24/04/2006

V Encontro Continental de Teologia Índia – Acompanhe a cobertura especial

Estar ao lado dos povos indígenas, assumir o compromisso revolucionário


 


Para os religiosos cristãos presentes ao V Encontro Continental de Teologia Índia, refletir e aprofundar a espiritualidade e os modelos de vida dos povos indígenas são formas de inspirar a luta por profundas mudanças na sociedade.


 


Dom Luis Soares Vieira, coordenador da regional CNBB Norte I, bispo da Diocese de Manaus, estado com a maior população e o maior número de povos indígenas no Brasil, observa no lema, “a força dos pequenos, vida para o mundo”, uma tradução das lutas e do cotidiano da vida em seu estado. “O lema deste encontro diz muito a nossa região, tão afetada pela ambição dos grandes capitalistas, que provocam a degradação do meio ambiente. Neste sentido percebo que as respostas para os problemas da Amazônia a esta sociedade da morte, vêm dos pequenos, dos povos indígenas que vivem em harmonia com a floresta”.


 


Representando mais de 160 organizações evangélicas que trabalham com povos indígenas em todo o continente, Lazaro Gonzales, pastor luterano boliviano, membro do Conselho Latino Americano de Igrejas Evangélicas (CLAI), tem expectativas semelhantes às do bispo de Manaus de sobre a luta dos povos indígenas. “Nós evangélicos também esperamos que os povos indígenas sejam a força de vida e luz no combate a sociedade da morte. Acreditamos que daqui saiam muitas luzes de esperança para este mundo”.


 


Para explicar como as relações dentro da Teologia Índia do ponto de vista da Igreja Católica se dão na prática, D. Franco Masserdotti, bispo de Balsas (MA) e presidente do Cimi, cita um trecho do Plano Pastoral da entidade que preside: “dentro do processo de autonomia, diálogo e anúncio, a caminhada da Teologia Índia insere-se como expressão própria da partilha da experiência de Deus. Essa experiência, muitas vezes, está codificada nos mitos e ritos que são respostas aos desafios históricos de cada povo. Os processos do anúncio e da inculturação não desvalorizam essas respostas. Pelo contrário, as assumem na medida em que contribuem para o fortalecimento dos projetos dos povos indígenas e de sua identidade. Essa contribuição é um ponto de referência essencial da avaliação da prática missionária”.


 


D. Franco Masserdotti compara a opção da Igreja — em especial de seu setor pastoral — por modelos alternativos, em resistência ao neoliberalismo com a escolha de Jesus Cristo que abraçou a cultura popular na Palestina se opondo à cultura do império dominante. Esta atitude, segundo Masserdotti, trata-se de um convite a reflexão política, “temos que ter consciência de que ao optar pela cultura popular e defender a pluralidade de experiências com divindades, temos mais força para enfrentar o pensamento único”.


 


Nesta relação entre Igreja e povos indígenas, que certamente em outros tempos já foi muito difícil e conflituosa, hoje se busca através do diálogo feito pela Teologia Índia, o compromisso com a vida dos pequenos. Este é o caso da Igreja de San Cristóban de Las Casas, que se manifesta em apoio do levante zapatista desde seu início em 1992. “Este compromisso com os pequenos, nós em Chiapas (estado do sul do México) assumimos dando apoio à luta dos povos indígenas por sua autonomia, vida e dignidade”, declara Dom Felipe Arizmende, bispo de Chiapas.


 


Manaus (AM), 24 de abril de 2006.


 


Cristiano Navarro (Cimi)


 

Fonte: Cimi
Share this: