• 28/04/2006

    Lideranças Pataxó Hã-Hã-Hãe são absolvidas em júri popular

    Aconteceu hoje, 26, o júri popular, que julgou a liderança Pataxó Hã-Hã-Hãe Gerson Souza Melo e Agnaldo Trajano, acusados de tentativa de homicídio contra Jorge Luís Mascarenhas Alves, vulgo Jorge Gazo, no dia 18 de agosto de 1994. A acusação de emboscada e tentativa de homicídio foi sustentada pela Promotoria Pública de Pau Brasil, na pessoa do Dr. Alexandre Lamas. Atuaram na defesa dos índios os procuradores da Funai Dr. João Fula e Dr. Lusmar que sustentaram a tese de inconsistência de provas na autoria do atentado e fragilidade de provas nos autos. Os advogados de defesa demonstraram diversos erros nos autos, em especial na fase do inquérito policial e destacaram que apenas uma das testemunhas ouvida afirmar ter visto os dois acusados no local do atentado, ao mesmo tempo que a própria testemunha alega ser um desafeto da liderança Gerson Pataxó e a pertencer a outra facção política que discorda totalmente de Gerson.


     


    Após nove horas de julgamento, a sentença foi dada pelo júri popular, formado por cidadãos de Pau Brasil, às 16:30 horas. A juíza que presidiu o júri, Dra. Marielma Nunes Pinheiro Lima, leu a sentença que foi de improcedente às acusações contra Gerson e Agnaldo e definiu pela absolvição dos mesmos.


     


    O julgamento começou as 8:00 horas da manhã e foi realizado nas dependências da Câmara de Vereadores de Pau Brasil, que se tornou pequena devido ao grande número de participantes. A comunidade indígena Pataxó Hã-Hã-Hãe se fez presente, durante todo o dia e lotou as dependências da Câmara e a praça em frente à mesma. A comunidade se somou aos diversos movimentos sociais da região que participaram do julgamento mostrando solidariedade aos indígenas, entre estes movimentos pode se destacar o grande contingente de integrantes do MST, além de representantes do Conselho Indigenista Missionário, Pastoral da Criança da Diocese de Itabuna, Comissão Pastoral da Terra, Rede de Assentados e Acampados do Sul da Bahia, Fórum de Luta por Terra, Trabalho e Cidadania da Região Cacaueira, Movimento dos Pequenos Agricultores…


     


    O resultado do julgamento foi bastante comemorado pelos presentes. Gerson Melo, bastante emocionado quando de sua saída do julgamento, agradeceu o gesto de solidariedade de todos os presentes e disse que o seu julgamento é uma clara demonstração de intimidação daqueles que lutam pela defesa de seus direitos, e que apesar de tudo isto, eles devem continuar lutando pelo direito sagrado de conquistar suas terras e isto ele nunca vai desistir.


     


    Itabuna (BA), 26 de abril de 2006.


     


    Cimi Regional Leste – Equipe Itabuna


     

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  • 27/04/2006

    V Encontro Latino Americano de Teologia Índia

    A todas as comunidades indígenas


    a todas as nações e governos do mundo


    a todas as Igrejas


    do coração da maloca da Amazônia


    anunciamos que


    a força dos pequenos é vida do mundo


     


    Como os córregos e mananciais que se encontram no grande rio Amazonas, assim também nós, povos que nascemos nos quatro ventos, viemos unir nossos corações e nossas palavras às margens deste rio sagrado.


     


    Convocados pelo Criador das águas e das florestas, o Deus Grande Pai e Mãe, o Deus de quatrocentos nomes, Tupâ, Tuminkier, Koamakë, Tamacco, Kohamacu, Elchen, (Ngenechen) Tuminkary, Nguluvi, Nyasaye, Mungu, Kanobo, Paapa, Karagabi, Tupo, Katata, Acha Diosï, Tata Kuerajpiri, Trindade, Tupana, Ñande ru, Metion, Wanadi, Ngai, Nungungulu, Palob, Encânticos da mata e do mar, Ngai, Nana-Tata, Kaa’ti, Pachacamac, Apunchic, Ajaw, Qatata’ Qate’, Sabaseba, Onoruame, Yumtsil, Jmanojel, Waxacamen, Paba, Nana, Zalita, Qart’a, Tata Fitsocoyich, Dsara, Ndiose, Kinpaxkatsikan, Kinpuchinakan, Teótzin, Ometeótzin, Tonántzin, Totátzin, Pacha-Camac, Pachamama, Tata, Apunchiy, Viya, Jeiñ, Het, Maimuná, Wirak’ocha, Tata Viya, Moxeno, Ngurá, Mañusi, Omama, Karosakaybu, Tupagâ, Bôdje, Kaa’t, Viya, Jeiñ, Mejión, Akoré, Ngöbö, Nun Run, Bôdjé Dev, Eidjadwlha’, Bhagvan,, Ye’paô’âktht, Co’amact, Ishwak, Jangoiko, Aijimarihi, Yumahi, T^sorá, Wainikaxiri, Ko Mam, N’diose, Ajuä, Pita’o, Achillik, Kausayuk viemos participar do V Encontro Latino Americano de Teologia Índia, em Manaus.


     


    O Brasil nos recebeu com imensa ternura, com palavras floridas e danças incentivadas por maracás, flautas, violões e corações dispostos a partilhar esperanças e sonhos de um outro mundo possível, onde a força dos pequenos é alternativa de vida.


     


    Desde os primeiros momentos, saboreamos as riquezas culturais de nossos povos que manifestam a grande sabedoria e o imenso amor de nossa Mãe e de nosso Pai geradores de vida. Sabedoria simbolizada pelo fogo, por sementes e frutos, bebida, incenso e orações.


