03/10/2023

Jovens indígenas realizam VII Encontro da Juventude Xucuru-Kariri

O encontro ocorreu entre os dias 27 e 30 de setembro com intuito de fortalecer a organização da juventude Xucuru-Kariri; o evento foi sucedido pela 10ª Romaria da Água e da Terra

VII Encontro da Juventude Xucuru-Kariri. Foto: Adriano Arantos

Entre os dias 27 e 30 de setembro, a Comissão de Jovens Lideranças Xucuru-Kariri realizou o VII Encontro da Juventude Xucuru-Kariri que contou como lema “os mortos ressuscitarão os vivos”. A expressão usada pelo pajé Antônio Celestino para se referir aos achados arqueológicos das Igaçabas – urnas funerárias tradicionais do povo Xucuru-Kariri – simboliza a resistência de seu povo em defesa de seu território sagrado.

O evento foi realizado com o objetivo de fortalecer a organização interna da juventude do povo em torno da luta pela terra e pelo Bem Viver dos Xukuru-Kariri, bem como o estabelecimento de alianças dos povos indígenas com organizações parceiras e aliadas.

O VII Encontro da Juventude Xucuru-Kariri contou como lema “os mortos ressuscitarão os vivos”

Jovens Xucuru-Kariri homenageiam a liderança de seu povo Maninha Xucuru-Kariri durante o encontro. Foto: Adriano Arantos”

O encontro resultou ainda na elaboração de uma carta redigida pelos jovens indígenas a fim de denunciar as invasões ao território Xukuru-Kariri e reivindicar a demarcação de suas terras, cuja processo encontra-se paralisado.

“A demarcação das terras Xukuru-Kariri representa um novo alvorecer social, político, cultural e econômico para Palmeira dos Índios e região […] A terra é nossa preciosa casa comum, a mãe benevolente de todas as vidas […]O povo Xukuru-Kariri compreende ser suficientemente possível criar uma unidade nacional, fortalecer o cuidado com a mãe terra e amadurecer os laços fraternais entre as culturas. Por isso, queremos nossa terra livre e demarcada”, afirmam na carta.

“A demarcação das terras Xukuru-Kariri representa um novo alvorecer social, político, cultural e econômico para Palmeira dos Índios”

VII Encontro da Juventude Xucuru-Kariri. Foto: Adriano Arantos

10ª Romaria da água e da Terra

O encontro da juventude Xucuru-Kariri foi sucedido pela 10ª Romaria da Água e da Terra, que ocorreu entre a noite de sábado (30) e a manhã do dia seguinte (01). O evento foi uma realização da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), Cáritas Brasileiras e da Diocese de Palmeiras dos Índios junto aos povos indígenas do estado de Alagoas.

A romaria ocorreu na aldeia Mata da Cafurna, no município de Palmeiras dos Índios, em Alagoas, em meio ao processo de luta pela demarcação das terras do povo Xucuru-Kariri, que aguarda a homologação e a desintrusão de seu território. A atividade buscou chamar atenção da sociedade para importância de se concluir o processo de demarcação desse povo.

A romaria ocorreu na aldeia Mata da Cafurna, no município de Palmeiras dos Índios, em Alagoas

10ª Romaria da Água e da Terra. Foto: Adriano Arantos

No encontro, estiveram presentes lideranças religiosas, o pajé Antonio Celestino, o bispo da diocese do município, Dom Manuel e representantes dos povos Kalankó, Geripankó, Koiupanká, Kariri-Xocó, Karapotó Terra-Nova, Wassú-Cocal, Xukuru do Ororubá, Pankararu Opará e Xocó.

Após a benção do pajé Antonio Celestino, os povos indígenas desceram a serra entoando cantos do toré até a catedral de Nossa Senhora do Amparo. As mulheres Xukuru-Kariri destacaram-se durante todo o percurso levando uma cruz de madeira até o altar da catedral.

No encontro, estiveram presentes lideranças religiosas, o pajé Antonio Celestino, o bispo da diocese do município, Dom Manuel e representantes dos povos

10ª Romaria da Água e da Terra. Foto: Adriano Arantos

Na chegada à catedral, ocorreu o encontro com a comunidade e trabalhadores rurais dos acampamentos e assentamentos ligados à Comissão Pastoral da Terra (CPT) e ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), vindos de toda parte do estado de Alagoas.

Após a benção de envio na catedral, romeiras e romeiros continuaram a romaria com muita animação e espiritualidade em direção à aldeia Fazenda Canto. Durante o percurso houve algumas paradas para refletir o tema da romaria, anunciar as dádivas e denunciar as opressões.

A juventude camponesa trouxe para reflexão a relação funcional com a terra, os Xukuru- Kariri trouxeram falas sobre o processo de demarcação e contra a famigerada tese do marco temporal, além da importância da parceria com aliados na luta pela terra.

Durante o percurso houve algumas paradas para refletir o tema da romaria, anunciar as dádivas e denunciar as opressões

A romaria encerrou-se na madrugada do último domingo (01) com a chegada na aldeia Fazenda Canto. Na ocasião, foi aberto o espaço para falas de lideranças dos movimentos e pastorais sociais e ocorreu um sorteio com produtos orgânicos dos trabalhadores da CPT. Ao final, foi realizado um café da manhã preparado e servidos pelos indígenas Xukuru-Kariri da aldeia Fazenda Canto.

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