• 07/07/2005

    Carta aberta da Comissão Indígena Tupinikim e Guarani

    Aos Exmos. Srs.


     


    – Ministro da Justiça – Márcio Thomaz Bastos


    – Governador do estado do ES – Paulo Hartung


    – Ministério Público Federal (MPF) do ES e 6ª. Câmara do MPF


    – Ouvidoria da República – Dr. Pedro Montenegro


    – Secretário de Segurança Pública do ES – Rodney Miranda


    – Superintendência da Polícia Federal no ES


    – Secretaria Especial de Direitos Humanos – Nilmário Miranda – Brasília


     


    Nós, caciques e lideranças Tupinikim e Guarani do estado do Espírito Santo, vimos denunciar a perseguição das nossas comunidades pela VISEL, empresa de segurança da multinacional Aracruz Celulose. Essa empresa, e também a Polícia Militar têm sido flagradas por nós, nos vigiando e fotografando, e seguindo os nossos deslocamentos dentro e fora de nossas terras.


     


    Como se não bastasse esse desrespeito ao nosso direito de ir e vir, e de viver livremente, no dia 02/07/05, por volta das 23:00h, interceptamos um carro que vinha seguindo até dentro da área indígena o caminhão da Associação Indígena Tupinikim – Guarani. A liderança indígena conseguiu contatar o cacique da aldeia de Caieiras Velhas que junto com mais algumas lideranças pararam o carro. Inicialmente, o motorista afirmava que estava apenas seguindo a liderança indígena porque não conhecia bem a região. Porém, num segundo momento, admitiu que estava cumprindo ordens da empresa VISEL para seguir os indígenas. O carro estava descaracterizado, e o homem sem o uniforme, levava no carro o crachá da empresa, um revolver carregada, e um rádio-comunicador. O funcionário da VISEL foi desarmado e levado por nós para Coqueiral de Aracruz. O carro locado, a arma, o crachá do funcionário, e o rádio foram retidos por nós.


     


    Estamos conscientes que a Aracruz Celulose não se conforma com a autodemarcação de 11.009 hectares de nossa terra, feita por nossas comunidades no mês de maio deste ano. Ela tampouco aceita que já tomamos posse destas terras através da reconstrução da aldeia Olho D’água, inaugurada no último dia 01 de julho, e da reconstrução da aldeia Córrego do Ouro, na terra indígena de Comboios, duas das aldeias destruídas pela Aracruz Celulose. Queremos também recuperar as nossas matas, que são nossas aliadas, nos alimentam e ajudam a sustentar a nossa cultura, e isso é inaceitável para a empresa bilionária, que vive da exploração de eucalipto e da destruição da natureza, sobretudo para a produção de papéis descartáveis. Para Aracruz Celulose, tudo isso é motivo para nos ameaçar e perseguir.


     


    Decidimos não mais tolerar essa prática ilegal que vem se repetindo, e que atenta contra a liberdade e a vida do nosso povo. Por isso resolvemos:


     


    1. Destruir a arma aprendida por nós e entregar diretamente à Polícia Federal, e exigir que os órgãos responsáveis do Estado e a empresa Aracruz Celulose assumam o compromisso de respeitar a integridade física do nosso povo; Solicitamos que o Ministério Público Federal convoque, em caráter de emergência, uma reunião com todos os envolvidos na questão para tratar de garantias da segurança do nosso povo;


    2. O carro será devolvido mediante compromisso de que a Aracruz Celulose e a sua milícia armada, VISEL, não entrarão mais na área indígena e se comprometam a não nos perseguir mais, dentro ou fora do nosso território;


    3. Exigir que o Estado apure as irregularidades denunciadas e garanta o nosso direito a terra e à vida em liberdade;


    4. Qualquer ação contra a vida dos indígenas será de inteira responsabilidade do Estado e da empresa Aracruz Celulose.


     


    Por fim, enfatizamos que estamos fazendo nosso trabalho de forma tranqüila e pacífica. Somos um povo da paz e não da guerra; a repressão e a intimidação têm sido postura da Aracruz Celulose desde o início da invasão do nosso território. Temos certeza de que o único caminho para se estabelecer a paz com justiça é a demarcação e homologação imediata das nossas terras. Por isso, solicitamos mais uma vez ao Exmo. Sr. Ministro da Justiça que edite nova portaria e demarque, o mais breve possível, todas as nossas terras.


     


    Terra é direito dos Povos Indígenas!


     


    Aracruz (ES), 06 de julho de 2005.


     


    Comissão de Caciques e Lideranças Tupinikim e Guarani


     

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  • 06/07/2005

    Petição do Cimi Regional Nordeste ao Ministério Público Estadual

    Recife, 05 de julho de 2005.


     


    Aos Exmos. Srs.


     


    Dr. FRANCISCO SALES


    DD. Procurador Geral de Justiça de Pernambuco


     


    Dr. WESTEI CONDE Y MARTIN JÚNIOR


    DD. Coordenador do Centro de Apoio Operacional às Promotorias (CAOP-PE) do Ministério Público do Estado de Pernambuco


     


    CONSELHO INDIGENISTA MISSIONÁRIO – REGIONAL NORDESTE, associação civil sem fins lucrativos, CGC/MF nº 00.479.105/0007-60, com sede na Rua 13 de Maio, nº 288, Santo Amaro, Recife, no Estado de Pernambuco, VEM, por intermédio de seus Advogados, expor e requerer o que adiante se segue :


     


    01.   Preliminarmente, registra que os graves episódios adiante descritos foram relatados por 07 indígenas em depoimentos tomados por termo e anexos à presente petição (Docs 01 a 07), os quais descrevem com detalhes os fatos criminosos e violentos recentemente ocorridos no Território Indígena Truká, praticados por policiais militares com requintes de desumanidade, crueldade e configurando gravíssimas violações aos direitos humanos e à dignidade da pessoa, inclusive com a execução sumária de um indígena e de seu filho.


     


    02.   Com efeito, no dia 30 de junho de 2005, o Povo Truká recebeu a visita do Ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, juntamente com outras autoridades para a solenidade de assinatura do Convênio firmado para a construção de 140 casas, além do início das obras de asfaltamento da estrada principal e das vicinais que cortam a terra indígena.


     


    03.   Durante todo o dia os indígenas observaram a presença de soldados do exército e policiais militares fardados, além de quatro agentes, à paisana, do serviço de inteligência da polícia militar, dos quais, três foram de logo identificados pelos índios Truká como sendo o Tenente Hans, e os policiais Murilo e Jaelson.