     


    Jesus Cristo ressuscitado fez-se presente nesse encontro, fortificando a luta dos povos e dando sentido à morte de nossos mártires. No mais íntimo de nós mesmos, escutamos o quanto a vida triunfa sobre a morte. O testemunho de uma mulher indígena nos ensinou que não se morre jamais quando se morre lutando pela vida. Nossos mártires não são enterrados, eles são plantados para que nasçam novos guerreiros. A experiência de nossos mortos fortalece o coração de nossos povos. Vivemos e queremos continuar vivendo e por isso oferecemos nossa própria vida.


     


    Trouxe-nos grande alegria e esperança a palavra de irmãos e irmãs que caminham conosco nessa experiência teológica quando afirmaram que a Luz, dom do Espírito da Terra e da Água já se encontrava em todos os povos indígenas, em todas as culturas e religiões e que, nenhuma delas é superior às outras porque cada uma tem em suas mãos uma fagulha do Fogo divino.


     


    Mas escutamos com dor e preocupação que foi freado o processo que permitia a nossos irmãos indígenas receberem o diaconato na Diocese de S. Cristóvão de las Casas e que também se impuseram  medidas disciplinares a irmãos indígenas, teólogos, do México. Pedimos ao Espírito que abra os corações e as mentes daqueles que nos conduzem à autêntica universalidade, para que, como em Pentecostes, nossa assembléia cristã manifeste todos os rostos e todas as línguas do mundo.


     


    Constatamos que nossos mitos, nossos ritos e experiências históricas são, para nós, expressão do sagrado. As orações e danças desses dias nos convidaram a uma contínua purificação dos males e das pragas que o sistema neoliberal nos impôs. A maioria dessas pragas vem de fora, embora, infelizmente, também as produzimos entre nós: divisões, perda de identidade, abandono de nossas terras, violência intrafamiliar…


     


    Nós, os participantes desse Encontro, queremos denunciar que a praga que mais ameaça esse momento da História é aquela que a Amazônia sofre em seu imenso manancial aquático, na riqueza de sua biodiversidade, em seus povos e culturas milenares, pela cobiça dos poderosos que pretendem apossar-se desse eco-sistema imprescindível para a vida de todos os seres da terra. Frente ao sistema neoliberal avassalador e destrutivo, queremos então oferecer a todos os povos do mundo, como alternativa, a sabedoria com que cultivamos nossa terra e cuidamos da natureza. O mundo de hoje necessita do saber tradicional que nos cura e da força espiritual que nos impele adiante na construção da História.


     


    Convocamos a todos os povos indígenas a continuar sendo os defensores dos mares e dos rios, dos peixes e das aves, das sementes e dos frutos, das árvores e dos animais, dos rios e das montanhas, das matas e do cerrado, porque o Coração do Céu e o Coração da Terra nos introduziram na História para oferecermos ao mundo alegria e plenitude, ao invés de maltratá-lo e destruí-lo.


     


    E convocamos também a continuar lutando e exigindo dos governos, da sociedade e das Igrejas respeito e apoio pelos direitos indígenas.


     


    A partir da palavra milenar de nossos antepassados, percebemos nossa pequenez e tomamos consciência de que, sozinhos e isolados não podemos enfrentar as ameaças do sistema de morte. Guardamos no coração essa lição que aprendemos das experiências históricas e dos relatos de mitos em que  os animais mais pequeninos como formigas e rãs são os vencedores do mal.


     


    Quando nossos irmãos e irmãs indígenas de Manaus nos convidaram para visitar as águas sagradas do Amazonas, lugar onde se juntam as águas brancas e as águas negras, aprendemos que é possível a união dos diferentes em uma única caudal geradora de vida para a humanidade e de fertilidade para o mundo.


     


    Ao longo desses dias surgiram diversos desafios: defender a vida de tantos de nossos irmãos e irmãs indígenas ameaçados, propiciar um autêntico diálogo entre índios e instituições nacionais e eclesiais, comprometer-nos profeticamente como missionários e missionárias para que, longe de impormos uma ideologia, testemunhemos e anunciemos o Evangelho de Jesus.


     


    Em profunda contemplação, constatamos que a força dos pequenos está em sua união e organização, em suas assembléias e consensos comunitários, no saber complementar-se, na responsabilidade e no serviço, no abrir seus corações para somar com outros e multiplicar sonhos e utopias. Essa força está na identidade e cosmovisão próprias, na ética e na autenticidade de sua palavra.


     


    Força que vem de seu vínculo com a Terra e com a Água, de sua profunda solidariedade, de seu parentesco com toda a criação e da fraternidade que os une a todos os povos.


     


    Sua força está na dança e na festa, na espiritualidade que os vincula com Deus Pai e Mãe da vida.


     


    Ao terminar esse Encontro, queremos manifestar nossa gratidão a todos aqueles que se solidarizam com as causas indígenas e com elas se comprometem até as últimas conseqüências em cada um dos países da América Latina: o levante de Chiapas, no México, o Movimento Indígena do Equador, o empoderamento indígena de Bolívia, as luta  por demarcação da terra no Brasil, o reconhecimento constitucional no Paraguai.


     


    E, somos especialmente agradecidos àqueles e àquelas que, como Jesus, estão conosco no dia-a-dia, nos momentos de dor ou de festa, no plantio e na colheita, nos altos e baixos da vida, a todos os que trabalham e sonham conosco, a todos e todas que, por nós, são capazes de morrer e que, em nós, ressuscitam.


     


    Ao final desses dias, em volta do fogo e da comida que nos unem, assumimos o compromisso de continuar a construir juntos nossa História, defender nossos territórios tradicionais, fortalecer nossas culturas e religiões, solidarizar-nos com as lutas políticas de nossos povos e prosseguir incentivando o surgimento de Igrejas autóctones.


     


    Da grande maloca indígena da Amazônia, em Manaus, Brasil


     


    26 de abril de 2006.


     

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  • 27/04/2006

    Informe nº 712: Em depoimento, indígenas acusados da morte de policiais dizem que foram obrigados a assinar depoimento na Polícia Civil

    Na tarde de quarta-feira, 26 de abril, foi realizado o depoimento de três dos nove indígenas acusados pela morte de dois policiais civis em Porto Cambira, no interior do Mato Grosso do Sul, em 1º de abril deste ano. A juíza da 1ª Vara Criminal de Dourados, Dileta Terezinha Thomaz de Souza, ouviu Ezequiel Valensuela,  Jair Aquino e Lindomar de Oliveira. O cacique Carlito de Oliveira que, segundo o inquérito policial, é acusado de ser o chefe dos assassinatos, preferiu não falar. “Ele preferiu exercer o direito constitucional de permanecer calado”, explicou a juíza a um jornal do Mato Grosso do Sul.


     


    O caso está sob responsabilidade da Justiça Estadual, após a conclusão do inquérito realizado pela Polícia Civil, que levou à denúncia de nove indígenas.


     


    A defesa dos acusados solicitou que o caso fosse transferido para a Justiça Federal, mas o pedido foi negado pela juíza com o argumento de que não há disputa sobre direitos indígenas. Os argumentos a favor da tramitação do caso na Justiça Federal, no entanto, baseiam-se no fato de o caso ter ocorrido devido à entrada da polícia no acampamento onde vivem os indígenas. Ainda cabe recurso à decisão da juíza.


     


    O interrogatório dos outros cinco indígenas foi transferido, a pedido dos advogados de defesa, para o dia 2 de junho.


     


    Violência


     


    Os três interrogados negaram a participação do cacique Carlito na briga que levou às mortes, e apresentaram versões diferentes da divulgada pela polícia sobre o contexto e motivação dos assassinatos. Os indígenas afirmaram que os policiais passaram pelo acampamento atirando e que, até o momento em que abordaram o carro, imaginavam tratar-se de seguranças das fazendas próximas, que costumam andar pela região.


     


    Esta versão faz parte da transcrição do depoimento do indígena Ezequiel Valensuela, à qual a assessoria jurídica do Cimi teve acesso, “no dia e horário dos fatos os policiais passaram no acampamento Passo do Piraju (…), dando tiros e foram até a fazenda do Japonês e quando voltaram os policiais foram abordados para perguntar porque eles haviam efetuado disparos quando passaram; que no momento em que os policiais voltavam foram abordados e um policial efetuou um disparo com uma espingarda calibre doze que atingiu a perna de outro policial; que os índios não sabiam que se tratava de policiais, e acharam que fossem pessoas ligadas aos fazendeiros; que o líder do acampamento Carlito não comandou a ação que culminou com a morte dos policiais mas quando os policiais passaram atirando os indígenas saíram para a estrada para ver o que estava acontecendo e então aguardaram a volta dos policiais para aborda-los, mas tem certeza que Carlito não participou”.


     


    De acordo com a transcrição do interrogatório, o acusado Lindomar Brites de Oliveira afirmou que chegou no local dos fatos tudo já tinha acontecido e negou o conteúdo do interrogatório prestado a Polícia Civil, no dia 02 de abril. Segundo a transcrição: “que o interrogando somente ratificou o interrogatório prestado em 02 de abril de 2006, porque a apesar da presença do procurador federal Otavio Cavalcante a Delegada disse que se o interrogando alterasse uma palavra em seu depoimento ela iria mandar espancar e como o interrogando já tivesse sido espancado na delegacia, ficou com medo e confirmou o seu depoimento; (…) que o interrogando foi espancado quando foi preso mas não sabe se os outros índios presos foram”.


     


    A fala sobre o espancamento esteve presente também no depoimento dos outros acusados. Jair Aquino Fernandes afirmou que “no momento em que foi re-interrogando na presença do procurador federal Dr. Otavio Cavalcante, tentou explicar para este que muitas coisas que constou (sic) no seu interrogatório perante a autoridade policial não eram verdadeiros (sic) mas a delegada que presidia o ato disse que o interrogando precisava confirmar o seu interrogatório e como o interrogando já tivesse apanhado bastante ficou com medo e limitou-se a ratificar o termo de interrogatório”. Consta ainda na transcrição do depoimento que “foram presos juntos o interrogando, Sandra e Valmir, e todos os três foram espancados pela polícia e no dia seguinte foram presos Lindomar Marcio e Paulino, que também apanharam da polícia”.


     


    Despejo


     


    Cerca de 200 indígenas do povo Guarani-Kaiowá voltaram, há três anos, a acampar na região de Porto Cambira, em local chamado por eles de Passo Piraju. Na quarta-feira, 26, a juíza federal Kátia Cilene Balugar Firmino, da 2ª Vara Federal de Dourados, concedeu prazo de cinco dias úteis para que a Funai indique local para levar os indígenas após o despejo, que poderá ocorrer a partir de 11 de maio, segundo determinação da Justiça Federal de 11 de abril. Os indígenas acampados tinham, até esta decisão, um mandado de segurança que autorizava sua permanência na terra até que o estudo antropológico para identificação da terra fosse providenciado pela Funai.


     


    Povo Apinajé detém três funcionários da Funai para exigir segurança em veículos e fiscalização das terras


     


    Para pressionar a Funai pelo atendimento de compromissos já firmados, como a manutenção do caminhão usado para o transporte dos indígenas, a fiscalização das terras para evitar a devastação e a implantação de projetos para a sustentação dos indígenas, os 13 caciques do povo Apinajé detiveram, nesta quarta-feira, 26, o administrador regional da Funai, João Batista dos Santos, o chefe de posto, Raimundo Garcia, e o técnico agrícola Airton, conhecido como Mineirinho.


