• 25/10/2006

    Federal Public Prosecution Service in Espírito Santo takes Aracruz Celulose to court.

    PRESS RELEASE


     


    Federal Public Prosecution Service in Espírito Santo takes Aracruz Celulose to court. The company will respond for the abusive and distortive propaganda, inducing prejudice against the Tupinikim and Guarani Peoples of Espirito Santo.


     


    The Federal Public Prosecution Service in Espírito Santo sent today, 23 October, to the Federal Court a civil public action against the company Aracruz Celulose S/A, accusing the company of abusive and distortive propaganda, and inducing prejudice against the Tupinikim and Guarani indigenous peoples in the state.


     


    The company is spreading in the municipality of Aracruz (Espirito Santo), in schools and public places, brochures about the indigenous issue, with deceptive sayings, besides spreading similar information by means of its web site.  Also, the company used the images of the communities and an indigenous leader without the necessary consent for that.


     


    The federal attorneys understood that the publicity demonstrations of the company produce a negative impact in the population in relation to the indigenous communities, creating a propitious atmosphere for ethnical and racial quarrels.


     


    In the action, it is demanded that the company is not allowed any more to reproduce, spread and distribute the contents of its web site and the brochure, besides paying for moral collective damage in favor of the community.


    Source: website of the Federal Public Prosecution Service in Espírito Santo (MPF/ES)

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  • 25/10/2006

    Quem matou Kiwixi?

    Esse grito forte iniciado há 19 anos, na beira do rio Juruena, quando o corpo de Vicente Cañas foi encontrado, começa a ser elucidado, com os criminosos indo para o banco dos réus, na Cuiabá quente envolta pelos sanguessugas, no Mato Grosso dos escândalos e dossiês.


     


    Naquela manhã do dia 19 de maio de 1987, quando chegamos à aldeia Enawenê, no igarapé Ikuê, afluente do rio Juruena, para levar a notícia de que haviam matado Kiwixi, os índios ficaram extremamente irritados e agitados cobravam ininterruptamente: “Quem matou Kiwixi?” Exigiam resposta imediata. Não podiam suportar que a morte de um de seus melhores amigos, ficasse sem resposta e impune. Porém, o direto envolvimento de interesses econômicos e políticos da região foram protelando o inquérito e o andamento do processo por 19 anos, encobrindo com a impunidade esse crime covarde e bárbaro.


     


    Dos seis réus denunciados pelo Ministério Público, apenas um, o ex-delegado de Juína, Ronaldo Antônio Osmar, está sentado na cadeira dos réus. Dos três fazendeiros acusados de mandantes do crime, dois já morreram e o terceiro está com mais de 70 anos, e, portanto não mais pode ser julgado e punido. O mesmo acontece com um dos acusados de execução do crime. Restaram apenas dois, tendo a defesa dos réus optado pela estratégia de desdobrar o julgamento, alegando a não presença de duas das testemunhas.


     


    O julgamento teve seu primeiro dia, em ritmo de lentidão, em meio a indefinições e intervenções de outras ordens, uma vez que tanto o juiz que preside o julgamento, Jefferson Schneider, quanto o procurador do Ministério Público, Mario Lúcio de Avelar, estão também atuando no caso do dossiê Vedoin. Aliás, ambos concordaram em dar mais 30 dias à Polícia Federal para conclusão das investigações. O atraso de quatro horas para o início do julgamento, foi considerado por D. Tomás Balduino como um desrespeito ao grande número de pessoas presentes no auditório e à memória de Vicente Cañas.


     


    Interrogatório do acusado ex-delegado


     


    Finalmente o único levado ao banco dos réus começa a ser interrogado. Durante mais de duas horas o ex-delegado apenas conseguiu dizer algumas evasivas e econômicas respostas. O que mais falou foi “não sei”, “não me lembro”, “talvez”, “não tenho certeza”… Diante da ironia e economia das respostas, o juiz Schneider deu o recado: “Pode falar com mais vontade, sem tanta economia de palavras, pois és advogado, foste delegado de polícia… Eu não tenho pressa, posso passar muito tempo até que o senhor fale…”.


     


    Antes de iniciar o julgamento, na manhã de ontem, um grupo de amigos de Vicente e aliados da causa indígena, fizeram a celebração da memória dessa mártir, no hall de entrada do Fórum da Justiça Federal, em Cuiabá. Faixas e cartazes pediam o fim da impunidade com o julgamento e punição dos culpados.


     


    Hoje o julgamento terá seguimento com a leitura do processo e oitiva das testemunhas de acusação e defesa. Nova celebração estará lembrando a memória da vida, luta e martírio desse companheiro da causa indígena, do Conselho Indigenista Missionário, com o depoimento dos que encontraram o corpo de Vicente, em 16 de maio de 1987.


     


    Pelo fim da impunidade, por um Brasil com justiça e respeito aos povos indígenas!


     


    Cuiabá (MT), 25 de outubro de 2006.


     


    Egon Heck


     

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  • 25/10/2006

    Caso Cañas: Ex-delegado acusado pelo assassinato foi interrogado na noite de ontem

     


    O julgamento dos acusados pelo assassinato do padre Vicente Cañas Costa prossegue a partir das 9 horas da manhã desta quarta-feira, 25 de abril. A sessão será iniciada com a leitura de trechos do processo escolhidos pelos advogados de defesa e acusação, atividade que deve levar algumas horas. Depois, serão ouvidas quatro testemunhas da defesa e cinco da acusação. Por fim, haverá debates que, entre postulações e respostas dos advogados, podem durar até cinco horas.


     


    O julgamento começou de fato na tarde de ontem (24). Através de recurso previsto na legislação processual, a defesa fez com que se desmembrasse o julgamento dos dois acusados pelo assassinato que vão a júri popular. Assim, está sendo julgado Ronaldo Antônio Osmar, ex-delegado de polícia de Juína, município do crime, pela acusação de homicídio duplamente qualificado, mediante pagamento e em emboscada.


     


    O interrogatório de Ronaldo Antônio Osmar foi realizado no início da noite. Acusado de ser um dos autores intelectuais do assassinato e de ter coordenado a operação, o réu negou ter qualquer envolvimento com o assassinato de Cañas. Respondeu a grande parte das perguntas dizendo que não se lembrava dos fatos. Disse que conhecia Vicente Cañas apenas pelas histórias que ouvia sobre o “missionário barbudo, de cabelos compridos e que usava colares como os índios”.  


     


    Segundo o ex-delegado, Cañas era conhecido na região como sendo “chefe” dos indígenas e seria responsabilizado por ser idealizador de assassinatos atribuídos aos indígenas que ocorreram antes de sua morte, já no contexto de tensão entre os Enawene Nawe e não-indios. O réu também negou conhecer qualquer tensão entre indígenas e posseiros ou proprietários de terras. No entanto, como delegado de polícia, ele confirmou ter feito a ocorrência de um dos casos de assassinatos.


     


    O réu negou também que tenha tido qualquer atitude para retardar as investigações, apesar dos questionamentos feitos pelo advogado de acusação, Mario Lucio Avelar, e pela assistência dele, através da Dra. Michael Nolan, que citaram textualmente reclamações do delegado que coordenava as investigações, de Cuiabá.


     


    “Já era conhecida esta linha da defesa, de negar qualquer envolvimento com o caso. Mas esta atitude tem ônus também, porque amanhã (hoje) começa a fase de apresentação de provas. Acredito que a partir deste momento a estratégia da defesa vai se revelar fragilizada e os jurados terão elementos que lhes permitam avaliar sobre a condenação”, avaliou Paulo Machado Guimarães, assessor jurídico do Cimi que também atua na assistência de acusação.


     


     


    Outro julgamento marcado


     


    O outro réu, José Vicente da Silva, será julgado a partir da próxima terça-feira, 31 de outubro. O advogado de José Vicente retirou-se do júri para garantir o adiamento, já que a acusação, que poderia definir a ordem do julgamento dos réus, queria que José Vicente fosse a julgamento primeiro.


     


    Seus advogados de defesa comprometeram-se a garantir a presença das quatro testemunhas que arrolaram para o caso e que não estavam presentes no tribunal ontem.


     


    O terceiro acusado que iria a julgamento, Martinez Abadio, da Silva, teve o processo prescrito por ter mais que 70 anos.


     


    Novo ato na Justiça Federal


     


    Às 9h00 da manhã em Cuiabá (10h00 em Brasília), está marcada uma nova mobilização no saguão da Justiça Federal. Pessoas que conviveram com Vicente Cañas contarão fatos sobre a vida do missionário e darão depoimentos sobre sua maneira de conviver com o povo Enawene Nawe.


     

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  • 24/10/2006

    Carta de Passo Fundo

    Nós, missionários (as), leigos (as) e religiosos (as) do Sul e Sudeste do Brasil, reunidos em Passo Fundo, entre os dias 16 a 19 de outubro, por ocasião da XXX Assembléia do Cimi Regional Sul, para estudar a temática das economias indígenas, bem como, para analisar a realidade vivida pelas comunidades indígenas da região e a conjuntura pré-eleitoral, queremos tornar público aquilo que vimos, ouvimos e debatemos.


     


    Constatamos que os povos indígenas continuam sofrendo uma brutal violência e agressão em seus direitos. Denunciamos que a política indigenista brasileira não atende às demandas destes povos. O órgão indigenista oficial, Funai, não tem cumprido seu papel, conforme determina a Constituição Federal (art. 231 e 232). Muitas de suas ações são contrárias às comunidades indígenas e atendem aos interesses dos setores políticos e empresariais nos estados e nas regiões. Como exemplo disto, destacamos a formação da Comissão Especial, no estado de Santa Catarina, composta por pessoas contrárias aos direitos tradicionais destes povos, para intervir nos procedimentos de demarcação das terras indígenas; a utilização de mecanismos que vêm inviabilizando a demarcação das terras, tais como, os “estudos prévios” e “levantamentos de demandas”, sabendo que estes procedimentos não têm respaldo constitucional. Em muitos locais, a Funai tem elaborado laudos que desqualificam relatórios antropológicos realizados anteriormente por ela mesma que identificavam e delimitavam terras indígenas. Desta forma, o órgão oficial vem insistindo na negação do direito tradicional às terras de muitas comunidades e propondo a compra de terras, negando o princípio do direito originário.


     


    Os povos indígenas são vítimas de uma política ambiental equivocada, desenvolvida em algumas regiões, que vem negando o direito à terra de comunidades indígenas e outras populações tradicionais. Essa violência vem sendo praticada por estados como São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, municípios e órgãos ambientais com a conivência do órgão indigenista. 


     


    No que se refere às terras já demarcadas, há forte pressão de empresários e políticos interessados em explorar os recursos naturais que ainda restam.


     


    Diante de toda esta realidade, reafirmamos nosso compromisso profético com os povos indígenas e exigimos do governo federal a regularização das terras tradicionalmente ocupadas e o respeito aos saberes indígenas na implementação das políticas públicas.


     


    “POR UM BRASIL, SOBERANO, PLURIÉTNICO, DEMOCRÁTICO E POPULAR”


     


    Passo Fundo (RS), 19 de Outubro de 2006.


     

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  • 24/10/2006

    Julgamento do caso Cañas: Um dos acusados obteve prescrição do crime por ter mais de 70 anos

    Marcado para as 8h da manhã desta terça-feira, 24, o julgamento dos acusados pelo assassinato do missionário jesuíta Vicente Cañas ainda não começou de fato. Durante toda a manhã, defesa e acusação estiveram reunidos com o juiz Jéferson Schneider discutindo encaminhamentos processuais.


     


    Já foi definido que um dos acusados não irá a julgamento. Martinez Abadio da Silva, de 73 anos, não será julgado porque a legislação brasileira prevê que o crime prescreve para os acusados que forem condenados após terem completado setenta anos. A prescrição foi solicitada pela defesa e aceita pelo Ministério Publico Federal, responsável pela acusação no processo.


     


    A sessão recomeçou às 15 horas. Após a pausa, volta a ser debatido o pedido da defesa para que o julgamento dos dois acusados que ainda irão a júri seja desmembrado, isto é, feito em sessões separadas. Outro ponto a ser definido será sobre o início do julgamento sem a presença de todas as testemunhas de defesa.


     


    Deverão ser julgados pelo Tribunal do Júri, pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, mediante pagamento e em emboscada, Ronaldo Antônio Osmar, ex-delegado de polícia de Juína, município do crime, e José Vicente da Silva As penas para homicídio qualificado podem variar de doze a trinta anos de reclusão.


     


    A assessoria jurídica do Cimi, representada pelos advogados Paulo Guimarães e Michael Nollan, está atuando na assistência de acusação do caso, ao lado do procurador Mario Lucio Avelar.


     


    Celebração


     


    Desde as 7h30 da manhã desta terça-feira, cerca de 50 pessoas reuniram-se no saguão do prédio da Justiça Federal em Cuiabá, Mato Grosso.


     


    Duas lideranças do povo Rikbaktsa, representantes de pastorais, da Comissão Pastoral da Terra, do setor de direitos Humanos do MST, da Operação Amazônia Nativa (Opan), da Missão Anchieta, dos jesuítas, do Grupo de Trabalho Missionário Evangélico (GTME) e da Conferencia dos Religiosos do Brasil (CRB), entre outros, estiveram presentes. Entoaram cantos e colaram cartazes pedindo justiça e defesa dos direitos humanos.


     


    Dom Tomaz Balduino, bispo emérito de Goiás e ex-presidente do Cimi e da CPT também esteve presente e falou sobre sua convivência com Vicente Cañas e sobre a presença dos mártires na luta dos povos.


     


    O  assessor especial da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Ivair Augusto Alves dos Santos, irá acompanhar o julgamento, representando o Ministro Paulo Vannuchi.


     


    O julgamento


     


    Vicente Cañas, missionário do Cimi, foi assassinado em 1987 porque lutava pela demarcação da terra Enawenê-Nawê e trabalhava pela saúde deste povo. Apenas 19 anos depois foi marcado o histórico julgamento dos acusados pelo seu assassinato. Para o Cimi, o resultado do julgamento pode significar um grande avanço na luta contra a impunidade.


     


    Contato:


    Priscila D. de Carvalho


    Cimi – Assessoria de Comunicação


    (61) 9979 6912


     

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  • 24/10/2006

    MPF/ES apresenta ação contra Aracruz Celulose por preconceito contra os Tupinikim e Guarani

    O Ministério Público Federal no município de São Mateus, no Espírito Santo, deu entrada ontem (23/10) na Justiça Federal de Linhares numa ação civil pública contra a empresa Aracruz Celulose S/A, por propaganda abusiva, distorcida e indutora de preconceito contra os Tupinikins e Guaranis.


     


    O processo tramita na 1ª Vara da Subseção Judiciária de Linhares sob o número 2006.50.04.000458-0 e será analisado pela Juiza Isabel Cristina Longuinho Batista de Souza. Ela deve julgar o pedido liminar do MPF para que a empresa seja proibida de  reproduzir, veicular ou divulgar os conteúdos do site e da cartilha sob pena da pagar multa de cem mil reais por dia de exposição no site ou por evento de propaganda.



    A empresa vem divulgando no município de Aracruz (ES), em escolas e locais públicos, cartilhas que tratam da questão indígena, com dizeres falaciosos e preconceituosos, além de manter em seu endereço eletrônico material com conteúdo similar. Também utilizou a imagem das comunidades e do cacique Vilson, da aldeia Caieiras Velha,  sem o necessário consentimento.



    Os procuradores da República, André Pimentel Filho e Luciana Oliveira, entenderam que as manifestações publicitárias da empresa produzem efeito negativo na população em relação aos indígenas, criando ambiente propício para discórdias étnico-raciais.


     


    O pedido final da ação é de que a Aracruz Celulose seja condenada a pagar um milhão de reais às comunidades indígenas do Município de Aracruz, como indenização por danos morais coletivos e utilização indevida de imagem das comunidades e de seus integrantes.  Além disso, os procuradores pediram que, se a decisão for favorável aos povos indígenas, ela seja publicada em jornais de grande circulação, às custas da empresa, para amplo conhecimento da sociedade dos atos ilícitos praticados e como medida construtiva de uma cultura dos direitos humanos.

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  • 24/10/2006

    Poemas de Vicente Cañas sobre a vida dos Enawenê-nawê

    Destruição Cultural


    Nômade Salumã*


    Navegando quer estar


    Quereis matar a curiosidades


    Ma jamais a vais saciar


    A destruição vossa lentamente chegará


     


    (*como os Enawenê-nawê eram conhecidos)


     


    Suave despertar


    Suave despertar flautas e entoar


    Suave despertar cantos a cantar


    Suave despertar louvando ao criador estão


    Suave despertar cuias de queterá*


    Suave despertar fogo a iluminar


    Suave despertar homens a dançar


    Suave despertar crianças a espiar


    Suave despertar cultura a escutar


    Suave despertar resto do dia vivem em paz


    Suave despertar mulheres água a procurar


    Suave despertar pilões a escutar


    Suave despertar crianças a chorar


    Clarear o dia cada um ao seu lugar


    Clarear o dia vão a trabalhar


    Ao cair do dia alimentos trazem


    À noite dormem em paz


     


    (*bebida à base de mandioca)


     


    Morte Carinhosa


    Kayiko, morte da tua mulher


    Que tristeza dá


    Quantos choros


    Quantos carinhos que faz a gente pensar


    Quantos preparativos para a mulher enterrar


    Que linda casca para a defunta enrolar


    Que quente o fogo para os pertences queimar


    Morte tranqüila que faz pensar


    Linda a vida a mulher a levar


    Triste separação que faz chorar


    Um dia não muito longe encontrarás


    E eternamente não separar.


     


    Latifúndios desgraçados


    Latifúndios desgraçados


    Perambulando estais


    Querendo tomar as terras dos Salumã


    Maldito imóvel que cria mal estar


    Dinheiro do povo que roubando estais


    Destruição das matas para nada criar


    Dinheiro em abundância fazendo gente matar


    Jagunços e gatos a contratar.


    Latifúndio que oco e bichado estás Políticos no meio para os animar

    Harmonia do universo chorando vai.

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  • 23/10/2006

    Newsletter n. 737




    – Hunger, tension and death in Porto Cambira, state of Mato Grosso do Sul


    – Tupinikim and Guarani are in Brasília to demand a decision from the Ministry of Justice


    – Cimi requests solidarity from people and organizations in the trial of the Vicente Cañas case



     


    Hunger, tension and death in Passo Piraju, state of Mato Grosso do Sul


     


    In the morning of last Wednesday, October 11, Plácida de Oliveira and Teresa Murilha left their village, Passo Piraju, in Porto Cambira, to go to the municipality of Dourados to request legal assistance from Funai to get a legal grant provided to dependants of people in jail who do not receive any remuneration from the social security system.


     


    The husbands of both of them and seven other members of the Kaiowá Guarani people in Passo Piraju were arbitrarily arrested on April 4 of this year after reacting against a raid of police officers, dressed in plain clothes, in their community on April 1 without a warrant. The raid was carried out regardless of the fact that, in February of this year, a working group of the Public Safety Secretariat made up of representatives of public safety agencies of the state, of Funai, of Funasa, of the City Hall of Dourados, and of the Federal Prosecutor’s Office, determined that any police actions inside conflict areas occupied by indigenous people should involve Funai officials through the Sucuri (Anaconda) Operation. The Passo Piraju community occupies a 60-hectare area, and although its members have been claiming their rights and protesting against acts of violence for years, no steps for identifying the land have been taken so far.


     


    On the day that Teresa and Plácida went to the city, basic sets of food products were distributed in their community under the hunger combat program. Because only the beneficiaries themselves can receive the basic food baskets after signing a receipt, nobody could receive them for Plácida and Teresa. Knowing how the two depend on this benefit, community members asked the government agents to give them the food baskets or wait until they arrived. However, inspectors of the Electoral Court who monitor the distribution of the food baskets during election periods did not authorize the delivery. The whole community was outraged when its members saw that the two women would be left without any food. But this is what the law determines, these are rules to avoid frauds or the use of these food baskets for electoral purposes or for buying votes.


     


    The two women were desperate when they returned to the city and were informed that the food baskets had been distributed while they were absent from the village.


     


    The situation is very difficult in Passo Piraju. After the arrests in April, the community felt pressured and scared with the way they were reported by newspapers of the region. Many community members left the village after being discriminated by people living in the city and because they were tired of being threatened constantly.


     


    People who used to buy the small crop surpluses of the community in the village have not been doing so any longer. Without money, the Indians have no means to buy basic hygiene products that are not included in the food baskets.


     


    Without men in the village to repair their huts, those that are falling apart as a result of the heavy rains that characterize this season, are not being rebuilt, and at least one-third of them collapsed. 


     


    Plácida, a woman who is about 50 years old and is more used to facing so much suffering, decided simply to accept the situation. Teresa, a 22-year-old young woman, mother of four children, the oldest of whom is seven years old and the youngest one six months, refused to accept it. After knowing that she would not receive the food basket, Teresa didn’t know what to do. She requested advice from the elders, but they did not bring her any hope in practice.


     


    Without food to give to her children and living in a hut without protection from the rain, she told Mrs. Plácida that she had decided to leave the village. Mrs. Plácida asked her to stay, but she had already made up her mind.


     


    In the morning of last Friday, the oldest son of Teresa ran through the community crying for help. Teresa was found by her relatives in what had been left of her hut hanging a little one meter above the ground from a rope tied to her neck and to a wood that supported the roof, without tiles, of her hut.


     


    According to the report called “Violence against indigenous peoples in Brazil”, 68 members of the Guarani Kaiowá people committed suicide between 2003 and 2005 in the state of Mato Grosso do Sul. The report mentions that the main cause of these deaths is the lack of land. According to studies carried out by the National Foundation for Indigenous People (Funai), over 100 Guarani Kaiowá traditional lands are still waiting their demarcation procedures to start.


     


     


    TUPINIKIM AND GUARANI ARE IN BRASÍLIA TO DEMAND DECISION FROM THE MINISTER OF JUSTICE


     


    Four leaders of the Tupinikim and Gurani peoples arrived in Brasília on Thursday, the 19th, to hold meetings at the Ministry of Justice and the Federal Prosecutor’s Office.


     


    At the Ministry of Justice, the indigenous people were informed by its legal advisory department that the technical report which must be prepared by the legal advisors of the ministry was not ready yet and, therefore, had not been submitted to the minister of Justice. The person in charge for such reports at the ministry, Luciana Schettini, said that this case is one of the priorities of the Ministry of Justice. The legal deadline for the minister of Justice to make a decision in relation to the report identifying the land expired on October 12.


     


    The Federal Prosecutor’s Office, through the deputy attorney in charge of matters related to the state of Espírito Santo, Dr. Eugênio Aragão, agreed with the opinion of the indigenous people that the advertising actions of the Aracruz corporation have discriminatory and racist contents and that the accusations made against them should ensure to the indigenous people the right to respond.


     


     


    CIMI REQUESTS SOLIDARITY FROM PEOPLE AND ORGANIZATIONS IN CONNECTION WITH THE TRIAL OF THE VICENTE CAÑAS CASE


     


    The trial of three of the six defendants accused of murdering the Jesuit missionary Vicente Cañas is scheduled to begin on Tuesday, October 24. The jury trial will be held in Cuiabá, state of Mato Grosso. This week, Cimi sent a request to people and organizations who support the indigenous cause, to send letters to the Public Prosecutor’s Office and the media, stressing the importance of the case in the struggle against impunity, which has prevailed for 19 years in this case. The crime can expire in less than one year.


     


    Vicente Cañas was killed in 1987 because of his fight for the demarcation of the Enawenê-Nawê land and work to ensure health care to these people. According to Cimi, the result of the trial can represent a huge advance in the struggle against impunity. 


     


    He was a member of a pioneering group of missionaries who made a big change in the way missionaries work with indigenous people by opting for living with them and truly hearing what they have to say, taking part in their daily activities, showing solidarity and respect for them and respecting their religious beliefs, in short, becoming one with them. 


     


    If you want to take part in this campaign, read the proposed letter and check the addresses suggested for sending it here.


     


    Brasília, October 20, 2006


     

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  • 23/10/2006

    CARTA AOS POVOS DA AMAZÔNIA

    A Igreja na Amazônia historicamente vem se comprometendo na defesa da vida, da justiça e da paz para os povos dessa região. A sua missão principal é o compromisso com o Reino de Deus para que ele se concretize, especialmente no meio daqueles e daquelas que são espoliados de sua dignidade humana como filhos e filhas de Deus e, portanto, relegados aos porões da nossa sociedade de forma marginalizada e excluída.


    Os defensores e as defensoras dos direitos humanos, comprometidos, verdadeiramente, com o Reino de Deus e a Sua Justiça, incomodam os inimigos do povo e, lamentavelmente, têm sido atacados de forma leviana, caluniosa, maldosa e difamadora através de cartas anônimas, manifestações públicas, declarações em jornais, além de uma gama variada de outras ameaças.


    Mais uma vez Dom Erwin Krautler e a Igreja em geral, foram atacados de forma pública pelo seu compromisso com o Reino de Deus e serviço aos pobres e pequenos da região do Xingu. Foram desferidas inúmeras acusações infundadas que tem a finalidade clara de desarticular e enfraquecer a missão incansável e profética do Bispo do Xingu que tem dado para todo o Brasil um forte testemunho de anúncio e denúncia em favor de uma sociedade justa e igualitária.


    A questão é que existe em toda a Amazônia um consórcio criminoso de pessoas grileiras de terras públicas, de muitos fazendeiros que utilizam o trabalho escravo, de muitos madeireiros que exploram a floresta de forma ilegal, de pessoas que utilizam o trabalho infantil e abuso sexual de menores, que querem fazer desaparecer todas as pessoas que lutam e se comprometem em defesa da vida. São esses inimigos perigosos e exploradores da nossa região que estão incomodados pela atuação dos que denunciam tais crimes, por conseguinte também com o Bispo.


    Há, na verdade, dois modelos em debate sobre a Amazônia: o agronegócio e o desenvolvimento sustentável. Os grandes proprietários, através de suas organizações vendem a falsa idéia de que a região somente será desenvolvida com a monocultura da soja, exploração de minério e madeira, como recentemente no último dia 08 (oito) foi apresentado em jornais de grande circulação na cidade de Belém. Essas pessoas defendem um desenvolvimento de forma depredatória, sem estudos prévios e sem considerar não só a própria geografia da Amazônia mas também os seus povos os quais por meio de suas entidades e organizações vêem lutando pela implementação de um desenvolvimento sustentável, que garanta a vida para a presente e  futuras gerações.


    Insultam a igreja católica na pessoa do bispo Dom Erwin, que escolheu ser brasileiro por amor aos excluídos e excluídas deste chão, e que há mais de quarenta anos está na Prelazia do Xingu se doando pela construção do Reino de Deus, defendendo a vida, e dignidade da pessoa humana, obedecendo ao mandato de Jesus que nos manda trabalhar “para que todos tenham vida e vida em abundância”. E quem são seus algozes? De onde eles vêm? O que fazem em defesa da vida e dos povos amazônidas? Visam o bem comum ou o enriquecimento próprio a qualquer custo?


     Lembremos que no ano de 2007, a Campanha da Fraternidade da nossa Igreja Católica será Fraternidade e Amazônia: Vida e Missão Neste Chão, portanto, nós, filhas e filhos de Deus, temos o compromisso de sermos multiplicadores da prática da Justiça, da Verdade e da Paz e de defendermos as pessoas que corajosamente colocam a sua vida a serviço daqueles e daquelas que são ultrajados na sua dignidade humana. Devemos lutar pelo Reino de Deus, recebemos esse mandato de Jesus Cristo, que foi perseguido, assassinado e condenado à cruz ao pregar o Plano de Deus, defendendo os pobres e oprimidos, Ele mesmo alertou seus discípulos diante das ameaças, dizendo: “Cuidado com os homens porque Eles vos entregarão aos Tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas. Vós sereis levados diante de governantes e reis por minha causa, para dar testemunho de mim diante deles e das nações” (Mt. 10, 17-18)


    Queremos manifestar o nosso total apoio e solidariedade ao Dom Erwin e tantos outros e outras que estão sendo atacados de forma injusta pelos perseguidores da prática do Bem porque contraria os seus egoísticos propósitos de enriquecimento.


    Exigimos das autoridades competentes as providências devidas para os autores das ameaças e campanhas difamatórias, além de prosseguir na condenação daqueles que tiveram a cruel ousadia de assassinar Ir. Dorothy, Bartolomeu Morais da Silva – o Brasília, José Dutra da Costa – o Dezinho, Ademir Alfeu Federicci – Dema, e tantos outros e outras defensores dos Direitos Humanos e da vida na Amazônia.


                                                    Belém, 14 de Outubro de 2006.


     


     


    Entidades, Pastorais e participantes do encontro da Campanha da Fraternidade 2007:


     


    Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB;


    Conferência dos Religiosos do Brasil – CRB;


    Associação Amazônica de Ciências Humanas e Religião – ACER


    Conselho Indigenista Missionário CIMI;


    Comissão Verbita Justiça, Paz e Integridade da Criação – JUPIC;


    Missionários do Preciosíssimo Sangue;


    Missionários do Verbo Divino;


    Instituto de Pastoral Regional;


    Paróquia de Santa Cruz;


    Associação da Educação Católica – AEC;


    Congregação das Irmãs de Maria Menina;


    Congregação das Irmãs de Santa Terezinha;


    Congregação dos Missionários Xaverianos;


    Comissão Justiça e Paz – CJP


    Comissão Pastoral da Terra Regional Pará– CPT;


    Cáritas Brasileira;


    Comitê Dorothy;


    Pastoral do Menor;


    Comissão de Direitos Humanos da OAB – sub-secção Santarém;


    Comissão de Direitos Humanos da OAB;


    Pastoral da Comunicação Belém – PASCOM;


    Comissão Regional do Laicato – CRL;


    COMIRE;


    Catequese


    Pastoral da Juventude;


    Pastoral da Criança


    Pastoral Social de Santarém;

    Pastorais Sociais do Regional Norte II;

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  • 20/10/2006

    Vicente que vi e Visita Derradeira



    Vicente, Kiwi


    Tua morte não foi em vão


    Tua memória nos acompanha,


    Na vida dos Enawenê-Nawê,


    No Centro de formação


    E luta do Cimi,


    Na mobilização dos povos,


    Na construção


    De um mundo mais justo!


     


    Chega de impunidade,


    Basta de duas medidas,


    Depois de 19 anos,


    É chegada a hora


    Da justiça e punição


    Pela barbárie cometida,


    Tiraram tua vida,


    Tentando calar tua voz,


    Teus sonhos e utopia,


    De ver clarear novo dia


    Solidário e plural,


    Onde todos possam viver


    Na igualdade e dignidade!


     


    O Vicente que vi,


    Estirado ao lado do seu barraco,


    Com belo colar Enawenê


    No pescoço


    E um buraco no peito,


    Preservado pela natureza,


    Depois do brutal assassinato,


    Há mais de 40 dias,


    Foi uma imagem chocante,


    Que levou Tomás ao pranto,


    E uma revolta incontida,


    Convertido em luta por justiça!


     


    Por tantos anos


    Os assassinos e os mandantes


    Apostaram na impunidade,


    Tua cabeça rolou por esse país,


    Nas mãos de estranhos e peritos


    Sem conseguir sensibilizar


    Os responsáveis pela justiça!


     


    Enquanto isso, em Dourados,


    Nove Kaiowá Guarani,


    Presos há mais de meio ano,


    Acusados da morte


    De dois policiais,


    Vêem o processo acusatório


    Correndo com tanta presteza


    Que já se começa prever


    Julgamento ainda esse ano!


     


    Os assassinos de Marçal


    Continuam impunes,


    Depois de depois de 28 anos.


    Igualmente os matadores


    De Dorival e Dorvalino,


    Contam a seu favor,


    A lentidão da justiça,


    Enquanto gozam de liberdade!


     


    Kiwi, nos acompanhe


    Na luta de cada dia,


    Enquanto atentos acompanhamos,


    O julgamento dos teus assassinos,


    Clamando por justiça,


    Que embora tardia,


    Será muito importante,


    No combate à impunidade!


     


    Campo Grande (MS), 19 de outubro de 2006.



     


    Visita Derradeira


    (escrito em junho de 1987, um mês após o assassinato de Vicente Canãs)


     


    Sol nascente,


    Cortando as águas do rio Papagaio.


    Manhã de ansiedade.


    Ao encontro do companheiro Vicente,


    íamos seus amigos.


    Jarika, o novo, kiwuxi, Myky,


    Tião e Egon, do Cimi regional e nacional.


    Vencendo as águas contrárias


    do Yuruena,


    pensamento e esperança


    já indo além.


    Finalmente,


    a chegada ao porto.


    A estranheza.


    A grito.


    Respondido pelo silêncio!


    O encontro,


    a estupefação.


    o pranto,


    ante o cadáver mumificado ao lado do barraco.


    Era dia 16 de maio.


    A vida matada do companheiro


    calou fundo.


    Ganhou as matas,


    os rios, as estradas,


    O mundo.


    Semente!


     


     


     

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