     


    04.   Como esses policiais à paisana sempre cometeram muitos eventos de violência na Comunidade Indígena e na Cidade de Cabrobó, sendo conhecidos pelas ações no grupo de extermínio denominado “Mamãe Cria e Nós Mata”, o Cacique juntamente com outra liderança requereram ao Comandante da Polícia Militar Capitão Flávio Bione que determinasse a saída daqueles homens, o qual lhes garantiu que logo após a chegada do Ministro na Terra Indígena eles se retirariam.  


     


    05.   Depois da solenidade com as autoridades os indígenas deram início ao festejo de comemoração do Convênio. Assim, depois de servido o lanche, três indígenas foram até uma construção próxima para pegar alguns tijolos e improvisar uma churrasqueira. Nesse momento, encontraram os quatro policias ainda à paisana, agachados no muro e portando duas pistolas cada um.


     


    06.   Ao perceberem que foram vistos, os policiais partiram para cima dos três índios, pegando um deles como refém e caminhando em direção à multidão que estava reunida assistindo ao show de uma banda de música. Os policiais dispararam várias vezes contra os índios e para cima, causando um tumulto geral e ferindo algumas pessoas, dentre elas os índios Marcos, no abdômen, e Edimilson Pereira da Silva, atingido de raspão nas costas.


     


    07.   Foi então que o Tenente Hans deparou-se com o Indígena Adenilson dos Santos Barros, conhecido como Dena, entrando em luta corporal com este, que, ao tentar fugir, foi alvejado pelo Tenente com um tiro na perna, pelas costas, e, em seguida, quando estava no chão, recebeu do mesmo policial, mas dois tiros nas costas, com inequívoca intenção de uma covarde execução.


     


    08.   Em seguida, quando o filho da vítima, o adolescente Jorge dos Santos Barros, se aproximou do Tenente e implorou para que este não matasse seu pai, ainda vivo, foi executado pelo policial Jaelson, que lhe deu dois tiros, um que lhe transfixou o tórax e outro nas nádegas.


     


    09.   Mas a barbárie não se encerrou com os assassinatos. Enquanto os indígenas estacionavam um carro próximo para socorrer as vítimas, o Tenente Hans atirou em direção ao veículo, ordenando que o motorista se retirasse do carro e pegando as chaves da ignição e impedindo, juntamente com os outros policiais, de armas apontadas para os índios, que a Comunidade Indígena socorresse as vítimas.


     


    10.   Em torno de 30 minutos depois, conforme os relatos anexos, chegaram três viaturas da Polícia Militar, agora com policiais fardados, os quais socorreram as vítimas e retiraram os executores do local. Evidentemente que não foram presos em flagrante delito, mas apenas retirados do local pelos seus colegas de farda.


     


    11.   Quando os indígenas chegaram no Hospital de Cabrobó com as vítimas, estavam presentes o Chefe de Posto da Funai Marcos Florentino, o Comandante da Polícia Militar Capitão Bione, o Promotor de Justiça Local, Dr. Epaminondas e os Policiais autores dos assassinatos.


     


    12.   Pouco tempo depois, foi anunciado o falecimento dos indígenas Adenilson dos Santos Barros, o “Dena” e de seu filho, Jorge dos Santos Barros de apenas 17 anos. O outro indígena baleado no abdômen, Marcos, foi transferido para o Hospital Dom Maia em Petrolina, onde continua internado.


     


    13.   Esta ação criminosa da Polícia Militar de Pernambuco é mais uma das que se tornaram uma inaceitável e permanente prática no território indígena Truká, sem que haja qualquer respeito ao princípio da legalidade e ao Estado Democrático de Direito e à dignidade do cidadão.


     


    14.   É do conhecimento geral em Pernambuco que, sob o pretexto de uma atuação sigilosa, a Polícia Militar, através da 2ª Companhia, que é seu serviço de inteligência, vêm promovendo uma verdadeira chacina de pessoas humildes, como é o caso desses indígenas.


     


    15.   Com efeito, ante a todo o exposto, o Conselho Indigenista Missionário requer que V.Exas. :


     


    15.1.    Recebam as lideranças Indígenas Truká, para que o Ministério Público conheça mais detalhadamente os fatos e possa apurar, em inquérito específico, as denúncias da ação violenta da Polícia Militar na área indígena, bem como encaminhar medidas processuais e administrativas para punir os criminosos e para fazer respeitar assegurar os direitos constitucionais e legais da comunidade Truká;


     


    15.2.    Promovam articulações urgentes para exigir que as autoridades responsáveis do Governo do Estado tomem urgentes providências, dentre elas (1) promovam a imediata prisão dos criminosos; (2) façam cessar a coação oficial sobre a comunidade Truká; e (3) determinem providências imediatas para garantir a segurança da comunidade e do indígena Marcos, que se encontra convalescendo do tiro recebido.


     


    Nestes Termos,


    Pede deferimento.


    Recife, 05 de julho de 2005.


     


    BRUNO RIBEIRO DE PAIVA


    OAB/PE 178-B


     


    SANDRO HENRIQUE CALHEIROS LÔBO


    OAB/PE 815-B


     


    DANIEL PINHEIRO VIEGAS


    OAB/PE 22.525


     


     

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  • 05/07/2005

    Justiça libera único preso pela morte de cacique Guajajara

     


     


     


    Milton Alves Rocha, acusado de ser o principal responsável pela invasão à aldeia Kamihaw, que resultou no assassinato do cacique no assassinato do cacique, João Araújo Guajajara, de 70 anos, na terra indígena Bacurizinho, município de Grajaú (MA), está em liberdade depois de ter recebido hábeas corpus (nº 14736/2005) concedido na última quinta-feira (dia 30) pela desembargadora maranhense, Maria dos Remédios Buna Costa de Magalhães.


     


    A invasão ocorreu no dia 21 de maio e além do assassinato do cacique uma casa foi incendiada, a jovem Guajajara D. S. foi estuprada e Wilson Araújo Guajajara foi ferido com um tiro na cabeça — ambas as vítimas saõ filhos de Araújo e sofreram a violência ao tentar defender o pai. Uma outra liderança Guajajara recebeu um tiro na perna direita quando tentava fugir dos criminosos.


     


    Três dias antes de morrer, o cacique da aldeia Kamihaw registrou ocorrência na delegacia da Polícia Civil de Grajaú, denunciando uma série de ameaças de morte feitas por Milton Alves.


     


    Sete homens armados participaram da invasão. No entanto, somente dois filhos de Milton Alves, Gilson Silva Rocha e Wilton Rocha,  têm prisão decretada e estão foragidos. Os outros cinco invasores sequer foram identificados pela polícia.