     


    “Há muito tempo tem reunião na aldeia São José. O administrador veio e prometeu que ia mandar carro para o transporte das pessoas. Temos um caminhão sem freio e dois tratores parados. O administrador disse que tinha verba para arrumar os carros desde 2004, mas nunca arrumaram. Ele passou meses sem vir aqui e agora voltou. Agora, ele tem que negociar essas”, justifica uma das lideranças deste povo que vive no centro-oeste do Brasil, estado do Tocantins. Segundo a liderança, o caminhão é utilizado para transporte dos indígenas – em geral pessoas que vão à cidade para o comércio e aposentados que vão receber suas pensões – até Tocantinópolis, cidade a cerca de 20 km da aldeia. A precariedade nos veículos que transportam os indígenas é realidade em diversos locais e causou a morte de seis pessoas em Rondônia, em janeiro de 2006.


     


    Os indígenas têm informação de que havia recursos para consertar o trator da comunidade, mas os reparos nunca foram realizados.


     


    “A Funai prometeu roças, cercas de arame, mas no final sempre dizem que falta verba”, conta uma das lideranças, que relata também que a terra tem sido invadida por caçadores, pescadores e madeireiros, e que a Funai não realiza a fiscalização. “Para parar a extração de madeira tem que ter gente para fiscalização constante e tem que ter um carro”, afirma.


     


    Segundo informações dos Apinajé, a administração regional da Funai em Araguaina entrou em contato com as lideranças através do telefone da aldeia, mas eles solicitam a presença da direção do órgão na terra Apinajé para as negociações.


     


    Brasília, 27 de abril de 2006.


     


    Cimi – Conselho Indigenista Missionário


     

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  • 27/04/2006

    Coiab elege coordenadores durante Assembléia em Raposa Serra do Sol.


     


    Entre 21 e 25 de abril de 2006, a Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira) realizou sua 8ª Assembléia Geral, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Estiveram reunidas mais de 300 pessoas, das quais 136 eram delegados eleitos pelas organizações indígenas da Amazônia brasileira que compõem a entidade.


     


    Entre principais debates, esteve a reestruturação política e institucional da Coiab, que abordou temas como estrutura (participação das bases e forma de eleições) e sustentabilidade. Durante o encontro, foram escolhidos os representantes da entidade. Jecinaldo Barbosa Cabral, do povo Sateré Mawé, foi reeleito coordenador da Coiab. A vice-coordenação ficou com Marcos Apurinã e a secretaria geral com Saturnino Xavante.


     


    Enquanto a Assembléia era realizada, cerca de 300 policiais federais estavam em Raposa Serra do Sol para garantir a realização, pelo Incra e pela Funai, do levantamento das benfeitorias nas fazendas, que devem ser desocupadas para que seja garantido o usufruto da terra pelos indígenas, determinado pela homologação de Raposa em abril de 2005. De acordo com informações dos jornais de Roraima, a vistoria na última fazenda foi realizada na manhã de quarta-feira, 26. O fazendeiro e prefeito de Pacaraima, Paulo César Quartieiro, tentou impedir a entrada da equipe de vistoria no local.


     

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  • 26/04/2006

    Me fala de ser missão

    SER MISSIONÁRIA… Um sonho inalcançável? Ou algo que já começo a tocar…


     


    ME FALA DE SER MISSÃO quando me achego a um mundo diferente e na total observação aprendo a acolher o novo, e começo a morrer a minha segurança conhecida.


     


    ME FALA  DE SER MISSÃO quando me sinto incapaz e insignificante dentro de uma cultura com as suas estruturas já estabelecidas.


     


    ME FALA DE SER MISSÃO quando descubro que minha pobreza se enriquece com a sabedoria de aquele que é diferente.


     


    ME FALA DE SER MISSÃO aprender a estar sem pretender entender, só acolhendo a alegria ou a dor; a harmonia ou a angustia de um povo explorado e asfixiado pelo sistema de corrupção.


     


    ME FALA  DE SER MISSÃO escutar teus de dor porque a vida está sendo oprimida pela não valorização da pessoa e da sua humanidade.


     


    ME FALA DE SER MISSÃO quando escuto a tua angustia e me sinto insignificante e impotente ante as forças negativas que alienam ao povo.


     


    ME FALA DE SER MISSÃO aprender  a estar contigo e a postar pela tua autonomia e teus direitos pela pura solidariedade, correndo a mesma sorte as vezes perdida; mais libertadora que continua sonhando na “Terra sem males”.


     


    ME FALA DE SER MISSÃO quando não sou funcionaria pública e estou disponível com coração gratuito para iniciar um caminho de doação e de luta pela tua mesma causa.


     


    ME FALA DE SER MISSÃO quando não me calo ante as injustiças que estão presentes e a minha voz se eleva e denuncia em favor da vida que está sendo agredida.


     


    ME FALA DE SER MISSÃO quando trago presente tua vida e a do teu povo para minha pobre oração e quando posso partilhar e explicar-te  quem é o motor que me mantém nesta luta e como se chama aquele que me enviou.


     


    ME FALA DE SER MISSÃO aprender a ser Evangelho sem palavras, e com todo meu ser, minha presença, meus gestos….Contribuir para fazer acontecer o Reino de Deus que já está presente.


     


    ME FALA DE SER MISSÃO TUDO O QUE SAI DOS MEUS PRÓPRIOS LIMITES E PELA FORÇA DA CARIDADE CONSEGUE ATRAVESSAR A BARREIRA DO OUTRO/A.


     


    Silvia Sanz sm


     


     

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  • 26/04/2006

    Nova seção no sítio: textos sobre a vida missionária


    A VOZ DO SILÊNCIO


    (Mulheres indígenas)


     


     


    SILÊNCIO


    da cultura indígena que contempla no trabalho; que fala só


    aquilo que precisa, porque as palavras demais o vento as leva.


     


    SILÊNCIO


    que fala mais forte da vida gastada e entregada no cotidiano.


     


    SILÊNCIO


    que vem do trabalho sem sossego e da interiorização e cuidado


    dos mínimos detalhes.


     


    SILÊNCIO


    de respeito ante o sagrado que tudo o envolve e invade todos


    momentos do dia a dia.


     


    SILÊNCIO


    que revela a resistência de tantos anos e grita para manter a


    identidade.


     


    SILÊNCIO


    que interioriza a dor dos antepassados mortos e do seu


    presente condenado à morte pelo sistema dominante.


     


    SILÊNCIO


    que sabe ouvir a verdade do outro; a que as palavras não


    revelam e só a presença, olhar, ou qualquer gesto permite as


    duas humanidades se encontrar.


     


    SILÊNCIO


    que revela a dor da exclusão e da não valorização da pessoa


    que fere a todo o povo só por ser diferente.


     


    SILÊNCIO


    que projeta o silêncio das autoridades, a omissão dos


    poderosos e a sigilosa estratégia dos corruptos que tomam


    conta das riquezas desta cultura indígena que não é escutada


    tem seus direitos negados e silenciados.


     


    SILÊNCIO


    que vem a mim como um brisa de respeito; de amor puro que


    não reprova e me concede um espaço para permanecer e


    experimentar o “prazer” da solidariedade e do segredo de


    sentir-se irmãos/as numa mesma terra.


     


    SILÊNCIO


    que me fala de ti; que te fala de mim, e que cria um espaço


    onde as duas humanidades: a tua e a minha se encontram


    para aprender a fazer isso para o que foram criadas:


    PARA AMAR-SE.


     


    Silvia Sanz sm

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  • 26/04/2006

    O outro lado da história

    ‘Meu povo queria apenas a paz,


    um pedaço de chão para sobreviver.


    Hoje estão assustados, humilhados pela sociedade


    por esta não conhecer a verdade”(Antonio J. Rodrigues – Guarani , 18 anos)


     


    A caminho de Dourados iam se projetando, como um reprise permanente, o cenário de violência que envolve os Kaiowá Guarani da região do cone sul do estado  de Mato Grosso do Sul: assassinatos, suicídios, expulsões, homicídios, mortes por fome e desnutrição, alcoolismo, droga, mortes e ferimentos por atropelamento, estupros. No jornal, vemos as notícias do suicídio de um índio de 26 anos e outro da mesma idade estirado no asfalto, morto por atropelamento.  Ao mesmo tempo, podia-se ler uma declaração do governador do Estado qualificando de “ridícula” a ação dos índios de Nhanderu Marangatu, que no Dia do Índio fecharam a estrada BR 384, à beira da qual estão vivendo. Enfim, uma conjuntura de extrema violência conspirando contra a vida dos índios.


     


    Estado de comoção antiindígena


    Uma rápida visita a acampamentos Kaiowá Guarani da região e algumas aldeias, inclusive com uma das irmãs de Carlitos, uma preocupação comum: temor pela vida do cacique Carlitos preso, juntamente com outros oito membros da aldeia Passo Piraju, no presídio de segurança máxima Harry Amorim Costa. A incomunicabilidade em que estão os índios aumenta ainda mais os temores. Uma das lideranças que esteve na comunidade para se inteirar dos fatos, ocasião em que chegou um grupo da polícia civil, tendo seu coordenador afirmado diante dos índios que caso Carlitos passasse por aí ele iria “peneirá-lo”.


    A versão veiculada pelas autoridades policiais e políticas, falando de emboscada e barbarismo dos índios, fez com que as manifestações de repulsa e ódio aos índios aumentassem aceleradamente, transformando-se num estado de comoção antiindígena.


     


    Enquanto isso


    A cidade sedia o 2o. Simpósio Internacional de Religiosidade, Religiões e Cultura. Não dá para refletir sobre o tema – lembrando a importante experiência dos jesuítas junto aos Guarani, no século 18, presentes inclusive na região com as reduções de Itatim –  sem ser envolvido pelo clima de hostilidade , temores  e ameaças que pesam sobre os Guarani presos na cidade (fala-se que existe mais de 50 Guarani presos na região), acampados na beira da estrada, ou confinados em espaços mínimos, como é o caso da Terra Indígena de Dourados, a maior concentração e favelização indígena do país.


     


    Uma chiadeira geral em função de um novo foco de aftosa identificado no município de Japorã ameaça o bom desempenho do boi na economia regional. Não faltam os choramingos em função da quebra da safra da soja agravada com a queda do preço da mesma no mercado internacional. Fala-se em mais de dois milhões de toneladas estocadas aguardando o melhora do preço. Nas andanças pela vastidão da região o que se vê mesmo é o verde do milho, de todos os tamanhos, desde o recém nascido ao que já está pendoando, o já espigado ou já quase no ponto de colheita. O bom preço do milho estimulou o plantio massivo desse alimento indígena hoje sob o controle das multinacionais (sementes) e do agronegócio (produtores).


     


    Passos e compassos da justiça


    Outra questão que chama atenção é a agilidade com tem sido concluído o inquérito e pronunciado a denúncia dos índios, no caso das mortes de policiais no Passo Piraju. Hoje mesmo se realiza a audiência de interrogatório de quatro dos índios presos. Na fase do inquérito, foi negado aos índios o direito de serem ouvidos na sua própria língua, conforme lhes garante a Constituição. Isso será uma vez mais peticionado. Por que no caso do assassinato do indígena Dorvalino e de tantas outras lideranças indígenas assassinadas não se viu a mesma agilidade da justiça? É a pergunta que se fazem as comunidades Guarani. E também não entendem porque todos os matadores de índios estão soltos, enquanto seus parentes estão presos e incomunicáveis.


     


    O outro lado da história


    É importante ressaltar que da parte dos Kaiowá Guarani, entendendo que a versão mais difundida sobre os fatos está marcada por essa história de hostilidade e ódio ao seu povo, foram à comunidade para ouvi-la. Fizeram relatos demonstrando uma realidade dos acontecimentos bem diversos dos veiculados pela imprensa. Mostraram o contexto de medo e ameaças, além de violências que a comunidade já sofreu nesse processo de retorno ao seu tekoha, sua terra tradicional.  E só esse estado de apreensão, medo e ameaças tornam-se compreensíveis a violência e as mortes ocorridas.


    Vejamos alguns dos depoimentos registrados e escritos por estudantes indígenas que estiveram na comunidade de Porto Cambira, dia 13 de abril


     


    “A imprensa mostrou, na última semana, que os acusados se entregaram aos policiais confessando o crime, mas, não contaram e nem refletiram a maneira que os policiais podem ter usado para alcançar esta atitude com os 9 indígenas que ainda estão presos…


    Isso para nós é inaceitável, mostrar apenas uma versão e não ver o outro lado da história, não respeitarem um povo que sofre. Que sofre com o preconceito, com a falta de incentivo, mas que por outro lado luta. Luta pela terra, pelos seus direitos, pela sobrevivência”(Alcir R.)


     


    “O meu povo estava vivendo em paz, plantando o seu alimento, e agora depois do acontecido precisam buscar ajuda para esclarecer toda situação, pois certas pessoas que tem o poder nas mãos, pessoas que na verdade teriam que defender os índios, estão do lado do poder  e não fazem o que teria que ser feito”(Antonio João Rodrigues – Guarani, 18 anos)


     


    “Agora como fica essa situação? Vai ficar como se os índios fossem os únicos culpados? Tudo bem que eles erraram, mas e os policiais que chegaram atirando, ofendendo os índios, vão sair como heróis?”(Micheli Alves Machado)


     


    No dia 1 de abril, logo após o conflito que lamentavelmente resultou na morte de dois policiais o cacique Leonardo deu um depoimento no qual diz “Esses 3 policiais vieram sem viatura, vindo sem uniforme, com short, quando entrou aqui já xingou a nós, atacou em armas aquele homem, policiais atiraram próprio seu companheiro, fui atingi na perna, falaram que foram os índios, não é não….E também nós índios não vamos sair daqui, nós vamos morre aqui nessa terra, se nós morre, tem nossa geração como filho para luta de novo essa terra”(Leonardo , 1/04/06)


     


    Egon Heck – Cimi MS


    Dourados, 26 de abril de 2006


     

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  • 26/04/2006

    NOTA À IMPRENSA SOBRE A DENÚNCIA DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO RIO GRANDE DO SUL

    A respeito da denúncia apresentada pelo Ministério Público nesta segunda-feira, em razão da ação das mulheres da Via Campesina no dia 8 de março, contra a empresa Aracruz, a Via Campesina do Rio Grande do Sul tem a dizer o seguinte:

    1. A denúncia apresentada pelo Ministério Público é baseada em suposições do promotor e não tem base jurídica. São denúncias infundadas que visam a responder à pressão dos meios de comunicação, patrocinados pela Aracruz, em especial o Grupo RBS, que têm agido sistematicamente de modo a criminalizar e a perseguir os movimentos sociais do Rio Grande do Sul. Em juízo, com tranqüilidade, a Via Campesina irá provar o descabimento das denúncias e espera que o Poder Judiciário se paute mais pelo interesse público do que pela pressão das grandes empresas e da grande imprensa.


    2. A Via Campesina do Rio Grande do Sul reafirma sua disposição em lutar contra as monoculturas de eucalipto, da mesma forma que sempre lutou contra outras monoculturas predatórias ao meio-ambiente, à vida dos trabalhadores do campo e à saúde da população. Não somos contra a ciência, mas temos clareza que toda ciência tem por trás um projeto político. Por isso, somos contra os desertos verdes, as enormes plantações de eucalipto, acácia e pinus para celulose, que cobrem milhares de hectares no Brasil e na América Latina. Onde o deserto verde avança a biodiversidade é destruída, os solos deterioram, os rios secam, sem contar a enorme poluição gerada pelas fábricas de celulose que contaminam o ar, as águas e ameaçam a saúde humana. A ação das mulheres da Via Campesina, realizada no Dia Internacional da Mulher, será um marco para as futuras gerações na defesa da vida na Terra.


    3. Esperamos que o Ministério Público do Rio Grande do Sul, assim como nos Estados de Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia, demonstrem a mesma agilidade em apurar os verdadeiros crimes cometidos pela empresa Aracruz, por agressão aos povos indígenas, quilombolas e camponeses, por desrespeito à legislação ambiental e pelos efeitos nocivos sobre a biodiversidade e os recursos hídricos das regiões onde se instala. Esta mesma empresa será julgada no Tribunal Internacional dos Povos às Transnacionais Européias e ao Sistema de Poder das Corporações na América Latina e Caribe, evento da sociedade civil que será realizado em Viena (Áustria), de 10 a 13 de maio. Lembramos que o Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul acaba de pedir à Justiça que impeça o plantio de eucalipto no Parque Nacional da Lagoa do Peixe, por conta dos comprovados efeitos nocivos provocados por esta monocultura.


    Aproveitamos para divulgar o manifesto em apoio às mulheres da Via Campesina que está rodando o mundo inteiro e vem recebendo diversas assinaturas de personalidades, intelectuais, artistas e representantes de movimentos sociais.


    VIA CAMPESINA DO RIO GRANDE DO SUL
    Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
    Movimento dos Pequenos Agricultores
    Movimento dos Atingidos por Barragens
    Movimento de Mulheres Camponesas
    Comissão Pastoral da Terra
    Pastoral da Juventude Rural
    Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil
    GLOBALIZEMOS A LUTA! GLOBALIZEMOS A ESPERANÇA!


