• 05/06/2006

    Carta Compromisso de Defensores e Defensoras de Direitos Humanos

    X Conferência Nacional de Direitos Humanos


    Brasília – 2006


     


    1. Reunidos na X Conferência Nacional de Direitos Humanos, nós defensoras e defensores de direitos humanos, que militamos e lutamos todos os dias em nossas entidades, movimentos sociais e instituições públicas para que sejam respeitados, protegidos, promovidos e garantidos os direitos humanos de todos os povos, mulheres e homens, crianças, jovens e idosos, migrantes, trabalhadores e trabalhadoras rurais, urbanos e domésticos, pessoas com deficiência; nós que lutamos sem parar para que todas as pessoas tenham liberdade para professar sua fé religiosa sem restrição, para que tenham a liberdade de orientação sexual sem qualquer constrangimento; nós que lutamos para que educação de qualidade, saúde acessível e de qualidade, trabalho e renda, dignidade e respeito sejam garantidos a todos, homens e mulheres sem qualquer discriminação e exceção; nós que exigimos a regularização imediata das terras quilombolas e o reconhecimento dos direitos indígenas; nós que queremos um país sem racismo, sexismo e violência, nos unimos para manifestar nossa mais veemente indignação com os assassinatos e o extermínio do qual São Paulo foi vítima por causa da ação do crime organizado que matou dezenas de policiais civis e militares, mortes estas seguidas de execuções sumárias, de jovens pobres e negros da periferia, típicas de grupos de extermínio formados no interior do aparelho de segurança. O massacre de São Paulo é, infelizmente, só uma pequena mostra, hoje a mais aparente, de um problema que atinge a todos e todas e que vem se transformando em uma questão fundamental a ser resolvida se quisermos construir um país verdadeiramente democrático, justo e solidário.


     


    2. A exclusão social tem sido a marca histórica e permanente do desenvolvimento econômico, político e social do país, na última década a política neoliberal adotada no Brasil tem agravado a preponderância de políticas que não priorizam a justiça social com impacto forte sobre os direitos humanos. Precisamos inverter as prioridades, em vez de aumentar e garantir o lucro dos banqueiros e das transnacionais, precisamos de recursos dirigidos a políticas públicas de educação de qualidade, de segurança pública, garantia de acesso humano e digno à saúde, programas de geração de trabalho e renda, efetivação de uma verdadeira reforma agrária, implementar a demarcação das terras indígenas e quilombolas e respeitar e garantir os direitos dos povos da floresta e de ribeirinhos. A violência é um fenômeno complexo e não se restringe às péssimas condições de vida dos pobres e miseráveis, mas essa condição, em si, já é marca da violência. A mudança nesse quadro exige que se destinem recursos e orçamentos prioritariamente às políticas sociais e para que se tenha também a segurança pública como parte essencial das políticas sociais e de construção da cidadania. Entendendo que os operadores de segurança pública devem ter um salário digno e melhores condições para cumprir sua missão.  Precisamos de um outro modelo econômico, uma outra lógica de políticas públicas, queremos uma política de segurança com participação e controle social, que respeite a vida e a dignidade das pessoas livres e dos internos em instituições prisionais.


     


    3. A efetiva implementação dos direitos humanos econômicos, sociais, culturais e ambientais, requer a imediata aprovação de uma lei de responsabilidade social que vincule a administração pública a metas de implementação de políticas públicas nessas áreas. Aprovar essa nova lei é criar uma política de Estado que permita avançar de forma sustentável e permanente na redução das desigualdades sociais.


     


    4. O extermínio de jovens negros, seletivo, dirigido e planejado deve ter fim. Não é possível existir democracia e cidadania com a permanência dessa situação, que é resultado do racismo que se manifesta também na segregação no acesso à educação, ao trabalho, que se exprime também nos salários menores para negros e negras. O Poder Legislativo pode ter um papel importante nesse processo se criar e dar condições de trabalho a uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o extermínio de negros e indígenas. A sociedade civil também tem papel nessa luta, a crítica, a vigilância e a pressão são fundamentais, por isso recomendamos a criação da Rede Nacional de Combate à Violência Letal Juvenil, reunindo organizações não governamentais, movimentos sociais, fóruns e articulações de direitos humanos, de negros e negras afrodescendentes, de mulheres e indígenas, entre outros.


     


    5. O resgate da dívida histórica com os afrodescententes originada com a escravidão e a superação do racismo e da desigualdade racial deve ser uma prioridade do Estado e da sociedade que será reforçado com a aprovação do Estatuto da Igualdade e a criação do Fundo Nacional para a Igualdade Racial, com o objetivo de financiar políticas, programas e projetos visando a reparar a histórica dívida histórica e promover a igualdade racial.


     


    6. A violência de gênero doméstica e intrafamiliar contra as mulheres constitui uma grave forma de violação dos direitos humanos, portanto recomendamos a aprovação imediata do projeto de lei da Câmara dos Deputados 37/2006 que representa a tentativa de criação de mecanismos efetivos para coibir a violência contra as mulheres.


     


    7. O racismo também atinge os indígenas, que continuam a sofrer violência exacerbada e ainda são vítimas de massacre e vivem sob a ameaça de extinção de vários povos. Denunciamos a violência contra indígenas, a criminalização das lideranças e dos movimentos indigenistas e reivindicamos que seja criada rapidamente, pela Presidência da República, uma Secretaria de Política Indigenista, nos moldes das secretarias de Direitos Humanos, de Igualdade Racial e de Políticas para as Mulheres e que se construa, de forma participativa e democrática, uma política indigenista que tenha por primazia o respeito aos direitos humanos.


     


    8. Denunciamos o processo de esterilização imposto às mulheres indígenas. Reivindicamos da Divisão de Saúde da Mulher, do Ministério da Saúde, especial atenção com políticas específicas para proteger e garantir o exercício dos direitos reprodutivos das mulheres indígenas.


     


    9. As pessoas com deficiência continuam fazendo parte do ciclo de invisibilidade que engloba em seu contingente populacional 600 milhões de pessoas no mundo inteiro, sendo 24,5 milhões só no Brasil e que corresponde, em nossa realidade, a 14,5% da população. Esta situação não pode ser desconsiderada pelo discurso e pelas práticas de direitos humanos. No âmbito da Organização das Nações Unidas já foi reconhecida a necessidade de garantia de direitos humanos, gerais e específicos, e de visibilidade ao seguimento. Estamos em meio a um processo histórico da elaboração da Convenção Internacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, iniciado em 2001, cujo texto estima-se finalizar na VIII Sessão do Comitê ad-hoc instaurado, a ser realizada em agosto de 2006. É preciso trabalhar a temática de direitos humanos de forma transversal e inclusive garantindo o acesso de todos aos seus direitos civis e políticos, econômicos, sociais e culturais, além dos direitos peculiares de cada segmento. A eficácia das normas, no entanto, dependem da mudança de paradigmas culturais. Por isso a grande relevância da inclusão das pessoas como público beneficiário de direitos humanos. Ressaltamos a necessidade de que nos relatórios de monitoramento de direitos humanos, políticas e cadastros para fins estatísticos seja sempre considerado o recorde específico das pessoas com deficiência, sem prejuízo dos demais recortes da diversidade humana.


     


    10. Recomendamos a aprovação do Projeto de Lei da Câmara 1151/1995, que disciplina a união civil entre pessoas do mesmo sexo.


     


    11. Recomendamos que o Programa Brasil Sem Homofobia, programa este atualmente com ações interministeriais seja tornado um Plano Nacional com fundo próprio a fim de promover ações de desconstrução do preconceito por orientação sexual e identidade de gênero.


     


    12. Há 16 anos, o povo brasileiro conquistou um novo marco legal e político de priorização da infância e juventude, como determina nossa Constituição. As crianças e adolescentes têm de ser nossa prioridade absoluta. O Estatuto da Criança e do Adolescente determina e dá os critérios para o tratamento de adolescentes em conflito com a lei. O que exigimos é o respeito à lei, ao Estatuto da Criança e do Adolescente, com a extinção dos atuais internatos-prisões e sua substituição por instituições verdadeiramente sócioeducativas e a priorização de projetos em meio aberto de liberdade assistida e de prestação de serviços à comunidade. É fundamental a criação de programas de proteção da criança e adolescentes ameaçados de morte, bem como o país deve cumprir as decisões dos organismos internacionais relacionadas à vida e à integridade física dos adolescentes internados.


     


    13. A violência sexual contra crianças e adolescentes contitui uma das mais cruéis formas de violação dos direitos humanos. É preciso efetivar políticas públicas de prevenção e enfrentamento dessa realidade no sentido de garantir os direitos desse segmento infanto-juvenil.


     


    14. É critério de justiça e respeito aos direitos humanos o acesso pleno à saúde. Especificamente em relação aos portadores de sofrimento mental, o Ministério da Saúde deve instituir mecanismos claros para a progressiva extinção dos manicômios e para o efetivo cumprimento da reforma psiquiátrica. É necessário ampliar o acesso, sem que implique na interdição judicial dos Benefícios de Prestação Continuada, é imperativo garantir o acesso gratuito ao tratamento necessário, inclusive os de alto custo e é essencial que se garanta que as pessoas portadoras de transtornos mentais, que cometam delitos e são consideradas inimputáveis, sejam tratadas com as mesmas condições definidas na reforma psiquiátrica, ou seja, nos hospitais gerais e serviços substitutivos.


     


    15. Os presídios não devem ser lugar onde a sociedade se vinga de pessoas que cometeram algum delito, dos mais brandos e ligados à condição de necessidade aos mais graves, aos crimes contra a vida. Não se trata de vingança, se trata de justiça. Devemos manter constante vigília da sociedade civil para que as garantias previstas na Lei de Execuções Penais e na Constituição Federal sejam efetivadas em relação às especificidades da mulher presa, como também aos presos e egressos. Manifestamos especial recomendação para a ampliação da aplicação de penas e medidas alternativas.


     


    16. Precisamos de uma política de direitos humanos, ao mesmo tempo clara, publicizada, abrangente, permanente e possível de ser monitorada, com metas e prazos para serem cumpridos e respeitados. É necessário promover a atualização do Programa Nacional de Direitos Humanos, com ampla participação da sociedade. O novo posicionamento do Estado e da sociedade deve incorporar desde os instrumentos legais para a responsabilização dos estados brasileiros nos casos em que a União for condenada por violação aos direitos humanos em instâncias internacionais, além de promover a ampliação de espaços de justiciabilidade internacional dos Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (Dhescas), e reforçando ações que garantam a divulgação e a informação a todos os órgãos e instituições do Executivo, Legislativo, Judiciário e Ministério Público para o conhecimento e apropriação das decisões e acordos internacionais e das recomendações do sistema internacional de proteção dos direitos humanos.


     


    17. Reafirmamos nosso compromisso com a política de desarmamento como instrumento efetivo de diminuição dos índices de criminalidade e violência, que deve ser reforçada com uma profunda alteração nas políticas mantidas com base na letalidade e na violência da ação dos aparelhos de segurança.


     


    18. A institucionalidade dos direitos humanos requer a criação e o fortalecimento de conselhos de direitos humanos, no âmbito federal, estadual e municipal, bem como de ouvidorias, com funções deliberativas e vinculantes, instituições democráticas, com participação da sociedade civil, com composição no mínimo paritária, com orçamento e estruturas adequadas. Os conselhos devem ter função e responsabilidade de monitoramento, avaliação e formulação de políticas públicas de direitos humanos. Devem ser espaços de controle social, participação e construção dos direitos humanos.


     


    19. Recomendamos a aprovação imediata do projeto de lei que cria o Conselho Nacional de Direitos Humanos. Destacando, porém, que o Conselho Nacional deve ser composto com maioria de membros representantes da sociedade civil, com orçamento próprio e atuação autônoma.


     


    20. A educação é terreno próprio e fecundo para a promoção e irradiação da cultura dos direitos humanos, por isso é importante a promoção da educação em direitos humanos desde a educação infantil até a universidade, abrangendo educação formal e não-formal, considerando todos os recortes de diversidade de religião, raça, etnia, gênero, orientação sexual, deficiência e geração, com focos na formação de professores e professoras, com salários e condições de trabalho dignos, contemplando a transversalidade das temáticas e especificidade do processo pedagógico.


     


    21. É preciso garantir a defesa e promoção do direito humano à comunicação, cuja importância está ligada à construção de identidades e subjetividades, bem como à conformação das relações de poder. Sua realização passa pela garantia de meios e de condições para que os diversos segmentos da população possam ouvir, falar e ser ouvidos, inclusive garantindo que a TV Digital seja construída a partir de plataforma livre, sem o o uso e pagamento por patentes e tenha seu modelo implementado de tal forma que se garanta a democracia e a diversidade cultural na produção de conteúdos. Por isso é preciso reconhecer o direito humano à comunicação na construção da política nacional de direitos humanos. Também é preciso reforçar a adoção de medidas administrativas, legislativas e judiciais, que visem a prevenir, coibir e punir o uso indevido da internet e de outros meios de comunicação para a prática de crimes contra os direitos humanos.


     


    22. Construir um país democrático pressupõe o resgate de nossa história, especialmente o conhecimento, reconhecimento e reconstituição do período recente da ditadura militar. Memória e verdade são condições necessárias para a permanência da democracia. Justiça e verdade são condições necessárias para o resgate histórico da resistência do povo brasileiro contra a ditadura militar, com o julgamento e punição dos torturadores a exemplo do que já vem sendo feito em outros países da América do Sul, como Argentina e Chile. A abertura dos arquivos da ditadura já tarda.  E deve ser complementada com o respeito ao direito daquelas pessoas que ainda não tiveram seus processos de anistia analisados e daquelas cuja anistia ainda não foi completamente implementada.


     


    23. Manifestamos nosso apoio ao Comitê Brasileiro de Direitos Humanos e Política Externa, aumentando a participação da sociedade civil, do Poder Legislativo e do Poder Judiciário nos processos de elaboração, monitoramento e avaliação da política externa brasileira, que juntamente com o Poder Executivo deverão assegurar que seja respeitado o princípio constitucional da prevalência dos direitos humanos.


     


    24. Vivemos um momento importante e delicado hoje no Brasil. Os defensores e defensoras de direitos humanos somos vítimas do rancor e da ação política retrógrada, anti-humana e antidemocrática do ressurgimento de forças ultra-conservadoras que se aproveitam do sentimento de insegurança da população para criminalizar as pessoas e movimentos que defendem que a segurança pública seja um direito democrático e cidadão de todos e todas, que a segurança esteja integrada e relacionada com políticas de respeito e garantia dos direitos humanos, como educação, saúde, acesso à terra e ao trabalho, liberdade e justiça. Deixar que vença o conservadorismo é fazer o Brasil retroceder na construção da democracia, é fazer vencer o racismo, a homofobia, a injustiça, o fundamentalismo.


     


    A valorização e o reconhecimento do papel dos defensores e defensoras dos direitos humanos é condição essencial para o avanço da democracia e da cidadania no Brasil. Temos consciência de nossa responsabilidade, vamos continuar nossa luta!


     


    Reafirmamos como Fernando Pessoa:


     


    “Valeu a pena?


    Tudo vale a pena


    Se a alma não é pequena!”


     


    Plenário da X Conferência Nacional de Direitos Humanos, auditório Nereu Ramos, Câmara dos Deputados, 2 de junho de 2006.


     

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  • 05/06/2006

    Indígenas e pequenos agricultores se mobilizam pela aprovação de emenda constitucional na assembléia legislativa

    Os pequenos agricultores do município de Laranjeiras do Sul, região centro-oeste do Estado e representantes da comunidade Kaingang do Centro-Oeste se mobilizam para que a Assembléia Legislativa aprove na próxima segunda-feira (06/02), em primeiro turno de discussão e votação, a Proposta de Emenda à Constituição Estadual, que estabelece que o Governo do Estado indenizará os proprietários de terras titulados no passado em áreas indígenas. Está é a segunda vez que a PEC entra na pauta de votação da assembléia legislativa, a primeira previsão era que a discussão e a votação acontece no  dia 16/05. 


     


    A PEC apresentada pelo deputado Elton Welter em novembro do ano passado inclui na Constituição do Paraná um artigo (226-A) que possibilita ao poder público estadual (re)assentar agricultores que estejam ocupando áreas indígenas: “O Estado promoverá o reassentamento ou a indenização dos agricultores que, por boa fé, estejam ocupando terras destinadas, por meio de processo demarcatório, aos povos indígenas”.


     


    A PEC 115/05 visa criar condições legais para evitar futuros conflitos fundiários, especialmente na região Centro Oeste do Estado, onde processos de demarcação de áreas indígenas encontram-se em andamento.


     


    O caso da comunidade Boa Vista


     


    O conflito entre indígenas e pequenos agricultores é fruto da política fundiária implementada no Estado do Paraná a partir da década de 1930. Está política teve como único objetivo transferir as terras do Estado (ocupadas em sua grande maioria por comunidades indígenas e por posseiros) às grandes companhias estrangeiras de “colonização”. Este modelo se alicerçou pela expulsão dos indígenas de suas terras e violação sistemática dos direitos destas comunidades.


     


    Esta política se aprofundou no governo de Moisés Lupion, que na década de 50 expulsou os Kaingang da então Terra Indígena de Boa Vista e os “transferiu” para outras áreas indígenas na região, sendo que suas terras foram ocupadas por grandes proprietários da região. É importante registrar que o governo Lupion é reconhecido pelos historiadores paranaenses como um dos períodos mais violentos da história paranaense em que a corrupção, a grilagem e a venda irregular de terras são à base da política fundiária do Estado.


     


    A comunidade indígena nestes mais de 50 anos não desistiu de reocupar seus territórios “roubados” pelo Estado do Paraná. Na década de 90 a mobilização dos Kaingang aumenta e fruto desta pressão se constitui uma comissão que teve como uma de suas tarefas realizar um estudo antropológico que identificasse o território indígena em Laranjeiras do Sul.   Após o estudo realizado em 1997 ficou a expropriação da Terra Indígena e se recomendou a demarcação da área.


     


    No entanto, nestes mais de 50 anos a região de Laranjeiras do Sul foi ocupada por migrantes provenientes principalmente de Santa Catarina e Rio Grande do Sul e grande parte das áreas dos indígenas, foram desmembradas e vendidas aos pequenos agricultores.



    Para a CPT a aprovação da PEC reconhece a luta dos indígenas e o direito a indenização e (re)assentamento dos pequenos agricultores que de “boa fé” e enganados pelo Estado adquiriram suas terras na região de Laranjeiras do Sul e possibilitará por fim a está situação de violação dos direitos das comunidades indígenas que perdura mais de 50 anos


     


    Curitiba, 02 de junho de 2006.


     


    Comissão Pastoral da Terra do Paraná


    Informações (42) 9916-8683


     

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  • 02/06/2006

    TRF1 nega recurso de acusado da morte de Vicente Cañas


    Está marcado para 11 de julho de 2006 o julgamento dos acusados pela morte do missionário Vicente Cañas, que atuava com o povo Enawene-Nawe e foi assassinado no Mato Grosso em junho de 1987. 


     


    Após ser pronunciado, isto é, convocado para o júri para o julgamento, um dos réus, Ronaldo Antonio Osmar, recorreu ao Tribunal Regional Federal da 1a. Região (TRF1), questionando o pronunciamento. Em 30 de maio, no entanto, o recurso foi negado pela 4a. turma do TRF1 por unanimidade. A relatoria foi feita pelo desembagador Ítalo Mendes, e o tribunal entendeu que o pedido tinha o objetivo de protelar o julgamento.

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  • 02/06/2006

    MPE-MS recorre contra absolvição de acusados de esterilizar mulheres indígenas

    O Ministério Público recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) que absolveu Ivan Paz Bossay, Juarez da Silva Franco e Sandra Regina Albuquerque, candidatos nas eleições de 2004 em Miranda (MS), das acusações de abuso de poder econômico, consistente na troca de votos por cirurgias de laqueadura.


     


    No recurso, o Ministério Público Eleitoral (MPE) relata que o médico Ivan Paz Bossay, ex-diretor do Hospital Sociedade Beneficente de Miranda, candidato à reeleição para a prefeitura de Miranda pelo PDT, foi acusado de negociar a troca de votos por cirurgias de laqueadura de trompas em índias terena das aldeias do município. As cirurgias eram feitas pela doutora Sandra Regina, correligionária de Bossay e que, em 1990, integrou uma chapa com ele na disputa pela prefeitura de Miranda. Juarez da Silva Franco, candidato a vereador em 2004, também foi acusado de ter participado da “compra de votos”, segundo o MPE.


     


    Na Ação de Investigação Judicial Eleitoral, o Justiça Eleitoral acolheu a denúncia do Ministério Público, embasada na acusação do Centro de Defesa dos Direitos Humanos Marçal de Souza (CDDH) acerca da realização “indiscriminada” de laqueaduras em índias. Segundo o promotor eleitoral Thiago Di Giulio Freire, pelo menos 80 mulheres indígenas teriam se submetido à cirurgia de esterilização em troca de voto.


     


    O recurso dos acusados contra a procedência da ação foi aprovado, por maioria, no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul, sob o argumento de que a “caracterização de abuso de poder econômico não se verificou nos autos, já que se confirmaram judicialmente apenas três depoimentos afirmando que o Dr. Ivan teria pedido voto em troca de laqueadura”.


     


    Inconformada, a Procuradoria Regional Eleitoral interpõe o presente Recurso Especial (Resp 26.047) ao TSE. No pedido, a PRE requer que os acusados sejam considerados inelegíveis “nos três anos subseqüentes à eleição de 2004, em razão da prática de abuso de poder econômico”.


     


    O recurso, assinado pelo procurador eleitoral Emerson Kalif Siqueira, alega ser “inconcebível” que, “mesmo havendo algumas contradições ou alterações entre o que se apurou no âmbito do procedimento instaurado pelo Ministério Público Eleitoral de primeira instância e a prova obtida durante a instrução deste feito, o TRE-MS não tenha conferido validade aos mais variados elementos probatórios, inclusive à confissão judicial – extraída da ação penal – prestada pela médica Sandra Regina Albuquerque”. No TSE, o recurso será relatado pelo ministro Cezar Peluso.


     

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  • 01/06/2006

    Carta de Vitória: Quatro estudos de identificação reafirmam a área como indígena

    Nós, reunidos no Seminário “Os Direitos dos Povos Indígenas e o Avanço do Agronegócio: Questões e Desafios”, realizado no dia 1º de junho de 2006, na cidade de Vitória/ES, aproveitamos esse momento histórico para expressar os pontos fundamentais a respeito dos conflitos fundiários envolvendo índios Tupinikim e Guarani e a multinacional Aracruz Celulose, no município de Aracruz, ES; e as exigências de uma solução por parte do Governo Federal, instância da qual se espera, com grande expectativa, uma decisão definitiva sobre os referidos conflitos.


     


    É importante lembrar que a Aracruz Celulose ocupa hoje no ES, cerca de 150 mil ha, dos quais 18.070 ha pertencem ao patrimônio da União e destinados à posse exclusiva e permanente dos povos indígenas Tupinikim e Guarani, como determina a Constituição Federal. Embora essas terras tenham sido identificadas pela Funai, a conivência do governo brasileiro, desde 1967, tem sido fundamental para garantir a continuidade dessa invasão. Apenas 7.061 ha foram recuperados pelos índios, após muita luta e sofrimento. Os 11.009 ha restantes encontram-se ainda ocupados pela empresa, aguardando a Portaria de Delimitação pelo atual ministro da Justiça, desde maio/2005.


     


    Sendo assim, a solução do conflito está nas mãos do ministro da Justiça. Todos os estudos técnicos para dirimir a questão dos direitos às terras em disputa já foram produzidos e seus resultados são por demais conhecidos. Por isso, não há lugar para dúvidas, pelo menos do ponto de vista técnico. Na última década foram produzidos quatro estudos de identificação da área indígena, pelos grupos de especialistas da Funai, cujos resultados constataram e reafirmaram que as terras em disputa são tradicionalmente ocupadas pelos povos Tupinikim e Guarani. Mais, os estudos técnicos da Funai concluíram que aquelas terras são fundamentais para a sobrevivência física e cultural dos indígenas.


     


    Assim, a questão passou agora para o complicado campo das definições políticas, no qual cabe ao governo decidir por uma posição, pressionado por todos os interesses em jogo. Sabemos que durante todas essas décadas de apropriação de privilégios junto ao governo Federal, desde o período da ditadura militar, a Aracruz Celulose tornou-se um grupo econômico muito poderoso, com capacidade de influir nas mais variadas esferas de decisão da República.


     


    Por isso mesmo, advertindo sobre as arbitrariedades que se acumularam e as perversas conseqüências sobre as comunidades indígenas do ES, exigimos que desta vez os direitos humanos indígenas sejam privilegiados sobre os interesses meramente econômicos da multinacional do eucalipto.


     


    É necessário alertar que esta associação entre os interesses privados e a esfera pública, tão usual em nossa história republicana, é o maior poder de pressão que a empresa possui. Indo de encontro à própria legislação brasileira, a Aracruz Celulose tenta desqualificar a via administrativa e forçar que a resolução se dê através da Justiça. Devemos nos opor a esta medida e denunciá-la como um desrespeito à legislação brasileira, pois o decreto 1775/96 dispõe sobre os procedimentos administrativos de demarcação das terras indígenas. Além disso, fica claro que a intenção da empresa é apostar na lentidão da justiça e nas brechas jurídicas que têm favorecido o poder econômico e financeiro. Enquanto isso, poderá continuar lucrando com o plantio de eucalipto nas terras indígenas.


     


    Por fim, posicionados na trincheira dos direitos indígenas, exigimos que o governo brasileiro pague a dívida social com os Tupinikim e Guarani; e que obedeça os artigos 231 e 232 da Constituição Federal e a Convenção 169 da OIT, da qual é signatário. Que a Funai emita um parecer bem fundamentado sobre as contestações a serem oferecidas pela Aracruz Celulose e num prazo de até 30 dias. Que o ministro da Justiça assine a Portaria de Delimitação no prazo estabelecido de 30 dias, sem solicitar novos estudos.


     


    Seguem assinaturas


     

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  • 01/06/2006

    Relatório do Cimi: Violência contra indígenas também atinge crianças e adolescentes

     


    No relatório que o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) lançou nesta terça-feira, 30 de maio, em Brasília, com dados sobre violações dos direitos dos povos indígenas, diversos itens incluem violências que atingem crianças, adolescentes e jovens. Destaca-se a presença de crianças e adolescentes nos casos de tentativas de assassinatos, assassinatos, violência sexual, suicídios, desassistência à educação escolar indígena, mortes por desnutrição e mortalidade infantil.  


     


    Entre os casos de tentativas de assassinato, quatro ocorrências podem ser destacadas: os atentados contra três aldeias inteiras, em Raposa Serra do Sol, em 2005, que atingiram também as crianças que ali viviam. Em 2004, entre as tentativas de assassinato figuram crianças do povo Katukina, no Acre, que foram ameaçados enquanto voltavam, acompanhados dos pais, da cidade para a aldeia, com dinheiro de aposentadoria, gasolina e mantimentos. Em 2003, no Mato Grosso do Sul, na noite em que o cacique Marcos Verón foi assassinado, seu sobrinho de 14 anos foi ferido por tiros. Em 2005, entre as 51 vítimas de tentativas de assassinato no Mato Grosso do Sul, 10 eram crianças ou adolescentes.


     


    Entre os casos de assassinato, há um jovem de 19 anos, de Pernambuco, morto defendendo o cacique Xukuru, que sofreu um atentado em 2003; e  um jovem Truká de 17 anos, morto ao lado de seu pai pela polícia de Pernambuco. Em 2004, no Mato Grosso do Sul, 7 das 18 vítimas de assassinato tinham menos de 18 anos, e as mortes repetem circunstâncias de violência comuns naquele estado. As causas da violência no MS são um dos pontos analisados pelo relatório do Cimi. 


     


    Em todos os casos em que comunidades inteiras são ameaçadas de morte, as crianças são submetidas a situações de insegurança e medo.


     


    Da mesma forma, quando há casos de atraso nos prazos de demarcação de terras indígenas, as crianças ficam expostas a ações de reintegração de posse, à falta de local para plantio de alimentos, à vida em acampamentos em beiras de estradas. Um dado do relatório que demonstra esta exposição é o de homicídios culposos. Do total de 38 ocorrências levantadas entre janeiro de 2003 e julho de 2005, 30 referem-se a atropelamentos. Entre estes, 11 eram crianças ou adolescentes. Em 2004no Pará, um adolescente do povo Tembé, de 14 anos, sofreu um atentado após ter participado de um grupoi que expulsou madeireiros da terra indígena Alto Rio Guamá, no Pará.


     


     


    Violências Sexuais


     


    Crianças e adolescentes, na faixa de 6 a 13 anos de idade, são as maiores vítimas da violência sexual contra indígenas nos últimos três anos. De janeiro de 2003 a agosto de 2005, foram computados 41 casos de violência sexual, entre estupros, tentativas de estupro, atentado violento ao pudor e favorecimento da prostituição no Amazonas, Acre, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Paraná, Rondônia, Roraima e Rio Grande do Sul. Os dados desse período revelam o crescimento desse tipo de agressão contra os povos indígenas.


     


    Em 10 casos registrados em 2003, 60% das vítimas tinham menos de 18 anos, sendo 4 crianças e 2 adolescentes. Dois casos ocorreram em razão de conflito de terra. Um deles aconteceu no Amazonas: um Katukina, de 13 anos, foi vítima de atentado violento ao pudor, dentro da terra indígena, por um pescador da região. O outro caso ocorreu no Mato Grosso do Sul: uma indígena Guarani-Kaiowá foi estuprada por jagunços da fazenda Brasília Sul, por ocasião de um acampamento onde os Guarani tentavam fazer uma retomada de sua terra tradicional. Quatro ocorrências foram objeto de providências, isto é, tiveram registro de queixa em uma delegacia de polícia, e 3 resultaram em prisões.


     


    Em 2004 foram localizadas 18 ocorrências de violência sexual contra indígenas. Houve um aumento de 80% em relação ao ano anterior. Das 19 vítimas, 68% eram menores de idade (12 com idade entre 6 a 13 anos, e uma de 16 anos).  Em Mato Grosso do Sul o número de ocorrências dobrou em relação ao ano anterior. Este foi o estado com o maior número de violências, e 60% das vítimas foram crianças com idade entre 6 a 13 anos.  Foi também o estado onde duas vítimas foram assassinadas após a violência sexual. Dentre as ocorrências 13 foram objeto de providências (registro de queixa em delegacia e prisões)


     


    De janeiro a agosto de 2005, foram localizadas 13 ocorrências com 17 vítimas, dentre as quais  70% tinham menos de 18 anos (quatro crianças com idades de  8, 9, 12 e 13 anos e 8 adolescentes, com idade de 15 e 16 anos). Mato Grosso do Sul, como nos anos anteriores, foi o estado com  maior número de ocorrências de violência sexual contra indígenas, e 85% das vítimas eram menores de idade. Nove ocorrências foram objeto de providências, com registro de queixa na delegacia, e 6 acusados foram presos. Dentre as ocorrências, uma está associada a conflito de terra. Uma indígena Guajajara, de 16 anos, foi estuprada por vários homens, por ocasião de uma invasão na terra indígena Bacurizinho, no Maranhão.


     


    Esses dados revelam que o número de ocorrências vem crescendo a cada ano e as maiores vítimas são as crianças e adolescentes. Das 46 vítimas localizadas neste período, 67% eram menores de idade (20 crianças com idade entre 6 e 13 anos  e 11 adolescentes com idade entre 15 e 17 anos). O Mato Grosso do Sul é o estado com maior número de ocorrências de violência sexual contra indígenas e, entre elas, 79% foram cometidas contra menores de idade. Na Paraíba, Paraná e Mato Grosso do Sul há casos de favorecimento da prostituição de indígenas.


     


    Do total das ocorrências, 24 foram estupros e 6 tentativas de estupro. Os agressores são invasores de terra indígena, como jagunços e funcionários de fazendas; um prestador de serviços na Casa do Índio de Rio Branco (AC); parentes das vítimas. Há ainda casos com autoria desconhecida.


     


    Os casos de assédio sexual[1] foram 4 e os envolvidos eram um chefe de posto da Funai (AM), um soldado do exército (RR), um ex-assessor da prefeitura de Boca do Acre (AM) e um auxiliar de enfermagem (RO). Nos três primeiros casos, a conseqüência foi o nascimento de crianças. No caso de Rondônia, a vítima foi uma indígena de 13 anos que acompanhava a avó em tratamento de saúde, na enfermaria do hospital em Guajará Mirim (RO).


     


    Quatro foi o número das ocorrências de atentado violento ao pudor. As vítimas eram menores de idade em três casos. Os agressores foram: um pescador que invadia o lago dentro de terra indígena (AM); um médico do hospital de Boca do Acre (AM), duas crianças foram molestadas por seu pai (MS) e um indígena de 77 anos, que foi assassinado após a violência sexual (MS).


     


    Casos de favorecimento de prostituição foram observados na Paraíba, Paraná e Mato Grosso do Sul. Na Paraíba, o crescimento desordenado do turismo no território indígena favorece a infiltração do crime organizado e o aliciamento de meninas para a exploração sexual. No Paraná, motoristas de caminhão que cruzam a BR-277 induzem as menores indígenas que vendem artesanato na beira da estrada a se prostituir. Em Dourados (MS), uma jovem de 15 anos foi aliciada por traficantes e obrigada a se prostituir para pagar pelas drogas que usa.


     


    Um dado preocupante é a ocorrência de violência sexual praticada por indígenas. Não há registro dessa prática entre índios de pouco contato ou mesmo entre outros de maior tempo de contato mas que vivem em terras distantes dos centros urbanos. A maioria dos casos verificados aconteceu no Mato Grosso do Sul, em terras localizadas próximos aos centros urbanos, onde violências desse tipo acontecem com maior freqüência.


     


    Cerca de 67,5% das ocorrências foram objeto de providências, tendo sido feito registro de queixa na delegacia de polícia com prisão de 13 acusados. 


     


    SUICÍDIOS


     


    Em 2005, houve um caso de suicídio praticado por um adolescente viciado em cocaína. No mesmo ano, três casos entraram em averiguação pela Fundação Nacional do Índio, pela Fundação Nacional de Saúde e por autoridades policiais. Eles estão relacionados a duas possíveis situações: uma versão remete à suposta existência de uma seita, sob influência da qual os jovens se encontram em cemitérios durante a noite e teriam feito um pacto de morte; a outra versão aponta que um homem, que se apresentava como pastor, estaria incentivando os jovens a se matarem. Estes 3 casos ocorreram no Amazonas e as vítimas eram todas jovens: um menino de 14 anos, viciado em cocaína; uma menina de 12 anos e outra de 13 anos.


     


     


    DESASSISTÊNCIA NA ÁREA DA EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA


    O levantamento sobre a situação da educação escolar indígena aponta para alguns fatores que estão presentes nos três anos avaliados. O principal deles é a falta da implantação de educação diferenciada para os indígenas nas escolas das aldeias. Os dados referentes aos estados do Amazonas, Paraíba,  Mato Grosso, Pará, Tocantins, Santa Catarina e Paraná apontam que as aulas que são dadas em português, e não nos idiomas indígenas.


     


    Além de os currículos não serem adaptados à realidade indígena, em Santa Catarina e no Paraná o calendário letivo não contempla as datas ritualísticas, apenas os feriados nacionais, sendo ainda que na escola a língua materna só é usada para conversação, enquanto a alfabetização acontece em português.


     


    É recorrente também o fato de as escolas indígenas possuírem somente até a 4ª série do ensino fundamental. Casos assim foram levantados entre no Pará, no povo Tikuna, no Amazonas. No Tocantins e no Mato Grosso do Sul, aparecem também reivindicaçaões de ensino médio nas aldeias. Os alunos que freqüentam escolas nas cidades sofreram discriminação por alguns professores. No Maranhão, a Secretaria da Educação não atendeu à proposta de reforma do ensino fundamental e implantação do ensino médio em escolas das aldeias.


     


    Um dado relevante contido no levantamento é o de atraso no pagamento dos professores, funcionários, merendeiros, motoristas e assistentes. Nos anos de 2003, 2004 e 2005, este foi um fato presente em Pernambuco. Os funcionários das escolas do Ceará e do Maranhão tiveram seus salários atrasados em 2004 e, no ano de 2005, Bahia e Ceará passaram pelo mesmo problema.


     


    No estado do Amazonas, os professores perdem até 10 dias para ir receber o pagamento na cidade de São Gabriel da Cachoeira.


    Um outro problema diz respeito à estrutura física das escolas. Em 2003, no Ceará, uma escola da terra indígena Pitaguari, do povo Tapeba, foi despejada por falta de pagamento do aluguel, que deveria ser feito pela Secretaria da Educação. Na Paraíba, as escolas que foram construídas permaneceram fechadas. Em Pernambuco, em 2004 e 2005, as condições físicas das escolas eram precárias. Em 2005, no Tocantins faltam escolas e estrutura física para as aulas, merenda, material escolar e transporte, em decorrência de má gestão dos recursos públicos.


     


    A falta da merenda escolar foi relatada em 2003 por comunidades do Ceará e Amazonas. Em Pernambuco, em 2005, houve falta de merenda e, quando os alimentos estavam disponíveis, houve casos em que eles não eram apropriados para a alimentação indígena e geraram problemas de saúde nos estudantes.


     


    Mortalidade infantil



    Os dados oficiais sobre mortalidade infantil indígena no Brasil dão conta de que, em 2003, de cada mil crianças nascidas vivas, 56,6 faleciam antes de completar um ano de idade. Em 2004, o índice caiu para 47,71 por mil e, em 2005, voltou a subir para 50,85 por mil.


     


    Os casos apresentados no relatório não representam – e nem pretendem representar – a totalidade de casos de mortes de crianças. O que pretendemos, ao contrário, é agrupar informações publicadas pela imprensa ou conhecidas pelas equipes do Cimi que atuam no interior do país para contribuir na composição de um diagnóstico da situação dos povos indígenas no Brasil.


     


    O levantamento realizado em 2003 sobre mortalidade infantil possui apenas dados referentes ao Estado do Pará, onde ocorreram 11 casos, sendo 3 de infecção respiratória, 1 caso de malária, e 7 por falta de assistência.


     


    Em 2004 foram registrados 156 casos de mortalidade infantil, sendo que 80 crianças Xavante (MT) morreram de febre e tuberculose. Faleceram 63 Yanomami (RR/AM): 13 por pneumonia e 50 por doenças infecciosas, provenientes de alimentação por causa de água contaminada por mercúrio. Foram registrados outros 6 casos no Pará, 4 no Amazonas, 2 no Acre e 1 em Rondônia.


     


    No ano de 2005 foram levantados 42 casos de morte infantil, sendo 16 casos no Amazonas, 11 por pneumonia e 5 por diarréia ; 8 crianças  no Mato Grosso do Sul; 7 no Maranhão, sendo 6 por doenças respiratórias e 1 por pneumonia; 6 no Pará, sendo 5 mortes por pneumonia; 2 em São Paulo e em Tocantins, Bahia e Rondônia tendo ocorrido 1 caso em cada estado.


     


    Mortes de crianças indígenas por desnutrição


     


    Foram levantados em 2003 os casos de morte de crianças causadas por desnutrição no Mato Grosso do Sul, entre os Guarani-Kaiowá; no Pará, entre os Xikrin; em Roraima, entre os Yanomami; no Mato Grosso, entre os Kayapó e em Alagoas entre os Geripankó.


     


    As mortes de crianças Guarani-Kaiowá e Geripankó estão diretamente relacionadas à situação de indigência das comunidades. A escassez de terras para plantar, alcoolismo, moradia precária e desemprego também são fatos relevantes no levantamento dos casos ocorridos no Mato Grosso do Sul. Em Alagoas, os fatos agravantes devem-se ao prolongado período de estiagem que destruiu as plantações tradicionais e à falta de água.


     


    Em Roraima, Mato Grosso e Pará o principal motivo da mortalidade infantil por desnutrição é a vulnerabilidade da população, que faz com que a desnutrição venha acompanhada –e seja agravada – por doenças como tuberculose, verminoses e doenças de pele.


     


    Em 2004 foram registrados casos entre os Maxakali, em Minas Gerais; Yanomami, em Amazonas e Roraima; Xikrin, no Pará; e Guarani-Kaiowá no Mato Grosso do Sul. Ficaram evidenciados que, além da desnutrição, são fatores agravantes a contaminação da água e a degradação da terra. Importante ressaltar que a devastação da floresta pelo garimpo, bem como a contaminação da água por mercúrio, prejudicaram a pesca e a caça, fontes de alimentação do povo Yanomami.


     


    As informações coletadas em 2005 são referentes aos seguintes estados e povos: Mato Grosso, Xavante; Pará, Munduruku; Mato Grosso do Sul, Guarani-Kaiowá e Terena; e Amazonas, povos do Rio Negro.


     


    Entre os Xavante, um problema frisado foi a dependência em relação às cestas básicas doadas pelo governo que, além de serem entregues com atraso, não são suficientes para a população. Entre os Terena, um caso pontual foi de uma criança internada para ser atendida pelo Sistema Ùnico de Saúde (SUS), após a família ser informada que não teria atendimento da Funasa, pois a família morava na cidade e não na aldeia.


     

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  • 01/06/2006

    Informe n° 717: Relatório mostra aumento de mortes, genocídio no MS e perigo de genocídio de povos isolados

    – Relatório mostra aumento de mortes, genocídio no MS e perigo de genocídio de povos isolados


    – Direitos indígenas são tema da X Conferência Nacional de Direitos Humanos


     


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    Relatório mostra aumento de mortes, genocídio no MS e perigo de genocídio de povos isolados


     


    A extrema exclusão social e ausência de uma ação governamental que proteja efetivamente os direitos dos povos indígenas podem ser apontadas como causas das violências sofridas por estes povos. Os casos relatados no relatório A Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, lançado pelo Cimi na terça-feira, 31, mostram, inclusive, que há uma situação de genocídio no Mato Grosso do Sul.


     


    Entre 2003 e 2005, três anos analisados pela publicação, verificou-se aumento do número de mortes, de tentativas de assassinatos, de ameaças de morte, de lesões corporais, de violências sexuais e de invasões de terras.


     


    A média dos assassinatos de indígena dobrou nos últimos dos últimos três anos. Passou de 20 por ano entre 1995 e 2002 para 40, entre 2003 e 2005. Segundo Saulo Feitosa, vice-presidente do Cimi, o aumento do número de mortes está diretamente ligado à paralisação nas demarcações das terras indígenas. Quanto menos terras são demarcadas, mais indígenas morrem.


     


    Nos últimos três anos, também foi alterado o perfil dos responsáveis pelas mortes. Voltaram a ocorrer assassinatos encomendados e, por outro lado, diminuíram os casos em que o agressor é Poder Público.


     


    No lançamento do relatório, Feitosa explicou que aumento do número de assassinatos também ocorreu por que, nos últimos anos, o Cimi passou a contabilizar melhor os dados dos assassinatos no Mato Grosso do Sul. Neste estado, acontece a maioria dos assassinatos. As vítimas indígenas de assassinatos em todo o Brasil foram 42 em 2003, e 13 delas viviam no MS. Em 2004, dos 37 assassinatos registrados o MS concentrou 18 e, em 2005, o estado concentrou 29 vítimas entre as houve 43 pessoas assassinadas.


     


    Muitas vezes, os problemas de violência não se referem apenas aos indivíduos indígenas, mas a povos inteiros. As tentativas de assassinato em 2003 atingiram 21 indivíduos e 2 comunidades. Em 2004, foram 38 casos de tentativas, destinadas a 51 indivíduos, além de crianças do povo Katukina, do Acre.


     


    Genocídio no Mato Grosso do Sul


    “Os dados do relatório mostram que a situação dos Guarani-Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, pode ser caracterizada como genocídio”, afirmou Lúcia Rangel, professora de Antropologia da PUC-SP e organizadora do Relatório. O estado concentra os casos de violações dos direitos, seja em ameaças de mortes, atropelamentos, assassinatos ou conflitos por terras.  


     


    A ausência de terra é a causa da maioria das situações. Entre elas está, por exemplo, o crescimento da desnutrição. Lúcia Rangel também explica que a superlotação gera um clima de tensão nas aldeias: “Não há como plantar, então começam algumas disputas internas. Aumenta o consumo de álcool, o que é causa de muitos atropelamentos. O número de suicídios cresce”.  


     


    Por outro lado, ela lembra que o povo Guarani resiste fortemente a esta situação. O avanço do agronegócio, uma das principais razões da diminuição das terras onde os indígenas costumavam viver, não é visto por eles como um fato consumado, irreversível. “Eles têm uma religiosidade e uma relação com as crianças muito fortes. A relação com o tempo também é diferente, portanto para eles esta é uma situação que pode mudar”, explica a professora.


     


    Dos povos isolados, 17 correm risco de morte


    Os indígenas do povo Tenharim, no Amazonas, sempre falam sobre a existência de índios isolados na região onde vivem. Comentam que encontram vestígios quando coletam castanha e que a ameaça à vida do grupo vem dos plantadores de soja, que estão se apropriando das terras de campos naturais da região. O órgão responsável pela demarcação de terras, a Fundação Nacional do Índio, ainda não tomou providências para demarcar qualquer terra que possa garantir a sobrevivência deste povo isolado, que vive na região de Humaitá e Manicoré (AM). Os dados apresentados no relatório apontam pelo menos 60 povos sem contato, dos quais 17 estão na iminência de extinção devido a práticas de genocídio que se reproduzem até os dias atuais.



    O aumento da ameaça nos últimos anos vem da expansão da fronteira agrícola brasileira, que recentemente chegou à Amazônia. “A prática secular de ignorar a presença dos povos indígenas nos processos de colonização do território mantém-se, enquanto o cenário desenvolvimentista, extrativista e privatista avança, alcançando agora as terras amazônicas”, explica Guenter Loebens, missionário do Cimi que atua em Manaus. “A estratégia é acabar com todo e qualquer vestígio de presença indígena para inviabilizar a demarcação das terras, liberando-as para a apropriação privada, exploração dos recursos naturais, a pecuária e o agronegócio”, conclui o relatório.


     


    Crianças são vítimas constantes


    Quando fazendeiros destruíram e atearam fogo em três aldeias inteiras, em Raposa Serra do Sol, Roraima, em 2005, atingiram também as crianças que ali viviam. Em 2004, entre os casos de tentativas de assassinato apresentados no relatório, figuram crianças do povo Katukina, no Acre, que foram ameaçados enquanto voltavam, acompanhadas dos pais, da cidade para a aldeia, com dinheiro de aposentadoria, gasolina e mantimentos. Em 2003, no Mato Grosso do Sul, na noite em que o cacique Marcos Verón foi assassinado, seu sobrinho de 14 anos foi ferido por tiros.


     


    Em 2005, entre as 51 vítimas de tentativas de assassinato no Mato Grosso do Sul, 10 eram crianças ou adolescentes. Em 2004, 7 das 18 vítimas de assassinato naquele estado tinham menos de 18 anos. As crianças figuram também em casos já conhecidos de desnutrição, falta de estrutura nas escolas, desrespeito ao direito de serem alfabetizadas em seu idioma materno e de violência sexual.


     


     


    Direitos indígenas são tema da X Conferência Nacional de Direitos Humanos


     


    A décima Conferência Nacional de Direitos Humanos, que ocorre até esta sexta-feira, em Brasília, tem o direito dos povos indígenas como um dos oito principais temas debatidos pelos participantes, membros de entidades ligadas a direitos humanos em todo o país. Enquanto o país não resolve a exclusão, a falta de garantia ao atendimento à saúde, à educação, à moradia, à terra, à vida, à segurança individual e coletiva, grupos sociais diferentes seguem enfrentando problemas parecidos. Militantes do movimento indígena e camponeses são criminalizados pelo fato de reivindicarem seus direitos à terra, à vida ou à alimentação adequada, lembrou o economista João Pedro Stédile, do MST, no debate de abertura da Conferência, na noite de ontem, 31 de maio.


     


    Um problema comum sobretudo aos afro-descendentes e aos indígenas é a discriminação racial e étnica, que parte inclusive de funcionários do Estado brasileiro. Foram 62 as ocorrências de racismo e discriminações étnico-culturais contra indígenas registradas entre janeiro de 2003 e agosto de 2005, citadas no relatório “A Violência Contra Povos Indígenas no Brasil”, lançado pelo Cimi nesta semana e apresentado às entidades da sociedade civil durante a Conferência. Do total de casos, 36 tiveram como autores agentes do poder público, entre eles funcionários da Funai, professores, membros das forças policiais ou do exército, vereadores e senadores. Entre estes, 11 têm autoria de funcionários do sistema público de atendimento à saúde.


     


    “Se o governo Federal conseguisse inserir o debate de raça e gênero na formação de seus agentes, já teríamos uma revolução”, afirmou Caio Varela, do Instituto de Estudo Socioeconômicos (Inesc), durante o painel sobe Política Nacional de Direitos Humanos que ocorreu na manhã de hoje, quinta-feira. Uma das características fundamentais dos direitos humanos é o fato de que um depende do outro para que seja garantidos. Assim, o direito à saúde depende da educação, e vice-versa.


     


    De acordo com Varela, o Plano Nacional de Educação e Direitos Humanos existe desde 2003, mas ainda não há recursos ou ações efetivas para a educação em direitos humanos, o que faz com que as populações continuem afetadas pelo problema.  “Há mais avanços nas intenções do que nas ações”, criticou.  


     


    O problema da falta de recursos para ações sociais é tema central da Conferência deste ano, que enfoca a relação entre a economia do país e os direitos humanos: os programas sociais, essenciais para a efetivação dos direitos, têm sua implementação constantemente prejudicada pelas restrições orçamentárias, agravadas pela manutenção de uma política econômica que privilegia o pagamento de juros, em detrimento dos investimentos no país.


     


    De acordo com a organização da Conferência, as propostas definidas no encontro serão apresentadas aos candidatos à presidência da República, que vão ser convidados a assumir compromissos com a Plataforma dos Direitos Humanos.


     


    Brasília, 1 de junho de 2006


     

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  • 30/05/2006

    Relatório mostra aumento de mortes em conflitos territoriais e genocídio no MS


    A extrema exclusão social e ausência de uma ação governamental que proteja efetivamente os direitos dos povos indígenas podem ser apontadas como causas das violências sofridas por estes povos. Os casos relatados no Relatório de Violência Contra os Povos Indígenas, lançado hoje, mostram, inclusive, que há uma situação de genocídio no Mato Grosso do Sul.


     


    Dentre as questões discutidas no lançamento da publicação está o aumento do número de mortes em situações de conflitos de terra. A média dos assassinatos de indígenas nesta situação dobrou nos últimos dos últimos três anos. Passou de 20 por ano entre 1995 e 2002 para 40, entre 2003 e 2005. Segundo Saulo Feitosa, vice-presidente do Cimi, o aumento do número de mortes está diretamente ligado à paralisação nas demarcações das terras indígenas. Quanto menos terras são demarcadas, mais indígenas morrem.


     


    Nos últimos anos, também alterou o perfil do responsável pelas mortes. Nos três últimos anos, voltaram a ocorrer assassinatos encomendados, por outro lado diminuíram os casos em que o agressor é Poder Público.


     


    No lançamento do Relatório, Saulo explicou que aumento do número de assassinatos também ocorreu por que, nos últimos anos, o Cimi passou a contabilizar melhor os dados dos assassinatos no Mato Grosso do Sul. Neste estado, acontece a maioria dos assassinatos.


     


    Genocídio no Mato Grosso do Sul


    “Os dados do relatório mostram que a situação dos Guarani-Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, pode ser caracterizada como genocídio”, afirmou Lúcia Rangel, professora de Antropologia da PUC-SP e organizadora do Relatório.


     


    O estado concentra os casos de violações dos direitos, seja em ameaças de mortes, atropelamentos, assassinatos ou conflitos por terras. As vítimas indígenas de assassinatos em todo o Brasil foram 42 em 2003, e 13 delas viviam no MS. Em 2004, dos 37 assassinatos registrados o MS concentrou 18 e, em 2005, o estado concentrou 29 vítimas entre as houve 43 pessoas assassinadas.


     


    A ausência de terra é a causa da maioria das situações, por exemplo, o crescimento da desnutrição. Lúcia também explica que a superlotação gera um clima de tensão nas aldeias: “Não há como plantar, então começam algumas disputas intermas. Aumenta o consumo de álcool, o que é causa de muitos atropelamentos. O número de suicídios cresce…” 


     

    Por outro lado, ela lembra que o povo Guarani resiste fortemente a esta situação. O avanço do agronegócio, uma das principais razões da diminuição da terra indígena, não é visto por eles como um fato consumado, irreversível. “Eles têm uma religiosidade e uma relação com as crianças muito fortes. A relação com o tempo também é diferente, portanto para eles esta é uma situação que pode mudar”, explica a professora.

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  • 30/05/2006

    CIR denuncia situação da saúde indígena ao Ministro Tarso Genro




            


    A advogada do Conselho Indígena de Roraima, Dra. Joênia Wapichana, entregou ao ministro da Coordenação Política, Tarso Genro, carta aberta relatando a crise na saúde indígena no estado de Roraima. Ela participou nesta terça-feira, 30/5, em Belém (PA), de reunião regional do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social da Presidência da República, com a presença do Ministro e de representantes da região Norte.


     


    Joênia é titular no Conselho criado pelo presidente Lula da Silva. A advogada indígena expôs ao ministro a necessidade de diálogo e de respeito aos povos indígenas na elaboração de um projeto nacional de desenvolvimento. Ela conclamou todos os Conselheiros a refletirem o desenvolvimento numa perspectiva econômica, mas também, sócio-ambiental.


     


    Para a assessora jurídica do CIR é impossível pensar o desenvolvimento nacional, enquanto o direito básico à saúde dos povos indígenas está ameaçado. Joênia citou o caso dos índios Yanomami, do estado de Roraima, que estão enfrentado uma grave crise, que coloca em risco a vida de aproximadamente 15 mil pessoas.


     


    Tarso Genro garantiu que as preocupações dos povos indígenas constarão no enunciado da Agenda Nacional de Desenvolvimento.


     


     


    Conselho Indígena de Roraima


     


    30 de maio de 2006


     


     


    Veja o documento na íntegra:


     


     


    CARTA ABERTA


     


    CRISE NA ATENÇÃO À SAÚDE INDÍGENA NO ESTADO DE RORAIMA


     


          O Conselho Indígena de Roraima – CIR, organização indígena que mantém parceria com o governo federal para atenção à saúde das comunidades indígenas desde o ano de 1996, vem por este meio apresentar a dramática situação que estão vivendo nossas comunidades em decorrência da crise que atravessa a saúde indígena em nosso estado. Existem em Roraima dois Distritos Sanitários Indígenas, o primeiro abrangendo a Terra Indígena Yanomami, que se estende pelo estado do Amazonas com uma população em torno de 15.000 indígenas, e o segundo abrangendo as demais terras indígenas localizadas ao leste do estado e que inclui a Terra Indígena Raposa – Serra do Sol onde vive mais da metade dos 34.000 indígenas do distrito. Entre os graves problemas que atingem nossas comunidades, queremos citar os seguintes:


     


     ·       A assistência à saúde no Distrito Sanitário Yanomami se encontra paralisada na maioria das áreas, em razão dos atrasos persistentes nos repasses para as organizações conveniadas com a Fundação Nacional de Saúde, o que tem provocado um aumento alarmante na incidência de Malária e de outras doenças, colocando novamente em risco a integridade física e a sobrevivência do Povo Yanomami;


     


    ·       A invasão contínua de garimpeiros na área contribui para a disseminação de doenças, gerando conflitos e violência em toda a área, sem que os órgãos responsáveis tomem medidas efetivas para o controle desta situação;


     


    ·       As ações de saúde na área do Distrito Sanitário do Leste também estão gravemente comprometidas, devido à paralisação nas compras de equipamentos pela Fundação Nacional de Saúde nos últimos anos, o que levou ao sucateamento de toda a infra-estrutura de transportes e comunicação, e a falta de equipamentos essenciais ao controle da Malária e de outras doenças que estão aumentando em toda a área;


     


    ·       As obras de Saneamento Básico e Abastecimento de Água, indispensáveis para o controle das doenças nas difíceis condições ambientais das serras e do lavrado de Roraima, têm acontecido em um ritmo muito insuficiente e que não atende às necessidades da grande maioria das comunidades, sendo que no ano de 2005 todos os recursos foram devolvidos e este ano existe sério risco de que novamente as obras prometidas não sejam realizadas;


     


    ·       As construções de pólos-base e postos de saúde no Distrito Sanitário do Leste até hoje não saíram do papel, apesar dos inúmeros projetos elaborados e prometidos nos últimos anos, fazendo com que a grande maioria dos 220 postos de saúde e 80 laboratórios existentes tenha sido construída pelas próprias comunidades, com os recursos da arquitetura tradicional, e sem as condições de higiene e infra-estrutura adequadas aos serviços de saúde e à acomodação das equipes que atuam na área;


     


    ·       Outros programas do governo federal, como Bolsa Família, Fome Zero, Luz Para Todos, e o Programa de Apoio à Agricultura Familiar, também não chegaram à grande maioria das comunidades, o que agrava as situações de Desnutrição Infantil e Carência Alimentar existentes em terras indígenas de pouca extensão territorial e baixa produtividade, onde os programas do governo estadual estão totalmente ausentes.       


     


           Confiantes nos compromissos assumidos pelo governo federal com a melhoria da saúde e qualidade de vida dos povos indígenas em nosso país, fazemos um apelo às autoridades responsáveis para que tomem as providências urgentes que esta situação requer.


     


    Boa Vista – RR, 29 de maio de 2006.


     


    Marinaldo Justino Trajano


     


    Coordenador Geral do CIR

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  • 30/05/2006

    Cimi lança relatório

    Introdução e


    Capítulo 1 – Violências decorrentes de conflitos relativos a direitos territoriais


    Conflitos relativos a direitos territoriais / Invasões possessórias, exploração ilegal de recursos naturais e danos diversos ao patrimônio / Danos ambientais e biológicos em terras  indígenas  /  Violências contra o patrimônio – Descumprimento de prazos de demarcação de terras 


    Capítulo 2 – Violência contra a Pessoa por particulares e agentes do Poder Público


    Assassinatos de indígenas / Tentativas de assassinato de indígenas / Homicídios culposos / Ameaças de morte / Ameaças Várias / Lesões corporais / Racismo e discriminações étnico-culturais / Violências sexuais praticadas contra indígenas no Brasil / Apropriações indébitas – retenção de cartões bancários


    Capítulo 3 – Violências provocadas por omissões do poder público


    Suicídios / Tentativas de suicídio / Desassistência na área da saúde/ Mortes por desassistência à saúde / Mortalidade infantil / Mortes de crianças indígenas por desnutrição / Desnutrição – desassistência na área de saúde/ Desassistência na área de educação escolar indígena / Disseminação de bebida alcoólica / Desassistência à produção agrícola


    Capítulo 4 – Violências contra povos indígenas isolados e de pouco contato


    Povos indígenas continuam sendo exterminados na Amazônia / Relação dos povos isolados ameaçados de extinção / Povos indígenas de contato recente ameaçados de extinção

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