• 15/05/2006

    Depoimento missionário: voltei para o mundo yanomami após 15 anos de ausência

    Subsídio para um debate, por Pe. Luis Laudato,sdb


     


    Revi as aldeias, onde não estavam mais morando os xamathari. Mudaram os nomes das aldeias e vão mudando as lideranças. As únicas a permanecerem ainda são a do Antão, com um numeroso núcleo de parentescos e a de Davi; ambos velhinhos vivos e atuantes. Pessoalmente teria desejado visitar ambos os velhos. Somente que o meu passo não é  mais o mesmo e as distâncias também aumentaram.


     


    Minhas rápidas observações são:


     



    1. O processo de envolvimento com o mundo branco está sendo rápido, acelerado e com diferentes presenças governamentais e particulares, que visam diferentes e, às vezes, contrastantes objetivos.

    2. A diferente presença cria no mundo yanomami: questionamentos, aliciamentos e desafios.


    A)     Questionamentos



    1. Os motivos da presença de napë diferentes não somente pela idade e mentalidade, mas especialmente pelo preparo técnico-profissional, pela competência cultural, pela capacidade comunicativa e de aproximação e a convivência interpessoal e comunitária. Aqui entra todo o profundo processo do subconsciente etno-centrista com todo o seu pipocar na ação-comunicação entre brancos e yanomami.

    2. O testemunho religioso dos brancos das várias organizações presentes no mundo yanomami.

    3. Os vários apelidos dados e recebidos por parte da comunidade yanomami. No meu conviver com os xamathari recebi vários apelidos: marokoxi (careca), kaë wik (barbudo), napë (branco), xori (cunhado), xoabë (titio), hapemi (papaizinho, padre).

    4. Freqüentemente os xamathari questionavam minha solidão e o sentido de minha presença prolongada no meio deles.

    5. Os karawethari questionavam o meu estilo de reza. A capela estava aberta e todas as vezes que se celebrava a missa ou se rezava o breviário tinha liberdade de participar.

    6. Os karawethari questionavam os recursos técnicos e o uso dos mesmos nas celebrações rituais deles: o gravador, a máquina fotográfica, os papéis cheios de perguntas e especificamente a minha surdez para captar claramente os sons e os tons!

    7. Os karawethari questionavam minhas ausências e chegaram até ao uso de retaliações: as saídas prolongadas deles, quando eu voltava para a missão.


    B)     Aliciamentos



    1. No mundo humano e não somente no mundo yanomami o maior e as vezes o pior aliciamento é o presente. Ele é dado por simpatia, por cálculo, por interesse, por trocas. Aqui se abre toda a ampla, complexa e complicada dinâmica dos matohi (objetos), com o famoso uso e abuso de objetos úteis ou descartáveis.

    2. O outro aliciamento é o dos recursos tecnológicos da pastoral missionária. Minha impressão é que quanto mais somos isolados maior é a tentação de tecnologia sofisticada e depois fala-se aos outros de pobreza, desprendimento, sacrifícios, etc..

    3. As promessas que imitam e concorrem despudoradamente com as dos políticos. Lembrem-se que promessa é dívida!

    4. As fianças são terríveis; as conseqüências no instaurar nas trocas o estilo de dar fiado; é melhor dar logo  sem mais cobrar….O que é impossível no mundo comercial-financeiro pragmatista. Então é melhor educar pequenos e grandes ao sentido do justo, honesto e correto valor de cada objeto e de exigir de todos co-responsabilidade com prestação de contas e com equilíbrio no respeito da dignidade humana de todos, adultos e crianças.

    5. Último aliciamento pouco simpático é o das ameaças. O bendito mal do mundo atual do terrorismo psicológico, econômico, político, cultural e religioso. Gostaria explicitar, mas devo pular por falta de tempo.


    C)     Desafios



    1. São inúmeros, tentarei fixar e frisar alguns que parecem óbvios, mas estão sempre presentes. Espero que sejam possivelmente superados. Ser missionário ad gentes é um dom de Deus e uma vocação cultivada e alimentada na vida religiosa. Não se manda para terras e povos ainda não evangelizados por “obediência” mas é por opção pessoal em constante e dinâmico diálogo entre os responsáveis religiosos com os Bispos e com os seus irmãos e irmãs. O superior como o Bispo devem ter um suficiente, normal e objetivo conhecimento da realidade concreta  – a concretude de Maritain, de Marcel, de Sartre e de Heidegger.e seus desafios. Situação especial, por exemplo, das missões do Rio Negro.

    2. Atualização constante e dinâmica dos planos e dos planejamentos, superando o risco de cair no legalismo e do terrorismo ideológico, que nos afastam terrivelmente do vivido, do sofrido e até chegar aos limites da exasperação e do fracasso recíproco e concluir com a clássica, trágica e ilógica expulsão.

    3. A tentação do reformismo. Nosso esforço ao chegar na missão Sagrada Família foi recolher dos próprios xamathari a ação evangelizadora do padre Antônio Góes. Foi um trabalho paciente e humilde para tentar de ter um sumo cuidado com o passado, sem queimar papéis e etapas; e sobretudo sem imprimir o terrível ritmo da PRESSA. Aprendamos dos últimos papas, que se fecham ou até se prostram no solo da capela particular para rezar e pedir a iluminação do Espírito Santo. Hoje sei de padres ad gentes que não têm tempo para celebrar a missa cotidiana, pula facilmente a oração do breviário e a meditação e chega até a esquecer as orações populares.

    4. Último desafio dessa conversa é o conhecimento aprofundado e dinâmico da concretude do povo, onde se trabalha. Grande tentação é querer docilidade, disponibilidade, obediência dos que trabalham conosco, no lugar de oferecer aberturas, criatividade e responsabilidade. Com os termos de moda: diálogo, partilha, co-responsabilidade, clareza de planos e planejamentos arrisca-se de dobrar experiências e novidades, porque não possuem o selo de qualificação, de competência, de eficiência. Com o selo de diaconia, de coinonia, ágape, metanoia, corre-se o risco de fechar a busca de calar-se no vivido, sofrido. Hoje com esses nomes tão ricos biblicamente, teologicamente e pastoralmente se corre o risco de percorrer ou abrir o caminho do fundamentalismo evangelizador, arriscando de atropelar as sementes do Verbo encarnado e a ação iluminadora do Espírito Santo em comunhão com o Pai.

     


    Conclusão


     


    Passo inicial é o levantamento sócio-catequético-pastoral nas áreas rionegrinas yanomami, recorrendo ao trabalho de levantamento de fichas e questionários.


     


    No campo educacional, exige-se um profundo e contínuo conhecimento crítico e político da legislação escolar oficial para estudar com pessoas qualificadas, incluindo as lideranças yanomami, e recorrendo a um processo lento, paciente e iluminante e assim elaborar diretrizes e planos de estudo que respeitem e salvaguardem o mundo yanomami em dinâmico envolvimento com o mundo globalizado.


     


    Cultivar e Educar as lideranças nos vários níveis para continuar o processo de aproximação e envolvimento sem descaraterizar ou destruir as raízes étnicas comunitárias e religiosas.


     


    Elaborar um projeto bíblico-mistagógico para facilitar o processo catequético-litúrgico-ministerial para a implantação de uma vivência sacramental que testemunhe a caminhada autenticamente cristã das comunidades que já “receberam” alguns sacramentos, mas que precisa revitalizar, revivificar e torná-los a ser sinais eficazes de graça e de caridade, para que as comunidades vivam e testemunhem o Cristo ressuscitado que morreu sob Pôncio Pilatos mas apareceu com toda a novidade de sua mensagem para anunciar o Reino de Deus ao Povo yanomami e para enviar o Espírito Santo para que esse mesmo povo se torne Templo santo de Deus e Moradia Divina.


     


    (Depoimento no Seminário Salesiano de Animação Missionária, em Quito, 2.5.2006)


     

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  • 15/05/2006

    Newsletter No. 714

    –  Solidarity with the Arara people of the Cachoeira Seca Land


    – Groups visits indigenous people imprisoned in Mato Grosso do Sul. Eviction of the Passo Piraju community has been suspended



     


     


     


    SOLIDARITY WITH THE ARARA PEOPLE OF THE CACHOEIRA SECA LAND


     


    Thirty indigenous people, representing four peoples, participated in a meeting, held in Altamira, of peoples and entities from the region to offer the Arara people from Cachoeira Seca solidarity in their fight for the demarcation of their land, which runs the risk of being demarcated with the exclusion of traditionally occupied areas.


     


    The Arara people, also known as the Ugorogmo, were contacted in 1980. The demarcation of their area has been dragging on since 1993, when it was declared. From 1996, countless legal contestations have paralyzed the demarcation process. In 2004, a new group was designated to carry out anthropological and land studies.


     


    According to the Executive Administrator of Funai in Altamira, Benigno Marques, the anthropological report was carried out within the deadline, was ready in 2005 and is being analyzed by Funai. The environmental report still needs to be finished. 


     


    “Where are we going to bring up our grandchildren?”, asked Kygy Arara, an elderly leader, speaking in the Ugorogmo language. He reported the state of concern relating to the land invasions and concluded that he is willing to defend his territory.


     


    In the case of the Cachoeira Seca land, the present government has not only dealt with the demarcation process slowly, but is trying to convince the indigenous people to accept a reduction in their territory, by taking advantage of the people’s urgency to see their territory guaranteed.


     


    The young Arara, Mobuodjo, who was present at the meeting, asked the Funai, Incra and Public Prosecutor’s Office representatives: “What can you do to solve the problems of the Arara from Cachoeira Seca, as quickly as possible?” He said that the elders are asking him for information that he doesn’t have.


     


    The experience of other peoples who have been through similar situations was presented during the meeting. The Parakanã, from the Apyterewá land, warned that agreements to reduce the lands do not guarantee that the demarcation process will move quickly. They said that they had had their territory reduced in by a declaratory government order, after agreements, but that the demarcation process had still not been concluded.


     


    Cimi, the CPT and the bishop of the Xingu, Dom Erwin Krautler, for the Prelature of the Xingu reaffirmed, in a joint statement, the need for urgency in concluding the demarcation process of this land, “in its entirety, with no reductions and with the removal of all the non-indigenous occupants”. The statement considers the need for the families of the farmers placed in the Cachoeira Seca land by the federal government to be resettled in another area and to receive compensation for the work they have done, as well as being reimbursed for the moral damages they suffered for having been settled in an indigenous land. It also asks for urgent action to be taken to prevent the continuous wave of invasions and the illegal timber trade.


     


    Who are the Arara?



    The Arara are a people who have only recently been contacted by non-indigenous society. In the 1940s, they were considered extinct but, in 1970, the non-indigenous paths reached the places where the Arara used to live, in isolation. During the 1980s, three groups of the people, numbering around 100 people were found. This contact, which took place during the construction of the Transamazonian Highway, brought the indigenous people such diseases as influenza and diarrhea, reducing the population even more. Only a few families survived and they started to dispute their right to live on their land with timber merchants, ranchers and land grabbers. Nowadays, hundreds of roads, used to transport timber, cross through the land of this people, who will be indirectly affected by the Belo Monte dam.


     


    In 2003, Cimi carried out a campaign for the demarcation of the Cachoeira Seca Indigenous Land preparing a petition with 23,000 signatures which asked for the demarcation process to be carried out urgently, through a ministerial order, and which would enable the area to be joined to the Laranjal Indigenous Land. This petition was delivered to the Minister of Justice in June 2004, by the Arara themselves, who had, for the first time, left their settlement to go to Brasília.


     


     


    GROUP VISITS INDIGENOUS PEOPLE IMPRISONED IN MATO GROSSO DO SUL. EVICTION OF THE PASSO PIRAJU COMMUNITY HAS BEEN SUSPENDED


     


    A group from the Human Rights Defense Council (CDDPH) is in Mato Grosso do Sul to visit the indigenous people, who have been arrested and are accused of the death of two policemen, and the families of the victims. Yesterday, 10 May, the group visited the Harryac prison, where eight indigenous people are being held, and spoke to Carlito de Oliveira, chief of the Gurani-Kaiowá Community of Passo Piraju, the main person accused of the deaths.


     


    Consisting of representatives from the Special Human Rights Department (SEDH), Funai, the Ministry for Social Development, and the Federal Public Defense Department, the group spoke to the imprisoned indigenous people for around two hours and confirmed that they are well, even though they have no clothes and shoes, and no mattresses to sleep on. The group also noticed that the cold weather in the region made not only the indigenous people’s situation worse, but also that of all the prisoners there, according to its press office. 


     


    The group detected that the normal bureaucratic procedures covering prisoner visits, when applied to the indigenous people, prevented relatives from visiting the prisoners. “The group met with the judge responsible for the case and obtained a decision which will ease this process, so that the relatives of the indigenous people will be able to make visits”, said Ivair Augusto, advisor to the Special Human Rights Department (SEDH), who was part of the visiting group.


     


    According to Augusto, the group’s two main worries concern the need for technical support for the indigenous people’s defense lawyers and for the urgent creation of a Technical Group to carry out an anthropological analysis in order to start the land demarcation process. Visits were also made to the community in Passo Piraju. A visit to the only woman who has been accused in the case, and who has also been detained, is programmed for today, 11 May.


     


    Eviction suspended


    Wednesday evening, 10 May, the appeal court judge Cotrim Guimarães, of the 3rd Region of the Federal Regional Court in São Paulo (SP), suspended the court decision which decreed that the indigenous people were to be removed from the Passo Piraju indigenous land, located in the Porto Cambira region, in Dourados. The deadline for repossession was to expire today.


     


    Brasília, 11 May 2006


    Cimi – Indianist Missionary Council

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  • 12/05/2006

    Lançamento da publicação “Os pobres possuirão a terra”

    Pronunciamento de bispos e pastores sinodais sobre a terra


     


    Na próxima segunda-feira, 15, às 20 horas, será lançada a publicação do documento “Os pobres possuirão a terra” – pronunciamento de bispos e pastores sinodais sobre a terra, em Itaici, município de Indaiatuba, São Paulo, durante a 44ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).


     


    Em  ato celebrativo, o documento será apresentado para o público e a imprensa por Dom Xavier Gilles, presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT); Dom José Mauro Pereira Bastos, vice-presidente; Dom Tomás Balduino, conselheiro da CPT; pastor Rolf Schünemann, vice-presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB); Dom Adriel de Souza Maia, bispo metodista e presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), e um representante da Igreja Anglicana.


     


    O documento, assinado por 112 bispos das Igrejas Anglicana, Católica, Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e Metodista, analisa a atual situação no campo brasileiro, questiona o modelo de desenvolvimento que, em nome do “progresso”, idolatra o mercado, faz crescer a concentração das riquezas, a devastação ambiental e a violência contra os pobres.


     


    As igrejas falam desta realidade e refletem sobre ela à luz das Sagradas Escritura, porque “fé é deixar que nossos olhos se transfigurem pela luz do olhar de Deus, é o jeito divino de enxergar as coisas e o mundo”. O documento cobra das autoridades, políticas públicas que visem o bem comum deixando de ser vergonhosamente atreladas aos interesses do latifúndio, do mercado e do capital, e propõe medidas concretas para a realização da reforma agrária.


     


    O documento tem uma palavra de reconhecimento e de estímulo aos camponeses e camponesas que põem nas mesas dos brasileiros os alimentos de cada dia. E faz uma convocação às Igrejas para que sejam testemunhas coerentes de desprendimento e de solidariedade com os mais pobres e de compromisso com a vida do planeta.


               


    “Igreja e Problemas da Terra”: Em 1980, a Assembléia Geral da CNBB aprovou o documento Igreja e Problemas da Terra, manifestando-se oficialmente sobre a problemática da terra. O documento, que teve bastante repercussão, serviu de referência para os que atuam junto aos trabalhadores do campo. A realidade, porém, nestes últimos 25 anos, mudou muito e sentiu-se a necessidade de se ter um documento atualizado. Da união das igrejas Anglicana, Católica, Luterana (IECLB) e Metodista surgiu, então, o documento “Os pobres possuirão a terra.” De 28 a 30 de março, realizou-se um Seminário, em Brasília, com participação de membros das igrejas signatárias, quando foi concluída a redação do documento. Pela primeira vez no Brasil, bispos e pastores de diferentes denominações cristãs se unem para elaborar e assinar um documento comum sobre a problemática social. Este fato inédito sinaliza novo momento na história da Igreja Cristã no país.


     


    A publicação é uma co-edição ecumênica envolvendo Paulinas (católica), CEBI (ecumênica) e Sinodal (luterana).


     


    Informações: Comissão Pastoral da Terra 62 4008-6466/6412 ou pelo celular 62 9268-6829. A íntegra do documento está na página da CPT: www.cptnacional.org.br


     

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  • 11/05/2006

    Passo Piraju: mais um passo na terra Kaiowá Guarani


    Mais um dia frio em Dourados. Para os índios do tekoha Passo Piraju , esse dia 10 de maio foi  longo e sombrio. À meia noite expiraria o prazo para cumprimento da reintegração de posse, ou seja, a expulsão dos índios. À noite, poucas horas antes do prazo final, vem a boa notícia do Tribunal Regional Federal 3a. região em São Paulo. O desembargador Cotrim Guimarães proferiu a decisão  que suspende a reintegração de posse da terra indígena de Passo Piraju.


     


    Alívio. Uma sensação de justiça em meio a tanta violência e injustiça. Um passo há mais na esperada reconquista de um pedaço mínimo do território tradicional. Um suspiro de ânimo em meio a tanta dor.


     


    Na prisão de segurança máxima Harry Amorim, encosta um caminhão da Funasa. São descarregados oito colchões, juntamente com cobertores e algum material de limpeza. Essa noite o frio será menos intenso e o chão menos duro para os oito indígenas do Passo Piraju ali presos desde o início de abril. Parece que a situação começa a mudar um pouco. Foi o que também puderam constatar os advogados Wilson Matos (Funasa) e Rogério Batalha (do Cimi), que estiveram conversando com os índios no presídio durante quase uma hora. Afirmaram que já não estão mais sofrendo violências. As diversas manifestações públicas e visitas de comissões estão surtindo efeito. Por isso os gestos de solidariedade e apoio continuam sendo muito importantes.


     


    Enquanto isso à noite, uma palestra de Leonardo Boff, em Campo Grande, cujo ingresso era um quilo de alimento não perecível, teve um público muito além do esperado. Os mil lugares do auditório foram rapidamente preenchidos, sendo necessário uma segunda sessão para o público que não conseguiu entrar. Foram arrecadadas mais de duas toneladas de alimentos que hoje mesmo estão sendo entregues a algumas comunidades indígenas em situação de maior carência e necessidade, como Nhanderu Marangatu e Passo. “Justiça, Trabalha e Cidadania”, título da palestra, passam necessariamente pela construção de uma outra sociedade, de uma nova relação com a natureza e uma maior consideração para com a mãe terra e o planeta terra.


     


    O que se espera é que essa oxigenação momentânea anime ainda mais a nossa luta e solidariedade com os povos indígenas e compromisso de construção de um novo projeto para o país onde os povos indígenas tenham voz, vez e contribuição  na construção de uma sociedade melhor para todos.


     


    Nos unimos a comunidade de Passo Piraju na esperança de que possam voltar a uma normalidade em sua vida e que a Funai encaminhe com urgência um Grupo de Trabalho para dar seqüência à a regularização da terra.


     


    Egon Heck, Rogério Batalha e Geraldo Augusto A.


    Cimi MS

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  • 11/05/2006

    Informe nº 714: Solidariedade ao povo Arara da terra Cachoeira Seca


    Informe nº 714


     


    – Solidariedade ao povo Arara da terra Cachoeira Seca


     


    – Comitiva visita indígenas presos no Mato Grosso do Sul. Despejo da comunidade de Passo Piraju foi suspenso



     


     


    SOLIDARIEDADE AO POVO ARARA DA TERRA CACHOEIRA SECA


     


    Trinta indígenas, representantes de quatro povos, participaram em Altamira, Pará, de um encontro de povos e entidades da região para prestar solidariedade à luta dos Arara de Cachoeira Seca pela demarcação de sua terra, que corre risco de ser demarcada com a exclusão de áreas tradicionalmente ocupadas.


     


    O povo Arara, também conhecido como Ugorogmo, foi contatado em 1980. A demarcação de sua terra se arrasta desde 1993, quando ela foi declarada. A partir de 1996, inúmeras contestações judiciais paralisaram o processo de demarcação. Em 2004, um novo grupo foi designado para realizar os estudos antropológicos e fundiários.


     


    Segundo o Administrador Executivo da Funai em Altamira, Benigno Marques, o relatório antropológico foi realizado dentro do prazo, ficou pronto em 2005 e está sendo analisado pelo órgão. Faltaria ainda finalizar o relatório ambiental. 


     


    “Onde vamos criar os nossos netos?”, perguntou Kygy Arara, liderança idosa, falando na língua dos Ugorogmo. Ele relatou a situação de preocupação com as invasões da terra e concluiu que está disposto a defender o seu território.


     


    No caso da terra Cachoeira Seca, o governo atual não só tem tratado a demarcação da terra com lentidão, mas atua para convencer os indígenas a aceitarem a redução do território, aproveitando-se da urgência dos povos em verem seu território garantido.


     


    O jovem Arara Mobuodjo, presente ao encontro, questionou aos representantes da Funai, do Incra e do Ministério Público Federal: “O que você pode fazer o mais rápido para resolver o problema dos Arara de Cachoeira Seca?”. Ele disse que os mais velhos cobram deles informações que eles não têm.


     


    A experiência de outros povos que passaram por situações semelhantes foi apresentada durante o encontro. Os Parakanã, da terra Apyterewá, alertaram que os acordos para redução das terras não garantem rapidez no processo de demarcação. Eles contaram que tiveram seu território reduzido na portaria declaratória, após acordos, mas que até agora não houve conclusão da demarcação.


     


    O Cimi, a CPT e pela Prelazia do Xingu, através do bispo do Xingu, Dom Erwin Krautler, reafirmaram, em um manifesto conjunto, a necessidade de urgência na conclusão da demarcação desta terra, “de forma integral sem novas reduções e a retirada de todos os ocupantes não-índios”. O manifesto considera a necessidade de as famílias de agricultores colocadas pelo governo federal na terra Cachoeira Seca serem reassentadas em outra área e receberem indenizações pelas benfeitorias, além de serem ressarcidas pelo governo pelo dano moral de terem sido assentadas numa terra indígena. Pede também ações urgentes para coibir a continuidade das invasões e da exploração ilegal de madeira.


     


    Quem são os Arara?


     


    Os Arara são um povo que tem contato recente com a sociedade não indígena. Na década de 1940, eles chegaram a ser considerados extintos mas, em 1970, os caminhos dos não indígenas alcançaram os lugares onde os Arara viviam, isolados. Durante os anos 1980, foram encontrados três grupos do povo, com cerca de 100 pessoas. O contato, que aconteceu durante a construção da Transamazônica, trouxe aos indígenas doenças como gripe e diarréia, reduzindo ainda mais esta população. Apenas algumas famílias sobreviveram, e passaram a ter que disputar o direito a viver em suas terras com madeireiras, fazendeiros e posseiros. Hoje, centenas de estradas vicinais usadas para transporte de madeiras cortam a terra deste povo, que será atingido indiretamente pela barragem de Belo Monte.


     


    Em 2003 o Cimi fez uma campanha para a demarcação da Terra Indígena Cachoeira Seca coletando um abaixo-assinado com 23 mil assinaturas pedindo urgência na demarcação, nos termos da portaria ministerial, que possibilita a união dessa área com a Terra Indígena Laranjal. Este abaixo-assinado foi entregue ao ministro de Estado da Justiça em junho de 2004, pelos próprios Arara, que pela primeira vez saíram de sua aldeia com destino à Brasília.


     


    COMITIVA VISITA INDÍGENAS PRESOS NO MATO GROSSO DO SUL. DESPEJO DA COMUNIDADE DE PASSO PIRAJU FOI SUSPENSO


     


    Uma comitiva do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) está no Mato Grosso do Sul para realizar visitas aos índios que estão presos, acusados pela morte de dois policiais, e aos familiares das vítimas. Ontem, dia 10, o grupo visitou o presídio Harryac, onde oito indígenas estão presos, e conversou com Carlito de Oliveira, cacique da comunidade Gurani-Kaiowá de Passo Piraju, principal acusado pelas mortes.


     


    Formada por representantes da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH), da Funai, do Ministério do Desenvolvimento Social e da Defensoria da União, a comitiva conversou por cerca de duas horas com os índios presos e constatou que eles estão bem, embora sem roupas e calçados, e sem colchões para dormir. O grupo também observou que o clima frio em que se encontra a região agrava a situação não só dos índios, mas de todos os presos do local, segundo sua assessoria de imprensa. 


     


    A comitiva detectou que os trâmites burocráticos regulares para as visitas aos presos, quando aplicados à realidade indígena, impediam a realização de visitas dos parentes dos presos. “A comitiva reuniu-se com o juiz responsável pelo caso e obteve decisão do juiz que facilita o trâmite, para que os familiares dos indígenas realizem as visitas”, afirmou Ivair Augusto, assessor da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH), que faz parte do grupo que realiza as visitas.


     


    Na avaliação de Augusto, as duas principais preocupações da comitiva relacionam-se à necessidade de apoio técnico aos advogados de defesa dos indígenas e à urgência da criação de um Grupo Técnico para realizar o levantamento antropológico para iniciar o processo de demarcação da terra.  Foram realizadas também visitas à comunidade em Passo Piraju, e está na agenda de hoje, 11, visita à única mulher acusada no caso, também detida.


     


    Despejo suspenso


    Na noite desta quarta-feira, 10, o desembargador Cotrim Guimarães, do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região em São Paulo (SP), suspendeu a decisão judicial que determinava a retirada dos índios da terra indígena Passo Piraju, localizada na região do Porto Cambira, em Dourados. O prazo para a realização da reintegração de posse vencia hoje.


     


    Brasília, 11 de maio de 2006


     

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  • 11/05/2006

    PL contrário a demarcações em faixa de fronteira caminha na Câmara dos Deputados


    O Projeto de Lei 5684/05, do deputado Fernando Lopes (PMDB-RJ), que determina a aprovação prévia do Conselho de Defesa Nacional para a demarcação de terras indígenas em regiões de faixa de fronteira recebeu ontem, 10 de maio, parecer favorável do relator do projeto na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, o deputado Francisco Rodrigues (PFL-RR). O projeto não foi votado porque o deputado Nilson Mourão (PT-AC) pediu vista. O Projeto de Lei (PL) foi rejeitado pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias em outubro de 2005.


     


    Para o Cimi, o PL é inconstitucional porque uma lei ordinária não pode impor restrições a algo determinado pela Constituição Federal, que é hierarquicamente superior a esse tipo de leis.


     


    Neste caso, a restrição refere-se à demarcação de terras indígenas em faixa de fronteira, que não existe na Constituião Federal. Se fosse aprovada, a nova redação da lei nº 8.183 determinaria que só poderiam ser demarcadas terras indígenas a uma distância mínima de 75 quilômetros da fronteira, e exigiria também aprovação do Conselho de Defesa Nacional, órgão de assessoramento do presidente da República, para as demarcações. Veja aqui a íntegra do Projeto de Lei 5684/05,


     

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  • 11/05/2006

    Tribunal dos Povos coloca Aracruz no banco dos réus

    A Aracruz Celulose, empresa monocultora de celulose de capital estrangeiro, será julgada hoje, 11, pelo Tribunal dos Povos às Transnacionais Européias, com o testemunho de um indígena Guarani e uma agricultora do MST (Movimento Sem Terra). O evento faz parte da segunda edição do Fórum “Enlaçando Alternativas”, em Viena, na Áustria, realizado entre 10 e 13 de maio.

    Apontada como responsável pela criação dos chamados “desertos verdes” de eucalipto e pinus, a Aracruz será avaliada por sua atuação irregular no país, que inclui o desrespeito à legislação ambiental e os efeitos nocivos à biodiversidade e aos recursos hídricos das regiões onde se instala. A empresa é responsável também pela destruição de boa parte da Mata Atlântica, onde 220 mil hectares foram utilizados para o plantio dos eucaliptos, criando o chamado “deserto verde”.

    Outra acusação se refere ao ataque às comunidades indígenas Tupinikim e Guarani, no Espírito Santo. Em janeiro, indígenas foram expulsos de suas terras, localizadas no município de Aracruz, em ação conjunta da empresa com a polícia. O total de índios expulsos nas aldeias Guarani é de 239; na Aldeia Tupiniquins, o número chega a 2012. O maior prejuízo é o da comunidade de Caieiras Velhas, onde 261 famílias perderam suas terras.

    A atividade acontece paralelamente à Cúpula União Européia – América Latina e Caribe, considerada a máxima instância das relações comerciais entre as duas regiões. Para fazer o contraponto dos movimentos sociais globais, o fórum discute a partir de hoje os tratados comerciais continentais e as políticas militares das nações dominantes.

    O julgamento da Aracruz é um dos casos do tribunal, constituído para julgar a violação dos direitos humanos cometida pelas transnacionais com sede na Europa e filiais na América Latina e Caribe, principais beneficiadas pelos acordos comerciais entre os países.

    De acordo com a Cepal (Comissão Econômica para América Latina e o Caribe), entre as 50 maiores transnacionais na região, 18 são européias. Dos 38 casos a serem julgados, quatro são do Brasil – com destaque para a empresa monocultora de celulose Veracel. A empresa tem como acionistas a Stora-Enso (multinacional sueca/finlandesa e uma das maiores no mundo na produção de papel e celulose), e a Aracruz Celulose S/A (de propriedade majoritária da coroa da Noruega e do grupo Safra). (Imprensa do MST, em www.movimientos.org)


     

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  • 11/05/2006

    Aracruz, Cargill e Souza Cruz no banco dos réus em Viena


    Trinta empresas multinacionais européias serão julgadas em um tribunal em Viena, na Áustria, organizado por entidades e movimentos sociais. Trata-se do Tribunal dos Povos, a principal atividade do 2o. encontro Conectando Alternativas, paralelo à Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da América Latina e Caribe e da União Européia.


     


    O objetivo do tribunal é avaliar o comportamento dessas empresas, denunciar as estratégias de controle e de expansão, propondo alternativas de resistência. Diversas dessas multinacionais têm fábricas no Brasil e já sofreram denúncias de movimentos sociais brasileiros. É o caso da Cargill, acusada pelo Greenpeace de desmatar a Amazônia; e da Aracruz Celulose, acusada de expulsar milhares de índios no Espírito Santo e de promover o “deserto verde”, com as extensas plantações de eucaliptos. É o que explica Marcelo Calazans, coordenador da organização não-governamental (ONG) Fase.


     


    “A cadeia produtiva da celulose passa pelo terceiro mundo, passa pelo Brasil, mas ela nasce na Europa, nos Estados Unidos e no Japão e também termina lá. Porque a Aracruz compra grandes máquinas de celulose, paga consultores para pensar o desenho dos plantios homogêneos e os ciclos cada vez mais curtos da produção do eucalipto”.


     


    Darci Frigo, integrante da ONG Terra de Direitos, analisa o caso da Souza Cruz, maior empresa transnacional do setor de produção e comercialização de fumo no Brasil e que também será julgada em Viena. De acordo com informações da empresa, a atuação da Souza Cruz envolve cerca de 250 mil agricultores em todo o mundo. Somente no Brasil, são mais de 100 mil.


    “Na cadeia produtiva do fumo, os agricultores sofrem uma série de violações dos seus direitos, entre eles a saúde, pelo fato de haver uma contaminação com agrotóxicos”.


     


    A programação do Tribunal dos Povos segue até este sábado (13) na Áustria.


     


    De Brasília, da Agência Notícias do Planalto, Sofia Prestes
    (Para ouvir a matéria clique aqui2´00´´ / 469 Kb / MP3)
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  • 08/05/2006

    Carta de apoio à luta dos Mapuche por justiça e liberdade

    Sra. Presidente da Republica do Chile, Michelle Bachelet


     


    Acompanhamos com preocupação a greve de fome que vem sendo realizada pelos quatro acusados – Patrícia Troncoso, Juan Marileo, Juan Carlos Huenulao, Florêncio Marileo – pelo incêndio no campo Poluco Pidenco, atualmente sob a posse da empresa Forestal Mininco, mas que faz parte da Terra Tradicional do Povo Mapuche.


     


    Os indígenas questionam as provas utilizadas no julgamento; questionam o embasamento sobre o qual foram proferidas as sentenças que os condenaram a dez anos de prisão e questionam o uso, para sua condenação, de uma lei antiterrorista, criada durante aquele período tenebroso, que foi a ditadura militar do general Augusto Pinochet.


     


    No Brasil, também vivemos dias de verdadeiro terror e de repressão, quando o país esteve dirigido por uma  ditadura militar, e podemos entender bem o que significa o uso de uma lei antiterrorista, criada no regime militar para um julgamento como este, que envolve questões de luta social.


     


     A Senhora Presidente, que também, com sua família, foi vítima de atos brutais da ditadura, deve entender a importância de os países da América Latina superarem estas leis injustas.


     


    Aqui no Brasil, diversos povos indígenas lutam contra empresas que invadem suas terras para produzir celulose ou explorar madeira. Os povos Tupinikim e Guarani, no estado do Espírito Santo e o povo Pataxó, na Bahia, possuem centenas de histórias de contaminação ambiental de suas terras por agrotóxicos; de invasão de terras; de atrasos de anos nos processos de reconhecimento de suas terras pela pressão das poderosas empresas de produção de celulose e de extração de madeira; da pressão que sofrem para assinarem acordos ilegais; de expulsões violentas realizada pela polícia com apoio das empresas de celulose e madeira. Experiência parecida vivem os trabalhadores rurais sem terra, criminalizados pelas empresas que têm muito poder econômico e nenhum respeito à vida das pessoas. São também essas mesmas empresas que hoje protagonizam um grave e perigoso incidente diplomático entre Uruguai e Argentina, na localidade argentina fronteiriça de Frai Bentos.


     


    É por saber de tudo isso que nos solidarizamos com os quatro Mapuche, que há 53 dias estão em greve de fome, colocando em sério risco a sua vida, na busca de serem ouvidos.


     


    Pedimos a revisão da sentença por “incêndio terrorista”, a liberdade dos presos e a anulação da “lei antiterrorista”, que foi injustamente utilizada para a sua condenação.


     


    Queremos que os problemas referentes aos direitos humanos, assim como aos direitos sociais e políticos possam ser resolvidos dentro dos nossos países, aprimorando nossas democracias, sem que os cidadãos precisem apelar para as Cortes Internacionais.


     


    Nos unimos àqueles que se encontram injustamente presos e clamamos para que seja respeitado o direito do povo Mapuche a seu território; para que termine o saque de suas riquezas pelas empresas transnacionais; para que tenha fim o desmatamento e a contaminação das águas e das terras.


     As pessoas e entidades que assinam este documento pedem pelo direito do povo Mapuche à vida e à liberdade, pedem o fim da repressão às suas justas lutas.


     


    Sra. Presidente da República do Chile, está em suas mãos a vida desses quatro jovens, que lutam dignamente pela sobrevivência de seu povo.


     


    Respeitosamente,


     


    Respeitosamente,


     


    Cimi – Conselho Indigenista Missionário


    CEPIS – Centro de Educação Popular do Instituto Sedes Sapientiae – S.Paulo – Brasil


    Rede Social de Justiça e Direitos Humanos




    CEDAPP- Centro Diocesano de Apoio ao Pequeno Produtor


    ASEVI – Ação Social Esperança e Vida


    PODE – Portadores de Direitos Especiais


    Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Serra – Estado do Espirito Santo



    COMIN


    ONG ARUANÃ – Simões Filho – Bahia


     


     


    Pe. Bernardo Lestienne sj, IBRADES – Instituto Brasileiro de Desenvolvimento


    Alfredo Peña-Vega – Professor-pesquisador do CETSAH-EHESS/CNRS – França


    Fabio Alves dos Santos – Advogado


    Ricardo Gebrim – Sindicato dos Advogados do Estado de São Paulo


    Carlos Toseli – Missionário no Chile


    José Benjamim Pereira Filho – Professor de História e Ouvidor Geral da UEPB – Universidade Estadual do Estado da Paraiba


    Pe. Marconni Barboa- Diocese de Pesqueira PE


    Ariovaldo Ramos, pastor evangélico


    Araci MAria Labiak, brasileira, antropóloga, residente em Curitiba/Pr.


    Helio Kotler


    Prof. Dr. Paulo Moreira da Rosa – Maringá – Paraná


    Rosane Cunen


    Eré Kayoá Pataxó


    Hãpe Pataxó


    Urumã Pataxó


    Ana Gabriela Chaves Ferreira


    Amanda Kássia Chaves Ferreira


    Pedro Henrique Chaves Ferreira


    Josefina Gonçalves Ferreira


    Maria das Graças Ferreira


    Maria da Piedade Ferreira


    Tadeu Magela Ferreira


    Jorgino Nicolau Ferreira


    Virginia Ferreira


    Araci MAria Labiak, brasileira, antropóloga, residente em Curitiba/Pr


    Jose Scussel


    Pe.Jorge Rose, Eirunepé,/Am

    Toninho Ribeiro – CPT Altamira (Prelazia do Xingu)

     

    Contato:

    Conselho Indigenista Missionário (Cimi)

    Paulo Maldos – Assessor Político
    55 61 21061650

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  • 08/05/2006

    Espiritrualidad Misionera en America

    Apuntes apresentados en el Encuentro Continental “Pueblos Indígenas y Evangelización” de la familia salesiana, Quito/Cumbaya, 5 de mayo del 2006


     


    Sor Consuelo Chiriboga


     


    La espiritualidad  es la base del testimonio evangélico y la condición para ser instrumento dócil de la acción del Espíritu


     


    Todo proceso de la vida espiritual  es una configuración con Cristo por la  fe, la esperanza y la caridad.


     


    Una de las notas características  del actuar apostólico dentro de la verdadera espiritualidad es la fraternidad y la colaboración entre los apóstoles. “.. que todos sean uno  …para que el mundo crea que me has enviado” Jn. 17,21


     


    Por lo que la experiencia de Dios se manifiesta en la vida de caridad que da origen a la verdadera espiritualidad. “ el  mundo exige y espera de nosotros sencillez de vida, espíritu de oración, caridad para con todos , especialmente para los pequeños y los pobres, obediencia y humildad , desapego de sí mismo y renuncia.” E. N. 76


     


    Espíritu es todo aquello que se opone a la materia. (Concepto de cultura griega)


     


    En la Biblia espíritu se opone a la maldad, a la carne , a la muerte.


     


    Espíritu significa vida, construcción, fuerza, acción, libertad.


     


    El Espíritu está dentro del cuerpo  porque da vida, nos hace ser lo que somos, nos llena de fuerza, nos  mueve , nos  impulsa, nos  lanza al crecimiento y a la creatividad


     


    Espíritu .- en una persona es lo más hondo de su propio ser, una persona tiene buen espíritu cuando es de buen corazón, buenas intenciones con objetivos nobles.


     


    ESPIRITUALIDAD



     


    La Espiritualidad  misionera es sintonizar con los sentimientos y actitudes del Buen Pastor.


     


    La caridad del Buen Pastor no tiene fronteras, ni en la geografía ni en los ambientes y clases sociales. Llama a  todos. Mt. 11,28; muere por todos 2Cor.5, 15; y su cruz arrastra a todos .Jn. 12,32 ; 1Cor. 13


     


    La espiritualidad es patrimonio de todo ser humano. Toda persona  humana está animada por una u otro espiritualidad, porque toda persona humana es fundamentalmente espiritual, porque el ser humano no es un ser exclusivamente material.


     


    El espíritu es la dimensión   más profunda de  calidad, que el ser humano tiene. Sin la cual no sería persona humana. Su espiritualidad será la talla de su propia humanidad.


     


    La espiritualidad no es sola y exclusivamente  para personas especiales, religios@s; santo@s; ni siquiera es solo para los creyentes. porque la espiritualidad es patrimonio de todos los seres humanos. Es también una realidad comunitaria, es como la conciencia y motivación de un grupo de un pueblo. Cada comunidad, cada grupo étnico tiene su cultura y cada cultura tiene su propia espiritualidad.



     


    Constantemente se han cuestionado si la espiritualidad tiene algo que ver con lo religioso, o si  la espiritualidad es una realidad religiosa nos compromete a todos y a toda la persona.


     


    Debemos darnos muchas respuestas a nuestra propia realidad de personas humanas: Qué es la persona humana?, Cuál es el sentido que damos a la vida? Cómo conseguir la felicidad? Qué es la muerte? Qué podemos esperar?. Estas y otras son preguntas no religiosas específicamente son preguntas en el plano humano, aunque nos parezca que ya nos cuestionamos en el campo religioso.


     


    Toda persona tiene que enfrentarse con el misterio de su propia existencia, tiene que optar por unos valores que le den consistencia a su propia vida. Es decir debe elegir un punto fundamental sobre el cual debe articular su propia conciencia, es una humana profundidad  antes de todo dogma y de todo rito, es decir cada persona define,  que valor coloca en el centro de su vida, cuál es punto absoluto, cuál es su Dios o su dioses. Un gran autor decía: “Dios es aquello que uno coloca por encima de todo lo demás”.otro autor  decía “Dios es más intimo que mi propia intimidad”  .Está  religiosidad profunda, conocida también como religiosidad popular.


     


    Todo lo que hemos dicho hasta aquí muy bien podemos colocarlo dentro del plano Cristiano porque sin especificar ya lo hemos anotado,  pero es conveniente tener presente la fe cristiana, es decir el seguimiento a Jesús, es motivación, impulso, utopía, causa por la que vivir y luchar.


     


    A todos los pueblos Jesús envía a sus apóstoles para ser conocido y extender el reino de Dios.


     


    En todas las culturas y a todos los pueblos es decir a  todos los hombres y las mujeres”  el espíritu de Jesús está presente y actúa en su espíritu”  por los caminos que solo El sabe. AG 7; GS 22; LG16


     


    Aunque algunos pueblos,  en ellos actúa el Espíritu de Dios y hasta ora en ellos con gemidos inefables” Rm.8,26 Todos en El nos movemos y existimos” Hech.17,28 El ilumina a todos Jn.1,9 Para que tengan vida Jn.10,10


     


    Tantos hombre y mujeres de las distintas culturas latinoamericanas  no han tenido acercamiento a la Palabra, de Dios, no conocen al Dios de Jesús , pero invocan al Dios vivo, en su propia cultura , bajo otro nombre y mediante mitos y ritos propios.



     


    Y el “Dios de todos los nombres”  les envía su espíritu, los escucha, los acoge y los salva, no son hijos e hijas de segunda categoría.


     


    Porque Dios que acompaña a todo pueblo a todo ser humano está siempre presente en la cultura, en la sabiduría en la espiritualidad de cada pueblo . (Vaticano II  E.N 23) Todo pueblo tiene riqueza espiritual que compartir, dentro de su propia espiritualidad, cultura, religiosidad y cosmovisión.


     


    Podríamos como ejemplo recordar la espiritualidad Shuar. Los shuar creen en una fuerza misteriosa y omnipotente que vive en la cascada sagrada (tuna) desde la eternidad (Gn.1,2)  de la cual   recibe fuerza  todos los sectores del universo y también el hombre.


     


    Este ser misterioso es llamado ARUTAM, (viejo, existe por si)Arutam anda paseándose por los ríos para ayudar a  los shuar  por medio de los ritos y plegarias , “anent”, sean individuales o colectivas


     


    Construyen Ayantai, lugar de oración cerca de los ríos, de las cascadas y hacen largos ayunos purificándose en los ríos, todo con la única finalidad de alcanzar la ayuda de  Dios.


     


    Utilizan también varias clases de alucinógenos como mediaciones para llegar Arutam (Tsáank, natem, maikiua..),  Este Arútam es puro espíritu , que por no tener cuerpo se manifiesta de muchas maneras.


     



    • Nunkui, Shakaim, Etsa, Uwi, Tsunki, Ayumpum.


    El pueblo Shuar no es politeista, porque saben que estos seres de la mitología tradicional shuar, no son otros tantos DIOSES sino manifestaciones del único Dios.


     


    Cada pueblo encierra grandes secretos  dentro de su propia  mitología encierra grandes riquezas que es necesario y conveniente CONOCER, RESPETAR, VALORAR. Porque  con sencillez y humildad debemos acercarnos a las otras culturas que son diferentes a cada uno de nosotros pero que encierran, toda su experiencia de  pueblo en relación a su propio,  manifestación de Dios.


     


    Dentro de la espiritualidad de cada pueblo de cada lugar es necesario tener presente los gestos y posturas, cosas sagradas, personas sagradas, música, colores.(negro, rojo en el caso del pueblo shuar).


     


    R.M. en algunos de sus numerales nos recuerda:


    R.M. 28 “


     


    Nunca debemos olvidar que el Espíritu Santo ya estaba en los pueblos antes de la encarnación del Jesús histórico , por los misioneros  todo lo bueno que hay en ellos  viene de allí…


     


    Todas estas cosas buenas son semillas de la Palabra de Dios que por Jesucristo hay que llevar a la maduración. Por eso hay que respetar todas las culturas y las manifestaciones de Dios en esas culturas.., porque todo eso es preparación al evangélico.


    R.M. 50


     


    La enculturación es una acción de doble vía:



    1. ….es la entrada del evangelio en la cultura;

    2. …entrada del Pueblo y su cultura en la comunidad cristiana.

     


    No debemos olvidar que es un camino largo y lento. portan a él:




      • los agentes y colaboradores pastorales

      • la comunidad cristiana

      • los pastores.

    R.M. 53


     


    Los misioneros deben insertarse en el Pueblo aprendiendo



    • La lengua, el idioma

    • Las expresiones  de la cultura

    • Los valores culturales


    Porque solamente así estará en condición de descubrir al pueblo el misterio cristiano.


     


    Dentro de todo el trabajo misionero lo fundamental es conocer la REALIDAD, como podemos hablar de espiritualidad de los pueblos indígenas o espiritualidad de América Latina  conocemos sus propias realidades,  mediante la investigación  científico  y sobre todo conocer con el corazón  y aceptar  todas las realidades presentes en cada uno de los pueblos.


     


    La espiritualidad Latinoamericana se caracteriza claramente por una frecuente referencia  a la realidad  (La cosmovisión)


     


    “es deber de la Iglesia escrutar a fondo los signos de los tiempos e interpretarlos a la luz del Evangelio, de forma que acomodándose a cada generación, pueda la Iglesia responder a las perennes interrogantes de la humanidad, sobre el sentido de la vida presente y futura… es necesario conocer el mundo en el que vivimos, sus esperanzas, sus aspiraciones…”G. Sp. 4, 11,44


     


    porque solamente “A través del Espíritu Santo la evangelización penetra en los  corazones, ya que él es quien hace discernir los signos de los tiempos…” E.N. 75


     


    El ver la realidad se caracteriza  por una doble referencia es decir como origen y como finalidad.


     


    ORIGEN.- porque toda acción, todo proyecto, toda actividad parte siempre de la realidad.


     


    FINALIDAD.-Porque es un proceso que en definitiva apunta a un objetivo que generalmente esta en la realidad.


     


    REALISMO.- es partir de la realidad y volver a la realidad.


     


    Partir de la realidad significa también partir desde abajo hacia arriba, en forma inductiva, es decir desde la experiencia de la realidad; es ir desde adentro hacia fuera. Partir desde el propio pueblo que con sus riquezas espirituales se dirige a Dios . a su ser Superior.


     


    La pasión por la realidad  es un rasgo genuino de la espiritualidad  latinoamericana:


    ·        Ayuda a evitar la abstracción estéril y entra en lo concreto, nosotros decimos pisar tierra.


    ·        No se queda solamente en la teoría sino que va a lo practico ., estar  con los pies sobre la tierra.


    ·        Superar la mera interpretación y llegar a la transformación .


    ·        Abandonar el idealismo  y poner los pies sobre el suelo firme.


     


    Toda espiritualidad y de manera  especial la espiritualidad indígena Latinoamericana tiene como base fuerte y un gran pilar la experiencia humana. Dado que la experiencia humana marca,  a la persona en todos los niveles de la  vida , porque la  determina  y constituye; establece empatia, simpatía, es  decir la experiencia humana es el ser mismo de la persona que lo define como tal.


     


                Elementos fundamentales de la experiencia humana.


     



    1. Percepción de la realidad fundamental

    Es cuando la persona llega a captar la realidad  como es  en forma dura y cruda. Hay muchas realidades y situaciones   nos parece tocar lo sensible de la existencia  lo absoluto, y en situaciones dadas nos parece imposible contener nuestras reacciones.


     



    1. La indignación ética ante la realidad

     Nos parece un termino no muy fácil de poder comprender la indignación ética, es aquello que llega muy onda  a las  raíces mismas de nuestro ser. No es el fruto de alguna circunstancia  o de alguna ideología en particular , es aquello que uno lo percibe lo siente  por el  mero hecho de ser persona humana, de manera que sino sintiera no se sentiría persona humana. Además en las últimas décadas  es un fenómeno masivo la indignación ética  en América Latina.


     



    1. La percepción de una exigencia ineludible

    Porque la experiencia humana  no es algo que se queda en sí mismo, como un sentimiento estéril que no engendra dinamismo , es algo importante y radical porque  nos afecta, nos sacude nos conmueve. Es decir nos sentimos cuestionados en lo más hondo de nuestro ser, porque  tolerar, convivir o pactar con la injusticia, el sufrimiento, pero lo considera como una traición a lo más intimo y profundo de nuestro ser. No olvidar que somos hijos de un mismo pueblo.


     



    1. La toma de postura u opción fundamental

    frente a todo lo que hemos tratado viene una toma de postura o lo que podemos llamar también tomar una opción fundamental de la persona.


    No podemos dar sentido a nuestra propia vida si no nos sentamos de frente a la realidad de los pobres y de los jóvenes.  Tema muy tratado en nuestro continente porque la opción de pueblo son  los jóvenes y los pobres, como salesianos nos parece que optamos por los pobres y por los jóvenes solamente en forma de ideal en forma o manera literaria pero en la practica?….,  llevamos en el  corazón a estos nuestros destinatarios predilectos y lo que es más vivimos como ellos?. Mucho tenemos que cuestionarnos como salesian@s de América Latina .


    Por lo que constantemente la espiritualidad nos lleva a encontrar sentido de la vida desde el sentido de la historia, desde el pueblo oprimido. No seremos verdaderamente espirituales sino somos capaces de caminar con la gente de nuestro pueblo es decir con los jóvenes y los pobres de este pueblo


     


    En la opción la persona se define ante Dios, porque es a Dios a quien se encuentra en esa experiencia  en el compartir con la gente de nuestro pueblo. El verdadero misionero que ve la realidad que tiene una espiritualidad latinoamericana sale al encuentro de los interrogantes más  serios de la vida, de la realidad, de la historia de la humanidad y de sí mismo…


     


    Porque en la realidad de la pobreza le sale al encuentro el mismo Jesús.


     


    Porque ahí está definiendo el sentido de su vida


     


    Porque está definiendo cual es su postura ante Dios, lo que le inspira su mismo espíritu.


     


    Estamos en la capacidad de poder ver, leer y vivir esa realidad ante Dios y llevar a Dios a la realidad de los pobres y los jóvenes pienso que no tiene sentido nuestra vida y por lo tanto nuestra propia espiritualidad no sabría darle el verdadero adjetivo que se merece…


     


    Pero recuerden siempre que el conocer la realidad nos lleva a definir que nuestros pueblos latinoamericanos buscan su autonomía liberadora, porque reconocen que es necesario ser libres para vivir.


     


    Para alcanzar la verdadera libertad debemos  vivir  la propia identidad que es fundamental en  cada persona ,al decir que queremos vivir nuestra propia identidad debemos decir queremos ser nosotros  mismos con nuestras propias riquezas y con nuestros valores y antivalores.


     


    América nace, como América , sintiéndose dependiente , conociéndose invadida, como sometida y como colonia; de acuerdo a la historia de cada uno de nuestros pueblos. En primera instancia fue España o Portugal; ahora son las famosas transnacionales , con las garras propias de la nación del norte las que hacen presencia en nuestros pueblos y que constantemente cuestionan nuestra propia identidad.


     


    Las muchas patrias que hace el “continente latino americano”, son  una sola Patria , patria grande, hablando más indígenamente y hasta afroamericanamente, sería la Patria grande porque nuestras culturas, su vinculación con Dios y con la tierra son muy destacadamente maternales y matriarcales  su gran sentido de pertenencia al suelo, a la tierra que le vio nacer.


     


    Todos los latinoamericanos, sentimos al continente como una especie de hogar común, frente a las realidades vividas a lo largo de la historia y de manera especial  en la época actual frente a las grandes transnacionales. Entre nosotros hay un gran sentido de consaguinidad,  por el que hacemos nuestros como automáticamente los héroes, los mártires los artistas,, las causas liberadoras de cualquier rincón de cualquier ángulo del continente.


     


    Somos el continente joven, que tiene más niños, y frente al mundo somos un continente que sabe respetar, acoger y valorizar a los ancianos, porque dentro de nuestros pueblos es muy  reconocido el sentido de ancestralidad, con el que los pueblos indígenas y negros  del continente evocan  a sus antepasados, se vuelven a su sabiduría y a sus dichos, cuidan de los ancianos y los escuchan, les piden la bendición y acuden a  visitarlos sin tener en cuenta las distancias y dificultades que tengan que vencer.


     


    Entre otras de las  características del Pueblo Latinoamericano podemos anotar:


     


    La solidaridad en América Latina, con este nombre concreto, escrito, cantado, gritado a veces heroicamente de pobre para pobre, de perseguido para perseguido, arriesgando o incluso dando la propia vida, en nuestro continente son  muchos los mártires de la solidaridad.


     


    Pero nuestras propias realidades supone muchas  veces  una vocación a la marginación, a la cárcel y a la muerte es el tejido desinteresado de objetivos comunes, considerada como una afinidad ignata, correlación de sangre, de cultura, de utopía, necesidad de enfrentarse luchas iguales par ir hacia delante en el camino de la  verdadera justicia social.


     


    La solidaridad que ya es un patrimonio nuestro debe continuar para todos los hijos de América Latina , una consigna vital, un horizonte mayor y un programa diario.


     


    La hospitalidad es una de las características de nuestro pueblo latinoamericano bien podemos afirmar que las puertas de las casas se abren fácilmente , porque tenemos una gran capacidad de acoger al que llega y al que pasa, no  es posible sobre todo en el mundo rural negar comida o cobija; pero en la actualidad se da el fenómeno de los menores abandonados o maltratados.


     


    Esta herencia cultural de la hospitalidad se ha visto enormemente violentada en las grandes ciudades , al tener que cerrar puertas y ventanas y construir  muros  y rejas ; porque lo normal a corazones abiertos , puertas y ventanas abiertas.


     


    La gratuidad es un rasgo fundamental del espíritu Latinoamericano, gracias a Dios que nos ha dado todo dice nuestro pueblo, por lo que se nos acusa como gente religiosa.


     


    Se debe reconocer que tenemos mucho de espiritual, de  conciente y de asumido en la actitud constante de nuestro pueblo que no contabiliza, que no acumula, que da y recibe se da y acoge que vive al día sin ansiedades y sabe amanecer diariamente, que ha aprendido a creer en el futuro y hasta a soñar con el . La gran esperanza.


     


    No debemos permitir que la cultura “adveniente “ nos arranque estas características propias de nuestra espiritualidad Latinoamericana.


     


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