     


    Milton Alves foi preso em flagrante quatro dias depois da invasão. Durante o período de sua prisão, os familiares do cacique Guajajara se refugiaram na beira da estrada, onde foram ameaçados de morte por homens que participaram do crime.


     


    Segundo moradores do município de Grajaú, outras 10 lideranças Guajajara ainda fazem parte de uma lista de jurados de morte pelo mesmo grupo de pistoleiros que assassinou o cacique. Entre as lideranças indígenas que correm maior risco estão: José Arão Marizê Lopes, Maruzan Kamura´y, Alderico Lopes, Judite Marizê Lopes, Wilson Araújo Guajajara e Edimar Mendes Guajajara.


     


    Sob forte clima de medo e tensão, as lideranças Guajajara e o Conselho Indigenista Missionário pedem urgentemente a transferência do caso para a Polícia Federal, a proteção aos familiares da vítima e daqueles correm risco e a agilização na publicação do estudo antropológico por parte da Funai.


     


    Breve histórico da luta por terra do povoa Guajajara do Bacurizinho


     


    Dos 145.000 hectares da terra Bacurizinho, somente 82.432 hectares foram reconhecidos em sua homologação em 1984. Assim, aldeias centenárias localizadas nos 62.568 hectares não reconhecidos pelo Estado ficaram de fora dos limites da terra do povo Guajajara do Bacurizinho.


     


    Desde o início do estudo antropológico da Funai para rever o erro cometido pelo Estado, uma série de ameaças e violências vêm ocorrendo , contra as lideranças Guajajara. Até mesmo a antropóloga responsável pelo estudo foi obrigada a pedir proteção policial para poder concluir seu trabalho.


     



     


     

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  • 05/07/2005

    E a Terra florescerá

     


    O sangue Guarani de Dorival se espalhou pela terra Guarani de Sombrerito naquela madrugada de domingo dia 26. A dor e o choro ecoaram forte, pela morte , pelos feridos e espancados. Mais uma cena de brutalidade contra o milenar povo desta terra. Para quem resistiu há séculos, essa é apenas mais uma  demonstração de desumanidade dos invasores. Mas todo sangue derramado fará da terra brotar vida e esperança. Eis que está plantado mais um dos mártires da terra, herói da resistência secular, arauto de um novo mundo, Brasil e Mato Grosso do Sul, possíveis, necessários que estão começando a ser construídos com sangue, sacrifício e dor. Vencerá o amor, não prevalecerá o mais forte. A terra será dos que a amam e dela sempre cuidaram, com  o mesmo carinho e gratidão que se tem pela mãe. A terra não mais será de forasteiros, de pistoleiros, de fazendeiros…A terra Guarani, voltará a ser de seu povo. E a terra florescerá…


     


    Neste mesma semana, as  lágrimas não foram em vão. A pressão do mundo inteiro fez com que não apenas se instaurasse logo o inquérito para identificar e punir os assassinos, mas animou os índios a permanecer em sua terra reconquistada. Além disso, saiu a portaria declaratória para demarcação dos 9.400 hectares  da Terra Indígena  Ivy Katu  nesta mesma região da fronteira com o Paraguai, no município de Japorã. E a esperança Guarani volta a florescer!


     


    Ao mesmo tempo, a Comissão de Direitos Kaiowá Guarani ultima os preparativos para mais um Grande Encontro, a Aty Guasu na aldeia de Teyi’Kue, na região de Caarapó. Apesar das greves e do mar de lama em que se agita o país, mais de 500 Guarani estarão celebrando a memória dos que tombaram, invocando Tupã e os espíritos guerreiros, a sabedoria dos anciões, com a paciência histórica transformada em flecha do futuro. Será mais um grande momento político e religioso, onde os Guarani Kaiowá estarão  analisando suas lutas e traçando suas estratégias, contando com o apoio de seus aliados, dentre os quais o Cimi, que sempre se fez presente.


     


    Em Dourados, uma centena de seguranças particulares foram contratados por fazendeiros para  evitar que os Guarani Kaiowá, confinados e submetidos à fome, desnutrição e violência, reocupassem uma pequena parte de sua terra, para oxigenar um pouco suas vidas sofridas e sem horizonte.


     


    Justa alegria da terra que voltará a ser honrada, não com “gado de elite”, colonião, braquiara ou outras pragas, mas com  diversidade de vida e gente que sabe respeita-la.


     


    Egon Heck


     


     

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  • 04/07/2005

    Newsletter No. 670

    Newsletter No. 670


     


    Guarani REPOSSES THEIR LAND In THE STATE OF Mato Grosso do Sul. RANCHERS’ REACTION CAUSES THE DEATH OF ONE Guarani


    One indigenous person was killed and a further five were injured after ranchers reacted to the reoccupation of their lands by indigenous Guarani people. This reoccupation took place in the Sombrerito tekoha (traditional Guarani land), located in the municipality of Sete Quedas, around 470 km from Campo Grande, state of Mato Grosso do Sul, in the early hours of Sunday, June 26. The Federal Police was at the repossessed ranch and, after hearing a sergeant from the Military Police and three indigenous people, an investigation has been set up.


     


    The indigenous people have remained in the area and have asked Funai to publish the report identifying the land, thus finalizing the first administrative step towards demarcation of Sombrerito. “We have shed our blood for the land of all our Guarani brothers. We need Funai to remove the invaders from our lands”, said Rosalino, the chief of the settlement nearest to the repossessed land, on Sunday. Funai has proposed to mediate a dialog between the indigenous people and the ranchers so that the Guarani people can continue on their lands.


     


    The substitute governor of Mato Grosso do Sul, Egon Krakhecke, spoke to Márcio Thomaz Bastos, the Minister of Justice, over the telephone and asked for the land rights study to be concluded quickly – this is the step that is missing for the report identifying the land to be finalized. He also asked for the police presence to be reinforced in the conflict zone to aid the disarming process.


     


    “We want the federal police to take the arms away from the hired troublemakers, gunmen and ranchers in the region who continue to threaten and commit crimes against our people,” the Kaiowá Guarani Indigenous People’s Rights Committee and State Committee for Indigenous People’s Rights, which are made up of leaders from all over Mato Grosso do Sul, wrote. According to information from indigenous people involved in the reoccupation action, 30 gunmen arrived in two pick-ups on Sunday morning and started shooting. One shot hit the Dorival Benitez, an indigenous person, in the thorax, killing him. Ari Benitez, Dorival’s brother, has been injured in the arm. Another indigenous person was injured in the eye, a young man aged 19 was slightly injured and a pregnant woman was beaten up. 


     


    “Especially after the announcement of children dying of malnutrition, public institutions such as Funai have said that the recognition of lands in Mato Grosso do Sul is on their list of priorities. In practice, no real effort has been made to move forward with the indigenous land processes. This incites conflict and causes the indigenous people to react when they see their lands being exploited more and more,” said Egon Heck, of the Indianist Missionary Council.


     


    Reoccupation actions


    Land reoccupation is the way that the indigenous people have found to return to living on their traditional lands, which have been invaded by ranchers. It is not, therefore, the indigenous people who “invade” the areas, as the press states when it reports these incidents, but the non-indigenous occupants who have invaded and taken them over. As the Brazilian state, which is responsible for demarcating the indigenous lands, does not carry out this demarcation process, the indigenous people are obliged to reoccupy the lands.


     


    In some cases, the ranchers have moved into the indigenous lands on their own initiative; in others, the indigenous lands were shared out by the State. In the region that is now known as Mato Grosso do Sul, it was the authorities that stimulated occupation of the indigenous lands through its colonization policy.  


     


    Indigenous people were expelled in the 1970s


    The region where the Sombrerito land is located was, from the start of the 20th century, used for producing maté, which was the main commercial product from the region for decades. Indigenous people were employed by the Matte Larangeiras Company and continued to live in their lands. As production declined, during the 1970s, cattle ranching grew in the region. For this new business to expand, it was necessary to expel the indigenous population.


     


    The indigenous people who used to live in Sombrerito were expelled in 1975, by a rancher. They repossessed part of their land in September 1999. Under pressure, part of the group left the territory in December of the same year. The families that remained behind were expelled by gunmen in 2000 and took refuge in the Porto Lindo, Sete Cerros, Amambaí, Jaguapiré and Aldeia Limão Verde lands.


     


    During the 1970s, Incra also settled little more than ten families in the region. But only 8 ranchers are owners of 90% of the lands identified as indigenous lands, which cover around 13,000 hectares. The work group charged with identifying the area was set up by Funai in 2003.


     


     


    FOUR INDIGENOUS BRAZILIAN WOMEN NOMINATED AS PART OF THE PROJECT 1000 WOMEN FOR THE NOBEL PEACE PRIZE 2005


     


    Amongst the 52 Brazilian women nominated for the “1000 Women For the Nobel Peace Prize 2005” Project, four indigenous women were included: Maninha Xukuru-Kariri, Joênia Batista de Carvalho, Zenilda Xukuru and Eliane Potiguara.


     


    Ever since the Nobel Peace Prize was created, in 1901, only 12 women have received the award. The project aims to get recognition for women who have, in various fields, fought for peace. In Brazil, the Program Committee received 262 suggestions. Based on the history, the vision, the working method and the strategies reported by each of the 1000 women who have been selected from 150 countries, a book will be published.


     


    Nominees include Joênia Batista de Carvalho of the Wapichana people. She lives in Roraima, and is a lawyer working with the Indigenous Council of Roraima (CIR) and Maninha Xukuru-Kariri, who has been part of the Association of Indigenous Peoples of the Northeast, Minas Gerais and Espírito Santo (Apoinme) since it was set up 15 years ago. She was the first woman to be part of the institution’s coordinating body. “Society tries to deny its indigenous origins. They have taken our lands, our languages and our beliefs. Today, we know who we are, what our rights are and our position in history,” she says.


     


    Zenilda Maria de Araújo, of the Xukuru people, who lives in Pernambuco, has, for two decades, participated in her people’s fight for land. Nowadays, the Xukuru possess more than 70% of their territory, but still live under constant threat from the ranchers in the region. “Women have participated in all aspects of community life: in the fields, at home, in education, in health, in the struggles. We are on the front line in the struggles, together with the men. When we start to reflect on our struggles, we find more courage to continue the fight,” she says.


     


    Eliane Potiguara was born in 1950 and, according to the information supplied by the 1000 Women Project, she is a writer and was founder of the Indigenous Education Women’s Group, which today is called the Indigenous Communications Network.


     


    Brasília, 30 June 2005


     


     


     

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  • 01/07/2005

    Cimi exige punição aos assassinos de indígenas Truká

    Em relação ao assassinato dos indígenas Adenilson dos Santos, 38 anos e seu filho Jorge dos Santos, de 17 anos, que foram mortos a tiros na noite de ontem (30 de junho), dentro da terra indígena Truká, na Ilha de Assunção, localizada no município de Cabrobó, Pernambuco, o Conselho Indigenista Missionário vem a público externar sua preocupação em relação à ação da Polícia Militar e em relação ao fato de não ter sido feito nenhum exame pericial nos corpos dos indígenas mortos, apesar de eles terem sido levados a um hospital em Petrolina.


     


    Os corpos de Adenilson e Jorge dos Santos foram retirados pela Polícia Militar da terra indígena, passaram pelo hospital da cidade de Petrolina e voltaram à terra indígena sem que fosse realizada nenhuma perícia. É uma situação prática irregular, que pode comprometer o esclarecimento dos fatos.


     


    O Cimi questiona também a versão da Polícia Militar de Cabrobó sobre a morte dos dois indígenas. Segundo informações próprias da PM, seus agentes teriam entrado na terra Truká para cumprir um mandado de prisão e, tendo sido recebida com tiros, reagiu.


     


    A versão da polícia é contestada por vários indígenas que estavam reunidos na hora do assassinato. Os que presenciaram as mortes afirmam que a polícia não apresentou nenhum mandado de prisão e que não foi recebida a tiros. Pelo contrário, os policiais estavam à paisana e só se identificaram após terem atirado.  Os indígenas estavam em uma festa que reunia homens, mulheres e crianças, dentro de um galpão.


     


    Ainda segundo a PM, o tenente conhecido como Hans teria sido ferido à bala. Os indígenas reafirmam que não estavam armados.


     


    O assassinato dos indígenas precisa ser apurado e seus autores responsabilizados criminalmente.


     


    Mas este fato precisa ser contextualizado, tendo presente o histórico da relação entre a PM local e os Truká, que desde a década de 1990 retomou a posse permanente e o usufruto exclusivo das riquezas existentes nas terras que tradicionalmente ocupam, nas quais hoje vivem e produzem. As lideranças das retomadas foram diversas vezes criminalizadas e acusadas de crimes como os de formação de quadrilha ou de esbulho possessório.


     


    A relação com a Polícia Militar, no entanto, vinha melhorando, a ponto de os Truká haverem solicitado a presença de um posto da polícia na entrada da Ilha de Assunção. O posto existe e está em funcionamento. Desta forma, não havia motivo para a ação da Polícia Militar dentro da terra indígena ser executada como ocorreu na noite de ontem.


     


    A gravidade de mais estes fatos exige a imediata instauração de Inquérito Policial pela Polícia Federal, sem prejuízo de outras responsabilidades civis e administrativas e disciplinares, de forma que os autores desses crimes sejam penalmente responsabilizados.


     


    Veja aqui o histórico das retomadas Truká


     


    A terra onde hoje os Truká vivem e plantam voltou a ser sua através de um longo processo de retomadas que começou em 1994. Outras duas grandes retomadas foram feitas em 1995 e 1999, e só assim este povo conseguiu o reconhecimento de seu território, de 5769 hectares, que ainda precisa ser homologado pelo Presidente da República para ter seu processo de reconhecimento concluído.


     


    Na luta pela terra, os Truká enfrentaram o poder econômico, já que retiraram os 63 fazendeiros que invadiram sua terra tradicional. Entre os fazendeiros, havia desde pequenos posseiros até grandes proprietários.


     


    Assim, como conseqüência de sua luta pela terra, os Truká convivem com um processo de criminalização de suas lideranças. “A gente era pobre, vivia na periferia de Cabrobó. Os fazendeiros não se conformam com o fato de nós sermos os donos das terras e de hoje estarmos dentro da Ilha. Tem vários fazendeiros na Justiça contra isso. E eles têm influência dentro da política, da Justiça, da polícia e até em Recife”, conta uma das lideranças do povo.


     


    Nestes processos, os indígenas são indiciados por furtos e por formação de quadrilha. Segundo os Truká, não apenas as lideranças políticas, mas até os líderes religiosos do povo respondem a processos.


     


    Uma das lideranças conta que responde a 9 processos e que já teve quatro prisões preventivas decretadas. “Os processos vêm da época das retomadas das terras, de tirar gado das fazendas. Eles alegam que a gente roubou gado, que o gado deles não saiu completo. Isso não existiu, eles levaram tudo o que eles tinham. Na verdade, todas essas acusações são mesmo para impedir a atuação externa de muitas lideranças”, afirma. Os processos dos Truká estão sendo tratados pela Justiça estadual, e não pela Justiça Federal, apesar de serem motivados por disputas de terras e pela Constituição Federal, as disputas sobre direitos indígenas são da competência da Justiça Federal.


     


    Outra ponta deste processo de criminalização está na relação que a polícia, em especial a Polícia Militar, mantém com os indígenas. “Os jovens dependem de ir à cidade não só pra estudar, mas também pra se divertir, ir para uma festa ou algo assim. Quando a polícia aborda os jovens indígenas, eles são marginalizados, são tratados sempre como bandidos, assaltantes. A realidade é que você não pode se identificar como índio na cidade”, exemplifica outra liderança.


     


    Brasília, 1º de julho de 2005.


     


    Conselho Indigenista Missionário – Cimi


     


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    (81) 8814 4498


     


    Liderança Truká


    Mozeni


    (87) 9117 5725


     

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  • 01/07/2005

    Newsletter nº 669

    INDIGENOUS PEOPLES REACT AGAINST THE PARALYSIS OF PUBLIC POLICIES OCCUPYING BUILDING AND MOBILIZING THEMSELVES THROUGHOUT THE COUNTRY. FUNAI INSISTS THAT THE LAND ISSUE IN BRAZIL IS ALMOST SETTLED


     


    In the state of Pará, members of the Tembé Tenetehara indigenous people occupied the building of the National Foundation for Indigenous People (Funai) in Belém. They want to be provided with the necessary framework and resources to stop the illegal cutting of timber by woodcutters who rely on the connivance of local politicians. They have been occupying the building since June 14, and despite the meetings they held with authorities, they still have no assurance that their claims for a better environmental inspection will be satisfied.


     


    In the state of Bahia, after an employee of the National Health Foundation (Funasa) refused to treat an indigenous person from the Atikum people, a group of them occupied the building where the man office of the agency is located in the city of Juazeiro. A group of Truká and Tumbalalá joined them in this occupation action. They want to have a decent treatment, medical teams available, health care agents to be hired, basic sanitation facilities, and an appropriate health care infrastructure set up in Juazeiro.  Funasa says it intends to give priority to the region, but so far it has taken no measures in relation to these claims based on the argument that its staff is on strike.


     


    In the state of Amazonas, the Federation of Indigenous Organizations of the Negro River Region (Foirn), which is responsible for providing health care to indigenous people under an agreement with Funasa, says that all health care actions have been seriously affected by a delay in the transfer of funds for this purpose.


     


    Also in the state of Amazonas, the Federal Prosecutor’s Office set a deadline of 30 days for the state, the Federal Administration and Funai to submit a diagnosis of the indigenous education situation or else they will have to pay a penalty of R$ 5,000 a day after the deadline expires. This sanction will be applied because of their failure to comply with an agreement signed in March 2003, under which they took on the commitment to create and straighten out the legal situation of indigenous schools and train their respective teachers. Adding to this situation, according to information provided by the Brasil news agency, the Federal Prosecutor’s Office accused the Attorney General’s Office in the State of having shown “ethnic prejudice,” since it challenged the decision of the Federal Prosecutor’s Office and questioned whether individuals “perfectly inserted in the political-social context of the ‘civilized’ community” would have the right to a differentiated education.


     


    In the state of Rondônia, Cimi reports that isolated peoples are having their right to survival denied by Funai, which does not recognize their existence and, as a result, has not been taking any measures to legally protect their lands or to launch their demarcation processes. “Ensuring land for uncontacted indigenous people to live in is the only means to guarantee their survival,” says Friar Volmir Bavaresco, a Cimi missionary.


     


    Amongst demonstrations and denunciations throughout Brazil, government representatives who attended a public hearing held at the House of Representatives mention, among others topics, the existence of a fair amount of budget resources earmarked for indigenous people. The audience was held yesterday (the 22nd) in Brasília. 


     


    The representative of the Ministry of Education, Ricardo Henrique, stressed that these resources increased from R$ 1.2 million in 2002 to R$ 10.7 million in 2005. The budget for health care in 2004 was R$ 186.5 million and it increased to R$ 200 million in 2005.


     


    However, the resources allocated to straighten out the legal situation of indigenous land areas actually decreased: R$ 43 million in 2004 against 36.73 million in 2005, according to a survey carried out by Inesc, the Institute for Socio-economic Studies.



     


    Despite the availability of these funds, the activities carried out by the State have not improved the daily reality of indigenous peoples in Brazil in practice. In Cimi’s opinion, this situation is caused by the lack of a coordinated indigenous policy which is consistent with the needs of indigenous peoples and is defined with their participation.


     


    Funai has been saying that the National Conference of Indigenous Peoples, scheduled to be held in 2006, will be an appropriate forum for debating this policy and defining a new version of the Statute of Indigenous Peoples. During the audience held at the House of Representatives, the president of the agency in charge of indigenous people, Mércio Pereira Gomes, mentioned the Conference once again. However, the process of building the meeting has been challenged by the indigenous movement, particularly because of its agenda, which is based on topics proposed by the government without consulting the movement and does not emphasize the indigenous policy as a whole.


     


    No advances in the demarcation of indigenous lands


     


    No progress has been observed in administrative procedures for officially recognizing indigenous lands throughout the country. In 2005, not a single working group was set up to carry out the necessary anthropological and land studies which are required for that purpose. Funai has been declaring for everybody to hear that actions to review the bounds of indigenous lands will not be carried out because they are not included in the agency’s list of priorities. The only administrative ruling declaring the bounds of an indigenous land issued by the ministry of Justice this year was the one related to the Raposa/Serra do Sol area. No other indigenous land had its bounds officially confirmed in the first six months of 2005.


     


    Consistently with these attitudes, Mércio Pereira Gomes said at the House of Representatives that the demarcation of indigenous lands has been practically completed. According to him, the government is about to achieve the goal of setting apart 12.5% of the national territory for indigenous reservations. He said that all lands located in the states of Acre, Rondônia, Maranhão and Tocantins have been demarcated already.


     


    The “goal” set by the president is highly questionable. As to the states in which all lands have been demarcated according to Mércio Pereira Gomes, there are least eight uncontacted indigenous peoples in the state of Rondônia whose lands have not been demarcated and in relation to whom Funai has not taken any concrete measures.


     


    In the state of Maranhão, the fact that Funai has interrupted a procedure to review the bounds of indigenous lands paved the way for the violence which the Guajajara have been experiencing there on a daily basis. Over the past few weeks, the Guajajara have been attacked by local farmers, who killed a member of their community and raped a 16-year-old girl.


     


    In the state of Tocantins, the Krahô-Kanela were brutally expelled from their lands and forced to live in Incra settlements for decades. They have been forced to live within the limits of the House of Indigenous People in Gurupi for Funai to continue with the process of recognizing their lands. The anthropological study was concluded, but it was not published by Funai. The land of the Apinajé people in Tocantinópolis was demarcated, but the most productive areas of the land were not kept within its bunds and are still being claimed by the indigenous people. The state is also marked by the intense presence of large projects in lands which have been demarcated already. In the state of Acre, contradicting what Gomes says, seven lands are still in the process of being demarcated.


     


    The attitude of the official indigenous agency in relation to the rights of indigenous peoples reinforces the importance of creating the National Indigenous Policy Council for coordinating and supervising, inside the federal government, the definition and implementation of specific and differentiated public policies. The Council was the main claim made by the National Free Land Indigenous Movement in its camp in April 2005. On that occasion, Mércio Pereira Gomes and the minister of Justice, Márcio Thomaz Bastos, pledged to submit the proposal to president Lula in May 2005. So far, no measures have been taken in that regard.


     


    Brasília, 23 June 2005.


     


    Cimi – Indianist Missionary Council


     

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  • 01/07/2005

    Documento da XX Assembléia do Cimi Regional Rondônia

    Nós, missionários e missionárias do Conselho Indigenista Missionário – regional Rondônia, reunidos em nossa XX Assembléia Regional, no CAP (Centro Arquidiocesano de Pastoral) da Arquidiocese de Porto Velho, nos dias 27 a 29 de junho de 2005, juntamente com os representantes dos povos indígenas Canoé e Oro Mon, das Pastorais Sociais da CNBB Noroeste, do Conselho Arquidiocesano de Pastoral, da Comissão Pastoral da Terra – CPT, do Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB, representantes do vice-provincial dos Freis Capuchinhos MT/RO e da provincial das Irmãs Catequistas Franciscanas, professora Marilza da Unir, do deputado federal Eduardo Valverde, coordenador da Frente Parlamentar de Apoio aos Povos Indígenas da Câmara Federal e de sua assessora parlamentar; após a avaliação das atividades desenvolvidas pelas equipes de área, bem como uma análise da conjuntura nacional e regional; das políticas públicas, especialmente da política indigenista; das constantes violências contra os povos indígenas, inclusive com mortes, manifestamos nossa indignação diante do descaso e omissão dos órgãos públicos oficiais no que tange as populações indígenas em nosso estado:


     


    1. Terra


     


    Apresentamos os povos indígenas Purubora, Wayuru, Miqueleno, Cujubim, Karitiana, Pangyjej, Gavião, Oro Eo, Oro Waram, Jabuti, Arikapu, Salamãi e Cassupá, expulsos de seus territórios tradicionais pelo próprio Estado brasileiro, representado por seus órgãos públicos, principalmente pela omissão do órgão indigenista oficial, pela grilagem das terras públicas e pelo latifúndio. É importante destacar a existência de inúmeros documentos destes povos, solicitando a devolução de suas terras tradicionais com a devida inclusão dos lugares sagrados.


     


    2. Revisão de limites


     


    Há também os povos Sabanê, Canoé, Kaxarari, Aikanã, Kwazá, Mamaindê, Oro At, Oro Mon, Oro Nao´ (do Rio Novo) e Oro Nao´ (do Rio Ouro Preto), que perderam quase todos os seus lugares sagrados de seus territórios tradicionais. Existem no Ministério Público Federal de Rondônia, inúmeros documentos destes povos, solicitando a devolução das terras tradicionais, com a devida inclusão de seus lugares sagrados.


     


    3. Povos Indígenas Isolados


     


    É dramática a realidade em que se encontram os povos indígenas isolados da Amazônica legal, especialmente em Rondônia, onde o risco de extermínio de culturas milenares, em pleno século XXI, é evidente pela complexidade da política fundiária em que os interesses de grupos políticos e econômicos se fundem, dando margem para que latifundiários, madeireiros, garimpeiros imperem e dessa forma invadam seus territórios, destruindo seus recursos naturais, ameaçando sua integridade física e cultural, sem que os órgãos oficiais competentes tomem as devidas providências, no sentido de regularizar e proteger suas terras. São eles: Povo Isolado da cabeceira dos rios Formoso; Povo Isolado do Rio Candeias; Povo Isolado do rio Karipuninha; Povo Isolado do rio Jaci Paraná; Povo Isolado do rio Jacundá; Povo Isolado da cabeceira do rio Marmelo e Maicizinho; Povo Isolado do rio Novo e Cachoeira rio Pacaas Novas; Povo Isolado da Rebio Jaru; Povo Isolado da Serra da Cutia; Povo Isolado chamado de “Índio do Buraco” quase extinto na fazenda Modelo; Povo Isolado do Parque Estadual de Corumbiara.


     


    – Protestamos contra a desinterdição da Terra Indígena Muqui (Povo Isolado Jururei) pela Funai, no final de 2004.


     


    4. Redução da terra


     


    – A Terra Indígena Karipuna foi reduzida de 195.000ha para 152.929 ha, ou seja, perda de 42.071 ha (para atender interesses de políticos e latifundiários do estado para dar continuidade a BR 421). Entretanto, essa terra é parte do território tradicional do Povo Oro Mon;


    – A Terra Indígena Omerê foi reduzida de 51.000 ha para 26.000 ha, seja uma redução de 25.000 ha (para atender interesses dos latifundiários).


     


    Diante da atual situação, é irresponsável a afirmação do presidente da Funai, Mércio Pereira Gomes, pronunciada na Câmara Federal recentemente: “a demarcação das Terras Indígenas já se encontra concluída no estado de Rondônia”.


     


    Torna-se urgente a definição de uma Política Indigenista, que venha solucionar os casos de invasão de não-índios em terras indígenas, retirando os invasores e reassentando os de boa-fé.


     


    Denunciamos:


     


    – a conivência de funcionários da Funai com a retirada ilegal de recursos naturais como madeira, minérios, peixe e a falta de providências tomadas quando os povos indígenas encaminham as denúncias;


    – as situações de descaso quanto ao atendimento à saúde indígena vem se agravando a cada ano. A partir de abril 2004, quando a Funasa assumiu a execução das ações de saúde, a esperança de um atendimento melhor não aconteceu, pelo contrário, e os profissionais estão há um ano sem contrato. Nas reuniões de conselhos, a Funasa pressiona os conselheiros para aprovarem o Plano Distrital e a entidade a ser conveniada, sem transparência. Os recursos, já insuficientes, estão chegando cada vez menos nas comunidades indígenas devido à burocracia do órgão. A contratação de inúmeras empresas pela Funasa, para a realização dos serviços, encarece os custos.


    – o não cumprimento das políticas públicas referentes a uma educação específica e diferenciada e desinteresse quanto à implantação do ensino nos diferentes níveis. Entendemos que os direitos indígenas não devem ser tratados isoladamente, mas de forma articulada, no conjunto do debate acerca do Estatuto dos Povos Indígenas;


    – somos solidários aos povos indígenas de Guajará-Mirim, que ocuparam a sede da Funai, exigindo a exoneração do funcionário responsável pela fiscalização. Nestes últimos anos, tal funcionário foi denunciado várias vezes por corrupção no MPF, pelas comunidades indígenas, sem que providências tenham sido tomadas. No início do mês de junho último, esse mesmo funcionário coordenou uma operação de fiscalização que envolveu indígenas e um deles chegou a falecer depois de ter sofrido uma picada de cobra.


     


    A crise atual, resultado de inúmeras denúncias de corrupção envolvendo o Legislativo e o Executivo do estado de Rondônia, revela a irresponsabilidade dos políticos no uso do dinheiro e dos bens públicos; fatos estes que já vinham sendo denunciados por setores organizados da sociedade e que foram se agravando devido a paralisia da Justiça.


     


    O Estado brasileiro continua sendo utilizado como instrumento das forças econômicas anti-indígenas que, sedentas do lucro fácil, dão continuidade aos grandes projetos, como a construção de hidrelétricas, ao agronegócio, à monocultura da soja, ao gasoduto e outros, que afetam drasticamente a vida dos povos indígenas.


     


    Tendo por base o compromisso assumido pelo governo federal diante das reivindicações das lideranças indígenas, por ocasião do “Acampamento Terra Livre”, em Brasília, exigimos a criação do Conselho Nacional de Política Indigenista e o respeito aos direitos constitucionais dos povos indígenas.


     


    Conclamamos todo o povo brasileiro para a luta por uma sociedade realmente democrática, onde os povos indígenas possam viver e construir seu futuro em liberdade.


     


    Porto Velho, 28 de junho de 2005.


     

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  • 01/07/2005

    Dois indígenas assassinados em Pernambuco

    Os indígenas do povo Truká Adenilson dos Santos, 38 anos e seu filho Jorge dos Santos, de 17 anos, foram mortos a tiros na noite de ontem (30 de julho), dentro da terra indígena Truká, na Ilha de Assunção, localizada no município de Cabrobó, Pernambuco. De acordo com os Truká, os tiros foram disparados por Policiais Militares à paisana.


     


    Ainda segundo os indígenas, Marcos José dos Santos, de 26 anos, está ferido em estado grave no hospital de Petrolina.


     


    Desde a madrugada, a polícia está na cabeceira da ponte que separa a terra indígena e a cidade de Cabrobó, divididas pelo Rio São Francisco. A Polícia Militar estaria intimidando a saída dos índios.


     


    O enterro de Adenilson e Jorge dos Santos será realizado na terra Truká. De acordo com Neguinho Truká, um dos caciques dos povos e irmão de Adenilson, não foi realizada nenhuma perícia no corpo antes que estes voltassem para a aldeia.


     


    A Polícia Federal foi acionada. Até o início da manhã de hoje (dia 1º) não havia chegado na região.


     


    As vítimas estavam em uma festa perto da entrada da terra indígena, que recebeu ontem visita do Ministro Ciro Gomes.


     


    Este foi o terceiro assassinato de indígenas ocorrido entre final e maio e o mês de julho. Os casos anteriores foram no Maranhão, na terra dos Guajajara e no Mato Grosso do Sul, durante uma retomada de terras dos Guarani no município de Sete Quedas.


     


    Brasília, 1º de julho de 2005.


     


    Cimi – Conselho Indigenista Missionário


     

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  • 01/07/2005

    Informe nº 670

    GUARANI RETOMAM SUA TERRA NO MATO GROSSO DO SUL. REAÇÃO DOS FAZENDEIROS CAUSOU A MORTE DE UM GUARANI


     


    Um indígena foi morto e outros cinco estão feridos após reação de fazendeiros a uma retomada de terras realizada por indígenas Guarani. A retomada aconteceu no tekoha (terra tradicional Guarani) Sombrerito, no município de Sete Quedas, a cerca de 470 km de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, na madrugada de domingo, dia 26. A Polícia Federal esteve na fazenda retomada e, após ouvir um sargento da Polícia Militar e três indígenas, um inquérito foi instaurado.


     


    Os indígenas mantêm-se na área e solicitam que a Funai publique o relatório de identificação da terra, finalizando assim o primeiro passo administrativo para a demarcação da Sombrerito. “Derramamos nosso sangue pela terra de todos os nossos irmãos Guarani. Precisamos que a Funai tire todos os invasores de nossas terras”, afirmou o cacique da aldeia mais próxima da retomada, Rosalino, no domingo. A Funai propô-se a intermediar um diálogo entre indígenas e fazendeiros para que os Guarani possam continuar nas terras.


     


    O governador em exercício do Mato Grosso do Sul, Egon Krakhecke, conversou por telefone com Márcio Thomaz Bastos, ministro da Justiça, e cobrou agilidade na conclusão do estudo fundiário – passo que falta para a finalização do relatório de identificação da terra. Solicitou também o reforço da presença policial na área de conflito para o desarmamento.


     


    “Queremos que a polícia federal tire as armas dos jagunços, pistoleiros e fazendeiros da região que continuam ameaçando e cometendo esses crimes contra nosso povo”, escreveram a Comissão de Direitos Indígenas Kaiowá Guarani e Comissão Estadual de Direitos Indígenas, formadas por lideranças de todo o Mato Grosso do Sul. De acordo com informações de indígenas que estiveram na retomada, 30 pistoleiros chegaram em duas pick-ups na manhã de domingo e desceram delas atirando. Um tiro atingiu o tórax do indígena Dorival Benitez, matando-o. Ari Benitez, irmão de Dorival, está ferido no braço. Outro indígena teve o olho ferido, um jovem de 19 anos sofreu ferimentos leves e uma mulher grávida foi machucada com pancadas.


     


    “Especialmente depois da divulgação das mortes das crianças por desnutrição, órgãos públicos como a Funai afirmam que o reconhecimento de terras no Mato Grosso do Sul faz parte de suas prioridades. Na prática, não houve empenho efetivo para avanços nos processos de terras indígenas. Isso leva ao acirramento dos conflitos e a reações dos índios ao verem suas terras cada vez mais exploradas”, afirma Egon Heck, do Conselho Indigenista Missionário.


     


    Retomadas


     


    As retomadas de terras são a forma encontrada pelos indígenas para poder voltar a viver em seus territórios tradicionais que estão invadidos por fazendeiros. Não são, portanto, os indígenas que “invadem” a área, como afirma a imprensa quando noticia o caso, mas os ocupantes não-índios que as invadiram e tomaram. Como o Estado brasileiro, responsável pela demarcação das terras indígenas, não realiza as demarcações, os indígenas são obrigados a retomar as terras.


     


    Em alguns casos, os fazendeiros entram nas terras indígenas por iniciativa própria; em outros, as terras indígenas foram distribuídas pelo Estado. Na região do que hoje chamamos Mato Grosso do Sul, o poder público foi grande incentivador da ocupação das terras indígenas através de sua política de colonização.


     


    Indígenas foram expulsos nos anos 70A região onde está situada a terra Sombrerito foi, desde o início do século XX, produtora de erva mate, maior produto comercial da região por décadas. Indígenas eram empregados pela Companhia Matte Larangeiras e continuaram vivendo em seus territórios. Com a decadência do produto, a pecuária cresceu na região, já nos anos 1970. E a expansão do novo negócio dependia da expulsão da população indígena.


     


    Os indígenas que viviam em Sombrerito foram expulsos dali em 1975, por um fazendeiro. Eles retomaram parte de suas terras em setembro de 1999. Pressionados, em dezembro do mesmo ano, parte do grupo deixou o território. As famílias que ali se mantiveram foram expulsas por jagunços em 2000, e refugiaram-se nas terras de Porto Lindo, Sete Cerros, Amambaí, Jaguapiré e Aldeia Limão Verde.


     


    Também na década de 70, o Incra fixou pouco mais de uma dezena de famílias na região. Mas apenas 8 fazendeiros são donos de 90% da terra identificada como indígena, que tem cerca de 13.000 hectares. O GT de identificação da área foi instituído pela Funai em 2003.


     


    QUATRO INDÍGENAS BRASILEIRAS INDICADAS NO PROJETO 1000 MULHERES PARA O PRÊMIO NOBEL DA PAZ DE 2005



     


    Entre as 52 brasileiras indicadas pelo Projeto “1000 Mulheres Para o Prêmio Nobel da Paz de 2005”, estão quatro mulheres indígenas: Maninha Xukuru-Kariri, Joênia Batista de Carvalho, Zenilda Xukuru e Eliane Potiguara.


     


    Desde que o Prêmio Nobel da Paz foi criado, em 1901, apenas 12 mulheres receberam o título. O projeto busca reconhecer o trabalho de mulheres que, em diversos espaços, lutam pela paz. No Brasil, o Comitê do programa recebeu 262 sugestões. A partir das histórias, da visão, do método de trabalho e das estratégias contadas por cada uma das 1000 mulheres de 150 países que foram selecionadas, um livro será publicado.


     


    Entre as indicadas, estão Joênia Batista de Carvalho do povo Wapichana, que vive em Roraima,é advogada e atua no Conselho Indígena de Roraima, o CIR, e Maninha Xukuru-Kariri, que participa da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme) desde a sua criação, há 15 anos. Foi a primeira mulher a fazer parte da coordenação da entidade. “A sociedade tenta negar suas origens indígenas. Eles tomaram nossas terras, nossas línguas e nossas crenças. Hoje, nós sabemos quem nós somos, quais são os nossos direitos e a posição que queremos ocupar na história”, diz.


     


    Zenilda Maria de Araújo, do povo Xukuru, que vive em Pernambuco, participa há duas décadas da luta de seu povo pela terra. Hoje, os Xukuru têm posse de mais de 70% de seu território, mas ainda vivem sob ameaças constantes dos fazendeiros da região. “As mulheres têm participação em tudo na vida da comunidade: na roça, em casa, na educação, na saúde, na luta. Estamos na frente das lutas, junto com os homens. Quando a gente começa a refletir sobre as lutas, a gente ganha mais coragem para continuar lutando”, conta.


     


    Eliane Potiguara nasceu em 1950 e, de acordo com as informações do projeto 1000 mulheres, é escritora e foi fundadora do Grupo Mulher-Educação Indígena (GRUMIN), hoje chamado Rede de Comunicação Indígena.


     


    Brasília, 30 de junho de 2005.


     


    Cimi – Conselho Indigenista Missionário


     

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