígena 2000, em Coroa Vermelha, e lá veio a falecer no dia 19 de abril. Seu corpo foi transladado para esta aldeia onde está se realizando a Aty Guassu. Ele não conseguiu ver sua terra demarcada, mas antes de morrer pediu que sua gente continuasse a luta. E é isso que está acontecendo.


     


    Dona Quitéria, a viúva de D. Quitito, está aí em seu casebre, apesar de todos os sofrimentos, inclusive com a perda de filhos, tendo um deles se suicidado um mês após a morte do pai, mostrando muita força e esperança.


     


    Dom Quitito, certamente é um dos muitos que devem estar dando forças aos Kaiwá Guarani desta aldeia, e as demais que estão na luta pela retomada e garantia de seus tekoha, suas terras tradicionais.


     


    Alvoroço e segurança


     


    Logo após o meio dia um emissário chegou ao local da Aty Guasu avisando que a Polícia Federal estava se deslocando para o local. Foi uma agitação grande. Surgiram arcos e flechas, rústicos e improvisados tacapes, enfim seus instrumentos de segurança. Não demorou e três carros da Polícia Federal passaram na estrada em frente, fazendo apenas aceno para os índios e seguindo em direção à fazenda de Pio Silva e filhos. Possivelmente este solicitara a presença da polícia por temor dos índios ou para intimida-los. Depois de algumas horas os carros da Polícia Federal retornaram, e a temperatura no local voltou ao normal. Porém o número dos seguranças indígenas no portão continuou bem maior do que antes. Afinal de contas para um povo tão agredido por pistoleiros e despejado já algumas vezes pela polícia, não é de estranhar esse temor de novas agressões.


     


    Cerro Marangatu, março de 2005.


     


    Egon Heck


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  • 22/03/2005

    Pela imediata homologação da terra indígena Ñanderu Marangatu

    Exmo. Sr. Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva


     


    Nós lideranças Kaiowá e Guarani de várias aldeias do estado do Mato Grosso do Sul reunidos na Aty Guasu na terra indígena Ñanderu Marangatu município de Antonio João-MS, vimos por meio dessa nos dirigir ao Senhor Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para requerer a homologação imediata da terra indígena Ñanderu Marangatu bem como todas as áreas (tekoha) em conflito no estado.


     


    O tekoha Ñanderu Marangatu já teve seu procedimento demarcatório com Portaria Declaratória do Ministro da Justiça, com toda a sua demarcação física concluída em 12/10/2004, somente carecendo da homologação por parte do Presidente da República.


     


    Clamamos que as medidas liminares de reintegração de posse que foram concedidas pela Justiça Federal em favor de fazendeiro que se encontra na terra indígena Ñanderu Marangatu, sejam imediatamente cassadas a fim de se evitar uma grande tragédia com o cumprimento de ordem de despejo com força policial que mais parece um efetivo preparado para uma Guerra!


     


    Os casos de desnutrição que tem ocorrido nas aldeias Kaiowá Guarani não são decorrentes “simplesmente” da fome e da miséria do povo, pois na verdade a fome, a miséria e também a violência, é conseqüência histórica da falta de terra. No caso do Mato Grosso do Sul, quase que a totalidade das terras indígenas precisam de revisão constitucional de limites, mas os procedimentos de demarcação se encontram totalmente paralisados ou mesmo nem sequer iniciados.


     


    Até hoje no Estado do Mato Grosso do Sul somente 01 (um) tekoha em processo de revisão de limites foi homologado. Que foi o caso da terra indígena Panambizinho.


     


    Vale destacar também, que nós povos indígenas Kaiowá Guarani do Mato Grosso do Sul, nos sentimos traídos pela apresentação do PL 188 de autoria do Senador Delcídio do Amaral do PT-MS, que vem a modificar o procedimento administrativo de demarcação de terras indígenas. Essas modificações vem justamente a prejudicar os povos indígenas do Brasil, trazendo morosidade ao procedimento, anulando processos já em andamento, sem contar o dinheiro público que já foi gasto com os processos em andamento que serão “jogados no lixo”. Portanto, clamamos que seja arquivado definitivamente esse projeto de caráter “criminoso”.


     


    Pedimos empenho do Presidente da República para a regularização das terras indígenas do Mato Grosso do Sul a fim de se solucionar definitivamente todos o problemas que agridem o povo Kaiowá Guarani do MS.


     


    Queremos lembrar que a luta pela terra do povo Kaiowá Guarani teve grandes guerreiros do tekoha Ñanderu Marangatu como Marçal de Souza que foi brutalmente assassinado pelos criminosos inimigos dos povos indígenas que jamais foram julgados e condenados por este crime, e Dom Quitito que faleceu em Coroa Vermelha-BA, quando participava da marcha e Conferência Indígena 2000. Queremos portanto, nessa oportunidade prestar nossas homenagens a todos esses guerreiros, e para os que continuarão com suas lutas pela terra e vida do povo Guarani.  


     


    Ñanderu Marangatu, Antonio João-MS, 20 de março de 2005.


     

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  • 18/03/2005

    Grito dos Excluídos

    Mensagem de Fausto Torres que acompanhou as manifestações em Honduras


     


    No dia 17 de Abril entre às 9:00 e 12:00 horas em frente a embaixada da Guatemala em Honduras mais de uma centena de dirigentes indígenas e camponeses expressaram sua mostra de repúdio contra o governo da Guatemala pelo assassinato de dirigentes sociais que estão protestando contra o Tratado de Livre Comércio (TLC) entre os Estados Unidos da América e a América Central e expressaram sua solidariedade com as lutas guatemaltecas.


     


    A coordenadora Nacional de Resistência Popular emitiu um pronunciamento onde condena de forma enérgica a violenta repressão dos protestos sociais contra o TLC entre a América Central e EUA, executadas pelo governo de Oscar Berger e que já fez vários feridos e assassinados em diferentes lugares da Guatemala. Assim mesmo expressa sua solidariedade para com as organizações populares e o povo guatemalteco, que tem levantado a bandeira da dignidade nacional e centroamericana, frente aos vorazes interesses que defendem a imposição do CAFTA.


     


    O Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas de Honduras -COPINH- emitiu um comunicado de solidariedade ao heróico povo de Guatemala onde expressam sua solidariedade e admiração pela heróica luta do povo guatemalteco organizado no movimento popular contra o TLC que impõe o EUA aos povos da América Central. Assim mesmo condenam a brutal repressão que sofrem nossos irmãos do povo da Guatemala expressada no assassinato dos patriotas deste país pela mão do exército. Finalmente condenam o presidente Oscar Berger e o resto dos funcionários do governo guatemalteco por violentar os direitos humanos de nossos irmãos e irmãs da Guatemala.


     


    Ambos documentos foram entregues ao final do protesto a um funcionário da Embaixada da Guatemala em Honduras para que fosse transmitido à presidência da Guatemala.


     


    Com a força ancestral, Iselaca, Mota, Etempica e Lempira, levantam-se nossas vocês cheias de Justiça, Paz e Liberdade.


     


     

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  • 18/03/2005

    Guarani-Kaiowá realizam sua grande assembléia neste final de semana. Autoridades estarão presentes no domingo

    A grande assembléia dos Guarani-Kaiowá, chamada Aty Guasu, será realizada pelos indígenas de hoje (dia 18) até domingo (dia 20), na terra indígena Nhande Ru Marangatu, município de Antônio João, Mato Grosso do Sul.


     


    Os três principais assuntos da reunião serão “terra e desnutrição”, “política indigenista” e “organizações e lutas indígenas Kaiowá/Guarani”.


     


    A assembléia reúne indígenas de todas as aldeias Kaiowá do estado, e acontece em Cerro Marangatu porque esta terra precisa ser homologada para que seja garantida a presença dos indígenas em seu território, que já está identificado e demarcado. “Decidimos realizá-la no Cerro Marangatu, por ser ali que nossos parentes estão enfrentando uma luta muito grande para permanecer em sua terra, pois os fazendeiros, através da justiça, estão querendo tirar os nossos irmãos de lá de qualquer jeito. Por isso nós queremos fazer nossa grande reunião lá, para dizer ao presidente Lula que ele tem que assinar logo a homologação desta terra, assim como muitas outras também”, afirmam os Kaiowá no convite para a assembléia.


     


    Domingo, dia 20, participarão da Aty Guasu convidados não índios. Entre eles, o senador Eduardo Suplicy, o deputado Pedro Kemp, do Mato Grosso do Sul. Foram convidados também o secretário de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. A imprensa está convidada para acompanhar o último dia da Aty Guasu.


     


    Também no domingo acontecerá uma homenagem a Marçal Tupã’y, liderança indígena assassinada na terra Nhande Ru Marangatu em 1983. Os indígenas farão um ritual e vão inaugurar uma placa na aldeia Campestre, onde foi assassinado Marçal.


     


    Na segunda-feira, dia 21, representantes Guarani-Kaiowá participarão de audiência da Comissão Externa da Câmara dos Deputados que apura as mortes por desnutrição nos estados do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, que acontecerá das 20 às 22 horas, em Dourados.


     


    Contato:


    Priscila Carvalho – Assessoria de Imprensa do Cimi


    (61) 9979 6912


     

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