    Manifesto de Homens e Mulheres em Solidariedade às Mulheres da Via Campesina
    AS  MUDAS ROMPERAM O SILÊNCIO


    I
    Havia um silêncio sepulcral


    sobre dezoito mil hectares roubados
    dos povos tupi-guarani


    sobre dez mil famílias quilombolas
    expulsas de seus territórios


    sobre milhões de litros de herbicidas
    derramados nas plantações


    Havia um silêncio promíscuo


    sobre o cloro utilizado
    no branqueamento do papel
    a produzir toxinas cancerígenas
    que agridem plantas, bichos e gentes


    sobre o desaparecimento
    de mais de quatrocentas espécies de aves
    e quarenta de mamíferos
    do norte do Espírito Santo


    Havia um silêncio intransponível


    sobre a natureza de uma planta
    que consome trinta litros de água-dia
    e não dá flores nem sementes


    sobre uma plantação que produzia bilhões
    e mais bilhões de dólares
    para apenas meia dúzia de senhores


    Havia um silêncio espesso


    sobre milhares de hectares acumulados
    no Espírito Santo, Minas, Bahia
    e no Rio Grande do Sul


    Havia um silêncio cúmplice


    sobre a destruição da Mata Atlântica e dos pampas
    pelo cultivo homogêneo de uma só árvore:
    o eucalipto.


    Havia um silêncio comprado


    sobre a volúpia do lucro


    Sim, havia um silêncio global


    sobre os capitais suecos
    sobre as empresas norueguesas
    sobre a grande banca nacional


    Por fim
    havia um imenso deserto verde
    em concerto com o silêncio.



    II


    De repente
    milhares de mulheres se juntaram
    e destruíram mudas
    a opressão e a mentira


    As mudas gritaram
    de repente


    e não mais que de repente


    o riso da burguesia fez-se espanto
    tornou-se esgar, desconcerto.



    III


    A ordem levantou-se incrédula
    clamando progresso e ciência
    imprecando em termos chulos
    obscenidades e calão


    Jornais, rádios, revistas,
    a internet e a TV,
    as empresas anunciantes
    executivos bem-falantes
    assessores rastejantes
    técnicos bem-pensantes
    os governos vacilantes
    a direita vociferante
    e todos os extremistas de centro
    fizeram coro, eco,
    comício e declarações
    defendendo o capital:


    “Elas não podem romper o silêncio!”


    E clamaram por degola.


    IV


    De repente
    não mais que de repente
    milhares de mulheres
    destruíram o silêncio.


    V


    Naquele dia
    nas terras ditas da Aracruz
    as mulheres da Via Campesina
    foram o nosso gesto
    foram a nossa fala.

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  • 25/04/2006

    Trabalhadores rurais e indígenas interditam a BR 101

    Trabalhadores rurais e indígenas interditam a BR 101


     


    Cerca de 700 trabalhadores rurais sem terra ligados a Rede de Assentados e Acampados do Sul da Bahia – CETA – Sul e ao Movimento dos Pequenos Agricultores  (MPA), além de lideranças dos povos indígenas Pataxó Hã-Hã-Hãe e Tupinambá interditaram a BR 101 por volta das 10 horas da  manhã de hoje, 24. Eles estão acampados na margem da estrada desde ontem, quando realizaram a primeira interdição da estrada. O bloqueio ocorre no entroncamento para a entrada do município de Arataca. 


     


    A manifestação faz parte de uma serie de mobilizações que ocorrem  simultaneamente em todo o estado da Bahia. Também foram interditadas ontem, dia 24, a BR 410, que liga Paulo Afonso a Tucano; a BR 242, na ponte que corta o Rio São Francisco e que liga Ibotirama a Barreira; a BR 242, perto de Itaberaba; BR 407, entre Bomfim e Capim Grosso; e a BR 116 em Vitória da Conquista, além da ocupação do CONDER, em Salavador.


     


    Estas manifestações visam chamar a atenção dos governos Federal e Estadual para alguns pontos de reivindicações dos trabalhadores e dos indígenas. Ente eles pode-se destacar:


     


    A não transposição do Rio São Francisco;


    – Não aos Transgênicos;


    – Reforma Agrária de verdade;


    – Regularização das terras indígenas


    – Não ao avanço da monocultura em especial ao do eucalipto e da soja;


    – Não a criminalização da luta e das lideranças por parte dos governos e da imprensa.


     


    Na região sul da Bahia, as pautas mais urgentes são


    – A imediata vistoria, desapropriação de áreas para fins de reforma agrária;


    – Desburocratização da polícia de assistência técnica;


    – A imediata paralização de plantio de eucaliptos na região sul da Bahia


    – A imediata regularização do território Pataxó Hã-Hã-Hãe, com a anulação dos Títulos     concedidos ilegalmente aos fazendeiros pelo governo do Estado da Bahia, agilizando o julgamento da Ação Ordinária de Títulos Imobiliários que se encontra no Supremo Tribunal Federal a mais de 23 anos, e a urgente retirada dos invasores do território;


    – A imediata publicação do relatório de identificação do território Tupinambá bem como o processo de demarcação do referido território;


    – Soluções urgente por parte da Funasa, quanto a saúde indígena, que se encontra num verdadeiro caos. Atendimento a pauta de reivindicação já apresentada pelo Conselho de saúde indígena Local;


     Providencias urgentes que venham a coibir o processo de criminalização da luta dos povos indígenas do sul da Bahia na conquista e garantia de seus territórios bem como a criminalização de suas lideranças;


     


    A pauta de reividicão apresentada aqui na região, se soma a pauta que está sendo negociada em Salvador pelos representanres dos Movimentos que ocuparam o Conder.


     


     


    Comissão Pastoral da Terra


     


    Itabuna Bahia


     


     


     


    Segue abaixo release do movimento com contatos


     


     


     


     


    De: Articulação de Movimentos Sociais Rurais e Urbanos da Bahia


     


     


     


    ATT: Redação


     


     


    Assunto: ONZE MOVIMENTOS SOCIAIS OCUPAM A CONDER E APRESENTAM PAUTA


     


    Onze movimentos sociais de todo o estado da Bahia, reunidos na Articulação de Movimentos Sociais Rurais e Urbanos da Bahia, participaram hoje cedo (24 de abril) da ocupação da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia – CONDER para cobrar reivindicações já apresentadas aos governos federal e estadual em manifestação semelhante ocorrida em abril do ano passado e apresentar nova pauta aos órgãos competentes. A ocupação da CONDER se dá em conjunto com atos em outros seis municípios – Ibotirama, Vitória da Conquista, Capim Grosso, Itaberaba, Camacã e Ribeira do Pombal – promovidas também pela Articulação Rurais e Urbanos.


     


    Em mobilização no ano passado, em abril, a Articulação de Movimentos Sociais Rurais e Urbanos da Bahia apresentou extensa pauta de reivindicações que vão desde questões gerais como o combate à política econômica do governo federal, à ALCA e à transposição do rio São Francisco até questões mais locais, como regularização fundiária e desapropriação de mais de setenta áreas para reforma agrária e três grandes terrenos em Salvador para a construção emergencial de mais de mil casas; criação de mais de 500 frentes emergenciais de trabalho para os trabalhadores desempregados; construção de casas pelo PSH; desburocratização do acesso ao PRONAF; realização de 141 vistorias pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário – MDA; desenvolver melhorias nas vias de acesso às comunidades pesqueiras para melhor escoamento dos pescados; dentre outras várias, já recebidas e protocoladas pelos mais de vinte e um órgãos do Estado e da União contatados. Destas quase 350 reivindicações, que atingem todas as áreas da Bahia, menos de trinta foram atendidas.


     


    A CONDER foi escolhida como alvo pela Articulação de Movimentos Sociais Rurais e Urbanos como forma de denunciar o autoritarismo com que esta empresa pública e o resto do governo do Estado criminalizam os movimentos sociais, agem com truculência contra a população a que deveriam servir e fazem promessas que não cumprem de propósito, para ganhar sua luta contra o povo pelo cansaço e depois fazer propaganda. Os movimentos participantes da Articulação de Movimentos Sociais Rurais e Urbanos são: Movimento Estadual de Trabalhadores Acampados e Assentados – CETA, Fundo de Pasto, Movimento de Pequenos Agricultores – MPA, Movimento de Sem Teto de Salvador – MSTS, Pastoral Rural de Paulo Afonso/Central de Articulação dos Acampados e Assentados do Semi-Árido – CARAS, Pastoral Rural de Alagoinhas, Movimento de Trabalhadores Desempregados – MTD, Movimento de Pescadores e Pescadoras – MPP, Quilombolas-Lapa, Pastoral da Juventude Rural – PJR.


     


    Até o presente momento, informes do local indicam que a quantidade de policiais postados em frente à sede da CONDER aumenta, e teme-se que a polícia tente avançar sobre os movimentos e desocupar a CONDER sem mandado de reintegração de posse.


     


     


    CONTATOS NO LOCAL:


     


    Alessandra – (71) 9967-3101


     


    André – (75) 9136-2797


     


    Iuri – (71) 8804-2921


     


     


     


    ASSESSORIA DE IMPRENSA:


     


    3329-7393


     


     

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  • 25/04/2006

    O COPIMG denuncia a situação crítica das comunidades indígenas de Minas Gerais

    O Conselho dos Povos Indígenas de Minas Gerais – COPIMG denuncia a situação crítica das comunidades indígenas de Minas Gerais e exige uma ação dos órgãos responsáveis


     


    20 de abril de 2006


     


    Ao Ministério Público Federal


    À Frente Parlamentar Mineira de Apoio aos Povos Indígenas


    À FUNAI e Ministério da Justiça


    Aos Deputados da Assembléia Legislativa de Minas Gerais


     


    Prezados Senhores,


     


    Nós os Povos Indígenas no Estado de Minas Gerais, Krenak, Pataxó, Xakriabá, Aranã, Caxixó, Pankararu, Xukuru-Kariri, Maxakali e Mucurim, que compõem o Conselho dos Povos Indígenas no Estado de Minas Gerais, reunidos em encontro no auditório da livraria Paulinas, no dia 18 de abril do corrente ano, vimos denunciar a real situação a que as nossas comunidades estão vivendo neste momento, num clima de incertezas sobre a política indigenista do Governo Federal e as diversas mudanças na assistência às nossas aldeias.


     


    A nossa realidade é diversa. São muitos povos que necessitam urgentemente que sua terra seja demarcada, pois alguns destes povos já teve os seus estudos antropológicos concluídos, mas que a FUNAI não tomou a devida providência de identificar e publicar os territórios tradicionais.


     


    No caso do atendimento à saúde indígena, até o momento a FUNASA não tem atuado conforme as demandas das comunidades indígenas, apesar do órgão ter realizado a Conferência de Saúde Indígena, o quadro nada mudou e ao contrário, a ameaça de municipalização do atendimento às comunidades deixa a situação ainda mais complicada, uma vez que, na maioria das prefeituras estão prefeitos que declaradamente são inimigos dos povos indígenas e estão a serviço do latifúndio.


     


    Neste sentido, solicitamos das autoridades responsáveis, que adote as providências, estudando caso a caso, se comprometendo em nos ajudar na busca de solução das demandas, para que as nossas comunidades tenham segurança e uma vida digna. Para o bem e o futuro dos nossos povos.


     


    Belo Horizonte, 19 de abril de 2006.


     


    Conselho dos Povos Indígenas de Minas Gerais


     

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